Gordon Fee e
Douglas Stuart
Autores do best-seller Entendes o que lês?
Como ler a
~ .
1 1a
livro por livro
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmata Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Fee, Gordon O.
Como ler a...
Como ler a
I' •
1 1a
livro por livro
Um guia de estudo panorâmico da Bíblia
Gordon Fee e
Douglas Stuart
Autores do best-se...
Copyright ©2002, Gordon D. Fee e Douglas Stuart
Título original: How to read the Bible book by book
Originalmente publicad...
Para Walker, Maia e Emma
]oshua,]ulia, Cherisa, Nathan e Benjamin
Zachary e]ackson
Maricel eAnnalise
e
Mariwether e Honour...
Sumário
Apresentação o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o...
8 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
OS PROFETAS DE ISRAEL NA HISTÓRIA BÍBLICA
Isaías ................................... 2...
Apresentação
CRUZANDO MUNDOS
Cresci numa parte da cidade onde as crianças brincavam em segu-
rança. Depois de uma manhã na...
10 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
bíblica, meu ânimo foi crescendo de tal forma que este livro passou
a ocupar um lugar...
Abreviações
ANTIGO TESTAMENTO
Gn Gênesis Ec Eclesiastes
Êx Êxodo Ct Cântico dos Cânticos
Lv Levítico Is Isaías
Nm Números ...
Prefácio
Este livro pretende acompanhar o volume Entendes o que lês? Aquele
livro visa ajudar as pessoas a se tornarem mel...
PREFÁCIO 13
Em primeiro lugar, nosso objetivo não se resume a fornecer in-
formações sobre os diversos livros da Bíblia - ...
14 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
escreviam (exceto quando escreviam cartas, não havendo nenhum livro
desse gênero no A...
PREFÁCIO 15
livros de Salmos e Provérbios tenham sido os mais difíceis de encaixar
nesse padrão; mas mesmo nesses casos, t...
16 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
Em segundo lugar, os autores se situam abertamente na tradição
evangélica da igreja. ...
A história bíblica:
um panorama
Qyando os autores eram meninos, recebendo a criação típica de um
lar cristão, uma das mane...
18 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
de orientações, e ela de fato contém muitas proposições verdadeiras e
ordens divinas....
A HISTÓRIA BÍBLICA: UM PANORAMA 19
QUEDA
O segundo capítulo na história bíblica é longo e trágico. Começa em
Gênesis 3, e ...
20 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
Na verdade, se ele está escondido, diz Paulo, é porque nós tínhamos
nos tornado escra...
A HISTÓRIA BÍBLICA: UM PANORAMA 21
REDENÇÃO
A Bíblia também nos diz que o santo e justo Deus, cuja perfeição
moral se infl...
22 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
Mas a história nos conta que eles se rebelaram repetidas vezes, e
viram esse presente...
A HISTÓRIA BÍBLICA: UM PANORAMA 23
Aqui está a essência da história: um Deus amoroso e redentor, na
sua encarnação, restau...
24 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
movimento, assim lemos, por meio da encarnação, morte e ressurrei-
ção de Jesus Crist...
A narrativa de Israel
na história bíblica
(Inclusive a Lei)
Precisamos, primeiro, observar que a ordem dos livros do Antig...
26 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
profunda e essencial, o todo de que são parte. A Bíblia começa, por-
tanto, com uma s...
A NARRATIVA DE ISRAEL NA HISTÓRIA BÍBLICA (INCLUSIVE A LEI) 27
(incluindo Rute), somos preparados para o grande momento se...
28 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
eles no tabernáculo e no templo, como uma dádiva da sua presença
renovada na terra (p...
Gênesis
INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE GÊNESIS
• Conteúdo: a história da Criação, da desobediência humana e suas
trágicas conse...
30 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
- enquanto, ao mesmo tempo, dá início ao Pentateuco, a história da
escolha de um povo...
GÊNESIS 31
subtramas, por outro, cooperam para moldar a história de família mais
ampla, que é a história do povo de Deus.
...
32 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
crucial aqui é "descendêncià' (semente), retomado em 12.7 em relação
ao povo escolhid...
GÊNESIS 33
José (caps. 37-50). Ele aparece pela primeira vez no capítulo 38, em
que suas fraquezas e sua pecaminosidade sã...
34
Dia 4 (1.14-19)
Dia 5 (1.20-23)
Dia 6 (1.24-31)
Dia 7 (2.2,3)
COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
Sol, lua, estrelas
Céu ...
GÊNESIS 35
nota esperançosa, por outro lado, de que "nesse tempo [...] os homens
começaram a invocar o nome do SENHOR" (4....
36 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
"Egito") e Canaã (10.13-20) recebem destaque especial. A história de
Babel conclui es...
GÊNESIS 37
naquela terra. As narrativas dos capítulos 15-16, emendadas uma
na outra, retornam ao tema da descendência prom...
38 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
especial nas cartas de Paulo). Assim, a resposta regular de Abraão a
Deus é de adoraç...
GÊNESIS 39
D 36.1-37.1 O relato de Esaú
Os edomitas, a linhagem de Esaú, tornam-se uma grande nação, como
prometido, mas t...
40 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
juramento: "Certamente Deus vos visitará, e fareis transportar daqui
os meus ossos" (...
A
Exodo
INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE ÊXODO
• Conteúdo: a libertação de Israel do jugo egípcio, sua constituição
como povo por...
42 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
(caps. 32-34), a que se segue (caps. 35-40) uma repetição dos capí-
tulos 25-31, que ...
ÊXODO 43
leis que tratam, em geral, dos relacionamentos entre o povo - e as
instruções quanto ao tabernáculo (caps. 25-31)...
44 COMO lER A BÍBliA liVRO POR liVRO
primogênito, que deve ser libertado "para que me cultue" (Êx 4.22,23).
Qyanto a isso,...
ÊXODO 45
Em terceiro lugar, há a entrega da Lei, com seu elemento central,
os Dez Mandamentos (cap. 20), a que se segue o ...
46 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
UMA CAMINHADA POR ÊXODO
D 1.1-2.25 O contexto: desenvolvimento e opressão
de Israel n...
ÊXODO 47
A segunda parte (12.1-30) entretece de forma cuidadosa a institui-
ção da Páscoa na narrativa da décima praga. A ...
48 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
causas do povo (cap. 18), prenuncia não apenas a organização pos-
terior das tribos, ...
ÊXODO 49
será o lugar da presença de Deus entre eles. Isso não apenas é dito de
maneira expressa (25.8,22; cf. Lv 16.2), m...
50 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
cf. 2Co 3)- prenuncia a glória que descerá sobre o tabernáculo quan-
do sua construçã...
Levítico
INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE LEVÍTICO
• Conteúdo: várias leis tratando da santidade diante de Deus e do
amor ao próx...
52 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO
talvez você queira consultar um bom comentário; p. ex., Gordon J.
Wenham, 1he Book of...
LEVÍTICO 53
e maldições da aliança (cap. 26) que fornecem uma conclusão formal
à estrutura da aliança que começa em Êxodo ...
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Ler a Bíblia não precisa ser uma jornada sem rumo através de um território estranho e desnorteante. Como um experiente guia turístico, Como ler a Bíblia livro por livro pega você pela mão e o conduz ao longo das Escrituras. Para cada livro da Bíblia, os autores começam com um retrato instantâneo, depois abrem o foco para ajudar você a entender melhor os elementos-chave do livro e perceber como ele se encaixa na narrativa maior da Bíblia.
Este livro pode ser usado em conjunto com a outra obra dos mesmos autores, Entendes o que lês? Também pode ser usado de maneira independente como um guia confiável para ajudar você na leitura e compreensão da Bíblia.

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  1. 1. Gordon Fee e Douglas Stuart Autores do best-seller Entendes o que lês?
  2. 2. Como ler a ~ . 1 1a livro por livro
  3. 3. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmata Brasileira do Livro, SP, Brasil) Fee, Gordon O. Como ler a Bíblia livro por livro: um guia de estudo panorâmico da Bíblia I Gordon O. Fee e Douglas Stuart; tradução Thomas Neufeld de Lima e Daniel Hubert Kroker.- Sáo Paulo: Vida Nova, 2013. Título original: How to read the Bible book by book ISBN 978-85-275-0527-7 1. Bíblia - Crítica e interpretação 2. Bíblia - Leitura I. Stuart, Douglas. 11. Título. 12-14970 Índice pata catálogo sistemático: 1. Bíblia : Leitura 220.6 CDD-220.6
  4. 4. Como ler a I' • 1 1a livro por livro Um guia de estudo panorâmico da Bíblia Gordon Fee e Douglas Stuart Autores do best-seller Entendes o que Lês7 Thomas Neufeld de Lima (capítulos referentes ao AT) Daniel Hubert Kroker (capítulos referentes ao NT) 011VlDANOVA
  5. 5. Copyright ©2002, Gordon D. Fee e Douglas Stuart Título original: How to read the Bible book by book Originalmente publicado e traduzido, com permissão, a partir da primeira edição publicada pela ZoNDERVAN, GRAND RAPIDS, MICHIGAN, 49530 EUA 1.' edição: 2013 Publicado no Brasü com a devida autorização e com todos os direitos reservados por SociEDADE RELIGIOSA EDIÇÕES VmA NovA, Caixa Postal21266, São Paulo, SP, 04602-970 www.vidanova.com.br Ividanova@vidanova.com.br Proibida a reprodução por quaisquer meios (mecânicos, eletrônicos, xerográficos, fotográficos, gravação, estocagem em banco de dados etc.), a não ser em citações breves com indicação de fonte. ISBN 978-85-275-0527-7 Impresso no Brasil/ Printed in Brazil SUPERVISÃO EDITORIAL Marisa K. A. de Siqueira Lopes CooRDENAÇÃO EDITORIAL E REvisÃo Valdemar Kroker CooRDENAÇÃO DE PRODUÇÃO Sérgio Siqueira Moura REVISÃO DE PROVAS Mauro Nogueira DIAGRAMAÇÃO Luciana Di lorio CAPA Wesley Mendonça Todas as citações bíblicas, salvo indicação contrária, foram extraídas da versão Almeida Século 21, publicada com todos os direitos reservados por Edições Vida Nova.
  6. 6. Para Walker, Maia e Emma ]oshua,]ulia, Cherisa, Nathan e Benjamin Zachary e]ackson Maricel eAnnalise e Mariwether e Honour eMcaela para quepossam aprender a ler bem a história e amar aquele de cuja história se trata (S/71.14-18; S/103.17)
  7. 7. Sumário Apresentação o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o 9 Abreviações o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o o 11 Prefácio o o . . . . . . 0 . . . . o . . . . . . . . o . . o . . . . . . o o . . o . . . . . . o o . . o o . . o o . . o . . . . o . . o . . o o . . . . o . . . . o . . . . . . . . o . . . . o 12 A história bíblica: um panorama ........................................................ 17 A NARRATIVA DE ISRAEL NA HISTÓRIA BÍBLICA (INCLUSIVE A LEI) Gênesis ........o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29 Rute...................................... 92 Êxodo ................................... 41 1 e 2Samuel .......................... 97 Levítico ................................ 51 1 e 2Reis ............................. 108 Números ............................... 58 Deuteronômio ...................... 66 1 e 2Crônicas...................... 117 Josué 0 • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • 75 Esdras-Neemias.................. 127 Juízes .................................... 83 Ester ................................... 134 OS ESCRITOS DE ISRAEL NA HISTÓRIA BÍBLICA Jó ........................................ 144 Eclesiastes........................... 182 Salmos ................................ 155 Cântico dos Cânticos.......... 191 Provérbios........................... 171 Lamentações....................... 197
  8. 8. 8 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO OS PROFETAS DE ISRAEL NA HISTÓRIA BÍBLICA Isaías ................................... 206 Jonas ................................... 273 Jeremias .............................. 220 Miqueias ............................. 278 Ezequiel.............................. 231 Naum.................................. 284 Daniel................................. 241 Habacuque.......................... 289 Oseias ................................. 249 Sofonias .............................. 294 Joel...................................... 256 Ageu ................................... 299 Amós .................................. 262 Zacarias .............................. 303 Obadias .............................. 270 Malaquias ........................... 310 OS EVANGELHOS E ATOS NA HISTÓRIA BÍBLICA Mateus................................ 318 Atos .................................... 349 Marcos................................ 328 João..................................... 358 Lucas .................................. 338 AS CARTAS E APOCALIPSE NA NARRATIVA BÍBLICA Romanos............................. 374 Tito .................................... 453 !Coríntios .......................... 383 Filemom ............................. 458 2Coríntios .......................... 393 Hebreus .............................. 462 Gálatas................................ 401 Tiago .................................. 471 Efésios ................................ 409 1Pedro ................................ 477 Filipenses............................ 416 2Pedro ................................ 483 Colossenses......................... 423 1João................................... 488 1Tessalonicenses ................. 430 2João................................... 495 2Tessalonicenses ................. 436 3João................................... 498 !Timóteo............................ 441 Judas ................................... 502 2Timóteo............................ 448 Apocalipse .......................... 506 Glossário......................................................................................... 519 Apêndice: Lista cronológica dos livros bíblicos ................................... 526
  9. 9. Apresentação CRUZANDO MUNDOS Cresci numa parte da cidade onde as crianças brincavam em segu- rança. Depois de uma manhã na escóla e do breve descanso no início da tarde, a alegria ruidosa tomava conta de nossa vizinhança: eram as crianças que saíam para algumas horas de divertimento até a hora do jantar, quando todos nos recolhíamos e o silêncio voltava a reinar. Naquele tempo, nosso único temor era "cruzar de mundos"; era as- sim que nos referíamos ao desafio diário de atravessar as ruas de nosso bairro, pois nossa escola ficava "do outro lado". Lembro-me de como nos organizávamos em pequenos grupos em torno de um adulto que nos ajudava a superar aquele desafio. Ir à escola em grupo era também motivo de festa e mais uma oportunidade para brincar, mas "cruzar mundos" era algo perigoso. Às vezes, por alguma razão, perdíamos o horário e não conseguíamos ir com o grupo; nesse caso sempre esperá- vamos um adulto que nos tomasse pelas mãos e nos ajudasse a superar o grande desafio. Com o passar do tempo apareceram os guardas es- colares e tornaram nossa vida muito mais fácil. Lembrei-me dessa experiência da infância quando pela primeira vez tomei este livro em minhas mãos. A possibilidade de ser guiado por mãos seguras neste "cruzar de mundos", no caso o mundo bíblico, de ser guiado livro por livro das Escrituras, com orientações que me auxiliariam na leitura e na compreensão do texto, me deixou cheio de entusiasmo para uma nova leitura panorâmica de toda a Bíblia. À medida que fui aprendendo a usá-lo como auxílio em minha leitura
  10. 10. 10 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO bíblica, meu ânimo foi crescendo de tal forma que este livro passou a ocupar um lugar especial em minha estante, o lugar dos livros que não podiam ser emprestados. Afinal eu só tinha um exemplar! Ele se tornou uma obra de reserva exclusiva. Em tom de brincadeira, eu dizia aos meus amigos: "Para ter acesso a este livro, só visitando minha casa, para consultá-lo em minha presença"! Fiquei muito feliz quando sou- be que esse tesouro estava sendo traduzido para o português. Posso assegurar a você que sua leitura bíblica nunca mais será a mesma depois que você passar a fazer uso desta ajuda idônea para "cruzar mundos". Tive o privilégio de conhecer um de seus autores e de vê-lo expor a Bíblia com reverência, profundidade e paixão. Você encontrará essas mesmas características no texto que agora tem em suas mãos e não me surpreenderei se este livro acabar fazendo parte de sua reserva exclusiva. Espero que desfrute muito deste recurso e que possa, como eu fazia na infância, "cruzar mundos" de forma alegre e confiante. Meu desejo é que sua leitura das Escrituras Sagradas ganhe novo ânimo com este guia panorâmico, de forma que você se torne apto e plenamente pre- parado para toda boa obra! Um grande abraço deste seu companheiro de leitura Ziel Machado Pastor da Igreja Metodista Livre Nikkei em São Paulo e diretor acadêmico do Seminário Servo de Cristo.
  11. 11. Abreviações ANTIGO TESTAMENTO Gn Gênesis Ec Eclesiastes Êx Êxodo Ct Cântico dos Cânticos Lv Levítico Is Isaías Nm Números ]r Jeremias Dt Deuteronômio Lm Lamentações Js ]osué Ez Ezequiel ]z Juízes Dn Daniel Rt Rute Os O seias lSm lSamuel Jl Joel 2Sm 2Samuel Am Amós lRs lReis Ob Obadias 2Rs 2Reis Jn Jonas lCr lCrõnicas Mq Miqueias 2Cr 2Crõnicas Na Naum Ed Esdras H c Habacuque Ne Neemias Sf Sofonias Et Ester Ag Ageu Jó Jó Zc Zacarias SI Salmos Ml Malaquias Pv Provérbios NOVO TESTAMENTO Mt Mateus lTm !Timóteo Me Marcos 2Tm 2Timóteo Lc Lucas Tt Tito ]o João Fm Filemom At Atos Hb H ebreus Rm Romanos Tg Tiago lCo !Coríntios lPe lPedro 2Co 2Coríntios 2Pe 2Pedro GI Gálatas l]o !João Ef Efésios 2]o 2João Fp Filipenses 3Jo 3João C! Colossenses Jd Judas lTs 1Tessalonicenses Ap Apocalipse 2Ts 2Tessalonicenses a.C. antes de Cristo lit. literalmente AT Antigo Testamento NT Novo Testamento c. circa, aproximadamente p. página/páginas cf. conftr, conferir, comparar par. paralelos (paralelos textuais) cap./caps. capítulo/capítulos p. ex. por exemplo d.C. depois de Cristo s./ss. e ois seguinte/s esp. especialmente v. ver, versículo/versículos etc. et cetera, e o restante v. esp. ver especialmente i.e. id est, isto é X número de vezes que ocorre uma forma
  12. 12. Prefácio Este livro pretende acompanhar o volume Entendes o que lês? Aquele livro visa ajudar as pessoas a se tornarem melhores leitores da Bíblia, auxiliando-as a identificar os gêneros literários diversos que formam as Escrituras cristãs. Pela compreensão de como "funcionam" esses diver- sos gêneros, como eles diferem entre si e como, finalmente, suscitam vários tipos de questões hermenêuticas, buscamos, com aquele livro, ajudar as pessoas a ler a Bíblia de uma forma mais bem informada. O êxito do primeiro livro nos deu a coragem para realizar este novo volume. Nosso objetivo continua sendo o mesmo: ajudar as pessoas a se tornarem melhores leitores da Bíblia. Pretendemos, neste livro, ir um passo além do anterior: tomando por base os princípios do primeiro, queremos ajudar você a ler - e a compreender - cada um dos livros bíblicos em si, mas, particularmente, queremos ajudar você, leitor, a perceber a maneira especial pela qual, juntos, os livros cooperam para formar a grande narrativa da Bíblia. Mas este livro teve uma evolução própria. Há alguns anos, fomos solicitados a escrever um livro-texto de visão panorâmica da Bíblia, do tipo que muitos estudantes puderam conhecer ao longo dos anos. Por muitas razões, mas principalmente porque nunca conseguimos nos empenhar de coração nesse livro, o projeto simplesmente não decolou. Sem dúvida, continuamos esperando que este livro sirva aos propósi- tos dos cursos que pretendem passar uma visão panorâmica da Bíblia, mas buscamos, de forma intencional, escrever algo diferente que vá além. Essas diferenças, como nós as entendemos, são várias.
  13. 13. PREFÁCIO 13 Em primeiro lugar, nosso objetivo não se resume a fornecer in- formações sobre os diversos livros da Bíblia - o tipo de informações que ajuda as pessoas a passar em provas de conhecimento bíblico sem jamais terem lido a Bíblia! Esses livros e exames costumam abordar um grande número de dados, mas frequentemente fazem pouco no sentido de elucidar como os diversos livros da Bíblia funcionam como entidades individuais, ou como partes que, juntas, formam a história de Deus. Nosso interesse, nesta obra, é quase exclusivamente pela se- gunda abordagem. De todo modo, o objetivo é fazer de você um leitor melhor da Bíblia; se você começar a aprender algumas outras coisas sobre cada livro ao longo dessa caminhada, tanto melhor. Em segundo lugar, queremos mostrar como cada entidade em par- ticular- cada um dos livros bíblicos -integra o todo, à sua maneira, para contar a história de Deus. Essa é uma das preocupações funda- mentais do livro, e por isso ele contém uma introdução com uma breve visão panorâmica da história bíblica - aquilo que os estudiosos das narrativas chamam de metanarrativa da Bíblia. Esse é o quadro geral, a história principal, da qual todas as outras histórias são uma parte, cooperando para dar forma ao todo. Em terceiro lugar, na nossa abordagem dos diversos livros bíbli- cos, um por um, seguimos em geral um formato que isola as questões de introdução no início do capítulo sob o título "Informações básicas sobre...". Essas questões (de autoria, data, destinatários, ocasião e se- melhantes) costumam formar a maior parte das obras que visam a dar um panorama da Bíblia. Para essas questões (às vezes importantes) há diversas sínteses, introduções e dicionários bíblicos, tanto para o Antigo quanto para o Novo Testamento, que você pode consultar. Mas essas questões são frequentemente discutíveis, e debatê-las - o que pode consumir bastante espaço - nem sempre tem uma relevância imediata para a leitura do texto bíblico no seu contexto mais amplo. Limitamo-nos, portanto, a oferecer algumas opções possíveis, fazer referência ao ponto de vista tradicional ou decidir por alguma opção específica a ser adotada por este guia. Mas é preciso fazer mais uma observação sobre a questão da auto- ria, especialmente no caso dos livros do Antigo Testamento, porque os autores daquele período não costumavam incluir seu nome no que
  14. 14. 14 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO escreviam (exceto quando escreviam cartas, não havendo nenhum livro desse gênero no Antigo Testamento). Qyando os indivíduos se refe- rem a si próprios num dado livro (p. ex., Moisés, Neemias, Qghelet ["Mestre"/"agregador" em Eclesiastes]), podemos aprender algo sobre sua autoria que de outra forma provavelmente não teríamos como saber. Mas, em grande parte, não havia no Israel antigo o mesmo interesse que existe hoje por data e autoria, o que a ausência dessas informações na maioria desses livros deixa evidente. Muitos dos livros do Antigo Testamento (p. ex., quase todos os livros históricos e poéticos) são com- pletamente anônimos. E mesmo que a fonte do conteúdo de alguns de- les seja citada- na forma de título editorial no início-, e muitas vezes seja possível deduzir uma correspondência entre fonte e autor, a preocu- pação quanto à identidade do verdadeiro autor não é algo proeminen- te no próprio livro. Qyanto à data, somente quatro livros - Ezequiel, Daniel, Zacarias e Ageu- datam alguma parte do seu material, e den- tre esses, somente Ageu o faz de forma consistente. Por isso, optamos por minimizar a importância da autoria neste guia de leitura, omitindo a questão inteiramente quando o próprio livro bíblico é anônimo (não se pode ficar dizendo "autor desconhecido" o tempo todo!). O nosso interesse está em você ler o documento bíblico e a sua forma canônica final, não no debate das questões de data, fontes e autoria. Concentramos a maior parte da nossa energia, portanto, em três grandes seções de cada capítulo. A primeira, "Visão geral de...", bus- ca apresentar o livro dando uma noção do seu tema como um todo. De certa forma, trata-se de um breve desenvolvimento da(s) frase(s) do "Conteúdo" da seção "Informações básicas sobre...". A segunda, "Orientações para a leitura de...", tende a desenvolver as "Ênfases" da seção "Informações básicas sobre...". Aqui apresentamos uma manei- ra de ler o texto, alguns temas-chave para manter em mente durante a leitura, ou algum material crucial de antecedentes - tudo com o pro- pósito de ajudar você quando estiver lendo o texto por conta própria. A seção final, "Uma Caminhada por...", toma o leitor pela mão, por as- sim dizer, e o conduz através do livro, mostrando como as suas diversas partes interagem para formar o todo. Às vezes, isso assume a forma de um esboço; outras, por uma tentativa deliberada de manter breves os capítulos, você caminhará a passos de gigante. É compreensível que os
  15. 15. PREFÁCIO 15 livros de Salmos e Provérbios tenham sido os mais difíceis de encaixar nesse padrão; mas mesmo nesses casos, tentamos ajudá-lo a ver como foi reunida a coletânea em que cada livro consiste. Acima de tudo, tentamos escrever um livro que trata dos livros da Bíblia, mas que não deve substituir a leitura da própria Bíblia. Espera- mos, antes, que ao ajudá-lo a elucidar o sentido dos livros bíblicos, este livro gere em você um desejo renovado de lê-los. TOME NOTA: A chave para usar este livro é você ler as primei- ras três seções de cada capítulo ("Informações básicas", "Visão geral" e "Orientações para a leitura"), e então ler o texto bíblico em conjunto com a seção intitulada "Uma Caminhada por...". Se você ler apenas "Uma Caminhada por", isso servirá somente para acumular mais dados. O nosso objetivo é que, primeiramente, você possa contar com alguns da- dos preliminares importantes, e então queremos de fato caminhar com você pela leitura do livro bíblico. Isso sem dúvida será muito mais difícil no caso dos livros mais extensos, assim como foi difícil para nós conden- sar tanto material dentro dos parâmetros estreitos que estabelecemos. Mas mesmo nesses casos, enquanto você estiver lendo durante um pe- ríodo mais longo, esperamos que você encontre neste material um guia útil. Apresentamos um glossário para aqueles que precisam de condução através do emaranhado de termos técnicos que os estudiosos da Bíblia tendem a usar sem maiores explicações (v. p. 519).Também fornecemos uma lista cronológica sugerida dos livros para aqueles que quiserem lê- -los nessa ordem (v. o apêndice ao final do livro, p. 526). Tentamos escrever de tal maneira que você consiga seguir o que se está dizendo, não importa a versão da Bíblia que esteja usando, con- tanto que se trate de uma versão contemporânea (cf. cap. 2 de Entendes o que lês?). [Nesta edição do livro em português, empregamos a Versão Almeida Século 21, A2r.] Algumas palavras sobre nossas pressuposições. Em primeiro lugar, embora não presumamos que o leitor tenha lido Entendes o que lês?, re- ferimo-nos, vez ou outra, a esse livro (os números das páginas sempre se referem à 3a edição revisada e ampliada, 2011), para não precisar repetir algumas pressuposições daquele livro (p. ex., as fontes dos Evangelhos). No caso de Atos e Apocalipse, que receberam capítulos individuais em Entendes o que lês?, o material é reformulado para este livro, mas o leitor ainda assim fará bem em ler aqueles capítulos também.
  16. 16. 16 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO Em segundo lugar, os autores se situam abertamente na tradição evangélica da igreja. Isso significa, entre outras coisas, que cremos que o Espírito Santo inspirou os autores (e os compiladores) bíblicos na sua tarefa- embora seja mais comum, quando falamos sobre os documen- tos, falarmos em termos do que o autor humano (inspirado) está fazendo. Ao mesmo tempo, na maioria dos casos buscamos nos valer dos estu- dos bíblicos mais recentes- embora seja possível que qualquer estudioso que venha a consultar esta obra se pergunte se, de fato, consultamos seu último trabalho. Além da nossa própria leitura do texto, reconhecemos, com gratidão, que incorporamos aqui sugestões - e às vezes o próprio fraseado - de outros autores, tantas que não haveria como mencionar todas. Esperamos que, se algum autor reconhecer algumas das suas ideias neste livro, isso lhe traga satisfação; confiamos, também, que eles nos sejam generosos nos momentos em que preferimos trilhar nosso próprio caminho em vez de nos fiar no trabalho de outros estudiosos. Os autores também fazem os seguintes reconhecimentos com grande gratidão: ao Regent College, cuja generosa política de perío- dos sabáticos tornou possível que o professor Fee trabalhasse no livro durante o semestre da primavera de 1998 e o do inverno de 2001; a colegas e amigos que leram capítulos escolhidos e contribuíram com valiosos comentários: lain Provan, V. Philips Long, Rikk Watts,John Stek, Bruce Waltke e Wendy Wilcox Glidden. A esposa do profes- sor Fee, Maudine, demonstrou grande interesse por este projeto e leu cada palavra, contribuindo com sugestões importantes que aprimora- ram em muito o nosso trabalho. E, durante o mês de março de 2001, enquanto o professor Fee se recuperava de uma cirurgia, ela se uniu a ele na leitura do manuscrito todo e da Bíblia toda em voz alta- o que resultou em inúmeras alterações no livro, já que os ouvidos, às vezes, ouvem melhor do que veem os olhos. Não podemos enfatizar o bastante o valor da leitura bíblica em voz alta! Dedicamos o livro Entendes o que lês? a nossos pais, três dos quais já partiram para estar com o Senhor. Estamos dedicando este presente empreendimento a nossos netos- que, por ocasião desta composição, já contam doze da parte dos Fee, os mais velhos já sendo adolescentes, e três da parte dos Stuart. Assim, em certa medida, este livro é a nossa própria reflexão sobre Salmos 71.14-18.
  17. 17. A história bíblica: um panorama Qyando os autores eram meninos, recebendo a criação típica de um lar cristão, uma das maneiras em que nós - e nossos amigos - rece- bíamos ensino bíblico era a leitura diária de um algum texto da Bíblia extraído da Caixinha de Promessas, que nunca deixava, na hora do devocional, de ser depositada sobre a mesa da cozinha. Além disso, muitos crentes da nossa geração - e de várias gerações anteriores - tinham aprendido um tipo de leitura bíblica devocional que enfatizava a leitura de apenas determinadas passagens bíblicas, nas quais se bus- cava uma "palavra para o dia". Embora a ideia por trás dessas abordagens da Bíblia fosse muito salutar (uma exposição constante às promessas seguras da Palavra de Deus), também tinha os seus pontos fracos, pois ensinava a ler textos de maneira isolada da grande história da Bíblia. O propósito e o interesse deste livro são ajudar você a ler a Bíblia como um todo, e mesmo quando esse "todo" se restringir a "livros in- teiros", é importante ter consciência do papel que o livro desempenha na história mais ampla da Bíblia (acerca desse assunto, v. Entendes o que lês?, p. 111-2). Mas para fazer isso, você precisa antes ter uma ideia do que é, afinal, essa grande história. Em primeiro lugar, sejamos claros: a Bíblia não é um mero guia divi- no, nem uma mina de proposições a serem cridas ou uma longa lista de ordens a serem cumpridas. É verdade, recebemos dela uma abundância
  18. 18. 18 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO de orientações, e ela de fato contém muitas proposições verdadeiras e ordens divinas. Mas a Bíblia é infinitamente mais do que isso. Não é por acaso que a Bíblia vem a nós principalmente por meio da narrativa - mas não uma narrativa qualquer. Aqui temos a nar- rativa mais sublime de todas - a própria história de Deus. Isto é, ela não se propõe ser apenas mais uma história da busca da humanidade por Deus. Não, essa é a história de Deus, o relato da busca dele por nós, uma história contada essencialmente em quatro capítulos: Criação, Qyeda, Redenção e Consumação. Nessa história, Deus é o protago- nista divino, Satanás é o antagonista, e o povo de Deus, os agonistas (embora muitas vezes, também, os antagonistas), em que a redenção e a reconciliação formam a resolução da trama. (V. definição de "anta- gonista" e "agonista" no glossário.) CRIAÇÃO Como essa é a história de Deus, ela não começa, como no caso de to- das as outras histórias semelhantes, com um Deus escondido, que as pessoas estão buscando e a quem Jesus, finalmente, as conduz. Ao con- trário, a narrativa bíblica começa com Deus como o Criador de tudo o que há. Ela nos conta que "no princípio Deus...": que Deus é antes de todas as coisas, que ele é a causa de todas as coisas, que ele portanto está acima de todas as coisas e que ele é o alvo de todas as coisas. Ele está na origem de todas as coisas como a causa única de todo o univer- so, em toda a sua vastidão e complexidade. E toda a Criação - toda a própria história humana - tem o Deus eterno, por meio de Cristo, como o seu propósito e consumação finais. Lemos, ainda, que a humanidade é a glória e a coroa da obra do Criador - seres feitos à imagem do próprio Deus, com quem ele poderia ter comunhão, e em quem poderia ter satisfação; seres que conheceriam o puro prazer da sua presença, amor e favor. Criada à imagem de Deus, a humanidade, dessa maneira, desfrutou de forma singular da visão de Deus, e viveu em comunhão com Deus. Mesmo assim, somos seres criados e destinados a ser dependentes do Criador no tocante à vida e existência no mundo. Essa parte da história é nar- rada em Gênesis 1-2, mas é repetida e repercute de muitas maneiras diferentes ao longo de toda a narrativa.
  19. 19. A HISTÓRIA BÍBLICA: UM PANORAMA 19 QUEDA O segundo capítulo na história bíblica é longo e trágico. Começa em Gênesis 3, e essa linha sombria da narrativa percorre toda a história bíblica, quase até o fim do último capítulo (Ap 22.11,15). Esse "capí- tulo" nos conta que o homem e a mulher desejaram e cobiçaram um estado de divindade, e que num momento terrível da história do nosso planeta, eles escolheram esse estado em vez de se contentarem com o seu estado de mera criatura, com a posição de dependência que ele implica. Eles escolheram ser independentes em relação ao seu Criador. Mas não fomos projetados para viver assim, e o resultado dessa es- colha foi uma queda - uma queda colossal. (Na verdade, essa não é uma parte muito popular da história hoje, mas essa rejeição contem- porânea faz parte da própria Qyeda, e é esse o início de todas as falsas teologias.) Feitos para desfrutar de Deus e ser dependentes dele, e para en- contrar o nosso significado basicamente na nossa própria condição de criatura, agora caímos debaixo da ira de Deus, e assim passamos a ex- perimentar as terríveis consequências da nossa rebeldia. A calamidade da nossa condição caída é tríplice. Em primeiro lugar, perdemos a nossa visão de Deus com respeito à sua natureza e caráter. Sendo nós mesmos culpados e hostis, projeta- mos essa culpa e hostilidade sobre Deus. Deus deve ser culpado: "Por que tu me fizeste assim?", "Por que tu és tão cruel?" são os lamentos queixosos que percorrem toda a história da nossa raça. Dessa forma, tornamo-nos idólatras, criando, agora, deuses à nossa própria imagem; toda e qualquer expressão grotesca da nossa condição caída foi recons- truída em algum deus. Paulo formulou isso desta forma: "Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos e substituíram a glória do Deus incorruptí- vel por imagens semelhantes ao homem corruptível, às aves, aos qua- drúpedes e aos répteis [...] pois substituíram a verdade de Deus pela mentira e adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador, que é bendito eternamente" (Rm 1.22,23,25). Ao substituirmos a verdade a respeito de Deus por uma mentira, passamos a ver Deus como alguém cheio de caprichos, contradições, hostilidade, cobiça e vingança (tudo isso sendo projeções do nosso eu caído). Mas Deus não se assemelha às nossas idolatrias grotescas.
  20. 20. 20 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO Na verdade, se ele está escondido, diz Paulo, é porque nós tínhamos nos tornado escravos do deus deste mundo, que cegou a nossa men- te, de modo que estamos sempre buscando, mas nunca conseguimos encontrá-lo (v. 2Co 4.4). Em segundo lugar, a Qyeda também nos levou a distorcer - e embaralhar - a imagem divina em nós mesmos, rolando-a na lama, por assim dizer. Em vez de sermos amorosos, generosos, altruístas, atenciosos, misericordiosos - como Deus é -, nós nos tornamos avarentos, egoístas, desamorosos, rancorosos, odiosos. Criados para refletir e, assim, representar Deus em tudo o que somos e fazemos, aprendemos, em vez disso, a levar a imagem do Maligno, o inimigo implacável de Deus. A terceira consequência da Qyeda foi a nossa perda da presença divina, e, com isso, do nosso relacionamento - nossa comunhão - com Deus. No lugar da comunhão com o Criador, tendo nós um pro- pósito na criação dele, nós nos tornamos rebeldes, ficamos perdidos e jogados à deriva, criaturas que violaram as leis de Deus, abusaram da sua criação e sofreram as terríveis consequências da condição caída na nossa destruição, alienação, solidão e sofrimento. Debaixo da tirania do nosso pecado - na verdade, somos escravos dele, diz Paulo, e somos culpados-, descobrimos que não estamos dispostos, e nem somos capazes, de voltar ao Deus vivo na busca de vida e restauração. Além disso, passamos adiante a nossa condição destruída sob a forma de todo tipo de relacionamentos destruídos en- tre nós (isso é ressaltado em letras garrafais em Gênesis 4-11). A Bíblia nos diz que estamos caídos, que há uma distância tremen- da entre nós e Deus, e que somos como ovelhas que estão se perdendo (Is 53.6; lPe 2.25), ou como um filho rebelde e sabe-tudo, que vive numa terra distante entre os porcos, querendo comer a comida deles (Lc 15.11-32). Nos nossos momentos de maior lucidez, sabemos que essa é a verdade, uma verdade que não se aplica apenas ao assassino, ao estuprador ou àquele que abusa de crianças, mas que também se aplica a nós- egoístas, avarentos e orgulhosos. Não admira que as pessoas vejam Deus como nosso inimigo; nos nossos momentos de maior lu- cidez, sabemos que merecemos a sua ira pelo tipo de pessoas repulsivas que na verdade somos.
  21. 21. A HISTÓRIA BÍBLICA: UM PANORAMA 21 REDENÇÃO A Bíblia também nos diz que o santo e justo Deus, cuja perfeição moral se inflama contra o pecado e a rebeldia das criaturas, é, ao mes- mo tempo, um Deus cheio de misericórdia e amor - e de fidelidade. A realidade é que Deus amou e se compadeceu dessas criaturas cuja rebeldia e rejeição da sua condição de dependência as levaram a uma queda tão vil, e portanto a experimentar a dor, a culpa e a alienação em que consiste sua condição de pecado. Mas como nos alcançar, como nos resgatar de nós mesmos, com todas as nossas percepções erradas de Deus, e com o desespero da nos- sa trágica condição caída? Como nos levar a ver que Deus é por nós, e não contra nós (cf. Rm 8.31)? Como levar o rebelde não só a erguer a bandeira branca da rendição, mas a espontaneamente mudar de lado e, assim, descobrir novamente a alegria e o sentido da vida? É disso que trata o capítulo 3 da história. E esse é o capítulo mais longo, um capítulo que conta como Deus se propôs redimir e restaurar essas suas criaturas caídas, para que ele pudesse restaurar em nós a visão perdida de Deus, renovar em nós a imagem divina e restabelecer o nosso relacionamento com ele. Mas também, entremeado em todo esse capítulo, está o outro tema - o tema da nossa resistência constante. Lemos, assim, que Deus veio a um homem, Abraão, e fez com ele uma aliança- para abençoá-lo e, por meio dele, abençoar as na- ções (Gn 12-50) - e com sua descendência, Israel, que havia se tornado um povo escravo (Êxodo). Por meio do primeiro dos seus profetas, Moisés, Deus (agora conhecido pelo seu nome Yahweh-Javé) os libertou da sua escravidão e fez uma aliança com eles no monte Sinai - segundo a qual ele, que os tinha libertado, seria o seu Sal- vador e Protetor para sempre, que estaria singularmente presente en- tre eles, ao contrário de todos os demais povos do mundo. Mas eles também teriam de manter essa aliança com ele, ao permitirem ser forjados à semelhança dele. Assim, ele lhes deu a Lei como seu pre- sente, tanto para lhes revelar como ele era, quanto para protegê-los uns dos outros durante esse processo de se tornarem semelhantes a ele (Levítico-Números-Deuteronômio).
  22. 22. 22 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO Mas a história nos conta que eles se rebelaram repetidas vezes, e viram esse presente da Lei como uma maneira de privá-los da sua liberdade. Como pastores que estavam sendo levados para uma terra agrícola (Josué), eles não tinham certeza de que o seu Deus- um Deus de pastores, como eles supunham - também lhes daria pros- peridade nas colheitas, voltando-se, portanto, aos deuses da fertilidade agrícola (Baal e Astarote) dos povos que viviam à volta deles. Dessa forma, passaram por vários ciclos de opressão e livramento (Juízes), mesmo que, em meio a tudo isso, algumas pessoas de fato tenham se revestido do caráter de Deus (Rute). Finalmente, Deus lhes enviou mais um grande profeta (Samuel), que ungiu para eles o rei ideal (Davi), com quem Deus fez uma nova aliança, especifi- cando que um de seus descendentes reinaria sobre o seu povo para sempre (1-2Samuel). Mas, infelizmente, o caldo entorna de novo (1-2Reis; 1-2Crônicas), e Deus, em seu amor, novamente lhes envia profetas (Isaías-Malaquias), cantores (Salmos) e sábios (Jó; Provérbios; Eclesiastes). No fim, a infidelidade constante do povo acaba sendo demais, e Deus o julga com as maldições prometidas em Levítico 26 e Deuteronômio 28. Mas mesmo aqui (v. Dt 30) há uma promessa para o futuro (v., p. ex., Is 40-55; Jr 30-32; Ez 36-37), segundo a qual viria um novo "filho de Davi" e um derramamento do Espírito de Deus no coração do seu povo, de forma que eles seriam vivificados e transformados à semelhança de Deus. Essa bênção final também incluiria pessoas de todas as nações ("os gentios"). Finalmente, imediatamente antes da última cena, com seu final e epílogo, lemos sobre o maior evento de todos - o fato de que o gran- de e último "filho de Davi" não é ninguém menos que o próprio Deus, o Criador de toda a grandeza e majestade do universo, que entrou no palco humano, como um de nós e à nossa semelhança. Nascido como filho de uma moça camponesa, no aprisco de um povo oprimido,Jesus, o filho de Deus, viveu e ensinou entre eles. E finalmente, com uma morte horrível, seguida de uma ressurreição que derrotou a morte, ele lutou com os "deuses"- todos os poderes que nos foram hostis - e os venceu, ele próprio carregando todo o peso da culpa e da punição pela rebelião das criaturas.
  23. 23. A HISTÓRIA BÍBLICA: UM PANORAMA 23 Aqui está a essência da história: um Deus amoroso e redentor, na sua encarnação, restaurou a nossa visão perdida de Deus (tirou a venda dos nossos olhos, por assim dizer, para que pudéssemos ver claramente o que Deus é de fato), e pela sua crucificação e ressurreição tornou possível a nossa restauração à imagem de Deus (v. Rm 8.29; 2Co 3.18), e por meio da dádiva do Espírito se tornou presente conosco em uma comunhão constante. Essa é uma revelação, uma redenção, maravilho- sa, quase inacreditável. O aspecto extraordinário da história bíblica está no que ela nos con- ta sobre o próprio Deus: um Deus que se sacrifica a si próprio na morte por amor pelos seus inimigos; um Deus que prefere sofrer a morte que nós merecemos a ficar afastado das pessoas que criou para a sua satis- fação; um Deus que assumiu ele próprio a nossa semelhança, experi- mentou a nossa condição de criatura e carregou os nossos pecados, para que dessa forma pudesse prover perdão e reconciliação; um Deus que não nos abandonaria, mas nos perseguiria - a todos nós, mesmo os piores entre nós- para poder nos restaurar à comunhão alegre com ele próprio; um Deus que, em Cristo Jesus, de tal forma se identificou para sempre com suas criaturas amadas que veio a ser conhecido e louvado como "o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo" (1Pe 1.3). Essa é a história de Deus, a história do seu amor e graça, da sua mi- sericórdia e perdão insondáveis - e é assim que ela também veio a se tornar a nossa história. Essa história nos conta que nós não merecemos nada, e no entanto recebemos tudo; que merecemos o inferno, mas re- cebemos o céu; que merecemos ser eliminados, apagados da memória, mas recebemos o seu abraço carinhoso; que merecemos a rejeição e o juízo, mas recebemos, de presente, a filiação divina, para levarmos em nós a sua semelhança, para podermos chamá-lo de Pai. Essa é a his- tória da Bíblia, a história de Deus, e que ao mesmo tempo é, também, a nossa história. Na verdade, ele permitiu, inclusive, que suas criaturas humanas tivessem uma parte na sua composição! CONSUMAÇÃO Como a história ainda não terminou, o último capítulo ainda está sendo escrito - mesmo que saibamos, com base no que foi escrito até aqui, como será o fim do último capítulo. O que Deus já pôs em
  24. 24. 24 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO movimento, assim lemos, por meio da encarnação, morte e ressurrei- ção de Jesus Cristo, e pela dádiva do Espírito Santo, será finalmente consumado de forma plena. Assim, o que torna essa história tão diferente de todas as outras histórias do gênero é que a nossa história está repleta de esperança. Existe um Fim- uma conclusão gloriosa para essa história presen- te. É Jesus, parado diante do túmulo do seu amigo Lázaro, dizendo a Marta, irmã de Lázaro, que ele próprio, Jesus, era a sua esperança para a vida, tanto no agora quanto no porvir: "Eu sou a ressurreição e a vida", ele lhe disse, "quem crê em mim, mesmo que morra, viverá" -porque Jesus é a própria ressurreição. E como ele é, também, a vida, ele prossegue: "e todo aquele que vive, e crê em mim, jamais morrerá" (Jo 11.25,26). E então ele foi adiante e validou o que havia dito, res- suscitando Lázaro do túmulo. O próprio Jesus se tornou a confirmação final dessas palavras com a sua própria ressurreição. Os perversos e os religiosos o mataram. Não suportavam a sua presença entre eles, porque ele se opunha a todas as suas formas mesquinhas de religião e autoridade, baseadas na própria condição caída deles - e então ele ainda teve a audácia de lhes dizer que ele era o único caminho para o Pai (v. Jo 14.6). Assim, mataram- -no. Mas como ele mesmo era a Vida - e o autor da vida para todos os outros-, o túmulo não pôde retê-lo. E sua ressurreição não só con- firmou as suas próprias reivindicações e vindicou a sua própria vida no nosso planeta, mas também ditou o começo do fim da própria morte, e se tornou uma garantia para aqueles que são seus - tanto agora quanto para sempre. É disso que trata o episódio final (o Apocalipse)- a conclusão que Deus dá à história, quando a sua justiça põe fim ao grande Antagonista e a todos os que continuam a levar a imagem dele (v. Ap 20), e quando Deus em amor restaura a Criação (Éden) como um novo céu e uma nova terra (v.Ap 21-22). Essa é, então, a metanarrativa, a grande história, de que os diversos livros da Bíblia são, cada um, uma parte. Ainda que busquemos, vez após vez, indicar a maneira como cada livro se encaixa no todo, en- quanto você os ler poderá perceber por si mesmo como eles se encai- xam nessa narrativa. Esperamos, também, que você se pergunte como você mesmo se encaixa nessa história.
  25. 25. A narrativa de Israel na história bíblica (Inclusive a Lei) Precisamos, primeiro, observar que a ordem dos livros do Antigo Testamento na Bíblia Hebraica é um pouco diferente da ordem na nossa Bíblia em português. A ordem da nossa Bíblia veio até nós por meio da tradução grega do século segundo a.C., conhecida como Septuaginta. A Bíblia Hebraica é dividida em três partes: a Lei (o Pentateuco, ou os "cinco livros de Moisés"), os Profetas (os Profetas Anteriores, incluindo os livros de Josué até Reis [menos Rute], e os Profetas Posteriores, incluindo Isaías,Jeremias, Ezequiel e o Livro dos Doze [os chamados Profetas Menores]) e os Escritos (Salmos [incluin- do Lamentações], os livros da Sabedoria [Jó, Provérbios, Eclesiastes, Cântico dos Cânticos], Daniel e os quatro livros de narrativas, Rute, Ester, Esdras-Neemias e Crônicas). Neste livro, seguiremos a ordem dos livros na Bíblia em português, exceto no caso de Lamentações, no Antigo Testamento, que se situa entre os Escritos, e de Atos, no Novo, que, com o Evangelho de Lucas, pertence mais devidamente ao conjunto das obras de Lucas. Como observamos em Entendes o que lês? (p. 29), apesar da ma- neira em que muitas pessoas tementes a Deus lidam com a Bíblia, ela não é, na verdade, uma mera coletânea de proposições a serem cridas e imperativos a serem obedecidos. Antes, a natureza essencial da Bíblia- de toda a Bíblia- é de uma narrativa, uma narrativa em que tanto as proposições quanto os imperativos integram, de maneira
  26. 26. 26 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO profunda e essencial, o todo de que são parte. A Bíblia começa, por- tanto, com uma série de livros narrativos - o que se aplica inclusive a Levítico e Deuteronômio, que podem parecer diferentes por serem compostos em grande parte de leis, mas que, na verdade, não podem ser adequadamente entendidos à parte da estrutura narrativa em que estão situados. Assim, o início da história bíblica está enraizado na longa narrativa que conta a história do povo escolhido de Deus, Israel. O primeiro dos cinco livros de Moisés (Gênesis) relata o início de todas as coi- sas (Criação e Qyeda), e então concentra o foco especialmente no chamado de Deus e na sua aliança com Abraão e sua descendência, prometendo tanto fazer deles um povo numeroso quanto lhes dar a terra de Canaã. Depois de salvar o povo da escravidão no Egito (o Êxodo), Deus tem um encontro com eles no monte Sinai, no vasto deserto do mesmo nome. Aqui ele faz uma segunda aliança com Israel, que assume uma forma de "lei", e que inclui a construção do taberná- culo (Êxodo), o lugar em que Deus habitaria entre o seu povo, e onde eles deveriam adorá-lo com ofertas e sacrifícios adequados (Levítico) como parte da forma pela qual cumpririam o seu lado da aliança. Qyando o povo se prepara para partir do Sinai e tomar o caminho da terra prometida, são contados os homens com idade a partir de vinte anos (os que serão os guerreiros de Israel), e eles são colocados em volta do tabernáculo em formação de batalha (Números). Dessa forma, eles são preparados para tomar o seu lugar na guerra santa, na qual devem conquistar a terra que Deus prometeu a seus pais - Abraão, !saque e Jacó. Antes de se lançarem nessa conquista, Moisés lhes apresenta uma recapitulação da sua história, bem como mais uma visão geral da Lei e das bênçãos e maldições (promessas e ameaças) do tipo que costuma acompanhar as antigas alianças; no caso deles, a desobediência à aliança de Deus significa o exílio, mas com a promessa de uma restauração ainda mais gloriosa na forma de um novo êxodo (Deuteronômio). Depois da história da conquista e ocupação inicial da terra (Josué), vêm histórias dos fracassos por parte do povo ao não cumprir a sua aliança com Deus, seu verdadeiro Rei (Juízes). Nesta última história
  27. 27. A NARRATIVA DE ISRAEL NA HISTÓRIA BÍBLICA (INCLUSIVE A LEI) 27 (incluindo Rute), somos preparados para o grande momento seguinte da linha principal da história: Deus governará Israel por meio de um rei terreno. Os livros de Samuel então contam a história de Davi, com quem Deus faz mais uma aliança - segundo a qual nunca faltará no trono de Israel um de seus filhos, desde que guardem a aliança com Deus. Assim como em muitas monarquias antigas, o próprio Davi era visto também como uma personificação do povo, um elemento-chave em muitos salmos e no desenrolar final da história de Jesus de Nazaré. Mas lamentavelmente a história de Israel se repete, à medida que os reis, um após o outro, conduzem Israel pelo caminho da idolatria (1-2Reis). Aliás, em apenas duas gerações o reino de Davi já está divi- dido em dois. O Reino do Norte (Israel; às vezes chamado de Efraim pelos salmistas e profetas) cai diante dos assírios em 722 a.C., e para todos os efeitos deixa de existir como entidade distinta. O Reino do Sul (Judá) cai diante dos babilônios em 586 a.C. Nesse caso, os líderes do povo levados ao Exílio na Babilônia fazem parte, então, do rema- nescente pelo qual Deus ainda executará os seus planos de redenção. O Exílio trouxe miséria e traumas incontáveis ao povo de Deus, porque os privou da sua terra prometida e do seu templo - a evi- dência principal da presença especial de Deus e do fato de eles serem seu povo. O ministério profético de Ezequiel contribuiu de maneira especial para manter a coesão entre os exilados. Muitos, ainda que nem de longe a maioria, foram finalmente levados de volta à sua terra sob os persas, e então reconstruíram o templo (Esdras 1-6; Neemias). Durante esse período de restauração geral, a história de Judá é contada de uma perspectiva mais positiva (1-2Crônicas), enquanto Ester conta a história do livramento dos exilados de Judá espalhados por todo o Império Persa, que foram, assim, salvos da aniquilação. Ao ler os livros dessa seção da Bíblia, você vai encontrar diversas linhas que mantêm unida a narrativa mais ampla: as alianças de Deus com o seu povo; afidelidade de Deus para com eles, apesar da repetida infidelidade deles para com seu Deus; a escolha que Deus faz dos mais fracos e menosfavorecidos (a sua escolha das "coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes" [1Co 1.27]); Deus liberta o seu povo da escravidão para fazer deles o seu tesouro pessoal; Deus habita entre
  28. 28. 28 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO eles no tabernáculo e no templo, como uma dádiva da sua presença renovada na terra (perdida na Qyeda); o presente divino da Lei a fim de formá-los novamente segundo a sua imagem; a provisão divina de um sistema sacrijicial- a "linha vermelha" de sangue derramado pela vida de outro- como sua maneira de oferecer perdão; a escolha divi- na de um rei de Judá que o representaria na terra, e assim prepararia o caminho para a sua própria vinda na pessoa de Jesus. Esses são os ele- mentos que fazem com que a história toda se mantenha coesa como uma única história. Fique atento para eles durante a sua leitura.
  29. 29. Gênesis INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE GÊNESIS • Conteúdo: a história da Criação, da desobediência humana e suas trágicas consequências, e da escolha, por parte de Deus, de Abraão e sua descendência - o início da história da redenção • Abrangência histórica: da Criação do mundo até a morte de José, no Egito (c. 1600 a.C.?) • Ênfases: Deus como o Criador de tudo o que existe; a criação dos seres humanos à imagem de Deus; a natureza e as consequências da desobediência humana; o início das alianças divinas; a escolha, por parte de Deus, de um povo por meio do qual ele abençoará as nações VISÃO GERAL DE GÊNESIS Para os leitores modernos, Gênesis pode parecer um livro estranho, já que começa com Deus e a Criação e conclui com José num caixão no Egito! Mas essa estranheza é prova de que, embora apresente integri- dade como livro (estrutura e organização evidentes), Gênesis tem o propósito, ao mesmo tempo, de dar início a toda a história bíblica. A primeira palavra do livro (Bereshit ="em [o] princípio"), além de lhe servir de título, sugere o seu conteúdo. Assim, ele fala do princípio da história de Deus - Criação, desobediência humana e redenção divina
  30. 30. 30 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO - enquanto, ao mesmo tempo, dá início ao Pentateuco, a história da escolha de um povo, por parte de Deus, e do estabelecimento de uma aliança com esse povo, por meio do qual ele abençoaria todos os povos (Gn 12.2,3). A narrativa de Gênesis apresenta duas partes básicas: uma "pré- -história" (caps. 1-11), que consiste nas histórias da Criação, da ori- gem dos seres humanos, da Qyeda da humanidade e do progresso implacável do mal - tudo isso tendo como fundo a paciência e o amor incansáveis de Deus -, e a história do início da redenção por meio de Abraão e sua descendência (caps.12-50), o foco estando nas histórias de Abraão (11.27-25.11), de Jacó (25.12-37.1) e de José (caps. 37-50). Essas histórias, em parte, são estruturadas em torno de uma frase que ocorre dez vezes: "Estas são as gerações [genealogias/ histórias/relatos de família] de", um termo que pode se referir tanto às "genealogias" em si (como nos casos de Sem, Ismael e Esaú) quanto às "histórias de famílias". Você perceberá que as histórias principais de Abraão, Jacó e José estão todas na história de família de seus respecti- vos pais (Terá, !saque e Jacó). A narrativa geral de Gênesis, portanto, começa imediatamente após o prólogo (1.1-2.3), com a primeira família humana no jardim do Éden, passando, a partir da família de Adão, por Noé e Sem e chegando, assim, a Terá e Abraão, e passando, finalmente, por !saque e chegando, assim, aJacó (Israel), e portanto até José. Ao mesmo tempo, também são fornecidas as linhagens familiares dos filhos rejeitados (Caim, Ismael, Esaú), destacando, assim, o contraste entre a "descen- dência eleita" e o "irmão rejeitado" (aquela tem uma história, este, só uma genealogia). Finalmente, perceba mais um recurso estrutural que dá forma à maior parte do livro: Deus usa Noé para preservar a vida humana durante o grande dilúvio (caps. 6-9), e usa José para preser- var a vida humana durante a grande seca (caps. 37-50). ORIENTAÇÕES PARA A LEITURA DE GÊNESIS À medida que você lê esse primeiro livro da Bíblia, além de saber que a narrativa se desenvolve segundo as histórias de famílias, também atente para a forma como a trama principal, por um lado, e várias
  31. 31. GÊNESIS 31 subtramas, por outro, cooperam para moldar a história de família mais ampla, que é a história do povo de Deus. A trama principal diz respeito à intervenção de Deus na história da condição caída da humanidade ao escolher ("eleger") um homem e sua família. Porque embora as famílias de Abraão, de !saque e de Jacó sejam, por assim dizer, os personagens principais, você não deve jamais esquecer que Deus é o Protagonista último - o que se aplica a todas as narrativas bíblicas. Esta é, acima de tudo, a história dele. Deus fala, e dessa forma cria o mundo e um povo. A história se torna do povo (e nossa) apenas na medida em que Deus traz essa família à existência, faz promessas a ela e realiza com ela uma aliança para ser o seu Deus. Permaneça atento, portanto, à forma como a trama principal se desenvolve, e a como os personagens primários se tornam parte da história de Deus. Ao mesmo tempo, não deixe de observar as várias tramas menores, que são cruciais para a história maior do povo de Deus no Antigo Testamento - e em alguns casos, também, para a história do povo constituído pela nova aliança. Seis dessas subtramas merecem aten- ção especial. A primeira- crucial para toda a história bíblica- é a ocorrên- cia das primeiras duas alianças entre Deus e o seu povo. A primei- ra aliança é com toda a humanidade, por meio de Noé e seus filhos, prometendo que Deus nunca mais eliminará a vida da terra (9.8-17). A segunda aliança é com Abraão, e promete duas coisas em especial - a dádiva da "semente/descendência'' que se tornará uma grande nação para abençoar as nações, e a dádiva da terra (12.2-7; 15.1-21; cf. 17.3-8, em que a aliança é ratificada pela marca identificadora da circuncisão). A segunda aliança é repetida a !saque (26.3-5) e a Jacó (28.13-15) e serve, por sua vez, como base para as duas alianças se- guintes no Antigo Testamento: a dádiva da Lei (Êx 20-24) e a dádi- va da monarquia (2Sm 7). A segunda subtrama é um pouco sutil no próprio Gênesis, mas é importante para o desenrolar posterior do tema da guerra santa (v. glos- sário) na história bíblica. Ela começa com a maldição de Deus sobre a serpente, de que Deus porá "inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência [semente] e a descendência dela" (3.14,15). O termo
  32. 32. 32 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO crucial aqui é "descendêncià' (semente), retomado em 12.7 em relação ao povo escolhido. Essa maldição prenuncia o tema da guerra santa, que é particularmente acentuado em Êxodo (a guerra sendo entre Moisés e o faraó, portanto entre Deus e os deuses do Egito; v. Êx 15.1-18), é desenvolvido na conquista e derrota de Canaã e de seus deuses (o que explica a maldição de Canaã em Gn 9.25-27) e culmina no Novo Testamento (na história de Jesus Cristo, e esp. em Apocalipse). Embora em Gênesis esse tema não assuma a forma da guerra santa propriamen- te, pode se vê-la, não obstante, especialmente no conflito entre irmãos, ou seja, entre a descendência divina e a não divina (Caim/Abel; Ismael/ !saque; Esaú/Jacó), em que o mais velho persegue o mais novo, por meio de quem Deus escolheu operar (v. Gl4.29). A escolha, por parte de Deus, do mais jovem (ou do mais fraco, ou do mais improvável) para levar adiante a descendência justa é uma ter- ceira subtrama que começa em Gênesis. Aqui, ela assume duas formas em particular que são, então, repetidas ao longo da história bíblica. Em primeiro lugar, Deus regularmente ignora o filho primogênito na execução dos seus propósitos (uma ruptura considerável, da parte de Deus, com as normas culturais então correntes): não Caim, mas Sete; não Ismael, mas !saque; não Esaú, mas Jacó; não Rúben, mas Judá. Em segundo lugar, a descendência divina frequentemente é gerada por uma mulher antes estéril (Sara, 18.11,12; Rebeca, 25.21; Raquel, 29.31). À medida que você lê a história bíblica inteira, é uma boa ideia prestar atenção nesse tema recorrente (v., p. ex., 1Sm 1.1-2.11; Lc 1). Ligado a esse tema está o fato de que os escolhidos não devem a escolha de Deus à própria bondade; aliás, os defeitos desses escolhidos são fielmente narrados (Abraão em Gn 12.10-20; !saque em 26.1-11; Jacó ao longo da sua narrativa [repare no quanto a família no capítulo 37 é disfuncional!]; Judá em 38.1-30). Deus não os escolhe em vista do caráter inerente deles; o que faz deles a descendência santa, antes, é que eles confiaram, no final, em Deus e na sua promessa de que seriam o seu povo - um povo extraordinariamente numeroso - e de que herdariam a terra à qual primeiro vieram como estrangeiros. Uma quarta subtrama vem à tona mais tarde na história, em que Judá assume o papel de líder entre os irmãos na longa narrativa de
  33. 33. GÊNESIS 33 José (caps. 37-50). Ele aparece pela primeira vez no capítulo 38, em que suas fraquezas e sua pecaminosidade são expostas. Mas seu papel principal tem início em 43.8,9, em que ele garante a segurança de seu irmão Benjamim, e atinge o clímax com sua disposição em tomar o lu- gar de Benjamim, em 44.18-34. Tudo isso prenuncia a bênção de Jacó em 49.8-12, segundo a qual o "cetro não se afastará de Judá" (apontan- do para o reino davídico e, indo além deste, para Jesus Cristo). Uma quinta subtrama é encontrada na prenunciação do "capítulo" seguinte na história - a escravidão no Egito. O interesse no Egito começa com a genealogia de Cam (10.13,14; Mizraim é o termo he- braico para "Egito"). A narrativa familiar básica (de Abraão até José) começa com uma fome que leva Abraão até o Egito (12.10-20) e con- clui com outra fome que leva Jacó e toda a sua família a se estabelecer no Egito, enquanto Isaque, na sua viagem para o Egito durante ainda outra fome, recebe a ordem expressa de não ir até lá (26.1-5). Finalmente, o interesse em detalhar as origens dos vizinhos pró- ximos de Israel, que se lhe tornam espinhos na carne ao longo da história do Antigo Testamento, forma uma sexta subtrama. Além dos personagens principais, Egito e Canaã (10.13-19), observe também, respectivamente, Moabe e Amam (19.30-38), Edom (25.23; 27.39,40; 36.1-43), e o papel menor de Ismael (39.1; cf. Sl 83.6). UMA CAMINHADA POR GÊNESIS D 1.1-2.3 Prólogo Embora seja escrito em prosa, há uma dimensão claramente poética nesse prólogo criacional. Parte da poesia está na estrutura meticulosa da primeira "semana", em que o primeiro dia corresponde ao quarto, o segundo corresponde ao quinto, e o terceiro corresponde ao sexto. Re- pare como os dois grupos de dias correspondem ao fato de a terra ser "sem forma e vazia" (1.2): os dias 1-3 dão "forma" à terra (luz, céu, terra seca), enquanto os dias 4-6 dão conteúdo a essa forma. Desse modo: Dia 1 (1.3-5) Dia 2 (1.6-8) Dia 3 (1.9-13) Luz Céu e mares Terra seca/vida vegetal
  34. 34. 34 Dia 4 (1.14-19) Dia 5 (1.20-23) Dia 6 (1.24-31) Dia 7 (2.2,3) COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO Sol, lua, estrelas Céu e animais marinhos Animais terrestres se alimentam da vida vegetal Deus descansa desse trabalho Preste atenção nas várias ênfases à medida que você lê, algumas das quais são retomadas posteriormente na história bíblica- a ênfase de que a fala de Deus traz todas as coisas à existência (cf. Sl33.6;Jo 1.1-3); de que Deus abençoou aquilo que criou, incluindo o mundo material, declarando que tudo é "bom''; de que os seres humanos, homem e mulher, são criados segundo a própria imagem de Deus, e recebem dele o domínio sobre o restante da Criação; de que Deus descansou no sétimo dia, e o separou como santo (estabelecendo, assim, o padrão de seis dias de trabalho e um de descanso; cf. Êx 20.8-11, a grande dádiva de descanso de Deus para os ex-escravos). D 2.4-4.26 O relato da origem humana Esse é o primeiro dos seis "relatos" que formam a pré-história de Gênesis 1-11. Ele se divide em três partes claramente distintas, se- guindo a atual divisão em capítulos. Começa (2.4-25) com os seres humanos sendo criados e colocados no Éden, no centro do qual estão as duas árvores (da vida; do conhecimento do bem e do mal- ambas refletindo o ser do próprio Deus); há, também, a advertência para não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, e a criação de Eva a partir da costela de Adão, com ênfase no caráter mútuo e cooperativo da relação entre os dois. Observe como, a partir desse momento, a his- tória entra em rápido declínio: a serpente os persuade à desobediência (3.1-13), a que se seguem a maldição de Deus sobre a serpente e a terra, e o seu juízo sobre a mulher e o homem (3.14-19), e, após um alívio momentâneo (3.21), a punição deles- a perda da presença de Deus (3.22-24). É importante lembrar, aqui, que o Éden é visto como restaurado na visão final de Apocalipse (Ap 22.1-5)! O declínio é consumado com a história do assassinato de Abel por seu irmão, Caim, e o consequente banimento de Caim da presença de Deus (4.1-18), concluindo com as notas irmãs da arrogância dos descendentes de Caim (4.19-24) e do nascimento de Sete, e com a
  35. 35. GÊNESIS 35 nota esperançosa, por outro lado, de que "nesse tempo [...] os homens começaram a invocar o nome do SENHOR" (4.25,26). D 5.1-6.8 O relato da linhagem familiar de Adão Essa genealogia faz um contraste com a linhagem de Caim (v. a di- ferença entre os dois Lameques no final de cada uma). Observe duas coisas importantes sobre essa genealogia: em primeiro lugar, ela co- meça (5.3) e termina (5.29) com ecos do prólogo (Sete faz paralelo com Adão; Noé trará alívio da maldição). Em segundo lugar, um dos homens dessa linhagem, Enoque (5.21-24), continua a experimentar a presença de Deus. Apesar de alguns detalhes desconcertantes, não perca de vista o sentido de 6.1-8: a degeneração total da raça humana leva Deus a agir em juízo (6.6,7); mas, por clemência divina, "Noé [...] encontrou graça aos olhos do SENHOR" (6.8). [] 6.9-9.29 O relato de Noé Essa narrativa é tão conhecida que é fácil deixar de perceber seus as- pectos significativos. Observe como, no começo, a justiça de Noé faz eco ao fato de que Enoque "andava com Deus" (6.9). Repare também como a história ecoa a história original da Criação, de modo que, com efeito, ela acaba sendo uma narrativa da "segunda criação": o dilúvio faz a terra retornar à sua condição "sem forma e vazia" (1.2), mas Noé e os animais constituem uma ligação com o mundo anterior, ao mes- mo tempo que começam algo novo. A aliança com Noé está repleta de ecos de Gênesis 1-2- o restabelecimento do ciclo das estações (8.22; cf. 1.14); a ordem para que se multipliquem (9.1,7; cf. 1.28); a humanidade à imagem de Deus (9.6; cf. 1.27). Aqui Deus está come- çando de novo, e portanto faz uma aliança que consiste na promessa de nunca mais destruir a terra inteira dessa forma. A história, infeliz- mente, termina com uma nota amarga (9.20-23)- uma "queda'', no- vamente, que leva à maldição do descendente de Cam, Canaã - mas conclui com a bênção de Sem (de cuja descendência virá a redenção). D 10.1-11.9 O relato de Sem, Cam eJafé Aqui se vê o desenvolvimento da civilização humana em três grupos étnicos básicos, conhecidos dos israelitas. Mizraim (forma hebraica de
  36. 36. 36 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO "Egito") e Canaã (10.13-20) recebem destaque especial. A história de Babel conclui esses relatos, e leva diretamente à narrativa abraâmica, o foco deixando as nações espalhadas e passando diretamente ao ho- mem que fundará uma nova nação, e por meio do qual todas as nações serão abençoadas. D 11.1 0-26 O relato de Sem Essa lista de nomes não é uma leitura muito estimulante, mas conduz o leitor de Sem, filho de Noé, até Abrão (Abraão), e portanto ao "pai" do povo eleito. D 11.27-25.11 O relato de Terá Não há como ignorar o fato de que o filho de Terá, Abraão, é o per- sonagem predominante nessa história de família. Aqui você pode ob- servar a habilidade com que a narrativa é elaborada. Ela apresenta a família de Abraão, a meio caminho de Canaã (11.27-32), com uma nota especial sobre a esterilidade de Sara (11.30). Os momentos prin- cipais estão em 12.1-9, em que Deus chama Abraão para sair de Harã e ir "para a terra que eu te mostrarei" (12.1), e promete fazer dele "uma grande nação" e abençoar "todas as famílias da terra'' por meio dele (v. 2,3). Depois de viajar obedientemente para a terra habitada pelos cananeus (v. 4,5), Abraão percorre a terra inteira, e então recebe a pro- messa de que "Darei esta terra à tua descendência [semente]" (v. 6,7), e então, ali, ele "edificou um altar ao SENHOR e invocou o seu nome" (v. 8,9). No restante da narrativa, você verá esses vários temas ocorren- do de uma forma ou outra: a terra prometida será dada à descendência prometida, que se tornará uma grande nação e, portanto, uma bênção para as nações - muito embora os cananeus, por ora, possuam a terra, e Sara seja estéril! -,e portanto Abraão adora e confia no Deus que prometeu essas coisas. Assim, a primeira narrativa, que trata do malogro de Abraão no Egito (12.10-20), está ligada à proteção, por parte de Deus, da descen- dência prometida. O primeiro ciclo de Ló (caps. 13-14) se concentra na grande nação e na terra prometida, ao mesmo tempo que introduz Sodoma e Gomorra e indica a importância considerável de Abraão
  37. 37. GÊNESIS 37 naquela terra. As narrativas dos capítulos 15-16, emendadas uma na outra, retornam ao tema da descendência prometida que se origina de uma mulher estéril, enquanto a narrativa central do capítulo 17 se concentra em todos os temas ao mesmo tempo. A narrativa seguinte se concentra, novamente, na descendência prometida que vem de uma mulher estéril (18.1-15), tema retomado na série de três narrativas nos capítulos 20-21 (Abimeleque, o nascimento de Isaque, a expulsão de Ismael). Essas narrativas encerram o primeiro ciclo de Ló. O segundo ciclo (18.16-19.38) começa com a grande nação que será uma bên- ção para as nações (18.18). Aqui, a destruição de Sodoma e Gomorra e a concepção incestuosa de Moabe e Amom fazem contraste com a confiança de Abraão em Deus quanto à terra prometida, um tema retomado em 21.22-34. Qyatro narrativas cruciais concluem, então, a história da família de Terá. Primeiro vem a provação de Abraão, que testa sua disposição de entregar seu primogênito a Deus (cap. 22). Nessa narrativa crucial, não deixe de observar (1) a renovação das promessas (v. 15-18), (2) a obediência e a confiança implícita de Abraão em Deus o tem- po todo e (3) a provisão feita por Deus de um sacrifício no lugar de !saque. Consideradas em conjunto, as mortes de Sara (cap. 23) e de Abraão (25.7-11) completam o tema da terra prometida- uma porção da fu- tura terra prometida é comprada para que seus corpos possam descan- sar ali, aguardando que o futuro seja cumprido! Elas também encerram a história do casamento de !saque, que é incluída na série de Abraão porque dá continuidade ao tema da terra prometida, como também o faz a apresentação da narrativa da morte de Abraão (25.1-6). Observe, finalmente, que as escolhas feitas sem sabedoria em mo- mentos de fé debilitada não frustram os propósitos de Deus (as histó- rias do faraó e de Abimeleque nos caps. 12 e 20, e Hagar no cap. 16), enquanto Abraão, por sua vez, "creu no SENHOR; e o SENHOR atri- buiu-lhe isso como justiça" (15.6, um texto que assume importância
  38. 38. 38 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO especial nas cartas de Paulo). Assim, a resposta regular de Abraão a Deus é de adoração e obediência (12.7,8; 13.4,18; 14.17-20; 22.1-19). D 25.12-18 O relato de Ismael Esta, a mais breve das histórias de origem, confirma que Deus cum- priu a sua promessa (16.10) de fazer de Ismael, e não só de !saque, uma grande nação de doze tribos. D 25.19-35.29 O relato de /saque A história de !saque trata principalmente de Jacó, que representa a linhagem eleita. Observe como as promessas feitas a Abraão são re- petidas tanto para !saque (26.3-5) quanto paraJacó (28.13-15). Mais uma vez, seguindo-se à oração, a descendência prometida é gerada por uma mulher estéril (25.21-26). O desprezo de Esaú pelo seu direito de primogenitura (25.29-34) mostra o seu caráter (cf. Hb 12.16) e, por implicação, o caráter de seus descendentes, os edomitas - perenes inimigos de Israel (v. o livro de Obadias). No capítulo 26, !saque repete o fracasso de Abraão (caps. 12; 20), e, como antes, Deus intervém para proteger a descendência prometida. Nos capí- tulos 27-28, apesar de Jacó usurpar de Esaú a bênção de seu pai (agindo, assim, segundo o seu nome, "ele engana"), observe que Deus renova a aliança abraâmica com ele (28.10-22). Esse evento tam- bém marca o começo de uma mudança no caráter de Jacó, eviden- ciada pelos eventos que giram em torno da sua reconciliação com Esaú (caps. 32-33; repare, especialmente, na narrativa em que o seu nome é mudado, de Jacó para Israel). Nos capítulos 29-31, você pode começar a seguir de perto a ex- pansão da nação de Israel. A família eleita, agora, conta doze filhos, cuja descendência formará as doze tribos, um conceito refletido de- pois nos distritos tribais da terra, e ainda depois na escolha, por parte de Jesus, de doze discípulos, e, por último, na arquitetura final da nova Jerusalém que desce dos céus (Ap 21.12,14,21). Infelizmente, os filhos de Jacó (cap. 34) refletem o caráter do Jacó mais jovem, um fator que desempenha um papel muito importante no começo (37.12-36) da última história de família de Gênesis (caps. 37-50).
  39. 39. GÊNESIS 39 D 36.1-37.1 O relato de Esaú Os edomitas, a linhagem de Esaú, tornam-se uma grande nação, como prometido, mas também estão entre os vizinhos que ameaçam conti- nuamente o povo eleito e sua segurança na terra prometida. D 37.2-50.26 O relato de Jacó A última história de família trata principalmente de José, a quem Deus usa para resgatar Israel (e as nações, dessa forma abençoando-as, 12.2,3) da fome, para que a descendência prometida possa ser preser- vada. Você perceberá que a leitura dessa história é uma experiência diferente das anteriores, já que consiste em uma única narrativa coesa (a mais longa do gênero na Bíblia), com apenas três interrupções (a história de Judá no cap. 38, a genealogia em 46.8-27, e a "bênção" de Jacó no cap. 49). Repare em como ela começa e termina na mesma nota- seus irmãos se inclinando diante dele (37.5-7; 50.18; cf. 42.6). Atente para os vários temas que dão coesão à história: Deus derruba o mal dos irmãos contra José, permite que José sofra na prisão (o que sucedeu porque José se recusou a pecar), mas, finalmente, o salva e o exalta por meio da sua habilidade divinamente concedida de inter- pretar sonhos (observe as repetições de "o SENHOR estava com José", 39.2,3,21,23) - mais uma vez, Deus opera por meio de um filho mais jovem, desprezado. Observe, também, como no fim (cap. 48), a bênção de Jacó sobre os dois filhos de José dá continuidade ao padrão da escolha divina do mais jovem (o menos favorecido). Finalmente, é proveitoso observar o papel que Judá desempenha na narrativa. Embora seu começo não seja nem um pouco salutar (cap. 38),Judá, depois, evidencia um coração arrependido pelo seu pa- pel anterior na história (44.18-34). E ele é, por fim, abençoado como "o leãozinho" por meio de cuja linhagem virá o rei davídico (49.8-12), e depois o próprio rei messiânico, Cristo Jesus. Ainda que a narrativa conclua com José num caixão no Egito (50.26), isso também prenuncia a parte seguinte da narrativa, o livro de Êxodo, em que se faz nota especial do fato de que os israelitas le- varam os ossos de José consigo, porque este os tinha feito realizar um
  40. 40. 40 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO juramento: "Certamente Deus vos visitará, e fareis transportar daqui os meus ossos" (Êx 13.19). Gênesis inicia a história bíblica com Deus como Criador, os seres humanos como criados à imagem de Deus, mas caídos, e a resposta de Deus por meio da criação redentora de um povo eleito - o que ele faz por meio de toda sorte de circunstâncias (boas e más), e apesar das falhas do povo.
  41. 41. A Exodo INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE ÊXODO • Conteúdo: a libertação de Israel do jugo egípcio, sua constituição como povo por meio da Lei da aliança e instruções para a constru- ção do tabernáculo - o lugar da presença de Deus • Abrangência histórica: da morte de José (c. 1.600 a.C.?) até o acampamento de Israel no Sinai (ou 1440 ou 1260 a.C.) • Ênfases: o milagroso resgate divino de Israel do jugo egípcio por meio de Moisés; a Lei da aliança entregue no monte Sinai; o taber- náculo como o lugar da presença de Deus e da adoração apropriada de Israel; a revelação, por parte de Deus, de si próprio e do seu ca- ráter; a tendência de Israel a se queixar e a se rebelar contra Deus; o juízo e a misericórdia de Deus para com o seu povo quando este se rebela VISÃO GERAL DE ÊXODO É possível que você encontre mais dificuldade em ler Êxodo até o fim do que foi o caso em Gênesis. A primeira metade (caps. 1-20) não apresenta dificuldades, já que continua a narrativa que começou em Gênesis 12, mas depois disso vem uma série de leis (caps. 21-24), seguidas de instruções detalhadas sobre os materiais e os utensílios do tabernáculo (caps. 25-31). A narrativa, então, volta por três capítulos
  42. 42. 42 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO (caps. 32-34), a que se segue (caps. 35-40) uma repetição dos capí- tulos 25-31, que descrevem a construção do tabernáculo e dos seus utensílios exatamente de acordo com as instruções. Tanto os detalhes quanto a natureza repetitiva dos capítulos 25-31 e 35-40 podem acabar distraindo o leitor, a não ser que sejam mantidos no contexto do quadro geral, tanto do próprio livro de Êxodo quanto da história maior encontrada no Pentateuco como um todo. A parte narrativa começa com a escravização de Israel no Egito (cap. 1), seguida do nascimento de Moisés, sua fuga e chamado subse- quente (em que o nome de Javé é revelado), e sua volta ao Egito (caps. 2-4). A isso se segue o Êxodo em si (5.1-15.21), incluindo os traba- lhos forçados de Israel, o conflito de Javé com o faraó na guerra santa por meio das dez pragas, o milagre do mar Vermelho, e um hino ce- lebrando a vitória de Deus, o Guerreiro Divino, sobre o faraó. O resto da narrativa (15.22-19.25) leva Israel até o Sinai em preparação para a entrega da lei da aliança (caps. 20-23) e sua ratificação (cap. 24). Parte dessa narrativa consiste nas queixas constantes de Israel para Deus, que nos capítulos 32-34 culminam em plena rebelião idólatra, a que se seguem o juízo e a renovação da aliança. O livro conclui com um momento narrativo final (40.34-38) em que a glória de Deus (sua presença) enche o tabernáculo, o último ato essencial de preparação, assim deixando o povo pronto para a peregrinação rumo à terra prometida. Observe especialmente como as duas partes dessa breve cena prenunciam os dois livros seguintes do Pentateuco: a glória do Senhor enchendo o tabernáculo/tenda da revelação ["tenda do encontro" ou "tenda da congregação" em outras versões] leva diretamente a Levítico, onde Deus fala com Moisés (e, portanto, ao povo) a partir da tenda da revelação, e dá instruções so- bre o uso do tabernáculo (Lv 1.1; "tenda da revelação" e "tabernáculo" são usados de forma intercambiável daí em diante), e a nuvem rea- parece perto do começo da narrativa de Números, para servir de guia quando Israel finalmente levanta acampamento e parte em direção à terra prometida (Nm 9.15-23). Entre as partes da lei incluídas na narrativa de Êxodo estão os Dez Mandamentos (cap. 20), o Livro da Aliança (caps. 21-23)- várias
  43. 43. ÊXODO 43 leis que tratam, em geral, dos relacionamentos entre o povo - e as instruções quanto ao tabernáculo (caps. 25-31), seguidas da sua construção e implementação (35.1-40.33). ORIENTAÇÕES PARA A LEITURA DE ÊXODO Para evitar qualquer confusão na leitura desse livro, é importante que se tenha um senso do porquê da sua estrutura geral. Por que, especial- mente, as instruções sobre a construção, e a construção em si do taber- náculo, nessa narrativa? Por que não esperar até Levítico, que parece um livro mais apropriado para isso? A resposta é que Êxodo narra as questões cruciais que definem Israel como um povo em um relaciona- mento com o seu Deus,Javé. À medida que você lê, portanto, atente especialmente para os três momentos absolutamente definitivos na história de Israel, que dão sentido à inclusão de partes da Lei nessa narrativa: (1) a libertação milagrosa de Israel da escravidão, por ação de Deus, (2) o retorno da presença de Deus, distinguindo dessa forma o seu povo de todos os outros povos da terra e (3) a dádiva da lei como o meio de estabelecer a sua aliança com eles. Em primeiro lugar, o momento definitivo crucial, ao qual ocorrem numerosas referências ao longo do Antigo e do Novo Testamentos, é o Êxodo em si. Israel é repetidamente lembrado de que "o SENHOR vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da escravidão, da mão do faraó, rei do Egito, porque vos amou e quis manter o juramento que havia feito a vossos pais." (Dt 7.8); o próprio Israel afirma re- petidas vezes: "o SENHOR nos tirou do Egito com mão forte e braço estendido" (Dt 26.8). Observe as formas como a narrativa sublinha esse evento - os fatos de que a história de Moisés é fornecida somente em virtude do papel dele no Êxodo; de que a situação de desamparo total de Israel é superada por meio da intervenção milagrosa de Deus em favor deles; de que essa é a vitória, sobretudo, de Deus, tanto sobre o faraó quanto sobre os deuses que ele representa; de que a vitória de Deus é come- morada com o primeiro dos dois hinos celebratórios no Pentateuco (15.1-21; cf. Dt 31.10-32.43), enfatizando a sua grandeza sem rival e o seu triunfo na guerra santa. Javé, aqui, "adota'' Israel como o seu
  44. 44. 44 COMO lER A BÍBliA liVRO POR liVRO primogênito, que deve ser libertado "para que me cultue" (Êx 4.22,23). Qyanto a isso, observe, finalmente, como a narrativa é interrompi- da duas vezes, tanto antes quanto depois do Êxodo em si (12.1-28; 12.43-13.16), para o fornecimento de instruções sobre a Páscoa (a celebração anual do Êxodo) e para a consagração do filho primogê- nito dos israelitas (como lembrete de que Deus os resgatou como o seu primogênito, enquanto protegeu os primogênitos deles). Em segundo lugar, a presença divina, perdida no Éden, agora é restaurada como o aspecto central da existência de Israel. Esse tema começa com o chamado de Moisés no "monte de Deus" (3.1), onde ele não ousou "olhar para Deus" (3.6). Ele é retomado no capítulo 19, em que o povo acampa "em frente do monte" (19.2) e experimenta uma epifania (manifestação visível de Deus) espetacular, acompanhada de advertências para não tocar a montanha. A natureza extraordinária desse encontro com o Deus vivo é sublinhada, ainda, pela subida e des- cida de Moisés, "até Deus" (19.3,8,20) e de volta ao povo (19.7,14,25), respectivamente. A natureza fundamental desse tema pode ser vista especialmente nos capítulos 25-40, e ajuda a explicar a ocorrência dupla das orien- tações relativas ao tabernáculo, uma antes e outra depois dos capítulos 32-34. Pois o tabernáculo deveria assumir o papel da "tenda da re- velação" (40.6), e deveria, portanto, funcionar como o lugar em que o Deus de Israel habitaria em meio ao povo (após ter "deixado" o monte, por assim dizer). Dessa forma, o fiasco no deserto (cap. 32) é seguido da súplica de Moisés a Javé para que não os abandone, pois "Se [tu] :_"tua Presença"], não fores conosco [...] Qyem mais poderá distin- guir a mim e a teu povo de todos os demais povos da face da terra?" (33.15,16, NVI; grifo do autor; Presença mais tarde identificada, em Is 63.7-14, como o Espírito Santo). Observe, finalmente, que Êxodo conclui com a glória de Deus cobrindo o tabernáculo/ tenda da revela- ção, significando que os israelitas agora estão prontos para sua jornada à terra prometida. Ao mesmo tempo, esses últimos capítulos (25-40) preparam o caminho, especialmente, para os regulamentos sobre a adoração e os sacrifícios que aparecem no livro seguinte, Levítico.
  45. 45. ÊXODO 45 Em terceiro lugar, há a entrega da Lei, com seu elemento central, os Dez Mandamentos (cap. 20), a que se segue o Livro da Aliança (caps. 21-24). Essas leis, juntas, se concentram no relacionamento do povo de Israel, tanto com Deus quanto entre si, o relacionamento do povo entre si devendo refletir, na prática, o caráter de Deus. A primeira expressão da Lei na narrativa de Êxodo, portanto, prepara o caminho para sua elaboração posterior nos três livros finais do Penta- teuco. Q.yanto à natureza dessas leis e como elas funcionam em Israel, ver Entendes o que lês?, p. 195-216. Também é importante observar aqui que essas leis seguem o pa- drão de alianças antigas conhecidas como "tratados de suserania", que consistem num tratado feito por um vencedor com os vencidos, em que aquele os beneficia com sua proteção e cuidado contanto que estes sigam as estipulações do tratado. Há seis partes nesse tipo de aliança: 1. O preâmbulo, que identifica aquele que dá a aliança ("o SENHOR teu Deus", 20.2). 2. O prólogo, que serve como lembrete do relacionamento entre o suserano e o povo ("que te tirou da terra do Egito", 20.2). 3. As estipulações, que são várias leis/obrigações por parte do povo (20.3-23.19; 25.1-31.18). 4. A cláusula do documento, que faz provisão para a leitura perió- dica e o reaprendizado da aliança. 5. As sanções, que descrevem as bênçãos e as maldições como in- centivos para a obediência. 6. A lista de testemunhas da aliança. Você perceberá que apenas os primeiros três desses seis elementos de uma aliança são encontrados em Êxodo. Trata-se apenas da primei- ra porção da aliança inteira, que continua em Levítico e em Números e conclui, por fim, no final de Deuteronômio. Não obstante, já em Êxodo os elementos principais da aliança são evidentes- (1) a reve- lação de quem Deus é, e do que ele deseja do seu povo, e (2) o registro da obediência como o caminho da lealdade na aliança, e portanto a forma de manter suas bênçãos.
  46. 46. 46 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO UMA CAMINHADA POR ÊXODO D 1.1-2.25 O contexto: desenvolvimento e opressão de Israel no Egito Aqui você encontra as duas narrativas principais que formam o con- texto para o Êxodo: (1) a multiplicação dos israelitas e sua sujeição a faraó, incluindo o infanticídio numa tentativa vã de controle popula- cional (cap. 1); (2) a entrada em cena de Moisés, um israelita cuja cria- ção é a de egípcio privilegiado, mas que assume a causa do seu próprio povo (2.1-15). Anos depois, como um fugitivo fora da lei, avançado em anos, estabelecido no Sinai (v. 16-22), ele é um candidato bastante improvável para o papel de libertador de Israel (v. 23-25), a narrativa retomando, assim, um tema central de Gênesis. D 3.1-6.27 O chamado e o comissionamento de Moisés Atente para vários elementos importantes nessa narrativa: a revelação de Deus de si próprio, que surpreende a Moisés, e que inclui a revelação do seu nome (Javé, "aquele que faz existir"; traduzido por "SENHOR", com letras maiúsculas na maioria das versões em português); a decla- ração repetida de Deus de que ele viu a miséria do seu povo no Egito e pretende libertá-lo com seu grande poder; o quádruplo "Não, obriga- do" de Moisés em resposta ao chamado; e seu primeiro encontro com o faraó, que leva ao aumento da opressão e à rejeição de Moisés por parte de Israel. O episódio atemorizante em 4.24-26 nos lembra que Moisés, como pai israelita, não tinha sequer circuncidado o próprio filho, tão limitado era o seu preparo para essa tarefa. D 6.28-15.21 O milagroso livramento da escravidão Essa narrativa se divide em quatro partes, cada uma desembocando na- turalmente na seguinte. Preste atenção nessas essas transições durante a leitura. Na primeira parte, há o confronto com o faraó (6.28-11.10), que começa com a vara se transformando numa serpente e engolindo as serpentes dos feiticeiros egípcios (ecoando, talvez, a maldição da ser- pente no Éden), a que se seguem as nove pragas e o anúncio da décima; cada uma destas ataca a essência da idolatria e arrogância egípcias.
  47. 47. ÊXODO 47 A segunda parte (12.1-30) entretece de forma cuidadosa a institui- ção da Páscoa na narrativa da décima praga. A razão para a instrução aqui é que a Páscoa deve ser uma celebração anual, em que o evento de grande importância da libertação é recontado. Observe, também, o prenúncio da libertação por meio do derramamento de sangue, que no Novo Testamento ocorre na ocasião em que o "primogênito" de Deus derrama o seu sangue (Cl1.15-20), quando assume o papel do cordei- ro e, portanto, vive uma forma inversa dessa narrativa. A terceira parte é o relato do Êxodo em si (12.31-14.31). Ob- serve especialmente como alguns lembretes das duas primeiras partes são meticulosamente entretecidos nessa narrativa: ela começa com re- gulamentos adicionais para a Páscoa e sobre a lei do primogênito; a travessia em si do mar Vermelho envolve um confronto final com o faraó - e termina com o fim de todo o seu exército. Aqui, também, é apresentado o tema da murmuração (14.10-12; cf. 5.21), que se tornará o tema principal da seção seguinte da narrativa. A quarta parte é o cântico de celebração de Moisés, Israel e Miriã (15.1-21). Repare que ele começa como uma celebração do triunfo de Deus, o Guerreiro, sobre o faraó e seus deuses (v. 1-12) e conclui pre- nunciando essa mesma vitória na conquista de Canaã (v. 13-16) e na futura presença estabelecida de Javé em Sião (v. 17,18; cf. Sl68). Pode ser útil observar com que frequência esse aspecto da vitória de Deus continuou a ser celebrado nos hinos de Israel (Ne 9.9-11; Sl66.5-7; 78.12,13; 106.8-12; 114.3,5; 136.10-15). O 15.22-18.27 A jornada ao Monte Sinai A primeira coisa que se vê após o grande livramento de Israel é uma série de três episódios no deserto em que o povo murmura contra Moisés e, portanto, põe Deus à prova (15.22-17.7); esses episódios prenunciam muitos momentos semelhantes ao longo do restante da história. A isso se segue o primeiro encontro com forças hostis ao lon- go do caminho (17.8-16), o que também prenuncia futuros encontros do mesmo tipo, bem como a futura liderança de Josué. A história de Moisés, à medida que ele segue o conselho de Jetro quanto à liderança compartilhada, especialmente no que diz respeito ao julgamento das
  48. 48. 48 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO causas do povo (cap. 18), prenuncia não apenas a organização pos- terior das tribos, mas também muitas das leis no Livro da Aliança (21.1-23.19; p. ex., 21.6,22; 22.8,9). D 19.1-24.11 A aliança no Sinai O prelúdio (cap. 19) é especialmente importante para a narrativa. Observe a forma como ele começa (v. 3-6). Aqui, Deus combina o livra- mento de Israel "sobre asas de águias" (v. 4) com o chamado à obediên- cia e a adoção do povo como "propriedade exclusiva" ("tesouro pessoal", NVI) (grande parte da linguagem desses versículos é retomada pelos au- tores do Novo Testamento em referência à igreja). O restante assume a forma de uma grande teofania, como um lembrete sobre a tremenda e impressionante distância entre o Deus vivo e santo e o seu povo. Observe, também, que Deus anuncia os Dez Mandamentos (as "Dez Palavras", 20.1-17), diretamente ao povo (20.18-21)- um sinal da primazia deles. Aqui se faz referência a responsabilidades funda- mentais tanto para com Deus quanto para com o próximo, na devida ordem (primeiro "vertical", depois "horizontal"). Qyando o povo cla- ma por comunicação indireta com Deus, a primeira medida é repetir a advertência contra a idolatria (20.22-26). O Livro da Aliança (caps. 21-23) especifica o que as Dez Pala- vras significam na prática. Repare que elas tratam, principalmente, de vários aspectos da vida social- a forma de tratar os escravos/servos (que vem por primeiro, e está em contraste notável com as condições dos israelitas no Egito), compensações e penas por danos, leis de pro- priedade, estupro, justiça nos negócios com os outros, e adoração. As leis concluem com uma promessa de orientação divina e da futura conquista de Canaã, que depende da obediência do povo à aliança (23.20-33). A aliança é ratificada pelo consentimento de Israel, pela aspersão de sangue e por uma refeição teofânica para os anciãos de Israel na presença de Deus (24.1-11). D 24.12-31.18 Instruções quanto ao tabernáculo Durante a leitura dessas instruções, tenha em mente a razão para seus detalhes abundantes e muito precisos - o fato de que o tabernáculo
  49. 49. ÊXODO 49 será o lugar da presença de Deus entre eles. Isso não apenas é dito de maneira expressa (25.8,22; cf. Lv 16.2), mas também explica a ordem das instruções. A arca, onde Javé habita entre os querubins (25.22; cf. Lv 16.2), vem em primeiro lugar, seguida da mesa sobre a qual são depositados "os pães consagrados" (25.30; "pães da Presença", NVI). Todos os demais utensílios e elementos, incluindo o altar de bronze e a indumentária dos sacerdotes, refletem a realidade primária de que Javé escolheu habitar aqui na terra em meio ao seu povo. Observe, por exemplo, que as vestes dos sacerdotes visam dar a eles "glória e ornamento" (28.2,40). E quando chegar a Levítico, você verá que o altar de bronze tem em vista os sacrifícios, de modo que os sacerdotes possam se aproximar de Javé no lugar do povo. Observe como essa seção encerra com uma renovação da ordem sobre o sábado, que é especialmente relacionado ao "descanso" de Javé (repetido aqui porque ele é uma dádiva de Deus aos ex-escravos que trabalhavam o dia todo, todos os dias da semana). D 32.1-34.35 Rebelião, quebra da aliança, renovação da aliança Repare no contraste: enquanto Moisés está no topo do Sinai, receben- do instruções sobre o lugar da habitação de Javé entre eles, seu irmão está embaixo, levando o povo a construir e adorar ídolos (32.1-26) -embora, observe-se, eles estão alegadamente adorando Javé (v. 5). À punição (32.27-29) segue-se a intercessão de Moisés pelo povo, garan- tindo, assim, a promessa de Deus de que sua Presença os acompanhará e, dessa forma, os distinguirá de todos os outros povos (32.30-33.23). Esse é o sentido de incluir aqui as breves narrativas sobre a tenda dare- velação (33.7-11) e avisão (ou antegosto) da glória de Deus (33.18-23). No capítulo 34, a aliança é renovada (v. 1-28; uma breve condensação do Livro da Aliança [caps. 21-23] é incluída) no contexto de outra teofania significativa. A linguagem da autorrevelação de Javé nos ver- sículos 4-7 é um dos momentos mais importantes da história bíblica, fazendo-se referência a ela ao longo do restante do Antigo Testamento. A última narrativa - que trata da volta de Moisés da tenda da re- velação com um semblante que irradia a glória de Deus (34.29-35;
  50. 50. 50 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO cf. 2Co 3)- prenuncia a glória que descerá sobre o tabernáculo quan- do sua construção for concluída (40.34-38). D 35.1-39.43 A construção do tabernáculo e seus utensílios e demais elementos Essa longa repetição das questões dos capítulos 25-31 serve para realçar ainda mais a importância do tabernáculo como o lugar da pre- sença de Deus. Observe que a ordem muda um pouco, de modo que o tabernáculo esteja pronto antes que o símbolo da Presença (a saber, a arca) seja construído. Mas ela começa com o mandamento do sábado (35.1-3). Mesmo algo importante como a construção do tabernáculo não deve suplantar a dádiva do sábado. U 40.1-38 O tabernáculo é estabelecido e a glória desce Observe como esse evento final em Êxodo segue o padrão anterior: instruções sobre o estabelecimento do tabernáculo (v. 1-16), segui- das da sua implementação (v. 17-33). Tudo isso para que a glória de Javé - a mesma glória que tanto impressionou os israelitas quan- do foi vista no Monte Sinai - possa encher o tabernáculo (v. 34; cf. 1Rs 8.10,11), assumindo a forma de uma coluna de nuvem de dia e de fogo à noite (v. 38), um constante lembrete visível da presença de Deus em meio ao seu povo. Êxodo tem um papel especialmente importante no restante da história bíblica, já que conta a história básica de como Deus salvou o seu povo da escravidão e deu a lei aos israelitas, para que se tornassem o povo da sua presença. Êxodo também serve como padrão para o "segundo êxodo" prometido em Isaías (esp. os caps. 40-66), e por- tanto para a própria partida (êxodo) de Jesus, que seria cumprida em Jerusalém (Lc 9.30, citada na presença de Moisés [!] e Elias).
  51. 51. Levítico INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE LEVÍTICO • Conteúdo: várias leis tratando da santidade diante de Deus e do amor ao próximo, incluindo sacrifícios, pureza ritual e obrigações sociais, bem como leis para os levitas sobre suas funções sacerdotais • Ênfases: o preparo adequado para a adoração, tanto para o povo quanto para os sacerdotes; a instituição do sacerdócio sob Arão; leis protegendo a pureza ritual, incluindo a expiação dos pecados (o Dia da Expiação); leis regulando as relações sexuais, a vida fami- liar, as punições pelos crimes graves, os festivais e os anos especiais (sabáticos e jubileus) VISÃO GERAL DE LEVÍTICO O título do livro (que vem da forma latina do grego levitikon) signifi- ca "com respeito aos levitas", que não é apenas uma boa descrição do seu conteúdo básico, mas também indica por que a sua leitura, com tanta frequência, não é do agrado dos leitores contemporâneos - sem mencionar que há tão pouca narrativa nele (caps. 8-10; 24.10-23 são as exceções). Mas com um pouco de ajuda, você pode obter uma compreensão básica tanto do seu conteúdo quanto do seu lugar na narrativa do Pentateuco - mesmo que a natureza de algumas leis, bem como a razão para elas, possam não ficar claras (quanto a isso,
  52. 52. 52 COMO LER A BÍBLIA LIVRO POR LIVRO talvez você queira consultar um bom comentário; p. ex., Gordon J. Wenham, 1he Book ofLeviticus; [em português, R. K. Harrison, Leví- tico] [v. Entendes o que lês?, p.195]). É importante observar que Levítico começa exatamente onde Êxodo terminou - com o Senhor falando a Moisés "da tenda da revelaçãd', e dizendo: "Fala aos israelitas ...".Desse ponto em dian- te, a passagem de uma seção para a outra é sinalizada pela frase: "O SENHOR disse a Moisés" (4.1; 5.14; 6.1,8; e assim em diante). Não surpreenderá, portanto, descobrir que a primeira parte principal do livro (caps. 1-16, geralmente conhecida como o Código Levítico) trata primariamente dos regulamentos para o povo e os sacerdotes que dizem respeito diretamente ao tabernáculo, que apareceu perto do fim de Êxodo (caps. 25-31; 35-40). Esse código assume forma naturalmente. Começa com as ofertas do povo (1.1-6.7), seguidas de instruções para os sacerdotes (6.8-7.38). A essas, seguem-se (logicamente) a instituição do sacerdócio arônico (caps. 8-9) e o juízo sobre dois filhos de Arão que pensaram poder realizar sua função do seu próprio jeito (10.1-7), com instruções adi- cionais para os sacerdotes (10.8-20). A seção seguinte (caps. 11-15) começa, então, com um novo título: "O SENHOR falou a Moisés e a Arão" (11.1, grifo do autor; v. também 13.1; 14.33; 15.1, mas em ne- nhuma outra parte de Levítico). Aqui você encontra leis que lidam, especialmente, com a pureza ritual - visando evitar o que ocorreu com os dois filhos de Arão. Aqui, também, aparece pela primeira vez a ordem expressa de grande importância: "Sede santos, porque eu sou santo" (11.44,45). A isso se segue, apropriadamente, a instituição do Dia da Expiação (cap. 16). O que vem a seguir (caps. 17-25) é conhecido, em geral, como o Código de Santidade, que é governado pela ordem repetida: "Sede santos, porque eu sou santo" (começando em 19.2 e daí em diante). Mas agora, um dos aspectos importantes de ser santo é: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (19.18). Assim, a seção consiste numa coleção de várias leis lidando com o relacionamento de cada pessoa tanto com Deus quanto com os outros. No fim, há requerimentos para os anos sabáticos e do jubileu (cap. 25), e o livro conclui com bênçãos
  53. 53. LEVÍTICO 53 e maldições da aliança (cap. 26) que fornecem uma conclusão formal à estrutura da aliança que começa em Êxodo 20. O livro em si conclui com um apêndice que trata de juramentos e dízimos (Lv 27). ORIENTAÇÕES PARA A LEITURA DE LEVÍTICO Para tirar o melhor proveito possível da leitura, você precisa lembrar de duas coisas: (1) essas leis são parte da aliança de Deus com Israel, e portanto não consistem em meros ritos religiosos, mas dizem respeito a relacionamentos, e (2) Levítico integra a narrativa maior do Pentateuco, e deve ser entendido à luz do que ocorreu antes e do que vem a seguir. Vamos começar pelo segundo ponto: assim como as passagens ju- rídicas de Êxodo fazem sentido quando você vê o seu lugar na narra- tiva maior, assim também você deve ver Levítico como uma expressão mais extensa do mesmo quadro antes de a narrativa ser retomada em Números. Um fato crucial aqui é que Israel ainda está acampado ao pé do Sinai- uma área desértica-, onde os israelitas passarão um ano inteiro sendo moldados para se tornar um povo antes de Deus os levar para a conquista de Canaã. Aqui eles precisarão de proteção dupla - de doenças de vários tipos e uns dos outros! Portanto, para que desses indivíduos que cresceram na escravidão seja formado o povo de Deus, há uma grande necessidade para que eles ponham em ordem duas espécies de relacionamento, a saber, seu relacionamento com Deus e o relacionamento uns com os outros. Repare, então, que Levítico con- tinua com a mesma ordenação encontrada nos Dez Mandamentos (primeiro vertical, depois horizontal). O aspecto ligado à aliança dessas várias leis é o mais importante. Re- lembre as partes da aliança comentadas no nosso capítulo sobre Êxodo (p. 41). Deus, soberanamente, livrou esse povo da escravidão e o trouxe ao Sinai; aqui ele prometeu torná-lo sua "propriedade exclusiva" dentre todas as nações da terra (Êx 19.5), que também será para ele, portanto, "reino de sacerdotes e nação santa" (v. 6). Isto é, seu papel como um "reino" é servir como os sacerdotes de Deus para o mundo, e para tanto eles precisam ter a semelhança dele ("sede santos, porque eu sou santo"). Dessa forma, Deus, da parte dele, faz aliança com eles para abençoá-los (Lv 26.1-13); o que ele exige da parte deles é que, embora sejam sua

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