História da filosofia volume 3 (giovanni reale - dario antiseri)

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História da filosofia volume 3 (giovanni reale - dario antiseri)

  1. 1. G. Reale - D. Antiseri HISTORIA DA FILOSOFIA 3Do Humanism0 a Descartes
  2. 2. Dados lnternacionaisde Catalogagto na Publica@o(CIP) (CBmaraBrasileirado Livro, SP, Brasil) Reale, Giovanni Historiada filosofia: do humanism0 a Descartes, v. 3 1Giovanni Reale, Dario Antiseri; [tradupBo Ivo Storn~olo].-SBo Paulo: Paulus, 2004. Titulo original:Storiadella filosofia Bibliografia. ISBN 85-349-2102-4 1. Filosofia- Historia I.Antiseri, Dario. II. Titulo. Ill. Titulo: Do Humanismoa Descartes. indices paracatAlogo sistematico: 1. Filosofia:Historia 109 Titulo original Sfoflade//afi/osofia- Vo/ume//.'Da/l'Umanes~moa Kanf O Editrice LA SCUOLA, Brescia, Italia, 1997 ISBN88-350-9271-X Revislo Zo/ferho Tonon IrnpressSoe acabamento PAULUS 0 PAULUS-2004 Rua FranciscoCruz, 229.04117-091 SSo Paulo (Brasil) Fax (11) 5579-3627.Tel. (11) 5084-3066 www.paulus.com.br .editorial@paulus.com.br ISBN85-349-2102-4
  3. 3. Existem teorias, argumentacdes e disputasfilosoficaspelo fatodeexistirempro- blemas filosoficos. Assim como na pesquisa cientifica ideias e teorias cientificas sdo res- postas a problemas cientificos, da mesma forma, analogicamente, na pesquisa filoso- fica as teorias filosoficas sdo tentativas de solucdo dos problemas filosoficos. 0s problemas filosoficos, portanto, existem, sdo inevitaveis e irreprimiveis; en- volvem cada homem particular que ndo renuncie a pensar: A maioria desses pro- blemas ndo deixa em paz: Deus existe, ou existiriamos apenas nos, perdidos neste imenso universo? 0 mundo e um cosmo ou um caos?A historia humana tem senti- do? E se tem, qual e? Ou, entdo, tudo -a gloria e a miseria, as grandes conquistase os sofrimentos inocentes, vitimas e car- nifices-tudo acabara no absurdo, despro- vido de qualquer sentido? E o homem: e livre e responsavel ou e um simples frag- mento insignificantedo universo, determi- nado em suas acdes por rigidas leis natu- rais? A ciencia pode nos dar certezas? 0 que e a verdade? Quais sdo as relacdes entre razdo cientifica e fe religiosa?Quan- do podemos dizer que um Estado e demo- cratic~?E quaissdo os fundamentosda de- mocracia? Epossivel obter umajustificaqdo racional dos valoresmais elevados?E quan- do e que somos racionais? Eis, portanto, alguns dos problemas filosoficos de fundo, que dizem respeito as escolhas eao destino de todo homem, e com os quais se aventuraram as men- tes mais elevadas da humanidade, dei- xando-nos como heranca um verdadeiro patrimdnio de ideias, que constitui a iden- tidade e a grande riqueza do Ocidente. A historia da filosofia e a historia dos problemas filosoficos, das teorias fi- losoficas e das argumentaq5es filosofi- cas. E a historia das disputas entre filo- sofos e dos erros dos filosofos. E sempre a historia de novas tentativas de versar sobre questdes inevitaveis, na esperanca de conhecer sempre melhor a nos mes- mos e de encontrar orientacdes para nossa vida e motivagdes menos frageis para nossas escolhas. A historia da filosofia ocidental e a historia das ideias que in-formaram, ou seja, que deram forma a historia do Oci- dente. E um patrimdnio para ndo ser dis- sipado, uma riqueza que ndo se deve perder: E exatamente para tal fim os pro- blemas, as teorias, as argumentacdes e as disputas filosoficas sao analiticamente explicados, expostos com a maior clareza possivel. * * * Uma explicacdoquepretenda ser cla- ra e detalhada, a mais compreensivel na medida do possivel, e que ao mesmo tem- po ofere~aexplica~desexaustivascompor- ta, todavia, um "efeitoperverso",pelo fato de que pode ndo raramente constituir um obstaculo a "memoriza~do"do complexo pensamento dos filosofos. Esta e a razdo pela qual os autores pensaram, seguindo o paradigma classi- co do Ueberweg, antepor a exposicdo analitica dos problemas e das ideias dos diferentes filosofos uma sintese de tais problemas e ideias, concebida como ins- trument~didatico e auxiliar para a me- moriza~ao.
  4. 4. Afirmou-se com justeza que, em linha geral, umgrande filosofo eo g&io de uma grande ideia: Platdo e o mundo das ideias, Aristoteles e o conceit0 de Ser, Plotino e a concep@odo Uno, Agostinho e a "tercei- ra navegaqiol'sobre o lenho da cruz, Des- cartese o "cogito", Leibnizeas "mbnadas", Kanteo transcendental,Hegel ea dialetica, Marx e a alienaqio do trabalho, Kierke- gaard e o "singular", Bergson e a "dura- @o", Wittgenstein e os "jogosde lingua- gem", Popper e a "falsificabilidade" das teorias cientificas, e assim por diante. Pois bem, os dois autores desta obra propdem um lexico filosofico, um diciona- rio dos conceitos fundamentais dos diver- sos filosofos, apresentados de maneira di- datica totalmente nova. Se as sinteses iniciais sio o instrumento didatico da me- moriza~ao,o lexico foi idealizado e cons- truido como instrumento da conceitualiza- @o; e, juntos, uma especie de chave que permita entrar nos escritos dos filosofos e delesapresentarinterpretaqdesque encon- trempontos deapoio maissolidosnospro- prios textos. Sinteses, analises, lexico ligam-se, portanto, a ampla emeditada escolha dos textos, pois os dois autores da presente obra estio profundamente convencidos do fato de que a compreensdo de um fi- Iosofo se alcanqa de mod0 adequado nao so recebendo aquilo que o autor diz, mas lanqandosondas intelectuaistambem nos modos e nos iarqdes especificos dos tex- Ao executar este complexo traqado, os autoresse inspiraram em c;inonespsico- pedagogicos precisos, a fim de agilizar a memorizaqaodas ideias filosoficas,quesio as mais dificeis de assimilar: seguiram o metodo da repetiqao de alguns conceitos- chave, assim como em circulos cada vez mais amplos, que vaojustamente da sinte- se a analise e aos textos. Tais repeti@es, repetidas e amplificadas de mod0 oportu- no, ajudam, de mod0 extremamente efi- caz, a fixar na atenqdo e na memoria os nexos fundantes e as estruturas que sus- tentam o pensamento ocidental. Buscou-se tambemoferecer aojovem, atualmente educado para o pensamento visual, tabelas que representam sinotica- mente mapas conceituais. Alem disso, julgou-se oportuno enri- quecer o texto com vasta e seleta serie de imagens, que apresentam, alem do rosto dos fildsofos, textos emomentos tipicosda discussdo filosofica. Apresentamos, portanto, um texto ci- entifica e didaticamente construido, com a intenqdo de oferecer instrumentos ade- quados para introduzir nossos jovens a olhar para a historia dos problemas e das ideias filosoficas comopara ahistoriagran- de, fascinanteedificil dos esfor~osintelec- tuais que os mais elevados intelectos do Ocidente nos deixaram como dom, mas tambem como empenho. tos filosofico~.- GIOVANNIREALE- DARIOANTISERI
  5. 5. [ndice de nomes, XV Indice de conceitos fundamentais, XIX Primeira parte 0 HUMANISM0 E A RENASCENCA Capitulo primeiro 0pensamento humanista- renascentista e suas caracteristicas gerais 3 I. O significado historiogriifico do termo "Humanismo" 3 1.0 Humanismo e a valorizagiio das "litte- rae humanae", 3; 2. As duas mais signifi- cativas interpretagoes contemporheas do Humanismo, 6; 2.1. A interpretagiio de Kristeller, 6; 2.2. A interpretasgo de Garin, 7; 3. Possivel mediaggo sintCtica das duas in- terpretag6es opostas, 7. II. Conceito historiogriifico, cronologia e caracteristicas da "Renascenqa" 9 1.A interpretagiio oitocentista da "Renas- cenga" como surgimento de novo espiri- to e de nova cultura que valorizam o mun- do antigo em oposigiio 2 Idade MCdia, 10; 2. A nova interpretagiio da "Renascenga" como "renovation e a "volta aos antigos" como "volta aos principios", 11; 3. Re- flexoes conclusivas sobre o conceit0 de "Renascenga", 11; 4. Cronologia e temas do Humanismo e da Renascenga, 12; 5. Relagoes entre Renascenga e Idade MC- dia, 12. 111.0s "profetas" e os "magos" orientais e pag5os: Hermes Trismegisto, Zoroastro e Orfeu 14 1.0conhecimento hist6rico-critic0 diferen- te que os humanistas tiveram da tradigiio latina em relagiio 2 grega, 14; 2. Hermes Trismegisto e o "Corpus Hermeticum", 15; 2.1. Hermes e o "Corpus Hermeticum" na realidade histbrica, 15; 2.2. Hermes e o "Corpus Hermeticum" na interpretagiio da Renascenga, 16; 3. 0 "Zoroastro" da Re- nascenga, 16; 4. 0 Orfeu renascentista, 17. P. 0.Kristeller: 1.Nega@o do sig- ~$~d'o~filosdficodo Humanismo, 18; E. Garin: 2. Reivindica@o da valdncia "filo- sofico-pragmhtica " do Humanismo, 18; J. Burckhardt: 3 . 0 individualismo como mar- co original da Renascen~a,19; K. Burdach: 4. As rakes da Renascen~aafundam na Ida- de Mkdia, 20. Capitulo segundo 0 s debates sobre vroblemas morais I. 0 s inicios do Humanism0 21 1.Francisco Petrarca, 21; 2. Coluccio Salu- tati, 22. 11. 0 s debates sobre temas Ctico- politicos em L. Bruni, P. Bracciolini, L. B. Alberti - 23 1.Leonardo Bruni, 23; 2. PoggioBracciolini, 24; 3. Leon Battista Alberti, 24; 4. Outros humanistas do Quatrocentos, 25. 111. Lourenqo Valla 26 1.0 Neo-epicurismo de Valla, 26; 2. A su- peragiio de Epicuro, 26; 3. A filologia de
  6. 6. VIII Yndice geral Valla: a "palavra" como suporte da verda- de, 27. T~xros- F. Petrarca: 1.Verdadeira sabedo- ria, 28; L. Valla: 2. A defesa da prdpria in- terpret~@~da ccvoluptas",29. Capitulo terceiro 0Neoplatonismo renascentista- 31 I. Acenos sobre a tradigio plat6nica em geral e sobre os doutos bizantinos do stc. XV 31 1.Reviveschcia do platonismo, 31. 11. Nicolau de Cusa: a "douta ignorhcia" em relagio ao infinito 33 1.A vida, as obras e o delineamento cultu- ral de Nicolau de Cusa, 34; 2. A "douta ig- nori?ncia", 34; 2.1. A busca por aproxima- giio, 34; 2.2. A "coincidCncia dos opostos" no infinito, 35; 2.3.0s t r k graus do conhe- cimento, 35; 3. A relagio entre Deus e o uni- verso, 36; 4. 0 significado do principio "tudo esti em tudo", 36; 5. A proclamaqiio do homem como "microcosmo", 36. 111.Marsilio Ficino e a Academia plat6nica florentina 38 1. A posigio de Ficino no pensamento renascentista e as caracteristicas de sua obra, 38; 2. Ficino como tradutor, 39; 3 . 0 s pon- tos fundamentais do pensamento filosofico de Ficino, 39; 4. A filosofia como "revela- gio" divina, 40; 5. A estrutura hierirquica do real e a alma como "copula mundi", 40; 6. A teoria do "amor plathico" e sua difu- sio, 40; 7. A doutrina migica de Ficino e sua importihcia, 41. IV. Pico della Mirandola entre platonismo, aristotelismo, cabala e religiio 42 1. 0 pensamento de Pico, 42; 2. Pico e a cabala, 42; 3. Pico e a doutrina da dignida- de do homem, 44. V. Francisco Patrizi 45 1.Patrizi: exemplo da continuidade da men- talidade hermktica, 45. T~xros- Nicolau de Cusa: 1.0conceito de "douta ignorLincia",46; 2. A "coincidtncia dos opostos" em Deus, 47; 3. 0 principio "tudo esta em tudo" e seu significado, 49; 4. 0 maximo absoluto e a natureza do ho- mem como microcosmo, 51; M. Ficino: 5. A c o n c e p ~ i oda alma como "copula mundi", 52; Pico della Mirandola: 6. A dig- nidade do homem, 53. Capitulo quarto 0 Aristotelismo renascentista e a revivesc2nciado Ceticismo- 55 I. 0 s problemas da tradigio aristottlica na era do Humanism- 55 1. As tr2s interpretagdes tradicionais de Aristoteles, 55; 2. As temiticas aristotklicas tratadas na Renascenga, 56; 3. A complexa questiioda "dupla verdade", 56; 4. Valincia do Aristotelismo renascentista, 57. 11. Pedro Pomponazzi 58 1.0 debate sobre a imortalidade da alma, 58; 2. A natureza da alma e a virtude hu- mana, 59; 3. 0 "principio da naturalida- den,59; 4 . 0 privilkgio que deve ser dado i experitncia, 80. 111.Renascimento de uma forma moderada de Ceticismo 61 1.Reviveschcias dasfilosofiashelenisticasna Renascenga, 61; 2. Michel de Montaigne e o ceticismocomofundamentodesabedoria,61. TEXTO~- P. Pomponazzi: 1. A quest20 da imortalidade da a h a , 63; M. de Montaigne: 2. Filosofar e' aprender a mower, 65. Capitulo quinto A Renascenga e a Religiiio- 67 I. Erasmo de Rotterdam e a "philosophia C h r i s t i " 67 1.A posigio, a vida e a obra de Erasmo, 67; 2.Concepqiiohumanista da filosofia cristii,68; 3 . 0 conceito erasmiano de "loucura", 69. 11. Martinho Lutero 70 1. Lutero e suas relagdes com a filosofia, 70; 2. As relagdes de Lutero com o pensa-
  7. 7. mento renascentista, 71; 3. 0 s pontos basi- cos da teologia de Lutero, 72; 3.1. 0 ho- mem se justifica apenas pela fC e sem as obras, 72; 3.2. A "Escritura" como a fonte de verdade, 73; 3.3. 0 livre exame da "Es- critura", 74; 4. ConotaqGes pessimistas e irracionalistas do pensamento de Lutero, 74. 111.Ulrich Zwinglio, o reformador de Zurique- 76 1.A posiqiio doutrinal de Zwinglio, 76. IV. Calvino e a reforma de G e n e b r a 77 1. 0 s pontos fundamentais da teoria de Calvino, 77. V. Outros teologos da Reforma e figuras ligadas ao movimento p r o t e s t a n t e 79 1. IntCrpretes importantes do movimento protestante, 79. VI. Contra-reforma e Reforma catolica 80 1. 0 s conceitos historiograficos de "Con- tra-reforma" e de "Reforma catolica", 80; 2. 0 Concilio de Trento, 81; 3. 0 relanqa- mento da Escolastica, 83. TEXTOS- Erasmo: 1. Erasmo: o elogio da loucura, 84; M. Lutero: 2. 0 primado da fe' em Cristo sobre as obras, 88; 3. Sobre o ser- vo-arbitrio do homem, 89;J. Calvino:4. Deus predestinou alguns homens a salva@o, ou- tros a dana@o, 90. Capitulo sexto A Renascenqa e a Politica 93 I. Nicolau Maquiavel 93 1.A posiqiio de Maquiavel, 93; 2. 0 realis- mo de Maquiavel, 94; 3. A "virtude" do principe, 94; 4. Liberdade e "sorte", 94; 5. 0 "retorno aos principios", 95; 11. Guicciardini e Botero 96 1. A natureza do homem, a sorte e a vida politica em Guicciardini e Botero, 96. 111. Tomis Morus 97 1.Imagem emblemitica e conceit0 de "Uto- pia", 97; 2. 0 s principios morais e sociais em que se inspiram os habitantes de Uto- pia, 98. IV. Jean Bodin e a soberania absoluta do Estado 99 1.A idCia de "soberania" do Estado no pen- samento de Bodin, 99. V. Hugo Grotius e a funda~io do jusnaturalismo 100 1.Grotius e a teoria do direito natural, 100. TEXTOS- N. Maquiavel: 1.A necessidade de "ir diretamente a verdade efetiva da coi- sa", 101; 2. A sorte e' arbitra da metade de nossas ap5es, 101. Capitulo setimo VQtices e resultados conclusivos do pensamento renascentista: Leonardo, TelCsio, Bruno e Campanella 103 I. Natureza, citncia e arte em Leonardo 103 1.Vida e obras, 103; A ordem mecanicista da natureza, 104; 3. "Cogitagiio mental" e "experihcia", 105. 11. Bernardino Telksio: a investigasgo da natureza segundo . , . seus proprios principios- 106 1. Vida e obras, 106;2. A novidade da fisi- ca telesiana, 107; 3. 0 s principios proprios da natureza, 108; 4. 0 homem como reali- dade natural, 109; 5. A moral natural, 109; 6. A transcendcncia divina e a alma como ente supra-sensivel, 110. 111.Giordano Bruno: universo infinito e "heroic0 furor" .. 111 1. Vida e obras, 112; 2. A caracteristica de fundo do pensamento de Bruno, 113; 3. Arte da memoria (mnemottcnica)e ar- te magico-hermitica, 114; 4. 0 universo de Bruno e seu significado, 114; 5. A in- finitude do Todo e o significado impress0 por Bruno a revolugiio copernicana, 115; 6. 0 s "heroicos furores", 116; 7. Conclu- sGes, 117. MAPACONCEITUAL - A deriva@o do univer- so de Deus e o "herdico furor", 118.
  8. 8. IV. Tomas Campanella: naturalismo, magia e anseio de reforma universal 119 1.A vida e as obras, 120;2. A natureza e o significado do conhecimento filosofico e o repensamento do sensismo telesiano, 121; 3. A autoconscihcia, 122; 4. A metafisica campanelliana: as tres "primalidades" do ser, 123;5 . 0 pan-psiquismo e a magia, 123; 6. A "Cidade do Sol", 124; 7. Conclus6es, 124. MAPACONCEITUAL. - 0 s fundamentos da metafisica, 126. TEXT~S- Leonardo da Vinci: 1.As caracte- risticas da ciZncia, 127; B. Telisio: 2. A na- tureza deue ser explicada segundo seus principios, 129;G. Bruno: 3. Unidade e infi- nitude douniuerso, 130;4 . 0 mito deAction, 132; T. Campanella: 5. A doutrina do co- nhecimento, 133; 6. A estrutura metafisica da realidade, 135. Segunda parte Capitulo oitavo Origens e traqos gerais da revoluqiio cientifica 139 I. A revoluqio cientifica: o que muda com ela 139 1.Como a imagem do universo muda, 141; 2. A terra niio i mais o centro do universo: consequincias filosoficas desta "descober- tan, 143;3. A ciEncia torna-se saber experi- mental, 143;4. A autonomia da ciincia em relaqiio a f6, 144; 5. A cisncia niio i saber de essincias, 144; 6. Pressupostos filos6- ficos da cihcia moderna, 144; 7. Magia e cicncia moderna, 145. 11.A formaqiio de novo tip0 de saber, que requer a uniio de ciEncia e tecnica 146 1.A revoluqiiocientifica cria o cientista ex- perimental moderno, 146; 2. A revoluqso cientifica: fusao da ticnica com o saber, 146; 3. A cicncia moderna reune teoria e pritica, 147; 4. 0 s instrumentos cientifi- cos como parte integrante do saber cienti- fico, 148. Capitulo nono A revoluqiio cientifica e a tradiqiio magico-hermktica--- 151 I. Presenqa e rejeiqiio da tradiqiio migico-hermetica- 151 1. Resultados do pensamento magico-her- mitico sobre a ciincia moderna, 152; 2. A uniao estreita entre astrologia, magia e ci&n- cia moderna, 153; 3. Caracteristicas da as- trologia, 154;4. Fisiognomonia, quiroman- cia e metoposcopia, 154; 5. Caracteristicas da magia, 155. 11. Reuchlin e a tradiqio cabalistica. Agripa: "magia branca" e "magia negra" 156 1.Reuchlin e a cabala, 156; 2. Agripa e a magia, 156. 111.0 programa iatroquimico de Paracelso 158 1.Paracelso: da magia a medicina natural, 158. IV. TrGs "magos" italianos: Fracastoro, Cardano e Della Porta- 160 1.Jer6nimo Fracastoro, fundador da epide- miologia, 161; 2. Jer6nimo Cardano, um mago que foi midico e matematico, 162; 3. Giambattista Della Porta, entre 6tica e magia, 163. Capitulo dicimo De CopCrnico a Kepler - 165 I. Nicolau Copernico e o novo paradigma da teoria helioctntrica 165 1. 0 significado filosofico da "revoluqao copernicana", 166; 2. A interpretaqso ins- trumentalista da obra de CopCrnico, 167; 3 . 0 realism0 e o Neoplatonismo de Copir- nico, 168; 4. A situaqiio problematica da astronomia pri-copernicana, 169;5. A teo-
  9. 9. ria de CopCrnico, 170; 6. CopCrnico e a tens50 essencial entre tradi@o e revolul50, 171. 11. Tycho Brahe: nem "a velha distribuigiio ptolemaica" nem "a moderna inovagiio introduzida pel0 grande Copernico" 173 1. Uma restaural50 contendo os germes da revoluq50, 173;2 . 0 sistema tych8nic0, 174. 111.Johannes Kepler: a passagem do "circulo" para a "elipse" e a sistematizac;5omatemitica do sistema copernicano -176 1.Kepler: vida e obras, 177; 1.1.Kepler, ma- temhtico imperial em Praga, 178; 1.2. Kepler em Linz: as "Tabuas rodolfinas" e a "Har- monia do mundo", 179; 2. 0 "Mysterium cosmographicum": em busca da divina or- dem matematica dos &us, 180; 3. Do "cir- culo" a "elipse". As "tris leis de Kepler", 181; 4. 0 sol como causa dos movimentos planetarios, 183. T~y,ros- N. CopCrnico: 1.A novidade da concep@o copernicana, 185; T. Brahe: 2. Entre tradi@o e inova@o, 187. Capitulo dkcimo primeiro 0drama de Galileu e a fundaqiio da cihcia moderna 189 I. Galileu Galilei: a vida e as obras 192 1. As etapas mais importantes na vida de Galileu, 192. 11. Galileu e a "fen na luneta- 195 1. A luneta como instrumento cientifico, 195. 111. 0 Sidereus Nuncius e as confirmag6es do sistema copernicano 197 1.0universo torna-se maior, 197;2 . 0 cho- que entre os maximos sistemas do mundo, 197. IV. Galileu: as rakes do choque com a Igreja e a critica do instrumentalismo de Belarmino 199 1.A origem dos dissidios entre Galileu e a Igreja, 199; 2. As relaq6es entre Galileu e Belarmino, 200. V. A incomensurabilidade entre ciihcia e f i 202 1.A Sagrada Escritura n5o se refere a estru- tura do cosmo, 202; 2. Autonomia da citn- cia em rela@o is Escrituras,202; 3. As Escri- turas se referem ?inossa salvaq50, 203. VI. 0 primeiro processo 205 1.Primeira advertincia a Galileu para n5o sustentar a teoria copernicana, 205. VII.A derrocada da cosmologia aristotdica e o segundo process0 206 1.Uma s6 fisica basta para o mundo celeste e o terrestre, 206; 2. 0 principio de relativi- dade galileano, 207; 3. 0 segundo proces- so: a condena@o e a abjuraqio, 208. VIII. A ultima grande obra: 0s Discursos e demonstra@es matematicas em torno de duas novas ci2ncias 209 1.Estrutura da matiria e estitica, 209; 2. A celebreexperihcia do plano inclinado, 210. 1X.A imagem galileana da cihcia 212 1.A ciincia nos diz "como vai o cCu" e a fC "como se vai ao cCu", 212; 2. Contra o autoritarismo filosofico,212; 3.Aatitudejus- ta em rela@o 2 tradiqao, 212; 4. A ciincia nos diz verdadeiramentecomo C feitoo mun- do, 21% 5. A citncia C objetiva, porque des- creve as qualidades mensuraveisdos corpos, 213; 6 . 0 pressuposto neoplat8nico da ciin- cia galileana, 214; 7. A citncia n5o busca as essincias, e todavia o homem possui alguns conhecimentos definitivos e n5o revisiveis, 215; 8 . 0 universo deterministic0de Galileu ngo C mais o universo antropocintrico de Aristoteles, 215; 9. Contra o vazio e a insen- satez de algumas teorias tradicionais, 216.
  10. 10. Jndice geral X. A quest50 do mktodo: <c experiencias sensatas" elou "demonstraq6es necessarias" ? 217 1. A experihcia cientifica C o experimento, 217; 2. A mente constr6i a experihcia cien- tifica, 218; 3. Um exemplo de como a ob- servaqio depende das teorias, 219. TEXTOS- G. Galilei: 1. 0 telescopio na re- volu@o astron&nica, 220; 2. CiBncia e f&, 221; 3. Me'todo e experiBncia, 225; 4. CiBn- cia e ticnica, 226; R. Belarmino: 5. A inter- p r e t ~ @ ~instrumentalists do Copernicanis- mo, 227. Capitulo dkcimo segundo Sistema do mundo, metodologia e filosofia na obra de Isaac Newton 229 I. 0 significado filosofico da obra de Newton 232 1.A teoria metodologica de Newton, 232. 11. A vida e as obras 233 1.Como Newton soube ler a queda de uma ma@, 233; 2. A polCmica com Hooke, 234. 111. As "regras do filosofar" e a "ontologia" que elas pressupoem 236 1.TrCs regras metodologicas, 236; 2. A teo- ria corpuscular, 236; 3. A gravitaqiio uni- versal, 237. IV. A ordem do mundo e a existencia de Deus 238 1.0 sistema do mundo C uma grande mi- quina, 238. V. 0 significado da senten~a metodologica: "hypotheses non fingo" 238 1. 0 mitodo de Newton: formular hipote- ses e provi-las, 238. VI.A grande maquina do mundo 239 1.As trCs leis do movimento, 239; 2. A lei de gravitaqio universal, 240. VII.A mec5nica de Newton como programa de pesquisa- 241 1. A importincia da fisica newtoniana na historia da cicncia, 241. VIII.A descoberta do cilculo infinitesimal e a polemica com Leibniz - 242 1 . 0 sestudos matemiticos de Newton, 242; 2. Newton e o cilculo infinitesimal,243; 3. A poltmica entre Newton e Leibniz, 244. TEXTOS- I. Newton: 1.As quatro regras do me'todo experimental, 245; 2. Deus e a or- dem do mundo, 246. Capitulo dkcimo terceiro As ciincias da vida, as Academias e as Sociedades cientificas 249 I. Desenvolvimentos das ciencias da vida 249 1. 0 avanqo da pesquisa anathmica, 250; 2. Harvey:a descoberta da circulaqio do san- gue e o mecanicismo biologico, 250; 3. Fran- cisco Redi contra a teoria da geraqio espon- tinea, 251. 11. As Academias e as Sociedades cientificas- 253 1.A Academia dos Linceus, 254; 2. A Aca- demia do Cimento, 254; 3. A "Royal Socie- ty" de Londres, 256; 4. A Academia Real das CiCncias na Franqa, 257. TEXTOS- F. Redi: 1. Contra a teoria da ge- rag20 esponthzea, 258. Terceira Parte BACON E DESCARTES Capitulo dkcimo quarto FrancisBacon: filosofo da era industrial 263 I. Francis Bacon: a vida e o projeto cultura- 263 1.Bacon: o fil6sofo da era industrial, 263. 11. 0 s escritos de Bacon e seu significado 265
  11. 11. 1.A filosofia baconiana expressa nas obras, 265. 111."AntecipaqGes da natureza" e "interpreta~Gesda natureza" -267 1.0 mCtodo por meio do qua1se alcanqa o verdadeiro saber, 267. IV. A teoria dos "idola" 269 1. Significado da teoria dos "idola", 269; 2 . 0 s "idola tribus", 269; 3 . 0 s "idola spe- cus", 270; 4. 0 s "idola fori", 270; 5. 0 s "idola theatri", 271. V. 0 escopo da ciincia: a descoberta das "formas" 272 1. Um ponto cardeal do pensamento de Bacon, 272; 2. 0 poder do homem esta em ~roduzirem um corpo novas naturezas, 272; 3. Acitncia esti na descobertadas "formas", 272; 4. A idiia baconiana de "forma", o "processo latente" e o "esquematismo la- tente", 273. VI.A induqiio por eliminaqiio e o "experimentum crucis" -274 1.Critica induq5o aristotClica, 274; 2. As trts "tabuas" sobre as quais se deve ba- sear a nova indug50, 275; 3. Como das trts tabuas se extrai a "primeira vindima", 275; 4. A nova induqso como "via media- na" entre as seguidas por empiristas e racionalistas, 276; 5. 0 "experimentum crucis", 276. MAPACONCEITUAI. -A interpreta@o da nu- tureza, 278. TEXTOS- F. Bacon: 1. A necessidade de um novo metodo nus ciBncias e nus artes, 279; 2. As linhas gerais do novo metodo, 281. Capitulo dkimo quinto Descartes: "0 fundador da filosofia moderna" 283 I. A vida e as obras 283 1.Um novo tip0 de saber centrado sobre o homem e sobre a racionalidade huma- na, 283. II. A experiincia da derrocada da cultura da tpoca 286 1.Criticas a filosofia e a logica tradicionais, 286; 2. Criticas ao saber matemitico, 287; 3. 0 problema geral do fundamento do sa- ber, 288. 111. As regras do mttodo 288 1.Conceitos e numero das regras do mito- do, 289; 2. Aprimeira regra do mitodo, 289; 3. A segunda regra do mitodo, 289; 4. A terceira regra do mttodo, 290; 5. A quarta regra do mttodo, 290; 6. As quatro regras como modelo do saber, 290. IV. A duvida metodica e a certeza fundamental: G< cogito, ergo sum" 291 1. A duvida como passagem obrigatoria, mas provisoria, para chegar a verdade, 291; 2. Absolutez veritativa da proposi- q5o "eu penso, logo existo", 292; 3. A pro- posiqzo "eu penso, logo existo" n5o C um raciocinio dedutivo, mas uma intuiqiio, 292; 4. 0 eixo da filosofia n5o i mais a citncia do ser mas a doutrina do conheci- mento, 293; 5. 0 centro do novo saber C o sujeito humano, 294; 6. A reta raz5o humana, 294. V. A existincia e o papel de Deus 295 1. 0 problema da relagio entre nossas idiias, que s5o formas mentais, e a realida- de objetiva, 295; 2. "IdCias inatas", "idiias adventicias" e "idCias facticias", 296; 3. A idiia inata de Deus e sua objetividade, 296; 4. Deus como garantia da funq5o ve- ritativa de nossas faculdades cognosciti- vas, 297; 5. As verdades eternas, 298; 6 . 0 err0 n5o depende de Deus, mas do homem, 299. VI. 0 mundo t uma maquina 299 1. A idCia de extens50 e sua importincia essencial, 299; 2. Apenas a extensio C pro- priedade essencial, 300; 3. A matiria (ex- tens5o) e o movimento como principios constitutivos do mundo, 300; 4. 0 s prin- cipios fundamentais que regem o univer- so, 301; 5. Reduq5o de todos os organis- mos e do mundo inteiro a maquinas, 301. VII. Alma ("res cogitans" ) e corpo ("res extensa")-302 1.0 contato entre "res cogitans" e "res ex- tensa" ocorre no homem, 302.
  12. 12. VIII. As regras da moral MAPACONCE~TUAL- 0 "cogit0 ",306. provisoria 303 1. A primeira regra, 304; 2. A segunda re- TMTOS- R. Descartes: 1.ASregras metodi- gra, 304; 3. A terceira regra, 304; 4. A quarta cas, 307; 2. 0 ''cogit0 ergo sum", 309; 3. A regra, 304; 5.A razz0 e 0 verdadeiro corn0 "terceira meditapio" em torno de Deus e fundamento da moral, 304. de sua exist2ncia, 310.
  13. 13. Abetti G., 177, 179, 180 ACQUAPENDENTE,F. D', 249,250 Afonso I1 d'Este, 45 AfonsoX,reideLeiioeCastela,170 AGOSTINH~IIF HII'ONA,16,22,68, 91,122,135,202 AGRIPAC. DE NFTTESHEIM(Heinrich Cornelius),161,156-158,163 ALBERTIL.B., 23,24-25, 147 Alcibiades, 84 ALEMBERT,J.B. LERONDI)',266 ALEXANDREDE AFROD~SIA,56,58,64 AlexandreVI, 44 Alexandre VII, 256 AMBR~SIO,68 Ammannati G., 192 ANAXAG~RAS,36,49 ANSELMODE AOSTA,297 ARIST~TELES,3, 6, 8, 22, 23, 24, 25,29,31,45,47,56,57,60, 63, 64, 76, 83, 94, 107, 108, 109,110,115,124,137,143, 144,191,192, 197,199,207, 210,212,213,215,216,217, 218,225,264,265,273 ARNALD~DE BR~SCIA,20 AKNAULI)A., 285 AKN~BIO,68 ARQUIMEDES,144, 148, 192 Arrighetti N., 221, 222 Asimov I., 250 ATANASIO,64 AVERR~IS,21, 56, 57, 58, 60, 64 AVICENA,158 3, es* * Neste indice: BACONF.,12, 108, 139, 141, 145, 151,153,163,239,253,257, 261,263-278,279-282 Bacon N., 263,264 BadouGreJ., 189, 195 Baliani J.B., 217 BANFIA., 167 BARBAROE., 25,42 Barone F., 166,167 BarSnio C. card., 190,202 BARROWI., 229, 233,242 BAYIXP., 145, 151, 153 BEECKMANI., 284 BELARMINOR., 144,165,168,190, 200,201,205,208,227-228 Bembo P., 38,41 BENIP., 145 BERKELEYF., 243 BERULIF P. DE,284 BESSAIW>NEG., card., 32 BIRINGUCCIOV., 147 Bocchineri G., 193 BODINJ., 99, 200 BOHMEJ., 79,80 BOI.ZANOB., 244 BORELLIA., 249,251,255 BORELLIJ., 255 B6rgia C., 103 B~TEKOJ., 96 BOYLER., 145, 148, 153, 229, 232,239,252,254 BRA(:C:IOLINIP., 23, 24 BRAHET., 142, 152, 173-175, 176, 177,178,180,181,182,187-188 BRUNELLESCHIF., 147 BRUNIL., 21,23-24, 31 BRUNOG., 41, 55, 57, 103, 111- 118,120,130-133,143, 168, 199,285 Bullart I., 136 BUONARROTIM., 5 Buono, C. del, 255 Buono, P. del, 255 Burckhardt I., 9, 10, 19-20 Burdach K., 9,11,20 BURIDAN~,172 ButterfieldH., 171 CAIETANO(Tomasde Vio), 83 CAIVINOG. (JeanCauvin),77-78, 83, 90-92, 144, 190, 200, 250 CAMPANEILAT., 9,55,57,103,119- 126,133-136, 193, 199,285 Carafa, 107 C A R D A N ~J., 160, 162-163, 265 Carlos 11, 253,256 Carlos V, 75 Carlos VIII, 161 CASTELLIB., 148, 189, 193, 203, 205,221 Castiglione B., 38,41 CAUCHYA.L., 244 CAVALIERIB., 211,242 Cellari A., 142 -reportam-se em versalete os nomes dos fil6sofose dos homens de cultura ligados ao desenvolvimentodo pensamento ocidental, para os quais indicam-se em negrito as piginas em que o autor e tratado de acordo com o tema, e em itilico as piginas dos textos; -reportam-se em itilico os nomes dos criticos; -reportam-se em redondo todos os nomes n5o pertencentes aos agrupamentos precedentes.
  14. 14. Cellini B., 147, 162 CESALPINOA., 60, 250 Cesi F., 196, 198,253,254 CICEROM. TULIO,3,5,29,76,154, 170,265,287 CIPRIANODE CARTAGO,68 Clemente VIII, 178 Cola de Rienzo, 9, 11, 12 Colbert J.B., 253, 257 Colombo C., 161 COLOMBOR., 249,250 Constantino, imperador, 14,27 C~PPRNICON. (NiklasKoppemigk), 117,124,139,140,141,142, 143,144,145,152,161,166, 167-172,173,174,175,178, 185-187,l88,l99,2Ol,206, Cosme de MCdici (oVelho),38 CosmeI1de MCdici, 189,192,195, 197 Cranach L., 71 CI~EMONINIC., 60 CRISOI.ORAM., 22, 23, 31 Cristina da SuCcia,283,285,286 Cristinade Lorena, 189,193,202, 203,217,221 Da Costa Andrade, 233 DARWINC., 147 DATIC.R., 255 DECUSAN. (Kryftsou Kreb), 31, 32, 33-37,46-52, 114, 116 Del Monte EM., 205 DELLAPORTAG.B., 120,145,154, 160,163,196 Demostenes de Atenas, 23 DESCARTESJ., 283 DESCARTESR., 12, 121, 122, 125, 139,141,146,153,231,232, 239,242,249,250,251,254, 261,283-306,307-316 Devereux R., 264 DIDF.ROTD., 266 DIGGEST., 172 Dijksterhuis E.J., 181, 183, 233 Dini P., 189, 193, 201, 204 Dro~LsloAREOPAGITA(PSEUDO),17, 33, 34, 39 Donato L., 196 DreyerJ.L.E., 179 DUNSES(:OTOJ., 57, 265 Diirer A., 87 ECFANTOPITAG~KICO,166, 171 ECKHART(Mestre)G., 34 Eduardo VI, 163 EINSTEINA., 141,241 Elisabeth I, 263,264 E~rcu~to,24, 26, 29, 115 ERASMODE ROTTERDAM(Geer Geertsz),67-69,70,71,84-87 Ernesto de Baviera, 179 Esco~oERIUGENA,34 ~ s ~ u i n e sde Sfetto, 23 ESTEVAOH. (Stephanus),61, 65 EUCLIDES,148, 192,232, 244 Eunoxlo DE CNIIIO,244 EULER,288 EUSTAQUIOB., 250 FALOPIOG., 250 Farrington B., 266 Ferdinand0 da Austria, 178 FERMATP., 242, 243 FERNEI.J., 163,251 FICINOM., 15, 16,17,31,32,38- 41,42,45,52-53,54,67,71, 76, 109, 113, 114, 115, 116, 145,155 Filipe de Hessen, 77 FII.OI.AULIE TEBAS,166, 171 FOSCARINIA., 200, 228 FRACASTOROJ., 151,153,160,161, 170 Francisco da Austria, 255 Francisco I, 104 FRANCKS., 79, 80 Frederico I1 da Dinamarca, 173, 174 Frederico V do Palatinato, 286 Fugger S., 158 GAI.ENO,144, 158, 250, 265 GALILEIG., 9, 12, 103, 105, 107, 108,110,120,137,139,140, 141,142,143,144,145,146, 147,148,149,152,153,166, 168,171,173,175,176,177, 178,179,184,189-219,220- 227,228,231,232,233,239, 240,254,256,263,283,285, 288,300 GALILEIL., 192 Galilei Vincenzo (filho),192 Galilei Vincenzo (pai),192 Galilei Virginia (irml Maria Ce- leste), 192 Gamba M., 192 Garin E., 3,7,8,11,18-19,22,24, 27,29 GASSENDIP., 285 Gaywood R., 251 GClio Aulo, 3, 5 GEMISTOPI.FTONJ., 17, 32 Genser C., 163 GENTILIA., 100 Geymonat L., 196, 199 GHIBEK~1 L., 147 Giese T., 185 GILBEI~TW., 183 Giordano A., 222 Giordano P., 222 GRASSIH., 193, 206 Gregory T., 64 GKOTIUSH. (Huigde Groot), 100 GUI(:CIARDINIF., 96 Guldenmann C., 177 Guthrie D., 161, 162 HAI.I.FYE., 229, 234 Hals F., 284 HARVEYW., 144, 152, 163, 249, 250-251,252 HEGELG.W.F., 71 Henrique 111, 112, 114 Henrique VIII, 97 HERACLIDESP~NTICO,166, 171 HERACLITODF. EFESO, 270 HERMESTK~SMF.GISTO/COR~'USHER- METICUM,1,4,7,8,14,15-16, 17,38,39,40,44,45,53,71, 113,145,152,155 HERON,148 HERVETG., 61, 65 HOBBEST., 243, 249, 250, 285 Holbein H. (oJovem),68,69,97 Homen D., 13 Homero, 84 HOOKER., 149, 150, 229, 234- r 235 HORKYDE LOC:H~VICM., 179 Huss J., 74 HUYGENSC., 148,229,234,253, 255,257
  15. 15. Jndice de nomes XVII Leopoldo de Toscana, 253, 254, 255,256 ALiceti F., 218, 225 IOTAI)E SIKACUSA,166, 170 LICHTENBEKCG., 166 OCKHAMG., 57, 71 INACIOI)F L~YOI.A,80 Lipps J.H., 232 OLDENBURGH., 253,257 IKENE~JIIF. LIAO,68 LIPSIOJ. (JOOS~Lips),61 OKESMEN., 172 Isabel (filhade Frederico V),286 LOCKEJ., 229,234 OKFEU/HIN~SORFI(:OS,14, 17,38, Lorini N., 205 39,40, 71 Orsini card., 205 Lourenfo de' MCdici, 41, 44 Luc"i0, 54 OSIANL)ERA(AndreasH.Hosemann), 144,165,168,172,199 Lua&c:lo CAKO,TITO,115 OUGHTREDW., 242 Ludovico, o Mouro, 103 Jaime I, 264, 265 JA~vilr~.rcoLIE CALCIDA,39 Luis XIII, 121 Luis XIV, 253,257 JoHo (Evangelists), 16, 51 Lul.ro R. (RamonLhull),114,307 JoHo de Stefano, 15 LL~TER~M., 67, 69, 70-75, 76, 77, rg JOKGF.DF. TRF.BISONI)A,32 78, 79, 83, 88-90, 144, 190, M.7 25 Juliano de Medici, 178 200 PARACF.I.SO(Theophrast Bombast Juliano o Teurgo,l6 vonHohnheim),145,151,153, 158-160, 163, 265 ;;;czL~;;%;; 5 A PATRIZIF., 45, 107 MACHE., 231,240 Paulet A., 264 KANTI., 167,229,232,233,299 MAESTLINM., 172, 176, 177 PAUI.~DE TARSO,17, 26, 69, 78 Kepler H., 177 MAGAI.OTTIL., 148, 254, 255 Paulo 111papa, 169, 185, 199 KEIUKJ., 139, 140, 141, 142, MAGG~v.,107 PEDROLOMHARDO,83 144, 145,146,147,151, 152, MA,pl(;,lr M., 148, 252 PFIKCEC.S., 154 153,166,168,172,173,174, MANErrlG., 25 175,176-184,192,195,196, Pelli L., 260 239,242,283 MANSOG.B., 145 PETRAKCAE, 5,9,11,12,14,21-22, KIEKKF.GAAKDS.,71 MAQUIAVFI.N., 93-95,96,101-102 23,28-29 KIKCHEKA., 260 MAIWLIA., 255 PICAKIIJ., 234 KI.AUC. (Clivio),198, 199 Mauricio de Nassau, 284 Picchena C., 206 ~ ~ ~ ~ , jA., 140, 147, 167, 239 MAuKol,lc:oF., 178, 196 PiccolominiA., 193 Kristeller PO., 3, 6, 7, 8, 18 Maximiliano da Baviera, 284 Prco DEI LA MIKANDOI.AGiovanni, 1, MAZZONIJ., 192 31, 32, 38, 41, 42-44, 45, 53- KUHNTH.S., 141,166,167,172, 175, 180, 181, 182, 184, 199 MF.~.ANCHTONFV79,144,190,200 54,59,67,71,76,113,121,156 MERSENNEM., 125,254,284,285 Pr(x' GianfrancescO,61 Micincio F., 192 PIF.RODEI I A FKANCFSCA,147 Mierevelt, M. van, 100 Pio XI papa, 97 Mocenigo J., 111, 113 PITAGORAS,38, 40 MoisCs, 16 PLATAO,4, 7, 8, 14, 17,21,22,23, LAcTANclo L.C. FIRMIANo, 16,169 MONTAIc;NE,M. de, 61-62, 65-66 25, 31, 38, 39,40,45,46, 53, Larmessin, N. de, 136 64, 76, 84, 87, 94, 124, 210, Mo~usT., 97-98 LAUSCHENG.J. (Rheticus), 165, Miintzer T., 77 265 168,169,171 PIOTINO DF. LI(:(POIIS,4, 7, 8, 39, Muraro L., 164 LAVATEKJ.C., 154 45,52,115 LAVOISIF.~A.-L., 141 PLUTAKCOIIE QUERON~.IA,23 LEAOHEBKEU(JehudahAbarbanel), Poliziano A., 54 41 Po~nr~*zzrP. (PerettoMantova- LeHo X papa, 104, 187 no), 6, 57, 58-60, 63-65 LEEUWENHOEK,A. VAN,148,252 Nard2 B., 60 POPEA., 137 LEF~VKED'~TAPLESJ. (FaberStapu- N E w m ~I., 137, 139, 141, 142, P o R ~ ~ I OT1~0,39 lensis),77 147, 149, 150, 152, 176,184, Pnocr o,r39, 45, 169 LEIRNIZG.W., 211,232,242,244, 211,229-244,245-248, 253 ~ ~ ~ 1 . 1 . 0M., 39 254,283 Niethammer, El., 4 P T ~ L ~ M E U ,124, 151, 154, 171, LEONAKDODA VINCI,4, 103-105, NOVAL~S,114 174,192,197,199,200,204 127-128, 147 NOVAKAD.M., 169 Piitter, 80
  16. 16. RAWLEYW., 264 Rmr F., 249,251-252,255,258- 260 RF.INHOI.DE., 172 REUCHLINJ. (Capnion),156 REYJ., 148 Rheticus (verLauschen G.J.) Rlccr O., 189, 192 Richelieu, A.-J. card. de, 119 RINALDINIC., 255 Rodolfo I1de Asburgo, 112,174, 178 Ronchi V., 178,196 Rosselli C., 54 Rossi P., 175, 254 Sagredo G., 192,207 SAI.UTATIC., 21, 22 Salviati F., 207 Santi di Tito, 95 Sarpi P., 192 SavonarolaJ., 42 SCHLEIERMACHERF.D.E., 114 SCH~LARIOSGENNADIOJ., 32 Schonberg N., 167, 185 SEGNIA., 255 S~NECA,28, 76 SERVETM., 79,249,250 SEXTOEMI~~R~<:o,61, 62, 65 SIWRLIE BRABANTE,55, 57 SOCINOF., 79 SOCINOL., 79 SOCRATES,22,28, 59,68, 84, 94 SP~NOZAB., 41, 111, 114, 117 Sprat R.T., 266 Stevenzoon van Calcar J., 250 SUAREZF., 80, 83 Sylvius, 163 TARGIONI-TOZZETTIG., 255 TARTAGLIAN., 189, 192 TELBSIOB., 55,57,103,106-110, 121,123,129 TEM~STIO,64 Ticiano, 82, 250 TOMASDE AQUINO,57,58,63, 64, 83,120,135,265 Tomis de Vio (ver Caietano) VFSALIOA., 249, 250 VIETEF., 242 Vinta B., 218, 226 VITRUVIO,148 VIVIANIV., 148, 189, 194,255 VOETG. (VoCcio),285 VOLTA~RF.F.M. (ArouetEM.),233, 235 W~LLENSTE~NA., 180 WALLISJ., 242,243, 244 WFRERM., 78 WEICELV., 79-80 WOI.FFC., 80, 83 WRENC., 229,234 WYCLIFJ., 74 Xenofonte de Atenas, 23 ULIVAA., 255 Urbano VIII (Maffeo Barberini), 121,191,193,206,208,285 VALLAL., 15,26-27,29-30 VALTUR~ODE R~MINI,147 VANINIJ.C., 60 Vayringe, 255,256 Verrocchio A., 105 A Yates F.A., 113 ZABARELLAJ., 60 Z~ROASTRO(ZARATUSTRA)/ORACU- LOS CALDEUS,14, 16-17, 38, 39,40,43, 45, 71 ZW~NGLIOU., 76-77, 83
  17. 17. antecipaqiio da natureza, 267 idtia, 297 anticopernicanos, 200 indu~iiopor elimina~iio,275 interpretaqso da natureza, 268 rq "cogito, ergo sum", 292 evidtncia, 289 "res cogitans" e "res extensa", 293 experitncia (papelda experitncia na pesqui- sa cientifica), 218 Ft religiosa (finalidadeda fi), 203 sorte do De revolutionibus, 172
  18. 18. DO HUMANISM0 A DESCARTES
  19. 19. E A RENASCENCA Origens Tra~osessenciais Desenvolvimentos 'Magnummiracu/umesthomo." HermesTrismegisto, Asc/ep/i/s '6suprema merakdde de Deus Pai! 0suprema eadmira've/fekcidadedohomedH o r nao qua/ foiconcedido obteraqu//oque dese/beser aqu//o que quel Ao nascerem, 0sbrutos/evam consgo, do seio materno, tudoaqu//oque ter20, 0s esp/i- tos supeflores, desde o Ihiciooupouco depois,ja s20aqulo queser20nossecu/osdossecu/os.No h o r n nascente, o Oai depositou semenfes de toda especie egerms de toda vida. 6 2 medida quecadaumos cu/tiva/;e/escresceraoene/eda- r2o seus frutos, E se forem vegetais, serap/anta; seforemsensive&,sera'bruto,,seforemracionais, se tornard amha/ ce/este; se forem /hie/ectua/s, sera' anjo e Mho de Deus. Se, contudo, n20 con- tente com a soHe de nenhuma cHatura, se reco- /herno centrodesua unidade, tornando-seumso esphitocornDeus,nasokta'rianevoadoPa/;aque/e que foiposto sobre todas as coisas estara' sobre todasas coisas." Pico della Mirandola
  20. 20. Capitulo primeiro 0 pensamento humanista-renascentista e suas caracteristicas gerais Capitulo segundo 0 s debates sobre problemas morais e Neo-epicurismo Capitulo terceiro 0 Neoplatonismo renascentista Capitulo quarto 0 Aristotelisrno renascentista e a revivescGncia do Ceticismo Capitulo qulnto A Renascenqa e a Religiiio Capitulo sexto A Renascenqa e a Politica Capitulo sCtimo Virtices e resultados conclusivos do pensamento renascentista: Leonardo, Telesio, Bruno e Campanella 103
  21. 21. C a p i t ~ I oprimeiro 0pensamento hMmanista-renascentista e sMas caracteristicas gerais d o terrno "tl~zrnanisrno" 0 termo "Humanismo" foi usado pela primeira vez no inicio do 800 para indicar a area cultural coberta pelos estudos classicos e pelo espirito que Ihe e proprio, em contraposi@oao bmbito das disciplinas cientificas. A palavra hu- manista, porem, ja era empregada pela metade do 400, e deriva de humanitas, que em Ciceroe Geliosignifica educa@o e forma- Humanismo @oespiritualdo homem, na qua1tern papel essencial as discipli- nas literarias (poesia, retdrica, historia, filosofia). essential Ora, a partir sobretudo da metadedo 300, edepoisde mod0 representado sempre crescente nos dois seculos sucessivos, desenvolveu-se na pelas "litterae ltalia justamente uma tendencia a atribuir valor muito grande humanae" aos estudos das litterae humanae e a considerar a antiguidade + 9 1 classics, grega e latina, como um paradigmae um ponto de refe- rencia para asatividadesespirituaiseacultura emgeral. "Humanismo", portanto, significa em geral esta tendencia que, surgida essencialmente no seio da cultura italiana, pelo fim do 400 se difundiu em muitos outros paises europeus. Entre os estudiosos contemporbneos do Humanismo, sobressaem princi- palmente P.O. Kristeller e E. Garin, cujas interpretac;ijescontrapostas resultam na realidade muito fecundasjustamente por sua antiteseel se prescindirmosde alguns pressupostosdos dois autores, podemos integrd-lasmutuamente. Segundo Kristeller, o Humanismo representaria apenas me- tadedo fenbmenorenascentistae, melhordizendo, a "literaria", ouasdjfeEnte, na"o a filosdfica; portanto, ele seria plenamente compreensivel teses modernas apenas se consideradojunto com o Aristotelismo que se desen- sobre o volveu paralelamente, e que expressaria as verdadeiras ideiasfi- significado losoficas da epoca. filosdfico Segundo Garin, ao contrario, os Humanistasse voltaram a de Humanism0 umtip0 de especu1ac;a"ona"osistematica, problematicaepragmd- + 3 tica, eformaram novo metodoque, centradosobre umnovosen- tido da historia, deve ser considerado como efetivo filosofat; a direc;(?ocontem- plativo-metafisicaem que o Humanismo italiano embocou desde a segunda me- tade do 400 teria sido portanto a consequencia do advent0 das Senhorias e do eclipsar-se das liberdadespoliticas republicanas. Ora, e verdade que "humanista" indica originariamente a tarefa do litera- to, mastal tarefa foi muito alem do ensino universitdrio, entrou navida ativa e se tornou de fato "nova filosofia". Alem disso, o Aristdteles deste period0 foi um Aristotelesfrequentemente lido no texto original, sem a mediasliodastradu@es e das exegeses medievais; tratou-se, portanto, de um Aristoteles revisitado corn
  22. 22. 4 Primeira parte - O t l u m a n i ~ m ~e a R e n a s c e n c a novo espirito que apenas o Humanismopode explicar. Por fim, a pOssibi'idade grande mudanca do pensamento humanista nlo esteve apenasde integrar mutuamente ligada a uma mudanca politica, mas a descoberta e As tradu~aes as duas de HermesTrismegisto edosProfetas-Magos,de Platlo, de Plotino interpretac5es e de toda a tradiclo platgnica. A marca que contradistingue o opostas Humanismofoil portanto, um novosentidodo homem e de seus + § 3 problemas, novosentido que encontrou expressdes multiformes e por vezes opostas, mas sempre ricas e freqiientemente muito originais, equeculminou nascelebrac$es teoricas da "dignidade do homem" como ser "extraordinario" em relaclo a toda a ordem do mundo. Ha toda uma interminavel literatura critica sobre o periodo do Humanismo e do Renascimento. No entanto, os estudiosos n5o conseguiram chegar a uma definiqsodas caracteristicas dessa Cpoca, capaz de reunir um consenso unhime, mas, pouco a pou- co, enredaram a tal ponto a meada dos va- rios problemas que hoje C dificil para o pro- prio especialista desenreda-la. A quest50 revela-se ainda mais com- plexa pelo fato de que, nesse periodo, n5o ocorre apenas mudanqa no pensamento fi- losofico, mas tambCm, em geral, a mudan- qa da vida do homem, em todos os seus as- pectos: sociais, politicos, morais, literarios, artisticos, cientificos e religiosos. E tornou- se bem mais complexa ainda pel0 fato de que as pesquisas se tornaram predominantemen- te analiticas e setoriais, e os estudiosos apre- sentam a tendencia de fugir das grandes sin- teses ou at6 simplesmente das hipoteses de trabalho de carater global ou das perspecti- vas de conjunto. Assim, C necessario antes de mais nada focalizaralgunsconceitosbisicos, semosquais nHo seria possivelsequer a exposiq50dos va- rios problemas relativos a esse periodo. Comecemos por examinar o pr6prio conceit0 de "humanismo". 0term0 "humanismo" C recente. Pare- ce que foi usado pela primeira vez pel0 fi- losofo e teologo alemiio F. I. Niethammer (1766-1848) para indicar a area cultural coberta pelos estudos classicos e pel0 espi- rito que Ihe 6proprio, em contraposiqHocom a area cultural coberta pelas disciplinascien-
  23. 23. Capitdo primeiro - 8p e n s a m e n t o humanista-renascentistn e s u d s caracteristicas 5 tificas. Entretanto, o termo "humanista" (e seus equivalentes nas varias linguas)nasceu por volta de meados do skulo XV, calcado nos termos "legistan, "jurista", "canonista" e "artista", para indicar os professores e cultores de gramatica, retorica, poesia, his- toria e filosofia moral. Ademais, j i no sku- lo XIV falava-se de studia humanitatis e de studia humaniora, expressoes referidas a famosas afirmagoes de Cicero e Gelio para indicar essas disciplinas. Para osmencionadosautoreslatinos, hu- manitas significavaaproximadamente aqui- lo que os heknicos indicavam com o termo paideia, ou seja, educagiio e formaqiio do homem. Ora, nessa Cpoca de formaqiio es- piritual considerava-se que as letras, ou seja, a poesia, a retorica, a historia e a filosofia desempenhavam um papel essencial. Com efeito, siio essas disciplinas que estudam o homem naquilo que eletem de peculiar,pres- cindindo de qualquer utilidade pragmatica. Por isso, mostram-se particularmente capa- zes niio apenas de nos dar a conhecer a na- tureza especifica do proprio homem, mas tambem de fortale&-la e potencializa-la. Sobretudo a partir da segunda metade do Trezentose depois, sempre de forma cres- cente, nos dois seculos seguintes (com seu ponto culminante precisamente no sCculo XV), verificou-se uma tendEncia a atribuir aos estudos relativos as litterae humanae um grandevalor, considerandoa antiguidadeclas- sics, latina e grega, como paradigma e ponto de referkcia para as atividades espirituais e a cultura em geral. Pouco a pouco, os auto- res latinos e gregos se firmavam como mo- delos insuper6veisnas chamadas "letras hu- manas", verdadeirosmestresde humanidade. Assim, "humanismo" significaessa ten- dhcia geral que, embora com precedentes ao longo da tpoca medieval, a partir de Fran- cisco Petrarca, apresentava-se agora de mo- do marcadamente novo por seu particular colorido, por suas modalidades peculiares e 0 ce'lehre "Davt" de M~chelangelo, nu muptade e nohreza dos traps, rejmsenta vtsua~rnentr, de rnodo puradrgmatl~o, o concerto do hornern conzo "o rnamr rnllugre" do unwerso, que constltnr umu das chaues esprrrtuurs mars tlpzcas du Renuscen~a. 0 "Davl" se encontra ern Floren~a, na Gulerra cia Academta, e utnu copra dele esta na P~uzzadella Stgnorru. pela intensidade, a ponto de marcar o ini- cio de um novo period0 na historia da cul- tura e do ensa amen to. Grande fervor nasceu em torno dos cl6ssicos latinos e gregos e de sua redesco- berta, do paciente trabalho de pesquisa de codices nas bibliotecas e de sua interpreta- qiio. Varios acontecimentos levaram a uma nova aquisiqiio do conhecimento da lingua grega, considerada patrim6nio espiritual essencial do homem culto (as ~rimeirasc5-> A tedras de lingua e literatura gregas foram instituidas no Trezentos, mas a grande di- fusiio do grego ocorreu sobretudo no Qua- trocentos. De mod0 especial, o Concilio de Ferrara e Florenqa, em 1438-1439, e, logo depois, a queda de Constantinopla, ocorri- da em 1453. levaram alguns doutos bizan-L, tinos a fixar moradia na Itdia, tendo por conseqiihcia um grande increment0 no en- sino da lingua grega).
  24. 24. Primeira parte - 0+Iumuni.;~?oi. n R e n u s c r n c n ,,,, A s duas mais ~ i ~ n i f i c a t i v a s Entre as interpretaqdes contempori- neas do "humanismo", duas sio as mais im- portantes por se referirem ao seu significa- do filosofico. De um lado, P.O. Kristeller procurou limitar fortemente o significado filosofico e teorttico do humanismo, inclusive a ponto de elimini-lo. Segundo esse estudioso, bastaria dei- xar ao termo o significado te'cnico que pos- suia originalmente, restringindo-o assim ao imbito das disciplinas retorico-literarias (gramatica, retorica, historia, poesia e filo- sofia moral). ConformeKristeller, os humanistas do periodo de que estamos tratando foram su- perestimados, sendo-lhes atribuido um pa- pel de renovaqio do pensamento que eles, na realidade, niio desempenharam, visto que niio se ocuparam diretamente da filosofia e da ciencia. Em suma, para Kristeller, os hu- manistas niio foram verdadeiros refor- madores do pensamento filosofico porque, de fato, niio foram filosofos. Na visio de Kristeller, para compreen- der a Cpoca de que estamos falando, seria necessario dedicar atenqio h tradigdo aris- tote'lica, que tratava de mod0 sistematico da filosofiada natureza e da logica, que ja ha- via se consolidado fora da Itilia (sobretudo em Paris e Oxford) ha bastante tempo, mas que na Itilia so se consolidaria mais tarde. Diz Kristeller que foi na segunda metade do Trezentos que "comeqou urna tradiqiio con- tinua de aristotelismo italiano, a qual po- de ser seguida atravis do Quatrocentos e do Quinhentos e at6 por boa parte do Seis- centos". Esse "aristotelismo renascentista" se- guiu os mCtodos proprios da "escolastica" (leitura e comentario dos textos), mas enri- quecendo-se com as novas influcncias huma- nistas, que exigiriam dos estudiosos e pen- sadores peripattticos que retornassem aos textos gregos de Aristoteles, deixassem de lado as traduqdes latinas medievais e fizes- sem uso dos comentadores gregos e tambCm de outros pensadores gregos. Desse modo, destaca Kristeller, os es- tudiosos hostis h Idade MCdia confundiram esse aristotelismo renascentista com o resi- duo de tradi~oesmedievais superadas e, por- tanto, como residuo de urna cultura ultra- passada, pensando que deviam deixa-lo de lado em beneficio dos "humanistas", verda- deiros portadores do novo espirito renas- centista. Mas, segundo Kristeller, tratar-se- ia de grave err0 de compreensiio historica, porque frequentemente a condenaqiio do aristotelismo renascentista foi feita sem urna efetiva consci2ncia daquilo que se estava condenando. A exceqio de Pomponazzi (do qual falaremos adiante), que no mais das vezes foi seriamente considerado, um grave preconceito condicionou o conhecimento desse momento da historia do pensamento. E necessario, portanto, estudar a fundo as questdes discutidas pelos aristotClicositalia- nos desse periodo: desse modo, cairiam por terra muitos lugares-comuns que so se man- tem porque foram continuamente repetidos, mas que carecem de base solida, emergindo consequentemente urna nova realidade his- torica. Em conclusio, o humanismo repre- sentaria apenas uma metade do fen6meno renascentista e, mais ainda, a metade ndo filosofica. Assim, ele so seria plenamente compreensivel se considerado junto com o aristotelismo que se desenvolveu paralela- mente, o qual expressaria as verdadeiras idCias filosoficas da Cpoca. Ademais, segun- do Kristeller, os artistas do Renascimento niio deveriam ser vistos na otica do grande "genio criativo" (que constitui urna visiio romintica e um mito oitocentista), mas sim como "otimos artesiios", cuja excekncia n5o decorre de urna espCcie de superior adivi- nhaqiio dos destinos da cicncia moderna, e sim da bagagem de conhecimentos ticnicos (anatomia, perspectiva, mecgnica etc.),con- siderada indispensiivel para a pratica ade- quada de sua arte. Por fim, se a astronomia e a fisica realizaram progressos notiveis, niio foi por motivo de sua ligaqiio com o pensa- mento filosofico, e sim com a matematica. 0 s filosofos tardaram a se harmonizar com essas descobertas, porque, tradicionalmen- te, n5o havia uma conexio precisa entre matematica e filosofia.
  25. 25. Capitulo primezro - 0pensamento humantsta-renascentista e suds cavactevisticas 7 Diametralmente oposta C a reconstru- qiio de EugBnio Garin,que reivindicou ener- gicamente uma precisa valGncia filosdfica para o humanismo, notando que a negaqiio de significado filosofico aos studia huma- nitatis renascentistas deriva do fato de que, "no mais das vezes, entende-se por filosofia a constru~iiosistematica de grandes propor- @es, negando-se que a filosofia tambe'm pode ser outro tip0 de especula@oniio sis- tematica, aberto, problematico e pragma- tic0". Alias, diz Garin, a atenqiio "filologica" para com os problemas particulares "cons- titui precisamente a nova 'filosofia', ou seja, o novo mitodo de examinar os problemas, que, portanto, niio deve ser considerado, ao lado da filosofia tradicional, como um as- pecto secundario da cultura renascentista, como acreditam alguns (basta pensar, por exemplo, na posiqiio de Kristeller que exa- minamos), e sim como o proprio filosofar efetivo". Uma das mais destacadas caracteristi- cas desse novo mod0 de filosofar t o senti- do da histdria e da dimensiio historica, com seu respectivo sentido de objetivaqiio e de afastamento critic0 do objeto historicizado, ou seja, historicamente considerado. A esshcia do humanismo niio deve ser vista naquilo que ele conheceu do passado, mas sim no mod0 em que o conheceu, nu atitude peculiar que adotou diante dele. Mas a tese de Garin niio se reduz a isso. Ele coloca a nova "filosofia" humanista na realidade concreta daquele momento da vida hist6rica italiana, tornando-a uma expres- S ~ Odessa realidade, a ponto de explicar com razoes sociopoliticasa reviravolta sofrida pe- lo pensamento humanista na segunda meta- de do Quatrocentos. 0primeiro humanismo foi uma exaltaqiio da vida civil e das pro- blematicas a ela ligadas, porque estava vin- " A Filosofia ", incisuo tirada da Biblioteca Ciuica "A. Mai" de Be'rgumo. 0 estudo du filosofiu antiga alirnentou o nouo espirito prescnte no pemamento hurnanistu-re~zascentista. Este esta ligado us trudup5es de Hcrmcs Trismegisto, tfos Profetus-Maps, ifc Pldtiio, rfe Plotitto c de toda a tradiqiio plutiinicu. culado B liberdadepolitzca daquele momen- to. 0advent0 das tutelas e o eclipsar-se das liberdades politicas republicanas transfor- mou os literatos em cortesiios e impeliu a filosofia para evas6es de carater contem- plativo-metafisico. ib?:: ; Possivel mediaG6o sintLtica das duas inte~pretaq6es opostas Na realidade, as teses contrapostas de Kristeller e de Garin revelam-se muito fe- cundas precisamente por sua antitese, por- que uma destaca aquilo que a outra silen- cia, podendo portanto ser integradas entre si, se prescindirmo? de alguns pressupostos dos dois autores. E verdade que, original- mente, o termo "humanista" indica o ofi- cio do literato, mas essa profissiio vai bem alCm do simples ensino universitario, entran- do na vida ativa, iluminando os problemas da vida cotidiana, tornando-se verdadeira- mente uma "nova filosofia". Ademais, o humanista distingue-se efe- tivamente pel0 novo modo como 16os clas-
  26. 26. " A Kcttir~sir", irzcrsiio tirilda cia Biblioteca Ci'clica "A. hlill" de Birg~tno.AS Iittcrae humanae sor~stlturrno c-orupio du ~ C M ~ ~ L L Y L Ihurnutzistil. lIntrc cstus rcsrrfwsepzrticuhr ateiz@o 2rettjrica, porquc soizstitui elemento de continuitfade cJtztrea paidkia antiga e enodcrna. sicos: houve um humanismo literario por- que surgiram novo espirito, nova sensibili- dade e novo gosto, com os quais as letras foram revisitadas. E o antigo alimentou o novo espirito, porque este, por seu turno, iluminou o antigo com nova luz. Kristellertem razio quando lamenta que o aristotelismo renascentista seja um capi- tulo a ser reestudado desde o inicioe tambCm tem razio ao insistir no paralelismo desse movimento com o movimento propriamen- te literario. Mas o pr6prio Kristeller admite que o Aristoteles desse period0 t um Aristo- teles freqiientemente procurado e lido no texto original, sem a mediaqio das tradu- qdes e das exegeses medievais, tanto que chega at6 a retornar aos comentadores gre- gos para ser iluminado. Assim, trata-se de um Aristoteles revisitado com novo espiri- to, que so o "humanismo" pode explicar. Portanto, Garin tem razio ao destacar o fato de que o humanismo olha o passado com novos olhos, com os olhos da "historian, e que so atentando para esse fato C que se pode compreender toda essa ipoca. E a aquisiqio do sentido da historia significa, ao mesmo tempo, aquisiqiio do sentido de sua propria individualidade e originalidade. So se pode compreender o passado do homem quando se compreende sua "diversidade" em relaqio ao presente e, portanto, quando secompreende a "peculia- ridade" e a "especificidade" do presente. Por fim, no que se refere excessiva vinculagio do humanismo aos fatos politi- cos, que leva Garin a algumas afirmaqdes que correm o risco de cair no historicismo sociologista, basta destacar que a grande mudanga do pensamento humanista nio esta ligada somente a uma mudanga politi- ca, mas tambim A descoberta e as tradu- qdes de Hermes Trismegisto e dos profetas- magos, de Platio, de Plotino e de toda a tradiqio plathica, o que representou a aber- tura de novos e ilimitados horizontes, de que falaremos adiante. De resto, o proprio Garin nio se deixou levar por excessos sociolo- gistas, como, no entanto, fizeram outros intirpretes por ele influenciados. Concluindo, podemos dizer que a mar- ca que distingue o humanismo consiste em um novosentido do homem ede seus proble- mas:um novo sentido que encontra expres- sdes multiformes e, por vezes, opostas, mas sempre ricas e freqiientemente muito origi- nais. Novo sentido que culmina nas celebra- q6es teoricas da "dignidade do homem" como ser em certo sentido "extraordinirio" em relaqio a toda a ordem do cosmo, como veremos adiante. Mas essas reflex6es teori- cas nada mais sio do que express6esconcei- tuais que tim nas representaq6es da pintu- ra, da escultura e de grande parte da poesia ascorrespondinciasvisuaise fantistico-ima- ginativas que, com a majestade, a harmo- nia e a beleza de sua figuragio, expressam a mesma idtia, de varios modos, com esplin- didas variaqdes.
  27. 27. Capitdo prirneiro - O pensamento humanists-renascentista e slnas caracteristicas 9 II.Conceito historiogr6fico, cronoIogia e caracteristicas da "Renascenca" A categoria historiografica da "Renascenqa" se impbs no 800 graqas a 1. Burckhardt, segundo o quai a express%odesignava um fenbmeno de origem tipicamente italiana, oposto a cultura medieval: um fenbme- no caracterizado pelo individualismo pratico e teorico, a par- A Renascenqa tir da exaltaqao da vida mundana, do acentuado sensualis- na defini@o mo, da mundaniza(;ao da religiao, da tendhcia paganizante, oitocentista da liberdade em relaqao as autoridades que no passado ti- + § 1 nham dominado avida espiritual, do forte sentido da historia, do naturalism0 filos6fic0, do extraordinario gosto artistico. "Renascenqa" se- ria, afinal, a sintese do novo espirito, que se criou na Ithlia, com a antiguidade: o espirito que, rompendo definitivamente com o da era medieval, abre a era moderna. Em nosso seculo esta interpretaqao foi muitas vezes contestada, particu- larmentepor K. Burdach. 0 s Humanistasexplicitamenteusaramexpressiiescomo "fazer reviver", "fazer renascer", e contrapuserama nova era em que viviam com a medieval como a era da luz a era da 06s- A Renascenqa curidade e das trevas. A ldade Media, porem, foi uma epoca de nova grande civilizat;lo, percorrida por fermentos efrCmitos de vari- interpretaqao: os generos quase que desconhecidosaos historiadoresdo Oito- nascimento centos. Portanto, 0 "Renascimento" que constituiu a peculiari- de nova dadeda "Renascenc;a"foi maiso nascimentodeoutra civilizaq~o, civiIizaqso de outra cultura: a Renascenqa representou grandiosofenbme- baseada no de "regenerasao" e de "reforma" espiritual, em que a volta sobre a volts aos antigos significou revivesc6ncia das origens, "retorno aos aOSanfig0s principiosaut6nticos", eaimita@odos antigosrevelou-secomo + 3 2-3 o caminho mais eficaz para recriar e regenerar a si mesmos. Em tal sentido, Humanismoe Renascen~aconstituem uma so coisa, e o Humanismo torna-sefenbmeno literario e retorico apenas no fim, ou seja, quando se expan- de o novo espirito vivificador. Do ponto de vista cronologico, o periodo humanista-renascentistaocupou inteiramenteo 400 e o 500, masseus preludios devem ser buscadosja no 300 (nas figoras de Cola de Rienzo e de Francisco Petrarca), enquanto o epllogo alcansa os primeiros decCnios do 600 (com a figura de Cmno/ogia e Campanella); do ponto devista dosconteudosfilos<5ficos,no400 caracteristicas prevaleceo pensamentosobreo homem, enquantoo pensamento essenciais do do 500 abrasou tambem a natureza. A Renascenqa representou periodo uma era diversa tanto da medieval, como da moderna (a qua1 humanists- comega corn a revolu@ocientifica, ou seja, com Galileu); assim renascentista como na ldadeMediadevem ser buscadasas raizesda Renascen- + 3 4-5 $a, por sua vez, na Renascenqadevem ser buscadas as raizes do mundo moderno, ou melhor, o epilog0 da Renascenqa e marcado pela propria revoluq%ocientifica.
  28. 28. 10 Primeira parte - 8t l ~ m a n i s m ~e a R e n a s c e n c a finterpretaq2;o oitocentista da "Renascenca" c o m o surgimento de novo espirito e de nova cultura q u e valorizam o w~uncfoantigo e m oposi@o A Jdade M k d i a 0 term0 "Renascimento", como ca- tegoria historiogrifica, consolidou-se no Oi- tocentos, em grande parte por mirito de uma obra deJacob Burckhardt (1818-1897) intitulada A cultura da Renascen~ana Italia (publicada em Basiliia, em 1860), que se tornou muito famosa, impondo-se longamente como modelo e como ponto de referencia indispensavel. Na obra de Burck- hardt, a Renascenqa emergia como fen& meno tipicamente italiano quanto As suas origens, caracterizado pelo individualis- mo pratico e teorico, pela exaltaqio da vi- da mundana, pel0 acentuado sensualismo, pela mundanizaqio da religiiio, pela ten- dcncia paganizante, pela libertaqio em relaqio As autoridades constituidas que ha- viam dominado a vida espiritual no pas- sado, pelo forte sentido de historia, pel0 naturalism0 filosofico e pel0 extraordinii- rio gosto artistico. Segundo Burckhardt, a Renascenqa seria portanto uma ipoca que viu surgir nova cultura, oposta a me- dieval. E a revivesc$ncia do mundo anti- go teria desempenhado nisso um papel importante, mas nio exclusivamente deter- minante. Portanto, partindo da renascen- Ca da antiguidade, passou-se a chamar de "Renascenqa" toda essa ipoca, que, po- rim, i algo mais complexo: com efeito, i a si'ntese do novo espirito que se criou na Italia com a propria antiguidade - i o espirito que, rompendo definitivamente csm o espirito da ipoca medieval, inau- gurou a tpoca moderna. Essa interpretaqiio foi muito contesta- da, por virias vezes, em nosso siculo. Alguns chegaram mesmo a duvidar que a "Renas- cenqa" constitua efetiva "realidade histo- rica" e nio seja muito mais (ou predomi- nantemente) uma invenqio construida pela historiografia oitocentista. Variados e de diversos tipos foram os reparos trazidos sobre a questio. Alguns observaram que, se atentamen- te estudadas, as varias "caracteristicas" con- sideradas tipicas do Renascimento podem ser encontradas na Idade Me'dia. Outros insistiram muito no fato de que, a partir do sic. XI, mas sobretudo nos sics. XI1 e XIII, a Idade MCdia pode ser considerada plena de "renascimentos" de obras e autores an- tigos, que pouco a pouco emergiam e eram recuperados. Conseqiientemente, esses au- tores negaram validade dos pariimetros tra- dicionais que durante longo tempo basea- ram a distinqiio entre a Idade MCdia e a "Renascenqa".
  29. 29. Capit~l0primeir0 - 0pensamento humanista-renascentista e suas caracteristicas 11 nova interpreta~Zio da lI'Rena~~enCa" como l'venovatio" e a "volta aos antigos" cowo "volts aos principios" Todavia, logo se estabeleceunovo equi- librio, reconstituido em bases bem mais s6- lidas. Em primeiro lugar, estabeleceu-se que o term0 "Renascenca" niio node em abso- luto ser considerado como mera invenciio dos historiadores oitocentistas, pel0 simples fato de que os humanistas usavam expres- samente (cominsistincia e com plena cons- ciincia) expressdes como "fazer reviver", "fazer voltar ao antigo esplendor", "reno- var". "restituir a urna nova vida". "fazer renascer o mundo antigo" etc., contrapon- do a nova Cpoca em que viviam ii Cpoca medieval como a idade da luz contraposta h idade da escuridzo e das trevas. Eclaro, portanto, que os histori6grafos do Oitocentos niio erraram sobre este Don- to. Erraram, porCm, ao julgar que a Idade MCdia constituira verdadeiramente urna Cpoca de barbarie, um tempo nebuloso, um period0 de escuridiio. 0 s homens da Renascenga, natural- mente, tinham essa opiniio, mas por razdes polimicas e niio objetivas: eles sentiam sua mensagem inovadora como mensagem de luz que rompia as trevas. 0 que niio signifi- ca que "verdadeiramente", ou seja, histori- camente, antes dessa luz houvesse trevas, pois poderia haver (para manter a imagem) urna luz diferente. Com efeito, as grandes aquisig6es his- toriogriificasde nosso sCculo mostraram que a Idade Me'dia foi uma e'pocade grande civi- liza@o, percorrida por fermentos e frimitos de varios tipos, quase que totalmente des- conhecidos pelos historiadores do Oitocen- tos. Portanto, o "renascimento" que cons- titui a peculiaridade da "renascenga" niio C o renascimento da civilizaciio contra a incivilizacio. da cultura contra a incultura> , e a barbarie, do saber contra a ignoriincia: ele C muito mais o nascimento de outra civi- lizagio, de outra cultura, de outro saber. K. Burdach mostrou claramente que a Renascenga tambCm tem raizes na idCia de renascimento do Estado romano, que era bastante viva na Idade MCdia, quando nio na idCia de renascimento do espirito nacio- nal unido a fe', que na Italia se expressou so- bretudo em Cola de Rienzo, em cujo projeto politico a idCia de renascimento religioso C inserida no projeto politico de renascimento hist6rico da Ithlia, gerando vida nova. Cola de Rienzo (1313-1354)torna-se assim (juntocom Petrarca) o mais significa- tivo precursor da grande Cpoca da Renas- cenga italiana. "Renascenga" e "Reforma" expressam conceitos que se interpenetram at6 consti- tuir urna unidade indissoluvel: "Pode-se di- zer -escreve Burdach -que, no alicercedes- sas duas visdes, encontra-se aquele conceito mistico do 'renascer', da recriagiio, que en- contramos na antiga liturgia pagi e na li- turgia sacramental crist5." Reflex~es conclusivas sobre o conceito de '%enascenca" A Renascenga, portanto, representou grandioso fen6meno espiritual de "regene- ragiio" e de "reforma", no qua1 o retorno aos antigos significou revivescincia das ori- gens, "volta aos principios", ou seja, retor- no ao,autintico. E tambCm nesse espirito que deve ser entendida a imita@o dos antigos, que se revelou o estimulo mais eficaz para que os homens encontrassem, recriassem e regene- rassem a si pr6prios. Sendo assim, conseqiientemente, como sustentou Burdach, o Humanismo e a Re- nascenga "constituem urna s6 coisa". Uma tese que, na Itilia, Euginio Garinacornpro- vou brilhantemente em outras bases, com novos documentos e com provas abundan- tes e de varios tipos. Desse modo, niio se pode mais susten- tar que foram os studia humanitatis, enten- didos como fen6meno literario e filol6gico (retorico), que criaram a Renascenga e o espirito renascentista (filosofico),como se se tratasse de urna causa acidental produ- zindo como efeitos um novo fen6meno subs- tancial. Pode at6 ser que se tenha verificado justamente o contrario, isto C, foi a "renas- cenga" de um novo espil-ito (odescrito aci- ma)que se serviu das humanae litterae como de um instrumento. .
  30. 30. 12 . .. Primezra parte - O t l w n a n i s m o e a R e n a s c e n C a 0 Humanismo s6 se tornou fen6meno literario e retorico no fim, isto 6, quando se extinguiu o novo espirito vivificador. Para concluir: se por "Humanismo" se entende a tomada de conscitncia de uma missio tipicamente humana atravts das humanae litterae (concebidascomo produ- toras e aperfeiqoadoras da natureza huma- na), entio ele coincide com a renouatio de que falamos, ou seja, com o renascimento do espirito do homem: assim, o Humanismo e a Renascenqa s5o duas faces de um unico fen6meno. Cvonologia e t e m a s do t l ~ m a n i s m o e da R e n a s c e n c a Do ponto de vista cronologico, o Hu- manism~e a Renascenqa ocupam dois sC- culos inteiros: o Quatrocentos e o Quinhen- tos. Como ja observamos, seus preludios devem ser procurados no Trezentos, parti- cularmente na figura singular de Cola de Rienzo (cuja obra culmina pel0 Trezentos) e na personalidade e na obra de Francisco Petrarca (1304-1374). Seu epilogo alcanqa as primeiras dCcadas do Seiscentos. Cam- panella foi a ultima grande figura da Re- nascenqa. Tradicionalmente falava-sedo Quatro- centos como Cpoca do Humanismo e do Quinhentos como Cpoca da Renascenqapro- priamente dita. Como, porCm, caiu porter- ra a possibilidade de distinqso conceitual entre Humanismo e Renascenqa, necessa- riamente tambCm cai por terra essa distin- q5o cronologica. Se levarmos em conta os conteudos fi- losoficos, eles mostram (e o veremos com mais amplitude um pouco adiante) que o pensamento sobre o homem prevalece no Quatrocentos, ao passo que, no Quinhen- tos, o pensamento se amplia, abrangendo tambim a natureza. Nesse sentido, se, por raz6es de comodidade, quisermos indicar como Humanismo predominantemente o momento do pensamento renascentista que teve por objeto sobretudo o homem, e como Renascenqa este segundo momento do pen- samento, que considera tambCm toda a na- tureza, podemos at6 fazt-lo, embora com muitas reservas e com grande circunspeqio. De todo modo, o certo t que hoje entende- se por Renascenqa a denominaqso historio- grafica de todo o pensamento dos stculos XV e XVI. Por fim, devemos recordar que os fen6menos de imitaqso extrinseca e de filologismonio sio proprios do Quatrocen- tos, e sim do Quinhentos, constituindo en- quanto tais (cornoja acenamos)os sintomas da incipiente dissoluqio da ipoca renascen- tista. , Relacoes e n t r e R e n a s c e n G a e J d a d e Mkdia AlCm disso, no que se refere is rela- q6es entre a Idade Media e a Renascenqa italiana, devemos dizer que, no atual esta- do dos estudos, nio se manttm de pi nem a tese da "ruptura" entre as duas Cpocas e tampouco a tese da pura e simples "conti- nuidade". A tese correta C uma terceira. A teoria da ruptura pressup6e a oposi@o e a con- trariedade entre as duas Cpocas, ao passo que a teoria da continuidade postula uma homogeneidade substancial. Mas, entre a contrariedade e a homogeneidade, existe a "diversidade". Ora, dizer que a Renascen- qa C uma Cpoca "diversa" da Idade MCdia nio apenas permite distinguir as duas Cpo- cas sem contrap6-las, mas tambCm identifi- car facilmente seus nexos e suas tangtncias, bem como suas diferenqas, com grande li- berdade critica. E, conseqiientemente, outro problema tambCm pode ser facilmente resolvido. A Renascenqa inaugura a Cpoca mo- derna? 0 s teoricos da "ruptura" entre Re- nascenqa e Idade MCdia eram fervorosos defensores da resposta positiva a essa per- gunta. J4 os teoricos da "continuidade" da- vam-lhe resposta negativa. Hoje, em geral, tende-se a identificar o comeqo da Cpoca moderna com a revoluqio cientifica,ou seja, com Galileu. Do ponto de vista da historia do pensamento, essa parece a tese mais cor- reta. A Cpoca moderna revela-se dominada por essa grandiosa revoluqio e pelos efeitos que ela provocou em todos os niveis. Nesse sentido, o primeiro filosofo "moderno" foi Descartes (e,em parte, t/ambCmBacon),co- mo veremos mais amplamente adiante. Sen- do assim, o Renascimento representa uma
  31. 31. Capitdo primeiro - 8pensamento humanistcr-venascentista e suas cavcrrtrristicas 13 - - Cpoca diversa tanto da Cpoca medieval como da ipoca moderna. Naturalmente, assim como as raizes da Renascenga devem ser buscadas na Idade MCdia, da mesma forma as raizes do mun- do modern0 devem ser procuradas na Re- nascenga. Podemos dizer atC que, como o fim da Idade Media C marcado pela trans- formag50 da economia mundial que se se- guiu as descobertas geogriificas, assim o epi- logo da Renascenga 6 marcado pela pr6pria revolug50 cientifica: mas essa revolug5o as- sinala precisamente o epilogo, nso a "mar- can da Renascenga e sua tEmpera espiritual em geral. Falta-nos, agora, examinar concreta- mente quais s5o as mais significativas "di- ferengas" que caracterizam a Renascenga, tanto em relagso a Idade Media como em relag50 ipoca moderna, atravis do exa- me das viirias correntes de pensamento e, individualmente, dos pensadores de des- taque. Todavia, antes disso e necessario chamar a atengso do leitor para um dos aspectos mais tipicos do pensamento renas- centista, ou seja, a reviveschcia do compo- nente helenistico-orientalizante, cheio de ressonincias migico-teiirgicas, difundido em alguns escritos que a tardia antiguida- de havia atribuido a deuses ou profetas anti- quissimos e que, na realidade, eram falsifi- cagoes, mas que os renascentistas tomaram como aut8nticas, com conseqiihcias de grande importsncia. Mapa nautico executado em Veneza em 1560, pelo portuguSs Diego Homen (Veneza, Biblioteca Marciana).
  32. 32. 14 Primeira parte - 0t l u m a n i s m o e a R e n a s c e n c a Um dos aspectos mais tipicos da Renascen~afoi a 0s equivocos revivesc@nciada componente helenistica-orientalizante, cheia aproximacso de resson8nciasmagico-teurgicase difundida em alguns escri- dos gregos tos que a antiguidade tardia havia atribuido a antiquissimos + § 1 deuses ou profetas e que na realidade eram falsificaqbes (o CorpusHermeticum, os Oraculos Caldeus, os Hinos drficos). * Ora, os Humanistas, que descobriram a critica filologica do texto, cairam todavia no erro clamorosode tomar como autknticasas obrasatribuidasaos Pro- fetas-Magos Hermes Trismegisto, Zoroastro e Orfeu, e assim o complexo sincretismo entre doutrinas greco-pagss, neoplato- Hermes, nismoecristianismo, tao difundido na Renascenqa, baseou-seem Zoroastro largamedidasobreesseequivococolossal.Atingiuparticularmen- e Orfeu +3 2-4 te os homensda Renascenga o aceno ao Filho de Deus, apresen- tad0 como Logos divino destinado a encarnar-se, contido no XI1 tratado do Corms Hermeticum. Zoroastro, depois, considerado o autor dos OriiculosCaldeus, fo'i apresentado at6 comoanterior aHermes.Orfeu, por fim, e consideradoo anel de conjun@oentre HermesePlatao: Hermes, Orfeu e Platao foram assim liaados em uma conexao aue sustentou a construci30 do platonismo renascentise, que resultou, portanto, completamente diferente do platonismo medieval. O conhecimento Cist6vico-critico diferente que os humanistas tiveram da tvadic~oIatina em veIaG&o21 gvega Antes de tudo devemos esclarecer uma quest50 importante: como foi possi- vel que os humanistas, que descobriram a critica filol6gica do texto e que chegaram a identificar gritantes falsificaq6es (corno, por exemplo, o ato de doaq5o de Constan- tino) corn base no exame da lingua, tenham caido em erros t50 flagrantes, tomando co- mo autinticas as obras atribuidas aos pro- fetas-magos Hermes Trismegisto, Zoro- astro e Orfeu, que sio falsificaqoes tio evidentes para n6s hoje? Como C que dei- xaram de aplicar a elas o mesmo mCto- do? Como C possivel observar tHo grande falta de sagacidade critica e credulidade t5o desconcertante em relaq5o a esses docu- mentos? A resposta i quest50 C bastante clara i luz dos estudos mais recentes. 0trabalho de pesquisa dos textos lati- nos, que comegoucom Petrarca, consolidou- seantes que ocorresse o impact0 com os tex- tos gregos. Portanto, a sensibilidade e a capacidade tCcnica e critica dos humanistas se agugaram muito antes em relaqiioaos tex- tos latinos do que em relaqiio aos textos gre- gos. AlCm disso, os humanistas que se apro- ximaram dos textos latinostinham interesses intelectuais mais concretos do que aqueles que se ocuparam predominantemente dos textos gregos, que tinham interesses mais abstratos e metafisicos. 0 s humanistas que se ocuparam predominantemente de textos latinos interessaram-se sobretudo pela lite- ratura e pela histbria, ao passo que os huma- nistas que se ocuparam de textos gregos in- teressaram-se sobretudo pela teologia e a filosofia. AlCm disso, as fontes e tradiq6es usadas como referincia, pelos humanistas
  33. 33. Capi'tulo primeiro - O pensamento humanista-renascentista e suds caracteristicas que se ocuparam de textos latinos eram bem mais limpidas do que as utilizadas pelos humanistas que se ocuparam de textos gre- gos, as quais se revelam extraordinariamente carregadas de incrustaqoes multisseculares. Por fim, foram os pr6prios gregos doutos que sairam de Biziincio para a Italia que, com sua autoridade, avaliaram uma sirie de convicq6es destituidas de fundamentos his- t o r i c ~ ~ . 0 que dissemos, portanto, explica per- feitamente a situaqiio contraditoria que se criou: enquanto, por um lado, humanistas como Valla denunciavam como falsificaq6es documentos latinos pluriconsagrados, por outro lado, ao contrario, humanistas como Ficino reafirmavam a "autenticidade" de flagrantes falsificaqoesgregas tardio-antigas, com resultados de grande alcance para a historia do pensamento filosofico, como veremos agora. t l e r m e s Trismegisto e o " C o r p u s t l e r m e t i c ~ m " tlermes e o "Corpus tlermeticum" na realidade hist6rica Comecemos por Hermes Trismegisto e pel0 Corpus Hemeticum, que tiveram a maior importiincia e celebridade na Renascenqa. Hoje sabemos com certeza o que iremos expor. Hermes Trismegisto i figura mitica, que nunca existiu. Essa figura mitica indica o deus Thoth dos antigos egipcios, conside- rado inventor das letras do alfabeto e da escrita, escriba dos deuses e, portanto, revelador, profeta e intirprete da sabedoria divina e do logos divino. Quando tomaram conhecimento des- se deus egipcio, os gregos acharam que ele apresentava muitas analogias com seu deus Hermes (= o deus Mercurio dos romanos), intirprete e mensageiro dos deuses, qualifi- cando-o entiio com o adietivo "Trisme- gisto", que significa "trCs vezes grande". Na antiguidade tardia, particularmen- te nos primeiros siculos da ipoca imperial (sobretudo nos sics. I1 e I11d.C.), alguns te- ologos-filosofos pagiios, em contraposiqiio ao cristianismo que se expandia, produzi- ram uma sirie de escritos que eles apresen- taram sob o nome desse deus, com a evi- dente intenqiio de contrapor i s Escrituras divinamente inspiradas dos cristiios outras escrituras, a~resentadastambCm como "re- velaq6es" divinas. As pesquisas modernas determinaram, sem qualquer sombra de duvida, que sob a mascara do deus egipcio ocultam-se diver- sos autores e que, nesses textos, siio bastan- te escassos os elementos "egipcios". Na rea- lidade, trata-se de uma das ultimas tentativas de ressurgimento do paganismo, amplamen- te baseada em doutrinas do platonismo da Entre os numerosos escritos atribuidos a Hermes Trismegisto, o grupo claramente mais interessante constitui-se de dezessete tratados (oprimeiro dos quais leva o titulo c~orrt3s/x~t~ilorlt(~iro Hrrrrz~~sgrqo c iro Mc~i~irioYOIIZLIIIO. 0 s (Sintos' I 1 3 1 ~i/tr;l~ui(ios(tot7zizdos t~zlritof'rtrzosos) silo firlsrficirpic~scfc cnr iriz/)cvi~l.
  34. 34. Primeira parte - O tlumanismo r a Renascenia de Pimandro), mais um escrito que s6 che- gou ati nos apenas em urna versiio latina (que, no passado, era atribuido a Apuleio), intitulado Asclipio (talvezelaborado no sCc. IV d.C.). E precisamente esse grupo de es- critos que se denomina Corpus Hermeticum (= corpo dos escritos postos sob o nome de Hermes). A antiguidade tardia aceitou todos es- ses escritos como autinticos. 0 s Padres cris- tiios, que neles encontraram acenos a doutri- nas biblicas (cornoveremos),ficaram muito impressionados e, conseqiientemente, con- vencidos de que eles remontavam ?iCpoca dos patriarcas biblicos, pensando assim que fossem obra de urna espicie de profeta pa- g2o. Foi assim que pensou Lactsncio, por exemplo, como tambtm, em parte, santo Agostinho. Ficino consagrou solenemente essa convicqiio e traduziu o Corpus Herme- ticum, que se tornou texto basilar do pen- samento humanista-renascentista. Assim, por volta de fins do sic. XV (1488),Her- mes foi solenemente acolhido na catedral de Siena, com urna efigie no pavimento com a inscriqiio: "Hermes Mercurius Trismegistus, contemporaneus Moysi" . 0 sincretismo entre doutrinas greco- pagiis, neoplatonismo e cristianismo, tiio difundido no Renascimento, baseia-se em grande medida nesse equivoco colossal. Desse modo, muitos aspectos doutrinirios da Renascenqa, considerados estranhamente paganizantes e estranhamente hibridos, apre- sentam-se agora sob justa luz. Na complexa concepqiio hermitica, considerada mais ou menos tiio antiga quan- to os mais antigos livros da Biblia, os ho- mens do Renascimento niio podiam deixar de ficar impressionados com os acenos ao "filho de Deus", ao Logos divino, que lem- bra o Evangelho de Joiio. 0 tratado XI11 do Corpus Hermeticum contCm at6 urna espk- cie de "Sermiio da montanha" e afirma que a obra de "regeneraqiio" e salvaqiio do ho- mem deve-se ao "filho de Deus", definido como "um homem por vontade de Deus". Ficino chegou a considerar o Corpus Hermeticum at6mais rico que os proprios tex- tos de MoisCs, no sentido em que ele previ a encarnaqiio do Logos, do Verbo, dizendo que a "Palavra" do Criador C o "Filho de Deus". Essa estupefaqiio diante do profeta pa- giio (tiioantigo quanto MoisCs),que fala do "Filho de Deus", levou aceitaqiio, pel0 me- nos parcial, da estrutura astrologica e gnos- tica da doutrina. E niio apenas isso: como o Asclepius tambCm fala expressamente de praticas magicas, Ficino e outros encontra- ram em Hermes Trismegisto urna espCcie de justificaqiio e legitimaqiio da propria magia, embora entendida em novo sentido, como veremos. A complexa visiio sincretista de plato- nismo, cristianismo e magia, que constitui urna das marcas do Renascimento, encon- tra assim em Hermes Trismegisto, "priscus theologus", urna espCcie de modelo ante litteram ou, pelo menos, urna significativa sCriede estimulos extremamente nutrientes. Portanto, sem o Corpus Hermeticum niio C possivel entender o pensamento renascen- tista. Um documento que apresenta muitas analogias com os escritos hermtticos t cons- tituido pelos chamados Oraculos caldeus, obra em hexsmetros da qua1 numerosos fragmentos chegaram at6 nos. Com efeito, podemos encontrar em ambos os escritos a mesma mistura de filosofemas (extraidosdo mtdio-platonismo e do neopitagorismo), com acentuaqiio do esquema triidico e tri- nitario e com representaqdes miticas e fan- tisticas, apresentando um tip0 analog0 de religiosidade confusa de inspiraqiio oriental, caracteristica do paganism0 tardio, conju- gada com aniloga pretensiio de transmitir urna mensagem "revelada". Nos Oraculos, aliis, o elemento migi- co predomina ainda mais claramente do que no Corpus Hermeticum e o componente especulativo se enfraquece e se submete a objetivos praticos religiosos, a ponto de per- der toda a sua autonomia. Estes Oraculos, mais do que a sabedo- ria egipcia (a qua1 os escritos hermiticos tambtm se referem), se vinculam a sabedo- ria babilhia. Com efeito, a heliolatria cal- dCia (oculto do sol e do fogo) desempenha papel fundamental nesses escritos. Como sabemos, seu autor Juliano (que viveu no sic. 11) foi denominado (ou se fez
  35. 35. 17 Capituloprimeiro - O pensamento humanists-renasceot~sta e suas camcte~isticas - - - - - denominar) "o Teurgo". A "teurgia" C a "sabedoria" e a "arte" da magia utilizada para finalidades mistico-religiosas. E sio precisamente essas finalidades mistico-reli- giosas que constituem o dado caracteristico que distingue a teurgia da magia comum. 0 s estudiosos modernos observaram que, enquanto a magia vulgar utiliza-se de nomes e formulas de origem religiosa com objetivos profanos, a teurgia, ao contrario, faz uso das mesmas coisas com fins religio- sos. E esses fins, como sabemos, sio a liber- taqio da alma em relaqio ao corporeo e a "fatalidade" a ele ligada e a conjunqio com o divino. 0 s renascentistas, porCm, niio pensa- vam assim, induzidos queforam agrave erro por abalizadodouto bizantino,Jorge Gemis- to (cerca de 1355-1450),nascido em Cons- tantinopla, que se fez denominar Pleton. Este considerou ser Zoroastro o autor dos Ora- culos Caldeus e, indo para a Itilia por oca- siio do Concilio de Florenqa, ministrou li- q6es sobre Plat50 e sobre as doutrinas dos Oraculos, acreditando-os como express50 do pensamento de Zoroastro e suscitando notavel interesse pelos mesmos. Zoroastro foi, portanto, considerado profeta ("priscus theologus"), e por vezes apresentado at6 como anterior a Hermes ou como primeiro por cronologia e dignidade com ele. Na realidade, Zoroastro (= Za- ratustra) foi reformador religioso iraniano do seculo VIINI a.C., que nada tem a ver com os Oraculos Caldeus. Esse novo equivoco, portanto, contri- buiu grandemente para a difusio da menta- lidade magica na Renascenqa. CJ O r f e u venascentista Orfeu foi poeta mistico da Tracia. Com ele ligou-se o movimento religioso mistCrico chamado "orfico", do qua1 j i falamos no primeiro volume. Ja no sCculo VI a.C. esse poeta-profeta denominava-se "Orfeu de nome famoso". Em relaqio ao Corpus Hermeticum e aos Oraculos Caldeus, o orfismo repre- senta uma tradiqio muito mais antiga, que influenciou Pitagoras e Platio, sobretu- do no que se refere a doutrina da metempsi- cose. Todavia, muitos dos documentos que chegaram atC nos como "6rficos" sio falsi- ficaq6es posteriores, nascidas na Cpoca hele- nistico-imperial. A Renascenqa conheceu sobretudo os Hinos orficos. Nas atuais edi- qoes, esses hinos sio oitenta e sete, mais um proemio. Siio dedicados a varias divinda- des, distribuindo-se conforme uma ordem conceitual precisa. Ao lado de doutrinas que remontam ao orfismo original, contem ain- da doutrinas estoicas e doutrinas ~rovenien- tes do meio filosofico-teologico alixandrino, sendo portanto, seguramente, de composi- $50 tardia. Mas os renascentistas os consi- deraram autEnticos. Ficino cantava esses hinos para obter a influencia benCfica das estrelas. Segundo o proprio Ficino, na genea- logia dos profetas Orfeu foi sucessor de Hermes Trismegisto e muito proximo a ele. Pitagoras ligava-se diretamente a Orfeu. Platio teria haurido sua doutrina de Hermes e de Orfeu. Assim, Hermes, Orfeu e Platio ligaram-se em uma conexio que constitui o alicerce de toda a construqio do platonismo renascentista, que, conseqiientemente, mos- tra-se completamente diferente do platonis- mo medieval. E claro, portanto, que, se nio se leva- rem em conta todos os fatores que recorda- mos, escapa toda possibilidade de captar o significado da proposiqio metafisico-teolo- gico-magica da doutrina da Academia flo- rentina e de grande parte do pensamento dos sics. XV e XVI. A tudo isso devemos agregar ainda a enorme autoridade granjeada pel0 Pseudo- Dionisio Areopagita, que ja &a apreciado na Idade Media. mas agora Dassava a ser" lido com outros interesses (Ficino tambim realizou uma traduqio latina dos escritos de Dionisio). Esse autor, como sabemos, nio t o santo convertido por s8o Paulo em Ate- nas, e sim um autor neoplat6nico tardio. E tambtm essa "falsificaqio" contribuiu para criar o clima especial de que falamos. A luz do que foi dito at6 agora, pode- mos passar ao exame do pensamento dos varios humanistas e das diversas tendcncias e correntes filos6ficas humanistas e renas- centistas.
  36. 36. Primeira parte - O tlumanismo e a Renascen~a 0 NegagBo do significado filosofico do Humanismo Ssgundoo sstudioso omsricano P. 0. Kristsllar,o Rsnascsngo n8o foi umo tpoca de sintsss, mas antss um periodo ds tron- si@io,s o Humonismo, porticulorments, rs- prssentou um movimsntoconfinodo oos es- tudos rstoricos e Filologicos a, em suo moior port@,sstronho oos intsr~ssssfilosoficos. 1. As corrsntss culturais Ja Renascmsa No literatura filosofica da Ranascen~aa prirneira corrente que nos vern ao encontro & o Rristotelismo[...I. 0 Humanismo, segundo en- tre os rnaiores rnovirnantos intelectuais da Re- nascensa,tombbm tave seus precedentes me- dievais, masatinge seu plenodesanvolvirnento apenas durante a Ranascensa,do qua1 repre- senta em certo sentido o aspect0 mais caracte- ristico e rnais difuso. Em seus precedentes e am sua origam, o Humanismo foi um movimen- to litar6rio rnais qua filosofico, a sua influbncia sobre a historia da filosofia foi antes indireta, mas forte e penetrante [...I. 0Platonisrno foi sem dljvida o rnais importante entre os v6rios movirnentosfilosoficos que surgiram do Hurna- nismo.Elernerececonsiderqdo6parte,tambhm porque teve outras raizes fora do classicismo humanista [...I. Outro grupo de pensadores, o dos assim chamados filosofos da natureza, & constituido por alguns dos mas fomosos pen- sadores do periodo, como Paracelso, Bruno e Campanella. Ainda menos que os aristot&licos, os humanistase at&os plat6nicos, ales podem ser considerados como escola ou trodisdo unificada [...I. A ljltlma corrente intelectual da Renascenp que devernos lernbrar, e talvez a rnais importante,& a que desembocou no ci&n- cia cl6ssica rnoderna. P. 0.Kr~steller, Movirnenti Filosohci d d Rhascimento, em "Giornale critic0 della filosofia italiano", 1950.99 2. 0 s humanistas niio foram filosofos Creio que os humanistas italianosde fato ndo foram fil6sofos, nem bons nem maus. Com efeito, o movirnento hurnanista ndo surgiu no campodosestudosfilosoficosouc~entificos,mas no dos estudos grarnat~caise retoricos [...I. Fl critica humanista d cibncia medieval i: fre- quentemente radical e violanta, mas ndo toca seus problemas e suas questdes especificas [...].Todavia,seos humanistasforarndlletantas emjurisprudbncia,teologia, rnedicina e at&em f~losofia,eles forarnespecialistas em uma quan- tidade de outras rnathrias.Seu carnpo foram a gramhtica, a retorica, a poesia, a historla, e o estudo dos autores gregos e latinos. Eles pe- netrararntambbrn no campo da filosofia moral, e fizeram alguma tentativade invadiro da 1691- ca, tentativa que foi pnmeirarnente dirigida a reduzir a logica d rat6r1ca.0 s humanistas,con- tudo, ndo daram contributos aos outros rarnos da fllosofia ou da cibncia. P. 0.Kristeller, Umanesimoe Scolasticansl R~noscimentoitoliano. em "Human~tas".1950. 5 ReivindicagBoda valOncicr "filosofico-pragm6tica" do Humcrnismo I9 intsrpretog80ds Kristsllsrsaopdsds- cisivomants o estudioso itoliono Eug&nio Gorin, qus sustsntou qus os vsrdodsiros fi- Iosofos do 400,otivosforo dos "~scolosfilo- soficos"oficiais, foromjustarnsnts os humo- nistas: elss souberam construir um mQtodo novo para snfr~ntoros divsrsos problsrnos do culturo s do vida prdtico. Contr6rios 6s 'Qrondsscotsdrais ds idbias",os humonistos se d~dicoramo indogar metodicomsnte s concrstomsnts os objstos dos ci&nciosrno- rois e dos ci$nciosnaturo/s.E, ssgundoGorin, o otsnq50 'Klologico"aos problemos porti- culorss constitui justoments o novo 'filoso- fia", thico do Rsnoscsnp. 1. A filosofia humanistafoi extra-sscolastica Repetir, como se tem feito, que o Huma- nismofoi fen6rnenondo "filosofico",purarnente liter6rio e retorico; qua os humanlstas foram apenas rnestres de eloqu&ncia e grarn6ticos,
  37. 37. -ruwl%/ i LLLX ~3.1~1 19 & 81": Capitulo primeiro - O pensamento humanisfa-renascentista e suas caracteristicas signif~caem primsiro lugardar como pacificauma vis6o do filosofar queest6, ao contrbrio,em dis- cuss6o; s significa, ao mesmo tempo, n60 vsr bem claro os studio humonitot~s,a "retor~ca"e as "cartas".E significa tambhm esquecer que aquele movimentode cultura afirmou-seprimel- ramente fora da "escola", entre homens de aq50, polit~cos,senhores,chanceleresde rep- blicas e 0th d~rigentes,mercadores e mesmo artistasa artesdos.E na "escola"entrou pormeio das disciplinas logicase morais; med~antenova linguagem e o estabelec~mentode novas rela- @es.R filosofia para a qua1certos historiodores olham, a "teologia"das escolas medievais, qua certamente foi coisa grandissima, naquelesdias viajustamente suasaulastornorem-sedesertas, e sempre menor o eco de seus ensinamentos. Depoisque porsQulos,egrandessQulos,o pen- samento humano dedicara-sesobretudo 6 ela- bora(6o de uma filosof~ada experi6ncia reli- giosa, e tudo fora visto sob tal signo, agora a razSlo humana voltavo todo seu esfor~opara o homem "poeta",para sua "cidade",para a na- tureza mundana qus estava conquistando. E. Gar~n. Meclloevo e Rinascimento. 2. 0 s humanistas contra as grandes "catedrais de idiias"da Escolastica Todavia, para dlzer a verdade, a raz6o intima do condena@o do siqmficado filosofico do Humanismo 6 outra; e de resto manifesta- se claramente a partir da continua refer6ncla por contrastecom as sinteses metafisico-teolo- gicas da "obtusamas honesta Escol6stica":tra- ta-se do amor sobrevivente por uma imagem do filosofia qua o pensamentodo Quatrocen- tos constantamentesentlu. Com efeito, aquilo de que se lamenta por tantos a perda foijusta- mente aquilo que os humanistas qulseramdes- truir, isto6, a constru@odas grandes "catedrais de idhias",das grandes sistematizaq3es Iogico- teoloqicas: do Fdosofiaquasubsume' todo pro- blem~,toda pesquisa, ao problema teologico, que organiza e fecha toda possibilidade no tra- ma de uma ordem logica preestabelecida. I?quelaFilosofia,que foi ignorada na era do Hu- manlsmo como vSl e inutil, se substituem pes- quisas concretas,definidas, precisas, nos duos dire@ss das ci6ncias morais (htica, polit~ca, econ6m1ca,esthtica,Iogico-retorica)e das ci6n- cias do natureza qua, cultivadas luxto propr~o principio,"ora de todo vinculo e de toda ou- 'Subord~no "'Sagundo saus pr~ncip~ospaculinras" ctoritos, tam em todo Bmbto aquela exube- rBncia que o "honesto",mas "obtuso",escolas- ticismo ignorou. E. Garin, I'Umonesimoitoliono. 0 individualismo como marco original da Renascen~a 0orgumantofundomanto1do ansoloda Jocob Rurckhordt,Lacultura del Rinascimento in ltalia (1860), Co dassnvolvirnanto do in- d~viduono civilizogio do Ranoscanp: o mito da umohumanitasanfirnlibartodo torporme- dtsvol s obarto o todos as axper16nciosdo vido (raligiosos, socio~s,ortisticos, politicos). Rurckhordtcont~nuovoossim o p6r o ocanto, corno os rombnticos,sobrao tema clo 'kuptu- ro"antra IclodeMQdioa Ranoscango. 1. 0 despertar do "individuo" No ldadeM&diaos dois ladosda consci6n- cia - o que reflete em si o mundo externo s o qua mostraa imagemda vida internado homem - estavam como que envolvidos por urn vhu co- mum,sob o qua1ou languesciamem lentotorpor ou se moviam em um mundo de puros sonhos. Ovhu era tecido de fh, de 1gnor6nciainfantil,de vds ilus6es: vistos atravhs dele, o mundo e a historia apareciam revestidos de cores fanMsti- cas, maso homemn6otinhavalor a n6oser como membro de uma familia, de um povo, de um partido, de uma corpora(60, das quais quase inteiramentevivia a vida. fl Itblia& a primeira a rasgar estevhu e a consideror o Estadoe todas as coisas terrenas de um ponto de vista objati- vo; mas ao mesmo tempo se desperta podero- samente no ital~anoo sentimentode SI e de seu valor pessoalou subjativo:o homemse transfor- ma no indivicluo,e se ofirma como tal. 2. 0 advento de homens "universais" Ora, quando este prepotents impulsovi- nha a cair em uma naturezaextraordinariamen- te valorosa e verdtil, a ponto de se apropriar
  38. 38. ao mesmo tempo de todos os elementos da culturo daquela era, tinha-se entao o homsm univsrsol, que pertence exclusivamente 6 IM- ha. Homens de saber enciclop&dicohouve em todos os lugares no ldade Mhdia em mais pa- ise~,porque o saber era mais restrito e os ra- mos do cognoscivel mais afins entre si; e pela mesma razdo at&o s&culoXI1 encontram-seor- tistas universais, porque os problemas da or- quitetura eram relativamente simples e unifor- mes,e na esculturae na pinturao conceitoou a substdncia do coisa a ser representadapreva- lecia sobre a forma. Na lt6lia da Renascenp, ao contrdrio, nos nos defrontomos com artistas singulares, os quais em todos os ramos apre- sentam criaq%s de fato novas e perfsitas em seu g&nero, e ao memo tempo emergem sin- gularmente tambhm como homens. Outros sdo universa~se abraqm, al&mdo circulo da arte, tambhm o campo incomensur6velda ci&nc~acom sintese maravilhosa. J. Burckhardt, la culturo dsl Rinascimentoin Ital~a. 0prsconcsito romdntico de umo ruptu- ro sntrs Idods Mddio s Renoscengo foi ds- cididomente combotido sm nosso sQculo pslo sstudioso olsmao Konrod Burdoch, qua mostrou como o Renoscsnp t~vsrosuos roi'zss e suo fonts sspirituol no iddio, difun- dido no Itdlio mscl,sval e sxprssso sobrs- tudopor Colodi Risnzo,de renascimentopoli- tico e rellgiosodoEstadoromano.FI humanitas do Ouotrocantos se concrstizou, portonto, nssto perspactivo ds rsconciliog~osntrs fd s espi'ritonocionol, s Colo di Rienzofoi o poi sspirituol do procssso ds formogio dos Es- todos nociono~seuropsus. R Renascen~aest6 enraizada na ldade MBdia, e [...I fo~dominada por profundo im- pulse para human~zara religido [...I: a opinido. h6 muito tempo dominante e ainda ndo intei- ramente morta, que atribui b Renascen~aum car6ter pagdo [...I. & um erro, e esta oplnido err6nea surgiu de uma visdo anti-historica, como de uma tend&nciaracionalista,classicists e liberal. R Renascen~asurgiu no despertar,e por meio do despertar do pensamento de uni- dade do Estado nacional. Na lt6lia o ssnti- mento nacional jamais se apagara, mesmo durante a ldade MBdia. Conservara-se sob as cinzas, mesmo quando Bizdncio,os Godos, os longobardos, a monarquia franco-carolin- gia, os imperadores alemdes das dinastias sax6nlca, s6lica, sueca, aplicaram suas pre- tensaes ao dominio politico sobre a It6lia. enquanto de outro lado a CCltedra de Pedro, em sua r~validadee luta com o impbrio uni- versal olemdo, cr~ara-se,em base de seu pr~ncipotuseclesi6sticomundial,um dominlum terreno sobre a terra itCllica, em Roma, sede origindria da monarquia universal antiga. 0 sentimento nac~onalitaliano viveu sampre da lembrancp do antiga grandeza do Estado ro- mano. No s&culo XI1 inflamou-se na revolu- $60 e restaurar;do nacional de Rrnaldo de Br&scia, que p6de ser abatida pelo papa e pelo ~mperadorOarbarroxa. Todavia, desde o shculo XI os municipios it6licos haviam chegado no auge do bem-estarecon8mico e civil [...] e quando, depois do mortedo Impe- rador Federico II e o apos a queda casa de Soave, chegou ao fim a terrivel luta entre imp&r~oe papado pela hegemonia politico universal, quando a lt6lia se sentiu livre do dominio alemdo, seu sentimento nacionalex- plodiu em um grande inchndio espiritual, po- litico-sociale artistico. Esto foi a fonts espiri- tual da Ranascenp. 0antigo pensamento de Roma, jamais extinto, fez afluir nova e maior for~a.Rienzo, inspirado pela ld&iapolitico de Dante, mas ul- trapassando-a, proclamou, profeto de futuro longinquo, a grande exig&ncia nacional do Renascimentode Roma.6, sobre esta base, a exig&nciada unidadeda It6lia. K Burdach. Slgnlhcoto e origlne ddle parole "Rinoscimento"s "R~forma"

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