Galego e português

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Galego e português

  1. 1. ACADÊMICA: JEANE SANTOS DA CRUZ UAB: ITAMARAJÚ
  2. 2. O património que versa sobre as tradições orais do Norte de Portugal e Galiza,que abarca também toda a cultura imaterial a que essa tradição oral se refere e da qual, é sustentáculo, como modo de o dizer, transmitir e ensinar, é fruto de cruzamentos culturais cujas origens ultrapassam o espaço ibérico. Mas se na sua origem e construção no tempo recebeu influências múltiplas, também ele não se restringiu a este espaço geográfico, partindo nos porões dos navios para terras longínquas, alimentando sonhos e imaginários daqueles que procuraram novas terras
  3. 3. Se a relação histórica entre Portugal e o Brasil é bem conhecida, tendo deixado a mesma manifestações culturais que revelam as influências mútuas entre os dois países, menos conhecida é a relação com a cultura galega, berço originário de todas elas. Desde os inícios do relacionamento entre o Brasil e a Europa a presença galega faz-se evidente, embora muitas vezes confundida com a portuguesa, por serem, na realidade, dois ramos de uma mesma cultura. Esta identidade cultural observa-se em numerosas manifestações culturais, das quais apenas queremos apresentar algumas que por desconhecidas podem ser mais esclarecedoras
  4. 4. 1- AS PESSOAS 2.- A LÍNGUA 3.- A LITERATURA ORAL 4.- A RELIGIÃO 5.- A MÚSICA E A DANÇA 6.- AS FESTIVIDADES 7.- ACTIVIDADES PRODUTIVAS AUTORES
  5. 5. AS PESSOAS Caramuru (Jorge Rodrigues) O herói lendário da fundação da Bahia Diego Álvares Correia nasceu na cidade galega da Corunha. Em 1510 embarcou caminho do novo mundo, apesar dos marinhos galegos não contarem com a autorização dos reis de Castela, para comerciar com o chamado pau-brasil. Na baía de Salvador o seu barco naufragou sendo ele o único sobrevivente. Diego Álvares conseguiu ser aceitado polos indígenas, os tupinambás, chegando a casar com a filha do cacique Taparica, a bela Paraguasu. Da importante colónia galega no Brasil surgiram personalidades tão importantes como a escritora Nélida Pinhom, cujas obras estão hoje traduzidas para as principais línguas do mundo.
  6. 6. A MULLER SERRANA A Muller Serrana (Alvaro Campelo) Incluída nas lendas mais influentes do imaginário medieval, a temática da mulher serrana, próxima do selvagem ou indomável, ocupou também no mundo dos emigrantes um lugar importante. Estes emigrantes deixaram nas terras do Brasil narrativas onde esta mulher serrana aparece. Umas vezes no Sertão outras apropriada pelo imaginário amazónico, esse mundo lendário herdado da península permanece na tradição oral popular brasileira.
  7. 7. A IMIGRAÇÃO (Andityas Soares de Moura) A partir de meados do séc. XIX, a imigração galega para o Brasil foi enorme. Assim, o termo "galego" muitas vezes assumiu o significado de "estrangeiro" em terras brasileiras. Como os galegos que vinham para o Brasil normalmente trabalhavam em ofícios humildes, logo o vocábulo "galego“ passou a ter um significado negativo, como o provam os bons dicionários da língua no Brasil, tais como o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa e o Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.
  8. 8. A LÍNGUA Vocabulário (Jorge Rodrigues) Nas variantes regionais da língua portuguesa do Brasil encontramos numerosos vocábulos comuns na língua da Galiza: onte, antonte, tamém, virge, luitar, enxuito, escuitar, chiculate, auga, orfo, hominho, açucre, despois, ferruge, tresantonte, fruita, ordes, saluço, pelingrino, arco-da-velha, coresma, corenta, coma (= como, conjunção comparativa), ca (= que, conjunção comparativa), num ("não", na Galiza nom). Formas verbais como vinhesse (viesse), dixe (disse) . Tudo isto indica uma antiga identidade linguística que supõe relacionamentos muito antigos.
  9. 9. LINGUISTAS (Jorge Rodrigues) A identidade linguística acima citada é o motivo de linguistas brasileiros, portugueses e galegos partilharem a sua pertença às mesmas organizações linguísticas: professores brasileiros como Leodegário A. de Azevedo Filho ou Gladstone Chaves de Melo foram nomeados membros de honra da Associa çom Galega da Língua. Do Conselho Científico da revista galega Agália, Revista de Ciências Sociais e Humanidades, publicada pela Associa çom Galega da Língua, fazem parte professores brasileiros como Reynaldo Valinho, Leodegário A. de Azevedo Filho, Gilda da Conceição Santos, Júlio Barreto Rocha, Márcio Ricardo Coelho Muniz, Raul Antelo ou Yara Frateschi Vieira.
  10. 10. GÍRIAS GREMIAIS (Jorge Rodrigues) A emigração galega ao Brasil não se limitou à importante colónia da Bahia, tendo a sua presença notáveis consequências culturais tanto no Brasil como na Galiza. Um exemplo desta afirmação encontramo-lo na gíria gremial dos telheiros galegos, uma fala secreta que estes operários utilizavam nas suas comunicações internas, e na qual registamos termos de origem brasileira como carapinas 'carpinteiro', caiporas, ou fosquete 'ánus' (termo de calão). Numerosos membros deste grémio de telheiros galegos emigraram a Santos, onde exerceram a sua profissão e ensinaram a sua gíria a operários brasileiros que trabalhavam com eles
  11. 11. A LITERATURA ORAL
  12. 12. O ROMANCE (Alvaro Campelo) O "Romance", tradição oral com fortes tradições em vários países Europeus, encontra no Noroeste Português uma dos seus locais privilegiados de expressão e de conservação. É nesta região onde ainda encontramos hoje contadores e cantores do romance popular. As grandes recolhas do romance, feitas desde o século XIX e ainda hoje objecto de intenso estudo comparativo, foram realizadas nesta região. Tendo-se espalhado por outras regiões, como a Madeira, ele seguiu também para o Brasil.
  13. 13. A IMPROVISAÇÃO (Andityas Soares de Moura) Para além da nítida influência do romanceiro popular galaico-português na cultura popular brasileira, especialmente no Nordeste, onde o repente, o canto de improvisação e os desafios são muito comuns até os dias de hoje, conformando um gênero riquíssimo que se costuma chamar de "literatura de cordel", uma vez que os pequenos volumes que recolhem tais cantigas são vendidos em feiras no Nordeste, que os disponibilizam pendurados em cordas, é de se notar que o cancioneiro medieval galaico-português d'amigo, d'amor e d'escárnio e mal-dizer sempre constituiu matéria privilegiada para grandes escritores brasileiros
  14. 14. A RELIGIÃO
  15. 15. SINCRETISMO (Jorge Rodrigues) Um dos apectos mais característicos da religião do Brasil é o sincretismo, nomeadamente a identificação dos santos católicos com os deuses das religiões africanas. Curiosamente também na Galiza e em Portugal se produziu o mesmo fenómeno, embora, tendo acontecido há muitos séculos, se tenha perdido a sua consciência: os deuses e deusas da primitiva religião dos galaicos, de origem indo-europeia foram substituídos por santos e santas da religião católica imposta pelos romanos. Contudo, ainda hoje é possível identificar estes santos com os deuses antigos, baseando-nos nas características dos primeiros.
  16. 16. TOQUES À MORTO (Andityas Soares de Moura) Tal como no interior do Brasil, especialmente nas cidades históricas de Minas Gerais, quando alguém morre na Galiza rural os sinos das igrejas anunciam o fúnebre acontecimento com uma espécie de toque lento, bastante característico
  17. 17. A SANTA COMPAÑA (Andityas Soares de Moura) A arraigada crença galega na Santa Compaña, espécie de procissão fantasmagórica anunciadora da morte próxima, trasladou-se ao Brasil, uma vez que é comum ouvir relatos de pessoas da zona rural a respeito de reuniões de fantasmas ou espíritos malignos, especialmente durante a época da Quaresma
  18. 18. A MÚSICA E A DANÇA
  19. 19. INSTRUMENTOS MUSICAIS (Alvaro Campelo) Também a música e a dança foram levadas pelos colonos para as terras de além-mar. Alguns estudiosos brasileiros procuram nas terras do Norte de Portugal os sons de bombos e tambores que outros quiseram imediatamente filiar nas tradições africanas. Se os tambores e os bombos são instrumentos preponderantes nas músicas do Norte de Portugal e da Galiza, eles estão desde sempre presentes nas músicas tradicionais e nos encontros populares do Brasil.
  20. 20. CANÇÕES TRADICIONAIS Muitas canções tradicionais do Nordeste do Brasil são idénticas a cantigas tradicionais do Norte de Portugal e da Galiza, como é o caso do "Alecrim" e da "Peneira", cantadas por Luiz Gonzaga e das que existem versões ancestrais recolhidas por etnógrafos em aldeias perto do Rio Minho.
  21. 21. ACTIVIDADES PRODUTIVAS O Boi (Alvaro Campelo) Se nas tradições do Barroso o "Boi do Povo" ocupa lugar central na economia local e nas relações de reciprocidade intra e estra comunitárias, Ele também está presente em muitas das festividades do Brasil sob várias designações. Desde o Boi-Bumbá no Norte do Brasil, passando pelo Bumba-Meu-Boi, em Goiana, o que assistimos é o aproveitamento de tradições locais com as trazidas pelos colonos portugueses, onde pelas festa do Espírito santo ou nas de S. Tiago, dois mundos se confrontam, numa luta que fala de antagonismos a lembrar a sempre presente luta entre cristãos e muçulmanos, tão importante no teatro popular português com origens carolíngias, sendo que uma das mais significativas, em Portugal, se celebra no lugar das Neves, em Viana do Castelo
  22. 22. A CULINÁRIA (Andityas Soares de Moura) Na culinária, as semelhanças entre Brasil e Galiza são enormes. Os populares "zonchos" aludidos por Rosalía de Castro em seu 1º cantar (Cf. DE CASTRO, Rosalía. Cantares gallegos. Edición de Ricardo Carballo Calero. Madrid: Ediciones Cátedra. Letras Hispánicas vol. 16, 10ª edición, 1998.) são muito semelhantes aos "pinhões" no Brasil. Ambos são espécies de castanhas cozidas com pele. Já a "torrexa" galega, pedaço de pão embebido em ovos e leite (ou vinho), frito e depois açucarado, comida também refenciada por Rosalía em seu cantar inicial, encontra simile perfeito nas "rabanadas" brasileiras, comuns no Estado de Minas Gerais.
  23. 23. AUTORES - Jorge Rodrigues, do IES Pedra da Auga, Ponteareas, Galiza - Alvaro Campelo, do Centro de Antropologia Aplicada do Porto, Portugal - Andityas Soares de Moura Costa Matos, da FEAD-Minas, Brasil
  24. 24. REFERÊNCIAS htt LIMA, Cláudia Maria de Assis Rocha. História junina. Recife - SOUTO MAIOR, Mário e VALENTE Waldemar. Antologia pernambucana de folclore. Recife, Ed. Massangana / FUNDAJ, 1988 - SILVA, Leny de Amorim. "O ciclo junino e seus santos". Em Antologia pernambucana de folclore, p.151. - BONALD NETO, Olympio. "Bacamarteiros". Em Antologia pernambucana de folclore, p.215. - SILVA, Leonardo Dantas. O cancioneiro do ciclo junino. Folclore 251. Recife, FUNDAJ, junho de 1998 - PHAELANTE. Renato. Baião 50 anos de estrada. Folclore 233 . Recife, FUNDAJ, julho de 1996 p://www.opatrimonio.org/es/patrimonio.asp?ver=brasil

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