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A firmeza da fé é algo para ser vivido e praticado. Não é mera discussão transcendente arespeito da experiência cristã com...
homem justo, não o liberta do pecado e pela fé em Cristo Jesus todo homem pode ser justificado.Assim, Paulo se opõe entre ...
Pelo fato de a motivação estar inserido no ato da justificação, o homem justificado seempenha pela libertação de tudo aqui...
Livro de Oséias testificam, de modo geral, uma preocupação pela justiça diante de Deus        mediante os relacionamentos ...
especial de punição calculado de acordo com a culpa do pecador. Mas a justiça de Deus é o atoatravés do qual ele permite q...
Jesus se identifica com os pobres nas bem-aventuranças. Os evangelhos sinóticos retratamsua vida. Seu modo de viver não só...
cristãos perdiam seu emprego ao abraçarem a fé, outros eram expulsos do convívio de sua família epor estes motivos passava...
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A história da evangelização na América Latina nos mostra que, para atingir estaporcentagem, muitos caminhos tiveram que se...
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para o campo profissional e escolar, entendendo que muito mais do que discurso o homem precisado amor prático, da esperanç...
Desta forma, diakoneo era uma palavra muito empregada na época de Jesus, e a igrejaguardou essa palavra grega para designa...
Existe uma diferença entre diaconia e ação social, que deve ficar clara: a Diaconia é serviçoe tem fundamento na fé, no ex...
Podemos então perceber que a grande comissão surge de uma igreja justificada com o   propósito claro de fazer a vontade de...
4 – AÇÃO SOCIAL COMO PROVEDORA DA COMUNHÃO.          Ação social é evangelismo através da comunhão. A igreja primitiva mos...
IV – BIBLIOGRAFIAA Confisão de Fé, O Catecismo Maior, O Breve Catecismo. São Paulo: Casa Presbiteriana, 1991.ALVES, Rubens...
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A ação social como resultado prático

  1. 1. A AÇÃO SOCIAL COMO RESULTADO PRÁTICO DA JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ RICARDO MARTINS MATIOLI Tese elaborada na Faculdade Teológica Sul AmericanaINTRODUÇÃO.I - A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ. 1 – A Firmeza da Fé. 2 - Motivação para o Serviço. 3 - Somos a Justiça de DeusII – AÇÃO SOCIAL EM UMA IGREJA JUSTIFICADA. 1 – A Igreja Primitiva. 2 – A Reforma. 3 - A América Latina. 4 - A Igreja Presbiteriana em Londrina.III – DESAFIOS DE UMA ECLESIOLOGIA SERVIÇAL. 1 – A diaconal política da Igreja. 2 – Obedecendo a Grande Comissão. 3 – Jesus o Pão da Vida. 4 – Ação Social como provedora da comunhão.IV - BIBLIOGRAFIAINTRODUÇÃO. A justificação é pela fé em Cristo. Não se trata de pressupostos da tradição cristã apenas.Ela é tema de todo o agir da eclesiologia que emana da praticidade da vivência cristã. Diríamos,mais ainda, que a justificação está para a exigência ética da ação social assim como a fé está para avida cristã. A espiritualidade cristã, nesse contexto, é a junção de fé e prática. O objetivo dessa reflexão teológica é afirmar que o ministério diaconal só é possível paraaqueles que foram alcançados pela justiça divina. A ekklesia manifesta esses princípios como algovisível da fé justificadora. Para tanto, fundamentarei, inicialmente, três características básicas dajustificação pela fé, a saber: a) a firmeza da fé; b) a motivação para o serviço; e c) somos a justiçade Deus Depois, apresentarei historicamente a ação social dentro de uma igreja justificada. Nãoconsiderarei a questão pessoal que a justificação exerce na teologia dogmática, mas sim irei umpouco mais além, utilizando a teologia sistemática, optando por uma linha reformada de práticateológico-pastoral, ou seja, na questão sistemática enquanto justificadora das estruturas eclesiásticaspara a manifestação da diaconia cristã. Pois, entendendo que a igreja é serva - veio ao mundo paraservir e tendo Cristo como exemplo-mor - é pois a exemplificação da igreja justificada na prática daação social. Para tanto, a exposição da Igreja Presbiteriana Maanaim de Londrina como articuladorada ação social no meio da comunidade é símbolo figurativo do aspecto visível da justificação pelafé em Cristo. Por fim, apresentarei a Igreja serva num contexto latino-americano que, profeticamenteexerce missão diaconal.I - A JUSTIFICAÇÃO PELA FÉ. 1 – A FIRMEZA DA FÉ. A justificação pela fé provoca no cristão a segurança da salvação já alcançada pelo trabalhode Cristo. Ela possui o caráter de firmar o cristão no caminho de Jesus. Promove, ainda, a convicçãofrente aos desafios provocados pela missão. Essa firmeza se torna, então, no princípio básico davida cristã.
  2. 2. A firmeza da fé é algo para ser vivido e praticado. Não é mera discussão transcendente arespeito da experiência cristã com o Espírito, mas a vivência da realidade espiritual que move eestimula os cristãos a uma prática de fé visível. É, pois, a firmeza da fé que possibilita ao mundo oenxergar as obras. Sendo assim, a fé é somente para os que crêem, é somente em Cristo e é somentepara a justificação. Berkhof nos dá uma compreensão clara sobre a segurança da fé: "Devido à certeza que a expressão "segurança da fé" nem sempre se usa no mesmo sentido, é preciso fazer uma cuidadosa distinção. Há uma dupla segurança, ou seja: primeiro, a segurança objetiva da fé, que é "a certa e indubitável convicção de que Cristo é tudo o que declara ser e que fará tudo o que promete". Convence-nos, em geral, que esta segurança é a da essência da fé. Segundo, a segurança subjetiva da fé, ou a segurança da graça e da salvação, que consiste em um sentido de segurança e proteção, que se levanta em muitos casos à altura de uma convicção firme de cada crente como indivíduo já pode ter seus pecados perdoados e salvo sua alma." Podemos perceber que a exposição teológica de Berkhof define classicamente a eficácia dafé (objetiva e subjetiva), ou seja ao mesmo tempo que nos leva a crer em Cristo como cumpridor detodas as suas promessas, Ele mesmo convence-nos de que somos perdoados e salvos. Quanto a essarealidade salvífica de Cristo não há argumentos que desdizem dessa firmeza. Estar firme em Cristoé compreender o aspecto apologético da fé. Berkhof conclui sobre a firmeza da fé a partir deestudos históricos que ela proporcionou aos de tradição reformada. Gustaf F. Aulén dá outros um aspecto duplo da fé: "De um lado, Deus subjuga a alma humana; de outro, o homem volta-se para Deus e a Ele se entrega. A referência à atividade do homem não implica numa negação de que a origem e a existência da fé sejam devidas exclusivamente ao "ato" de Deus e ao "ato" do homem, ou opor um ao outro, envolve uma racionalização comprometedora." Aulén nos faz perceber que o homem volta-se para Deus e isto o leva a se comprometercom Ele, de modo que seu crer não é simplesmente porque lhe dá vantagens, mas porque lhe dádisposição a não negar o amor divino. E a este respeito Aulén afirma ainda: "É evidente para a fé que a atividade do amor divino não pode ser julgada ou avaliada segundo padrões humanos. Não cabe ao homem decidir, a partir do ponto de vista do seu próprio poder, o que é e o que não é obra do amor divino. A fé sabe muito bem que o amor divino pode esconder-se na ira, malgrado esta pareça diametralmente oposta àquele. Não se atreve a interpretar os modos de agir do amor divino baseado no desenvolvimento histórico. Não esquece que Deus não só é Deus revelado mas também o Deus que, nas circunstâncias da vida terrena, se esconde do homem. A firmeza da fé, apegando-se ao amor divino não obstante o testemunho dos eventos terrenos, tem sempre um tom de apesar de." Assim Aulén mostra que a firmeza da fé apegada ao amor divino se torna em um poder quegera na vida do homem a vontade divina, fazendo com que todas as suas atividades se caracterizempelo amor. E na medida que esse amor de Deus penetra na sua vida leva-o em direção ao seupróximo. Como disse Lutero, "O cristão deve ser um "Cristo" para o seu próximo". Para Lutero, ohomem precisa ser salvo a fim de poder fazer o bem, sendo assim o ego humano descresse, e crescenas mãos de Deus como instrumento de seu amor. Para o apóstolo Paulo, a salvação pela fé é um novo projeto de Deus (Rm 3:21-26; 5:9,11;6:19,21,22, 7:6; 8:1-18,22; 11:5,30,31 e 16:26) uma vez que a lei se revelou ineficaz, não tornou o
  3. 3. homem justo, não o liberta do pecado e pela fé em Cristo Jesus todo homem pode ser justificado.Assim, Paulo se opõe entre a lei e a fé e entre as obras da lei e a fé e, neste argumento, não háexclusão de outros povos que não vivam sob a Lei judaica. Para o apóstolo, a lei sempre demarcasob os limites da suspeita, pois o justificado não confia nela, mas suspeita de sua verdade, porém ocaminho da fé o fundamenta em uma esperança sólida, de algo que não apenas se crê serverdadeiro, mas que é verdadeiro. Perrot diz que "o homem é justificado só pela fé, independentemente de qualquer mérito desua parte. Suas obras nada acrescentam, pois tudo é graça". A despeito de muitas discussões sobreesta questão, o certo é que Paulo não aboliu a Lei, mas situa o gesto salvador de Cristo comoinstrumento de libertação e propiciação, por seu próprio sangue, mediante a fé (Rm 3:25). Assim,Cristo é substituto dos sacrifícios expiatórios da Antiga Aliança. Comblin assevera que Deus ama primeiro e toma a iniciativa de perdoar antes que ohomem pudesse realizar sequer algumas obras boas. Envia seu Filho para morrer na cruz,gratuitamente, sem esperar que nós nos tornemos justos. Ele nos torna justos pelo dom do seuEspírito Santo. Não pede a iniciativa humana, dos homens só pede a fé em Cristo. Ele faz o resto,tudo aquilo que a lei não conseguia fazer. Vê-se com clareza que o cristão depende totalmente de Deus e não pode pensar em serautor de sua própria salvação pelas obras. Pelo Espírito Santo e pelo efeito da redenção de Cristoele aprende a agir nesta dependência e torna-se capaz de agir fazendo o bem, o que a lei não fazia;significa renunciar a toda força humana para depender somente da força de Deus para entrar naprática da fé pelos desafios: da missão, do serviço, da ação social, etc.2 - MOTIVAÇÃO PARA O SERVIÇO. A fé em Cristo é o estímulo provocado no coração do cristão. A resposta é a execução doserviço proposto pela Missão de Deus. O Espírito é o confirmador (selo) desse estímulo provocado. A motivação é tão importante quanto a ação, pois Deus não está apenas interessado em quefazemos, mas o porquê fazemos, isto em razão de que o cristão pode estar cheio de atividades, masse elas são geradas por motivações erradas nada valem. Assim, a motivação para o serviço deveráser buscada com muito cuidado e ponderação, agindo somente pela ação do Espírito Santo. O hino que Paulo consagra a Cristo em Fl 2:6-11 nos mostra que Cristo veio como servo,manifestou sua preocupação com a salvação de todos os homens e do homem como um todo. Esteexemplo divino revela em primeiro lugar, a sua importância; em segundo lugar que este exemplodivino deve ser seguido por todo "cristão" que tem sua vida em Cristo, manifestando o mesmoespírito de serviço. A motivação certa para o serviço é a humildade com o próximo. Manfred Grellet ressalta a importância dessa motivação correta dizendo que "a corretamotivação conduz ao bom serviço, e a motivação errada sempre traz conseqüências funestas" Écom a motivação certa que o cristão deve servir, vendo Cristo como modelo e a inspiração para oseu serviço. Jesus Cristo é o maior exemplo de servo, "pois o próprio Filho do homem não veio para serservido, mas para servir e dar sua vida em resgate por muitos" (Mc 10:45). E além de ser exemploensina a humildade e serviço e diz a seus discípulos: "Porque eu vos dei o exemplo, para que, comoeu vos fiz, façais vós também." (Jo 13:15). Assim o Senhor quer que a motivação para o serviçoesteja Nele e todos são convidados a seguir seu exemplo. Estas considerações tornam clara a idéia que a motivação está na fé em Cristo. Portanto, ocristão não precisa servir a Ele somente dentro de seu ambiente eclesiástico, uma vez que a açãoestá a serviço da vida. É uma ação a favor do ser humano, pois é somente a partir de Deus que o serhumano pode adquirir dignidade. Kjell Nordstokke nos dá a seguinte compreensão acerca da esfera da ação: "Aqueles que estão na esfera da ação de Jesus, estão abertos às pretensões e à ação do Espírito Santo. É através do Espírito Santo que se concretizam o contato e o compromisso com o projeto de vida de Jesus, que se resume na palavra servir."
  4. 4. Pelo fato de a motivação estar inserido no ato da justificação, o homem justificado seempenha pela libertação de tudo aquilo que oprime, reduz ou acaba com a vida, ou melhor dizendo,se opõe contra a dignidade humana. Neste sentido, Jesus personificou o reino; significa dizertambém que o justificado vive as qualidades do reino: justiça, paz e alegria no Espírito (Rm 14:17),seguindo o exemplo de Jesus. Nordstokke conclui ainda: "A partir dessa realidade de onde Deusreconcilia o mundo consigo, somos chamados a ser embaixadores em nome de Cristo no Ministério(em grego: diakonia) da reconciliação". Um outro fator motivador para o serviço está na operação do Espírito Santo na vida docristão, pois somente por meio de Sua atuação é que podemos tornar autêntico o serviço e fazersuperabundar as boas obras e a vida. Na Confissão de Fé de Westminister há a seguinte colaboração com respeito à ação doEspírito para a realização das boas obras: "A capacidade de fazer boas obras de algum modo não provém dos crentes, mas inteiramente do Espírito de Cristo. A fim de que sejam para isso habilitados, além da graça que já receberam, é necessário que recebam a influência efetiva do mesmo Espírito Santo para operar neles tanto o querer como o realizar segundo o seu beneplácito; contudo, não devem por isso torna-se negligentes, como se não fossem obrigados a cumprir qualquer dever senão quando movidos especialmente pelo Espírito; pelo contrário, devem esforçar-se por dinamizar a graça de Deus que está neles."3 - SOMOS A JUSTIÇA DE DEUS Pela fé, somos feitos justiça de Deus. A justificação é o ato de justiça de Deus em nós. Opromotor dessa justiça é Cristo. No Antigo Testamento a situação do povo israelita no Egito reflete a injustiça e nos dá umacompreensão do significado da justiça de Deus, uma vez que o contexto daquele povo era deescravidão, opressão e dominação religiosa, e o anúncio da justiça somente poderia ser aquele quedecretasse a liberdade para o povo. O Êxodo exemplifica a justiça de Deus como sendo o cumprimento de sua vontade. E,conseqüentemente, será tido como justo aquele que obedece a lei e pratica a justiça, isto é, queobedece a vontade de Deus (Is 11:4ss; 1:4ss; Gn 18:23; IISm 4:11s; I Rs 3:32; Is 3:10; Ez 3:20; Gn6:9). No período monárquico já existia uma grande dificuldade com relação à justiça e à lei davida (Torá), que surgiu quando os chefes de Israel confundiram a Torá, que gera vida, com astradições, costumes e sistemas de governo de outros povos, que geram opressão e morte. Issoaconteceu quando Israel elegeu um rei que assumiria o lugar do único Rei Iahweh. O rei deveriapraticar a justiça em sua administração. A justiça foi encontrada nos grandes reis da história deIsrael, Davi (II Sm 8:15; I Rs 3:6) e Salomão (I Rs 10:9). Nesse aspecto, a ênfase dada pelossacerdotes e profetas refletia o desejo de que o rei fosse alguém digno da qualidade ideal de justiça.Além dessa qualidade ideal, o rei muitas vezes era interpretado como a manifestação da eramessiânica. Com respeito ao período monárquico, SEEBASS diz: "Antes do exílio, de modo geral, a justiça do homem não é tanto assunto de relacionamento com Deus quanto de relação com o próximo, sendo que seu comportamento se regula, de um lado, mediante as relações humanas (e.g. entre membros da mesma família, Gn 38:26, ou entre o rei e um dos seus oficiais, I Sm 24:15), e, do outro lado, pela lei de Deus (Sf 2:3); Amós 5:7 e 6:12 referem-se a estes dois aspectos juntos. De outro lado, Amós 5:4, 6, 14 e o
  5. 5. Livro de Oséias testificam, de modo geral, uma preocupação pela justiça diante de Deus mediante os relacionamentos interpessoais." E no profetismo que a justiça de Deus possui a compreensão salvífica. Muitos verbeteshebraicos podem ser traduzidos como salvação, libertação, justificação etc. Essa justiça é a obra queIahweh realiza em seu povo. A morada do justo é a morada que Deus protege (cf. Jó 8:6). Ossacerdotes são vestidos de justiça e as portas da justiça são as portas da salvação (Sl 132:9; 118:19).O movimento profético conseguiu dar uma nova dimensão à justiça de Deus, chegando a identificá-la como atuação salvífica de Deus. E esse significado baseia-se na sua fidelidade à aliança. A noçãode justiça de Deus ganhou a conotação de “fidelidade”. Assim, a justiça passa a ser a grandeesperança do oprimido no pacto feito por Deus em sua aliança: “A restauração messiânica será umareflorescência da justiça divina, que há de realizar os mais ardentes desejos de todos os oprimidos emiseráveis”. Este termo justiça sofreu muitas alterações através do tempo, até chegar-se à suacompreensão. “Justiça, no Antigo Testamento, é libertar os fracos e oprimidos. Ora, ser justo épegar o que está embaixo e colocar no mesmo nível dos de cima, quando há um grande desnível.Assim, ser justo é favorecer o lado mais fraco. É libertar os oprimidos”. Também encontramos estaevolução no Novo Testamento e em toda a doutrina social da igreja primitiva. Há que se reconhecer que é no Novo Testamento que é dado o sentido estritamenteteológico da expressão "justiça de Deus". O apóstolo Paulo sistematiza a doutrina da justiça deDeus e da justificação pela fé. Nessa parte, quero desenvolver os conceitos básicos da justiça deDeus e alguns termos correlatos na tentativa de explicitar melhor essa doutrina no contexto neo-testamentário.A justiça de Deus é, portanto, um ato justo realizado em Cristo Jesus para nossa salvação. Esse atosomente se concretiza para aqueles que crêem em Cristo e depositam nEle a sua fé. Vale lembrar,também, que somente aquele que morreu de fato para o pecado é, portanto, justificado (Rm 10:4). Os sentimentos de felicidade e auto-satisfação oferecem uma compreensão subjetiva dessadoutrina, enquanto que a compreensão objetiva leva-nos à práxis cristã. Enfim, a salvação do cristãoé o resultado da justiça de Deus. É o entendimento claro da doutrina da salvação como um ato doDeus Justo. E é em Paulo que essa compreensão é mais profunda. A salvação é a conseqüência da justiça de Deus. Paulo, em sua carta aos Romanos, destacavárias vezes a temática fé e lei. A Lei, forma externa de conduta ética, deixava a pessoa sempre comum sentimento de culpa. É por esse motivo que o apóstolo Paulo escreve sua carta aos romanos comas seguintes palavras: "a justiça de Deus se revela da fé para fé" (Rm 3:21-4:25). A Lei transmitiauma exigência ao homem de justificar-se através do seu próprio esforço. Deus radicalmentecondena essa atitude. Ainda no Velho Testamento, encontramos várias referências da justificaçãopela fé sem a necessidade da Lei. Paul Tillich, define o tema da justiça de Deus como expressão básica do princípio desalvação do homem em Cristo. Essa expressão, contudo, “não é imperialista, pois é feita em nomedaquele princípio que implica em ultimacidade e universalidade: o princípio da justiça. A relação doDeus de Israel com sua nação baseia-se em uma aliança. A aliança exige justiça, isto é, ocumprimento dos mandamentos. E ameaça a violação da justiça com rejeição e destruição. Issosignifica que Deus é independente de sua nação e de sua própria natureza individual”. A experiênciado novo Ser é dividida em três etapas: 1) a experiência do novo Ser como criação (regeneração); 2)a experiência do novo Ser como paradoxo (justificação); e 3) a experiência do novo Ser comoprocesso (santificação). Para Tillich, as ambigüidades da justiça aparecem toda vez que ela éexigida e atualizada. Isso também implica num conflito entre o amor cristão, exigido pela pregaçãoneo-testamentária, e justiça, dada gratuitamente por Deus na pessoa de Jesus Cristo. Esse conflitoresultou numa teoria conhecida como teoria do conflito entre amor e justiça, pois “justiça é aqueleaspecto do amor que afirma direito independente do objeto e do sujeito na relação de amor (...) masnesse processo a justiça não só afirma e seduz; ela também resiste e condena”. Assim, TILLICHpropõe mais uma vez que se pregue o amor como pressuposto da Comunidade Espiritual. E, aocumprir a sua tarefa missiológica, a Igreja deve levar em conta que a “justiça de Deus não é um ato
  6. 6. especial de punição calculado de acordo com a culpa do pecador. Mas a justiça de Deus é o atoatravés do qual ele permite que as conseqüências auto-destrutivas da alienação existencial sedesencadeiem. O exercício da justiça é a ação de seu amor, resistindo e quebrando a resistênciadaquilo que está contra o amor. Portanto, não pode haver conflito em Deus entre seu amor e suajustiça”. A justiça de Deus se manifesta nos dias de hoje através de grupos que interpretam osescritos bíblicos com uma ótica enraizada numa única esperança: eliminar a injustiça, denunciando-a. Deus se dá a conhecer ao ser humano através de sua atuação na História e, principalmenteatravés da vida, da morte e ressurreição de seu Filho. No presente tempo, temos o Espírito que nosconvence do juízo, do pecado e da justiça e nos leva a toda verdade (João 14 ). Considerando a fé como o primeiro passo do homem ao processo da manifestação dajustiça salvífica de Deus, creio que a expressão dikaiosune theou pode ser compreendida como operdão dos pecados num tempo futuro, pois nos coloca na posição de “perdoados em Cristo Jesus”.Rudolf Bultmann acredita que a ação de “tornar justo” a alguém (diakioó) é uma atividadetotalmente divina. O termo justo quer significar “num relacionamento justo”. Sendo assim, entendocomo a ação de tornar justo o perdão dos pecados, pois assim como Cristo foi encontrado justo,sem pecado algum, nós também, uma vez justificados em Cristo, temos o perdão dos pecados. “Éforense e escatológico, sendo que a justiça já é imputada ao homem no presente, baseada napressuposição de que ele tem fé, mas, como tal, também é escatológico, porque o evento salvíficopôs término ao curso antigo do mundo, e introduziu a nova era”. A fé é ação gratuita e justificadora de Deus, de quem nada podemos exigir, que nos obriga aagir com a gratuidade e atitude semelhante à sua para com nossos irmãos. De certa forma, é a açãode Deus em Cristo e de Cristo em nós.II – AÇÃO SOCIAL EM UMA IGREJA JUSTIFICADA. 1 – A IGREJA PRIMITIVA. A justificação é um dom de Deus. Cristo é o único instrumento da justificação, pois éimportante analisar as Escrituras e ver a do Ministério de Jesus na prática da ação social, sendo oprimeiro a assumir responsabilidade social quanto aos pobres. Em o Novo Testamento o termo grego ptwco,j (ptöchos) ocorre 34 vezes, sendo que 24vezes somente nos evangelhos. O conceito básico de "pobre" nos evangelhos não se refere somenteàqueles que eram economicamente despossuídos, Inclui, em primeiro lugar, os mendigos, sendo quemuitos destes eram doentes e aleijados e não tinham outra alternativa senão mendigar. Haviatambém as viúvas e os órfãos, que dependiam das esmolas de sociedades piedosas e do tesouro doTemplo, e devemos incluir ainda nesta lista os operários diaristas não qualificados, os camponeses eos escravos. E os maiores sofrimentos desta classe, além das privações, eram a vergonha e odesprezo (Lc 16:3). Os pobres dependiam totalmente da caridade de outras pessoas, Albert Nolan descreve quea palavra "pobre" abrange todos os oprimidos que dependem da misericórdia de outrem. Jesus não ficou indiferente à pobreza nem mesmo à situação econômica da pessoas. Nosevangelhos sinóticos Jesus disse ao rico que queria herdar a vida eterna: "Vai vende o que tens, dá-oaos pobres" (Mc 10:21, Lc 18:22). Mt 19:21 qualifica esta declaração ao incluir a condição: "sequeres ser perfeito". Em Mc 12:41-44 e Lc 21:1-4, Jesus disse que a oferta da viúva pobre, queparecia irrisória, era muito maior do que a oferta dos ricos. Jesus fala dos pobres em Mt 11:5, nas bem-aventuranças Mt 5:3 e em Lc 6:20. Nenhumadas duas passagens emprega pobre no sentido social geral. A forma expandida de Mateus ressalta ofundo histórico vétero-testamentário e judaico daqueles que, na aflição, confiam somente em Deus(Cf Sl 68:28-29; 32-33; Is 61:1). Em Lucas, as bem-aventuranças se confirmam essencialmente àpobreza, aos pobres, aos que choram, aos famintos, aos odiados, e seguem-se os "ais" contra osricos.
  7. 7. Jesus se identifica com os pobres nas bem-aventuranças. Os evangelhos sinóticos retratamsua vida. Seu modo de viver não só se identificava com os pobres mas também com o conceitovétero-testamentário da pobreza. Sua vida em si, era um ato de amor, e ao mesmo tempo fez aescolha de se lançar sob os cuidados do Pai. Jesus pertencia a esta classe humilde e não tentou sairdela, pelo contrário trouxe uma nova perspectiva para todos aqueles que se sentem oprimidos. Suacompaixão o tornou diferente de todos os outros (Mt 9:36; 14:14); e esta compaixão é o sentido daparábola do bom samaritano (Lc 10:25-37). Nolan faz o seguinte comentário a respeito da compaixão que Jesus sentia: "A palavra "compaixão" é fraca demais para exprimir a emoção que movia Jesus: O verbo grego spagchnizomai, usado em todos esse textos (Mt 9:36; Mc 6:34, Mt 14:14; Lc 7:13; Mt 20:34), é derivado do substantivo splagchnon, que significa intestinos, vísceras, entranhas, ou coração, ou seja, as partes internas das quais parecem surgir as emoções fortes. O verbo grego, portanto, significa movimento ou impulso que brota das próprias entranhas da pessoa, uma reação das tripas." Jesus mostrou um sentimento humano, e este sentimento causou grande impacto sobre aspessoas que eram oprimidas, e a Igreja primitiva vai assumir também este sentimento e vaidesenvolver uma evangelização através da ação social. A igreja primitiva narrada em Atos mostra-nos que os primeiros cristãos compreenderam osignificado de serem embaixadores de Cristo, comprometeram-se com a evangelização,proclamaram (kerigma) as boas novas (evangélion) e supririam as necessidades dos irmãos(diakonia). E com esta estratégia alcançaram o mundo conhecido do primeiro século sendochamados cristãos. (At 11:26), pois ganharam a admiração do povo (At 5:13). Outro aspecto que podemos ver no livro de Atos, que mostra a Igreja Primitiva como umaigreja justificada, também retra as ações econômicas de forma organizada Atos fala da ação de porem comum tudo o que os irmãos possuíam: "Vendiam suas propriedades e seus campos epartilhavam o resultado entre todos segundo as necessidades de cada qual" (At 2,44; cf. At 4,34).Este livro cita, em particular, o caso de Barnabé, que possuía um campo: vendeu-o e deu a soma aosApóstolos (Atos 4,36-37). Seu nome refletia seu caráter, sua fé, sua vida justificada, um líder cristãoque era notável pela sua bondade (11:24). A interpretação desta ação de por em comum os bens é difícil. Podemos entendê-la comouma instituição de ação social para auxiliar os indigentes em suas necessidades, a maneira comumda assistência social na Sinagoga. Isso faz alusão ao serviço das viúvas (At 2:6,1). Lucas parecefazer referência a algo mais, a uma verdadeira caixa comum onde os cristãos depositavam suasofertas . Isso nos parece hoje menos impressionante, pois descobrimos que tal uso existia entre ossadocitas (saduceus). Já vimos como a narração de Lucas assume certo colorido essênio. É possívelque se tenha inspirado na descrição da comunidade de Qumrân. I. Howard Marshal, a este respeito, faz o seguinte comentário:"Sabemos que pelo menos um outro contemporâneo judaico à seita Qumrãn, adotou este modo devida (1QS 6); Filo e Josefo, nas suas descrições dos essênios (com os quais usualmente seidentificaram os cunranitas), dizem a mesma coisa." Devemos considerar que essa experiência não dura muito tempo, pois a igreja de Jerusalémvai depender das igrejas gentílicas, mas essa dependência, segundo Champlin, dá-se devido ao fatode serem elas vítimas das perseguições que os crentes judeus sofrem, e assim eles têm seus bensconfiscados e desmanteladas as suas fontes de ganho. Existe ainda um fato que é considerado por Coleman a respeito de alguns cristãos quelevianamente largavam os seus empregos e se recusavam a trabalhar, pois achavam que Jesusvoltaria a qualquer momento. O apóstolo Paulo ensina que estes deveriam passar fome. Se essamedida não modificasse o comportamento do indivíduo, os crentes deveriam evitá-los (2Ts 3:15). Arecomendação é dura. Mas para Coleman o mais comum neste período era que os primeiros
  8. 8. cristãos perdiam seu emprego ao abraçarem a fé, outros eram expulsos do convívio de sua família epor estes motivos passavam grandes dificuldades. Assim a igreja de Jerusalém mostra sua generosidade e demonstra espontaneamente que odom do Espírito não está apenas na forma de línguas e profecia, mas na forma do caminho maisexcelente do amor cristão. Na verdade sua prática mostra nada mais que a justiça de Deus sefazendo presente através do povo. É certo que dentro desta organização econômica da igreja primitiva haviam problemas quesurgiram dos protestos dos helenistas, que se queixavam de verem suas viúvas abandonadas. OsApóstolos instituíram entre eles homens que pudessem cuidar destas necessidades, o que vai seassemelhar muito com o sistema da Sinagoga. Os cristãos instituíram um serviço em favor dospobres, que seria controlado pelos apóstolos. Não se destinaram, porém, unicamente ao desempenhodo serviço em favor dos pobres. Vamos vê-los a pregar as boas novas e a batizar (Atos 6). Narealidade, os apóstolos se aproveitam desta ocasião para se munirem de colaboradores. Mas aindanão foi neste momento que se instituíram os diáconos. Stanley M. Horton argumenta que os setenão são chamados diáconos nesta passagem, embora seja uma forma de diakoneo, da qual deriva apalavra diácono, e que esta eleição vai criar o precedente para o que vamos encontrar como ofíciona igreja mais tarde. John R. W, Stott dá a seguinte conotação para esta passagem: "Diakonia é um termo geral para serviço, ele não é específico, a não ser que receba um adjetivo como "pastoral", "social", político", médico" ou outro. Todos os cristãos, sem exceção, sendo seguidores daquele que veio "não para ser servido, mas para servir", são chamados para ministrar, ou melhor, para darem suas vidas em ministério." De um modo geral, as igrejas tinham muita compaixão pelas necessidades dos pobres desuas comunidades e de outras também. Na ocasião que Jerusalém sofre perseguição e passa porgrande crise social os crentes de Antioquia enviaram para eles suprimentos (At 11:28-29). Calvinofala que essa gratidão não merecia pequeno louvor, pois os crentes de Antioquia pensavam quedeveriam ajudar a irmãos necessitados, de quem haviam recebido o Evangelho. Porquanto nadaexiste de mais acertado do que aqueles que têm semeado as realidades espirituais, devem colhertambém coisas terrenas. Visto que qualquer pessoa se inclina para suas próprias necessidades, todosaqueles homens poderiam ter objetado, porém, não o fizeram, mas se preocuparam e os ajudaram. A igreja Primitiva aprendeu o ensino de Jesus pelo qual todos são chamados a servir aopróximo. E é neste sentido que eles imitaram a Cristo, pois serviram com liberalidade. O apóstoloPaulo dá um passo decisivo para o avanço missionário mostrando sua concepção social naevangelização. Sua teoria e prática reflete, em primeiro lugar por nações que estão distantes, enecessitam serem alcançadas, e em segundo lugar pelo tratamento que dá aos pobres. Todos seusprogramas vão derivar destes dois aspectos. Diante da resistência dos judeus quanto à questão da circuncisão, o apóstolo deixa de ladoas sinagogas para entrar na evangelização no mundo pagão não recebeu nada por este trabalho, poisfazia o gratuitamente (1Co 9:15-18). Para isso, escolheu o caminho do trabalho pois não queria serpesado para ninguém (1Ts 2:9). Comblin comenta que haviam duas motivações para que ummissionário pudesse entrar em uma cidade grega: como filósofo, aparecendo numa praça pública,onde ficariam os que não trabalhavam e possuíam escravos, e quando um filósofo aparece e oagrada, é convidado por um chefe de família que o recebe na sua casa e o sustenta, ou então comohospede na casa de uma família rica e ficaria dependente desta família. Paulo, por sua vez, queriasempre preservar sua independência, por isto não tinha outro caminho senão trabalhar. Dessamaneira, Paulo se situa diretamente no bairro dos trabalhadores. O apóstolo não queria entrar nacidade pelo bairro dos pobres e nem dos ricos. Sua opção era pela classe dos trabalhadores, poisentrar através dela significava escolher a fraqueza e a carência de poder. Paulo se apresenta em sua tarefa missionária sem nenhum prestígio que possa lhe conferirsuperioridade, ou seja, Paulo esconde-se de sua cultura para se identificar com o povo. Este era o
  9. 9. ponto de partida, pois os pobres o eram tanto de bens materiais como também de cultura. Suacondição não lhes permitia acesso à cultura grega. Assim, a opção que Paulo e foi justamentedaquilo que ele iria ensinar. Deus rejeita o poder da cultura e escolhe aqueles que são mais fracos,para confundir os sábios (1Co 1:27). É um fato inegável sua preocupação com os pobres (Gl 2:9-10). Desta forma, ensina a liberdade, faz dos cristãos servos uns dos outros pela caridade (Gl 5:13).E, para o apóstolo, a lei de Deus é a caridade, esta simbolizando o serviço mútuo, o amor a Deus eao próximo. Todos estes argumentos nos mostram que a igreja primitiva se preocupava com asnecessidades das pessoas, tinham não apenas o desejo de levar o reino de Deus adiante, masentendeu que para ser igreja justificada precisava ser instrumento de justificação, por isso na suaprática assumiu à sua responsabilidade de fazer ação social. 2 – A REFORMA. Ao lermos alguns escritos dos grandes Reformadores vimos que a doutrina mais pregada eensinada era a da Justificação pela Fé (sola fide), pois para eles a fé não oferecia qualquer garantiapara a vida cristã, a não ser apenas a primeira condição para participar da graça de Deus, que secompletava com a caridade, inspirada por boas obras. E quando vemos o pensamento de Lutero a respeito da fé, somos incentivados a nosidentificar com ele, pois, dizia ele, a fé tem dois sentidos: um é que, pela fé, o cristão se torna livrede todas as coisas, e a ninguém subornado, e outro está no amor (que se deriva da fé). O cristão é oservo submisso a todos. Sobre isto Lutero diz: "A fim de poder dar-se totalmente, o cristão deve antes possuir-se totalmente, o que só é possível pela fé. Só assim será possível voltar-se com Deus ao próximo e consagrar-se ao seu serviço no espírito de cordialidade espontânea; o forte assistirá o mais fraco... como filhos de Deus, cumpriremos a lei de Cristo... pois nisso consiste a verdadeira vida cristã. Nosso próximo sofre em sua indigência e carece dos bens que possuímos, assim como nós também, indigentes diante de Deus, carecemos de sua misericórdia". Ninguém se esforçou mais que Lutero para diminuir esse vão e fazer a ligação entre a fésalvadora e a ação social. Entretanto, sua reforma em prol dos pobres não foi bem sucedida e hojecaiu no esquecimento. Assim como Lutero defendeu que o cristão liberto (justificado) é submetidopor Deus a todos, devemos também, à sua semelhança, sermos despertados pela imensa pobrezaque nos cerca. O exemplo que Lutero deixa é simples: o cristão deve se livrar de seu eu e viver uma vidaonde seu amor por Deus seja espontâneo, não visando qualquer recompensa material ou espiritual,mas simplesmente com o objetivo de fazer a vontade de Deus, pois a vida cristã consiste: "em tudoquerer o que Deus quer, buscar a glória de Deus e nada desejar para si, pois é no cuidado pelos maisfracos e desamparados que Deus é glorificado" Lutero. Podemos perceber que Lutero se preocupava com os pobres, pois o crescimento da pobrezae de mendigos era problema que ninguém podia ignorar. O desejo de agir em prol dos necessitadosapareceu resumidamente nas 95 Teses (1517) onde Lutero argumentou que é melhor dar aos pobrese emprestar às necessitadas que comprar indulgências. Sua vigésima primeira proposta começa; "Uma das maiores necessidades é a abolição detoda mendicância na Cristandade". Alguns escritores afirmam que esta medida em Wittembergserviu para três finalidades importantes: manteve os pobres vivos, sustentou o sistema monástico eprovidenciou méritos no céu para os doadores. E também contribuiu para que as autoridadesorganizassem um sistema para desviar recursos das ordens monásticas em declínio, providenciaruma verba para o sustento dos pobres e ao mesmo tempo estimular o envolvimento da população naassistência social. Lindberg faz o seguinte comentário a respeito deste período:
  10. 10. "O conselho da cidade formulou sua Beutelordnung ou Ordem do Erário, um rascunho que foi descoberto nos arquivos públicos pelo historiador Karl Müller. Foi anotado pela mão de Lutero, demonstrando que, embora a administração das mudanças fossem a responsabilidade de Carlstadt, Lutero do seu refúgio secreto em Wartburg, foi a força inovadora. A Ordem da Cidade de Wittenberg exigiu que as receitas das igrejas, irmandades e guildas fossem ajuntadas no erário. Caso os recursos fossem insuficientes os cidadãos seriam obrigados a contribuir com uma taxa anual de acordo com seu patrimônio. A receita seria usada para sustentar os desempregados, órfãos e crianças destituídas, pagar bolsas de estudo nas escolas públicas, fornecer dotes para as donzelas pobres quando se casarem, e financiar artesãos no começo da sua profissão. Também, e talvez o mais importante, o dinheiro seria usado para o sustento do clero. A ordem baniu da cidade os mendigos, os frades mendicantes e os estudantes estrangeiros sem meios de sustento". Todos estes argumentos mostram que Lutero lutou para que os necessitados fossemamparados e que, pela fé, o cristão estivesse livre das exigências da Lei. Mas nem todos osprotestantes concordaram com essa função tão limitada, dizendo que é inadequada para suasnecessidades. E também não podem negar a preocupação que Lutero teve com os mais fracos edesamparados, e que o cristão justificado se torna livre para poder, através da fé, viver uma vida deserviço decorrente do amor a Deus. O crente justificado deve pensar como Lutero "Darei-me ao meu próximo como Cristo seofereceu por mim; farei nada por meu próximo nesta vida senão o que reconheço como sendonecessário, edificador e saudável, porque pela fé gozo uma abundância de todas as coisas emCristo". Este, pois, é o lado social da Reforma, conforme Martinho Lutero: uma mudança voluntáriabaseada na liberdade de justificação pela fé. O resultado será um novo compromisso moral com asociedade. Quando se evoca a tradição reformada para falar sobre a ação social no período da Reforma,não se pode deixar de lado João Calvino, uns dos mais notáveis reformadores, sistematizador dasdoutrinas reformadas, que deu muita ênfase à questão dos mais fracos e desamparados. Seupensamento nesta área e tão importante quanto o de Lutero. Calvino tem como princípio básico nesta área que em Cristo não há mais nem escravos nemlivres, pois Cristo aboliu todas as divisões de classes. Isso significa que o cristão vive a fé autênticaquando toma consciência da influência do seu meio social, mas ainda assim encontra seus irmãosnuma fraternidade que exclui toda discriminação. Por isso Calvino considera que na escala devalores de Deus não há nenhuma correspondência entre o valor espiritual e o valor moral de umhomem e sua riqueza ou pobreza. Bieler comenta o seguinte pensamento de Calvino: "Somos todosricos em relação a alguém. O rico tem uma missão econômica de providenciar ao mais pobre partede sua riqueza, de tal maneira que o pobre deixa de ser pobre e ele mesmo deixe de ser rico." Esta igualdade pregada pelo reformador tem como objetivo levar os membros do corpo deCristo à restauração social do mundo, uma vez que pela fé o crente em Cristo está restaurado na suadignidade de filho de Deus, reconstitui sua justa relação com o próximo. Calvino devolve aocristianismo a comunhão espiritual que Cristo estabelece entre os membros de seu corpo, fazendocom que estes supram as necessidades uns dos outros. Esta igualdade é da vontade de Deus.Conforme Calvino, "A vontade de Deus é que haja tal analogia e igualdade entre nós. Cada um socorra os indigentes na medida de suas possibilidades, a fim de que alguns não sofram necessidades enquanto outros têm em supérflua abundância". A preocupação de Calvino de que a igreja tivesse esta prática fez com que ele recriasse oserviço diaconal, assim como era na igreja primitiva. Mas sempre advertiu que todos são
  11. 11. responsáveis uns pelos outros. Esta preocupação diaconal da Reforma fica clara com o comentáriode Bieler; "Com a adoção da Reforma, Genebra já criara a instituição do hospital geral, bem como o seguro médico, de velhice e de invalidez. Esse sistema social médico, de velhice e de invalidez foi aperfeiçoado por Calvino que trabalhou para que essa assistência, organizada e dirigida pelo Estado - mas exercida pelo ministério eclesiástico dos diáconos - não tivesse discriminação nacionais, promovesse a assistência domiciliar e incluísse um serviço de medicina social. "Que haja um médico e um cirurgião, dizem as ordenanças de 1541, às expensas da cidade... encarregados de cuidar do hospital e de visitar os outros pobres". Este pensamento calvinista de que o homem pode socorrer o próximo com seus bens, comamor, assim como Jesus Cristo deu-se por nós, produziu influência até hoje. No movimento dereavivamento do século XVIII, a herança da tradição reformada dentro da visão social ganhoumuita força, e a filantropia afetou profundamente a sociedade desta época. Temos em John Wesley, na Inglaterra, o exemplo mais marcante deste período. Oevangelho que pregava inspirava as pessoas a se envolverem em causas sociais em nome de Cristo.Muitos historiadores dizem que a influência de Wesley foi tão grande que evitou que a Inglaterraentrasse em uma revolução, como na França. Segundo John R.W. Stott, Wesley se colocou comoum pregador do evangelho que elevou a consciência social na sua época, tendo sido também umprofeta da retidão social, que lutou contra várias injustiça sociais, e a partir disto as coisascomeçaram a mudar ocasionando desde a abolição dos escravos e de seu tráfico, como também ahumanização do sistema penitenciário, a melhoria das condições nas fábricas e nas minas, aeducação acessível ao público e tantos outros avanços para a sociedade. A paixão por justiça sociale essa sensibilidade por erros humanos era tão forte que o escritor Buyers relata que "Por cinco diasWesley andou na neve pelas ruas de Londres, pedindo auxílio para socorrer os pobres daquelacidade". Este seu entusiasmo e compromisso com o evangelismo e com a ação social alcançarammuitos outros evangelistas. Um dos resultados mais expressivos do movimento wesleyano se deu em 1780, naInglaterra, quando, preocupado com a educação da população, Robert Raikes instituiu a EscolaDominical como uma maneira de ministrar às crianças pobres a educação religiosa e secular. Emuma avaliação daquilo que os reformadores ou os de linha reformada produziram, fica claro que aReforma e sua tradição proporcionaram muitos frutos sociais. Não nos faltam dados para poderperceber que estes eventos somente ocorreram pela fé em Cristo, provocando nos corações desteshomens a execução do serviço proposto pela Missão de Deus. Por certo, o Congresso de Lausane, na Suíça, em julho de 1974, influenciado por estepensamento reformado, trouxe grande avanço para evangelização e a justiça social. Neste congressonasce o Pacto de Lausane, onde constaram as seguintes afirmações: "Após três seções introdutóriassobre o propósito de Deus, a autoridade da Bíblia e a singularidade de Cristo, seguiu-se a Quartapalestra, intitulada A Natureza da Evangelização e, em seguida, A Responsabilidade SocialCristã. Esta última declara que a evangelização e o desenvolvimento sócio-político são ambosparte do nosso dever cristão". 3 - A AMÉRICA LATINA. Com mais de 500 anos da chegada de Cristóvão Colombo no Caribe, e da colonização naAmérica Latina. São praticamente 400 anos de catolicismo, ou seja, até por volta do ano de 1900quase toda a população da América era considerada católica, a partir de 1810 começa a presençamissionária protestante na América Latina, trazendo a um rápido crescimento chegando em 1960em mais de 20% da população protestante.
  12. 12. A história da evangelização na América Latina nos mostra que, para atingir estaporcentagem, muitos caminhos tiveram que ser seguidos para se chegar neste crescimento que, semdúvida nenhuma, o equilíbrio, a fidelidade ao evangelho e ao desenvolvimento social foramaspectos visíveis na história. Sabemos que ainda há muito para ser feito, pois há um abismo entre os ricos e os pobres naAmérica Latina. Por isso, queremos mostrar os sinais presentes na igreja protestante da AméricaLatina, que assumiu seu chamado de ser igreja justificada e sua presença no meio do povo temsignificado muito importante para as classes menos desfavorecidas. Este fato é histórico e que nãose pode negar, pois dificilmente encontraremos um lugar onde o protestantismo chegou, onde osmissionários não tenham lutado para diminuir a injustiça mediante trabalhos sociais. Citamos comoexemplos o estabelecimento de hospitais, orfanatos, asilos, alívio da fome e numerosos trabalhosque são do conhecimento comum e até hoje não cessaram. Portanto estas são evidências de que,apesar das dificuldades e divergências que a igreja enfrentou, sua presença está marcada pela fé quetestemunha a ação de Deus através desta igreja justificada. O protestantismo começou a se organizar a partir da metade século XIX, com a vinda demissionários dos países centro-europeus e do Atlântico Norte. Estes pioneiros chegaram com ideaisdo liberalismo, no aspecto econômico, e com a proposta de reforçar a modernização e aindustrialização. Trouxeram muitos avanços e juntamente com isso tentaram reproduzir condiçõessemelhantes de suas origens na América Latina. Para tanto, levavam escolas para todos epromoviam a liberdade do indivíduo. Rubens Alves, ao falar da teologia protestante na América Latina conta-nos que apesar deno começo do século o protestantismo ter sido considerado como religião de estrangeiros emarginalizados e de os seus seguidores, serem acuados pela intolerância católica, "os protestantesousaram falar de justiça social". Assim podemos entender que os primeiros protestantes latino-americanos herdaram umprincípio reformado que Martinho Lutero, João Calvino e outros auferiram através de ummovimento libertador, onde a luta pela total transformação e ordenação da sociedade sob a Palavravisava a justificação pela fé. Assim, os primeiros protestantes tiveram seus fundamentos na Bíblia, aexemplo dos reformadores, e a isto observa Russel P. Shedd: "Todo cristão deve se concientizar de que a Bíblia não nos permite acompanhar indiferentemente a miséria dos que são oprimidos por impiedosos dominadores avarentos". A verdade desta declaração é profunda e é com este sentimento que os primeirosmissionários chegaram à América Latina. A história das missões evangélicas retratam numerososexemplos entre o anúncio do evangelho e o serviço. Dentre estas ações missionárias-sociais está ocaso do Peru que, no século XIX, na região indígena de Cuzco de língua quéchua e aimará, onde foicriada uma granja experimental e desenvolvidos novos cultivos e serviços de saúde, ali havendo umdesenvolvimento educacional e de saúde onde antes havia exploração e marginalização. Podemoscitar também a cidade Titicaca, na Bolívia, onde os missionários batistas canadenses fizeram umexperimento de reforma agrária, na Fazenda Huatajata. Temos, no Brasil, as missões presbiterianas,que trazem consigo uma característica da Reforma que era Igreja e a escola caminhando juntas, einstalam-se vários colégios, entre eles o Instituto Presbiteriano Mackenzie, que iniciou suasatividades em 1870, quando o missionário presbiteriano George Chamberlain e sua esposa, MaryChamberlain, abriram as portas de sua casa para educar três crianças: uma menina e dois meninos.Iniciava-se ali uma verdadeira revolução no ensino do Brasil, que iria mudar, anos depois, aeducação em todo o país, alcançando-se pessoas de todas as raças e credos, misturando meninos emeninas numa mesma sala de aula. Convém olharmos para os católicos que, nas décadas de 60 e 70, lançaram-se nestecompromisso de justiça social. Anos mais tarde este compromisso foi reforçado com a posiçãotomada em 1979 na III Conferência Episcopal Latino Americana, realizada em Puebla, LosAngeles, que foi marcada pelas reafirmações da “...clara e profética opção preferencial e solidária
  13. 13. pelos pobres” e de que “...Deus está presente, vivo, em Jesus Cristo libertador, no coração daAmérica Latina”. Tais afirmações vão influenciar muito a ação da Igreja Católica na América Latina seconsiderarmos que nesta época já era muito comum falar da pobreza e do reino de Deus, uma vezque a Teologia da Libertação, mesmo não sendo uma teologia oficial, teve em cada época umconteúdo diferente, para a qual Enrique Dussel dá as seguintes características: "Em cada tempo terá um conteúdo diferente: lutará em favor do índio na época da conquista, a favor das Reduções na fase dos jesuítas, pela emancipação, em 1810, pelas classes populares, atualmente". Percebemos que neste período as comunidades eclesiais de base foram um importanteinstrumento de evangelização nas classes populares, e significava "O modo de ser Igreja no meiodo povo, que o Espírito suscitou nos últimos 30 anos na América Latina". As comunidades eclesiais de base se constituíam de quatro elementos que fazem dela umaIgreja visível: pela fé, pela celebração, pela comunhão e pela missão. Assim, seus membrosentendem que estes quatro pilares torna-os um celeiro de agentes de mudanças, que lutam peladignidade da vida e dos meios de vida. Richard Shaull escreve a este respeito: "As comunidades eclesiais de base recriam a experiência pentecostal (Atos 2 e 4) da igreja como comunidade. Uma comunidade de homens e mulheres, possuídos pelo Espírito, se sente chamada a viver uma nova qualidade de vida, na medida em que reparte suas possessões materiais e juntos procuram continuar a obra de Cristo no mundo. Se este despertar revolucionário tem de ser sustentado e tem de promover o fundamento teológico sólido. Aqui, acredito eu, Lutero e a herança luterana têm alguma contribuição para dar a todos nós, pois percebeu que a Igreja como uma instituição sacerdotal de salvação, uma estrutura através da qual a graça é medida pelos sacramentos - não tinha nenhuma razão forte para valorizar a comunidade. De fato, o essencial para a existência da Igreja era sua hierarquia e seu sacerdócio, não seu povo". Neste sentido o Dr. Russel Shedd chama a atenção dizendo que a teologia da libertação vaiocupar um espaço nesta época, pelo fato do não-envolvimento dos cristãos conservadores ou melhoros evangélicos, terem se retirado dos campos evangelisticos, uma vez que não se mostramconsistentes na experiência interior e que, agora depois de um tempo, começa renovar-se apreocupação com a justiça social. Poderíamos multiplicar o número de textos, pois a variedade destes é muito grande, porémestes só foram mencionados na tentativa de mostrar que na América Latina a ação dos protestantescorrobora essas afirmações, que servem como motivação para servir. É a fé em Cristo nasce de umaação gerada pelo Espírito Santo. Ficou claro que no passado os protestantes assumiram ocompromisso de igreja justificada e que sua ação na sociedade era muito forte para diminuir asinjustiças, através da ação social. É verdade também que hoje o número de igrejas envolvidas nestamissão é bem menor, e que a grande maioria não têm se preocupado e demonstram desinteressetotal com esta questão. Assim, nesta exposição colocamos apenas alguns fatores para afirmar que os cristãosprecisam voltar a mostrar estas características que marcaram a evangelização protestante naAmérica Latina. 4 - A IGREJA PRESBITERIANA EM LONDRINA. Assim como os protestantes na América Latina assumiram o chamado de ser igrejajustificada, em Londrina esta presença também assume este chamado, sendo de muito significadopara as classes menos desfavorecidas.
  14. 14. A proclamação da justificação pela fé foi elaborada nesta região por protestantespresbiterianos, metodistas e batistas, que deixaram suas marcas na busca por justiça. Podemoscelebrar a Deus por importantes feitos, que tem tido conseqüências até hoje. Diante desde panorama, a Igreja Presbiteriana do Brasil em Londrina procurou contribuirde várias formas. A história nos mostra a Igreja Presbiteriana chegando a Londrina em 1930, sendoorganizada a primeira Igreja em 19/07/1936 (Igreja Presbiteriana de Londrina). A partir de suachegada, desenvolveu um papel muito importante na vida social da cidade. Em 1940 é fundado oGinásio Londrinense - Colossinho e com o desenvolvimento do trabalho, em 1945 o Rev. eProfessor Zaqueu de Melo (Ministro da Igreja Presbiteriana do Brasil) funda o Instituto Filadélfiade Londrina, em parceria com algumas igrejas evangélicas da cidade. Com a visão de poder colaborar com a cidade, e diante da necessidade de ajudar os doentesda cidade, nasce também em 1947 através do amor cristão a idéia de se construir um hospitalevangélico, sonho que em 1953 começou a se tornar real. Hoje o Hospital Evangélico de Londrina,é um dos maiores e mais bem equipados do Brasil. Todo este histórico nos faz perceber que o primeiros protestantes em Londrina tinham umaprecaução com a vida social da cidade, e este impacto deixou marcas que refletem ainda hoje naigreja presbiteriana, talvez não com a mesma intensidade, mas ainda preservamos as característicasde uma igreja justificada, que assume sua responsabilidade social. A igreja presbiteriana cresceu ehoje temos o seguinte panorama: a Igreja Presbiteriana do Brasil em Londrina conta hoje com oitoigrejas, de acordo com estatísticas de 1997 do Supremo Concílio via email, possui 1.753 membroscomungantes e 534 membros não comungantes. Faz os seguintes trabalhos sociais: a Igreja Presbiteriana Central de Londrina, tem sedestacado na área social por intermédio de uma Secretaria de Assistência Social, que atende mais dequarenta famílias com cestas básicas e de uma agência de empregos que tem colaborado com aspessoas desempregadas, membros, ou não membros, atendendo também em outras áreas. A Igreja Central possui também um centro de recuperação de dependentes químicoschamado Meprovi (Movimento Evangélico Pró-Vida) que teve seu início em 27 de agosto de 1987e que já beneficiou mais de mil e quinhentas pessoas. Esta entidade assistencial possui hoje 36pessoas internadas, e presta assistência ambulatorial, jurídica e psicológica. O custo paramanutenção deste centro é de oito mil reais mês, oriundos da Igreja Presbiteriana Central, de algunsconvênios com a Prefeitura Municipal, Governo do Estado e de membros e voluntários. Na área infantil a Igreja Presbiteriana Central de Londrina possui o Meprovi Pequenino, queatende cerca de cinqüenta crianças desamparadas através de um creche, trabalho que começou emagosto deste ano. Com estes trabalhos a Igreja Presbiteriana Central de Londrina tem setransformado em uma ferramenta na mão de Deus para alcançar parte destas famílias da cidade queestão se perdendo por causa do álcool, das drogas, da falta de emprego ou de condições demanutenção da casa e dos filhos. Nestes trabalhos esta Igreja tem nos mostrado o verdadeirosignificado da justificação pela fé, através da justiça social de suas obras. A Igreja Presbiteriana Arco-Íris também tem participado do serviço social. Em junho de1997 teve início a creche Arco-Íris através do CEDIC (Centro Evangélico de DesenvolvimentoIntegral da Criança), que conta hoje com vinte e cinco crianças. O trabalho é desenvolvido por seisfuncionários. A creche funciona nas instalações da igreja e as necessidades têm sido suprida pordoações espontâneas de membros, por apadrinhamento, a igreja e os sócios da associaçãocontribuem mensalmente. O custo para sustento deste projeto é de dois mil reais por mês, e a igrejatem se dedicado a este trabalho assistindo também as famílias destas crianças conforme suasnecessidades, às vezes com cestas básicas ou outro atendimento. Nesta escola a fé é apresentada deuma forma natural e tem servido para abençoar muitas vidas. Na Zona Norte de Londrina a Igreja Presbiteriana Maanaim de Londrina resolveu criar, emjaneiro de 1998, um projeto assistencial para propiciar educação alternativa e qualificaçãoprofissional, especialmente entre famílias de baixa renda e desenvolver com crianças e adolescentesuma escola de informática que trouxesse uma melhoria tanto no meio escolar quanto no seu próprioconvívio social. Assim nasceu o MAI - Ministério Assistencial de Informática, uma escola voltada
  15. 15. para o campo profissional e escolar, entendendo que muito mais do que discurso o homem precisado amor prático, da esperança, das boas obras. O MAI trabalha com crianças e adolescentes na faixa etária de 08 a 17 anos e,esporadicamente, com alguns moços e pais de alunos. Para se inscrever nas aulas as crianças eadolescentes devem cursar o ensino regular em escolas estaduais ou municipais e a renda familiarnão pode ultrapassar três salários mínimos. É condição primordial para a confirmação do aluno noProjeto que ele seja visitado para constatação do nível familiar. O Projeto contou com o apoio do Instituto Filadélfia de Londrina, que doou os primeirosequipamentos e de algumas outras empresas. Os professores do Laboratório de Informática foramcapacitados por meio de cursos ministrados por voluntários e estão também sendoprofissionalizados. Hoje o MAI conta com mais de 280 alunos, há uma lista de espera com o nomede mais de cem crianças, duas salas de aulas, vinte computadores e seis professores. Este projeto em menos de um ano, já demonstra ótimos resultados, pois além de trabalharcom a obra social a igreja está sendo mobilizada, pois todos os alunos são visitados periodicamentee têm algumas de suas necessidades supridas, como cesta básica, atendimento psicológico eaconselhamento. Como resultado deste trabalho a Igreja passou a ocupar uma posição melhor nacomunidade, já que este ficou conhecido pela ampla divulgação na imprensa. Aumentou também onúmero de participantes na igreja. Sabemos que não iremos resolver os graves problemas que eles enfrentam na escola, no lare na sociedade, mas com certeza esta pequena contribuição será a oportunidade que muitos destesmenores terão para mudarem o curso de suas vidas com uma nova perspectiva. Londrina é uma cidade com quase quinhentos mil habitantes, de acordo com o últimoCenso de 1991, do IBGE, a cidade possui 52,0 % de suas crianças morando em lares com renda deaté um salário mínimo mensal, 27,9% destas crianças moram em favelas dentro da cidade, e mais14,7% em favelas rurais. Considerando também a condição inadequada de água, esgoto, energiaelétrica, temos outras famílias em situação um pouco melhor mas que enfrentam da mesma forma,dificuldades econômicas, que afetam diretamente a formação educacional de seus filhos. Esta difícil realidade da cidade de Londrina tem trazido conseqüências seriíssimas a estepovo e, como podemos observar, das oito igrejas presbiterianas em Londrina apenas trêsdesenvolvem um trabalho que alcança estes necessitados. Assim podemos afirmar que falta aindapor parte das igrejas presbiterianas de Londrina uma consciência maior da ação social. Será quepodemos afirmar que todas são igrejas justificadas?III – DESAFIOS DE UMA ECLESIOLOGIA SERVIÇAL. 1 – A DIACONAL POLÍTICA DA IGREJA. Nas seções anteriores enfatizamos como a justificação pela fé é evidenciada pelos cristãos eque somos a justiça de Deus. Assim podemos ver como a igreja justificada se desenvolveu atravésda história e o que isto significou para nós hoje. Agora, nosso objetivo é mostrar como a PolíticaDiaconal se aplica na igreja e como esta política pode ajudar de modo prático a ação social e amissão da igreja. Assim precisamos de uma visão clara desta política. O termo usado para diaconia se origina do grupo de palavras que acompanha diakoneo quesignifica "servir", diakoneo "serviço" e diakonos para servidor. Inicialmente diakoneo se referia aum garçom que serve a mesa, mas este significado se ampliou e passou a incluir os cuidados do lare, finalmente, quaisquer ajuda ou cuidados pessoais. No judaísmo o serviço era exercido através dasesmolas, e não de prestação de serviços. No Antigo Testamento em grego diakonos refere-se aosservidores profissionais da corte. Algo abaixo da dignidade do judeu livre (Lc 7:44-45). Em o NovoTestamento, refere-se aos servos ou escravos e seus senhores. (Mt 22:13). Neste sentido todos oscristãos devem ser diakonoi (servos) de Cristo (Jo 12:26).
  16. 16. Desta forma, diakoneo era uma palavra muito empregada na época de Jesus, e a igrejaguardou essa palavra grega para designar responsabilidades sociais. A igreja primitiva vai instituir oofício dos diáconos, anos posteriores ao da narrativa de Atos 6, pois esta passagem é precursora doofício diaconal. E a este respeito Nordstokke escreveu: "Neste texto de Atos, os sete escolhidos para "diaconar" às mesas não são chamados de diáconos. Suas atividades também não se restringiram a este trabalho específico, porque vemos alguns, mais tarde, se destacando na diaconia da palavra. Por isso, também não podemos indicar esta passagem Bíblica como fundamentação para a instituição do ministério diaconal público, contínuo e representativo de hoje". Segundo Champlim, Clemente de Roma, na sua epístola aos Coríntios, xlii, xliv, asseveraque a nomeação dos diáconos era originalmente apostólica. O ofício e a função dos diáconos tevecomeço no tempo dos apóstolos, conforme Atos 6, mas a passagem do tempo, tal como sucede atudo mais, ampliou o objetivo e a natureza desse ofício, até que o mesmo se tornou posiçãoeclesiástica. Deduzimos então que o diaconato originou-se do cuidado das viúvas da Igreja deJerusalém, e também da necessidade de proporcionar ajuda à comunidade cristã. Eram exigidasqualificações espirituais e tinham responsabilidades com o trabalho material, e como "auxiliadoresdo ministério". Em outras palavras, a função destes diáconos eram aliviar as mão dos apóstolos paraque eles se dedicassem à oração e ao ministério da palavra (At 6:4). Portanto, podemos ver este serviço sendo introduzido na igreja primitiva de maneira naturalaté se aplicar em uma pessoa possuidora de determinado cargo na sociedade cristã. Na Vulgata, otermo grego usado era diaconus (Fp 1:1; 1tm 3:8), enquanto que as demais versões traduzemdiakonos como ministro. "Ora, tudo provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por meiode Cristo e nos deu o ministério (diakonia) da reconciliação" 2Co 5:18. O apóstolo Paulo entendeuque, como Cristo, nossa condição só poderia ser de servos e, em conseqüência, os ministros sãochamados diakonoi (servos). “Ministério é diaconia, é serviço, na verdadeira acepção da palavra ena sua expressão mais adequada”. Diaconia é na verdade o exemplo de Cristo. O cristianismo nasce com esta idéia de que o serviço tinha como importância e funçãoedificar o Corpo. Assim, a diversidade nos serviços, que correspondem às adversidades de serviços(1Co 12:4). Paulo emprega didasko em Rm 12:7, referindo-se a que um cargo, dentro da igreja, éum Dom. Paulo emprega a palavra grega charisma significando um revestimento pessoal com agraça de Deus para o serviço do Corpo de Cristo, para a edificação, multiplicando o amor, aesperança e a fé. Ou seja o significado deste revestimento espiritual especial para a vida dacomunidade, têm os aspectos que olham para dentro, e outros que olham para fora. Como diz Ray CStedman: “A clara intenção de Deus é que através da igreja verdadeira o mundo possa ver JesusCristo em ação”. Todos os dons na igreja estão a serviço da vida e é assim que cada membro destecorpo é útil. Também temos que ter a consciência que o Ministério da Palavra (kerigma) e Serviço(diakonia) andam juntos. Pessoas preparadas e vocacionadas para o Kerigma e a diakonia, fazemuma comunidade equilibrada que produz frutos de justiça (ações) . Kjell Nordstokke adverte: "Onde a natureza diaconal da Igreja é percebida, a ação diaconal vai deixar de ser algo "periférico", pois vai se fundamentar cristológicamente e eclesiologicamente. Não vai mais haver dicotomia "palavra x serviço. O serviço passa a ser a marca e o poder na Igreja e se expressará numa espiritualidade de humildade, solidariedade e esperança". A política diaconal na igreja é formada a partir do momento em que se organiza, seestrutura, e se prepara para a ação. E para isso é necessário avaliar as causas da necessidade, formarpessoas, administrar recursos, tudo com o fim de modificar a situação dos necessitados.
  17. 17. Existe uma diferença entre diaconia e ação social, que deve ficar clara: a Diaconia é serviçoe tem fundamento na fé, no exemplo de Jesus Cristo; já a ação social ou assistência social, temcomo ação profissional técnica com dimensões políticas, apoiam-se em teorias e práticas. Açãosocial muitas vezes tem se transformado em ações paternalistas, relacionadas apenas com primeirasdamas, e a assistência social é dever do Estado, mas tem sido feita também por organizações nãogovernamentais que trabalham na perspectiva social. É necessário que a igreja justificada reflita sobre estas duas ações, uma vez que para fazer oserviço social da igreja seja necessário a parte técnica e prática. Podemos dizer que a igreja tem queter o cuidado de saber qual o tipo de assistência que o povo necessita, a fim de que ela não caia noerro de ser paternalista, mas sim transformadora. Na prática, a ação diaconal da igreja tem esta função de assistência social, mas conforme omodelo bíblico vemos que a ação é muito mais que apenas fazer assistência social. Ela tem seupropósito em auxiliar a igreja, para que o corpo cresça bem edificado. Por isso Paulo escreve aTimóteo dando as qualificações de um diácono (1Tm 3:8-13). 2 – OBEDECENDO A GRANDE COMISSÃO. Jesus demonstrou compaixão pelos necessitados, operou milagres, alimentou pessoas, masteve como propósito principal instalar a fé na sua pessoa como Cristo o Filho de Deus que veio parasalvar os perdidos. Seu convite foi vinde a mim (Mt11:28), trazendo como sempre a idéia depaternidade, de acolhida, amparo, mas ao chamar (vinde), Ele também preparou para que fossempor todo o mundo e pregassem o Evangelho a toda criatura (Mc 16,15). Jesus deixa assim a grandetarefa de que, assim como Ele amou e se entregou, esta deve ser a missão de todo cristão: não ficarsatisfeito apenas porque recebeu amor de Deus, mas porque o amor tende à busca os outros, à lutapelos outros, à entrega aos outros estando disposto até a dar a vida, se necessário. Foi para isto queEle veio e é com este fim que ele envia. Este é o trabalho que Jesus confiou à igreja que ele mesmojustificou. A igreja justificada que vive a herança reformada mantém viva esta chama de proclamar ao mundo o evangelho, uma vez que a razão de ser da igreja é sua própria missão. Assim a obra missionária da igreja está totalmente relacionada à fidelidade ao mandamento de Jesus. Fazer missão é ir ao mundo solitário a fim de, com compaixão, sujar as mãos, sofrer e gastar-se a serviço do próximo, envolvendo-se com cada um levado pelo amor de Deus. Sobre isto John Stott faz a seguinte declaração: "Missão é a nossa resposta humana à divina comissão. É todo estilo de vida cristão, que tanto inclui evangelismo quanto responsabilidade social, sob a convicção de que Cristo nos enviou, e que é para o mundo, portanto, que devemos ir, para viver e trabalhar para ele". Vê-se então que o cristão justificado que está ativamente preocupado com a justiçasocial não se preocupa apenas com o "sagrado", mas também com o "secular". Sua preocupaçãocom a comunidade é tão abrangente quanto a de Jesus. John Stott completa esta idéia dizendo que ocristão que ama seu próximo não fica apenas conversando, planejando e orando, como os religiosos,mas sai a serviço do seu próximo para promover-lhe tanto o suprimento espiritual quanto o físico. Timóteo Carriker defende a tese de que a missão da Igreja se desenvolve em duas esferas, sendo uma de batalha espiritual e a outra em um engajamento histórico e social, e que esta missão nestes dois planos ocorrem ao mesmo tempo e têm características coletivas, pessoais, não só individuais, históricas e sociais, de tal forma que essas características juntas formam a "espiritualidade missionária", que invade toda dimensão da relação humana, que não foge do mundo, mas mergulha dentro dele.
  18. 18. Podemos então perceber que a grande comissão surge de uma igreja justificada com o propósito claro de fazer a vontade de Deus. Assim a igreja participa de sua tarefa missionária de espalhar as boas novas por meio de testemunho, de pregação, de viagens missionárias, de boas obras (Tt 3:1,2,8,14), de praticar o bem e a mútua cooperação (Hb 13:16) e de tantos outros meios. Em outras palavras, a ação social é conseqüência da evangelização. O sentido da grande comissão é que devemos ir e fazer discípulos por todo mundo (Mt 28:19, Mc 16:15) onde a igreja justificada rompe as barreiras e fronteiras e vai a todas as partes. No evangelho de João Jesus diz: "Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio" (Jo 20:21). A grande comissão nos faz refletir de como deve ser feita esta obra, pois fica claro nos textos que a obra tem que ser cumprida. Podemos dizer então que uma igreja justificada é uma igreja voltada para esta missão, e esta missão de evangelização não pode ser apenas anunciar as boas novas , mas tem que haver envolvimento com as pessoas, em amor, uma vez que iniciada não pode ser abandonada, tem que assumir responsabilidades e se esforçar. Norman Lewis faz o seguinte comentário a respeito de se esforçar. "Protestou Paulo "esforcei-me por pregar o evangelho". O trabalho número um de Deus merece o esforço principal do homem. Natam Hale, famoso como guerreiro revolucionário, morreu como espião. Suas patrióticas palavras foram: "Só lamento ter apenas uma vida para dar pelo meu país". Ninguém, homem ou mulher, tem mais de uma vida. Uma vida para investir!... Viva de modo que seus esforços tenham significação na evangelização mundial." O crente justificado pela fé tem no seu coração este desejo de servir a Deus. Mesmo que isto lhe custe caro podemos ver que uma vida justificada por Deus tem muita importância no seu reino. Esta tarefa da grande comissão não é para qualquer um, senão para aqueles que já foram justificados por Deus e separados para tão grande obra. 3 – JESUS O PÃO DA VIDA. Uma comunidade justificada é aquela que apresenta condições satisfatórias de nutrir-se dafonte inesgotável de alimentação: Jesus. Há, sim, sempre necessidade de recorrer a Cristo enquanto"pão da vida", "alimento espiritual", "leite materno e espiritual", pois resulta em compromisso ecumprimento da missão. Afinal, Jesus é o pão que mata a fome dos famintos. A fome de uma comunidade justificada não deve restringir-se somente à pregação daPalavra. Deve, ainda, nutrir-se da comunhão, do amor e do trabalho para o nosso semelhante. Asolidariedade faz parte da igreja que se alimenta do "pão da vida". Uma vez que o homem éjustificado para que seja a justiça de Deus, sua preocupação social é em si uma atitude solidária coma vida. Portanto, a solidariedade é levar o "pão da vida" aos ferimentos espirituais e carnais, e istosó pode ser feito pelo serviço. É sem dúvida estar disposto a levar o fardo um dos outros, é gastartempo buscando a compreensão básica da outra pessoa, é comprometimento de vida. Também devemos ter a consciência de que qualquer ação missionária que ignora totalmente a dimensão de servir o "Pão da vida" em todos os sentidos pode tornar-se apenas promotora de uma instituição, deixando assim de cumprir o anúncio integral do evangelho. Uma das coisas que torna relevante a justificação pela fé consiste no tipo de visão que elanos dá do mundo. A justificação inspira esperança básica na vida. Havendo esperança, esta setransforma em serviço. Esta ação gerada nos leva ao mundo para ajudarmos as pessoas a sealimentarem do verdadeiro "Pão", o Cristo que não está na cruz, que tendo morrido uma vez pelopecado, agora vive. Em outras palavras, uma vida justificada leva o "Pão da vida" ao mundo.
  19. 19. 4 – AÇÃO SOCIAL COMO PROVEDORA DA COMUNHÃO. Ação social é evangelismo através da comunhão. A igreja primitiva mostrou sinais de umaigreja justificada a partir do momento que começou a viver em comunhão. Este grande sinal de açãodo Espírito sobre a comunidade, ou seja, a comunhão entre os cristãos, caía na graça do povo, elevava diretamente para o evangelismo (Atos 2:47). Em Atos, vemos a comunhão se manifestando da seguinte forma. "E perseveravam... nacomunhão" (At 2:42), "todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum" (2:44), e"tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração" (2:46). A palavra koinonia("comunhão") no mundo grego significava a estreita união entre os homens. Neste texto de Atos akoinonia tem um sentido absoluto, como parte essencial da vida de adoração, e pode também sertraduzida como comunhão ou fraternidade Litúrgica na adoração. Indica a unanimidade levada aefeito pelo Espírito. O indivíduo era complemente apoiado na comunidade. A igreja primitiva preocupava-se com os membros da comunidade quanto a problemasfinanceiros, e também muitos pescadores e camponeses que migraram para a Galiléia tinhamdificuldades em ganhar a vida na capital. Havia também nesta época uma crise social, emconseqüência da situação econômica da Palestina e devido a distúrbios contínuos. Paulo trazia aJerusalém coletas que eram a expressão tangível da comunhão das igrejas, “pela liberalidade quecontribuís (koinönias) para eles e para todos" 2Co 9:13. Koinonia fala do nosso relacionamento com outros cristãos. A igreja justificada tem queviver em comunhão, pois ela revela uma grande oportunidade para a prática do amor ao próximo. Éclaro que o próximo pode significar contextualmente os irmãos da própria comunidade como os defora. Uma comunidade que pratica a diaconia está concomitantemente oportunizando a prática da féjustificadora, pois o ministério diaconal possibilita à comunidade a manutenção da comunhão. É,pois, nesse contexto que Atos considera a ação social como evangelização comunicativa a partir docontexto da comunhão. A ação social pertence à missão da igreja e deve encorajar seus membros àresponsabilidade social e à busca da justiça social. Não deve enclausurar-se de maneira a viverem guetos, mas frutificar a realidade da koinonia (envolvimento e compromisso) comoconseqüência da justificação pela fé. É afirmar que a Igreja justificada se envolve e secompromete com a missão de servir ao próximo num ato de fé e que, primeiramente, elaexperimenta essa realidade na comunhão dos santos. Sendo assim, a missiologia evangelizadora do terceiro milênio, a partir do contexto e das estruturas do Congresso de Lausanne, acentua um ponto de tensão quanto à eclesiologia atuante, mas que estabelece diretrizes de uma prática de ministério pastoral na América Latina , viabilizando a evangelização, a preocupação e a ação social sob responsabilidades cristãs, que devem ser feitas pelos cristãos individualmente e por grupos. Cabe, portanto, à igreja promover esta ação.
  20. 20. IV – BIBLIOGRAFIAA Confisão de Fé, O Catecismo Maior, O Breve Catecismo. São Paulo: Casa Presbiteriana, 1991.ALVES, Rubens. História da Teologia na América Latina. São Paulo: Paulinas, 1981.AULÉN, Gustaf F. A Fé Cristã. São Paulo: Aste – 1965.BARROS, M. Bíblia e terra. Campinas: 1992 (apostila).BERKHOF, L. Teologia Sistemática. Michigan: T.E.L.L., 1945, p.607s.BIÉLER, André. O Humanismo Social de Calvino. São Paulo: Oikumene, 1970.BOBSIN, Oneide. Desafios Urbanos à Igreja. São Leopoldo: Sinodal, 1995.BOFF, Leonardo. E a Igreja se Fez Povo. Petrópolis: Vozes,1985, p. 80.BORN, A. van Den. Dicionário enciclopédico da Bíblia. Petrópolis: Vozes/ Centro do Livro Brasileiro Ltda, 1971.Brasil Constituição. Constituição República Federativa do Brasil. Senado Faderal, Centro Gráfico, art 6º de 1988.BROWN, C. (ed.). O Novo dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento. São Paulo: Vida Nova, 1990.BUYERS, PAUL. História do Metodismo. São Paulo: Imprensa Medotisda, 1945, p. 75.CALVINO, Jão. As Institutas da Religião Cristã: Um Resumo. São Paulo; Publicações Evangélicas Selecionadas, 1920.CARRIKER, Timóteo, O conceito de missão: uma perspectiva eclesiológica. In LIMA, Éber F. S. Paixão Missionária. Londrina, SMI/IPIB, 1994, p. 28s.CHAMPLIN, Russel N. O Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, vol 3, São Paulo : Candeia, 1995.COLEMAN, Willian L. Manual dos Tempos e Custumes Bíblicos. Belo Horizon-te: Betania, 1991, Pg 171 e 172.COMBLIN, José. Paulo Apóstolo de Jesus Cristo. Petrópolis: Vozes 1993.DUFOUR, Xavier Dufont. Vocabulário de Teologia Bíblica. Petrópolis, Vozes, 1984.DUSSEl, Enrique. História da Teologia na América Latina. São Paulo: Pauli-nas, 1985.ESCOBAR, Samuel. Missão Cristã e Transformação Social. In: Servindo Com os Pobres na América Latina: Modelos de Ministério Integral. Curitiba: Descoberta, 1998.GALILEA, Segundo. Responsabilidade Missionária da América Latina. São Paulo, Paulinas, 1983.GRELLERT, Manfred. Os Compromissos da Missão. Rio de Janeiro: JUERP/ Visão Mundial, 1987.HORTON, Stanley M. O Livro de Atos. São Paulo: Vida, 1983.Instituto Filadélfia de Londrina. In: http://www.filadelfia.br/londrinense.htm.JENSON, Robert W. BRAATEN, Carl e. Docgmática Cristã. São Leopoldo: Sinodal, VI, 1987.JHONHTONE, Praticki: Guia Intercessão Mundial. São Paulo: Amém, 1993.LEWIS, Norman. VO Ide é Com Você.. São Paulo: Leitor Cristão, 1967.LINDBERG, Carter. There Should Be No Beggars Among Christians: Karlstadt, Luther, and the Origins of Protestant Poor Relief," Church History 46 (1977), p. 322s.LUTHER, Martin. Dillenburger. 1978 p. 75.KLASSEN, Pedro. As missões presbiterianas no Brasil. In: WWW.mackenzie.com.br.MACKENZIE, John L. Dicionário Bíblico. São Paulo: Paulinas, p. 526.MARSHAL, I. Howard. Atos dos Apóstolos. São Paulo: Mundo Cristão, 1985MENDONÇA, A.G. O celeste porvir: a inserção do protestantismo no Brasil. São Paulo: Paulinas, 1988.NORDSTOKKE, Kjell. Diaconia: Fé em Ação. São Leopoldo: Sinodal, 1995.OLIVEIRA, Aureo R. Igreja e Seus Ministérios. São Paulo: Reformanda. Vl. II, 1990.PERROT, C. Epístola aos Romanos. São Paulo; Paulineas 1986.SHAULL, Richard. A Reforma Protestante e a Teologia da Libertação. São Paulo: Pendão Real, 1993.SHEDD, Russel. A Justiça Social e a Interpretação da Bíblia. São Paulo: Vida Nova, 1984.Sociedade Evangélica Beneficente de Londrina. In: http://www.sebl.com.br/seb.htmSTEDMAN, Ray C. Igreja Corpo Vivo de Cristo. São Paulo: Mundo Cristão, 1987.STOTT, Jhon R.W. A Mensagem de Atos. São Paulo: ABU, 1994.STOTT, Jhon R.W. O Cristão em uma Sociedade não Cristã. São Paulo: Betânia, 1989.STROHL, Henri. O Pensamento da Reforma. São Paulo: Aste, 1963.TILLICH, P. Teologia Sistemática. São Paulo: Paulinas, 1988.___________. Evangelização e Responsabilidade Social. Série Lausanne: ABU, 1983.www.ejesus.com.br

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