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Fantástico: Mas você tem idéia de um Golf 2000 mais ou menos, porquanto sai?Ricardo: Aí eu não sei. Uns três mil.Dias depo...
Fantástico: Ideal é uma loja.Cyro: Uma loja.Fantástico: Mas não diz que foi perda total.Cyro: Não, não. Senão ninguém comp...
Jonas: Não precisa levar o carro a lugar nenhum.Fantástico: Ele faz vistoria onde?Jonas: Não é nem vistoriado.Telefonando ...
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A Investigação do Golpe dos Salvados

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Você vai finalmente entender por que se roubam tantos carros no Brasil.
Você compraria um carro totalmente destruído?
Citroen Xsara, ano 2000: R$ 18,8 mil!
Isso mesmo: o preço desse resto de carro é R$ 18,8 mil. Está à venda na Ideal Veículos, uma empresa de São Paulo.
Nas tabelas de usados, um automóvel dessa marca, ano 2000, inteiro e funcionando, vale em torno de R$ 22 mil.
Quem pagaria R$ 18,8 mil por um carro nesse estado?

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A Investigação do Golpe dos Salvados

  1. 1. As investigações do golpe de carros "salvados"Você vai finalmente entender por que se roubam tantos carros no Brasil.Você compraria um carro totalmente destruído?Citroen Xsara, ano 2000: R$ 18,8 mil!Isso mesmo: o preço desse resto de carro é R$ 18,8 mil. Está à venda naIdeal Veículos, uma empresa de São Paulo.Nas tabelas de usados, um automóvel dessa marca, ano 2000, inteiro efuncionando, vale em torno de R$ 22 mil.Quem pagaria R$ 18,8 mil por um carro nesse estado?Outro exemplo: no pátio da Arnaut Veículos, também em São Paulo,encontramos um Golf cor prata, ano 99, modelo 2000. Nas tabelas deusados, esse carro também custa em torno de R$ 22 mil.Mas e nessas condições, sai por quanto?"O Golf, o pratinha, vocês viram o carro, capotadão, né? Está R$ 14 mil",diz a vendedora.Alguém em sã consciência seria capaz de pagar R$ 14 mil por um carroque só anda se for rebocado?Você provavelmente não sabe, mas tem muita gente comprando e muitagente vendendo o que um dia foi um carro. O objetivo? Recuperar essesautomóveis e revendê-los com o máximo de lucro possível.Vamos explicar o golpe que torna possível se ter lucro reformando erevendendo carros inutilizados comprados a preços tão altos.Imagens feitas pelo helicóptero da Globo, em São Paulo, não deixamdúvida sobre o tamanho desse mercado. São dezenas de lojas, não só nacapital paulista, mas no Brasil inteiro, que vendem todos os meses milharesde carros "salvados", como são chamados esses automóveis destruídos.O primeiro passo para entender como funciona esse golpe é saber o que éum "salvado"."Salvados" são carros que sofreram o que as seguradoras chamam de"sinistros" graves: acidentes que provocaram perda total do veículo."Perda total" quer dizer que o carro ou não tem recuperação ou que o preçodo conserto supera o valor real do carro.Num caso desses, o dono recebe a devida indenização do seguro. Em troca,ele é obrigado a repassar à seguradora o que sobrou do carro sinistrado e -muito importante - entrega também o documento do veículo.Agora preste atenção:Resolução 11, 23 de janeiro de 1998 - ContranArt. 1o - a baixa do registro de veículos é obrigatória sempre que o veículofor retirado de circulação com:III - laudo de perda total
  2. 2. Partes com número de chassis devem ser cortadas e destruídas. Placas edocumentos devem ser devolvidos aos órgãos responsáveis.Uma resolução de 1998 do Código de Trânsito Brasileiro diz que todoveículo retirado de circulação com laudo de perda total deve dar baixa noRenavam - o Registro Nacional de Veículos.E mais: as partes do carro que contêm o número do chassis devem sercortadas e destruídas. placas e documentos devem ser devolvidos aosórgãos responsáveis.Na prática, isso nem sempre acontece. Em vez de dar baixa nosdocumentos, como manda a lei - algumas seguradoras repassam essesveículos para as lojas de salvados. Como a Ideal e a Arnaut, em São Paulo,e a Auto Frontin, no Rio de Janeiro. Nesta última, perguntamos aofuncionário a origem dos carros à venda."Todos são de seguradora. Todos eles são de seguradora", diz ele.Em São Paulo, na sede da Arnaut Veículos, somos atendidos pelavendedora Léia. Nossa equipe de reportagem finge interesse por um Golfprata ano 99 e também pergunta sua origem.Fantástico: Mas o documento sai como o quê? Sinistrado, batido, como éque sai?Léia: No documento não vai constar nada. Mas vai estar o documento emnome da seguradora e o recibo de transferência em nome da nossa loja.Fantástico: isso não é problema. Mas não vem como carro sinistrado?Léia: no documento em si não tem nenhuma restrição"A vendedora nos informa que é possível regularizar o carro destruído desdeque se faça a reforma seguida de uma vistoria num órgão credenciado.Léia: pega o carro normal, faz o laudo do Inmetro, transferiu, é um carrocomo outro qualquer.Fantástico: Como? Não entendi.Léia: A partir do momento em que você faz o laudo, a gente vai estaremitindo uma nota de venda e te entregar os documentos necessários. Noque você vai transferir, é um carro como outro qualquer, sem problemanenhum."Você deve estar se perguntando: para que gastar R$ 14 mil, R$ 18 mil numcarro tão destruído se a reforma vai acabar custando muito mais do que elevale?A resposta é simples: as pessoas que fazem esse tipo de negócio nãocompram as peças para reformar o veículo. Peças originais, compradas emconcessionárias, tornariam o negócio inviável.Os envolvidos nesse tipo de esquema mandam roubar um automóvel comas mesmas características do carro destruído.Do carro destruído são aproveitadas apenas duas partes: o chassis oumonobloco - que é o esqueleto do carro - e o documento, ainda válido. Do
  3. 3. carro roubado são retiradas todas as peças. Depois, numa oficinaclandestina, montam-se as peças roubadas sobre o chassis legalizado.Mas como descobrir alguém disposto a roubar um carro por encomenda?Nossa investigação revelou que isso não é difícil.A equipe de reportagem do Fantástico foi à Avenida Rio das Pedras, zonaleste de São Paulo, região com dezenas de lojas de autopeças usadas.Enquanto fingíamos procurar peças para aquele Golf capotado que nos foioferecido pela Arnaut Veículos por R$ 14 mil, fomos abordados por umhomem chamado Jorge.Fantástico: Preciso comprar tudo, banco...Jorge: Capotou? Mas como é que você vai fazer com a lata? Como é quevocê vai fazer? Vai fazer um dublê?Dublê, na gíria dele, é um carro igualzinho ao que estamos querendorecuperar.Jorge: Vai ter que fazer um dublê.Fantástico: Isso é difícil?Jorge: Tem que pegar um cara fera, né? Precisa arrumar um cara feroz aí.Esse que é o perigo. O cara vai pegar as partes todas do teu carro e vaisoldar em cima da outra lá. Vai pegar um número quente, que é o seu, emontar num treta".Jorge nos pede dez minutos e sai para dar um telefonema. Em menos decinco, ele volta. já dá até o preço do que ele chama de dublê, o carro a serroubado.Jorge: Cinco pau tudo.Fantático: O que vem?Jorge: O carro inteiro.Fantático: Prata?Jorge: É.Fantástico: Jura?"A conversa pára por aí. Não encomendamos o carro. E, para disfarçar,nossa equipe de reportagem promete fazer um novo contato com Jorge.Mas não voltamos a falar com ele.No Rio de Janeiro, o mercado paralelo funciona da mesma forma. Dentrode uma loja de salvados, a Auto Frontin, fomos abordados por um homemchamado Ricardo. Fazemos a sondagem. Ele nos dá um número de celular,e diz que vai entrar em contato.Ricardo: Falou, irmão.Fantástico: Vai me ligar?Ricardo: Vou.Ricardo não demora a telefonar. E nós fazemos o jogo dele.Fantástico: Você sabe me dizer que tipo mais ou menos que você mearruma?Ricardo: A gente arruma é qualquer coisa, maluco.
  4. 4. Fantástico: Mas você tem idéia de um Golf 2000 mais ou menos, porquanto sai?Ricardo: Aí eu não sei. Uns três mil.Dias depois, Ricardo telefona novamente a não deixa dúvidas sobre o tipode trabalho que faz.Ricardo: Veja bem, parceiro. Olha só o que acontece, parceiro. Eu vou tedizer. O bagulho, não preciso nem te falar, né? Que é roubo, né? Nãopreciso nem te falar?Fantástico: Claro.Aqui, novamente, a equipe de reportagem do Fantástico suspende oscontatos e não chega a fazer qualquer encomenda.Nas conversas por telefone, Ricardo chega a fornecer uma informaçãoimportante: os dias em que os ladrões de carro costumam agir com maisfreqüência.Fantástico: Mas geralmente qual é o dia que pinta?Ricardo: É final de semana mesmo, mais o final de semana.Fantástico: Então está bom.Prova disso é o que ocorreu ontem, no Rio de Janeiro. O procuradoraposentado do INSS, Valter Leite Lemos, foi morto a tiros por ladrões quetentaram roubar seu carro.Depois de montar o carro roubado sobre o chassis do carro batido, a pessoaque está dando o golpe ainda cumpre uma última etapa: a de transferir osdocumentos para o seu nome. até para isso existe um esquema.Quem nos revela os detalhes é Cyro, vendedor da Ideal Veículos, aquelaempresa de São Paulo que vimos no começo da reportagem. Segundo ele,basta levar o carro reformado com as peças roubadas para fazer umavistoria num órgão credenciado a um custo de R$ 80.Fantástico: Esse laudo não demora muito, não?Cyro: Na hora. Você arrumou o carro, você leva o carro lá.Fantástico: Arruma, mas o cara sempre implica com alguma coisa...Cyro: Não é assim, não.Outro cara: Foi o que ele falou, paga 80 pau, acabou.Cyro: É 80 reais, aqui em Guarulhos. Inclusive a firma é nossa também,entendeu? É do patrão a firma que faz laudo.A firma que, segundo o vendedor, faz o laudo pericial para legalizar o carroroubado é a CTV, em Guarulhos, Grande São Paulo. Ela consta do site doInmetro como órgão credenciado para vistorias, e tem como responsável osenhor Alex Pereira de Almeida.Em outra conversa, perguntamos novamente ao vendedor Cyro, da IdealVeículos, sobre o esquema de vistoria.Fantástico: Estou preocupado com o documento, o DUT lá. Não vai ternada escrito?Cyro: Não, vai sair Ideal.
  5. 5. Fantástico: Ideal é uma loja.Cyro: Uma loja.Fantástico: Mas não diz que foi perda total.Cyro: Não, não. Senão ninguém comprava carro aqui.Fantástico: A maioria desses carros aqui nego compra para quê?Cyro: Tudo para revender.Procuramos outra loja de salvados, a Nova Boa Vista, para tirar a dúvida:será que a vistoria é tão simples? Quem nos atende é um vendedorchamado Roger.Fantástico: Mas aí os caras arrocham muito lá?Roger: Não! Tem conhecido da gente. Você vai onde a gente te indicar quenão tem erro.Fantástico: Jura?Roger: Opa!Fantástico: Chegando lá, o cara não vai ficar essa peça aqui, essa peçaaqui?Roger: Negócio de peça eles nem olham.Fantástico: Hein?Roger: Esse negócio de peça eles nem olham. Isso daí é vistoria veicular.Olham pneu, extintor, seta, farol alto, baixo.Mesmo se houvesse uma vistoria detalhada, há quem ofereça meios paraburlar a fiscalização: algumas peças do carro roubado podem conternumerações capazes de identificar sua origem. É o caso do motor, porexemplo.Você lembra de Jorge, o homem que nos ofereceu um Golf roubado emSão Paulo? Ele conhece um esquema para adulterar a numeração do motor.Jorge: É feito por um cara do Detran, serviço de profissional. Você podepassar pela perícia da Unicamp, em Campinas e os caras vão jogar o ácidoe não aparece.Fantástico: Como é que ele faz?Jorge: Serviço de profissional. Já vendi um monte de motor. Sem problema.É sem problema. Tô te falando procê.Nossa reportagem descobriu que no Rio de Janeiro também existe umesquema para legalizar os veículos montados. Só que esse não exige nemvistoria: fica na mão de uma despachante de Vitória, Espírito Santo. Quemdá o serviço é Jonas, vendedor de mais uma loja de salvados, a MR 2000.Jonas: Tem despachante bom para fazer documento.Fantástico: Bom? Águia?Fantástico: Quanto ele cobra?Jonas: R$ 680Fantástico: Mas aí não precisa levar o carro lá, não?Jonas: Não precisa levar o carro a lugar nenhum.Fantástico: Como?
  6. 6. Jonas: Não precisa levar o carro a lugar nenhum.Fantástico: Ele faz vistoria onde?Jonas: Não é nem vistoriado.Telefonando para a despachante, de nome Leila, descobrimos que o carroroubado até que é vistoriado, sim. Mas quem faz essa falsa vistoria é opróprio dono!"A gente vai estar mandando para você uma vistoria. Aí você tira odecalque do chassis nessa vistoria e um decalque à parte noutro papel",explica a despachante.Nossa equipe de reportagem em Vitória procurou a despachante. Fomosatendidos pela chefe do escritório."Eu posso até me comprometer de falar porque envolve as seguradoras.Porque elas que vendem o carro. Se a gente regularizar um carro desses, eunão vou falar pra você que nós não regularizamos porque de vez emquando a gente pega aqui, é comum qualquer despachante pegar", explica adespachante.Na quinta-feira, em Brasília, deputados federais entraram com um pedidode formação de CPI para apurar o envolvimento de seguradoras com oesquema dos carros salvados."As empresas de seguro reaquecerem os documentos dos salvados, ora, issovai gerar exatamente essa indústria do crime e o desdobramento vai ser pior,porque vai provocar além dos roubos, as mortes, o reaquecimento e ofomento a essas empresas chamadas desmanches", diz o deputado federalHidekazu TakayamaFicam as perguntas:Como evitar a proliferação desse golpe?A quem cabe a fiscalização?Quantos roubos de carros e até mortes poderiam ser evitadas se essaatividade acabasse?Procurada pelo Fantástico, a Fenaseg, Federação Nacional das Seguradorasafirmou que já vem tomando medidas para combater as fraudes."A Fenaseg persegue esse desiderato, esse objetivo, de dar baixa efetivados veículos. Inclusive constituímos com estrutura própria uma diretoria decombate às fraudes. Nós evidentemente estamos nessa linha da correção,zelando pela imagem do seguro", diz Antônio Mazurek, superintendente daFenaseg.No domingo que vem, o Fantástico vai denunciar dois outros esquemas queestão prejudicando donos de automóveis no Brasil. Você precisa assistirpara saber como Se defender de mais esse golpe.O diretor geral do Denatran, órgão máximo executivo de trânsito no Brasil,informou que vai investigar a fundo as denúncias apresentadas peloFantástico. Ailton Brasiliense Pires reiterou que, uma vez definida a perdatotal de um veículo, ele não pode voltar a circular. E que as seguradoras
  7. 7. têm obrigação de dar baixa na documentação e destruir as partes do chassique contêm numeração.

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