Tratamento e Reúso de Águas Residuárias - Introdução

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Uma introdução ao tratamento e reuno de águas residuárias.

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Tratamento e Reúso de Águas Residuárias - Introdução

  1. 1. Caracterização e objetivos do tratamento de águas residuárias Gidevaldo Novais - Mestrando http://0.static.wix.com/media/b74d551a0928de78b873aa0982de6b13.wix_mp_1024
  2. 2. Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - UESB" Programa de Pós-graduação em Ciências Ambientais - PPGCA" Turma 2013 Caracterização e objetivos do tratamento de águas residuárias Seminário da disciplina “Tratamento e Reúso de Águas Residuárias”. Profa. D.Sc. Cristiane Martins Veloso
  3. 3. Agenda 1. Introdução; 2. Características físico-químicas e biológicas das águas residuárias; 3. Quantificação das águas residuárias; 4. Objetivos do tratamento das águas residuárias; 5. Tratamento das águas residuárias; 6. Padrão de lançamento e de emissão - Legislação Ambiental.
  4. 4. Introdução •  Água é indispensável às atividades humanas; •  Apresenta valores econômicos, sociais e culturais (MORAN et al.; 1985 apud MIERZWA; HESPANHOL, 2005) e constitui parte importante de todas as matérias do ambiente natural e antrópico (TELLES; COSTA, 2010); •  Observa-se que a disponibilidade da água em qualquer local é variável no tempo e no espaço; •  Razões: •  condições climáticas de cada região e período do ano; •  atividades humanas: seja pela demanda excessiva ou por problemas de poluição resultantes do lançamento de esgotos domésticos e efluentes industriais
  5. 5. Introdução" Gráficos - Distribuição de reservas de água no planeta Fonte: MIERZWA; HESPANHOL, 2005
  6. 6. Introdução •  As formas desordenadas de uso e ocupação de territórios agravam os efeitos das secas e enchentes, atingindo a população e comprometendo suas atividades econômicas. (TELLES; COSTA, 2010);
  7. 7. Introdução •  Para TELLES e COSTA, (2010), são ações que refletem na degradação dos recursos hídricos: •  Coleta e tratamento ineficiente da água residual e consequente lançamento de esgotos não tratados nos corpos de água; •  Destinação inapropriada dos resíduos sólidos; •  Desperdício; •  Sistema de drenagem falho; •  Grande poluição atmosférica; •  Falta de conscientização ambiental da população, empresários e governantes.
  8. 8. Introdução •  A degradação dos recursos hídricos levam a pensar acerca das melhorias que podem ser implementadas para cuidar destes. •  Ao introduzir o tópico qualidade da água, von Sperling (2005, p. 15), reduz a dois, os fatores que devem ser considerados quando se pensa na qualidade da água: •  as condições naturais; •  interferência dos seres humanos.
  9. 9. Introdução Exemplos  de  inter-­‐relação  entre  o  uso  e  a  ocupação  do  solo  e  focos  alteradores  da  qualidade  da  água.  Fonte:  VON  SPERLING,  2005,  p.  16.   Exemplos de inter- relação entre o uso e a ocupação do solo e focos alteradores da qualidade da água. Fonte: VON SPERLING, 2005, p. 16.
  10. 10. Introdução •  Para Von Sperling (2005, p. 16) a qualidade desejável para uma determinada água é função do seu uso previsto , o que o faz definir dois aspectos para a qualidade: •  a) qualidade da água existente: função das condições naturais e do uso e da ocupação do solo na bacia hidrográfica; •  b) qualidade desejável para uma água: função do uso previsto para a água. •  Dentro desta perspectiva, os tratamentos são utilizados para atingir a qualidade desejável para os fins específicos.
  11. 11. Características físico-químicas e biológicas das águas residuárias http://wp.1920x1080.org/wp-content/uploads/2011/11/water-wallpaper-desktop-687414925.jpg
  12. 12. Características físico-químicas e biológicas das águas residuárias • Pela facilidade de modificar a sua qualidade, a água altera seu grau de pureza conforme os diversos componentes que a ela são agregados (TELLES; COSTA, 2010, p. 35).
  13. 13. Características físico-químicas e biológicas das águas residuárias • A impureza é avaliada de acordo com os danos que pode causar, podendo ser considerada como impureza comum ou impureza de características particulares. • A impureza comum está relacionada à natureza, à ocasião de incorporação, à forma de apresentação e aos seus principais efeitos. • (TELLES; COSTA, 2010, p. 35)
  14. 14. Características físico-químicas e biológicas das águas residuárias Adaptado de TELLES; COSTA, 2010, p. 39-40)
  15. 15. Características físico-químicas e biológicas das águas residuárias Adaptado de TELLES; COSTA, 2010, p. 39-40)
  16. 16. Características físico-químicas e biológicas das águas residuárias Adaptado de TELLES; COSTA, 2010, p. 39-40)
  17. 17. Características físico-químicas e biológicas das águas residuárias Adaptado de TELLES; COSTA, 2010, p. 39-40)
  18. 18. Características físico-químicas e biológicas das águas residuárias • Os diversos componentes presentes na água, e que alteram o seu grau de pureza, podem ser retratados, de forma ampla e simplificada, em termos de: • características físicas; • características químicas; • características biológicas.
  19. 19. Características físico-químicas e biológicas das águas residuárias
  20. 20. Características físico-químicas e biológicas das águas residuárias
  21. 21. Principais características físicas dos esgotos domésticos. Parâmetro Descrição Temperatura •  Ligeiramente superior à da água de abastecimento; •  Variação conforme as estações do ano (mais estável que a temperatura do ar); •  Influência na atividade microbiana; •  Influência na solubilidade dos gases; •  Influência na velocidade de reações químicas; •  Influência na viscosidade do líquido. Cor •  Esgoto fresco: ligeiramente cinza; •  Esgoto séptico: cinza escuro ou preto. Odor •  Esgoto fresco: odor oleoso, relativamente desagradável; •  Esgoto séptico: odor fétido (desagradável), devido ao gás sulfídrico e a outros produtos da decomposição; •  Despejos industriais: odores característicos. Turbidez •  Causada por uma grande variedade de sólidos em suspensão; •  Esgotos mais frescos ou mais concentrados: geralmente maior turbidez Fonte: VON SPERLING, 2005, adaptado de QASIM, 1985
  22. 22. Características físico-químicas e biológicas das águas residuárias
  23. 23. Principais características químicas dos esgotos domésticos. (1/4) Parâmetro Descrição Sólidos Totais Orgânicos e inorgânicos; suspensos e dissolvidos; sedimentáveis Em suspensão •  Fração dos sólidos orgânicos e inorgânicos que são retidos em filtros de papel com aberturas de dimensões padronizadas (0,45 a 2,0 µm). •  Fixos - componentes minerais, não incineráveis, inertes, dos sólidos em suspensão. •  Voláteis - componentes orgânicos dos sólidos em suspensão. Dissolvidos •  Fração dos sólidos orgânicos e inorgânicos que não são retidos em filtros de papel descritos acima. No teste laboratorial, englobam também os sólidos coloidais. •  Fixos - componentes minerais dos sólidos dissolvidos. •  Voláteis - componentes orgânicos dos sólidos dissolvidos. Sedimentáveis •  Fração dos sólidos orgânicos e inorgânicos que sedimenta em 1h no cone de Imhoff. Indicação aproximada da sedimentação em um tanque de decantação. Fonte: VON SPERLING, 2005, adaptado de ARCEIVALA (1981), QASIM (1985), METCALF & EDDY (1991)
  24. 24. Principais características químicas dos esgotos domésticos. (2/4) Parâmetro Descrição Matéria Orgânica Mistura heterogênea de diversos compostos orgânicos. Principais componentes: proteínas, carboidratos e lipídios. Determinação indireta •  DBO5 - Demanda Bioquímica de Oxigênio. Medida a 5 dias, 20ºC. Está associada à fração biodegradável dos componentes orgânicos carbonáceos. É uma medida do oxigênio consumido após 5 dias pelos microrganismos na oxidação bioquímica da matéria orgânica. •  DQO - Demanda Química de Oxigênio. Representa a quantidade de oxigênio requerida para estabilizar quimicamente a matéria orgânica carbonácea. Utiliza fortes agentes oxidantes (dicromato de potássio) em condições ácidas. •  DBO Última - Demanda Última de Oxigênio. Representa o consumo total de oxigênio, ao final de vários dias, requerido pelos microrganismos para a oxidação bioquímica da matéria orgânica. Determinação direta •  COT - Carbono Orgânico Total. É uma medida direta da matéria orgânica carbonácea. É determinado através da conversão do carbono orgânico a gás carbônico. Fonte: VON SPERLING, 2005, adaptado de ARCEIVALA (1981), QASIM (1985), METCALF & EDDY (1991)
  25. 25. Principais características químicas dos esgotos domésticos. (3/4) Parâmetro Descrição Nitrogênio Total O nitrogênio total inclui o nitrogênio orgânico, amônia, nitrito e nitrato. É um nutriente indispensável para o desenvolvimento dos microrganismos no tratamento biológico. O nitrogênio orgânico e a amônia compreendem o denominado Nitrogênio Total Kjeldahl (NTK) Nitrogênio orgânico •  Nitrogênio na forma de proteínas, aminoácidos e uréia. Amônia •  Produzida como primeiro estágio da decomposição do nitrogênio orgânico. Nitrito •  Estágio intermediário da oxidação da amônia. Praticamente ausente no esgoto bruto. Nitrato •  Produto final da oxidação da amônia. Praticamente ausente no esgoto bruto. Fonte: VON SPERLING, 2005, adaptado de ARCEIVALA (1981), QASIM (1985), METCALF & EDDY (1991)
  26. 26. Principais características químicas dos esgotos domésticos. (4/4) Parâmetro Descrição Fósforo • F. orgânico • F. inorgânico O fósforo total existe na forma orgânica e inorgânica. É um nutriente indispensável no tratamento biológico. • Combinado à matéria orgânica; • Ortofosfato e polifosfatos pH Indicador das características ácidas ou básicas do esgoto. Uma solução é neutra em pH 7. Os processos de oxidação biológica normalmente tendem a reduzir o pH. Alcalinidade Indicador da capacidade tampão do meio (resistências às variações do pH). Devido à presença de bicarbonato, carbonato e íon hidroxila. Cloretos Provenientes da água de abastecimento e dos dejetos humanos. Óleos e graxas •  Fração da matéria orgânica solúvel em hexanos. Nos esgotos domésticos, as fontes são óleos e gorduras utilizados nas comidas. Fonte: VON SPERLING, 2005, adaptado de ARCEIVALA (1981), QASIM (1985), METCALF & EDDY (1991)
  27. 27. Características físico-químicas e biológicas das águas residuárias
  28. 28. Principais características biológicas dos esgotos domésticos. • Em termos da avaliação da qualidade da água, os microrganismos assumem um papel de grande importância dentre os os seres vivos, devido à: • sua grande predominância dentre os seres vivos; • sua grande predominância em determinados ambientes; • sua atuação nos processos de depuração dos despejos; • sua associação com as doenças ligadas à água.
  29. 29. Principais microrganismmos de interesse na Engenharia Ambiental. Microrganismos Descrição Bactérias •  Organismos unicelulares. •  Apresentam-se em várias formas e tamanhos. •  São os principais responsáveis pela conversão da matéria orgânica. •  Algumas bactérias são patogênicas, causando principalmente doenças intestinais. Arqueobactérias (archaea) •  Similares às bactérias em tamanho e componentes celulares básicos. •  A parede celular, material celular e composição do RNA são diferentes. •  Importantes nos processos anaeróbios. Algas •  Organismos autotróficos, fotossintetizantes, contendo clorofila. •  Importantes na produção de oxigênio nos corpos d água e em alguns processos de tratamento de esgotos. •  Em lagos e represas, podem proliferar em excesso, causando uma deterioração da qualidade da água. Fungos •  Organismos predominantemente aeróbios, uni ou multicelulares, não fotossintéticos, heterotróficos. •  Também de importância na decomposição de matéria orgânica. •  Podem crescer em condições de baixo pH. Fonte: VON SPERLING, 2005, adaptado de SILVA & MARA (1979), TCHOBANOGLOUS e SCHROEDER (1985), METCALF & EDDY (1991)
  30. 30. Principais microrganismmos de interesse na Engenharia Ambiental. Microrganismos Descrição Protozoários •  Organismos unicelulares sem parede celular. •  A maioria é aeróbia ou facultativa. •  Alimentam-se de bactérias, algas e outros microrganismos. •  São essenciais no tratamento biológico para a manutenção de um equilíbrio entre os diversos grupos. •  Alguns são patogênicos. Vírus •  Organismos parasitas, formados pela associação de material genético (DNA ou RNA) e uma carapaça protéica. •  Causam doenças e podem ser de difícil remoção no tratamento da água ou do esgoto. Helmintos •  Animais superiores. •  Ovos de helmintos presentes nos esgotos podem causar doenças. Fonte: VON SPERLING, 2005, adaptado de SILVA & MARA (1979), TCHOBANOGLOUS e SCHROEDER (1985), METCALF & EDDY (1991)
  31. 31. Quantificação das águas residuárias http://missearthsa.co.za/blog/wp-content/uploads/2012/02/Water-in-a-Bubble.jpg
  32. 32. Quantificação das águas residuárias • Esgotamento Sanitário - um resumo Esgotamento Sanitário Sistema Individual Sistema Coletivo Fonte: adaptado de von SPERLING, 2005
  33. 33. Quantificação das águas residuárias • Tipos de Esgotamento Sanitário • Sistema individual ou sistema estático - solução no local, individual ou para poucas residências. • Sistema coletivo ou sistema dinâmico - solução com afastamento dos esgotos da área servida.
  34. 34. Quantificação das águas residuárias • Sistemas individuais - pressupõem a solução no local, sendo comumente adotados para atendimento unifamiliar, embora possa atender um certo número de famílias próximas entre si. Fonte: von SPERLING, 2005
  35. 35. Quantificação das águas residuárias •  Sistemas coletivos - indicados para locais com alta densidade populacional. Fonte: von SPERLING, 2005
  36. 36. Quantificação das águas residuárias • Esgotamento Sanitário - um resumo Esgotamento Sanitário Sistema Individual Sistema Coletivo Sistema Unitário Sistema Separador Fonte: adaptado de von SPERLING, 2005
  37. 37. Quantificação das águas residuárias Sistema Combinado http://aquafluxus.com.br/wp-content/uploads/2012/02/sistema-unitario1.jpg
  38. 38. Inconvenientes do sistema combinado •  custos iniciais elevados; •  grandes dimensões das canalizações; •  riscos de refluxo do esgoto sanitário para o interior das residências, por ocasião das cheias; •  as ETEs não podem ser dimensionadas para tratar toda a vazão que é gerada no período das chuvas (extravasamento sem tratamento); •  possível ocorrência de mau cheiro proveniente de bocas de lobo e demais pontos do sistema; •  o regime de chuvas torrencial no país demanda tubulações de grande diâmetros, com capacidade ociosa no período seco. (VON SPERLING, 2005, p. 55)
  39. 39. Quantificação de águas residuárias Sistema Separador http://aquafluxus.com.br/wp-content/uploads/2012/02/sistema-separador.jpg
  40. 40. Vantagens dos sistema separador •  afastamento das águas pluviais facilitado; •  menores dimensões das canalizações de coleta e afastamento das águas residuárias; •  possibilidade do emprego de diversos materiais para as tubulações de esgotos, tais como tubos cerâmicos, de concreto, PVC ou, em casos especiais, ferro fundido; •  redução dos custos e prazos de construção; •  possível planejamento de execução das obras por partes, considerando a importância para a comunidade e possibilidades de investimentos; •  melhoria das condições de tratamento dos esgotos sanitários; •  não ocorrência de extravasão dos esgotos nos períodos de chuva intensa. (VON SPERLING, 2005, p. 55)
  41. 41. Quantificação das águas residuárias • Esgotamento Sanitário - um resumo Esgotamento Sanitário Sistema Individual Sistema Coletivo Sistema Unitário Sistema Separador Sistema Convencional Sistema Simplificado Fonte: adaptado de von SPERLING, 2005
  42. 42. Quantificação das águas residuárias • Os esgotos oriundos de uma cidade e que contribuem à estação de tratamento de esgotos são basicamente originados de três fontes distintas: • esgotos domésticos (incluindo residências, instituições e comércio); • águas de infiltração; • despejos industriais (diversas origens e tipos de indústrias).
  43. 43. Quantificação das águas residuárias •  Vazão doméstica •  engloba usualmente os esgotos oriundos dos domicílios, bem como de atividades comerciais e institucionais componentes de uma localidade; •  é calculada com base no consumo de água da respectiva localidade; •  o consumo é em função da população e do valor atribuído para consumo médio diário, chamado de Quota Per Capita - QPC; •  são itens necessários para a estimativa de vazão: estudos populacionais, as estimativas do consumo de água e da produção de esgotos, e as variações de vazão.
  44. 44. Quantificação das águas residuárias Estudos populacionais Índice de atendimento •  Condicionantes físicas, geográficas ou topográficas da localidade; •  Índice de adesão; •  Etapas de implantação da rede coletora; •  Etapas de implantação dos interceptores. Projeção populacional População flutuante •  crescimento aritmético; •  crescimento geométrico; •  regressão multiplicativa; •  taxa decrescente de crescimento; •  curva logística; •  comparação gráfica entre cidades similares; •  método da razão e correlação; •  previsão com base nos empregos e serviços. •  ocupação normal; •  ocupação de férias (duração de 1 a 2 meses); •  ocupação em feriados (fim de ano, Carnaval, Semana Santa)
  45. 45. " Métodos projeção populacional com base em fórmulas matemáticas Fonte: VON SPERLING, 2005, p. 60
  46. 46. Quantificação das águas residuárias Consumo médio Fator de influência Comentário Disponibilidade de água Em locais de escassez de água o consumo tende a ser menor. Clima Climas mais quentes induzem a um maior consumo. Porte da comunidade Cidades maiores geralmente apresentam maior QPC Condições econômicas da comunidade Um melhor nível econômico associa-se a um maior consumo. Grau de industrialização Localidades industrializadas apresentam maior consumo Medição do consumo residencial A presença de medição inibe um maior consumo Custo da água Um custo mais elevado reduz o consumo. Pressão da água Elevada pressão no sistema de distribuição induz a maiores gastos. Fonte: VON SPERLING, 2005, p. 70
  47. 47. Quantificação das águas residuárias •  Campos e von Sperling (1995) obtiveram, em uma pesquisa associada a esgotos essencialmente domiciliares, oriundos de nove sub-bacias de BH e Contagem (MG), uma relação entre a QPC de água consumida e o rendimento familiar médio mensal (em número de salários mínimos).
  48. 48. Quantificação das águas residuárias •  Vazão média de esgotos •  De maneira geral, a produção de esgotos corresponde aproximadamente ao consumo de água. •  A fração de esgotos que adentra a rede de coleta pode variar - porque pode ser incorporada a rede pluvial: rego de jardins, lavagem de carros etc. •  Outros fatores: •  --> ligações clandestinas dos esgotos à rede pluvial; •  --> ligações clandestinas de água pluvial na rede de esgotos; •  --> infiltração.
  49. 49. Quantificação das águas residuárias • A fração de água que adentra a rede de coleta na forma de esgoto é denominada coeficiente de retorno (R); • seus valores típicos variam de 40% a 100%, sendo adotado usualmente o valor 80% (R=0,8); • Em pequenas comunidades pode atingir os menores valores, 40% O cálculo da vazão doméstica média de esgotos é dado por: •  Qdmédia = vazão média de esgotos •  QPC = quota per capita de água •  R = coeficiente de retorno esgoto/água
  50. 50. Quantificação das águas residuárias • O consumo de água e a geração de esgotos em uma localidade variam: • ao longo do dia - variações horárias; • ao longo da semana - variações diárias; • ao longo do ano - variações sazonais.
  51. 51. Quantificação das águas residuárias •  Tem sido prática corrente a adoção dos seguintes coeficientes de variação da vazão média de água: •  K1 = 1,2 (coeficiente do dia de maior consumo); •  K2 = 1,5 (coeficiente da hora de maior consumo); •  K3 = 0,5 (coeficiente da hora de menor consumo); •  Assim, as vazões máxima e mínima de água podem ser dadas pelas fórmulas:
  52. 52. Quantificação das águas residuárias •  Vazão da infiltração •  A infiltração no sistema de esgotamento ocorre através de tubos defeituosos, conexões, juntas ou paredes de poços de visita; •  A quantidade de água infiltrada depende de diversos fatores; •  Quando não se tem dados locais específicos disponíveis, a taxa de infiltração é normalmente expressa em termos de vazão por extensão de rede ou por área servida; •  A NBR 9649 cita a faixa de 0,05 a 1,0 L/s.km (deve-se justificar o valor adotado); •  Alguns autores apresentam a faixa de 0,01 a 1,0m3/d.km por mm, que está em função do diâmetro da tubulação.
  53. 53. Quantificação das águas residuárias • Pode-se ainda considerar a extensão de rede (arruamento e o lançamento); • Baseados em dados relativos às variáveis consideradas, pode-se obter vazões de infiltração per capita na faixa de 8 a 150 L/hab.d, excluindo os valores extremos; • No cálculo da vazão total afluente à ETE, pode-se considerar, para condições de vazão média e máxima, o valor médio de infiltração. • Para condições de vazão mínima, pode-se excluir a infiltração
  54. 54. Quantificação das águas residuárias • Vazão industrial • A vazão de águas residuárias industriais é função precípua de: • tipo e porte da indústria; • processo; • grau de reciclagem; • adoção de práticas de conservação da água; • existência de pré-tratamento etc; • No caso de uma indústria, considerada representativa, é necessária uma avaliação adequada, pois pode exercer grande influência no projeto da ETE.
  55. 55. Quantificação das águas residuárias •  Com relação ao consumo de água e à geração de despejos, deve-se obter, pelo menos, as seguintes informações das indústrias principais: Consumo de água Produção de despejos volume consumido total (por dia ou mês) vazão total volume consumido nas diversas etapas do processamento número de pontos de lançamentos (com a etapa do processo associada a cada ponto) recirculações internas regime de lançamento (contínuo ou intermitente; duração e frequência) de cada ponto de lançamento origem da água (abastecimento público, poços etc.) pontos de lançamentos (rede coletora, curso d água) eventuais sistemas de tratamento da água internos eventual mistura dos despejos com esgotos domésticos e águas pluviais Fonte: VON SPERLING, 2005, p. 82
  56. 56. Objetivos de tratamento das águas residuárias
  57. 57. Objetivos do tratamento das águas residuárias •  Para Richter ( 1991) o tratamento de água pode ser feito para atender a várias finalidades: Finalidade Comentário Higiênicas Remoção de bactérias, protozoários, vírus e outros microrganismos, de susbstâncias venenosas ou nocivas, redução do excesso de impurezas e dos teores elevados de compostos orgânicos. Estéticas Correção de cor, odor e sabor. Econômicas Redução de corrosividade, dureza, cor, turbidez, ferro, manganês, odor e sabor
  58. 58. Tratamento das águas residuárias
  59. 59. Tratamento das águas residuárias •  O tratamento do esgoto (ou água servida) se resume na busca eficiente da remoção dos poluentes nele contidos; •  Baseia-se em parâmetros normatizados e varia de acordo com: •  volume a ser tratado, •  finalidade; •  nível de processamento; •  qualidades originais e pretendidas; •  local de lançamento ou reaproveitamento. TELLES; COSTA, 2010
  60. 60. Tratamento das águas residuárias • A composição do esgoto é dada por: • 99,9% de água; • 0,1% de impurezas. • Um processo de tratamento de esgoto convencional possui duas fases: • fase líquida - correspondente ao fluxo principal do líquido na ETE. Busca-se, basicamente, remover os sólidos presentes no esgoto, clarificando o efluente final; • fase sólida - do lodo retirado. TELLES; COSTA, 2010
  61. 61. Tratamento das águas residuárias Remoção dos sólidos presentes Remoção da matéria orgânica biodegradável, contida nos sólidos finamente particulados e dissolvidos dos grosseiros por gradeamento, da areia nas caixas de areia, de óleos e graxas e sólidos s e d i m e n t á v e i s ( p o r gravidade) nas unidades d e s e d i m e n t a ç ã o primária; Remoção de patogênicos Remoção de Nitrogênio em lagoas de maturação, por disposição no solo ou por diversas formas de desinfecção; lagoas aeradas, lagoas de estabilização, lodos ativados, filtros biológicos, filtros anaeróbios de fluxo ascendente, reatorea anaeróbios de fluxo ascendente; Remoção de Fósforo p o r n i t r i fi c a ç ã o e desnitrificação biológica, disposição no solo ou por processos físico- químicos; por processos biológicos ou físico-químicos ou por disposição no solo. adaptado de TELLES; COSTA, 2010
  62. 62. Tratamento das águas residuárias • Do tratamento resulta um concentrado de poluentes mais água, denominado lodo ; • Para seu acondicionamento é necessário outro procedimento - o chamado tratamento de sólidos ou fase sólida; • o objetivo é reduzir o volume e neutralizar os efeitos nocivos e impactantes, de forma a melhor destinar o seu descarte e/ou aproveitamento. TELLES; COSTA, 2010
  63. 63. Tratamento das águas residuárias •  Todo tratamento de esgoto deve satisfazer a legislação que regula a qualidade do efluente final e do corpo receptor; •  É indispensável considerar os padrões permitidos para: •  lançamento; •  a classificação dos rios; •  a qualidade final requerida após o lançamento; •  o estudo de impactos. •  Atentando sempre para: •  as normas; •  as resoluções; •  os decretos; •  as leis estaduais e as federais. TELLES; COSTA, 2010
  64. 64. Padrão de lançamento e de emissão - Legislação Ambiental http://wp.1920x1080.org/wp-content/uploads/2011/11/water-wallpaper-desktop-1061586423.jpg
  65. 65. Padrão de lançamento e de emissão - Legislação Ambiental • Além dos requisitos de qualidade - há necessidade de se estabelecer padrões de qualidade, com embasamento legal; • Os padrões nacionais são definidos por cada país - pode também padrões regionais; • Diretrizes ou recomendações são propostas - ex. OMS; • Da mesma forma que os requisitos, os padrões e as recomendações devem ser função do uso previsto para a água. VON SPERLING, 2005
  66. 66. Legislação Ambiental - Resoluções CONAMA Resolução Ano Comentário Nº 020 1986 Estabelece classificação das águas, doces, salobras e salinas do Território Nacional Nº 274 2000 Revoga os Arts. 26 a 34 da Resolução nº 020/1986. Define os critérios de balneabilidade em águas brasileiras. Nº 357 2005 Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. Nº 370 2006 Prorroga o prazo para complementação das condições e padrões de lançamento de efluentes, previsto no art. 44 da Resolução no 357, de 17 de março de 2005. Nº 393 2007 Dispõe sobre o descarte contínuo de água de processo ou de produção em plataformas marítimas de petróleo e gás natural, e dá outras providências. Nº 396 2008 Dispõe sobre a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento das águas subterrâneas e dá outras providências. Nº 397 2008 Altera o inciso II do § 4o e a Tabela X do § 5o do art. 34 da Resolução CONAMA no 357/05 e acrescenta os §6o e 7o Nº 410 2009 Altera o art. 44 da Resolução no 357/2005 e o art. 3o da Resolução no 397/2008. Nº 430 2011 Dispõe sobre as condições e padrões de lançamento de efluentes, complementa e altera a Resolução no 357/2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente -CONAMA.
  67. 67. Legislação Ambiental - Resoluções CONAMA Resolução Ano Comentário Nº 020 1986 Estabelece classificação das águas, doces, salobras e salinas do Território Nacional Nº 274 2000 Revoga os Arts. 26 a 34 da Resolução nº 020/1986. Define os critérios de balneabilidade em águas brasileiras. Nº 357 2005 Dispõe sobre a classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enquadramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento de efluentes, e dá outras providências. Nº 370 2006 Prorroga o prazo para complementação das condições e padrões de lançamento de efluentes, previsto no art. 44 da Resolução no 357, de 17 de março de 2005. Nº 393 2007 Dispõe sobre o descarte contínuo de água de processo ou de produção em plataformas marítimas de petróleo e gás natural, e dá outras providências. Nº 396 2008 Dispõe sobre a classificação e diretrizes ambientais para o enquadramento das águas subterrâneas e dá outras providências. Nº 397 2008 Altera o inciso II do § 4o e a Tabela X do § 5o do art. 34 da Resolução CONAMA no 357/05 e acrescenta os §6o e 7o Nº 410 2009 Altera o art. 44 da Resolução no 357/2005 e o art. 3o da Resolução no 397/2008. Nº 430 2011 Dispõe sobre as condições e padrões de lançamento de efluentes, complementa e altera a Resolução no 357/2005, do Conselho Nacional do Meio Ambiente -CONAMA.
  68. 68. Padrão de lançamento e de emissão - Legislação Ambiental • Além dos padrões de qualidade dos corpos receptores, a Resolução CONAMA apresenta ainda padrões para lançamento de efluentes nos corpos d água (padrões de descarga ou de emissão); • Ambos estão de certa forma inter-relacionados; • O real objetivo é a preservação da qualidade do corpo d água; • O inter-relacionamento se dá no sentido de garantir simultaneamente o atendimento aos padrões de lançamento e também do corpo receptor.
  69. 69. Padrão de lançamento e de emissão - Legislação Ambiental • Duas situações podem ocorrer: • Efluente satisfaz padrão de lançamento, mas não do corpo receptor - as características dos padrões de lançamento deverão ser tais que atendam ao padrão do corpo receptor - ou seja, deverá ser mais restritiva; • Efluente não satisfaz os padrões de lançamento, mas satisfaz os padrões do corpo receptor - o órgão ambiental poderá autorizar lançamentos com valores acima dos padrões de lançamento.
  70. 70. Referências •  CONAMA, Resoluções do Conama: resoluções vigentes publicadas entre setembro de 1984 e janeiro de 2012. Ministério do Meio Ambiente. Brasília: MMA, 2012. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/port/conama/processos/61AA3835/LivroConama.pdf>. Acesso em 15.09.2013 •  MIERZWA, José Carlos; HESPANHOL, Ivanildo. Água na indústria: uso racional e reúso. São Paulo: Oficina de Textos, 2005. •  RICHTER, Carlos A.; AZEVEDO NETTO, José M. de. Tratamento de água: tecnologia atualizada. São Paulo: Edgard Blücher, 1991 •  TELLES, Dirceu D Alkmin; COSTA, Regina Pacca (coord.). Reúso da água: conceitos, teorias e práticas. 2 ed. rev., atual. e ampl. São Paulo: Blucher, 2010. •  VON SPERLING, Marcos. Introdução à qualidade das águas e ao tratamento de esgotos. 3 ed. Belo Horizonte: DESA UFMG, 2005. vol. 1
  71. 71. Continua...

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