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O que a Amazônia espera da Rio+20?

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O que a Amazônia espera da Rio+20?
Por João Meirelles Filho
2011

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O que a Amazônia espera da Rio+20?

  1. 1. O que a Amazônia esperada Rio+20?João Meirelles Filho Desenvolvimento Local 2005 Rua Ó de Almeida, 1083 | CEP: 66053-190 | Belém, Pará, Brasil F +55 91 3222 6000 | peabiru@peabiru.org.br | www.peabiru.org.br
  2. 2. O que a Amazônia espera da Rio+20? João Meirelles Filho Está na hora da própria Amazônia decidir o seu destino, ter vez e voz, serrespeitada e valorizada pelo que seus povos e sua natureza representam! NumBrasil desmatado – que derrubou 93% da Mata Atlântica e mais da metade doCerrado e da Caatinga –, por que a seguir o mesmo caminho? Os 20% quedestruímos do bioma em 50 anos representam uma superfície maior que oMaranhão, Piauí e Ceará juntos! Estes 70 milhões de hectares, são ocupados, principalmente, pelapecuária bovina, gera poucos empregos e riqueza e em nada contribui para amelhoria da qualidade de vida dos 25 milhões de amazônidas. E ainda queremdobrar o rebanho de 75 milhões de cabeças em poucos anos! Nunca nos fizemos, como Nação Brasileira, a pergunta – por que,queremos transformar a floresta em pasto? Por que não melhorar aprodutividade dos outros 130 milhões de hectares de pasto do Brasil? Por quereproduzir na Amazônia a nossa incompetência de 1 cabeça de gado/hectare? A sociedade civil organizada e a academia, em diversas ocasiões eestudos propõem uma agenda mínima para a região. Esta se inicia peloreconhecimento e proteção a povos indígenas, quilombolas e tradicionais, com adestinação de territórios e políticas públicas especiais. É preciso, consolidar o sistema de unidades de conservação para aproteção à biodiversidade, e aos recursos naturais essenciais (água, florestasetc.) e remunerar os serviços ambientais. É urgente o ordenamento territorial,numa região onde menos de 10% das terras privadas estão legalizadas, senão,como controlar desmatamento e roubo de madeira? Ao mesmo tempo, a Amazônia se transforma em imenso canteiro deobras global. Há 300 mega-obras previstas (inclusive em países vizinhos), entrehidrelétricas, estradas, portos, minerações, indústrias etc., com orçamentosuperior a R$ 500 bilhões. Uma giga-obra como Belo Monte (custo de R$ 30bilhões), emprega mais de 8 mil pessoas, e altera a vida de uma cidade antesisolada, como Altamira. De que maneira estes empreendimentos podem sertransformadores? Por que as políticas públicas não valorizam os produtos e serviçosamazônicos? O açaí, a castanha mostram o caminho aos produtos nãomadeireiros. Mas, até quando seremos tolerantes com a bandidagem no setormadeireiro? Esta lista poderia seguir, mas o que temos que refletir é: até quandoa questão amazônica será tratada como de segunda classe?
  3. 3. A questão central relaciona-se ao acesso ao poder, à exigência dosamazônidas decidirem sobre suas próprias vidas, e não serem reféns de gruposque se locupletam no poder em prol dos interesses privados minoria e que,quando tratam da maioria, são paternalistas. Oxalá a Rio+20 seja um momento mágico de reflexão, em quepriorizemos um novo pacto social, que inclua as presentes e as sete futurasgerações.João Meirelles Filho é diretor do Instituto Peabiru, organização sem finslucrativos de Belém, Pará. É escritor (Livro de Ouro da Amazônia, EditoraEdiouro; e Grandes Expedições à Amazônia Brasileira em dois volumes: 1500-1930 e Século XX)

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