C&C 15dez09 Neobarrocoresumido

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Aula sobre NeoBarroco para o curso de Comunicação e Cultura - graduação em comunicação social da UERJ

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C&C 15dez09 Neobarrocoresumido

  1. 1. "Voltando no tempo, vários paralelos entre as épocas podem emergir, nos permitindo desenvolver um entendimento mais claro do significado dos objetos culturais e suas funções no período que estamos vivendo". Angela Ndalianis * NB - Aesthetics and Contemporary Entertainment Boston: MIT Press, 2005. Angela Ndalianis is Associate Professor and Head of the Cinema Studies Program at the University of Melbourne, Australia. A cultura pós-moderna, assim como toda cultura, é uma grande rede de elementos interconectados. Mas, nós não temos o distânciamento histórico necessário para compreendê-la. Estamos no presente, literalmente vivenciando o contemporâneo. Uma das formas que pensadores encontram para compreender certas coisas do presente é compara-lo com momentos passados, já largamente explorados e compreendidos. Assim, conquista-se o distanciamento necessário para realizar uma análise do contemporâneo.
  2. 2. Há uma corrente de pensamento predominante entre intelectuais da atualidade de que as visualidades contemporâneas têm muito em comum com as visualidades barrocas. Para eles, a cultura pós-moderna poderia se chamar cultura neobarroca. Mais que um período histórico, o barroco é uma poética, termo de Umberto Eco que siginifica “modo de formar”. A poética barroca é trans histórica, transcende o tempo e reencarna em outras épocas, numa alternância com a poética clássica. Para muitos vivemos hoje uma reencarnação do espírito barroco. Uma poética que surge a reboque de crises intensas, trazendo uma carga criativa libertadora. A partir de agora você irá visualizar estes pontos de contato que caracterizam o espírito neobarroco.
  3. 3. Neobarroco
  4. 4. 1. Questionamento repensando valores repensando valores repensando valores
  5. 5. <ul><li>A crise mundial virou um grande estímulo global para repensar a forma que vivemos. Há uma forte tendência em buscar conhecimento, o que se reflete na explosão de casas especializadas em cursos e no regresso a universidades. </li></ul><ul><li>“ STOP. BREATH. THINK ABOUT WHAT WE’VE GOT”. </li></ul><ul><li>“ Neste momento, re-educação e reavaliacão das coisas fundamentais da vida são essenciais. Sabedoria é novamente um atributo-chave”. </li></ul><ul><ul><ul><ul><ul><li>WGSN - Ideas Bank </li></ul></ul></ul></ul></ul><ul><li>O barroco histórico se manifestou no decorrer do século 16 até o início do século 18, período marcado por crises religiosas e políticas. </li></ul><ul><li>A cultura europeia atravessa uma revolução científica, com o questionamento de valores antigos e a configuração de uma nova ordem social. </li></ul>sec 16 reforma e contra-reforma 1543 Copernicus a terra gira em torno do sol 1609 Kepler leis sistema planetário 1637 Descartes método científico: a razão 1687 Newton lei da gravidade 1529 A ingreja anglicana se separa de Roma sec 17 Revolução Francesa 1789–1799 sec 18
  6. 7. 2. InventividadeDespertando os sentidos 2. InventividadeDespertando os sentidos
  7. 8. No barroco viveu-se a incerteza, característica dos momentos de crise, mas também - e talvez por isso - a criação. O olhar crítico perante os dogmas religiosos que se desenvolvia entre as camadas sociais fez a Igreja Católica Romana se preocupar em comunicar temáticas religiosas à população mais pobre, os “iletrados”, de forma mais direta e com maior envolvimento emocional. Artistas como Andrea Pozzo inovaram transformando cúpulas e domos de igrejas em obras ilusionistas.
  8. 10. A música barroca é marcada por figuras como Sebastian Bach e Vivaldi. O improviso e o apreço pela ornamentação reuniu humanistas, musicistas, poetas e intelectuais, que criam a Camerata Florentine. Surgem formas musicais como concerto e a ópera. Bach in a 1748 portrait by Haussmann
  9. 11. No barroco despertam-se todos os sentidos. A arte barroca é sensorial.
  10. 12. Ela envolve emocionalmente o é mais sensual, ela convoca o observador a se mover, a visualizar a obra de vários ângulos, a se constituir como um co-criador da obra de arte, porque é uma estética que faz mais apelos aos sentidos.
  11. 13. 3. Co-criação atitude participativa atitude participativa atitude participativa
  12. 14. No filme jurassic park a tecnologia cinematográfica foi combinada a tecnologia computacional para criar efeitos especiais. Duas mídias se convergem para produzir novas narrativas híbridas que fazem enquadramento (frame) que separa o espetáculo e o espectador colapsar (Ndalianis)
  13. 17. A convergência do cinema e de múltiplos formatos de mídias depende cada vez mais da participação da audiência e oferece não só um engajamento múltiplo e sensorial como uma experiência inclusiva que perturba a tradicional concepção do espectdor passivo. (Ndalianis)
  14. 19. <ul><li>“ A criatividade está ganhando um no vo sopro de vida. Sim, sempre existiram pessoas criativas - nós não estaríamos aqui sem elas - mas a criatividade como um atributo de desejo mainstream está de volta no topo da agenda como há muito tempo não se vê. </li></ul><ul><li>Estamos falando de experimentação, provocação, uma criatividade pessoal com foco na expressão de si, sem méritos artísticos. </li></ul><ul><li>Iniciativas inovadoras, um interesse revigorado em poesia, aumento da procura por educação, performances de música pop, até cortes de cabelo feitos em casa são faces desta criatividade. A recessão é certamente um estímulo, mas criatividade é o produto” </li></ul><ul><ul><ul><ul><ul><li>WGSN - Consumers Attitudes </li></ul></ul></ul></ul></ul>
  15. 20. <ul><li>“ A tendência DIY é sobre controle: comece seu próprio negócio, pinte você mesma seu cabelo, controle as suas despesas (...) O conceito DIY pode ser esteticamente traduzido de formas diferentes. Mas, todas as marcas devem entender que em 2011 os consumidores sentirão necessidade de estar no controle, criando sua própria identidade e até economia - com a ajuda delas.” </li></ul><ul><ul><ul><ul><ul><li>WGSN - Consumers Attitudes </li></ul></ul></ul></ul></ul>Do it your self Segundo o argentino Reinaldo Laddaga, autor do livro “Estética da emergência”, o indivíduo “passa a operar a partir de uma compulsão em conduzir sua própria vida”. Não apresenta passividade, quer interagir, participar.
  16. 21. <ul><li>Didier Grumbach, presidente da Federação Francesa de Alta Custura e Prêt-à-Porter dos Costureiros e Criadores de Moda em Aula Magna sobre História da Moda, abertura SPFW. </li></ul><ul><li>Fonte: SPFW Journal, jun09 </li></ul>
  17. 22. “ Comentários, conexão e colaboração - os três Cs dos jovens do século 21.” WGSN - in 2011 consumers will want...
  18. 23. Prosumer Promoção “eu faço a megazine” do suplemento do jornal O Globo (25/08)
  19. 24. Prosumer Customização de produtos. O consumidor cria seu tênis nike.
  20. 25. Prosumer A Reco produz jeans com algodão reciclado , na linha ecológica, diminuindo a necessidade do uso de pesticidas no processo. em novembro de 2008 a marca lançou o concurso “Poem in My Pocket” para poetas e artistas em geral criarem poesias para serem reproduzidas nos bolsos das calças . 1st Place Winner Created in the mind I help preserve the earth. Though I’m made of denim my purpose has much worth. I’ll house your little treasures your contents I can hide. I’m your Reco Jean’s Pocket please take a look inside. ~Shawn Smith
  21. 26. <ul><li>“ A juventude de hoje tem um jeito único de participar como audiência e tem um jeito “mash-up” de lidar com sua cultura. </li></ul><ul><ul><ul><ul><ul><li>James Chutter for WGSN - Youth attitude and consumer behavior </li></ul></ul></ul></ul></ul>Cultura do Remix A realidade atual é completamente remixada. Entre as roupas customizadas e os carros tunados, há um sem-fim de produtos que estão sendo reinventados por seus consumidores ― além de tantos outros produtos que foram feitos para ajudar as pessoas a criar, mais do que a simplesmente remixar. Se antes temíamos que a sociedade do consumo nos padronizasse e uniformizasse, estamos vendo um movimento bem diferente acontecendo hoje em dia ― e, a cada dia que passa, mais temos possibilidades disponíveis para alterar a nossa rotina. Cultura do Remix - Alexandre Matias - Digestivo cultural
  22. 27. 4. Complexidade O olhar labiríntico O olhar labiríntico O olhar labiríntico
  23. 31. O olho do observador passeia pela tela infinita ora admirado com sua grandeza e complexidade, ora fascinado por cada detalhe, que são reagrupados de acordo com a sua interpretação.
  24. 33. 5. teatralidade linguagens performáticas linguagens performáticas linguagens performáticas
  25. 34. A coisa cênica tem muito a ver com o barroco, a teatralidade, a ópera. O teatro, que a vezes traz o excesso, era uma forma cultural forte para exprimir a visão de mundo barroco.
  26. 35. Nma ação em parceria com o suplemento Megazine e com a rede de postos de gasolina Ale, a banda Fresno, vencedora do prêmio multishow 2009, realizou pocket shows em diversos postos Ale no Rio. Uma leitora meganzine ganhou a promoção “pegue carona na van da Fresno”, realizada no sábado dia 15/08 (antes do prêmio). vários fãs pegaram taxis e ônibus para acompanhar a banda.
  27. 36. Em parceria com a secretaria de turismo e marketing de Nova York, a gravadora Warner colocou 20 músicos independentes em diversos pontos da cidade para tocar algumas faixas, até então inéditas, do novo disco do Oasis, “Dig out your soul&quot; lançado no dia 7/10. A performance ao lado é da faixa &quot;The Turning&quot; e foi realizada por Theo Eastwind na Times Square, no dia 12/09/08. Gravado por um amador este video teve 40,214 acessos no youtube.
  28. 37. Seguindo a campanha “Life’s for Sharing” da marca, a T-Mobile produziu no dia 30/04/09 um Flash MOB na Trafalgar Square, reunindo 13,500 pessoas para cantar Hey Jude, Foram distribuídos diversos microfones para as pessoas na multidão, e um telão ia passando a letra da música, como em um karaokê. A loira que aparece no vídeo é a cantora Pink, que contou com a ajuda de cerca de 200 cantores profissionais misturados entre o público. Foram utilizadas 20 câmeras posicionadas estrategicamente para a filmagem, e cerca de 2,000 microfones. 1,055,935 acessos no youtube (25/08) fora os videos virais gravados pelas pessoas.
  29. 38. 6. Hibridismo Esfumaçando fronteiras Esfumaçando fronteiras Esfumaçando fronteiras
  30. 39. A visão barroca de mundo não fazia separação radical entre o mundo da natureza e o mundo dos homens. Os famosos gabinetes de curiosidades reuniam num mix de maravilhas as coisas da natureza e as invenções humanas. O natural e o artificial não se opunham e a natureza era vista como algo de uma beleza exuberante.
  31. 40. As pinturas de Arcimboldo também mixavam o homem e natureza com elementos do mundo natural criando formas humanas.
  32. 41. O artista romeno Alex Dragulescu em seu trabalho spam_plants transforma emails spam em imagens que formam plantas, por meio de algorítimos. A natureza e a tecnologia se misturam.
  33. 42. O espírito mash-up mistura culturas e cria híbridos. O local e o global, o orgânico e o maquínico, o sagrado e o profano, a ficção e a realidade, eu e o outro: há um certo prazer na confusão de fronteiras identitárias que molda o que a americana Donna Harraway chamou de CIBORG. “ Um ciborgue é um organismo cibernético, um híbrido de máquina e organismo, uma criatura de realidade social e também uma criatura de ficção.” Manifesto cyborg - Donna Harraway
  34. 43. “ As imagens provocam uma discussão sobre a normalidade da beleza ou a beleza da normalidade Eu quiz mudar o sentido de natural .” Marcos Bolognesi, fótografo, criador da série Synteborg, para o WGSN. “ A recente exposição de Marco Bolognesi em Londres tangibiliza as tendências WGSN para o outono/inverno 2011em termos de beleza.” WGSN - Beauty 07/08/09
  35. 44. 7. Beleza polimórifica multiplicidade de formas multiplicidade de formas multiplicidade de formas
  36. 45. O fenômeno cultural do Barroco foi sempre associado à exuberância da natureza, ao excesso, à multiplicidade de formas, à riqueza de detalhes. Aqui, o conceito de beleza é bem diferente da concepção clássica. Na arte barroca os opostos estão juntos: sagrado/profano, sofrimento/alegria, razão/emoção, sensualidade/espiritualidade, bem/mal, obscuridade/luz, vida/morte. Há um interesse pelo grotesco, o bizarro, o imperfeito, o desproporcional, o esquisito. O belo no barroco é marcado pelo dinamismo da vida, suas imperfeições, não há um compromisso com a precisão das formas mas com a força da expressão, o poder de afetar o sentimento de quem observa. A beleza clássica evoca clareza, luminosidade, harmonia, perfeição. Um ideal totalmente unitário, um padrão absoluto. Se na beleza de uma Vênus de Milo parece que nada excede ou falta, a beleza de uma obra barroca é marcada por uma outra concepção de belo.
  37. 46. plural - do grotesco ao apolínio exuberante riqueza dos detalhes No decorrer do século 20, percebemos a predominância de um certo padrão de beleza em cada década até a virada do milênio. “ Foi preciso um século para ampliar o leque da beleza até o que ele é hoje: no momento em que a beleza chega a internet, o fluxo global das idéias, da informação (..) Já se pode constatar os resultados disso no domínio da aparência: menos critérios únicos e discriminatórios no tamanho, na forma e na cultura, como o demonstram na virada do século XXI modelos tão variados quanto Madonna, Lauryn Hill, Gwyneth Paltrow, Jennifer Lopez ou Lucy Liu, para citar alguns” (p.22) “ Hoje, como nunca antes, a beleza é plural e se define individualmente. Considera-se às vezes excessiva a diversidade da beleza, de comportamento e de gênero, um vasto leque de escolhas que se tem de enfrentar para satisfazer o desejo de parecer único. As passo que na primeira metade do século, se produzia geralmente apenas um modelo de beleza por época, adotado pela maioria das mulheres.” (p.10) FAUX, Dorothy Schefer. Beleza do Século, São Paulo: Cosac & Naify, 2000, 400p

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