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Breve relato: Infância e adolescência. 
Dedicação 
Dedico estas memórias aos meus adoráveis filhos que sempre me deram ...
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Meus pais 
Após leituras de vários livros de biografias de pessoas famosas, sinto desejo de registrar para conhecimento...
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Filhos do casal 
É difícil registrar dados dos filhos de papai e mamãe, 5 filhas eles tiveram. Mamãe dizia que se elas ...
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Nasci! 
Aos cinco de Dezembro de 1956 em uma Quarta feira, na fazenda do Arrôio município de Álvares Florence SP, nasci...
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meu dedinho na boca de uma traíra que eles haviam pescado e fiquei com o dedinho a sangrar. Minhas brincadeiras eram de...
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ficar aqui longe dela. Até que um dia, o meu irmão não agüentou mais minhas reclamações e levou-me de volta para Indiap...
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1.940, foi implantado na praça central o Cruzeiro, simbolizando a fundação do Patrimônio de Indianópolis. 
Inaugurou-se...
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Vicente Ribeiro Soares - Vice Prefeito 
Atacil Luiz Arantes 
Adelino Francisco do Nascimento 
Alfredo Arthur Pagioro 
C...
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a oeste com os municípios de Guaraní D'Oeste e Ouroeste. 
Solo: Em sua composição, o solo do município se apresenta em...
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vulgo Negrinho Barbeiro, que transportava água na cabaça. Fez-se a roçada, arrancaram-se os tocos e foi marcado o loca...
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Nesta idade comecei a fumar não sabia que eu iria arrepender-me amargamente e sofrer para deixar este vício tão cruel,...
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frias. Eu fui um bom aluno e consegui terminar o primário em 1969 com a nota de 78,33 (setenta e oito inteiros e trint...
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Permanência em Votuporanga 
Em 1973, eu com dezessete anos de idade, mamãe com meus irmãos resolvem mudar para Votupor...
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arrancando tocos nas fazendas dos ingleses, colhendo algodão, em lavoura de amoras para alimentar bichos da seda. 
Em ...
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finais de semana. Com cabelos longos e lisos, e dentes cariados na boca passava muita vergonha quando no contato com a...
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Parti, só com minhas roupas de passeio que foram ganhas, e em uma malinha de couro fui morar na casa de meu irmão Walt...
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Vida na Kentinha 
Kentinha ficava na estrada de São João Clímaco no. 471, era uma produtora de embalagens para aliment...
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meninice, bebia bebidas alcoólicas socialmente e algumas vezes ficava bêbado. 
Minha fé no futuro após a morte era con...
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Meus primeiros contatos com o livro da capa preta 
Nesse início de 1976, trabalhava com uma roupa azul, pesava 70 quil...
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Bíblia” livro gasto pelo manuseio diário, rabiscado em suas páginas, um evidente sinal que este livro era importante p...
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execução à cadeira elétrica. A bíblia teve este impacto em minha vida. 
Foi me indicado pelo Joel à pessoa de Jesus Cr...
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Ouvi a pregação da mensagem bíblica, e saí da igreja transformado e professando ser um crente. Destruí tudo aquilo que...
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para a eternidade. Todos que estiverem lendo estas humildes notas aceitem esta mesma fé que eu aceitei um dia. 
Como m...
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conversar após o culto e iniciamos um namoro. Ela trabalhava no laboratório Zambom próximo a via Anchieta. Eu buscava ...
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evitar mais filhos. O Osiel nasceu com um tumor chamado de angioma gigante em seu joelho esquerdo, foi preciso uma del...
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Início dos contos e crônicas 
Os pássaros que sobrevoam nossas selvas edênicas Há milhares de espécies de pássaros que...
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desagradável. Beija-flores são diferentes! Sobrevoam as matas e não se importa com as feiuras pois está focado nas flo...
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Coração de sertanejo 
O forte cheiro de capim gordura, o fru-fru das revoadas vespertinas dos pássaros em busca de um ...
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apesar da distância e dos barulhos das cidades grandes. Uns dois quilômetros dali vivia num sítio vizinho, sua namorad...
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-- Tereza, você me ama? Dizia apaixonadamente com seu rosto colado ao da Tereza, seu calor a incendiava, com seu rosto...
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começava a apertar. Como machuca a saudade, se estamos juntos com a pessoa amada, às vezes poucas coisas é motivo para...
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queridos e tratados com dignidade, todos tinhas seus nomes, todos eram conhecidos. 
Um terror toma conta dele, não con...
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vontade José tinha! Ah se tinha! Era bravo era forte era filho do norte este grande sertanejo. 
A vida no canteiro de ...
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A vida começa a melhorar, consegue o tão sonhado curso de engenharia, forma-se e abandona seu emprego e consegue algun...
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Os heróis dos campos 
A cidade de Indiaporã , bem pequenina, fundada na região centro oeste do grande Estado de São Pa...
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caminhão, com uma tora de madeira de um extremo ao outro na carroceria que serve de sustento aos boias frias. Mamãe co...
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sinal da cruz em reverencia às pessoas que perderam a vida. 
As seis horas da manhã, o nosso caminhão chega no grande ...
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O dia inicia-se com este fato marcante na vida dos bóias frias, e o motorista quase apanha das mulheres revoltosas. Ch...
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Bruxos na selva amazônica 
Hortolândia, uma maravilhosa cidade da região metropolitana de Campinas, clima seco, ar pur...
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cientista! A noite sempre olhava para o céu estrelado de Hortolândia, admirava a constelação do cruzeiro do sul! 
Tard...
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— Sabe Alberto, eu li no almanaque que está previsto um eclipse total do sol, e você não imagina que só será visto na ...
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Quase duas da manhã, enquanto Alberto já dormia um pesado sono, Bernardo sai devagarzinho e se dirige ao quarto de Car...
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singrava as belas águas do rio Amazônia, águas profundas, turvas. 
Em uma pequena curva do rio, os três amigos acham q...
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por uma mão toda manchada de barro, Carla vê que Bernardo e Alberto estão vindo próximo dela, as mão dos jovens estão ...
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Mais ou menos duas horas durou a dança, quando apareceram algumas índias, tiraram totalmente as roupas de Carla, Berna...
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Carla, Bernardo e Alberto receberam suas roupas e suas sacolas. Vestiram-se e ganharam algumas oferendas e um prato de...
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Seus nomes ficarão para sempre na história, pois aprenderam que muitas vezes a astúcia é melhor do que a força. 
Brasi...
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Impossível não viver do passado 
Muitos estufam o peito e dizem: - Quem gosta de passado é museu! Os mais poéticos cit...
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A cidade nessa época era poeirenta, caminhões pipas molhavam as ruas e nós os moleque corríamos atrás cheirando o fort...
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Um bêbado no coletivo 
Tarde de Sábado do dia 19 de janeiro de 2001, como muitos brasileiros, saio do trabalho apressa...
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Começo a refletir: " será que também não somos como este bêbado?" o que nos diferencia desta pessoa é que ele ingeriu ...
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Será que às vezes não estou a incomodar os passageiros neste coletivo da vida?. Amanhã ele será apenas um "ex-bêbado" ...
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Meu nome é Jerônimo 
Tenho enfrentado os risos dos meus alunos quando chego em sala de aula e me apresento: "_Sou o pr...
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Unidos, no final do século 19 - mas na verdade ninguém sabe quanto da história é verdade e quanto não passa de lenda. ...
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tem uso bem mais amplo. Por isso, é comum as pessoas gritarem "Gerônimo!" como aviso de que algo está caindo." 
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  1. 1. 1
  2. 2. 2 Breve relato: Infância e adolescência. Dedicação Dedico estas memórias aos meus adoráveis filhos que sempre me deram apoio nos momentos mais difíceis em nossas vidas: Oséias do Nascimento Ferreira Osiane do Nascimento Ferreira Osiel do Nascimento Ferreira Também ao meu genro Michel Lopes dos Santos que foi um dos primeiros a ler meus manuscritos e fazer as devidas críticas.
  3. 3. 3 Meus pais Após leituras de vários livros de biografias de pessoas famosas, sinto desejo de registrar para conhecimento de minha família e de todos que por ventura se der ao prazer de perder o seu precioso tempo nestes dados, alguns fatos sobre minha vida e de meus adoráveis pais e irmãos. Transcorre o ano de 1934, e em uma cidade do grande Estado de Minas Gerais, chamada de São Francisco de Sales, é feito na igrejinha local o matrimônio de João Gabriel Ferreira e Maria Geralda de Jesus, ambos nascidos em Campo Belo MG. “Estes são meus queridos pais”. Ela com doze anos de idade, uma menina que brincava com bonequinha de pano, era acostumada a árdua vida do sertão. Ele “papai” também acostumado à vida de cultivar a terra nos seus vinte e quatro anos. Mamãe não sabia o sentido real do casamento e pensava que casar era para ganhar roupas novas, ela nasceu em 04 de abril de 1920 ele em 06 de janeiro de 1910. Mamãe nunca foi alfabetizada e, contudo me ensinou muitas coisas das quais foram muito úteis neste mundo que eu vivo.
  4. 4. 4 Filhos do casal É difícil registrar dados dos filhos de papai e mamãe, 5 filhas eles tiveram. Mamãe dizia que se elas fossem Ter a mesma “sina” que ela teve, que Deus às recolhessem aos céus. Assim aconteceu! Uma a uma faleceram. No céu, junto eu verei todas elas, estas que eu nunca pude conhecê-las na terra. 11 de Fevereiro de 1935 São Francisco de Sales MG Nasce o primogênito João Gabriel Ferreira filho. “Meu irmão” Meus pais mudam para Tanabi SP onde é feito o registro do João constando que ele nasceu nesta cidade de Tanabi SP. 19 de Outubro de 1938 em Tanabi SP nasce Delcides Gabriel Ferreira, e meus pais mudam para Álvares Florence SP próximo a cidade de Votuporanga SP e passam a residir numa fazenda chamada Arrôio. 11 de Fevereiro de 1942, Nasce Antônio Gabriel Ferreira 15 de Março de 1943, nasce Ataydes Gabriel Ferreira 25 de Julho de 1947, nasce Walter Custódio Ferreira 16 de Setembro de 1950, nasce Arcênio José Ferreira
  5. 5. 5 Nasci! Aos cinco de Dezembro de 1956 em uma Quarta feira, na fazenda do Arrôio município de Álvares Florence SP, nasci! Uma parteira que para mim nunca a conheci, fez o parto de mamãe. Prontificaram-se para serem meus padrinhos o Senhor Segundo e a D. Juliana ambos espanhóis residentes na fazenda. Diz mamãe que a madrinha colocava açúcar na chupeta e dava para mim! Meus irmãos me levavam à roça para mamãe me dar de mamar. Aos três anos de idade, papai e mamãe mudam para Votuporanga SP e eu não falava, e quando ia à venda comprar doces eu apontava com o dedinho para a maria-mole de dizia “hum hum” deveria ter problemas na fala. Em 1959 eu já com 3 anos papai e mamãe mudam para o sertão de Minas Gerais num lugar pertencente ao município de Iturama MG. Mato por todo lado, à noite só via algumas lamparinas acesas nas casinhas distantes, onças pintadas deixavam seus rastros nos trilhos dos matos, A noitinha ouvia-se os lobos uivarem e eu cobria a cabeça de medo. Ia pescar com meus irmãos e um primo por nome de “véio” ainda me lembro que quando eu pegava um lambari, gritava bem alto “peguei, peguei” atrapalhando a pescaria do pessoal. Meu primo e meus irmãos gostavam de caçar e sempre traziam Inhambus e codornas para fazer parte de nossa alimentação, algumas lembranças me vêm à mente: um dia eu coloquei
  6. 6. 6 meu dedinho na boca de uma traíra que eles haviam pescado e fiquei com o dedinho a sangrar. Minhas brincadeiras eram de colocar um pedaço de pau entre as pernas e correr atrás de cavalos e potrinhos, certa vez levei um coice violento no rosto e quando voltei a si estava na cama suando muito frio e até hoje tenho no rosto abaixo do olho esquerdo uma cicatriz que recebi na infância dos tempos que vivi no sertão de Minas Gerais. 1962 Com seis anos de idade meus pais mudam para Indiaporã SP e passamos a morar na casa dos fundos de uma marcenaria do Sr. João de Matos. Era uma casinha de dois cômodos de tábua e do lado de fora viam as luzes da rua, no quintal tinha uma parreira que sempre estava carregada de uvas rosadas, e debaixo da parreira, mamãe lavava roupas para várias casas. Alguns irmãos moravam em São Paulo e numa das visitas do Delcides, e como ele gostava muito de mim, levou-me para morar com ele em Santo André SP. Morando na Rua Potiguares comecei a freqüentar uma escola Estadual, Ainda tenho boas lembranças deste tempo que eu tinha meu caderninho e fazia as lições. A saudade da mamãe foi um suplício para mim e eu chorava e reclamava com o Delcides meu irmão, e dizia:- Prefiro puxar água no balde para mamãe lavar roupas e buscar trouxas de roupas do que
  7. 7. 7 ficar aqui longe dela. Até que um dia, o meu irmão não agüentou mais minhas reclamações e levou-me de volta para Indiaporã SP. Breve histórico da cidade de Indiaporã A cidade teve seu início no dia 8 de agosto de 1.939, quando três jovens, Hipólito Moura, Alcides Borges e Francisco Leonel Filho combinaram de adquirir do senhor Luís Antônio do Amorim (clique aqui), conhecido popularmente por Luís Caetano, uma gleba de terras. Tinham eles, um ideal de, com estas terras, formar um patrimônio no interior paulista, que posteriormente se transformaria em uma cidade. Luís Antônio do Amorim, animado pelo mesmo ideal, disse que faria uma doação do terreno da praça central, a qual leva, em homenagem póstuma, o seu nome, e que o restante seria loteado e vendido. Na época, eram 94 datas de terras, cujas propriedades eram de 47 contribuintes, e a escritura foi lavrada no Cartório do Registro Civil de Monte Aprazível, sob número 14.021. Estas datas foram medidas pelo engenheiro Dr. José Dantas, da vizinha cidade de Cardoso e, logo em seguida, no dia 15 de janeiro de
  8. 8. 8 1.940, foi implantado na praça central o Cruzeiro, simbolizando a fundação do Patrimônio de Indianópolis. Inaugurou-se a primeira capela, e os festejos foram realizados nos dias 11 e 12 de maio do mesmo ano, e a primeira missa foi celebrada pelo Padre Ovídio. Francisco Leonel Filho e esposa Antonio Sylvio Cunha Bueno e esposa. O Deputado Estadual que auxiliou na criação do Distrito de Paz de Indiaporã Em 24 de dezembro de 1.948, Indianópolis foi elevado à categoria de distrito de Paz, sob empenho do senhor Francisco Leonel Filho, auxiliado pelo deputado estadual Antonio Sylvio Cunha Bueno e, a partir daí, passou a ser chamada de Indiaporã, que na linguagem tupi-guarani, significa "Índia Bonita", em homenagem aos índios Cayapós, que viviam nas proximidades do Rio Grande. Indiaporã passou a município através da Lei Estadual n. 2.456, em 26 de dezembro de 1.953, tendo como primeiro Prefeito Municipal o senhor Djalma Castanheira, empossado no cargo, no dia 1 de janeiro de 1.955, juntamente com a Câmara Municipal, composta de 9 vereadores. Djalma Castanheira - Prefeito Municipal
  9. 9. 9 Vicente Ribeiro Soares - Vice Prefeito Atacil Luiz Arantes Adelino Francisco do Nascimento Alfredo Arthur Pagioro Cláudio Ribeiro Corrêa Eunápio Antonio Cotrim José Oliveira de Souza Manoel Jerônimo da Silva Paulo Campos ASPECTOS FÍSICOS E GEOGRÁFICOS O município de Indiaporã, que compreende também o bairro de Tupinambá, possui uma área de 275 km2. Está situado na região noroeste do stado de São Paulo e faz parte da região Administrativa de São José do Rio Preto. Localização: - Latitude 19,59 - Longitude 50,17 - Altitude 440 m acima do nível do mar. Regiões limítrofes: Limita-se ao norte com o Rio Grande, que corta o município, fazendo uma linha divisória entre Indiaporã e o município de Iturama, Estado de Minas Gerais. Ao sul, limita-se com o município de Macedônia, ao leste com o município de Mira Estrela e
  10. 10. 10 a oeste com os municípios de Guaraní D'Oeste e Ouroeste. Solo: Em sua composição, o solo do município se apresenta em 3 tipos: - Hidromórficos: localizados no extremo norte do município às margens do Rio Grande. - Latosol Roxo: Se apresenta na zona central do município. - Latosol Vermelho escuro: É identificado na totalidade da parte sul do município, representando mais de 50% da composição total. Observação: O lençol freático do município apresenta-se a uma média de 10 metros de profundidade. Clima: O clima é tropical semi-úmido, com inverno seco e verão chuvoso. A precipitação pluviométrica tem uma média anual de 1.363 mm. As temperaturas médias atingem mínimas de 17,5QC e máximas de 33,5QC. ACONTECIMENTOS No dia 1 de janeiro de 1.940, houve um mutirão para roçar o local onde seria a praça da capela. Compareceram 22 pessoas, com foices, machados, enxadões e enxadas. Dentre as pessoas destaca-se a presença de um rapaz de nome Benevenute Garapa,
  11. 11. 11 vulgo Negrinho Barbeiro, que transportava água na cabaça. Fez-se a roçada, arrancaram-se os tocos e foi marcado o local da capela e, logo em seguida, fizeram um poço de água. Neste dia houve pagode à noite toda. Durante o dia, na hora do trabalho, foi servida uma suculenta merenda, constando de arroz doce e café, fornecidos pelo doador do terreno, senhor Luís Caetano, que morava à beira do ribeirão Água Vermelha. Estava fundada a Vila de Indianópolis. O contingente de pessoas que aportaram nestas plagas, após o surgimento da Vila de Indianópolis, são famílias que vieram tanto para habitar a zona rural, como também o vilarejo. Todos estes prestimosos dados foram extraídos do livro "MEMÓRIAS DE INDIAPORÃ" de Adelino Francisco do Nascimento. Indiaporaense ilustre por quem a família Arantes tem o maior apreço 1963 Já com sete anos de idade, e no fim do ano, curti a doce vida ao lado de mamãe ajudando-a no serviço de carregar trouxas de roupas e puxar água no poço! Janeiro de 1964 com oito anos de idade, fui matriculado no Grupo Escolar Otaydes Luiz Arantes cursando o primeiro ano primário.
  12. 12. 12 Nesta idade comecei a fumar não sabia que eu iria arrepender-me amargamente e sofrer para deixar este vício tão cruel, catando pontas de cigarros nas estradas quando ia tomar banho nos córregos com as molecadas. Passei a ser engraxate na pequena Indiaporã e o dinheiro que ganhava, gastava em picolés e maços de cigarros que eu fumava escondido de mamãe, algumas vezes fumava até debaixo dos cobertores com medo de ser visto por ela (como era inocente). Mamãe sempre mudava de casa e eu creio que moramos nos quatro cantos da cidade de Indiaporã. Moramos algum tempo em uma casa de tábua com um terreno enorme sendo que muitos circos eram armados no local, eu vendia doces para os moradores do circo e entrava de graça para assistir os espetáculos. Em uma das mudanças de mamãe, passamos a morar no sítio do Sr. Teotônio ficava distante de Indiaporã quatro quilômetros, mesmo assim eu não faltava às aulas, se faltasse apanhava muito de mamãe. Como não tinha bolsa para carregar o material para a escola, mamãe fazia embornal de pano e cabia certinhos os lápis e cadernos. A vida neste sítio era uma maravilha, pois todos os dias eu ajudava o Sr. Teotônio a tirar leite das vacas, e eu com a caneca com café forte e açúcar cristal, tomava leite tirado na hora dos úberes das vacas. Ganhamos um pedacinho de terra e nós plantávamos milho. Papai ia constantemente para Minas Gerais e trabalhava na roça e mamãe com meus irmãos trabalhavam na roça como bóias
  13. 13. 13 frias. Eu fui um bom aluno e consegui terminar o primário em 1969 com a nota de 78,33 (setenta e oito inteiros e trinta e três centésimos) Dos professores que eu me lembro foram: D. Ágda, D. Irene e Wanderley. A colação de grau foi no cinema da cidade, recebi o diploma do primário das mãos de minha madrinha, O fotógrafo que registrou a cerimônia perdeu todas as fotos e fiquei sem esta lembrança. Final de meus primeiros passos escolares, já com doze anos de idade dedico-me a ajudar mamãe e meus irmãos trabalhando na roça em colheita de algodão e arroz. Cada época tinha o tempo de certos brinquedos: Bolinhas de gude, papagaio (pipa) pião, arquinho, salva pegas. Este brinquedo era de correr e salvar os moleques que eram capturados, divertíamos muito nas noites quentes desta cidade.
  14. 14. 14 Permanência em Votuporanga Em 1973, eu com dezessete anos de idade, mamãe com meus irmãos resolvem mudar para Votuporanga SP, é arrumado um caminhão e foi colocado os (móveis) juntamente com as galinhas, chegamos em Votuporanga já bem cedo e só ouvia o cacarejar das aves em plena cidade grande. A vida em Votuporanga foi um pouco melhor do que em Indiaporã, mas continuamos a trabalhar como bóias frias. Sendo ainda menor de idade com dezessete anos, morávamos numa casa de meu irmão João distante do centro da cidade quatro quilômetros. Nossa casa não tinha luz elétrica e usávamos lamparina que nós colocávamos querosene, não tínhamos água encanada, mas dentro da varanda havia um poço que fornecia uma excelente água, fogão a gás, também não tínhamos, eu e mamãe íamos nos matos e trazíamos lenhas para que pudéssemos cozinhar os nossos alimentos. À tardinha e a noite devido o forte calor que fazia, éramos atacados por nuvens de pernilongos que atacavam cruelmente, em uma lata de dezoito litros, colocávamos fogo em fezes de gado e com a fumaça dentro de casa ficávamos livres alguns instantes destes insetos. Em nossa casa habitavam: Eu, mamãe, papai e o Ataydes. Papai sempre viajava para Minas Gerais para trabalhar em fazendas do grande sertão. Em casa eu e o Ataydes trabalhava nas roças para poder manter nossa casa com gêneros alimentícios, colheitas de café, maracujá,
  15. 15. 15 arrancando tocos nas fazendas dos ingleses, colhendo algodão, em lavoura de amoras para alimentar bichos da seda. Em épocas sem colheitas, eu e mamãe, íamos ao lixão da cidade reciclar lixo. Vendíamos papel, vidro, alumínio, cobre e tudo que desse alguns trocados. Com o cheiro forte de lixo podre suportávamos tudo isso para conseguir algum dinheiro. Freqüentava bailes nas fazendas mesmo não sabendo dançar tinha minhas diversões, e na volta para casa passa nos cafezais já tarde da noite e furtávamos melancias que nas estradas cortávamos e além de matar a sede servia de alimento. Também ia à cidade de Votuporanga, aos domingos de manhã para trocar revistas e gibis em frente ao cinema, com estes materiais novos tinha muita coisa para ler durante a semana, a noite eu ia tomar vitamina nas lanchonetes e assistir filmes de bang - bangs, e terror, de volta para casa pelas estradas desertas morria de medo de fantasmas. Duas vezes por semana, munido de um gancho num pau, e um farolete da everedy de três pilhas eu entrava nos córregos para caçar rãs, que serviam de mistura para levar para a roça no dia seguinte. Para quem não sabe a carne de rã é deliciosa. Mamãe também criava galinhas, e tínhamos ovos e frangos diariamente como mistura. Pescávamos nos córregos e conseguíamos boa mistura para variar o nosso cardápio, bagres traíras, lambaris davam em abundância nos córregos. Meu irmão Walter quando nos visitava trazia roupas que eram úteis para os passeios dos
  16. 16. 16 finais de semana. Com cabelos longos e lisos, e dentes cariados na boca passava muita vergonha quando no contato com as pessoas, mas infelizmente não possuía dinheiro necessário para cuidar dos dentes. Completei dezoito anos, e tirei fotos, para o RG, carteira profissional etc. Consegui um emprego em uma firma por nome de Sotril, esta firma trabalhava em canteiros de obras e prestava serviço para a CESP uma empresa que construía usina hidrelétrica em Ilha solteira SP. O trabalho era distante de Votuporanga oitenta quilômetros e todos os dias em uma caminhão Mercedes, coberto embarcávamos para as obras, trabalhávamos em diversas cidades como Guarani do Oeste, Ouro este, Ilha Solteira e até na adorável Indiaporã. O salário era muito baixo, mas já era melhor do que trabalhar de bóia fria. Fevereiro de 1976 mudança para São Caetano do Sul Tendo sonhos de uma vida mais digna e próspera, senti o chamado da grande cidade de São Paulo. Já havia feito várias viagens, quando menor de idade, e eu tinha certeza que já estava gostando imensamente desta cidade da garoa. Apesar do frio intenso e garoa, que fazia parte da paisagem citadina. Comuniquei o desejo para mamãe e ela com lágrimas nos olhos disse: - Faça o que você quiser meu filho, sei que Deus vai te abençoar.
  17. 17. 17 Parti, só com minhas roupas de passeio que foram ganhas, e em uma malinha de couro fui morar na casa de meu irmão Walter na rua Henrica Grigolleto Rizzo no. 202 Bairro Santa Maria em São Caetano do Sul SP. Minha permanência na casa do Walter foi por pouco tempo. Em Março de 1976, fui informado pelos irmãos da Bete esposa do Walter que uma firma por nome de Kentinha, em São João Clímaco S. Paulo estava com vagas para ajudante de caminhão. Esta firma ficava distante 40 minutos da casa do Walter, eu tomava dois ônibus, um até Vila São José em São Caetano do Sul e outro para São João Clímaco São Paulo, quando não podia pagar o ônibus eu ia a pé da Vila São José à São João Clímaco. Fui admitido em 05 de Março de 1976. Certo dia, o Walter me chamou e disse:- Jerônimo, me desculpa mas a Bete não te quer mais em casa pois sua permanência tira a nossa privacidade, e achamos melhor você procurar um local para morar. disse com certa tristeza.- Parti, e fui morar e fui morar em uma pensão no largo de São João Clímaco nos fundos do “bar do tio”. A vida na pensão foi terrível, pois dormia num quarto com oito rapazes recém chegados do nordeste, o banheiro estava sempre entupido e vivíamos com o mal cheiro das fezes que boiavam na bacia, a comida era de péssima qualidade e chorava em silêncio de saudades da casa da mamãe e de sua comida quentinha e seu amor por mim. Agora distante, aquilo que eu nunca preocupava passei a dar muita importância.
  18. 18. 18 Vida na Kentinha Kentinha ficava na estrada de São João Clímaco no. 471, era uma produtora de embalagens para alimentos e copos descartáveis, tinha dois prédios, um era a fábrica e outro fica a expedição de onde partiam os caminhões e kombis para a distribuição dos produtos. Meu trabalho era de ajudante de caminhão, e trabalhava das 7:30 às 17:30 horas e haviam os seguintes motoristas: José Lima, Walter, Joel e Pinheiro. Dos ajudantes eu me lembro muito bem do José Carlos Dias um jovem baixinho, mas muito comunicativo. O senhor José Lima era um pernambucano, sempre disposto e muito conversador, trabalhávamos nas ruas de São Paulo fazendo as entregas num caminhão baú Ford rodando pelas marginais Tietê e Pinheiro e vários bairros como Vila Maria, Parque Novo Mundo etc. No depósito de expedição desta firma, trabalhavam mais ou menos 20 pessoas e a maioria professavam a fé evangélica, criam em um Deus Vivo criador de todas as coisas, este Deus era diferente daquele que eu acreditava. Eu ia às missas aos domingos desde que eu morava no interior, fazia minhas orações a vários santos e tinha em meus bolsos várias rezas para santos que eu julgava que poderiam me ajudar nos momentos mais angustiantes da vida, era devoto da Senhora Aparecida, e minha mente era invadida por muitas superstições, era viciado em cigarros desde a
  19. 19. 19 meninice, bebia bebidas alcoólicas socialmente e algumas vezes ficava bêbado. Minha fé no futuro após a morte era confusa, não sabia para onde iria minha alma após meu corpo ser colocado na terra fria, cria num purgatório, pois desde que eu era criança, juntamente com a mamãe nós íamos aos cemitérios, e nas capelinhas deste campo santo queimávamos vários maços de velas para as almas do purgatório. Em uma enorme cruz, chamada de cruzeiro, fazíamos as queimas das velas também. Era atormentado por arrepios e sempre desmaiava, dormia com a cabeça coberta por medo de fantasma. Assim vivendo nesta crendice, conheci vários crentes que trabalhavam na kentinha, entre eles estavam: Joel Cirilo Dias, José Carlos Dias, José Lima, e um chefe de expedição chamado de João Batista, quase todos pertenciam à igreja Presbiteriana Renovada de São São João Clímaco, que fica na mesma rua da firma. A igreja tinha um salão de adoração nos fundos de um terreno, outrora era uma centro de macumba, os bancos eram vermelhos e tinham um compartimento para os fiéis colocarem suas bíblias e hinários, nas caixas de som erradiava alguns hinos que o diácono Hermindo colocava antes do culto. O pastor da igreja era o senhor Osvaldo Mendes, que era auxiliado pelos presbíteros: Victor, Joel, José Antonio, e mais alguns que eu não lembro seus nomes.
  20. 20. 20 Meus primeiros contatos com o livro da capa preta Nesse início de 1976, trabalhava com uma roupa azul, pesava 70 quilos, não usava óculos apesar de não saber que eu tinha visão míope. Como ajudante de caminhão, quando não tínhamos entrega para fazer, ficávamos no interior do depósito fazendo arrumações das caixas de embalagens, durante o serviço conversávamos, sobre vários assuntos. Em uma destas conversas com o José Carlos eu disse que fazia rezas para Santa Catarina para arrumar uma namorada para casar. – O quê? Jerônimo, - disse o José Carlos com seu ar de gozação – Jerônimo você precisa aceitar Jesus como teu Salvador e quando você tiver esse encontro com ele você vai aprender que não é preciso usar rezas para falar com Deus, pois você será um filho de Deus e como filho poderá conversar de filho para pai sem necessidades de rezas decoradas. - Jogue fora suas rezas e escutar mais o que eu quero te ensinar. – assim falou e continuou a mostrar dentro da bíblia vários assuntos que antes eu desconhecia. Às vezes saia para fazer entregas na grande São Paulo, com o caminhão cheio de mercadorias. Em minhas mãos estavam as notas fiscais e um guia de ruas, na direção do grande caminhão estava o Joel, sempre entoando alguns hinos ao seu Jesus, tinha uma linguagem diferente das que eu era acostumado a ouvir no meu dia-a-dia. No painel do caminhão, havia a causa de sua vida ser tão bela e feliz, “uma
  21. 21. 21 Bíblia” livro gasto pelo manuseio diário, rabiscado em suas páginas, um evidente sinal que este livro era importante para seu leitor assíduo, este livro tinha os preceitos que ditavam normas à sua conduta de vida, e enchia de alegria sua vida com as promessas Divinas, cada momento de folga eu via o Joel ler, e fechava os seus olhos em atitude de adoração, nos restaurantes quando parávamos para o almoço, antes de nós almoçarmos, ele inclinava sua fronte e dava graças ao Pai pelo alimento. – Jerônimo – disse ele – Você precisa aceitar Jesus como teu Salvador, para onde vai sua alma depois que você morrer? Você tem certeza de tua salvação? com esta vida que você leva, para onde vai sua alma depois que você morrer? Pegue esta Bíblia e veja o que diz Marcos 8: 36. Eu com muita vergonha pegava o livro e me atrapalhava desfolhando, mas ele com paciência achava o texto e eu lia: - Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder sua alma? – palavras de Jesus. Com estas palavras poderosas eu estava sendo orientado na nova fé, mas foi muito difícil largar os vícios, pois mesmo dentro do caminhão, eu enchia a cabina de fumaça de cigarros, mas algumas vezes eu tentava por conta própria deixar os vícios, chegava em casa e ia destruindo algumas rezas e aquilo que eu considerava que desagradava a Deus. Este livro semelhante a força e o corte de uma navalha feriu meu coração e uma operação no meu modo de pensar teve início. Senti como um soldado que é rendido por soldados inimigos e levado à prisão, feito o julgamento é condenado a
  22. 22. 22 execução à cadeira elétrica. A bíblia teve este impacto em minha vida. Foi me indicado pelo Joel à pessoa de Jesus Cristo como um advogado que podia me libertar dos vícios e dar-me a certeza de um perdão da pena de morte, e a luz começou a brilhar nas trevas de minha pobre vida maculada pelos pecados e uma vida distante de Deus, sentia com muita sede de ler as verdades contidas neste livro de capa preta. Secretamente no recôndito de minha pensão onde residia, jogava fora, isqueiros, cigarros e ficava até três dias sem fumar, mas voltava novamente, cada tragada eu sentia no meu íntimo duas batalhas, uma vontade de me libertar com as próprias forças e o desejo de conhecer mais este Jesus e seu livro de capa preta. Em uma Quinta-feira, rendi ao poder soberano de Jesus, fui pela primeira vez à igreja Presbiteriana Renovada em São João Clímaco, um local diferente, uma paz inundava o meu coração, tinha vontade de chorar tamanha era a emoção que atingia o fundo de minha alma, pelas caixinhas que estavam fixadas nas paredes da igreja ecoava uma melodia evangélica, a música era linda e era cantada pelo cantor evangélico Feliciano Amaral. A música falava de um banquete em babilônia, e dizia assim:- Numa orgia nefanda o rebelde Baltazar com os súditos do seu reino todos eles a alegrar, com espanto parou quando viu uma mão que na parede escrevia.
  23. 23. 23 Ouvi a pregação da mensagem bíblica, e saí da igreja transformado e professando ser um crente. Destruí tudo aquilo que eu sabia que não agradava a Deus, encomendei uma bíblia ao pastor Osvaldo Mendes e passei a lê-la. Transcorria o ano de 1976. Continuo a trabalhar na Kentinha, mas agora como crente, e a cada entrega que eu fazia nas transportadoras, hospitais, churrascarias e onde quer que fosse ali deixava folhetos evangelísticos. Às quintas feiras as entregas eram feitas na baixada santista. Em Novembro de 1976, tornei-me membro da Igreja Presbiteriana Renovada, admitido através do batismo em uma represa. Com uma toga branca, num lugar com muitas árvores, com uma camisa vermelha por baixo, uma calça super apertada de boca de sino, devido Ter engordado alguns quilinhos, nesta época eu estava com 75 quilos. Peguei a fila com outros membros de toga branca e caminhei para a represa onde era aguardado pelo pastor Osvaldo Mendes e o presbítero Eduardo. Ao som dos hinos entoados pelo povo de Deus, apoiado pelo pastor, fui empurrado para traz na represa, enquanto ouvia a voz que dizia:- Eu te batizo em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo amem. As águas me encobriram simbolizando morte para este mundo, levantei das águas e as águas escorrendo pelo meu rosto simbolizando ressurreição com Cristo. Talvez meu corpo estará consumido pelas larvas, mas meu espírito estarás ao lado de meu salvador Jesus Cristo e juntamente com aqueles que já partiram
  24. 24. 24 para a eternidade. Todos que estiverem lendo estas humildes notas aceitem esta mesma fé que eu aceitei um dia. Como membro da igreja, dedico aos trabalhos da igreja, juntamente com a leitura intensa da bíblia, aos sábados a tarde eram realizados trabalhos em um hospital no bairro do Brás, passei a pregar as mesmas mensagens que um dia havia me conduzido a Cristo. Em Fevereiro de 1977 fiz uma ficha na Mercedes Benz do Brasil para trabalhar de ajudante de produção, fui chamado, mas estava trabalhando ainda na Kentinha, e a Mercedes precisava urgente de fazer a admissão, mas a Kentinha não queria me dispensar, pedi a conta mas fui obrigado a cumprir 30 dias de aviso prévio. Fiquei desesperado e com medo de perder o emprego da Mercedes. Falei com o Joel e relatei meus medos e ele olhando bem firme nos meus olhos disse:- Jerônimo, se você não crê no teu Deus e não tem fé que este emprego é seu pegue sua bíblia jogue fora em não vem mais para a igreja. Chegue em sua casa e leia o capítulo 11 de Hebreus! Foi uma bronca e tanto mas serviu para eu testar o meu Deus! Passei 30 dias de aviso prévio, e no dia 20 de Março de 1977 fui admitido na Mercedes Benz do Brasil S/A como ajudante de produção. Cumpriu-se os planos de Deus nesta nova jornada de fé.! No ano de 1978 freqüentando a igreja conheci uma jovem por nome de Eunice, filha do me antigo motorista era kentinha, ela pernambucana, de baixa estatura, usando óculos de grau, saia com botões no meio, começamos a
  25. 25. 25 conversar após o culto e iniciamos um namoro. Ela trabalhava no laboratório Zambom próximo a via Anchieta. Eu buscava no seu serviço e namorávamos em sua casa e aproveitava também para “serrar a bóia” de Dona Dulce assim quase sempre escapava da péssima comida da pensão. Neste mesmo ano de 1978 ficamos noivos e em 23 Setembro casamos. A cerimônia foi realizada pelo pastor Osvaldo, ainda hoje tenho algumas fotos e uma fita k7 do casamento. Fomos morar na rua Imoroti no Sacomã no ano seguinte mudamos para rua Alencar Araripe nos fundos da casa do Senhor Claudionor. A Eunice sofre o primeiro aborto, mas em 1979 fica grávida do Oséias e em 1980 nasce nosso primeiro filho, em 1981 nasce a Osiane, nós mudamos para rua Caripurá nos fundos de uma casa que pertencia ao Senhor Sérgio. Na igreja continuo a trabalhar e já era eleito presbítero. Fui demitido da Mercedes em 24 de Janeiro de 1983, mas consegui em emprego como vigilante do banco Itaú. A direção da igreja me colocou para dirigir uma pequena congregação no Jardim Maria Estela, estas atividades trouxe muitos benefícios para minha vida espiritual pois tive meus conhecimentos enriquecidos com diversas experiências, mas comecei a Ter sérios problemas com os ciúmes da Eunice e trouxe muitas dificuldades para continuar a trabalhar na igreja. Mudamos para Estrada de São João Clímaco numero 414 e em seguida para rua Otaviano L.R da Silva Neste ano no dia 30 de Julho de 1985 nasce nosso adorável filho: Osiel. Neste mesmo ano fiz minha cirurgia de vasectomia para
  26. 26. 26 evitar mais filhos. O Osiel nasceu com um tumor chamado de angioma gigante em seu joelho esquerdo, foi preciso uma delicada cirurgia na Clínica Infantil do Ipiranga. Após a cirurgia vieram as complicações trazendo fortes anemias que debilitaram o seu frágil corpinho. Ainda me lembro que todos os dias de manhã, eu enrolava ele em um chale verde e levava à casa da prima da Eunice chamada de Irani, sendo ela enfermeira aplicava fortes doses de injeções em suas nádegas tão macérrimas, eu gostaria de receber aquelas injeções, tamanha era o dó que eu sentia deste meu filho. Os médicos nos alertaram que o período mais crítico de sua vida seria aos doze anos de idade. Em 1986 fiz mais uma vez uma ficha na Mercedes para trabalhar como segurança. Mais uma vez Deus me abençoou e eu pela Segunda vez voltei a trabalhar nesta tão boa empresa. Em Setembro de 1995 fui demitido e passei a trabalhar em entrega de compras como clandestino na porta do Rhodia em São Bernardo do Campo fiquei quatro anos, mesmo assim mantendo meu lar, porém tive algumas dificuldades antes de pagamentos porque tinha muitos gastos com a variante. 
  27. 27. 27 Início dos contos e crônicas Os pássaros que sobrevoam nossas selvas edênicas Há milhares de espécies de pássaros que são catalogados pelos nossos ornitólogos, todos são belos em sua natureza! Quero destacar apenas dois para dar início a essa crônica. Objetivo? Bem algumas linhas abaixo deixarei o leitor ciente do que se trata. Os falconiformes ou comumente conhecidas como o nome vulgar de “Abutres” Os mesmos têm hábitos necrófagos, tem sido os lixeiros do mundo pois fazem limpeza retirando dos campos animais mortos, e seus cheiros terríveis. Segundo a ciência, esses pássaros em cativeiros chegam a viver até 30 anos. Outros pássaros bem diferente são os colibris, os nossos beija-flores, com nomes até então desconhecidos como: cuitelo, chupa-flor, pica- flor,chupa-mel, binga, guanambi. Existem mais de 300 espécies. Com seus bicos alongados sua alimentação é a base de néctar. “Pois é” como dizem nossos amigos do interior de São Paulo, Os abutres sobrevoam nossas matas com belas flores, cheiros exuberantes, uma vista maravilhosa, águas cristalinas, não percebem as belezas, pois está focado em encontrar apenas sua refeição “animais mortos” “carniça” Seu foco é apenas isso, não quer beleza, pois a beleza não importa, o que para nós é agradável para eles,
  28. 28. 28 desagradável. Beija-flores são diferentes! Sobrevoam as matas e não se importa com as feiuras pois está focado nas flores para retirar os néctares. Mesmo usufruindo do seu alimento, nos deixam sua beleza, com seus voos lindos. Deveríamos ser com os beija-flores, não focar nossa atenção na feiura e sim no que é belo, após sermos nutridos deixar nossa beleza, nossa gratidão, isso é muito importante Sei que abutres cumprem seus papeis na natureza, mas essa comparação serve apenas de exemplo. Tenho visto meu blog, muitos internautas acessam para suas pesquisas e conhecimentos, poucos deixam uma mensagem de gratidão ou mesmo apenas seu nome. Para quem agradece, pode parecer simples, mas para mim é de grande valor. Sejamos todos como beija-flores deixando nossa beleza onde “voarmos” 
  29. 29. 29 Coração de sertanejo O forte cheiro de capim gordura, o fru-fru das revoadas vespertinas dos pássaros em busca de um lugar para repouso, o último brilho do sol, invade este ambiente bucólico com as tribos rubras da tarde. Bem distante visível apenas uma silhueta, está um caboclo dando as suas últimas enxadadas limpando as ervas dadinhas da plantação de arroz, ergue as mãos e retira o chapéu, dando um gostosa coçada na cabeça, olha para os raios do Sol que já se foram. Apanha no bolso roto de sua camisa um restinho de cigarro de palha, tira do bolso sua “binga” e acende o cigarro de palha tirando uma baforada, espantando os mosquitos borrachudos que teimavam rodear sua vasta cabeleira. Nesta serra conhecida como “Serra do rola moça” vive este sertanejo, dedicando todos os dias no trabalho da terra para retirar seu sustento. Vivem com ele seus pais. Sua mãe todos os dias prepara sua marmitinha de alimentos. Seu pai devido a idade permanece em casa. Ao vê-lo chegar próximo de casa com sua enxada nos ombros sua mamãe corre ao encontro dando- lhe um maravilhoso beijo em suas faces poentas e disse: -José, tudo bem? Como foi seu dia? Não teve nenhum problema com cobras? – Era assim com essas perguntas e outras que dona Maria Terra conversava com seu filho querido. O pai um pouco mais macambúzio, devido suas doenças apenas dizia um “Deus te abençoes filho”. Eram felizes
  30. 30. 30 apesar da distância e dos barulhos das cidades grandes. Uns dois quilômetros dali vivia num sítio vizinho, sua namoradinha que era o motivo de sua vida, a Tereza. Moça linda com sua tez bronzeada devido os raios do Sol, cabelos negros comprido escorriam pelos ombros. José amava profundamente Tereza e sempre tinha seus sonhos em ter uma boa colheita e tirar sua amada deste antro de abandono. Cada vez que seu rádio de ondas curtas anunciava a “voz do Brasil” às dezenove horas, com a famosa música do guarani, José colado os ouvidos no rádio ouvia embevecido as notícias de Brasília e as principais cidades como Rio e de São Paulo. José tinha um sonho: - Ainda vou morar no Sul, ganhar muito dinheiro e voltar para casar com Tereza. Partia o coração de sua velha mamãe, filho único ele era o arrimo da casa. Porém como diziam os antigos: - Criamos filhos e eles criam asas e desaparecem de nossos olhos. Nos programas sertanejos da rádio nacional José ouvia muitas músicas sobre pessoas que foram para o sul em busca de uma vida melhor. Numa fazendinha poucos quilômetros dali, havia muitos bailinhos com sanfoneiros da região, muitas vezes bois eram abatidos, e churrasquinhos eram servidos aos vizinhos. José e sua amada iam sempre e dançavam felizes da vida, beijos eram trocados, promessas eram feitas, juras de amor não faltavam para estes jovens.
  31. 31. 31 -- Tereza, você me ama? Dizia apaixonadamente com seu rosto colado ao da Tereza, seu calor a incendiava, com seu rosto colado ao dele dizia: -Claro José! Meu sonho e é ser sua esposa e juntos cuidarmos de seus pais, e manter nossa rocinha, criar galinhas, porcos, vacas, te farei muito feliz. José vivia nesse conflito, entre o amor e a busca de seu sonho no sul. Aproxima o final de ano e José toma uma decisão: Vou viajar para o Sul em busca de uma vida melhor e voltar para buscar Tereza. Avisa sua namorada, que partiria no próximo Domingo, e umas nuvens escuras pairam sobre seus velhos pais que choram amargamente já prevendo perder seu filho para a cidade grande. No Domingo, numa tarde ensolarada, ao seu lado estão suas poucas roupas dentro de uma mala de couro. Tereza estava ao seu lado chorosa, com suas faces coradas. Ele feliz, impassível, mas feliz porque ia em busca de seu sonho. Num beijo apaixonado despede de seu amor e embarca no ônibus que o levaria ao sul de onde ele dizia que voltaria logo para casar com seu amor. Nos céus um bando de patos passam em grande alvoroço, um bem te vi solta um canto, um casal de João de Barros traz seus cantos. José dentro do ônibus dava um adeus a sua amada. Num forte barulho de motor traz a realidade o José, estava deixando a Tereza, que sonhava que seria sua. O ônibus sai, e em cada parada, um forte suspiro saia da boca de José, a saudade já
  32. 32. 32 começava a apertar. Como machuca a saudade, se estamos juntos com a pessoa amada, às vezes poucas coisas é motivo para brigas, mas se estamos nos separando, queremos com urgência voltar ao lado da pessoa querida. O homem não foi feito para ficar só, precisa de alguém para sentir seguro, parece uma criancinha que sente falta de sua mamãe querida, de sua caminha, das cantigas de ninar. Mesmo já adulto encontramos no amor a figura da mulher que traz um conforto além de seus beijos e afagos. Em uma curvinha, lança o olhar perdido em direção à sua cidadezinha que fica para traz, sua amada também passou a ser apenas uma vago pensamento. Após três dias de longa viagem, sente um cheiro estranho, do rio mais poluído da cidade de São Paulo, sente uma friozinho da grande cidade, edifícios tomam sua visão, já estava chegando no “Sul” como sempre dizia! Desce no terminal Tietê, meio tonto ainda da viagem, tudo era estranho, cheiro, edifícios que suntuosamente estava em seu caminho, agitação dos ambulantes a anunciar seus produtos, cheiro forte de carne assada dos churrasquinhos, forte cheiro de urina dos mendigos que infestam as pracinhas. José não se preocupa com isso e com seu olhar devora a cidade sem perder nenhum detalhe. Procura algum amigo para dar algumas informações. Que amigo? Todos eram estranhos! Bem diferente de seu velho sertão onde todos eram
  33. 33. 33 queridos e tratados com dignidade, todos tinhas seus nomes, todos eram conhecidos. Um terror toma conta dele, não conhece ninguém, não tem amigos, é mais um que foi lançado nos antros desta velha metrópole, mais um que se não lutar irá moram debaixo dos viadutos, mais um que irá infectar as praças com cheiro forte de urina e fezes. José para e pensa: - Aqui tem um filho do sertão! Sou bravo sou forte, sou filho do norte! Avista um “ser humano” de cócoras na calçada e em seu jeito simples pede um favor: - Moço me ajuda, preciso de um emprego. O moço olha com um olhar de desprezo e aponta para uma placas de uma construtora que pedia servente de pedreiro. Pela primeira vez na vida, sente ser um ninguém, uma escória da sociedade. Pessoas da cidade não conhecem nem um pé de arroz, não dão valor ao homem do sertão que com suas mãos calejadas, puxando o cabo do guatambu limpam os arrozais, colhem e mandam para as grandes cidades para matar a fome das pessoas. Frutas que encontramos por aqui com fartura, no Ceasa, muitas são desperdiçadas jogadas fora, na roça elas são tratadas com carinhos. Pessoas da cidade dão pouco valor às frutas e todos os alimentos. Ao pedir um emprego encontra seus primeiros problemas, precisa tirar a “carteira de trabalho” e tirar a chapa dos pulmões. Com sua barriga a roncar parte em busca dos documentos. Seu local de dormir era junto com várias pessoas como ele. Cada um precisava lutar por si só. Esta força de
  34. 34. 34 vontade José tinha! Ah se tinha! Era bravo era forte era filho do norte este grande sertanejo. A vida no canteiro de obra não era fácil! Aliás, onde que a vida é fácil? Conseguiu emprego de servente de pedreiro, uma salário bem irrisório, mas já era um começo. Dormia em colchonetes junto com mais pessoas como ele, ao lado do canteiro podia-se ouvir da vida da cidade e uma cantiga de crianças vinha ao seus ouvidos. : “ Ciranda cirandinha vamos todos cirandar..” havia várias famílias que moravam perto da obra e as crianças ao lado do tapume cantavam suas músicas.” Sete, sete são quatorze três vezes sete vinte e um..” Trabalha todos os dias inclusive feriados, não tem tempo para passear, chega ao dormitório tarde e sem forças para sair e passear. Descobre um curso por correspondência conhecido por “Madureza” Escreve, faz sua matrícula e começa o curso ginasial, sempre desejoso de prosseguir os estudos e ganhar uma nova profissão! “Escravos de Jó jogavam, cachangá, tira põe...” As cantigas vinham até a noitinha. Crianças que em brinquedo de roda passavam estes momentos infantis felizes. Ao término do curso de madureza, é orientado pelos seus chefes que havia universidade que davam a tal da bolsa de estudos. Estuda com afinco e se prepara para o vestibular, desejava cursar engenharia. Manda suas cartinhas para a Tereza dando as boas novas. As respostas de sua amada começam a ser escassas.
  35. 35. 35 A vida começa a melhorar, consegue o tão sonhado curso de engenharia, forma-se e abandona seu emprego e consegue alguns trabalhadores e se torna empreiteiro construindo casas e fazendo reformas. É feliz, ganha muito dinheiro, mas um vazio ainda permanece em si, sente saudades da pessoa amada da sua Tereza. Manda várias cartas e sem resposta. Resolve viajar de volta ao seu lar no sertão. Prepara de surpresa sua viagem. Antes de chegar à rodoviária, passa perto de um grupo de crianças, e tinha certeza que elas cantavam uma música que falava de uma tal de Terezinha. Não entendeu muito bem a melodia e a letra. Ao findar sua longa viagem, chegando próximo da casa de sua amada, avista de longe e tem uma triste surpresa: “Tereza é de Jesus” Somente agora recorda as cantigas das crianças quando chegava próximo da rodoviária. “Terezinha de Jesus, deu uma queda foi ao chão, acudiram três cavaleiros, todos os três chapéus nas mãos..” A cantiga trouxe uma triste verdade ao coração do José o Sertanejo. Agradecimentos: Agradeço ao Professor Ananias de Albuquerque, pelo seu poema: "O Sertanejo", através dele pude fazer este conto com algumas adaptações, sem, contudo deixar de seguir sua originalidade. 
  36. 36. 36 Os heróis dos campos A cidade de Indiaporã , bem pequenina, fundada na região centro oeste do grande Estado de São Paulo, fica distante de São Paulo 650 quilômetros. Em Maio, a pequenina cidade era agitada por grandes movimentos de bóias frias. Os bóias frias eram pessoas acostumadas à árdua vida, de acordar de madrugada quando os galos saudavam o novo dia, os fogões a lenha são acesos pelas heroinas dos lares, isto era após de muito choro por causa da fumaça que toldavam as pequeninas casinhas de barro. O forte cheiro de gordura de suínos a aquecer os dentes de alhos, atraiam os gatos e cachorros, que se assentavam próximo ao fogão a olhar suas donas. Ao término do “almoço” que era feito nas madrugadas, o alimento era colocado nos caldeirões que juntamente com os talheres são embalados nos embornais de pano. Pronto está pronto o “moleque”, apelido que os bóias frias davam ao almoço que serão levado às roças.! O tempo neste mês de Maio é frio e as mãos enrijecem, o orvalho tinge de branco as ervas e as plantas dos quintais das casas, a tina com água, acumula-se pequenos flocos de gelo na superfície das águas, as flores exalam seu adocicado olor enchendo-o o ar desta fragrância. Mamãe, com meus irmãos, Arcênio, Ataydes e eu já com nossos chapéus mexicanos de abas largas, caminham para a praça da matriz à aguardar o “pau de arara” nome que é dado ao
  37. 37. 37 caminhão, com uma tora de madeira de um extremo ao outro na carroceria que serve de sustento aos boias frias. Mamãe com meus irmão se ajuntam à outras pessoas e picando fumo de corda que é enrolado em palha de milho, enchem o lugar com o forte cheiro, ficam a conversar enquanto aguardam a chegada do motorista José Pinheiro. Enfim chega o motorista com o seu caminhão soltando um grande tufo de fumaça de óleo diesel queimado. Todos sobem pelos pneus e se acomodam na carroceira e ficam segurando os grande chapéus, algumas mulheres, queridinhas do motorista, vão na boleia do caminhão, e assim começa a viagem até a lavoura de algodão, cujo local era do outro lado do rio grande. O rio grande, como o próprio nome diz é grande mesmo e divido os dois Estados, Minas e São Paulo. A fazenda da qual íamos trabalhar ficava próximo a esse rio. Na viagem, o olor de capim gordura, misturado a poeira empreguinam as roupas, cortante vento faz tremer os bóias frias, e a única alternativa é se proteger abaixando a cabeça até o fim da viagem. Muitos acidentes aconteciam nesta época, devido a imprudência dos motorista, pois em alta velocidade, nestas estradas esburacadas, muitos caminhões tombavam nas curvas, ceifando muitas vidas destes humildes trabalhadores. Há uma curva na estrada que recebeu um cômico nome de “curva da morte” porque lá muitos bóias frias perderam a vida. Até nos dias de hoje as pessoas passam neste fatídico local e tiram os seus chapéus e fazem o
  38. 38. 38 sinal da cruz em reverencia às pessoas que perderam a vida. As seis horas da manhã, o nosso caminhão chega no grande rio, e aguarda a chegada da balsa que fará a travessia para a outra margem, no Estado de Minhas Gerais, o caminhão sobe na plataforma da balsa e nós os bóias frias ficamos dentro da balsa contemplar as águas a correr, pois o tempo de travessia era de vinte minutos. O tempo ainda está frio e os fortes ventos obrigam alguns dos bóias frias a buscarem refugio na frente do caminhão ao calor do motor já desligado. Pela correnteza do rio, observa-se madeiras, folhas e alguns peixinhos como lambaris nas águas turvas a correr. Faltando uns duzentos metros para a balsa chegar nas margens do grande rio, por imprudência o motorista José Pinheiro entra no caminhão e dá partida, esquecendo que o caminhão estava engrenado, acontece o imprevisto, o veículo dá um arrancada para frente e retorna, e com o impacto projeta para as águas gélidas quatro bóias frias. desespero total das histéricas mães, que pulam na embarcação aos gritos de “salvem meu filho por amor de Deus”, eles com suas pesadas botinas, embornais pendurados, grossas roupas de frio são levados pelas fortes correntezas, junto com eles vão também pãezinhos levados com a correnteza. Alguns barqueiros num gesto de civilidade consegue trazer para a balsa alguns náufragos enquanto outros num forte instinto de se salvarem, nadam e retornam à balsa.
  39. 39. 39 O dia inicia-se com este fato marcante na vida dos bóias frias, e o motorista quase apanha das mulheres revoltosas. Chegamos à lavoura de algodão e tudo volta a rotina, apesar das murmurações gerais. Mamãe e meus irmãos penduram os embornais nas frondosas árvores e começamos a colher algodão, as nove horas da manhã o sol começa a lançar seus fortes raios na terra bronzeando os boias frias. Os mosquitos borrachudos atacam sem parar, calor torna-se forte e às quatro horas da tarde vários moleques e entre eles eu também vamos a pé até o rio para aguardar a chegada do caminhão. Aproveitamos estas horas de lazer para se refrescar no rio. Agora sim um nado voluntário e não forçado. Mais uma vez em casa com mamãe e meus irmãos a alegria invade nosso humilde lar. O banho era tomada em uma bacia de alumínio, com sabão de soda, à noitinha as lamparinas à querosene eram acesas e íamos ao quintal contar alguns “causos.” Os bóias frias são realmente uns heróis dos campos, pois mesmo enfrentando esta árdua vida, nas colheitas de algodão são felizes e ainda sobra tempo a noitinha para irem à praça da matriz para conversarem e gargalhar dos seus problemas e desgraças dos outros. Sim são felizes porque estão ajudando a construir este próspero país. 
  40. 40. 40 Bruxos na selva amazônica Hortolândia, uma maravilhosa cidade da região metropolitana de Campinas, clima seco, ar puro e isento das muitas poluições que afetam cidades grandes, Amanda II um bairro tranquilo que abriga quase cinquenta mil habitantes. Três amigos de escola que tinham muitas coisas em comum: Alberto, um jovem ávido pelo conhecimento, cursava o 1º ano do ensino médio, seus óculos (estilo intelectual) destacava dos demais alunos, passava maior parte do tempo na biblioteca pesquisando livros sobre lugares exóticos. Bernardo, cursava o 3º ano do ensino médio, era assinante de uma das melhores revistas de circulação periódica a revista “reader digest” na escola vivia sonhado com passeio pelas regiões pitorescas do Brasil, afinal ele dizia sempre: — Nós brasileiros devemos conhecer primeiro nosso país que é rico em lugares bonitos, prá que se preocupar em conhecer outros lugares se aqui temos tudo de bom e bonito? Na sala de aula adorava as aulas de geografia e se deleitava com as informações passadas pela professora Mary! Nos intervalos, seu amigo preferido era o Alberto, e sempre trocava palavras amigas e discutiam seus sonhos em conhecer outros lugares. Carla colega de classe do Bernardo possuía o dom de fazer novas amizades, dizia que quando terminasse o ensino médio, faria uma faculdade voltada para a área de astronomia, queria ser
  41. 41. 41 cientista! A noite sempre olhava para o céu estrelado de Hortolândia, admirava a constelação do cruzeiro do sul! Tarde de uma sexta-feira, Bernardo abre sua caixinha de coleta dos correios, em meio a várias contas para pagar, encontrou uma, vinda de sua revista preferida, dentro, um aviso do diretor da revista informando que ele havia sido sorteado com três passagens de ida e volta, para uma viagem para Manaus! Alegria tomou conta do seu ser, e espalhou as boas novas entre seus amigos, a euforia tomou conta deles, na cantina da escola combinaram que distribuiriam as passagens somente para seus amigos íntimos. Como se aproximavam as férias de dezembro, os jovens se prepararam para a viagem, fizeram suas malas e incluíram nelas: repelentes para mosquitos, varas e apetrechos para pesca, espingarda para caça, lanternas, roupas camufladas, carnes em conserva, bonés e muitas coisas que poderiam ser úteis, como a viagem de ida e volta poderia ser longa, encheram suas malas com vários livros e entre eles um almanaque do pensamento que registrava alguns fenômenos e algumas coisas úteis. Dia tão esperado chegou! No aeroporto de Viracopos os três despediram de suas famílias no saguão do aeroporto, e o avião tomou as alturas com os jovens aventureiros. Suas mãos suavam, e tentavam se tranqüilizar falando de coisas banais. Carla puxou conversa com o Alberto:
  42. 42. 42 — Sabe Alberto, eu li no almanaque que está previsto um eclipse total do sol, e você não imagina que só será visto na região norte! —Duvido! — disse o incrédulo Alberto! —Último eclipse que se tem notícias foi a vinte anos atrás e eu era apenas um menino.- disse o jovem aproximando suas mão da mão da moça,e sentindo seu perfume adocicado da boticário, seu coração batia forte sempre que se aproximava de Carla. — Pois é, teremos um privilégio, que ninguém de Hortolândia terá! — Ver este fenômeno de um único lugar! — Minhas amigas ficarão com muita inveja. Suas mãos se tocaram mais uma vez e aproveitaram para trocar um “selinho” deixando Bernardo de olhos arregalados.- Bernardo também tinha uma forte atração por Carla! Numa manhã ensolarada de sábado, o avião taxia na pista do aeroporto de Manaus e os três amigos descem e se dirigem para um hotel da cidade. Antes de chegar ao hotel foram pegos de surpresas por uma forte chuva, porque o tempo da Amazonas é muito instável! Chegam em um pequeno hotel da grande capital Manaus, pedem dois quartos um para a Carla e outro para os dois amigos. Tomam um delicioso banho e se reúnem na sala de descanso do hotel, enquanto uma forte chuva cai. Conversam até tarde quando todos bocejando vão para seus quartos descansarem.
  43. 43. 43 Quase duas da manhã, enquanto Alberto já dormia um pesado sono, Bernardo sai devagarzinho e se dirige ao quarto de Carla, a porta não estava trancada, sobre o fino lençol Carla deixava aparecer suas belas pernas, sua pequena calcinha estava a mostra, Bernardo chegou, e deu um pequeno beijo nas rosadas faces dela, se remexeu e fingiu dormir, as mãos de Bernardo tocaram suavemente em suas pernas, e logo se abraçaram arduamente. Ambos sedentos de paixão se entregaram um ao outro até as cinco da manhã quando ele voltou para seu quarto. Alberto ainda dormia exausto em sua cama de solteiro. Amanhece o dia e os três saem do hotel e vão conhecer a grande Manaus, um anúncio publicava um telefone de um guia para viagens à selva, prometia ser um exímio conhecedor do lugar. Ligam para ele e atende o Zé do Brejo como era chamado: - Alô – disse Carla ao telefone.- Precisamos de seu serviço para um passeio em plena selva, queremos conhecer tudo que for belo e exótico que exista nesse lugar. Concordaram o preço e marcaram para o dia seguinte, o embarque no seu belo barco. Iriam por água porque por terra era bem difícil o transporte. Malas, mochilas e apetrechos de turistas estavam prontos e embarcaram no barco do Zé do Brejo. O barco era de tamanho mediano com dois compartimentos em um dos lugares havia redes para os turistas descansarem enquanto o barco
  44. 44. 44 singrava as belas águas do rio Amazônia, águas profundas, turvas. Em uma pequena curva do rio, os três amigos acham que é o melhor local para permanecerem algum tempo e armarem suas barracas. O barco para enquanto os três descem e começam seu passeio, árvores são fotografadas, pássaros de diferentes espécies, dão um verdadeiro show com seus cantos, doce cheiro de flores, é como um alucinógeno às narinas dos jovens hortolandenses. Armam as barracas e curtem os bons momentos enquanto o barqueiro fica na beira do rio à esperar o chamado para prosseguir e guia-los à selva mais densa. Carla e Bernardo não puderam nem se tocar, um pouco de medo os dominava nesse ambiente exótico e hostil as visitas indesejáveis, rugido de feras ecoavam na noite, cantos de pássaros noctívagos davam um ar tétrico. Barulhos de chocalho indicavam que havia algumas cobras venenosas nesse lugar. Atiçaram a fogueira e conseguiram passar suas primeiras noites. Amanhece, e ao som dos pássaros matinais, chamam o guia e se embrenham pela selva adentro, o guia vai à frente com seu facão cortando os obstáculos que dificultam a passagem. Um grito de dor:- Ai... Sangue mancha a camisa do Zé do Brejo, sobre seu pescoço um forte jato de sangue corre violentamente enquanto ele cai. Os três desesperados não sabem o que aconteceu e correm desnorteados pela mata adentro, Carla tropeça em um cipó e cai. Sobre ela um ser estranho agarra suas costas e sua boca é fechada
  45. 45. 45 por uma mão toda manchada de barro, Carla vê que Bernardo e Alberto estão vindo próximo dela, as mão dos jovens estão amarradas e atrás deles um grupo de índios da raça dos Amambiquaras. Os Amambiquaras é uma raça de índios quase extinta na região norte do Brasil, os pesquisadores dizem que deveriam haver poucos índios dessa raça. Eram antropófagos, andavam praticamente nus, usavam um pequeno enduape que cobriam as regiões glúteas, suas extensas cabeleiras eram presas por penas de aves principalmente de faisão, era um povo ignoto para os pesquisadores, mas exerciam extrema violência para com os intrusos. Nossos amigos foram levados até a taba na presença do cacique, seus gritos de guerra e seus falares eram totalmente incompreendidos por Carla, Bernardo e Alberto. O cacique era um velho de feição austera, tinha um pouco de conhecimento das línguas dos brancos e disse numa mistura de sua língua e a nossa: - O que os brancos querem aqui?- Carla foi a primeira a falar tremendo de medo: - Não queremos nada, apenas ir embora. Sem ser atendida, todos foram amarrados com cipó embira em um tronco de árvore que estava defronte da taba. Começaram as danças, em sua volta via passar alguns índios a dançar ao som de uns batuques de tambores. Havia algumas meninas índias, com seus seios à mostra, pequenas tangas cobriam seus sexos, os índios quase nus gritavam uma cantiga estranha, causando terror aos olhos dos hortolandenses.
  46. 46. 46 Mais ou menos duas horas durou a dança, quando apareceram algumas índias, tiraram totalmente as roupas de Carla, Bernardo e do Alberto, usaram urucum, pintaram seus corpos, com uma ferramenta rústica, cortaram os seus cabelos. Alguns índios trouxeram folhas de coqueiros e alguns gravetos e cercaram os jovens! Terror estava estampado aos seus olhos, sabiam que seriam devorados vivos após serem totalmente queimados. Nessa hora, Carla lembrou das aulas de literatura que tivera com seu professor Ferreira, principalmente o texto que havia lido sobre o índio tupi sendo prisioneiro das tribos dos Aimorés! Agora vivenciava essa história real sendo a própria personagem. Carla não havia perdido o senso de data, teve uma lembrança de seu livro, lembrou que nesse dia haveria um eclipse solar, visto totalmente na região norte, acreditava que seria em torno de 12h45min, lembrando que havia a diferença de fuso horário. Quando tudo parecia perdido, Carla ficou histérica e começou a gritar, causando horror aos jovens prisioneiros. Gritava, enrolava a língua e olhava para o sol, os índios não compreendiam nada. De repente uma pequena mancha no Sol apareceu, a mancha crescia mais e mais até que começou a escurecer em pleno meio dia. Índios gritavam, olhavam para o Sol, alguns caiam com as mãos ao sol, logo toda a aldeia estava em prantos. O cacique supondo que os prisioneiros eram bruxos mandou que os soltassem e disse: - Fujam daqui vocês são protegidos pelo deus Sol.
  47. 47. 47 Carla, Bernardo e Alberto receberam suas roupas e suas sacolas. Vestiram-se e ganharam algumas oferendas e um prato de uma comida que não sabiam o que eram, devido a fome, comeram avidamente, comeram algumas frutas. Ao saírem da aldeia, Alberto lembrou que tinha um litro de álcool, alguns índios os escoltaram guiando pela selva. Ao passarem por um pequeno riacho Alberto despejou o álcool no leito do riacho e riscou fósforo, houve uma combustão e a água pegou fogo. Os índios desesperados voltaram em fuga gritando para suas aldeias. Rindo e chorando os três perguntam a Carla se ela sabia do eclipse:- Acho que fomos salvos pelas leituras e nossos conhecimentos adquiridos na escola. É verdade sua bruxa, disse rindo o Alberto. Acho que eu também sou um bruxo. Andando, chorando de alegria, tropeçando nos cipós, conseguem chegar até o rio de onde avistam algumas aves voando em círculo, olhando com mais atenção descobrem o corpo do barqueiro em estado de decomposição, pois havia sido devorado pelas aves. Avistam o barco e não foi difícil por em funcionamento, motores são ligados, e sobem o rio e após três horas de viagem chegam a um ancoradouro em Manaus. Dirigem-se ao hotel e caem exaustos no chão do quarto. Amanhece o dia e verificam que suas passagens ainda eram validadas, na hora marcada vão até o aeroporto e tomam o avião rumo à Campinas.
  48. 48. 48 Seus nomes ficarão para sempre na história, pois aprenderam que muitas vezes a astúcia é melhor do que a força. Brasil um lugar belo, porém todo passeio deve ser antes de tudo bem planejado para não sofrer consequências desastrosas. 
  49. 49. 49 Impossível não viver do passado Muitos estufam o peito e dizem: - Quem gosta de passado é museu! Os mais poéticos citam frases que tem um forte impacto nas pessoas “ Ontem é passado, hoje é presente e é por isso que tem esse nome presente” É gratificante mesmo nos cinquentas e alguns anos trazer à baila os momentos que marcaram profundamente minha profícua existência, quero e desejo mais anos de vida porém nosso criador sabe melhor de nós! As boas lembranças são como combustível para inflamar o ego e deixar a mente viajar um pouco. Na pequenina cidade de Indiaporã Estado de São Paulo, décadas de 60 e 70, pobre de marre de si, mas havia uma alegria em viver, No pátio escolar as deliciosas sopas de trigo, bolachas e leite com chocolate preparados pelas merendeiras, hinos escolares cantados pelos coleguinhas” De manhã já bem cedinho pego o lápis vou escrever...” broncas dos diretores, as professoras severas, reguadas na cabeça, final das aulas era aquela correria para jogar “biroca” jogo de mata-mata e banca era os melhores. Cada época tínhamos um brinquedo diferente. Papagaio, pião, arquinho, pega-pega. Nas tardes finais de semanas íamos aos “córregos” refrescar quando a fome apertava o estômago passávamos nos pastos e recolhíamos cocos que os animais regurgitavam e quebrávamos nas pedras e saciávamos a fome. Em todas as épocas tínhamos frutas: Angá, gabiroba, mangas, jenipapos etc.
  50. 50. 50 A cidade nessa época era poeirenta, caminhões pipas molhavam as ruas e nós os moleque corríamos atrás cheirando o forte cheiro de terra molhada e aproveitávamos para refrescar. Hoje ao lembrar como conseguíamos mistura sinto um aperto no coração! Íamos aos córregos e amassávamos saibro um barro branco, fazíamos bolinhas e colocava para secar. Quando secas caçávamos passarinhos nos matos. Inhambus e codornas eram os preferidos, também armávamos arapucas para prender os pássaros maiores como pombos do mato. Eram carnes deliciosas. A velha caixa de engraxar, os pedidos aos fregueses: - Quer engraxar? Os trocados recebidos, os picolés de abacaxi, limão, creme, e os maços de cigarros que muitos males já me trouxeram. Já aos oito anos ia as roças de algodão, debaixo de um sol escaldante e sofria com os mosquitos que chupavam o sangue sem parar. Como não viver de passado se os capítulos da história registram momentos magníficos? As privações não macularam o viver feliz, foram partes de aprendizagem, nosso velho e bom mestre o tempo muito nos ensina, erros cometidos no passado, hoje são cobrados com juros e dividendos. Não podemos voltar ao passado, porém podemos fazer dele um aliado para nutrir nossas mentes de boas lembranças. “Viva” Machado de Assis com suas citações: - Os adjetivos passam, os substantivos ficam! 
  51. 51. 51 Um bêbado no coletivo Tarde de Sábado do dia 19 de janeiro de 2001, como muitos brasileiros, saio do trabalho apressado com a sacola a pender sobre os meus ombros e dirijo-me ao ponto de ônibus para aguardar o transporte que me conduzirá ao "lar doce lar". Na viagem de ônibus, fico a observar o motorista, o cobrador e demais passageiros, cada um absorto em seus pensamentos. Também me acho concentrado e monologando, a respeito das pressões externas que de tão perto me sufocam. De repente muda a atenção de todos para um bêbado que entra no coletivo, falando alto e xingando uma pessoa que ele havia encontrado alguns minutos atrás, ele paga sua passagem com uma nota de um real e algumas moedas, continua a praguejar sem parar!. Passageiros se mexem em seus assentos, outro passageiro toma as dores e parte para cima do "bêbado" e começa a falar mal- lo também, agora são dois, e mais vozes, tumulto no coletivo, alguém esbraveja:- - Motorista, quando ver uma viatura, pare-a para que este sujeito desça!. Outros passageiros se revoltam contra o bêbado e contra o agressor do bêbado. – Jogue os dois do coletivo gritou alguém! Enfim, desce o bêbado e alguns pontos depois o agressor, a calma volta a reinar no coletivo.
  52. 52. 52 Começo a refletir: " será que também não somos como este bêbado?" o que nos diferencia desta pessoa é que ele ingeriu bebidas e nós podemos estar sóbrios, nós não externamos o que está no íntimo por causa da vergonha e o caráter. No alcoolizado é diferente a bebida o torna valente e "sem vergonha". Há uma “poderosa força que nos inibe a agirmos como o bêbado é o autocontrole” Também queremos externar nossa raiva, mas engolimos "à seco", mas o mal cria raízes no nosso âmago, raiva dos políticos, baixos salários que foram retidos pelos patrões, familiares ou alguém que feriu nosso ego. Nosso hálito não fede como o do bêbado, mas muitas vezes as mazelas que estão no nosso íntimo exala algum odor fétido!. Estamos no coletivo da vida, e os que estão em contatos conosco, muitas vezes descem em pontos que nunca mais os veremos, outro ficam conosco mais alguns instantes no coletivo da vida, às vezes quem nós pensávamos que iria até o fim nesta viagem, desembarcam e nos deixam só!. Onde estará o bêbado do coletivo? Meu companheiro de viagem que tanto transtorno trouxe aos passageiros. Talvez nunca mais o veja, mas deixou uma lição que me fez reconsiderar muito.
  53. 53. 53 Será que às vezes não estou a incomodar os passageiros neste coletivo da vida?. Amanhã ele será apenas um "ex-bêbado" e os meus atos que perturbam meus semelhantes poderão causar sérios danos! E a viagem continua...   
  54. 54. 54 Meu nome é Jerônimo Tenho enfrentado os risos dos meus alunos quando chego em sala de aula e me apresento: "_Sou o professor de vocês e meu nome é Jerônimo" O riso é generalizado, só escuta a turminha gritando "Jeronimooo" Certo dia como professor eventual, entrei em uma 5ª série para dar aula de português. Bem sério eu disse:- Sou professor de português e vou dizer meu nome, e aquele que rir, vou pegar pelas orelhas e levar para diretoria. " Meu nome é Jerônimo" Todos ficaram sérios e eu percebi que eles mudaram a fisionomia e tentaram não rir, não aguentaram e eu para melhorar o ambiente disse: Podem rir!!!! As risadas foram uníssonas! Consegui dar uma excelente aula e percebi que todos se empenharam em fazer atividades. Depois não tive mais problemas e ninguém se importou mais. Às vezes temos que manter o bom humor, cara feia não resolve quase nada. A vida já é dura, e os alunos aguentarem cinco horas numa cadeira escolar dura, e um professor chato, carrancudo, piora ainda mais. Resolvi fazer uma pesquisa para descobrir o "porquê" que esse nome provoca risos. E descobri: "Parece que esse grito estaria relacionado a um episódio da colonização do oeste dos Estados
  55. 55. 55 Unidos, no final do século 19 - mas na verdade ninguém sabe quanto da história é verdade e quanto não passa de lenda. Tudo começou quando a Cavalaria americana perseguia um famoso chefe apache chamado Gerônimo perto do forte Sill, no estado de Oklahoma. Ao se ver encurralado na borda de uma ribanceira, o guerreiro, em vez de se render, tomou impulso e saltou, montado em seu cavalo. Na queda, antes de afundar no pequeno rio que passava lá embaixo, o índio gritou seu nome com toda a força: "Gerônimooooooooo!". O mais incrível é que ele e o cavalo se recuperaram da queda e escaparam a galope. Apesar da fuga fantástica, Gerônimo seria capturado pouco tempo depois e morreria na prisão em 1909. Trinta anos depois, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), seu grito foi adotado nos saltos dos paraquedistas da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército americano, que estavam prestes a embarcar para a Europa. "Tudo indica que a tradição nasceu depois que os paraquedistas assistiram, no campo de treinamento na Carolina do Norte, a um filme sobre a vida do chefe apache", afirma o etimologista Cláudio Moreno, colunista de Mundo Estranho. Nas décadas seguintes, os faroestes americanos se encarregaram de espalhar o costume pelo resto do mundo. Hoje, a palavra deixou o ambiente militar e
  56. 56. 56 tem uso bem mais amplo. Por isso, é comum as pessoas gritarem "Gerônimo!" como aviso de que algo está caindo."   

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