Interdisciplinaridade em língua inglesa

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Interdisciplinaridade em língua inglesa

  1. 1. GOVERNO DO ESTADO DO TOCANTINS SECRETARIA DA EDUCAÇÃO E CULTURA DIRETORIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA COORDENADORIA DO ENSINO FUNDAMENTAL A Língua Inglesa navegando ao sabor da Interdisciplinaridade Iveti da Silva Bacri É fato comprovado que o ensino de um componente curricular de forma isolada, fragmentada, não atende às necessidades dos alunos e não favorece o processo de ensino e aprendizagem numa dimensão integral e isso também vale para o ensino de Língua Inglesa. Nesse sentido, nada melhor do que uma abordagem interdisciplinar . De acordo com os objetivos gerais do ensino da Língua Inglesa, já abordados na proposta curricular, não podemos nos esquecer de que a aprendizagem de uma língua estrangeira é uma atividade emocional e não apenas intelectual, ou seja, o aluno é um ser cognitivo, afetivo, emotivo e criativo e assim sendo o trabalho interdisciplinar vem corroborar com essa busca da totalidade do conhecimento, respeitando-se a especificidade das disciplinas. Assim, a intencionalidade e o rigor tornam-se características fundamentais de uma forma de pensar e agir interdisciplinar que se caracteriza pela ousadia da busca, da pesquisa, da transformação. A compreensão de interdisciplinaridade que norteia este trabalho , não é de uma categoria do conhecimento, mas de ação e é sobre isso que estaremos dialogando. É importante lembrar que uma ação pedagógica interdisciplinar requer, antes de tudo, uma atitude interdisciplinar. Para isso é necessário que os objetivos pedagógicos sejam comuns para que haja uma interdependência e ao mesmo tempo complementaridade entre as disciplinas. De acordo com Ivani Fazenda “Não se faz interdisciplinaridade da intuição ou da moda, sem regras, sem intenções explícitas...” O que se deve destacar neste fundamento é a importância do exercício do diálogo realizado com nossas próprias produções, objetivando extrair 1
  2. 2. destes diálogos novos conhecimentos, novas posturas, novos indicadores, enfim, novas possibilidades de trabalho. Outro fundamento importante para a prática interdisciplinar consistente é a parceria, que consiste numa tentativa de incitar o diálogo com outras formas de conhecimento que não estamos habituados, e nessa tentativa a possibilidade de interpenetração delas. Nós educadores, somos e temos que ser parceiros de outros educadores que entendem a educação como um mecanismo de melhoria da condição social dos educandos, parceiros dos teóricos que lemos, parceiros de nossos alunos, de alguma forma estamos sempre em parceria. A parceria, seria então, a possibilidade de um pensar que venha a se complementar no outro. Acreditamos que o sentido de um trabalho interdisciplinar está exatamente na compreensão e na intencionalidade de efetivação de novas, melhores e mais consistentes parcerias. É portanto, correto e coerente afirmar neste momento que interdisciplinaridade é fruto, muito mais, do encontro de indivíduos, parceiros com idéias e disposição para o trabalho, do que de disciplinas. Segundo Danilo Gandin “O longo vôo das aves, desde o gelado Canadá ao calor do Brasil, ultrapassa todas as dificuldades, porque as aves sabem o seu destino”, ou seja, têm um objetivo comum e sabem ser parceiras na longa jornada. A Interdisciplinaridade busca conseguir uma visão mais ampla e adequada da realidade, que tantas vezes aparece fragmentada pelos meios de que dispomos para conhecê-la e não porque o seja em si mesma. Com a interdisciplinaridade questiona-se a segmentação dos diferentes campos de conhecimento. Busca-se os possíveis pontos de convergência entre as várias áreas e a sua abordagem conjunta, propiciando uma abordagem epistemológica entre as disciplinas. Com ela aproximamo-nos com mais propriedade dos fenômenos naturais e sociais, que são normalmente complexos e irredutíveis ao conhecimento obtido quando são estudados por meio de uma única disciplina. As interconexões que acontecem nas disciplinas são causa e efeito do caráter interdisciplinar. Ao se trabalhar com a Língua Inglesa, faz-se necessário relacioná-la com a cultura dos países que a falam, uma vez que a língua é uma das representações da cultura de um povo e é por meio dela que essa cultura é disseminada. Sendo cultura o complexo dos padrões de comportamento, das crenças das instituições, das manifestações artísticas, intelectuais, etc., transmitidos coletivamente, e típicos de uma sociedade, cabe ao professor de inglês discutir com os alunos os assuntos mais relevantes relacionados aos diversos aspectos culturais acerca dos 48 países que têm a Língua Inglesa como oficial ou como segunda língua relacionando-os com o Brasil. O professor poderá sugerir aos alunos, por exemplo, uma pesquisa sobre a localização geográfica cabendo a eles a escolha de alguns desses países para uma pesquisa mais objetiva quanto ao sistema de governo, população, moeda corrente, hábitos, 2
  3. 3. costumes e curiosidades que envolvem os países estudados no intuito de ampliar os conhecimentos culturais os quais deverão ser utilizados quando o professor estiver tratando os conteúdos relacionados ao conhecimento sistêmico podendo fazer associações entre os países pesquisados em relação ao Brasil numa tentativa de ressignificar as informações sobre as estruturas da língua. Dessa forma estaremos despertando os educandos para a importância da aprendizagem da Língua Inglesa no que se refere a sua hegemonia do mesmo modo que estaremos tornando a aprendizagem mais significativa. A aprendizagem de uma língua estrangeira, neste caso a Língua Inglesa , contribui para o processo educacional como um todo, indo muito além da aquisição de um conjunto de habilidades lingüísticas. Um aspecto a ser considerado do ponto de vista educacional é que o estudo das outras disciplinas, notadamente História, Geografia, Ciências Naturais, Arte, passa a ter outro significado se, em certos momentos, forem proporcionadas atividades integradas com o ensino de inglês. Na perspectiva de se dar um tratamento mais amplo ao conteúdo das disciplinas cada componente disciplinar tem a sua parcela de contribuição. E a Língua Inglesa pode, nesse caso, “tomar emprestado” conteúdos de outras disciplinas para trabalhar essa nova língua abordando assuntos e conteúdos significativos para os educandos. O professor de Inglês que pretende se integrar a outros campos do conhecimento precisa, antes de mais nada, apropriar-se de alguns aspectos de outras disciplinas, tais como: pressupostos teóricos, objetivos gerais, eixos norteadores , para que essa integração seja possível. Tomando- se por exemplo, um dos eixos norteadores de Ciências “Ser Humano e Saúde” e de Educação Física “Conhecimento sobre o corpo”, levando-se em conta que o crescimento e o desenvolvimento na puberdade é um assunto que desperta muito o interesse e leva os adolescentes a ler e discutir sobre ele e, aproveitando essa motivação natural dos alunos, o professor de inglês poderá fazer uma grande articulação ao relacionar seus conteúdos com essas disciplinas e não necessariamente com o professor. Antes mesmo de explorar a língua inglesa o professor fará um levantamento dos conhecimentos prévios de seus alunos a respeito da alimentação adequada para o desenvolvimento saudável do corpo no sentido de conscientizá-los sobre a dieta adequada aos diferentes estilos de vida e conseqüentes necessidades: a dieta do atleta, do bancário, do jogador de basquete e, é claro a dieta pessoal mais correta para cada estudante levando-se em conta as atividades que realizam no seu dia a dia. Uma vez realizada essa técnica que em inglês chamamos de “warm-up” , o professor de Inglês se valerá dos conhecimentos dos alunos para trabalhar um texto em Inglês que aborde o mesmo assunto . Dessa forma, os alunos sentirão mais facilidade com relação ao vocabulário que o compõe, uma vez que o tema em questão já fora abordado na 3
  4. 4. língua materna e, portanto, o interesse pelo texto será maior, pois o uso do contexto e a familiaridade com o assunto são estratégias de compreensão que precisam ser exploradas e usadas constantemente durante as aulas. Após esse trabalho com o texto, o professor poderá explorar ainda mais o vocabulário, solicitando aos alunos pesquisas relacionadas aos diversos tipos de alimentos, frutas, atividades físicas, esportes e em seguida utilizar-se desse vocabulário pesquisado para elaboração de pequenos diálogos ou textos relacionados aos gostos e preferências pessoais dos alunos. É nesta fase que o professor incluirá o conteúdo sistêmico que, diferentemente de um trabalho que centra a atenção em itens lexicais ou gramaticais isolados e descontextualizados, aparece neste caso, como parte da ação comunicativa e é ensinado como instrumento para melhor compreensão e produção de um determinado tipo de texto. Assim, as questões sistêmicas da língua são consideradas a partir de sua relevância para o tipo de texto enfocado, da mesma forma que os itens escolhidos deverão ser os mais significativos em relação ao nível de aprendizagem e necessidades da turma, contribuindo assim, para a aprendizagem no que diz respeito as várias maneiras de se abordar um mesmo conteúdo disciplinar. Para finalizar, o professor poderia solicitar aos alunos que elaborassem um cardápio de acordo com as preferências da turma e realizasse um breakfast em uma das aulas de Inglês explorando mais uma vez o vocabulário pesquisado e estruturas gramaticais estudadas, não se esquecendo que estes deverão ser abordados de acordo com o nível de aprendizagem do educando. As tentativas de ações interdisciplinares não são recentes, porém sua prática efetiva tem sido um desafio constante a nós educadores, que acreditamos ser vital à educação a construção de um espírito investigatório pelos nossos educandos, baseado no hábito do debate e da pesquisa . Portanto, é necessário rever os fundamentos que constituem em uma reflexão indispensável no sentido de nos capacitar e nos levar à interdisciplinaridade. Como no exemplo citado anteriormente, envolvendo as disciplinas de Ciências e Educação Física e que poderia, caso o professor assim o quisesse, envolver outras disciplinas como o Português, Arte e, conforme afirma a experiente educadora Ivani Fazenda, que muito tem contribuído nas reflexões sobre este tema: “a interdisciplinaridade é ação, ação que transforma e constrói o novo”. Para ela a atitude interdisciplinar é a compreensão e vivência do momento dialético, ou seja, “rever o velho para torná-lo novo, tornando novo o velho. O pressuposto é que o velho sempre pode tornar-se novo e há sempre algo de velho no novo. Velho e novo, faces da mesma moeda, depende apenas da visão de quem lê, se o faz disciplinar ou interdisciplinarmente”. 4
  5. 5. O trabalho interdisciplinar além de ressignificar o conteúdo escolar, rompe a divisão hermética das disciplinas, e em Língua Inglesa vem favorecer no sentido de ampliar o espaço para o trabalho com a língua, não ficando, portanto restrito a apenas duas aulas semanais, visto que os alunos estando motivados e envolvidos , pesquisam e promovem a interação entre as disciplinas. Trabalhando interdisciplinarmente o interesse pelas aulas por parte dos alunos aumenta, cultiva-se o desejo de enriquecimentos por enfoques novos, o gosto pela combinação das perspectivas e alimenta o gosto pela ultrapassagem dos caminhos já percorridos e dos saberes adquiridos. É imprescindível salientar que a criação de um ambiente de confiança, respeito às diferenças e reciprocidade, encoraja o aluno a reconhecer os seus conflitos e a descobrir a potencialidade de aprender a partir dos próprios erros. Da mesma forma, o professor não terá inibições em reconhecer seus próprios conflitos, erros e limitações e em buscar sua depuração numa atitude de parceria e humildade diante do conhecimento o que caracteriza a postura interdisciplinar. O professor que pretende ingressar nessa aventura interdisciplinar precisa estar preparado para ser um consultor, articulador, mediador, orientador, especialista e facilitador dos processos que envolvem o ensino e a aprendizagem dos alunos. Por isso se torna fundamental estar consciente de que ninguém educa com idéias “ensinadas”, ter coragem de sempre fornecer a sua razão, razões para mudar e principalmente não cultivar o gosto pelo “porto seguro” ou pela certeza do sistema, porque nosso conhecimento nasce da dúvida e se alimenta de incertezas. Seria pretenciosa e até mesmo enganosa nossa atitude se não reconhecêssemos as falhas, pois são com elas que aprendemos a fazer melhor e com maior qualidade o nosso trabalho. Não podemos nos esquecer de que é o planejamento que dá eficácia ao trabalho interdisciplinar e não o improviso. Enfim, ao caminharmos em direção à interdisciplinaridade espera-se que não perpetuemos a linha tradicional de ensino, na qual se tenta ensinar regras ou estruturas gramaticais para os alunos que, possivelmente, jamais irão aplicá-las. Mas que busquemos novas e próprias maneiras de ensinar, através de uma atitude inovadora, ousada e criativa e que, ao trilhar por caminhos “nunca dantes navegados” não percamos de vista nosso objetivo maior que é a aprendizagem dos alunos e entendamos que, ultrapassando as ondas mais turbulentas encontradas durante o percurso, é que descobriremos o verdadeiro sabor da interdisciplinaridade. 5
  6. 6. Bibliografia: Brasil. Secretaria de Educação Fundamental. PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS : terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental: língua estrangeira/ Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília: MEC/SEF,1998. FAZENDA, I. C. A. Integração e Interdisciplinaridade no Ensino Brasileiro. Ed.Loyola, São Paulo,1993. _________________. Interdisciplinaridade: Um projeto em parceria. São Paulo: Loyola, 1993. FERRARI, Marisa T. e RUBIN, Sara G. – English Clips: Manual Pedagógico, São Paulo, Ed. Scipione,2001. HOLDEN, Susan e ROGERS, Mickey. O ensino da língua inglesa, São Paulo: Special Book Service, 2002. 6

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