Santidade pessoal em tempos de tentação bruce wilkinson(1)

1.896 visualizações

Publicada em

Publicada em: Espiritual
0 comentários
6 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
1.896
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
4
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
185
Comentários
0
Gostaram
6
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Santidade pessoal em tempos de tentação bruce wilkinson(1)

  1. 1. SANTIDADE PESSOAL EM TEMPOS DE TENTAÇÃO Bruce H. Wilkinson São Paulo: Mundo Cristão, 2002. Por mais de vinte anos, tenho servido ao Senhor lado a lado com o mais extraordinário grupo de líderes comprometidos e piedosos que já conheci: a equipe Executiva do Ministério Através da Bíblia. Esses líderes servos fizeram, com fé, do MAB a obra ampla e eficiente que é hoje, por meio da oração fervorosa, do trabalho extenuante, da liderança inovadora e administração diligente. Juntos, vimos o Senhor multiplicar nosso trabalho, de forma que o MAB realiza anualmente mais de 10 mil seminários sobre a Bíblia e treinamentos ao redor do mundo; publica dez guias de devocional por mês (recentemente ultrapassamos a marca de 100 milhões de exemplares); distribui inúmeros cursos em vídeo para milhares de igrejas e dezenas de denominações, organizações cristãs e missões; transmite o programa de televisão MAB para milhares de lares todas as semanas; ministra à crescente equipe de apoio do MAB, por intermédio do Conselho do Presidente e da Equipe de Oração; atualmente ministra ativamente em mais de 70 países, em 50 idiomas. Sempre que estou perto desses homens e mulheres formidáveis, meu coração bate mais forte pelo Senhor e seu chamado para pregarmos sua Palavra a todo mundo para que haja transformação de vidas. Sempre que estou com esses líderes piedosos, meu coração fica mais resoluto para seguir adiante com o compromisso de “ser santo, porque eu [Deus] sou santo”. Quando pensei a quem este livro deveria ser dedicado, encontrei-me diante de apenas uma opção – agradecer à Equipe Executiva do Ministério Através da Bíblia pela honra de servir ao Senhor a seu lado, para a glória dele.
  2. 2. SUMÁRIO Agradecimentos Eu? Santo? PARTE UM: VOLTANDO SEU CORAÇÃO PARA A SANTIDADE 1. Santidade pessoal 2. A santidade da salvação 3. Apresentar-se a Deus 4. Quero ser mais parecido com Cristo PARTE DOIS: VITÓRIA SOBRE A TENTAÇÃO 5. Como crescer em santidade 6. A verdade sobre as tentações 7. Ferramentas para a vitória 8. A pior tentação em nossa cultura PARTE TRÊS: DESENVOLVENDO HÁBITOS SANTOS 9. Buscando a santidade 10. Os hábitos fundamentais da santidade 11. O hábito do diário 12. Avançando na santidade AGRADECIMENTOS À medida que a última página deste livro saía de minha fiel impressora jato de tinta, alguns minutos atrás, senti o imenso peso que todo escritor conhece muito bem ser tirado de meus ombros. Como é bom finalmente poder dizer: “Terminei!” A próxima emoção que senti foi uma profunda gratidão por aqueles que correram a meu lado nesta grande corrida, ou que torciam das laterais. A equipe da Harvest House, sob a soberba liderança de Bob Hawkins, demonstrou excelência em todas as fases – é um prazer trabalhar com essa editora! O editor sênior hip MacGregor orientou e liderou em todo o processo de publicação de modo formidável. Seus conhecimentos, encorajamento genuíno e identificação provaram ser uma luz-guia em todo o processo. Obrigado, hip – é um verdadeiro prazer trabalhar com você! Carolyn McCready, Julie McKinney e Bill Jensen, todos cooperaram com seus conhecimentos, pelo que sou imensamente grato. Na fonte deste livro está um pequeno grupo de amigos que sempre me incentivaram a publicar esses conceitos. Sem Bill Watson, Jill Milligan, Jim Kinney, John Nill, Bob Westfall, Terry Sparks, Phil Tuttle, Frank Wilson e Norm Clinkscales, este livro só estaria disponível numa série de vídeos! Sou muitíssimo grato à diretoria do ministério Através da Bíblia, que há muito tempo me desincumbiu das responsabilidades operacionais para me concentrar na agradável tarefa de desenvolver novos e criativos seminários bíblicos, vídeos e livros – este livro tem profundas raízes no sonho dos vinte anos. Obrigado a Paul Johnson, Robert Boyd, Howard Hendricks, John Van Diest e John Isch. Àqueles que trabalharam sob a pressão dos cronogramas, aos que tiveram que reescrever e revisar as provas, sempre reservamos nossa mais profunda apreciação e afeição. Para minha família, que permaneceu fiel a meu lado durante as horas intermináveis que passei sentado diante do computador – obrigado Darlene e Jéssica por me compartilharem com este livro. Jamais poderia tê-lo feito sem a compreensão, a paciência e as orações de vocês. Agora tudo o que resta é seguir as antigas palavras do monge do século XV: “O livro está terminado! Que o escritor brinque!” EU? SANTO? Imagine-se fazendo uma entrevista para o emprego de seus sonhos. Você foi bem em todo o processo de seleção, e hoje é o teste final: uma entrevista com o presidente. Depois de uma conversa simples, ele faz uma pergunta inesperada: “Se você tivesse de descrever-se com apenas cinco palavras, quais seriam elas?”
  3. 3. Seu coração palpita enquanto pensa na melhor resposta – como alguém pode fazer um resumo de si mesmo em apenas cinco palavras? À medida que você se concentra para responder, nota que o presidente pega em cima da mesa uma pequena pilha de cartões, com lista de palavras em cada um. Vendo seu desconforto, ele mexe lentamente nos cartões e diz: “Não seja tão duro consigo mesmo, apenas escolha cinco palavras. Nosso departamento pessoal já fez essa mesma pergunta a vários amigos seus, parentes e alguns ex-colegas de trabalho. Estamos curiosos para ver se sua resposta corresponde ao modo como todos o vêem”. Reflita por um momento. Que palavras outras pessoas usariam para descrevê-lo? Se o presidente permitisse que você olhasse os carões, o que encontraria neles? Será que algumas daquelas pessoas colocariam a palavra “piedoso” entre as cinco? Você escolheria a palavra “santa” para descrever sua vida? Se você é como a maioria das pessoas, a idéia de chamar a si próprio de santo jamais passou por sua mente. O conceito de ser “santo” parece ser uma daquelas qualidades reservadas para as manhãs de domingo e para descrever missionários e servos de Deus – não pessoas como você e eu. Recentemente, num sábado de manhã, fiz esta experiência com um grupo de homens de minha igreja. Depois de pedir que escolhessem as cinco palavras que melhor descrevessem sua vida, perguntei se alguém tinha incluído “santo”. A resposta foi um silêncio embaraçoso. Alguns se mexeram na cadeira, outros cruzaram os braços e a maioria olhou para os lados, evitando encarar alguém na sala. Quando perguntei por que se sentiram desconfortáveis descrevendo-se como santos, os homens não tiveram dificuldade de explicar as razões: “Ser santo é para pregadores! Eu usaria essa palavra para descrever mártires e missionários e não a mim mesmo! É para santos, não pecadores. Pode ser que eu seja santo depois de morrer, mas por enquanto sou apenas uma pessoa normal”. Para as “pessoas normais”, a santidade existe em algum lugar “longe” – com santos empoeirados, distantes e mortos; não estão por aí calçando botas, dirigindo caminhões e trabalhando das 8 às 17 horas. Para entender melhor a atitude desses homens com relação à santidade, pedi a eles que descrevessem uma pessoa santa. Os exemplos que me deram foram: “A santidade é uma pessoa severa, de roupas escuras e meias pretas, de passos rígidos – mulheres usando espartilhos apertados!”; “As pessoas que se descreveriam como ‘santas’ vivem com dificuldades, com problemas ocultos, carregam enormes Bíblias pretas por toda parte para lembrá-las do que não devem fazer.”; “Ser santo é viver no vale do ‘NÃO’ – não para tudo aquilo que possui cor, alegria, espontaneidade, humor, variedade e criatividade; não para o futebol, música com ritmo e para o filé enorme e suculento!” Um dos homens, o mais engraçado do grupo, respondeu: “Santidade é como aquela velha pintura da casa dos velhos, de pé ao lado do celeiro, com expressão severa e segurando um ancinho!”. Quando terminou, todos irromperam em gargalhadas, porque sua resposta descrevia o que todos tinham em mente. Definimos santidade com palavras como sóbrio, triste, entediante, severo e super religioso, mas não a definimos com algo real ou recente. Quanto mais eu ouvia as respostas naquela manhã, mais compreendia por que ninguém colocou “santo” na lista de cinco palavras. Quem quer permanecer rígido, de olhar severo, com um ancinho na mão? QUAL É SEU “QUOCIENTE DE ATRAÇÃO” DE SANTIDADE? Quanto mais eu pesquisava, mais preocupado ficava. Sabia que aqueles homens não eram os únicos – de fato, tiveram a reação normal ao serem chamados de “santo”. Santidade parece ser um elemento da geração passada, alegremente descartado. As pessoas parecem aliviadas por verem que finalmente a santidade está enterrada no passado distante, e a maioria não deseja voltar para desenterrar seus restos gastos e indesejáveis. Pense em você mesmo por alguns instantes... sente-se atraído pela idéia de santidade? No mundo empresarial, os especialistas em marketing descrevem o sentimento de uma pessoa em relação a alguma coisa como Quociente de Atração (QA), utilizando uma escala de 1 a 100. Quanto mais uma pessoa se sente atraída a um produto ou conceito, maior é o seu QA; quanto mais a pessoa evita o produto ou conceito, menor é seu QA. Agora imagine que a Empresa de Marketing Santidade contratou você para pesquisar o Quociente de Atração de santidade. Em primeiro lugar você pesquisa como as pessoas que vivem num raio de um quilômetro de sua casa se sentem com relação à santidade; segundo, você afunila mais a pesquisa, restringindo-a àqueles que são membros de igrejas e estabelece o QA médio entre eles. Por último, você faz uma pesquisa comparativa do QA das três últimas gerações. Qual você imagina que será o resultado? Qual o QA de sua geração com relação à santidade? E da geração de seus pais? E da de seus avós? Qual é a tendência – as pessoas estão mais ou menos atraídas pela santidade? Agora digamos que a Empresa de Marketing Santidade deseja saber se existe alguma relação clara entre santidade e qualidade de vida. Ou seja, à medida que a santidade declina rapidamente, o que acontece com as bases da sociedade? Por exemplo:
  4. 4. 1. Com o declínio da santidade, qual é a tendência nos casamentos e nas famílias? O índice de divórcios aumenta ou diminui? O relacionamento entre pais e filhos se fortalece ou enfraquece? Os abusos tornam-se mais ou menos freqüentes? 2. Com o declínio da santidade, qual é a tendência na vida das crianças? A juventude torna-se mais honesta, íntegra, disciplinada e respeitosa? Ou mais desonesta, egoísta e sem respeito pela autoridade? 3. Com o declínio da santidade, qual é a tendência na mídia? Os filmes, programas de TV e de rádio e revistas promovem valores sólidos, fidelidade sexual e integridade nos relacionamentos e negócios? Ou estão promovendo imoralidade sexual, a ganância e a violência? 4. Com o declínio da santidade, qual é a tendência na população carcerária? A porcentagem de condenações, a idade média dos detentos e o nível de violência na sociedade aumenta ou diminui? 5. Com o declínio da santidade, qual é a tendência nas moléstias físicas?Há mais pessoas saudáveis ou doentes? Os distúrbios psicológicos aumentam ou diminuem? Os indivíduos usam mais ou menos drogas para escapar dos problemas? 6. Com o declínio da santidade, qual é a tendência na moral da sociedade? As pessoas se sentem mais seguras? Nossas cidades são lugares mais seguros? O alcoolismo e a dependência de drogas aumentam ou diminuem? Os processos por direitos civis tornam-se mais ou menos predominantes? 7. Com o declínio da santidade, qual é a tendência na qualidade geral de vida? As pessoas têm uma vida mais equilibrada, com mais paz e contentamento? A bondade e a boa vontade entre os homens tornam-se mais ou menos prevalecentes? O que você descobriu? As tendências são inquestionáveis. Embora você tenha relacionado o conceito de “santidade” com casamento, família, mídia, moléstias físicas, bem-estar psicológico, vícios, imoralidade e qualidade de vida, a Bíblia não apenas faz essa conexão como também repetidamente apresenta uma relação inquestionável de causa e efeito entre santidade e os aspectos da vida cotidiana. Com base nessa verdade, você consegue agora começar a enxergar o resultado devastador da atitude negativa geral com relação à santidade? REPOSICIONANDO A SANTIDADE Anos atrás, uma das palavras da moda no mundo empresarial era “posicionamento”. Como determinado produto ou serviço está “posicionado” na mente do público? Quando um produto é “reposicionado”, as pessoas respondem de maneira totalmente diferente. Um exemplo bem conhecido é o reposicionamento das palavras “made in Japan”. Nos anos 60, elas deixavam uma impressão de produto de má qualidade; atualmente, porém, “made in Japan” imprime a idéia de produtos da mais alta qualidade. O Quociente de Atração, que costumava ser muito baixo, subiu consideravelmente – a prova é a grande procura por esses produtos. É surpreendente com as coisas podem mudar em apenas 30 anos. Antigamente, ninguém iria comprar um carro Datsun; hoje, porém, marcas como Toyota, Nissan, Honda, Lexus e Mitsubishi praticamente monopolizaram o mercado de automóveis importados. Com a mudança da posição, mudou também a procura no mercado. De modo semelhante, o título “presidente dos Estados Unidos” costumava produzir o mais elevado respeito – era o símbolo de liberdade, integridade, honestidade, liderança e elevada moral em qualquer lugar do mundo. Hoje o título parece ter sido bem reposicionado. Quando você considera a santidade e sua influência na vida diária, a maneira como se sente exerce um grande poder sobre suas escolhas e sua vida. Se dado conceito é genuinamente perigoso, então uma aversão emocional proporciona uma segurança útil e mantém o indivíduo longe dele. Mas, se um conceito percebido como negativo na verdade é algo benéfico e útil, precisa ser reposicionado. Caso contrário, terminaremos evitando aquilo que é melhor para nós. A meu ver, a Bíblia revela nossa percepção equivocada da palavra “santo”. Os inimigos da santidade adotaram de maneira deliberada e incansável a estratégia de reposicionar esse conceito até que ele suscite somente emoções negativas nas pessoas. Os santos não são apenas pessoas severas, usando roupas sombrias. Aqueles que se consideram santos não vivem necessariamente no Vale do “Não”. Como disse o grande escritor cristão C. S. Lewis: “Quão pouco conhecimento têm aqueles que acham a santidade insípida. Quando alguém encontra a verdadeira santidade, descobre que é irresistível”. Você acha que Lewis está correto? Quando você encontra alguém que considera a santidade insípida, será que isso não prova que ele realmente não sabe muito sobre o assunto? Quando você encontra uma pessoa que é genuinamente santa, será que ela não é uma das poucas realmente felizes? Na geração atual, a santidade tem sido reposicionada em muitas mentes como algo indesejável e até perigoso, quando, na verdade, é benéfica e cheia de alegria. Assim tive de dizer àqueles bons cristãos de minha igreja, que se sentiam desconfortáveis com a santidade, que estavam pagando um alto preço pelo erro. Através dos anos, passei a crer que C. S. Lewis tinha razão. Minha atitude com relação à santidade foi reposicionada. Passei a crer no que a Bíblia diz sobre a santidade, e o propósito
  5. 5. deste livro é reposicionar a santidade em sua mente. Se eu tiver sucesso, em algum momento no futuro, quando lhe pedirem para descrever a si mesmo, você usará a palavra “santo”! Talvez amigos e familiares pensem na palavra “santo” quando tiverem de descrever você. Prepare-se, meu amigo, pois vamos atrás da santidade em sua vida. A santidade é o centro da vontade de Deus para você e é o tema deste livro. O próprio Deus santo quer que você seja santo. O PROPÓSITO DESTE LIVRO Este livro tem um objetivo claro: sua santidade pessoal. Minha fervorosa oração é que, ao terminar de ler, seu coração e seus hábitos sejam direcionados para a santidade. Este livro é dividido em três seções, com quatro capítulos cada. Cada parte pode ser lida independentemente das outras, embora as três se desenvolvam numa ordem lógica. A Parte Um trata do conceito bíblico de santidade e apresenta seus três estágios. O primeiro capítulo apresenta uma visão geral do que é santidade e do que não é. O capítulo 2 focaliza o primeiro estágio da santidade e revela o segredo de como se tornar “santo” aos olhos de Deus. Você descobrirá o que o Espírito Santo faz por você neste estágio e o que você faz para alcançar o primeiro nível. O capítulo 3 focaliza a santidade no coração e prepara o leitor para entrar na Cerimônia de Consagração. O último capítulo desta seção trata da “santidade progressiva”, questionando os dogmas teológicos, desmascarando os principais equívocos sobre santidade e equipando o leitor para avaliar a própria santidade na “Tabela da Santidade”. A Parte Dois faz a transição para o “lado escuro da santidade” e prepara o leitor para ser vitorioso diante dos problemas “profanos” da vida diária. O capítulo 5 treina o leitor para usar os “Dez Passos da Pureza Profunda” para os maiores problemas com pecado; o capítulo 6 marcha diretamente sobre o campo do inimigo e revela suas estratégias básicas para derrotar o cristão: as tentações. O capítulo seguinte fortalece o leitor revelando seu Quociente de Tentação e descrevendo os sete estágios de toda tentação. O último capítulo lida ousadamente com uma das mais duras tentações culturais: a imoralidade sexual. Se o cristão não pode se libertar dessas amarras, a santidade continuará sendo apenas um sonho desejável e não uma realidade a ser experimentada. A Parte Três passa para o “lado brilhante da santidade” e prepara o leitor para se fortalecer no homem interior por meio do exercício de hábitos santos. O capítulo 9 introduz o leitor a esses hábitos e revela o princípio do plantar e colher. Então, os capítulos 10 a 12 examinam os seis maiores Hábitos Santos praticados pela igreja através dos séculos. Este livro concentra-se na prática e na fácil utilização – portanto, alegre-se com as descobertas de tantos conhecimentos bíblicos e ferramentas práticas que o ajudarão em sua peregrinação em direção à santidade nesses tempos de tentação. Bruce H. Wilkinson Atlanta, Georgia PARTE UM VOLTANDO SEU CORAÇÃO PARA A SANTIDADE 1 SANTIDADE PESSOAL Quão pouco conhecimento têm aqueles que acham a santidade insípida. Quando alguém encontra a verdadeira santidade, descobre que é irresistível! Se somente 10% da população mundial possuísse essa qualidade, o mundo todo não seria salvo e feliz em menos de um ano? C. S. Lewis O professor de teologia entrou na sala para a última aula em sua carreira de cinqüenta anos. Como de costume, a grande audiência se alvoroçou, cheia de expectativa pela disciplina intitulada “A vida de Santidade”. Entretanto, durante o semestre, uma tendência de debates e argumentações tinha arruinado a aula. Alguns alunos insistiam que santidade significava uma coisa, outros discordavam, argumentando que era outra coisa. Uma facção afirmava que a santidade deve ser vivida de uma forma, enquanto que outras facções alegavam que é impossível alcançar a santidade. Apesar de seus cinqüenta anos de experiência docente, o velho professor não era capaz de mudar a atitude dura e as divisões que surgiram entre os alunos. Para onde olhava dentro da sala, via pequenos grupos isolados. Tinha acontecido o que mais temia. Não importava o que ele dizia sobre santidade, surgiram grupos teológicos conflitantes que argumentavam uns com os outros, de modo dogmático e rude, a ponto de acabarem se separando física e emocionalmente. Cada grupo repetia incansavelmente versículos. Ninguém cedia, ou chegava a ouvir
  6. 6. realmente os versículos ou opiniões do grupo oponente. Durante praticamente todo o semestre, o professor tentou transpor aquela atitude de julgamento e de espírito independente, mas não obteve sucesso. Depois de refletir durante vários dias, dentro do seu gabinete, buscando uma possível solução, ocorreu-lhe uma última idéia. Era um plano arriscado, mais talvez fosse necessário para a cura. Naquele dia, em vez de iniciar a aula como fazia sempre, o professor lentamente escreveu uma única palavra no meio do quadro negro: “Tronco”; ficou olhando para ela, atraindo a atenção de toda a classe. Voltou-se, encarou os alunos e falou, medindo bem cada palavra: “Esta aula será a mais desafiadora de toda a graduação. Façam grupos pequenos e, por favor, definam esta palavra e relacionem todas as razões por que crêem que sua definição está correta. Não discutam suas opiniões com os outros grupos, nem me façam nenhuma pergunta. Daqui a dez minutos, um representante do grupo lerá a resposta encontrada”. O professor fez uma longa pausa. “Quero avisar desde já que há somente uma resposta correta para esta questão; as respostas serão fundamentais na sua nota final”. Com essa revelação sóbria, o professor virou-se e saiu da sala com calma e firmeza de volta a seu gabinete. O canto de seus lábios levantou-se num leve sorriso, enquanto ele descia o corredor, perguntando-se sobre as discussões que deviam estar em andamento na sala de aula. Passaram-se os dez minutos. Quando o ponteiro do relógio marcou os dez minutos, o professor entrou na sala, abriu o livro de notas, fitou a sala e perguntou se algum grupo queria começar. Não houve resposta. A confusão reinava no lugar mais improvável de toda a universidade: na sua sala de aula. O professor aguardou durante um tempo que pareceu uma eternidade. “Bem, se não há voluntários, esta opção está cancelada. Por favor, coloquem o nome de todos os membros do grupo no final do papel com a resposta e passem adiante”. Houve um murmúrio de protesto no fundo da sala: “Isso não é justo! Alem disso, o que ‘tronco’ tem a ver com a santidade pessoal?” Sem dar qualquer atenção às reclamações, o professor voltou-se para o quadro e acrescentou duas palavras na frente de “tronco”: “O grande”. Olhou novamente para a classe. “Depois de pensar melhor, decidi atenuar minha atitude anterior e dar-lhes mais uma chance. Sigam as mesmas instruções. Quero avisá-los de novo: há somente uma resposta correta e sua resposta valerá para a nota final”. Com essas palavras, a sala quase explodiu de frustração. O professor, porém, saiu em silêncio da sala, sem olhar para trás, voltando para sua segurança no final do corredor. Dez longos minutos se passaram até que retornou, novamente pedindo um voluntário. Dessa vez, alguns dos alunos mais ardorosos nos debates baixaram a cabeça, sentindo a decepção nos olhos do querido professor. Novamente os papéis foram recolhidos e empilhados sobre a mesa, em cima dos anteriores, deliberadamente perto do livro de notas. Pela terceira vez, o professor virou-se para as palavras escritas no quadro, e acrescentou mais duas: “O grande tronco se movia”. Colocou o ponto final com ênfase exagerada. “Pensei bem e resolvi dar-lhes uma terceira oportunidade. Sigam as mesmas instruções. Lembrem-se: há somente uma resposta correta e as respostas serão de grande peso na nota final de vocês”. Fez uma pausa e acrescentou: “Ah, sim, por causa da importância desta resposta em seu futuro teológico, depois que terminarem de responder, por favor, discutam as descobertas com os outros grupos, para que sejam consideradas todas as perspectivas”. Ao sair da sala, o professor franziu a testa. “Como os alunos se sairão nesta tarefa, considerando as atitudes defensivas e dogmáticas que demonstraram nas discussões sobre santidade ao longo de todo o semestre?”, pensou. Desta vez, virou à direita depois de sair da sala de aula, dirigindo-se ao andar de cima, onde ficava a cabine de som. Queria observar os resultados de seu plano em primeira mão. A sala estava em caos, com cada estudante expressando sua frustração. Ouvia-se o som dos debates e das discussões por toda a sala, não somente entre os grupos, mas também dentro deles. Vozes e braços subiam e desciam. Finalmente, depois de quinze minutos de debate. Pela última vez, entrou na sala. Nunca sentira tamanha divisão numa sala de aula. Tampouco sentira tamanha responsabilidade para lidar imparcialmente com uma questão. Dirigindo-se à classe, começou a desafiar o pensamento de seus alunos. Primeiro, pediu a todos os grupos que relacionassem no quadro o significado da palavra “tronco”. Foram relacionadas quatro definições: (1)Parte mais grossa das árvores ; (2)parte do corpo humano; (3)origem de família, raça; (4)termo usado em telecomunicação. A seguir, o professor perguntou se tinham mudado de opinião durante as discussões. Quase todos admitiram que tinham mudado de idéia pelo menos uma vez. O professor repetiu mais uma vez que havia somente uma resposta certa e perguntou se algum grupo tinha tanta certeza da resposta a ponto de arriscar a nota do semestre. Ninguém se moveu. “Por que não arriscam? Não têm certeza de que sabem a resposta?” Os alunos quase gritaram em coro: “Não, porque não temos todas as informações necessárias!” Lentamente, o professor assentiu e virou-se para o quadro. Com grande cuidado, tocou o ponto que colocara no final da frase e num movimento dramático moveu o giz para baixo, transformando o ponto numa vírgula. Ainda virado para o quadro, virou o rosto par ver o efeito da sua ação inesperada. Então, terminou a frase: “O grande tronco se movia, com a violência das chibatadas”.
  7. 7. Houve um murmúrio na sala. Nenhum grupo tinha acertado. Com o primeiro sorriso do dia, o professor fez uma pergunta crucial: - Agora, quantos arriscariam anota do semestre na resposta? – Todos ergueram a mão. – Que fator aumentou tanto sua confiança? O aluno mais velho da classe, que raramente falava, resumiu o pensamento de todos: - Finalmente temos todos os elementos necessários para a resposta. Antes tínhamos apenas uma palavra, e estávamos errados. Depois, conhecíamos apenas alguns fragmentos e ainda estávamos errados. Quando você escreveu “se movia”, muitos mudaram de opinião, pensando que finalmente tinham a resposta. Somente quando você escreveu a frase completa, soubemos toda a verdade. O professor concordou. Sabia que a classe estava prestes e a aprender uma lição estratégica. - Bom. Deixe-me fazer uma pergunta: Quantos de vocês estão errados em suas respostas anteriores? A resposta foi em coro: - Todos! - É verdade, todos estavam errados. Apesar dos intensos debates, todos estavam errados! Apesar de muitos estarem convictos de sua posição, não tinham as informações necessárias para se sentirem seguros. Não podemos ser dogmáticos sobre alguma coisa, a menos que tenhamos todas as informações. Virando-se para o quadro, o professor acrescentou: - Agora quero perguntar o que significa outra palavra. O professor apagou a frase e escreveu a palavra “santidade” no lugar de “tronco”. Um lampejo de compreensão atravessou a sala. Naquele momento, tocou o sinal do término da aula. O professor largou o giz e disse: - Certifiquem-se de que possuem todas as informações antes de tomarem uma decisão. Sorriu e caminhou para a porta. O único som que se ouvia eram os aplausos dos alunos, cujos corações tinham sido tocados pela verdade. Em sua busca pela santidade, você sabe para onde está indo e o que está procurando? Você saberá quando alcançou seu alvo – não do seu ponto de vista, mas aos olhos de Deus? Afinal, santidade não é uma idéia humana, é uma idéia sobrenatural, vinda diretamente do trono de Deus. Se está um pouco incerto, talvez decida ficar mais um pouco depois da aula. Lamento informá-lo de que o velho e sábio professor não está por perto… Você tem aqui apenas um homem que gosta de caminhar “através da Bíblia”... I. SANTIDADE SIGNIFICA “SEPARAÇÃO” O primeiro passo na busca é entender claramente o que Deus quer dizer com “santidade”. Esta palavra tem sido definida das formas mais variadas por indivíduos e denominações – envolvendo muita bagagem emocional, como o professor experimentou. O conceito básico de santidade, porém, é inquestionável, e é exposto pela primeira vez na Bíblia no episódio da sarça ardente: “Então disse [Moisés] consigo mesmo: Irei lá e verei essa grande maravilha; por que a sarça não se queima? Vendo o SENHOR que ele se voltava para ver, Deus, do meio da sarça, o chamou e disse: Moisés, Moisés! Ele respondeu: Eis-me aqui! Deus continuou: Não te chegues para cá; tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa. Exôdo 3:3-5” Terra santa? Como a “terra” pode ser santa? Se Moisés pegasse um punhado de terra “profana” e comparasse com aquela, teria visto alguma diferença? Se na semana anterior tivesse passado por ali com seus rebanhos, a terra já seria santa? Ou se Moisés tivesse levado daquela terra para sua tenda, estudando seus grãos minuciosamente, teria descoberto alguma alteração na sua natureza, ou veria que se tratava da mesma velha terra do deserto? Desde que nada mudou na natureza da terra, por que o Senhor a classificou como “santa”? 1. A santidade pode estar na mente daquele que crê Se você tivesse um daqueles enormes dicionários hebraicos ao alcance da mão, como eu tenho, descobriria rapidamente as respostas. Descobriria logo que a base do conceito de santidade está na palavra “separação”. A terra tornou-se santa simplesmente porque Deus a separou como o único local onde se revelaria a Moisés. Num sentido, todo o restante do deserto permaneceu profano porque Deus não escolheu outro local para sua conversa. Se Deus tivesse se movido alguns metros para o norte e falado de lá, aquela parte do deserto seria santa. Amplie um pouco sua compreensão da santidade por meio de uma ilustração hipotética. Imagine que, depois de uma das grandes festas realizadas pelo rei Salomão, um dos sacerdotes chegasse em casa e dissesse à esposa: “Querida, preciso de uma nova faca sagrada para o templo. Nenhuma das que tenho lá tem um bom corte; você se importa se eu levar uma das nossas?” No momento em que o sacerdote a dedicasse ao serviço do Senhor, aquela faca comum se tornaria uma faca santa do templo. A santidade pode descrever a “separação” na mente da pessoa com relação à faca, areia, uma cidade, ou muitas outras coisas. Chamo isso de “santidade mental”, desde que a separação ocorre somente no pensamento das
  8. 8. pessoas. Por exemplo, além de a natureza da areia continuar a mesma, ninguém teria reconhecido aquela terra como “santa” se Deus não tivesse se revelado ali. A santidade em nós é a cópia ou a transcrição da santidade de Cristo. Assim como a cera duplica cada detalhe do selo, e o filho tem a mesma aparência do pai, assim a santidade em nós é como a dele. Philip Henry 2. A santidade deve ser separação “de” e “para”, ou não é santidade Santidade exige separação de uma coisa e separação para outra coisa. Pense sobre isso um instante e imediatamente se torna óbvio que não se pode ter uma sem a outra. Para que a faca se tornasse santa, tinha de ser separada da casa e separada para o templo. Novamente note que a natureza da faca não mudou para torná-la santa – somente a separação a tornou santa. Santidade exige divisão. Até o momento de o sacerdote tirar a faca de sua casa, ela não poderia ser santa. Por que não? Porque estava com todas as outras facas, sem distinção. Antes de o Senhor escolher aquela parte do deserto para ali se revelar, ela não poderia ser chamada de santa. Santidade, então, exige afastamento. Santidade exige desconexão. Nesse sentido, para uma pessoa se tornar santa, tem de separar-se de algo, ou a santidade é impossível. O segundo aspecto da separação requer que a faca se torne unida a algo. O sacerdote tirou-a da cozinha e colocou-a no templo. A santidade requer reconexão. A santidade requer adição. Novas pessoas, novas práticas ou novos alvos devem ser adicionados à sua vida, substituindo os antigos padrões profanos. Nós abandonamos nossos antigos caminhos profanos e buscamos os santos caminhos de Deus. Sem os dois aspectos da separação, a santidade bíblica não é possível. Separar “de”, sem separar “para” não representa a santidade bíblica. A santidade bíblica deve ter um “parar” seguido de um “começar”. Aquele que crê deve fugir de algo e depois seguir atrás de algo. Note essas duas partes distintas em 2Timóteo 2:22: “Foge [separe-se], outrossim, das paixões da mocidade. Segue [separe-se para] a justiça, a fé, o amor e a paz com os que, de coração puro, invocam o Senhor.” Sempre que uma pessoa buscar apenas a metade dessa equação, no final sua vida será abalada pela falta de equilíbrio e pelo engano. Em grande parte, a impressão negativa que as pessoas têm da santidade é resultado da ênfase exagerada em “fugir”. Santidade não é viver no mundo de “não”, mas abandonar o mundo de “não” para entrar no mundo do “sim!” Se você não consegue olhar para trás em sua vida e identificar as áreas onde se separou ou se afastou, bem como as áreas onde acrescentou ou buscou, certamente neste momento está carecendo de santidade. Por todo o Antigo e o Novo Testamento, o radical “santo” e todos os seus derivados são traduzidos por termos como separar, dedicar e consagrar. Qualquer que seja o contexto no qual sejam empregados, sempre estão fundamentados no conceito de “separação”. O versículo-chave deste livro é extraído de 1Pedro 1:15,16: “...segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.” Nesse versículo, vemos o chamado do Senhor para você, individualmente: o Senhor o chama para ser santo. Ele o convoca para se levantar da multidão, separar-se de e para ele, afastando-se de tudo aquilo que não é como ele, devotando-se totalmente a ele e à sua vida gloriosa. Em essência, a “santidade” prática para o cristão ocorre quando deixa para trás os padrões do mundo para tornar-se semelhante a Cristo, em seu caráter e conduta. Que seu coração se afaste de tudo aquilo que não é santo e busque tudo o que é. II. A SANTIDADE TEM PADRÕES Toda cultura adota algum tipo de santidade. Em algumas, certos locais são considerados “sagrados” enquanto outros itens são chamados de “tabu”. Ambos os termos descrevem a questão da separação do que é secular daquilo que é sagrado. Para que a separação seja classificada como santidade, são necessárias duas etapas adicionais. Por exemplo, quando um casal vive em conflito e decide divorciar-se, indo cada um “para seu lado”, ninguém poderia chamar tal separação de santa, poderia? Por que não? 1. A santidade exige a separação do “secular” para o “sagrado” Em primeiro lugar, a separação relacionada à santidade deve incluir a separação do que é “secular” para aquilo que é “sagrado”. Deve-se incluir o Divino na santidade para que ela seja genuína. Culturas pagãs têm “homens santos” que se separam e se consagram para a busca dos deuses tribais e seus supostos poderes sobre a natureza, doenças, colheitas e inimigos. Os cristãos, porém, são chamados para deixar esse tipo de atitude profana para trás e buscar a
  9. 9. vontade de Deus. Quando você pensa sobre sua santidade, seja do que for que decida se separar, deve se separar para o Senhor. Essa reflexão proporciona a base do entendimento de muitas coisas santas na Bíblia, como o Santo Templo, o Santo Sábado, o Altar Santo, o Lugar Santo e a Assembléia Santa. Nesses casos, a natureza não mudou, mas esses lugares e dia foram separados do uso natural e dedicados ao sobrenatural, separados do serviço ao homem para o serviço a Deus. Várias vezes em meu ministério fui convidado a consagrar publicamente uma sala ou um edifício ao Senhor. Num sentido real, aquele edifício torna-se santificado, separado para o Senhor, para sua obra e sua glória. O local torna-se “santo para o Senhor”. Darlene e eu dedicamos nossa casa e todos os nossos bens ao Senhor. Primeiro caminhamos ao redor do terreno que compramos e o dedicamos oficialmente a Deus e sua glória. Depois, juntos, dedicamos toda a nossa casa ao Senhor e sua obra. Até ali, nunca tinha pensado em dedicar oficialmente nossa casa ao Senhor. Em nossa mente, ainda era uma casa “comum” – depois que a dedicamos, porém, ela passou para a esfera das coisas santas. Somos apenas administradores dos bens do Senhor e trabalhadores em sua casa. Talvez você já tenha participado de uma cerimônia de ordenação de um indivíduo ao serviço do Senhor. No momento mais solene da cerimônia, pede-se ao indivíduo que se ajoelhe diante da congregação, e os líderes impõem as mãos sobre ele, dedicando-o e devotando-o oficialmente ao Senhor e a seu ministério. Você estaria correto ao considerar santa tal cerimônia, realizada num local santo, para um propósito santo, resultando na dedicação oficial de uma pessoa santa. Os indivíduos então podem devotar-se ao Senhor de uma maneira que o céu descreve como santa. Portanto, a separação não ocorre somente no tangível mas também no intangível – no mundo visível e no invisível. Uma faca pode tornar-se santa ao ser dedicada ao serviço do Senhor. De modo semelhante, um homem ou uma mulher podem escolher dedicar coração, alma e forças ao Senhor, separando-se assim de mente e coração. O Antigo Testamento está repleto de exemplos dessa dedicação e separação. Quando Israel concordou em ser a nação santa de Deus, o Senhor estabeleceu algumas formas bem incomuns de separá-la de todas as outras nações. Esses “regulamentos de santidade” específicos lembravam constantemente os judeus e os povos vizinhos de que eles não eram como as outras nações; pertenciam ao Senhor, um fato que influenciava praticamente todas as áreas de suas vidas. Vejamos dois exemplos em Levítico 19.19: “No teu campo, não semearás semente de duas espécies; nem usará roupa de dois estofos misturados.” Em outras palavras, para que o judeu do Antigo Testamento fosse cerimonialmente “santo”, ele não poderia plantar dois tipos diferentes de sementes ou vestir roupas de tecidos mistos Suas roupas tinham de ser somente de algodão. Pense nisso: será que hoje eu seria profano por usar uma camisa de tecido misto? Certamente que não! Por quê? Porque essas “leis de santidade”, específicas e únicas , aplicavam-se aos judeus daquela época para distingui-los e separá-los de todos os outros povos. Todas as manhãs, quando se vestiam, tinham de se lembrar que, por serem a nação do Senhor, eram separados das outras nações e chamados a praticar essa separação. Em outras palavras, vestir uma roupa de tecido sem mistura não mudava o caráter do indivíduo; era apenas, um sinal externo da aliança com o Senhor. Há outro exemplo interessante de “comportamento santo” em Levítico 27:30: “Todas as dízimas da terra, tanto dos cereais do campo como dos frutos das árvores, são do SENHOR; santas são ao SENHOR.” Como os “cereais do campo” ou os “frutos das árvores” podem ser santos? Somente porque o Senhor revelou que “as dízimas da terra ou 10% de toda semente e frutos eram seus e deviam ser “separados dos” demais e separados para” ele, por meio da dedicação e doação. 2. A santidade bíblica é definida pelo Senhor e por sua revelação O ponto alto da santidade bíblica, porém, não é meramente separação, ou separar de algo a fim de separar para, ou separação do secular para o sagrado, ou separação por meio da dedicação no coração, mas separação específica, conforme revelada pelo próprio Senhor Deus. E outras palavras, aqueles “homens santos” encontrados em tantas culturas não adoram nem ao Senhor nem a seu Filho Jesus; em vez disso, conectam-se com um espírito do mundo invisível. A Bíblia os descreveria como “homens anti-santos” porque se dedicam e servem aos inimigos de Deus. Da mesma forma, muitas culturas praticam rituais específicos e práticas religiosas considerados o ponto máximo da santidade, mas o céu os considera vãos e abomináveis. “Homens santos”, que percorrem quilômetros de joelhos até os templos santos não estão fazendo a vontade de Deus, nem agradando a Deus. “Vacas sagradas”, que perpetuam a pobreza e engordam enquanto as pessoas ao redor passam fome, são uma abominação para o céu. O Senhor do céu jamais revelou que vacas são sagradas ou devem ser tratadas como tal. De fato a Bíblia fala claramente que aqueles que ensinam a abstinência de certos alimentos para alcançar a “santidade” na verdade estão obedecendo a espíritos enganadores! Veja por si mesmo: “Ora, o Espírito afirma expressamente
  10. 10. que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado [tornado santo]. 1Timóteo 4:1-5” Este princípio é absolutamente fundamental para a santidade bíblica. O Senhor – e não o homem! – estabelece o padrão do que é santo. Se ele não revelasse padrões objetivos para sua santidade, imagine a confusão e as distorções que reinariam, à medida que cada pessoa fizesse “o que considerasse certo!” A Bíblia é absolutamente clara, meu amigo: independentemente de quão sincero e devotado o indivíduo possa parecer, se ele estabeleceu padrões de santidade com base em suas emoções, pensamentos, ou em qualquer outra literatura além da Bíblia, seus padrões não refletem a santidade bíblica. Por exemplo, muitas seitas proíbem o casamento. Ensinam que os níveis mais elevados de santidade ou serviço ao Senhor exigem a condição de solteiro. Deus revela em 1 Timóteo 4 que o padrão que “proíbe o casamento” não só não procede do Senhor como procede de “espíritos enganadores”. 3. Santidade criada por homens é santidade inútil Não perca de vista este ponto fundamental: a santidade é definida pelo Senhor, não pelo homem. A santidade criada pelo homem é inútil! Se você inventou padrões ou métodos não bíblicos de santidade, provavelmente se abriu sem necessidade ao sofrimento e comportamento sem valor. Veja como em Colossenses 2:20b-23b fala sobre isso: “Por que... vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens?...Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum.” Quando viajo por várias regiões do mundo, meu coração se parte repetidamente, quando vejo “cultos de si mesmo” e doutrinas de homens que causam grande dor e sofrimento às pessoas, mas não têm nenhum valor. O que devemos fazer, então, se buscamos os métodos apropriados e eficientes de santidade pessoal? Veja a resposta revelada pelo Senhor em Êxodo 19:5,6a: “Agora, pois, se diligentemente ouvirdes a minha voz e guardardes a minha aliança, então, sereis a minha propriedade peculiar dentre todos os povos; porque toda a terra é minha; vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa. Para que o povo seja santo aos olhos de Deus, deve “ouvir a sua voz” e “guardar sua aliança”. É o Senhor quem deve definir os limites do que é santo e do que não é. Nenhuma religião ou seita, nenhum “homem santo” nem denominação pode fazer isso. Somente o Senhor Deus estabeleceu os padrões da verdadeira santidade bíblica. Deve- se evitar qualquer acréscimo ou subtração ao padrão bíblico , o que seria considerado “doutrinas de homens” ou “tradições humanas” Durante a vida de Jesus os líderes judeus e os mestres ensinavam e prescreviam amplamente sua visão particular de santidade. Veja como Jesus os confrontou fortemente em Mateus 15:1-3,7-9: “ Então, vieram de Jerusalém a Jesus alguns fariseus e escribas e perguntaram: Por que transgridem os teus discípulos a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos, quando comem. Ele, porém, lhes respondeu: Por que transgredis vós também o mandamento de Deus, por causa da vossa tradição? [...] Hipócritas! Bem profetizou Isaías a vosso respeito, dizendo: Este povo honra- me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim. E em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens.” Portanto, muitas vezes “preceitos de homens” são ensinados como se fossem “doutrinas bíblicas”, quando na verdade não são. É exatamente o que está acontecendo hoje em muitas igrejas e grupos religiosos ao redor do mundo. Preferências e padrões pessoais são ensinados como santidade bíblica e geralmente com mais fervor emocional do que com base nas Escrituras. Leia com mais atenção a passagem acima, pois ela revela a tendência natural: nossas tradições tornam-se mais importantes do que os mandamentos de Deus. Em outras palavras, desobedecemos à verdadeira santidade bíblica por causa de nossas tradições! Tenha extremo cuidado para não definir os padrões da verdadeira santidade bíblica fora dos limites da própria Bíblia! Todos nós conhecemos pessoas que estão profundamente enganadas em sua busca de santidade, por meio de ensinos e tradições de homens. 4. Santidade exterior sem santidade interior não é santidade bíblica O padrão final da santidade bíblica também é revelado nessa mesma passagem de Mateus. Depois de chamá-los de hipócritas, o Senhor diz aos fariseus que “seu coração está longe de mim”. Para que a pessoas seja santa, seu coração e seus motivos devem ser puros diante de Deus ou suas ações não poderão ser santas. Ou seja, é possível que a
  11. 11. pessoa faça algo que a Bíblia claramente define como santo e mesmo assim não apresente a santidade bíblica. A santidade pode ser falsa, porém, o céu a chama de nada menos que impureza! Não somente o comportamento deve ser santo – o coração também deve ser. Quando um cristão busca a santidade, praticando os ensinamentos bíblicos, mas permite que seu coração permaneça arredio, ou até mesmo rebelde para com Deus, tal atitude pode ser chamada de profana – mesmo que externamente seu comportamento seja santo. Para que o Senhor avalie algo como santo, tanto os hábitos como o coração devem ser separados para ele. Um sem o outro cria somente uma impureza destrutiva. Santidade exterior sem santidade interior cria a hipocrisia. A santidade hipócrita inevitavelmente degenera-se para as cadeias do legalismo. Santidade interior sem santidade exterior cria o emocionalismo. A santidade emocional inevitavelmente degenera-se para as cadeias do fanatismo. A santidade bíblica não fica à deriva nas águas perigosas do legalismo e do fanatismo. A santidade bíblica define separação interior e exterior de acordo com os padrões da Palavra. Que você tenha uma visão clara do que é realmente a santidade bíblica – e que almeje ter um coração e hábitos cheios de santidade genuína e equilibrada. III. A SANTIDADE TEM ESTÁGIOS Na semana passada, os pais de minha esposa nos visitaram e passaram horas montado um enorme quebra-cabeça, com mais de 2 mil peças. Eles realmente são “montadores de quebra-cabeça” veteranos. Dei uma olhada nas peças e percebi que era um dos mais difíceis que já tinha visto. O desenho não era bem distinto. Céu, montanhas, colinas e o lago tinham cores difusas e mescladas. Se você pegasse uma peça, imediatamente perceberia que ela poderia encaixar-se em quase todos os lugares! Entretanto, no final, cada peça só cabia em um único lugar. Quando você estuda sobre santidade, imediatamente reconhece sua abrangência. Peças da santidade estão espalhadas por todos os 66 livros da Bíblia! Entretanto, diferente da figura única de meus sogros, estou convencido de que a santidade bíblica tem várias figuras distintas em seu quebra-cabeça! Em outras palavras, creio que a santidade bíblica é um assunto unificado com significados bem diferentes, dependendo do contexto bíblico. Voltemos um momento ao exemplo do professor. Os alunos estavam separados e isolados e até mesmo hostis uns com os outros por causa das diferentes perspectivas sobre a santidade. Cada grupo escolheu certa parte do quebra- cabeça da santidade (com uma figura completa e distinta), levantou muros ao redor e passou a defendê-la com unhas e dentes. Obviamente, quando consideravam sua figura, descobriam numerosas peças (textos bíblicos) que só cabiam ali e em nenhuma outra parte. Estavam absolutamente corretos – e desde que a visão deles era bíblica, qualquer um com uma perspectiva diferente não somente estaria errado como seria potencialmente herético. Não admira que a santidade seja realmente um “quebra-cabeça”! Depois de ler e estudar muitas passagens na Bíblia sobre o assunto, percebi sua amplitude e abrangência. Quando lia certas passagens, podia imaginar meus amigos presbiterianos aplaudindo; quando lia outras, imaginava meus amigos metodistas e wesleyanos aplaudindo; outras passagens, meus amigos batistas; outras, meus amigos pentecostais e carismáticos. Dependendo do grupo de “peças bíblicas” do quebra-cabeça da santidade no qual você se concentra, seu entendimento será influenciado e finalmente controlado. Durante todo o processo, deixei de lado meus próprios preconceitos. Para que este livro tenha integridade bíblica, deve revelar o que ela ensina e não o que eu creio ou não creio. Assim, comecei a ler novamente cada passagem, com apenas uma pergunta na mente: o que esta passagem realmente diz? Com base em meus conhecimentos, deixei de lado aquelas “caixas teológicas” com todos os seus limites e mantive apenas um limite: as palavras, frases, versículos e parágrafos na “revelação bíblica” diretamente relacionados à questão da santidade. Como foi frustrante! Não é de admirar que existam tantos grupos diferentes proclamando que têm a “verdade” sobre a santidade. Minha conclusão? Na maioria, creio que os grupos estão absolutamente corretos – eles têm a verdade. Eles têm a verdade, mas talvez não toda a verdade. Por exemplo, aqueles estudantes estavam certos, ao definir “tronco” como parte da árvore? Sim. O outro grupo estava certo, defendendo que “tronco” é uma parte do corpo humano? Sim. Se pesquisarem no dicionário, certamente comprovarão que essas definições estão certas. Mas será que “tronco” sempre significa parte do corpo humano? Nem sempre. Em outras palavras, o indivíduo pode ter a verdade, mas não toda a verdade. Alguém pode estar totalmente dentro dos limites do que uma passagem bíblica ensina, e totalmente fora do que é ensinado em outras passagens. Minha conclusão é de que a maior parte da confusão em torno desse assunto tão vital é resultado do erro sincero de se defender a santidade com base numa peça muito pequena do quebra-cabeça. Será que a santidade não se encaixa numa figura, mas tem três figuras diferentes e distintas dentro do mesmo quebra-cabeça? Então, todas as partes devem encaixar-se dentro do todo, sem contradição. Nos próximos três capítulos, apresentaremos três partes distintas – embora correlacionadas – da santidade bíblica.
  12. 12. Essa três partes na verdade são três estágios diferentes da santidade. Antes de você terminar de ler os três capítulos, poderá descobrir, talvez pela primeira vez, onde você se encontra nessa vida de santidade. A SANTIDADE DA SALVAÇÃO Aquele que nos criou sem nossa ajuda não nos salvará sem nosso consentimento. Agostinho de Hipona Folhas de papel cheias de versículos do Antigo e Novo Testamentos sobre santidade estavam espalhadas por cima de minha mesa de trabalho. Depois de uma séria consideração, tinha decidido deixar de lado todas as minhas convicções sobre santidade e começar tudo de novo – apenas com a Bíblia e uma nova abordagem, deixando que a Bíblia falasse por si mesma, em vez de eu falar por ela. Aquelas folhas continham todos os versículos bíblicos que traziam a raiz original “santo”, independentemente de como foi traduzida para nosso idioma. À medida que eu lia os versículos, palavras como santo, santidade, santificação e separado atravessavam as folhas com dificuldade. Por alguma razão, eu esperava que essa etapa fosse relativamente fácil no processo do desenvolvimento do assunto, mas minhas expectativas estavam muito distantes da realidade. Eu nem imaginava que essa tarefa criaria mais frustração e confusão do que luz e compreensão. O problema surgiu quase que imediatamente: como esse conceito básico de santidade podia ser revelado na Bíblia como algo que já aconteceu, em outros textos como algo que deve acontecer no presente e em outros versículos como algo que acontecerá no futuro? Como a santidade pode ser algo que Jesus fez por mim, em outros versículos ser algo que o Espírito Santo faz em mim, e depois, em outros versículos, ser um mandamento? Descobri os quatro tempos verbais da santidade: santidade descrita no pretérito; santidade descrita no presente; santidade descrita no futuro; santidade descrita no futuro, referindo-se ao estado eterno daqueles que crêem. Quanto mais eu lia, mais confuso ficava! Eu já era santo ou não? Se já era santo, por que a Bíblia ordena que seja santo? Como os cristãos podem ser chamados de “santos” num texto, e depois, no mesmo capítulo, ser veementemente exortados a parar de viver no pecado? Como podem ser santos, se são impuros? Seguidamente eu sentia ondas de frustração e confusão. Em vez da santidade bíblica ser um assunto fácil de revelar e ser apresentado de uma forma compreensível e prática, rapidamente estava se tornando um emaranhado de fios. Naquele momento, eu podia apanhar um punhado daquelas folhas e provar que você já é santo – assim, viva de maneira santa. Podia pegar outro maço e provar que um dia você será santo, por isso, faz bem em continuar crescendo em santidade. Como você pode crescer em santidade, se já é totalmente santo? Não é de admirar que existam tantos pontos de vista e teologias diferentes em torno desse assunto intrigante e intrincado. Nesse ponto, já pensava seriamente em deixar outra pessoa escrever este livro! Por que escrever sobre um assunto no qual tantas pessoas piedosas discordam? No Ministério Através da Bíblia, esforçamo-nos muito, nos últimos 25 anos, para ensinar a Bíblia de forma aberta, clara, sem divisões e sem entrar nas disputas denominacionais. O Senhor abençoou essa abordagem, e temos amplas oportunidades ministeriais, transpondo as barreiras culturais e denominacionais em 71 países e em 52 idiomas. Então, por que correr o risco de ofender alguém, agora? Se o Senhor não tivesse me ensinado profundamente sobre santidade pessoal na ultima década, asseguro a você que teria abandonado este projeto. Se os homens e as mulheres que participaram do início do preceito deste material não tivessem respondido de forma tão profunda ao que Deus fez em seus corações, teria abandonado o livro ainda na fase de elaboração. Por meio deste processo de clarificação, fiquei convencido de que este livro não deveria ser sobre teologia da santidade. De fato, propositalmente você não encontrará nele nenhuma nota de rodapé. Você não encontrará uma avaliação minha sobre o ponto de vista de outras pessoas, nem fazendo exegese minuciosa de todos os pontos de certa passagem. Por que não? Porque tenho alguns objetivos bem claros em mente, os quais serviram como diretriz para tudo o que foi escrito: primeiro, no final deste livro seu coração terá sido tão profundamente instigado em relação ao chamado do Senhor para ser santo que você solenemente o direcionará para a santidade. Segundo, você entenderá exatamente o que a Bíblia ensina e o que não ensina sobre santidade e o que fazer para alcançar o alvo do Senhor para você ser “santo como ele é santo” e ser “santo em todo o seu procedimento”. Por último, você estará equipado com três conjuntos de ferramentas para experimentar a santidade – ferramentas para libertá-lo das cadeias da impureza em sua vida; ferramentas para capacitá-lo a vencer as tentações que o assaltam; e ferramentas para buscar a santidade pessoal por meio de hábitos santos usados pelo povo de Deus através dos séculos. Em outras palavras, este livro visa a equipá-lo de modo que possa dar passos maiores na santidade pessoal. Em vez de se concentrar na santidade do Senhor, este livro se concentra em sua santidade. Em vez de enfatizar o conhecimento, este livro enfatiza profundas mudanças na vida. Em vez de buscar sistemas teológicos, este livro busca transformação
  13. 13. pessoal. Com essa introdução, vamos começar uma investigação de como eu finalmente encontrei sentido em todas aquelas folhas de versículos. OS TRÊS ESTÁGIOS DA SANTIDADE PESSOAL Quando comecei a preparar este trabalho, nenhum de meus conceitos “esboços” sobre santidade tinha sequer remotamente algo a ver com “estágios” de santidade. Pelo contrário, posso dizer que tropecei por acidente nesta idéia ao tentar organizar todos os textos aparentemente contraditórios sobre o assunto. Não era difícil compreender cada versículo isoladamente; entretanto, quando se comparavam dois ou três, pareciam ensinar justamente o oposto; eu sabia que certamente estava perdendo algo fundamental. Finalmente, comecei a prestar mais atenção ao tempo dos verbos em cada versículo e então os organizei em várias categorias de passado, presente, futuro e eternidade. Como você pode prever, quando os versículos dentro de cada categoria eram estudados, faziam um sentido exato e lógico. Contudo, entre as categorias, as coisas pareciam não se encaixar de nenhuma forma lógica. Com mais estudo e um tempo considerável de reflexão, comecei a notar: santidade pretérita tem certas características e verdades; santidade presente tem outras características e verdades; santidade futura tem outras características e verdades; santidade eterna tem outras características e verdades. Já que a ênfase do livro é a santidade aqui e agora, a categoria “santidade eterna” foi deixada de lado. Os versículos de cada categoria foram estudados com cuidado, e os três estágios da santidade logo se tornaram um esboço extremamente útil para a compreensão da santidade pessoal. Tudo isso pode parecer meio confuso neste momento, mas nos próximos capítulos sua compreensão sobre a santidade rapidamente se tornará ais clara. Vamos começar. O PRIMEIRO ESTÁGIO DA SANTIDADE Leia com atenção o versículo a seguir e veja se consegue localizar as duas palavras que são traduzidas a partir do mesmo radical de santidade: “À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso.1Co 1:2” A primeira palavra relacionada ao radical é “santificados” e a outra é “santos”. Talvez você já soubesse que “santo” vem do mesmo radical de santidade; isso amplia nossa compreensão. Note que esse versículo descreve a “igreja de Deus que está em Corinto” de duas formas diferentes. Primeiro, eles eram “santificados em Cristo Jesus”, o que significa que foram santos (ou separados) em Cristo por meio de sua morte e ressurreição. Segundo, foram “chamados para ser santos”, uma expressão que o apóstolo utiliza para descrever quem eles são. Você notou que nesse versículo existem apenas duas palavras em itálico? Quando algumas traduções da Bíblia trazem uma palavra em itálico, significa que ela não se encontra no texto original grego ou hebraico, mas os tradutores a adicionaram para tornar o sentido mais claro. Assim, sabemos que “para ser” não consta no texto original, mas foram adicionadas pelos tradutores. Geralmente, quando leio Bíblia, sou grato aos tradutores pelos acréscimos que fizeram, que são de grande ajuda na compreensão dos textos. Infelizmente, neste caso, senti que o acréscimo me desviou completamente do rumo de meu estudo da santidade. Caminhe junto comigo e veja o que descobri. Se a Bíblia quer dizer “chamados para ser santos”, percebi que “santo” representa algo em que aqueles cristãos deviam crescer ou ter esperança de “ser” no futuro. Essa interpretação de “chamados para ser santos” incentiva os cristãos a viver um estilo de vida santo no mais alto nível, de modo que algum dia talvez alcancem aquela rara classificação de “santidade”. Por outro lado, se a Bíblia quer dizer “chamados santos”, como está no texto original grego, então os cristãos de Corinto perceberiam, surpresos, que já eram “santos”. Em vez de santidade ser um objetivo futuro, seria um estilo atual. Se “chamados para ser santos” representava a melhor tradução, então sem dúvida pouquíssimos cristãos coríntios tinham alcançado este estado elevado; mas, se a melhor tradução fosse “chamados santos”, todo indivíduo cristão de Corinto já tinha alcançado o título de “santo”. Leia e reflita sobre os versículos abaixo e procure uma compreensão mais clara por si mesmo: “Paulo e Timóteo, servos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus, inclusive bispos e diáconos que vivem em Filipos ... Filipenses 1:1” “A todos os amados de Deus, que estais em Roma, chamados para serdes santos, graça a vós outros e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Romanos 1:7” “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à igreja de Deus que está em Corinto e a todos os santos em toda a Acaia. 2Coríntios 1:1”
  14. 14. Quando esses versículos similares são colocados lado a lado (outros poderiam ser acrescentados), não é difícil perceber que a Bíblia está se referindo aos cristãos como santos, não como cristãos que deveriam procurar ser santos. De fato, quando você segue esse fio condutor de “santos” através de todo o Novo Testamento, descobre com surpresa que ele se refere aos crentes nascidos de novo como cristãos apenas 3 vezes, mas 62 vezes como santos! Quais são, então, as implicações de ser santo? O radical para santo, santidade ou santificação é a palavra grega hagios. Como você viu no capítulo anterior, a santidade traz consigo o conceito básico de separação. Quando a palavra hagios é utilizada como substantivo no Novo Testamento, é traduzida como “santo”, que significa literalmente “separado” ou “chamado para fora de”. A palavra “santo” não representa um estado de elevação de piedade, mas sim um estado de separação para Deus. Grande parte de nossa confusão sobre essa questão vem da prática de classificar-se alguns cristãos notáveis como “São João” ou “Santa Maria”. A história da igreja registra claramente que a designação de santo ocorreu muitos anos depois da conclusão do Novo testamento e da morte dos apóstolos e discípulos. Denominar alguns notáveis de santo não era prática, nem ensino específico do Novo testamento, mas uma prática eclesiástica. É interessante notar que nas 62 vezes em que “santo” é utilizado no Novo Testamento, nenhuma delas, na linguagem original, está no singular – está sempre no plural. Não há menção na Bíblia, por exemplo, a “São Paulo”, mas sim a “santos de Roma”, de Corinto ou de Filipos. Usar a palavra “santo” como título seria o mesmo que usar as palavras “cristão” ou “crente” como títulos: O “cristão” Paulo é o mesmo que o “crente” Paulo, que é o mesmo que “santo” Paulo. O Novo Testamento utiliza “santo” para descrever cada crente em Jesus Cristo nascido de novo. Se você é nascido de novo, você já é santo ou separado. Se você ainda não é nascido de novo, não é santo nem separado. O termo “santo” nos introduz no primeiro estágio da santidade, que é a santidade no pretérito. Em que momento ocorre essa “separação” de maneira que os crentes podem ser adequadamente chamados de separados? Note os dois versículos a seguir, que traduzem o mesmo radical para a palavra “santificados”: “Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus. 1Coríntios 6:11”; “Nesta vontade é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas. Hebreus 10:10” “Fostes santificados” e “temos sido santificados” revelam claramente que certo tipo de santidade ocorre no passado. A Bíblia não ensina que apenas alguns cristãos “foram santificados” ou eram “santos”, mas todos – “Todos os santos..que vivem em Filipos” ou “Todos os santos em toda a Acaia”. Muita confusão surge neste ponto, dentro das igrejas, concernente à santidade; não é difícil entender a razão. Desde que a bíblia ensina que todos os cristãos são santos e “foram santificados”, então aqueles que não vivem como “santos” ou não agem de forma “santificada” certamente não podem ser cristãos, não é? Pode ser uma questão, entretanto, a Bíblia ensina aberta e repetidamente que um “santo” pode realmente viver de forma bem indigna durante um período de tempo. É neste ponto crítico que muitos cristãos se tornam um tanto confusos sobre as dramáticas diferenças entre os três estágios separados da santidade. COMO O PRIMEIRO ESTÁGIO DA SANTIDADE TORNA VOCÊ SANTO? O primeiro estágio da santidade começa com seu ato de entrega ao Senhor Jesus Cristo e de recebê-lo como Salvador pessoal. Naquele momento você se torna “santo” e “[é] santificado”. Será que este estágio de santidade – quando você se torna um santo e é santificado – significa que seu comportamento reflete a verdade sobre você? Pense um momento sobre a igreja de Corinto. Paulo chamou os cristãos dali de “santificados em Cristo Jesus” e “chamados para ser santos”. Mesmo assim, poucos capítulos adiante ele profere palavras duríssimas contra os pecados que cometiam, inclusive imoralidade, processos legais, divisões, inveja, etc. De todas as igrejas do Novo Testamento, obviamente a de Corinto era a mais pecaminosa e “ainda carnal” (1Co 3:3). Entretanto, quando você lê as duas cartas de Paulo endereçada a eles, o apóstolo não os desafia a se tornarem cristãos, mas a mudar de comportamento. Ele não diz que por causa do comportamento indigno, não podiam ser “santos”. Em vez disso, argumenta que por serem “santos” deviam viver de acordo. A Bíblia é incrivelmente clara: os cristãos são santos que ocasionalmente podem escolher viver como pecadores. Se os cristãos vivem como pecadores, serão confrontados e exortados ao arrependimento, a se submeterem ao Espírito Santo e andar em santidade. O que quero mostrar aqui é a clara diferença entre “santificação pretérita” e “santificação presente”. Todos os cristãos foram santificados, mas nem todos têm vidas santificadas. Você está plenamente convencido de que essa perspectiva tem total base bíblica? Creio que muitas passagens dão base a esse conceito, inclusive 1 Pedro 2:9-12, que apóia o que estou tentando deixar claro. Note os três passos distintos em sua argumentação: “Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”; “Vós, sim, que, antes não éreis povo, mas agora sois
  15. 15. povo de Deus, que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia”; “Amados, exorto-vos como peregrinos e forasteiros que sois a vos absterdes das paixões carnais que fazem guerra contra a alma, mantendo exemplar o vosso procedimento no meio dos gentios, para que, naquilo que falam contra vós outros como de malfeitores, observando-vos em vossas boas obras, glorifiquem a Deus no dia da visitação.” Quando as pessoas aceitam a Cristo como Salvador pessoal, como Pedro afirma, são trazidos “das trevas para a sua maravilhosa luz”. Antes daquele momento da salvação “não eram povo [de Deus], mas agora são povo de Deus”. Até o momento do perdão, não “tinham alcançado misericórdia” [o perdão do pecado e a salvação da punição eterna no inferno], mas agora alcançaram misericórdia [a salvação eterna e a riqueza da herança na glória]. Desde que ninguém duvidaria que tais pessoas são claramente nascidas de novo, sendo, portanto, “santas” e “tendo sido santificadas”, então por que nos versículos seguintes, Pedro as “exorta” a se “absterem das paixões carnais”? Somente porque naquele exato momento estavam se envolvendo em paixões carnais e pecando contra o Senhor, não tendo um “procedimento exemplar no meio dos gentios”. O ponto deve ser claro: a santificação que ocorre por causa da fé na obra consumada de Jesus não é igual à santificação que ocorre no comportamento do cristão. Se seu comportamento não se torna santo durante o primeiro estágio da santidade, então como exatamente uma pessoa se torna santa? Como as outras “coisas” que a Bíblia descreve como “santas” chegam a esta condição? Tome a famosa passagem da tentação de Cristo: “Então, o diabo o levou à Cidade Santa...” (Mt 4:5). Respondeu a essa pergunta, como alguém, naquela época, poderia referir-se a Jerusalém como algo remotamente santo? Você diria que o comportamento dos cidadãos daquela cidade poderia ser definido como piedoso e moralmente puro? (lembre-se da ocasião em que Moisés teve de tirar as sandálias por causa da “terra santa”, apesar de nada ter mudado na natureza da areia). Quando algo é “separado” do secular, para o sagrado, biblicamente é chamado de santo, independentemente de sua natureza ou comportamento. Quando o Senhor escolheu Jerusalém e a separou para si, como a “menina de seus olhos” e o local do “trono de Davi”, a cidade passou a ser santa. Quando o Senhor escolheu aquela parte do deserto para falar com Moisés, separando-a para si, o solo em redor tornou-se santo. Ambos foram descritos como santo não porque tinham mudado de comportamento ou de natureza, mas simplesmente porque foram separados para Deus e seus propósitos. Não somente um objeto pode ser santo sem mudança em sua natureza, como também uma “pessoa” pode ser descrita como “santa” num sentido, sem mudanças em sua natureza. Pense nos exemplos do Antigo Testamento e você lembrará das palavras “sacerdócio santo”. Dê uma olhada nos pronunciamentos de vários profetas no Antigo Testamento e verá denúncias contra a impiedade dos sacerdotes – mesmo assim ainda eram considerados o “sacerdócio santo”. Santos sacerdotes ímpios. Pense nisso um momento: sacerdotes santos vivendo como pessoas impuras. Parece-me o mesmo problema de Corinto, centenas de anos mais tarde: santos vivendo de maneira profana. Assim, a essência do primeiro estágio da santidade não está na mudança do comportamento da pessoa, mas na mudança da mente do Senhor com relação a ela. A terra tornou-se santa somente porque o Senhor decidiu usá-la para seus propósitos. A cidade de Jerusalém tornou-se santa pelo mesmo motivo. A tribo de Levi tornou-se sacerdócio santo somente porque Deus a nomeou como tribo sacerdotal. De forma idêntica, o Senhor separou para si cada pessoa que crê em Jesus Cristo com seu Salvador pessoal. No momento da fé, a pessoa (não seu comportamento) torna-se “santa” ou “santificada” na mente do Senhor. Por isso todo crente nascido de novo é santo e santificado. Se não fosse, então não seria realmente salvo, pois a essência da salvação é o que ocorre na visão de Deus em relação a nós, e não nossa visão em relação a ele. Cremos em Jesus, e ele nos separa para si. COMO ENTRAR NO PRIMEIRO ESTÁGIO DA SANTIDADE Tornar-se santo é um evento instantâneo, não um desenvolvimento progressivo de piedade. Para aprofundarmos sua compreensão do notável “desfecho da história” neste primeiro estágio da santidade, exploraremos os papéis do Espírito Santo, de Jesus Cristo e do indivíduo que crê: 1. O papel do Espírito Santo no primeiro estágio O texto de 2 Tessalonicenses 2:13 é extremamente útil no entendimento do que o Espírito Santo faz no primeiro estágio: “Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade.” O Espírito Santo é o agente por meio do qual o primeiro estágio da santificação é instituído: “...para salvação, pela santificação do Espírito...”
  16. 16. No momento em que exercitamos a fé salvadora, o Espírito Santo nos separa para Deus. Ele nos regenera de maneira que nascemos de novo (Jo 3:3-8), nos sela até o dia da redenção (ef4:30), é enviado pelo Pai aos nossos corações onde clama “Aba, Pai” (Gl 4:6), habita em nós (Rm 8:11), nos batiza no Corpo de Cristo (1 Co 12:13), nos dá dons espirituais (1 Co 12:7,11,18) e produz em nós frutos espirituais (Gl 5:22). Esse incrível processo do primeiro estágio da santificação é primariamente a obra do Espírito Santo. Todas essas bênçãos são concedidas no mesmo instante ao cristão pela sua obra santificadora, quer este saiba disso ou não. Note bem que é o Espírito Santo quem faz a obra e não o próprio cristão. 2. O papel do Senhor Jesus Cristo no primeiro estágio A obra de santificação é realizada pelo Espírito Santo com base na obra de salvação consumada pelo Senhor Jesus Cristo. Note como isso fica bem claro em 1 Coríntios 6:11: “...vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.” A pessoa é santificada e justificada somente por meio do Senhor Jesus. Se ele não tivesse consumado sua obra, o espírito não teria como realizar a sua. Hebreus 10:10, 12,13 oferece uma visão profunda da obra maravilhosa de Jesus: “Nessa vontade [o papel do Pai na salvação] é que temos sido santificados, mediante a oferta do corpo de Jesus Cristo, uma vez por todas.”; “Jesus, porém, tendo oferecido, para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus, aguardando, daí em diante, até que os seus inimigos sejam postos por estrado dos seus pés.” Uma revelação tão profunda, apresentada em tão poucas palavras. O ser humano pode ser aceito por Deus e separado para seus propósitos somente por causa do sacrifício definitivo de Jesus. Cristo morreu uma vez – por todos os pecados, por todas as pessoas, por todas as épocas. Deus considera que a humanidade ou está de um lado ou de outro do primeiro estágio da santidade. Ou o homem é profano, ou ele é santo. Se o homem é profano, está separado de Deus; se é santo, então é separado para Deus. O homem profano está separado de Deus por causa de seu pecado e rebeldia, bem como sua rejeição do sacrifício de Jesus. A penalidade por tal desobediência direta contra Deus é a morte, tanto física como espiritual, no inferno. Quando Cristo morreu, ofereceu sua vida como pleno pagamento por nosso pecado. Se ele não tivesse pago, toda a humanidade não teria outra alternativa senão a condenação eterna. Por sua graça, misericórdia e amor, Deus enviou seu único Filho para morrer, a fim de que você e eu pudéssemos viver. Muitas pessoas hoje estão confusas quanto à natureza da salvação e à obra de Cristo. Pense por um momento: quando seus pecados foram pagos por Jesus Cristo? Ele pagou por seus pecados há 2.000 anos, quando morreu na cruz. O Pai aceitou o pagamento de Cristo como suficiente por todos os seus pecados naquele momento; caso contrário, seus pecados ainda estariam sobre Jesus, não pagos, e ele não teria sido aceito de volta no céu. Onde você estava quando Cristo morreu por você, por causa de seus pecados, há 2.000 anos? Desde que você existia, exceto na presciência de nosso Deus onisciente, não poderia estar presente na crucificação. Deus colocou sobre Jesus todos os nossos pecados, e ele pagou por cada um deles. Quando Cristo morreu, há 2.000 anos, quantos de seus pecados já tinham sido cometidos? Todos eles, desde que estavam todos no futuro, porque você nem tinha nascido! Os pecados que você cometeu no passado estavam no “futuro”, para Cristo como os pecados que comete hoje, amanhã e daqui a vinte anos. Todos os seus pecados foram pagos antes de qualquer um ter sido cometido. Sua salvação baseia-se na obra completa de Jesus Cristo; você e eu não tivemos absolutamente nada a ver. Porque ocorreu há 2.000 anos (“está terminado”) e nunca mais se repetirá (“ele ofereceu um único sacrifício para sempre”), seria tolice e arrogância dizermos que tivemos alguma participação. Desde que Cristo consumou a obra da salvação na cruz há 2.000 anos, ninguém que vive hoje teve alguma parte naquele antigo ato de sacrifício. “Não é você aceitar a Cristo que o salva, mas o fato de ele ter aceitado você!” Charles Haddon Spurgeon 3. O papel do indivíduo A obra de Cristo consumou tudo o que é necessário para nossa salvação; o Espírito a aplica a você. Assim, o que você deve fazer para ser salvo? Absolutamente nada! Não há nenhuma obra inacabada para você completar. A bem conhecida passagem de Efésios 2:8,9 captura a essência da maravilha da idéia de “nenhuma obra” da nossa salvação: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” A Bíblia não poderia ser mais clara, poderia? A salvação “não vem de nós mesmos” e não vem “de obras”. Não pode ser baseada naquilo que você faz, desde que foi Cristo quem fez. Não pode ser uma obra que você realiza, desde que Cristo já realizou a obra completa. Desde que suas obras não têm nada a ver com a obra de Cristo, então nunca mais devemos ficar confusos sobre essas duas questões principais: Primeiro, a noção de que “tenho de praticar boas obras para ser salvo”. Segundo, a idéia de que “devo parar de praticar ‘obras más’ para ser salvo”.
  17. 17. “Boas obras” é apenas outra forma de descrever “obras”. Desde que a morte de Cristo na cruz é a única “obra” que o Deus Pai aceita como pagamento por seus pecados, suas “boas obras” são totalmente irrelevantes diante daquilo que Cristo fez. Além disso, suas obras estão 2.000 anos atrasadas, para fazer alguma diferença! A outra dificuldade de tentar encontrar uma solução para o problema do pecado contra Deus fazendo “boas obras” é que Deus não determinou que serviços comunitários e esmolas seriam um pagamento aceitável para a rebelião contra ele. Pelo contrário, desde o início (já no jardim do Éden) Deus disse que a punição para a desobediência seria a morte. Serviços comunitários podem ser um bom pagamento para excesso de velocidade e embriaguez, mas não substituem a pena de morte, não importa quantas horas de serviço você faça.”Obras más” também é apenas outra maneira de descrever “pecados”. Desde que a morte de Cristo na cruz já pagou por cada “pecado” individual, que você já cometeu ou ainda cometerá, parar de praticar “obras más/pecados” não mudará nada com relação à sua salvação. O fato de você pecar ou não amanhã não muda em nada a obra consumada de cristo há 2.000 anos! Quando você sente medo em seu coração sobre “o que acontecerá se eu cometer um pecado grande, terrível, no futuro... será que Deus vai me perdoar?”, esqueceu que todos os seus “pecados grandes e terríveis” estavam no futuro quando Cristo morreu por você. Um pecado terrível cometido há vinte anos e um pecado terrível a ser cometido daqui a vinte anos já foram pagos na morte de Cristo. Portanto, com relação à sua salvação, você deve se sentir inteiramente impotente. Não importa para onde se vire, não há nada que possa fazer para corrigir o problema. Não adianta se esforçar mais e praticar mais boas obras. Nem se esforçar mais e evitar mais obras mais. Você não pode fazer nada para resolver o problema de seu pecado, ou para merecer o perdão divino. Então, o que você deve fazer para se salvar? Repito: absolutamente nada! Assim, deixe-me ajudá-lo a reformular a questão: “Desde que sou pecador, e voluntariamente desobedeci a Deus e mereço o castigo da morte eterna, como me conecto com o que Cristo fez por mim na cruz e recebo o perdão de Deus e a vida eterna? O querido apóstolo João tinha sua pergunta em mente quando escreveu: “Mas, a todos quantos o receberam, deu- lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que crêem no seu nome” (Jo 1:12). Já que não há absolutamente nada que você possa fazer, e desde que Jesus terminou completamente a obra por você, tudo o que lhe resta é crer que ele fez tudo e recebê-lo como Salvador. Nada mais funcionará. Nada menos funcionará. O DOM DA SALVAÇÃO Você quer dizer que é só isso? Parece tão simples, tão fácil. É como simplesmente estender a mão e receber um presente que está sendo oferecido especialmente a você. Paulo disse à igreja de Éfeso: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé, e isto não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2:8). João disse à igreja em geral: “Quem crê no Filho tem a vida eterna” (Jo 3:36). Paulo e Silas disseram ao carcereiro filipense: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa” (At 16:31). Filipe discutiu sobre isso com o eunuco etíope: “Então, Filipe explicou e, começando por esta passagem da Escritura, anunciou-lhe a Jesus. Seguindo eles caminho fora, chegando a certo lugar onde havia água disse o eunuco: Eis aqui água; que impede que seja eu batizado? [Filipe respondeu: É lícito, se crês de todo o coração. E, respondendo ele, disse: Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus]” (At 8:35-37). Jesus disse a Nicodemos: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3:16). Assim, meu amigo, quantas outras pessoas alem de Paulo, Silas, João, Filipe e o próprio Jesus terão de dizer a mesma coisa, para que reconheçamos que nossa salvação é obra de Cristo e que requer nossa fé naquilo que ele consumou na cruz? Ele derramou seu precioso sangue, como pagamento pleno e total por nossa pena de morte, por causa do pecado contra Deus. Se você nunca se prostrou diante do rei da Glória e recebeu seu dom incomparável da vida eterna, então agora tem a chance de se ajoelhar e dizer para ele, de todo coração: “Senhor prostro-me humildemente, confessando que sou pecador e que mereço a pena de morte que tu declaraste como pagamento justo por todo meu pecado. Confesso que nada que eu faça poderá pagar pelo meu pecado, exceto minha morte física e eterna. Aceito a morte e a ressurreição de Cristo por mim, e recebo seu dom maravilhoso da vida eterna. Aceito o senhor Jesus Cristo com meu Salvador. No nome dele, amém.” Se você acabou de receber o dom da salvação de Deus, então realmente nasceu de novo e entrou no primeiro estágio da santidade! 3 APRESENTE-SE A DEUS
  18. 18. Consagração é entregar a Deus uma folha em branco, com o nosso nome assinado embaixo, para que ele preencha. M.H. Miller Meu coração ainda estava descompassado e o suor ensopava minhas costas. A intensidade dos últimos 35 minutos de palestra tinha me exaurido. O Senhor tinha se movido poderosamente no estádio, e milhares de homens vinham à frente, demonstrando arrependimento genuíno e o coração aberto para um novo compromisso. Eu estava sendo encaminhado por um longo corredor para o interior do estádio, para uma pequena sala, onde faria a ultima entrevista de rádio do dia. Nunca esquecerei o momento em que a porta se abriu, revelando sete microfones, todos apontados em minha direção, como pontas de lanças numa selva hostil. Todos os entrevistados queriam fazer a primeira pergunta, mas uma pergunta se destacou: - Dr.Wilkinson, o senhor não acredita de fato que aqueles homens foram mudados, não é? Todos sabemos que ninguém muda simplesmente indo à frente e tomando uma decisão emocional numa conferência. Era um momento propício para alguém mais desembaraçado, como meus amigos Tony Evans ou Joe Stowell – o que eu estava fazendo ali? - É uma boa pergunta – arrisquei – Deixe-me responder com outra pergunta: você é casado? - Que diferença isso faz? – o repórter respondeu na defensiva, mas depois acrescentou: - Sim, sou. Sem perder o contato visual, continuei: - Quando casou, você foi à frente? Caminhou pelo corredor central? Naquele momento, você não estava tão emocionado quanto todos ficam no momento do casamento? O repórter atenuou um pouco sua atitude defensiva: - Suponho que sim... mas o que isso tem a ver? - Quando você foi à frente naquele dia assumiu um grande compromisso, não diria que aquela decisão emocional literalmente mudou toda a sua vida? A hostilidade desapareceu completamente da face dele. Abrandou sua atitude, quando a verdade penetrou sua incredulidade. Pense nisso: será que uma única decisão pode mudar a vida de uma pessoa? É claro que pode. E não somente isso: uma decisão pode mudar sua vida, e é exatamente assim que todas as pessoas são mudadas! De fato, se você fizer um retrospecto de sua vida, descobrirá que ela tem sido determinada exatamente pelas decisões que tomou. Cada decisão representa um ponto crucial – um momento que influenciou seu futuro, moldou sua carreira profissional, sua família e até determinou seu destino eterno. Jamais subestime o significado de uma decisão, principalmente as decisões mais importantes. As decisões mudam sua vida. No final deste capítulo, vou convidá-lo a tomar uma decisão que, como você verá em breve, pode mudar sua vida para sempre. O SEGUNDO ESTÁGIO DA SANTIDADE Você já ficou perplexo diante de algo que já conhecia, mas que de repente passou a ver num contexto diferente? Foi exatamente o que aconteceu comigo, quando reli todas as referências no Novo Testamento em que aparecia a palavra “santidade”. Fiquei perplexo ao ler Romanos 12:1 – um texto conhecido de longa data. Minha primeira inclinação foi ignorá-lo, ao buscar uma idéia nova, mas felizmente decidi não deixar nada de lado e refazer aquele caminho bem conhecido. Para minha grande surpresa, Romanos 12:1 revelou distintamente o segundo estágio da santidade. Esse texto não somente não se encaixava no primeiro estágio como vinha na seqüência, de forma lógica e bíblica. Veja o esboço de sete partes deste versículo: 1. Rogo-vos, pois, 2. Irmãos, 3. Pelas misericórdias de Deus, 4. Que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, 5. Santo e 6. Agradável a Deus, 7. Que é o vosso culto racional. Como você pode ver imediatamente, esta santidade não tem nada a ver com se tornar crente em Jesus Cristo. O apóstolo Paulo está falando sobre “apresentar” seu corpo como sacrifício vivo ao Senhor, uma ação que segue a decisão de tornar-se cristão. Desde que “santo” significa separado, este segundo estágio requer que o cristão se “separe” para o Senhor de uma maneira “santa” aos olhos de Deus. Entenda o que estou dizendo: um segundo estágio no processo de santidade ocorre quando o crente toma a decisão de “apresentar-se” ao Senhor. Trata-se de um compromisso com Deus, separado da decisão de crer em Jesus Cristo, e que leva o crente adiante, no caminho da santificação. Lamentavelmente, a maioria dos cristãos hoje não compreende este segundo estágio da santidade e subestima sua importância na busca da santidade prática. Além de a Bíblia mostrar claramente seu poder fundamental, as experiências de cristãos por toda a história da igreja dão testemunho do significado estratégico deste segundo estágio.
  19. 19. Romanos 12:1 convida o indivíduo que já passou pelo primeiro estágio a dar o próximo passo. Em trinta anos de ministério ao redor do mundo, descobri que apenas uma pequena porcentagem de cristãos dá este passo. Sem compreender e irromper pelo segundo estágio, você se encontrará repetidamente titubeando em sua busca da santidade pessoal. O CONVITE PARA APRESENTAR-SE A SI MESMO Este capítulo vai explorar a questão de “apresentarmo-nos” a Deus. Na realidade, este processo divide-se em três partes: convite, motivação e cerimônia em que o cristão decide apresentar-se plenamente ao Senhor. Enquanto atentamos para o que as Escrituras têm a dizer sobre a apresentação, minha oração é para que você decida unir-se àqueles que compreendem e escolhem tomar essa decisão fundamental de apresentação pessoal. 1. A apresentação não é uma ordem, mas um convite “Rogo-vos, pois” estabelece o tom do restante do versículo. Em vez de uma ordem, o apóstolo Paulo “roga” à sua audiência – o que significa “suplicar” ou “pedir com insistência” – para que façam algo. Sempre que você roga a uma pessoa, está tentando atingir seu coração e sua mente. Paulo reconhece que para que a apresentação de alguém a Deus tenha significado e cause mudanças na vida, tem de ser de coração. Entretanto, ele não pede aos seus leitores que forcem tal apresentação; se desejasse mais obediência, teria dado uma ordem. 2. A apresentação é oferecida aos cristãos nascidos de novo Provavelmente Romanos é o livro mais profundo do Novo Testamento. Paulo destaca nele as principais doutrinas da fé cristã e as apresenta da forma mais lógica e incisiva. Para interpretar corretamente essa epístola e aplicá-la de maneira adequada, temos de considerar sua estrutura e sua audiência. A epístola aos Romanos sem dúvida foi escrita para cristãos. “A todos os amados de Deus, que estais em Roma, chamados para serdes santos...” (Rm 1:7). Lembre-se que no primeiro estágio da santidade indivíduos chamados “santos” são nascidos de novo e separados na mente e no coração de Deus. Além de serem nascidos de novo, Paulo vai adiante, descrevendo-os em termos radiantes: “Em todo o mundo, é proclamada a vossa fé”. Portanto a audiência original da epístola era formada pelos salvos. De fato, Paulo refere-se a eles como os “amados de Deus” (1:7) e “irmãos” (12:1). Não há nenhuma duvida de que este versículo foi escrito para aquele que crê em Jesus Cristo para a salvação, pois é impossível para um incrédulo fazer o que o texto ensina com qualquer outro resultado exceto a frustração. Se uma pessoa que não é “santa” ou “amada de Deus”, ou parte dos “irmãos” busca devotar-se ao Senhor, não será recebida. Sua apresentação como sacrifício vivo não é “santa” nem “agradável a Deus”. Por quê? Porque como Paulo relacionou cuidadosamente em Romanos 1-5, a única forma válida e aceitável de aproximar-se de Deus é por meio do sangue derramado de Jesus Cristo. Quando indivíduos que não crêem em Jesus buscam se devotar a Deus, estão tentando alcançar o favor divino por meio de um ato de sacrifício pessoal e não por meio do sacrifício de Cristo. Deus é bem claro, a salvação não existe exceto pela morte e ressurreição de Jesus Cristo. A apresentação a Deus como sacrifício vivo só pode ser aceitável por causa da aceitação do sacrifício vicário de Cristo na cruz. 3. A apresentação é separada da salvação e segue a ela Cada geração encontra suas próprias dificuldades com relação ao Cristianismo bíblico. De alguma forma, a verdade é misturada com um pouco de mentira e depois espalhada, sendo aceita como plena verdade. Há algumas semanas, deparei com uma situação dessas. Não importa a freqüência com que isso ocorra no ministério, todas as vezes sou apanhado desprevenido. Havia acabado de concluir três dias de ensino intensivo sobre santidade pessoal para um grupo de pastores e líderes. O Senhor tinha operado com poder, de várias formas, e muitos expressaram como suas vidas tinham sofrido mudanças profundas. Depois do final da conferência, eu estava expressando minha gratidão e incentivando os participantes a ensinar sobre o assunto em suas igrejas e organizações. Um jovem pastor apertou minha mão e expressou entusiasmado como tinha sido tocado pelo curso e estava disposto a ensinar a outros. Disse que ia mostrar a série de vídeos Personal Holiness in Times of Temptation (Santidade Pessoal em Tempos de Tentação) aos homens de sua igreja e depois acrescentou: - É claro que mostrarei apenas as partes 2,3 e 4. Não posso mostrar a parte 1. Seu comentário me deixou confuso, por isso perguntei: - Por que não mostrar a parte 1 da série? Nunca esquecerei sua resposta. - Porque na parte 1 você apresenta o falso evangelho.
  20. 20. Quase caí de costas! Jamais, em todos os meus anos de ministério, tinha sido acusado de apresentar um “falso evangelho”. Em uma de suas epístolas, o apóstolo Paulo fala claramente: “Ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl 1:8). Não conheço afirmação mais séria. Assim, ao ouvir aquelas palavras, respirei fundo e pedi ao pastor que explicasse o que queria dizer. Quando compreendi seu ponto de vista, fiquei com o coração partido. Ele acreditava que temos de nos apresentar como sacrifício vivo para sermos salvos. O que você acha que é necessário para que um indivíduo receba o dom da vida eterna proporcionado por meio do sangue derramado de Jesus Cristo? Mais especificamente, o que a pessoa precisa fazer, além de crer na obra completa e total de Cristo? Você tem de se consagrar a ele, de alguma forma, para ser salvo? Tem de se devotar a ele para ser salvo? É claro que não – a Bíblia é clara: “Crê no Senhor Jesus e serás salvo...” (At 16:31) Crer e devotar-se são coisas diferentes. Posso crer em alguém sem entregar minha vida a ele. Será que é um falso evangelho ensinar que crer em Jesus é uma ação separada e distinta de se apresentar a ele em consagração plena ou devoção? Embora eu já tenha lido muitos argumentos a favor de se acrescentar coisas à fórmula “crê no Senhor Jesus e será salvo...”, continuo firme em minha convicção de que a Bíblia ensina que nada salvará uma pessoa exceto a fé genuína em Cristo e o que ele realizou por meio de sua morte vicária e sua ressurreição há 2.000 anos. Acrescentar outro passo ou outra condição é antibíblico. A apresentação ocorre quando o cristão nascido de novo voluntariamente dedica-se e consagra-se ao Senhor. Será que ele precisa “dedicar-se e consagrar-se voluntariamente” ao Senhor para ser salvo? Não. Aquele pastor bem- intencionado entendeu que por eu deliberadamente separar “dedicação a Cristo” de “crer em Cristo” ensinava um falso evangelho. Em seu ponto de vista, a menos que uma pessoa se devotasse totalmente a Jesus Cristo – inclusive na consagração e dedicação – não poderia ser salva. O QUE A BÍBLIA ENSINA SOBRE SALVAÇÃO E DEDICAÇÃO Romanos 12:1 apresenta uma resposta muito clara a essa questão importantíssima. “Rogo-vos, pois irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis os vossos corpos por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”. Pense assim: 1. O Livro de Romanos foi escrito pra cristãos. 2. Portanto, os leitores da carta já eram nascidos de novo. 3. Romanos 12:1 exorta os cristãos a se apresentarem a Deus. 4. Com base nisso, concluímos que alguns cristãos ainda não tinham se apresentado a Deus. 5. Assim, a apresentação a Deus não é exigida para se ter uma experiência de salvação. 6. Desde que cristãos nascidos de novo são exortados a se apresentarem a Deus, a apresentação pode seguir e não tem de ocorrer simultaneamente. 7. Além disso, desde que Romanos 12:1 exorta os cristãos de Roma como grupo, usando o plural “irmãos”, vários cristãos naquela igreja ainda não tinham se apresentado a Deus. 8. A situação dos cristãos numa igreja local na qual uma parte dos membros ainda precisa se apresentar a Deus pode ser mais regra do que exceção. 9. Desde que Romanos 12:1 foi escrito a vários cristãos que tinham sido salvos num período que podia variar de alguns dias a muitos anos, pode haver um extenso período de tempo entre a decisão de crer em Cristo como Salvador e a decisão posterior de se devotar totalmente a Deus. 10. Embora o texto não declare explicitamente, creio que Romanos 12:1 permite supor que um cristão verdadeiro, nascido de novo, pode viver toda a sua vida cristã sem “se apresentar”. A salvação não depende da consagração ou dedicação, senão provavelmente Paulo diria: “Vocês ainda não se apresentaram ao Senhor, e isto prova que não são nascidos de novo! Em vez disso, ele roga que como cristãos se dediquem totalmente a Deus. Resumindo, a consagração ao Senhor não ocorre necessariamente ao mesmo tempo que a salvação e não é uma exigência para que ela se realize. Consagração é um ato voluntário de um cristão verdadeiro e pode ocorrer no momento da salvação, logo depois ou muitos anos mais tarde. Talvez nunca ocorra! Paulo não disse que os cristãos romanos que não haviam se apresentado a Deus não eram salvos. Nem os advertiu que perderiam a salvação se não dedicassem a vida ao Senhor. Consagração e salvação são coisas distintas, separadas (em alguns casos) por vários anos. A apresentação (ou consagração, dedicação ou o termo que preferir), portanto, não é uma exigência para que haja salvação. A consagração ocorre quando o cristão decide, por livre e espontânea vontade, dedicar-se a Cristo de forma mais profunda e significativa. O conceito de “fé madura” ou “discipulado” deve ser separado como uma verdade distinta da “salvação” ou o evangelho é tragicamente maculado. Considere com cuidado as palavras de Oswald Chambers: “Discipulado e salvação são duas coisas diferentes: o discípulo é alguém que, reconhecendo o significado da expiação,

×