Revista Notícias de Israel - Fevereiro de 2008 - Ano 30 - Nº 2

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Revista mensal sobre profecia bíblica, vida cristã, Israel e o Oriente Médio e notícias internacionais comentadas sob uma perspectiva bíblica. Entenda como o que ocorre no Oriente Médio afeta sua vida e o futuro de todos nós.

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Revista Notícias de Israel - Fevereiro de 2008 - Ano 30 - Nº 2

  1. 1. BETH-SHALOM www.Beth-Shalom.com.br Fevereiro de 2008 • Ano 30 • Nº 2 • R$ 3,50
  2. 2. É uma publicação mensal da ““OObbrraa MMiissssiioonnáárriiaa CChhaammaaddaa ddaa MMeeiiaa--NNooiittee”” com licença da ““VVeerreeiinn ffüürr BBiibbeellssttuuddiiuumm iinn IIssrraaeell,, BBeetthh--SShhaalloomm”” (Associação Beth-Shalom para Estudo Bíblico em Israel), da Suíça. AAddmmiinniissttrraaççããoo ee IImmpprreessssããoo:: Rua Erechim, 978 • Bairro Nonoai 90830-000 • Porto Alegre/RS • Brasil Fone: (51) 3241-5050 Fax: (51) 3249-7385 E-mail: mail@chamada.com.br wwwwww..cchhaammaaddaa..ccoomm..bbrr EEnnddeerreeççoo PPoossttaall:: Caixa Postal, 1688 90001-970 • PORTO ALEGRE/RS • Brasil FFuunnddaaddoorr:: Dr. Wim Malgo (1922 - 1992) CCoonnsseellhhoo DDiirreettoorr:: Dieter Steiger, Ingo Haake, Markus Steiger, Reinoldo Federolf EEddiittoorr ee DDiirreettoorr RReessppoonnssáávveell:: Ingo Haake DDiiaaggrraammaaççããoo && AArrttee:: Émerson Hoffmann Assinatura - anual ............................ 31,50 - semestral ....................... 19,00 Exemplar Avulso ................................. 3,50 Exterior: Assin. anual (Via Aérea)... US$ 35.00 EEddiiççõõeess IInntteerrnnaacciioonnaaiiss A revista “Notícias de Israel” é publicada também em espanhol, inglês, alemão, holandês e francês. As opiniões expressas nos artigos assinados são de responsabilidade dos autores. INPI nº 040614 Registro nº 50 do Cartório Especial OO oobbjjeettiivvoo ddaa AAssssoocciiaaççããoo BBeetthh--SShhaalloomm ppaarraa EEssttuuddoo BBííbblliiccoo eemm IIssrraaeell éé ddeessppeerrttaarr ee ffoommeennttaarr eennttrree ooss ccrriissttããooss oo aammoorr ppeelloo EEssttaaddoo ddee IIssrraaeell ee ppeellooss jjuuddeeuuss.. Ela demonstra o amor de Jesus pelo Seu povo de maneira prática, através da realização de projetos sociais e de auxílio a Israel. Além disso, promove também CCoonnggrreessssooss ssoobbrree aa PPaallaavvrraa PPrrooffééttiiccaa eemm JJeerruussaalléémm e vviiaaggeennss, com a intenção de levar maior número possível de peregrinos cristãos a Israel, onde mantém a Casa de Hóspedes “Beth-Shalom” (no monte Carmelo, em Haifa). ISRAEL Notícias de 14 4 Prezados Amigos de Israel HHOORRIIZZOONNTTEE • Implorando perdão do islamismo? - 14 • Ação da Inquisição Portuguesa no Brasil - 16 • Reprovado pela fé - 18 • Fuga do paraíso - 18 • Maradona pirou - 18 índice 6 O Caminho Para a Justiça 10 Um Sacrifício Superior
  3. 3. 44 Notícias de Israel, fevereiro de 2008 “Quando Israel era menino, eu o amei; e do Egito chamei o meu filho” (Oséias 11.1). À medida que estudamos o livro de Oséias, é revelada a declaração de amor de Deus pelo Seu povo. Esse amor é diferente do amor que Ele tem pela Sua criação, conforme expresso em João 3.16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Israel não pode ser comparado com qualquer outro povo neste mundo. Por isso, cometemos um grave erro quando usamos a história de Israel e tentamos aplicar esse relacionamento especial à nossa nação. Observe a diferença: “Feliz és tu, ó Israel! Quem é como tu? Povo salvo pelo SENHOR, escudo que te socorre, espada que te dá alteza. Assim, os teus inimigos te serão sujeitos, e tu pisarás os seus altos” (Deuteronômio 33.29). Leia também as duas perguntas que Moisés fez ao seu povo: “ou se algum povo ouviu falar a voz de algum deus do meio do fogo, como tu a ouviste, ficando vivo; ou se um deus intentou ir tomar para si um povo do meio de outro povo, com provas, e com sinais, e com milagres, e com peleja, e com mão poderosa, e com braço estendido, e com grandes espantos, segundo tudo quanto o SENHOR, vosso Deus, vos fez no Egito, aos vossos olhos” (Deuteronômio 4.33-34). Além disso, a singularidade de Israel é registrada em Deuteronômio 7.6: “Porque tu és povo santo ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que há sobre a terra”. Deus referiu-se a Israel como Seu filho. Enquanto os filhos de Israel estavam no Egito, Deus disse a Moisés: “Dirás a Faraó: Assim diz o SENHOR: Israel é meu filho, meu primogênito” (Êxodo 4.22). Israel é o filho de Deus. De acordo com Mateus 2.15, o Filho de Deus é um israelita: “e lá ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que fora dito pelo Senhor, por intermédio do profeta: Do Egito chamei o meu Filho”. O Senhor Jesus é identificado com Seu povo. É importante recordar que Jesus é um judeu, Ele é um israelita. Jesus não mudou, nem jamais mudará Sua nacionalidade: “...o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi...” (Apocalipse 5.5). A seguir, Oséias relata a grande tragédia: “Quanto mais eu os chamava, tanto mais se iam da minha presença; sacrificavam a baalins e queimavam incenso às imagens de escultura. Todavia, eu ensinei a andar a Efraim; tomei-os nos meus braços, mas não atinaram que eu os curava. Atraí-os com cordas humanas, com laços de amor; fui para eles como quem alivia o jugo de sobre as suas queixadas e me inclinei para dar-lhes de comer” (Oséias 11.2-4). Deus repetidamente relembrou ao Seu povo a escravidão e os sofrimentos de que tinha sido resgatado. Esse é um ponto que podemos espiritualizar e aplicar à Igreja. Cada um de nós que chegou a Jesus pela fé e Lhe pediu perdão veio de uma situação sem esperanças. Jamais permita que em seus pensamentos você chegue à conclusão de que há algo de bom em alguém. Essa é a mensagem que Lúcifer quer fazer as pessoas crerem, mas exatamente o contrário é a verdade. Ficaríamos chocados e sem palavras se parássemos e percebêssemos realmente a situação desesperadora em que nos encontrávamos sem o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Leia as palavras de Efésios 2.12: “naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos às alianças da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo” (Efésios 2.12). Essa, meus amigos, é uma autêntica situação sem esperança. Esse versículo descreve a nossa posição, como também a de Israel, mas através de Oséias Deus explica como Israel recusou-se a ouvir Suas palavras e escolheu oferecer sacrifícios aos baalins e queimar incenso às imagens de escultura. Os filhos de Israel violaram deliberadamente os mandamentos de Deus. Podemos sentir o amor compassivo de Deus pelo Seu povo. O Senhor o ensinou a andar, tomou-o nos braços, mas ele não o reconheceu. Deus o atraiu com laços de amor, deu-lhe de comer e ajudou-o a enfrentar o peso da vida diária, mas tudo foi em vão. A rejeição de obedecer a Deus e a teimosa insistência deles em fazerem a própria vontade fez com que ficassem sujeitos aos assírios: “Não voltarão para a terra do Egito, mas o assírio será seu rei, porque recusam converter-se. A espada cairá sobre as suas cidades, e consumirá os seus ferrolhos, e as devorará, por causa dos seus caprichos” (Oséias 11.5-6). O versículo seguinte inclui a palavra “desviar-se”: “Porque o meu povo é inclinado a desviar-se de mim, se é concitado a dirigir-se acima, ninguém o faz” (Oséias 11.7). Os israelitas tomaram suas decisões e ficaram cansados de ouvir a verdade. Quando lemos esses versículos, podemos sentir a completa desesperança em que o povo de Israel se encontrava em relação a Deus. Mas O Senhor não desistiu dele:“Como te deixaria, ó Efraim? Como te entregaria, ó Israel? Como te faria como a
  4. 4. 55Notícias de Israel, fevereiro de 2008 Admá? Como fazer-te um Zeboim? Meu coração está comovido dentro de mim, as minhas compaixões, à uma, se acendem. Não executarei o furor da minha ira; não tornarei para destruir a Efraim, porque eu sou Deus e não homem, o Santo no meio de ti; não voltarei em ira” (Oséias 11.8-9). Aqui vemos a grande contradição de Deus: Seu amor é claramente expresso, mas Sua justiça tem de ser executada. Sua lei permanece para sempre, Seus juízos são justos e irrevogáveis. Mas, então há Seu amor pelo Seu povo. Por essa razão, Ele faz estas perguntas: Como eu deixaria Efraim? Como eu entregaria Israel? Deveria eu destruí-lo como a Admá e Zeboim (lugares destruídos durante o juízo de fogo sobre Sodoma e Gomorra)? Na verdade, Deus enfrenta uma contradição: “Meu coração está comovido dentro de mim, as minhas compaixões, à uma, se acendem”. Somos lembrados de Jeremias 31.20: “Não é Efraim meu precioso filho, filho das minhas delícias? Pois tantas vezes quantas falo contra ele, tantas vezes ternamente me lembro dele; comove-se por ele o meu coração, deveras me compadecerei dele, diz o SENHOR”. Finalmente, a graça irrompe. Essa graça é profética, baseada no cumprimento do juízo e da justiça, ou seja, o sacrifício do Filho de Deus na cruz do Calvário. Por isso, lemos três vezes a palavra “não”. Ele não destruirá Israel como fez com Admá e Zeboim. Devemos entender que esse foi o tempo em que Israel violou a aliança e rebelou-se contra Deus. Os sacrifícios oferecidos pelo povo através dos sacerdotes não eram mais efetivos, porque a santa lei de Deus tinha sido violada de forma contínua e persistente. Apesar do sangue de inúmeros animais ser derramado no tempo dos sacrifícios, o pecado de Israel nunca era removido, sendo apenas temporariamente coberto até a chegada do Cordeiro de Deus perfeito, sobre o qual João Batista exclamou: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1.29). Essa era a única forma de solucionar a contradição de Deus, não somente com relação a Israel, mas com respeito a toda a humanidade. Hebreus 10.4 confirma: “porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados”. Se entendermos em espírito esse importante fato, perceberemos que horrível insulto é tentar agradar a Deus cumprindo certos mandamentos do Antigo Testamento. Como crentes da Nova Aliança, estamos sujeitos a uma lei muito superior – infinitamente mais alta que o Antigo Testamento – porque foi derramado algo indescritivelmente maior que o sangue de touros e de bodes, o sangue do Filho de Deus, Aquele que não tinha pecado, o sacrifício perfeito. Então, repentinamente, o Senhor fala do ajuntamento dos exilados e de salvação: “Andarão após o SENHOR; este bramará como leão, e, bramando, os filhos, tremendo, virão do Ocidente; tremendo, virão, como passarinhos, os do Egito, e, como pombas, os da terra da Assíria, e os farei habitar em suas próprias casas, diz o SENHOR” (Oséias 11.10-11). O próprio Deus dará início ao retorno dos Seus filhos ao seu lar (suas casas). Agora chegamos a uma controvérsia entre os estudiosos da Bíblia. Um grupo crê que o ajuntamento dos exilados se dará apenas quando Israel se arrepender e Deus, em Sua graça, causar a volta do povo à sua terra. O outro grupo, no qual me incluo, crê que os judeus retornarão à sua terra na incredulidade. A motivação deles não será a busca do Senhor e o desejo de restabelecer a Antiga Aliança na terra de Israel, mas simplesmente por razões de sobrevivência e identidade. Apenas um passaporte israelense pode oferecer a segurança necessária para um judeu. Há diversas razões porque cremos que os judeus retornarão à terra de Israel na incredulidade: 1) O Messias, Jesus Cristo, voltará a Israel e Seus pés estarão sobre o monte das Oliveiras. Os judeus O reconhecerão quando Ele retornar, o que significa que eles deverão estar na terra antes da volta do Messias. 2) Seria impossível para os judeus retornarem a Israel sem que a produtividade da terra tenha sido restabelecida. Desse modo, os judeus realizaram uma obra admirável sob o sistema socialista, estabelecendo os kibbutzim (colônias coletivas) em todo o país. Esse sistema garantiu alimentação para o povo e corresponde a Ezequiel 36.8: “Mas vós, ó montes de Israel, vós produzireis os vossos ramos e dareis o vosso fruto para o meu povo de Israel, o qual está prestes a vir”. 3) Os judeus que retornaram no passado, que estão retornando hoje e que retornarão no futuro estão estabelecendo uma realidade política que condena todas as nações em suas atitudes injustas com relação a Jerusalém e à Terra Prometida. Jerusalém é a chave pela qual serão julgadas as nações. Enquanto Israel insiste que Jerusalém é a capital unificada do Estado de Israel, todas as nações se alinham com o Vaticano e disputam esse fato. Ninguém quer aceitar a reivindicação israelense de que Jerusalém é sua capital indivisível. Mas, louvado seja o Senhor, Ele diz que sim! “Efraim me cercou por meio de mentiras, e a casa de Israel, com engano; mas Judá ainda domina com Deus e é fiel com o Santo” (Oséias 11.12). Nesse versículo final do capítulo 11, é feita a distinção entre Efraim-Israel e Judá-Israel. Entretanto, a salvação para ambos é baseada exclusivamente na graça de Deus. Na certeza de que o Senhor chegará ao alvo com Seu povo, saúdo com um sincero Shalom! Arno Froese
  5. 5. No dia 31 de outubro de 1517, Martim Lutero afixou as 95 teses da fé cristã na porta da igreja de Wittenberg, na Alemanha. Com esse ato, Lutero começou a Refor- ma Protestante, um movimento que influenciou radicalmente toda a Europa, por romper com a do- minação da Igreja Católica Roma- na no norte do continente Euro- peu. Em sua luta pessoal para en- contrar perdão e alívio da culpa do pecado, Lutero chegou ao conhe- cimento da justificação pela fé. A Rejeição da Justiça Humana Em Romanos 3, o apóstolo Paulo destacou essa importante doutrina do cristianismo bíblico, ao esclarecer que a lei condena to- dos os seres humanos, tanto ju- deus quanto gentios: “Ora, sabe- mos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpá- vel perante Deus” (v. 19). Todo ser humano é pecador em decorrên- cia da lei de Deus. Por exemplo, a Lei Mosai- ca ordena: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.3). No entanto, a maioria de nós prioriza muitas coi- sas acima de nosso re- lacionamento com Deus. Portanto, somos condenados pela lei. O Segundo Manda- mento da lei diz o se- guinte: “Não farás para ti imagem de escultura” [i.e., gravada ou esculpida] (Êx 20.4). Entretanto, criamos toda Em sua luta pessoal para encontrar perdão e alívio da culpa do pecado, Lutero chegou ao conhecimento da justificação pela fé. 66 Notícias de Israel, fevereiro de 2008
  6. 6. espécie de coisas que passamos a idolatrar acima de Deus. “Não tomarás o nome do SE- NHOR, teu Deus, em vão” (Êx 20.7). “Honra teu pai e tua mãe” (Êx 20.12). Deus proíbe o roubo, o falso testemunho [i.e., a menti- ra] e a cobiça (vv. 15-17). Esses mandamentos apontam continua- mente para a nossa pecaminosida- de. A lei não nos torna pecadores; ela revela que somos pecadores, que estamos condenados e que so- mos responsáveis perante Deus. O texto de Romanos 3.20 afir- ma que a lei traz o conhecimento do pecado, “visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado”. Pau- lo declarou: “...eu não teria conhe- cido o pecado, senão por intermédio da lei; pois não teria eu conhecido a cobiça, se a lei não dissera: Não cobi- çarás” (Rm 7.7). Muitos de nós, ao lermos a Bí- blia, de repente, num dado mo- mento, dissemos para nós mes- mos: Eu não percebia o que Deus pensava acerca disso. A Bíblia nos proporciona conhecimento do pe- cado e uma conscientização de quão pecadores realmente somos. Como disse o rei Davi, o pro- blema é que já nascemos em peca- do (Sl 51.5). Nascemos com uma natureza pecaminosa; nunca tive- mos que aprender a pecar. Esta- mos condenados desde o começo de nossa vida. Eu fui criado numa fazenda. Entretanto, antes mesmo de colocar os pés fora da casa da fazenda, eu já tinha começado a desobedecer aos meus pais. Em Romanos 3.23 lemos: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus”. O critério de avaliação não é de 80% ou 90%; o padrão é de 100% da santidade de Deus. A lei destaca o fato de que fomos desti- tuídos da glória de Deus. Pode- mos não ser os piores pecadores que já existiram, mas estamos nu- ma situação tão ruim quanto o pior deles, porque somos seres hu- manos pecadores. Além disso, ne- nhum ser humano será justificado pela lei. Suponha, por exemplo, que eu cometa um assassinato e depois me sinta tremendamente mal por isso. Então eu tomo a decisão de praticar a maior quantidade de boas obras que puder pelo resto da minha vida. Quantas boas obras seriam necessárias para des- fazer o assassinato que cometi? 77Notícias de Israel, fevereiro de 2008 Nascemos com uma natureza pecaminosa; nunca tivemos que aprender a pecar. Estamos condenados desde o começo de nossa vida. Quantas boas obras seriam necessárias para desfazer o assassinato que cometi? Nada poderia desfazê-lo.
  7. 7. Nada poderia desfazê-lo; eu sim- plesmente me tornaria um assassi- no “bom” – não alguém que é bom na prática de cometer assassi- natos, mas um assassino que é bondoso. Da mesma forma, o me- lhor que podemos ser é pecadores “bons”. Somos pecadores por na- tureza e pecadores na prática. Por conseguinte, um Deus santo se vê obrigado a nos rejeitar. As boas obras que praticamos não podem remover nossos peca- dos, nem tornar-nos justos; além do mais, sem o perdão de Deus, não podemos ficar livres da culpa. Hoje em dia, muita gente tem sido oprimida pela culpa e não sabe onde encontrar alívio. Essas são as más notícias. A Demonstração da Justiça de Deus Entretanto, também há boas notícias. Deus mostrou Sua justiça de modo independente da lei. A lei separou as pessoas de Deus, ao assinalar constantemente o pecado humano pela manifestação da san- tidade divina. No entanto, ela não ajudou ninguém a se relacionar com Deus. A humanidade precisava de ou- tra demonstração da justiça de Deus à parte da lei. Essa justiça vem ao ser humano por meio da fé em Jesus Cristo, [o Messias, o Un- gido]: “Mas agora, sem lei, se manifes- tou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que crêem; porque não há distinção” (Rm 3.21-22). Foi necessário que Deus de- monstrasse Sua justiça publica- mente na pessoa de Jesus, de mo- do que recebêssemos ajuda e não apenas condenação; a fim de que para nós houvesse possibilidade de justificação e não apenas impossi- bilidade. Jesus, Deus o Filho, as- sumiu a carne humana para que pudesse morrer em nosso lugar. Essa foi a demonstração da justiça de Deus, uma demonstração que nos socorre ao invés de simples- mente condenar-nos. Através dela, temos a possibilidade de nos tor- nar participantes daquela justiça que nunca poderíamos produzir ou obter por esforço próprio atra- vés da lei. Jesus manifesta a justiça de Deus, a qual está disponível como um presente que advém da Sua graça. Ele quer nos dar essa justi- ça. Não temos condição de mere- cê-la; não somos capazes de com- prá-la; não podemos praticar boas obras o bastante para recebê-la. O apóstolo Paulo escreveu: “Porque pela graça sois salvos, me- diante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8-9). A justiça de Deus chega até você co- mo um dom gratuito por meio da fé em Jesus. Deus planejara que Jesus, o Messias, morresse (Is 53.5-6). O plano de Deus era que o derrama- mento do sangue de Jesus provas- se publicamente que as exigências de um Deus santo tinham sido perfeitamente cumpridas. A Bíblia sempre ensinou que “...o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Je- sus, nosso Senhor” (Rm 6.23; cf. Ez 18.20). Jesus não cometeu ne- nhum pecado, contudo Ele mor- reu como um criminoso por mim e por você. Aquele que não era pe- cador morreu no lugar dos peca- dores e o Seu sangue foi vertido por nós. Aquele ato de Cristo também demonstrou a justiça divina pelo fato de que Deus deixara impunes os pecados das gerações anterio- res. No Antigo Testamento as pes- soas viviam sob o domínio da lei, a qual era um severo senhor de es- cravos. Ninguém conseguiu obe- decer toda a lei, razão pela qual Deus incluiu sacrifícios que os is- 88 Notícias de Israel, fevereiro de 2008 Jesus manifesta a justiça de Deus, a qual está disponível como um presente que advém da Sua graça.
  8. 8. raelitas ofereceriam, sabendo que o sangue de touros e de bodes não podia remover [i.e., perdoar] seus pecados. No entanto, eles também sabiam que Deus prometera acei- tar a manifestação justa e fiel de seus sacrifícios, assim como pro- metera cobrir [i.e., cobrir com sangue] os pecados deles de ano para ano. Assim, todo ano no Yom Kip- pur, o sumo sacerdote teria de ofe- recer o sangue de animais como um sacrifício sobre o propiciatório dentro do Santo dos Santos e Deus aceitaria esse sacrifício por mais um ano. Foi desse modo que Deus deixou impunes “os pecados anteriormente cometidos” (Rm 3.25b). Esses pecados tinham sido “cobertos” com sangue até que Je- sus, o Messias, viesse ao mundo para tornar-se o sacrifício perfeito e definitivo pelos pecados. Aí está a razão pela qual o livro de He- breus demonstra que Jesus é um sacrifício superior, através da ofer- ta de um sangue superior num templo superior – o Templo efeti- vo no céu. O sacrifício de Cristo remove o pecado e disponibiliza o dom da vida eterna. É dessa forma que em Romanos 3.26 Paulo afirma que Deus seria o “justo e o justificador daquele que tem fé em Jesus”. A Aplicação da Justiça de Deus As boas notícias residem no fa- to de que a justiça de Deus é apli- cada ao ser humano como um presente da graça de Deus: “Onde, pois, a jactância? Foi de todo excluí- da. Por que lei? Das obras? Não; pe- lo contrário, pela lei da fé” (Rm 3.27). Aqueles que receberam Jesus como seu Salvador pessoal foram gerados de novo e nasceram na fa- mília de Deus, o que não lhes dá o direito de se orgulhar. Tais pes- soas não merecem o que ganha- ram; elas foram agraciadas com um presente de Deus. Embora tenha sido privilegiado por ser criado num lar de pessoas crentes em Cristo, eu era um pe- cador que estava tão perdido quanto qualquer outro. Foi a gra- ça de Deus que me salvou. Talvez você venha de um lar onde não havia nenhum interesse pelas coi- sas espirituais. Tal fato não torna a sua situação pior do que era a minha. A Bíblia comprova que to- dos nós nascemos na mesma con- dição: mortos espiritualmente. Sem o presente da graça de Deus não temos nenhuma espe- rança. Podemos apenas nos tornar pecadores mais bondosos. Porém, o dom da justiça de Deus é recebi- do pela graça. Isso significa que você não pode conquistar a justiça de Deus por merecimento. Você também não tem condição de comprá-la, nem pode praticar boas obras o bastante para mere- cê-la. A graça de Deus está dispo- nível a qualquer pessoa que bus- que um relacionamento com Jesus Cristo pela fé; aquilo que se deno- mina fé em Jesus. Se você está disposto a expres- sar sua fé naquilo que Jesus reali- zou naquela cruz há dois mil anos atrás, Deus deseja lhe conceder o dom gratuito da vida eterna. Aí es- tá a solução maravilhosa para um problema que não admitia outra solução. A lei simplesmente con- dena, mas a justiça de Deus está disponível a você como um pre- sente que é recebido por meio da fé em Jesus. Uma vez que Deus enviou Seu Filho, faz sentido que o Filho de Deus seja o único cami- nho de acesso a essa justiça. Jesus afirmou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Por causa da graça, o ser hu- mano, legalmente condenado e destinado ao inferno, pode usu- fruir a justificação de Deus por meio da fé. Deus seria absoluta- mente justo se nos abandonasse na situação em que estávamos. Contudo, Ele não é apenas justo; também é amoroso. Deus deseja que passemos a eternidade ao Seu lado, pelo que providenciou que a Sua justiça fosse manifestada atra- vés de Jesus e não apenas através da lei. A lei é boa, mas não pode tornar-nos justos. Todo ser humano precisa ser salvo. Se a lei condena a todos, então todos precisam nascer de novo para serem salvos, a despeito de se denominarem protestantes, católicos ou judeus. Todos nós precisamos nascer de novo, do contrário morreremos em nossos pecados. Sem o presente da graça de Deus não temos nenhuma esperança. 99Notícias de Israel, fevereiro de 2008
  9. 9. Como crentes em Cristo, te- mos ordens expressas de procla- mar essa mensagem do Evangelho ao mundo todo. Milhares de pes- soas têm a mesma concepção errô- nea que Martim Lutero outrora teve e, como ocorreu no caso dele, também precisam ouvir a verdade. Qualquer pessoa pode ser salva, a despeito de quem você seja ou do que tenha feito. O presente da jus- tiça de Deus está disponível, caso você queira rece- bê-lo. Caro amigo, se você nunca recebeu a Jesus como seu Salva- dor pessoal, você ainda precisa fa- zê-lo. Talvez vo- cê resista ou apresente algumas desculpas, mas deve estar ciente de que, no fim das contas, a fé em Jesus Cristo é o único meio de acesso à presença de Deus. (Israel My Glory) Richard D. Emmons é professor titular de Bíblia e Doutrina na Philadelphia Biblical University e pastor titular da igreja Bible Baptist Church em Hamilton, Nova Jersey, EUA. O Filho de Deus é o único caminho de acesso à justiça. Jesus afirmou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6). Recomendamos: Pedidos: 0300 789.5152 www.Chamada.com.br LIVRO LIVRO CD Quando eu era menino, minha avó me levava a um aviá- rio no centro da cidade, onde vendiam frangos vivos. Para ela, esse era um dos passeios mais importantes. Ela se esfor- çava ao máximo para escolher a ave certa, chegando a apal- par algumas delas no viveiro, porque tinha uma finalidade muito especial para aquele frango. Ele seria morto (i.e., sa- crificado) num ritual que, segundo a crença dela, removeria os seus pecados. Como muitos judeus praticantes, minha avó cria que aquele frango era a sua kapparot (termo hebrai- co que significa “expiação”). A época do ano – outono – também era significativa. Sempre comprávamos o frango entre o Rosh Hashanah (“Ano Novo judaico”) e o dia de Yom Kippur (“Dia da Ex- piação”), durante os Dez Dias de Reverência. Nesse perío- do, como revela a cerimônia do frango, o arrependimento e o perdão de pecados são extremamente importantes para o povo judeu. Enquanto recita trechos do livro de Salmos (107.10,14,17-21) e do livro de Jó (33.23-24), um judeu al- tamente praticante sacode um frango três vezes sobre a ca- beça da pessoa que se submete à cerimônia. Após a leitura dos textos das Escrituras, a pessoa declara: “Esta ave estará em meu lugar, será a minha expiação; ela morrerá para que eu alcance uma vida boa e desfrute de paz”.[1]
  10. 10. Os versículos bíblicos usados durante o ritual mencionam o divi- no livramento das trevas da morte. A cerimônia da kapparot ainda é praticada em Israel, como também em todas as cidades do mundo nas quais há uma expressiva população judaica. Como a minha avó, os judeus que guardam essas tradi- ções crêem que o úni- co elemento capaz de fazer a expiação de seus pecados é o san- gue. Na verdade, está escrito na Torah [no Pentateuco]: “Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vos- sa alma, porquanto é o sangue que fará expia- ção em virtude da vi- da” (Lv 17.11). O livro de Levítico é o manual de culto e adoração do Antigo Tes- tamento. Nesse livro, as palavras santo, sacrifício, oferta e sangue ocor- rem com freqüência. Nele são da- das instruções específicas para o Rosh Hashanah e para o Yom Kip- pur, as principais festas sagradas, consideradas no calendário judaico como as datas mais importantes (cf. Lv 16 e 23). Embora a maioria dos judeus da “modernidade” sinta arrepios só de pensar na idéia de sacrifício de san- gue, os judeus praticantes crêem que o ritual da kapparot possibilita o perdão. De fato, o derramamento de sangue é o único método de se lidar com o pecado. Boas obras não removem pecados hoje em dia, as- sim como não removiam pecados nos dias de Moisés. Quando Jesus viveu neste mun- do, o templo judeu ainda estava de pé em Jerusalém; os judeus daquela época traziam os seus sacrifícios até aquele local, conforme estava pres- crito na lei. Entretanto, judeus co- mo o apóstolo João, um primo de Jesus, reconheceram Jesus como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (Jo 1.29). Os apóstolos Pedro e Paulo, que também eram judeus, tinham cons- ciência do fato de que os animais sacrificados ti- nham de ser perfeitos, sem mancha e sem de- feito, e que a morte de Jesus foi o sacrifício defi- nitivo que satisfez a Deus: “Sabendo que não foi mediante coisas corrup- tíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos lega- ram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1 Pe 1.18-19). Paulo escreveu que Jesus foi aquele “a quem Deus propôs, no seu san- gue, como propiciação” [i.e., satisfação] (Rm 3.25); “no qual temos a redenção, pelo seu sangue, 1122 Notícias de Israel, fevereiro de 2008 Um judeu ultra-ortodoxo sacode um frango sobre a cabeça de uma mulher, como parte do ritual da kapparot, antes do dia de Yom Kippur. Quando Jesus viveu neste mundo, o templo judeu ainda estava de pé em Jerusalém; os judeus daquela época traziam os seus sacrifícios até aquele local, conforme estava prescrito na lei. Na foto: maquete do templo.
  11. 11. a remissão dos pecados, segundo a ri- queza da sua graça” (Ef 1.7). Levou tempo para que os judeus daquela época aceitassem a mudança de um sacrifício anual imperfeito para um sacrifício perfeito, realizado de uma vez por todas. O autor da carta aos Hebreus expressou isso da seguinte maneira: “Porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pe- cados [...] Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quan- tos estão sendo santificados” (Hb 10.4,14). O sangue de Jesus não era mágico; sua composição física não era incomum. Porém, havia algo de extraordinário, exclusivo e santo na Pessoa de Jesus. Ele era [e continua a ser] Deus-homem, nascido sem pecado, que viveu uma vida pura, sem mácula e im- pecável. O sangue de Cristo derrama- do na cruz foi o sa- crifício oferecido de uma vez para sempre pelos meus pecados e pelos pecados do amigo leitor. Aqueles de nós que, pela fé, aceitam essa ver- dade espiritual, têm con- dição de cantar com gra- tidão e alegria este hino maravilhoso composto por William Cowper: Há uma fonte cheia do sangue que brota das veias de Emanuel; e todo pecador, banhado na torrente, estálivredasmanchas daculpaderéu. Outro hino magnífico expressa o seguinte: O que pode lavar-me do pecado? Nada, exceto o sangue de Jesus. Hoje em dia, algumas pessoas se esquivam de pregar e ensinar sobre o sangue. Mas se não fosse o sangue do Cordeiro de Deus, todos estaríamos, em vão, sacudindo fran- gos sobre nossas cabeças. Você já foi lavado pelo sangue do Cordeiro? (Israel My Glory) Steve Herzig é diretor dos ministérios norte- americanos de The Friends of Israel. Notas: 1. “Kapparot (Atonement) Ceremony”, publica- do na edição eletrônica da revista Jewish Heritage Online Magazine, através do site jhom.com/calendar/tishrei/kapparot.- html.Kapparot. 1133Notícias de Israel, fevereiro de 2008 “Sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo” (1 Pe 1.18-19). Recomendamos: Pedidos: 0300 789.5152 www.Chamada.com.br
  12. 12. 1144 Notícias de Israel, fevereiro de 2008 Nesta era de ilusões, era previ- sível que isto aconteceria: Depois que 138 líderes muçul- manos escreveram, em novembro de 2007, uma carta aberta à Cris- tandade pedindo, aparentemente, coexistência pacífica e compreen- são mútua, líderes que se procla- mam cristãos e outras celebrida- des cristãs morderam a isca. A resposta ideal seria pesqui- sar suas próprias Bíblias, ajoelhar- se para suplicar que Deus lhes desse sabedoria e buscar o con- selho de outros, principalmente daqueles que são especialistas em islamismo, história e perseguição da igreja em países muçulmanos. Em vez disso, alguns cristãos que vão na onda do mundo pediram desculpas pelas ações passadas e atuais de outros cristãos ao de- fenderem suas vidas e suas cren- ças contra as agressões e o ter- ror islâmicos. Entre os mais de 100 teólogos, líderes ministeriais e famosos pas- tores que assinaram a carta esta- vam o ultraesquerdista Jim Wallis, presidente de Sojourners, Rick Warren, pastor principal da Igreja Saddleback e Leith Anderson, presidente da Associação Nacio- nal de Evangélicos [dos EUA]. Como cristão, quero deixar claro que esses homens não falam por mim. Mais importante ainda: não creio que eles falam por Jesus. “Se pudermos estabelecer a paz religiosa entre essas duas co- munidades religiosas, a paz no mundo será claramente mais fácil de se alcançar”, escreveram eles. Eles pediram diálogo inter-religio- so para construir relações que “re- moldarão” as duas comunidades para que “reflitam genuinamente nosso amor comum por Deus e uns pelos outros”. E eles pediram que os líderes muçulmanos per- doassem os cristãos por seus peca- dos – inclusive as Cruzadas e “os excessos da guerra contra o terro- rismo”. Algumas dessas questões pode- riam soar bastante comovedoras. Aliás, sem verdadeiro discerni- mento espiritual, a essência da carta aberta dos líderes muçulma- nos poderia parecer um progresso genuíno no entendimento mútuo, digno de tal resposta contrita. Por exemplo, leia o verso do Corão que serviu como inspiração para os líderes muçulmanos em “Uma Palavra Comum Entre Nós e Vocês”. “Dize-lhes: Ó adeptos do Livro, vinde, para chegarmos a um termo co- mum, entre nós e vós: Comprometa- mo-nos, formalmente, a não adorar senão a Deus, a não Lhe atribuir par- ceiros e a não nos tomarmos uns aos Implorando perdão do islamismo? Longe de tentar encontrar pontos em comum com os cristãos, os líderes muçulmanos estão, na verdade, usando as palavras de seu próprio “livro sagrado” para se proclamarem como os únicos monoteístas verdadeiros no mundo atual.
  13. 13. outros por senhores, em vez de Deus. Porém, caso se recusem, dize-lhes: Testemunhais que somos muçulma- nos”. – Aal ’Imran 3:64 Soa bonito. Mas qualquer es- tudante do islamismo entenderia a mensagem real. O que ela signi- fica? A chave é a terceira senten- ça: “caso se recusem, dize-lhes: Testemunhais que somos muçul- manos”. A palavra “muçulmano” quer dizer literalmente “aquele que se submete a Alá”. Em outras pala- vras, longe de tentar encontrar pontos em comum com os cris- tãos, esses líderes muçulmanos es- tão, na verdade, usando as pala- vras de seu próprio “livro sagra- do” para se proclamarem como os únicos monoteístas verdadeiros no mundo atual. Embora os muçul- manos, é claro, tenham liberdade de crer nisso, isso dificilmente ser- ve de base para um diálogo inter- religioso e para a busca de pontos em comum. Examinando o verso no con- texto, é óbvio que essa parte do Corão é pouco mais que uma ar- gumentação com outros “adeptos do livro” – isto é, judeus e cris- tãos: 3:65: “Ó adeptos do Livro, por que discutis acerca de Abraão, se a Torá e o Evangelho não foram revelados se- não depois dele? Não raciocinais?”. 3:66: “Vá lá que discutais sobre o que conheceis. Por que discutis, então, sobre coisas das quais não tendes co- nhecimento algum? Deus sabe e vós ignorais”. 3:67: “Abraão jamais foi judeu ou cristão; foi, outrossim, monoteísta, mu- çulmano, e nunca se contou entre os idólatras”. 3:68: “Os mais chegados a Abraão foram aqueles que o segui- ram, assim como (o são) este Profeta e os que creram; e Deus é Protetor dos fiéis”. 3:69: “Uma parte dos adeptos do Livro tentou desviar-vos; porém, sem o perceber, não fez mais do que desviar a si mesma”. 3:70: “Ó adeptos do Livro, por que negais os versículos de Deus, conhe- cendo-os?”. 3:71: “Ó adeptos do Livro, por que disfarçais a verdade com a falsidade, e ocultais a verdade com pleno conhe- cimento?”. Essa parte do Corão, como a maioria das suas seções, dificil- mente pode ser considerada um pedido para se encontrar pontos em comum. [Na realidade,] é uma denúncia contra o Judaísmo e o Cristianismo, um forte chama- do à conversão. Aliás, isso é tudo o que ela é. Aos olhos do Islamismo orto- doxo, só há um jeito de judeus, cristãos e muçulmanos se darem bem – os judeus e os cristãos pre- cisam parar de acreditar em men- tiras, devem submeter-se ao Isla- mismo, tornar-se muçulmanos e aceitar o tratamento duro que me- recem, vivendo como cidadãos muito inferiores (dhimmis) sob as ordens dos seguidores do Corão. De forma semelhante, é per- verter a Bíblia presumir que os cristãos precisam buscar a paz aci- ma da verdade. Não é nada pare- cido com o que Jesus pregou em Mateus 10, onde Ele declarou aos crentes que eles seriam “odiados por todos os homens por causa do meu nome” (v. 22) – até mesmo dentro de nossas próprias casas e famílias. “Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada”, disse Jesus em Mateus 10.34. Essa mensagem vem repetida em Lucas 12.51: “Cuidais vós que vim trazer paz à terra? Não, vos digo, mas antes dis- sensão”. Jesus não ensinou os crentes a buscarem pontos em comum com o mundo. Ele não nos ensinou a nos adaptarmos aos modos da- queles que O negam. Ele não nos ensinou a fazer concessões de nossa fé para buscar a paz. Con- tudo, Ele nos deu a ordem: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16.15, ACF). Se os líderes cristãos de hoje querem paz, eles deveriam cuidar dos assuntos de seu Senhor, espa- lhando o Evangelho entre os mu- çulmanos e outros não-crentes, em vez de conduzirem diálogos inter- religiosos com aqueles que mantêm os não-crentes na escuridão. (Jo- seph Farah, WorldNetDaily – ex- traído de www.juliosevero.com.br) O jornalista árabe-americano Joseph Farah é editor e presidente do site WorldNetDaily – www.WND.com – e autor de diversos livros. 1155Notícias de Israel, fevereiro de 2008 Horizonte Recomendamos: Pedidos: 0300 789.5152 www.Chamada.com.br
  14. 14. A intensa ação inquisitorial na Pe- nínsula Ibérica levou grande número de suspeitos cristãos novos[1] a buscar refúgio na América colonial. Pouco tempo bastou para que três tribunais religiosos fossem instalados: na cidade de Lima (Peru, 1570); México (1571) e em Cartagena de las Índias (Colôm- bia, 1610). Esses tribunais operaram até inícios do século 19 na busca de hereges, predominantemente cristãos novos, bruxas e suspeitos por conduta incon- veniente (sodomia, blasfêmia e biga- mia). Os réus, presos sem comprova- ção efetiva e submetidos à tortura, re- ceberam sentenças nos “Autos de Fé”, realizados em praças públicas. Alguns [foram condenados] à pena máxima, [a morte] na fogueira, efetivada pela justiça comum, determinada por sen- tença inquisitorial. O tema “Inquisição e Cristãos No- vos” tem despertado a atenção de es- critores e jornalistas, além de historia- dores. Embora não fossem instalados tribunais no Brasil, dos 40.000 pro- cessos existentes no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Portugal, cer- ca de 1.200 eram de réus provenien- tes de várias capitanias brasileiras. Os processos da Inquisição Portu- guesa constituem uma das mais ricas fontes para se estudar a sociedade brasileira, especialmente o cotidiano colonial, pouco estudado pela História Oficial. Os registros secretos dos notá- rios da Inquisição – abertos ao públi- co, no final do século 19 – compostos de exaustivas descrições manuscritas, permitem revelar, além dos aspectos políticos e econômicos, a sociedade, os costumes, a moral e a religiosidade colonial luso-brasileira. Dos processos existentes no arquivo português, cerca de 90% são de cristãos novos, senten- ciados como “hereges judaizantes”. Convertidos à força ao catolicismo no ano de 1497, por D. Manoel, rei de Portugal, os cristãos novos – descen- dentes de judeus sefaraditas, eram acusados de praticantes secretos da religião judaica. Pesquisas históricas informam que o cristão novo, que, no Brasil, aportou desde o início da exploração e coloni- zação da terra, era elemento pouco li- gado à religião. Veio fugindo da per- seguição que lhe movia a Inquisição, em Portugal. Presentes em diversas ca- pitanias, iniciaram dispersão espacial assim que os “Visitadores do Santo Ofício” chegaram às capitanias nor- destinas, em fins do século 16. Os visi- tadores eram bispos encarregados de fiscalizar, inquirir, registrar denúncias, prender e encaminhar os infratores da religião católica para Lisboa. Judai- zantes, luteranos, islamitas, feiticeiros, bígamos, blasfemos e sodomitas eram os principais suspeitos. Além dos visi- tadores, os “Familiares do Santo Ofí- cio” (procedentes de vários grupos so- ciais) fiscalizavam e denunciavam “he- reges” e os que agiam contra os princípios da “moral e dos bons costu- mes”. Nomes de família como Pinheiro, Oliveira, Nogueira, Silva e Pereira não comprovam origem judaica de cristãos novos, pois grande número de velhos cristãos traziam esses sobreno- mes. Da pesquisa emerge uma varie- dade de nomes, além dos citados: Ro- drigues, Mendes, Castro, Telles, Costa, 1166 Notícias de Israel, fevereiro de 2008 Horizonte Ação da Inquisição Portuguesa no Brasil Os réus, presos sem comprovação efetiva e submetidos à tortura, receberam sentenças nos “Autos de Fé”, realizados em praças públicas. Alguns [foram condenados] à pena máxima, [a morte] na fogueira, efetivada pela justiça comum, determinada por sentença inquisitorial.
  15. 15. Monforte, Dias, Paredes, Nunes, Fran- co, Montarroio e outros, registrados na documentação inquisitorial[2]. Em- bora a endogamia fosse comum entre os cristãos novos portugueses, no Bra- sil, era comum a união com índias e negras, resultando grande número de mestiços da origem. Nas primeiras dé- cadas do século 18, povoadores de várias regiões, especialmente as do Nordeste brasileiro, transferiram-se para a Capitania do Rio de Janeiro, onde, em terras de Minas Gerais, se efetivava a exploração do ouro. A ci- dade fluminense, porto oficial da saí- da do metal e entrada de mercado- rias, apresentava-se economicamente agitada, o que levou a coroa portu- guesa a reforçar o sistema mercantilis- ta, controlando, diretamente, o movi- mento comercial, em especial o do abastecimento de gêneros de subsis- tência às regiões mineradoras. O período foi marcado por gran- de número de denúncias de cristãos novos à Inquisição.[3] A maioria foi presa e encaminhada ao Tribunal de Lisboa. A leitura dos processos reve- lou senhores de engenho, explorado- res de minas, contratadores, comer- ciantes, clérigos, advogados e outros profissionais envolvidos na vida eco- nômica, administrativa e social luso- brasileira, acusados de judaizantes. No Rio de Janeiro, em vista das pri- sões de expressivos agentes, negócios foram desfeitos, sociedades comerciais estancadas e congelados ficaram os bens e as dívidas dos denunciados. A Inquisição determinava o seqüestro de bens dos acusados por práticas judaizantes. A paralisação dos negócios, estan- cando a economia luso-portuguesa, le- vou o Marquês de Pombal, ministro real, a promulgar, em 1751, decreto que limitava o poder da Inquisição, buscando com a medida o reergui- mento da nação portuguesa, encora- jando a burguesia para empreendi- mentos ousados. Pelo decreto real, não mais se permitiriam execuções e Autos de Fé no reino português. Em 1768, para desalento dos his- toriadores, o ministro ordenou que as velhas listas de tributos, onde consta- vam nomes dos cristãos novos contri- buintes, fossem destruídas. Logo de- pois, Pombal proibiu a distinção entre cristãos velhos e cristãos novos, na lin- guagem escrita e falada. Aos contra- ventores seriam aplicadas penas de deportação e confisco de bens. Essas medidas, além de estimular os negó- cios, amenizaram os conflitos entre os cristãos velhos e cristãos novos, exis- tentes no reino. No Brasil, os cristãos novos não constituíam grupo compacto e separa- do da comunidade nacional. As pri- sões na primeira metade do século 18, embora estancassem negócios, não conseguiram separar e excluir os con- versos da sociedade colonial, mesmo quando judaizavam. Embora estereótipos insistam em colocar os cristãos novos exclusiva- mente nos negócios comerciais, eles eram encontrados em diversas outras atividades: nos engenhos, nas planta- ções de subsistência, nas minas, liga- dos à caça ao índio no sertão e, ain- da, na condição de “desocupados”. Posicionaram-se, inclusive, como cléri- gos de diferentes ordens religiosas. Ocuparam cargos públicos, legalmen- te proibidos pelos “Estatutos de Pureza de Sangue”, que também funcionavam no Brasil. A ação do Santo Ofício da Inquisi- ção tem sido interpretada por estudio- sos, da seguinte maneira: os que justi- ficam sua ação, ou seja, que defen- dem que o cripto-judaísmo foi uma realidade e o Tribunal agia de acordo com as contingências e os padrões re- ligiosos da época; e os que afirmam que a Inquisição – instrumento do po- der – ao cercear os cristãos novos, buscava impedir a ascensão da bur- guesia de origem judaica. Esta última assertiva, emitida por Antônio José Saraiva, conclui que os inquisidores utilizaram a religião como pretexto para encobrir o verdadeiro motivo da perseguição: a “luta de classe”.[4] A professora Anita Waingort No- vinsky, da Universidade de São Paulo, endossando as idéias de Saraiva, aponta que as fontes inquisitoriais de- vem ser analisadas com muito cuida- do. Segundo a historiadora, o proces- so inquisitorial reflete a opinião do grupo que está no poder e atua, por- tanto, na manutenção da velha estrutu- ra e com a “marca dos preconceitos que esse grupo queria encontrar nos perseguidos”.[5] Não se deve esque- cer que as “confissões” eram obtidas sob tortura física. Embora não chegue a negar a existência do cripto-judaís- mo, Novinsky declara que, desde o sé- culo 17, a Inquisição portuguesa luta- va contra uma realidade que não era mais a religião judaica, mas uma for- ça de oposição. A perseguição viru- lenta dos inquisidores tinha transfor- mado o cristão novo em um homem de conflitos, que vivia num mundo cristão, sem ser aceito e identificado com a re- ligião judaica, sem sequer a conhecer. Para a historiadora, a secular perse- guição havia conduzido o cristão novo a elemento de oposição da estrutura vigente. (extraído de www.mora- sha.com.br) Notas: 1. Judeus convertidos compulsoriamente ao catolicismo, em terras da Espanha e Portu- gal. 2. Flávio Mendes de Carvalho, Raízes Judai- cas no Brasil: Arquivo secreto da Inquisi- ção. São Paulo, Nova Arcádia, 1992. 3. A historiadora Lina Gorenstein F. da Silva informa que 30% da população do Rio de Janeiro, no período, era de cristãos novos. In: Heréticos e Impuros. Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, 1995. 4. Antonio José Saraiva. A Inquisição e cris- tãos novos. Lisboa, Ed Inova, 1968 5. Novinsky, Anita. Os cristãos novos na Ba- hia. São Paulo: Ed. Perspectiva, 1972. Rachel Mizrahi é autora de A Inquisição no Brasil: Miguel Telles da Costa. O capitão ju- daizante de Paraty. (2ª Ed., no prelo) e Imi- grantes no Brasil: Os judeus. São Paulo: La- zuli/Ed. Nacional, 2005. 1177Notícias de Israel, fevereiro de 2008 Horizonte
  16. 16. Reprovado pela fé Uma Corte Rabínica de Israel, de- tentora do monopólio de aprovar con- versões ao judaísmo, reprovou um can- didato por ter declarado acreditar que o Messias é o Lubavitcher Rebbe – Rav Menachem Mendel Schneerson, faleci- do em 1994. O jovem é um imigrante russo, que não era judeu segundo as leis ortodoxas, e fez o curso de prepa- ração, comparecendo perante a corte de terno, chapéu e tzitzit (franjas ri- tuais). O imigrante foi trazido ao ju- daísmo pelo movimento Lubavitch (Beit Chabad). O professor Biniamin Ish Shalom declarou à imprensa israelense que os rabinos da banca tinham uma primeira impressão favorável ao pre- tendente, mas ao perguntarem sobre o Messias, o examinado afirmou que lhe foi ensinado que era o Rebbe. Após esta resposta, um dos examinadores recusou-se a aceitar a conversão. (ex- traído de “Notícias da Rua Judaica”) Fuga do paraíso A Agência Judaica promoveu uma “operação secreta” para retirar 40 fa- mílias judias iranianas, a maioria de Teerã. Para despistar a saída, os via- jantes fizeram uma parada interme- diária em pais não divulgado. No ae- roporto israelense David Ben Gurion (Tel Aviv), dezenas de familiares se aglomeraram para saudar parentes que não viam há muitos anos. Atual- mente residem no Irã cerca de 25 mil judeus, e seu líder comunitário, Cia- mak Morsathegh, prevendo represá- lias do governo de Mahmoud Ahmadi- nejad, prontamente desmentiu que es- tes viajantes tenham saído do Irã. Ciamak acrescentou que os judeus vi- vem livremente no Irã e que os imi- grantes evitaram mostrar o rosto ao chegar a Israel, pois não são irania- nos. Diante desta declaração, fica evi- dente que para os judeus, assim como para as mulheres iranianas, para os oponentes do regime dos Aiatolás e tantos outros segmentos minoritários, o Irã é um autentico “paraíso”. (extraído de “Notícias da Rua Judaica”) Maradona pirou Causou profunda indignação na comunidade judaico-argentina a de- claração do ex-jogador Diego Mara- dona, por diversas vezes mergulhado no mundo das drogas e tóxicos, que deseja conhecer pessoalmente a Mah- moud Ahmadinejad, o presidente do Irã. A onda de protestos a esta decla- ração também atingiu o governo ar- gentino que tenta, inutilmente, conse- guir que Ahmadinejad entregue à jus- tiça argentina os acusados iranís de terem participado na explosão da AMIA em 1994, que matou 85 argen- tinos e feriu a mais de 300. O presi- dente da DAIA, a entidade política maior do judaísmo argentino, Jorge Kirszenbaum, afirmou que a comuni- dade judaica estava enojada com Ma- radona e debitou as palavras do joga- dor a um ato de frivolidade e irrefle- xão. (extraído de “Notícias da Rua Judaica”) 1188 Notícias de Israel, fevereiro de 2008 Horizonte Muitos adeptos do Beit Chabad crêem que o Lubavitcher Rebbe, Menachem Mendel Schneerson, falecido em 1994, é o Messias. Calorosa recepção dos judeus iranianos no Aeroporto Ben Gurion. Maradona causa nojo na comunidade judaico-argentina.

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