O empirismo e o racionalismo (Doc.2)

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Contém um texto de Fernando Bastos sobre o empirismo e o racionalismo

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O empirismo e o racionalismo (Doc.2)

  1. 1. Filosofia Ano Lectivo: ___/____ Ano: 11º Turma: _____ 1. Descrição e interpretação da Unidade IV actividade cognoscitiva 1.2. Análise comparativa de duas teorias explicativas do conhecimento: O empirismo Prof. Joaquim Melro DOC. N.º 2 Assunto: Empirismo e o racionalismo “As transformações ocorridas a partir do Renascimento e o início da ciência moderna levaram a um grande questionamento sobre os critérios e métodos para aquisição do quot;conhecimento verdadeiroquot;. Uma das funções da filosofia moderna passa a ser a de investigar em que medida o saber científico atinge o seu objectivo de gerar esse conhecimento. Há, inicialmente na filosofia, duas vertentes sobre a questão do conhecimento: o racionalismo e o empirismo. O Racionalismo, é habitualmente vinculada ao pensamento francês, e o Empirismo, à cultura anglo-saxónica. (…) O (…) Racionalismo e o Empirismo expressam em comum a preocupação fundamental face aos problemas do conhecimento, ponto de referência básico da filosofia moderna. (…) 1.1 RACIONALISMO O Racionalismo dos séculos XVII e XVIII é a doutrina que afirma ser a razão o único órgão adequado e completo do saber, de modo que todo conhecimento verdadeiro tem origem racional (a priori). Por tal motivo, essa corrente filosófica é chamada de Racionalismo “gnosiológico” ou “epistemológico”. A importância conferida à razão por Descartes e pelos cartesianos seus seguidores é um modo de racionalizar a Realidade, um lastro “metafísico” de cunho racional, levando-os a afirma que a razão é a única faculdade de propiciar um conhecimento adequado da realidade. A razão, por iluminar o real e perceber as conexões e relações que o constituem, é a capacidade de apreender os fenómenos nas suas articulações ou interdependência em que se encontram uns com os outros (…) As bases do Racionalismo epistemológico foram lançadas por René Descartes (…) e desenvolvidas pelos grandes cartesianos, Baruch Spinoza, Nicolas Malembrache, Wilhelm Gottfried Leibniz, estendendo-se, através deste, ao Iluminismo alemão, com Christian Wolf e outros mais. A desagregação da síntese aristotélica-escolástica de alma e corpo, iniciada no Nominalismo do século XIV (Guilherme Ockam), e a paralela separação entre conhecimento sensível e conhecimento intelectual, levaram Descartes a formular a doutrina das “ideias inatas”. Tais ideias não seriam conceitos obtidos por abstracção ou indução a partir da experiência, mas seriam da mesma espécie que as ideias originárias e criadoras da mente divina. 1
  2. 2. E através destas ideias seria possível um tratamento apriorístico-dedutivo de todas as ciências 1 . Todo o conhecimento certo seria, então, de estrutura racional e matemática e uma consequência de princípios necessários e universais (apriorísticos) do entendimento. As sensações seriam nada mais do que “ideias confusas”, sendo a razão a única fonte de conhecimento humano. 1.2 EMPIRISMO Outro dos dois grandes movimentos filosóficos que caracterizaram a Idade Moderna propriamente dita - do “novo” período cultural à época já pós-renascentista e correspondente aos séculos XVII e XVIII - é aquela tendência positiva e prática expressa pela mentalidade anglo- saxónica: o Empirismo. Em termos gerais, o Empirismo é a doutrina filosófica segundo a qual o conhecimento se determina pela “experiência” (empeiría). Neste sentido, o Empirismo é usualmente contraposto ao Racionalismo que prescreve um conhecimento fundado na “razão” (ratio). (…) Do ponto de vista gnosiológico, o Empirismo rejeita o inatismo (doutrina que se entrelaça com o Racionalismo), que admite a existência de um sujeito cognoscente (a mente, o espírito) dotado de “ideias inatas”, isentas de qualquer dado da “experiência”. Ora, o Empirismo, ao contrário, [afirma que] o sujeito cognoscente é uma espécie de tábua rasa, onde são gravadas as impressões decorrentes da “experiência” com o mundo exterior. Ainda que o termo “empirismo” tenha sido atribuído a um grande número de posições filosóficas, a tradição prefere aceitar como “empiristas” aqueles pensadores que afirmam ser o conhecimento derivado exclusivamente da “experiência” dos sentidos, da “sensação” ou da “emperia”. (…)”. ...De acordo com a teoria de que o espírito, a mente, seja uma tabula rasa, uma superfície maleável às impressões da experiência externa, o Empirismo pode ser estimado sob um prisma psicológico e outro gnoseológico. Na medida que a fonte do conhecimento não é a “razão” ou o pensamento, mas a “experiência”, a origem temporal de conhecer é concebida como resultado da experiência externa e interna - aspecto psicológico -, e, por conseguinte, só o conhecimento “empírico” é válido - o aspecto gnoseológico. O Empirismo, paralelamente com Racionalismo continental, desenvolve-se na Inglaterra, com as suas características próprias, do século XVI ao XVIII. Ao contrário do Racionalismo, a corrente inglesa apresenta uma preocupação menor pelas questões rigorosamente metafísicas, voltando-se bem mais para os problemas do conhecimento (que não deixam de incluir uma metafísica). O eu método a posteriori, utilizando as ciências positivas 2 , estabelece uma psicologia e uma gnosiologia sensista e fenomenista 3 , baseadas essencialmente nos “sentidos”, na “sensação” (sensus). (…) Os filósofos mais representativos do Empirismo inglês são, em ordem cronológica, Francis Bacon (pensador ainda inserido no mundo renascentista), Thomas Hobbes, John Locke, George Berkeley e David Hume. Saliente-se, porém, que estes pensadores, ainda que aceitando, de comum acordo, uma gnosiologia empirista, fundada na “experiência”, possuem cada um a sua própria e peculiar concepção filosófica, existindo, inclusive, aqueles que manifestam um forte 1 O racionalismo, considera que as ciências devem constrir oe seus conhecimentos através de processos dedutivos 2 O emprismo, considera que as ciências devem constrir os seus conhecimentos através de processos indutivos 3 Doutrina filosófica que admite que todo o real se reduz a fenómenos e que só podemos conhecer fenómenos (Barroso, 1999). 2
  3. 3. componente realista 4 como Locke e Hume, ou aqueles, como Berkeley, cujas premissas sensistas confluem para um idealismo 5 ou antimaterialismo radicais”. Adaptação feita a partir de Bastos, F. (1987). Aspectos gerais do Racionalismo e do Empirismo. In Panorama das ideias estéticas do Ocidente, pp. 77-101, negrito nosso; aspas e itálico no original). Retirado em Janeiro 21, 2009 de http://www.artnet.com.br/~pmotta/metod_rac_emp_compl.rtf Referência bibliográfica sindicada no original Barroso, M. E. G. (1999). Novo Dicionário Aurélio - Século XXI . Rio de Janeiro[ edição em CD-ROM]. 4 Doutrina ou atitude relativa ao problema do conhecimento, caracterizada, em graus e níveis diversos, pela afirmação da existência do ser (e dos fenómenos) independentemente do pensamento e pela busca dos relacionamentos possíveis que entre eles se podem estabelecer (Barroso, 1999). 5 Tendência, atitude ou doutrina filosófica que, em graus e sentidos diversos, reduz o ser (e os fenómenos) ao pensamento, às ideias, ou a alguma entidade de ordem subjetiva, considerando que o espírito, ou a consciência, ou as idéias, ou a vontade, etc., são o dado primário com base no qual se há-de resolver o problema do conhecimento (Barroso, 1999). 3

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