A pax romana e a eirene do Cristo

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A pax romana e a eirene do Cristo

  1. 1. PAX ROMANA E A EIRENE DO CRISTO* Israel Serique** Resumo: a pax romana foi um período de tempo e um conceito ideológico que o Império Romano massificou com vistas a justificar muitas de suas práticas violentas, discriminatórias e injustas no esta- belecimento e fortalecimento da estrutura imperial. No contrafluxo desta ação de Roma, Jesus, o chamado Cristo, oferece aos seus seguidores uma paz que o mundo romano não poderia dar. O presente artigo tem como finalidade apresentar os conceitos díspares presentes nesta paz do Cristo em contraposição à pax romana. Palavras-chave: Pax Romana. Eirene. Paz.A PAX ROMANAAs Origens Remotas do Império RomanoF alar sobre o grande Império Romano é relembrar como a história hu- mana nos apresenta exemplos que nos mostram até que ponto umpovo simples pode ir em seus ideais de conquistas e expansão territorial.Sua origem aponta para os três povos dos quais este grande império resul-tou, ou seja, italiotas, etruscos1 e dos gregos, que habitaram na penínsulaitálica. Nesta região, estes povos, a princípio, desenvolveram atividadeseconômicas voltadas para o cuidado de rebanhos e agricultura. De sua estrutura política, sabe-se que a monarquia era a formapela qual esta região era governada, tendo como estrutura orgânica umaFRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 21, n. 1/3, p. 119-134, jan./mar. 2011. 119
  2. 2. sociedade formada pela classe dos patrícios e plebeus. A primeira classe,composta pelas famílias detentoras das posses das terras, e, a segunda, depequenos proprietários, comerciantes, artesãos e outras atividades. Em um segundo momento de sua história, que podemos aqui cha-mar de período republicano, Roma viu o Senado alcançar grande influênciae poder político. Neste período, o Senado, composto por pessoas oriundasda classe dos patrícios, exercia os cargos relacionados à administração dascausas e coisas públicas (entre elas as finanças) e da política externa.2 Sua expansão territorial deu-se, em linha gerais, primeiramente,com a dominação da península itálica. Já no século III a.C., através daliderança do general Aníbal, os romanos vieram a dominar os cartaginen-ses e alcançar importante posição no mundo antigo, visto que esta vitóriapossibilitou sua hegemonia sobre o Mar Mediterrâneo e regiões vizinhas. Tendo dominado Cartago, o império Romano seguiu o seu pla-no de expansão conquistando respectivamente a Grécia, o Egito, a Síria,a Palestina etc. Esta caminhada expansionista impôs, sobre o mais novoImpério, grandes desafios administrativos nas causas públicas internas eexternas; além do que, também, fomentou um grande fluxo de comércioentre as cidades romanas e entre o Oriente e o Ocidente. Neste período histórico, no qual o Império Romano esteve na hege-monia, um elemento de fundamental importância para a manutenção doseu poderio foi a tão conhecida “pax3 romana”. Esta expressão é designada para indicar o período compreendido,relativamente, entre o reinado de Augusto César, no ano de 29 a. C. –quando este decretou o fim do ambiente de guerra civil – e estendeu-se atéo ano de 180 com a morte do imperador Marco Aurélio. Entretanto, a pax romana deve ser considerada muito mais do queum mero período histórico. Existem nesta expressão, primeiramente, açõespolíticas e militares que procuraram garantir uma relativa estabilidade nes-te tão extenso Império; e, em segundo lugar, há um forte teor ideológicoque procurava mascarar o sistema de perseguição, exploração, morte e as-simetrias existentes no Império. Entender esta assertiva requer do pesquisador uma análise do con-texto histórico no qual o Império Romano se construiu. Em primeirolugar, é preciso que se lembre que o Império Romano se estendeu poruma vasta região, que historicamente tinha uma tradição de guerras en-tre povos vizinhos e dominação de outros grandes impérios.4 Aliás, suaprópria ascendência no quadro político daquela região se deu através demuitas guerras.120 FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 21, n. 1/3, p. 119-134, jan./mar. 2011.
  3. 3. Outra questão é que os povos conquistados possuíam línguas, va-lores e culturas muito diferentes. Estes elementos, somados ao fato de es-tarem sob julgo de outro povo, tornava o Império Romano um caldeirãofervendo de possibilidades mil de tensões, revoltas e sublevações. Tal con-texto histórico beligerante, tornava premente ações que deveriam ir alémda romanização destes povos. Era preciso estabelecer meios conducentes àtranqüilidade, segurança, ordem e paz por todo o território imperial. O estratagema romano para este fim deu-se por várias vias. A pri-meira que podemos citar é que, na medida em que os exércitos avançavam,havia a transmissão dos elementos culturais ligados à língua, valores, re-ligião etc., de Roma. Em segundo lugar, a estrutura econômica, social epolítica, advindas com a presença das legiões,5 que se fixavam em determi-nadas cidades e davam o ar do modo de ser e viver romano, fomentavam odesenvolvimento da economia local e outros valores que contribuíam paraque houvesse uma relativa aceitação da soberania romana ou, pelo menos,os benefícios de seu governo. Por fim, a presença física do exército impunha, às regiões sobreseus auspícios, o clima de segurança, estabilidade e paz, diante das sempreeminentes possibilidades de revoltas ou invasões dos povos fronteiriços aoImpério. Sob este clima de paz, o Império Romano estabeleceu sua hegemo-nia política, administrativa, fiscal e judicial, fixando-se sobre aquele exten-so território conquistado6. De fato, não há que se duvidar que as legiõese as outras estruturas do exército romano muito contribuíram para criaruma conjuntura favorável ao desenvolvimento material das regiões con-quistadas, a difusão da civilização romana e o clima de estabilidade e paz.A Pax Romana Como já foi exposto acima, a pax foi um dos meios que o ImpérioRomano lançou mão para assegurar sua hegemonia e justificar sua posiçãode mando no tempo antigo. Entretanto, como esta paz foi construída?A que preço ela foi estabelecida? Quais os personagens históricos que,de fato, usufruíram de todas as suas benesses? E quais os estrados da so-ciedade que ficaram à margem deste sistema ou foram completamenteexcluídos deste? As respostas para estas indagações se constroem na análise dos fatoshistóricos concernentes a este período do império romano, e tomando-secomo elementos de análise – dentro daquilo que é passível de averiguaçãoFRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 21, n. 1/3, p. 119-134, jan./mar. 2011. 121
  4. 4. – todas as vozes dos sujeitos históricos envolvidos, visto que, em todos osfatos sociais, as vozes sempre são dissonantes, pois sempre existem discre-pâncias nas narrativas, em paralelo, dos vencedores e dos vencidos. Comoafirma Wengst (1991, p. 19): O olhar “a partir de cima” sobre o brilho de Roma não faz perceber toda a realidade. Ele apresenta contexto de sentido contradito pelas vítimas. Seria importante inverter a perspectiva numa percepção “a partir de baixo”, para que a realidade experimentada como sofrimento não seja entregue ao es- quecimento através de glorificação e para que os vencedores da história não triunfem novamente sobre suas vítimas da descrição da História. Sendo assim, portanto, como era a pax oferecida por Roma e a quecusto ela foi estabelecida? Sob a perspectiva dos interesses imperiais, a pax era a forma admi-nistrativa pela qual Roma viabilizava a sua unidade territorial e política.O fim primeiro dela era o bem estar dos dominantes e a manutenção detoda a estrutura de poder implementada pelos romanos. Neste sentido, apax era dos romanos e para estes. Segundo Wengst (1991, p. 19), A Pax Romana está, de acordo com isto, indissoluvelmente ligada ao Im- pério Romano, ao poder de comando a partir de Roma. Com isto torna-se claro, já a partir dos conceitos, que é uma paz determinada “de cima”, estabelecida pelo centro do poder. E, tomando-se isto como fato, o uso da espada, da violência e detantas outras atrocidades contra gênero humano, foram facilmente justifi-cadas sob a sentença que a paz estava sendo construída. Aliás, certamentenão foi por acaso que, na primeira vez que a Pax Romana foi mencionada,a pessoa do imperador foi colocada como sendo o chefe do exército e que oaltar da paz de Augusto foi um altar para holocausto, no Campo de Marte7(WENGST, 1991, p. 21). Estes dois contundentes símbolos imperiais (a pessoa do imperadore a religião) reforçavam que a estabilidade no Império era o bem maiorque se poderia almejar. Por isso, tanto o poder político (representante dosdeuses na terra) como o poder religioso (o próprio deus Marte) estavamunidos nesta mesma “guerra” por estabelecer a paz. Tal assertiva equivalia dizer que, se o próprio deus Marte estava en-volvido nesta empreitada, então, os que se opunham a ele deveriam sofrer122 FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 21, n. 1/3, p. 119-134, jan./mar. 2011.
  5. 5. as conseqüências de suas ações por meio dos seus braços históricos queeram as legiões romanas. Uma boa ilustração sobre o que foi isto, nós aencontramos na citação que Reimer faz de Tácito: [...] mais perigosos do que todos são os romanos [...] Esses ladrões do mundo, depois de não mais existir nenhum país para ser devastado por eles, revolvem até o próprio mar [...] Saquear, matar, roubar – isto é o que os romanos falsamente chamam de domínio, e ali onde, através de guerra, criam um deserto, isto eles chamam de paz [...] As casas são transformadas em ruínas, os jovens são recrutados para a construção de estradas. Mulhe- res, quando conseguem escapar das mãos dos inimigos, são violentadas por aqueles que se dizem amigos e hóspedes. Bens e propriedades trans- formam-se em impostos; a colheita anual dos campos torna-se tributo em forma de cereais; sob espancamentos e insultos, nossos corpos e mãos são massacrados na construção de estradas através de florestas e pântanos [...] (TÁCITO apud REIMER, 2006, p. 74-5). Aqui, portanto, não apenas legitimam-se as ações brutais mas, tam-bém, fomenta-se um quadro de completa indiferença para com os sofri-mentos daqueles que eram alvejados pelos soldados romanos, visto queesses, merecidamente, estariam recebendo o castigo por tentarem colocarem perigo a paz imperial. Sendo assim, portanto, embora desejada e louvada por aqueles queestavam no poder, a pax oferecida, dominava, afligia e matava uma parteconsiderável da população do Império, ou seja, os escravos, as mulheres,os estrangeiros etc. Nesse sentido, então, é de suma importância que seanalise a pax romana sob a perspectiva daqueles que serviram de estradospara os pés desta conjuntura política, econômica, cultural e bélica, umavez que, por detrás da gloriosa civilização romana e suas conquistas, existiuuma multidão de vítimas do sistema imperial que não podem ser ignoradase silenciadas (WENGST, 1991, p. 19). E das muitas guerras que se avolumavam não poucas pessoas eramfeitas escravas. A escravidão em Roma seguia seu curso de coisa normal aser aceita. Nas palavras de Wengst: O sistema de escravatura e a escravatura como sistema, escravatura elevada à potência como acontecimento natural – este cinismo dos dominadores torna claro que a liberdade da paz romana é, em primeira linha, liberdade romana [...] A liberdade romana e a paz baseada no poder das armas são,FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 21, n. 1/3, p. 119-134, jan./mar. 2011. 123
  6. 6. na realidade, dois lados da mesma medalha. A partir de Roma, do centro, podia-se falar sobre ‘paz e liberdade’ de modo diferente do que na provín- cia [...] (WENGST, 1991, p. 40). Sendo assim, após os dados supracitados, pode-se concluir que, pri-meiramente, a pax romana visava tão somente os interesses egoístas doImpério Romano. Sua generosidade estava escancarada aos poderosos deRoma, mas relativamente aberta aos estrangeiros na medida em que o im-pério pudesse obter algum lucro nesta relação. Em segundo lugar, os pobres, os escravos, as crianças, a mulheresetc., não eram contemplados como prioridade na pax romana. Criançaseram vendidas como escravas, mulheres eram violentadas, os pobres aindamais eram explorados. O sistema injusto de Roma não oferecia às pesso-as dos estrados mais baixos da sociedade possibilidades de crescimento.Havia, sim, um esquema de achatamento e exploração social das camadasmais pobres do Império. Em terceiro lugar, as relações de gênero na pax alargavam as assime-trias e fomentavam um clima de desvalorização e exploração da mulher.Como já foi exposto acima, em tempos de pax romana, muitas mulheresforam violadas, humilhadas e mortas. Não se encontrava nestas a digni-dade de um ser humano no mesmo pé de igualdade com homem. A pax,além de ser para os romanos, era também para os homens. Por fim, os poderosos de Roma utilizavam a pax como meio ideo-lógico para legitimar as atrocidades que eram praticadas. Todas as açõesse tornavam legítimas em nome da boa ordem e funcionalidade do Im-pério. Neste esquema de poder, portanto, aqueles que procuravam de-nunciar as injustiças tinham a voz silenciada e, geralmente, a via paraisto era a morte.A EIRENE DO CRISTORoma na Palestina O tempo do ministério público de Jesus coincide exatamente comeste período histórico no qual Roma tem sobre seu domínio a Palestina.Segundo Daniel-Rops (1991, p. 44,45) a presença dos romanos em solojudaico deu-se em tempos de grande crise política entre os filhos de Ale-xandra, Hircano II e Aristóbolo, que fomentavam um clima de guerracivil, para a qual se tornava premente um árbitro.124 FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 21, n. 1/3, p. 119-134, jan./mar. 2011.
  7. 7. Em 65 a.C., Pompeu, apoiando Hircano, entrou em Jerusalém paratratar com Aristóbolo. Assim os romanos se fixaram Palestina como paci-ficadores para, por fim, no ano 70 d.C., destruírem Jerusalém e o temploatravés de Tito (TOGNINI, 1980). Durante este período, as relações com os judeus nem sempre foramfavoráveis. O sistema de impostos e altas taxas, somado ao fato de se estarsob o domínio de gentios8, a violência com a qual o exército romano es-tabelecia a paz na Palestina e as mais diversas expropriações que levavam àpenúria e exploração sociais, criavam um sentimento de completa ojeriza erevolta por parte de muitos judeus. De fato, a paz do mundo romano nãoera oferecida e nem estava à disposição de todas as pessoas. Os dominadosestavam alheios aos benefícios e glórias desta paz. Uma descrição deste quadro, que tem seu início com Pompeu, éapresentado por Stegemann e Stegemann (2004, p. 134) nos seguintestermos: Na metade do século 1 a.C., Pompeu a seu legado Gabínio modificaram essa situação de forma radical, isto é, eles restabeleceram as condições vi- gentes no período de supremacia helenista. Com a separação da região costeira e das cidades transjordânicas do território do Estado judaico, muitos pequenos agricultores judaicos perderam a base da sua existência e foram expulsos para o que restou do Estado. Ademais, a perda das éreas mais intensamente urbanizadas levou a uma limitação do comércio, o que acarretou uma pressão adicional sobre a agricultura. Provavelmente apenas Jope continuou a ser uma cidade portuária com uma população judaica numerosa. Mas, sobretudo, a obrigação tributária da Judéia teve conse- quência consideráveis para a população. Herodes, o Grande, assumiu, de certa forma, a sucessão dos regentes helenistas; por um lado, recolheu altos tributos e, por outro lado, confiscou enormes áreas de terra na esteira da eliminação do estrato superior tradicional. Quer ele tenha explorado essas áreas como domínios reais ou legado aos seus favorecidos, em todo caso o solo era, cada vez mais, cultivado para arrendatários, diaristas e escravos. Neste processo, uma parte considerável da terra acabou na mão de não- judeus, ao passo que aumentava o número de arrendatários judaicos, o que naturalmente fez crescer o potencial de conflito social. Nesta conjuntura de exploração, era inevitável uma insatisfação queviesse a aglutinar pessoas em torno de um ideal de libertação e partilhaigualitária, e de uma paz fora dos guetos do poder imperial. Os zelotes9,FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 21, n. 1/3, p. 119-134, jan./mar. 2011. 125
  8. 8. assim, foram aqueles que encarnaram esta utopia judaica. Esta seita e par-tido político judaico agregava em torno de si uma ala radical de judeus quedeclaravam que tão somente YHWH teria o direito de reinar sobre Israele, portanto, opunham-se ferozmente à dominação romana (TOGNINI,1980, p. 141). No tempo em que os romanos introduziram o culto ao imperadorna Judéia, houve uma revolta entre os judeus, mas que veio a ser abafadapelo exército romano. Contudo, os zelotes permaneceram em oposiçãocontínua à Roma afirmando que somente um descendente legítimo da casade Davi teria o direito de governo sobre o povo judeu. Além desta questão religiosa, os zelotes também se mostravam ra-dicalmente contrários ao pagamento dos tributos10 impostos pelo ImpérioRomano, visto que isto era considerado, por eles, uma afronta ao verda-deiro rei de Israel, YHWH. De fato, nenhum rei pagão tinha o direitode exigir para si aquilo que simbolizava a gratidão de Israel para o com aprovidência de seu Deus. No Novo Testamento há registro que um dos apóstolos é denomi-nado de “Simão, o chamado zelote” (Lc 6,15). Entretanto, tal designaçãopode ter sido escrita não necessariamente para designar a anterior posiçãopolítica do referido apóstolo, mas sim sua postura ligada ao seu tempera-mento forte. Seja como for, o certo é que o grupo dos zelotes, enquanto pessoascontrárias ao poder de mando de Roma sobre os judeus e articuladas paraempreender ações de guerrilha e morte contra os soldados romanos, é mui-to bem documentado. Nas palavras de Daniel-Rops (1991, p. 56): Pouco antes do nascimento de Cristo, um partido extremista emergia do grupo fariseu: eram os chamados zelotes, termo claramente derivado de zelo, ou antes de zelos, no grego original. Do ponto de vista reli- gioso, eles não diferiam em nada dos fariseus; a despeito do que afirma Josefo, que eles se afastaram para formar uma “quarta tendência”, mas constituíam o que pode ser chamado de ala militante do farisaísmo: “não reconheciam senhor algum senão Deus, e estavam dispostos a sofrer os mais penosos tormentos em lugar de aceitar a autoridade humana” [...] Não mais podendo incitar abertamente grande número para um motim, eles se voltaram para o terrorismo [...] instigaram as paixões do povo judeu e provocaram aqueles levantes e revoltas que se repetiam como tanta frequência e mostraram tão inúteis até terminarem na catástrofe do ano 70.126 FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 21, n. 1/3, p. 119-134, jan./mar. 2011.
  9. 9. Esta oposição frontal ao império romano não evidenciava o descon-tentamento de uma pequena parte da população judaica. Ao contrário dosherodianos,11 que davam relativo apoio ao governo imperial, a maioria dapopulação judaica vivia em grandes dificuldades e sentia na pele as durasconsequências da dominação romana. Muitas famílias que haviam perdido suas terras passaram a um sis-tema de pobreza, dívidas e escravidão compulsória. Outras, pelo acúmuloe elevados tributos, passaram a sobreviver com muitos poucos recursos. Segundo Reimer, o sistema da “pax romana” dominou sobre tudoe sobre todas as pessoas dos povos conquistados. E foi neste mundo desubjugação e dominação que os cristianismos originários obtiveram as pri-meiras experiências de fé narradas no Novo Testamento (REIMER, 2006,p. 73). Sendo assim, a vida para os judeus e cristãos do primeiro século foimarcada por grandes necessidades, e os escritos neotestamentários deixamàs claras essa esmagadora realidade. Nos evangelhos, não são poucos ospersonagens que saem do anonimato das estreitas e escuras ruas de Jericó,Jerusalém etc., e que são postos à plena luz do dia a fim que de seus dramas,dores e meios de exploração sejam evidenciados e denunciados. Os cegos (Jo 9;1-12), os leprosos (Lc 5;12-16), as crianças (Mt9;23-26), as mulheres (Mt 15;21-28), os paralíticos (Jo 5;1-18), os es-cravos (Mt 8;5-13), têm suas histórias contadas em letras garrafais. Pelosescritos neotestamentários é possível visualizá-los pelas penas daqueles quecompartilhavam as mesmas dores, perseguições e sofrimentos. O Cristo, narrado pelos escritores do Novo Testamento, é postocomo aquele que queda-se para dar a devida atenção às pessoas que seriamapenas mais uma na multidão e que, muito provavelmente, continuariamno anonimato pelo sistema do mundo. Sendo assim, a antítese ao sistema descomunal e esmagador domundo – cuja paz era oferecida aos vencedores e amigos do império – erao Cristo apresentado nos Evangelhos. Sua história é contada em paralelocom os dramas mais diversos e a pax romana tem seu submundo reveladona medida em que as histórias de vidas são contadas com todas as suascores. Lázaro é apresentado como sendo um mendigo, coberto de chagas,que jazia à porta da casa de um certo rico, que deseja alimentar-se das mi-galhas que caíam da mesa deste homem abastado, e que tinha suas feridaslambidas por cães (Lc 16;20-21); as multidões são descritas como indo aCristo devido o milagre da multiplicação dos pães; o templo é apresentadoFRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 21, n. 1/3, p. 119-134, jan./mar. 2011. 127
  10. 10. como mais um lugar onde ocorria a exploração financeira – a exemplodaquela que era realizada pelo Império Romano – e onde os pobres eramimpossibilitados de cultuar a YHWH (Lc 2;13-16). Todas estas histórias, e outras aqui não nomeadas, apresentam Cris-to com uma nova proposta de paz. Sua personalidade austera – para de-nunciar os abusos do poder dos doutores da lei (Lc 11;45-52), as hipocrisiados fariseus (Lc 11;37-44) e as astúcias maquiavélicas das autoridades ro-manas – coloca-o como um personagem histórico que está diametralmenteoposto à história imperial; e denuncia que a eirene do Cristo não é a paxromana. Ambas são substancialmente diferentes e existencialmente con-trárias.A Eirene do Cristo Enquanto o termo pax seja latino, eirene é um vocábulo grego. Becke Brown (apud COEMEN; BROWN, 2000, v. 2, p. 1592), sobre estevocábulo, escrevem que, Em Platão e Epicteto, eirene também pode denotar “conduta pacífica”, em- bora a índole pacífica para com os outros geralmente se expresse por philia (amor, amizade) ou homonoia (“unidade”, “concórdia”); e uma disposição mental pacífica seja galene (calma) [...] Os compostos eirenopoieo “fazer a paz” (a partir da LXX) em diante e eirenopoios, “pacificador”, quando se chamam no Gr. Profano, podem muito infrequentemente ter sentido de “pacificação política” pela força das armas (e.g. pelo imperador romano) (cf. Lat. Pacare, “pacificar”, “subjugar”). Com base nestas informações torna-se claro que o termo eirene deveser visto sob a perspectiva de uma tradição greco-judaica. Pela tradiçãogrega, tal palavra compunha aquele mundo de vocábulos, fluentementeusados por seus escritores e poetas, que descreviam a situação contrária àguerra, ou o estado decorrente da extinção de guerra. Ligado ao judaísmo, é digno de nota que o vocábulo eirene – antesmesmo do escritor do Evangelho segundo João ter feito uso dele – já haviasido usado pelos tradutores da Septuaginta12 para traduzir quase que inva-riavelmente a palavra shalom, do hebraico. Entretanto, a dualidade do vocábulo paz – nas ações administra-tivas e bélicas do Império Romano – mostra-se evidente na medida emque as palavras cognatas à eirene (eirenopoieo e eirenopoios) tanto falam de128 FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 21, n. 1/3, p. 119-134, jan./mar. 2011.
  11. 11. uma “conduta pacífica” como também daquela “paz” que era mediada pelaforça bruta. Sua presença nos escritos neotestamentários chega à somatória de91 vezes, sendo que destas, 24 citações estão nos evangelhos, e, dentreestas, uma se destaca visto que apresenta Jesus como sendo o doador dapaz (eirene): “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como adá o mundo. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.” (Jo 14;27) Estas palavras postas nos lábios de Jesus pelo escritor do Evangelhode João foi algo significativo para aquela geração de cristãos que estava fami-liarizada com a idéia de uma paz que era oferecida pelo Império Romano. Entretanto, a eirene do mestre Galileu, no texto supracitado, foiposta em oposição com a paz do “mundo”.13 Ele oferece uma outra paz,e, por esta nova dádiva os corações de seus discípulos poderiam deixar deviver atemorizados. Diante disto, uma pergunta se levanta: que paz é estaque Jesus oferece através do escritor do Evangelho de João e qual a suarelação com os seus primeiros leitores? Primeiramente era uma paz que era oferecida generosamente aosestrangeiros, contrapondo-se à pax romana que efetivamente beneficiava,predominantemente, os cidadãos romanos. E os exemplos disto nós osencontramos nas narrativas dos evangelhos, nas quais Jesus é posto emdiálogos com a mulher samaritana (Jo 4;1-42), com a mulher sirofenícia(Mc 7;24-30), indo à Galiléia dos gentios anunciar o reino de Deus (Lc4;14-15) etc. Essa largueza da paz, oferecida por Cristo, não somente contrapu-nha-se à pax romana exclusivista, mas também destoava daquela postura,muito freqüente entre os fariseus, na qual estes se mostravam avessos atodo e qualquer tipo de relação ou proximidade com pessoas de outrasetnias. Em segundo lugar, as pessoas dos estrados mais baixos da sociedadepoderiam usufruir desta paz. Ela não estava agrilhoada às relações de poderde mando, de posses financeiras ou então de status social. Na verdade, oNovo Testamento registra certos indivíduos abastados indo a Jesus, entre-tanto, a grande massa que ía ao seu encontro e que recebia um convite paradesfrutar de sua paz eram pessoas simples, humildes, escravos, doentes,mulheres etc. Exemplos desta relação graciosa com as pessoas, não visibilizadase desvalorizadas pela sociedade, nós os encontramos na história de láza-ro (o mendigo que era lambido por cães), dos dez leprosos (que viviamem penúria e excluídos da sociedade por serem considerados impuros),FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 21, n. 1/3, p. 119-134, jan./mar. 2011. 129
  12. 12. das crianças, as quais foram, a princípio, impedidas de se aproximarem deCristo etc. Tais registros no Novo Testamento apontam enfaticamente para atese, que para a igreja cristã primitiva a paz do Cristo era a paz que alcan-çava a todas as classes sociais, mas, especialmente, os expropriados dos bense posições sociais, pela violência e ganância do poder imperial. Em terceiro lugar, era uma paz que quebrava as relações díspares degênero. O sistema pater famílias,14 no qual o Império Romano tinha seusustentáculo, na macro estrutura política e no micro universo do lar roma-no,15 fazia clara distinção entre os gêneros. Os homens detinham todo opoder de mando e posses, e até mesmo as mulheres romanas não poderiamser proprietárias ou herdeiras. No contrafluxo dos valores romanos, o Cristo da literatura neotes-tamentária é apresentado em relações de diálogo e proximidade com mu-lheres, a tal ponto que, até mesmo uma de suas interlocutoras questiona talpostura (Jo 5;9). Em sua célebre conversa com a mulher samaritana, Jesuslhe oferece, em uma linguagem diferente, a sua paz. Outro exemplo é a mulher pega em adultério (Jo 8;1-11). Nestaperícope o Cristo é apresentado como defensor de uma “mulher” e aindamais “adúltera”. Seus acusadores, todos do sexo masculino, são postos emgrande constrangimento na medida em que o Cristo questiona qual delesnão teria nenhum pecado, e afirma a dignidade da mulher em si mesma. Aqueles homens queriam fazer prevalecer o direito deles por ape-drejar tal mulher; entretanto, rejeitavam inconscientemente a idéia queeles estavam, de fato, no mesmo pé de igualdade com aquela “adúltera”.A pergunta de Jesus nivela homens e mulheres e convoca a todos ao arre-pendimento. Aqui, neste texto, homens e mulheres sãos posto lado a lado. Por fim, era uma paz que denunciava a falsa paz do mundo. Jesusdisse “não vo-la dou como a dá o mundo”. Nestas palavras há o ensinoclaro que o mundo romano oferecia uma paz, entretanto ela era “romana”e comprometida não com as pessoas mas sim com a estrutura imperial.“Não como a dá o mundo” quer dizer, portanto, sem as suas assimetrias,explorações, mortes, diferenças, injustiças etc. De fato, a eirene do Cristo tinha uma proposta diferente da paxromana. Seus princípios de generosidade aos estrangeiros, a valorizaçãodas pessoas dos estrados mais baixos da sociedade, a quebra das relaçõesdíspares de gênero, e a voz de denúncia aos sistemas injustos, comprovamque a eirene do Cristo, para os cristãos primitivos, era substancialmentediferente da pax oferecida pelo Império Romano.130 FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 21, n. 1/3, p. 119-134, jan./mar. 2011.
  13. 13. CONCLUSÃO Após análise dos elementos presentes da pax romana e na eirene doCristo, pode-se concluir que elas foram realidades históricas que – emboraco-existirem no mesmo espaço de tempo – detinham modos diferentes dever o ser humano e suas relações. De um lado, os sujeitos sociais eram vistos como coisas a seremusadas ao bel prazer das forças imperiais para se alcançar a pax; e, do outrolado, eles eram contemplados como local existencial onde a eirene poderiahabitar. Na primeira realidade histórica, a pax era um alvo a ser alcançadopara o bem do império e de uma classe seleta de pessoas; na segunda, aeirene visava o indivíduo e suas necessidades particulares em comunidade. Sendo assim, a paz oferecida pelo Cristo torna-se pertinente aosnossos dias, na medida em que afirma que as estruturas sociais só são está-veis e permanentes, pela via da valorização do outro e através de relaçõesmediadas pela busca do bem comum e pelo interesse de minimizar as assi-metrias sociais e todo e qualquer sistema de exploração e dominação.THE PAX ROMANA AND THE CHRIST OF EIRENEAbstract: the Pax Romana was a period of time and an ideological conceptthat the Roman Empire massified in order to justify many of their violent prac-tices, discriminatory and unfair in the establishment and strengthening of theimperial structure. In this counterflowing action of Rome, Jesus, called Christ,offers to his followers a peace that the Roman world could not give. The presentarticle aims to introduce the concepts present in this diverse Peace of Christ inposition against the Pax RomanaKeywords: Pax Romana. Eirene. Peace.Notas 1 Segundo Funari (2003, p. 49) foi a chegada dos etruscos no norte da península itálica que muito contribui para formação do povo romano. Deste povo, em seu nascedouro, Roma assimilou suas instituições e formas de governo. 2 Segundo Champlin (2001, V. 6, p.152), originalmente o senado era formado por 100 membros. Contudo, tal estrutura política chegou a alcançar o montante de 300. E, em um determinado período, a plebe chegou a participar do Senado.FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 21, n. 1/3, p. 119-134, jan./mar. 2011. 131
  14. 14. 3 Termo latino que significa “paz”. 4 Ora, a própria palestina viu-se sob o domínio dos assírios, babilônicos, medo- persas e gregos. Além do que, as cidades-estado gregas entrevam em guerras entre si. 5 As legiões eram um agrupamento do exército romano composto de 6000 soldados, 120 cavaleiros, mais as esquadras e as tropas especiais (BORN, 1971, p. 878). 6 Wengst (1991, p. 63) afirma que a urbanização da população nas províncias bárbaras foi uma ação consciente dos imperadores romanos com vistas à pacificação do império. 7 O deus Marte era considerado, na religião romana, o deus da guerra (CHAMPLIN, 2001, V. 4, p. 144). Sua postura diante da guerra destoava da de sua irmã Minerva que defendia a necessidade da justiça e da diplomacia nas guerras. A referência ao Campo de Marte mostra a estreita relação paradoxal existente entre a paz e a guerra no modo romano de administrar o império. 8 Designação judaica para aqueles que não eram judeus. 9 O nome zelote vem do grego zelos (“zelo”, “ardor”). Tal vocábulo indicava aquelas pessoas que estavam muito comprometidas com Deus e suas causas.10 Outras três questões relacionadas aos impostos podem ser aqui mencionadas: a) O sistema de arrecadação por meio dos “publicanos”, os quais eram considerados como traidores da nação e gente dada ao enriquecimento ilícito devido a cobrança de recursos a mais do que era estabelecido; b) O envio, de tudo que era arredado, para fiscus, ou seja, o tesouro imperial; c) a dupla carga tributária imposto sobre os judeus que, além dos impostos imperiais, tinham que contribuir com o templo e sacerdotes (DANIEL-ROPS, 1991, p. 54,55)11 No Novo Testamento (Lc 22;15-21) os herodianos aparecem pondo Jesus à prova quanto se se deveria ou não pagar tributo a César. Pelo contexto da referência citada, pode-se concluir que os herodianos, por alguns motivos, aprovavam o pagamento dos tributos imperiais. Segundo J.W. Meiklejohn, os herodianos parecem formar um partido judaico que favorecia a dinastia herodiana (DOUGLAS, 1990, p. 712). Sobre os herodianos ver também Tognini (1980, p. 140) e Davis (1996, p. 627).12 A Septuaginta, também denominada de LXX, foi a tradução do Antigo Testamento para a língua grega, realizada em Alexandria por diversos tradutores para os judeus da diáspora. Sua datação de início está por volta do ano 250 a.C. e o término no ano 150 a.C. (BORN, 1971, p. 1428)13 Neste texto, o vocábulo “mundo”, do grego kosmos, provavelmente pode indicar a estrutura do império romano com sua injusta e excludente pax romana.14 Nesse sistema o homem tinha plenos poderes de governo, posse e administração132 FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 21, n. 1/3, p. 119-134, jan./mar. 2011.
  15. 15. de todos os bens e pessoas de um dado lar romano. Ver também Batista (2003).15 Reimer (2006, p. 74) afirma que o patriarcado foi um sistema vigente em todas as sociedades do Mar Mediterrâneo; e que ele tanto norteava a estruturas familiares como também aquelas ligadas à vida política e social.ReferênciasBATISTA, Jôer Corrêa. A relação homem e mulher na igreja cristã em Corinto: umaabordagem de gênero. Dissertação (Mestrado em Ciências da Religião) – Pontifí-cia Universidade Católica de Goiás, Goiânia, 2003.BÍBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA. São Paulo: Cultura Cristã, 2009.BORN. A. Van Den et al. Dicionário enciclopédico da Bíblia. 3. ed. Petrópolis:Vozes, 1971.CHAMPLIN, R. N. Enciclopédia de bíblia teologia e filosofia. São Paulo: Hagnos, 2001.COENEN, Lothar; BROWN, Colin (orgs.). Dicionário internacional de teologiado novo testamento. Tradução de Gordon Chown. 2. ed. São Paulo: Vida Nova,2000. V.II.DANIEL-ROPS, Henri. A vida diária nos tempos de Jesus. São Paulo: Vida Nova,1991.DAVIS. John D. Dicionário da bíblia. Tradução de J. R. Carvalho Braga. Rio deJaneiro: CANDEIA; JUERP, 1996.DICIONÁRIO DA BÍBLIA. 21 ed. Rio de Janeiro: Candeia; JUERP, 2000.DOUGLAS, J. D. (Org.). O Novo dicionário da Bíblia. São Paulo: Vida Nova,1990.FUNARI, Pedro Paulo. In. PINSKY, Jaime; PINSKY, Carla Bassanezi (orgs.)História da cidadania.. São Paulo: Contexto. 2003, p. 49-79.GINGRICH, F. Wilbur; DANKER, Frederick W., Léxico do N.T. Grego/Portu-guês. São Paulo: Vida Nova, 1993.LÉXICO DO N.T. GREGO/PORTUGUÊS. São Paulo: Vida Nova, 1993.LOHSE, Eduard. Contexto e ambiente do Novo Testamento. Tradução de Hans JorgWitter. São Paulo: Paulinas, 2000.NOVO TESTAMENTO INTERLINEAR. Barueiri- São Paulo: Sociedade Bíbli-ca do Brasil, 2004.REIMER, Ivone Richter (Org.). Economia no mundo bíblico: Enfoques sociais,históricos e teológicos. São Leopoldo: CEBI/Sinodal, 2006.STEGEMANN, Ekkehard W.; STEGEMANN, Wolfgang. História social do pro-tocristianismo. Tradução de Nélio Schneider. São Leopoldo: Sinodal; São Paulo:Paulus, 2004.FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 21, n. 1/3, p. 119-134, jan./mar. 2011. 133
  16. 16. TOGNINI, Enéas. O período interbíblico. São Paulo: Louvores do Coração Ltda,1980.WENGST, Klaus. Pax romana: pretensão e realidade: experiências e percepções dapaz em Jesus e no cristianismo primitivo. Tradução de António M. da Torre. SãoPaulo: Edições Paulinas, 1991.* Recebido em: 11.11.2010. Aprovado em: 15.12.2010.** Mestrando em Ciências da Religião na PUC-GO. Licenciado em peda- gogia (UVA-CE), complementação pedagógica em história (UVA-CE). Bacharel em teologia (FACETEN-RO).134 FRAGMENTOS DE CULTURA, Goiânia, v. 21, n. 1/3, p. 119-134, jan./mar. 2011.

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