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2.1 – O Reino de Sabá:O Reino de Sabá tem suas origens no século VIII a.C., no atual Iêmen. Inicialmente, o Reinoconstituí...
O Reino se estabeleceu também por volta do século VIII a.C., ao norte do Reino de Sabá. Porserem vizinhos, os dois Estados...
entreposto entre o Oriente (Pérsia, Índia, China...) e Roma. Tal importância comercial lhe valeuo status de colônia Romana...
Após terem tido participação efetiva na mudança dinástica do Império Persa (fim da dinastiaArsácida e início da Sassânida)...
Qusay, líder dos Coraixitas, um povo que vivia nas montanhas próximas a Meca, liderou seupovo numa invasão à cidade, dessa...
Filho único, Maomé passou então a viver com o avô paterno, Abd al-Mottalib, que, no entanto,só viveu até que o neto comple...
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sua viúva, isto porque foi a única que teve alguma relevância depois da morte do marido, alémde ter sido a única cujo pai ...
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Esse princípio batia de frente com o caráter hereditário que viria a se instaurar no Califadoapós a morte de Ali, sendo as...
tal feito. Essa mobilização, aliada a outras causas que veremos mais adiante, foi uma dasresponsáveis pela queda da dinast...
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(onde haviam se refugiado os Visigodos) e da região dos Bascos (que por meio de um tratado 6– O Califado Omíada:Após a mor...
reintegração da totalidade do Império sob uma só autoridade; o combate às dissensõesreligiosas.Quando Ali morreu, seu filh...
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preparar sua investida contra a península Arábia, morre, em conseqüência de sua avançadaidade.6.1.4 – Abd al-Malik (685 – ...
História do Oriente Medieval
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Este é meu primeiro grande texto a respeito de uma grande civilização do passado. De fato, este é o tema de minha preferência e acredito que minha contribuição, por mais débil que seja, é muito válida, pois elucida a muitos sobre acontecimentos quase desconhecidos da História do Mundo. Digo quase desconhecidos porque não são comumente tratado pela História tradicional, ou seja, a História fundamentada na escola Francesa.

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  1. 1. 1 – Introdução:Este é meu primeiro grande texto a respeito de uma grande civilização do passado. De fato,este é o tema de minha preferência e acredito que minha contribuição, por mais débil queseja, é muito válida, pois elucida a muitos sobre acontecimentos quase desconhecidos daHistória do Mundo. Digo quase desconhecidos porque não são comumente tratado pelaHistória tradicional, ou seja, a História fundamentada na escola Francesa.Os Árabes, no entanto, são muito estudados, pois sua implicação na História Ocidental é tãogrande quanto foi a de Gregos e Romanos, porém, o período da História Árabe, e porque nãodizer Islâmica, mais estudado é o compreendido entre os séculos XI e XV, pois foi entre essesséculos que se realizaram as Cruzadas, tanto as Orientais, que levam mesmo este nome,quanto as Ocidentais, que se realizaram especialmente em Portugal e na Espanha e que sãotambém conhecidas como Guerra de Reconquista.Depois do século XV, em especial depois da queda de Granada e conseqüente fim da Guerrade Reconquista, em 1492; e da tomada de Constantinopla, em 1453, o estudo dos povosIslâmicos decai um pouco e só é referido no que se trata do Império Otomano (Turquia), quepassa a levar praticamente sozinho, até a I Guerra Mundial, a bandeira do Islã frente oOcidente.Justamente pelo fato de meu enfoque histórico ser direcionado a civilizações Antigas eMedievais (ou que se comportem dessa forma, como já me referi acerca das civilizações daAmérica pré-colombiana e do Japão) e a períodos pouco estudados pela História tradicional, éque não me referirei, senão em pequenas menções, neste texto, às Cruzadas. Meu objetivo érealmente explicar os primórdios do Islamismo, o início da disposição das peças no tabuleiro,que mais tarde seria palco das Cruzadas. Pretendo elucidar ponto nebulosos a respeito daHistória de Maomé, dos quatro primeiros Califas e das duas dinastias Imperiais, os Omíadas,cujo governo estudarei por completo (exceto o seu refúgio na Espanha) e os Abássidas, cujogoverno será estudado até o Califa Harun al-Rachid, quando precipita-se a fragmentação dopoder, fragmentação esta que já havia sido iniciada justamente pela perda da Espanha, ou al-Andalus, para os Omíadas, quando do estabelecimento da dinastia Abássida, em meados doséculo VIII.A partir das explicações dadas, pode-se concluir, corretamente, que o enfoque de meutrabalho será entre o princípio do século VII d.C. e o princípio do século IX d.C., quando oImpério se encontra em seu apogeu cultural, mas quando encontra-se em francodesmembramento.Por fim, gostaria de ressaltar algumas coisas que julgo de extrema importância:1) Alguns nomes (tanto de pessoas, quanto de lugares), senão todos, estão grafados de formaocidentalizada, mesmo quando entre parênteses, isso porque nos é muito difícil transliterarpalavras do alfabeto Arábico para o nosso.2) Apesar de os Muçulmanos utilizarem-se de um sistema de contagem de anos diferente;tanto pelo fato dos anos lunares terem durações diferentes dos anos solares utilizados pornós, quanto pelo fato de seu marco inicial ser a Hégira, em 622 do nosso calendário; todas asdatas apresentadas no texto são pertencentes ao calendário gregoriano, todavia, deve-senotar que algumas podem estar erradas, visto que o calendário gregoriano só foi instituído no
  2. 2. século XVI e, dessa forma, podem haver pequenas discrepância entre suas datas e as docalendário juliano, que vigorava na época a que o texto se remete.3) Desde já peço desculpas a quaisquer adeptos do Islamismo que porventura venham a lereste texto e se sentir ofendidos com alguma das informações aqui contidas, ou mesmo comquaisquer opiniões minhas, expostas ao longo do trabalho. Quero deixar claro que nada tenhocontra a liberdade de culto, ou mesmo contra o Islamismo em si, no entanto, ocomprometimento com a discussão crítica proposta pela História me obrigam a, por vezes,parecer ofensivo ou demasiado crítico a essa religião, bem como a muitas outras, como aoCristianismo de um modo geral, o Judaísmo e várias outras citadas ou não neste texto. Quemeus pedidos de desculpas aos Muçulmanos se estendam a todos os outros religiosos.2 – Preâmbulo da Península Arábica:Antes de Maomé operar a unificação da península Arábica através do Islamismo, comoveremos ao longo deste texto, a região era extremamente fragmentada e nela coexistiamdiversos reinos e povos autônomos. Neste item de meu trabalho, farei um pequeno resumo detais povos, porém incluirei também nas descrições alguns povos que não estavam exatamentelocalizados na península, mas que tiveram, ao longo da História anterior ao Islamismo, algumcontato com ela.Antes, porém, de iniciar os relatos, é importante acentuar que toda a região é de clima áridoou semi-árido, existe um grande deserto no norte da península, o Nufud, que constituiu para aregião uma espécie de muralha natural, impedindo sua anexação por qualquer dos grandesImpérios antigos, nem os Mesopotâmicos, nem os Egípcios, nem os Persas, nem Alexandre, oGrande, nem os Reinos Helenísticos, nem mesmo os Romanos conseguiram colocar a regiãosob seu domínio. Talvez Alexandre tivesse conseguido operar a conquista da região, pois,segundo consta, quando morreu, na Babilônia, estaria preparando uma expedição que teriajustamente esse objetivo. Dessa forma, julgando-se pelo retrospecto do conquistador, pode-seconcluir que a Arábia só escapou de fazer parte do enorme e efêmero Império de Alexandre,devido à morte prematura do monarca.Especulações históricas à parte, é interessante que se fale sobre alguns aspectos da região naépoca, como por exemplo a fauna e a flora. Esta última, como se pode imaginar, era escassa,mas mesmo assim havia além de cactos, palmeiras (nos oásis), tamareiras (uma das principaisfontes de alimentos da região), bananeiras, figueiras, abricoteiras...Quanto à fauna, é interessante notar que além dos camelos, conhecidos e lembrados portodos quando se menciona a região, existia uma grande variedade de animais, inclusive leões epanteras, hoje extintos na península. Muitas aves de rapina, como abutres e urubus tambémcompõem a fauna Árabe, gatos e burros eram muito populares na região e, além de todosesses animais, não podemos esquecer dos cavalos, visto que os cavalos árabes eram (ou são)os melhores cavalos do mundo. Estes animais foram introduzidos na península pelos Hititas,no primeiro milênio antes de Cristo, lá eles ficaram isolados dos demais cavalos da Ásia e,dessa forma, se converteram numa espécie particular do animal, uma espécie refinada, defísico resistente e porte elegante, muito apreciados nas diversas regiões.Mas falemos sobre os diversos povos que habitavam a região antes do Islamismo os unificar.
  3. 3. 2.1 – O Reino de Sabá:O Reino de Sabá tem suas origens no século VIII a.C., no atual Iêmen. Inicialmente, o Reinoconstituía-se numa Teocracia, cuja capital era a cidade de Sirwah.No decorrer de seiscentos anos, os governantes do país expandiram seus domínios para toda acosta do Mar Vermelho, boa parte do sul da península e algumas regiões ao norte. Nessesanos, a capital muda duas vezes, primeiro para Marib e depois para Zafar.As origens desse Estado remontam à organização de uma etnia, os Sabeus, em torno de seuRei-Deus, porém, em 115 a.C., por motivos desconhecidos, os Himiaritas (povo que estava sobo jugo dos Sabeus) passam a governar o Reino e, no início do século I a.C., o monarca perde ocaráter divino.Talvez o mais notável feito dos Sabeus tenha sido a construção de uma gigantesca represa(uma das maiores, senão a maior de toda a Antiguidade), no século VI a.C..Os Himiaritas passaram a governar o país, mas com a conversão de seus vizinhos de costa (dooutro lado da costa do Mar Vermelho), os Abissínios (Etíopes), ao Cristianismo, no século IVd.C., passaram a enfrentar invasões constantes que visavam converter o Reino de Sabá aoCristianismo. Em 340 d.C., os Etíopes conquistaram o Reino e mantiveram-se no poder até 378d.C., quando numa grande revolta, os Himiaritas retomaram o poder.O segundo período Himiarita foi marcado por dois fatores: a nova religião, visto que duranteos 37 anos de domínio dos Etíopes, os Himiaritas não se converteram ao Cristianismo, comoqueriam os invasores, mas sim, ao Judaísmo; e o descaso com o patrimônio público. Devido aesse descaso, tudo foi se degradando, desde as construções, até as finanças e o exército. Atéque, em 530 d.C., os Etíopes conseguiram, numa nova invasão, retomar o controle sobre oReino.Já era tarde, o estado de destruição no qual se encontravam as construções públicas era tal,que o monarca Etíope empossado pelos conquistadores nada pode fazer e, por volta de 540d.C., a grande represa construída na Antiguidade rompeu alagando boa parte do território ematando muitas pessoas.O rompimento da represa fez com que a seca caísse sobre a região e, dessa forma, muitosforam os que abandonaram o país e rumaram para o norte. A escassez demográficadecorrente desse êxodo propiciou, em 575 d.C., a invasão, a pedido dos Himiaritas, da regiãopela Pérsia. Esta reempossa os Himiaritas no governo do país, e estes mantém sua soberania,mas com a condição de que sua região se torna-se uma Satrápia Persa (território semi-autônomo existente no Império Persa desde seus primórdios, que se destinava a, além depagar impostos ao governo central, vigiar a região e suas proximidades, informando quaisqueralterações ao Grande-Rei Persa.Em 632 d.C., o Reino de Sabá foi incorporado ao Islã, com sua conversão e anexação pelastropas de Maomé.2.2 – Reino Mineano:Reino organizado da mesma forma que o Reino de Sabá, ou seja, com um grupo étnico, osMineanos, se organizando numa Teocracia, cuja capital era Qarnaw (atual Ma’in).
  4. 4. O Reino se estabeleceu também por volta do século VIII a.C., ao norte do Reino de Sabá. Porserem vizinhos, os dois Estados entraram em conflito várias vezes, até que, no século I a.C.,pouco depois da ascensão dos Himiaritas no Reino vizinho, o Reino Mineano foi conquistadopelo Reino de Sabá.2.3 – Reino de Qataban e Reino de Hadramaut:Reinos vizinhos, estabelecidos a leste do Reino de Sabá, tinham importância comercialindiscutível no tocante ao comércio Índico (eram os entrepostos entre as mercadorias da Índiae as do Mar Vermelho), além de, a exemplo do Reino de Sabá, serem produtoras de incenso eouro.O Reino de Qataban se estabeleceu por volta de 600 a.C., tendo como capital Tamma (atualKuhlan), e perdurou até mais ou menos 50 a.C.. Já o Reino de Hadramaut, se estabeleceu porvolta de 450 a.C., tendo como capital Shabwah (atual Sabota) e perdurou até o início do séculoII d.C..Ao contrário do Reino Mineano, que foi anexado pelo Reino de Sabá, estes Reinopermaneceram autônomos. O que aconteceu foi que, devido à importância que as diversasregiões desses Reinos adquiriram individualmente, devido ao comércio, os chefes regionaispassaram a se julgar poderosos demais para obedecerem a uma autoridade central, dessaforma, foi ocorrendo uma gradual descentralização dessas regiões até que nos períodosreferidos, os governantes das capitais dos respectivos Reinos já não mais se consideravam,sequer nominalmente, soberanos de todo o país. Dessa forma, ficaram extintos os Reinos.Essas regiões continuaram a exercer políticas independentes até sua anexação pelo Islã, em632 d.C..2.4 – Reino de Petra:Este Reino se localizava numa região que não pertence à península Arábica, mas sua história éinteressante ao estudo, pois depois da anexação ao Islã, a região tornou-se, junto com a Arábiae com as regiões dos demais Reinos que citarei, o centro do Califado, especialmente noperíodo Omíada.Bem, por volta de 550 a.C., várias tribos nômades do nordeste da península Arábica sereuniram com o objetivo de proteção e auxílio mútuos, fundaram então uma cidade, Petra (emhebraico, Sela’). Apesar de não terem conseguido conquistar muito espaço, seu Reino,semelhante a uma cidade-Estado, prosperou. Tanto que ficou livre do domínio de Alexandre, oGrande.O Reino de Petra, constituído por tribos que se identificavam como Nabateus, auxiliou osRomanos na destruição da Judéia e, em 106 d.C., Trajano transformou o Reino em provínciaRomana. Depois da queda de Roma, Petra nunca mais voltou a ser um Reino autônomo, tendopertencido ao Império Bizantino e depois ao Persa, até ser anexada ao Islã.2.5 – Império de Palmyra ou Tadmor:Tadmor era uma cidade a nordeste de Damasco, sua origem remonta a tempos já esquecidos,mas ela só adquire importância quando do domínio Romano, isso porque ela é a o principal
  5. 5. entreposto entre o Oriente (Pérsia, Índia, China...) e Roma. Tal importância comercial lhe valeuo status de colônia Romana.O nome Palmyra advém, inclusive, dos Romanos, pois estes chamava a cidade assim por elaestas localizada num oásis, onde existem muitas palmeiras, em latim, palmyra.Em 267 d.C., Odenato, Rei de Tadmor e seu filho, foram acusados de traição a Roma e, sendoassim, executados. Zenóbia (al-Zabba, ou Zaynab), a Rainha, assumiu o governo da cidade e,em retaliação à atitude Imperial, lançou seus exércitos contra as possessões Romanas. Empoucos meses, Zenóbia conquistou o Oriente Médio, a Ásia Menor, o Egito e chegou às portasde Bizâncio (que ainda não havia sido transformada em Constantinopla).Aureliano, então Imperador Romano, investiu contra a Rainha afim de retomar-lhe asconquistas e, entre 272 e 273, não só retomou tudo que Zenóbia havia lhe tirado, comotambém invadiu Tadmor, matou a Rainha e destruiu a cidade como exemplo.Apesar de muito efêmero, o Império de Tadmor foi grande e, por si só já justificaria suamenção aqui, mas, além de tudo isso, a região, assim como Petra e outras que citarei, foi umadas principais componentes do núcleo do Império Islâmico, especialmente no CalifadoOmíada.Depois de destruída, Tadmor não foi totalmente abandonada e, mais tarde acaboureconstruída, mas perdeu sua importância comercial.2.6 – Reino dos Gassânidas:O Reino dos Gassânidas foi fundado por volta de 400 d.C., por fugitivos do Reino de Sabá, quehavia sido conquistado pelos Etíopes. No princípio, esses refugiados viviam em acampamentositinerantes a sudeste de Damasco, porém, com o tempo, acabaram fundando duas cidades,suas duas capitais: al-Yiabiyah e Jilliq.A região se tornou um porto seguro para os imigrantes do Reino de Sabá, tanto que foi para láque estes emigraram quando a grande represa rompeu.Aretas II foi o maior de todos os monarcas Gassânidas, tendo inclusive, lutado em favor deJustiniano. Seu filho, al-Mundhir, foi preso pelo Império Bizantino por ter incendiado, em 580d.C., a cidade de Hira, capital dos Lácmidas. Em retaliação pela prisão do pai, os filhos de al-Mundhir devastaram o território do Império Bizantino, mas também acabaram derrotados epresos.As conquistas que fizeram passaram para as mãos dos Persas e o Reino perdeu importância, sebem que o último soberano, Jaballah ibn-al Ayham, ofereceu muita resistência ao Islã e só caiudiante dos Árabes na Batalha de Yarmuk, em 636, batalha na qual contou com auxílioBizantino.2.7 – Reino de Hira:Assim como o Reino de Petra, o de Hira também se constituía apenas de uma cidade-Estado.Na verdade, esta cidade foi fundada a partir de um acampamento da tribo Tanukh (quepertencia à etnia Lácmida), que, desde 275 d.C., havia se estabelecido na atual Síria.
  6. 6. Após terem tido participação efetiva na mudança dinástica do Império Persa (fim da dinastiaArsácida e início da Sassânida), edificaram uma cidade no local de seu acampamentopermanente. A cidade levou o nome de Hira porque esta palavra quer dizer acampamento emSiríaco.Apesar de ter nascido sob a influência Persa, pendia entre os Impérios Persa e Bizantino, masseus maiores inimigos eram os Gassânidas, que, em 580 d.C., queimaram a cidade.Após o incêndio a cidade nunca mais foi a mesma, acabou absorvida totalmente pelo ImpérioPersa e permaneceu parte deste até ser conquistada pelo Islã, em 633 d.C..2.8 – Estado de Kindah e os Beduínos:O centro da península Arábica, em especial o planalto de Nedjd, era habitado por tribosnômades conhecidas como Beduínos, que viviam no deserto e regiões semi-desérticas aprocura de oásis e de alimentos.Além dos Beduínos, povoavam a região os habitantes de cidades independentes, cidades-Estado nas quais a forma de governo variava de uma para a outra.Pois, bem essa região nunca havia conhecido nenhum tipo de centralização política, nuncahavia sido formado um Reino ou coisa parecida no centro da Arábia. Nunca até que HassanTubba, soberano Himiarita do Reino de Sabá conquistou todas as tribos nômades do centro daArábia. Na realidade o que ele fez foi dominar as tribos de Beduínos e pô-las sob suaautoridade. Depois de fazer isso, Hassan Tubba cedeu a região ao irmão, Hudjr, dessa forma, ocentro da Arábia, apesar de ter sido conquistado pelo Reino de Sabá, não passou a fazer partedele, pelo menos não na prática, porque em teoria era apenas mais um "estado" dele, umestado governado pelo irmão do Rei.No entanto, a dinastia de governadores de Kindah, o estado central da Arábia, só teve trêsrepresentantes, o próprio Hudjr, seu filho e seu neto, Aretas. Este último, de tão poderoso,chegou a ser Rei de Hira, além de governar Kindah.Após a morte de Aretas, em 529 d.C., seus filhos iniciaram uma guerra para sucede-lo, as tribosBeduínas aproveitaram-se da situação e se declararam independentes novamente, sendoassim, acabava o Estado de Kindah, no entanto, ele trouxe um importante aprendizado para ospovos da Arábia central: a primeira experiência de unificação, experiência esta que seriafundamental ao Islamismo.3 – Caaba, uma união sincrética:A Caaba era um templo existente em Meca, a cidade onde nasceu Maomé. Meca era mais umadaquelas cidades-Estado do centro da Arábia, com governo e leis próprias. Ao contrário do queera mais comum nessas cidades, Meca não era uma monarquia, mas sim uma oligarquiacomercial.Vejamos como surgiu a cidade. As origens de Meca são desconhecidas e de tão antigas,existem lendas que remontam ao próprio Adão, porém, o que nos interessa saber é que acidade foi fundada por uma etnia, os Khozâ’a, já na era Cristã, mas numa data não precisada,
  7. 7. Qusay, líder dos Coraixitas, um povo que vivia nas montanhas próximas a Meca, liderou seupovo numa invasão à cidade, dessa invasão resultou o domínio de Meca pelos Coraixitas e aconseqüente subjugação dos Khozâ’a.Os Coraixitas, amparados por seu líder, realizaram algumas mudanças na estruturação dacidade, tornando a Caaba, seu templo, o centro de todos os cultos da Arábia Central.A Caaba, segundo a mitologia Árabe é tão antiga quanto Meca e teria sido construída porAdão. Ao seu redor, desenvolveu-se a cidade. O fato é que antes dos Coraixitas dominaremMeca, o culto da Caaba era dedicado a uma estranha Pedra Negra, que muitos acreditam(hoje), ser um pedaço de asteróide caído na Terra. Porém, Qusay, após dominar a cidade,reconstruiu a Caaba (que segundo as lendas teria sido reconstruída dez vezes, sendo as duasúltimas já pelos Islâmicos, enquanto as duas primeiras por Adão e por seu filho Seth, irmãomais novo de Caim e Abel, do qual descenderia toda a humanidade, uma vez que Abel foimorto e Caim condenado por sua morte) e levou para ela as diversas divindades da ArábiaCentral. O objetivo do conquistador era, não outro senão o atrair fiéis para Meca e, com isso,realizar feiras que renderiam grandes lucros aos Coraixitas. Na verdade Meca sempre conviveucom feiras, visto que se desenvolveu no cruzamento de rotas comerciais, tanto da Índia para aÁfrica, quanto da Arábia para a Ásia.A idéia de Qusay deu certo e, em pouco tempo Meca se tornou o centro mais cosmopolita daArábia, com visitantes em todas as épocas do ano, mas especialmente durante as festasreligiosas. No início, a cidade se limitava a sediar as feiras, mas depois de algum tempo, passoua enviar caravanas comerciais para as diversas regiões da Arábia e até a Damasco.Com o avanço comercial de Meca, uma elite substituiu gradualmente o poder de um só líder,esta elite era constituída pelas famílias, ou clãs, de comerciantes ricos, ou chefes de cada umadessas famílias compunham o conselho dos Coraixitas, que governava Meca. Estas famíliaspossuíam as melhores casa, ou seja, as mais centrais e, portanto, mais próxima a Caaba e aopoço que havia em sua frente. Os Coraixitas mais pobres viviam no subúrbio, ou seja, nasregiões mais afastadas do centro. Além dos Coraixitas, detentores de maior status na cidade,havia também os membros de outras etnias, como os próprios Khozâ’a, e outros povos quemigraram para a cidade em conseqüência de sua prosperidade, prosperidade esta devida àCaaba, dessa forma, a Caaba era, para Meca, muito mais do que um lugar de culto religioso,era mesmo a fonte de poder e razão de existência da cidade.4 – Maomé, um profeta revolucionário:Existe uma certa discordância entre os autores especialistas no período, sobre em que anoexatamente nasceu Maomé. É certo, no entanto, que a data de seu nascimento não pode seranterior a 567, nem posterior a 572. Dentro deste breve intervalo de possibilidades (apenascinco anos), o ano tomado como mais provável é o de 571, sendo assim, será esta data queadotarei para me referir à idade do profeta nos diferentes períodos.O fundador do Islamismo era filho de um negociante chamado Abdallah e de uma mulherchamada Amina. Não chegou a conhecer o pai, que faleceu numa de suas viagens, antesmesmo de seu nascimento. Quando tinha seis anos de idade, perdeu também a mãe, que sólhe legou alguns camelos, algumas ovelhas e uma escrava.
  8. 8. Filho único, Maomé passou então a viver com o avô paterno, Abd al-Mottalib, que, no entanto,só viveu até que o neto completasse oito anos de vida.Mais uma vez sozinho no mundo, o garoto foi viver com seu tio, Abu Talib. Este, com a mortedo pai, herdara a liderança da família, os Banu Hachim, e, dessa forma, um posto no conselhoCoraixita de Meca, visto que a família, ou clã (palavra mais apropriada, visto que família, deum modo geral, engloba apenas o núcleo familiar, enquanto que clã engloba a totalidade dosparentes e, no caso de uma sociedade patriarcal, como a Árabe sempre foi, também asmulheres que se casassem com os homens da família, deixando, no entanto, as mulheresrealmente do clã de fazer parte deste quando se casassem com um homem de outro clã; emoutras palavras, a mulher pertencia ao clã de seu pai até que se casasse, quando passava afazer parte do clã do marido) estava entre as mais proeminentes da cidade.Abu Talib tinha um filho, Ali, que cresceu como irmão de Maomé e que, ao longo de suaadolescência, tornou-se seu maior e melhor amigo, além de vir a ser um de seus primeirosseguidores.Quando passa a viver com o tio, Maomé começa a ser iniciado na profissão de mercador, ouseja, começa a realizar viagens a toda parte, em especial para o norte, rumo a Damasco eoutras cidades do Império Bizantino e da Pérsia, principalmente na Síria. Reza a tradiçãoMuçulmana de que numa dessas viagens, Maomé, ainda adolescente (entre 12 e 15 anos) teriaencontrado um monge do deserto, um eremita (nos primórdios do Cristianismo os eremitaseram muito comuns, visto que segundo as pregações do apóstolo Paulo, a salvação estarianuma renúncia ao sexo e a sociedade, ou seja, na castidade total e esta só seria possível com oafastamento das tentações mundanas, em suma, com o isolamento do indivíduo em um lugardistante, como uma montanha, uma floresta ou um deserto) chamado Bahira. Este teriapredito a missão do garoto e recomendo a seu tio que o protegesse de seus possíveis inimigos(que os Islâmicos gostam de ver como sendo os Judeus ou talvez os Bizantinos, porém, commaior possibilidade para os primeiros).Até os vinte anos Maomé continua trabalhando e vivendo com seu tio, até que, em 591, torna-se agregado (um empregado que vive na casa do patrão e, em troca de seus serviços, ésustentado por ele, porém, um agregado é muito diferente de um servo ou um escravo, poispossui única e exclusivamente um vínculo empregatício com seu patrão, vínculo este que podeser desfeito a qualquer momento por qualquer das partes, ou então baseado em um acordoformal pré-existente) de Khadidja, uma rica viúva de trinta e cinco anos.Para a viúva, Maomé trabalha por cinco anos, provavelmente como chefe de suas caravanascomerciais, visto que, com a morte de seu marido, não havia quem acompanhasse osempregados nas viagens de negócios. Depois de cinco anos, o futuro profeta, agora com 25anos, casa-se com a patroa, agora com 40 anos (idade avançada para a época e para ascondições de vida da Arábia).O casamento resulta em tranqüilidade financeira e status social para o rapaz. Além disso, eletem sete filhos com a esposa (ao que, parece todos em seqüência, e nos primeiros anos decasamento, devido à avançada idade de Khadidja): três homens que morreram ainda bebês equatro mulheres: Zeineb, Roqaia, Ummu Keltsum e Fátima.Em 611, já com quarenta anos, Maomé finalmente iniciou sua vida de profeta; depois dedistribuir gordas esmolas aos pobres de Meca, retirou-se para as montanhas, onde iniciaria suameditação.
  9. 9. 4.1 – Meditação e Experiência, a criação da nova Fé: Alguns meses se passam sem que Maomé retorne para casa, nesse tempo, ele observa os céus e medita constantemente (talvez se lembrando do que o velho eremita lhe dissera, quando garoto). Nada acontece nos primeiros tempos de meditação do profeta, porém, depois de um certo período de isolamento, numa certa noite, enquanto Maomé dormia, sonhou com um anjo que lhe entregava um pergaminho e ordenava: "Leia!". Maomé, O mais antigo exemplar do Al Corão do mundo que era analfabeto, insistia ao anjo que não sabia ler, no entanto este insistiu que o homem o fizesse e este, sem escolha, obedeceu.Para sua própria surpresa, ele conseguiu ler tudo o que estava escrito no pergaminho e,quando acordou, sentiu que um livro havia descido dos céus para seu coração. A este livro,Maomé chama Corão, ou Alcorão.À partir dessa noite, Maomé teve certeza de que era realmente o "escolhido" de Allah e quedeveria pregar ao mundo. Retornou então a cãs, onde contou sua experiência a Khadidja,agora uma anciã de 55 anos. Ela, que poderia ter desdenhado do marido, ao contrário, tornou-se a primeira convertida ao Islã. Nascia uma nova fé.Maomé estava convertido, aos 40 anos, em profeta, o que, na Arábia daquela época, eracomum, visto que por todos os lados havia os Kâhin, ou profetas, que preconizavam desde avinda de um messias até o Juízo Final.Inicialmente, o profeta pregou apenas para aqueles que lhe eram mais caros, ou seja, para amulher, para o primo, Ali; para Abu Bakr, um grande amigo; para Zayd, um escravo liberto queMaomé adotara como filho; e para Uthman, seu genro. Maomé esperava que novos sinais doscéus lhe fossem enviados, porém, em quase três anos nada aconteceu, dessa forma, ele sesentia acovardado em iniciar suas pregações para estranhos.Em 613, porém, um novo "contato divino" foi estabelecido com Maomé, ele teve uma espéciede ataque epilético (tanto que hoje muitos historiadores suspeitam que o profeta sofresse deepilepsia), do qual, depois de voltar a si, contou revelações. Na verdade, a partir dessa data,esses "contatos divinos" começaram a se tornar mais freqüentes e isso motivou o profeta ainiciar suas pregações ao povo.A princípio, as pregações do profeta não atingiram grandes proporções, mas por volta de 615,já havia um bom número de recém-convertidos ao Islamismo. Nesse grupo podia-se contarprincipalmente jovens dos grandes clãs Coraixitas; membros dos clãs Coraixitas menosinfluentes; pessoas não pertencentes aos clãs Coraixitas e escravos.
  10. 10. A conversão dos filhos dos grandes clãs começou a preocupar a elite Coraixita que não via combons olhos algumas das práticas recomendadas por Maomé, tais como: a valorização dasolidariedade e a doação de esmolas (essas práticas iam de encontro aos ideais pré-capitalistasprofundamente enraizados na sociedade Mequense, isso porque os ricos almejavam se tornarmais ricos e para isso exploravam os pobres, sendo assim, o fato de Maomé condenar àdanação os que não fossem solidários e caridosos enfurecia as elites), e o caráterprofundamente monoteísta do Islamismo (esta era a pior característica da nova religião, doponto de vista dos Coraixitas, isto porque se ela se propagasse muito, poderia causar umcolapso na economia de Meca que, como expliquei anteriormente, girava em torno da Caaba).Devido a esses pontos de conflito entre as elites de Meca e a religião de Maomé, iniciou-seuma forte perseguição a seu culto na cidade. Tais perseguições (iniciadas em 615) acarretaramna dissidência de muitos convertidos e na fuga de outros para a Etiópia, onde o monoteísmoera aceito devido ao fato de o país (que à época se chamava Abissínia) ser Cristão.Vendo que seus adeptos estavam começando a diminuir devido às perseguições, Maomécomeçou a "se mexer" para arrumar um lugar onde seu culto fosse aceito.4.2 – A Hégira:Na verdade, Maomé não sofria, ele próprio, nenhuma sanção dos Coraixitas, porque seu tio,Abu Talib, apesar de não ter se convertido ao Islã, permanecia como um dos membros doconselho da cidade e protegia o sobrinho e filho adotivo da ira do conselho. Além disso,Khadidja, sua esposa, era muito rica.Porém, em 619, duas tragédias ocorrem em seguida para Maomé: primeiro Khadidja falece,aos 63, vítima de sua idade avançada. O profeta havia dedicado a ela vinte e três anos de suavida e seu casamento havia sido tão feliz que Maomé nunca traiu a esposa, o que eracomuníssimo na época.Porém o pior golpe viria apenas alguns dias após a morte da esposa, seu tio e protetor, AbuTalib, chefe de seu clã, morreria e, ao se recusar a se converter, mesmo em seu leito de morte,geraria a crença, entre os seguidores de Maomé e no próprio, de que iria para o inferno. Essacrença fez com que Abu Lahab, irmão de Abu Talib e novo chefe do clã de Maomé, se tornasseo pior inimigo dos Muçulmanos, incentivando as perseguições, principalmente ao próprioMaomé.Ao perder seus pontos de apoio, Maomé percebeu que sua vida, caso permanecesse em Meca,correria perigo, sendo assim, abandonou imediatamente a cidade e tentou se instalar em Taif,uma cidade nas montanhas, próxima a Meca. No entanto, depois de apenas alguns dias nacidade, foi expulso e obrigado a voltar a Meca. Tentou então contato com os chefes das tribosBeduínas, mas fracassou em uni-los e mesmo em converte-los, pois para estes, a unidadepolítica não tinha sentido, amava a liberdade e o nomadismo que lhes eram intrínsecos háséculos.Depois do fracasso diplomático frente aos Beduínos, Maomé voltou sua atenção à cidade ondeseu pai havia sido sepultado: Yathrib.A cidade de Yathrib havia sido fundada por três tribos Judaicas fugidas da destruição da Judéia:os Nadhir, os Qorayza e os Qaynoqa. Porém, depois de alguns anos do estabelecimento destasno território, duas tribos Árabes dissidentes do Iêmen, os Khazradj e os Awz, chegaram à
  11. 11. cidade e depois de subjugar os Judeus, dominaram-na e passaram a lutar entre si pelahegemonia. Os Awz com os quais os Judeus se aliaram, venceram e passaram a controlar acidade, num sistema semelhante ao de Meca. Porém, ao que parece, havia participação dosmembros da outra tribo Iemenita no conselho da cidade, mas uma participação minoritária.Maomé reuniu-se, em 620, com os líderes dos seis clãs khazradj (os minoritários) e converteu-os. Dessa forma, meio caminho já estava andado para o profeta. Depois da conversão de partedos membros da tribo Awz, Maomé recebeu, em 622, garantias de que poderia vir com seusadeptos de Meca para Yathrib.Maomé voltou para Meca e organizou a partida de seus seguidores, que partiram empequenos grupos para não levantar muitas suspeitas. Ele e Abu Bakr foram os últimos a deixara cidade. Ambos passaram por Qoba, onde Ali os esperava e os três marcham para Yathrib,onde em 24 de setembro de 622, fazem sua entrada triunfal (notem que, como veremos maisà frente, o dia da Hégira é considerado o 16 de julho, não o 24 de setembro).A Hégira, ou seja, a saída dos Muçulmanos de Meca e sua ida para Yathrib, está concretizada.Na nova cidade Maomé é recebido com honras e assume o posto de Malik (Rei). É interessantenotar que as duas tribos Iemenitas de Yathrib viram em Maomé e na nova religião tanto oMessias do qual os Judeus da cidade falavam, quanto uma esperança para o fim das disputasentre ambas as tribos pelo poder a cidade.É interessante notar que a maioria dos adeptos de Maomé que havia migrado com ele deMeca, não tinha sequer uma propriedade em Yathrib e, dessa forma, estariam condenados àmiséria se não fosse a política de intervenção do profeta, política esta que explicarei no itemseguinte.4.3 – Destruição dos Ídolos da Caaba:Chegando em Yathrib e obtendo o poder, Maomé tornou a cidade a inimiga número um deMeca, tanto que esta passou desde o princípio ao confronto aberto contra o profeta.Foram oito anos nos quais se por um lado Meca atacava, por outro Yathrib se defendia efortalecia. Não convém aqui explicar detalhadamente todas as batalhas entre as duas cidades-Estado ocorridas entre 622 e 630, mas sim contar como pode Maomé, em oito anos, passar deMalik, líder político a Califa líder político e religioso (Imam) e como pode ele, nesse mesmoperíodo, fortalecer sua cidade a ponto de empreender a conquista da rival.Bem, quando da chegada do profeta a Yathrib, a cidade estava dividida em alguns grupos bemdistintos quanto a sua orientação religiosa: havia o grupo de fiéis que havia migrado de Mecacom Maomé, portanto fiéis mais antigos, mas que estavam marginalizados social eeconomicamente na nova cidade; havia os convertidos de Yathrib, em especial a aristocraciada cidade, que davam força a Maomé; havia os hesitantes, ou seja, aqueles que haviam aceitoo Islã, mas não com plena convicção; havia também os pagãos, ou seja, aqueles que serecusavam a aceitar o Islã e continuavam a praticar suas religiões antigas; e, por fim, havia osJudeus, que praticavam sua religião milenar (embasaba no Velho Testamento e no Talmude,livros que dão respaldo ao Judaísmo) e nunca aceitariam a conversão ao Islamismo.Quanto a esses grupos, Maomé tomou as seguintes providências. Das elites convertidas deYathrib, ele tirava o apoio para realizar seus projetos; quanto aos hesitantes, fazia de tudopara torna-los realmente fiéis ao Islã; quanto aos pagãos, deu-lhes liberdade de culto, pois
  12. 12. sabia que, na posição em que se encontrava, se fosse intolerante com aqueles quecompunham a maioria da população, seria fragorosamente derrotado. Porém, as atitudes maismarcantes do profeta foram realmente com relação aos Judeus e aos que emigraram de Mecacom ele. Como estes estavam sem terra e eram os mais leais à nova fé e como, por outro lado,aqueles eram os maiores inimigos da fé na cidade (lembrem-se do que disse o eremita aMaomé enquanto ele ainda era uma criança), Maomé decidiu unir o útil ao agradável, ou seja,iniciou uma política de perseguição violenta aos Judeus, e, à medida que estes eramexterminados, seus bens ficavam para os oriundos de Meca. Essa política, em oito anosexterminou as três tribos Judaicas de Yathrib, além de impor o medo aos pagãos que temiamserem os próximos a sofrerem tais perseguições. Dessa forma, Maomé conseguiu as terras ebens dos Judeus para seus protegidos e ainda conseguiu forçar a conversão de boa parte dospagãos, tanto que, por volta de 628, Yathrib mudou seu nome para Medina, ou seja, a cidadedo profeta; e Maomé recebeu o título de Califa, chefe político e religioso, sendo assim, oEstado de Medina constituía-se numa Teocracia.Em fevereiro de 628, Maomé resolveu realizar uma peregrinação a Meca, é claro que foiimpedido pelos Coraixitas de entrar na cidade, mas firmou um acordo com eles de que poderiarealizar sua peregrinação no ano seguinte. Este acordo foi visto como um sinal de fraquezapelos Muçulmanos, mas, na verdade, constituía uma jogada política do profeta, isso porque,quando em 629, ele foi até Meca, com permissão para ficar três dias, conseguiu prolongar suaestadia realizando mais um casamento (após a morte de Khadidja, Maomé iniciou uma sériede casamentos, o primeiro deles foi justamente com a filha de seu grande amigo Abu Bakr,mas depois foram realizados inúmeros outros, tanto que a Mesquita de Medina, a primeiraque foi construída, tinha diversos quartos para as esposas do profeta; estes quartos eramconstruídos junto às paredes externas do templo e aumentavam em número à medida que oharém de Maomé crescia), com Maimuna, filha de seu tio, al-Abbas (que não se convertera) etia de Khalid ibn al-Walid, o maior general de Meca.Graças a seu casamento, Maomé conseguiu a ira do tio e a conversão de Khalid ibn al-Walid.Este, no mesmo ano, liderou uma grande expedição contra as fronteiras do Império Bizantino,expedição que terminou em fiasco e morte da maior parte dos Muçulmanos, mas que foi umademonstração de que as tropas de Medina estavam prontas para uma guerra definitiva contraMeca.No princípio de 630, o general Mequense recém convertido liderou os exércitos de Medina atéas portas de Meca, lá, ele recebeu uma embaixada Coraixita que se destinava a ceder aosdesígnios de Maomé. Estes eram entrar em Meca sem resistência e visitar a Caaba.Aceitas as condições do profeta, procedeu-se a entrada em Meca. Uma pequena tropaMequense que ofereceu resistência foi destruída pelas tropas Muçulmanas e Maomé, juntocom seu exército marchou até a Caaba. Chegando lá, contornou o templo sete vezes e depoisentrou; então, tocou a Pedra Negra com seu cajado e gritou: "Allah é o maior!".Depois disso, ordenou a destruição dos mais de trezentos e sessenta ídolos das várias religiõesda Arábia, que havia na Caaba e, por fim, mandou que o teto, onde havia um afresco Judaico-Cristão, fosse pintado. Era a conquista de Meca, a vitória de Maomé, o profeta de Allah.4.4 – A conquista da Arábia:Depois de conquistar Meca e destruir os ídolos da Caaba, Maomé retornou a Medina, de ondeorganizou expedições para toda a Arábia Central. Essas expedições colocaram boa parte da
  13. 13. península sob a autoridade do profeta, mas não toda, sua unificação só seria concluída um anoapós a morte de Maomé.Na peregrinação anual dos povos Árabes à Caaba, em 631, os peregrinos não encontram suasdivindades, em seu lugar encontram a Caaba transformada numa Mesquita (templo Islâmico),com efeito, esta peregrinação é uma transição entre o politeísmo praticado no Hedjaz atéentão e o monoteísmo que o substituiria a partir do ano seguinte.Em 632, na peregrinação anual à Caaba, Maomé se faz presente e, com várias demonstraçõesdos rituais a serem seguidos nas visitas futuras, além de um discurso forte, declarou tercumprido sua missão e rogou a todos os Árabes que permanecessem unidos no Islã. Depois,fechou seu discurso perguntando a todos se havia cumprido sua missão e como recebesse umaresposta afirmativa, declarou que aquele seria seu último discurso.É provável que Maomé já tivesse ciência de que a morte se aproximava dele, afinal, já estavacom 61 anos, idade avançadíssima para a época e sendo assim, quis dar por encerrada suamissão, mas o fato é que o profeta estava correto em seu auspício, pois ao retornar a Medina,morreu apenas três meses depois, no dia oito de junho de 632.5 – O período dos quatro Califas (Rashidun):O enterro de Maomé foi uma cerimônia simples, sem muita pompa, realizado em Medina nodia seguinte à sua morte. O motivo pelo qual Maomé não foi sepultado com muitas honras eestardalhaço não foi religioso ou mesmo moral, mas sim político, isso porque devido ao fatode o profeta não ter deixado nenhum filho homem, não se sabia quem seria seu sucessor e,sendo assim, havia muitos pretendentes ao título de governante da Arábia. Dessa forma,alguns desses pretendentes, dentre os quais se contava Ali, o primo de Maomé, temiam queAbu Bakr, por seu caráter de liderança fizesse de uma possível solenidade de sepultamento doprofeta, uma forma de assumir o poder.Porém, de nada adiantaram as precauções dos candidatos à sucessão de Maomé, pois AbuBakr e Omar (um importante membro da sociedade Caraixita que, ao ser convertido, em 619,proporcionou a conversão de boa parte da população de Meca devido à sua popularidade)chamaram para eles a responsabilidade de governar a Arábia e, apoiados em no outro,realizaram esta missão, Abu Bakr se tornou então o Califa, que segundo reza a tradição foi oprimeiro, devido ao fato de Maomé ser o Profeta.5.1 – Os Califas:O período que se seguiu à morte de Maomé foi o chamado Período dos Quatro Califas, ele é operíodo em que começa a se formar o Império Islâmico propriamente dito, pois antes o queMaomé fez foi costurar a colcha de retalhos que étnico-religiosa que formava a Arábia e torna-la um país unitário. Este período é muito conturbado, com o surgimento das primeirassesseções religiosas no Islã e com o a abertura das novas frentes de batalha, contra Pérsia eImpério Bizantino.Aliás, a respeito de Pérsia e Império Bizantino é interessante notar que após uma longa guerraentre os dois Impérios, finalmente, em 628, Heráclio I, Imperador Bizantino, conseguiu umavitória definitiva sobre a dinastia Sassânida (a dinastia Persa). Definitiva não porque destruiu
  14. 14. definitivamente a dinastia, mas porque impossibilitou-a de reagir e tornou a queda do ImpérioPersa apenas uma questão de tempo, tanto que, em 630, o próprio Heráclio I tomou Jerusalémaos Persas e continuaria tomando regiões não fossem os Árabes...5.1.1 – Abu Bakr (632 – 634):Quando Maomé morreu, as diversas religiões Árabes retomaram força, alimentadas pelosdiversos profetas aos quais já me referi. Esses profetas tentaram operar a desunificação doque estava unificado na Arábia, porém, o novo Califa agiu rápido e em pouco tempo, contandocom a ajuda imprescindível de Khalid ibn al-Walid, não só exterminou esses profetas, comotambém apaziguou os Beduínos, conquistando-os e enviou seu general ao sul da península,onde os Estados independentes não participavam da vida do Hedjaz, esta expediçãoconquistou o Reino de Sabá e os diversos Estados independentes do Iêmen, Hadramaut, Omãe litoral do Golfo Pérsico.Apesar do ano de 633 ter sido tão grandioso e proveitoso para o Califa, ele já estava velho e,sendo assim, em 634, adoeceu e morreu, porém, em seu leito de morte, Abu Bakr não seesqueceu de recompensar seu principal aliado no poder, Omar e, sendo assim, designou-ocomo seu sucessor.5.1.2 – Omar ibn al-Khattab (634 – 644):Omar (em algumas fontes também mencionado como Umar) tomou o título de Califa e,segundo a História é conhecido como Omar I, isto porque, futuramente haverá outros Califascom este nome. Homem que inicialmente era um inimigo ferrenho do Islamismo, acabou seconvertendo por volta de 619, e se tornou um dos principais responsáveis pelo poder deste.Em seu governo, ditado pelas aristocracias comerciais de Meca e Medina (esta última tinha seconvertido na capital natural do Império, devido ao fato de ter sido o verdadeiro berço doIslamismo, de onde partiram as tropas que conquistaram Meca e toda a Arábia), concentrouseus esforços em conquistar a Mesopotâmia, as antigas Judéia e Fenícia e em se expandir atéAlexandria, no Egito, pois queria dominar as principais rotas comerciais.Seus exércitos foram liderados mais uma vez por Khalid ibn al-Walid, que por todos os seusfeitos em prol do Islã, recebeu o digno apelido de "A Espada de Allah".Com efeito, o governo de Omar I foi marcado por conquistas, conquistas essas proporcionadaspela fragilidade do decadente (e por que não moribundo) Império Persa e do enfraquecidoImpério Bizantino. Quando Khalid estava velho demais para continuar suas conquistas, foisubstituído, com honras, mas as conquistas não pararam e, em 642, o Império Árabe seestendia do Egito ao Irã.A viabilidade das conquistas se deu devido à tolerância dos conquistadores, pois quando osÁrabes dominavam uma região, não obrigavam-na a se converter ao Islamismo, apenasimpunham um pesado tributo (que servia para financiar a conquista de novas regiões pagandoo soldo dos exércitos e proporcionando a confecção de armamentos) a quem não aceitasse afé de Allah.Dos pontos de vista estratégico, cultural e econômico, Omar foi impecável. Ordenou aconstrução de três cidades que serviam de bases militares (Kufa, ao sul da Babilônia antiga;Basra, no Iraque; e Fostat (atual Cairo), no Egito) que funcionavam mais ou menos como ascolônias Romanas, ou seja, regiões com a finalidade militar de defender e controlar a região e
  15. 15. a finalidade social de Arabizar ou Islamizar a região. Além disso, foi Omar I quem organizou ocalendário Muçulmano que é seguido hoje, ou seja, foi ele quem fixou a Hégira (se bem queem data errada) como marco zero do calendário Islâmico.O Califa também organizou as finanças do Império, criando o balanço (ou lista de receita edespesa) deste e organizou os territórios conquistados colocando um Wali, governador egeneral assistido por um Amil, responsável pela receita em cada uma das regiõesconquistadas.Além de todos esses feitos, o Califa ainda é lembrado pelos Islâmicos como um modelo dasvirtudes do Muçulmano, ou seja, enérgico, justo e mais temido do que amado. Seu caráter eratão forte e sua crueldade devia ser tamanha que, em novembro de 644, um escravoenfurecido atacou-o causando-lhe um ferimento mortal.Omar I ainda teve tempo de, em seu leito de morte designar um conselho com seis membroscom a função de eleger o novo Califa.5.1.3 – Uthman ibn Affan (644 – 656):O conselho dos seis era formado por, dentre outros, o próprio Uthman; que além de amigo deMaomé, havia desposado uma de suas filhas; e Ali (o primo de Maomé). Este conselhoterminou por eleger Uthman como novo Califa.Uthman, ao contrário de seus predecessores, não era uma figura famosa entre o povo, nemtão pouco, um herói militar, era, no entanto, um importante membro da aristocracia comercialde Meca, sendo pertencente ao clã Omíada (em Árabe, Umayyad). Dessa forma, a eleição donovo Califa marcou a vitória, e porque não o início da hegemonia, da aristocracia comercial deMeca sobre o Califado.Os objetivos do novo Califa eram óbvios desde o início de seu governo, pois tentou dominar asmais importantes regiões comerciais do Oriente Médio e norte da África. Em seu governoAlexandria foi retomada, pois havia sido momentaneamente reconquistada pelos Bizantinos ea conquista da Palestina e da antiga Fenícia foi consolidada. Estas conquistas, juntas,possibilitaram o início da expansão marítima Árabe, pois antes, estes nunca haviam searriscado nas águas do Mediterrâneo.A principal figura da expansão marítima é Moawiya (em Árabe, Mu’awiyya), o governador daSíria, que instalado na proeminente cidade de Damasco, chefiou as esquadras Árabes em suassucessivas vitórias sobre a esquadra Imperial Bizantina. Em 649, o Chipre caiu nas mãosMuçulmanas e isto marcou o fim da hegemonia de Constantinopla sobre as águas doMediterrâneo, em especial sobre o Mediterrâneo Oriental.Com as fronteiras comerciais consolidadas e a economia do Império indo "de vento em popa",o Califa tomou duas atitudes importantes relacionadas com a política interna: diminuiu afervor expansionista, com intuito de fortalecer as defesas; e direcionou seus esforços nosentido de elaborar um texto único para o Alcorão, pois a existência de textos conflitantes(visto que Maomé não sabia escrever e, sendo assim ditou o livro para outros) começava agerar discórdias religiosas que,mais tarde eclodiriam em revoltas e num cisma religioso.Uthman, no entanto, desenvolveu em seu governo algumas vicissitudes que o tornaram muitoimpopular, além de enfraquecerem a unidade do Império. Contam entre essas medidas a
  16. 16. prática deliberada do nepotismo (ou seja, o emprego de parentes e amigos em cargos públicosde confiança ou não) seguido do esbanjamento do tesouro central, o que acarretou emdiminuição de recursos para fins importantes, como o militar.Somam-se ao esbanjamento duas práticas que, por si sós, já seriam suficientes para reduzir areceita Imperial, ou seja, a parada na expansão, que acarretou no fim (pelo menos temporário)das presas de guerra; e a conversão ao Islamismo da maioria das populações conquistadasanteriormente. Esta última ação reduziu as receitas, pois, como o leitor deve se lembrar,aqueles que não quisessem se converter ao Islã depois de conquistados, não seriam obrigados,mas estariam sujeitos a pesados tributos, dessa maneira, muitos simularam sua conversãopara assim se verem livres de impostos (dos quais os Islâmicos estavam livres).A repercussão de tais fatos teve um peso negativo muito maior do que o peso positivo dasconquistas (leve-se em consideração que foi no governo de Uthman que as conquistas foramrealmente divididas em três frentes (como será explicado mais adiante), além disso, foi em seugoverno que a Pérsia caiu de joelhos definitivamente diante dos Árabes, com a morte doúltimo Grande Rei), tanto que desde o princípio de seu governo, o Califa encontrou ferozoposição de quatro figuras importantes dentro da comunidade Islâmica: Aysha, filha de AbuBakr e principal esposa de Maomé; Ali, primo do profeta; al-Zubayr e Talha, ambos, assimcomo Ali, membros do conselho dos seis que elegeu o Califa.O nepotismo e o esbanjamento praticados pelo Califa se irradiaram para as províncias, dessaforma, as populações passaram a ser muito exploradas (talvez isso tenha, mais que tudo,motivado as conversões em massa) pelos governadores locais que eram nomeados erenomeados pelo Califa a seu bel prazer.A situação se tornou calamitosa quando no final de 655, Amr, o governador do Egito foideposto pelo Califa que nomeara para seu lugar um parente. Ele com seus soldados tentaramdepor Uthman, mas não lograram sucesso. Porém, este (o Califa) pediu auxílio ao novogovernador do Egito para que este sufocasse a revolta, este (o governador) obedecendo,matou um importante general leal a Amr. A morte do oficial revoltou os exércitos do Califadoe, sendo assim, quando a notícia chegou a Medina, os soldados que outrora eram leais aUthman invadiram seu palácio e mataram-no enquanto lia o Alcorão.5.1.4 – Ali ibn Abi Talib (656 – 661):Quando Uthman morreu, mais do que depressa (no mesmo dia) Ali (o mesmo que era primode Maomé e que com ele crescera) tomou para si o título de Califa, no entanto, ascircunstâncias nas quais o antigo Califa fora morto (lendo o livro sagrado) fizeram com que,inesperadamente, ele se converte num mártir (um herói morto). Sendo assim, Ali, quepossivelmente instigara os exércitos contra Uthman, foi considerado por seus antigos aliados(leia-se Aysha, al-Zubayr e Talha), além de por Moawiya (governador da Síria, que era primode Uthman e que, dessa forma, com sua morte, herdou a chefia do clã Omíada).Certamente, Ali contava com inúmeros aliados, dentre os quais podemos referirprincipalmente os mais antigos fiéis, ou seja, os que haviam conhecido Maomé, além de quasea totalidade dos exércitos, visto que as três fortalezas Árabes (Fostat, no Egito; Kufa e Basra, naMesopotâmia) lhe eram fiéis.A viúva de Maomé (entenda-se que apesar de após a morte de Khadidja, o profeta ter criadoum harém, a primeira mulher com a qual se casou, no caso Aysha, passou para a História como
  17. 17. sua viúva, isto porque foi a única que teve alguma relevância depois da morte do marido, alémde ter sido a única cujo pai (Abu Bakr) também se tornou Califa), juntamente com os outrosdois inimigos de Ali, se mudou para Basra, onde pretendia corromper a fortaleza contra o novoCalifa.Vendo que sua presença se fazia necessária junto aos exércitos, em especial na Mesopotâmia,Ali transferiu a capital do Império de Medina (onde haviam reinado Maomé, Abu Bakr, Omar eUthman) para Kufa. Lá, ele organizou as tropas e marchou contra os rivais. Tudo isso ainda e656, o mesmo ano de sua posse.Desenrolou-se então a chamada batalha do camelo, de onde Ali saiu vitorioso, exterminandoas tropas dos oponentes e, além de matar al-Zubayr e Talha, capturou Aysha, esta foisilenciada (pois ficou sem aliados) e então enviada de volta para Medina, onde viveu o resto desua vida (morreu em 678, de velhice, com quase oitenta anos) confortavelmente, mas sem teroutra chance de agir politicamente falando.A morte de seus inimigos serviu para consolidar as posições de Ali no Iraque (ouMesopotâmia), mas, no entanto, na Síria as coisas estavam diferentes. Moawiya não aceitavao governo de Ali, a quem considerava um usurpador, dessa forma, agora aliado com Amr(entendam que Amr, apesar de ter sido inimigo de Uthman, viu em seu primo Moawiya, umaliado poderoso, posto que este não praticava os mesmos erros grotescos que o Califaanterior, além disso, Ali lhe tinha usurpado a idéia de dar um golpe e tomar para si o título deCalifa, visto que havia feito isto antes, sendo assim, a vingança também o motivava), iniciou, jáem 657, suas ofensivas.A batalha de Siffin, na margem direita do rio Eufrates, em 657, foi decisiva em muitos aspectos,pois os exércitos de Ali estavam levando vantagem até que Amr, que comandava os exércitosde Moawiya, ordenou que todos os seus homens colocassem sobre as espadas folhas doAlcorão. Essa imagem fez com que as tropas de Ali desistissem de lutar, pois consideravamsacrilégio matar homens tão leais à sua fé. Além da desistência, os homens de Ali decidiramsubmete-lo a uma Arbitragem, ou seja, uma espécie de julgamento que apontaria se suaascensão ao poder era válida (na prática, isto punha em dúvida o mérito do governante, ouseja, o desmoralizava).Enquanto Ali se retirava do campo de batalha com seus homens, cerca de metade deles veioinsistir para retornar ao combate. O Califa, no entanto, achou prudente não aceitar, poisestariam em menor número e certamente perderiam a batalha. Diante da recusa de Ali, estessoldados desertaram, mas ao invés de passarem para o lado de Moawiya, formaram umamilícia religiosa cujos seguidores foram batizadados de Kharidjitas (os que saem). A formaçãodessa milícia marca o primeiro grande cisma do Islã.Depois da formação do Kharidjismo, Ali teve que ocupar seu tempo enfrentando-os, dessaforma, Moawiya passou a agir livremente e, sendo assim, não só retomou o Egito, cujogovernador era leal a Ali, e entregou-o a Amr, como, em 660, em Jerusalém, proclamou-seCalifa. Isso gerava uma situação de quase ruptura, uma vez que passava a haver doisindivíduos que se consideravam governantes supremos do Império, um cuja influência deestendia ao Egito e à Síria (Moawiya) e o outro, ao qual eram leais a Arábia em si e o Iraque(Ali).Ali finalmente derrotou os revoltosos Kharidjitas, na batalha de Nahrawan, nas margens (emesmo dentro dele, dizem que as águas do rio se tornaram turvas com o sangue dos
  18. 18. dissidentes) do rio Tigre. Porém, apesar de agora ineficazes militarmente, os Kharidjitascontinuaram a existir e a agir de forma semelhante aos terroristas de hoje, tanto que, em 661,quando (livre dos insurretos) Ali organizava suas tropas para marcharem contra a Síria, umKharidjita disfarçado invadiu a Mesquita de Kufa e matou o Califa. Com a morte de Ali, ocaminho ficou livre para as pretensões de Moawiya. Expansão máxima do Islã nos primeiros anos5.2 – As Revoltas Xiitas e as dissidências religiosas no Islã:As tensões que se iniciaram no Califado de Uthman acarretaram diversas transformações nomundo Árabe. Porém, as principais talvez tenham sido as religiosas. Digo principais, pois alémdas transformações políticas profundas ocorridas no Império Islâmico, decorrentes em grandeparte de tais dissensões religiosas (não devemos esquecer que os Kharidjitas atrapalharam apossível e provável reação de Ali, abrindo o caminho para o fortalecimento dos Sírios), até hojeessas diferentes correntes têm, em maior ou menor grau, alguma influência no mundoMuçulmano, sendo que o Irã tem como religião oficial o Xiismo.O Kharidjismo foi a primeira dessas dissensões religiosas e, como já expliquei no item anterior,surgiu de uma discordância entre os soldados de Ali e este. Ele foi responsável por diversosataques tanto na época de Ali, quando ainda era efetivo numericamente o suficiente pararealizar reides, quanto em épocas posteriores, através de atentados e da conversão deadeptos do Sunismo (ortodoxia Islâmica original) a sua causa. A principal discordância dosKharidjitas em relação aos Ortodoxos (os Muçulmanos que seguem os ensinamentos originaisde Maomé) era política, eles acreditavam que qualquer cidadão deveria ter o direito deascender ao Califado, desde que fosse Islâmico. Porém, o Califa deveria ser cobrado quanto aocumprimento de suas obrigações, podendo ser deposto se não as cumprisse adequadamente.
  19. 19. Esse princípio batia de frente com o caráter hereditário que viria a se instaurar no Califadoapós a morte de Ali, sendo assim, essa seita continuou agindo contra o interesse dos Califas. Omais curioso quanto aos Kharidjitas é que para eles (apesar de serem Islâmicos), era mais fácilconsiderar um Judeu ou um Cristão como igual do que um Muçulmano não adepto de suacausa.Após a morte de Ali, que possuía muitos apoiadores incontestes, este foi transformado pormuitos numa figura semi-divina, de fato, Ali, bem como seus descendentes (filhos deste comsua esposa Fátima, filha de Maomé) passaram a ser considerados mais importantes do queMaomé. É bom que se explique que os Califas eram, até o tempo de Ali, ao mesmo tempoMalik (Rei) e Imam (Líder Religioso), porém o culto que se desenvolveu a Ali, tratava-o, etambém a seu filho, Hussayn, como Imam. Este culto recebeu o nome de Xiismo. Os Xiitas,uma seita que persiste, como já foi referido, até os dias de hoje, acreditam que o Califado sópode ser exercido pelos descendentes diretos de Ali, pois estes são naturalmente divinizados.Cada Imam tem o dom, concedido por Allah, de rever as escrituras, sendo assim, a palavra deum Imam é absoluta sendo superior ao Alcorão e até mesmo a palavra do Imam anterior. Acrença na divindade do Imam fez com que os Xiitas não aceitassem os Califas e, sendo assim,desenvolvessem vários ataques e revoltas ao longo de todo o Califado Omíada e depois,também do Abássida.Para os Xiitas, o Imam designa entre seus filhos aquele apto a ser o futuro Imam. Porém, issocausou algumas dissidências entre os próprios Xiitas, pois o sexto Imam, Djafar, não escolheucomo futuro Imam ao seu filho mais velho, Ismail, como era costume até então, mas sim aoseu filho mais novo, Musa. Dessa forma, alguns Xiitas que acreditavam na sucessão varonil poridade (ou seja, o filho homem mais velho deveria ser o novo Imam), não aceitaram Musa comoImam e passaram a cultuar Ismail como seu Imam, estes foram então ditos Ismailitas, umafacção Xiita considerada radical até mesmo por estes (que, diga-se de passagem, já são radicaiso bastante). Os Ismailitas recusam-se a acreditar que Ismail tenha morrido um dia, aocontrário, eles afirmam que seu líder irá retornar ao mundo e salvá-los, bem como a todos osque se converterem, sendo assim, para os Ismailitas, com Ismail encerra-se o ciclo de Imans.Ao contrário, para os Xiitas, que aceitaram Musa como seu Imam, o ciclo só se encerra quando(por volta do final do século X) o décimo segundo Imam se retira para uma montanha sob opretexto de meditar. Os Xiitas acreditam (talvez inspirados nos Ismailitas) que este ainda estámeditando nas montanhas, até hoje, e um dia retornará para salva-los, nesse dia, asrevelações finais sobre o Alcorão serão feitas, e as partes perdidas (que teriam sido excluídaspropositalmente para retirar os predicados de Ali quando foi elaborado o texto único) serãoreencontradas.Tanto os Xiitas, quanto os Ismailitas (que nada mais são do que uma facção dos Xiitas)acreditam que, quando Uthman realizou a edição do texto "oficial" do Alcorão,deliberadamente negligenciou algumas partes que beneficiavam Ali. Dessa forma, ele teriaimpedido o "fundador" do Xiismo de obter privilégios semelhantes aos de Maomé.É interessante notar no Xiismo que apesar de Ali ser seu "fundador", ou pelo menos inspirador,seu filho Hussayn foi mais venerado, isso porque sua morte (apesar de ter sido morto numaemboscada, armada pelo novo Califa Moawiya, que temia que o filho de Ali reunisse forçassuficientes para destrona-lo) foi considerada um rito de auto-sacrifício, em busca depurificação, de salvação. A morte de Hussayn entrou para a História como o massacre, oudrama, de Karbala, e inspirou o início das violentas hostilidades Xiitas ao longo da História.Para os Xiitas, existe uma necessidade de vingar Hussayn, sendo assim, eles se mobilizam para
  20. 20. tal feito. Essa mobilização, aliada a outras causas que veremos mais adiante, foi uma dasresponsáveis pela queda da dinastia Omíada.O enviado de Allah que, tanto para os Xiitas, quanto os Ismailitas, esperam, é chamado deMahdi e será simplesmente infalível.5.3 – As três frentes da expansão:Certamente foi durante o governo de Uthman que a expansão dos domínios Árabes tomourealmente a forma que viria a ter nos próximos anos, sobretudo durante a dinastia Omíada.Três foram os caminhos adotados pelos Muçulmanos para expandir sua fé e seu controletemporal.Veremos neste item boa parte das principais conquistas Islâmicas desde o estágio embrionárioda divisão em frentes de combate, até o final do período ao qual se remete este texto, ou seja,em 809, com a morte de Harun al-Rachid.5.3.1 – Oriente:A expansão rumo ao Oriente existiu em boa parte sobre os domínios do antigo Império Persa.Este estava fragilizado pelas sucessivas derrotas que sofrera frente ao Império Bizantino,sendo assim, não pode resistir à organização das tropas Islâmicas.O leitor deve estar intrigado com uma questão importante e pouco estudada sobre o ImpérioPersa. Ele não havia acabado no século IV a.C., quando Alexandre matou Dario III e conquistouseu Império Persa.Vejamos, depois da morte de Alexandre, seu Império foi dividido entre seus principais homens,dentre eles contavam Antígono, a quem coube o núcleo do Império, ou seja, a Grécia-Macedônia; Ptolomeu, a quem coube o Egito; e Seleuco, a quem coube a Ásia, ou o antigoImpério Persa.Logo no início, a Ásia Seleucida foi desmembrada em diversos Reinos: Armênia; MédiaAtropatena; Partia; Bactriana e a própria Seleucida.Em 64 a.C., a Partia, que sob a dinastia dos Arsácidas (dinastia estabelecida em 247 a.C.) sefortalecera, toma as demais regiões, mas não recria o Império Persa, este período é chamadode Reino Parto, e perdura até 224 d.C.. Os Partos impuseram dura resistência ao ImpérioRomano, tendo sido combatidos por famosos generais, tais como Lépido e Marco Antônio.Em 224 d.C., um príncipe regional chamado Ardachêr, filho de Sâssân, organiza uma revoluçãonacional e, derrubando a dinastia Arsácida, instala no lugar a sua, que em homenagem a seupai, se chama Sassânida. Os Sassânidas, em busca de respaldo anterior ressucitam o nomePérsia, bem como todos os seus títulos, dessa maneira, o soberano volta a se chamar Grande-Rei, como na Pérsia Pré-Alexandrina e o Império volta a se chamar Império Persa.Os Sassânidas oferecem muito mais problemas aos Romanos do que seus antecessores, osPartos, talvez por serem mais ferozes que estes, ou pelo fato de aqueles estarem emdecadência. O fato é que um Imperador Romano é morto (Juliano, em 363) e outro capturadoe escravizado (Valeriano, em 260) em guerras contra os Persas Sassânidas.
  21. 21. Depois da queda do império Romano, os Sassânidas passam a disputar com os Bizantinos ahegemonia do Oriente. De início, são atrapalhados em suas tentativas, pelos Hunos e quandotentam conquistar territórios Bizantinos, encontram Constantinopla em seu apogeu militar,com Justiniano, que os repele. Khosrô II, no entanto, conquista diversos territórios do ImpérioBizantino (Ásia Menor, Síria, Palestina e Egito) após a morte de Justiniano, desencadeandouma guerra feroz entre os dois Impérios.Heráclito I, Imperador Bizantino, começa a retomar o que lhe havia sido usurpado pelos Persase, em 628, lhes impõe uma derrota definitiva (já mencionada anteriormente), derrota esta quepraticamente destrói qualquer chance da dinastia Sassânida se reerguer. É neste contexto queos árabes encontra os Persas, ou seja, praticamente derrotados desde 628, precisando apesardo "último empurrão" para caírem no precipício; e este "empurrão" é dado pelosMuçulmanos.Em 651, Yazdgard, último Grande-Rei Sassânida é morto pelos Árabes depois de fugir decidade em cidade, sendo assim, termina a dinastia, pelo menos na Pérsia, visto que noTurquestão (antiga pátria dos Turcos, dos quais falarei brevemente no item sobre a dinastiaAbássida) e depois na China, ainda resistem Reis Sassânidas até meados do século VIII, quandosão finalmente exterminados pelos Árabes.Se por um lado a expansão Árabe em seu rumo oriental se fundamentou na conquista dosterritórios do Império Persa, por outro, não se limitou a isso, visto que entre o governo deUthman (644 – 656) e o de Al-Walid (705 – 715), estenderam seus domínios do oeste do atualIrã até certas regiões da China e da Índia, tendo inclusive se deparado com tropas da dinastiaT’ang, da China da época.5.3.2 – Norte:Enquanto a expansão rumo ao leste se fundamentava na anexação dos territórios do ImpérioPersa, a expansão no sentido norte almejava a conquista de regiões do Império Bizantino.Iniciada por Uthman, esta direção das conquistas foi a que menos logrou efeito (pelo menos naépoca referida, visto que como esta frente nunca foi esquecida pelos povos Islâmicos,posteriormente os Turcos, saídos do Turquestão, atacaram a Ásia Menor, ou Capadócia,visando se instalarem. Venceram a batalha de Manzikert, em 1071, iniciaram a formação doImpério Turco, ou Otomano, que, dominando os Bálcãs e boa parte dos domínios centrais doImpério Islâmico original, perdurou até o final da Primeira Guerra Mundial), pois teve comooposição ferrenha o, ainda poderoso, Império Bizantino.As principais motivações dessa frente de combate eram nitidamente comerciais. Os Árabes,que estavam sob a égide de um clã comercial (os Omíadas), desejavam banir os Bizantinos docomércio do mar Mediterrâneo e, se não pudessem conquista-los, pelos menos queriamsobrepuja-los.Foi com esse intuito que, já no governo de Uthman, o Império Islâmico iniciou a construção desua esquadra que conseguiu grandes vitórias logo de início, conquistando o Chipre e dizimandoa marinha Bizantina.Depois de conquistar a supremacia no Mediterrâneo, os Árabes iniciaram a construção de umarede de postos avançados no mar, com a conquista de diversas ilhas e cidades costeiras, comoRhodes e Chipre, além de ataques a Sicília e ao sul da Itália.
  22. 22. Desejando exterminar definitivamente os Bizantinos e abrir seu caminho rumo a Europa, osÁrabes enviaram, em 674, uma grande esquadra para Constantinopla, pois sabiam que se acapital caísse, todo o Império cairia. Ocorreu um longo cerco de quatro anos, nos quais acidade resistia e os Árabes atacavam, até que os Bizantinos utilizaram a ciência para lhesgarantir a sobrevivência. Graças a pesquisas de Calímaco, um engenheiro da Síria que serefugiou no Império Bizantino para fugir do domínio Islâmico, foi inventado o fogo grego, umamistura de petróleo, enxofre, salitre e cal viva, que se inflama com o impacto e queima emqualquer superfície, inclusive sobre a água (devido ao petróleo, que é o que queimarealmente). Graças ao fogo grego, Constantinopla conseguiu armar suas defesas navais edestruir a esquadra Árabe que a cercava (isso porque, como os navios da época eram feitos demadeira, o fogo se tornava especialmente perigoso para eles). Os Árabes evitaram realizarnovas investidas navais contra Constantinopla para não perderem mais navios, em contrapartida, os Bizantinos não conseguiram reaver o que haviam perdido, pois assim como nãoconseguiriam produzir fogo grego suficiente para queimar todos os navios Árabes, tambémnão teriam recursos para reconstruir sua marinha perdida (uma vez que depois da dispendiosareconquista organizada por Justiniano (que governou entre 527 e 565), as finanças Imperiaisficaram de tal forma arruinadas, que nunca mais se recuperaram). Dessa maneira, houve umacerta paz nos mares entre os Impérios Islâmico e Bizantino.5.3.3 – Ocidente:A expansão Árabe rumo ao ocidente foi a que começou mais cedo, já no governo de Omar,talvez motivada pelo sentimento de revanchismo que boa parte dos Árabes nutria em relaçãoaos Abissínios (Etíopes), pois, como já foi explicado, este dominaram por longo período oReino de Sabá, além de tentarem impor o Cristianismo aos povos Árabes pré-Islâmicos.Durante o Califado de Omar (634 – 644), as conquistas se estenderam até Trípoli, tendotomado, no caminho, o Egito e a Abissínia. No governo de Uthman, esta frente foi preteridaem detrimento das outras duas e no Califado de Ali, devido às diversas guerras que o primo deMaomé teve que travar e ao conturbado momento político em que se encontrava o Califado, aexpansão parou momentaneamente.Quando a dinastia Omíada se instalou, voltou seus olhos novamente a esta direção daexpansão. Talvez a ênfase maior a estas conquistas tenha sido dada quando os Árabes sederam conta de que, pelo menos por aquela hora, não poderiam tomar Constantinopla, sendoassim, precisavam atingir a Europa de outra maneira.Através das conquistas no norte da África, ocorreu um aumento brutal da extensão doImpério, bem como uma verdadeira revolução na máquina de guerra Islâmica, visto que osBerberes (povo do norte da África (região da Numídia) conhecido por sua resistênciaintransponível a todos os Impérios anteriores e por seu nomadismo, além de suas altíssimasqualificações militares) se converteram ao Islamismo e tomaram para si a responsabilidade deinvadir a Espanha Visigótica (o domínio da Espanha será contado em detalhes num itemespecial, devido à grandeza do general responsável por sua conquista).
  23. 23. Outras conseqüências importantes tanto para oImpério Islâmico, quanto para o mundo atualda conquista do norte da África foram: osurgimento da África Branca, ou seja, airradiação dos povos Semitas da Arábia e Egitoaté o Maghreb; a destruição definitiva deCartago (a cidade havia sido destruída pelosRomanos em 146 a.C., porém, depois de ficarvários anos desocupada, foi revivida por JúlioCésar) para a construção, no mesmo lugar, deTunis; a criação de portos importantes para oataque a ilhas do Mediterrâneo e regiõescosteiras da Europa; além da principalconseqüência Histórica, a conquista da Espanhae o subseqüente fechamento do Mediterrâneo Arquitetura islâmica no Norte da África:à navegação Européia, pois os Árabes passaram Mesquita em Kano, Nigériaa domina-lo completamente.Com certeza, com veremos, a conquista da Espanha (entre 711 e 714) marca o início doapogeu do Império Islâmico, uma Império que existia a apenas oitenta anos e que já dominavauma região maior do que a extensão máxima do Império Romano.7 – A Revolução Abássida:Acredito que muitas coisas mudaram no Império Islâmico depois da ascensão dos Abássidas aopoder. Primeiramente, como pode-se perceber, até aqui o Império havia sido um ImpérioÁrabe e, porque não, um Império do Hedjaz e da Síria, sendo que os Muçulmanos das demaisregiões nunca haviam sido considerados como iguais pelas elites dominantes. Sendo assim, sónão chamo o Império construído pelos seguidores da religião de Maomé de Império Árabe,justamente porque sob os Abássidas, o Império perde esse caráter e, ao contrário, ganha, cadavez mais um caráter Persa.Sob a nova dinastia, ocorrem diversas transformações em diversos campos do Império.Primeiramente, deve-se notar que, enquanto os Omíadas laicizaram o Estado, os Abássidasretornaram à Teocracia orginal, aliás, a Teocracia Abássida era muito mais real do que a dosCalifas Ortodoxos. Os Califas dessa dinastia realmente se consideravam homens acima damédia, que haviam sido escolhidos por Allah para governar não só o Império, mas também avida de todos os Muçulmanos. Sendo assim, Esta dinastia retomou para o Califa o título deSumo Pontífice Islâmico.Justamente pelo fato de os Abássidas se considerarem os donos da verdade Islâmica é que asperseguições contra todos aqueles que não seguissem exatamente a Sunna do Profeta, ouseja, todos os não Sunitas, seriam perseguidos implacavelmente, tanto por meio de armas,quanto através da propaganda do Estado.Porém, os Abássidas não foram de todo ruim, eles tinham uma grande preocupação com ahumanidade, por isso, tentavam de todas as maneiras tornar todos os Muçulmanos iguais, aocontrário dos Omíadas, que não se preocupavam com o bem estar do povo. Foi sob estadinastia que foram produzidos os principais legados do mundo Árabe: obras literárias, como"As mil e uma noites"; Mesquitas gigantescas, túmulos igualmente majestosos; a tradução dasantigas obras Gregas (Platão, Aristóteles, Sófocles, Aristófanes, Tales, Arquimedes, Pitágoras,
  24. 24. Homero...) que estavam perdidas na memória Européia, mas que foram resgatadas pelosÁrabes através da memória Persa, mantida devido à helenização da Ásia proporcionada porAlexandre, o Grande; dentre outras grandes façanhas.No campo da política, os Califas Abássidas criam um novo cargo: o Vizir. Este é, a exemplo doPrefeito do Palácio, do Reino Franco, uma espécie de Primeiro Ministro Islâmico que, à medidaque os Califas vão se ocupando mais e mais da cultura e da religião, tornam-se os responsáveispela administração política e militar do Império.A dinastia também é marcada pelo início da fragmentação do Império, com a criação de umgoverno (mais tarde Califado) Omíada na Espanha e, com a independência das tribos Berberesdo norte da África. Além disso, a capital do Império é mais uma vez alterada, inicialmente secentra em Kufa e depois, passa para Bagdad, uma cidade construída justamente com o intuitode ser a nova capital do mundo Islâmico, sendo a herdeira de Ctesifonte (antiga capital doImpério Persa (se bem que o Império Persa tinha quatro capitais: Ctesifonte, Pasárgada,Persépolis e Susa)) e da gloriosa, porém esquecida, Babilônia.7.1 – O refúgio Omíada na Espanha:Quando iniciou-se a dinastia Abássida, com o governo de Abu al-Abbas, os Omíadas, como jáfoi dito, foram perseguidos. Boa parte deles foi exterminada de uma só vez no fatídico jantarem Damasco. Porém, alguns membros da família resistiram ao massacre, mas perceberam quesua permanência dentro dos domínios do novo Califa (que se denominara o caçador do sangueOmíada) seria impossível.Observando que, devido às conjunturas presentes no conturbado início da nova dinastia, osAbássidas não desfrutavam de um controle pleno sobre as províncias do ocidente; Abd el-Rahman, o último sobrevivente do clã Omíada, fugiu para al-Andalus (a Espanha), em 756.Lá, ele obteve boa receptividade das populações e, sendo assim, pode se instalar em Córdoba,onde se proclamou Emir (espécie de governador soberano, ou seja, muito superior aos merosgovernadores de província do Império, pois tinha total autoridade sobre a região na qualgovernava). Estava fundado o Emirado de Córdoba, uma região que, justamente por pertenceraos Omíadas, não aceitava o domínio Abássida e que constituiu o primeiro grande rachadentro do Império Islâmico.Abd el-Rahman fundou, assim, a dinastia Omíada da Espanha, um prolongamento da dinastiaque havia governado o Império Islâmico entre 661 e 750. O Emir contava não só com o apoiodas populações Espanholas convertidas ao Islamismo, mas também com o apoio dos Bascosque, apesar de Cristãos, preferiam manter boas relações com os Árabes do que sesubmeterem aos ataques dos demais Reinos Cristãos.Em 778, a Espanha foi atacada por Carlos Magno que, como parte de seu acordo com Harunal-Rachid (Califa Abássida que, como veremos, mantinha um pacto com o Rei Franco)pretendia exterminar os Omíadas da Espanha. Carlos Magno foi ajudado por Ibn el-Arabi,antigo governador de al-Andalus, que, quando os Omíadas chegaram, se refugiou emSaragoça, de onde pretendia reconquistar seus domínios, ajudado pelo soberano Franco.Com a ajuda dos Bascos, o Emir Omíada trucidou as tropas de Carlos Magno e, destruindo Ibnel-Arabi, obteve a hegemonia de toda a antiga Espanha Visigótica (exceto do Reino de Astúrias
  25. 25. (onde haviam se refugiado os Visigodos) e da região dos Bascos (que por meio de um tratado 6– O Califado Omíada:Após a morte de Ali, finda-se o período dos Califas ditos Ortodoxos, isso porque, os quatro quereinaram depois da morte do profeta haviam tido contato direto com ele e assim, estavamentre os primeiros convertidos ao Islã.Moawiya dá um golpe em 660, quando se proclama Califa, em Jerusalém. Seu golpe, noentanto, só se concretiza em 661, quando Ali morre, desde então, o antigo governador da Síriae agora, novo Califa, introduz algumas mudanças substanciais na política e, trazendo de voltapara sua família o poder (visto que Uthman era seu primo e líder da família antes dele)proclama o Califado como hereditário, estabelecendo assim, a dinastia Omíada, visto que umadinastia se caracteriza pelo domínio do poder por uma família ao longo de um certo tempo.6.1 – Os Califas e os feitos da Dinastia:A dinastia Omíada foi marcada por alguns pontos importantes tanto de conflito quanto deevolução. Já mencionei que foi durante esta dinastia que o Império Islâmico atingiu seuapogeu tanto físico (em tamanho) quanto militar, somente o apogeu cultural é que viriaposteriormente, com a dinastia Abássida.Do ponto de vista político-religioso, a transformação do Estado em Estado Laico foi umaevolução, no sentido em que retirou do Califa o peso de ser o sumo pontífice do Islamismo,deixando-o livre para decidir o futuro econômico, militar, social e político do império; aomesmo tempo que talvez tenha sido um retrocesso, uma vez que esta separação acarretou nadissolução da Teocracia que havia sido criada ainda na época de Maomé. O fim da Teocracia éruim, pois retira parte do apoio popular, advindo da Religião, ao governante.Outra característica importante da dinastia Omíada é que ela nunca contou com o apoio totalda população do Império, tanto por causa das revoltas religiosas (Kharidjitas e Xiitas), quantopelo fato do tamanho do Império ter começado a torna-lo ingovernável na época. Pois emregiões tão distantes e, sendo assim, tão distintas, se tornava difícil manter uma comunhão depensamentos e mesmo religiosa, em suma, o que era bom para a Espanha nãonecessariamente era bom para a Síria, ou para o Iraque, ou para a Arábia.Porém, acredito que a principal característica da dinastia Omíada tenha sido realmente avitória dos grupos mercantis (repito pré-capitalistas) sobre os grupos religiosos fundadores doImpério, dessa forma, o Império que foi criado e era mantido através da difusão de uma fé,não era mais administrado pelos superiores dela.6.1.1 – Moawiya (661 – 680):Moawiya foi o fundador da dinastia Omíada e, apesar de não ter sido o primeiro membrodesse clã o governar o Império (Uthman também era do clã Omíada), foi, com certeza, o maisrevolucionário Califa desde de Maomé.Em seu governo, o novo Califa operou várias transformações no mundo Islâmico. Uma delas jáfoi mencionada, ou seja, foi a laicização do Estado, mas convém enumerar outras: atransferência da capital de Kufa (para onde Ali tinha transferido-a anteriormente) paraDamasco; a proclamação da hereditariedade do título de Califa (o que fundou a dinastiapropriamente dita); a retomada das frentes expansionistas iniciadas por Uthman; a
  26. 26. reintegração da totalidade do Império sob uma só autoridade; o combate às dissensõesreligiosas.Quando Ali morreu, seu filho, Hassan, foi escolhido pelas tropas do Iraque como seu sucessor,dessa forma, as disputas entre Síria e Iraque continuariam, no entanto, por motivos ignorados,Hassan abandonou o poder, deixando-o todo para Moawiya. Existem duas hipóteses paraexplicar o ocorrido, sendo uma delas mais provável. A primeira, e menos provável, é a utilizadapelos Sunitas (os Muçulmanos Ortodoxos, ou seja, que seguem o Alcorão tal como foi escrito eque se posicionaram ao lado dos Omíadas), e diz que num encontro entre Hassan e Moawiya,o filho de Ali se sentiu inferior ao concorrente e, sendo assim, abandonou o poder. A outrahipótese, mais provável, é defendida pelos Xiitas (aqueles que se posicionaram ao lado de Ali,contra os Omíadas), segundo esta hipótese, Moawiya teria armado uma cilada para Hassan, nadita reunião, sendo assim, o soberano Omíada teria capturado o filho de Ali e, mais tardematado-o com veneno.De qualquer forma, com a abdicação de Hassan, Moawiya ficou sozinho para governar einiciou seu Califado em 661. Seu primeiro ato de governo foi tornar o Califa superior ao Shura,o conselho dos seis, criado por Omar para designar o sucessor do Califa. Desta forma, o Califanão só passava a responder sozinho pela administração Imperial, como também indicava emvida um de seus filhos como sendo seu sucessor. Este, ainda durante a vida do pai, passavapela aprovação (meramente formal, visto que o conselho era controlado pelo Califa) da Shurae, sendo assim, estava efetivado como herdeiro do trono. Dessa forma foi possível amanutenção do clã Omíada no poder.A transferência da capital do Império para Damasco não ocorreu meramente porque o Califaestava radicado nesta cidade, constituindo ela, sua fonte de poder. Ao contrário, foi umaquestão geopolítica e religiosa de extrema importância. Religiosa, porque em Medina, antigacapital do Império (antes de Ali se mudar para Kufa), estava radicada a elite sacerdotal doImpério, em outras palavras, era o centro de poder do antigo Estado Teocrático Árabe, Estadoeste que os Omíadas queriam derrubar. Porém, sob o ponto de vista geopolítico e tambémadministrativo, Damasco estava muito mais bem situada, localizando-se na Síria, a cidadeestava exatamente no núcleo do Império, de onde era possível ir facilmente para qualquer deseus pontos, e também proteger-se de ataques, visto que não se tratava de uma cidadecosteira.Do ponto de vista comercial, o governo de Moawiya também foi importantíssimo, pois com aconquista do antigo Império Persa, ele dominou as rotas comerciais do oriente e, sendo assim,o comércio Mediterrâneo (coisa que foi facilitada pelo poderio da marinha de guerra). Odomínio das rotas comerciais deu novo fôlego ao Império que havia percebido a falha de seusistema de tributação dos infiéis (sistema criado por Omar e que se esfacelou no final dogoverno de Uthman, com a conversão em massa das populações dominadas à fé Islâmica). Osistema de tributação perdurou, pois era interessante como forma de compelir, nãoviolentamente, os dominados à conversão, porém, já não era a responsável pela economia doImpério, que se apoiava agora no comércio oriental e Mediterrâneo.No tocante às dissensões religiosas, Moawiya encontrou duras ações dos Kharidjitas, porém,se mostrou hábil em contornar os ânimos dos Xiitas. Estes eram mais numerosos, mas menosagressivos e organizados que aqueles.Por fim, sobre o governo de Moawiya é interessante assinalar a importância da formação daMonarquia Nacional e Centralizada. Centralizada ela era devido ao poder supremo do Califa,
  27. 27. tanto no tocante às nomeações, quanto à administração, porém, o caráter Nacional era novo,visto que anteriormente, os Islâmicos eram considerados pertencentes cidadãos do Império,agora não mais, estes eram apenas os Árabes, ou seja, os nascidos (ou descendentes denascidos) na região que vai do Iêmen (no sul da península Arábica) até a Síria (onde se localizaDamasco). Dessa forma, mesmo que estes não fossem Islâmicos, seriam consideradoscidadãos.O governo de Moawiya, e a dinastia Omíada como um todo, se caracterizou peloprofissionalismo dos cargos públicos, era uma clara tentativa de combater os gravesproblemas que ocorreram no governo de Uthman (o primeiro Omíada), quando o critério deseleção para os cargos era o nepotismo. Agora, os altos cargos públicos só eram ocupados porpessoas comprovadamente competentes, mesmo que não fossem Muçulmanas (de fato,houve um grande número de Cristãos ocupando importantes cargos durante a dinastiaOmíada). O objetivo dos Califas Omíadas com essa atitude era, não só profissionalizar oEstado, como também fazer o Império prosperar pela competência administrativa(competência esta copiada, em muito, do Império Bizantino, daí os Cristãos no governo). Acolocação de não Muçulmanos em cargos públicos causava a revolta de alguns mais exaltados,mas é importante que se note que todos os Califas Omíadas, sem exceção, sempre foramMuçulmanos tradicionalistas (Sunitas) e grandes observadores da fé, do Alcorão e doscostumes Árabes (as Sunnas de Maomé, daí Sunitas).6.1.2 – Yazid (680 – 683):Em 680, Moawiya morreu, mas seu filho, Yazid, já estava homologado há muito tempo pelaShura, sendo assim, assumiu sem problemas.Porém, se por um lado não houve problemas legais na cúpula Imperial, por outro, Husayn,irmão de Hassan e filho de Ali, instalado em Meca e com o auxílio de Abdallah ibn al-Zubayr,recusa-se a reconhecer o novo Califa. Kufa, a cidade que Ali escolhera para ser sua capital,apóia Husayn e este se dirige para lá, em busca de homens para formar seu exército. Noentanto, no meio do caminho, é morto e decapitado (10 de outubro de 680). Para os Xiitas,que consideravam Husayn como seu segundo Imam, a morte de seu líder foi glorificada comoum ato de auto-sacrifício (em busca da salvação eterna ao lado de Allah), sendo assim, o localda morte do filho de Ali se tornou imediatamente um local de peregrinação Xiita.A morte do Imam, como já me referi anteriormente, incitou os Xiitas contra os Omíadas egerou os movimentou que ficaram conhecidos como: "A Revoluções Xiitas no Islã". Essemovimento foi mais forte durante a dinastia Omíada e, como veremos, contribuiu muito parasua derrobada, em 750. Porém, mesmo depois de 750, os Xiitas continuaram causandoproblemas aos Islâmicos de outras seitas, inclusive, em 1980, quando ocorreu a RevoluçãoXiita Iraniana, que derrubou o Xá Rezah Pahlavi, e instaurou no poder o Aiatolá Khomeini, opovo, nas ruas, portava estandartes nos quais estava escrito: "Xá = Yazid / Khomeini =Hussayn", numa clara alusão à idéia de que a deposição do Xá viria vingar o marte de Hussayn,operada por Yazid, em 680.Apesar da morte de Husayn, al-Zubayr atinge Kufa e consegue reunir sob seu comando tantoXiitas, como Kharidjitas (ambos unidos pelo ódio aos Omíadas), sendo assim, quando retornaao Hedjaz, faz eclodir uma revolução em Medina e Meca.Os Omíadas são expulsos da região e, temporariamente, esta passa a ser governada pelosrevoltosos. A reação Imperial não tarda, o general Muslim é enviado, em 682, à região e impõe
  28. 28. uma séria derrota aos revoltosos, na cidade Medina. Porém, em Meca, o general não tem amesma sorte, numa batalha sangrenta, Meca é incendiada, mas os exércitos do Califa,inclusive Muslim, perecem. No incêndio, a Caaba é destruída.Nova investida, sob o comando de Ibn Numayr, ia ser feita, em novembro de 683, mas o Califamorre e a expedição é cancelada.O filho de Yazid era Moawiya II, que, assim como ocorrera com o pai, já havia sido homologadocomo herdeiro durante seu governo. Porém, o novo Califa assume o trono e, quarenta diasdepois, falece, vítima de uma grave doença.A morte prematura de Moawiya II coloca o Império sob um breve período de Anarquia, umavez que Yazid tinha apenas 38 anos de idade e como tal, não podia ter um filho velho osuficiente para ter um herdeiro capaz de assumir o trono.Além das guerras ocorridas no breve governo de Yazid, houve uma expansão dos domínios nonorte da África, no entanto, esta expansão foi realizada de forma impensada, pelo generalOqba ibn Nafi e, sendo assim, apesar de ter atingido o Maghreb pela primeira vez, gerou umaguerra ferrenha contra os Berberes e pôs as conquistas em risco. Tanto que, em 681, o generalfoi morto e suas tropas desbaratadas, o que ocasionou o avanço dos Berberes e a conseqüenteevacuação de Trípoli pelos Árabes, ou seja, no norte da África o Império começava a recuar.6.1.3 – Mawan (684 – 685):A morte de Moawiya II finalizou o braço principal do clã Omíada, sendo assim, o mais velhomembro de um outro braço do clã, Marwan, foi nomeado Califa. Porém, ele estava numasituação difícil, pois além de já contar mais de 70 anos de idade (o que lhe dificultava alocomoção junto das tropas), a demora para sua escolha (mais de três meses se passaramentre a morte de Moawiya II e a posse de Marwan) possibilitou que al-Zubayr fosse eleitoCalifa na Arábia.O líder dos revoltosos tinha o apoio inconteste do Iraque e o Egito havia se aliado a ele, sendoassim, das cinco principais regiões do Império (Arábia, Síria, Egito, Iraque e Oriente (visto que aTripolitânia, região a oeste do Egito, havia sido perdida em 681)), três apoiavam al-Zubayr,uma apoiava Marwan e a outra, o Oriente (composto por regiões distantes como Kabul, naChina, certas regiões da Índia e do Turquestão (Mongólia)), estava há tão pouco tempoconquistada, que tendia mais a se separar do Império, do que a apoiar um dos doispretendentes ao trono.Para agravar ainda mais a situação de Marwan, começava a surgir na própria Síria, um fortepartido, os banu Qays, que apoiava al-Zubayr na sucessão Imperial. O próprio Marwan estava aponto de renunciar em favor do concorrente, mas um fato viria mudar o panorama políticoque estava em vias de se definir em prol dos revoltosos, cujo corpo era composto por Xiitas eKharidjitas. Discordâncias entre al-Zubayr e seus comandados fizeram com que, tanto Xiitas,quanto Kharidjitas, se declarassem independentes em relação a seu governo.Esse fato encoraja Marwan a encarar uma luta contra o opositor, na medida em que reduziubrutalmente suas fileiras. O Califa (chamarei à partir daqui Marwan e os Califas Omíadas, deCalifas e al-Zubayr, de Anticalifa) consegue colocar toda a Síria sob sua autoridade e entãomarcha rumo ao Egito. Lá, ele derrota o governador nomeado por al-Zubayr e reintegra aregião a seus domínios. No entanto, quando o velho Califa retorna a Damasco e começa a
  29. 29. preparar sua investida contra a península Arábia, morre, em conseqüência de sua avançadaidade.6.1.4 – Abd al-Malik (685 – 705):A morte de Marwan não se torna nenhum grande problema, pois, justamente por terassumido em idade avançada, o Califa havia pensado desde o princípio em homologar seusucessor. E este era seu filho, Abd al-Malik.Quando o novo Califa assume, o Império está dividido em dois: metade (Egito e Síria) sob seucontrole e a outra metade (Arábia e Iraque) sob o poder do Anticalifa de Meca. Além dosproblemas que isso acarretaria ao novo Califa, o Império Bizantino percebe que se trata deuma boa hora para reconquistar o que lhe fora tomado, sendo assim, inicia-se (pelo mar e pelonorte) uma forte investida Bizantina contra os domínios de al-Malik.Se por um lado o Califa passava por um período difícil, com os Bizantinos tendo lhe tomado aFenícia, penetrado na Armênia, reconquistado algumas regiões do norte da África e impostopesados tributos; por outro, o Anticalifa também tinha sérios problemas. A al-Zubayr sórestavam a Arábia e o Iraque, o ele residisse na primeira, entregou o governo da segunda a seuirmão, Musab.Musab teve de enfrentar, radicado numa província que não lhe era totalmente leal, durosembates com Xiitas e Kharidjitas. Para os primeiros, surge um líder importantíssimo, al-Muhtar, que altera as orientações teológicas da seita. Em 685, al-Muhtar e seu general, Ibn al-Astar, tomam Kufa e continuam avançando, dominando cidade após cidade. O irmão doAnticalifa, no entanto, consegue vencer os revoltosos e recuperar Kufa. Com a morte de al-Muhtar, o general Ibn al-Astar se submete a Musab, em 687.Enquanto o Anticalifa se fortalecia, ao vencer os revoltosos do Iraque, o Califa pensava numamaneira de interromper a seqüência de derrotas que lhe vinham sendo impostas. Decidiu,então, em 688, utilizar-se de uma "jogada de marketing" para combater o rival. Uma vez que éobrigação de todo Muçulmano peregrinar pelo menos uma vez na vida à Meca (estando livresapenas aqueles a quem faltam recursos), todos os que iam para Meca (capital do Anticalifa)podiam ser expostos à maquina de propaganda de al-Zubayr, sendo assim, o Califa proibiuseus súditos da Síria e do Egito de peregrinarem a Meca. Para compensa-los, utilizou-se daspróprias palavras de Maomé, que se dizia o terceiro profeta (sendo o primeiro Moisés e osegundo Jesus). Dessa forma, a cidade sagrada de Jesus (Jerusalém) também poderia sersagrada para Maomé e seus filhos, assim, o Califa construiu em Jerusalém, no local do antigotemplo hebraico (destruído pelos Romanos e cujas ruínas constituem, hoje, o Muro dasLamentações) a Mesquita de Omar, mais conhecida hoje como O Domo da Rocha, destinada aser o novo local de peregrinação Muçulmana, em substituição a Meca.Aliada à tática da propaganda, Abd al-Malik investe em seus exércitos e, em 690, conseguederrotar o governador do Iraque e retomar a província. Com a retomada do Iraque, asprovíncias orientais, sobre as quais a autoridade de um Califa não se fazia sentir desde Yazid,foram reintegradas.Cerca de um ano depois da retomada do Iraque, o general al-Hadjdjadj, aliado ao Califa,invadiu Meca e, matando o já idoso Anticalifa, reunificou o Império. A este general, comoprêmio, foi entregue o governo da maior província do Império, o Iraque, que contava agora emseu território com as províncias orientais. Apesar do poder que proporcionava governar

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