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Dimensões Empíricas da Inclusão DigitalEstudo realizado   • Corpus: Entrevistas realizadas a membros            das     fa...
Sub-amostra: CaracterizaçãoNível de Escolarização   • 16 indivíduos: 1º ciclo de escolaridade (4º ano)   • 1 indivíduo: 2º...
Dimensões de Análise                                        Escola            Baixas Expectativas Familiares              ...
Referenciais Teóricos
Referenciais Teóricos
Fosso Digital e LiteraciaFosso Digital: Constructo a interpretar no contextos dos   sistemas de práticas culturais locais ...
Cronótopo• Matriz espaciotemporal presente em todas as  narrativas (Bakhtin, 1981; Hannan, 2011).• Configura-se nos discur...
Cronótopos do Fosso Digital1- Famílias Rurais no Estado Novo.2- A Escola no Feminino; A Escola dos anos 503- A Descoberta ...
Análise Cronotópica                             Famílias Rurais                                    .                      ...
Famílias Rurais no Estado Novo “(…) venho de uma família bastante pobre, sem condições algumas, com 7 irmãos e que apenas ...
Análise Cronotópica                                         .                            A Escola no Feminino             ...
A Escola no Feminino, a Escola nos Séniores“Eles bem queriam que os filhos estudassem... Mas como tambéméramos dez irmãos,...
Análise Cronotópica                A Descoberta do Audio-visual  Função Lúdica                                      Filmes...
A Descoberta da TelevisãoPrimeiro íamos ver a televisão ao vizinho, quando tivemos nossa primeiratelevisão eu já era casad...
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O Mundo Digital “é dos mais novos”Não sei lá mexer nas teclas. (Maria, 46)[Se usasse, seria para] “se calhar o que não dá ...
O Mundo Digital “é dos mais novos”Eu não uso computador, nem Internet. Não sei por, nem fazer nada, massei que tem, porque...
O Mundo Digital “é dos mais novos” Até por motivos profissionais é mais a Internet (…) Não. Nunca aprendi. Quer dizer, nun...
3. Fosso Digital e Literacia: Algumas reflexões Dinâmicas sociais e culturais na constituição familiar.   – Contextualiza...
3. Fosso Digital e Literacia: Algumas reflexões  • Fosso digital e baixos níveis de escolaridade: Predomínio    das Mulher...
3. Fosso Digital e Literacia: Algumas reflexões Cronótopos: Instrumentos analíticos a aprofundar. Dimensões do Fosso dig...
http://franciscoreis.no-ip.info/contemcom/     laires@univ-ab.pt
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Cronótopos do fosso digital: relações entre literacias digitais e a baixa escolaridade que marca gerações de adultos

  1. 1. Cronótopos do Fosso Digital Luísa Aires CETAC.Media/ Universidade Aberta Participação e Inclusão Digital Comparação de trajectórias de uso de meios digitais por diferentes grupos sociais em Portugal e nos Estados Unidos
  2. 2. Tópicos1. Dimensões Empíricas da Inclusão Digital, em indivíduos com baixos níveis de escolarização.2. Cronótopos do Fosso Digital.3. Fosso Digital e Literacia: Algumas reflexões
  3. 3. Dimensões Empíricas da Inclusão DigitalEstudo realizado • Corpus: Entrevistas realizadas a membros das famílias, com baixos níveis de escolarização; • Referenciais teóricos: tecnocapital, tecnocompetências e tecnodisposições (Rojas et al., 2010). (Aires, Melro, Correia, Ponte & Azevedo, http://revistas.pucsp.br/index.php/curriculum/ article/view/6776)
  4. 4. Sub-amostra: CaracterizaçãoNível de Escolarização • 16 indivíduos: 1º ciclo de escolaridade (4º ano) • 1 indivíduo: 2º ano de escolaridade. • Identificados na amostra global de 65 famílias.Género • 13 mulheres e 4 homensIdade média • 59,3 anos (idades entre os 43 e os 90 anos).Usos do Computador e Internet • Mulheres: Ausência de competências de competências de uso do computador e da Internet.
  5. 5. Dimensões de Análise Escola Baixas Expectativas Familiares Problemas Económicos Pai/Mãe sem escolarização 0 2 4 6 8 10 12 14
  6. 6. Referenciais Teóricos
  7. 7. Referenciais Teóricos
  8. 8. Fosso Digital e LiteraciaFosso Digital: Constructo a interpretar no contextos dos sistemas de práticas culturais locais (Cole, 1986; Warschawer, 2002; 2010; 2011). O acesso às TIC está envolvido por um complexo grupo de dimensões fisicas, digitais, humanas, recursos sociais, relações.Literacia: Reenvia para práticas sociais que envolvem o acesso a artefactos físicos, conteúdos, competências e suporte social (Warschauer, 2002).
  9. 9. Cronótopo• Matriz espaciotemporal presente em todas as narrativas (Bakhtin, 1981; Hannan, 2011).• Configura-se nos discursos dos participantes; desenvolve-se em processos situados e dinâmicos; relacional (Brown & Renshaw, 2006).• Estabelece-se dialogicamente e reflecte a relação contexto-significado.• Medeia as configurações socioculturais de determinado período histórico (Hannan, 2011).
  10. 10. Cronótopos do Fosso Digital1- Famílias Rurais no Estado Novo.2- A Escola no Feminino; A Escola dos anos 503- A Descoberta do Audio-Visual.4- O Mundo Digital é dos “mais novos”.
  11. 11. Análise Cronotópica Famílias Rurais . no Estado Novo Valores: Mulher: governo doméstico.respeito, honestidade, não subalternidade roubar, Actividade agrícola não matar Trabalho precoce Analfabetismo Agregados Baixos Numerosos rendimentos
  12. 12. Famílias Rurais no Estado Novo “(…) venho de uma família bastante pobre, sem condições algumas, com 7 irmãos e que apenas todos conseguimos a 4ª classe porque nessa altura, quer dizer, os meus pais não podiam e… e nós tínhamos que trabalhar, (…)” (Graciete,47). “(…) comecei a trabalhar muito cedo, com 7 anos a gente já trabalhava (…)” (Lúcio,69). Mas na minha sei que é importante ser honesta, não é? E não roubar, não matar, eu acho que isso é o essencial de tudo, não é? (Maria, 46) Eu sei lá bem… É uns ricos e outros pobres, só se for isso… Que aproximação é que há? Somos todos iguais aqui. (Manuel, 62)
  13. 13. Análise Cronotópica . A Escola no Feminino A Escola dos Séniores Elevadas expectativas Histórias familiares deescolares em relação às analfabetismo gerações mais novas Abandono Trabalho precoce Escolar Antecedentes Familiares Problemas com Baixas Expectativas Económicos sobre a Escola
  14. 14. A Escola no Feminino, a Escola nos Séniores“Eles bem queriam que os filhos estudassem... Mas como tambéméramos dez irmãos, não é, não havia possibilidades. Era só o meu pai e aminha mãe a trabalhar. Éramos todos pequeninos... Não haviapossibilidades.” (Maria,46).Qual é a escolaridade dos seus pais? E a dos seus avós?R.: Eu não sei… Mas acho que a minha mãe não chegou a estudar porquenão sabe ler e o meu pai sabe, é porque andou na escola mas não sei queescolaridade é que ele tem.” (Lúcia, 55).Ah, não liguei nunca porque trabalhei sempre, criei as minhas filhas commuito carinho e muito, e pronto, fiz tudo o que podia, fiz tudo o que podiacom as filhas (Maria, 90).
  15. 15. Análise Cronotópica A Descoberta do Audio-visual Função Lúdica Filmes, Comédia,Função Informativa Acção, Novelas Baixo consumo Inicial Contexto:Elevado consumo actual café, vizinhos Acesso tardio à Televisão (casamento, adolescê ncia)
  16. 16. A Descoberta da TelevisãoPrimeiro íamos ver a televisão ao vizinho, quando tivemos nossa primeiratelevisão eu já era casada, com subsídio do Natal eu e meu marido fomoscomprar a televisão e o aspirador de pó. (Silvina, 73)Não tivemos rádio ou televisão (…) Sim *agora+ tenho televisão, mas não porcabo. Já a tive depois de casada e acho que já tinha as minhas duas filhasmais velhas (Maria, 57)(…) Televisão já...já eu era casada, quando eu tinha televisão. [E quem éque a comprou?] Fui eu e o meu marido. (Antónia, 65)E televisões, tem televisões cá em casa?Tenho, tenho 3: uma na cozinha, uma na sala e outra no quarto da filha.E rádio, tem rádio cá em casa?Tenho, tenho 2: um está no meu quarto e o outro está no quarto da filha.”(Ana Paula, 43)
  17. 17. A Descoberta da Televisão“Eu só conheci a televisão sabes quê? Quando eu fui pó café, a primeiratelevisão que veio pas Cabanas foi a nossa lá pó café.“ (Dália, 78).Uma vez ou outra. A leitura não é muito a minha praia. (…) Revistastambém, uma vez ou outra. (…) Eu vejo mais televisão. (Alice, 45)Na televisão. É mais fácil na televisão (…) Música portuguesa e algumatambém estrangeira. Mas gosto sobretudo de música portuguesa (Custódia,55)“Prefiro a televisão porque não sei mexer na Internet.” (Alice,45).
  18. 18. . Análise Cronotópica O Mundo Digital “é dos mais novos” Importância para os mais Criação de condições para uso novos de TIC na família Valor de uso das Desconhecimento das TIC vantagens de uso Vantagens no uso da Internet Útil , mas má Iliteracia Digital “A Internet serve para pesquisar o mundo”
  19. 19. O Mundo Digital “é dos mais novos”Não sei lá mexer nas teclas. (Maria, 46)[Se usasse, seria para] “se calhar o que não dá para ver na televisão,investigar se calhar sei lá, acontecimentos ou coisas do género. Às vezes irbuscar um bocadinho a vida dos artistas ou uma coisa do género. Fazerassim uma cusquice. (Maria, 46)Eles (os filhos) tinham prometido que iam-me ensinar e nunca meensinaram. (Alice, 45)Olha, se queres que eu te diga eu não sei. Eu sei que o computador épreciso mas pró que é eu não sei (…). É coisas que eu não dou valor nemme interessa nem, nem quero saber disso para nada, nem tenho que lidarcom ele nem quero saber disso. Eh. (Dália,78)
  20. 20. O Mundo Digital “é dos mais novos”Eu não uso computador, nem Internet. Não sei por, nem fazer nada, massei que tem, porque já pedi informações a minha neta, ai ela vai ali saber.Outro dia precisava de um endereço e ela usou ali a Internet e logo me deua informação, mas eu não sei como fazer. Com essa idade já não tenhopaciência para aprender a utilizar o computador e a Internet. (Silvina, 73)Comunicação. Falar... com a família, com amigos. Eu acho que é muitoimportante. Tar um do lado, outro do outro e através de comunicar tão, tãoa falar uns com os outros. Acho que isso que é muito importante. (Graciete,47)
  21. 21. O Mundo Digital “é dos mais novos” Até por motivos profissionais é mais a Internet (…) Não. Nunca aprendi. Quer dizer, nunca aprendi, nunca tive nenhum curso, nenhuma formação. (Leonel, 59). Acho que sim... que é uma coisa muito boa. (…) Não utilizo... nem sei mexer. Nem sei mexer nele. (…) É assim... também talvez nunca precisasse. Porque se eu, se... se eu precisasse talvez tivesse aprendido. Mas também nunca precisei, não é? O meu trabalho como não... não é preciso computador. (Graciete,47) Eles [jovens] têm de andar mais para a frente do que nós. Os meus pais... Os meus pais ainda eram piores do que nós. Não é? Era um tempo mais atrasado, agora é que tem de evoluir mais, não é? Mas era um tempo mais atrasado do que agora. Agora tem é de se ir para a frente. Evoluir. (Maria,46).
  22. 22. 3. Fosso Digital e Literacia: Algumas reflexões Dinâmicas sociais e culturais na constituição familiar. – Contextualização espaciotemporal da Família no Estado Novo • Marcas ideológicas nos percursos de vida, estruturalmente ligados à Igreja Católica e servindo directamente propósitos conservadores (P. Delgado, 2009). • Ausência de valores como a autonomia, a iniciativa, a reflexividade.
  23. 23. 3. Fosso Digital e Literacia: Algumas reflexões • Fosso digital e baixos níveis de escolaridade: Predomínio das Mulheres (até aos anos 60, a escolaridade básica não atingia igualmente os dois sexos) (C.Ponte) - Prolongamento desta realidade nas duas primeiras décadas da democracia. • Mulheres e Iliteracia digital – Actividades profissionais menos exigentes em termos tecnológicos (desempenham tarefas mais “domésticas” e tradicionais). • Geração dos mais novos: novas configurações e culturais familiares (menos filhos, maior investimento educacional e tecnológico) - Um passo de gigante para a diluição do fosso digital?
  24. 24. 3. Fosso Digital e Literacia: Algumas reflexões Cronótopos: Instrumentos analíticos a aprofundar. Dimensões do Fosso digital: – Histórico-culturais (políticas, económicas) – Axiológicas – Educativas – Geracionais – Género Pedagogia Pública: Ênfase nos processos e lugares da Educação Informal (Sandlin, O’Malley & Burdick, 2011).
  25. 25. http://franciscoreis.no-ip.info/contemcom/ laires@univ-ab.pt

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