Jan Davidz de Heem
Joana Kruse
Amanhecer
Navego no cristal da madrugada,
Na dureza do frio reflectido,
Onde a voz ensurdece, laminada,
Sob o ...
Conrad Kiesel
Pudesse Eu
Pudesse eu não ter laços nem limites
Ó vida de mil faces transbordantes
Para poder responder aos ...
William Orpen
À Tua Espera
Tranquila e serena
a nossa casa
nos quatro cantos
o sol do meio-dia
à tua espera alegre
e desca...
Charles Edward Perugini
John Singer Sargent
Gota de Água
Eu, quando choro,
não choro eu.
Choro aquilo que nos homens
em todo o tempo sofreu.
As lá...
Jean-Honore Fragonard
Urgentemente
É urgente o amor
É urgente um barco no mar
É urgente destruir certas palavras,
ódio, so...
Carl Wilhelm Holsoe
Busque Amor novas artes, novo engenho,
para matar-me, e novas esquivanças;
que não pode tirar-me as es...
Frank W. Benson
Lembra-te
Lembra-te
que todos os momentos
que nos coroaram
todas as estradas
radiosas que abrimos
irão achando sem fim
seu...
Charles Perugini
Deixei de ouvir-te. E sei que sou
mais triste com o teu silêncio.
Preferia pensar que só adormeceste; mas...
Delphin Enjolras
Primeira Palavra
Aproxima o teu coração
e inclina o teu sangue
para que eu recolha
os teus inacessíveis f...
Carl Holsoe
Mona Hopton Bell
Soneto do Amor Total
Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como ...
Lilian Matilda Genth
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não t...
Sally Rosenbaum
Da Tua Vida
Da tua vida o que não podem entender
Nem oiro nem poder nem segurança
Mas a paixão do Tempo e ...
Frederick Childe Hassam
Vladimir Volegov
Amo o Que Vejo Porque Deixarei
Amo o que vejo porque deixarei
Qualquer dia de o ver.
Amo-o também porque ...
William McGregor Paxton
O Poeta é um Guardador
o poeta é um guardador
guarda a diferença
guarda da indiferença
no incerto
...
Harold Knight
Entre o Luar e a Folhagem
Entre o luar e a folhagem,
Entre o sossego e o arvoredo,
Entre o ser noite e haver...
William Orpen
Sue Halstenberg
Quando Tornar a Vir a Primavera
Quando tornar a vir a Primavera
Talvez já não me encontre no mundo.
Gostav...
Thomas Benjamin Kennington
Dez Chamamentos ao Amigo (I)
Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noi...
Sally Rosenbaum
Os Poemas
Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o...
Jacek Malczewski
A.C.W. Duncan.
Canção
Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
— depois, abri o mar com as mãos,
para o meu son...
Sally Rosenbaum
Cai a Chuva no Portal
Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa cortina
Não a corras, n...
Fernando Álvarez de Sotomayor
O Mundo é Grande
O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na ...
James Wells Champney
Asta Nørregaard
Estigma
Filhos dum deus selvagem e secreto
E cobertos de lama, caminhamos
Por cidades,
Por nuvens
E desert...
Andre Fontaine
Auto-Retrato
Espáduas brancas palpitantes:
asas no exílio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o co...
Carl Holsoe
Albert Anker
Canção do Verdadeiro Abandono
Podem todos rir de mim,
podem correr-me à pedrada,
podem espreitar-me à janela
...
Dennis Perrin
Voar
Deve ser bom voar! Abrir as asas,
fechar os olhos e partir sem rumo,
pairar sobre as cidades, sobre as ...
Alexander Mann
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  1. 1. Jan Davidz de Heem
  2. 2. Joana Kruse Amanhecer Navego no cristal da madrugada, Na dureza do frio reflectido, Onde a voz ensurdece, laminada, Sob o peso da noite e do gemido. Abre o cristal em nuvem desmaiada, Foge a sombra, o silêncio e o sentido Da nocturna memória sufocada Pelo murmúrio do dia amanhecido. José Saramago In “Os Poemas Possíveis”
  3. 3. Conrad Kiesel Pudesse Eu Pudesse eu não ter laços nem limites Ó vida de mil faces transbordantes Para poder responder aos teus convites Suspensos na surpresa dos instantes! Sophia de Mello Breyner Andresen In “Poesia I”
  4. 4. William Orpen À Tua Espera Tranquila e serena a nossa casa nos quatro cantos o sol do meio-dia à tua espera alegre e descansada injecto-me de amor às escondidas Sobre a garganta passo os dedos espessos e a roupa uma a uma vai caindo para que então amor com os teus dedos quando vieres me vás depois vestindo Maria Teresa Horta in “Candelabro”
  5. 5. Charles Edward Perugini
  6. 6. John Singer Sargent Gota de Água Eu, quando choro, não choro eu. Choro aquilo que nos homens em todo o tempo sofreu. As lágrimas são as minhas mas o choro não é meu. António Gedeão In “Movimento Perpétuo”
  7. 7. Jean-Honore Fragonard Urgentemente É urgente o amor É urgente um barco no mar É urgente destruir certas palavras, ódio, solidão e crueldade, alguns lamentos, muitas espadas. É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras. Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. Eugénio de Andrade in "Até Amanhã"
  8. 8. Carl Wilhelm Holsoe Busque Amor novas artes, novo engenho, para matar-me, e novas esquivanças; que não pode tirar-me as esperanças, que mal me tirará o que eu não tenho. Olhai de que esperanças me mantenho! vede que perigosas seguranças: que não temo contrastes nem mudanças, andando em bravo mar perdido o lenho Mas, conquanto não pode haver desgosto onde esperança falta, lá me esconde Amor um mal, que mata e não se vê; que dias há que na alma me tem posto um não sei quê, que nasce não sei onde, vem não sei como e dói não sei por quê. Luís Vaz de Camões
  9. 9. Frank W. Benson
  10. 10. Lembra-te Lembra-te que todos os momentos que nos coroaram todas as estradas radiosas que abrimos irão achando sem fim seu ansioso lugar seu botão de florir o horizonte e que dessa procura extenuante e precisa não teremos sinal senão o de saber que irá por onde fomos um para o outro vividos Mário Cesariny in "Pena Capital" Edward John Poynter
  11. 11. Charles Perugini Deixei de ouvir-te. E sei que sou mais triste com o teu silêncio. Preferia pensar que só adormeceste; mas se encostar ao teu pulso o meu ouvido não escutarei senão a minha dor. Deus precisou de ti, bem sei. E não vejo como censurá-lo ou perdoar-lhe. Maria do Rosário Pedreira
  12. 12. Delphin Enjolras Primeira Palavra Aproxima o teu coração e inclina o teu sangue para que eu recolha os teus inacessíveis frutos para que prove da tua água e repouse na tua fronte Debruça o teu rosto sobre a terra sem vestígio prepara o teu ventre para a anunciada visita até que nos lábios humedeça a primeira palavra do teu corpo Mia Couto in “Raiz de Orvalho”
  13. 13. Carl Holsoe
  14. 14. Mona Hopton Bell Soneto do Amor Total Amo-te tanto meu amor... não cante O humano coração com mais verdade... Amo-te como amigo e como amante Numa sempre diversa realidade. Amo-te enfim, de um calmo amor prestante E te amo além, presente na saudade. Amo-te, enfim, com grande liberdade Dentro da eternidade e a cada instante. Amo-te como um bicho, simplesmente De um amor sem mistério e sem virtude Com um desejo maciço e permanente. E de te amar assim, muito e amiúde É que um dia em teu corpo de repente Hei de morrer de amar mais do que pude. Vinicius de Moraes
  15. 15. Lilian Matilda Genth Eu faço versos como quem chora De desalento... de desencanto... Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto. Meu verso é sangue. Volúpia ardente... Tristeza esparsa... remorso vão... Dói-me nas veias. Amargo e quente, Cai, gota a gota, do coração. E nestes versos de angústia rouca Assim dos lábios a vida corre, Deixando um acre sabor na boca. - Eu faço versos como quem morre. Manuel Bandeira
  16. 16. Sally Rosenbaum Da Tua Vida Da tua vida o que não podem entender Nem oiro nem poder nem segurança Mas a paixão do Tempo e de seus riscos Tu buscaste o instante e a intensidade E foste do combate e da mudança Por isso um rastro de ruptura e de viagem Ou talvez este fogo inconquistado Como breve eternidade De passagem Manuel Alegre in "Chegar Aqui"
  17. 17. Frederick Childe Hassam
  18. 18. Vladimir Volegov Amo o Que Vejo Porque Deixarei Amo o que vejo porque deixarei Qualquer dia de o ver. Amo-o também porque é. No plácido intervalo em que me sinto, Do amar, mais que ser, Amo o haver tudo e a mim. Melhor me não dariam, se voltassem, Os primitivos deuses, Que também, nada sabem. Ricardo Reis In “Poemas de Ricardo Reis” (Fernando Pessoa)
  19. 19. William McGregor Paxton O Poeta é um Guardador o poeta é um guardador guarda a diferença guarda da indiferença no incerto guarda a certeza da voz Ana Hatherly in “Um Calculador de Improbabilidades”
  20. 20. Harold Knight Entre o Luar e a Folhagem Entre o luar e a folhagem, Entre o sossego e o arvoredo, Entre o ser noite e haver aragem Passa um segredo. Segue-o minha alma na passagem. Tênue lembrança ou saudade, Princípio ou fim do que não foi, Não tem lugar, não tem verdade. Atrai e dói. Segue-o meu ser em liberdade. Vazio encanto ébrio de si, Tristeza ou alegria o traz? O que sou dele a quem sorri? Nada é nem faz. Só de segui-lo me perdi. Fernando Pessoa
  21. 21. William Orpen
  22. 22. Sue Halstenberg Quando Tornar a Vir a Primavera Quando tornar a vir a Primavera Talvez já não me encontre no mundo. Gostava agora de poder julgar que a Primavera é gente Para poder supor que ela choraria, Vendo que perdera o seu único amigo. Mas a Primavera nem sequer é uma coisa: É uma maneira de dizer. Nem mesmo as flores tornam, ou as folhas verdes. Há novas flores, novas folhas verdes. Há outros dias suaves. Nada torna, nada se repete, porque tudo é real. Alberto Caeiro In “Poemas Inconjuntos. Poemas de Alberto Caeiro” (Fernando Pessoa)
  23. 23. Thomas Benjamin Kennington Dez Chamamentos ao Amigo (I) Se te pareço noturna e imperfeita Olha-me de novo. Porque esta noite Olhei-me a mim, como se tu me olhasses. E era como se a água Desejasse. Escapar de sua casa que é o rio E deslizando apenas, nem tocar a margem. Te olhei. E há um tempo. Entendo que sou terra. Há tanto tempo Espero Que o teu corpo de água mais fraterno Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta Olha-me de novo. Com menos altivez. E mais atento. Hilda Hilst In “Júbilo, Memória, Noviciado da Paixão”
  24. 24. Sally Rosenbaum Os Poemas Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês. Quando fechas o livro, eles alçam voo como de um alçapão. Eles não têm pouso nem porto alimentam-se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos vazias, no maravilhoso espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti... Mário Quintana In “Esconderijos do Tempo”
  25. 25. Jacek Malczewski
  26. 26. A.C.W. Duncan. Canção Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar; — depois, abri o mar com as mãos, para o meu sonho naufragar. Minhas mãos ainda estão molhadas do azul das ondas entreabertas, e a cor que escorre dos meus dedos colore as areias desertas. O vento vem vindo de longe, a noite se curva de frio; debaixo da água vai morrendo meu sonho, dentro de um navio... Cecília Meireles in “Viagem”
  27. 27. Sally Rosenbaum Cai a Chuva no Portal Cai a chuva no portal, está caindo Entre nós e o mundo, essa cortina Não a corras, não a rasgues, está caindo Fina chuva no portal da nossa vida. Gotas caem separando-nos do mundo Para vivermos em paz a nossa vida. Cai a chuva no portal, está caindo Entre nós e o mundo, essa toalha Ela nos cobre, não a rasgues, está caindo Chuva fina no portal da nossa casa. Por um dia todos longe e nós dormindo Lado a lado, como páginas dum livro. Lídia Jorge
  28. 28. Fernando Álvarez de Sotomayor O Mundo é Grande O mundo é grande e cabe nesta janela sobre o mar. O mar é grande e cabe na cama e no colchão de amar. O amor é grande e cabe no breve espaço de beijar. Carlos Drummond de Andrade in “Amar se Aprende Amando”
  29. 29. James Wells Champney
  30. 30. Asta Nørregaard Estigma Filhos dum deus selvagem e secreto E cobertos de lama, caminhamos Por cidades, Por nuvens E desertos. Ao vento semeamos O que os homens não querem. Ao vento arremessamos As verdades que doem E as palavras que ferem. Da noite que nos gera, e nós amamos, Só os astros trazemos. A treva ficou onde Todos guardamos a certeza oculta Do que nós não dizemos, Mas que somos. José Carlos Ary dos Santos In “Obra Poética”
  31. 31. Andre Fontaine Auto-Retrato Espáduas brancas palpitantes: asas no exílio dum corpo. Os braços calhas cintilantes para o comboio da alma. E os olhos emigrantes no navio da pálpebra encalhado em renúncia ou cobardia. Por vezes fêmea. Por vezes monja. Conforme a noite. Conforme o dia. Molusco. Esponja embebida num filtro de magia. Aranha de ouro presa na teia dos seus ardis. E aos pés um coração de louça quebrado em jogos infantis. Natália Correia
  32. 32. Carl Holsoe
  33. 33. Albert Anker Canção do Verdadeiro Abandono Podem todos rir de mim, podem correr-me à pedrada, podem espreitar-me à janela e ter a porta fechada. Com palavras de ilusão não me convence ninguém. Tudo o que guardo na mão não tem vislumbres de além. Não sou irmã das estrelas, nem das pombas nem dos astros. Tenho uma dor consciente de bicho que sofre as pedras e se desloca de rastos. Natércia Freire
  34. 34. Dennis Perrin Voar Deve ser bom voar! Abrir as asas, fechar os olhos e partir sem rumo, pairar sobre as cidades, sobre as casas, como pássaro, estrelas, nuvem, fumo... Deve ser bom voar! Erguer os braços e acima dos telhados e dos ninhos, esquecer os sinais de inúteis passos, fugir ao pó de todos os caminhos... Mas onde as asas para assim voar, para subir às nuvens e às estrelas? As dos homens, são asas de matar... ...e as dos anjos, quem pode pretendê-las? Fernanda de Castro In “Trinta e Nove Poesias”
  35. 35. Alexander Mann
  36. 36. Martin Cauchon - Flickr

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