A Revolução de 1383 / 85

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A Revolução de 1383 / 85

  1. 1. A REVOLUÇÃO DE 1383-85
  2. 2. A REVOLUÇÃO DE 1383-85 Numa altura em que o reino atravessava dificuldades económicas extremas determinadas pela crise da agricultura, pela Peste e pelas repetidas guerras com Castela, a morte de D. Fernando veio abrir uma nova crise, desta vez no plano político, que esteve na origem de grandes movimentos e transformações sociais.
  3. 3. <ul><li>De acordo com o Tratado de Salvaterra de Magos, assinado com Castela, estabelecia-se uma nova paz entre os dois reinos consignada pelo casamento de D. Beatriz com D. João I de Castela. </li></ul><ul><li>Após a morte de D. Fernando, a Regência do trono seria entregue a D. Leonor até que D. Beatriz fosse mãe. </li></ul><ul><li>A esse filho ou filha seria, na idade devida, entregue o governo do reino de Portugal </li></ul>
  4. 4. <ul><li>No entanto, D. Fernando morreu, sem que do casamento de sua filha D. Beatriz com o rei de Castela resultasse um filho que ocupasse o trono de Portugal. E as perspectivas para que apontava o tratado de Salvaterra, não agradavam a grande parte da população. Sobretudo ao Povo e à Burguesia. </li></ul>Dona Leonor de Teles
  5. 5. <ul><li>Com efeito, Dona Leonor sempre tinha sido vista como defensora dos grandes proprietários, e as relações amorosas que mantinha com o nobre galego Conde Andeiro, não eram do agrado da população. </li></ul><ul><li>Por outro lado, temia-se que a aclamação de Dona Beatriz, casada com o rei de Castela , fosse o primeiro passo para a perda da independência do reino. </li></ul>Dona Beatriz
  6. 6. <ul><li>Tornava-se assim necessário encontrar um outro candidato. Alguém que unisse a população e garantisse a independência do reino. </li></ul><ul><li>A escolha recaiu na pessoa de D. João Mestre da Ordem Militar de Avis, filho bastardo de D. Pedro I e meio-irmão de D . Fernando, e por isso, um legítimo pretendente ao trono. </li></ul>O Mestre de Avis é aclamado pela população de Lisboa
  7. 7. <ul><li>Foram, entretanto, muitos os tumultos populares que de norte a sul assolaram o reino, e cedo, Lisboa se tornou no centro da contestação à aclamação de Dona Leonor como rainha. </li></ul><ul><li>E ao boato, propositadamente posto a circular pelos revoltosos, de que os apoiantes da rainha se preparavam para matar o Mestre, respondeu uma multidão assaltando o Paço Real e matando, ao que parece com a ajuda do Mestre ,o odiado conde Andeiro. </li></ul>
  8. 8. <ul><li>Com dona Leonor em fuga para Castela, era preciso organizar a defesa face à previsível resposta de D. João de Castela na defesa dos seus próprios interesses e de sua mulher, D. Beatriz. </li></ul><ul><li>D. João Mestre de Avis é então aclamado como regedor e defensor do reino. </li></ul><ul><li>Da organização e comando do exército português foi incumbido Nuno Álvares Pereira, membro da ordem dos Hospitalários, tornado, à pressa nesses tempos conturbados, Condestável do reino.( Chefe Militar) </li></ul>
  9. 9. <ul><li>A resposta do rei de Castela foi rápida. Invadindo Portugal pelo Alentejo, em 1384 ,cercou durante 4 meses a cidade de Lisboa, e só desistiu quando a Peste se instalou entre as suas tropas e recebeu a mensagem que sua mulher, D. Beatriz estava gravemente doente. </li></ul><ul><li>Entretanto, no mesmo ano, D. Nuno Álvares Pereira vence o exército castelhano na Batalha dos Atoleiros. </li></ul>O CERCO DE LISBOA NUNO ÁLVARES PEREIRA
  10. 10. <ul><li>O golpe definitivo nas pretensões castelhanas ao trono português será dado em Aljubarrota. Aí, um pequeno exército português, auxiliado por arqueiros ingleses, e utilizando processos militares inovadores num campo de batalha habilmente escolhido, conseguiu vencer um inimigo em número muito superior. </li></ul>
  11. 11. <ul><li>De facto: </li></ul><ul><li>Os arcos disparavam, em relação às bestas, um número maior de setas. </li></ul><ul><li>O campo de batalha minado por covas de lobo fez, por si só, grandes estragos na cavalaria castelhana. </li></ul><ul><li>A famosa táctica do quadrado que abria a formação do exército português às tropas inimigas, para depois as destroçar lateralmente, revelou-se de grande eficácia. </li></ul><ul><li>Tudo isto explica, em parte, aquele que consideramos o nosso maior sucesso militar - a Batalha de Aljubarrota. </li></ul>
  12. 12. <ul><li>Afastada por algum tempo a ameaça castelhana, tratava-se, agora, de formalizar e de fazer aceitar pelos três Estados do Reino – Nobreza, Clero e Povo – a candidatura a Rei de D. João, Mestre de Avis. </li></ul>
  13. 13. <ul><li>Com este fim, foram imediatamente convocadas, em 1385, as Cortes de Coimbra. Aí, se distinguiu, na defesa dos argumentos jurídicos e de interesse nacional em que assentava a candidatura do Mestre, um burguês lisboeta e homem de leis, Dr. João das Regras. O Mestre da Ordem Militar de Avis tornava-se no rei </li></ul><ul><li>D. João I ( O de Boa Memória ) iniciando uma nova dinastia : A Dinastia de Avis </li></ul>
  14. 14. <ul><li>Até então tinham sido frequentes os conflitos entre nobres e reis, que degeneraram por várias vezes em guerras civis. </li></ul><ul><li>Mas, ao contrário de outras guerras, como as que opuseram no séc. XIII, D. Afonso III a seu irmão D. Sancho II, ou as que tiveram D. Afonso IV (pai) e D. Pedro (filho) como opositores; a partir de 1385 com a vitória da pequena Aristocracia e da Burguesia, nada ficou como dantes. </li></ul>
  15. 15. <ul><li>Abriu-se rapidamente um período de ajuste de contas entre vencidos e vencedores. Entre ” patriotas e traidores”. </li></ul><ul><li>Neste processo, o grupo social mais beneficiado acedendo à propriedade de terra, a títulos nobiliários e a cargos da administração pública, foi a Burguesia. </li></ul><ul><li>Ao poder económico que, em parte, já detinha acrescentava-se, agora, um prestígio e uma influência nunca antes adquiridos. </li></ul>
  16. 16. <ul><li>À ascensão da Burguesia e da nova Nobreza (de pequena tornada grande) correspondeu um declínio das principais famílias comprometidas com a causa de Castela. A confiscação dos seus bens em benefício da Coroa permitiu acentuar a política de centralização do poder real já ensaiada nos séculos anteriores. </li></ul>

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