Revoluçao farrapos

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Revoluçao farrapos

  1. 1. Jorcenita Alves Vieira - 2011
  2. 2. Como era bom o tempo em que Marx explicava que tudo era luta de classes como era simples o tempo em que Freud explicava que Édipo tudo explicava tudo clarinho limpinho explicadinho tudo muito mais asséptico do que era quando nasci hoje rodado sambado pirado descobri que é preciso aprender a nascer todo dia Chacal em Antologia comentada da poesia brasileira do século 21
  3. 3. História regional da infâmia: o destino dos negros farrapos e outras iniqüidades brasileiras (ou como se produzem os imaginários) <ul><li>História universal da infâmia , do argentino Jorge Luis Borges infâmia universal. </li></ul><ul><li>História regional da infâmia , do brasileiro de Santana do Livramento Juremir Machado da Silva. </li></ul><ul><li>15mil documentos </li></ul><ul><li>10 pesquisadores </li></ul><ul><li>...desmistificando a história.... </li></ul>
  4. 4. Principais causas da Revolução Farroupilha foram a independência do Uruguai e um surto de carrapatos em 1834.
  5. 5. “ Um povo em busca de mitos é capaz de tudo Inclusive alimentar intelectuais que forneçam a Matéria-prima da fantasia sonhada.”
  6. 6. &quot;Conta-se que num passado não muito distante grandes homens construíram o Brasil com a força das suas mãos, a energia dos seus ideais e com o sangue que aceitaram verter em campos, rios, sertões e matas em nome do futuro e da pátria. Esses homens saíram da História para entrar no mito. Hoje, brilham em livros escolares ou figuram em placas de ruas paradoxalmente esquecidos e sempre lembrados. Quem foram esses homens? O que fizeram? Foram somente heróis? E se tivessem sido também infames personagens de uma época cruenta em que o futuro se fazia a golpes de preconceitos, de lança e de balas de canhão? (...) E se em cada herói se escondesse também um carrasco? E se a História, como a lemos nas cartilhas, não passasse de um romance de não ficção, uma narrativa estanha em que, sem poder mentir, não se dissesse a verdade? O que é verdade?&quot; (Trecho de História regional da infâmia)
  7. 7. Todo imaginário é real Todo real é imaginário
  8. 8. Principal causa da Revolução Farroupilha foram os carrapatos. O surto de 1834 abalou o gado dos estancieiros do Rio Grande e provocou uma crise sem precedentes. A mais famosa causa da revolução dos proprietários do Rio Grande, nobres demais para falar em carrapatos, é a disparidade dos impostos cobrados pelo governo imperial ao charque rio-grandense e ao charque uruguaio. A verdade é que, além dos carrapatos e dos impostos, a principal causa da chamada Revolução Farroupilha foi a independência da Banda Oriental, a Cisplatina, o Uruguai, em 1828. Os fazendeiros do Rio Grande ficaram sem as pastagens uruguaias. Boa parte deles possuía terras do outro lado da fronteira. Sendo, porém, outro país, havia que se pagar impostos para transitar com o gado A revolução teve início em 20 de setembro de 1835, quando os rebeldes tomaram a capital da Província, Porto Alegre.
  9. 9. Guerra Durante dez anos, de 1835 a 1845, bravos e valentes, os estancieiros do que viria a ser o Estado do Rio Grande do Sul lutaram contra o Império do Brasil. Eram movidos por um ideal moralmente superior e ainda hoje defendido por muitos idealistas: pagar menos impostos. Deram sangue, suor, vidas, filhos e até negros por essa utopia. Principalmente negros alheios, capturados às tropas adversárias, aos quais prometiam liberdade desde que aceitassem viver e morrer lutando pelos seus libertadores contra o exército dos seus antigos e detestáveis. amos. Lanceiros (bucha de canhão) e Infantaria (não p/preconceito, brancos não queriam andar à pé.) Bento Gonçalves Armar escravos tomados ao inimigo, sob a promessa de liberdade futura, só tinha vantagens: dispensava-os de armar massivamente os próprios escravos e mantinha a ordem “natural” das coisas. Não estragavam suas peças com ferimentos incuráveis .
  10. 10. Ideais Farroupilhas: Liberdade Igualdade Humanidade Reunidos em Alegrete ao final de 1842, para escrever a Constituição da República Rio-Grandense, os farrapos, embora houvesse uma proposta de abolição da escravatura, recusaram-se a apostar numa ideia tão cruel e a deixar os escravos desamparados dos seus senhores. Seriam cidadãos rio-grandenses apenas os homens nascidos livres e aqueles que por razões especificadas merecessem a alforria. Os farrapos mantiveram todos os negros em cativeiro. Fingiram dar liberdade aos de propriedade dos adversários que pegaram em arma. Depois, devolveram-nos aos imperiais. Barbárie e preconceito travestida de benefício
  11. 11. “ Despachei 35 escravos para serem vendidos ...e seu produto aplicar a esse importante fim.” No imaginário dos homens comuns, revoluções pela igualdade e pela humanidade normalmente libertam escravos, não se financiam com a venda deles. Ou seja, por decoro ou discrição, não apresentavam a fatura no caixa do novo regime. Sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra! A revolução foi portanto financiada com a venda de homens
  12. 12. Reembolso pelos seus “sacrifícios a bem da causa comum” O bravo revolucionário acionou a República Rio-Grandense para cobrar os serviços prestados pelos seus negros ao movimento. Roubalheira geral, inclusive “laranjas”. O suplicante pressiona, esclarece, confunde, injuria, lamenta-se, exige receber o que lhe é de direito por ter posto a serviço da revolução que ajudou a conceber os seus bons escravos. Vê-se um homem prático e capaz de separar o joio do trigo, o branco do negro, a utopia da realidade etc. Acima de tudo, preserva o seu ideal maior: A PROPRIEDADE . Mesmo que seja de seres humanos. Houve pressões, jogos de influência, apadrinhamento, apresentação de papéis pertencentes a terceiros. O valor disponível era muito inferior à soma reclamada pelo conjunto dos “credores”. Ideais, Ideais, negócios à parte! Domingos José de Almeida – galeria da infâmia)
  13. 13. Antônio Vicente da Fontoura, o homem que negociou a paz com os imperiais Diário, 1º de janeiro de 1844 ”Cruzam-me na ideia mil planos: deste tiro o lucro para comprar uma moleca para Lindoca; de outro, mais um cozinheiro; e inda de mais outro, de ver decentemente vestidos os nossos filhinhos. Ah! Muito vale aos infelizes a esperança!” Nada como imaginar, no meio da guerra sem fim, um futuro de progresso, de liberdade e de crianças bem vestidas brincando com seus negrinhos escravos! Antônio Vicente da Fontoura ( Rio Pardo , 8 de junho de 1807 — Cachoeira do Sul , 11 de setembro de 1860 ) foi o maior líder civil da Revolução Farroupilha . Era anti-separatista. Galeria da Infâmia
  14. 14. Os rebeldes sentiam-se autorizados a roubar cavalos e gado, desapropiar bens dos inimigos, contrabandear armamentos e sequestrar personalidades para trocá-las por prisioneiros mantidos pelo adversário. Saques, disfarçados de arrecadação de impostos, foi uma prática geral e constante. “nenhuma segurança existe de propriedade, prudente é dividir os interesses, a fim de que alguma coisa escape ao furor dos partidos” Os militares de 1835 queriam a liberdade e o fim da tirania Fundaram uma República parecida com uma Ditadura. Os militares de 1964 em nome da liberdade e do liberalismo Impuseram uma tirania. O que ambos tinham em comum: -crença na farda; -disciplina; -propriedade privada; -moral patriótica.
  15. 15. Os farrapos tornaram-se separatistas por influência das suas alas radicais, por falta de opção ou por um gesto precipitado do general Neto, um dos mais impetuosos e valentes líderes da insurreição, que estufou o peito e proclamou a tal República. Fundaram um país: República Rio-Grandense Eis o texto lido pelo General Antônio de Sousa Neto frente a suas fileiras: Bravos companheiros da 1ª Brigada de Cavalaria! Ontem obtivestes o mais completo triunfo sobre os escravos da Corte do Rio de Janeiro, a qual, invejosa das vantagens locais de nossa província, faz derramar sem piedade o sangue de nossos compatriotas, para deste modo fazê-la presa de suas vistas ambiciosas. Miseráveis! Todas as vezes que seus vis satélites se têm apresentado diante das forças livres, têm sucumbido, sem que este fatal desengano os faça desistir de seus planos infernais. São sem número as injustiças feitas pelo Governo. Seu despotismo é o mais atroz. E sofreremos calados tanta infâmia? Não, nossos companheiros, os rio-grandenses, estão dispostos, como nós, a não sofrer por mais tempo a prepotência de um governo tirânico, arbitrário e cruel, como o atual. Em todos os ângulos da província não soa outro eco que o de independência, república, liberdade ou morte. Este eco, majestoso, que tão constantemente repetis, como uma parte deste solo de homens livres, me faz declarar que proclamemos a nossa independência provincial, para o que nos dão bastante direito nossos trabalhos pela liberdade, e o triunfo que ontem obtivemos, sobre esses miseráveis escravos do poder absoluto. Camaradas! Nós que compomos a 1ª Brigada do Exército Liberal, devemos ser os primeiros a proclamar, como proclamamos, a independência desta província, a qual fica desligada das demais do Império, e forma um estado livre e independente, com o título de República Rio-grandense, e cujo manifesto às nações civilizadas se fará competentemente. Camaradas! Gritemos pela primeira vez: viva a República Rio-grandense! Viva a independência! Viva o exército republicano rio-grandense! Campo dos Menezes, 11 de setembro de 1836 – Antônio de Sousa Neto, coronel-comandante da 1ª brigada. Localização   Rio Grande do Sul Data 11 de setembro de 1836 Resultado Separação do Rio Grande do Sul do Império do Brasil .
  16. 16. Criaram bandeiras: Bandeira da República Juliana Bandeira da República Rio-Grandense.
  17. 17. Criaram um jornal oficial: Criaram escudos, leis, hinos... Nobre povo Rio-grandense, Povo de Heróis, Povo Bravo, Conquistaste a independência! Nunca mais serás escravo! Avante oh! Povo Brioso! Nunca mais retrogradar, Porque atrás fica o Inferno Que vos há de sepultar! O Majestoso Progresso É Preceito Divinal, Não tem melhor garantia Nossa ordem social. O Mundo que nos contempla, Que pesa nossas ações Bendirá nossos esforços, Cantará nossos Brasões! Da gostosa Liberdade Brilha entre nós o clarão: Da constância e da coragem Eis aqui o galardão! Órgão de imprensa oficial da República Hino da República Rio-Grandense Letra por Joaquim José Mendanha
  18. 18. SILVA, Juremir Machado da. História regional da infâmia: o destino dos negros farrapos e outras iniquidades brasileiras (ou como se produzem os imaginários). Porto Alegre: L&PM, 2010. 343 p. ISBN 978-85-254-2073-2

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