AMOR EM QUATRO IDIOMASIAmélia está desenhando novas joias quando Vitor chega e coloca duaspassagens de avião em cima do de...
- Estava, mas eu tinha que conferir se não faltava nada – explica Amélia,entrando na sala.- Se faltar algo a gente compra ...
Ele entrelaça seus dedos com os de Amélia, e traz a mão dela para junto deseus lábios, percorrendo o dorso da mão dela com...
Vitor já havia reservado uma suíte num dos melhores hotéis de Florença. Aochegarem, Amélia se arruma para almoçarem e depo...
- Tu sei l’amore della mia vita...- Eu sou o amor da sua vida, é isso?Amélia dá um grande sorriso:- Isso!- Ah, essa foi fá...
O amanhecer de uma nova liberdade”- Eu represento tudo isso pra você? – ele pergunta, ficando emocionado.Amélia olha bem n...
- É mesmo – ele a abraça por trás, e ficam alguns instantes assim, em silêncioe abraçados, contemplando o palácio – A gent...
Amélia ri, e entra no banheiro. Vitor abre o ziper do vestido dela, fazendo-o cairno chão. Depois vai cuidadosamente tiran...
- Você mora aqui mesmo, em Florença? – pergunta Vitor, analisando o outrocom o olhar.- Um pouco em Florença, um pouco em M...
- Nunca mais pense isso... Como eu poderia não te querer mais? Só se eufosse muito burra. Eu já tenho o melhor homem do mu...
Após entrarem no quarto, Amélia larga a bolsa num canto e se posiciona bemem frente a Vitor. Ela percorre o rosto dele com...
- Talvez não seja por acaso que você me fez vir a Roma... e vai me levar aoVaticano. Será que eu consigo fazer as pazes co...
- Ritorno subito, amore mio, razão della mia vita...Amélia fica repousando enquanto Vitor sai um pouco.VIQuando ele volta,...
- Nosso amor já é abençoado... mas o que é importante pra você, é importantepra mim também – ele afirma, beijando-a carinh...
Quando se aproxima o horário da audiência, Vitor avisa:- Vamos, amor? Chegou a hora.- Vamos – ela confirma, soltando um su...
VIIDepois de mais um dia visitando pontos turísticos e históricos de Roma, comoo Campidoglio e o Coliseu, Amélia e Vitor p...
Ele a enlaça pela cintura e responde:- Já ouviu dizer que o beijo é um artifício que a natureza inventou para quandoas pal...
- É, eu me distraí... com você – Vitor admite.- Ah, agora a culpa é minha?- Não... Tudo bem, eu fiz uma besteira. Mas não ...
- Ah, não! – ela exclama, ajoelhando-se de na margem e olhando para a água.- Esquece, Amélia, ele já afundou – avisa Vitor...
Amélia veste um roupão e volta para o quarto. No mesmo momento, Vitorchega da rua, trazendo um buquê de rosas vermelhas, c...
ardente. Enquanto o beija, ela pressiona seu corpo contra o dele, desejando sejuntarem como um só. Ele corresponde, e os d...
Trilha sonora: Nel Cuore Lei – Andrea Bocellihttp://www.youtube.com/watch?v=d2JHOJH5vkYQuando Vitor volta, não acha Amélia...
Vitor olha para os sapatos por um instante e depois diz para a vendedora:- Vamos levar os três.- Mas, Vitor... – murmura A...
No outro dia, Amélia nem quer passear, de tanta expectativa. Passa a tardeescolhendo o vestido, os sapatos, as joias, depo...
No intervalo entre uma música e outra, Amélia olha para Vitor, e os dois trocamum rápido e delicado beijo. Logo Bocelli ca...
Durante o jantar, Amélia e Andrea relembram várias histórias dos tempos depassarela, entre risos. Vitor sente-se deslocado...
Ansiosa, ela toma o café da manhã e começa a se arrumar. Escolhe umvestido com delicada estampa floral, longo e leve. Depo...
Após beberem um gole do vinho, eles trocam um beijo apaixonado.Amélia pega um pão-de-queijo e leva à boca de Vitor, que re...
Terê, da Lurdinha... de todo o pessoal. Mas essa tela lembra muito a estância,né?- É mesmo. O Solano tinha até uma cópia d...
Depois, Vitor leva Amélia aos campos de tulipas de Keukenhof. Eles andamentre os canteiros, maravilhados com as flores de ...
quando ele se aproxima, recém-saído do chuveiro, com o corpo ainda úmido euma toalha enrolada na cintura.- Aquele museu me...
Ao saírem do hotel, no dia seguinte, Vitor sorri ao ver o céu azul e o soliluminando tudo:- O dia está perfeito!- Pra quê?...
- Vitor! Você não sossega nunca?- Não – ele retruca, ainda olhando para o corpo dela.- Ai... melhor voltarmos a pedalar. V...
XIVEla tira de dentro da sacola um vestido de seda, rosa-chá, levemente plissado,longo e com decote profundo, com a cintur...
Trilha sonora: Adoro – Alejandro Sanz e Chavela Vargashttp://www.youtube.com/watch?v=YaqkIW2qn9M&feature=player_embeddedVi...
- Jura? – ela pergunta, boquiaberta – Mas nós vamos conseguir ver tudo numdia?- A gente vai duas vezes, então. Tem outro l...
- Eu vi vocês no catálogo... Amélia, suas peças são maravilhosas! Mas até hojesó pude comprar essas pulseiras – a espanhol...
mais forte do nunca. E se amam intensamente, com urgência, como setivessem ficado muito tempo longe do corpo um do outro e...
Depois de passearem boa parte do dia pelo Parque de el Retiro, eles voltam aohotel para arrumarem as malas, pois partem no...
No dia seguinte, eles passam algumas horas no Museu Picasso, admirando asobras do grande pintor espanhol, dispostas em ord...
- Ah, mudei sim, mais do que parece. Deixa eu te apresentar... – ele seguraAmélia pela cintura – essa é Amélia, minha espo...
- Depois você tentou saber de mim através dos amigos que tinha feito emMadrid, não foi?- Eu quase subornei o Diego para qu...
do chão, rodopiando com ela, que ri, feliz. Quando a coloca no chão de novo,Vitor a beija novamente e depois diz:- Sabia q...
trazendo Amélia junto, sem parar de beijá-la, até caírem sobre a cama. Sempressa, vão tirando as roupas um do outro, sem p...
Amor em quatro idiomas
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  1. 1. AMOR EM QUATRO IDIOMASIAmélia está desenhando novas joias quando Vitor chega e coloca duaspassagens de avião em cima do desenho.- Pode começar a arrumar as malas, meu amor... partimos daqui a umasemana.- Vitor... – murmura Amélia, quase suspirando. Ela olha as passagens e sorri –Florença?- Só pra começar. Depois vamos para Veneza, Milão, Amsterdã, Madri,Barcelona... como combinamos.- Meu Deus, mas assim vamos passar muito tempo fora... e o frigorífico, aRurbana?- Já está tudo encaminhado – Vitor conta tranquilamente – A Fátima vai cuidardo frigorífico, e administra também de lá os pedidos da Rurbana. Já combineitambém com a Manu, ela e a Pérola vão cuidar da produção das joias emGirassol.- Você pensou em tudo, né? – Amélia sorri.- Mas claro! Nós vamos viajar em lua-de-mel, sem pensar em mais nada... sóvivendo como se fosse um sonho.- Você é um sonho! Um homem maravilhoso, que faz de mim uma mulherimensamente feliz... – Amélia passa os braços em torno do pescoço de Vitor,fitando-o de um jeito apaixonado.- É tudo que eu quero... te fazer feliz! – ele devolve o olhar de paixão, elentamente aproxima seus lábios dos dela, em um beijo intenso.Uma semana depois, Vitor espera na sala, impaciente:- Vamos, Amélia! Assim a gente perde o voo!- Tô indo, é só fechar a mala – ela responde do quarto.- Como assim? Sua mala já não estava pronta?
  2. 2. - Estava, mas eu tinha que conferir se não faltava nada – explica Amélia,entrando na sala.- Se faltar algo a gente compra lá. Não sei por que mulher é tão complicada,precisa levar metade da casa na mala... – ele brinca.Amélia olha fixamente para ele, querendo rir:- Porque a gente tem que levar tudo que vocês homens não levam e depoisnos pedem! Ah, Vitor, minha mala nem está tão grande assim...Ele examina a mala de Amélia com um olhar zombeteiro:- É, pensando que nós vamos ficar bastante tempo fora, até que você nãoexagerou...Ela ri e questiona:- E então, você não estava com pressa?- Sim, sim, mas acho que dá tempo de mais uma coisa – ele dá um beijoapaixonado em Amélia, sorri e só então vai abrir a porta.Com um sorriso de encantamento nos lábios, ela o segue.Trilha sonora: Con te partiro – Andrea Bocellihttp://www.youtube.com/watch?v=tcrfvP11HboChegando ao aeroporto, eles vão direto para a fila do check-in. Enquantoesperam a sua vez, Vitor passa os braços em torno da cintura de Amélia e acontempla.- O que foi? – ela questiona, sorrindo.- Só estou olhando o quanto minha mulher é linda...- Ah, Vitor... – ela murmura de um jeito derretido.A fila anda um pouco, Vitor empurra o carrinho com as malas sem soltartotalmente Amélia. Quando param, ele a encara novamente:- Linda! – Vitor sussurra, e se aproxima mais para beijá-la.Amélia empurra delicadamente o rosto dele, com o dedo nos lábios do amado:- Aqui não...- Por quê? – ele reclama com voz me menino manhoso.- Vitor, nós estamos no meio do aeroporto. Vamos ficar nos comportando comoum casal adolescente, sem noção de limite? – ela repreende com doçura.Como a fila andou novamente, Vitor dá uns passos à frente antes deresponder, trazendo Amélia junto:- É que ao seu lado eu me sinto sempre como um adolescente que estáamando pela primeira vez...- Eu também, meu amor. Mas se controla um pouquinho...- Tá bem – ele resigna-se, e fica apenas acariciando o rosto dela, até seremchamados no balcão.Após despacharem as malas, eles vão tomar um café, para esperar até a horado voo. Vitor fica roçando nos dedos de Amélia sobre a mesa e comenta:- Lembra aquela noite em que jantamos juntos em Juruanã, tendo que disfarçaro que estávamos sentindo?- Lembro. Quando o Max estava no hospital?Vitor faz uma careta ao ouvir o nome do ex-sócio:- É... – ele respira fundo e fica com a expressão amena novamente – Então,naquela noite, eu estava louco para fazer assim...
  3. 3. Ele entrelaça seus dedos com os de Amélia, e traz a mão dela para junto deseus lábios, percorrendo o dorso da mão dela com beijos. Desce até o pulsobeijando, e então olha para Amélia com um sorriso. Ela também está sorrindo,com os olhos brilhando, encantada.- Você me deixa sem palavras... – é só o que ela consegue dizer.- Seu olhar e seu sorriso já dizem tudo que eu preciso.- Ai, Vitor... como você consegue ser sempre assim, tão romântico?- Nem eu sei. Foi você quem me deixou assim, culpa sua – ele ri.Amélia também ri, e fica contemplando Vitor. Ele se levanta:- Você espera aqui um pouquinho, que eu vou buscar uma encomenda e jávenho?- Que encomenda?- Você já vai saber curiosa... – ele brinca, dá um beijinho nos lábios dela e sai.Amélia fica ansiosa, a cada pequeno gole de café ela olha para a porta,esperando ver Vitor de volta. Finalmente ele chega, senta-se, e estende umacaixinha de veludo para Amélia:- Mandei fazer especialmente para usarmos durante nossa viagem – explica.Ela abre a caixinha e fica boquiaberta. Há duas medalhas de ouro branco comuma imagem em relevo, junto a correntes do mesmo material.- É São Valentim, o protetor dos apaixonados – Vitor diz, pegando uma dasmedalhas e olhando na parte de trás – É, essa é a sua.Ele se levanta e coloca a corrente no pescoço de Amélia, que segura amedalha entre os dedos e lê o nome gravado no verso:- Mas aqui está escrito “Vitor”...- Sim. E na minha está escrito Amélia. Nós somos um do outro, não somos? –ele esclarece, pegando a outra medalha para colocar também.Amélia se levanta e o ajuda a fechar a corrente, depois o abraça forte e lhe dátrês beijos nos lábios:- Vitor... que lindo! Você não existe... – ela murmura, com a voz embargada, osolhos quase marejados.Algum tempo depois, eles vão para o avião e se acomodam em seus lugares.Quando é dado o aviso de que o avião vai decolar, Vitor segura a mão deAmélia e eles ficam se olhando, e sorrindo, cheios de expectativa.II
  4. 4. Vitor já havia reservado uma suíte num dos melhores hotéis de Florença. Aochegarem, Amélia se arruma para almoçarem e depois irem visitar os pontosturísticos da cidade.- Vou tomar um banho antes, está bem? – avisa Vitor.- Vai lá, eu espero – sorri Amélia.Enquanto Vitor vai para o banheiro, Amélia caminha até a sacada do quarto.Observa atentamente a vista por alguns instantes, até que seu olhar vai ficandoperdido. Em sua mente, ela vai revendo tudo que viveu com Vitor até aqueleinstante.Trilha sonora: Eppure Sentire – Elisahttp://www.youtube.com/watch?v=llew0MMIxDoLembra-se desde quando sentia o chão fugir de seus pés diante dele, masachava que não passaria de um sentimento platônico... o dia em que seusolhares se encontraram ao experimentar a cama na estalagem... o primeirobeijo... a angústia quando ele desapareceu... a alegria do reencontro...E depois disso, tantos beijos e declarações trocados no quarto da estalagem,às escondidas, o medo da vingança de Max, o começo da sociedade das joias,a revelação aos filhos e o apoio deles, o atentado na noite do lançamento docatálogo, as loucuras de Vitor aparecendo de surpresa em seu quarto, maisbeijos e declarações... Ela ri ao recordar do encontro no salão de beleza, ondechegara disfarçada. Naquele dia, Vitor disse que iriam morar na Europa,citando as cidades que agora começavam a visitar. Depois continuaram seencontrando furtivamente até o dia em que Vitor levou o tiro...Amélia engole em seco e não consegue evitar as lágrimas ao lembrar-sedaquela noite, da dor de vê-lo ferido, quase perdendo a vida... Ela solta umsuspiro, dizendo a si mesma que aquela dor os uniu ainda mais, porque depoisdaquele momento jamais se separaram. E sorri, recordando dos diasmaravilhosos no Jalapão... a vida só de alegrias desde então...Ela estava ainda com o olhar perdido quando Vitor se aproxima e a abraça portrás. Ele fica preocupado ao perceber o rosto úmido dela:- Amélia, você está chorando?- Meu amor... estava lembrando de tudo que vivemos até aqui... nossa, nóspassamos por tanta coisa para hoje podermos estar vivendo essa felicidade...- É mesmo. Talvez seja justamente por isso que nosso amor é tão forte... jásuperou muita coisa – ele responde virando Amélia de frente para ele, eacariciando os cabelos dela, enquanto com a outra mão enxuga uma lágrimaque ainda estava caindo.Eles trocam um beijo delicado, e Amélia pergunta:- Está com fome?- Estou... doido por uma legítima pasta italiana.- Andiamo! – ela diz, puxando o pela mão.Vitor a contém, retrucando:- Io non parlo italiano, donna...- Ma... tu stai parlando!- Que nada... – ele ri – só tem uma coisa que eu realmente sei “parlar” – eleolha bem nos olhos de Amélia – Io ti voglio bene, amore mio...Ela solta um suspiro apaixonado e murmura:
  5. 5. - Tu sei l’amore della mia vita...- Eu sou o amor da sua vida, é isso?Amélia dá um grande sorriso:- Isso!- Ah, essa foi fácil... – Vitor brinca.- Bobo... ou melhor, “scemo”. Andiamo a mangiare... – ela vai puxando-o pelamão.- “Mangiare” eu sei, é comer – ele ri, enquanto deixam o quarto.Após o almoço, Amélia leva Vitor para conhecer vários museus e igrejas deFlorença, como o Duomo de Santa Maria dei Fiori, a Galleria degli Uffizi,Palazzo Strozzi e o Palazzo Vechio.Ao passarem pela Ponte Vecchio, sobre o rio Arno, Amélia chama a atenção deVitor para os vários cadeados colocados na estrutura dela:- Os casais vinham colocar esses cadeados aqui. Existia uma tradição de queao trancar o cadeado e lançar a chave ao rio, os amantes tornavam-seeternamente ligados.- Onde eu arrumo um cadeado, agora? – diz Vitor, em tom maroto.Ela ri antes de responder:- Como tinha muitos turistas colocando cadeados, a remoção estavaestragando a estrutura da ponte. Por isso, hoje há multa para quem é flagradofazendo isso...- Quanto?- Cinquenta euros.- Ah, mas o que são cinquenta euros perto de uma vida toda ao lado da mulherque eu amo? – ele retruca.Amélia acha graça e devolve:- Nós dois não precisamos de cadeado nenhum... já estamos eternamenteligados – ela passa os braços em torno do pescoço dele.- Estamos – concorda Vitor, aproximando os lábios.Eles trocam um beijo demorado ali mesmo, no meio da ponte, e seguem opasseio.Trilha Sonora: Amare Veramente – Laura Pausinihttp://www.youtube.com/watch?v=tOfjDd-nQ9cAinda na ponte, Amélia pára e comenta:- Escuta, essa música...- O que tem ela?- Ela diz muito do que sinto por você. Esse trecho, vou traduzir:“Tudo passa rapidamente ao nosso redorVocê pertence a mim agora e eu seiAntes eu tinha o coração adormecido paraAmar verdadeiramente”- Nossa... – Vitor balbucia, impressionado.- Espera, tem mais:“Você está em minha vida mais do que nuncaAlém do muro dos meus silênciosUm suspiro de serenidade
  6. 6. O amanhecer de uma nova liberdade”- Eu represento tudo isso pra você? – ele pergunta, ficando emocionado.Amélia olha bem nos olhos dele e aponta na direção do som, traduzindo otrecho final:“O que eu nunca entendiEstá agora tão claro a meus olhosVocê sabe amar de verdade, e você sabeChegar onde nenhum outro jamais esteve.”Vitor e Amélia se olham, ambos com os olhos marejados, e ao mesmo tempose juntam em um abraço bem forte, até que os lábios vão se procurando. Eeles se beijam de um jeito cheio de amor.- Te amo, te amo... – sussurra Vitor.- Também te amo... – devolve Amélia, também sussurando.Vitor respira fundo, tentando voltar ao normal:- Ai... como você me faz ficar emocionado desse jeito em público? – ele brinca,enxugando uma lágrima do canto do olho.- Não se preocupa... nós estamos na Itália, aqui as emoções ficam à flor dapele. Ninguém vai reparar – ela responde com doçura, sorrindo.- É verdade... você e eu aqui, juntos e felizes - Vitor sorri também – E o quemais você vai me mostrar nessa cidade linda?- Mais palácios e galerias. Ah, e também a Piazzale Michelangelo!- Então vamos em frente, amore mio... – ele caminha, segurando a mão deAmélia com os dedos entrelaçados.IIILogo depois de sair da ponte, eles se deparam com o Palazzo Pitti.- Olha, Vitor, que bonito! – exclama Amélia.
  7. 7. - É mesmo – ele a abraça por trás, e ficam alguns instantes assim, em silêncioe abraçados, contemplando o palácio – A gente deveria morar num lugarassim...- Um palácio? – ela fica curiosa.- Sim. Você é uma rainha, merece nada menos do que um palácio.- Ah, Vitor... – murmura Amélia, achando aquilo muito fofo.Vitor sorri, lembrando de algo:- E além disso, eu prometi pro Fred que ia tratar você como uma rainha, sabia?- Sério?- Sério. Foi no dia em que ele contou pra Manu sobre nós. Eu disse que nãosabia como retribuir o apoio e a confiança deles. E o seu filho nem hesitou –ele imita a voz de Fred – “Eu sei como: tratando a dona Amélia como elamerece, como uma rainha!”- Que bonitinho! – ela exclama, tentando olhar para Vitor.- Mas nem precisava ele dizer isso, né? – Vitor vira Amélia para ele e dizchegando bem perto dos lábios dela – Minha rainha...Ele nem a deixa responder e já cola seus lábios aos dela.Depois de um beijo carinhoso, Amélia diz:- Vamos entrar no palácio? Quero lhe mostrar a Galeria Palatina, cheia deobras renascentistas. Tem vários museus lá dentro também.- E eu consigo dizer não pra você? – ele retruca.Ela ri e puxa Vitor pela mão. Eles passam o restante da tarde vendo as obrasda Galeria Palatina e dos muses da Prata e da Porcelana. Saem do palácio já ànoite.Trilha sonora: Amo Te – Biagio Antonaccihttp://www.youtube.com/watch?v=FuPd01DfeeA&feature=relatedAo chegarem de volta ao quarto do hotel, Vitor se joga na cama:- Nossa, acho que nunca caminhei tanto!- Exagerado...- Amélia, você quis me mostrar Florença toda num dia!Ela ri:- Ih, tem muito pra ver ainda... em muitos lugares a gente nem entrou.- Ainda bem que a gente não vai ficar muitos dias aqui – ele brinca - Logovamos para Veneza, depois Milão...- Vitor, como nós já estamos na Itália, podemos passar em Roma também? NoVaticano... pedir uma benção do papa.Vitor senta na cama:- Se você quer, nós vamos.- Quero, sim – ela responde, segurando a medalha de São Valentim.- Então, Roma já está no roteiro.- Obrigada, amor – Amélia atira um beijo e se afasta.- Onde você vai?- Tomar um banho – ela responde já quase na porta do banheiro.- Hummm – ele murmura, com um olhar malicioso – Será que...Amélia o chama fazendo um gesto com o dedo indicador. Vitor levanta e vaidepressa até ela:- Ué, não estava cansado? – ela brinca.- Foi só pensar em tomar banho juntinho com você que o cansaço sumiu...
  8. 8. Amélia ri, e entra no banheiro. Vitor abre o ziper do vestido dela, fazendo-o cairno chão. Depois vai cuidadosamente tirando a roupa íntima de Amélia,contemplando o corpo dela. Enquanto ela entra na banheira, ele tirarapidamente a própria roupa, e entra também, abraçando-a. Vitor passa asmãos pelo corpo de Amélia, esfregando a água misturada com sabonetelíquido e sais. Começa massageando o pescoço e vai descendo, até chegaraos pés. Então Amélia aproveita e pega um dos pés dele, começando umamassagem.- Você caminhou muito hoje. Assim vai passar a dor nos pés – ela explica,trocando de pé e pressionando a sola com as pontas de seus dedos.Vitor fecha os olhos por alguns instantes, apenas curtindo aquela sensação.- Humm, isso é bom! Acho que eu vou querer uma massagem dessa todo dia...– ele brinca.- Ah, é? – Amélia ri e joga um pouco de água nele.- Não... eu quero muito mais que a massagem... – Vitor responde, vindo paracima dela até encaixarem seus corpos e seus lábios.O beijo vai ficando mais intenso e eles se amam ali na banheira. Depois Améliafica aninhada nos braços de Vitor por algum tempo, até que pergunta:- Vitor, há quanto tempo estamos aqui dentro da água?- Que importa?- A gente esqueceu da vida aqui... – ela ri.- E estava tão bom... – ele retruca, com um sorriso travesso.- Estava – Amélia também sorri – Mas já é hora de sair.Ela se levanta e pega uma toalha. Vitor sai da banheira rapidamente e pega oroupão de Amélia, ajudando-a colocar.- Meu Deus, até isso você faz? – ela murmura, encantada.- É, estou tentando ser perfeito – ele brinca.- Bobo...Vitor também veste um roupão. Eles se recostam na cama, e de tão cansadosacabam dormindo logo.No dia seguinte, Amélia leva Vitor até o Palazzo Vechio, do qual só tinhampassado na frente. Desta vez eles entram para visitar os pátios e salas, comtodas as suas obras de arte. Estão contemplando o primeiro pátio quandoouvem uma voz masculina:- Amélia?Os dois se viram e se deparam com um homem alto, de cabelos grisalhos,sorriso cativante, com aquele típico charme dos italianos.- Andrea! Há quanto tempo! – exclama Amélia, reconhecendo-o.- Amélia, é você mesma? Como pode estar ainda mais bonita do que a últimavez que nos vimos?Vitor engole em seco, esperando pela resposta da esposa.IVAmélia segura no braço de Vitor e o apresenta:- Andrea, esse é meu marido, Vitor Vilar – ela olha para o marido – Vitor, oAndrea é um velho amigo, aqui de Florença.- Andrea Antonacci, muito prazer – o italiano estende a mão para Vitor, queaperta a mão dele, ainda meio inseguro.
  9. 9. - Você mora aqui mesmo, em Florença? – pergunta Vitor, analisando o outrocom o olhar.- Um pouco em Florença, um pouco em Milão. Tenho uma grife de modamasculina.- O Andrea era modelo também, na mesma época que eu. De vez em quandonos encontrávamos nos bastidores – lembra Amélia, sorrindo para o amigo.- É mesmo... – Andrea também sorri - você era a mais linda de todas,exuberante. Pena que logo parou de desfilar porque casou com um fazendeiro,não foi?- Foi... – ela fica com uma sombra no olhar - larguei tudo por causa do Max.Mas ele morreu tem algum tempo e eu refiz minha vida, casei novamente – elaolha para Vitor, voltando a sorrir – e estou mais feliz do que nunca.- Que bom, Amélia... Fico feliz por você. Eu já não tive a mesma sorte, já meseparei duas vezes e estou sozinho há uns cinco anos. Às acho que nunca vouencontrar uma mulher que me deixe perdidamente apaixonado.- Logo você falando assim... as minhas colegas de passarela brigavam porcausa do Andrea, sabia, Vitor? – revela Amélia.- Ah, nem tanto... – o italiano ri – Vocês vão ficar quanto tempo em Florença?Podíamos marcar um jantar.- Estamos em lua-de-mel pela Europa, daqui há dois dias já vamos para Roma,não é, amor? – Vitor apressa-se em explicar.- Sim – ela confirma – Mas isso não inviabiliza um jantar.- Amanhã, que tal? Vou levá-los para conhecer o melhor restaurante deFlorença – convida Andrea.Amélia olha para Vitor de um jeito de quem pede para ele aceitar.- Está bem. Jantaremos amanhã – ele concorda, tenso.Após trocarem telefones, Andrea se afasta.Trilha sonora: Vivimi – Laura Pausinihttp://www.youtube.com/watch?v=e1VDNwYg990Vitor fica calado por alguns instantes, como se estivesse digerindo tudo queouviu.- Amor... algum problema? – pergunta Amélia, preocupada.- Você e esse Andrea... já tiveram alguma coisa além de amizade? – elequestiona, bastante incomodado.Amélia começa a rir:- Vitor, você ficou com ciúme? – ela continua rindo – Nunca tive nada com oAndrea... e mesmo se tivesse acontecido um namoro, algo assim, teria sidomuito antes de te conhecer.- Sei lá, o jeito que olhou pra você, que falou da sua beleza... não gostei, eleparecia que estava cobiçando a minha mulher – Vitor dá enfase ao “minha”.- Mesmo se estivesse, eu não daria importância. – Amélia olha nos olhos dele –É você que eu amo, ouviu?- Eu sei, meu amor, desculpa... – ele a olha com arrependimento – Mas assimcomo você às vezes pensa que eu possa querer uma mulher mais jovem, daminha idade, eu também fico inseguro de vez em quando, pensando que derepente você pode me achar muito imaturo e querer um homem com maismaturidade, experiência de vida...
  10. 10. - Nunca mais pense isso... Como eu poderia não te querer mais? Só se eufosse muito burra. Eu já tenho o melhor homem do mundo ao meu lado.- Você pensa isso mesmo? – ele devolve com um sorriso emocionado.- O que mais eu preciso fazer pra te convencer?- Nada. Só me beija – ele toma Amélia nos braços e beija seus lábios compaixão.Amélia e Vitor passeiam por todas as salas do palácio, depois almoçam numrestaurante ali perto e seguem para outros museus e galerias.No outro dia, eles visitam o centro histórico e mais obras de arte. Aoretornarem ao hotel, no final da tarde, recebem da recepcionista um recadodeixado por Andrea, avisando que o jantar teria que ser cancelado, porque eleprecisara ir para Milão às pressas.- Ah, que pena... – murmura Amélia.- Eu não acho – retruca Vitor, segurando-se para não rir.- É, eu imagino que você tenha gostado da notícia – ela devolve com leveironia – Mas quem sabe a gente consegue jantar com o Andrea em Milão?- Tá bem interessada em jantar com esse cara, né? – Vitor não conseguedisfarçar o ciúme.Amélia ri:- Não... prefiro jantar com você – ela diz, passando os braços em torno dopescoço dele – Mas eu adoraria poder conversar mais um pouco com meuamigo Andrea...Tenso, Vitor questiona:- Você acha que ele é mais bonito do que eu?- Desde quando você ficou tão inseguro? – devolve Amélia, sem perder acalma.- Não sei... me responde, por favor... – ele implora.- No quarto eu respondo. Vamos – ela o conduz pela mão até o elevador. Elessobem em silêncio, Vitor bastante ansioso.V
  11. 11. Após entrarem no quarto, Amélia larga a bolsa num canto e se posiciona bemem frente a Vitor. Ela percorre o rosto dele com os dedos, enquanto vaifalando:- Esses olhos profundamente verdes, esse nariz do tamanho exato, esseslábios tão bem desenhados... – ela passa os dedos em torno dos lábios dele,que tenta beijar os dedos dela.Amélia sorri e vai descendo as mãos:- Esses braços fortes, esse peito onde gosto tanto de repousar... – ela acariciaos bíceps e o peitoral de Vitor - Você é tão perfeito que me dá até medo.- Medo de quê?- De que um dia eu descubra que você não é real... – ela sorri.Vitor a puxa para seus braços e responde, sorrindo:- Eu sou real, sim... – ele a beija com intensidade, e vai conduzindo-a até acama.Amélia desabotoa a camisa de Vitor ao mesmo tempo em que ele tira a blusadela. Logo se livram das roupas que faltam e sentem seus corpos coladoscomo se fossem se fundir. Vitor beija o pescoço e o colo de Amélia, enquantosuas mãos percorrem o corpo dela, que se entrega totalmente aos carinhosdele. Eles se amam sem pressa, curtindo intensamente cada sensação queprovocam um no outro.Eles acordam tarde no dia seguinte, e tomam café no quarto, intercalandomorangos e torradas com beijos.Depois arrumam as malas. À tarde, partem para Roma.Trilha sonora: Abbracciami – Nekhttp://www.youtube.com/watch?v=-iUWn05NFlA&feature=relatedJá na capital italiana, à caminho do hotel, eles passam em frente à Fontana deTrevi. Amélia grita para o taxista:- Pare, per favore!- Que foi, Amélia? – pergunta Vitor.- Vamos parar aqui um instante – ela se dirige ao taxista – Aspetta un attimo(Espera um momento)?O homem confirma com a cabeça. Amélia desce do carro, seguida por Vitor.- Essa é a Fontana de Trevi.- Sei, já ouvi falar – ele fica pensativo, observando a fonte – Acho que já estiveaqui... deve ter sido com meus pais, quando era pequeno. Minha mãe erabastante religiosa, e uma vez meu pai a presenteou com uma viagem a Roma.A única coisa que eu me lembro daquela viagem é de minha mãe chorando deemoção ao ver o papa João Paulo II.- É? Você nunca me contou isso – comenta Amélia, comovida.- Minha mãe rezava tanto, e morreu tão cedo... cheguei a me revoltar contraDeus, na época. Perdi a fé, sabe? Eu procurei esquecer tudo que tivesse a vercom religião. Com o tempo eu fui me reaproximando de novo da igreja... masainda guardo uma desconfiança, sabe?- Vitor... – ela o abraça com carinho, e acaricia os cabelos dele.
  12. 12. - Talvez não seja por acaso que você me fez vir a Roma... e vai me levar aoVaticano. Será que eu consigo fazer as pazes com Deus? – Vitor questionacom um sorriso meio triste.- Eu te ajudo – Amélia garante, acarinhando o rosto dele.Vitor abraça a esposa com força, e fica abraçado a ela por alguns instantes, emsilêncio, até que ao levantar os olhos vê o táxi parado.- O taxista está esperando, meu amor.- Já vamos, só me consegue uma moeda, antes?Vitor encontra apenas duas moedas na carteira, e mostra para Amélia.- Só precisamos de duas, mesmo... – ela sorri, pega uma das moedas da mãodele, e ensina – Agora a gente vira de costas para a fonte, e joga a moeda.Eles se posicionam e jogam as moedas na fonte.- Pronto, garantimos nossa volta a Roma – ela sorri, e puxa Vitor pela mão –Vem aqui, agora...Amélia o leva até uma parte especial da Fontana di Trevi:- Essa é a Fontanina degli Innamorati, ou Fontezinha dos Apaixonados. Reza alenda que os namorados que beberem juntos dessa fonte se amarão parasempre.- Mas eu vou te amar pra sempre de qualquer jeito... – alega Vitor, com umolhar apaixonado.- Eu também... – ela retribui o olhar – Mas quero cumprir essa tradição comvocê.Vitor sorri, e os dois se aproximam mais da Fontanina, bebem juntos de suaágua, e selam o amor eterno com um beijo.- Será que o taxista ainda está nos esperando ou já desistiu? – Amélia ri.- Espero que não – Vitor também ri.- Tomara, porque ele está com nossas malas! – ela lembra, e corre para o táxi,puxando Vitor pela mão.O taxista continuava à espera, pacientemente.- Scusa, signore, mi sono distratta nella Fontana. (Desculpa, senhor, nosdistraímos na Fontana) – diz Amélia, enquanto entram no carro.- Tutto bene. La Fontana é magica per due innamorati.- É vero – concorda Vitor, se esforçando para falar com a entonação bemcorreta, o que provoca risos em Amélia.- Falei errado? – ele pergunta, preocupa.- Não, você está aprendendo direitinho.- Eu tenho uma boa professora – Vitor dá uma piscadinha para ela.Amélia sorri e acaricia o rosto dele, depois deita a cabeça em seu ombro,ficando assim até chegarem ao hotel.Depois de se acomodarem no quarto, Amélia avisa que vai descansar umpouco.- Enquanto isso, eu vou resolver umas coisas, tutto bene, amore mio? – eledevolve, dando um beijo carinhoso nos lábios dela.Amélia sorri:- Você fica tão lindo falando em italiano...- Allora io voglio aprendere a parlare solo per te. Acertei?- Quase. Não se diz aprendere, se diz imparare – ela explica, recostando-se nacama – Aprendere não está errado, mas é melhor imparare.Vitor sorri e dá mais um beijo em Amélia, dizendo:
  13. 13. - Ritorno subito, amore mio, razão della mia vita...Amélia fica repousando enquanto Vitor sai um pouco.VIQuando ele volta, ela está penteando os cabelos diante do espelho. Vitor aabraça por trás e lhe dá um beijo no rosto.- Eu consegui – ele avisa.- O quê? – ela se vira, curiosa.- Uma audiência com o papa. Amanhã, no começo da tarde, Sua Santidade vainos abençoar.Amélia fica alguns instantes apenas olhando para Vitor, com os olhosmarejados.- Como você conseguiu isso assim tão fácil? – ela finalmente questiona.- Você não conhece meu poder de convencimento? – ele retruca, brincando.- Conheço muito bem – ela ri, depois fica contemplando-o emocionadanovamente – Uma benção do papa... Sabe, uma vez estive em aqui em Romacom o Max, e queria tanto essa benção... mas ele disse que era frescura, que opapa era um padre como qualquer outro, acredita?- Bem típico do Max menosprezar os desejos das outras pessoas... Mas nãovamos mais falar dele, né?- É, não vamos estragar esse momento tão lindo lembrando daquele... Ah,Vitor... – ela passa os braços em torno do pescoço dele – Nosso amor seráabençoado pelo papa!Vitor acaricia o rosto dela, contemplando o brilho nos olhos de Amélia.
  14. 14. - Nosso amor já é abençoado... mas o que é importante pra você, é importantepra mim também – ele afirma, beijando-a carinhosamente.Depois de alguns beijos, Vitor pega uma sacola que tinha trazido na rua elargara no chão ao entrar no quarto:- Ah, no caminho de volta eu passei diante de uma loja e resolvi comprar umpresente pra você... pra usar hoje à noite.Amélia tira de dentro da sacola um lindo vestido verde escuro, de tecido fluido,com decote em v, cavas profundas, e uma faixa de cetim na cintura,arrematada por um laço.- Vitor... – ela murmura, impressionada – Pra que isso?- Vamos sair para um jantar bem romântico, só nós dois – ele enfatiza o “sónós dois”.Amélia ri, entendendo a indireta:- Nós não vamos encontrar o Andrea aqui em Roma.- Acho bom – devolve Vitor, tentando conter o ciúme.Amélia se olha no espelho com o vestido diante do corpo, depois o colocasobre a cama e avisa que vai tomar um banho. Depois é a vez de Vitor.Enquanto ele se lava, ela faz a maquiagem, marcando bem os olhos comdelineador. Ajeita os cabelos em um coque meio soltinho, finalizado com umadelicada presilha de capim-dourado, criação sua. Só então coloca o vestido echama Vitor para ajuda-la a fechar o zíper. Ele se aproxima, arrumando agravata, num tom parecido com o do vestido de Amélia, mas um pouco maisclaro. Enquanto fecha o zíper, Vitor aproveita para dar um beijo no pescoçodela.- Humm, que cheiro bom... Acho que vou abrir esse vestido de novo e...- Agora não, amor... – ela responde com doçura, se afastando, colocando assandálias e finalmente parando diante dele – E então, como estou?- Ma che bella donna! - ele exclama, maravilhado – Aceita a companhia destehumilde ragazzo?Sorrindo, Amélia encaixa seu braço no dele e saem para o jantar.No restaurante, Vitor pede um bom vinho e eles curtem o clima de romance.Trilha sonora: Amarti è Limmenso Per Me – Eros Ramazzottihttp://www.youtube.com/watch?v=rSwmnKH9YGcO casal acorda cedo no dia seguinte. Amélia escolhe um vestido longo, de corcreme, com um casaquinho leve quase do mesmo tom, e sapatilhas marrons.Vitor coloca uma calça social quase da cor do vestido de Amélia, e uma camisabranca com camiseta por baixo. Eles saem cedo para passear pelos museusda Basílica de São Pedro.Na Capela Sistina, Vitor fica boquiaberto, contemplando os famosos afrescosde Michelangelo:- Como eu demorei tanto para ver isso de perto? – questiona, sem tirar osolhos do teto.- Talvez porque você tinha que vir comigo... – responde Amélia, sorrindo.Vitor olha para ela:- Com certeza.Eles ficam por alguns instantes paralisados, apenas trocando um olhar cheiode amor. Depois seguem observando os demais afrescos da capela.
  15. 15. Quando se aproxima o horário da audiência, Vitor avisa:- Vamos, amor? Chegou a hora.- Vamos – ela confirma, soltando um suspiro de ansiedade.Eles caminham de mãos dadas para o local onde receberão a benção. Vitorsente um tremor na mão de Amélia.- Você está tremendo, Amélia?- Estou nervosa... Bobagem minha, né?- Não... este é um momento especial pra você, tem todo o direito de ficarnervosa – ele a tranquiliza.Com a mão que está solta, Amélia mexe na medalha de São Valentimpendurada em seu pescoço, e a ajeita bem no centro de seu colo. Depois fazVitor parar por um instante e arruma também a medalha dele, que estavaescondida sob a camiseta.- Vamos pedir para abençoar nossas medalhas também, para que essaproteção nunca nos falte.- Sim... – concorda Vitor, tentando não demonstrar, mas ansioso também.Diante do papa, ao receber a benção, Amélia deixa algumas lágrimas correrempor seu rosto. Vitor olha para ela e sente os olhos marejados, comovido por vê-la tão emocionada.- Vão em paz, e que Deus os acompanhe – conclui o Santo Padre.- Amém – dizem Amélia e Vitor, ao mesmo tempo.Eles saem de lá devagarinho, sentindo uma paz inexplicável. Só ao chegaremde volta ao pátio da Basílica, é que Amélia comenta:- Acho que foi um dos momentos mais bonitos da minha vida – ela olha nosolhos de Vitor – Obrigada por me proporcionar isso.- Eu é que tenho que agradecer muito a Deus por ter colocado você na minhavida, fazendo de mim um homem melhor. Hoje, aqui nesse lugar, tive certezaque foi obra divina nossos caminhos terem se cruzados.- Eu já tinha essa certeza... – Amélia sorri.Vitor acaricia os cabelos dela antes de continuar:- Já pensou, Amélia? Se você já não fizesse parte de mim, mesmo sem euperceber, talvez eu tivesse sucumbido naquela mata, quando caí com o avião...Foi por você que eu busquei forças para sair daquela mata, foi você quemsalvou minha vida...- Você também salvou a minha – ela devolve, deixando Vitor com um olharsurpreso:- Como?- Me devolvendo a alegria de viver. E me mostrando que eu ainda tinha muitacoisa para fazer, para conhecer... – Amélia sorri.Vitor também sorri, e dá um delicado beijo nos lábios dela, depois conclui:- Tinha não... tem. Andiamo, amore mio, temos muito ainda que visitar em labella Itália.
  16. 16. VIIDepois de mais um dia visitando pontos turísticos e históricos de Roma, comoo Campidoglio e o Coliseu, Amélia e Vitor partem para Veneza.Eles chegam ainda de manhã, e saem para conhecer a cidade. Logoencontram a Basilica di San Marco, a mais famosa das igrejas de Veneza,construída em estilo bizantino, e ficam impressionados.- Nossa, nós estamos na Itália mesmo? – brinca Vitor.- Incrível, né? – Amélia ri.O casal passeia pela Piazza San Marco e visita o Palazzo Ducale.Na parte da tarde, chegam ao Palazzo Contarini del Bovolo, conhecido por suaescadaria de caracol no exterior.- Você quer subir, ver a vista lá de cima? – convida Vitor.- Vamos! – ela responde, animada, já puxando o amado pela mão e subindo osprimeiros degraus.Eles sobem aos risos, como crianças desbravando um túnel secreto. Enfimalcançam a parte mais alta da escadaria. Vitor abraça Amélia por trás, e elesficam contemplando a vista por longos minutos, em silêncio, como se o tempotivesse parado.- Nós estamos em Veneza... – murmura Amélia.- Tá uma vendo uma gôndola, lá adiante? – aponta Vitor.- Sim! Ah, Vitor, vamos passear de gôndola? – ela pede de um jeito meigo.- Claro! Você acha mesmo que a gente viria para Veneza e deixaria de fazerum passeio romântico desses, de novela, de filme? – ele sorri.- Hum, então você já tinha planejado isso também?- Nosso passeio de gôndola está até marcado, combinei tudo por telefone e e-mail antes de virmos pra cá. Amanhã, nesse horário, estaremos no meio doGrande Canal.Amélia se vira para Vitor e olha nos olhos dele:- Você... me deixa sem palavras.
  17. 17. Ele a enlaça pela cintura e responde:- Já ouviu dizer que o beijo é um artifício que a natureza inventou para quandoas palavras se tornam supérfluas?Ela sorri, encantada, e Vitor a puxa para mais perto e beija seus lábios comintensidade. O casal fica namorando no alto da escadaria por algum tempo, atéque outro par de turistas chega lá em cima. Só então Amélia e Vitor descem.Trilha sonora: Imbranato – Tiziano Ferrohttp://www.youtube.com/watch?v=RL8zMj5Xdd4&feature=relatedNo dia seguinte, Vitor leva Amélia até o ponto de partida da gôndola.- Mas cadê o gondoleiro? Está atrasado? – ela questiona, ao ver a embarcaçãovazia.- Não, meu amor... depois de muito tentar eu consegui, em segredo, umagôndola emprestada para passearmos sozinhos. Eu é que vou remar.- Mas você sabe controlar essa coisa? – pergunta Amélia, franzindo a testa.- Quê? Eu piloto avião, meu amor... uma gôndola é muito mais simples – eleresponde, cheio de si.- Espero que você saiba o que está fazendo... – ela se contém para não rir.- Você não confia em mim?- Claro que eu confio, senão nem entraria nessa gôndola...Vitor ri, e estende a mão para ela:- Andiamo, bella donna...Ele ajuda Amélia a entrar na embarcação, depois assume seu lugar. Ele vairemando tranquilamente, e quando estão bem no meio do grande canal,comenta:- Viu? Não há o que temer.Ela sorri, e olha em volta, maravilhada. Vitor conduz a gôndola para um canaladjacente.- Olha, Vitor, a Ponte dos Suspiros! – exclama Amélia, ainda mais encantada.- Parece que estamos viajando no tempo, né? – ele devolve.- Ah... é muito bonito tudo isso – ela suspira.Logo Vitor traz a embarcação de volta para o Grande Canal. Ele troca olharesapaixonados com Amélia, até que se ergue e inclina um pouco para beijá-larapidamente.- Cuidado, Vitor... – ela alerta.- Está tudo sob controle – ele garante – Só mais um beijinho...O beijo acaba ficando mais intenso, e sem perceber Vitor larga o remo. Elelogo se dá conta e tenta pegá-lo de volta, mas não dá tempo. O remo caidentro da água e afunda. Vitor olha para Amélia com um sorriso amarelo, semsaber o que dizer.- E agora? Como vamos sair daqui? – ela pergunta, aflita.- Calma, eu vou ligar para o rapaz que me emprestou a gôndola – ele tentaparecer tranquilo, enquanto tira o celular do bolso. Ao olhar para o aparelho,faz uma careta – Sem sinal.- Ah, meu Deus... – Amélia fica ainda mais angustiada, depois olha para Vitorcom um pouco de raiva, e comenta com ironia – É fácil controlar uma gôndola,né?- Foi um acidente... – ele balbucia com cara de cachorro que quebrou o pote.- Não, senhor, foi distração – ela retruca ainda irritada.
  18. 18. - É, eu me distraí... com você – Vitor admite.- Ah, agora a culpa é minha?- Não... Tudo bem, eu fiz uma besteira. Mas não vamos brigar justamenteagora? – ele devolve com olhar de súplica.Amélia respira fundo, tentando-se acalmar.- Está certo, não adianta discutir agora. Estamos à deriva, no meio do GrandeCanal... o que vamos fazer?- Esperar. Daqui a pouco alguém vê que estamos à deriva, ou a gôndola vaiparar junto da margem.- Ai, Vitor, por que você tinha que se meter a gondoleiro? – ela diz, quase comvoz de choro.- Porque eu queria proporcionar um passeio único pra você.- É, e conseguiu – ela devolve meio irônica, e finalmente ri – Será realmenteinesquecível.Vitor olha para Amélia meio de canto de olho, ainda envergonhado pelo quefez:- Já que vamos ter que esperar, não sabemos quanto tempo, melhoresperamos bem juntinhos, não acha?- Acho – ela sorri levemente, já quase sem raiva.Ele senta bem ao lado dela e a envolve em seus braços. Fica acariciando oscabelos e o rosto de Amélia, enquanto a gôndola desliza pela água.VIIIDepois de algum tempo, a gôndola se aproxima da margem do canal. Vitoramarra a embarcação na primeira coisa possível que encontra, e suspiraaliviado.- Vem, amor – ele estende a mão para ajudar Amélia a descer.- Tem certeza? – ela brinca, querendo rir.- E você tem escolha? Prefere ficar aí? – Vitor retruca, levemente irônico.- É, não tem outro jeito... – Amélia devolve, apertando os lábios, e finalmenteaceita a ajuda de Vitor.Ela coloca um pé em terra firme, e quando tira o outro da gôndola, seu sapatocai dentro do canal.
  19. 19. - Ah, não! – ela exclama, ajoelhando-se de na margem e olhando para a água.- Esquece, Amélia, ele já afundou – avisa Vitor, descendo da gôndola também.- E agora, vou ter que caminhar até o hotel com um pé só?Amélia e Vitor se olham e caem na gargalhada, sem conseguir parar de rir atéquase perder o fôlego. Ela respira fundo e comenta:- Só me faltava mesmo perder um sapato, para coroar esse passeioatrapalhado... – e cai na risada de novo.- Atrapalhado sou eu... quis bancar o bonzão, o sabe-tudo, e quase provocouma tragédia – ele ri de si mesmo.- Ah, não exagera... Acabou tudo bem.- É, acabou. Por falar nisso, preciso ligar para o dono da gôndola – Vitorconfere o celular, vê que voltou o sinal e faz a ligação, explica onde estão.Depois, conta para Amélia - Ele está aqui perto, já vem.- Que bom. Estou louca para chegar ao hotel, tomar um bom banho edescansar. Em que situação você nos colocou, hein, Vitor?- Minha culpa, minha máxima culpa... já reconheci. Mas pensa por outro lado,essa história vai virar uma lenda na família – ele dá uma risada.- É verdade – Amélia recomeça a rir sem conseguir parar.- Já estou até vendo o quanto que a Mané vai me zoar por causa disso... –brinca Vitor.- Vai mesmo, gondoleiro trapalhão!Eles estão aos risos quando o dono da gôndola chega. Vitor acerta tudo comele, dando um valor a mais pela perda do remo. E o próprio gondoleiro, numaembarcação a motor, os leva para o outro lado do canal, deixando-os próximoao hotel.Amélia sai mancando, com um sapato só.- Não, meu amor, você não vai ficar andando assim – diz Vitor, pegando-a nocolo.- Vitor, não precisa... – ela murmura, encantada.- Eu te levo. Nós estamos pertinho do hotel.Vitor carrega Amélia até a porta do elevador. Assim que ele a coloca no chão,ela lhe dá um suave beijo nos lábios.- Obrigada, você é verdadeiro cavalheiro... – ela comenta sorrindo.- Eu me esforço – ele ri.Amélia tira o outro sapato, e sobe descalça para o quarto, ainda rindo juntocom Vitor de toda a situação daquela tarde.Ao entrarem no quarto, Amélia vai direto começar a encher a banheira. Vitorespia da porta do banheiro:- Vai tomar um banho demorado?- Eu preciso disso – ela responde.- Hum, então vou descer rapidinho, não demoro.Amélia se vira para perguntar aonde ele vai, mas Vitor já sumiu da porta. Elatermina de preparar a banheira e fica algum tempo na água, relaxando.Trilha sonora: Una Poesia Anche Per Te - Elisahttp://www.youtube.com/watch?v=gKkL_WZ_ePk
  20. 20. Amélia veste um roupão e volta para o quarto. No mesmo momento, Vitorchega da rua, trazendo um buquê de rosas vermelhas, cor-de-rosa e amarelas.Amélia fica vendo ele se aproximar, surpresa.- Para a mulher mais linda do mundo... – diz Vitor, entregando o buquê.- Que lindo! – ela murmura, contemplando as flores.- É o mínimo que eu podia fazer depois do que aprontei hoje – ele justifica, comcara de menino arrependido.- Você fez tudo com boa intenção, só se atrapalhou um pouquinho – garanteAmélia.- É, mas nunca mais vou querer bancar o gondoleiro, prometo.Ela ri e pega o cartão que está no meio das flores. Abre e lê o poema impresso:- Se avessi la possibilità di nascere e morire di nuovo, lo rifarei solamente pervivere la mia vita insieme a te, per rimediare ad ogni mio errore, per cucire ognitua ferita, e per cancellare ogni tua sofferenza in modo tale che il mondo possaconoscere solamente il tuo sorriso, che mi ha incendiato il cuore, come dalprimo istante che ti ho visto!Amélia olha para Vitor, emocionada, e ele repete a mensagem, mas emportuguês:- Se tivesse a possibilidade de nascer e morrer de novo, o faria somente praviver minha vida junto a você, para remediar cada erro meu, para cicatrizarcada ferida tua e para apagar todo seu sofrimento, de tal modo que o mundopossa conhecer somente teu sorriso, que me incendiou o coração, como doprimeiro instante que te vi! – Vitor solta um suspiro e explica – Fiquei tentandotraduzir vários cartões, mas quando encontrei não tive dúvidas de que essepoema era o que eu queria te dizer.- Vitor... – murmura Amélia, se jogando nos braços dele e dando-lhe váriosbeijos nos lábios.Ele a beija com ardor. O beijo vai ficando mais intenso, até que Vitor desfaz olaço do roupão de Amélia e vai fazendo-o deslizar para o chão. Ele conduzAmélia para a cama ao mesmo tempo em que vai percorrendo o corpo delacom os lábios. Já deitados, Vitor começa a descer pelo colo dela com beijos,mas Amélia traz o rosto dele para junto do seu, juntando os lábios de um jeito
  21. 21. ardente. Enquanto o beija, ela pressiona seu corpo contra o dele, desejando sejuntarem como um só. Ele corresponde, e os dois se entregam àquele desejo,amando-se como se o tempo tivesse parado.Amélia e Vitor partem para Milão. Ao passarem pela Piazza del Duomo, Améliaolha em volta e comenta:- Olha, Vitor, a catedral de Milão... sabia que é a segunda maior igreja da Itália?Só fica atrás da Basílica de São Pedro.Mas Vitor não responde, está pensativo, olhando um cartaz que anuncia umgrande show do cantor Andrea Bocelli.IX- Vitor? – insiste Amélia.- Hã? Que foi, amor?- Você ouviu o que eu falei, sobre a catedral?Vitor olha para Amélia e segura às mãos dela:- Desculpa, eu estava distraído...- Dessa vez eu perdoo – ela sorri de um jeito cúmplice – Mas agora olhe acatedral...Ele obedece, e fica boquiaberto:- Nossa... é incrível...- É mesmo... Vamos deixar as malas no hotel e depois voltar para conhecê-lapor dentro?- Vamos, sim.Eles dão entrada no hotel e arrumam suas coisas no quarto. Amélia avisa:- Vitor, eu vi que tem um salão de beleza aqui. Preciso fazer minhas unhas,depois vamos para a catedral... pode ser?- Pode, claro. Enquanto você trata de ficar ainda mais linda, vou dar uma volta.- Aonde você vai? – ela pergunta, curiosa.- Depois você vai saber – ele responde com um sorriso enigmático.
  22. 22. Trilha sonora: Nel Cuore Lei – Andrea Bocellihttp://www.youtube.com/watch?v=d2JHOJH5vkYQuando Vitor volta, não acha Amélia no salão. Ele sobe ao quarto, e ao entrarjá se depara com a amada penteando os cabelos diante do espelho.- Voltei, amore mio... – ele diz, abraçando-a por trás e dando-lhe um beijo nopescoço.Ela se vira para Vitor, sorrindo:- O que você foi aprontar agora?- Isso – ele entrega dois papéis a ela.Amélia lê quase sem acreditar:- Ingressos para o show do Andrea Bocelli no Teatro alla Scala?- Sim, para amanhã à noite.- Vitor... eu adoro o Bocelli!- Eu também gosto muito... principalmente de uma música, que pareceinspirada no que sinto por você... chama “Nel Cuore Lei”.- “No Coração Dela”?- É... – Vitor se aproxima e canta baixinho no ouvido dela, enquanto dançambem juntinhos:“Ti prenderà il cuoreTi vinceràLei sarà la tua stradaChe non puoi lasciare maiA leiTi legherai finchè vivrai, a lei…”(Te prenderá ao coraçãoTe venceráEla será a tua estradaQue não poderá deixar nuncaA elaTe prenderá enquanto viver, a ela...)Amélia solta um suspiro, com os olhos marejados, e vai aproximando seuslábios dos de Vitor. Eles trocam um beijo demorado, antes de saírem parapassear pela Piazza del Duomo.No restante da tarde, eles visitam a catedral e também a galeria VittorioEmanuele II, do outro lado da praça.Voltando para o hotel, eles passam diante de uma grande loja de calçados.- Vamos entrar – avisa Vitor – quero te dar um sapato novo, para compensaraquele que você perdeu em Veneza.- Ah, Vitor... não precisa.- Eu faço questão.- Está bem – ela concorda, sorrindo.Eles entram na loja, e Amélia não consegue se decidir, pois havia muitosmodelos lindos. Ela experimenta vários pares enquanto Vitor espera, tentandoser paciente. Por fim, Amélia fica indecisa entre três modelos.- Qual você prefere, Vitor?- Os três ficaram igualmente lindos. Também, né, o que não fica bonito emvocê?- Ah, me ajuda... não sei qual deles escolho.
  23. 23. Vitor olha para os sapatos por um instante e depois diz para a vendedora:- Vamos levar os três.- Mas, Vitor... – murmura Amélia.Ele não a deixa terminar:- Aproveita que eu tô bonzinho... – ele ri, depois a olha de um jeito apaixonado– Você merece tudo que eu puder te dar.A vendedora quase solta um suspiro, comovida com a cena, mas se contém epergunta:- Vão os três pares, mesmo?- Sim – confirma Vitor.- Então me acompanhem – ela avisa, conduzindo o casal para fazer opagamento.Depois de acertarem tudo, Amélia vai pegar as sacolas, mas Vitor se antecipa:- Não, não, deixa que eu levo... Não é essa uma das funções do homem,carregar as sacolas? – ele brinca.- Bobo... Obrigada, viu? Mas sabe qual foi o presente mais valioso que jáganhei até hoje?- Qual? – ele olha para ela.Amélia responde olhando nos olhos dele:- Você.Vitor sorri, e eles trocam um rápido beijo, antes de saírem da loja, de mãosdadas.Chegando ao hotel, Amélia marca um horário no salão para o dia seguinte,para se arrumar para o show.- Vitor, nós vamos numa das maiores casas de ópera do mundo, assistir aoAndrea Bocelli, já pensou?- É, e isso nem estava na nossa programação inicial... Essa viagem tem sidoainda mais emocionante do que eu imaginei. Sabe, planejei tudo para quefosse uma lua-de-mel de sonho pra você...- E está sendo um sonho pra você também, né? – ela completa, passando osbraços em torno do pescoço dele.- Está... amore mio... – ele confirma, colando seus lábios aos dela.X
  24. 24. No outro dia, Amélia nem quer passear, de tanta expectativa. Passa a tardeescolhendo o vestido, os sapatos, as joias, depois vai para o salão arrumar ocabelo.Quando ela volta para o quarto, Vitor está no banho. Amélia confere openteado e a maquiagem no espelho, satisfeita com o resultado. Coloca ovestido, longo e estampado discretamente em tons de branco, preto e cinza, ejoga sobre os ombros uma estola leve de cor vermelha bem escura, quasemarrom. Calça as sandálias de salto e põe os brincos, um anel e pulseira. Vitorsai do banheiro com uma toalha enrolada na cintura e abre um grande sorrisoao ver Amélia toda arrumada:- Nossa, será que eu estou à altura de uma mulher dessas?- Você ainda está assim? – ela sorri.- Me apronto num minuto.Ele põe um terno escuro, com uma camisa cinza claro e gravata. Ajeita oscabelos com gel, deixando-os bem alinhados.- Que lindo... – comenta Amélia, admirando-o – Nem vi que você tinhacolocado esse terno na mala. Depois do acidente, você só usa roupas claras...- Eu trouxe para alguma ocasião especial... como essa.Ela ajeita a gravata dele:- Acho que hoje sou eu que vou ficar com ciúme. Você vai ser o homem maisbonito da plateia, não tenho dúvida.- Então estamos quites, por que... ai, meu Deus, não queria nem pensar, masvai ter muito homem virando o pescoço por sua causa... Precisava ficar tãolinda, hein? – ele brinca.Amélia chega mais perto e toca no rosto dele:- Que olhem... porque eu só vou ver você. E o Andrea Bocelli, claro – ela ri.- Espero que a gente não encontre um outro Andrea por lá... – Vitor pensa alto.- Vitor... isso é bobagem sua – ela repreende com doçura.- Eu sei. Não está mais aqui quem falou – ele oferece o braço – Andiamo,amore mio?- Andiamo – responde Amélia, encaixando seu braço no dele.Trilha Sonora: Vivo Per Lei – Andrea Bocellihttp://www.youtube.com/watch?v=DKa0wN31OD4Eles chegam ao teatro e vão logo tomar seus lugares. O show começa, eAmélia e Vitor assistem emocionados. Quando Andrea Bocelli começa “VivoPer Lei”, Vitor sussurra no ouvido de Amélia:- Essa também é dedicada a você... – ele canta junto um trecho, no ouvidodela:Vivo per lei perché mi daPausa e note in libertàCi fosse unaltra vita la vivoLa vivo per lei(Vivo por ela porque me daPausas e notas em liberdadeSe tivesse outra vida eu a vivoEu vivo por ela)Amélia aperta a mão dele, ainda mais emocionada.
  25. 25. No intervalo entre uma música e outra, Amélia olha para Vitor, e os dois trocamum rápido e delicado beijo. Logo Bocelli canta “Nel Cuore Lei”.- Ah, essa música diz tudo... – Vitor sussurra de novo, cantando junto baixinho:E non cè niente come leiE non cè niente da capireEtutta lìLa sua grandezzaIn quella leggerezzaChe solo lei ti dà(E não há nada como elaE não há nada para entenderEstá tudo aliA sua grandezaNaquela levezaQue só ela te dá).Amélia, com uma lágrima correndo pelo rosto, deita a cabeça no ombro deVitor, e eles ficam assim o restante do show, bem juntinhos.- Ah, Vitor, foi maravilhoso! – exclama Amélia, quando chegam ao foyer doteatro.- Foi mesmo. Parecia que a gente estava em outra dimensão, né? A voz dessecara não parece desse mundo...- É... – ela sorri, com o olhar iluminado.Eles são interrompidos por uma voz:- Amélia e Vitor! Nos encontramos de novo...O casal se vira na direção da voz e vê Andrea Antonacci.- Andrea! – Amélia cumprimenta o amigo com um rápido abraço – Você estavano show também?- Claro! Acha que eu ia perder Bocelli no Scala?- Por que eu fui falar... – murmura Vitor, entredentes.- Tudo bem, Vitor? – cumprimenta o italiano.- Tudo. Estávamos comentando que o show foi incrível.- Foi mesmo – concorda Andrea, que para em silêncio por alguns instantescontemplando Amélia – Meu Deus... hoje você está especialmente linda. Comtodo o respeito, Vitor.Vitor passa o braço em torno da cintura dela:- Está mesmo – ele diz, se esforçando para não ser hostil.- Assim eu fico sem graça... – comenta Amélia, tentando amenizar o climatenso.- Não tive a intenção de constranger ninguém, me desculpem...- Tudo bem... né, Vitor? – pergunta Amélia.- Tudo – ele confirma, apertando os dentes.- Para me desculpar, convido vocês para um jantar... me acompanham?Vitor olha para Amélia e percebe que ela quer ir, mas está com receio de deixa-lo aborrecido. Então pega na mão dela:- Vamos, sim. Estamos devendo aquele jantar que ficou pendente em Florença,não é? – ele responde, tentando conter a vontade de ser irônico.- Que bom. Tem um restaurante ótimo bem aqui perto – devolve o italiano.
  26. 26. Durante o jantar, Amélia e Andrea relembram várias histórias dos tempos depassarela, entre risos. Vitor sente-se deslocado, quase o tempo todo, mesmoque a esposa tente a todo o momento incluí-lo na conversa. Mas porconsideração à Amélia, ele tenta ser simpático com o italiano.Quando retornam ao quarto do hotel, Amélia fica bem diante de Vitor e olhanos olhos dele:- Obrigada... por ter tentado ser compreensivo, passado por cima da suainsegurança... O Andrea é apenas um amigo querido, que eu fiquei anos semencontrar, nada mais. Que bom que você entendeu isso.- Você está feliz, né? É isso que importa – ele afirma, acariciando os cabelosdela.Amélia sorri e beija os lábios dele, que corresponde com intensidade e depois aolha de um jeito malicioso:- Mas agora eu quero algo em troca... deixa eu tirar seu vestido?Ela devolve um olhar travesso e se vira de costas, para que Vitor abra o fechodo vestido. Ele beija a nuca de Amélia várias vezes, a fazendo arrepiar, e vaidescendo até chegar ao vestido. Conforme abre a roupa, vai beijando o corpodela. Ao terminar o fecho, faz o vestido deslizar para o chão e vira Amélia defrente para si, beijando-a com paixão. Enquanto se beijam, ela vai tirando agravata dele e desabotoando a camisa. Vitor a pega no colo e leva até a cama,onde terminam de desfazer das roupas, se entregando completamente aodesejo. Depois se amarem, dormem abraçados.Na manhã seguinte, Vitor deixa uma bandeja de café da manhã no quarto esai. Quando Amélia acorda e procura por ele, encontra um bilhete na bandeja:“Fui preparar a surpresa desta tarde. Te amo muito. Vitor.”XIAmélia suspira:- Surpresa da tarde? O que pode ser?
  27. 27. Ansiosa, ela toma o café da manhã e começa a se arrumar. Escolhe umvestido com delicada estampa floral, longo e leve. Depois, penteia os cabelos,prendendo-os num rabo baixo com uma presilha de capim dourado. Faz umamaquiagem leve e coloca brincos e pulseiras também de capim dourado, daprodução da Rurbana.Vitor chega quase na hora do almoço. Amélia está sentada sobre a cama, elevanta-se rápido ao vê-lo:- Vitor!- Buongiorno, amore... – ele se aproxima calmamente e dá um beijinho nela,depois a olha de cima a baixo – Está linda... Pronta para sair?- Não sei aonde a gente vai... – ela retruca.- Acho que este vestido está ótimo para o passeio que a gente vai fazer. Assapatilhas também, o ideal é um calçado confortável.- Ai, Vitor, para de me deixar curiosa!Ele ri:- Então, andiamo...Vitor leva Amélia até o Parque Sempione. Eles passeiam por seus bosques,lagos e alamedas, até chegarem num recanto meio afastado da área central.Na grama, à sombra de uma grande árvore, há uma grande toalha xadrez compratinhos de diversos petiscos, como biscoitos salgados e doces, mini pão-de-queijo, pedacinhos de pão italiano, geleias, além de uma jarra de suco de uva euma garrafa de vinho. E de um pequeno aparelho de som sai uma bela música.Trilha sonora: Il Regalo Più Grande – Tiziano Ferrohttp://www.youtube.com/watch?v=boK3pjUMNbE&playnext=1&list=PL47166BE43431FE61Amélia fica por alguns instantes paralisada, admirando aquilo tudo.- Vitor... foi você que preparou tudo isso? – ela finalmente balbucia.- Não fiz sozinho, mas... foi ideia minha.- Eu amei – ela sorri – Um piquenique no Sempione...- É. Para encerrar em grande estilo nossa passagem pela Itália – ele completa.Vitor dispensa o rapaz que havia ficado cuidando do piquenique, e conduzAmélia para sentar num canto da toalha.- Tem até bombons, olha – ele mostra, pegando um bombom e levando até aboca de Amélia. Ela morde um pedaço, e Vitor come o restante, enquantoficam com os olhos fixos um no outro.Depois Amélia analisa os quitutes:- Nossa, nem sei por onde começar... – ela acaba se decidindo por um pedaçode pão com geleia de morango.Vitor ajeita as duas taças à sua frente e abre a garrafa de vinho. Põe umpouquinho da bebida na própria taça e experimenta:- Humm... perfeito.Só então ele serve a ambos, e passa um das taças para a mão de Amélia,dizendo:- Vamos fazer um brinde... ao nosso amor, que não precisa de cadeados,fontes, nada disso, para ser eterno.- Ao nosso amor – confirma ela, tocando a taça dele com a sua.
  28. 28. Após beberem um gole do vinho, eles trocam um beijo apaixonado.Amélia pega um pão-de-queijo e leva à boca de Vitor, que retribui. O casal ficaalgum tempo assim, dividindo aquele lanche e trocando carinhos.Depois de satisfeitos, Vitor se recosta no tronco da árvore, com Amélia nosbraços dele. Ela solta um suspiro:- Tão bom ficar assim com você...- Vamos ficar assim pra sempre? Abraçadinhos, nesse lugar lindo... – ele ri,estreitando Amélia em seus braços.- Dá vontade, né? – ela sorri, se aconchegando no peito de Vitor.Eles ficam em silêncio, apenas curtindo a sensação daquele momento, até queAmélia se ergue e olha nos olhos dele:- Enquanto te esperava, no hotel, fiquei lendo um livro de poemas em italianoque comprei aquele outro dia, lembra? Teve um poema que li até decorar,porque parece que escreveram o que sinto por você: “Sei come una colombabianca che, volando nel cielo più cupo, porta la luce. Quella stessa luce che hotrovato, per la prima volta, nei tuoi occhi dello stesso colore delloceano. Riempiil mio cuore sempre.” – Ela sorri e traduz – “Você é como uma pomba brancavoando no céu escuro traz a luz. Essa mesma luz que eu encontrei, pelaprimeira vez, em seus olhos da mesma cor do oceano. Enche meu coraçãopara sempre.”.- Nossa... – ele murmura, com os olhos marejados – Você também me trouxeluz, fez de mim um homem melhor...- E você, faz de mim uma mulher feliz, plenamente feliz, como nunca fui...Ambos emocionados, eles juntam os lábios em um beijo sem pressa, como senão existisse mais nada além do amor que os une.No outro dia, partem para Amsterdã. O primeiro passeio é ao museu VanGogh, que reúne obras do pintor holandês. Ao chegarem diante do quadro “OsGirassóis”, Amélia comenta:- Como será que estão todos lá em Girassol? Que saudade dos meus filhos...Vitor a abraça por trás e responde:- Antes de voltar à vida “normal”, prometo que vamos passar uns dias emGirassol. Também estou com saudade dos meus enteadinhos... – ele ri – e da
  29. 29. Terê, da Lurdinha... de todo o pessoal. Mas essa tela lembra muito a estância,né?- É mesmo. O Solano tinha até uma cópia desse quadro na sala.- Tinha, é verdade!- Mas agora vamos voltar para a Holanda? Ainda temos muita coisa para ver.Depois de Van Gogh, quero ir ao Stedelijk Museum ver Picasso, Monet,Chagall, Matisse... que acha?- Você estudou todos os guias turísticos, é? – ela ri.- Fiz a lição de casa direitinho... – Vitor também dá uma risada.Enquanto caminham pelos corredores do museu, ele comenta:- E amanhã, você se prepare... nós vamos num dos lugares mais bonitos daHolanda.XIIVitor acorda Amélia com beijinhos no rosto. Ela abre os olhos e sorri:- Oi, amor...- Hora de acordar... – ele dá um beijo nos lábios dela.- Tão cedo?- Precisamos sair cedo para aproveitar melhor o passeio.- Está bem – ela concorda, sentando na cama e se espreguiçando.Vitor contempla a cena, achando lindo o jeito de Amélia se espreguiçar. Elalevanta e escolhe um vestido branco longo de malha, com um colete de crochêpor cima, também branco. Ele se troca também, vestindo calça cinza e camisagelo. Amélia termina de se arrumar e eles descem para tomar o café-da-manhãantes de sair.
  30. 30. Depois, Vitor leva Amélia aos campos de tulipas de Keukenhof. Eles andamentre os canteiros, maravilhados com as flores de diversas cores.Trilha sonora: Angel of mine – Evanescencehttp://www.youtube.com/watch?v=e7fVuAetyBQ&feature=relatedDe repente, Vitor para e fica observando Amélia, que caminha próximo àstulipas. Ela logo percebe a ausência dele ao seu lado e vira para trás:- Vitor? O que houve? – pergunta Amélia, fazendo menção de voltar para juntodele.Ele sinaliza com mão para que ela pare onde está:- Fique aí. Estava te olhando... Você, com este vestido branco, os cabelosvoando com o vento, em meio a essas flores todas... você está parecendo umanjo – ele se aproxima de Amélia, emocionado – O meu anjo...Ela sorri, ficando emocionada também. Vitor chega mais perto e toca o rostodela, acariciando levemente como se tocasse uma pétala de rosa. Ele olhapara os lábios dela e devagarinho vai aproximando os seus, num beijodelicado.Depois Vitor pega Amélia pela mão e eles continuam passeando pelos camposde tulipas, parando de vez em quando para tirar fotos. Ela posa entre as florese Vitor maneja câmera, encantado com a combinação da beleza de Amélia edas tulipas.No final da tarde, quando estão caminhando pelas ruas de Amsterdã de voltaao hotel, eles passam em frente ao Museu do Sexo. Ao ler o nome na fachada,Vitor se empolga:- Olha isso, um museu do sexo! Vamos entrar Amélia?- Ai, Vitor, não... – ela olha para baixo, encabulada.Ele dá uma gostosa risada:- Você está com vergonha? Deixa disso, vamos só ver o que tem aí dentro...- Esse é o problema. Sabe lá o que a gente vai encontrar?- Nada de mais, ora... Sexo é algo que todo mundo faz. Tá, quase todo mundo.Vamos lá, quero conhecer! – ele tenta convencê-la.- Não sei... – Amélia hesita.- Por favor... – Vitor pede de um jeito que ela não consegue recusar.Ao entrarem, se deparam com estátuas, objetos e imagens relacionados aotema sexo. Algumas peças fazem Amélia tapar os olhos, constrangida:- Que é isso, Vitor...- Ah, você não conhece? – ele retruca aos risos.- Para, seu bobo! – ela se contém para não rir também, mas mais de nervosodo que por achar engraçado.Depois de olharem mais alguns corredores, Amélia implora:- Chega, Vitor... vamos embora.- Eu achei bem divertido – ele continua rindo do jeito dela.- Pra mim é estranho ver essas coisas... – ela argumenta.- Está bem, vamos – Vitor tenta controlar as risadas.Ao chegarem no quarto, Amélia vai tomar um banho, depois Vitor faz o mesmo.Ela está sentada cama, de roupão, terminando de passar creme no corpo,
  31. 31. quando ele se aproxima, recém-saído do chuveiro, com o corpo ainda úmido euma toalha enrolada na cintura.- Aquele museu me deixou inspirado... – Vitor comenta, olhando para Améliacom desejo.- Até parece que você precisa de alguma coisa para se inspirar... – ela retruca,devolvendo o olhar.- Não preciso mesmo... é só olhar para você... – ele se inclina sobre Amélia epassa os dedos no pescoço dela, descendo até o colo – sentir essa pelemacia... – ele olha nos olhos dela e depois para os lábios, com a respiração jáofegante – esses lábios...Vitor cola seus lábios aos de Amélia e vai se debruçando sobre ela, fazendo-adeitar na cama, onde se amam até, exaustos, pegarem no sono.Algumas horas depois, já tarde da noite, Vitor acorda com fome. Améliacontinua dormindo, tão tranquila que ele decide não acordá-la. Veste umaroupa simples e sai, voltando pouco tempo depois com sacolas. Améliadesperta quando ele fecha a porta, percebe que Vitor não está ao seu lado eergue um pouco o corpo, vendo-o se aproximar com as sacolas:- Vitor? Você saiu?- Fui comprar alguma coisa para a gente comer aqui na cama mesmo... Já estámuito tarde para pedir um jantar. Mas acordei com fome...- É, agora que você falou, também senti uma fominha...- Trouxe sanduíches, frutas secas, e um vinho – ele explica, se ajeitando nacama e tirando as compras da sacola.- Vinho?- Sim... é tão gostoso tomar vinho a dois... Onde estão aquelas taçaspersonalizadas que a gente comprou em Milão?- Na minha mala.Vitor pega as taças e volta para cama, servindo o vinho. Enquanto fazem olanche, ele comenta:- Amanhã, eu sugiro que você use uma daquelas suas calças de montaria.Você fica linda nelas, realça seu corpo.- Por quê? O passeio de amanhã não dá pra fazer de vestido?- Acho que não. Ainda mais com esses seus vestidos compridos... pode serperigoso.- Perigoso por quê?- Você já está querendo saber demais... espere até amanhã – ele conclui comum sorriso travesso, e antes que ela pergunte mais alguma coisa, ocupa oslábios dela com mais um beijo.XIII
  32. 32. Ao saírem do hotel, no dia seguinte, Vitor sorri ao ver o céu azul e o soliluminando tudo:- O dia está perfeito!- Pra quê? – questiona Amélia, ansiosa, e vestida como ele recomendara, decalças.- Você já vai saber.Chegando ao Vondelpark, Vitor pede que Amélia espere um instante. Logovolta trazendo duas bicicletas:- Olha o que aluguei para nós...- Então é isso, nós vamos pedalar? – ela diz, sorrindo.- Você não disse uma vez que gosta de andar de bike? Não tem lugar melhorpara fazer isso do que Amsterdã.- Pois é, até de bicicleta eu fugi pra te ver... – ela ri.- Mas valeu a pena, né?- Valeu. Aquele dia... aquela noite foi tão linda e também tão horrível. Quandovi você caído no chão, ensanguentado, tive tanto medo de te perder... – lembraAmélia, franzindo a testa.Vitor acaricia o rosto dela:- Não pensa mais nisso. Eu sobrevivi.- Graças ao Dr. Gabriel...- E ao seu amor. Foi por você que eu lutei para continuar vivo.- Que bom... não sei se eu teria suportado ficar sem você, ainda mais sabendoque teria por culpa daquele... monstro.Ele olha nos olhos de Amélia:- Você nunca vai me perder, ouviu? Agora vamos esquecer tudo de ruim que agente viveu, e curtir esse dia lindo, sentir o vento no rosto... enquantoconhecemos as belezas do Vondelpark.- Vamos lá, então – ela concorda, sentando no selim e se posicionando parapartir.- Finalmente vou ver você andando de bike! – Vitor ri.- Você quer ver, é? – Amélia sai pedalando, e Vitor vai atrás.Trilha sonora: Loves Lookin Good On You – Lady Antebellumhttp://www.youtube.com/watch?v=OMsZVxnSJqAEles pedalam curtindo a visão das árvores, lagos e flores. De vez em quando,param para contemplar as obras de artes espalhadas ao longo do parque,como uma estátua de autoria de Pablo Picasso chamada em holandês de “Devis” (o peixe). Param também no coreto, que Amélia acha muito bonito e pedepara tirarem fotos nele.Seguindo o passeio, Vitor quase se desequilibra da bicicleta ao fazer umacurva. Amélia ri tanto que precisa parar para recuperar o fôlego. Vitor, que jáestava um pouco à frente, volta para junto dela:- Está rindo de mim, é?- Você quase caiu no meio do Voldenpark... desaprendeu a fazer curva, é? –ela continua rindo.- Admito, fazia bastante tempo que eu não pedalava, acho que perdi um poucoa prática. E eu prefiro percorrer outras curvas, se é que você me entende... –ele olha para Amélia de um jeito malicioso.
  33. 33. - Vitor! Você não sossega nunca?- Não – ele retruca, ainda olhando para o corpo dela.- Ai... melhor voltarmos a pedalar. Vamos – ela parte novamente.Vitor a segue, mas logo diz:- Vamos descansar um pouco ali, ó – ele sugere, apontando uma árvore diantede um lindo lago.Amélia concorda com a cabeça. Eles largam as bicicletas na grama e serecostam na árvore, abraçados. Ficam em silêncio, ele acariciando os cabelosdela, até que Amélia aponta para a água:- Olha lá, os patos! Que bonitinhos...- Que é isso, parece que nunca viu pato... – ele ri do entusiasmo dela – Vocênão morava numa fazenda, não?- Chato... – ela acaba rindo também – Claro que tinha patos na fazenda, masnão bonitos, assim, nadando num lago...- É, lá eles iam pra panela... humm, agora me lembrei do pato ensopado que aLurdinha faz... quando formos pra Girassol, vou pedir pra ela fazer pra mim.Amélia apenas ri, e Vitor continua:- Por falar em comida, você não está com fome? Já passou da hora do almoço.- Estou.- Então vem, tem um restaurante aqui no parque – ele avisa, ajudando-a alevantar.Após almoçarem, eles continuam pedalando pelo parque, parando de vez emquando para descansar, até ficarem exaustos.De volta ao hotel, tomam banho e se jogam na cama.- Não consigo mais mexer minhas pernas hoje – comenta Amélia.- Nem eu. Acho que pedalamos demais – Vitor ri.Eles se olham e caem na risada juntos. Amélia se aconchega nos braços deVitor, e logo os dois estão dormindo, vencidos pelo cansaço.O casal parte para Madri. No primeiro dia, já visitam o Museo del Prado, vendode perto obras como “As Meninas”, de Velásquez, além de telas de Rafael, ElGreco, Rembrant... Ficam horas no museu, contemplando os quadros. Depois,Vitor deixa Amélia no hotel e avisa que vai sair por alguns instantes,prometendo voltar logo.- Só concordo porque meus pés estão doendo, senão ia com você – elaressalta.- Aproveita para ficar quietinha... quero você bem descansada hoje à noite.- Ah, mais surpresas?- Claro. Deixa providenciar tudo, logo estou de volta – ele dá um delicado beijonos lábios de Amélia, que fecha os olhos para repousar.Como prometido, Vitor retorna em pouco tempo, trazendo uma sacola. Améliaainda está cochilando. Ele senta na beirada da cama e fica observando o sonodela, achando lindo. Amélia abre os olhos, e sorri ao vê-lo:- Vitor... – ela senta-se na cama – Dormi muito?- Não, acho que não demorei mais do que meia hora. Acabei de chegar.- É? Conseguiu arrumar tudo que você queria?- Consegui... a começar por isto – ele entrega a sacola para Amélia.
  34. 34. XIVEla tira de dentro da sacola um vestido de seda, rosa-chá, levemente plissado,longo e com decote profundo, com a cintura alta marcada por uma faixa damesma cor.- É lindo! – ela murmura, ainda contemplando o vestido.- Vamos sair para jantar mais tarde.- E você comprou esse vestido só para eu usar no jantar?- Gosto de ver ainda mais linda... como se isso fosse possível, porque você élinda de todo jeito.Amélia sorri:- Vou tomar um banho, então, e começar a me preparar.Vitor a acompanha com o olhar até que ela entre no banheiro.Depois do banho, Amélia prende os cabelos em um coque baixo, bemalinhado, faz uma maquiagem ressaltando os olhos e finalmente coloca ovestido. Vitor, que havia entrado no banheiro logo que ela saiu, voltaenxugando os cabelos com uma toalha e para ao vê-la já vestida:- Você está maravilhosa! E agora, como eu me visto para merecer acompanharuma mulher tão linda?- Deixa que eu escolho sua roupa – ela responde sorrindo.Vitor coloca terno e gravata, e eles partem para o restaurante.Logo que se acomodam numa mesa, Vitor pede um vinho, e eles fazem umbrinde, trocando olhares apaixonados.- Adorei esse lugar, com música ambiente... – comenta Amélia.- Tem espaço para dançar também, você viu?- É mesmo... – ela fica olhando para a pista de dança por alguns instantes.- Espera um pouco – ele se levanta e vai até o responsável pela aparelhagemde som, e pede uma música.
  35. 35. Trilha sonora: Adoro – Alejandro Sanz e Chavela Vargashttp://www.youtube.com/watch?v=YaqkIW2qn9M&feature=player_embeddedVitor retorna até a mesa e estende a mão para Amélia:- Me concede essa dança?Ela sorri e vai com ele para a pista, onde dançam de rosto colado, se deixandolevar pelo ritmo da melodia. Vitor sussurra trechos da música no ouvido dela:“Y me muero por tenerte junto a mí, cerca,muy cerca de mí, no separarme de tiY es que eres mi existencia, mi sentir,eres mi luna, eres mi sol, eres mi noche de amorYo, yo te adoro, vida, vida mía...”Amélia escuta com os olhos fechados, como se estivesse sonhando.Quando a música termina, Vitor ainda sussurra, cantando:- Yo te adoro, vida mía...E finaliza beijando-a com cuidado, ali mesmo no meio da pista de dança. Elesse olham como se tivesse acabado de viver um momento mágico, e Améliasorri de um jeito apaixonado. Depois Vitor a conduz de volta para a mesa,puxando a cadeira para que Amélia sente-se. Dá um beijo na mão dela e sóentão toma seu lugar de novo.- Quanto eu sonhei dançar assim com você, sem precisar se preocupar comnada... – ele comenta, contemplando-a.- É mesmo? – ela pergunta com doçura.- Naqueles tempos em Girassol, cada música romântica que eu ouvia, euimaginava nós dois dançando de rosto colado, como fizemos agora.- Eu também imaginava... embora eu tivesse tantos problemas familiaresnaquela época que nem me restava muito tempo para sonhar...Vitor acaricia a mão dela sobre a mesa, e se inclina um pouco para a frente,baixando o tom de voz:- Teve uma noite que eu até chorei, sozinho no quarto. Foi quando ouvi essamúsica que acabamos de dançar... Você estava presa na fazenda, e eu ali,precisando tanto de você ao meu lado para continuar vivendo...Amélia aperta a mão dele:- Nunca mais nós vamos ficar separados, nunca...- Nunca mesmo. Eu não vou deixar você sair de perto de mim. “Eres mi luna,eres mi sol...” – Vitor cantarola novamente.Amélia olha fixamente para ele:- Te amo.- Te amo – ele retribui, beijando a mão dela outra vez – Vamos pedir agora? Jáescolheu seu prato?- Você escolhe pra mim? – ela pede de um jeito meigo.- Ah, que responsabilidade...- Confio em você – assegura Amélia.Vitor sorri e faz o pedido, com pratos iguais para os dois.Após o jantar, enquanto voltam para o hotel, Vitor comenta:- Amanhã quero te levar no Real Jardim Botânico. Você, que gosta tanto deflores, vai adorar. Tem plantas do mundo todo, cerca de 5000 mil espécies deárvores, plantas e rosas coloridas.
  36. 36. - Jura? – ela pergunta, boquiaberta – Mas nós vamos conseguir ver tudo numdia?- A gente vai duas vezes, então. Tem outro lugar que precisamos visitar, oCentro de Arte Reina Sofia. É lá que está a famosa “Guernica”, de Picasso. Eujá estive lá, e acho que fiquei uma meia hora só diante dessa tela, examinandocada detalhe, quase hipnotizado.- Ah, quero ver também! Quando eu vinha para a Europa, ficava mais entre aFrança e a Itália, quase não conheço nada da Espanha.- Já comigo era o contrário. Pouco conhecia da Itália, mas de Madri eBarcelona, modéstia à parte, eu entendo. Quase namorei uma espanhola,sabia?- Como assim? – Amélia questiona sem perder o sorriso.- Ih, faz muito tempo isso, acho que foi na primeira vez que vim pra cá, nãotinha nem 20 anos ainda. Me apaixonei perdidamente por uma moça, aqui deMadri, inclusive. Mas ficamos juntos uma vez só, e já tive que voltar para oBrasil. Até trocamos telefones, mas acabamos perdendo totalmente o contato,nunca mais soube dela.- Ah... coisa do passado, então?- É, passado remoto. Meu presente agora é levar a mulher da minha vida aoslugares mais bonitos dessa cidade que eu adoro.Eles trocam um rápido beijo e continuam o caminho, abraçados.Amélia e Vitor passam os dias seguintes nesses passeios. No terceiro dia, elesestão chegando de volta ao hotel quando são abordados por uma bela moçade longos cabelos castanho-escuros.- Vitor e Amélia Vilar?XVOs dois se viram para a moça:- Sim?- São vocês mesmos? O casal da Rurbana?- Em carne e osso – brinca Vitor.
  37. 37. - Eu vi vocês no catálogo... Amélia, suas peças são maravilhosas! Mas até hojesó pude comprar essas pulseiras – a espanhola ergue o braço, mostrando trêspulseiras de capim dourado.- Obrigada. Logo nós vamos lançar uma nova coleção – agradece Amélia.A moça olha fixamente para Vitor, e fica por alguns instantes parecendohipnotizada. Finalmente, diz, ainda paralisada:- Você é ainda mais bonito ao vivo do que nas fotos...Vitor baixa os olhos, constrangido. Amélia o abraça e olha com firmeza para amoça, esforçando-se para não ser hostil:- É, eu também acho.A espanhola se dá conta da gafe:- Ah, desculpa! Não queria causar nenhum constrangimento... é melhor eu irembora. Adorei conhecer vocês pessoalmente – ela dá um sorriso amarelo ese afasta.Amélia a acompanha com um olhar nada amigável até que a moça suma davista deles. Ao seu lado, Vitor aperta os lábios para não rir.Eles entram no hotel, e pegam o elevador, apenas os dois. Amélia ainda estácom cara de raiva, e Vitor não se contém mais, cai na risada, quase chora detanto rir.- Qual é a graça? – pergunta Amélia, ainda zangada.- Você está tão bonitinha, assim, com ciúme... – ele brinca, entre risos.- Aquela zinha estava te devorando com os olhos! – ela exclama, impaciente.- E daí? Ela não vai pôr mais do que os olhos em mim...Amélia se desarma:- É verdade, desculpa... sou uma boba, né?- A coitada ficou com medo do seu olhar fuzilante... – comenta Vitor, ainda sedivertindo com a situação.Ela retruca com altivez:- Era para ficar mesmo... assim ela aprende a respeitar o meu homem.Ele muda de expressão, fica com a respiração quase suspensa:- Como, Amélia? O que eu sou? Repete pra mim...- O meu homem... só meu.Vitor puxa Amélia para os braços dele quase bruscamente e a beija com ardor.- Assim você me deixa louco... – murmura no ouvido dela, voltando em seguidaa beijar-lhe os lábios cada vez com mais intensidade, ao mesmo tempo em queas mãos percorrem o corpo dela como se quisessem tirar-lhe a roupa alimesmo.Amélia tenta reagir, mas não consegue, o desejo toma conta dela também.Trilha sonora: Fuego en el fuego – Eros Ramazzotihttp://www.youtube.com/watch?v=V9zb5G5sidcO elevador para no andar deles, que continuam aos beijos quando a portaabre. Eles saem para o corredor sem se soltar.- Calma, Vitor! – ela sussurra, tentando afastá-lo até chegarem ao quarto.Ofegante, ele a pega nos braços e anda o mais rápido possível para o quarto.Mal tranca a porta e já a coloca no chão, tirando-lhe a blusa com pressa, edescendo com beijos pelo colo, enquanto empurra-a até a cama. Améliatambém vai abrindo a camisa de Vitor, que termina de tirá-la sem abrir todos osbotões. Eles vão deitando na cama de qualquer jeito, tomados por um desejo
  38. 38. mais forte do nunca. E se amam intensamente, com urgência, como setivessem ficado muito tempo longe do corpo um do outro e não soubessemquando estariam juntos de novo.Quando despertam do sono depois do amor, Vitor contempla Amélia ali ao seulado e pede:- Diz de novo?- O quê? – ela se faz de desentendida, com um olhar travesso.- Você sabe... - ele retruca – Me chama do que você me chamou antes, vai...Amélia olha para ele como se estivesse pensando se ele merecia ou não, aindacom um jeito travesso. Morde o lábio e enfim, diz:- Meu homem...- Amélia... – ele murmura, trazendo para o mais perto possível de si e abeijando com paixão. Depois, olha nos olhos dela – Sou seu, sim... todo seu.Ela sorri, e ele continua, perguntando com ar de quem já sabe a resposta:- E você, é minha?- Você tem alguma dúvida?- Não... – ele afirma, juntando seus lábios aos dela novamente.Eles se deixam ficar na cama por mais algum tempo, trocando beijos e carícias,de um jeito mais ameno do que no início.Mais tarde, ainda na cama, eles conversam.- Aonde vamos amanhã? Ainda temos mais um dia em Madri, né? – perguntaAmélia.- Estava pensando em te levar no Parque de El Retiro. É o maior parque deMadri. A gente pode alugar um barco e passear pelo lago que tem lá...- Barco? Desde que você não queira conduzi-lo... – ela ri.- Ah, só porque eu deixei cair o remo da gôndola em Veneza? Mas uma coisadessa não acontece duas vezes... – ele tenta argumentar.- Melhor não arriscar – ela continua rindo.- Está bem, você venceu. Sem barco, então. Se bem que, eu até preferia teralguém remando por mim, assim eu posso concentrar toda a minha atençãoem você!- Devia ter pensado assim em Veneza... – ela provoca.- Tá, eu sei que fui culpado, que deixei a gente à deriva no meio do canal... nãoprecisa ficar me lembrando de disso – Vitor reage, um pouco chateado.- Estou brincando, amor... – Amélia se justifica, mas Vitor continua sério,parecendo incomodado. Então ela começa a dar beijinho pelo rosto dele, atéque ele sorri e junta seus lábios aos dela.XVI
  39. 39. Depois de passearem boa parte do dia pelo Parque de el Retiro, eles voltam aohotel para arrumarem as malas, pois partem no final da tarde. Enquantoconferem se nada ficou esquecido no quarto do hotel, Vitor comenta:- Que pena que já estamos indo embora. Se a gente ficasse mais uns dias,podia ver as touradas na Plaza de Las Ventas, que começam amanhã.Amélia olha para ele, surpresa:- Não acredito que você gosta de touradas... não tem pena dos touros?- Amélia, eu sou dono de frigorífico... Se eu tivesse pena de boi, já tinhamudado de ramo, não acha? – ele retruca com calma.- É mesmo... mas é diferente, você não maltrata os bois por esporte.- Entendo. Também não gosto daquelas touradas em que espetam o touro portodo lado, o fazem sangrar... bonito é ver o toureiro manejando a capavermelha, fazendo quase uma dança com o touro – Vitor explica com o olharmeio distante, de quem está relembrando cenas já vistas.- Acho que eu nunca vou compreender o prazer que algumas pessoas têm comesse tipo de espetáculo, desculpa – devolve Amélia, sem saber mais o quedizer.- Tudo bem, amor... – Vitor a abraça – É a sua forma de pensar, eu respeito.Além do mais, não vamos ver touradas mesmo... Barcelona nos espera.Trilha sonora: Por amarte – Enrique Iglesiashttp://www.youtube.com/watch?v=Sgs5_4clCpQ&feature=player_embeddedEles chegam a Barcelona à noite, e ficam descansando no hotel. No diaseguinte, logo cedo, Vitor leva Amélia para o porto da cidade.- É por aqui que você vai começar a conhecer Barcelona. Vamos subir na torrede Cristovão Colombo, tem um mirante lá em cima – ele explica.Quando alcançam o mirante, Vitor abraça Amélia por trás e diz:- Olha... daqui a gente tem um vista panorâmica do centro da cidade. Bem-vinda a Barcelona, meu amor...- É linda...Eles ficam algum tempo olhando a vista da cidade, abraçados. Depois vãodescendo as escadas lentamente, enquanto Vitor avisa:- Saindo daqui, nós vamos subir o monte Montjuic. Lembra da Olimpíada de92?- Lembro, sim.- O Montjuic foi a sede do Parque Olímpico. Lá também fica o Museu de Miró,você quer conhecer?Amélia para na escada e contém Vitor, passando os braços em torno dopescoço dele:- Quero conhecer tudo que você quiser me mostrar.- Ah, é? Tudo mesmo? – ele devolve com um sorriso malicioso.- Tudo – ela garante, aproximando seus lábios dos dele.Eles trocam um beijo apaixonado ali mesmo, no meio da escada. Sãointerrompidos por um grupo de turistas que tenta subir ao mirante. Amélia eVitor dão passagem e descem os degraus restantes aos risos, como um casaladolescente flagrado num beijo escondido.
  40. 40. No dia seguinte, eles passam algumas horas no Museu Picasso, admirando asobras do grande pintor espanhol, dispostas em ordem cronológicas. Depoisalmoçam num dos restaurantes do Parc Guell e saem a caminhar pelo parque,que, como fica no alto de uma colina, proporciona uma bela vista da cidade.Vitor avista um banco e convida Amélia para sentarem um pouco. Após seacomodarem no banco, ela olha em volta:- Quem lugar bonito, né? Esses jardins...- É, a gente pode vir pra cá um dia fazer um catálogo da Rurbana. Embora euache que se a gente decidir mesmo fazer as fotos em Barcelona, o Parc de laCiutadella pode ser um cenário ainda melhor. Diante da Fonte da Cascata!Vamos para o Ciutadella amanhã?- Vamos. Fiquei curiosa para conhecer essa fonte...Vitor fica pensativo por alguns instantes, olhando para Amélia:- Sabe o que lembrei agora? Daquele dia em que você e as meninasfotografaram para o primeiro catálogo. Fiquei te olhando de longe... doido parachegar mais perto.- Mas tinha um cão de guarda me vigiando... – ela recorda, com o olhar meiosombrio.- Não ia ter cão de guarda que me impedisse de ao menos te olhar naquele dia.Você estava tão linda! Tão linda... que naquela noite até sonhei que vocêchegou no meu quarto da estalagem vestida com a mesma roupa do ensaio, amaquiagem, o cabelo... Mas no sonho não era um aplique, eu desfiz o seupenteado e admirei os cabelos caindo por seus ombros, mergulhei no meiodeles para beijar sua nuca...- Nossa... – murmura Amélia – Sabe que também sonhei com você naquelanoite? No sonho, só havia nós dois, eu posando e você me fotografando. Acada clique você chegava mais perto, até dar um close nos meus lábios...Vitor a corta:- E aí larguei a câmera e te beijei, não foi?- Como você sabe? – ela ri.- Se você estivesse na minha frente, tão perto, eu não ia ficar só tefotografando, com certeza! – ele também ri.Ainda rindo, eles trocam um beijo.Mais tarde, os dois estão andando em direção à saída do parque quando umamoça que vem na direção contrária exclama:- Vitor?!O casal para, e Vitor olha para a moça, intrigado:- Desculpa, eu...- Você não está me reconhecendo? – ela interrompe, achando graça.Ele analisa atentamente o rosto dela, de traços fortes, adornado por cabeloscastanhos muito lisos, na altura dos ombros. De repente, fica surpreso:- Penélope? É você?- Estou tão diferente assim?- Muito. Eu lembrava de uma menina com cabelos pela cintura, rosto deboneca...Amélia escuta a tudo com a respiração quase suspensa.- É, meus cabelos estão bem mais curtos – responde Penélope, rindo.- Você está muito bonita – ele devolve com educação.- Obrigada. Já você não mudou tanto, continua com o mesmo rostinho de anjo.
  41. 41. - Ah, mudei sim, mais do que parece. Deixa eu te apresentar... – ele seguraAmélia pela cintura – essa é Amélia, minha esposa.- Prazer, Penélope – a moça cumprimenta Amélia.- Lembra que te contei que quase namorei uma espanhola? Foi a Penélope.- Ah... – murmura Amélia, discretamente analisando a moça.XVIIVitor continua se explicando:- Você viu, nem a reconheci de cara...- É, percebi – responde Amélia, ainda meio desconfiada, mas tentando sersimpática. Ela se dirige à moça – Você está morando aqui em Barcelona?- Sim, me mudei faz alguns anos. E vocês, passeando?- Estamos viajando pela Europa em lua-de-mel, não é, Vitor? – ela olha para omarido.- Isso mesmo – ele devolve meio sem graça, percebendo que Amélia estavacom um pouco de ciúme de Penélope.- Achei que vocês tinham vindo divulgar as peças da Rurbana. Elas fazem omaior sucesso aqui na Espanha, sabiam?Vitor sorri:- Está vendo, Amélia... não disse que a gente ia ganhar a Europa? Não é porser minha esposa, não, mas você a melhor designer de joias do mundo!- Ai, Vitor, não exagera... – ela retruca meio encabulada.- Se posso dar a minha opinião, acho suas peças lindíssimas, Amélia –comenta Penélope, mostrando o brinco que está usando, da Rurbana – Usomuito esse brinco, sabia?- É mesmo? Obrigada... – Amélia fica ao mesmo tempo feliz pelo elogio e semgraça por ter sido quase hostil com a moça.Vitor fica olhando para a ex-namorada por alguns instantes, ainda surpreso portê-la encontrado:- Penélope... há quanto tempo, né?- É, Vitor Vilar... faz anos que a gente perdeu o contato, aliás, que você não meligou mais – ela acusa em tom de brincadeira.- Quando voltei para o Brasil tive que assumir o frigorífico do meu pai, e daí emdiante minha vida foi só trabalho... – ele olha para a esposa - até conhecer aAmélia.Enquanto o casal troca um olhar apaixonado, Penélope os observa comadmiração. Depois ela convida:- Vamos tomar um café e conversar mais um pouco? Tem um café muito bomaqui pertinho.- Vamos, sim! – Vitor se empolga – Quero saber mais de você, o que tem feitoesses anos todos...- Então me acompanhem – Penélope sorri.Amélia segue Vitor, pensativa. Por mais que soubesse que não havia motivopara ciúme, sentia-se incomodada.No café, Vitor e Penélope recordam do curto namoro:- Lembra, Vitor, que nos conhecemos numa tourada?- Claro que eu lembro... vi você toda concentrada olhando os movimentos dotoureiro, e não tirei mais os olhos de cima de você, esqueci completamente daarena.
  42. 42. - Depois você tentou saber de mim através dos amigos que tinha feito emMadrid, não foi?- Eu quase subornei o Diego para que ele te levasse ao Real Jardim Botanico –Vitor dá uma risada.- Aquele que nós visitamos? – Amélia, sentindo-se deixada de lado, tentaentrar na conversa.- Aquele mesmo. Nós passeamos bastante por lá, sabia, Penélope? Achei oJardim ainda mais bonito do que eu lembrava.- Imagino. Mas quando passamos uma tarde lá acho que você nem reparoumuito nas flores... – a moça ri.- O Jardim eu tinha certeza que veria de novo. Já você... – retruca Vitor, rindotambém.- Mas foi tudo como tinha de ser, não acha? Tínhamos que viver aquelemomento, apenas aquele – pondera Penélope – É uma lembrança bonita quecarrego da minha adolescência.- Eu também. Sempre lembrei com muito carinho de você. Se tivéssemosinsistido numa relação à distância, poderíamos ter nos machucado, deixadomarcas não tão boas um no outro – ele concorda.- É... espero que você seja muito feliz com a Amélia. Vocês formam um casalmuito bonito – afirma a moça.Vitor olha para a esposa enquanto responde:- Eu já sou imensamente feliz, muito mais do que imaginei que pudesse ser.Amélia sorri para ele, lisonjeada.Penélope observa, achando lindo, e comenta:- Nossa, Amélia, não é qualquer homem que faz uma declaração dessas...- É, eu sou uma mulher de sorte – devolve Amélia, sem tirar os olhos de Vitor.- Bom, está na minha hora – avisa a moça – Felicidades pra vocês. Foi bom tever, Vitor.- Também gostei de te encontrar, Penélope – ele retribui.Trilha sonora: La Unica - Juaneshttp://www.youtube.com/watch?v=8_sUuOx6MJUDepois que a moça vai embora, Vitor acerta a conta e sai do café com Améliatambém.Eles caminham pela rua, abraçados, enquanto Vitor vai falando dos locais poronde passam. Amélia apenas escuta. Ele para e fica de frente para ela.- O que você tem, Amélia? Está tão calada...- Ah, Vitor, eu sei que é bobagem minha, mas... você ficou tão feliz em reveressa sua antiga namorada que eu cheguei a pensar que você tivesse sesentido balançado por ela – Amélia confessa meio constrangida, sem conseguirolhar para ele direito.- Não acredito que você pensou nisso, meu amor... – ele diz com ternura, elevanta o rosto dela – Olha pra mim... É você que eu amo e que vou amar peloresto da minha vida.- Eu sei, me desculpa. Você me perdoa?- Perdoo, sim... mas quero um beijo.- Aqui, no meio da rua?- Aqui mesmo... vem cá – ele a puxa para seus braços, segura em sua nuca ea beija com paixão, depois desce os braços para a cintura dela, e ergue Amélia
  43. 43. do chão, rodopiando com ela, que ri, feliz. Quando a coloca no chão de novo,Vitor a beija novamente e depois diz:- Sabia que a cada dia te amo mais?- É? Eu também – ela responde olhando nos olhos dele.- Então vem, chega de passeio por hoje. Vamos logo pro hotel – ele a puxapela mão, fazendo Amélia correr com ele pela rua.XVIIIEles chegam ao hotel aos risos, e ofegantes. Ao entrarem no quarto, Améliatranca a porta, e Vitor fica logo atrás dela. Quando ela se vira, ele coloca asduas mãos espalmadas sobre a porta, não deixando Amélia sair dali:- Você está presa – ele ri.- Ah, meu Deus... e agora, o que você vai fazer comigo? – ela responde,entrando na brincadeira.- Deixa ver... – Vitor chega mais perto, juntando seu corpo ao dela,pressionando-a contra a porta. Depois roça a barba no pescoço dela, fazendoAmélia arrepiar. Chega seus lábios perto dos dela, mas quando Amélia tentabeijá-lo, ele se afasta e sorri de um jeito malicioso – Não... ainda não- Ah... – ela reclama, devolvendo o olhar.Vitor se aproxima de novo dos lábios dela, mas em vez de beijá-la desce parao pescoço, que vai percorrendo com suaves beijos. Desce mais um pouco pelocolo, depois vai subindo pelo outro lado do pescoço, até chegar perto doslábios. Afasta o rosto outra vez e contempla Amélia, sorrindo ao ver os olhosdela brilhando de desejo. Só então toca os lábios dela com os seus, primeirode leve, depois ambos se entregam a um beijo intenso. Vitor vai recuando,
  44. 44. trazendo Amélia junto, sem parar de beijá-la, até caírem sobre a cama. Sempressa, vão tirando as roupas um do outro, sem pensar em mais nada alémdaquela vontade de terem seus corpos cada vez mais juntos.No dia seguinte, Amélia acorda com o barulho de uma leve batida na porta.Quando ela se ergue na cama, Vitor já está indo atender. Ele volta carregandouma bandeja de café da manhã, que coloca diante de Amélia:- Pedi para trazerem para nós – explica.- Humm, estou cheia de fome – ela comenta, analisando a bandeja.- Então vamos aproveitar – ele diz, colocando um pouco de mel num pedacinhode pão e levando até a boca de Amélia.Enquanto saboreiam o café da manhã, Vitor comenta:- Não visitamos ainda a igreja da Sagrada Família, que é a atração turísticamais popular de Barcelona. Esta catedral está sendo construída há mais de100 anos, sabia?- Sério?- Sim, e ela é uma das obras que Gaudi deixou pela cidade. Você vai ver ariqueza de detalhes dela, vai ficar impressionada.- Fiquei curiosa – responde Amélia, servindo-se de mais café com leite.- Combinado, então: primeira parada, Sagrada Família. Depois vamos para oParc de la Ciutadella, namorar diante da cascata...- Você quer namorar mais? Não vai enjoar de mim desse jeito? – ela brinca.- Enjoar de você? Não, meu amor... sabe que quanto mais eu te beijo, mais eugosto dos seus lábios? – ele devolve, aproximando seu rosto do dela.- Gosta mesmo? Tanto quanto eu gosto dos seus? – ela rebate, olhando paraos lábios dele.- Tanto ou até mais... – ele finaliza, beijando Amélia com paixão.No dia seguinte, quase no final da tarde, eles estão andando pelas Ramblas,famosas avenidas cheias de lojas, bares, restaurantes e cafés, comprandolembranças para os amigos de Girassol, quando Vitor olha a hora no celular eavisa:- Precisamos ir, amor, senão não chegamos a tempo no aeroporto.- As malas já estão prontas, é só passar no hotel e fechar a conta.- Então vamos logo.Ao saírem do hotel, pegam um pequeno engarrafamento no caminho, mas otaxista os tranquiliza, garantindo que chegarão à tempo.Quase em cima da hora, eles correm para fazer o check-in. Quando aatendente olha as passagens, acha estranho:- Mas o voo de vocês acabou de sair.- Como assim? Vamos pegar o voo das 18 horas – contesta Vitor.- Não, o voo era às 17h, olhem aqui – a moça aponta para o campo do horáriona passagem.- Não acredito que me enganei no horário – suspira Vitor, levando a mão àtesta.- E agora? – questiona Amélia, preocupada.- Vamos comprar outra passagem. Pode me esperar ali com as malas, Amélia– ele aponta para as cadeiras logo adiante – Eu fiz a confusão, eu resolvo –afirma, irritado consigo mesmo.

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