Jvm10 10

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Jvm10 10

  1. 1. VOZDAS MISERICÓRDIASdirector: Paulo Moreira | ano: XXVI | outubro 2010 | publicação mensal Iniciativa Património Santas Casas nas jornadas europeias Protocolo dá novo rumo à cultura Durante três dias, cerca de 400 en- tidades portuguesas — públicas e privadas — organizaram actividades no âmbito das Jornadas Europeias do Património. Sob o tema “Patri- mónio — Um mapa da História”, a iniciativa do Conselho Europeu con- tou também com a participação de duas Misericórdias: Ericeira e Pavia. Em Acção, 6 e 7 As Misericórdias portuguesas têm um novo protocolo de colaboração assinado com o Ministério da Cultu- ra, tendo em vista a defesa, o estudo, a salvaguarda e a divulgação do pa- trimónio imóvel, móvel museográfi- co e móvel arquivístico. A assinatura foi a 24 de Setembro, na Santa Casa de Braga. Património, 28 Santas Casas defendem autonomia O Conselho Nacional da União das Misericórdias Portuguesas, reunido extraordinariamente a 6 de Outu- bro, considera que o Decreto Geral, em que a Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) determina uni- lateralmente que as Santas Casas são associações públicas de fiéis, sujeitando-se, por isso, ao parecer dos bispos, provocará uma fractura profunda nas relações entre milhares de católicos portugueses e a CEP. As Misericórdias não aceitam aquele documento e reafirmam a sua iden- tidade e autonomia. Destaque,4e5 Durante Outubro, as mãos pintaram-se de tons rubros para re- colher os frutos da videira e do trabalho do homem. Numa região produtora de vinhos, este néctar sempre garantiu a subsistência de muitas famílias. Assim, também as Santas Casas de Macedo de Cavaleiros e Valpaços apostaram no cultivo da vinha e na produ- ção de vinhos que honrem a qualidade. Mais ao Sul, a congénere de Aldeia Galega da Merceana também aposta no cultivo da uva para reunir a comunidade. Reportagem, 16 a 18 Reportagem Vindimar para o sustento União das Misericórdias Portuguesas Qualidade Unidade de Portimão certificada Saúde Pág. 22 Anexas “Escola Superior de Enfermagem é das Misericórdias” Em Foco Pág. 15 Oliveira Martins O diálogo entre a tradição e a modernidade Opinião Pág. 31
  2. 2. A FOTOGRAFIA O Número O Caso A subir Mais igualdade de géneros As mulheres no mercado de trabalho fizeram Portugal subir 14 posições no ranking da igualdade de género. O país ocupa agora o 32.º lugar num índice da World Economic Forum. A Descer Segurança Social com mais queixas Provedor de Justiça, Alfredo José de Sousa, afirmou recentemente que em 2009 a Segurança Social foi a matéria mais problemática, com 16 por cento das queixas apresentadas na Provedoria. Comité Nobel sobre o Prémio Nobel da Paz 2010 o chinês Liu Xiaobo “Liu Xiaobo foi distinguido pela sua luta longa e não violenta pelos direitos fundamentais da China” A Frase espaço sénior Reencontro no fim das férias Acabaram as férias. O início de um ano lectivo na Academia, tempo do reencontro, é sempre de entusiasmo e alegria. Este ano, as aulas começaram mais cedo para dar lugar a uma inovação: a realização de encontros e workshops Vila do Conde Misericórdia promoveu uma recolha de sangue 2100 Milhões em IVA e IRS A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) revelou que recentemente serviços de ortopedia de hospitais públicos, privados e do sector so- cial atingiram o nível de excelên- cia máximo no âmbito do Sistema Nacional de Avaliação dos Serviços de Saúde (Sinas). Entre eles, dois hospitais de Misericórdias: Vila Verde e Riba d’Ave. Este é mais um sinal de reconhe- cimento público da excelência do trabalho que vem sendo desen- volvido pela instituição no campo da saúde, reforçando a confiança, a responsabilidade e o desafio de todos os profissionais e voluntários envolvidos esta causa de assegurar os melhores cuidados e serviços aos utentes”, afirmou o provedor da Santa Casa de Vila Verde, Bento Morais, ao Correio do Minho. O provedor considera que os resul- tados desta avaliação constituem para os utentes “uma motivação extra de confiança na qualidade Saúde Ortopedia distinguida pela ERS dos serviços prestados”. Bento Morais lembra que ainda recen- temente foi enaltecido ao nível do serviço de urgência, com a ERS a reconhecer o cumprimento dos critérios de funcionamento deste tipo de serviço de acordo com o que está estipulado para o Serviço Nacional de Saúde. Em Riba D’Ave, o prémio é con- siderado pelo director clínico e membro da administração do hos- pital, a consequência da introdu- ção de mecanismos de qualidade, cujo objectivo, garantiu Salazar Coimbra, “é dar garantias de ex- celentes serviços a quem recorre à Misericórdia”. O Sinas visa «promover um sis- tema de classificação de saúde quanto à sua qualidade global, de acordo com os critérios objectivos e verificáveis, incluindo os índices de satisfação dos utentes». Os primeiros resultados conheci- dos sobre os serviços de ortopedia indicam que, dos 60 prestadores de cuidados de saúde que voluntaria- mente aderiram ao Sinas, pouco mais de um terço não foram clas- sificados No nível máximo de excelência (nível III) estão também os cen- tros hospitalares do Alto Ave, do Porto, da Póvoa de Varzim/Vila do Conde, Entre Douro e Vouga e de Setúbal, Hospital Santa Maria Maior, em Barcelos, HPP Boavista e Hospital de S. João, ambos no Porto. Estão ainda a este nível os hospitais S. Teotónio, em Viseu, Hospital Professor Fernando Fon- seca e Hospital do Espírito Santo, em Évora e a Unidade Local de Saúde de Castelo Branco. A Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde promoveu uma recolha de sangue. A iniciativa, que contou com a colaboração de uma brigada do Centro Regional do Porto do Instituto Português de Sangue para fazer as colheitas, teve lugar a 30 de Setembro. Uma vez que a recolha de sangue tem uma incidência maior em mulheres dadoras, aptas a dádivas de quatro em quatro meses, a Misericórdia de Vila do Conde promove este tipo de iniciativas três vezes por ano. Na última recolha, em Abril, foram registadas 110 inscrições de dadores, resultando na colheita de 80 unidades. O Orçamento de Estado para 2011, se aprovado, prevê arrecadar 34 mil milhões de euros, ou seja, um acréscimo de 6,2 por cento face à receita a cobrar em 2010. cabaram as férias. O início de um ano lectivo na Academia, tempo do reencontro, é sempre de entusiasmo e alegria. Há uma autêntica “sinfonia” de saudações, perguntas e conversas que se cruzam, se entrelaçam se confundem. Este clima de alegre camaradagem é, para muitos, o melhor remédio para diversos males que têm de ser tratados. Assim foi mais uma vez. Este ano, porém, como já tinha sido determinado, a Academia abriu mais cedo para dar lugar a uma inovação: a realização de encontros e workshops. Os participantes foram muitos e pode considerar-se uma iniciativa interessante que pode vir a ser uma mais- valia na história da Academia. Há novas disciplinas: Geografia e História do Traje. Inscreveram-se 26 novos alunos e é de 461 a totalidade de associados para este ano lectivo. As aulas foram começando pouco a pouco, por alguns professores se encontrarem ainda em férias, fora de Lisboa. Então, no dia 7 de Outubro, foi a grande festa: um lanche - convívio para celebração do 23º aniversário da Academia, o 10º aniversário de ”O Mocho” e as saudações aos novos colegas. Numa cerimónia extremamente simples, reuniram-se o Dr. José Nunes, representando a UMP, o Conselho Directivo, colaboradores, alunos e funcionárias. O nosso Presidente, Eng. Luís Aires, em breves palavras, assinalou estas três intenções da festa e referiu alguns aspectos respeitantes à Academia, principalmente a apresentação dos novos membros da Direcção. O Dr. José Nunes começou por apresentar as saudações enviadas pelos Dr. Manuel de Lemos, Dr. Carlos Andrade e Padre Victor Melícias e, em seu nome, desejou felicidades e progresso para o ano 2010-2011. Saboreou-se o gostoso lanche, onde não faltou o bolo de aniversário. Todos cantaram os “Parabéns” e participaram num brinde pela continuidade do sucesso da nossa Academia. Ao fim da tarde, na Igreja de São João de Brito, realizou- se uma missa lembrando todos os nossos professores e colegas que já não se encontram entre nós. A panorama www.ump.pt Isabel Rodeia Academia de Cultura e Cooperação da UMP academiadecultura@ump.pt 2 vm outubro 2010
  3. 3. O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, inaugurou, em Setembro, a Residência Rainha D. Isabel, da Misericórdia de Alcácer do Sal. O equipamento tem 22 quartos duplos e 16 simples. A secretária de Estado Adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz, também marcou presença na cerimónia de inauguração. Mais recentemente, o chefe de Estado esteve em Arcos de Valdevez, onde inaugurou um centro social integrado, que reúne diversos equipamentos da Santa Casa daquela localidade. ON-LINE Albino Poças Provedor da Misericórdia de Valongo Opinião RADAR A Irmandade da Misericórdia e de São Roque de Lisboa festejou o Dia de São Roque, que este ano se comemorou a 3 de Outubro. As celebrações em honra do patrono da Irmandade começaram com uma novena, a 24 de Setembro, e terminaram com uma procissão nas ruas de Lisboa. A 1 de Outubro de 2010, Dia Internacional do Idoso, realizou-se uma Missa Festiva, na qual participa- ram cerca de 220 utentes de muitos dos equipamentos da Santa Casa de Lisboa. Lisboa Irmandade de S. Roque celebra patrono Alcácer do Sal Cavaco Silva inaugurou residência sénior A Santa Casa da Misericórdia de Re- guengos de Monsaraz está a comemorar o seu 150º aniversário. O programa que marca a data foi inaugurado a 1 de Ou- tubro e vai decorrer até 7 de Abril do próximo ano, data em que a instituição completará 150 anos de existência. Entre outras iniciativas que marcam a efeméri- de, a Misericórdia organizou uma confe- rência subordinada ao tema “Reguengos e a República — Um contributo para a história local”, proferida por Paula Amendoeira. Aniversário Reguengos de Monsaraz celebra 150 anos A Misericórdia do Entroncamento abriu recentemente as portas da Unidade de Cuidados Continuados Integrados Manuel Fanha Vieira – Provedor. O novo equipamento tem 70 camas: 30 de Longa Duração e Manutenção e 40 de Média Duração e Reabilitação. Ao fecho deste jornal, aquela unidade já estava a rece- ber 40 utentes, mas com previsão de em pouco tempo atingir a capacidade máxi- ma. Recorde-se que a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados foi criada em 2006. Unidade Entroncamento com 70 camas de continuados A Santa Casa da Misericórdia de Oliveira do Bairro iniciou uma forma- ção sobre “Educação Parental”, a 11 de Outubro. O objectivo da iniciativa é dar resposta às necessidades e dificuldades que pais e encarregados de educação sentem no desempenho das suas funções parentais, com vista ao desenvolvimento de relações familiares mais saudáveis e ao bem-estar emocional das crianças. Os cursos, gratuitos, serão divididos por temáticas e decorrem até Janeiro de 2011. Oliveira do Bairro Formação gratuita sobre educação parental Alerta para o presente sem esquecer o futuro Rigor no controle da despesa, na qualidade dos produtos, na escolha dos fornecedores, no cumprimento dos compromissos da instituição, não esquecendo, também, um forte rigor na selecção e ponderação das nossas ambições m tempo de crise é difícil gerir aquilo que é nosso…mas, é muito mais difícil gerir aquilo que é dos outros” Permitam-me que as palavras iniciais sejam, em primeiro lugar para agradecer, publicamente, os conselhos recebidos através do auditor Dr. Eduardo campos, que orientou o Diagnóstico de Gestão, integrado no programa de formação “Gestão Sustentável” na Misericórdia de Valongo, em 2009. A total abertura e o interesse com que os responsáveis da Santa Casa da Misericórdia de Valongo encararam este trabalho, fornecendo e disponibilizando todas as informações e dados que foram solicitados resultaram, em nossa opinião, num estudo sério e credível, do qual hoje já estamos a colher benefícios. É que, da troca de impressões ocorrida ao longo dos meses, levou-nos a ser ainda mais rígidos no controle das despesas da instituição, servindo, também, para aprofundar a nossa meditação em relação aos tempos difíceis que já então se viviam, com sinais fortes de um sério agravamento, o que infelizmente, está a acontecer. Sempre pensamos que na gestão das nossas instituições a palavra “rigor” não pode ser banida do nosso vocabulário diário, mesmo nos tempos em que a situação nos pareça mais favorável. Rigor no controle da despesa, rigor na qualidade dos produtos, rigor na escolha dos fornecedores, rigor no cumprimento dos compromissos da instituição etc etc etc…não esquecendo, também, porque é muito importante, um forte rigor na selecção e ponderação das nossas ambições. Foi com esta forma de estar e agir que a Misericórdia de Valongo, ao longo destes últimos oito anos, conseguiu criar condições para obter uma razoável estabilidade financeira, que lhe permite, hoje, prestar aos sues utentes das várias valências, uma qualidade de serviços e assistência sem quebra de qualidade, pese embora, os cortes “cegos” nas receitas, de que estamos a ser vítimas. Por isso, meus caros amigos e senhores provedores: Avançar, neste momento, com qualquer investimento mesmo que de resultados promissores mais que só serão palpáveis a médio ou longo prazo é, em nossa opinião, um grande risco. Não nos podemos esquecer dos compromissos assumidos com os utentes de que já temos acolhidos nas nossas diversas valências. Temos que moderar as tais ambições incontroladas de que falei atrás, se não queremos sentir o amargo do insucesso. Para terminar, peço a todos que não vejam nesta minha opinião, um excesso de pessimismo. É apenas a minha modesta opinião, porque, estou certo, que os caminhos que as Misericórdias terão de percorrer nos próximos anos vão ser caminhos muito tormentosos e cheios de abrolhos, muito difíceis de transpor. Ficarei muito satisfeito se, a curto prazo, através dos factos, todos concluirmos que estou errado, dispondo-me, com toda a humildade mas muita alegria, a ouvir as críticas merecidas dos senhores provedores mais optimistas. E SLIDESHOW www.ump.pt outubro 2010 vm 3 PRESIDÊNCIADARepública
  4. 4. DESTAQUE www.ump.pt4 vm outubro 2010 Santas Casas defendem autonomia Misericórdias não aceitam decreto em que a Conferência Episcopal determina que as Santas Casas são associações públicas de fiéis e vão continuar a proceder de acordo com a sua tradição O Conselho Nacional da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) considera que o Decreto Geral, em que a Conferência Episcopal Por- tuguesa (CEP) determina unilate- ralmente que as Santas Casas são associações públicas de fiéis, sujei- tando-se, por isso, ao parecer dos bispos em diversos aspectos, pro- vocará uma fractura profunda nas relações entre milhares de católicos portugueses e a CEP. A reunião extra- ordinária teve lugar a 6 de Outubro, na sede da UMP em Lisboa. Os provedores presentes foram unânimes em afirmar que não acei- tam aquele documento. As Santas Casas defendem e reafirmaram a sua identidade e autonomia. Na sequência da reunião, foi tornado público, em conferência de imprensa, um comunicado que pu- blicamos na íntegra: “O Conselho Nacional da União das Misericórdias Portuguesas, reu- nido, hoje, dia 6 de Outubro de 2010, extraordinariamente, na cidade de Lisboa, para analisar o Decreto Geral paraasMisericórdias,produzidopela Conferência Episcopal Portuguesa, entendeu tornar público o seguinte: — A CEP publicitou, em 24 de Setembro de 2010, um Decreto Geral para as Misericórdias Portuguesas, com data de 23 de Abril de 2009; — O referido Decreto, em sínte- se, pretende cortar, de forma abrupta, unilateral e autoritária, com a autono- mia de gestão de que as Misericórdias dispõem,háváriosséculos,nomeada- mente no que respeita, à disposição dos seus bens, à capacidade soberana das suas Assembleias Gerais e à livre eleição dos seus Corpos Sociais; — As Misericórdias Portuguesas, hojecerca de quatrocentas,foramsen- docriadas,desdeoséculoXV,porCida- dãos,eporReisesãodetentorasdeum enormepatrimóniohistóricoecultural; — Os princípios pelos quais sem- preseregeramcoincidemcomosprin- cípios essenciais da Igreja Católica e nessa medida, a sua eclesialidade; — Ao longo dos séculos, por re- conhecimento da sua missão, têm visto o seu património acrescido ao serem contempladas com doações, heranças e legados de cidadãos benfeitores, sem distinção de credo ou confissão e instituições públicas que se traduzem, especialmente, em bens imobiliários; — As Misericórdias Portuguesas são constituídas por sócios, a que se dá a designação de Irmãos e estes, de forma soberana e de acordo com as normas estatutárias pelas quais se regem, decidem, nomeadamente, so- bre a disposição de bens, e em actos eleitorais completamente livres es- colhem, em momento próprio, os de entre si que entendem dever assumir a direcção e gestão das respectivas Instituições; — As Misericórdias Portugueses são detentoras na área da saúde de inúmeroshospitais,clínicas,eem2011 representarão70%dascamasdaRede Nacional de Cuidados Continuados Integrados,naáreasocialprestamser- viços a mais de 500.000 utentes em valências como Lares de Acolhimen- to, Lares para Idosos Dependentes, Centros de Dia, Apoio Domiciliário, Acolhimento de Jovens em Risco, Infantários, etc…e garantem emprego estávelamaisde100.000portugueses; — Vir agora a CEP, com o Decre- to em causa, pretender alterar, sem qualquer fundamento histórico, nem jurídico, o enquadramento e a forma como as Misericórdias são geridas há séculos, causa a mais profunda estranheza, espanto e perplexidade nos muitos milhares de portugueses que generosa e desinteressadamente se associaram às Misericórdias para auxiliarosseusconcidadãosmaisdes- favorecidoseconómicaesocialmente; — O Conselho Nacional lamenta também a deselegância da CEP, por intermédio do seu Presidente, ao di- rigir no passado dia 28 de Setembro, aos Provedores das Misericórdias, através de e-mail enviado aos servi- ços gerais de cada uma daquelas Ins- tituições, uma nota pretensamente explicativa, tornando assim pública uma matéria que pela sua importân- cia devia ser reservada; — O Conselho Nacional lamenta igualmente que essa deselegância tenha chegado ao ponto de ultrapas- sar a União das Misericórdias Portu- guesas que, por certo, faria chegar a missiva a todas as Misericórdias Portuguesas, mesmo aquelas que não têm endereço electrónico; — O Conselho Nacional lamen- ta, por fim, chocado (mas não sur- preendido) que o primeiro parágrafo do citado e-mail tenha como preocu- pação evidente considerar os Bens materiais das Misericórdias como Bens Eclesiásticos, assim tornando claro qual o verdadeiro objectivo do Decreto Geral sobre as Misericórdias; — O Conselho Nacional, ponde- radas todas as implicações entende que o Decreto Geral da CEP não é um assunto que diga só respeito à Igreja ou às Misericórdias, é um assunto de Estado e da Sociedade Portuguesa; — Neste contexto, o Conselho Nacional repudia o Decreto Geral sobre as Misericórdias, quer nos seus termos, quer nos seus efeitos, por ser lesivo das Comunidades Portuguesas que sofrem, da actividade pastoral da Igreja e da tradição pentasecular das Misericórdias Portuguesas. AS MISERICÓRDIAS PORTUGUESAS NÃO ACEITAM O DECRETO GERAL — O Conselho Nacional considera que a manutenção do Decreto Geral sobre as Misericórdias provocará uma fracturaprofundanasrelaçõesentremi- lharesdecatólicosportugueseseaCEP; — O Conselho Nacional da UMP insta pois a CEP a, com humildade, retirar o Decreto Geral e a repen- sar, com a União das Misericórdias Portuguesas, a sua relação com as Misericórdias; — O Conselho Nacional mani- festou o seu apoio à forma como o Secretariado Nacional encarou o Decreto Geral sobre as Misericórdias e regozija-se com a sua prudência, responsabilidade e determinação, assegurando, junto das suas filiadas, a coesão e a serenidade, tão neces- sárias no momento de grave crise nacional, em que todos os dias cada vez mais portugueses recorrem às Santas Casas; Tudo visto, o Conselho Nacional, no âmbito das suas competências específicas, recomenda ao Secreta- riado Nacional: Que não prossiga qualquer tipo de diálogo com a CEP, enquanto o Decreto Geral não for retirado; Que desenvolva, por todos os meios ao seu alcance, as iniciativas necessários para que, na Ordem Ju- rídica Portuguesa, os Compromissos das Misericórdias tenham um estatu- to idêntico ao das suas congéneres e irmãs do Brasil, da Itália, da Espanha e do Luxemburgo, nomeadamente no que respeita à propriedade e dis- ponibilidade plena dos seus Bens, e à autonomia total de gestão; Que solicite ao Presidente da Confederação Internacional das Mi- sericórdias, Senhor Dr. Manuel de Lemos, que coloque esta questão a toda a Confederação e a todas as Misericórdias do Mundo. O Conselho Nacional da UMP re- afirma a eclesialidade do movimen- to das Misericórdias Portuguesas, a sua disponibilidade para colaborar na actividade pastoral da Igreja, em caridade cristã e em solidariedade comosquemaisprecisamnorespeito pelasuatotalautonomiaenatureza.”
  5. 5. www.ump.pt outubro 2010 vm 5 Quero começar por dizer que sou ca- tólico, apostólico, romano. Tive edu- cação cristã e os meus valores são os valores da minha cultura católica e tenho pautado a minha vida pelo respeito a esses valores. Também não pertenço, nem quero pertencer a nenhuma agremiação específica. Dito isto e com estes pressupostos, gostaria de dizer o seguinte a propó- sito do recente Decreto Geral. Quando o Dr. Vítor Melícias me seduziu para desempenhar as fun- ções de Presidente do Secretariado Nacional da União das Misericórdias Portuguesas e quando os Senhores Provedores me elegeram para o pri- meiro mandato, devo confessar que estava muito longe de qualquer que- rela entre as Misericórdias Portugue- sas e a Conferência Episcopal. Não é que desconhecesse o problema. Tinha até bem clara toda a proble- mática, uma vez que o Dr. Vítor Me- lícias, ao longo dos anos em que tive o privilégio de colaborar com ele, me foi iniciando nas especificidades do Direito Canónico. Mas tinha a con- vicção/esperança de que não seria nos meus mandatos que a questão se agudizaria. Pelo contrário, acredi- tava, e continuo a acreditar, até que, com bom senso e boa vontade, será possível estabelecer um compromis- so duradouro nas relações entre a CEP e as Misericórdias Portuguesas. Deus e alguns Homens sabem que me tenho empenhado profun- damente nessa solução. Com a con- vicção séria de que o problema não é um problema de fé ou sequer des- respeito pela Hierarquia da Igreja e a sua autoridade, que são questões que não se colocam, mas uma ques- tão de Direito. Por isso, quando alguns Senho- res Provedores colocam a questão em sede de respeito aos Senhores Bispos e ao que eles representam en- quanto Pastores, estão, com o devido respeito, a colocar mal a questão. A questão, repito, é de Direito e de História. E se me permitem, vamos então à essência da questão. A primeira Misericórdia Portu- guesa foi fundada em 1498, por uma Rainha e cem Homens Bons. E, ao longo dos séculos, este modelo foi repetido por todo o território nacio- nal e pela diáspora. Isto é, que se saiba não há nenhum caso de ne- nhuma Misericórdia constituída por iniciativa de um Bispo enquanto tal, embora, certamente, em algumas Misericórdias houve Bispos, que en- quanto homens, integraram a lista dos Homens Bons que fundaram a Misericórdia. Quero com isto dizer que, em caso algum, houve erecção canónica por parte dos Bispos (Or- dinário do Lugar). O que houve mais recentemente, nos últimos 30 anos, foram vários Opinião Aceitar o Decreto tranquilamente seria eventualmente muito cómodo mas corresponderia a deitar pela borda fora, sem mais, toda a História que tão bem está descrita no Portugaliae Monumenta Misericordiarum. Misericórdias, nos últimos 10 anos, cresceram como nunca o tinham feito antes, assumindo-se como as mais importantes Instituições de desenvolvimento local As principais consequências, se se aceitar que são Associações Públicas de Fiéis, têm a ver com a sua autonomia no que respeita aos Bens e Órgãos Sociais. decretos formais dos Senhores Bis- pos a reconhecer às Misericórdias personalidade jurídica na Ordem Canónica. Porque na Ordem Civil, as Misericórdias sempre tiveram per- sonalidade jurídica (não é possível viver 500 anos sem personalidade jurídica!). Esta circunstância, aliada à revi- são do Código de Direito Canónico, em 1983 que, entre outras novida- des, divide as Associações de Fiéis em Associações Públicas e Asso- ciações Privadas, veio criar alguma confusão em muitos espíritos. Desde logo, em que subdivisão incluir as Misericórdias? E sobre essa matéria se debruçaram muitos civilistas e canonistas, tendo, a maioria esmaga- dora, concluído que as Misericórdias são Associações Privadas de Fiéis. Não foi esse, infelizmente, o en- tendimento de alguns sectores da CEP, que passaram a sustentar que as Misericórdias são Associações Pú- blicas de Fiéis. Mas, é dever da ver- dade dizer que, desde 1983 até aos nossos dias, muitíssimos Ordinários aceitaram que as Misericórdias se definissem como Associações Priva- das de Fiéis ou, mais simplesmente, como Associações de Fiéis. Tenho para mim até, e nisto divirjo da maio- ria da doutrina, que as Misericórdias, vista a sua História penta secular, os usos e costumes e, sobretudo, a sua Missão, se deveriam simplesmente designar como Associações de Fiéis (o que, de resto, o Código permite e está consagrado na maioria esmaga- dora dos Compromissos das Miseri- córdias Portuguesas). E, mais uma vez, esclarecer que esta qualificação não foi obstáculo ao crescimento das Misericórdias Portuguesas que, seguramente nos últimos 10 anos, cresceram como nunca o tinham feito antes, assumindo-se como as mais importantes Instituições de de- senvolvimento local, em Portugal. Ora, desde a minha Posse, em 2006, que procurei estabelecer um compromisso com a CEP, compro- misso sempre balizado pelas deli- berações das Assembleias-Gerais da UMP, pela lei do Estado Português e pela História das Misericórdias. Infelizmente, porém, a CEP não se mostrou sensível às minhas pro- postas e aprovou e fez publicar o Decreto Geral. Neste contexto, importa, pois, que os Senhores Provedores tenham bem presente o que significa para a vida das Misericórdias ser uma Associação Pública de Fiéis e tam- bém se o Decreto se aplica ou não às Misericórdias já existentes. As principais consequências para as Misericórdias, se se aceitar que são Associações Públicas de Fi- éis têm a ver com a sua autonomia, nomeadamente no que respeita à disponibilidade dos Bens e ao pro- cesso de indicação e eleição dos seus Órgãos Sociais. No que respeita aos Bens, a sua disponibilidade fica completamente nas mãos do Ordinário. Isto é, por exemplo, a Mesa pode decidir pro- por à Assembleia-Geral a alienação de uma propriedade, e esta aprovar por unanimidade a proposta mas, se o Ordinário não concordar, a aliena- ção não se faz (é legítimo perguntar, então para que serve a Assembleia- Geral?). E como compatibilizar tudo isso com o Decreto-Lei nº 119/83 que, entre os poderes que confere à Assembleia-Geral, está precisamente o de deliberar sobre esta matéria? A outra questão tem a ver com a eleição dos Órgãos Sociais. É que se as Misericórdias forem Associa- ções Públicas de Fiéis, as listas con- correntes têm de ser previamente aprovadas pelo Ordinário que assim decide quem pode concorrer e, logo, condiciona definitivamente o resul- tado. Por isso, algumas declarações recentes de que não será permitido aos Autarcas e outros responsáveis políticos concorrer, uma vez que não passarão na avaliação prévia. Devo dizer, a este respeito, que o que me choca nesta posição é que, para além de a considerar uma into- lerável restrição dos direitos demo- cráticos dos cidadãos portugueses no pós 25 de Abril e do atestado de me- noridade passado às Assembleias- Gerais, esta postura revela uma desconfiança profunda em relação aos políticos católicos. Não consigo perceber, porque até vai contra as orientações que o Papa Bento XVI nos deixou na Sua visita a Portugal. O segundo ponto tem a ver com a aplicabilidade do Decreto. O cânone nº 9 do Código do Direito Canónico é explícito em dizer que a Lei não é retroactiva. E o e-mail da CEP, envia- do às Misericórdias no passado 28 de Setembro, confirma isso mesmo. Apenas refere que, já em 1989, a CEP tinha feito uma Declaração sobre a matéria. Ora, para além de uma Declaração não ter qualquer valor na Ordem Jurídica Canónica, a verdade é que não é admissível pensar que um decreto de 2010 se aplica retroac- tivamente a Misericórdias fundadas a partir de 1498. Era retroagir uma Lei mais de 500 anos!!! Como se vê por esta nota ne- cessariamente breve, esta matéria é muito complexa e não pode ser trata- da nem leviana nem unilateralmen- te. Reparem que ainda não abordei a matéria da relação das Misericórdias com o Estado que se cruza com esta e que deixarei para um próximo nú- mero. Foi, aliás, por tudo isso que, em tempos, o Dr. Melícias propôs à CEP a criação de uma Comissão Mista. Não para regulamentar um qualquer decreto, como vem agora sugerir a CEP no já referido e-mail, mas para estudar toda esta matéria que, repito, é delicadíssima. É por isso que, como escrevi na primeira carta que dirigi aos Senhores Pro- vedores, que neste momento, cada um deles é mais do que a sua pró- pria circunstância. Aceitar o Decreto tranquilamente seria eventualmente muito cómodo mas corresponderia a deitar pela borda fora, sem mais, toda a História que tão bem está descrita no Portugaliae Monumenta Misericordiarum. Apetece-me adaptar Fernando Pessoa: “Vós aqui ao leme, são mais do que vós!” A terminar por agora esta primei- ra abordagem, gostaria de reafirmar a total disponibilidade das Miseri- córdias para encontrar uma solução equilibrada, séria e justa para ambos os lados. Como todos os Provedores de Portugal sabem, as Misericórdias são hoje grandes empresas, responsá- veis pelo emprego de milhares de pessoas e dedicadas a ajudar quem precisa. Isto é o que nenhuma das partes pode pôr em causa. Isto é o que legitima a actividade da UMP e o mandato que os seus Órgãos So- ciais receberam dos Provedores de Portugal. Por isso intitulei esta série de artigos por “O Dever da Verdade”, porque tenho o dever de informar os Senhores Provedores e todos os Órgãos Sociais da verdade. De boa fé e com a coragem e tranquilidade que a Razão confere. (continua) Manuel de Lemos Presidente da UMP O dever da verdade 21,4% em privação material Segundo Instituto Nacional de Estatística, em 2009, 21,4% dos portugueses sentiram dificuldades em pagar as rendas, manter a casa aquecida ou fazer uma refeição de carne ou peixe de dois em dois dias O Prof. Medina Carreira e o Dr. Ricardo Costa escreveram um livro com este título, que à época foi considerado pessimista e irrealista. Hoje, esta verdade é o nosso quotidiano
  6. 6. em acção www.ump.pt6 vm outubro 2010 Misericórdias integraram jornadas do património Durante três dias, cerca de 400 entidades portuguesas — públicas e privadas — integraram as Jornadas Europeias do Património. Entre elas, duas Santas Casas: Ericeira e Pavia Durante três dias, cerca de 400 en- tidades portuguesas — públicas e privadas — organizam 620 activida- des que se realizaram em 248 sítios localizados em 225 concelhos, no âmbito das Jornadas Europeias do Património. Sob o tema “Património — Um mapa da História”, a inicia- tiva do Conselho Europeu contou também com a participação de duas Misericórdias: Ericeira e Pavia. “Que fixe!” ou “professora, isso está em latim, não está?” foram al- gumas das reacções dos jovens, com idades entre os 10 e 12 anos, que visitaram o Museu da Misericórdia Bethania Pagin da Ericeira. No dia em que começa- ram as jornadas, a atenção naquela localidade foi toda dedicada aos mais pequenos. Já era a segunda visita do dia. Durante a manhã, crianças mais jovens — dos oito aos 10 anos — foram brindadas com um ateliê de pintura, orientado pelo pintor Rui Pinheiro. Da parte da tarde, cerca de 40 meninos da Escola EB 23 António Bento Franco aprenderam um ofício muito típico daquela localidade li- gada ao mar, os nós de marinheiro. Os trabalhos foram orientados pelo Mestre Zé, pescador da Ericeira, e por Normando Sereno, comandante da marinha. A actividade decorreu numa das salasdomuseu,ondeasreferênciasàs tradiçõesdaEriceirasãoevidentes.Ao centro, um barco que recorda a fonte do sustento das gentes dali. Divididos em dois grupos, os miúdos estavam em alvoroço. Observados pelas pro- fessoras, os mais pequenos viam o universo da vida ligada ao mar con- cretizar-se em diversos tipos de nós. Momentos antes, o grupo foi recebido pelo vice-provedor da Mi- sericórdia da Ericeira. Para José Gui- lherme Durão, preservar e divulgar a identidade local é fundamental, especialmente num mundo globali- zado. Além disso, a própria identi- dade da Santa Casa é apresentada a Alémdeummuseu,aSantaCasadaMi- sericórdia da Ericeira é detentora ainda deumvastoarquivo.Odocumentomais antigodatade1446.Emconversacom o VM, António Silva Gama explicou que muitos documentos vieram para pos- se da Santa Casa durante o período da implementação da República. “Vieram para Misericórdia para não serem des- truídos”,comentou.Outrodocumentoa merecer destaque pelo nosso anfitrião data de 1487 e está assinado por D. João II. “Era concedida a posse de ter- renos a um senhor da Ericeira. Curiosa- mente,trêsouquatroséculosdepois,os terrenos vieram à posse da Misericór- dia”. Aquele responsável contou ainda que o arquivo é frequentemente pro- curado por historiadores. “Há exemplo de pessoas que encontram aqui docu- mentos que não encontraram na Torre do Tombo”, concluiu. Além da Santa Casa da Misericórdia da Ericeira, outras congéneres também integraram as Jornadas Europeias do Património. Pavia e Arcos de Valdevez juntaram-se à iniciativa com uma pro- gramação variada que foi das romarias aos concertos musicais. Ver página se- guinte. Documento mais antigo é de 1446 Museu da Ericeira recebeu crianças e jovens
  7. 7. www.ump.pt Cortes nos subsídios Em 2011, caso seja aprovado o Orçamento de Estado, os subsídios de férias e de Natal também estarão sujeitos ao corte entre 3,5 e 10 por cento, desde que tenham um valor superior a 1500 euros. outubro 2010 vm 7 todos aqueles que visitam o museu. No que diz respeito às Jornadas, aquele dirigente destacou ao VM que não obstante a valorização do património, a iniciativa aproxima as instituições das comunidades onde estão inseridas. E finalmente chega a hora da visita ao museu. Aos poucos, as professoras, sempre acompanhadas pela mesária Maria Teresa Carvalho, foram reunindo os meninos todos na sala que dá acesso ao espaço onde a Misericórdia de Ericeira não só divulga, mas também protege, um espólio rico que conta a história da localidade. Cada sala, uma história. Acom- panhados por um dos mesários, António Silva Gama, as crianças tiveram oportunidade de ouvir as histórias que davam vida às peças que lá estão. Entre elas, uma espada chama a atenção. “Foi do fundador da Misericórdia da Ericeira. Um ca- valeiro da Ordem de Cristo chamado Francisco Franco. Esteve enterrada durante muitos anos, mas consegui- mos recuperá-la”, explicou António Silva Gama aos meninos que ali es- tiveram durante alguns momentos a admirar aquela peça. Sala do despacho, biblioteca e igreja são alguns dos espaços que se seguem. Com o museu só para elas, as crianças comentaram e pergun- taram, apesar de alguma distracção provocada pela nossa máquina fo- tográfica. Além dos mais jovens, a San- ta Casa da Misericórdia da Ericeira também promoveu actividades dedi- cadas aos mais crescidos. Nos dias 25 e 26, uma prova de vinhos e um concerto, acompanhados de visitas guiadas ao museu, concretizaram as Jornadas Europeias do Património naquela localidade. Durante seis anos o museu es- teve fechado ao público, mas agora reabriu portas à comunidade através dos esforços da actual mesa admi- nistrativa. Sobre a realidade daque- le espaço, Maria Teresa Carvalho e António Silva Gama são unânimes em afirmar que seria necessário um investimento avultado para propor- cionar as melhores condições a todo o espólio da Santa Casa. Contudo, recordam, a instituição não pode perder de vista a sua missão essen- cial, que é apoiar os carenciados, e os apoios de outras entidades não tem sido fácil de obter. “ “ Há coisas que não conhecemos nos museus. Por isso, quando vimos cá aprendemos coisas novas José Maria 12 anos Deveríamos olhar mais pelo património, mas isto nem sempre é possível Cristina Bernardo Misericórdia de Paiva Acorde perfeito entre música e comunidade Misericórdia de Pavia integrou as Jornadas Europeias do Património. O ritmo dos bombos não deixou indiferente a comunidade local O arrojo dos ritmos dos bombos e a mestria dos grupos de música não deixaram indiferentes os populares de Pavia. Nos dias 24, 25 e 26 de Setembro no âmbito das Jornadas Europeias do Património, a iniciativa que procura sensibilizar a população para a importância do património, voltou a ser comemorada na vila alentejana, desta vez com muita mú- sica à mistura. O evento foi preparado pela Santa Casa da Misericórdia de Pavia e contou com o apoio da Câmara Municipal de Mora, da Junta de Fre- guesia de Pavia e do IGESPAR, que organizou as jornadas. A comemoração teve início na sexta-feira, dia 24, com a inaugu- ração da exposição “Envelhecer a recordar”. Logo a entrada, alguns versos do Fernando Pessoa reflec- tiam bem o espírito do evento e con- vidavam a reflexão: “Não importa se estação muda, se o século vira, se o milénio é outro, se a idade aumenta. Conserva a vontade de viver. Não se chega a parte alguma sem ela.” De facto, os alentejanos não dei- xaram nada em mãos alheias e nesta exposição recuperaram dos baús as memórias mais antigas, sendo visí- veis vários objectos que nos levam a recordar os tempos que já passaram. Além disso, a exposição apresentou vários trabalhos manuais realizados pela população local como rendas e bordados. Segundo os guias presen- tes na exposição, Lúcia Carvalho e João Alves, “a reacção da população foi muito positiva” e todos os visi- tantes encontraram sempre alguns objectos de interesse. Uma das organizadoras do even- to, a assistente social da Santa Casa da Misericórdia Estela Ramos, con- firmou que o acolhimento da exposi- ção, por parte da população local, foi tão caloroso que a iniciativa poderá mesmo a ser repetida em Outubro, altura da comemoração do mês do idoso. No sábado o grupo “Toca a Bombar”anunciou o início da festa. Durante trinta minutos jovens e ido- sos partilharam emoções marcadas pelo ritmo forte do instrumento de percussão. Logo a seguir o grupo da Escola de Música da Câmara Mu- nicipal de Mora subiu ao coreto e alegrou a noite alentejana. A directora da área social da Mi- sericórdia de Pavia, Cristina Bernar- do, salientou a importância deste tipo de iniciativa: “há cerca de seis, sete anos que fazemos actividades nesta área porque consideramos que é uma altura própria para divulgar o nosso património – não só o nosso património físico (como é o caso da igreja da Misericórdia) mas também é uma forma de divulgar outras for- mas do nosso património. A música é uma delas e aqui em Pavia nós contamos com o grupo Cantares que faz a recolha de temas tradicionais e é uma forma de não deixar morrer este património.” Cristina Bernardo destacou ainda que “ao longo de todo o ano nós de- veríamosolharmaispelopatrimónio, mas se isto nem sempre é possível, pelo menos nesta altura podemos aproveitar para alertar as pessoas para a importância da salvaguarda, preservação e valorização do patri- mónio, pois faz parte da memória do nosso povo. Este evento é um conju- gar de patrimónios e a Santa Casa da Misericórdia de Pavia valoriza muito todasasformasdepatrimónioetenta diversificar as suas actividades: nós temos os nossos equipamentos, mas nós temos que inovar”. O concerto oferecido pelo grupo musical Cantares da Santa Casa da Misericórdia de Pavia encerrou, no dia 26, as comemorações. Adriana Mello O ritmo dos bombos alegrou Pavia
  8. 8. 8 vm outubro 2010 www.ump.pt em acção Terceiro sector indispensável para a coesão social União das Misericórdias está a mobilizar as Santas Casas em torno da questão da pobreza e da exclusão social. Sector social é decisivo Portugal detém a condição de país mais desigual da União Europeia e de portador de maior índice de pobreza relativa.Opaísdestaca-se,ainda,pela piorposiçãoquandosefaladepobreza persistente. Por isso, e no âmbito do AnoEuropeudeLutaContraaPobreza e a Exclusão Social, o Gabinete de Ac- Bethania Pagin ção Social da União das Misericórdias PortuguesasestáamobilizarasSantas Casas em torno deste tema. Um dos objectivos desta iniciati- va, lê-se no documento daquele ga- binete, é sensibilizar as instituições para o facto de que “sem terceiro sector, ou com um terceiro sector frágil, qualquer política de inclusão social e de coesão social, tendo por base as actuais lógicas e dificuldades do nosso Estado-Providência, dificil- mente será viável”. “Não é por acaso que a Cons- tituição da República Portuguesa consagra a protecção do sector co- operativo social (artigo 80º) como um dos princípios fundamentais passos, continua o documento, é dis- tinguir os termos. “A pobreza é uma das dimensões, talvez a mais visível, daexclusãosocial”.Enquantopobreza é sobretudo um processo estático, a exclusão é um processo dinâmico, as- sociado a uma trajectória que conduz àmarginalização.“Aexclusãorecobre situações de precariedade e situações de risco e afecta cada vez mais indiví- duos, provenientes de um leque cada vez mais amplo de grupos sociais”. Este documento já foi apresen- tado publicamente em reuniões de alguns Secretariados Regionais e, até ao fim deste ano, o Gabinete de Ac- ção Social estará presente em outros encontros oficiais das Santas Casas. da organização económico-social. O sector precisa de ser protegido, porque tem uma natureza específica, porque é diferente, nos seus fins, nos seus meios e princípios.” A solidariedade, lê-se, “é uma imagemdemarcadaUniãoEuropeia. Os modelos europeus de sociedade e de previdência tem por objectivo in- trínseco fazerem com que as pessoas beneficiem do progresso económi- co e social e para ele contribuam. A missão das Misericórdias tenderá a manter-seatodoocustoadaptandoa visãoemconformidadecomosnovos fenómenos sociais e as necessidades específicas das populações”. Para o efeito, um dos primeiros Emprego Segundo o Gabinete de Acção Social da UMP, na génese de grande parte das re- alidadesdeexclusãosocialestãosituações de falta ou precariedade de emprego. Daí quedevasercadavezmaiorapreocupação políticadepromoveracçõesdeincentivoao empregoedecombateaodesemprego. Habitação A questão da habitação é igualmente importante. Para aqueles especialistas, é essencial garantir o acesso à habitação. “Em vez de bairros sociais dar incentivos para a disseminação das pessoas sem habitação ou com habitação precária em todo o lado, com políticas de apoio ao arrendamento social. Estrutura familiar Também as estruturas familiares, os va- lores e as estruturas sócio-demográficas se alteraram substancialmente e devem ser tidas em consideração quando o ob- jectivo é tentar combater a pobreza e a exclusão social. A queda acentuada da família numerosa, o aumento do núme- ro de famílias monoparentais, da taxa de divórcios e dos nascimentos fora do casamento, entre outros, devem ser as- pectosateremconta.“Asacçõesdirectas às famílias deverão ser adaptadas a esta nova realidade já que as actuais medidas dogovernoenquadram-senomodelode família nuclear base, esquecendo todas as outras tipologias”. Envelhecimento Porúltimo,enãomenosimportante,está a questão do envelhecimento. “Com a nova forma de gestão dos problemas sociais, resultantes da velhice e do enve- lhecimento demográfico, os conflitos de interesses reduzem-se a confrontações entre responsáveis político-administra- tivos e especialistas de instituições, num processo que se tem verificado bastante lento”. Recorde-seque,jáem1999,oINEaler- tava para o facto de que a reforma dos sistemas públicos de pensões deveria ser equacionada à luz da estratégia de envelhecimento activo, tendo em conta o aumento da longevidade, o valor eco- nómico dos recursos humanos mais ido- sos e a necessidade de novas prestações pecuniárias e não pecuniárias orientadas para a dependência crónica dos mais idosos entre os idosos. “É que todas as gerações tem a ganhar com a adopção de políticas que tenham o objectivo de promover a autonomia e diminuir a de- pendência e a incapacidade das pessoas idosos, uma vez que tal contribuirá para conciliarasaspiraçõesdaspessoasidosos a uma vida longa e de qualidade, com as legítimas preocupações da sociedade no quedizrespeitoáminimizaçãodoscustos doenvelhecimentodemográfico”,conclui o documento. Factores de exclusão social Pobreza é a face visível da exclusão social Qualidade é indispensável no combate à pobreza Para fazer face à pobreza e à exclusão social, é imperativo compreender que sustentabilidade pressupõe credibilidade e qualidade Para fazer face aos desafios da pobre- za e da exclusão social, é imperativo compreender que a sustentabilidade pressupõe credibilidade e qualidade das acções sociais. De acordo com o Gabinete de Acção Social da União das Misericórdias Portuguesas, é im- prescindível uma estratégia. Segundo aquele gabinete, “as Misericórdias sentem já o desequi- líbrio no tríptico “sustentabilidade — qualidade — participação” e “o futuro aponta para alguns desafios à gestão social, desafios estes que necessitamos ter em conta para ga- rantir a continuidade do papel das Misericórdias no combate á exclusão e pobreza social”. “É crescente a compreensão de que o poder público não consegue suprir, sozinho, todas as exigências sociais e de que, embora seja insubs- tituível em funções regulatórias, ne- cessita actuar em parceria com as organizações da sociedade civil no atendimento às necessidades básicas da população, sobretudo a camada de mais baixo poder económico”. Aquele gabinete recorda ainda que “toma corpo na sociedade a consciência de que as práticas so- lidárias devem fortalecer a autono- mia das comunidades e capacitá-las para resolver os seus próprios pro- blemas”. Nesse cenário, continuam, emergem novas possibilidades de acção e de sustentabilidade das or- ganizações sociais. “Definir uma estratégia para enfrentar desafios e aproveitar oportunidades desse novo cenário é, hoje, um imperativo para as Misericórdias”. No que se refere aos caminhos a seguir, o GAS destaca, entre outros, queaincorporaçãodaplanificaçãoes- tratégicanagestãosocialéincontorná- vel.Também“énecessárioreforçaras práticasgestionáriasedefinirmodelos organizacionais claros, experimentar práticasfundadasnaparceriaecoope- ração”, conclui o documento. Recentemente, o combate à po- breza e à exclusão social marcaram a agenda nacional num evento que reuniu centenas de organizações por todo o país, entre elas, as Misericór- dias da Amadora e do Porto. Ver página seguinte Bethania Pagin
  9. 9. outubro 2010 vm 9www.ump.pt 2,5 planetas para Portugal Seriam necessários dois planetas e meio para suportar o estilo de vida dos portugueses, se toda a população mundial vivesse da mesma forma. Mas pegada ecológica caiu entre 2005 e 2007. Os dados são da WWF. em acção Amadora e Porto na luta contra a pobreza O evento “24 Horas pelo Combate à Pobreza e à Exclusão Social” reuniu centenas de organizações, entre elas, as Misericórdias da Amadora e do Porto O evento “24 Horas pelo Combate à Pobreza e à Exclusão Social”, que de- correu a 6 de Outubro, reuniu cente- nas de organizações que, ao longo do país,organizaramdiversasactividades para sensibilizar a comunidade. As Misericórdias da Amadora e do Porto também se associaram à iniciativa. Na Amadora, um ateliê de costu- ra marcou a iniciativa com crianças e jovens de contextos desfavoreci- dos e quatro idosos do centro de dia daquela Misericórdia. A tarde iniciou-se tímida, lenta mas numa sinestesia de emoções. Aos poucos e poucos os jovens foram ocupan- do as cadeiras dispostas na sala do ateliê, em redor de um manequim que, mais tarde, faria o seu papel solene de preparação de fatos. Cada um, com a sua caixa de costura, foi arriscando, devagar, dar os primeiros passos naquela que se tornaria uma tarde cheia de coisas novas. Mergulhados na pilha de roupas e tecidos ao dispor, os jovens absor- veram os conhecimentos ancestrais das artes da costura e confecção. Quatro senhoras deliciavam-se com os sorrisos das crianças que, atenta- mente escutavam as suas palavras e seguiam, com olhares plenos de curiosidade, os dedos enrugados que descreviam as linhas para se coser. Com mais ou menos confusão, o grupoiaabrindoasasàsuaimaginação e desenhava potenciais fatos, escolhia as cores que mais se identificassem com o logótipo da acção, pensava e discutia palavras alusivas ao tema. Em alguns momentos, pela rapi- dezdeprocessamentoeesquecimento de algumas informações, os monito- res reforçavam as ideias relacionadas comotemacentraldaactividade.Tom sobre palavra. Palavra sobre acção. Acções para combater – em paz - a pobreza e a exclusão social. No Porto, diversas iniciativas marcaram o dia. Um stand da San- ta Casa, localizado na Avenida dos Aliados, ofereceu atendimento psi- cossocial, despiste glicémico e da tensão. Já nas instalações da Mise- ricórdia, durante a tarde teve lugar uma tertúlia sob o tema “Envelhecer com Qualidade” sob a orientação de Constança Paúl, professora uni- versitária e investigadora no âmbito do envelhecimento activo. A noite foi dedicada aos mais jovens, com a exibição de um filme sobre a pro- blemática da institucionalização de crianças e jovens. Ver página 8 Vila Flor com 201 empregos Misericórdia de Vila Flor, no distrito de Bragança, é a instituição que mais gente emprega. Instalada num concelho com cerca de sete mil habitantes, a Misericórdia de Vila Flor, no distrito de Bragança, é a instituição que mais gente em- prega. Em todos os equipamentos trabalham 201 pessoas. “Amaiorpartedosnossosfuncio- nários está no quadro. Apenas uma meia dúzia foi colocada através do Centro de Emprego”, orgulha-se, em declarações ao Jornal de Notícias, o provedor da Santa Casa de Vila Flor, Vítor Costa, realçando assim a im- portância que a instituição assume no concelho.   O pessoal está distribuído por 33 respostassociais:seislares,novecen- tros de dia, uma unidade de cuidados continuados com 29 camas, jardim- de-infância, empresas de inserção e apoio domiciliário, entre outros. Entre as empresas, destaque para a padaria. Criada para abaste- cer de pão e pastelaria as unidades da instituição, serve 500 refeições diárias, mas neste momento também já vende ao público. “É uma forma de gerar alguma receita”, justifica Vítor Costa. Ateliê de costura marcou iniciativa na Amadora A UNIÃO PARA AS SANTAS CASAS Centro de Formação Profissional O Centro de Formação Profissional da UMP, constituído em 1996, veio dar resposta a um conjunto de preocupa- ções das Misericórdias Portuguesas, conscientes da necessidade de recur- soshumanosdevidamentequalificados. Percorrido um caminho de progressi- va evolução nas respostas formativas que foi disponibilizando, o Ceforcórdia, afirmou-se como uma das principais Linhas de Serviço que a UMP oferece às suas associadas. Não é alheio a esta situação o facto de as Misericórdias estarem cada vez mais empenhadas na qualidade, pois, para uma prestação de bons serviços, a formação, motivação e qualificação dos trabalhadores, são factores indis- sociáveis. Contribuiu igualmente para este desempenho do Ceforcórdia o ex- pressivo apoio de fundos comunitários e do Instituto do Emprego e Formação Profissional. Só através de candidatu- ras apresentadas regularmente aos quadros comunitários de apoio e pela contribuição anual do protocolo de co- laboração com o IEFP, foi possível atin- gir elevados níveis de execução da for- mação profissional estimando-se que, até este ano, tenhamos atingido um volume de mais de vinte mil pessoas envolvidas em processos de formação. Actualmente o Ceforcórdia desenvol- ve a sua actividade disponibilizando, a todas as Misericórdias, varias ofertas formativas tendo a preocupação de abranger a diversidade de profissionais que diariamente actuam nas institui- ções. Temos igualmente uma preo- cupação em disponibilizar formação e informação a outros grupos actuantes na instituição, como são os dirigentes, voluntários e até utentes e seus fami- liares. O Centro de Formação conta actual- mente com onze colaboradores que asseguram a preparação e monitoriza- ção de todos os processos formativos que se desenvolvem nas Misericórdias. No terreno, recorremos aos coordena- dores locais da formação e a formado- res seleccionados regionalmente. Quanto a conteúdos formativos temos desenvolvido esforços no sentido de adequar as matérias aos seus directos destinatários de acordo com as funções que cada grupo exerce na instituição. Nesta linha de actuação assume espe- cial relevância a opção do Ceforcórdia pelos referenciais do Catálogo Nacional das Qualificações. Referir ainda que o Ceforcórdia viu recentemente renovada a acreditação como entidade formadora, tendo a DGERT valorizado e esse propósito, a sua politica e planeamento estratégico, a gestão dos seus recursos humanos, os resultados e melhoria contínua assim como as práticas e normas de conduta. O Ceforcórdia para além de integrar algumas plataformas de reflexão e acompanhamento, como é o caso da Comissão de Acompanhamento do POPH, tem assegurado a represen- tação das Misericórdias em projectos como a Iniciativa EQUAL, Projecto Novas Oportunidades, Programa de Aprendizagem e, por último, a gestão do Protocolo IEFP com especial des- taque para as empresas de inserção e medidas de emprego. Neste espaço, apresentaremos, ao longo das próximas edições, os diversos serviços prestados pela União das Misericórdias Portuguesas às suas associadas
  10. 10. 10 vm outubro 2010 Hoje será um concerto único, com um momento alto na “rei- nauguração” do órgão? O momento alto será, sem dúvi- da, o órgão recuperado, depois de muitos anos em mau estado. Estou muito feliz porque, estive cá a fa- zer um programa televisivo sobre o órgão no estado em que estava, e talvez tenha contribuído para a recuperação que aconteceu. Esta recuperação devia ser um exemplo para muitos órgãos que existem no país e que estão ao abandono. Uma coisa é não deitar dinheiro à rua, outra é deitar dinheiro à rua deixan- do estragar património. A política portuguesa em matéria cultural é uma política de desperdício, ao contrário do que se pretende dar a entender às pessoas. Desperdício e limitações? Desperdício e limitações, sim, quando se limita que instrumentos que estavam estragados e históricos se recuperem. Desperdiçar talentos não lhes dando trabalho. Enfim, a política cultural em Portugal é mar- cada pelo desperdício. Desperdiçar talentos em que sentido? Nunca na história em Portugal hou- ve tantos jovens e bons a seguir música. Há músicos como nunca houve, tantos e tão bons. Mas não são aproveitados, pela tal política do desperdício. As pessoas não sa- bem que eles existem. O que o move a continuar a calcorrear o país? O que me move é a profissão. É a música. É ganhar a vida como pro- fissional da música, esta é que é a realidade. Não esquecendo que eu não tenho reforma. Gostaria de não ter de o fazer por necessidade, mas faço-o. www.ump.pt em acção Arouca encerra 400 anos com música Santa Casa de Arouca encerrou as comemorações do 400.º aniversário com um Concerto de Órgão no Cadeiral do Mosteiro de Arouca A Santa Casa da Misericórdia de Arouca está a comemorar o 400.º aniversário. Ao longo do ano, foram vários os eventos que se realizaram, tendo o epílogo das comemorações acontecido no passado dia 2 de Ou- tubro, com um Concerto de Órgão no Cadeiral do Mosteiro de Arouca, o maior edifício português de gra- nito. O evento contou com as pre- senças do maestro António Vitorino D’Almeida e do Prof. Dr. Antoine Sibertin-Blanc, organista titular da Sé Patriarcal de Lisboa, e de D. Manuel Martins, bispo emérito de Setúbal. Ao comemorar 400 anos da fun- dação da Misericórdia de Arouca, Vítor Brandão, provedor da institui- ção, acredita que se vive um “virar de página”. Em declarações à Voz das Misericórdias, o provedor arou- quense afirma que “a Santa Casa Vera Campos O mosteiro encheu- se de convidados da Misericórdia atingiu o apogeu máximo de toda a sua existência” Do passado mais recente, Vítor Brandão acaba por eleger a saúde como a área que mereceu maior investimento. Através da reestrutu- ração do hospital, e do esforço con- junto de várias instâncias, este res- ponsável garante que “pela primeira vez o povo Arouca tem à disposição um conjunto de serviços e exames complementares convencionados, a custo zero ou com as respectivas taxas moderadoras”, que nunca an- tes estivera tão acessível. Mesmo assim, e sublinhando que a força interior de todos os que colaboram com a Santa Casa permitiu que esta se tornasse “num mini império em Arouca ao serviço da população”, há metas mais ambiciosas a alcançar. “Só no dia em que sentirmos que nenhuma pessoa de Arouca passa dificuldades, estaremos em paz”, refere o provedor, aludindo à extensa área do concelho, um dos maiores da Grande Área Metropolitana do Porto. Depois da aposta forte no pa- trimónio, com o restauro de todas as peças de arte da Santa Casa, que podem ser apreciadas na capela e no museu da instituição, segue-se um novo desafio. A construção de uma creche, que nascerá junto ao Hospital da Misericórdia, cujo con- curso já foi lançado e a inauguração, em breve, do Centro de Dia de Urrô. Órgão restaurado Com uma presença regular em Arouca, o maestro António Vitorino D’Almeida acabaria por confessar alguma vaidade. “Sinto vaidade ao pensar que, de certa maneira, par- ticipei na recuperação deste órgão, com mais de um século [207 anos], através de um programa de TV que fiz aqui”. Crítico quanto ao desperdí- cio de verbas e maus investimentos, o maestro lembrou que “numa época como a nossa, esbanjar inutilmente é erro. Mas mais errado é não tirar proveito daquilo que temos: jovens talentosos, património, cabeças” Por sua vez, o organista titular da Sé Patriarcal de Lisboa e consi- derado um dos melhores organistas da Europa, Antoine Sibertin-Blanc, regressou a Arouca, onde estivera a tocar precisamente na inauguração do órgão, que agora sofreu restaura- ção. “É um grande prazer para mim tocar aqui, passados 25 anos”, refe- riu o organista. António Vitorino Maestro 4P? “Tudo faremos para minimizar os momentos difíceis que se antevêem para Portugal Vítor Brandão As Santas Casas são instituições de solidariedade com identidade própria, são espaço único de voluntariado D. Manuel Martins
  11. 11. outubro 2010 vm 11www.ump.pt Missão cumprida no Chile Em menos de 24 horas foram resgatados, através da cápsula Fénix, os 33 mineiros - 32 chilenos e um boliviano - que estavam há 69 dias presos na mina de San José, no Chile. Foi a 13 de Outubro. em acção Receitas nas misericórdias Bucho Recheado de Arganil Ingredientes: informação nutricional: Preço: DIFICUDADE: MODO DE PREPARAção: 1 Bucho de porco 0,750 Kg Lombo de porco ,01 Kg Arroz 0,2 Kg Sangue de porco 1 Ramo de salsa 4 Dentes de alho Sal e piri-piri quanto baste Zerpão quanto baste 2 Dl Vinho Tinto 0,3 Kg Limão 2 (fl) louro 274,5 Kcal 7,7g Proteínas 40,2 g Hidratos de carbono 8,3g Gordura €€€€€ ,,,,, Lave bem o bucho de porco em água corrente e deixe de véspera com sal, alho esmagado e limão. Corte o lombo em pedaços pequenos e coloque em vinha-d’alhos, com sal, alho picado, sal- sa picada, pimenta ou pirir-piri, louro, zerpão e vinho tinto (pode substituir o zerpão por tomilho ou por uma pe- quena quantidade de orégãos). Dê uma pré-cozedura ao arroz; Junte o arroz à carne, o sangue esfarelado e rectifique o tempero. Lave bem o bucho e recheie com o preparado anterior, cosa com uma agulha e linha e leve a cozer em água temperada com sal, louro e alho esmagado, durante 2 a 3 horas. Duran- te a cozedura vá picando o bucho com uma agulha para que ele não rebente. Sirva frio cortado em fatias. Gestão e recursos humanos com maior impacto O projecto Gestão Sustentável I obteve avaliação positiva. Formação de recursos humanos foi uma das áreas a iniciativa teve maior impacto O projecto Gestão Sustentável I, pro- movido pela União das Misericórdias Portuguesas (UMP) no âmbito do Programa Operacional Potencial Hu- mano, na medida Formação Acção, obteve avaliação positiva por parte dos provedores. No relatório final, a formação de recursos humanos surge como uma das áreas em que a iniciativa teve maior impacto. Ao todo participaram 75 Santas Casas e já começou o segundo projecto, que envolve uma centena de instituições. De acordo com o relatório final, promovido pela Associação Empre- sarial de Portugal (AEP) enquanto entidadeavaliadora,dadosrecolhidos junto de 40 Misericórdias permitem concluir que “o contributo do projec- toparaodiagnósticodenecessidades da organização e para a formação de recursos humanos são os resultados assinalados como mais intensos”. “A gestão global, a utilização das TIC e a estratégia da organização surgem como o segundo grupo de domínios de impacto forte do pro- jecto, o que pode permitir assinalar a pertinência do projecto, traduzida na concretização de resultados relevan- tes na melhoria da gestão das Miseri- córdias”, lê-se naquele documento. Outro aspecto destacado pela equipa da AEP é o facto de que os resultados finais coincidem com as expectativas iniciais. “Este facto permitirá concluir pela relevância do projecto, que costuma ser enten- dida como conseguida quando os resultados obtidos por um projecto vão de encontro às expectativas dos respectivos stakeholders”. Recorde-se que este projecto visa aperfeiçoar metodologias de gestão e princípios organizacionais nas Mi- sericórdias, assim como abordar as qualificações dos recursos humanos. “A especificidade das Santas Casas no panorama da economia social portuguesa justifica que tenhamos preocupações em disponibilizar a estas instituições os melhores instru- mentos de gestão e os mais adequa- dos conhecimentos”, refere o centro de formação da UMP - Ceforcórdia. No projecto gestão Sustentável II estão envolvidas as seguintes Santas Casas: Espinho, Oliveira de Azeméis, Barcelos, Vieira do Minho, Vila Nova de Famali- cão, Vila Verde, Riba D´Ave, Vinhais, Tabuaço, Miranda do Douro, Vimioso, Vila Nova de Foz Côa, Lousada, Mar- co de Canavezes, Paredes, Penafiel, Unhão, Trofa, Paços de Ferreira, Arcos de Valdevez, Melgaço, Ponte da Barca, Valença, Viana do Castelo, Alijó, Arou- ca, Peso da Régua, Vila Real, Armamar, Moimenta da Beira, Resende, Tarouca, Vale de Cambra, Anadia, Aveiro, Mea- lhada, Oliveira do Bairro, Proença-a- Nova, Castelo Branco, Fundão, Oleiros, Sertã,Montemor-o-Velho,VilaNovade Poiares, Pampilhosa da Serra, Tábua, Guarda,Manteigas,Meda,Sabugal,An- sião, Caldas da Rainha, Leiria, Óbidos, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Sobral de Monte Agraço, Abrantes, Constân- cia, Porto de Mós, Mação, Castro Daire, S. Pedro do Sul, Confraria da Nazaré, Aljustrel, Alvito, Beja, Moura, Odemira, Cuba, Alcáçovas, Évora, Mora, Pavia, Vendas Novas, Cabrela, Azambuja, Avis, Castelo de Vide, Alegrete, Cabeço de Vide, Monforte, Sousel, Almeirim, Fronteira, Gavião, Rio Maior, Torres Novas, Grândola, Torrão, Alvor, Loulé, Olhão e Tavira. Santas Casas no segundo projecto Estarreja conta 75 anos em livro A edição é um estudo histórico da autoria de Marco Pereira e conta com diversos testemunhos, entre eles, a provedora, Rosa Figueiredo A Santa Casa da Misericórdia de Es- tarreja está a completar os 75 anos de existência. Nos dias 22 e 23 de Ou- tubro, história e reflexão marcaram o tom das comemorações. De acordo com a provedora, Rosa Figueiredo, o dia 22 contou com uma palestra proferida pelo Professor Daniel Serrão subordinada ao tema “Reflexão Médica e Ética sobre a Eu- tanásia”. “Tema bastante pertinente e fracturantenasociedadeportuguesae queseráconcertezaumgrandecontri- butoparareflexão”,afirmouarespon- sável sobre a iniciativa que decorreu na Biblioteca Municipal de Estarreja. No dia seguinte, 23 de Outubro, foi lançado o livro “História da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja”. A cerimónia teve lugar na Câmara Mu- nicipal daquela localidade. A edição é um estudo histórico da autoria de Marco Pereira e conta com diversos testemunhos, entre eles, a provedo- ra, Rosa Figueiredo. Segundooautor,“noiníciode1923 começavamosesforçosparaacriação de uma Misericórdia e um Hospital. Não tardou que se juntassem as elites doconcelhodeEstarrejanumagrande reunião. No entanto os entusiasmos esmoreceram pouco tempo depois e as comissões ficaram definitivamente inactivas”. E foi, portanto, em 1926 queoViscondeseSalreu,enriquecido no Brasil e benemérito na terra natal, ficousensibilizadoeprometeucustear a construção do hospital. “Construído entre 1926 e 1935, o Hospital Visconde de Salreu era con- siderado nos primeiros anos um dos melhores do país, possuindo equipa- mentos e características avançados para a época. Salazar, que o visita em 1935, mostra-se impressionado com o que vê”, refere Marco Pereira. A edição “História da Santa Casa da Misericórdia de Estarreja” faz ainda o levantamento de todos provedores que passaram por aquela instituição. No dia 23, as comemorações ficaram ainda marcadas por uma eucaristia. Misericórdia de Estarreja está a completar os 75 anos de existência. História e reflexão marcaram o tom das comemorações
  12. 12. www.ump.pt em acção 12 vm outubro 2010 Economia familiar e bem-estar na horta social da Trofa Misericórdia da Trofa inaugurou uma horta social. Para além da importância na economia familiar, este espaço é uma mais-valia para a saúde A Santa Casa da Misericórdia da Tro- fa inaugurou recentemente a horta social “O Meu Cantinho de Terra”. Para além da importância na eco- nomia familiar, este espaço é uma mais-valia para a saúde, uma vez que os “agricultores” apenas podem produzir produtos biológicos. De acordo com o jornal Notícias da Trofa (NT), a horta social da Mise- ricórdia pretende ser uma ajuda para os trofenses que mais precisam e que podem, desta forma, economizar al- guns euros no supermercado. Gorete Sousa é um dos muitos exemplos de pessoasquevãousufruirdainiciativa. Mãe de cinco crianças, Gorete actualmente vive em S. Martinho de Bougado e vai contar com a sabedoria da mãe, Adelina Alves, para cuidar do seu cantinho de terra. “Eu tive conhecimento deste espaço através do meu técnico - de Acção Social - e disse logo que estava in- teressada, porque somos muitos em casa. Tenho cinco crianças, portanto gastamos muitas hortaliças e se eu puder cultivar em vez de comprar é muito melhor para nós: poupa-se dinheiro, ocupa-se mais o tempo e os produtos têm mais qualidade do que se forem comprados na feira ou no mercado”, explicou. Gorete considera esta oportunidade “muito boa”, mas “muito rara”. Amadeu Castro Pinheiro, prove- dor da Santa Casa da Misericórdia da Trofa, acredita que este projecto vai “ao encontro da pretensão de muitos casais e de muitas famílias que gosta- riamdeterumbocadinhodeterrapara agricultura e que, por motivos vários, não têm essa possibilidade”. “Vimos, realmente,aoencontrodaquiloqueas pessoas precisavam”, afirmou. A horta social é um local onde as diferenças são esquecidas: portu- gueses, imigrantes de Leste, paquis- taneses e pessoas de etnia cigana partilham a mesma terra. O provedor recordou uma conversa com uma mulher de etnia cigana que lhe dizia que na horta social “se sentia igual aos outros”. O Meu Cantinho de Terra conta com a parceria de várias entidades, empresaseassociaçõescomoaADAP- TA (Associação para a Defesa do Am- biente e do Património da Trofa). Barcelos inaugura serviço de hidroterapia Serviço de hidroterapia da Misericórdia de Barcelos inclui uma piscina terapêutica em temperatura ambiente de 36º, única no concelho Dentro de dois anos, a Santa Casa da Misericórdia de Barcelos vai ter uma nova unidade de cuidados continu- ados integrados (UCCI). O anúncio foi feito a 8 de Outubro, aquando da inauguração oficial do novo ser- viço de hidroterapia, no centro de medicina física e de reabilitação da instituição. De acordo com o provedor, Antó- nio Pedras, o serviço de hidroterapia inclui uma piscina terapêutica em temperatura ambiente de 36º, úni- ca no concelho de Barcelos; banho turco; duche escocês; pressoterapia; duche vichy e massagem manual. Todos estes tratamentos são acompa- nhados gratuitamente pelos médicos fisiatras daquele centro. Os interessados em usufruírem destes serviços podem deslocar-se à Rua Dr. Santos Júnior (Quinta da Ordem), onde passarão numa fase inicial pelo médico que aconselhará o tratamento mais adequado. Este serviço tem capacidade para receber diariamente 140 utentes. Por sua vez, a UCCI anunciada por António Pedras terá espaço para 22 camas de média duração e 33 de longa duração e irá criar 52 postos de trabalho. Ao todo, o novo equipa- mento custará 2,5 milhões de euros, sendo que 750 mil foram compar- ticipados no âmbito do Programa Modelar. A nova unidade vai representar também uma mais-valia para as fa- mílias da região. O provedor relem- brou que, actualmente, os utentes são obrigados a deslocarem-se a ci- dades vizinhas para receber este tipo de assistência, o que dificulta a vida dos familiares que querem visitar os seus doentes. A Mesa Administrativa optou pela construção de um edifício de raiz, como alternativa à espera da de- volução das instalações do Hospital de Barcelos, que só acontecerá quan- do for construído o novo hospital no concelho, sem data prevista ainda. Nessa altura, o provedor adiantou a possibilidade de transformar aquele edifício em Unidade Hoteleira de Tu- rismo Sénior. Recorde-se que neste momento as Misericórdias representam cerca de 70% da Rede Nacional de Cuida- dos Continuados Integrados. Vila Verde prepara casais para o parto Spa da Misericórdia de Vila Verde lançou curso de preparação aquática para o parto e a parentalidade A Santa Casa da Misericórdia de Vila Verde lançou recentemente um curso de preparação aquática para o parto e parentalidade, através dos serviços da unidade de Medical Spa. O objec- tivo é promover a saúde e qualidade de vida de muitas mulheres grávidas, mas os pais também podem partici- par se quiserem. Segundo o jornal Correio do Mi- nho, o curso será leccionado por um profissional de saúde e constituído por oito aulas, quatro delas em pisci- na aquecida e as restantes centrar-se- ão na sala de fitness e de formação. A quem não interessar a frequência do curso completo, poderá adquirir a frequência individualizada das ses- sões que pretender. Para além disso, os cuidados continuam após o nascimento do bebé. Além de acompanhamento telefónico e ao domicílio, a Miseri- córdia de Vila Verde disponibilizará outros serviços como, por exemplo, o pezinho ao bebé. O curso de preparação aquáti- ca para o parto e parentalidade tem como objectivos identificar necessi- dades do casal, fornecer informação actualizada, mostrar uma diferente percepção do desconforto do traba- lho de parto, elucidar o casal sobre os métodos farmacológicos e não farmacológicos do alívio da dor. A Medical Spa da Misericórdia de Vila Verde está aberta ao público há pouco mais de um ano. Trata-se de um espaço dedicado ao bem-estar, exercício físico, saú- de e prevenção, equilíbrio, beleza, que conta com uma vasta oferta de serviços, profissionais de excelên- cia e, acima de tudo, preços sociais, atentos e à semelhança dos valores intrínsecos desta instituição. ONOTÍCIASDATROFA Horta social para ajudar a poupar
  13. 13. www.ump.pt Menos liberdade de imprensa Portugal continua a cair na tabela de liberdade de imprensa, elaborada pela Associação Repórteres Sem Fronteiras. Em 2010, o país surge no 40º lugar, caindo dez posições face a 2009. Em 2008, Portugal estava no 16º lugar. em acção outubro 2010 vm 13 Alhos Vedros comemora 510 anos A Misericórdia de Alhos Vedros comemorou recentemente os 510 anos da instituição. Durante a cerimónia, foi prestada uma homenagem a Fre- derico Fatia, ex-provedor falecido no último ano. A sua fotografia foi colo- cada na galeria dos ex-provedores. “É uma homenagem singela mas sen- tida”, disse tesoureiro da instituição. A Santa Casa prepara-se ainda para inaugurar uma unidade de cuidados continuados. “Estava previsto estar pronta este mês, mas está com dois meses de atraso, perspectivando-se que esteja concluída em Dezembro, e seja inaugurada em Fevereiro de 2011”, concluiu Alberto Morgado. 630Mil portugueses. No final de Junho, havia 630 mil portugueses com crédito vencido junto das instituições financeiras que operam em ter- ritório nacional, revelam dados recentemente divulgados pelo Banco de Portugal. Universidade Sénior da Madalena tem 20 alunos Universidade Sénior da Santa Casa da Misericórdia da Madalena, nos Açores, tem 20 alunos inscritos para o ano lectivo 2010/2011, mas espera ter muitos mais. As aulas começaram recentemente e na sessão de abertura, o provedor daquela instituição, José António Soares,afirmouqueainiciativa,cujo objectivo desta passa pela “apren- dizagem e confraternização”, tem sido “uma experiência enriquece- dora” e tem tido “resultados po- sitivos de ano para ano”. Ao todo, serão leccionadas nove disciplinas e para cada disciplina há um pro- fessor voluntário. A Universidade Sénior da Santa Casa da Misericór- diadaMadalenaexistehátrêsanos. “A Misericórdia de Castelo Branco pretender cons- truir uma nova creche e jardim-de-infância, um novo lar para idosos, uma piscina aquecida, um gi- násio e seis apartamentos independentes para quem esteja válido, mas queira viver no campo e apoiado pela Misericórdia. Guardado Moreira Provedor VOLTAAPORTUGAL Mealhada celebra 104 anos com reflexão Santa Casa da Misericórdia da Mealhada celebrou recentemente 104 anos de existência e assinalou o aniversário com um momento de reflexão A Santa Casa da Misericórdia da Me- alhada celebrou recentemente 104 anos. Mas apesar de a instituição estar “viva”, o provedor, João Peres, preferiu assinalar o aniversário com um momento de reflexão. Em declarações ao Diário de Coimbra, aquele responsável afir- mou que a função da Misericórdia “não é fazer festas, mas sim aplicar os poucos recursos que temos em prol da sociedade”. Por isso, naquele dia, celebrado a 15 de Outubro, o ob- jectivo era “não esquecer o passado e projectar o futuro”. E o futuro passa, essencialmente, por dar mais e melhores condições ao Hospital Misericórdia da Mealha- da(HMM),emfuncionamentodesde 2006 e que se tem afirmado como “um marco de referência na região e no país”, revela um comunicado da instituição. João Peres vai mais longe e afirma mesmo que o hospital, que hoje dispõe de um variado conjunto de serviços de saúde, se tem afirman- do como alternativa “à altura” dos hospitais centrais, concretamente de Coimbra, poupando tempo e di- nheiro às populações que, em muitos casos, deixam de ser obrigadas a deslocações a hospitais maiores. Além da saúde, as restantes res- postas sociais também estão a ser alvo da atenção da Mesa Adminis- trativa da Misericórdia da Mealha- da. Segundo João Peres, apesar de haver grande procura pelos serviços da instituição, o objectivo para os próximos tempos é dar melhores condições de vida aos utentes. A construção de um novo lar é uma prioridade, mas “a médio prazo”, conta o provedor, frisando que não se trata de um projecto que tem em vista o aumento da capacidade, mas sim uma “modernização”. O objectivo é fazer uma constru- ção nova, em local ainda a definir, e deixar o velho edifício do lar para outras utilizações, de apoio ao hos- pital, por exemplo, ou para outras respostas sociais. Destaque também para o apoio que a Misericórdia da Mealhada presta na área da infância, com as valências de creche, pré-escolar e ATL, onde o ensino da música e as várias actividades na área musical têm merecido uma especial atenção. “A função da Misericórdia “não é fazer festas, mas sim aplicar os poucos recursos que temos em prol da sociedade”. O objectivo é “não esquecer o passado e projectar o futuro”. 68835utentes foram ad- mitidos no hospital entre Janeiro e Setembro de 2010 30 é o número de camas na uni- dadedecuidadoscontinuados integrados da Misericórdia da Mealhada 261crianças são apoiadas nas respostassociaisdecreche, pré-escolar e ATL 160idosos são diariamente acompanhados nas respos- tasdelar,centrodediaeapoiodomiciliário 387colaboradores é com que conta a Santa Casa da Me- alhada actualmente Números
  14. 14. 14 vm outubro 2010 www.ump.pt em acção PARCERIAS Rui Filipe Leite Responsável pelo Protocolo entre Carclasse e UMP Uma das nossas missões é o apoio à actividade social Há Quanto tempo a Carclasse trabalha com as Misericórdias? A Carclasse – Comércio de Automó- veis, S.A. é Concessionário Oficial das marcas Mercedes-Benz, Smart, Suzuki Automóveis e Land Rover. Sendo representante oficial Merce- des-Benz desde 1993 para todo dis- trito de Braga e formalmente des- de 1999 para todo o Minho e após os primeiros anos de implantação no mercado iniciamos em 1996 os contactos com as Misericórdias da nossa região apresentando solu- ções para transporte de pessoas (de 2 a 23 lugares), bem como para Transporte Especial de Pessoas com Mobilidade Reduzida, de forma a garantir uma resposta real às ne- cessidades de cada instituição e de cada população. A Carclasse, S.A. define como uma das suas missões o apoio à activida- de social através de donativos bem como através do fornecimento de produtos adequados às necessida- des de transporte de pessoas ou apoio domiciliário. Que avaliação faz do protocolo com a UMP? A Carclasse, S.A. tem adoptado uma política assente em condições espe- cialmente definidas para as Miseri- córdias, pelo que consideramos esta parceria de elevada importância uma vez que o protocolo permitiu por um lado, alargar a nossa rede de contactos a nível nacional pro- movendo a diversidade de viaturas disponíveis junto das Misericórdias, cujas necessidades são específicas. Por outro lado, com este protocolo a Carclasse, S.A. assume-se agora como o principal fornecedor de via- turas neste contexto. Quais são as principais van- tagens – comerciais e outras – desta parceria para as Santas Casas? No âmbito deste Protocolo a Car- classe, S.A. para além do forne- cimento de equipamentos com custos de aquisição em condições especiais através de preços unifor- mizados e competitivos, apresenta soluções de transporte de pessoas com e sem mobilidade reduzida, veículos de apoio domiciliário e MI- NIBUS visando as necessidades re- ais de cada uma das Misericórdias. Estas viaturas são reconhecidas no mercado como as que apresentam níveis de segurança, conforto e fia- bilidade mais elevados. Há projectos para o futuro? A Carclasse, S.A. tem conhecido um desenvolvimento sem paralelo, em que o crescimento do número de vendas tem sido uma constan- te, sendo acompanhado pelo cres- cimento das infra-estruturas e do volume do serviço após-venda. A Carclasse, S.A. é, neste momento, um dos mais importantes conces- sionários nacionais, dispondo de instalações nas cidades de Bra- ga (sede), Barcelos, Vila Nova de Famalicão, Guimarães e Viana do Castelo. Prosseguindo no seu esfor- ço de crescimento e incremento da qualidade do serviço ao Cliente, a Carclasse, S.A. tem previsto inau- gurar, a curto prazo, as suas novas instalações na cidade de Lisboa, na Avenida Marechal Gomes da Costa. Desta forma pretendemos ser líde- res de mercado na satisfação dos Clientes, implementando com esse propósito acções que desenvolvam relações duradouras e de confiança. Reflexão nos 500 anos de Vila Viçosa Misericórdia de Vila Viçosa celebrou 500 anos com uma jornada de debate e reflexão acerca do trabalho que tem vindo a desenvolver na localidade No âmbito das comemorações dos 500 anos da Santa Casa da Miseri- córdia de Vila Viçosa a instituição promoveu no dia 2 de Outubro, no Cine-teatro Florbela Espanca, uma jornada de debate e reflexão acerca do trabalho que tem vindo a desen- volver em prol dos mais carenciados. Na sessão de abertura das jorna- das todos os oradores - o provedor Jorge Rosa, o presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Luís Cal- deirinha Roma, o representante da União das Misericórdias Portuguesas (UMP), Aurelino Ramalho e o arce- bispo da Arquidiocese de Évora, D. José Alves – assinalaram a impor- tância deste género de instituição. Ostemposdifíceisqueopaísatra- vessa também estiveram na ordem do dia e foram motivo de reflexão. O representante da UMP constatou que “as Misericórdias vivem e ac- tuam em contra-ciclo. Quando há uma crise no país as Misericórdias estão na primeira linha a ajudar os mais necessitados”. Ao sublinhar a importância da instituição para a população calipolense, o presidente CâmaraMunicipallocal,afirmouque “a Santa Casa, em tempo de crise, conseguecriarsituaçõesdeapoioque muitas vezes o Estado não consegue dar resposta”. Por sua vez, o bispo de Évora também destacou “a ajuda indispensável” que as Misericórdias representam para o país em áreas de actuaçãovariadascomosaúde,tercei- ra idade e apoio à infância. Durante a jornada de trabalhos foi, ainda, apresentado o livro “A misericórdia de Vila Viçosa: de fi- nais do Antigo Regime à República”, da autoria de Maria Marta Lobo de Araújo. Esta obra visa comemorar os cinco séculos de existência da insti- tuição. No entanto, como a autora do livro assinalou: “Nós não sabemos exactamente a data da fundação da Misericórdia de Vila Viçosa. Mas podemos afirmar que há 500 anos houve a integração do hospital do Espírito Santo na Misericórdia cali- polense”. Ou seja, há mais de cinco séculos que a instituição faz parte da vida da vila alentejana. Com a publicação deste livro, Maria Marta Lobo de Araújo deu continuidade aos estudos que já havia realizado e, desta vez, centrou a sua investigação entre 1800 e 1910. Segundo a investi- gadora: “ foi um período muito difícil para o país. A Misericórdia chegou à República muito desfalecida, mas soube viver, renascer e está na actu- alidade cheia de vitalidade.” O papel activo da instituição também foi destacado pelo provedor Jorge Rosa: “a Santa Casa possui lar juvenil, casa de repouso, centros de dia, serviço de apoio domiciliário, equipa de intervenção precoce, ateliê de tempos livres para jovens e crian- ças e jardim-de-infância.” Inegável é, ainda, que a instituição é uma das principais empregadoras da região. Voltada para o futuro, a Santa Casa de Vila Viçosa promete continuar a cumprir com a sua missão, estando prevista a construção (ainda para 2010) de uma unidade de cuidados continuados para acolher doentes acamados ou na fase final da vida. As comemorações dos 500 anos da Misericórdia de Vila Viçosa ain- da vão contar com outros eventos. No dia 30 de Outubro está previsto cortejo, sessão solene e convívio. O benfeitor Augusto do Couto Jardim vai ser lembrado no dia 14 de No- vembro. Finalmente, no dia 29 de Dezembro, encerram-se as come- morações. Adriana Mello Crise do país foi tema de debate em Vila Viçosa “Durante a jornada de traba- lhos foi, ainda, apresentado o livro “A Misericórdia de Vila Viçosa: de finais do An- tigo Regime à República”, da autoria de Maria Marta Lobo de Araújo.
  15. 15. EM FOCO www.ump.pt outubro 2010 vm 15 Ensinar enfermagem com coração e qualidade A Escola Superior de Enfermagem São Francisco das Misericórdias aposta no ensino de elevada qualidade, mas não descura a dimensão de apoio social Quanto aos projectos para o futuro, o directordaescolaafirmouqueaforma- ção à distância é deles. Embora ainda numa fase embrionária, o projecto pre- tende, em outros aspectos, apoiar as Santas Casas nos processos de forma- çãocontínua.Comatençãoaosdesafios que estas instituições vão enfrentar por causadoenvelhecimentodapopulação, a escola quer ser “o sustentáculo for- mativo” do trabalho em áreas como a reabilitaçãoeoscuidadospaliativos,por exemplo.“AescolaédasMisericórdias”, concluiu João Paulo Nunes. A prevenção e o tratamento de feridas tambémirãomarcaraagendadaescola nospróximostempos. Emparceriacom aEuropeanWoundManagementAsso- ciation, a ESESFM espera brevemente iniciar uma investigação sobre feridas em Portugal. “A escola é das Misericórdias”Nos próximos meses, o VM vai apresentar o panorama geral das instituições anexas da União das Misericórdias Portuguesas. A Escola Superior de Enfermagem São Fran- cisco das Misericórdias (ESESFM), que em 2010 está a completar, 60 anos de existência, inaugura esta nova rubrica. Os tempos que se aproximam não serão fáceis. Quem afirma é o director da escola, João Paulo Nu- nes. Com 270 alunos inscritos, neste momento cerca de 30 por cento estão a passar por dificuldades financei- ras e não têm condições para pagar as mensalidades. “O desemprego de que ouvimos falar está a afec- tar directamente muitos dos jovens que aqui estão”, afirma preocupado aquele responsável. Apesar do regulamento daquele estabelecimento de ensino superior Bethania Pagin contemplar que ao fim de dois me- ses sem pagamento fica suspensa a matrícula, a direcção da escola quer apoiar os estudantes com dificulda- des. “Várias pessoas já pensaram em desistir, mas estamos a tentar ajudá-las”. Para o efeito, uma das iniciativas no âmbito do gabinete de apoio social da ESESFM tem sido negociar modalidades especiais de pagamento com alguns bancos. “Te- mos de minimizar as dificuldades por que estão a passar as famílias e assegurar que o futuro desses jovens não fique comprometido por razões financeiras e essa preocupação tem a ver com a nossa missão enquanto escola de enfermagem: além da for- mação, preocupa-nos a dimensão do apoio social”. No que respeita à formação, a escola aposta num ensino de elevada qualidade que assegure, posterior- mente, uma boa taxa de emprega- bilidade. Daí que, na abertura do ano lectivo 2010/2011, a oração de sapiência vai ter como tema o em- preendedorismo. “Queremos formar profissionais e cidadãos capazes de orientar o seu próprio destino”, re- feriu João Paulo Nunes. E formar os jovens passa tam- bém por contar a história da própria União. No início deste ano lectivo, os novos alunos estiveram na sede da UMP para uma sessão de acolhi- mento. “Fazia todo sentido visto que naquele espaço começou a nossa escola e mesmo ali ao lado estão as Irmãs Missionárias de Maria que nos fundaram. Mostrar aquele espaço aos jovens é mostra-lhes a história da escola e da União e o acolhimento também é uma obra de misericór- dia”, afirmou. Para o director da ESESFM, as obras de misericórdias estão intrin- secamente ligadas à enfermagem, especialmente as corporais. “Dar de comer, de beber, vestir etc são acções que fazem parte das práticas de trabalho dos enfermeiros”, co- mentou o responsável, destacando que nas obras espirituais também é possível encontrar ligações, perdoar as injúrias, por exemplo, já que nem sempre os doentes percebem os cui- dados que lhes estão a ser prestados. Actualmente a escola está a fun- cionar nas instalações da Universi- dade Autónoma de Lisboa (UAL), mesmo no coração da cidade. Sobre a parceria, João Paulo Nunes afir- mou que são muitas as razões para continuar. Além do espaço, que é bom, o trabalho com a UAL também passa pelo desenvolvimento de pro- jectos formativos na área da saúde. Neste momento está a ser preparado um mestrado na área da saúde men- tal, contou o responsável. Em suma, queremos o nosso trabalho assente em três pilares fundamentais: quali- dade, certificação e sustentabilida- de”, concluiu o responsável. Escola tem 270 alunos inscritos 270 alunos inscritos No ano lectivo 2010/2011, a Escola Superior de Enfermagem São Francis- co das Misericórdias tem cerca de 270 alunos inscritos em licenciatura e pós- graduações. 60 anos de história A Escola Superior de Enfermagem São Francisco das Misericórdias está a com- pletar60anosem2010.Diversasinicia- tivas estão a marcar a efeméride. Concurso de fotografia A escola está a promover um Concurso de Fotografia a nível nacional. Objectivo é promover o aparecimento de imagens que traduzam os valores intrínsecos à enfermagem. Certificação de qualidade AEscolaSuperiordeEnfermageméuma entidade com acreditação de qualidade segundo a norma internacional ISO 9001/2000. O certificado foi entregue em 2009. Formação diversificada A Escola Superior de Enfermagem tem diversas pós-graduações a decorrer. In- tervençãoHumanitáriaeCatástrofeeEn- fermagemForensesãoalgunsexemplos. Centro de bioética A Escola de Enfermagem das Misericór- dias é a primeira instituição portuguesa a dedicar-seaquestõesbioéticasnoâmbi- to da enfermagem. O centro de bioética foi criado em 2005. 60 anos de história celebrados em 2010
  16. 16. reportagem www.ump.pt16 vm outubro 2010 urante Outubro, as mãos pintaram-se de tons rubros para recolher os frutos da videira e do trabalho do homem. Numa região produtora de vinhos, este néctar sempre garantiu a subsistência de muitas famílias. Assim, também as Santas Casas de Macedo de Cavaleiros e Valpaços apostaram no cultivo da vinha e na produção de vinhos que honrem a qualidade. Quando decidiu plantar vinha, o provedor da Santa Casa de Macedo de Cavaleiros, Castanheira Pinto, pensou na sustentabilidade da instituição. “Havia necessidade de termos vinho para consumo próprio e pensei já na sustenta- bilidade futura com o desenvol- vimento do casal agrícola, onde agora produzimos de tudo, desde a batata ao feijão, passando pelo azeite.” A comercialização iniciou- se em 2003. “Temos tinto e branco, com castas nobres: as tourigas nacional e franca, a Tinta Roriz; nos brancos, temos cá o Alvarinho e a Malvasia branca. Vinificamos separadamente e fazemos o lote das castas”, relatava o provedor. À lista acrescenta-se ainda a produção de espumante, que foi distinguido, em 2004, com uma medalha de ouro num concurso mundial. De dois em dois anos, são produzidas entre 1500 a 2000 garrafas, cujo preço ronda os seis Patrícia Posse D Vindimar para o sustento Em Trás-os-Montes, a colheita de uvas destina-se ao consumo doméstico das Santas Casas e à comercialização, em pequena escala, para o mercado nacional euros. “Têm notas de frutos secos, bolha persistente e fina e rondam os 11,5 a 12 graus”, desvenda o enólogo Fernando Guerra. Os vinhos Quinta do Lombo têm uma produção anual média de 20 mil litros “de qualidade”. “O tinto topo de gama é o mais produzido, tem os aromas típicos dos frutos vermelhos, 13 graus de álcool e é bastante encorpado. O branco tem aromas frutados, com muitas notas florais e acidez equili- brada. Este ano, está pela primeira vez no mercado.” As 1600 garrafas de branco vão ter um preço médio de quatro euros, enquanto os tintos de colheita e reserva se vendem a 7,5 e os correntes a 4. O mercado consumidor é prin- cipalmente local, com vendas para restaurantes e particulares. “Como a produção ainda não é muito grande, normalmente vêm-nos pro- curar a casa”, diz Fernando Guerra, depois de augurar um “ano dos melhores” em termos de qualidade. Todas as mãos são necessárias Os cinco hectares de vinha, distribuídos pela zona do Lombo e Cortiços, ficam a cargo dos 15 funcionários agrícolas, que por esta altura são ajudados por colegas de outros serviços. Fernanda Cepeda, 56 anos, é costureira no lar, mas nas vindimas, troca as agulhas pela tesoura de podar. “É um trabalho diferente. A gente alivia a cabeça e o convívio com os colegas é bom.” E também aqui não se pode dar ponto sem nó: “temos que ter cui- dado para não deixar cair as uvas ao chão, porque se os bagos caem não vão para o vinho”. “É tentar aproveitar ao máximo”, frisa. Daniel Augusto Arratel vem vindimar todos os anos, sempre munido com uma ferramenta atípica: uma faca com ponta arre- dondada. “Trouxe-a de Espanha há uns 16 anos. Já cortou muitas uvas e continua a cortar.” Além de evitar cortes nos dedos, tem outra van- tagem: “é raro avariar”. “O melaço da uva apanha a mola da tesoura e não a deixa abrir ou fechar ou a mola por vezes salta, com isto é só andar”, explica o sexagenário. Em Lombo, a 20 km de Ma- cedo de Cavaleiros, a jornada de trabalho arranca às 7h, com pausa a meio da manhã para aconche- gar o estômago com o fumeiro transmontano, o pão e o queijo. Sempre aos pares, os vindimadores dizimam as cepas e colocam as uvas em caixas de plástico, que serão transportadas para a adega da Quinta do Lombo. “Vêm em cai- xas, porque as condições higiénicas e de saúde para as uvas são as melhores. As uvas não fazem tanto peso umas em cima das outras, evitando macerações”, justifica o enólogo. Aí são colocadas no tape- te de escolha, onde se retiram os bagos podres, os secos e as folhas. “Depois de esmagadas, se for bran- co vai directamente à prensa, se for tinto ou vai para o lagar ou para a cuba, depende da casta.” Às vindimas está também associado um ritual religioso que precede o corte, com a “bênção dos frutos novos”, e culmina com uma missa na adega. “Coroamos a vindima com a eucaristia, onde se congregam todos os funcionários para que, dessa forma, façamos uma festa não só pela colheita, mas também um agradecimento a Deus, por tudo aquilo que temos e fazemos”, diz o capelão da Santa Casa, Eduardo Novo. Em prol da autonomia A Santa Casa de Valpaços comercializa vinhos há uma dé- cada pela necessidade de angariar fundos para o financiamento das diferentes respostas sociais. “Deve ser política das instituições conse- guir o maior número de receitas. Procuramos ter autonomia para sobreviver”, sustenta o provedor Eugénio Morais. Os 10 hectares de vinha ren- dem, em média, 50 mil garrafas de vinho por ano, sendo 2/3 de tinto. “Actualmente comercializamos mais os vinhos regionais do que os correntes. Estes são praticamente para consumo da casa, nomeada- mente para a confecção dos enchi- dos”, refere Luís Sousa, responsá- vel pela produção vitícola. Os vinhos são absorvidos, sobretudo, pelo mercado regional, embora haja já algumas vendas no Porto e em Lisboa. “Neste momen- to, há vinhos de alta qualidade e, por conseguinte, estamos já a pensar na exportação. Aqui ao lado, em Espanha, já estão interes- sados”, adianta o provedor. Este ano, a produção de uma monocas- ta, de Touriga Nacional, para um lote de 10 mil garrafas, constitui a principal novidade. “Este vinho irá ser engarrafado e levará o primeiro rótulo que tivemos na Santa Casa, que se chama “O Franciscano”, em homenagem ao padre Vítor Melí- cias. Os nossos vinhos de reserva e de qualidade terão sempre o rótulo desse homem que muito fez pelas Santas Casas, homenageando com a figura dele as Misericórdias todas de Portugal”, acrescenta. Os vinhos em circulação foram baptizados com os nomes de Formigueira, Toca da Lebre e Sexta- Feira 13. Este último foi lançado recentemente em homenagem aos consumidores fiéis de Montalegre, cidade onde todas as sextas-feiras 13 são transformadas em eventos de grande atractividade turística daquela localidade. Na Santa Casa de Macedo de Cavaleiros, os vinhos Quinta do Lombo têm uma produção anual média de 20 mil litros “de qualidade” Os 10 hectares de vinha da Misericórdia de Valpaços rendem, em média, 50 mil garrafas de vinho por ano, sendo 2/3 de tinto Vinhas começaram com intenção de sustentabilidade

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