Mídia e Cultura na Amazônia - Aula 11

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Mídia e Cultura na Amazônia - Aula 11

  1. 1. Mídia e Cultura na Amazônia Prof. Dr. Fábio Fonseca de Castro Curso de mestrado do Programa Pós-graduação Comunicaçõ, Cultura e Sociedade - UFPA Roteiro da Aula 11 Territorialidades amazônicas, cultura e comunicação. 31 de maio de 2011
  2. 2. Ponto de partida: o texto de A. Bourdin <ul><li>Objeto de Alain Bourdin: </li></ul><ul><li>As dinâmicas da localização “supermoderna”. </li></ul><ul><li>Questão de fundo: </li></ul><ul><li>Como se dá o “enraizamento” social nas sociedade contemporâneas, particularmente nas sociedades periféricas? </li></ul>
  3. 3. Questões pertinentes: <ul><li>1. Como se dá o enraizamento social na Amazônia? </li></ul><ul><li>2. Que relações de territorialização são produzidas nos espaços amazônicos contemporâneos? </li></ul><ul><li>3. Que diferenças há entre essas “territorializações”? </li></ul><ul><li>4. De que maneira as políticas e práticas de comunicação contribuem para a pragmática territorial na Amazônia atual? </li></ul>
  4. 4. <ul><li>5. É possível falar em guerra de representações de território entre as representações midiáticas globais, nacionais, regionais e micro-locais existentes? </li></ul><ul><li>6. Qual a relação entre as dinâmicas econômicas e políticas da cultura e as territorializações amazônicas contemporâneas? </li></ul><ul><li>7. O trabalho de vocês demanda algum conhecimento sobre a produção de “territorializações”? </li></ul>
  5. 5. Os 3 processos concorrentes para a produção do enraizamento social <ul><li>Patrimonialização </li></ul><ul><li>Pertença </li></ul><ul><li>Localização </li></ul>
  6. 6. Elementos de referência para o efeito de localização <ul><ul><ul><li>Valores de referência que dizem respeito aos lugares e suas relações com conjunto como o Estado-nação; </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Componentes instrumentais burocráticos: Técnicas de ação, receitas, instrumentos de análise; </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Normas de localização (especialmente as jurídicas); </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Imagens do “local”. </li></ul></ul></ul>
  7. 7. Os efeitos do modelo de localização <ul><li>Organiza os territórios; </li></ul><ul><li>Define o que pode ser o conteúdo de um território local; </li></ul><ul><li>Regula a ação das entidades locais com instâncias superiores; </li></ul><ul><li>Atribuiu características sociais aos territórios locais; </li></ul><ul><li>Hierarquiza e articula pertenças; </li></ul><ul><li>Define a ação local; </li></ul><ul><li>Regula as modalidades de localização. </li></ul>
  8. 8. Os 3 modelos de referência para a organização da localização <ul><li>Modelo hierárquico-homológico (as entidades locais reproduzem a sociedade global) </li></ul><ul><li>Modelo comunitário (o viver-junto é a base da comunidade) </li></ul><ul><li>Modelo piramidal (faz da sociedade local a base da sociedade global) </li></ul>
  9. 9. Discussão: A Amazônia e a globalização <ul><li>Questão: que forma de globalização impacta mais expressivamente a Amazônia? </li></ul>
  10. 10. Formas de globalização <ul><li>Podemos distinguir quatro modos de produção da globalização, os quais dão origem a quatro formas de globalização: </li></ul>
  11. 11. <ul><li>1. A primeira forma de globalização é o localismo globalizado. </li></ul><ul><ul><li>Consiste no processo pelo qual determinado fenômeno local é globalizado com sucesso, </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>seja a atividade mundial das multinacionais, </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>a transformação da língua inglesa em língua franca, </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>a globalização do fast food americano ou da sua música popular, </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>ou a adoção mundial das leis de propriedade intelectual ou de telecomunicações dos EUA. </li></ul></ul></ul>
  12. 12. <ul><ul><li>2. À segunda forma de globalização podemos cham ar globalismo localizado. </li></ul></ul><ul><ul><li>Consiste no impacto específico de práticas e imperativos transnacionais nas condições locais, as quais são, por essa via, desestruturadas e reestruturadas , de modo a responder a esses imperativos transnacionais. </li></ul></ul>
  13. 13. <ul><ul><ul><li>Tais globalismos localizados incluem: </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>enclaves de comércio livre ou zonas francas; </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>deflorestação e destruição maciça dos recursos naturais para pagamento da dívida externa; </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>uso turístico de tesouros históricos, lugares ou cerim ô nias religiosos, artesanato e vida selvagem; </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>dumping ecológico (“compra” pelos países do Terceiro Mundo de lixos tóxicos produzidos nos países capitalistas centrais para gerar divisas externas); </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>conversão da agricultura de subsistência em agricultura para exportação como parte do “ajustamento estrutural”; </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>etnicização do local de trabalho (desvalorização do salário pelo fato de os trabalhadores serem de um grupo étnico considerado “inferior” ou “menos exigente”). </li></ul></ul></ul></ul>
  14. 14. <ul><ul><ul><li>A divisão internacional da produção da globalização assume o seguinte padrão: </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>os países centrais especializam-se em localismos globalizados, enquanto aos países periféricos cabe tão-só a escolha de globalismos localizados. </li></ul></ul></ul></ul>
  15. 15. <ul><li>O sistema-mundo é uma trama de globalismos localizados e localismos globalizados . </li></ul>
  16. 16. <ul><li>3. A terceira forma de globalização pode ser chamada de cosmopolitismo. </li></ul><ul><ul><li>As formas predominantes de dominação não excluem aos Estados-nação, regiões, classes ou grupos sociais subordinados a oportunidade de se organizarem transnacionalmente na defesa de interesses percebidos como comuns e de usarem em seu benefício as possibilidades de interação transnacional criadas pelo sistema mundial. </li></ul></ul>
  17. 17. <ul><ul><ul><li>As atividades cosmopolitas incluem, entre outras : </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>diálogos e organizações Sul-Sul, </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>organizações mundiais de trabalhadores (a Federação Mundial de Sindicatos e a Confederação Internacional dos Sindicatos Livres), </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>filantropia transnacional Norte-Sul, redes internacionais de assistência jurídica alternativa, </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>organizações transnacionais de direitos humanos, </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>redes mundiais de movimentos feministas, </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>organizações não governamentais (ONG's) transnacionais de militância anticapitalista, </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>redes de movimentos e associações ecológicas e de desenvolvimento alternativo, </li></ul></ul></ul></ul><ul><ul><ul><ul><li>movimentos literários, artísticos e científicos na periferia do sistema mundial em busca de valores culturais alternativos, não imperialistas, empenhados em estudos sob perspectivas pós-coloniais ou subalternas, etc, etc. </li></ul></ul></ul></ul>
  18. 18. <ul><li>4. O quarto processo de globalização corresponde à emergência de temas que, pela sua natureza, são tão globais como o próprio planeta e aos quais se poderia chamar, recorrendo ao direito internacional, de patrimônio comum da humanidade. </li></ul>
  19. 19. <ul><ul><li>Trata-se de temas que apenas fazem sentido enquanto reportados ao globo na sua totalidade: </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>A sustentabilidade da vida humana na Terra, por exemplo, ou temas ambientais como a proteção da camada de ozônio, a preservação da Amazônia, da Antártida, da biodiversidade ou dos fundos marinhos. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Podemos ainda incluir nesta categoria a exploração do espaço exterior, da lua e de outros planetas, uma vez que as interações físicas e simbólicas destes com a terra são também patrimônio comum da humanidade. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Todos estes temas se referem a recursos que, pela sua natureza, têm de ser geridos por fideicomissos da comunidade internacional em nome das gerações presentes e futuras. </li></ul></ul></ul>

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