AS MENINAS De Lígia Fagundes Teles. Por Nilza Carolina Suzin Cercato
EPÍGRAFE <ul><li>Ana Clara, não envesga! – disse a irmã Clotilde na hora de bater a foto. </li></ul><ul><li>Enfia a blusa ...
A AUTORA <ul><li>  </li></ul><ul><ul><ul><ul><li>“ Meu nome é Ligia Fagundes Teles . Nasci em São Paulo a 19  de abril de ...
AS MENINAS <ul><li>Romance complexo, em doze capítulos  </li></ul><ul><li>Enredo marcado por vários narradores </li></ul><...
ENREDO <ul><li>A trama gira em torno de três moças, universitárias que, para poder estudar, estão morando num pensionato d...
LIA (LIÃO) MELO SCHULTZ <ul><li>Baiana, filha de uma baiana e um alemão, ex-nazista. </li></ul><ul><li>É a guerrilheira do...
LIA (LIÃO) <ul><li>Pelas amigas e por ela mesma ficamos sabendo que ela é alta, forte, cabeleria farta, que precisava ser ...
ANA CLARA <ul><li>É mais frágil das três. Lorena a acha linda, perfeita.  </li></ul><ul><li>Drogada, prostituída, foi viol...
ANA CLARA CONCEIÇÃO  (ANA TURVA) <ul><li>A mãe se suicidou, depois de ter sido maltratada pelo amante, quando lhe diz que ...
ANA TURVA <ul><li>Lorena sai para conversar com Lia, quando volta constata que Aninha está morta. </li></ul><ul><li>Lorena...
MAX <ul><li>Namorado de Ana Clara, vive drogado e vendendo drogas até para crianças. </li></ul><ul><li>Vem de uma família ...
LORENA VAZ LEME <ul><li>Personagem que centraliza a narrativa </li></ul><ul><li>Filha de uma família riquíssima. </li></ul...
LORENA <ul><li>Das três é virgem. Sonha com Marcus Nemesius (MN) que ela chama pelas iniciais somente.  </li></ul><ul><li>...
LORENA <ul><li>Convive com as freiras, a quem coloca apelidos conforme as manias delas. </li></ul><ul><li>Tem a superstiçã...
LORENA <ul><li>No dia em que Ana Turva a procurou, suja de sangue e lama, drogada, Lorena dá um banho, coloca na cama. </l...
MARCUS NEMESIUS <ul><li>Pretenso namorado de Lorena. </li></ul><ul><li>Tem esse nome porque o pai era latinista </li></ul>...
A MÃEZINHA <ul><li>Assim é chamada a mãe de Lorena. </li></ul><ul><li>Depois da morte do pai, vende a fazenda em que vivia...
A MÃEZINHA <ul><li>Lorena tem carro, mas ela empresta um dos dela. </li></ul><ul><li>Com esse carro, Lia ajuda os revoluci...
AS FREIRAS – Madre Alix <ul><li>Madre Alix: psicanalista é vista como uma santa por Lorena; Ana desejava ter uma avó como ...
AS FREIRAS – Irmã Bula <ul><li>Tem esse nome porque vive com os bolsos cheio de bulas de remédio, ervas medicinais </li></...
AS FREIRAS – Irmã Clotilde <ul><li>Gosta das meninas. </li></ul><ul><li>Procura um meio de ajudá-las, leva frutas... </li>...
OS NARRADORES <ul><li>Há um narrador onisciente que se imiscui na narrativa das meninas </li></ul><ul><li>Cada uma das trê...
TRECHOS – TEXTO 01 <ul><li>Acendo um cigarro. Que me importa dormir no meio dos bêbados, das putas, o cigarro aceso no meu...
TEXTO 02 <ul><li>Bossa escapamento aberto. Nesse ponto os bichos são tão mais bacanas, nunca vi Astronauta se assoar em pú...
TEXTO 3 <ul><li>Fico olhando Max. Dormiu feliz segurando o pinto. E tem coisa melhor pra segurar? Muito lindo o meu amor. ...
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  1. 1. AS MENINAS De Lígia Fagundes Teles. Por Nilza Carolina Suzin Cercato
  2. 2. EPÍGRAFE <ul><li>Ana Clara, não envesga! – disse a irmã Clotilde na hora de bater a foto. </li></ul><ul><li>Enfia a blusa na calça, Lia, depressa. </li></ul><ul><li>E não faça careta, Lorena, você está fazendo careta! </li></ul><ul><li>A pirâmide. </li></ul>
  3. 3. A AUTORA <ul><li>  </li></ul><ul><ul><ul><ul><li>“ Meu nome é Ligia Fagundes Teles . Nasci em São Paulo a 19 de abril de 1923, e faço parte do Modernismo.  </li></ul></ul></ul></ul><ul><li>Meu pai chamava-se Dr. Durval de Azevedo Fagundes. Era delegado e promotor e por esse motivo posso dizer vivi minha infância em várias cidades, já que, quando pequena, viajei para muitos lugares do interior de São Paulo. Minha mãe chamava-se Dona Maria do Rosário de Azevedo Fagundes – Zazita , e ela era pianista.  </li></ul><ul><li>Fiz faculdade de Direito e de Educação Física, mas a carreira que segui foi de prosadora. Desde pequena escrevo vários contos. Minha estréia, na literatura, deu-se em 1944, com o volume de contos Praia viva , e foi com esta obra que me tornei conhecida. Minhas principais obras são Venha ver o pôr-do-sol , Praia Viva e As Meninas.   </li></ul><ul><li>Em 1981, quando tinha 58 anos, fui eleita para a cadeira 28 da Academia Paulista de Letras e em 24 de outubro de 1985 fui eleita para a cadeira 16 da Academia Brasileira de Letras, ocupando a vaga de Pedro Calmon. Em 1991 aposentei-me como procuradora do Instituto de Previdência do Estado de São Paulo.&quot;  </li></ul><ul><li>Lígia Fagundes Teles foi laureada com o prêmio Camões, em 2005.   </li></ul>
  4. 4. AS MENINAS <ul><li>Romance complexo, em doze capítulos </li></ul><ul><li>Enredo marcado por vários narradores </li></ul><ul><li>A trama psicológica se desdobra em ação e subjetividade </li></ul><ul><li>Romance escrito em 1973, está contextualizado no Brasil da ditadura militar, do presidente Médici </li></ul><ul><li>Tempo do silêncio e da censura. </li></ul>
  5. 5. ENREDO <ul><li>A trama gira em torno de três moças, universitárias que, para poder estudar, estão morando num pensionato de religiosas, no Rio de Janeiro. </li></ul><ul><li>Com a finalidade de proteger as moças, esse pensionato pretende defendê-las do mundo que as cerca. </li></ul><ul><li>No entanto, ele não é um casulo intocável, pois está exposto aos dramas do período: medo, política, sexo e drogas. </li></ul><ul><li>As três são amigas, mas principalmente, são pessoas que vivem no mesmo tempo e lugar. </li></ul><ul><li>A trama conta a história das três moças: Lia, Ana Clara e Lorena. </li></ul>
  6. 6. LIA (LIÃO) MELO SCHULTZ <ul><li>Baiana, filha de uma baiana e um alemão, ex-nazista. </li></ul><ul><li>É a guerrilheira do grupo. Envolve-se em lutas contra a ditadura, tem seu namorado preso (Miguel). </li></ul><ul><li>Por ele, não receia em se expor, mas sempre que há riscos corre para Lorena. A amiga de todas as horas. </li></ul><ul><li>Através do monólogo interior, num fluxo de consciência vertiginoso, ela reproduz a tortura e as prisões ocorridas com seus amigos. </li></ul><ul><li>Tem medo de ser presa, mas não esconde de seus pais, que estão na Bahia, a situação que vive. </li></ul><ul><li>No final do romance, quando o namorado vai ser libertado, ela se prepara para ir para a Argélia, a fim de escapar da prisão. </li></ul><ul><li>Quem ajuda na compra da passagem e com roupas é Lorena e a “mãezinha”. </li></ul>
  7. 7. LIA (LIÃO) <ul><li>Pelas amigas e por ela mesma ficamos sabendo que ela é alta, forte, cabeleria farta, que precisava ser contida, segundo Lorena, padrão afro . </li></ul><ul><li>É estudante universitária, mas no momento trancou o semestre, além do mais a faculdade está em greve. </li></ul><ul><li>Inteligente, brilhante mesmo, lê Marx, Sartre, Simone de Bouvoir, Lacan sabe citar frases significativas em latim. </li></ul><ul><li>Fuma muito, troca pouco de roupas, aliás tem poucas roupas, parece que só come quando visita Lorena. </li></ul><ul><li>É capaz de analisar a personalidade das pessoas, e conhece os segredos das amigas. </li></ul><ul><li>Não conta onde se encontram seus amigos revolucionários que se escondem em lugares fétidos, deprimentes. </li></ul><ul><li>Seu codinome é Rosa. </li></ul><ul><li>Decidida em todos os atos, é ela quem escolheu quem seria o homem de “sua primeira vez”, sem sentimentalismo, mas inteligentemente, o que merece crítica de Lorena </li></ul>
  8. 8. ANA CLARA <ul><li>É mais frágil das três. Lorena a acha linda, perfeita. </li></ul><ul><li>Drogada, prostituída, foi violentada pelo dentista (Dr Algodãozinho), maltratada pelos amantes da mãe. </li></ul><ul><li>É amante de Max, um traficante e drogado como ela, mas está noiva de um homem rico, industrial a quem chama de “escamoso”. </li></ul><ul><li>Vive sonhando com um mundo imaginário, no qual é rica, tem muitos vestidos, roupas sofisticadas, e é tratada como uma princesa pelo marido rico. </li></ul><ul><li>Não consegue esconder as marcas do vício, tem os braços picados e quando sai do pensionato se encontra com Max, vive momentos de alucinação. </li></ul><ul><li>Costuma inventar uma família, não sabe quem é o pai, pensa em comprar uma certidão nova, com nome de pai, mãe nobres, quer ter muito dinheiro, pensa que com dinheiro tudo se resolve. </li></ul><ul><li>É estudante de psicologia e abandonou o semestre. </li></ul>
  9. 9. ANA CLARA CONCEIÇÃO (ANA TURVA) <ul><li>A mãe se suicidou, depois de ter sido maltratada pelo amante, quando lhe diz que está grávida. </li></ul><ul><li>Subentende-se que o “escamoso” é quem paga o pensionato. </li></ul><ul><li>Ela fica grávida de Max, quer fazer o aborto e depois uma vaginoplastia, uma vez que, para o noivo, ela é virgem, pura, sem nunca ter conhecido homem algum. </li></ul><ul><li>Em determinados momentos da narrativa, parece que esse noivo só existe na imaginação, pois nunca, ninguém o viu. </li></ul><ul><li>Quando fala, costuma não terminar as frases, por exemplo: “Mas se é agora que eu.” “Não fico sentimental só porque ela.” </li></ul><ul><li>Recebe apoio da Madre Alix, psicanalista com que ela se trata, depois de ter passado por outros, que se aproveitaram dela. </li></ul><ul><li>Numa noite, chega ao quarto de Lorena, suja de barro e sangue, cheia de hematomas no peito, nos braços, meio inconsciente. Lorena prepara a banheira com sais, dá um banho nela, coloca seu robe vermelho e a deixa deitada descansando. </li></ul>
  10. 10. ANA TURVA <ul><li>Lorena sai para conversar com Lia, quando volta constata que Aninha está morta. </li></ul><ul><li>Lorena veste Aninha com um lindo vestido preto, faz a maquiagem que costumava fazer quando Ana estava muito trêmula, devido às drogas. </li></ul><ul><li>Lorena chama por Lia e decide que Ana não pode aparecer morta no pensionato Nossa Senhora de Fátima. Isso seria uma injustiça com a Madre Alix que tratara Ana com todo carinho. Ana, drogada, morta no pensionato, seria um escândalo e uma humilhação para as freiras tão bondosas com ela. </li></ul><ul><li>Decidem, então, levar Ana para a praça, e deixá-la com identidade, e carteirinha de estudante para ser logo identificada. </li></ul>
  11. 11. MAX <ul><li>Namorado de Ana Clara, vive drogado e vendendo drogas até para crianças. </li></ul><ul><li>Vem de uma família abastada que perdeu os bens </li></ul><ul><li>A irmã “Duchinha” está num sanatório </li></ul><ul><li>Ana dá valor a ele por ser loiro, bonito </li></ul><ul><li>Acha que Ana será sempre dele, mesmo se casando com “escamoso” </li></ul><ul><li>Quando Ana lhe diz que está grávida, ele diz que deseja ter o filho. </li></ul>
  12. 12. LORENA VAZ LEME <ul><li>Personagem que centraliza a narrativa </li></ul><ul><li>Filha de uma família riquíssima. </li></ul><ul><li>O pai morreu e a mãe está vivendo com um homem mais jovem, cujo apelido é Mieux (en faute de mieux) </li></ul><ul><li>No pensionato, o quarto dela era o apartamento do antigo motorista. A mãe reforma tudo para que a filha se sinta confortável. Faz isso porque tem remorso pelo fato de a filha não morar na casa luxuosa em que vive com Mieux </li></ul>
  13. 13. LORENA <ul><li>Das três é virgem. Sonha com Marcus Nemesius (MN) que ela chama pelas iniciais somente. </li></ul><ul><li>Vive à espera de um telefonema dele </li></ul><ul><li>Apóia as amigas com dinheiro, com alimentação, oferece segurança a elas a qualquer hora. </li></ul><ul><li>Há um drama em sua vida. Tinha dois irmãos: Rômulo e Remo. Por acidente, numa brincadeira, Remo atira com espingarda em Rômulo e o mata. </li></ul><ul><li>Remo é diplomata em Tunis e sempre manda presentes caros e especiais para Lorena. </li></ul><ul><li>Tem uma Gata e um gato chamado Astronauta, este vive saindo à noite até o dia que não volta. Mas Lorena espera por ele </li></ul>
  14. 14. LORENA <ul><li>Convive com as freiras, a quem coloca apelidos conforme as manias delas. </li></ul><ul><li>Tem a superstição de que se deve falar as palavras ao contrário para dar sorte. Oriehnid. Raza. Usa a expressão: Ai meu pai! seguidamente. </li></ul><ul><li>Lê tudo sobre Che Guevara que é seu ídolo. Ouve música clássica e gosta de Jazz. Sempre que pode coloca o disco de Jimi Hendrix. </li></ul><ul><li>As amigas sabem que podem contar com ela, e ela é generosa oferecendo a banheira cor-de-rosa, a geladeira repleta, roupas que sirvam nas amigas. </li></ul><ul><li>Gosta de vestir blusas largas, calças de malha justas. Muito magra, miúda, Lia diz que ela parece um inseto. </li></ul>
  15. 15. LORENA <ul><li>No dia em que Ana Turva a procurou, suja de sangue e lama, drogada, Lorena dá um banho, coloca na cama. </li></ul><ul><li>Ao vê-la morta, faz um ritual de entregar a alma de Ana e toma todas as providências para que a imprensa não envolva o pensionato em escândalo. </li></ul><ul><li>Até o final do romance, MN não a procurou mais. </li></ul><ul><li>Ela cursa a faculdade de Direito. Na véspera da morte de Ana a greve acabou e ela terá prova no dia seguinte. Mesmo assim, as amigas vêm em primeiro lugar. </li></ul>
  16. 16. MARCUS NEMESIUS <ul><li>Pretenso namorado de Lorena. </li></ul><ul><li>Tem esse nome porque o pai era latinista </li></ul><ul><li>É casado e tem cinco filhos </li></ul><ul><li>Há um encantamento entre Lorena e ele, mas num bilhete ele lhe diz para não procurá-lo, porque jamais deixará a família </li></ul><ul><li>Não deseja se envolver com Lorena, no bilhete escreve que vai telefonar </li></ul><ul><li>Não aparece. Lorena não se envolve com outros, mesmo jovens como Fabrizio que tenta ter uma relação com ela. </li></ul>
  17. 17. A MÃEZINHA <ul><li>Assim é chamada a mãe de Lorena. </li></ul><ul><li>Depois da morte do pai, vende a fazenda em que viviam e vai para a cidade </li></ul><ul><li>Vive com Mieux, que gasta sua fortuna </li></ul><ul><li>Faz inúmeras plásticas para esconder a idade </li></ul><ul><li>Apagou da mente o modo como se deu a morte do filho Rômulo. </li></ul><ul><li>Conta a todos que, quando bebê, Rômulo teve uma febre muito forte, uma doença que os médicos não diagnosticaram e ele faleceu poucos meses depois de nascido. </li></ul><ul><li>Ao afastar a filha de seu convívio, tenta compensar dando-lhe de tudo. </li></ul>
  18. 18. A MÃEZINHA <ul><li>Lorena tem carro, mas ela empresta um dos dela. </li></ul><ul><li>Com esse carro, Lia ajuda os revolucionários. </li></ul><ul><li>Dá roupas para Lia fugir com Miguel para Argélia. </li></ul><ul><li>No final, Mieux a abandona e ela vai pedir à filha que volte para casa. </li></ul><ul><li>O quarto de Lorena ficará para uma nova pensionista que vem do Pará. </li></ul>
  19. 19. AS FREIRAS – Madre Alix <ul><li>Madre Alix: psicanalista é vista como uma santa por Lorena; Ana desejava ter uma avó como ela; Lia confia nela, espera que não a denuncie. </li></ul><ul><li>É uma personagem que é mais falada do que fala. </li></ul><ul><li>Tem a admiração de todos os envolvidos na narrativa </li></ul><ul><li>Nos depoimentos das meninas, ela merece o maior respeito </li></ul>
  20. 20. AS FREIRAS – Irmã Bula <ul><li>Tem esse nome porque vive com os bolsos cheio de bulas de remédio, ervas medicinais </li></ul><ul><li>É idosa, as meninas riem dela, em especial pelos comentários que faz sobre sexo. </li></ul><ul><li>Escreve cartas anônimas denunciando pessoas. Lorena teme que ela denuncie Lia. </li></ul>
  21. 21. AS FREIRAS – Irmã Clotilde <ul><li>Gosta das meninas. </li></ul><ul><li>Procura um meio de ajudá-las, leva frutas... </li></ul><ul><li>É ela quem tira a foto das três quando reunidas. </li></ul><ul><li>Lorena acha que ela tem uma história no passado. </li></ul><ul><li>Deseja ser santa, na infância queria ser como Santa Teresinha do Menino Jesus, mais tarde queria ser como Santa Teresa d’Avila. Reconhece que não tem a inocência da primeira nem a inteligência da segunda. </li></ul>
  22. 22. OS NARRADORES <ul><li>Há um narrador onisciente que se imiscui na narrativa das meninas </li></ul><ul><li>Cada uma das três é narradora também. </li></ul><ul><li>O fluxo da consciência é constante </li></ul><ul><li>Cada capítulo se inicia com uma das meninas sendo narradora. No meio da narração o narrador onisciente se manifesta. </li></ul><ul><li>Os fatos da vida de cada uma delas vêm do fluxo da consciência. </li></ul><ul><li>O narrador onisciente interfere quando há diálogo entre as meninas. </li></ul>
  23. 23. TRECHOS – TEXTO 01 <ul><li>Acendo um cigarro. Que me importa dormir no meio dos bêbados, das putas, o cigarro aceso no meu peito, dói sim, mas se soubesse que você está livre, dormindo na estrada ou debaixo da ponte. Mas livre. Não sei agüentar sofrimento dos outros, entende. O seu sofrimento, Miguel. O meu agüentaria bem.[...] Estamos morrendo. Nunca o povo esteve tão longe de nós, não quer nem saber. E se souber ainda fica com raiva. O povo tem medo, ah! Como o povo tem medo. A burguesia fica aí toda esplendorosa. Nunca os ricos foram tão ricos, podem fazer as casas com maçanetas de ouro[...] Não sei explicar, mas tenho mais nojo de intelectual do que de tira. Esse ao menos não usa máscara. Ô Miguel, Precisava de você, mas não choro. Não tenho lenço, Lorena não acharia fino limpar meu nariz na fralda da camisa. (p. 15) </li></ul>
  24. 24. TEXTO 02 <ul><li>Bossa escapamento aberto. Nesse ponto os bichos são tão mais bacanas, nunca vi Astronauta se assoar em público. Buracos demais, secreções demais. Ai meu Pai.[...] “Mais vinho, Lião?” O vinho ela aceita. Também aceita lagosta, fala lagostim. Mas precisa lembrar a estatística das criancinhas morrendo de fome no Nordeste, esse assunto de Nordeste ás vezes exorbita. Não sei até quando a gente vai ter que carregar esse povo nas costas, horrível pensar isso agora, mas já pensei e estou pensando ainda que se Deus não está lá é porque deve ter suas razões. </li></ul>
  25. 25. TEXTO 3 <ul><li>Fico olhando Max. Dormiu feliz segurando o pinto. E tem coisa melhor pra segurar? Muito lindo o meu amor. Não fico sentimental porque ela. Não quero botar a culpa em ninguém não vou ficar o resto da vida acusando mas. Os tipos nojentos que ela levava pra cama. Uma sorte não levar negro. Devia ter alguma coisa contra negro. Vi de tudo menos negro. O Jorge tinha aquele cabelo duro, usava touca de meia. Mas era branco lá à moda dele. Como os outros. “Seu tipo é de italiano, você descende de italianos? Perguntou Lorena”. O escamoso perguntou igual. De italiano não, de francês. Podre de chique descender de francês. Meu pai era francês. Jean Pierre Lariboisière. Sei lá, na hora decido, meto o nome que entender. </li></ul>

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