Modernismo de 45

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Aula do professor André Guerra sobre a terceira geração modernista. Destaque para a obra Primeiras Estórias, de João Guimarães Rosa, cobrado pelo vestibular da Uesc

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Modernismo de 45

  1. 1. MODERNISMO<br />1945<br />1930<br />1922<br />
  2. 2. Terceira Geração<br />Modernismo de 45<br />
  3. 3. O mundo<br />Fim da II Guerra<br />Início da Era Atômica<br />Criação da ONU<br />Publicação da Declaração dos Direitos do Homem<br />Início da Guerra Fria<br />
  4. 4. O Brasil<br />Deposição de Getúlio Vargas<br />Início da redemocratização<br />Volta de Vargas (1951) eleito pelo povo<br />Perseguições políticas<br />Suicídio de Vargas<br />JK<br />
  5. 5. Modernismo - GERAÇÃO DE 45<br />“Antimodernismo”: “A poesia é a arte da palavra.”<br />Os Poetas da Chamada Geração de 45 Os neo-parnasianos<br />LEDO IVO<br /> GEIR CAMPOS<br /> DARCY DAMASCENO<br /> THIAGO DE MELO...<br />A geração de 45 propunha um retorno às formas tradicionais do verso, como o soneto, e negava o experimentalismo dos modernistas de 1922. <br />
  6. 6. Principais Nomes<br />
  7. 7. Prosa<br />
  8. 8. A PROSA INTIMISTA de<br />CLARICE LISPECTOR<br />
  9. 9. CLARICE LISPECTOR<br />Nascimento:10/12/1920<br />Natural:Tchetchelnik - Ucrânia<br />Morte:09/12/1977<br />Que é que eu posso escrever? Como recomeçar a anotar frases? A palavra é o meu meio de comunicação. Eu só poderia amá-la. Eu jogo com elas como se lançam dados: acaso e fatalidade. A palavra é tão forte que atravessa a barreira do som. Cada palavra é uma idéia. Cada palavra materializa o espírito. Quanto mais palavras eu conheço, mais sou capaz de pensar o meu sentimento.<br />
  10. 10. As personagens Lispectorianas são, em sua maioria, mulheres de classe média que vivem na cidade do Rio de Janeiro. O leitor fica tão compenetrado nas ações das protagonistas que mal percebe os lugares por onde passam. <br />
  11. 11. A Hora da Estrela<br />A história de Macabéa<br />
  12. 12. MACABÉA<br />RETRATO DO BRASIL<br />
  13. 13. Cidadão (Zé Geraldo)<br />Tá vendo aquele colégio moço?Eu também trabalhei lá<br />Lá eu quase me arrebentoPus a massa fiz cimentoAjudei a rebocarMinha filha inocenteVem pra mim toda contentePai vou me matricularMas me diz um cidadãoCriança de pé no chãoAqui não pode estudarEsta dor doeu mais fortePor que que eu deixei o norteEu me pus a me dizerLá a seca castigava mas o pouco que eu plantavaTinha direito a comer<br />Tá vendo aquele edifício moço?Ajudei a levantarFoi um tempo de afliçãoEram quatro conduçãoDuas pra ir, duas pra voltarHoje depois dele prontoOlho pra cima e fico tontoMas me chega um cidadãoE me diz desconfiado, tu tá aí admiradoOu tá querendo roubar?Meu domingo tá perdidoVou pra casa entristecidoDá vontade de beberE pra aumentar o meu tédioEu nem posso olhar pro prédioQue eu ajudei a fazer<br />
  14. 14. Tá vendo aquela igreja moço?Onde o padre diz amémPus o sino e o badaloEnchi minha mão de caloLá eu trabalhei tambémLá sim valeu a penaTem quermesse, tem novenaE o padre me deixa entrarFoi lá que cristo me disseRapaz deixe de toliceNão se deixe amedrontar<br />Fui eu quem criou a terraEnchi o rio fiz a serraNão deixei nada faltarHoje o homem criou asasE na maioria das casasEu também não posso entrar<br />
  15. 15. "Eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa. Não altera em nada... Porque no fundo a gente não está querendo alterar as coisas. A gente está querendo desabrochar de um modo ou de outro..."<br />
  16. 16. O ato de Escrever<br />
  17. 17. Essa incapacidade de atingir, de entender, é que faz com que eu, por instinto de... de quê? procure um modo de falar que me leve mais depressa ao entendimento. <br />
  18. 18. “Viver ultrapassa qualquer entendimento” Clarice Lispector<br />
  19. 19. Clarice desvenda a alma humana<br />
  20. 20. JOÃO GUIMARÃES ROSA<br />
  21. 21. "O Sertão é sem fim; o Sertão está em toda parte; o Sertão tá dentro da gente".<br /> Esta expressão define com precisão poética o cenário tão bem descrito por Guimarães Rosa em sua mais instigante criação, o romance "Grande Sertão: Veredas.<br />
  22. 22. O Romance de Riobaldo e DiadorimAntonio Nóbrega<br />Quando eu vi aqueles olhos,Verdes como nenhum pasto,Cortantes palhas de cana,De lembrá-los não me gasto.Desejei não fossem embora,E deles nunca me afasto.<br />Vivemos a desventuraDe um mal de amor oculto,Que cresceu dentro de nósComo sombra, feito um vulto.Que não conheceu afago,Só guerra, fogo e insulto.<br />Na noite-grande-fatal,O meu amor encantou-se.Desnudo corpo inteiro<br />Desencantado mostrou-se.E o que era um segredo,Sem mais nada revelou-se.<br />Sob as roupas de jagunço,Corpo de mulher eu via.A deus, já dada, sem vida,O vau da minha alegria.Diadorim, diadorim...Minha incontida sangria.<br />
  23. 23. "Quando escrevo, repito o que já vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só não é suficiente. Em outras palavras, gostaria de ser um crocodilo vivendo no rio São Francisco. <br />Gostaria de ser um crocodilo porque amo os grandes rios,pois são profundos como a alma de um homem. <br />Na superfície são muito vivazes e claros, mas nas profundezas são tranqüilos e escuros como o sofrimento dos homens."<br />
  24. 24. Características<br />Tratamento revolucionário da linguagem<br />Narrativa de tom oral, com o aproveitamento de elementos lingüísticos envelhecidos ou novos<br />Estiliza o linguajar sertanejo<br />Recria e inventa palavras<br />Constrói uma sintaxe peculiar e explora as possibilidades sonoras da linguagem através de aliterações, onomatopéias...<br />
  25. 25. O REGIONALISMO UNIVERSAL DE JOÃO GUIMARÃES ROSA<br /> Supera o regionalismo tradicional ao tratar de questões universais do homem. Para o sertanejo, o mundo é o sertão. O ambiente é rústico, o homem é conflituado e questiona o sentido da vida e da morte; a existência ou não de Deus e do diabo; o significado do amor e do ódio, da ambição, do bem, do mal...<br />
  26. 26. Primeiras Estórias<br />João Guimarães Rosa<br />UESC<br />
  27. 27. A obra<br />21 contos<br />tematizam, simbolicamente, os segredos da existência humana. <br />o autor recupera a fala do sertão mineiro; <br />Explora o caráter cômico, o trágico, o patético, o lírico, o sarcástico, o erudito, o popular.<br />
  28. 28. Os personagens<br />Variam quanto à faixa etária e experiência <br />suas reações psicossociais extrapolam o limite da normalidade. <br />São crianças e adolescentes superdotados, santos, bandidos, gurus sertanejos, vampiros e, principalmente, loucos<br />
  29. 29. Balada Do LoucoOs Mutantes<br />Dizem que sou louco por pensar assimSe eu sou muito louco por eu ser felizMas louco é quem me dizE não é feliz, não é feliz<br />Se eles são bonitos, sou Alain DelonSe eles são famosos, sou Napoleão<br />Eu juro que é melhorNão ser o normalSe eu posso pensar que Deus sou eu<br />Se eles têm três carros, eu posso voarSe eles rezam muito, eu já estou no céu<br />Sim sou muito louco, não vou me curarJá não sou o único que encontrou a paz<br />
  30. 30. Senhor! Quando avistou o peru, no centro do terreiro, entre a casa e as árvores da mata. O peru, imperial, dava-lhe as costas, para receber sua admiração. Estalara a cauda, e se entufou, fazendo roda: o rapar das asas no chão — brusco, rijo, — se proclamara. Grugulejou, sacudindo o abotoado grosso de bagas rubras; e a cabeça possuía laivos de um azul-claro, raro, de céu e sanhaços; e ele, completo, torneado, redondoso, todo em esferas e planos, com reflexos de verdes metais em azul-e-preto — o peru para sempre. Belo, belo! Tinha qualquer coisa de calor, poder e flor, um transbordamento. Sua ríspida grandeza tonitruante. Sua colorida empáfia. Satisfazia os olhos, era de se tanger trombeta.<br />Colérico, encachiado, andando, gruziou outro gluglo. O menino riu, com todo o coração. Mas só bis-viu. Já o chamavam, para passeio.<br />ROSA, João Guimarães. As margens da alegria. Primeiras estórias. 4. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1968. p. 4.<br />Considere o fragmento no contexto do conto e teça um comentário sobre as intervenções do adulto na relação da criança com os momentos de desvendamento de realidades novas.<br />
  31. 31. As margens da alegria<br />Visão: experiência de dor e alegria, vida e morte<br />"espiar", "avistar", "ver" e "vislumbrar" são verbos que percorrem toda a narrativa.<br />Conto em tom lírico reflexivo<br />a primeira viagem de um menino<br />a descoberta do mundo<br />Infância como o lugar do crescimento, da descoberta, da aprendizagem<br />O Peru: encantamento, morte, tempo, aprendizado<br />O vaga-lume: esperança, ideal, felicidade<br />
  32. 32. A menina de lá<br />a menina não pertence ao cá (terra), mas sim ao lá (céu)<br />palavras ligadas ao universo do mundo do lá: <br />lua, estrelinhas, céu, alturas, aves, mortos, saudade, milagre<br />a mãe não tirava o terço da mão<br />a menina mora no "Temor-de-Deus”<br />Arco-íris é a palavra-chave:imaginário coletivo<br />
  33. 33. Nininha<br />“com seus nem quatro anos”, franzina<br />filha de um pai sitiante e de uma mulher que não tirava o terço das mãos para nada, mesmo quando dava bronca nos empregados. Era muito quieta, ficava sempre sentada em um canto (e ninguém entendia muito bem o que ela dizia). Nininha (diminutivo triplicado, reforça sua fragilidade), <br />é sensitiva, dotada de contatos místicos, poderes paranormais: <br />seus desejos, por mais estranhos que fossem sempre se realizavam.<br />
  34. 34. Famigerado<br />O poder da força: DamásioO poder da instrução: o conhecimento do médico.<br />O conhecimento da linguagem determina as posições sociais.<br />
  35. 35. Trechos para análise<br /> -Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é: famisgerado... faz-me-gerado... falmisgeraldo... famílias-gerado?<br />Olhe: eu, com o sr. me vê, com vantagens, hum, o que eu queria uma hora destas era ser famigerado – bem famigerado, o mais que pudesse!...<br />
  36. 36. Um moço muito branco<br />classificado como fantástico.<br />jogo de luz e sombra. <br />alguém estranho para lançar luz nova sobre a comunidade cega. <br />o narrador mostra que do grotesco e assustador pode surgir um ser delicado e claro de visão<br />dos escombros de um possível terremoto, aparece um homem muito branco, que reacenderá alguns feixes de luz apagados.revela aos outros o que eles têm em si mesmos, e que raramente é tocado. Este personagem, caracterizado por ser muito branco <br />"Tão branco; mas não branquicelo, senão que de um branco leve, semidourado de luz: figurando ter por dentro da pele uma segunda claridade", <br />
  37. 37. A história acontece num passado já distante. O narrador preocupa-se em fornecer datas e lugares precisos para dar mais exatidão à insólita história do moço. <br />NA NOITE de 11 de novembro de 1872, na comarca do Serro Frio, em Minas Gerais, deram-se fatos de pavoroso suceder, referidos nas folhas da época e exarados nas Efemérides.<br />Dito que um fenômeno luminoso se projetou no espaço, seguido de estrondos e a terra se abalou, num terremoto que sacudiu os altos, quebrou e entulhou casas, remexeu vales, matou gente sem conta [...].<br />Hilário Cordeiro<br />José Kakende<br />Duarte Dias<br />
  38. 38. Nada e a nossa condição<br />Tio Man'Antônio, mais um dos loucos iluminados de Guimarães Rosa.<br />O lugar (espaço) é uma utopia: ... cuja sede distava de qualquer outra talvez mesmo dez léguas, dobrava-se na montanha...<br /> É a instauração do espaço ficcional. Tio Man'Antônio, depois de casado resolve doar quase tudo que tem àqueles que trabalham com ele. É a iluminação: os haveres materiais de nada valem para ele.<br />
  39. 39. (UEL) A questão a seguir refere-se à passagem transcrita do conto “Famigerado” (Primeiras Estórias, 1962), de João Guimarães Rosa (1908-1967)[...] Vosmecê agora me faça a boa obra de querer me ensinar o que é mesmo que é: fasmisgerado... faz- megerado... falmisgeraldo... familhas-gerado...?Disse, de golpe, trazia entre dentes aquela frase. Soara com riso seco. Mas, o gesto, que se seguiu, imperava-se de toda a rudez primitiva, de sua presença dilatada. Detinha minha resposta, não queria que eu a desse de imediato. E já aí outro susto vertiginoso suspendia-me: alguém podia ter feito intriga, invencionice de atribuir-me a palavra de ofensa àquele homem; que muito, pois, que aqui ele se famanasse, vindo para exigir-me, rosto a rosto, o fatal, a vexatória satisfação?- “Saiba vosmecê que saí ind’hoje da Serra, que vim, sem parar, essas seis léguas, expresso direto pra mor de lhe preguntar a pregunta, pelo claro...”Se sério, se era. Transiu-se-me.“Lá, e por estes meios de caminho, tem nenhum ninguém ciente, nem tem o legítimo – o livro que aprende as palavras... É gente pra informação torta, por se fingirem de menos ignorâncias... Só se o padre, no São Ão, capaz, mas com padres não me dou: eles logo engambelam... A bem. Agora, se me faz mercê, vosmecê me fale, no pau da peroba, no aperfeiçoado: o que é que é, o que já lhe perguntei?Se simples. Se digo. Transfoi-se-me. Esses trizes:Famigerado?<br />
  40. 40. “Sim senhor...” – e, alto, repetiu, vezes, o termo, enfim nos vermelhões da raiva, sua voz fora de foco. E já me olhava, interpelador, intimativo – apertava-me. Tinha eu que descobrir a cara. – Famigerado? Habitei preâmbulos. Bem que eu me carecia noutro ínterim, em indúcias. Como por socorro, espiei os três outros, em seus cavalos, intugidos até então, mumumudos. Mas, Damázio:“Vosmecê declare. Estes aí são de nada não. São da Serra. Só vieram comigo, pra testemunho...”Só tinha de desentalar-me. O homem queria estrito o caroço: o verivérbio.Famigerado é inóxio, é “célebre”, “notório”, “notável”...“Vosmecê mal não veja em minha grossaria no não entender. Mais me diga: é desaforado? É caçoável? É de arrenegar? Farsância? Nome de ofensa?”Vilta nenhuma, nenhum doesto. São expressões neutras, de outros usos...“Pois... e o que é que é, em fala de pobre, linguagem de em dia-de-semana?”Famigerado? Bem. É: “importante”, que merece louvor, respeito...Vosmecêagarante, pra a paz das mães, mão na Escritura?”Se certo! Era para se empenhar a barba. Do que o diabo, então eu sincero disse:Olhe: eu, como o sr. me vê, com vantagens, hum, o que eu queria uma hora destas era ser famigerado – bem famigerado, o mais que pudesse!...“Ah, bem!...” – soltou, exultante.(ROSA, João Guimarães. Primeiras Estórias. 14. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. p. 15-16.)<br />
  41. 41. De acordo com o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, o adjetivo “famigerado” significa “que tem fama; muito notável; célebre; famoso; famígero”. Acontece que, tendo sido utilizado inúmeras vezes associado à palavra malfeitor, “famigerado malfeitor”, acabou por adquirir o significado negativo do substantivo ao qual esteve reiteradamente ligado. Daí resultou uma segunda acepção: “mal afamado, perverso”. O segundo significado é resultante de desvio em relação ao significado primeiro.Com base nessa elucidação, na passagem do conto rosiano transcrita e no conto como um todo, considere as afirmativas a seguir.<br />
  42. 42. I. Damazio, o jagunço, procura o médico no arraial para esclarecimento a respeito da palavra “famigerado” porque acha que foi ofendido pelo moço do Governo que assim o denominou.II. A resposta oferecida pelo médico à questão levantada pelo jagunço não foi motivada pelo medo de possível violência por parte do jagunço, mas antes pelo seu conhecimento da língua portuguesa restrito aos registros da norma culta.III. Damazio só foi procurar pelo médico no arraial porque no sertão, embora existam dicionários disponíveis, “o legítimo – o livro que aprende as palavras”, não há quem possa resolver questões desta espécie.IV. Quando questionado pelo jagunço, o médico, para evitar maiores problemas, oferece-lhe o primeiro significado da palavra, engambelando, desta forma, o homem do sertão e evitando possível violência.Estão corretas apenas as afirmativas:a) I e II.b) I e IV.c) III e IV.d) I, II e III.e) II, III e IV.<br />
  43. 43. I. Damazio, o jagunço, procura o médico no arraial para esclarecimento a respeito da palavra “famigerado” porque acha que foi ofendido pelo moço do Governo que assim o denominou.II. A resposta oferecida pelo médico à questão levantada pelo jagunço não foi motivada pelo medo de possível violência por parte do jagunço, mas antes pelo seu conhecimento da língua portuguesa restrito aos registros da norma culta.III. Damazio só foi procurar pelo médico no arraial porque no sertão, embora existam dicionários disponíveis, “o legítimo – o livro que aprende as palavras”, não há quem possa resolver questões desta espécie.IV. Quando questionado pelo jagunço, o médico, para evitar maiores problemas, oferece-lhe o primeiro significado da palavra, engambelando, desta forma, o homem do sertão e evitando possível violência.Estão corretas apenas as afirmativas:a) I e II.b) I e IV.c) III e IV.d) I, II e III.e) II, III e IV.<br />
  44. 44. As palavras de Damázio são registradas de maneira condizente com sua origem sertaneja. Assim, lê-se, no texto, entre muitas outras expressões similares, “pra mor de lhe preguntar a pregunta”. Tal fato revela:a) Preconceito do autor com relação ao sertanejo iletrado, marginalizando-o através da fiel transcrição de sua fala em desacordo com a norma lingüística vigente e incompreensível para o homem culto da cidade.b) Descaso do autor com o registro da fala do homem do sertão, somando-se, desta forma, com a política brasileira dominante em 1962, quando seu livro foi escrito, que pouco se ateve à problemática destes seres marginalizados.c) Consciência política do autor que, através do registro da fala arcaica de seus sertanejos, objetiva trazer à tona problemas concernentes à marginalidade e à subserviência experimentadas por esses homens incapazes de ostentar alguma forma de poder.d) Vínculo da obra rosiana com obras regionalistas brasileiras que a antecederam nas quais há o registro concomitante de duas falas muito diferentes entre si, a do sertanejo e a do homem da cidade, como é o caso, por exemplo, de São Bernardo, de Graciliano Ramos.e) Conhecimento, por parte do autor, da existência de um ser outro, ainda que também brasileiro, distinto daquele que se faz presente na cidade, sendo que sua especificidade registra-se de diferentes maneiras, inclusive na maneira como fala.<br />
  45. 45. As palavras de Damázio são registradas de maneira condizente com sua origem sertaneja. Assim, lê-se, no texto, entre muitas outras expressões similares, “pra mor de lhe preguntar a pregunta”. Tal fato revela:a) Preconceito do autor com relação ao sertanejo iletrado, marginalizando-o através da fiel transcrição de sua fala em desacordo com a norma lingüística vigente e incompreensível para o homem culto da cidade.b) Descaso do autor com o registro da fala do homem do sertão, somando-se, desta forma, com a política brasileira dominante em 1962, quando seu livro foi escrito, que pouco se ateve à problemática destes seres marginalizados.c) Consciência política do autor que, através do registro da fala arcaica de seus sertanejos, objetiva trazer à tona problemas concernentes à marginalidade e à subserviência experimentadas por esses homens incapazes de ostentar alguma forma de poder.d) Vínculo da obra rosiana com obras regionalistas brasileiras que a antecederam nas quais há o registro concomitante de duas falas muito diferentes entre si, a do sertanejo e a do homem da cidade, como é o caso, por exemplo, de São Bernardo, de Graciliano Ramos.e) Conhecimento, por parte do autor, da existência de um ser outro, ainda que também brasileiro, distinto daquele que se faz presente na cidade, sendo que sua especificidade registra-se de diferentes maneiras, inclusive na maneira como fala.<br />
  46. 46. Assinale a alternativa em que os termos substituem, respectivamente, os neologismos “se famanasse” e “verivérbio”, sem alterar o sentido das frases no texto transcrito.a) Ficasse contente; a visão clara da verdade. b) Se sentisse enaltecido; a etimologia da palavra.c) Estivesse saciado; a opinião sincera do narrador.d) Ficasse famoso; a necessidade da palavra.e) Agisse como valentão; o sentido preciso da palavra.<br />
  47. 47. Assinale a alternativa em que os termos substituem, respectivamente, os neologismos “se famanasse” e “verivérbio”, sem alterar o sentido das frases no texto transcrito.a) Ficasse contente; a visão clara da verdade. b) Se sentisse enaltecido; a etimologia da palavra.c) Estivesse saciado; a opinião sincera do narrador.d) Ficasse famoso; a necessidade da palavra.e) Agisse como valentão; o sentido preciso da palavra.<br />
  48. 48. Sobre os contos presentes em Primeiras Estórias (1962), de João Guimarães Rosa (1908-1967), considere as afirmativas a seguir.I. Em “Os Irmãos Dagobé”, a norma, considerando-se os valores do sertão, seria o assassinato de Liojorge, uma vez que aí a vingança é a lei. Acontece que Liojorge não é assassinado, pois os irmãos sertanejos resolvem mudar de vida, optando pelos valores da cidade.II. Em “Fatalidade”, a norma seria o assassinato de Herculião Socó, uma vez que a estória se passa no sertão. Zé Centeralfe prefere, no entanto, esquecer o acontecido, não chegando sequer a dirigir-se à delegacia de Amparo, onde certamente contaria com o auxílio da polícia.III. No final do conto “Sorôco, sua mãe, sua filha”, a comunidade acompanha Sorôco a sua casa, assumindo o canto de loucura dele, canto este que foi por ele tomado da mãe louca, que, por sua vez, em ato de solidariedade, tomou-o da neta em estado de completo delírio. O canto une a comunidade.IV. Em “A terceira margem do rio”, o sentimento de fracasso do filho deriva do fato de não ter amparado sua mãe no momento de infortúnio, deixando-a, juntamente com seus irmãos, à mercê do destino e de um padrasto cruel.Estão corretas apenas as afirmativas:a) I e II.b) I e III.c) II e IV.d) I, III e IV.e) II, III e IV.<br />
  49. 49. Sobre os contos presentes em Primeiras Estórias (1962), de João Guimarães Rosa (1908-1967), considere as afirmativas a seguir.I. Em “Os Irmãos Dagobé”, a norma, considerando-se os valores do sertão, seria o assassinato de Liojorge, uma vez que aí a vingança é a lei. Acontece que Liojorge não é assassinado, pois os irmãos sertanejos resolvem mudar de vida, optando pelos valores da cidade.II. Em “Fatalidade”, a norma seria o assassinato de Herculião Socó, uma vez que a estória se passa no sertão. Zé Centeralfe prefere, no entanto, esquecer o acontecido, não chegando sequer a dirigir-se à delegacia de Amparo, onde certamente contaria com o auxílio da polícia.III. No final do conto “Sorôco, sua mãe, sua filha”, a comunidade acompanha Sorôco a sua casa, assumindo o canto de loucura dele, canto este que foi por ele tomado da mãe louca, que, por sua vez, em ato de solidariedade, tomou-o da neta em estado de completo delírio. O canto une a comunidade.IV. Em “A terceira margem do rio”, o sentimento de fracasso do filho deriva do fato de não ter amparado sua mãe no momento de infortúnio, deixando-a, juntamente com seus irmãos, à mercê do destino e de um padrasto cruel.Estão corretas apenas as afirmativas:a) I e II.b) I e III.c) II e IV.d) I, III e IV.e) II, III e IV.<br />
  50. 50. . (UFRN-RN) O fragmento textual que segue, retirado da narrativa A terceira margem do rio, de João Guimarães Rosa, servirá de base para esta questão..Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio — o rio — pondo perpétuo [grifo nosso]. Eu sofria já o começo da velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais.De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar o vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1976.No quadro do Modernismo literário no Brasil, a obra de Guimarães Rosa destaca-se pela inventividade da criação estética.Considerando-se o fragmento em análise, essa inventividade da narrativa roseana pode ser constatada através do(a):a) recriação do mundo sertanejo pela linguagem, a partir da apropriação de recursos da oralidade.b) aproveitamento de elementos pitorescos da cultura regional que tematizam a visão de mundo simplista do homem sertanejo.c) resgate de histórias que procedem do universo popular, contadas de modo original, opondo realidade e fantasia.d) sondagem da natureza universal da existência humana, através de referência a aspectos da religiosidade popular.e) Todas as afirmativas são corretas.<br />
  51. 51. . (UFRN-RN) O fragmento textual que segue, retirado da narrativa A terceira margem do rio, de João Guimarães Rosa, servirá de base para esta questão..Sou homem de tristes palavras. De que era que eu tinha tanta, tanta culpa? Se o meu pai, sempre fazendo ausência: e o rio-rio-rio — o rio — pondo perpétuo [grifo nosso]. Eu sofria já o começo da velhice — esta vida era só o demoramento. Eu mesmo tinha achaques, ânsias, cá de baixo, cansaços, perrenguice de reumatismo. E ele? Por quê? Devia de padecer demais.De tão idoso, não ia, mais dia menos dia, fraquejar o vigor, deixar que a canoa emborcasse, ou que bubuiasse sem pulso, na levada do rio, para se despenhar horas abaixo, em tororoma e no tombo da cachoeira, brava, com o fervimento e morte. Apertava o coração. Ele estava lá, sem a minha tranqüilidade. Sou o culpado do que nem sei, de dor em aberto, no meu foro. Soubesse — se as coisas fossem outras. E fui tomando idéia.ROSA, João Guimarães. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1976.No quadro do Modernismo literário no Brasil, a obra de Guimarães Rosa destaca-se pela inventividade da criação estética.Considerando-se o fragmento em análise, essa inventividade da narrativa roseana pode ser constatada através do(a):a) recriação do mundo sertanejo pela linguagem, a partir da apropriação de recursos da oralidade.b) aproveitamento de elementos pitorescos da cultura regional que tematizam a visão de mundo simplista do homem sertanejo.c) resgate de histórias que procedem do universo popular, contadas de modo original, opondo realidade e fantasia.d) sondagem da natureza universal da existência humana, através de referência a aspectos da religiosidade popular.e) Todas as afirmativas são corretas.<br />
  52. 52. (PUC-SP) O livro Primeiras Estórias, de João Guimarães Rosa, começa com o conto As margens da alegria e termina com Os cimos.Há uma semelhança entre eles que é a caracterização do mundo interior de um menino, através de recursos do discurso indireto livre. Sobre esses dois contos, é possível afirmar que:a) os contos tratam do mesmo tema, ou seja, relatam situações vividas por um menino em companhia de seus tios, situações essas marcadas por envolvimentos emocionais diferentes.b) o segundo conto é uma continuação do primeiro e, em ambos, a viagem se faz em estado de sonho.c) as personagens e o contexto são os mesmos e em ambas as narrativas o menino se encanta com a beleza e o esplendor de um tucano.d) o primeiro conto é marcadamente psicológico e poético e o segundo é mais satírico e prosaico.e) o desfecho de ambos é trágico e inusitado e nega os títulos de ambas as narrativas.<br />
  53. 53. (PUC-SP) O livro Primeiras Estórias, de João Guimarães Rosa, começa com o conto As margens da alegria e termina com Os cimos.Há uma semelhança entre eles que é a caracterização do mundo interior de um menino, através de recursos do discurso indireto livre. Sobre esses dois contos, é possível afirmar que:a) os contos tratam do mesmo tema, ou seja, relatam situações vividas por um menino em companhia de seus tios, situações essas marcadas por envolvimentos emocionais diferentes.b) o segundo conto é uma continuação do primeiro e, em ambos, a viagem se faz em estado de sonho.c) as personagens e o contexto são os mesmos e em ambas as narrativas o menino se encanta com a beleza e o esplendor de um tucano.d) o primeiro conto é marcadamente psicológico e poético e o segundo é mais satírico e prosaico.e) o desfecho de ambos é trágico e inusitado e nega os títulos de ambas as narrativas.<br />
  54. 54. (PUC-SP) E o tucano, o vôo, reto, lento como se voou embora, xô, xô! mirável, cores pairantes, no garridir; fez sonho. Mas a gente nem podendo esfriar de ver. Já para o outro imenso lado apontavam. De lá, o sol queria sair, na região da estrela-d’alva. A beira do campo, escura, como um muro baixo, quebrava-se, num ponto, dourado rombo, de bordas estilhaçadas. Por ali, se balançou para cima, suave, aos ligeiros vagarinhos, o meio-sol, o disco, o liso, o sol, a luz por tudo. Agora, era a bola de ouro a se equilibrar no azul de um fio. O Tio olhava no relógio.Tanto tempo que isso, o Menino nem exclamava. Apanhava com o olhar cada sílaba do horizonte.Sobre o trecho acima, do conto Os cimos, de Guimarães Rosa, é incorreto afirmar que:a) é texto descritivo caracterizador da natureza, representada pela presença da ave e do amanhecer.b) utiliza recursos de linguagem poética como a onomatopéia, a metáfora e a enumeração.c) descreve o tucano, utilizando frase nominal e de encadeamento de palavras com força adjetiva.d) apresenta um estilo repetitivo que confunde o leitor e impede a manifestação da força poética do texto.e) pinta com luz e cor a linha do horizonte, onde em “dourado rombo, de bordas estilhaçadas”, nasce o sol.<br />
  55. 55. (PUC-SP) E o tucano, o vôo, reto, lento como se voou embora, xô, xô! mirável, cores pairantes, no garridir; fez sonho. Mas a gente nem podendo esfriar de ver. Já para o outro imenso lado apontavam. De lá, o sol queria sair, na região da estrela-d’alva. A beira do campo, escura, como um muro baixo, quebrava-se, num ponto, dourado rombo, de bordas estilhaçadas. Por ali, se balançou para cima, suave, aos ligeiros vagarinhos, o meio-sol, o disco, o liso, o sol, a luz por tudo. Agora, era a bola de ouro a se equilibrar no azul de um fio. O Tio olhava no relógio.Tanto tempo que isso, o Menino nem exclamava. Apanhava com o olhar cada sílaba do horizonte.Sobre o trecho acima, do conto Os cimos, de Guimarães Rosa, é incorreto afirmar que:a) é texto descritivo caracterizador da natureza, representada pela presença da ave e do amanhecer.b) utiliza recursos de linguagem poética como a onomatopéia, a metáfora e a enumeração.c) descreve o tucano, utilizando frase nominal e de encadeamento de palavras com força adjetiva.d) apresenta um estilo repetitivo que confunde o leitor e impede a manifestação da força poética do texto.e) pinta com luz e cor a linha do horizonte, onde em “dourado rombo, de bordas estilhaçadas”, nasce o sol.<br />
  56. 56. Poesia<br />
  57. 57. JOÃO CABRAL DE MELO NETO<br />constrói uma poesia não-lírica, não-confessional, presa à realidade e dirigida ao intelecto. <br />
  58. 58. As Fases de João Cabral<br />
  59. 59. Primeira fase:<br /> O Poeta engenheiro, frio, intelectualista, desumano.<br />O Engenheiro<br />O lápis, o esquadro,o papel;<br /> o desenho,o projeto,o número:<br /> o engenheiro pensa o mundo justo,<br /> mundo que nenhum véu encobre.<br />
  60. 60. "...E não há melhor respostaque o espetáculo da vida:vê-la desfiar seu fio,que também se chama vida,ver a fábrica que ela mesma,teimosamente, se fabrica,vê-la brotar como há poucoem nova vida explodida;mesmo quando é assim pequenaa explosão, como a ocorrida;mesmo quando é uma explosãocomo a de há pouco, franzina;mesmo quando é a explosãode uma vida severina."<br />(Morte e Vida Severina)<br />SEGUNDA FASE:<br /><ul><li> humanização do poeta
  61. 61. temas sociais e regionais
  62. 62. o homem nordestino e seu sofrimento</li></li></ul><li> O universo poético de João Cabral <br />sertão nordestino. <br />cidades de olinda e de recife <br />beberibe e o capibaribe<br />canaviais da zona da mata pernambucana. <br />vegetação escassa da caatinga <br />dor do agreste brasileiro. <br />
  63. 63. TERCEIRA FASE<br />rigoroso trabalho de linguagem <br />Poesia feita de "pedras" e a "paloseco”<br />inspira-se na aridez geográfica e humana do sertão <br />Produz uma poesia seca e exterior. <br />Concilia a depuração formal e o sentimento humano<br />
  64. 64. Uma educação pela pedra: por lições;para aprender da pedra, freqüentá-la;captar sua voz inenfática, impessoal(pela de dicção ela começa as aulas).(...)<br /> Outra educação pela pedra: no Sertão(de dentro para fora, e pré-didática).No Sertão a pedra não sabe lecionar,e se lecionasse não ensinaria nada;lá não se aprende a pedra: lá a pedra,uma pedra de nascença, entranha a alma. <br />
  65. 65. Graciliano Ramos<br /> Falo somente com o que falo:com as mesmas vinte palavrasgirando ao redor do solque as limpa do que não é faca:de toda uma crosta viscosa,resto de janta abaianada,que fica na lâmina e cegaseu gosto da cicatriz claraFalo somente do que falo:do seco e de suas paisagens,Nordeste, debaixo de um solali do mais quente vinagre:(...)<br /> Falo somente por quem falo:por quem existe nesses climascondicionados pelo solpelo gavião e outras rapinas.(...)Falo somente para quem falo:quem padece sono de mortoe precisa de um despertadoracre como o sol sobre o olhoque é quando o sol é estridentea contrapelo, imperioso,e bate nas pedras comose bate numa porta a socos.<br />
  66. 66. Tecendo a ManhãJoão Cabral de Melo Neto<br />1<br />Um galo sozinho não tece uma manhã: ele precisará sempre de outros galos. De um que apanhe esse grito que ele e o lance a outro; de um outro galo que apanhe o grito de um galo antes e o lance a outro; e de outros galos que com muitos outros galos se cruzem os fios de sol de seus gritos de galo, para que a manhã, desde uma teia tênue, se vá tecendo, entre todos os galos. <br />2<br />E se encorpando em tela, entre todos, se erguendo tenda, onde entrem todos, se entretendendo para todos, no toldo (a manhã) que plana livre de armação. A manhã, toldo de um tecido tão aéreo que, tecido, se eleva por si: luz balão. (A Educação pela Pedra) <br />
  67. 67. João Cabral se sentia um homem nordestino e como tal dizia: <br />"Nenhum nordestino é indiferente ao meio em que vive, em que se criou."<br />
  68. 68. O Teatro Moderno Brasileiro<br />O Pagador de Promessas<br />Dias Gomes<br />
  69. 69. CONCRETISMO<br />1956<br /><ul><li> Espaço gráfico como recurso expressivo
  70. 70. Inovação da linguagem poética</li></li></ul><li>Augusto de Campos<br />
  71. 71. Décio Pignatari<br />
  72. 72. Neo-concretismo de Arnaldo Antunes<br />
  73. 73. VELHA INFÂNCIAArnaldo Antunes/ Carlinhos Brown/ Marisa Monte<br /> Você é assimUm sonho prá mimE quando eu não te vejoEu penso em vocêDesde o amanhecerAté quando eu me deito...Eu gosto de vocêE gosto de ficar com vocêMeu riso é tão feliz contigoO meu melhor amigoÉ o meu amor...E a gente cantaE a gente dançaE a gente não se cansaDe ser criançaA gente brincaNa nossa velha infância...<br /> Seus olhos meu clarãoMe guiam dentro da escuridãoSeus pés me abrem o caminhoEu sigo e nunca me sinto só...Você é assimUm sonho prá mimQuero te encher de beijosEu penso em vocêDesde o amanhecerAté quando eu me deito...<br />
  74. 74. Não há vagas (Ferreira Gullar)<br />em arquivos.<br />Como não cabe no poema<br />o operário<br />que esmerila seu dia de aço<br />e carvão<br />nas oficinas escuras<br />  <br />– porque o poema, senhores,<br />está fechado: “não há vagas”<br />Só cabe no poema<br />o homem sem estômago<br />a mulher de nuvens<br />a fruta sem preço<br />  <br />O poema, senhores,<br />não fede<br />nem cheira. <br />O preço do feijão<br />não cabe no poema. O preço<br />do arroz<br />não cabe no poema.<br />Não cabem no poema o gás<br />a luz o telefone<br />a sonegação<br />do leite<br />da carne<br />do açúcar<br />do pão.<br />  <br />O funcionário público<br />não cabe no poema<br />com seu salário de fome<br />sua vida fechada<br />

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