A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E A CIDADE     Os principais elementos do novo complexo urbano foram a fábrica, aestrada de ferro e...
de ferro, escória, ferro enferrujado e até mesmo restos de comida bloqueavamo horizonte, com o seu aspecto de matéria aban...
expansão fora dela; e isso, por sua vez, já que produzia mais tráfegoferroviário, dava aos descaminhos assim cometidos a s...
restos na rua, nessas cidades paleotécnicas primitivas era esse o métodoregular de despejo. Os restos ali ficavam, por mai...
Nas novas cidades industriais, estavam ausentes as tradições maiselementares de serviços públicos municipais. Bairros inte...
todos, ...migram então para as maiores pois a oferta e as chances de emprego são bem maiores... OCA VIRTUAL Just another W...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

A revolução industrial e a cidade

12.157 visualizações

Publicada em

0 comentários
1 gostou
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
12.157
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
7
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
84
Comentários
0
Gostaram
1
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

A revolução industrial e a cidade

  1. 1. A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E A CIDADE Os principais elementos do novo complexo urbano foram a fábrica, aestrada de ferro e o cortiço. Em si mesmos, constituíam a cidade industrial:expressão que descreve simplesmente o fato de que mais de duas mil pessoasachavam-se reunidas dentro de uma área que podia ser designada com umnome próprio. Tais aglomerações urbanas podiam expandir-se, e de fatoexpandiam-se cem vezes, sem adquirir mais que vestígios das instituições quecaracterizam uma cidade, no sentido sociológico amadurecido — isto é, umlugar no qual a herança social encontra-se concentrada e onde aspossibilidades de continuado intercurso e interação social elevam a um nívelpotencial mais alto todas as complexas atividades dos homens. Exceto emformas residuais diminuídas, faltavam até mesmo os órgãos característicos daIdade da Pedra. A fábrica passou a ser o núcleo do novo organismo urbano. Todos osdemais detalhes da vida ficaram subordinados a ela. Muitas vezes, até mesmoserviços tais como o suprimento de água e o mínimo indispensável emedifícios públicos, necessários à existência da cidade, se não tinham sidoconstruídos por uma geração anterior, só apareciam mais tarde, eram coisasem que só depois se pensava. Não era simplesmente a arte e a religião que osutilitaristas tratavam como meros ornamentos: a administração políticainteligente achava-se na mesma categoria. No primeiro esforço da exploração,não se tomava providência alguma quanto à proteção policial e contraincêndios, inspeção de água e alimentos, cuidados hospitalares e educação. A fábrica usualmente reclamava os melhores sítios: principalmente, naindústria algodoeira, nas indústrias químicas e nas indústrias siderúrgicas, asituação perto de uma via aquática; pois grandes quantidades de água eramagora necessárias, no processo de produção, para abastecer as caldeiras damáquina, resfriar as superfícies quentes, preparar as soluções necessárias etintas químicas. Acima de tudo, o rio ou canal tinha ainda outra funçãoimportante: era o mais barato e mais conveniente lugar de despejo de todas asformas solúveis ou semi-solúveis de detritos. A transformação dos rios emesgotos abertos foi um fato característico da economia paleotécnica.Resultado: envenenamento da vida aquática, destruição de alimentos, poluiçãoda água, que passava assim a ser imprópria para banhos. Durante gerações, os membros de todas as comunidades urbanas“progressistas” foram obrigados a pagar pela sórdida conveniência dofabricante, o qual, muitas vezes, chegava a entregar preciosos subprodutos aorio, por falta de conhecimento científico ou de capacidade empírica paraempregá-los. Se o rio era um despejo líquido, grandes montes de cinzas, borra
  2. 2. de ferro, escória, ferro enferrujado e até mesmo restos de comida bloqueavamo horizonte, com o seu aspecto de matéria abandonada e inútil. A rapidez daprodução era parcialmente contrabalançada pela rapidez do consumo, e antesque uma política conservadora de utilização de restos de metal se tornasseaceitável, os produtos finais disformes ou deteriorados eram atirados emqualquer lugar, na paisagem. Na região da Inglaterra conhecida como CampoNegro, aliás, as enormes pirâmides de detritos lembram ainda formaçõesgeológicas: diminuíram o espaço vital disponível, lançaram sombras sobre aterra, e, até recentemente, constituíam um problema insolúvel de utilização oude remoção. O testemunho que dá substância a esse quadro é volumoso: em verdade,acha-se ainda aberto para inspeção nas cidades industriais mais antigas doMundo Ocidental, a despeito dos esforços hercúleos para limpar o ambiente. Os lugares destinados à moradia eram, muitas vezes, situados dentro dosespaços que sobravam entre fábricas, galpões e pátios ferroviários. Prestaratenção a assuntos tais como imundície, ruído, trepidação era levado à contade uma sensibilidade efeminada. As casas costumavam ser construídas bemjunto das usinas siderúrgicas, fábricas de tintas, gasômetros ou cortesferroviários. Era muito freqüente serem construídas em terras cheias de cinzas,vidros quebrados e restos, onde nem mesmo a grama podia deitar raízes;podiam estar ao pé de uma pirâmide de detritos ou junto de uma enorme pilhapermanente de carvão e escória; dia após dia, o mau cheiro dos dejetos, onegro vômito das chaminés e o ruído das máquinas martelantes ourechinantes, acompanhavam a rotina doméstica. Naquele novo esquema, a própria cidade consistia de fragmentosdispersos de terra, com formas estranhas e ruas e avenidas incoerentes,deixadas por acaso entre as fábricas, as ferrovias, os pátios de embarque e osmontes de restos. Em lugar de qualquer sorte de regulamentação ou deplanejamento municipal generalizado, era a própria ferrovia chamada a definiro caráter e projetar os limites da cidade. Assim, a ferrovia levava ao coração da cidade não apenas o ruído e aimundície, mas os únicos tipos de edificações industriais e alojamentosimpróprios que podiam resistir ao ambiente que produzia. Só o hipnotismo deuma nova invenção, numa época enamorada, sem espírito critico pelas novasinvenções, podia ter provocado aquela imolação sem propósito sob as rodasda fumegante Juggernaut. Todos os erros que se pudessem cometer emplanejamento urbano eram cometidos pelos novos engenheiros ferroviários,para quem os movimentos de trens eram mais importantes que os objetoshumanos alcançados por aqueles movimentos. O desperdício de espaço pelospátios ferroviários no coração da cidade somente aumentava sua mais rápida
  3. 3. expansão fora dela; e isso, por sua vez, já que produzia mais tráfegoferroviário, dava aos descaminhos assim cometidos a sanção adicional doslucros. Tão difundida se achava essa deterioração do ambiente, tão insensíveis aelas tinham-se tomado as pessoas que moravam nas grandes cidades, nocorrer de um século, que até mesmo as classes mais ricas, que podiampresumivelmente dar-se ao luxo de possuir o melhor, até hoje ainda adotam,indiferentemente, o pior. Já quanto à própria habitação, as alternativas eramsimples. Nas cidades industriais que cresceram com base em fundaçõesantigas, os trabalhadores foram inicialmente acomodados pela transformaçãodas velhas casas familiares em alojamentos de aluguel. Nessas casasreconstruídas, cada quarto passava agora a abrigar toda uma família: deDublin e Glasgow até Bombaim, o sistema de um quarto para cada famíliavigorou por muito tempo. O amontoamento de camas, com três até oitopessoas de diferentes idades a dormir no mesmo catre, agravava muitas vezeso congestionamento dos quartos, nesses chiqueiros humanos. No início doséculo XIX, segundo certo Dr. Willan, que escreveu um livro sobre as doençasde Londres, havia produzido um estado inacreditável de conspurcação físicaentre os pobres- o outro tipo de moradia oferecido à classe trabalhadora era,essencialmente, uma padronização dessas condições degradadas; teve, porém,um defeito adicional: as plantas das novas casas e os materiais de construçãogeralmente nada tinham da decência original das antigas casas burguesas:eram de construção barata, sem alicerces encravados no solo. Tanto nos velhos como nos novos bairros, chegou-se a um máximo deimundície e sujeira que nem a mais degradada cabana de um servo teriaalcançado na Europa medieval. É quase impossível enumerarobjetivamente os simples detalhes dessa habitação, sem dar a idéia de se estarexagerando de propósito. Mas aqueles que elogiam os melhoramentosurbanos ocorridos durante aquele período, ou a suposta elevação nos padrõesde vida, lutam, com desvantagem, contra os fatos reais: generosamente,atribuem à cidade em seu todo benefícios de que só a classe média maisfavorecida, uma minoria, podia gozar; e interpretam, nas condições originais,os melhoramentos que só três gerações de legislação ativa e engenhariasanitária maciça finalmente puderam produzir. A começar pela Inglaterra, milhares de moradias dos novostrabalhadores, em cidades como Birmingham e Bradford, foram construídasfundos contra fundos. (Muitas dessas moradias existem ainda.) Por issomesmo, dois de cada quatro quartos não recebiam luz direta nem ventilação.Não havia espaços abertos, afora as passagens nuas entre essas filas duplas.Enquanto que no século XVI era um delito, em muitas cidades inglesas, atirar
  4. 4. restos na rua, nessas cidades paleotécnicas primitivas era esse o métodoregular de despejo. Os restos ali ficavam, por mais fedorentos e imundos, “atéque o acúmulo induzisse alguém a levá-los embora para servir de esterco”.Deste, evidentemente, não havia carência nos novos bairros superpovoados dacidade. As privadas, de uma imundície indescritível, ficavam geralmente noporão; era também prática comum ter chiqueiros debaixo das casas, e osporcos voltaram a invadir as ruas, como não faziam havia séculos, nas cidadesmaiores. Mesmo em nível tão baixo de urbanização, mesmo comacompanhamentos tão imundos, não se construíam casas em númerosuficiente em muitas cidades; e nestes casos, condições piores ainda tinhampredomínio. Os porões eram usados como moradias. Em Liverpool, uma sextaparte da população morava em “adegas subterrâneas”, e a maioria das outrascidades marítimas não se achava muito atrás; Londres e Nova lorque eramrivais próximas de Liverpool: mesmo na década de 1930, havia 20 milmoradias de porão em Londres, caracterizadas pelos médicos como imprópriaspara ocupação humana. Tal imundície e tal congestionamento, maus por simesmos, trouxeram outras desgraças: os ratos que conduziam a pestebubônica, os percevejos que infestavam as camas e atormentavam o sono, ospiolhos que propagavam o tifo, as moscas que visitavam imparcialmente aprivada do porão e o leite das crianças. Mais ainda, a combinação de quartosescuros e paredes úmidas formava um meio de cultura quase ideal para asbactérias, especialmente porque os quartos congestionados proporcionavamas possibilidades máximas de transmissão, através da respiração e do contato. Se a ausência de encanamentos e de higiene municipal criava um maucheiro insuportável nesses novos bairros urbanos, e se a propagação deexcrementos expostos, juntamente com a sua infiltração nos poços locais,significava uma propagação correspondente da febre tifóide, a falta de águaera ainda sinistra, porque afastava por completo a possibilidade de limpezadoméstica ou de higiene pessoal. Nas grandes capitais, onde aindaperduravam algumas das antigas tradições municipais, não se tomavamprovidências adequadas relacionadas com o fornecimento de água às novasáreas. Em 1809, quando a população de Londres era de perto de um milhão dehabitantes, a água era encontrada, na maior parte da cidade, apenas nosporões das moradias. Em certos bairros, a água só podia ser aberta três diaspor semana. E, embora os canos de ferro já tivessem aparecido em 1746, nãoforam muito usados, até que uma lei especial, na Inglaterra, em 1817,determinou que todos os novos encanamentos fossem construídos de ferro,dentro de dez anos.
  5. 5. Nas novas cidades industriais, estavam ausentes as tradições maiselementares de serviços públicos municipais. Bairros inteiros às vezes ficavamsem água até mesmo das bicas locais. Vez por outra, os pobres tinham de sairde casa em casa, nos bairros de classe média, a pedir água, como poderiampedir pão durante uma crise de alimentos. Com essa falta de água para beber elavar, não admira que se acumulassem as imundícies- Os esgotos abertos, nãoobstante o mau cheiro que produziam, indicavam relativa prosperidademunicipal. E, se as famílias eram assim tratadas, quase não é preciso que seprocurem documentos para verificar como passavam os trabalhadores casuais.Casas abandonadas, de propriedade incerta, eram usadas como hospedarias,com quinze ou vinte pessoas num só quarto. Em Manchester, de acordo comas estatísticas policiais de 1841, havia cerca de 109 hospedarias onde pessoasde ambos os sexos dormiam indiscriminadamente; e havia 91 casas destinadasa abrigar mendigos. Essa carência de acomodações tornou-se quase universal entre ostrabalhadores das novas cidades industriais, tão logo o novo regime industrialse estabeleceu por completo. Não ocorria simplesmente serem as novascidades, em seu todo, soturnas e feias, ambientes hostis à vida humana,mesmo no seu nível fisiológico mais elementar; também o sobrepovoamentopadronizado dos bairros pobres repetia-se nas moradias da classe média. Extraído de "A cidade na história". Lewis Munford, Ed. Martins Fontes, 1991http://www.pucsp.br/~diamantino/COKETOWN.htm 02- 10-12De que forma a revolução industrial influenciou o crescimento dascidades(desnvolvimento urbano)?De forma isso ocorreu, com quanta intensidade as cidadescresceram( o desenvolimento urbano).De uma historica(antiga) e moderna.Melhor resposta - Escolhida por votaçãoNa Inglaterra, que foi pioneira na revoluçao industrial, o crescimentourbano foi obra da expulsão dos camponeses, cujas terras foramusadas para criar ovelhas, justamente para produzir lã para asfábricas... milhares de camponeses, sem emprego, não tiveramoutra alternativa senão ir para as cidades onde despontavam asindústrias ávidas por pessoal para produzir...isso produziu umcrescimento urbano acelerado e desordenado...a industrialização pelo mundo também vai produzir efeitoparecido...as populações do interior crescem, mas não há terra para
  6. 6. todos, ...migram então para as maiores pois a oferta e as chances de emprego são bem maiores... OCA VIRTUAL Just another WordPress.com weblog A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E O DESENVOLVIMENTO DO MUNDO URBANO http://ocavirtual.wordpress.com/2008/07/12/160/ 02=10=12A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E O DESENVOLVIMENTO DO MUNDO URBANO A Inglaterra foi o berço da Revolução Industrial e das cidades com atividades industriais. De norte a sul do país surgiram indústrias movidas pela máquina a vapor, usando o carvão como fonte de energia. Essas unidades fabris foram instaladas próximas as grandes jazidas carboníferas inglesas. Os pequenos povoados começaram a receber milhares de pessoas que deixavam o campo em busca de trabalho nas fábricas, processo esse denominado de êxodo rural. A Revolução Industrial, iniciada a mais de 250 anos, estendeu-se por todo o mundo e foi o divisor de águas entre o mundo rural e o mundo urbano que conhecemos hoje. Até então, o campo determinava o modo de produzir, o modo de vida e as relações entre os homens, a cultura, a política e a sociedade. A Revolução industrial redirecionou as funções do campo e da cidade com uma força avassaladora. A crescente população urbana pressionou o campo para o aumento da produção de alimentos e de matérias-primas, que seriam utilizadas nas nascentes fábricas, de lá e tecidos. O campo, portanto, começa a ser regulado pelas necessidades das zonas urbanas, por suas atividades industriais e comerciais, caracterizando novas relações espaciais. A zona rural passa a ser produtora de matéria prima, e as cidades desenvolvem atividades secundárias (indústria) e terciárias (comércio e serviços em geral). Essas novas relações acabam por transformar as relações culturais, sociais até então existentes no campo. Implanta-se a partir daí uma nova forma de organização da produção: algumas fabricavam certos produtos que eram consumidos por terceiros que, por sua vez, também produziam outros bens, que também seriam consumidos por outras parcelas da população. Desenvolve-se e se difunde a partir desse período a idéia de mercado, a produção voltada para um mercado consumidor específico e a divisão social do trabalho. As cidades passam a acumular riquezas, e o capital passou a ser investido no próprio negócio para gerar ainda mais lucros. Uma burguesia nacional se fortalece sob a indústria e detém grande parte das riquezas nacionais, passando a controlar grande parte dos recursos advindos das zonas urbanas marcadas pela presença das fábricas. Na Inglaterra no século 19. Além da capital Londres, uma das primeiras cidades globais, muitas outras cidades se desenvolveram tendo como base o processo de industrialização,surgindo principalmente nas proximidades de áreas carboníferas como Liverpool (cidade dos beatles),Bristol, New Castle, Manchester,etc. Na virada do século 20,o modo de vida urbano era predominante na Europa e já se alastrava pelo mundo em especial na costa Americana (onde os EUA são banhados pelo oceano atlântico).Nesse período Londres e NY já eram consideradas grandes cidades pelo número de habitantes e por sua infra-estrutura urbana.

×