vila brás | são leopoldo | novembro/2011 | edição 131                                        DIENIFER CECCONELLO          ...
2      Coleção                                                                                                            ...
Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011                                                                      ...
4    Gente que faz                                                                                                        ...
Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011                            Infância                   5Meninas, desde...
6      Onde eu moro                                                                                                       ...
Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011                                                                      ...
8   Mãos à obra                                                                                                           ...
Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011                                Mãos à obra                           ...
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12      Amigo imaginário                                                                                                  ...
Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011                                                    É o amooor 13Uma r...
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  1. 1. vila brás | são leopoldo | novembro/2011 | edição 131 DIENIFER CECCONELLO Um olhar Brassificados esperto Menino sensibilizou Jovens do Projeto Era uma vez... moradores de outro município Aceleração relatam Quem nunca sonhou e ganhou mais do como foi sua visita com um príncipe que esperava! à Unisinos e o que encantado? Confira viram por lá.enfoque como Dona Dorida DANIELA FANTI encontrou o dela! Páginas Páginas 7, 8 e 9 Páginas 10 e 11 14 e 15 ROBERTO FERRARI Que beijinho doce que ele tem Na Rua dos Beijos, casais da Vila recriam cenas marcantes do universo da fotografia Página 13
  2. 2. 2 Coleção Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011 Carta ao leitor O Enfoque chega à última edição de 2011. É tempo de fazer um balanço do que aconteceu. Desde o primeiro nú- “ mero do jornal, em 2004, muitas histórias já foram contadas por aqui. O Enfoque, produzido por alu- nos do curso de Jornalismo da Unisinos, quer conversar bem de perto com os moradores da Vila Brás. Nós, do Enfoque, ficamos animados Escrevia no espaço. com a ideia de que, de alguma forma, nossa atividade possa cooperar para a comunicação do pessoal da vila. Uma das maiores satisfações que temos, tra- tada nas páginas 7, 8 e 9 desta edição, é a mudança de foco que nossa turma Hoje, grafo no tempo, na pele, na palma, na pétala, luz do momento Paulo Leminski “ buscou na parceria com jovens estudan- tes da Brás. Hoje, com sorte, eles têm outras perspectivas para o próprio futuro. Outro ponto que vale ser destacado neste semestre é o que chamamos de “editoria que deu certo”. Nas três visitas feitas à vila no segundo semestre de 2011, pudemos ob- servar o quanto funciona a seção dos Brassificados. Todos que participaram de certa maneira se identificaram com Neusa, que acompanhou o surgimento do projeto na Vila Brás, guarda todas publicações do jornal os alunos da Unisinos. A aceitação da coluna foi maior a cada edição. O pessoal se mostrou mais e mais receptivo Fã desde a primeira e disposto. Abordava a equipe do Enfoque na rua e queria saber como participar. Há um diferencial nesta edição: poemas e haikais, ver- sos de origem japonesa que valorizam a precisão e a ob- jetividade. Os pequenos textos reproduzidos ao longo do Enfoque (um deles aí em cima) são de Arnaldo Antunes, músico, poeta, compositor, ex-integrante dos Titãs e dos edição do Enfoque Tribalistas, e do curitibano Paulo Leminski Filho, falecido A moradora diz que o veículo ajudou a mudar a visão que muitos tinham da vila em junho de 1989, importante escritor, poeta e tradutor. Priscila Gomes (Texto) mudar a visão que muitos tinham colegas de trabalho”, diz. Tamires Fonseca (Foto) da vila”, destaca. A filha Giovana Egger da Sil- E O Enfoque é um jornal direcionado aos moradores da Como hoje Neusa trabalha no va, seis anos, já quis pegar os Vila Brás, em São Leopoldo/RS. A produção é dos alunos m cada uma das três pastas, Serviço Municipal de Água e Es- jornais da mãe para brincar de das disciplinas de Redação Experimental em Jornal e existe uma pilha de edições gotos (Semae), que fica no centro cortar as letras. “Não deixei. Em Fotojornalismo do Curso de Jornalismo da Unisinos. do jornal Enfoque Vila Brás. de São Leopoldo, ela lê o Enfoque troca, dei uma revista para ela. Fale conosco! Essa é a coleção de Neusa Egger da para se manter informada sobre Na minha coleção não pode me- (51) 3590 8463 / 3590 8466 Silva, 40 anos. Um dos seus passa- os fatos que ocorrem na Brás. “Até xer. Sou fã do Enfoque”, conta enfoquevilabras@gmail.com tempos favoritos é ler o veículo e levo ele para mostrar para os meus com risadas. enfoque guardar os volumes de recordação. A voz da Vila Av. Unisinos, 950 - Agexcom/Área 3 - São Leopoldo/RS A leitura até recebe um lugar espe-Confira quando circulam as próximas edições! cial: o seu quarto. “Gosto de folhe- 129 130 131 ar o impresso na cama. Depois, eu o guardo, pois as reportagens me No começo, o jornal Enfoque 17/9 15/10 11/11 remetem a diversas lembranças e, era produzido por estudantes de[REDAÇÃO] Orientação: professor Eduardo Veras. Monitoria: aluna ainda, me permitem acompanhar Jornalismo da Unisinos dentroLílian Stein. Textos: alunos André Fröhlich Seewald, Dieines Fróis (edição), as mudanças do local que eu vivo do campus da própria universi-Dierli dos Santos, Eduardo Saueressig, Fernanda Brandt, há 25 anos”, sublinha. dade, em São Leopoldo. ParaJaqueline Fernanda Silva de Loreto, Júlia Klein Caldas, Juliana de Brito, Neusa acompanhou o início produzir textos e fotografias,Liliana Egewarth, Lorena de Risse Ferreira, Marcelo Ferreira da Silva, do projeto em 2004. Na época, ela os alunos não saíam para asNatália Barbosa Gaion, Natália Vitória de Oliveira Silva, Pablo Luis Furlanetto,Priscila Guimarães Corrêa Gomes, Renata Parisotto, Rita de Cassia Trindade, ocupava o cargo de presidente do ruas. Em 2004, isso mudouThayná Candido de Almeida, Vitor de Arruda Pereira e Viviane Borba Bueno. Conselho Fiscal da Associação de radicalmente. As turmas pas- Moradores. “Quando a Unisinos saram a se deslocar até a Vila[FOTOGRAFIA] Orientação: professor Flávio Dutra. Monitoria: aluno André apresentou a ideia, achei ótima! Brás. O objetivo, agora, seÁvila. Fotos: alunos Amanda Pereira, Angelo de Zorzi, Bruna Vargas, Bruna Silva, A partir de então, a cara da vila co- tornara outro: levar infor-Daniela Sgrillo, Daniela Fanti, Dienifer Martins, Douglas Bonesso, Eduardo Mei- meçou a mudar”, ressalta. mação e entretenimentoreles, Fernanda Estrella, Gabriela Nunes, Greice Nichele, Joane dos Santos, João Segundo ela, o local era co- aos moradores da vila, va-Diego Dias, Lílian Stein, Lisiane Machado, Livia Saggin, Lucas Neto, Marília Dias,Marina Cardozo, Natacha Oliveira, Rafaela Kley, Renata Strapazzon, Roberto nhecido apenas pela violência. lorizar seus feitos, suas histórias eFerrari, Samantha Gonçalves, Stéfanie Telles e Tamires Fonseca. “Se falássemos que moravamos seus projetos, assim como acompanhar suas bandei- na Brás ficava complicado até para ras e reclamações.[ARTE] Projeto gráfico e diagramação realizadas pela equipe de jornalismo conseguir emprego, por exemplo”, A primeira edição nesse formato, ainda em preto e branco, foi vei-da Agência Experimental de Comunicação (Agexcom). Supervisão: professo- lembra. Neusa conta que quando culada em setembro daquele ano. A manchete apresentava famíliasres Eduardo Veras e Thaís Furtado. Projeto gráfico: jornalista Marcelo Garcia. os alunos de Jornalismo da Uni- em que as mulheres, sozinhas, tinham assumido o sustento dos filhos.Diagramação: estagiário Marcelo Grisa. sinos começaram a pisar no local A matéria contava histórias como as de Adriana da Rosa, que com 27 em busca de histórias, a realidade anos tinha a missão de não deixar faltar comida para suas seis crianças. Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS se tornou outra. “O jornal come- Ela era uma mãe cheia esperança e sonhos. O impresso também des- Av. Unisinos, 950, Bairro Cristo Rei - São Leopoldo/RS Telefone: (51) 3591 1122. E-mail: unisinos@unisinos.br çou a destacar as coisas boas que tacou a luta de Fagner Gonçalves, de 15 anos, para se tornar famoso Reitor: Marcelo Fernandes de Aquino. Vice-reitor: José Ivo acontecem aqui. Com ele, a comu- jogador de futebol. Na época, o jovem praticava o esporte no projeto Follmann. Pró-reitor Acadêmico: Pedro Gilberto Gomes. nidade pôde conhecer as belezas, Genoma Colorado, um núcleo de uma escolinha do Internacional. Pró-reitor de Administração: João Zani. Diretor da Unidade de os projetos e as pessoas maravi- Desde então, 44 publicações sobre a Vila Brás já foram distri- Graduação: Gustavo Borba. Gerente de Bacharelados: Gustavo lhosas que vivem na localidade. buídas gratuitamente para a comunidade. Fischer. Coordenador do Curso de Jornalismo: Edelberto Behs. Certamente, o veículo ajudou a
  3. 3. Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011 Gente que faz 3Montando o próprio negócioValdoci Domingues deixou os bicos na indústria metalúrgica para se dedicar ao acabamento de pequenas peças de metalJúlia klein (Texto)Marina cardozo (Fotos)H á pouco mais de um mês, Valdoci Costa Domingues, 40 anos, trocou o trabalho informal para abrir seu próprio negócio.Profissional com experiência no ramo metalúr-gico e alguns contatos na área, Valdoci recebeos fragmentos metálicos para lixar, polir e colarpedrinhas de strass. As peças metálicas são, emsua maioria, fechos de bolsas e casacos, tachi-nhas de roupas e calçados, enfim, diversos ade-reços que compõem acessórios do vestuário. O recente empreendimento chama-seStrass & Cia, e a tendência é de que o trabalhoaumente em função do final de ano. “Nossofoco é colar as pedrinhas de strass nas peçasde metal. As pessoas não valorizam muito isso,só notam mesmo quando cai a pedrinha doproduto que compraram”, comenta o ex-me-talúrgico. Falando nisso, a própria esposa deValdoci, Elisângela Domingues, comprou umabolsa que incluía um detalhe com pedrinhascoladas por eles. “Quando ela chegou em casa,veio toda faceira mostrar a bolsa. Foi compra-da aqui pertinho, no Centro, e reconhecemoso fecho. Deu orgulho ver nosso trabalho narua!”, conta o novo empresário da Brás. Atualmente, 15 pessoas trabalham comValdoci, e cerca de 15 mil peças são prepara- Com ajuda de um palito de dente, Valdoci Domingues, seus parentes e vizinhos colam strass em peças de metal para bolsasdas diariamente. Após a colagem das pedri-nhas, os metais vão para uma estufa, ondeficam em torno de três horas, aguardando asecagem. Terminado o processo, as peças me-tálicas são embaladas e enviadas de volta paraa metalúrgica, onde recebem um tratamento Clientela fielfinal. Nívea Camargo, 35 anos, é vizinha e ami- Marina Lessa, 47 anos, fa-ga da família. E agora, também faz parte da brica e comercializa produtosStrass & Cia. “Estou conseguindo uma renda de limpeza. Ela mesma misturaextra e ainda trabalho pertinho de casa, está os produtos químicos, criandosendo muito bom”, entusiasma-se. uma variada combinação de co- Sobre trocar os bicos ou o emprego for- res. Todos os produtos são se-mal pelo trabalho em casa, Valdoci não pensa melhantes aos oferecidos nosduas vezes: prefere a nova empreitada. “Estou supermercados. A vantagem émuito contente por trabalhar em casa, porque o valor: alguns chegam a custaralém de dar oportunidade para pessoas da quatro vezes menos no carrinhofamília, tenho liberdade para fazer outras coi- de dona Marina.sas, sair para resolver problemas, manter um Há cinco anos nesse ramo, acontato maior com meus filhos. Agora sou eu comerciante diz que abandonou“quem cuida do meu nariz”, finaliza. a profissão de confeiteira em fun- ção de problemas de saúde. Hoje, Marina percorre toda a Vila Brás e atende aproximadamente 400 clientes por mês. “Tem gente que O melhor também acontece Arnaldo Antunes “ me liga para fazer pedido de pro- duto quando eu não passo aqui. Só não venho nos dias de chuva”, diz. Fique atento: o carrinho de dona Marina percorre a Vila aos sábados e às quarta-feiras, du- Fabricados na Vila, produtos de limpeza são vendidos a preços inferiores aos do mercado rante o dia todo.
  4. 4. 4 Gente que faz Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011Aquilo que Empreendedorismovocê não viuMarcelo Ferreira (Texto) nos negócios e na vida Nova lancheria na Leopoldo Wasun: a coragem de quem decide ir por caminhos diferentesPablo Furlanetto (Texto) Na última ida à Vila Brás, conversamos com Marcelo Ferreira (Texto)Claudimir Schütze e Antônio Vanderlei Müller, stéfanie telles (Foto) “Mpresidente e diretor de eventos da Associaçãode Moradores, respectivamente. Na ocasião, eles udar é bom. Temos sem-nos contaram “segredos” sobre a organização da pre que correr atrás dofesta de 30 anos, que ocorreu no dia 24 de setem- que queremos.” A frasebro. Confira algumas das curiosidades e dificulda- de Carla Mercedes Lopes Thambourinde-des que eles viveram para tornar a festa da cuca guy, 49 anos, traz muito mais informaçãoe da linguiça um sucesso: do que, à primeira vista, pode parecer. Ao deixar para trás o Brechó da Tia Carla el Foram calculadas 400 gramas de linguiça por abrir a Lancheria Tobýss, a moradora en-pessoa. A compra foi consignada (quando se paga cara o desafio de crescer sem medo dosomente pelo que foi consumido). Dos 110 quilos imprevisto e da novidade – ingredientescomprados, 64 foram consumidos e 44 devolvi- básicos tanto para o empreendedorismodos ao fornecedor, que é de Lomba Grande. O va- quanto para a vida.lor pago foi de R$ 11 o quilo. A consignação só foi Carla tem uma história marcada porpossível porque Schütze e Müller são, segundo mudanças. Ao falar da mais nova lanche-o fornecedor, pessoas honestas. Ele disse: “Ho- ria da Avenida Leopoldo Wasun, númeromem, conhecemos no andar”; 17, recorda-se dos muitos anos traba-l A compra das bebidas também foi consignada. lhados como cozinheira em empresas eForam consumidas 20 caixas de cerveja; restaurantes, além dos doces e salgadosl Sobraram seis cucas, que foram vendidas a para festinhas de aniversário que fazia.preço de custo; Conheceu o marido, Lauro Osvaldo Viei-l Como a venda dos ingressos era feita boca a ra, nos bailes do Gigante do Vale. Apósboca, havia a previsão de 90 bilhetes vendidos. muitas quartas-feiras namorando no sofá,Na hora, 76 foram comprados. Uma ficha valia casaram-se. Isso há seis anos, quando elapara duas pessoas; então se tornou moradora da Vila Brás el A banda que, a princípio, iria tocar cancelou o decidiu, em comum acordo com Osvaldo, Carla prepara um sorvete nos últimos dias de funcionamento do brechóshow 10 dias antes do evento. Foi preciso correr abrir o brechó.atrás de outro conjunto, a banda Veneza; A virada nos negócios da família é e, agora no verão, o movimento da lan- negócio em família. “O marido vai ajudarl A mãe do Antônio, diretor de eventos, passou estratégica. “Hoje existem muitos bre- cheria vai ser bom, vamos abrir de se- depois do trabalho. Os filhos também po-o sábado todo fazendo o pão de milho da festa; chós na Brás. Tem lugar para todos sim, gunda a segunda, das oito da manhã à dem pegar junto”, revela, com um sorrisol Quem fez as conservas foi o diretor de eventos mas, como sou muito organizada, acabei uma da madrugada.” no rosto e a felicidade de quem olha parae sua mulher, Gleri. Exceto o pepino, que já foi cansando de ter que arrumar as roupas Devido ao horário estendido, Carla o seu futuro e o da Vila Brás com entusias-comprado pronto; todo o dia”, conta Carla. “Adoro cozinhar conta que a Lancheria Tobýss vai ser um mo e visualizando boas perspectivas.l Na compra dos copos plásticos, foi possíveleconomizar muito. O cento que seria compradopor R$ 11 custava R$ 4,50 na Feitoria;l A filha do Antônio, diretor de eventos, come-çou a trabalhar na organização da festa às 8h desábado e só parou às 6h de domingo;l Maicon Müller foi o designer dos convites. Só Encontro de violasteve um problema. A primeira banda cancelou o Liliana egewarth (Texto) Para Dinorá Alkinson, que gos-show 10 dias antes e, assim, o garoto teve que natacha oliveira (Foto) ta muito dos bailes promovidos narefazer cartões novos com o nome da Veneza; vila, é um momento de descontra-l Aos 45 do segundo tempo: na manhã do sábado, Todo o sábado é dia de encontro ção para os moradores. “Gosto deSchütze e Müller foram buscar os bancos que se- de violas. Na verdade um conjunto olhar eles tocando, mas gosto tam-riam emprestados pela igreja. Na hora, ficaram sa- de pessoas se reúne para realizar bém de dançar quando tenho umbendo que haveria um casamento e, assim, a igreja esse evento que acontece em vários par”, complementa.não poderia emprestá-los. Na Associação, havia lugares de São Leopoldo, inclusive no João Nunes, companheiro deapenas bancos para 65 pessoas. Os organizadores Bar da dona Salete, na Vila Brás. Sidnei, costuma ajudar a colocar asconseguiram em outro local os assentos que falta- Salete Batista, 46 anos diz que a aparelhagens e a organizar os shows.vam. Também, uma hora antes da festa foi detec- festa começa geralmente ao meio- Segundo ele, que gosta apenas detado que faltariam talheres. Uma das caixas havia dia e segue até às 22h. Segundo ela, cantar musicas tradicionalistas e tam-sumido. Mesmo com o empréstimo da escola e de esse horário vem sendo rigorosa- bém modas sertanejas, essa se tornamoradores, os organizadores tiveram que comprar mente seguido, pois não incomoda uma oportunidade para ver os ami-mais. Ironia: no fim das contas, a caixa reapareceu. os vizinhos. Dona Salete não cobra gos reunidos e cantando. “Se apare-“ entrada das pessoas que querem cer alguém aqui, que saiba cantar, já participar ou dos que querem assistir saio cantando junto”, brinca ele. às apresentações. Essa é uma forma João gosta mesmo é de cantar Dona Salete, mãe de quatro fi- Vozes a mais de promover as duplas e também o músicas tradicionalistas lhos diz que todos vão até seu bar vozes a menos a máquina em nós que gera provérbios é a mesma que faz poemas, somas com vida própria que podem mais que podemos Paulo Leminski “ local onde está ocorrendo o evento. Geralmente 25 duplas de violeiros cantam e tocam. “Nos encontros de violas não acontece nenhuma briga. Serve para que as pessoas se divir- tam e também para cultivar a tradi- Salete ressalta que quem co- meçou com a idéia de grupo de violeiros foi Sidnei Lima. Ele faz a apresentação das duplas antes dos shows e também, coloca as apare- participar dos eventos que ela e seus parceiros promovem. Bastan- te orgulhosa, ela gosta de ver essa participação dos filhos, vizinhos e amigos, além deles, gosta de ver a casa cheia, com uma média de 60 a ção”, complementa. lhagens de som. 70 pessoas prestigiando os eventos.
  5. 5. Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011 Infância 5Meninas, desde As duas irmãs, de nove e 10 anos, jácedo, trabalhadoras têm uma profissão: são recicladoras. No meio do caminho, o trabalho acaba virando brincadeira, afinal, são criançaslorena risse (Texto)lucas portal (Fotos)O sábado é geralmente um dia de des- canso para muita gente. É o dia em que todo mundo está em casa paraconversar, passar o final de semana junto ese preparar para a próxima semana. Mas,em alguns casos, não é isso que acontece.Em um sábado de visita à Vila Brás, avistei delonge uma menina com um carrinho de ferrocheio de papelão, trabalhando no meio-fio. Aos nove anos, Joana* trabalha ao ladoda irmã Jaqueline*, três dias por semana,para ajudar em casa. Cata papelão, garrafasPET, latinhas e outros materiais recicláveis.Chegam em casa, classificam o que foi arre-cadado, montam fardos e depois vendem.Do processo todo, tiram de R$4 a R$6, de-pendendo de quanto conseguirem pegar narua e vender. As duas irmãs estão na terceira série doEnsino Fundamental da Escola Municipal Pa-dre Orestes João Stragliotto. A mais nova, Jo-ana, diz que é boa em matemática, ganhouaté uma medalha de honra ao mérito pelobom desempenho. Já Jaqueline, 10 anos,confessa que tem muita dificuldade em Por-tuguês e que ainda não sabe ler: “Eu sei asletras, conheço elas, mas não sei juntar, nãosei ler a palavra”. Essa realidade é a de muitosbrasileirinhos que precisam trabalhar paraajudar os pais com a despesa da casa. Pou-cos sabem que isso é contra a Constituiçãobrasileira, que é clara: menores de 16 anossão proibidos de trabalhar. Aos adolescentesde 14 e 15 anos que precisam de um ofício, épermitido é o trabalho como aprendiz. De acordo com dados da PNAD 2009(Pesquisa Nacional por Amostra de Domicí-lios), existem no Rio Grande do Sul cerca de1.670.000 crianças entre 5 e 14 anos. Des-sas, 74.000 são classificadas como ocupadas.Esse número representa 4% da populaçãogaúcha que, assim como as irmãs Joana e Nos pés, o retrato doJaqueline, assumem responsabilidades de esforço que as pequenasgente grande. fazem para ganhar seu Mesmo com a avenida inteira por ser dinheiro no final do dia.percorrida, as meninas reservaram um pou- Amoras divertem e pintamco do seu tempo para sentar e conversar. Foi as mãos das duas meninas,assim que descobri que as duas vivem hoje revigorando e tornando oseparadas, uma com a tia, e a outra com os trabalho mais divertidoavós – os pais não moram no Estado. Mesmocom as dificuldades, gostam muito do quefazem, afinal podem ajudar a família. “A coi-sa mais boa é trabalhar. A gente tem o nosso “dinheirinho”, diz Jaqueline. A rotina das duas começa cedo, às 5h damanhã, quando acompanham a tia na vendade balas. A escola é frequentada no horá-rio da tarde, entre o Balanço Geral, quandosaem de casa, e a Malhação, quando vol- Tão doce, tão cedotam. Gostam de brincar de pular corda e deesconde-esconde. Passam o dia juntas, mas,nos sonhos, as duas preferem caminhos se-parados, uma quer voltar a morar com a mãee ser professora, a outra prefere ficar comoestá e seguir com a reciclagem. Sonhos que tão já tudo de novo vira recomeço Paulo Leminski “ainda podem mudar assim como os de qual-quer criança.
  6. 6. 6 Onde eu moro Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011 Dois meses de obras paradas Atraso na construção de casas populares revolta a comunidade Obras devem ser finalizadas até março de 2012 segundo a prefeitura Casas populares “Eduardo Saueressig (Texto) está trazendo revolta a população. Em Habitação, Isabella da Costa Albrecht, As unidades habitacionaisÂngelo De Zorzi (Foto) contrapartida, a prefeitura tem moti- as obras não estão paradas. terão 42 metros quadrados cada,N vos para o atraso, mas reitera que as O atraso ocorreu, de acordo com distribuídos em sala, cozinha, o início da construção das obras não estão paradas. a realocação das famílias que tiveram banheiro e dois quartos. Ao fim residências populares na Vila Alguns moradores da comuni- que sair de suas casas, após a con- das atividades, 54 casas estarão O que se Brás, eram esperadas 150moradias, com um valor de investi-mento em torno de R$ 1,8 milhão. Apromessa da prefeitura de São Leopol-do animou muitas famílias da vila, queseriam logo realocadas, e passariam a dade, preocupados com o atraso, che- gam a pressionar o guarda. “Os mora- dores vem aqui e reclamam para mim, mas eu não posso fazer nada, é com a prefeitura”, confessa Arione Correa da Silva, encarregado da segurança. disponíveis para a comunidade da vila. e violência. “Durante a noite eles vêm aqui e quebram vidros, chutam coisas, strução do Trensurb na vila. “Tivemos que fazer várias casas rapidamente, e realocar algumas famílias que foram transferidas de residência, agora esta- mos terminando de arrumar o terreno e prepará-lo para a construção do res- quer se deixa querer Arnaldo Antunes “ter uma boa moradia em um curto es- Arione diz que esse sentimento e quando nos veem, reclamam e man- tante das casas.” A prefeitura tem umpaço de tempo. Mas, segundo o segu- de espera e incertezas faz algumas dam agente fazer o trabalho andar.” novo prazo para a construção total darança da obra, a paralisação nas obras pessoas cometerem atos de rebeldia Segundo a secretária Municipal de habitação: março de 2012. À espera de um novo lar viviane bueno (Texto) São Leopoldo e já falou com integrantes JOANE GARCIA (Foto) da Defesa Civil, mas nenhuma notícia foi animadora. O sol já tinha se posto no dia 5 de ou- A esperança que ele tenta enxergar tubro quando se iniciaram as primeiras vem da ONG Uma Nova Visão Social labaredas. Naquela noite, os moradores (NVS), que está fazendo promoções para da Rua 26, na Vila Brás, nada puderam arrecadar materiais de construção para fazer para impedir que o fogo consu- seu novo lar. Sem ter onde morar, a so- misse a casa de Valmir da Silva Peixoto, lução foi procurar o filho mais velho, em 41 anos, popularmente conhecido por uma residência, na Rua 24. Tatu. Por sorte, o pai de família, a espo- “Também estou organizando a rifa de sa, Adriana Pereira Vargas, 33 anos, e os uma bicicleta que me foi doada. É a ma- dois filhos, Matheus Vargas, quatro, e neira de tentar reconstruir minha casa”, Matheus, quatro anos, brinca nos destroços que um dia foram sua casa, na Rua 26 Jean Vargas, 14, não estavam em casa. declara Valmir. As únicas coisas poupadas pelo incêndio Com sérios problemas de saúde, só foram a cadeira de rodas de Valmir, um fogão e um aparelho de televisão. neste ano Valmir já foi internado cinco vezes. Além do fato de depender de uma Sobre a ONG Cadeirante há sete anos (ao pular cadeira de rodas para se locomover, as As atividades da ONG NVS têm previsão para se inicia- Contatos para quem em uma piscina, teve a coluna lesiona- dificuldades decorrentes da diabetes, rem ainda neste mês de novembro, na sede localizada na desejar ajudar Valmir: da, Valmir depende da ajuda de vizinhos aliada a uma anemia, tornam a sua vida Avenida Leopoldo Wasun, 1166. Com o intuito de ajudar e parentes para poder se reerguer. Da ainda mais necessitada de atenção e cui- pessoas com alguma deficiência física, a NVS contará com l Rua 24, nº 238 casa de alvenaria que tinha cinco peças dados médicos. palestras, telecentro e doações, por meio de parcerias, de l E-mail: laranjinhanvs@ e garagem, só restaram os pedaços de “Pela quantidade de moradores exis- cadeiras de rodas e bengalas. “Vamos ajudar o Valmir a yahoo.com.br tijolos e um muro que revelam o quan- tentes na Brás, se cada um doar R$ 1 con- atravessar esse momento difícil. Ele sempre foi uma pes- l Telefone: 9426.9789 to aquele local foi devastado pelo fogo, seguiremos reconstruir a casa de Valmir”, soa solidária e agora é ele que depende da solidariedade consequência de um curto circuito. Val- estima o integrante da ONG NVS, Bruno das pessoas”, conclui Bruno Garcia. mir já procurou a ajuda da Prefeitura de Garcia, mais conhecido por Laranjinha.
  7. 7. Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011 Mãos à obra 7 Alunos da Escola João Goulart conhecem o De olho no Complexo Desportivo da universidade futuro Visita à Unisinos possibilita o encontro com diferentes áreas profissionais andré seewald (Texto) Os visitantes foram acompanhados por al- dierli santos (Texto) guns repórteres que produzem o Enfoque e juliana dE brito (Texto) pelas professoras da escola, Renata Garcia Mar- MARCELO GARCIA (Fotos) ques e Juliana Fogaça. Os estudantes puderam D conhecer a TV Unisinos e a Rádio Unisinos, um ando continuidade à parceria com a Es- laboratório de Engenharia Mecânica e o Com- cola João Goulart, o Enfoque convidou plexo Desportivo. um grupo de alunos do projeto Seguindo Na mesma semana, foi realizada uma ativi- em Frente (Aceleração) para visitar a Unisinos, dade prática na Associação de moradores da Vila na terça-feira, dia 11 de outubro. O objetivo era Brás, onde os alunos foram convidados à contar apresentar novas perspectivas profissionais para suas impressões sobre a visita. Os relatos e o en- esses jovens. Durante uma tarde, eles puderam tusiasmo do grupo demonstram que a iniciativa conhecer diferentes áreas de conhecimento: foi bem sucedida. O resultado você confere nas Jornalismo, Engenharia e Educação Física. páginas 8 e 9. Segue
  8. 8. 8 Mãos à obra Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011 Novos sonhos Por Ana Paula dos Santos A visita à Unisinos foi importante para os alunos da Escola João Goulart pensarem mais sobre o futuro. Primeiro, conhec- emos o estúdio da TV e o da Rádio Unisinos. Nunca imaginei que por trás de uma imagem precisasse de tantos profissionais, tantas salas para fazer com que a imagem chegue até nos- sas casas. Na Rádio, também é preciso de mui- tas pessoas, umas para fazer redação, outras para montar as músicas de fundo e os áudios e outras para a locução. Também conhecemos a parte de Engenha- ria Mecânica. Vimos os equipamentos, as fer- ramentas e as peças que os próprios alunos construíram em aula. Estavam bem feitas, e também foi legal ver que alguns colegas se in- teressaram por Engenharia Mecânica. Fomos para a Área de Esportes. Lá ficamos pou- co tempo, mas deu para conhecer todo o espaço, que, por sinal, é bem grande. Todas as áreas que conhecemos na Unisinos são bem organizadas. Após essa visita, mudei bastante minha ide- ia sobre meu futuro. Espero poder cursar uma graduação na Unisinos e trabalhar lá também. Com certeza, foi muito importante passar uma tarde na universidade. Gostei e espero que pos- samos voltar mais vezes. TV Unisinos e Engenharia Mecânica Por Luane Soares e de conhecer o funcionamento muito legal. preciso fazer muitos cálculos, Ânderson Rodrigues da TV, pensávamos que não exis- Na Engenharia Mecânica, não simplesmente acionar uma N tia tanta gente envolvida no tra- conhecemos a parte da criação máquina. Para criar qualquer a Unisinos conhece- balho. É tudo muito complexo. de peças e algumas das máqui- coisa, eles devem calcular o mos quatro áreas: tele- Descobrimos que não existe só nas usadas nesta área. Fomos peso e o impacto que a peça visão, rádio, Engenharia o estúdio, onde são gravados instruídos por um laboratorista será capaz de suportar, por ex- Mecânica e Complexo Desporti- e apresentados os programas, da Unisinos. Entre as peças cria- emplo. Também nos foi apre- vo. A TV e a Engenharia foram as mas há várias salas para ajustar das pelos alunos, vimos bicicle- sentada a produção de uma que mais nos interessaram. o som e a imagem. Os efeitos tas e jipes. peça por meio de um torno au- Na TV Unisinos, descobrimos visuais e tudo que vimos lá nos O instrutor nos explicou tomatizado. Por isso, essa foi coisas novas e superlegais. Antes impressionaram. É uma área que, para criar uma peça, é uma área que nos interessou.
  9. 9. Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011 Mãos à obra 9 Rádio Unisinos Por elismara bonato e luana patrícia esper E m uma visita à Unisinos vimos várias profissões importantes. As funções que conhecemos na Rádio Unisinos foram as que mais nos interessaram. Entendemos que na rádio se divulgam notícias, músicas, entre- vistas e muita cultura para os ouvintes. Quando fizemos a visita, não imaginávamos que é um pouco com- plicado trabalhar lá. Sinceramente, achamos muito legal a profissão de jornalismo, pois parece ser muito bom saber de pessoas e coisas interessantes que acontecem no nosso Rio Grande do Sul. Eu, particularmente, escuto o Boogie Night. Este programa apre- senta a cultura musical, principalmente do rock ‘n roll, que, para mim, é o melhor estilo musical que existe. Esportes Por Rodrigo dos Santos N a terça-feira, 11 de outubro, fizemos, eu e meus colegas, uma visita à Unisinos, onde aprendemos muitas coisas. Me iden- tifiquei mais com o Complexo Desportivo, um lugar muito grande e bonito, que tem de tudo. Já tinha ido algumas vezes lá para competir e, graças a Deus, fui bem. Gostei de todas as vezes em que participei, e gostaria de participar mais. Foi dito que a pista de atletismo foi considerada a maior pista da América Latina. Lá são feitas várias modalidades de corrida, assim como outros tipos de esporte de arremessos e lançamentos. Como esportista, foi legal e, como universitário, também deve ser, pois tem toda aquela estrutura que vimos e um espaço que uma universidade deve ter. Novas possibilidades Por Luane Soares N a visita à Unisinos, descobri uma área que achei muito interessante: a televisão. Foi uma descoberta que me deixou com uma opção a mais para meu fu- turo. Apesar de hoje estar decidida a cursar Enfermagem, o Jornalismo foi algo que me interessou muito. “ “ Tudo é vago e muito vário, meu destino não tem siso, o que eu quero não tem preço, ter um preço é necessário, e nada disso é preciso Paulo Leminski
  10. 10. 10 Perfil Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011 Era uma vez...N ão é preciso coroas e espadas, tampouco elfos e duendes para que sua história vire um conto fantástico. Basta um pouquinhode imaginação e criatividade para que a maioria dosfatos pareça tão especial quanto uma lenda dessasque têm um final encantador. É o caso, por exemplo,do encontro entre Dorida e Danilo, casal que vive naBrás como se fossem rei e rainha. e seu fiel companheiro, o neto Maicon, que catam minhocas para pescar no Sinos. Por fim, você tem a chance de acompanhar a história de Joana. Quando a equipe do Enfoque chegou em sua rua, quatro amigas tomavam chimarrão e conversavam sobre a vida. Uma delas chamou a atenção pelo seu olhar. Aparentemente queria dizer alguma coisa. E disse. Revisitou os “ As coisas não começam com um conto nem acabam com um Paulo Leminski “ Outra história que você vai ler aqui é a de Alcides episódios marcantes dos seus 67 anos de vida.Um conto de fadas na vida realJaqueline Loreto (Texto)dienifer cecconello (Foto) Em uma terra distante, na-tiva e com florestas densas,havia uma jovem princesa quesonhava em encontrar alguémpara se unir e construir seupróprio castelo. Em um reino distante, há al-gumas léguas de distância, se en-contrava o jovem príncipe DaniloFlores, que com seus 22 anos foiparticipar de uma competição nocondado de Alecrim, onde vivia anossa princesa, Dorida da Rosa. Os dois irmãos de Dorida lu-taram bravamente no torneiode bola e, durante a prova, co-nheceram o jovem valente quebatalhava do lado oposto. Per-ceberam que, ele além de forte,era um brilhante cavalheiro e ochamaram para o baile real queaconteceria no império, afinal, jáestava em tempo de sua irmã co-nhecer alguém para casar. Na festa, os dois se escontrarame foi amor à primeira vista. Comomanda o figurino, o príncipe de-veria pedir o consentimento do reipara poder namorar sua amada. – Eu lhe darei permissãopara ficar com minha filha, jovemnobre, mas terás que partilhardesse amor somente neste terri-tório. Casarás e construirás umanova família nesta terra – procla-mou o pai da moça. Nosso moço, mesmo nãoaceitando totalmente a impo-sição feita pelo rei, casou-secom Dorida, e por um tempoficou vivendo entre sua regiãoe a de sua esposa. Cansado das O casal Dorida da Rosa Flores e Danilo Flores enfrentou obstáculos e hoje vive feliz em seu reinoviagens e da saudade que sen-tia, Danilo Flores propôs que Ao chegarem à região co- a prosperidade do palácio. Para cessários. Aliás, justamente sem você.” Ele responde: “Eu nãopartissem para onde sopravam nhecida por Vila Brás, se ins- chegar até o seu destino, Danilo por causa dos pequenos no- penso em viver sem ti.”.ventos distintos e onde o verde talou e levantou os muros de Flores utiliza uma carruagem es- bres, o palácio sofrerá algu- E eles viveram felizes paraé mais verde. seu palácio. pecial que o leva e o traz no final mas reformas para aumentar o sempre? Não, eles continuam Assim o fizeram, viajaram Do matrimônio, tiveram três da aurora. espaço e dar maior comodida- vivendo a felicidade que a his-pelos campos e morros, cruza- herdeiros para o trono: Rogério, No tempo em que fica so- de aos futuros reis e rainhas. tória ensina, passando por obs-ram por colônias e povoações. hoje com 35 anos, Maurici, 33, e zinha Dorida tem a companhia Ao olhar para trás e perceber táculos e dificuldades, enfren-No entanto, o que encontraram Giovani, 30. Hoje a rainha cuida de um ou mais netos que, se- que não ficou um arrependimen- tando o que vier pela frente denão servia para erguer a moradia da propriedade enquanto o rei guidamente, estão presentes to, a rainha Dorida diz para seu cabeça erguida e sem desistirprometida. trabalha para manter a ordem e para cumprir os afazeres ne- amado: “Não imagino minha vida dos sonhos.
  11. 11. Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011 Perfil 11 ...na Vila BrásHora de catar minhocanatália vitória (Texto)bruna santos (Foto) Sábado, 10 da manhã, umsenhor e uma criança catam min-hocas num terreno cheio de mato,barro e lixo. O motivo? Precisamdas minhocas para pescar de tar-de, no Rio dos Sinos. Esse é o pas-satempo favorito de Alcides Luisde Almeida, 66 anos. Seu neto,Maicon Diego de Almeida Schultz,11 anos, companheiro dele naaventura, faz da busca por min-hocas uma grande brincadeira. Para Alcides, o campo a céuaberto é o lugar ideal para con-seguir minhocas. Os moradoresforam transformando o local emum depósito de lixo informal, ea decomposição dos detritos at-rai os bichos. Quando tem o sábado defolga, Alcides passa o dia pescan-do. Operário da construção civil,ele diz que “trabalha de pedra”.Natural da cidade de Três Passos,mora há 15 anos na Vila Brás. Há12, pesca no Sinos. Nos últimos Alcides e o neto procuram pelas iscas, em terreno abandonado, antes de iniciar a pescaria no Rio dos Sinostrês, conta sempre com o mesmoparceiro fiel. Desde que ensinou no Uruguai e na Argentina. Seu não sente o tempo passar. “Nem frito que ele faz. Alcides tem os Um alerta: a Prefeitura deo neto a pescar, ouve a toda hora material é simples, um caniço, sei quantas horas fico pescando, seus segredos. Antes da fritura, São Leopoldo informa que ado menino que está na hora de anzol e as iscas, nada de redes. mas antes de escurecer volto pra deixa o peixe de molho no vinagre pesca artesanal, sem o uso decatar minhocas. Desde que reside em São Leo- casa”, ressalta. ou limão por cerca de uma hora. redes, está liberada no Rio dos A pesca é um hábito que Al- poldo, nunca deixou de lado sua Maicon revela que, além de “Tem um gosto de óleo. Com tem- SInos. O consumo, porém, não écides sempre cultivou. Já pescou paixão. Quando vai ao Sinos, pescar com o avô, adora o peixe pero, sai o gosto”, explica. recomendado. “Daqui pra frente é eu e Deus” Texto de Joana Franco dos Santos Anotado por Pablo Furlanetto Foto de Douglas Bonesso Meu nome é Joana Franco em Novo Hamburgo. A ou- nha idade, não tenho mais dos Santos. Nasci no dia 24 de tra também nasceu em Mato muito que pensar. Não con- junho de 1944, em Mata, mu- Queimado. Se chama Ma- sigo descansar. Preciso pagar nicípio que depois passou a ria Cleonice, tem 37 anos e as contas. Assim, desanimo. ser São Vicente. Fica próximo mora em Cerro Largo. São muitas coisas para fazer. a Santa Maria. Acho que é Rio Vim para São Leopoldo Creio que sou feliz. To- Grande do Sul, perto de Itaqui. quando minha filha mais ve- dos os dias vou para a igre- Quando tinha 10 anos, lha engravidou do primeiro ja, faça chuva ou faça sol. Lá eu, minha mãe e dois irmãos filho, Tiago Eduardo Limber- encontro a minha felicidade. fomos de trem para Colônia gue. Isso, há 24 anos. Quan- Vivendo sozinha, na igreja Vitória, em Santo Ângelo. do ele tinha nove anos, me encontro paz. Antes, tive uns Ficamos lá por cinco anos. mudei para a Vila Brás. momentos difíceis. Aconte- Morávamos na roça. Depois, Hoje, ajudo minha filha. ceram tantas coisas, só Deus fomos para Guarani das Mis- Tenho uma neta doente e para saber. Hoje sou feliz. sões, e, após, sozinha, fui que precisa de cuidados. Vou Daqui para frente é a igreja e para Santo Ângelo. Nessa ci- até Canudos durante a sema- eu, não tenho mais o que fazer. dade, morei por 15 anos, tra- na. Pego dois ônibus para ir e balhando como doméstica. dois para voltar. Tenho duas filhas. Uma O fim de semana é para nasceu em Mato Queimado, ficar com as vizinhas. Graças município de Caibaté. Seu a Deus, morei sozinha a vida Dona Joana tem nome é Neusa Maria dos inteira, eu e Deus. a igreja como Santos, tem 43 anos e mora Acho que agora, nesta mi- companheira
  12. 12. 12 Amigo imaginário Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011Pequenos autores “Gurizada cria uma história para Brasinha, personagem que estreou no último Enfoque Estrela sozinha de repente uma voz falando dentro da minha Paulo Leminski “ Na manhã de sábado, meninos e meninas da Vila Brás toparam a ideia de inventar uma aventura para um garoto que não existe Menino muito mimadorita TRINDADE (Texto)samantha gonçalves (Foto)A última edição do Enfo- que abordou a impor- Brasinha acordou muito con- queria: batatas fritas, pastel, mas que encontrou por lá: pi- tância da leitura na vida trariado, em uma manhã de sá- cachorro-quente, pizza, refrige- poca, rapadura, algodão doce,das crianças. A reportagem ci- bado, pois ele tinha que ir para rante, ele já estava satisfeito, sorvete. Depois de muito correr etou alguns dos benefícios do a aula. Depois de muita birra, le- mas seu olho era maior do que brincar, o menino começou a pas-hábito de ler e conversou com vantou da cama mal-humorado, sua barriga, então ele comeu ain- sar mal, pois havia comido muitoalgumas crianças, que relata- colocou os chinelos e foi escovar da sagu e ambrosia. Após o farto durante todo o dia e ainda tinharam ter ou não o costume de os dentes. No café da manhã, almoço, Brasinha resolveu an- brincado em todos os brinquedossaborear os livros. Para exerci- tinha pão com manteiga e mor- dar de skate, sua mãe disse não, do parque, até os mais radicais.tar a criatividade dos pequenos, tadela e café preto. Após a refei- mas o garoto não deu atenção, Como seus pais nunca diziam nãofoi criado o personagem “Brasi- ção, Brasinha foi para aula, ele ele estava aprendendo algumas para o garoto, ele fazia tudo onha”, um garoto de 10 anos que estudava na Escola João Goulart manobras com seu melhor ami- que tinha vontade. O resultadomora na Vila desde que nasceu. e estava na 4° série. A matéria go, Gabriel. Depois de brincar na disso, na maioria das vezes, nãoOito crianças criaram diferen- preferida de Brasinha era Ma- rua, voltou para casa e foi jogar era bom. Dessa vez, não foi di-tes características para o perso- temática, ele era muito bom em videogame com os amigos, jo- ferente, depois do garoto passarnagem. Brasinha foi gremista, contas, sua professora sempre gou algumas partidas de futebol o dia comendo porcarias e brin-colorado, comeu lasanha. o elogiava. No recreio, Brasinha e mandou seus amigos embora, cando, ele se sentiu mal e acabou Nesta edição, o Enfoque jogou bola e pulou corda. Estava porque estava cansado e queria sendo levado para o hospital,conversou com mais sete sempre brincando com seus ami- dormir. Tirou um cochilo e, quan- com fortes dores de estômago ecrianças, que, juntas, criaram gos. Depois da aula, Brasinha foi do acordou, já era noite. Brasinha um grande mal-estar.uma história sobre como seria almoçar com sua família, tinha tinha sonhado que fora ao par- Depois desse susto, Brasinha eum dia na vida do Brasinha. pedido para seus pais para co- que de diversões, então, quando seus pais aprenderam uma lição. Confira como ficou a histó- mer batatas fritas em um restau- acordou, foi a primeira coisa que Crianças devem respeitar seusria do garoto, pelos pequenos rante. Como Brasinha era filho disse para seus pais: Quero ir ao pais, pois eles sempre sabem oautores da Brás. único, seus pais, Dalmo e Mar- parque, me levem agora. Como que é melhor para os pequenos. lene, sempre tentavam atender seus pais não negavam nada, fo- Os pais nunca devem deixar de as vontades do menino, então o ram todos para o parque. colocar limites em seus filhos, é levaram ao restaurante. Brasinha se divertiu a noite preciso saber dizer não, é preciso O garoto comeu tudo o que toda e comeu todas as gulosei- saber educar.
  13. 13. Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011 É o amooor 13Uma rua queinspira o romanceO Enfoque convidou casais da Brás para recriaros beijos mais famosos da história da fotografiaVitor Pereira (Texto) Silva, Mateus da Rosa e Fer-roberto ferrari e nanda de Sousa recriaram,gabriela giralt (Fotos) respectivamente, as poses deO “O beijo do Hôtel de Ville”, local, no coração da de Robert Doisneau (1950), Brás, não poderia ter “O beijo do Dia da Vitória”, nome mais românti- de Alfred Eisenstaedt (1945),co: Rua dos Beijos. Mesmo e “Casal se beijando em Van-não remetendo a casais apai- couver”, de Rich Lam (2011).xonados (e sim a uma flor, A Rua dos Beijos da Vila Brástambém conhecida como (CEP 93000-000) é a antigamaria-sem-vergonha), a rua Rua 9. O nome foi escolhi-serviu de inspiração para um do por uma companhia deensaio fotográfico. A convite telefone, em 2005. Gilson,do Enfoque, Gilson Costa e 35 anos, há 12 morando noLisiane Amaral, Luis Antônio local, garante que, ali todo“Silva de Souza e Fabiane da mundo é beijoqueiro. Em cada poro um beijo Arnaldo Antunes “ Luis Antonio, 17 anos, e Fabiane, 15, recriam “O beijo do Dia da Vitória”. Os namorados foram abordados pelo Enfoque quando saíam de um minimercado e toparam na hora repetir a cena. A foto original retratava as comemorações pelo fim da Segunda Guerra, em Nova Iorque. O marinheiro que tacou um beijo na enfermeira nem conhecia a garota Na Rua dos Beijos, na Vila Brás, o casal Gilson e Lisiane faz pose igual à dos franceses de “O beijo do Hôtel de Ville”, foto que Robert Doisneau produziu em 1950 e que se tornou um clássico. Na hora de posar, Lisiane não hesitou, mas pediu uns minutos para pentear o cabelo Mateus, 26 anos, e Fernanda, 20, estão juntos há quase uma década. A estudante de Fotografia GabrielaGiralt convenceu a dupla a reproduzir a cena captada em 2011 pelo canadense Rich Lam: durante confronto com a polícia em Vancouver, namorado deitou no chão ao lado de garota que havia se ferido
  14. 14. 14 Enfoque - Vila Brás, São Leopoldo - Novembro de 2011 Brassificados Textos DIEINES FRÓIS FERNANDA BRANDT RENATA PARISOTTO DESTAQUE FOTOS DANEILA FANTI Na edição nº 129, o Brassificados divulgou o so- nho do pequeno Felipe Silva Costa, de 10 anos, que queria ganhar uma bola de futebol. Ele juntou vários brinquedos para oferecê-los em troca. Um grupo de amigos de Ivoti, leitores do Enfoque Vila Brás, viu o recado, e se juntou para comprar uma bola para Felipe. No dia 15 de outubro, a repórter fotográfica Lívia Saggin, que foi quem levou exemplares do jornal ao pessoal de Ivoti, entregou ao menino. “Estou muito feliz, achei que não iria ganhar. Essa bola é muito mais bonita do que eu poderia imaginar ter um dia”, disse Felipe, agradecendo aos leitores. Repórter fotográfica Lívia Saggin entrega a bola ao Felipe Crianças admiram o presente recebido por Felipe “Pessoal da Vila SERVIÇOS LÍLIAN STEIN RAFAELA KLEY RECADOS LÍVIA SAGGIN Brás, estamos iniciando um novo empreendimento. Convidamos os moradores a conhecerem o Kaku’s Lanches. Vamos oferecer cachorro- quente, xis e vários outros lanches.” “Em primeiro lugar, agradeço a Deus por ter me envia- Adilson dos Santos do esse presente, que é o amor da minha vida. Depois Silva, 31 anos. A de tantos anos vivendo separados, hoje, graças a Deus, “Tu és muito legal, obrigada pelas notas, pois, mesmo lancheria fica na finalmente, estamos juntos. Amo ele demais.” Maria eu não podendo ir durante um mês nas aulas, tu me esquina entre a Rua dos de Lurdes Rodrigues Coppniagen, 62 anos, para deu notas boas.” Larissa Schütze, 10 anos, para a Girassóis e a Avenida seu marido Élio João Coppniagen, 65 anos. professora Cris, de Artes. Leopoldo Wasun. LÍLIAN STEIN FERNANDA ESTRELLA DANIELA FANTI “Estou vendendo o meu coração para as meninas. Não sou muito exigente, só com a idade: que tenha de 15 a 18 anos. Gosto de academia e “Mãe, tu é tudo na minha vida, obrigada por me amar sou trabalhador.” “Convido todos os moradores da Vila a conhecerem assim. Quero te agradecer por me dar tudo que eu que- Jonas dos a feirinha de produtos coloniais. Todo o sábado, das ro. Fiquei muito feliz quando eu disse que queria comer Santos 8h30min às 17h30min, ofereço uma variedade de pro- cachorro-quente e tu pediu pra mana ir ao mercado Soares, 18 dutos, como queijo, salame, torresmo, mel e pão ca- só pra comprar as coisas e fazer o cachorro pra mim. anos. Contato seiro.” Francisco Lima, 49 anos. A feira acontece em Te amo!” Raul Ronaldo Gamarra da Rosa, nove pelo telefone frente à igreja A Glória de Deus, na Avenida Leopoldo anos, para a mãe, Marli O. Gamarra. 9990.6856. Wasun, 1341. FERNANDA ESTRELLARAFAELA KLEY LÍVIA SAGGIN “Tamilly, a titia te deseja muita saúde, paz e muito sucesso nesta vida, que se inicia a partir de agora. Feliz aniversário! Um grande beijo, te amo muito.” Carine Gabriela Pinto “Ofereço meus serviços de costura. Faço todo o tipo de Lauxen, 13 anos, “Quero mandar recado para a prefeitura. É preciso conserto: bainha, emenda, botão. O que precisar, é só para a sobrinha que tomem alguma atitude para transformar o terreno falar comigo. Adoro costurar, a máquina de costura ga- Tamilly, de 11 abandonado perto do Arroio Gauchinho em uma área rante a minha renda.” Gessi Giareta, 64 anos. Conta- meses. de lazer.” Eduíno Pich, 69 anos. to na Rua 18, nº 81.

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