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  1. 1. TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS: EM FOCO A INTELIGÊNCIA LÓGICO-MATEMÁTICA Gisele Fernanda Berteloni UNIMESP – Centro Universitário Metropolitano de São Paulo Novembro/2008 1. Histórico No final do século XVIII, Franz Joseph Gall, ainda estudante, observavaos diversos modos como os seus colegas de escola se relacionavam entre si,bem como suas características físicas e pessoais. Sua preferência eraobservar os formatos de suas cabeças, verificando que os crânios humanosdiferem uns aos outros. Gall chamou esses estudos de “frenologia” (estudo doscrânios), pois acreditava que seu formato interferia nas variações de perfisapresentados pelos seres humanos. Gall tinha um parceiro de estudos, Joseph Spurzheim, que o ajudou aestruturar a frenologia, alcançando enorme popularidade na Europa e nosEstados Unidos. No início do século XIX, o cirurgião e antropólogo FrancêsPierre Paul Broca demonstrou, pela primeira vez, um relacionamentoindiscutível entre várias lesões no hemisfério esquerdo do cérebro e umadebilitação lingüística. Entretanto, o século XIX apenas introduziu proposições sobre ascapacidades humanas (mentais), dedicando-se a experimentos com o objetivode relacionar áreas específicas do cérebro e determinados comportamentos oufunções cognitivas específicas. A psicologia como ciência começou a ganhar seriedade somente a partirda segunda metade do século XIX, principalmente com Wilhelm Wundt naAlemanha e William James nos Estados Unidos. Estes foram sem dúvida osprimeiros psicólogos que almejavam fazer da psicologia uma disciplina distintada fisiologia e da neurologia. Entretanto, eles mantinham pouco contato entresi, o que retardou o desenvolvimento da nova ciência. Enquanto Gall estudava os conteúdos mentais específicos comolinguagem, música ou diversas formas de percepção visual, Wundt e James 1
  2. 2. estudavam algumas faculdades mentais, como a memória, percepção,atenção, associação e aprendizagem. Um dos instrumentos de verificação utilizados pelos psicólogos foram ostestes para classificar os seres humanos, comparando desempenhos emedindo níveis de capacidades mentais. Mas, gradativamente, perceberamque para obterem resultados mais precisos, seria necessário observarprincipalmente capacidades mais complexas como a linguagem e a abstração. O principal pesquisador de testes para medir e comparar capacidadesintelectuais foi o francês Alfred Binet e seu colega Théodore Simon, no iníciodo século XX, que projetaram os primeiros testes de inteligência para separaras crianças que apresentavam dificuldades para seguir as atividades declasse. Assim, os testes ganharam cada vez mais popularidade nas escolas, noexército e em organizações industriais. Até pouco tempo atrás, a maioria dos psicólogos concordava que atestagem de inteligência foi sem dúvida a maior conquista da psicologia. Nãoobstante, esta concepção vem mudando, pois podemos encontrar inúmeraslimitações nos próprios instrumentos e em sua aplicação, sendo que até aquestão da hereditariedade tem sido desacreditada. À medida que o estadoemocional de um indivíduo influencia nos resultados dos testes, o grau deinteligência obtida num teste hoje pode ser diferente do resultado de amanhã. Conforme demonstrou Stephen Jay Gould (apud in Gardner, 1994, p.13), “não há nada intrinsecamente superior em relação a qualquer uma dessasmedições matemáticas. Quando o assunto é a interpretação dos testes deinteligências nos defrontamos com uma questão de gosto ou de preferência aoinvés de com uma sobre a qual a conclusão científica que tende a ser atingida”. Ampliando os horizontes na questão da inteligência, pode-se citarHoward Gardner, psicólogo americano de 56 anos, professor de Cognição eEducação e co-diretor do Projeto Zero, no Harvard Graduate School ofEducation, e professor adjunto de Neurologia na Boston University School ofMedicine. É autor de dezoito livros, incluindo “Estruturas das Mente” que foilançado nos Estados Unidos em 1983, publicado no Brasil em 1994. Junto auma equipe de pesquisadores, divulgou a teoria de inteligências múltiplas,questionando a visão predominante de inteligência centrada basicamente nashabilidades lingüística e lógico-matemática. 2
  3. 3. Assim, Gardner é um crítico implacável dos testes de QI e de aptidãoescolar. Em sua teoria, identifica sete “tipos” de inteligência, que serãocaracterizadas no capítulo 2, sendo que em cada pessoa elas se combinam deforma diferente. Na educação, a teoria de inteligências múltiplas implica odesenvolvimento de avaliações que sejam adequadas às diversas habilidades,a criação de currículos específicos e um ambiente educacional mais amplo evariado. Gardner é considerado um dos principais pedagogos deste final deséculo. Mesmo tendo sido influenciado por Piaget, apresenta uma posiçãocontrária em alguns aspectos. Segundo Piaget (1992), o estágio final do desenvolvimento cognitivo deum indivíduo encontra-se no início da adolescência, pois este já é capaz derealizar operações formais, de fazer abstrações e raciocinar logicamente diantedos problemas que o cercam. Afirma que o indivíduo pode continuar a fazerdescobertas, mas não passa mais por mudanças qualitativas em seupensamento. Para Gardner (1994), a teoria de Piaget apresenta pontos positivos enegativos. Assim, o fato de se analisar os estágios de desenvolvimento dacriança de acordo com as estruturas mentais de cada fase é visto por Gardnercomo positivo. Entretanto, o fato de não se analisar as etapas necessárias paraadquirir outras competências como: desenhar, atuar, esculpir com um artista oupersuadir, alegar, contestar, defender como um advogado ou possuir algumtipo de liderança como os políticos e até habilidades para esportes, foiconsiderado por Gardner como um aspecto negativo. Gardner também relevou os fundamentos biológicos da inteligênciacomo um ator genético e perspectiva neurobiológica, devido à sua formaçãoem medicina neurológica. Ele afirma que: “...embora a genética ainda prove ser de utilidade limitada para o estudioso da inteligência, uma revisão da neurologia, incluindo as especialidades na neuroanatomia, neurofisiologia e a neuropsicologia – promete produzir frutos substanciosos. O conhecimento nervoso está se acumulando rapidamente quanto o conhecimento da genética e os achados são muito mais próximos por assim dizer, dos fenômenos da cognição e da mente” (1994, p.28). 3
  4. 4. Embora considerando a importância dos aspectos biológicos da teoriade Gardner, nos deteremos nos aspectos psicológicos e sociais da mesma,sem diminuir o grau e sem menosprezar a importância dos aspectos puramentebiológicos.1.1 Sobre o Conceito de Inteligência Se estivéssemos em meados do século XIX, seria fácil apresentar umconceito pronto de inteligência, pois ainda existia a cultuação por pessoas queapresentavam um alto QI (Coeficiente de Inteligência Intelectual). Assim, aspessoas que apresentavam facilidade em resolver questões de lógica-matemática e de lingüística eram consideras inteligentes. Porém, estesconceitos vêm mudando gradativamente de acordo com o progressotecnológico e com o desenvolvimento da sociedade moderna e torna-se quaseque impossível apresentar um conceito único e universal de inteligência nosdias de hoje. Logo, não há uma lista que possa ser universalmente aceita sobre asinteligências humanas. Em relação a isto, Gardner afirma que: “Jamais um rol mestre de três, sete ou trezentas inteligências que possam ser endossadas por todos os investigadores. Podemos nos aproximar mais desta meta se nos mantivermos apenas em um nível de análise (digamos, neurofisiológico) ou com uma meta (digamos, previsão de sucesso numa universidade técnica); mas se buscamos uma teoria decisiva sobre o alcance da inteligência humana, podemos esperar jamais concluir nossa busca” (1994, p. 45). Diante disso, surge a seguinte questão: por que prosseguir num caminhotão relativo e indefinido em relação à inteligência? Provavelmente porque háuma grande necessidade das pessoas a serem avaliadas por suas habilidadese competências e serem valorizadas como tal. Há a necessidade de umareclassificação de todas as competências intelectuais humanas, pois novosestudos e pesquisas estão surgindo e precisam ser revisados para os queterão acesso a estes. Assim, quem sabe, possam mudar o conceito tradicionalque a maioria das pessoas conhecem sobre inteligência. 4
  5. 5. Para que este conceito não pareça muito aleatório, podemos entender ainteligência como a capacidade que um indivíduo possui para resolver e criarproblemas/situações de qualquer ordem ou grau. Este conceito foi elaboradopor Gardner - Estruturas da Mente (1994) - onde ele defende que umacompetência intelectual humana deve apresentar um conjunto de habilidadesde resolução de problemas que tem alguma importância dentro de um contextocultural. Assim, a competência é vista como um critério para qualificar oudesqualificar a ação de um indivíduo, mas não determina o “grau” da mesma,somente oferece ”aparentemente” evidências de que um indivíduo é pouco oumuito inteligente em relação ao problema. Trata-se, portanto, de uma questãocultural e social sobre o assunto. Dentro desta perspectiva, existem outras inteligências, além dasconvencionais, que vem surgindo com novas pesquisas e estudos feitosrecentemente, declarando que a mente humana pode favorecer váriashabilidades e/ou habilidades específicas valorizadas ou não pelo meio social noqual o indivíduo está inserido. Sobre o assunto, no Brasil, há o professor Nílson José Machado, queaprova a teoria de Gardner e acrescenta mais duas novas inteligências –Pictórica e Naturalista. Há ainda Celso Antunes que iniciou sua carreira comoprofessor de Geografia no colégio Alberto Conte, em 1958, mas o seuentusiasmo pela profissão levou-o a buscar em diferentes cursos deespecializações pedagógicas, tornando-se um colecionador de jogospedagógicos. Anos depois, assumiu a Coordenação e também a Direção dealgumas grandes escolas de São Paulo, o que tornou possível experimentaresses jogos em outras áreas e para outras faixas de idade. Estes jogos podemser encontrados e seu livro “Jogos para Estimulação das MúltiplasInteligências”(2000). Verifica-se que Antunes atribui maior ênfase aos estímulos feitos àsdiversas inteligências através de jogos com objetivos e métodos específicospara cada uma. Porém, faz uma breve apresentação das inteligências,baseado-se em Howard Gardner, e acresce a competência "pictórica"apresentada pelo professor Nílson José Machado. Esta competência semanifesta em qualquer criança que desenhe transmitindo mensagens sem a 5
  6. 6. presença da escrita, como os cartunistas e grandes pintores cujas obras "falampor suas expressões não verbais". Na obra acima citada, Antunes (2000), declara que os jogos foramorganizados por inteligências específicas que atuam sempre de formainterdisciplinar e estimulam simultaneamente outras inteligências em maior oumenor grau, levando em conta os Parâmetros Curriculares Nacionais. Alemdisso, o livro é destinado também aos pais que conhecem a verdadeira idadecognitiva de suas crianças. O autor faz uma referência relevante à palavra"jogo": "Neste Manual empregamos a palavra jogo como um estímulo aocrescimento, como uma astúcia em direção ao desenvolvimento cognitivo e aosdesafios do viver, e não como uma competição entre pessoas ou grupos queimplica vitória ou derrota” (2000, p.11). Também apresentam propostas de trabalho sujeitas a adequações, deacordo com as necessidades da clientela. Assim, não se trata de atividadescriadas/inventadas por ele, mas uma coleta destas no decorrer de sua vidaprofissional. A forma utilizada para a resolução e até para a escolha de um problemadependerá sempre do tipo de inteligência que o indivíduo possui em maiorgrau, juntamente com o interesse e a habilidade necessária para tanto. Assim,para fazer a planta de uma casa, é preciso que o indivíduo tenha habilidadesespecíficas e a inteligência espacial mais aguçada, o que é típico emarquitetos, geógrafos ou marinheiros que percebem o espaço como um todo,assim como suas partes, para produzirem mapas, plantas e outras formas derepresentações planas. Entretanto, existem várias outras competências que estão distribuídasem maior ou menor grau pela humanidade inteira e algumas delas só precisamser estimuladas de alguma forma para que se desenvolvam. Antunes considera os jogos a melhor estratégia do professor paraestimular o desenvolvimento das inteligências e por essa razão apresentaobjetivos, regras e materiais específicos para cada competência, que podemser adaptados de acordo com o nível de aprendizagem dos alunos e dosrecursos disponíveis na instituição escolar. 6
  7. 7. 1.2 O Desenvolvimento da Mente Humana A mente humana desenvolve-se mediante dois aspectos: a evoluçãobiológica e a evolução histórico-cultural. Embora muitos teóricos tenham feitocontribuições significativas à teoria cognitivo-desenvolvimentista, Piaget é afigura central desta teoria, pois para o autor, o pensamento é a base em que seassenta a aprendizagem e a maneira da inteligência manifestar-se. Piaget denominou sua teoria de epistemologia genética, pois estudou aevolução do conhecimento (desenvolvimento) em crianças e a partir daspesquisas efetuadas sistematizou a evolução do pensamento. Cada período dedesenvolvimento é caracterizado por aquilo que todas as crianças normaisconseguem fazer, considerando faixas etárias específicas. Apresenta-se a seguir uma sistematização das etapas dodesenvolvimento cognitivo baseado na teoria de Piaget: Quadro – Desenvolvimento Cognitivo Segundo Piaget PERÍODO ESTÁGIO CARACTERIZAÇÃO Inicia o desenvolvimento de algumas habilidades0 a 18/24 meses 1. Sensório-Motor motoras básicas (sentar, rolar, engatinhar, etc) A criança está na fase egocêntrica.2 a 7 anos 2. Pré-Operatório O conhecimento através dos órgãos dos sentidos é mais aguçado (manipulação). Através da manipulação, a7 a 11/12 anos 3. Operações Concretas criança consegue resolver problemas concretos. É capaz de fazer abstrações, sem aA partir de 12 anos 4. Operações Formais necessidade da manipulação concreta.Fonte: Quadro elaborado pela pesquisadora 7
  8. 8. Segundo o autor, todos os indivíduos passam pelos estágios acimasistematizados. Entretanto, as idades atribuídas ao surgimento dos estágiossão um referencial variável, que podem alterar-se de acordo com ascaracterísticas biológicas, educacionais ou sociais da criança. Deve-seressaltar que a construção de uma nova fase depende da realização plena dasanteriores. Não se pode saltar etapas, pois acarretam prejuízos posteriores àaprendizagem. Estes problemas são geralmente diagnosticados quando a criança iniciasua vida escolar, pois estará em contato com atividades que requeremhabilidades específicas. Sendo assim, é mais fácil para o professor perceberalguma deficiência da criança na sala de aula do que os pais em casa. Assim,o professor deve trabalhar com estratégias adequadas a fim de contribuir nestesentido. A escola é o local onde as crianças passam a maior parte do tempo pordiversas questões de ordem socioeconômicas e portanto este ambiente deveoferecer estímulos diversificados que a criança não encontra em casa,principalmente no caso de alunos carentes, compreendendo que “..nenhumacriança é uma esponja passiva que absorve o que lhe é apresentado. Aocontrário, as crianças modelam ativamente seu próprio ambiente e se tornamagentes de seu processo de crescimento e das forças ambientais que elasmesmas ajudam a formar. Em síntese, o ambiente e a educação fluem domundo externo para a criança e da própria criança para seu mundo." (Antunes,2000, p. 16). Diante desta citação, pode-se concluir que a criança faz parte doprocesso e deve ser avaliada de acordo com as habilidades que utilizou paracompor o mesmo processo de aprendizagem. A noção das inteligências múltiplas dificilmente poder ser cientificamentecomprovada, já que ela é uma idéia que recentemente adquiriu o direito de serdiscutida seriamente, através de Howard Gardner e de seus estudos comindivíduos prodígios, talentosos, pacientes com danos cerebrais. Gardner apresenta também um grupo de "inteligências candidatas”,incluindo as que são ditadas pelo senso comum, como a capacidade deprocessar seqüências auditivas, bom senso ou intuição notável (sinais de"prodigiosidade") e capacidade executiva. Nesta questão, é importante 8
  9. 9. ressaltar que "em nenhum caso uma inteligência é completamente dependentede um único sistema sensorial, nem nenhum sistema sensorial foi imortalizadocom inteligência” (1994, p. 51). Assim, as inteligências são capazes derealização através de mais de um sistema sensorial. E e´ um erro tentar fazercomparações entre elas, pois cada uma deve ser pensada como um sistemapróprio e com suas próprias regras.1.3 A Inteligência Lógico-Matemática Em geral, as pessoas que possuem a inteligência matemática apresentam facilidade em resolver problemas, pois seu raciocínio lógico é muito rápido e bem desenvolvido. São pessoas que conseguem analisar o todo e suas partes com objetividade e surpreendem os que estão à sua volta, já que resolvem os problemas com rapidez e eficiência. No contexto atual, esta é uma das habilidades mais valorizadas, seja no setor educacional ou mercantil. Assim afirma Antunes (2000, p.30): “Entre todas as inteligências, indiscutivelmente, a lógico- matemática e a verbal são as de maior prestígio. Uma vez que a matemática e a leitura se encontram entre as mais admiráveis conquistas da sociedade ocidental, é compreensível que os expoentes dessas inteligências estejam muito mais próximos de serem considerados “gênios” do que os que possuem ou possuíram notável inteligência cinestésica, corporal, naturalista, intrapessoal e outras.” A lógica esteve presente em todo processo de desenvolvimento dassociedades atuais. O seu expoente máximo foi sem dúvida Aristóteles, queviveu no século IV antes de Cristo e que pode ser considerado o primeirofilósofo que se preocupou com a necessidade de estabelecer regras para aargumentação, as eternas falácias ou sofismas. O fato de estabelecer argumentos faz parte das características de umapessoa lógica e esta atividade é bastante aproveitada pelos professores, nosentido de promover questionamentos básicos. Para tanto, são utilizados atéjúris simulados em sala de aula para estimular o desenvolvimento dainteligência lógico-matemática. 9
  10. 10. Dentro desta proposta, temos uma citação de Machado (1998) naintrodução de sua obra Lógica? É lógico! da Coleção Vivendo a Matemática,aonde vem a confirmar: “Algumas pessoas gostam de dançar, outras não. Há quem vibre ao dirigir automóveis e quem sinta sono na direção. Como tudo na vida, há quem goste de Matemática e quem não a veja com bons olhos. Mas, para gostar de alguma coisa, é preciso conhecê-la. É preciso experimentá-la e ter a chance de sentir algum prazer neste contato.” Sendo assim, o professor é responsável em tornar prazeroso o contato do aluno com o mundo da Matemática, através de aulas atrativas e concretas, elaborando problemas do cotidiano envolvendo números, objetos matemáticos, cálculos, transformações, etc. Em geral, este tipo de inteligência é mais desenvolvido em Engenheiros, Físicos, Químicos, Matemáticos, Filósofos, Contabilistas, Administradores e Advogados, devido às característica de sua formação e opção profissional, que estão associadas à competência em desenvolver raciocínios dedutivos, em construir ou acompanhar cadeias causais, em vislumbrar soluções para problemas e em lidar com números, cálculos e formas matemáticas. Assim, segundo Machado (1996), pode-se afirmar que “o pensamento científico encontra-se fortemente associado à dimensão lógico-matemática da inteligência”, pois a maioria dos avanços científicos e tecnológicos provém de profissionais das áreas de exatas e biológicas, ou seja, de profissionais que manifestam tal competência em maior destaque do que as outras. No âmbito escolar, o currículo é fragmentado por disciplinas e áreas de conhecimento específicas, sendo a matemática o saber mais valorizado pelos docentes. Entretanto, este saber deveria ser integrado a outros conteúdos e outras formas de avaliação, para que a criança tenha oportunidade de manifestar as habilidades que melhor domina e para que seja avaliada de acordo com seu potencial. É importante enfatizar que a inteligência lógico-matemática, como as demais, está presente em todas as pessoas, mas em algumas se mostra 10
  11. 11. mais acentuada e a questão do estímulo, tanto em casa como na escola, será o fator-chave para o desenvolvimento desse tipo de inteligência. 2. A Teoria na Prática – Conclusão Com o objetivo de desenvolver aulas mais interessantes, Antunes (2000)elaborou uma extensa coletânea de jogos a ser utilizada por pais eprofessores, com a finalidade de estimular as inteligências múltiplas nosalunos. Por essa razão, ele se intitula “colecionador de jogos pedagógicos”(Antunes, 2000, p.9). Os jogos sugeridos podem ser utilizados de maneira a levar em conta osParâmetros Curriculares Nacionais, embora o autor tenha se preocupado coma abrangência pluricurricular. Assim, tomou o cuidado de não indicar o materialpor faixa etária, pois não toma por base a idade das crianças e sim ashabilidades cognitivas a serem desenvolvidas, uma vez que a idade biológicapode diferir da idade cognitiva. Por isso, adverte: “..no Brasil a idade da criança é sempre um ícone subordinado às condições materiais da família, econômicas e do meio ambiente (...) a diversidade de estímulos ambientais interferrem no desenvolvimento físico, cognitivo, intelectual e, sobretudo, emocional da criança, ocasionando imensas diferenças individuais...” “Somente as pessoas que acompanham a criança como os pais e professores, são melhores do que ninguém para saber a idade cognitiva de suas crianças” (Antunes, 2000, p.11). Outro autor que se preocupa com o desenvolvimento infantil e que tempesquisado o assunto é Kishimoto, principalmente nos livros Jogos Infantis: ojogo a criança e a educação (1993) e O brincar e suas teorias (1998). Para aautora, o jogo é fundamental para a educação e o desenvolvimento infantil,quer se trate do jogo tradicional infantil, produto da livre iniciativa da criança emarcado pela transmissão oral, ou do jogo educativo que introduz conteúdosescolares e habilidades a serem adquiridas por meio da ação lúdica. Também faz uma relação cultural para a compreensão destedesenvolvimento, ao apontar que: “A compreensão das brincadeiras e apreocupação do sentido lúdico de cada povo dependem do modo de vida de 11
  12. 12. cada agrupamento humano, em seu tempo e espaço. Daí emerge a imagemque se faz da criança, seus costumes e suas brincadeiras”.(Kishimoto,1993,p.63) Ressaltando a objetividade de alcançar o desenvolvimento integral dacriança, a educadora americana White (1977, p.233) aconselha que “Oprofessor deve constantemente ter como objetivo a simplicidade e a eficiência.Deve amplamente ensinar por meio de ilustrações,...“, e nada mais simples,porém objetivos do que jogos orientados. Gardner também é a favor que se procurem métodos que ajudem aspessoas a desenvolverem suas habilidades, afirmando: “..., o propósito da escola deveria ser o de desenvolver as inteligências e ajudar as pessoas a atingirem objetivos de ocupação e passatempo adequados ao seu espectro particular de inteligências. As pessoas que são ajudadas a fazer isso, acredito, se sentem mais engajadas e competentes, e portanto mais inclinadas a servirem à sociedade de uma maneira construtiva.” (Gardner, 1995, p.16). Cabe ao professor desenvolver esta diversidade de competências,valorizando a bagagem cultural de cada aluno e relacionando a prática da salade aula a habilidades a serem aprendidas e ensinadas.2.1 O Papel da Escola diante da Teoria Segundo aqueles que defendem as inteligências múltiplas, é precisorepensar a escola para que ela possa responder efetivamente às diferençasindividuais percebidas entre os alunos, de modo a garantir que todos possamreceber um tipo de educação que maximize o seu potencial intelectual. Assim, a escola deve voltar-se para o desenvolvimento daspotencialidades de cada aluno e basear-se em duas idéias fundamentais. Aprimeira é que nos diversos campos do conhecimento se utilizam diferentesprocessos cognitivos e a segunda é que as diferentes culturas sempre sebeneficiam das diferentes inclinações intelectuais das pessoas. Dessa forma, a escola só terá um significado real na medida em que váao encontro das diferentes inclinações percebidas entre os alunos e as utilize 12
  13. 13. como pontos de apoio para desenvolver outros tipos de inteligências. Paratanto, a escola precisa se preocupar com avaliações periódicas que devem serjustas, considerando sempre os diversos tipos de inteligências e também osníveis de desenvolvimento dos alunos. O ensino da matemática é também muito importante, nesta proposta omesmo deve ser trabalhado de forma interdisciplinar, para que se desenvolvajunto ao aluno habilidades e competências nas diversas áreas doconhecimento.BIBLIOGRAFIA: ALVES, Ubiratan Silva. Inteligências: percepções, identificações eteorias. São Paulo: Vetor, 2002. ANTUNES, CELSO. As inteligências múltiplas e seus estímulos. 8ªed. Ed. Papirus, Campinas, SP: 1998. GARDNER, Howard. Estruturas da Mente: A teoria das InteligênciasMúltiplas. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1994. KISHIMIOTO, Tizuko Morchida. Jogos Infantis: o Jogo a criança e aeducação. Ed. Vozes, Petrópolis/RJ: 1993. LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da Aprendizagem Escolar:estudos e proposições. Cortez Editora, São Paulo: 1998. PIAGET, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão/Yesde La Taille, Marta Kohl de Oliveira, Hebysa Dantas – São Paulo: Summus: 92. MACHADO, Nílson José. Epistemologia e Didática: as concepçõesde conhecimento e inteligência e a prática docente. Editora Cortez, 2º ed.São Paulo: 1996. 13

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