Estrutura do Acto de Conhecer - Resumo

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Estrutura do Acto de Conhecer - Resumo

  1. 1. RESUMO Filosofia Psicologia, JB - 2010 Jorge Barbosa, 2010 1
  2. 2. Saber  se  o  mundo  exterior  é   real    e  qual  a  consciência  e  o   conhecimento  que  temos   dele  é  um  dos  problemas   fundamentais  acerca  do   processo  de  recolha  e   tratamento  de  informação  a   que  chamamos   conhecimento.   Filosofia, JB - 2010 2
  3. 3. Que Conhecemos? A  simulação  tecnológica  de  situações  reais   reforça  as  dúvidas  sobre  a  existência  do   mundo  exterior.   Nos  jogos  digitais  ou  em  instrução  num   simulador  de  voo,  os  cenários,  os  heróis  e   vilões  são  virtuais  (não  têm  existência  fora   do  software  instalado  e  da  mente  do   jogador  –  um  erro  numa  manobra  de   pilotagem  não  causa  desastres)  e,  no   entanto,  parecem-­‐nos  reais.     O  mundo  em  que  vivemos  poderá  ser     também  uma  criação  gerada     pela  nossa  mente.   3 Filosofia, JB - 2010
  4. 4. Conhecimento, sujeito e objecto o  objecto   o  sujeito   a  existência  de  algo  (real,    existência  de  alguém   ou  virtual)  que  pode  ser   que  quer  conhecer     investigado     é a entidade humana o  objecto  percebido     que, dotada de capacidades ou  construído  pela  mente,   receptivas e cognitivas, isto  é,  aquilo  (coisa,  acção,   percepciona a realidade evento,  processo  interno  ou   e que se empenha externo  ao  corpo)  que,  sendo   na investigação da percepcionado  pelo  sujeito,   parcela da realidade pode  ser  investigado  e   que designa por explicado  (ou  seja,  pode   objecto. constituir  o  objecto  de   conhecimento     ou  objecto  de  estudo)   4 Filosofia, JB - 2010
  5. 5. Conhecimento Há interpretações do mundo que não são muito fiáveis (crenças em sentido amplo) e outras que merecem a nossa confiança, porque estão justificadas. Por exemplo, não acreditamos que o nosso cérebro esteja fora do nosso corpo, mas há quem acredite que o Sol se move em volta da Terra. Podemos chamar conhecimento às interpretações não justificadas? 5 Filosofia, JB - 2010
  6. 6. Epistemologia É preciso distinguir crença e conhecimento; mas o nosso problema não é discutir se acreditamos ou não, mas como é que justificamos a nossa crença. No domínio da Ciência e da Filosofia não basta acreditar (crer), é preciso justificar as crenças. É por isso que se pode dizer que a epistemologia é o estudo do conhecimento e a justificação da crença. 6 Filosofia, JB - 2010
  7. 7. Epistemologia Platão pergunta «O que é o conhecimento (episteme)?» e procura debater a diferença entre crença, ou opinião (doxa), e conhecimento, definindo crença como um determinado ponto de vista subjectivo e conhecimento como crença verdadeira e justificada. justificação da crença. 7 Filosofia, JB - 2010
  8. 8. Dúvida hiperbólica Argumentos que fundam o acto de duvidar A experiência mostra que: Os  sentidos   Há  homens   Temos  dificuldade   Por  nos   podem  errar   que  erram   em  identificar     enganarmos     algumas  vezes,   mesmo  ao   a  verdade,  pois     às  vezes,  não   logo,  não  são   raciocinar   às  vezes  não   sabemos  se  existe   dignos  de  crédito   distinguimos  sonho   alguma  certeza   total     e  realidade   Conclusão  provisória:  todo  o  conhecimento   pode  ser  falso,  por  isso,  vou  duvidar  de  tudo   (dúvida  hiperbólica  –  global).  
  9. 9. Descoberta da verdade Ao usar a dúvida metódica, Descartes descobre que ao duvidar está a pensar. E afirma: «Se duvido, penso, e se penso, existo.» Eu penso, logo existo (cogito) é a primeira e irrefutável certeza. A certeza ou a indubitabilidade do cogito resulta do modo como a apreendemos: impõe- se-nos como evidente. E é evidente, porque o percebemos com clareza e distintamente.
  10. 10. Critério de verdade, clareza e distinção Descartes generalizou a descoberta: tudo o que é concebido muito claramente e muito distintamente tem a mesma evidência que o cogito, logo, é verdadeiro.
  11. 11. Da ideia de Deus à existência de Deus Tenho  em  mim  a  ideia  de  um  ser  perfeito.   A ideia de um ser perfeito não pode ter origem em mim, porque sou imperfeito. Dado  que  conheço  perfeições  que  não   possuo,  tenho  de  aceitar  a  existência  de  um   Ser  que  seja  a  causa  de  mim     e  da  ideia  que  tenho  d’Ele.  
  12. 12. Da existência de Deus à existência do mundo material Uma vez que Deus é bom e perfeito, não nos engana. O  mundo  material  existe  e  é  de  natureza   diferente  do  pensamento  e  de  Deus.     Deus  é  a  garantia  de  que  é   As  coisas  materiais  ocupam  espaço,   verdadeiro  o  conhecimento   possuindo  características  quantificáveis.   apreendido  com  evidência,   isto  é,  com  clareza  e   Se  não  partirmos  das  informações  sensoriais   distinção,  ou  deduzido  dele.   (por  vezes  enganadoras)  e  respeitarmos     o  critério  de  evidência  podemos  conhecer.  
  13. 13. Dualismo cartesiano Admitida a existência do pensamento (res cogitans, ou «coisa» que pensa), de Deus e do mundo material (res extensa, ou «coisa» extensa), Descartes considera que: o  pensamento,  ou  espírito,   ou,  ainda,  alma  (res  cogitans)     o  ser  humano  é  constituído   é  diferente  e  distinto     por  alma  e  corpo  –     do  corpo  (res  extensa)   o  dualismo  cartesiano  
  14. 14. A existência de Deus e a verdade racional Uma vez que os sentidos nos enganam (pelo menos, às vezes), o  conhecimento   não  pode  ter     a  fonte  do   a  sua  fonte     conhecimento  é   a  existência  da   na  informação   a  razão,   alma  e  de  Deus  é   sensorial   racionalismo   mais  certa  do  que     a  existência  de   coisas  exteriores  
  15. 15. Refutação de Descartes David Hume recusa a dúvida metódica cartesiana por:  a considerar muito radical e inultrapassável  pôr em causa os sentidos Reconhece que os sentidos podem enganar e que, por isso, a sua informação deve ser apoiada com a razão. Reconhece que o cepticismo moderado é necessário à filosofia.
  16. 16. Sensação e razão Hume argumenta que: a  confiança  nos  sentidos  é  uma   quando  somos  forçados  pelo   espécie  de  instinto  natural,     que  nos  leva  a  admitir  a   raciocínio  a  afastar-­‐nos  dos  instintos   da  natureza,  ficamos  numa  situação   existência     de  um  mundo  exterior  à  nossa   embaraçosa     mente  (caso  das  casas  e  das  árvores)   as  representações  existentes  na  mente   as  nossas  representações   são  fornecidas  pelas  sensações  obtidas   através  da  experiência,  não  podendo  ser   mentais  têm  origem  nas   sensações   produzidas  pela  mente  ou  sugeridas  por   outro  espírito  (Deus,  por  exemplo)  
  17. 17. Recusa do racionalismo Hume argumenta que: justificar  a  veracidade  dos  sentidos  a  partir     de  Deus  conduziria  a  uma  conclusão  contrária     a  fonte  das  ideias   ao  que  se  queria  demonstrar   reside  nos   sentidos   se  adoptarmos  a  opinião  racionalista,   apartamo-­‐nos  das  nossas  inclinações   naturais  e  não  conseguimos  satisfazer     a  nossa  própria  exigência  racional  
  18. 18. Limites do conhecimento   todas as nossas ideias provêm dos sentidos   não há impressões acerca de leis universais ou de relações necessárias entre dois fenómenos (relações de causalidade) não podemos considerar o conhecimento como absolutamente verdadeiro. Por esta razão, Hume assume uma perspectiva de cepticismo moderado, rejeitando a atitude dogmática (própria do realismo ingénuo do senso comum).
  19. 19. Duas Escolas em confronto No início do século XVIII, há duas grandes correntes filosóficas acerca da origem do conhecimento:   o racionalismo (exemplo, Descartes, que fundamenta e valida o conhecimento a partir da evidência racional do «eu penso»)   o empirismo (exemplo, Hume, que fundamenta o conhecimento na experiência sensorial) Kant perguntou: poderão a razão e a experiência, KANT consideradas em conjunto, explicar 1724-1804 melhor a complexidade do processo de conhecer?
  20. 20. Pontos de partida de Kant Kant reconhece que o conhecimento implica: a  existência  de  informações   sensoriais  e  de  uma  capacidade   que  só  percepcionamos  e  explicamos   (do  sujeito)  para  as  captar   a  informação  sensorial  a  partir     de  uma  «formatação»     que  a  nossa  mente  não  é   uma  espécie  de  «cera»   passiva  que  se  limite                                           que  os  dispositivos  estruturais  da  razão   a  gravar  essas  informações   condicionam  a  experiência,   influenciando  a  concepção  do  mundo   que  o  sujeito  é  um  conjunto  de   dispositivos  (formas  da  sensibilidade                         e  formas  do  entendimento)  que   que  as  coisas  são  conhecidas  em   funcionam  como  um  programa  onde   função  das  características  da  nossa   as  informações  são  recebidas                                               estrutura  mental   e  interpretadas,  isto  é,  «formatadas»  
  21. 21. Duas fontes do conhecimento A tese defendida por Kant na Crítica da razão pura é:  o conhecimento resulta da aplicação de uma forma (conceitos a priori), produzida pelo entendimento, a uma matéria (fenómeno que é a posteriori e resulta do modo como a sensibilidade organiza as sensações) KANT, Crítica da razão pura  o conhecimento tem, portanto, duas fontes independentes, uma racional e outra empírica
  22. 22. Argumentos de Kant Existem duas fontes do conhecimento: a  fonte  empírica:     recebe  as  representações  sensíveis     a  sensação  é  o  elemento   (é  nela  que  o  objecto  percebido     empírico  do  conhecimento:   ou  construído  pela  mente,  é  dado     é  a  posteriori   ao  sujeito)   a  fonte  racional  (ou  pura):     o  conceito  é  o  elemento   organiza  as  representações                       puro  do  conhecimento:     (é  nela  que  o  objecto  percebido  é   pensado  mediante  os  conceitos)   é  a  priori  
  23. 23. Argumentos de Kant Características das faculdades que permitem ao sujeito que o objecto lhe seja dado e o possa pensar: o  conhecimento  resulta  da  colaboração  entre  a  sensibilidade     e  o  entendimento.  Sem  a  sensibilidade  nenhum  objecto  nos     é  dado;  sem  o  entendimento  nenhum  objecto  é  pensado   nenhuma  destas  faculdades  (sensibilidade  e  entendimento)  tem   primazia  sobre  a  outra:  o  conhecimento  não  é  possível  nem   válido  sem  a  existência  de  intuições  e  de  conceitos,   interligados:  «Pensamentos  sem  conteúdo  são  vazios;   intuições  sem  conceitos  são  cegas.»  (Kant)  
  24. 24. Apriorismo Apriorismo é a concepção segundo a qual o conhecimento resulta da aplicação de uma forma, a priori (conceitos puros, ou categorias do entendimento) a uma matéria, a posteriori (as intuições sensíveis).
  25. 25. Apriorismo, racionalismo e empirismo Kant concorda com Kant discorda dos: os: racionalistas   racionalistas   a  razão  é  o  elemento  determinante   a  razão,  sem  o  contributo  da  experiência,   no  processo  de  conhecer   não  pode  conhecer  o  mundo   empiristas   empiristas   o  conhecimento  exige  que  o  sujeito  possua  formas   não  existe  conhecimento  sem     a  priori  (da  sensibilidade)  para  receber  os  dados                         o  contributo  da  experiência   da  experiência  e  formas  a  priori  (do  entendimento)   para  organizar  os  dados  sensíveis  e  construir                         o  objecto  do  conhecimento   O  conhecimento  é  uma  construção  mental  que  exige  dados  (a  posteriori)     e  formas  (a  priori).  
  26. 26. nt o Con hecime Mente Descartes - Hume Kant Jorge Barbosa, 2010 Psicologia, JB - 2010 26

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