Resumoeudaimonia livro_i_en

86 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
86
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
3
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
0
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Resumoeudaimonia livro_i_en

  1. 1. RESUMO ETICA A NICÔMACO – Livro I, X (parcial) A estrutura teleológica presente na physis (conhecida pela Fil. Teórica) e na práxis (Fil. Prática) Identificação do télos (fim) com o agatós (bem/bom) Bens/fins e atividades/finalidades. Há uma hierarquia (principal e subordinadas) => bem supremo A Política como ciência arquitetônica. Dupla leitura: a) os caminhos para Aristóteles tratar da felicidade (investigação); b) o caminho a ser percorrido pelo agente moral para tornar-se bom pela prática de atos bons (como proceder aproveitando as orientações de Aristóteles). Para conceber o BEM e entre os bens o BEM SUPREMO, Aristóteles vai utilizar dois modos: O ponto de partida e primeira via: Opiniões gerais (endoxai dos “homens do mundo” e dos “sábios” = dialética) (é deste “caldo cultural vivenciado e presente nos discursos” que ele extrai os conteúdos e princípios éticos de sua teoria ética). Segunda via: Função/atividade (ergon) (identifica/determina, de modo analógico, a ATIVIDADE específica do ser humano = RACIONAL) Pela via metodológica da função, por analogia, tratará das divisões dos bens (meio/fim e o melhor e o mais perfeito). Pelo conceito de função, por analogia com as atividades da “técne” falará do corpo/alma, identificando deste modo as três partes que constituem a alma: vegetativa, sensitiva e a racional. Será a introdução para o tratado das virtudes morais e a explicação de como a parte racional atua sobre a parte irracional da alma humana no ato moral. (EN I 13). O bem supremo é entendido como final, suficiente e auto-suficiente. É o que todos chamam de EUDAIMONIA. Mas o que ela é será a grande questão. Três tipos de vida são consideradas no cap. 1) a vida dos prazeres (comum aos animais...) 2) a vida da prática das virtudes (políticas) (cidadão virtuoso e não os que buscam as honras) 3) a vida contemplativa (própria dos filósofos) O que é a felicidade? É fácil dizer o que não é a felicidade. No cap. 6 do livro X da EN, ele enumera cinco coisas que não são a felicidade: 1. não é uma disposição, isto é, modo de ser 2. não é algo que se dá por necessidade 3. não é uma diversão ou jogo 4. não é algo inato 5. não é algo recebido de fora. EUDAIMONIA = BEM >>> BEM SUPREMO: - final (desejado por si mesmo) (Felicidade) - auto-suficiente - duradouro/permanente (ao longo de toda a vida) - o melhor - o mais belo - o mais agradável - o mais perfeito - o fim a que visam as ações BENS restantes (pré existentes como pré-requisitos para a felicidade, são naturalmente coadjuvantes e instrumentais. Dependem da boa sorte ou da excelência/virtude. Instrumentos: bens exteriores para praticar as belas ações; amigos; riquezas e poder político. Condições: boa estirpe; bons filhos; beleza e saúde.
  2. 2. Então, para SER FELIZ é possível: pela aprendizagem? pelo hábito? pelo exercício? por providência divina? pela sorte? Na maior parte da obra (dos dez livros da obra), do final do Livro I até o capítulo 5 do Livro X, exceto o Livro VI (virtudes intelectuais), Aristóteles apresenta um tratado das virtudes morais e o resultado será que a eupraxia (o ir bem e conduzir-se bem) é o tipo de felicidade humana de quem se dedica a prática das virtudes/excelência morais (individuais e sociais) guiadas pela phronesis (prudência ou sabedoria prática). No Livro X: Em EN X 6-9 (1176b – 1179b), Aristóteles trata da Felicidade, isto é, (a) o seu conteúdo, (b) em que consiste a Felicidade perfeita, (c) apresenta argumentos sobre a supremacia da vida contemplativa e (d) fala da necessidade da prática da virtude e da passagem da ética para a Política. (a) 1. Enumera cinco coisas que não são a felicidade: 1. não é uma disposição, isto é, modo de ser 2. não é algo que se dá por necessidade 3. não é uma diversão ou jogo 4. não é algo inato 5. não é algo recebido de fora. 2. Por que a felicidade consiste em uma atividade? A felicidade, entendida como bem supremo, não pode nunca consistir em outra coisa que não uma atividade, não pode ser jamais uma passividade: a felicidade é algo vivo, é uma parte integrante da vida do ser humano. Qual seria esta atividade? É uma atividade desejada por si mesma. A ação mais própria do homem, que não podem ter os animais, é a ação de raciocinar, de pensar. A atividade intelectual não é uma pura reflexão teórica, abstrata, senão que consiste em uma sabedoria prática (phrónesis) e em uma sabedoria teórica (sophía). Trata-se, portanto, de um esforço consciente para chegar a ser plenamente humano para realizar da melhor forma possível a sua própria essência, seu próprio ser de pessoa. Ninguém é feliz de um só golpe, senão que a medida que vai vivendo, “ir bem” e “conduzir-se bem” vai sendo feliz. 3. Por que não é possível ser feliz somente com a diversão, o entretenimento? Porque as diversões e passatempos não dão a felicidade, embora contribuam para ela, sobretudo a felicidade dos poderosos, ainda que a virtude e a inteligência não residem precisamente no âmbito do poder. Algumas diversões causam danos, não são úteis. A diversão é um meio para um fim, é uma espécie de descanso, de relaxamento, mas não pode ser confundida com vida feliz. 4. Que relação existe entre virtude e felicidade? Pode ser feliz quem não é virtuoso? A virtude é um hábito adquirido, isto é, uma atividade, um esforço para adquirir algo bom e desejado desde a infância enquanto virtudes morais que exigem experiência e tempo para lapidar nosso caráter de modo bom, justo e correto. Aqui o desejo (que indica o fim) busca o prazer e evita a dor, o sofrimento, pertence a parte irracional da alma e constitui nossas emoções. Enquanto virtudes intelectuais são atividades que dependem da instrução, do ensino e no âmbito da faculdade prática a principal é a phronesis (sabedoria prática ou prudência ou discernimento) que tem como função deliberar sobre os meios mais adequados e justos para alcançar o fim desejado, que deve ser o bem. Tudo é escolhido em função de outra coisa, menos a felicidade (bem supremo, final e auto- suficiente) que é escolhida em função dela mesma. É melhor a virtude porque é o que de mais sério há em relação ao entretenimento e as coisas risíveis.
  3. 3. 5. Por que os escravos não podem ser felizes? No tempo de Aristóteles não eram considerados pessoas em sentido estrito, isto é, cidadãos. A existência de escravos era considerado um fato natural e socialmente aceito e necessário. E mais, somente as pessoas, e não os animais, são os que têm uma clara capacidade de pensamento, podem alcançar a felicidade. Para quem não possui racionalidade não se pode falar em eudaimonia. (b) 1. Por que a virtude é necessária para tornar um homem feliz? Porque a virtude, em geral, é essa capacidade e aptidão permanente que cada um tem por natureza para comportar-se de uma determinada maneira desde que exercitada pela atividade habitual de praticar atos virtuosos. É uma atividade vital, trata-se de um certo modo de vida escolhido. Tem seu componente intelectual, racional, que lhe serve de orientação para as suas ações. Todos queremos e escolhemos o melhor, a felicidade, e por isso orientamos nossa energia viva para aquilo que cremos que nos dará a felicidade. Define a virtude: “é uma disposição da alma relacionada com a escolha de ações e emoções, disposição esta consistente num meio termo (o meio termo relativo a nós) determinado pela razão (a razão graças à qual um homem dotado de discernimento o determinaria). Trata-se de um estado intermediário, porque nas várias formas de deficiência moral há falta ou excesso do que é conveniente tanto nas emoções quanto nas ações, enquanto a excelência moral encontra e prefere o meio termo.”(EN II 6 1106b) 2. Por que a virtude é a atividade mais nobilitante do homem? Qual é a parte humana e a parte divina da felicidade? A parte humana: a atividade intelectual tem vantagem sobre qualquer outra ação por sua seriedade, porque não aspira a outro fim, é auto-suficiente, realizada pelo ócio e não por utilidade, não é cansativa. É o que torna o homem mais feliz. A parte divina: o intelecto é o que há de mais divino em nós, a contemplação pela sophia nos assemelha aos deuses, porque é a atividade própria dos deuses. Em que consistiria a felicidade perfeita do homem? A felicidade perfeita do homem é a atividade intelectual, como virtude que supõe ao mesmo tempo um esforço e um ócio, esforço pois é próprio de toda a virtude, e ócio (ausência de trabalho) porque leva a atividade contemplativa do filósofo, como estado próprio dos deuses. Ocuparia todo o espaço da vida dos homens. Diz no livro X, cap. 7: “Mas se a felicidade consiste na atividade conforme à excelência, é razoável que ela seja uma atividade conforme à mais alta de todas as formas de excelência, e esta será a excelência da melhor parte de cada um de nós. Se esta parte melhor é o intelecto, ou qualquer outra parte considerada naturalmente dominante em nós e que nos dirige e tem o conhecimento das coisas nobilitantes e divinas, se ela mesma é divina ou somente a parte mais divina existente em nós, então sua atividade conforme à espécie de excelência que lhe é pertinente será a felicidade perfeita. Já dissemos que esta atividade é contemplativa.” Atividades nobres inferiores a atividade contemplativa: a atividade do político, o generoso (liberal), o justo, o corajoso, porque necessita de uma série de coisas materiais para poder exercer sua atividade. Para exercer a atividade da mente no contemplar não tem necessidade de nada dessas coisas, por isso a atividade intelectual é superior. A atividade contemplativa não é passividade, trata- se de atividade reflexiva, racional, aprofunda a análise da realidade. MAS, se considerada a parte principal da Ética a Nicômaco, isto é, o tratado das virtudes morais (final do livro I até o início do livro X, exceto o livro VI sobre as virtudes intelectuais), então é também sabedoria prática, uma prudência para saber proceder retamente nas escolhas e decisões da vida, na medida em que atua sobre a parte das emoções (parte irracional da alma) persuadindo-a a lhe ouvir e obedecer. Neste caso, juntando dois modos de vida que se complementas, seria a culminação da vida humana na
  4. 4. prática da virtudes políticas (individuais e sociais) e no contemplar do filosofar. O homem tem algo de divino ao exercer a atividade contemplativa, própria de um intelecto discursivo. Três argumentos para defender a contemplação: a) a contemplação vai além das outras virtudes por mais nobres que sejam, pois não necessita de nada, se basta a si mesma. b) se os deuses são felizes, podemos comprovar que a atividade que mais se assemelha a dos deuses é a contemplação, logo a atividade contemplativa é superior a qualquer outra. c) os deuses honram aqueles que mais se assemelham a eles: o sábio é o que será mais feliz.

×