ÚLcera Péptica

32.545 visualizações

Publicada em

Medicina
Úlcera Péptica
Mecanismo da doença

Publicada em: Tecnologia, Negócios
2 comentários
32 gostaram
Estatísticas
Notas
Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
32.545
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
102
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
0
Comentários
2
Gostaram
32
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide
  • ÚLcera Péptica

    1. 1. Faculdade de Medicina de Lisboa Mecanismos da Doença 2007/2008 Ana Cristina Teixeira Ana Lúcia Carvalho Andreia Leite Gustavo Carvalho TP5 Prof. Mário Mascarenhas
    2. 3. Identificação : Alfredo B., ♂ 65a, pedreiro Motivo de Consulta : aumento da frequência de episódios de algias ao nível do epigastro. <ul><li>No último ano : episódios de epigastralgias, sem padrão temporal específico, acompanhados por sensação de enfartamento, aliviadas com a ingestão de alimentos </li></ul><ul><li>Antecedentes pessoais : </li></ul><ul><ul><li>Gonartrose bilateral, desde há 3 anos, medicada com nimesulide </li></ul></ul><ul><ul><li>Hábitos tabágicos (1 maço/dia) </li></ul></ul><ul><ul><li>Hábitos etílicos (≈ 30g etanol/dia) </li></ul></ul><ul><li>Exames complementares: </li></ul><ul><ul><li>Hemograma </li></ul></ul>
    3. 4. <ul><li>Exames complementares (cont.): </li></ul><ul><ul><li>Endoscopia Digestiva Alta (EDA) – “úlcera gástrica no antro, na pequena curvatura, com mucosa hiperemiada, com cerca de 8 mm de diâmetro, de bordos regulares e fundo nacarado” </li></ul></ul><ul><ul><li>Biópsia de bordos e fundo da úlcera, corpo e antro gástrico - “em dois fragmentos, reconhece-se mucosa gástrica com processo inflamatório e aspectos hiperplásicos, regenerativos, fibrina e tecido de granulação, tanto no bordo como no fundo da úlcera. Dos outros quatro fragmentos, dois são de mucosa do corpo e dois da mucosa do tipo pilórico com gastrite crónica activa intensa, com atrofia moderada, metaplasia intestinal completa multifocal e grande quantidade de bacilos com as características morfológicas do H. pylori”. </li></ul></ul>
    4. 5. <ul><li>Terapêutica: </li></ul><ul><ul><li>Omeprazol </li></ul></ul><ul><ul><li>Claritromicina </li></ul></ul><ul><ul><li>Amoxicilina </li></ul></ul><ul><li>Doente assintomático em 5 dias. </li></ul><ul><li>Após 2 meses </li></ul><ul><ul><li>EDA - “pequena cicatriz da úlcera” </li></ul></ul><ul><ul><li>Biópsia – “gastrite crónica com as características já mencionadas, mas com menor infiltrado inflamatório e sem H. pylori ” </li></ul></ul>
    5. 7. <ul><li>O estômago é dividido em 5 regiões anatómicas: </li></ul><ul><ul><li>Cárdia </li></ul></ul><ul><ul><li>Fundo </li></ul></ul><ul><ul><li>Corpo </li></ul></ul><ul><ul><li>Antro </li></ul></ul><ul><li>Separado do esófago pelo esfíncter gastro-esofágico </li></ul><ul><li>Separado do duodeno pelo esfíncter pilórico </li></ul>
    6. 8. <ul><li>Constituída por: </li></ul><ul><ul><ul><li>Mucosa </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Submucosa </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Camada muscular </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Serosa </li></ul></ul></ul><ul><li>Superfície interna do estômago exibe rugas irregulares designadas por “pregas” </li></ul><ul><li>Mucosa gástrica apresenta milhões de fossetas gástricas que levam às glândulas mucosas </li></ul><ul><li>Mucosa gástrica normal: </li></ul><ul><ul><li>2 compartimentos: </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Foveolar superficial </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Glandular profundo </li></ul></ul></ul>
    7. 9. <ul><li>Compartimento foveolar – uniforme em todo o estômago </li></ul><ul><ul><li>Células epiteliais superficiais - superfície mucosa e fossetas gástricas </li></ul></ul><ul><ul><li>Células mucosas do colo </li></ul></ul><ul><li>Glandular – ≠ regiões -> ≠ na espessura e composição glandular </li></ul><ul><ul><li>Glândulas da cárdia – contêm somente células secretoras de muco </li></ul></ul><ul><ul><li>Glândulas oxínticas (gástricas ou fundicas) </li></ul></ul><ul><ul><li>Glândulas antrais ou pilóricas - contêm células secretoras de muco e células endócrinas </li></ul></ul><ul><ul><li>localizam-se mais profundamente nas fossetas gástricas </li></ul></ul><ul><ul><li>têm menor quantidade de grânulos de mucina </li></ul></ul><ul><ul><li>formam quer o epitélio superficial quer as células da glândula gástrica </li></ul></ul><ul><ul><li>encontradas no corpo e no fundo </li></ul></ul><ul><ul><li>contêm células parietais, células principais e células endócrinas </li></ul></ul>
    8. 10. <ul><li>Principais tipos celulares </li></ul><ul><ul><li>Células mucosas </li></ul></ul><ul><ul><li>Células parietais </li></ul></ul><ul><ul><li>Células principais </li></ul></ul><ul><ul><li>Células endócrinas ou enteroendócrinas </li></ul></ul><ul><li>Glândulas da cárdia e do antro </li></ul><ul><li>Glândulas do fundo e do corpo </li></ul><ul><ul><li>Secretam muco e pepsinogénio II </li></ul></ul><ul><ul><li>Secretam muco e pepsinogénio I e II </li></ul></ul>Células mucosas Muco ajuda a lubrificar os movimentos digestivos e, sendo alcalino protege a parede gástrica da digestão, pelas enzimas gástricas!!!
    9. 11. Base das Glândulas gástricas <ul><li>Células sintetizadoras de proteínas </li></ul><ul><li>Secretam as pró-enzimas proteolíticas pepsinogénio I e II </li></ul>- Activados a Pepsina pelo baixo pH gástrico (pH ˂2) - Inactivados pelo pH >6 na entrada do duodeno Libertação, por exocitose, dos grânulos com pepsinogénios Acetilcolina (vago ou plexo nervoso entérico) Ácido no estómago Células principais Células principais
    10. 12. Dispersas entre as células epiteliais das glândulas gástricas ou antrais Mucosa antral Células enterocromafim-like (células ECL) <ul><li>Outras células ECL: </li></ul><ul><ul><li>Células D </li></ul></ul><ul><ul><li>(produzem somatostatina) </li></ul></ul><ul><ul><li>Células X </li></ul></ul><ul><ul><li>(produzem endotelina) </li></ul></ul>Células G Gastrina Produzem hormonas envolvidas na regulação do crescimento Mucosa do corpo Histamina Ligação ao receptor de histamina-2(H2) nas células parietais aumentando a produção de ácido Células endócrinas ou enteroendócrinas
    11. 13. Predominantemente na metade superior das glândulas oxínticas do fundo e do corpo <ul><li>Abundantes Mitocôndrias </li></ul><ul><li>Membrana apical invaginada formando extenso sistema canicular intracelular </li></ul><ul><li>Possuem vesiculas que contêm a Bomba H+, K+ - ATPase </li></ul><ul><li>Secretam Factor intrínseco </li></ul>Fusão das vesículas com o sistema canicular e projecção das microvilosidades nos canalículos Ligam-se à Vitamina B12 no duodeno, permitindo a sua absorção no íleo ↑ Área da membrana apical, secretora de ácido Células parietais Quando as células parietais são destruídas ocorre não só acloridria mas também anemia perniciosa!!! Células parietais
    12. 14. <ul><li>3 Fases: </li></ul><ul><li>Cefálica </li></ul><ul><li>Gástrica </li></ul><ul><li>Intestinal </li></ul>
    13. 15. <ul><li>Mediada por actividade vagal </li></ul><ul><li>(20% secreção gástrica) </li></ul>Envolve vários polipéptidos para além da gastrina <ul><ul><li>Fase Intestinal </li></ul></ul><ul><ul><li>Iniciada quando os alimentos contendo proteínas digeridas chegam ao intestino delgado próximal </li></ul></ul><ul><li>Mediada por actividade vagal e reflexos entéricos locais </li></ul><ul><li>Também relacionada com a libertação de gastrina pelas células G das glândulas antrais (Induzida por AA e péptidos luminais e também por estimulo vagal) </li></ul><ul><li>70% secreção gástrica </li></ul><ul><ul><li>Fase cefálica </li></ul></ul><ul><ul><li>Iniciada pela visão, paladar, olfacto, mastigação e deglutição dos alimentos </li></ul></ul><ul><ul><li>Fase gástrica </li></ul></ul><ul><ul><li>Envolve a estimulação mecânica dos receptores pela distensão gástrica </li></ul></ul>
    14. 16. Estímulos convergem para células parietais Objectivo: Activar a bomba gástrica!
    15. 17. <ul><li>A inibição da secreção gástrica resulta de, pelo menos, 2 influências intestinais: </li></ul><ul><li>Presença de alimento no intestino delgado </li></ul><ul><li>Presença no duodeno de: </li></ul><ul><ul><li>Ácidos </li></ul></ul><ul><ul><li>Gorduras </li></ul></ul><ul><ul><li>Produtos resultantes do catabolismo proteico </li></ul></ul><ul><ul><li>Fluidos hiper-osmóticos ou hipo-osmoticos </li></ul></ul><ul><ul><li>Factores irritantes </li></ul></ul><ul><li>… .provoca a libertação de várias hormonas intestinais! </li></ul><ul><li>Os reflexos entrerogástricos inibitórios e hormonas inibitórias também diminuem a motilidade gástrica ao mesmo tempo que reduzem a secreção gástrica !! </li></ul><ul><li>Assim os factores intestinais abrandam a passagem do quimo do estômago quando o duodeno está cheio ou irritado! </li></ul>Inicia um reflexo enterogástrico reverso transmitido através do sistema nervoso mioentérico, nervo vago e do sistema simpático <ul><li>Pode ser iniciado por: </li></ul><ul><li>Distensão do duodeno </li></ul><ul><li>Presença de ácido no duodeno </li></ul><ul><li>Presença de produtos do catabolismo proteico </li></ul><ul><li>Irritação da mucosa </li></ul>Secretina - Especialmente importante no controlo da secreção pancreática - Opõe-se à secreção estomacal VIP, Somatostatina também têm efeitos na inibição da secreção gástrica
    16. 18. <ul><li>Barreira mucosa protege a mucosa gástrica da autodestruição e é constituída por: </li></ul><ul><li>Secreção de muco </li></ul><ul><li>Secreção de bicarbonato </li></ul><ul><li>Barreira epitelial </li></ul><ul><li>Fluxo sanguíneo mucoso </li></ul><ul><li>Síntese de prostaglandinas </li></ul>
    17. 19. Secreção de muco: Secreção de bicarbonato: Fluxo sanguíneo mucoso: <ul><li>Os fluidos contendo ácidos e pepsina saem das glândulas gástricas em “jactos” </li></ul><ul><li>Passam através da camada superficial de muco e entram no lúmen sem fazer contacto com as células epiteliais superficiais. </li></ul>A fina camada de muco no estômago e no duodeno apresenta coeficiente de difusão para o H + quatro vezes menor que o da água. Cria um microambiente com pH neutro à superfície da célula <ul><li>Fornece O 2 , bicarbonato e nutrientes para as células epiteliais </li></ul><ul><li>Remove o ácido que sofre difusão retrógrada </li></ul><ul><li>Estimulada por: </li></ul><ul><li>Cálcio </li></ul><ul><li>Prostaglandinas </li></ul><ul><li>Input colinérgico </li></ul><ul><li>Acidificação luminal </li></ul>
    18. 20. Barreira epitelial: Síntese de prostaglandinas: As junções intimas intercelulares fornecem uma barreira à difusão retrógrada dos iões hidrogénio Uma ruptura do epitélio é seguida por uma regeneração rápida <ul><li>Tem efeitos sobre outros componentes de defesa da mucosa: </li></ul><ul><ul><li>Favorecem a produção de muco e bicarbonatos </li></ul></ul><ul><ul><li>Inibem a secreção ácida pelas células parietais </li></ul></ul><ul><ul><li>As PG E e I (com acção vasodilatadora) ↑ o fluxo sanguíneo mucoso </li></ul></ul>Fármacos que bloqueiam a síntese de prostaglandinas: -Reduzem a protecção celular e -Promovem lesão e ulceração da mucosa gástrica As células existentes migram ao longo da membrana basal exposta para preencher os defeitos e restaurar a integridade da barreira epitelial
    19. 21. Se a barreira mucosa for ultrapassada: Lesão é limitada pela muscular da mucosa Lesão estende-se à submucosa Pode curar-se em horas ou dias Cura completa exige semanas
    20. 24. <ul><li>Bacilo Gram - , pequeno, espiralado, não esporulado, flagelado </li></ul><ul><li>Coloniza mucosa gástrica, sem provocar invasão, nas camadas mais profundas do muco </li></ul>Destruição progressiva da mucosa Colonização Inflamação
    21. 25. <ul><li>Factores de virulência </li></ul><ul><ul><li>Flagelo </li></ul></ul><ul><ul><li>Urease </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Aumenta paradoxalmente a secreção de gastrina </li></ul></ul></ul><ul><ul><li>Factores quimiotáxicos </li></ul></ul><ul><ul><li>PAF </li></ul></ul>
    22. 26. <ul><ul><li>Factores quimiotáxicos </li></ul></ul>
    23. 27. <ul><li>Factores de virulência </li></ul><ul><ul><li>Flagelo </li></ul></ul><ul><ul><li>Urease </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Aumenta paradoxalmente a secreção de gastrina </li></ul></ul></ul><ul><ul><li>Factores quimiotáxicos </li></ul></ul><ul><ul><li>PAF </li></ul></ul><ul><ul><li>Mucinase e fosfolipases </li></ul></ul><ul><ul><li>Adesinas (BabA, AlpA e AlpB) </li></ul></ul><ul><ul><li>Citotoxina de vacuolização (VacA, CagA) </li></ul></ul>
    24. 28. <ul><ul><li>Citotoxina de vacuolização (VacA, CagA) </li></ul></ul>
    25. 29. <ul><ul><li>Citotoxina de vacuolização (VacA, CagA) </li></ul></ul>
    26. 30. <ul><ul><li>Citotoxina de vacuolização (VacA, CagA) </li></ul></ul>
    27. 31. <ul><li>Factores de virulência </li></ul><ul><ul><li>Flagelo </li></ul></ul><ul><ul><li>Urease </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Aumenta paradoxalmente a secreção de gastrina </li></ul></ul></ul><ul><ul><li>Factores quimiotáxicos </li></ul></ul><ul><ul><li>PAF </li></ul></ul><ul><ul><li>Mucinase e fosfolipases </li></ul></ul><ul><ul><li>Adesinas (BabA, AlpA e AlpB) </li></ul></ul><ul><ul><li>Citotoxina de vacuolização (VacA, CagA) </li></ul></ul><ul><ul><li>Proteína inibidora da secreção ácida </li></ul></ul>
    28. 32. <ul><li>Factores condicionantes da patologia associada à infecção por H. pylori </li></ul><ul><ul><li>Factores do agente: diferentes estirpes -> toxinas diferentes -> diferente potencial patogénico </li></ul></ul><ul><ul><li>Produção de diferentes tipos de muco -> diferentes repercussões da infecção </li></ul></ul><ul><ul><li>Capacidade de resposta imune e variabilidade genética de citocinas (IL-1 e TNF) -> diferentes intensidades de resposta inflamatória -> diferente gravidade da patologia </li></ul></ul><ul><li>Factor de risco para colonização: </li></ul><ul><ul><li>Baixo nível socio-económico </li></ul></ul>
    29. 36. <ul><li>80% da população está colonizada </li></ul><ul><li>Pequena percentagem tem úlcera gástrica ou duodenal </li></ul><ul><li>Percentagem ainda menor tem cancro gástrico </li></ul>
    30. 37. <ul><li>Endoscopia Digestiva Alta (EDA) </li></ul><ul><ul><li>Diagnóstico inicial </li></ul></ul><ul><ul><li>Método invasivo </li></ul></ul><ul><ul><li>Dispendioso </li></ul></ul><ul><ul><li>Monitorização da terapêutica </li></ul></ul><ul><ul><li>Permite biópsia – observação histológica e teste urease </li></ul></ul><ul><li>Teste urease: biópsia e testes respiratórios </li></ul><ul><li>Cultura </li></ul><ul><li>Teste serológico com pesquisa para antigénios </li></ul>
    31. 39. Lesão, geralmente solitária, que ocorre em qualquer local do tracto gastrointestinal exposto à acção agressiva dos sucos ácidos/pépticos Disrupção da integridade da mucosa do tracto gastrointestinal levando a um defeito local ou escavação devido a inflamação activa
    32. 40. <ul><li>Lesões geralmente únicas com <4cm </li></ul><ul><li>Localização: </li></ul><ul><ul><li>Duodeno (1ªporção) </li></ul></ul><ul><ul><li>Estômago (antro) </li></ul></ul><ul><ul><li>Junção gastroesofágica </li></ul></ul><ul><ul><li>Margens gastrojejunostomia </li></ul></ul><ul><ul><li>S. Zollinger-Ellison (duo,est. ou jej.) </li></ul></ul><ul><ul><li>Divertículo de Meckel </li></ul></ul>
    33. 41. <ul><li>10% sofrerá de úlcera alguma vez na vida </li></ul><ul><li>Úlceras duodenais </li></ul><ul><ul><li>2,9 casos/1000 indivíduos/ano </li></ul></ul><ul><ul><li>6-15% população ocidental </li></ul></ul><ul><ul><li>↓ >50% procura da medicina nos últimos 30 anos </li></ul></ul><ul><li>Úlceras gástricas </li></ul><ul><ul><li>0,3 casos/1000 indivíduos/ano </li></ul></ul><ul><ul><li>Ocorrem mais tarde, pico pelos 60 anos </li></ul></ul><ul><ul><li>>50% ocorrem em homens </li></ul></ul>
    34. 42. DOENÇA Forças lesivas Mecanismos de defesa gastroduodenal
    35. 43. NORMAL LESÃO ULCERAÇÃO Infecção por H. pylori AINEs (Aspirina) Álcool Hiperacidez gástrica Refluxo gastroesofágico Isquémia Choque Atraso no esvaziamento gástrico Forças defensivas: Secreção de muco Secreção de HCO 3 - Fluxo sanguíneo Transporte da membrana Regeneração epitelial Produção de prostaglandinas Forças lesivas: Acidez gástrica Enzimas pépticas
    36. 44. <ul><li>Pré-requisitos: </li></ul><ul><ul><li>Pepsina </li></ul></ul><ul><ul><li>Ácido gástrico </li></ul></ul><ul><li>Pequena % apresenta hiperacidez </li></ul><ul><li>Úlcera duodenal </li></ul><ul><ul><li>↑ secreção ácida basal e nocturna </li></ul></ul><ul><ul><li>↓ secreção HCO 3 - </li></ul></ul><ul><ul><li>Quase 100% tem infecção por H. pylori </li></ul></ul><ul><li>Úlcera gástrica </li></ul><ul><ul><li>Atraso no esvaziamento gástrico </li></ul></ul><ul><ul><li>Disfunção do esfíncter pilórico </li></ul></ul><ul><ul><li>Cerca de 70% tem infecção por H. pylori </li></ul></ul>
    37. 45. <ul><li>Causas principais: H. pylori e AINEs </li></ul><ul><li>AINEs </li></ul><ul><ul><li>Um dos fármacos mais receitados no mundo </li></ul></ul><ul><ul><li>Efeitos adversos: náuseas e dispepsia ( 50-60%), úlcera péptica (3-4%) com complicações como hemorragia e perfuração (1,5%) </li></ul></ul><ul><ul><li>Na maioria das vezes não há sinais de aviso (80% ocorre sem dispepsia) </li></ul></ul><ul><ul><li>Factores agravantes: idade avançada, história de úlcera, uso concomitante de glicocorticóides e anticoagulantes, altas doses e uso de múltiplos AINEs, infecção por H. Pylori , hábitos tabágicos e consumo de álcool. </li></ul></ul>
    38. 48. <ul><li>Outras causas: </li></ul><ul><ul><li>Hábitos tabágicos </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>↑ frequência de úlceras </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>↓ taxa de recuperação </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>↓ resposta à terapêutica </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>↑ complicações relacionadas </li></ul></ul></ul><ul><ul><li>Predisposição genética </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Parentes de 1º grau têm 3x maior probabilidade de desenvolver a doença </li></ul></ul></ul><ul><ul><li>Stress psicológico </li></ul></ul><ul><ul><li>Alimentação (álcool) </li></ul></ul>
    39. 49. <ul><li>História </li></ul><ul><ul><li>Dor epigástrica (comum mas com ↓ valor preditivo) </li></ul></ul><ul><ul><li>Dispepsia </li></ul></ul><ul><ul><li>Hematemese ou melena </li></ul></ul><ul><ul><li>Desconforto no peito </li></ul></ul>“ sensação de queimadura”, “dor de fome” Úlcera duodenal Úlcera gástrica <ul><li>-Dor tem início 90min-3h após refeição </li></ul><ul><li>Alívio: antiácidos e comida </li></ul><ul><li>Acorda de noite com dor (2/3) </li></ul><ul><li>-Desconforto pode ser precipitado pela comida </li></ul><ul><li>Náuseas e perda de peso </li></ul>
    40. 50. <ul><li>Exame físico Pouco específico </li></ul><ul><ul><li>Exame abdominal </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Dor à palpação, geralmente a esquerda (direita – 20%) </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Splash de sucessão </li></ul></ul></ul><ul><ul><li>Teste de sangue nas fezes positivo (Guaiac positivo) </li></ul></ul><ul><ul><li>Melena </li></ul></ul><ul><ul><li>Hipotensão e taquicárdia </li></ul></ul>
    41. 51. <ul><li>Hemorragia gastrointestinal </li></ul><ul><ul><li>15-20% dos doentes (+frequente) </li></ul></ul><ul><ul><li>25% das mortes por úlcera </li></ul></ul><ul><ul><li>Pode ser o 1º sinal de presença de úlcera </li></ul></ul><ul><ul><li>Maior incidência nos idosos – uso de AINEs </li></ul></ul><ul><li>Perfuração </li></ul><ul><ul><li>5% dos doentes </li></ul></ul><ul><ul><li>2/3 das mortes por úlcera </li></ul></ul><ul><ul><li>Maior incidência nos idosos – uso de AINEs </li></ul></ul><ul><ul><li>Úlceras duodenais – perfuração para o pâncreas – pancreatite </li></ul></ul><ul><ul><li>Úlceras gástricas – perfuração para o lobo hepático esquerdo </li></ul></ul>
    42. 52. <ul><li>Obstrução </li></ul><ul><ul><li>2% dos doentes </li></ul></ul><ul><ul><li>+ frequente devido a úlcera no canal pilórico </li></ul></ul><ul><ul><li>Dor abdominal tipo cólica incapacitante </li></ul></ul><ul><ul><li>Mais raramente pode levar a obstrução total com vómitos não tratáveis </li></ul></ul>
    43. 53. <ul><li>Várias doenças apresentam sintomas muito semelhantes aos da úlcera </li></ul><ul><li>As principais são do grupo da dispepsia funcional (sem úlcera) </li></ul><ul><li>Outras: </li></ul><ul><ul><li>Cólica biliar </li></ul></ul><ul><ul><li>Gastrite aguda e crónica </li></ul></ul><ul><ul><li>Doença do refluxo gastroesofágico </li></ul></ul><ul><ul><li>Isquémia da artéria mesentérica </li></ul></ul><ul><ul><li>Cardiopatia isquémica </li></ul></ul><ul><ul><li>Pancreatite aguda e crónica </li></ul></ul><ul><ul><li>Carcinoma pancreático </li></ul></ul>
    44. 54. <ul><li>Alterações inflamatórias crónicas da mucosa que resultam em atrofia da mucosa e metaplasia epitelial intestinal </li></ul><ul><li>As células epiteliais podem tornar-se displásicas, e assim constituir a base para o desenvolvimento de carcinoma </li></ul><ul><li>Infecção crónica por H. pylori </li></ul><ul><li>Auto-imunidade em associação com anemia perniciosa </li></ul><ul><li>Tóxicas – álcool, tabaco </li></ul><ul><li>Pós-cirúrgicas </li></ul><ul><li>Motoras e mecânicas – obstrução e atonia gástrica </li></ul><ul><li>Radiação </li></ul><ul><li>Condições granulomatosas – doença de Crohn </li></ul><ul><li>Outras: amiloidose, doença de excerto-vs-hospedeiro, urémia </li></ul>
    45. 55. <ul><li>Raio X com bário </li></ul><ul><ul><li>Sensibilidade de 80-90% </li></ul></ul><ul><ul><li>↓ sensibilidade em úlceras pequenas </li></ul></ul><ul><li>Endoscopia </li></ul><ul><ul><li>Mais sensível e específico </li></ul></ul><ul><ul><li>Permite a visualização directa da mucosa </li></ul></ul><ul><ul><li>Permite a documentação fotográfica </li></ul></ul><ul><ul><li>Permite efectuar biopsias </li></ul></ul><ul><ul><li>Útil na identificação de lesões pequenas </li></ul></ul><ul><li>que não são visíveis pela radiografia e determinar zona de perda de sangue </li></ul>
    46. 56. <ul><li>Teste do soro fisiológico </li></ul><ul><ul><li>Cómodo, útil e económico </li></ul></ul><ul><ul><li>A aspiração de > 400mL de soro 30 minutos após a infusão no estômago de 750mL é sugestiva de obstrução significativa </li></ul></ul><ul><li>Isótopos </li></ul><ul><ul><li>Técnica não invasiva </li></ul></ul><ul><ul><li>Método fisiológico pois permite avaliar o grau de esvaziamento gástrico face a alimentos reais (farinhas, ovos, carne) </li></ul></ul><ul><li>Testes de detecção de H. pylori </li></ul><ul><ul><li>Invasivos (necessário endoscopia/biopsia) </li></ul></ul><ul><ul><li>Não invasivos </li></ul></ul>
    47. 57. Terapêutica Fármacos que neutralizam/ inibem a produção de ácido Terapia de H. Pylori Terapia de úlcera associada aos AINES Cirurgia Agentes citoprotectores
    48. 59. <ul><li>Testes de detecção da bactéria </li></ul><ul><li>Amoxicilina </li></ul><ul><li>Metronidazole </li></ul><ul><li>Tetraciclina </li></ul><ul><li>Claritromicina </li></ul>Resistências frequentes Regimes triplos ou quádruplos Supressão do ácido potencia eliminação bacteriana
    49. 61. Tratamento de úlcera refractária após estudo do caso Tratamento de complicações associadas <ul><li>Hemorragias </li></ul><ul><li>Perfuração </li></ul><ul><li>Obstrução </li></ul>Cirurgia UG que não responde após 12 semanas de terapia ou UD que não responde após 8 semanas.
    50. 62. <ul><li>Cirurgia: </li></ul><ul><li>Vagotomia com drenagem </li></ul><ul><li>Vagotomia altamente selectiva </li></ul><ul><li>Vagotomia com antrectomia </li></ul>Risco de recorrência da úlcera Laparotomia Permite diminuir a secreção ácida mas leva a atonia gástrica Drenagem Selectividade
    51. 63. <ul><li>Cirurgia: </li></ul><ul><li>Vagotomia com drenagem </li></ul><ul><li>Vagotomia altamente selectiva </li></ul><ul><li>Vagotomia com antrectomia </li></ul>< Risco de recorrência da úlcera > Risco de complicações associadas MAS
    52. 64. Qual escolher? Não Sim <ul><li>Cirurgia: </li></ul><ul><li>Vagotomia com drenagem </li></ul><ul><li>Vagotomia altamente selectiva </li></ul><ul><li>Vagotomia com antrectomia </li></ul>Risco Recorrência da úlcera elevado Vagotomia altamente selectiva Vagotomia com antrectomia
    53. 65. <ul><li>Úlcera antral </li></ul>Antrectomia com anastomose de Billroth I Gastrectomia subtotal com esofagogastrojejunostomia Roux-en-Y <ul><li>Junção gastro-esofágica </li></ul><ul><li>Independentemente da localização </li></ul>Excisão da úlcera com vagotomia <ul><li>Ulceração recorrente </li></ul><ul><li>Síndromes da Ansa aferente </li></ul><ul><li>Síndrome de Dumping </li></ul><ul><li>Diarreia pós-vagotomia </li></ul><ul><li>Gastropatia de refluxo biliar </li></ul><ul><li>Má-digestão e má-absorção </li></ul><ul><li>Adenocarcinoma gástrico </li></ul>Complicações associadas
    54. 67. Epigastralgias + Enfartamento <ul><li>Claritromicina </li></ul><ul><li>Amoxicilina </li></ul><ul><li>Omeprazol </li></ul><ul><li>Cicatriz da úlcera </li></ul><ul><li>Gastrite crónica com menos infiltrado </li></ul><ul><li>Eliminação de H. Pylori </li></ul>2 meses depois... Ingestão alimentos AINEs Análises + EDA Úlcera gástrica H. pylori
    55. 68. Introdução <ul><li>Mucinas são os principais constituientes camada de muco </li></ul><ul><li>Apresentam VNTR no esqueleto central da moléclula (MUC1 – 25-125 VNTR) </li></ul><ul><li>Pequenos VNRTs na MUC1 </li></ul> risco carcinoma gástrico Lesões precedentes (GCA) e (MI) ao CG também estão associadas a polimorfismos na MUC1?
    56. 69. Métodos <ul><li>174 doentes com gastrite crónica com ou sem atrofia glandular ou metaplasia intestinal </li></ul><ul><li>Comparação com população controlo e doentes com CG </li></ul><ul><li>Análise de polimorfismo (separação electroforética e Southern blotting ), caracterização endoscópica e histológica das lesões </li></ul>
    57. 70. Resultados/ Conclusões
    58. 71. Introdução <ul><li>Um dos factores que influência o desenrolar da infecção por H. pylori são as suas característas genéticas, com particular importância para os genótipos vacA, cagA e iceA. </li></ul>Métodos <ul><li>370 doentes Portugueses e Colombianos infectados com H. pylori e com lesões da mucosa gástrica </li></ul><ul><li>Biópsia do corpo e antro por gastroscopia </li></ul><ul><li>Análise dos genótipos bacterianos por PCR e hibridação reversa. </li></ul>Qual a relação entre os genótipos virulentos referidos e a histopatologia de Portugueses e Colombianos infectados por H. pylori?
    59. 72. Resultados <ul><li>Genótipos vacA s1, vacA m1 e cagA+ associados a: </li></ul><ul><ul><li>Maior densidade bacteriana </li></ul></ul><ul><ul><li>Maior infiltrado inflamatório </li></ul></ul><ul><ul><li>Atrofia </li></ul></ul><ul><ul><li>Metaplasia intestinal </li></ul></ul><ul><ul><li>Dano epitelial </li></ul></ul><ul><li>Genótipo iceA1 associado a dano epitelial apenas nos doentes portugueses </li></ul>Conclusão ≠ genótipos H. pylori ≠ alterações histiopatológicas Relevância do genótipo de H. pylori para o desenvolvimento de patologia gástrica associada.
    60. 73. Introdução <ul><li>Polimorfismos nos genes da IL-1B e IL-1RN estão relacionados com risco para carcinoma gástrico em indivíduos infectados por H. pylori. </li></ul>Existe associação entre polimorfismos no gene do TNF- α e o risco de GCA e CG? Qual efeito combinado dos polimorfismos destas citocinas e dos genótipos de H. pylori ?
    61. 74. Métodos <ul><li>Controlos </li></ul><ul><li>Indivíduos com GCA </li></ul><ul><li>Indivíduos com CG </li></ul>Análise dos polimorfismos bi-alélicos TNF- α -308, IL-1B-511 , VNTR da IL-1RN e genótipo vacA e cagA da H. pylori Resultados/ Conclusões <ul><li>Alelo TNF- α -308*A  o risco de CG. </li></ul><ul><li>A combinação dos genótipos de alto risco  risco de CG e GCA. </li></ul><ul><li>O risco de CG não é afectado pela combinação dos genótipos bacterianos e polimorfismo TNF- α -308. </li></ul>Existe possivelmente um perfil de susceptibilidade genética associado a maior risco de GAC e CG.

    ×