Jabes ribeiro

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Jabes ribeiro

  1. 1. JABES RIBEIRO: “SE TIVERMOS UMA VISÃO AMPLA, TODOS VAMOS CRESCER”29/out/2012 . 14:10 | Autor: Seu PimentaENTREVISTAPrefeito eleito de Ilhéus, Jabes Ribeiro (PP) fará a partir de 1º de janeiro de 2013 seu quartomandato à frente do município. Ele venceu as últimas eleições a bordo de uma aliançaformada por 16 partidos, e talvez uma de suas tarefas mais complicadas será compor osdiferentes interesses de um grupo heterogêneo. Nesta entrevista concedida ao PIMENTA,Jabes assegura que em seu governo não haverá loteamento de cargos e a ocupação dasfunções levará em conta, além da indicação política, o perfil do indicado. O futuro gestor falaainda, entre outros assuntos, sobre a questão dos precatórios, que trava o governo ilheense, eas perspectivas do município com a implantação do Porto Sul. Jabes diz defender odesenvolvimento sustentável e salienta: “não sou ecochato nem irresponsável”.A entrevista com Jabes Ribeiro abre a série que o PIMENTA fará com prefeitos eleitos no Sul daBahia. Confira abaixo os principais trechos:PIMENTA – Esta última eleição em Ilhéus mostrou uma população dividida e aparentementedesestimulada com a política. Mais de 33 mil ilheenses deixaram de votar e houve ainda 3.115votos brancos e 6.105 nulos. O senhor acha que esses números refletem a descrença doeleitorado?Jabes Ribeiro – De forma alguma. Ilhéus tradicionalmente tem um alto índice de abstenção,primeiro em função da área rural, que é muito grande, e muitos eleitores moram em fazendas.Antigamente, havia o hábito de se fazer o transporte dessas pessoas, mas isso não é maispossível em função da legislação e a justiça eleitoral não toma as providências para viabilizar odeslocamento dos eleitores. Por outro lado, no dia anterior à eleição o tempo não estava bom.Na véspera choveu muito e eu acho que isso foi um fator decisivo para essa abstenção.PIMENTA – O município enfrenta precariedade em diversos setores, inclusive nos maisessenciais, que são saúde e educação. O senhor já definiu uma estratégia para superar asdificuldades e fazer com que a população possa ter um serviço público mais qualificado?JR – Ilhéus vive uma situação extremamente grave em todos os setores. Eu fiz uma visita aoTribunal de Contas dos Municípios (TCM) e, conversando com alguns técnicos, pessoas queconhecem a realidade de Ilhéus, a constatação é de que o quadro é assustador. O municípiotem as suas contas rejeitadas desde de 2006. Isso significa que, sucessivamente, O tribunaltem dado parecer contrário, basicamente em função, entre outros, de três itens: problemas nasaúde, educação e na área de pessoal. São questões graves. Por outro lado, você tem umadesorganização financeira tal que acaba prejudicando os serviços essenciais. Não funcionamlimpeza urbana, iluminação pública, saúde, educação, as estradas rurais se encontram empéssimo estado. Não é uma situação simples, nós já tínhamos essas informações e ninguémestá se surpreendendo com nada, mas a cada dia está sendo constatado o fato de queefetivamente o município está na UTI.
  2. 2. PIMENTA – Esse cenário exige a definição de prioridades. O que já se vislumbrou nessesentido?JR – Aproveitando até declarações do prefeito, quando estive com ele, de que tem interesseem contribuir com a transição, nós esperamos que na prática isso aconteça. Nesta segunda-feira (29), nós estaremos entregando ao prefeito um ofício, no qual fazemos algumassolicitações. Entre elas, apresentamos o grupo que vai colher os dados dentro da comissão detransição, de acordo com Resolução do TCM. Essa coleta de dados será muito importante parafazermos um diagnóstico. Com ele é que nós teremos condições de tomar as medidasnecessárias, primeiro no sentido de saber qual a estrutura administrativa possível, dentro darealidade do município, e a partir daí definir a equipe de governo para que possamos adotar asprovidências já no início da administração, procurando arrumar a cidade, organizar as finançase, efetivamente, trabalhar para melhorar os serviços essenciais.Ninguém está se surpreendendo com nada, mas a cada dia está sendo constatado o fato deque efetivamente o município está na UTI.PIMENTA – Existem denúncias de desvios no governo, a exemplo de falta de licitação emdeterminados contratos, entre outros problemas.O senhor já pensa na possibilidade de umaauditoria para investigar esses casos?JR – Em nossa trajetória, que é longa, nós aprendemos que é preciso ver de perto. Queremoster conhecimento dos elementos que serão norteadores das decisões que iremos tomar. Eunão costumo trabalhar com uma visão de perseguição. O que efetivamente estiver errado nósvamos encaminhar às autoridades competentes para que elas avaliem. O governo temclaramente o objetivo de olhar para frente, de construir as condições para resgatar aautoestima dos ilheenses, recuperando a cidade, tomando decisões que são essenciais paraque as pessoas percebam que há um processo de resgate e recuperação do município.Queremos realizar um governo no qual a transparência e a ética sejam elementos essenciaispara que se possa conquistar a sociedade, sem o que não teremos nenhum sucesso.PIMENTA – O senhor já enfrenta uma polêmica antes de assumir o mandato, no que dizrespeito à cessão do prédio do antigo colégio General Osório para o Teatro Popular de Ilhéuspelo atual governo. Como essa questão está sendo tratada?JR – Está sendo tudo resolvido de maneira tranquila. Eu estive com o pessoal do TeatroPopular e eles concluíram que realmente a biblioteca não é o lugar ideal para que possamtrabalhar. O TPI é uma instituição não-governamental, com serviços prestados à comunidadena área cultural, e nós queremos ser parceiros. O que vai ficar claro é que biblioteca serábiblioteca. Nós vamos recuperá-la, assim como o arquivo público municipal. Creio que todapolêmica resultou da falta de contato. Medidas em final de governo precisam ser pensadas erefletidas porque podem demandar algumas inquietações. No caso específico, parece que estátudo bem claro. Nós conversamos e o que eu puder fazer no sentido de contribuir com acultura da minha cidade, como sempre fiz, farei sem nenhuma dúvida.
  3. 3. PIMENTA – Por falar no Teatro Popular, esse grupo tem se notabilizado pela sátira políticatendo como pano de fundo a administração municipal ilheense. Como o senhor vê o fato dosdois últimos governos terem se tornado motivo de piada?JR – É lamentável isso, mas como eles são inteligentes e criativos, eu acho que a criatividadepode ser construída em cima da história de Ilhéus, daquilo que nosso povo produziu ao longode quase cinco séculos, em cima até do cotidiano. Não sei nem se agrada ao Teatro Popular senotabilizar em função do desastre de Ilhéus. Eles são criativos e inteligentes e podem senotabilizar abordando as coisas positivas da cidade.O TPI (Teatro Popular de Ilhéus) é uma instituição não-governamental, com serviços prestadosà comunidade na área cultural, e nós queremos ser parceiros.PIMENTA – A administração está com sua capacidade de endividamento praticamenteesgotada, atolada em precatórios esem crédito. O que o senhor pretende fazer para não estardaqui a quatro anos lamentando o que não pôde ser realizado em função das dificuldades?JR – Tudo o que aconteceu, inclusive com relação aos precatórios, é resultado de duas gestõesque não tiveram o devido cuidado. Quando eu assumi a Prefeitura em 1997, deparei com aquestão dos precatórios, tanto que convidei para ser procurador um juiz do TRT aposentado,doutor Raimundo Laranjeiras. O que fizemos? Negociamos com o Tribunal Regional doTrabalho e, a partir daí, não deveria haver problema nenhum. Lamentavelmente, essesprecatórios resultaram de irresponsabilidade da gestão pública, com perdas de prazo, revelia edefesas malfeitas. Isso foi constatado quando assumi em 97.PIMENTA – O que o senhor fez naquela época?JR – Fizemos a negociação no TRT e um determinado percentual era descontado todo mês doFPM (Fundo de Participação dos Municípios). Então, nós sabíamos que recurso dispúnhamospara fazer o planejamento do município. A partir do Valderico (Reis), a descordem ocorreu.Não se pagava aquilo que tinha sido acertado, o que gerou o caos total, com a administraçãoperdendo a capacidade de assumir responsabilidades e compromissos.PIMENTA – E agora, o que é possível ser feito para resolver?JR – Nós vamos ter que reorganizar as finanças, negociar com quem tem que negociar, discutircom os credores… Nós vamos tomar essas providências e, evidentemente, quando eu falocredores, será analisando com lupa, se esses créditos são eficazes ou não. É preciso organizar omunicípio e, nesse sentido, nós não podemos cometer nenhuma espécie de equívoco. É maisdo que fundamental que tenhamos um controle interno com total independência. Muitos dosproblemas que eu tive no passado decorreram de falta de controle interno. Não adiantasomente você ter um secretário da Fazenda honesto. Eu tive um secretário honesto, o EdmonDarwich, um homem sério. Mas não adianta você ter no controle interno uma pessoa séria, épreciso que ela tenha também o perfil técnico adequado e atualizado com relação à legislação.O que faltou, sobretudo nos meus últimos governos, foi esse perfil. É preciso acompanhar osprocessos no início, meio e fim, senão o prefeito acaba sendo responsável, como eu acabei emvárias questões. Isso não mais acontecerá.
  4. 4. PIMENTA – Por quê?JR – Nós vamos montar o controle interno com gente da maior capacidade,independentemente até de ser de Ilhéus. Poderemos buscar profissionais em Salvador eoutros lugares, sem problema algum, pois o que está em jogo é o futuro do município e nósnão podemos tergiversar com essas questões. Com esse controle, nós vamos ter condições demelhorar as contas públicas, as receitas, cumprindo a Lei de Responsabilidade Fiscal. Osprimeiros meses serão de saneamento e decisões que possam colocar o município para andarde acordo com sua realidade. Simultaneamente, nós queremos discutir com o povo de Ilhéus acidade que nós queremos daqui a 30 anos. Não dá mais para se governar pensando no outrodia ou apenas em um ou dois mandatos. Eu não sou mais criança e não posso fazer um projetode 30 anos para mim, mas acho que a cidade precisa. Pretendo construir os chamadosconsensos acionais, com os aliados, com a oposição e com a sociedade civil, porque são essesconsensos que darão condições de projetarmos a cidade e trabalharmos duro, com firmeza ededicação total para que as coisas aconteçam. É fundamental ter clareza, transparência nasdecisões e compartilhamento com a sociedade organizada. Eu acredito nisso e foi por isso queresolvi disputar as eleições.Não adianta somente você ter um secretário da Fazenda honesto. Eu tive um secretáriohonesto, o Edmon Darwich, um homem sério.PIMENTA – No que diz respeito aos precatórios, o senhor planeja então fazer uma triagem?JR – O fato é que o município não pode sobreviver tendo sequestros de repasses todo mês.Isso é impossível. Vamos ter que procurar todos e mostrar nossa realidade. Iremos ao Tribunalde Justiça, onde se trata dos chamados precatórios comuns; assim como ao TRT, verificar asituação dos precatórios trabalhistas. É necessário discutir com todos porque o municípioprecisa ser viabilizado. Como é possível cumprir Lei de Responsabilidade Fiscal se não dá parafazer um planejamento mínimo? Nós já havíamos equacionado a situação dos precatórios, masa partir de Valderico Reis foi a destruição completa. Falta de governo, gestão e decompromisso com a cidade. Deu no que deu.PIMENTA – Qual será o perfil de seu secretariado? Já existem nomes definidos?JR – O perfil será técnico com sensibilidade política, porque não estamos administrando umaempresa privada. Eu tenho a tradição de cumprir acordos, mas, dentro da articulação quefizemos, aquilo que couber à indicação dos partidos, nós diremos claramente qual é o perfilque desejamos. Ilhéus vai receber milhões de investimentos e precisa de um perfil técnicoadequado para discutir isso e dialogar com todos os setores. Portanto, caberá aos partidos,dentro daquilo que foi articulado, indicar o perfil adequado para que a cidade avance. Nós nãopodemos fazer o governo “dos mesmos” e não haverá loteamento (de cargos).PIMENTA – O senhor recentemente conclamou os partidos que o apoiam a se mobilizar pelaliberação de recursos para a segunda ponte entre o centro e a zona sul de Ilhéus? Sem essamobilização, a obra não sai?JR – Desde a campanha eu disse que nós estávamos organizando uma aliança ampla porquesabemos que o município por si só não tem recursos para andar. Iremos fazer o dever de casa
  5. 5. e organizar a cidade com uma visão de futuro capaz de sanear as finanças e, a partir daí,trabalhar. É um processo e ninguém espere milagre porque não se faz milagre diante darealidade que temos, mas a população de Ilhéus vai perceber os passos e será convidada aparticipar desses passos e dessas decisões. Já fizemos o Fórum Compromisso com Ilhéus e oPrograma Prefeitura Cidadã, que são propostas de participação popular. Existeminvestimentos que são dos governos federal e estadual. A ponte, por exemplo, é umcompromisso do governador, que ele reafirmou quando conversamos há 15 dias (a entrevistafoi concedida na sexta-feira, 26). Se nós precisamos de recursos para investimentos ligados asaneamento, ao Viva o Morro, à urbanização de setores da cidade, o que vamos fazer? Vamosbuscar as emendas parlamentares e, para isso, é preciso que os partidos que nos apoiamtenham esse comprometimento.PIMENTA – O senhor buscará o apoio da deputada estadual Ângela Sousa, que é arepresentante do município na Assembleia Legislativa?JR – Todos que quiserem contribuir com a cidade são bem vindos. Eu não faço política na basedo detalhe, mas sim com uma visão pública e com legitimidade. Goste de mim ou eu goste dapessoa ou não, naquilo que estejam comprometidos efetivamente a ajudar Ilhéus, estareisempre aberto a todos, tenham me apoiado ou não. Os que me apoiaram têm maiorcompromisso. Estamos juntos, ganhamos a eleição e temos um projeto pela frente. Os quenão apoiaram, se tiverem sensibilidade para ajudar a cidade, receberei com toda civilidade einteresse público.Eu fui um dos primeiros candidatos a prefeito a me inscrever no programa “CidadesSustentáveis”, mas não sou ecochato. Nem sou irresponsável.PIMENTA – O senhor pretende fortalecer o diálogo institucional com as empresas que estão seimplantando em Ilhéus, a exemplo da Bamin, a fim de permitir que esses empreendimentostenham seu retorno social ampliado?JR – Nós seremos protagonistas desse debate, sem dúvida. Temos um compromisso legitimadopelo povo de Ilhéus de governar a cidade pelos próximos quatro anos. Digo isso comtranquilidade porque fui um dos primeiros a fazer a defesa do Complexo Intermodal. Nãofiquei em cima do muro nem na dúvida, como muitos ficaram. É claro que temos uma atitudede compromisso com o desenvolvimento da cidade, lembrando que isso está ligado aodesenvolvimento do ser humano. Temos experiências no Brasil que servem de exemplo. Euacabei de ler alguns documentos sobre Suape e acho muito importante que nós tenhamosessa visão do que fazer para não cometer os mesmos erros. É preciso que nos antecipemos adeterminados fatos. Tenho estudado muito a questão do planejamento estratégico e, hoje,quando se planeja, é necessário definir vetores que se antecipem a problemas que surgirão nafrente. Eu fui um dos primeiros candidatos a prefeito a me inscrever no programa “CidadesSustentáveis”, mas não sou ecochato. Nem sou irresponsável.PIMENTA – O Porto Sul é fundamental para o desenvolvimento do município?JR – Estamos tratando de investimentos-âncora importantes, mas não podemos limitar odesenvolvimento de Ilhéus apenas à questão do Intermodal. Precisamos buscar a chamada
  6. 6. economia criativa, trazendo um novo conceito de empreendedorismo capaz de gerar outrasatividades. Entendemos que o turismo é fundamental e vamos retomar o papel da Maramatacomo espaço de geração de massa crítica, projetando o turismo ecológico, ambiental, cultural,de negócios, da melhor idade. Vamos trabalhar duro no sentido de capacitar nossa mão deobra como elemento essencial para esse surto de desenvolvimento que vem aí. É precisotambém pensar no fortalecimento do polo chocolateiro, agregando valores, gerando renda eemprego. Será tambémmuito importante pensarmos na região metropolitana, combinando odesenvolvimento de Ilhéus com o desenvolvimento regional. Se tivermos uma visão maisampla, todos vamos crescer.

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