Silentium | Chapter 2

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"WHYLE MY BODY SLEEPS"

Segundo capítulo da história "Silentium", escrita pelos bloggers Jota e Ruthe. Sabe mais em: www.umabrisapassageira.blogspot.pt

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Silentium | Chapter 2

  1. 1. WWW.UMABRISAPASSAGEIRA.BLOGSPOT.PT Chapter 2 While My Body Sleeps *** CREATED AND WRITTEN BY JOTA www.umabrisapassageira.blogspot.pt RUTHE www.thestrawberrystreet.blogspot.pt YOU CAN READ THIS STORY ON BRISA PASSAGEIRA www.umabrisapassageira.blogspot.pt WATTPAD www.wattpad.com/user/mynameisjota
  2. 2. WWW.UMABRISAPASSAGEIRA.BLOGSPOT.PT NO CAPÍTULO ANTERIOR Deixo o jardim e entro dentro de casa. Estava vazia. Decido então subir as escadas e procurar o quarto número três, que não ficava muito longe do meu, o número um. Bato à porta e o tom entoa em todo o andar, fazendo-me olhar para trás, com receio que alguém me estivesse a seguir. O corredor estava vazio e, baixinho, sussurro o nome de Alex. - Estás aí? – pergunto. Ninguém responde. Encho-me de coragem e coloco as minhas mãos na maçaneta da porta. Coloco-a para baixo e o rugido da mesma causa-me um pequeno arrepio. Respiro fundo e entro, mas o quarto está vazio. Onde estará ele? Olho à volta para confirmar o que já sabia e preparo-me para voltar para a festa, talvez ele estivesse lá. Antes de me virar para a porta ouço um pequeno barulho que me faz paralisar. Segundos depois, perco as forças e caio no chão. Coloco a minha mão direita na barriga e rapidamente percebo que estou a sangrar. Tento olhar para cima, mas num instante dou por mim a desligar-me daquela situação.
  3. 3. WWW.UMABRISAPASSAGEIRA.BLOGSPOT.PT Badalava, misteriosamente, o sino da igreja abandonada, lá mais para o alto da montanha, onde só olhares mais capazes são dignos de avistar a cruz mais alta. Badalava a cada hora, ecoando arrepiantemente por toda aquela colina despovoada, há anos. Marcava cada hora, cada dia. Sem uma explicação aparente. A noite estava gélida. Podia sentir cada aragem a entranhar-se em mim e a petrificar todo o meu corpo. Seria ironia da minha parte designá-la como uma noite de verão tranquila. Era uma harmonia agitada. Toda a calma da escuridão era cortada pelo crocitar de três corvos, mal iluminados pelo luar tímido, num dos galhos exteriores à vedação. Alternadamente, por entre musgos e silvas, podia distinguir um cricrilar de dois, ou até mais grilos. No entanto, não são estas sinfonias sombrias que me despertam o interesse momentâneo. É um constante coaxar que me coloca em dúvida. Não me recordo de ter vislumbrado qualquer riacho nas imediações. Concentro toda a minha atenção e tento desvendar de que direção o som vem. Desligo-me de toda aquela melodia sinistra, daquele trio que ousa presentear-me com uma sinfonia. É quase inaudível, mas ouço a água a correr a grande velocidade. Provavelmente a nascente está por perto e, visto que se trata de uma colina, a água segue o seu curso num declive, deveras acentuado, por entre rápidos e quedas de água, até jusante. Mas não será hoje que desvendo cada mistério desta povoação fantasma. Redobro a minha atenção na sala de convívio, onde toda a gente está reunida. Abandonaram a festa do jardim, uma vez que a noite estava fria e não muito convidativa após a chuva torrencial que se fez sentir até ao meio da tarde. - Ashley… - levanta-se Alex, com um hoodie esmeralda vestido. Todos tinham procurado um agasalho - …o Adam deve andar por aí. – afirma não muito convicto – Se calhar até já se foi deitar. - Ele disse-me há umas horas que ia à casa de banho e não voltou. – informa já bastante exaltada - É estranho ele ter ido dormir sem me dizer nada, não achas? – inquere Ashley, aproximando-se, cabisbaixa, do rapaz. Notei-o bastante nervoso, o que não era fácil de decifrar nele, mas aquele tique nervoso de colocar as mãos
  4. 4. WWW.UMABRISAPASSAGEIRA.BLOGSPOT.PT no bolso e, impacientemente, as movimentar de um lado para o outro, denunciavam-no. - Sim, não deixa de ser estranho. – concorda, olhando para os restantes colegas, como que a dar razão à rapariga - Queres ir procurá-lo? Posso ir contigo, se quiseres. Havia uma grande vontade em mim em gritar que eu estava bem ali, ao lado deles. Mas ninguém me via. Ninguém pressentia o meu corpo, naquela sala. E, mais estranha do que qualquer outra coisa, ninguém se mostrava minimamente preocupada. Qualquer sentimento de invisibilidade que já senti antes por parte da sociedade, não se compara em nada ao passarmos de um corpo com vida, para uma alma desesperançosa. Somente a Ash e o Alex demonstravam preocupação, mas deles já nem eu esperava outra coisa. Rapidamente saíram daquela divisão e começaram a procurar-me. Eu também fui. Segui-os na expectativa de algum deles perceber que eu continuava bem ali, junto deles. Começaram pelo jardim, onde a relva já estava humedecida por algum orvalho e onde os vestígios da festa eram notórios. Entretanto voltaram para dentro de casa e vasculharam tudo, incluindo aquela cave assustadora que brevemente seria renovada por nós. Percorram… Percorremos tudo! Só faltava uma divisão: o quarto de Alex. E foi no momento em que atravessava aquele corredor, que me recordei do que se tinha passado antes. Eu estava lá. Há algumas horas eu tinha lá ido ter com ele, mas ele não apareceu. Até que decidi ir embora e… bem, não consigo lembrar-me de mais nada. Mais do que eles, eu próprio queria ter uma resposta. Eu mesmo estava mais impaciente que eles para me descobrir. Mas certamente iria saber a resposta quando eles abrissem a porta daquele maldito quarto. ***
  5. 5. WWW.UMABRISAPASSAGEIRA.BLOGSPOT.PT - Se ele não estiver aqui temos de avisar os responsáveis, Ash! – exclamou Alex, com um ar preocupado, abrindo a porta segundos depois. - Adam? Adam? Estás aí? – gritou Ashley, depois de ter percebido que o quarto estava vazio. Queria tanto dizer-lhe que sim, que estava ali com ela. – E agora, Alex? O que fazemos? Olhei para Ashley e percebi que nunca a tinha visto assim. Estava abatida, triste. As lágrimas já escorriam pela sua face mesmo antes de fazer aquela pergunta a Alex, que rapidamente a abraçou e lhe pediu para ter calma. Eu mesmo a quis abraçar e reconfortar. Mas era óbvio que era impossível ter calma naquele momento. Naquela situação. Eu estava desaparecido e só eu sabia onde estava. Porque eu estava ali, bem à frente deles. Mas ninguém me via. *** Ashley já tinha saído do quarto, mas Alex ficou por lá, dando a desculpa de que se iria deitar, pois queria acordar dali a algumas horas e ter coragem para enfrentar a verdade fosse ela qual fosse. Combinaram falar com um dos responsáveis do acampamento antes do pequeno-almoço. Talvez fosse parvo esperarem tanto tempo, mas também não haviam certezas de que eu tinha desaparecido. Quem sabe eu não voltaria entretanto, pensaram eles. Eu decidi manter-me naquele quarto, embora também quisesse estar perto da minha irmã. Percorria o soalho de madeira de um lado ao outro, com as mãos na cabeça e o olhar fixo nos seus ténis. Nunca o vira assim. Estava estranhamente nervoso. “E agora, o que é que eu faço agora?”, ouviu-o dizer. Será que ele estava com medo de se tornar o principal suspeito? Já tinha pensado nessa situação, pois ele escreveu-me um bilhete que eu entretanto deitei ao lixo. Se por acaso encontrassem o manuscrito, ele podia meter-se em sarilhos. “Isto não me pode estar acontecer!”, repetiu vezes sem conta. Aqueles seus olhos esverdeados ganharam um cinzento que eu não gostava nada. O Alex não era pessoa de deixar
  6. 6. WWW.UMABRISAPASSAGEIRA.BLOGSPOT.PT transparecer o que sentia, por vezes era até demasiado frio nas palavras que escolhia para se esconder. Parou instintivamente e limpou algumas… lágrimas?! Precipitou-se de repente para a porta, mas não a mesma pela qual entrámos. Tratava-se da casa de banho, também ela dentro do quarto, mas por estranho que pareça não fechou a porta. Talvez se sentisse à vontade perante o seu colega de quarto caso ele entrasse. Optei por segui-lo, por mais estranho que aquilo suasse, mas de qualquer das formas, ele não me veria. Entro na pequena divisão, ornamentada em granito e, deparo-me com Alex a olhar fixamente para a cortina da banheira, que a mantinha isolada. Hesitou, mas alguns segundos depois, arrasta- a para o lado abruptamente e, inevitavelmente, desmascarou uma realidade oculta para todos os habitantes deste acampamento. Dei um salto para trás. Eu estava ali. Ou melhor, o meu corpo estava ali. Deitado. Ensanguentado. Era ali que o meu corpo jazia. E rapidamente percebi que o Alex não estava com medo de se tornar o principal suspeito por causa do bilhete que me havia escrito. Ele estava com medo porque me matou. E porque o meu corpo estava naquela banheira, à vista de qualquer pessoa que ali entrasse. PRÓXIMO CAPÍTULO: 31 DE OUTUBRO.

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