Socorro, sou professor de escola dominical lécio dornas

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Socorro, sou professor de escola dominical lécio dornas

  1. 1. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominical ©1997, de Editora Eclésia ©2002, cedido por Lécio Dornas ■ 1ª edição - Editora Eclésia -1997 2ª edição - Editora Hagnos - 2002 ■ Todos os direitos em lingua portuguesa reservados por EDITORA HAGNOS Rua Belarmino Cardoso de Andrade, 108 São Paulo - SP - 04809-270 Tel/Fax: (0xxll) 5666-1969 e-mail: hagnos@hagnos.com.br www.hagnos.com.br Lécio Dornas ■ PROIBIDA A REPRODUÇÃO POR QUAISQUER MEIOS, SALVO EM BREVES CITAÇÕES, COM INDICAÇÃO DA FONTE. Todas as citações bíblicas foram extraídas da Nova Versão Internacional (NVI), ©2009, Publicada por Editora Hagnos, salvo indicação em contrário._______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 1
  2. 2. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominical ■ Coordenadora Editorial Marilene G. Terrengui Coordenador Produção - Mauro W. Terrengui Revisão: Uthay Caetano dos Santos Filho Capa: Aext Noveau Editoração e Diagramação: Zarlos Terra Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)________________________________________________________Dornas, Lécio Socorro! Sou professor da Escola Dominical / Lécio Dornas.___________________________________________________________ Índice para catálogo sistemático1. Bíblia - Estudo e ensino 2. Educação religiosa 3. Escolas dominicais I. TítuloISBN 85-88234-43-2 02-0852 CDD, 268.3 índices para catálogo sistemático:1. Escolas dominicais: Professores: Educação religiosa: Cristianismo 268.3 2. Professores: Escolas dominicais: Educação religiosa: Cristianismo 268.3 Impressão e acabamento Associação Religiosa Imprensa da Fé SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL Lécio Dornas AUTOR DESTE BEST-SELLER E-book digitalizado e Revisado por: OBREIROS APROVADOS Com exclusividade para: www.bibliotecacrista.com.br _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 2
  3. 3. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominical Capa Aext Noveau Editoração e Diagramação Zarlos Terra Revisão Uthay Caetano dos Santos Filho Coordenadora Editorial Marilene G. Terrengui Coordenador Produção Mauro W. Terrengui Ia edição - Editora Eclésia -1997 2a edição - Editora Hagnos - 2002 Impressão e acabamento Associação Religiosa Imprensa da Fé Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CEP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Dornas, Léco Socorro! Sou Professor da Escola Dominical/ Lécio Dornas. - São Paulo: Hagnos, 2002. ISBN 85-88234-43-2 Bibliografia 1. Bíblia - Estudo e ensino 2. Educação religiosa 3. Escolas dominicais I. Título 02-0852 CDD,268.3 índices para catálogo sistemático: 1. Escolas dominicais: Professores: Educação religiosa: Cristianismo 268.3 2. Professores: Escolas dominicais: Educação religiosa: Cristianismo 268.3 Todos os direitos desta edição reservados à Editora Hagnos Rua Belarmino Cardoso de Andrade, 108 São Paulo - SP - 04809-270 Tel/Fax: (xxll) 5666-1969 e-mail: hagnos@hagnos.com.br www.hagnos.com.brLécio Dornas Socorro! Sou Professor da Escola Dominical _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 3
  4. 4. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominical O AUTOR Lécio Dornas - Durante 15 anos esteve envolvido com a Escola Dominical. Dirigiu por cinco anos o Departamentode Publicações Periódicas da JUERP, serviu por três anos como Secretário Geral da Associação dos EducadoresReligiosos Batistas do Brasil, atuou por quatro anos como Relator da Comissão de Currículo da Coordenadoria deEducação Religiosa do Conselho da CBB e cooperou como professor do Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil edo IBER. O autor foi o idealizador do I Congresso Batista Brasileiro da Escola Dominical que ocorreu no Rio deJaneiro em 1993. É escritor de dezenas de artigos e estudos publicados e voltados para a Escola Dominical. Bacharel emTeologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (RJ) e Professor do Seminário Teológico Batista de MatoGrosso. Lançou, recentemente, o livro O Jornal e a Bíblia — uma demonstração de como é possível interpretar a Bíbliaà luz das questões contemporâneas. O Pr. Lécio Dornas é casado com a Dra. Polliana Boechat Dornas e pai da pequenaSarah. SUMÁRIO BATEU O SINAL, ACABOU A AULA! ......................................................... 6 O CONTEÚDO................................6 EXTENSÃO E TEMPO...................6 ESTRATÉGIA DIDÁTICA..............8 TOCOU O SINAL............................8 QUE ASSUNTO DIFÍCIL! ................ 10 PREPARO ESPIRITUAL...............10 PREPARO BÍBLICO......................11 PREPARO DIDÁTICO..................13 QUE GENTE DESINTERESSADA! . 16 LEVE A SÉRIO O ESTUDO DA BÍBLIA.......................................................16 SEJA PONTUAL E ASSÍDUO......16 DÊ AULAS CRIATIVAS E DINÂMICAS....................................................16 PLANEJE AULAS ENVOLVE17 NAO SE DESCUIDE DA 17 VIVA O QUE VOCÊ ENSINA......17 SEJA UM CRENTE INTEGRADO À SUA IGREJA......................................18 BÍBLIA: QUE LIVRO COMPLICADO! ...................................................... 19 ALGUNS TERMOS-CHAVES.......................................................................19 PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA......................................20 MÉTODOS DE ESTUDO BÍBL21 LIVRO COMPLICADO?...............24 MINHA IGREJA NÃO VALORIZA A ESCOLA DOMINICAL ............... 25 CONQUISTE O PASTOR..............26 CONSCIENTIZE OS PAIS............26 BUSQUE A JUVENTUDE............27 MOTIVE OS PROFESSORES......27 PROMOVA A ESCOLA DO28 TEMPO DE CRESCER..................28 QUE MAIS POSSO FAZER COM A MINHA CLASSE? ............................ 29 CARACTERÍSTICAS EVANGELIZADORAS...........................................................29 EXPERIMENTANDO A EVANGELIZAÇÃO..............................................30 EXPANDINDO MISSÕES............31 NA ASSISTÊNCIA SOCIAL.........32 CRESCENDO NA COMUNHÃO E NA ORAÇÃO.......................................32 _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 4
  5. 5. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominical MOBILIZANDO PARA O SE33 O QUE NÃO POSSO FAZER COM MINHA CLASSE.................................33 ACABOU A AULA, E AGORA? ....... 35 A DIMENSÃO DO COMPORTAMENTO .....................................................35 A DIMENSÃO DO CONHECIMENTO .........................................................36 A DIMENSÃO DA FRATER36 QUEM SÃO OS MEUS ALUNOS? .. 38 QUEM SÃO SEUS ALUNOS?......40 AFINAL, QUE TIPO DE PROFESSOR EU SOU? ....................................... 41 O PROFESSOR PARTEIRO..........41 PROFESSORES QUE SABEM COMO ENSINAR.........................................42 PROFESSORES QUE SABEM O QUE ENSINAR........................................42 TREINAMENTO DIRECIONAD43 FORMULÁRIO DE AUTO-IDENTIFICAÇÃO DO PROFESSOR.................43 AUTOTREINAMENTO................43 NA ERA DA INFORMAÇÃO.......44 SENDO RESPONSÁVEL..............47 OBJETIVANDO A GLÓRIA DE DEUS..........................................................47 GRATIDÃO....................................47 ANEXOS ............................................ 49 OS DEZ MANDAMENTOS DO PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL....49 PLANO DE SALVAÇÃO.......................................50 BIBLIOTECA BÁSICA DO PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL..........51 BIBLIOGRAFIA ................................ 53 BATEU O SINAL, ACABOU A AULA! Como planejar com eficácia sua aula Se é ensinar, haja dedicação ao ensino (Rm 12.7b). Quase todos nós já passamos pela experiência de ver um professor da Escola Dominical ser surpreendido pelo soardo sinal anunciando o término da aula. Muitos são os professores e alunos que vivem se queixando do pouco temporeservado para o estudo em classe. Alguns professores chegam dizer, frustrados, que a aula terminou exatamentequando começava a tratar da melhor parte do seu conteúdo. _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 5
  6. 6. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominical A questão não é falta de tempo e sim de planejamento. Quando não há planejamento da aula, não importa o tempo aela reservado, tudo sairá atabalhoadamente dando a impressão de que está faltando algo. Quando existe planejamento,mesmo que o tempo seja curto, haverá produtividade e satisfação na aula dada. O problema não é o tempo, reafirmo,mas o planejamento. O planejamento de uma aula para a Escola Dominical deve levar em consideração vários fatores. Vamos examiná-los. O CONTEÚDO Trata-se do que será ensinado. A resposta a algumas perguntas nos informa qual o conteúdo de uma lição: Qual oprincipal ensinamento da lição a ser estudada? Quais são as principais informações a serem transmitidas e que relaçãotêm com o ensinamento principal? Qual a relação com a lição da semana anterior? A definição clara do conteúdo vaiajudar o professor a se manter fiel ao desenvolvimento de sua aula. É triste quando um professor entra na classe sem ter a nítida compreensão do conteúdo da aula que vai dar. Tenhoouvido relatos de professores que sequer sabiam o assunto da lição, no momento em que iam aplicá-la. São osimprovisadores que se iludem, iludem a outros e prestam um desserviço à causa do ensino das Escrituras em nossasigrejas. O professor precisa saber em profundidade o conteúdo que pretende ensinar aos seus alunos. Toda lição tem um ensinamento principal, naturalmente que deste emanam outros que, mesmo secundários, sãotambém importantes e necessários. A transmissão e assimilação desses ensinamentos são imprescindíveis numa aula. Oprofessor há que identificar no estudo do texto bíblico da lição, e na própria lição, quais são os ensinamentossecundários e qual é o principal. Ao fazê-lo encontrará o conteúdo de sua aula. Encontrado o conteúdo, terá achado ocaminho por onde deverá se conduzir durante a aula. Ao se conduzir por ele assegurará o êxito de sua docência. O conteúdo é o primeiro fator a ser levado em conta no planejamento da aula. A clara compreensão do conteúdoexigirá esforço e concentração do professor. Ainda neste livro daremos algumas dicas sobre como estudar um texto daBíblia, identificar conteúdos e extrair ensinamentos das Escrituras e contextualizá-los aos nossos dias. EXTENSÃO E TEMPO O professor, ciente do conteúdo, já tem uma idéia da quantidade de informações e de ensinamentos que precisarátransmitir. Necessitará fazer um trabalho de seleção de conteúdo, priorizando as informações e ensinamentos que seharmonizem de forma mais plena com a mensagem principal a ser transmitida. O professor estabelecerá uma relaçãoentre a quantidade de informações e de ensinamentos práticos com o tempo disponível para que os mesmos sejamtransmitidos. Feito isto, determinará em seu planejamento prévio quanto tempo usará para cada parte da aula. Esteplanejamento é de suma importância para não se cair no erro de usar muito tempo com um determinado aspecto da liçãoem detrimento de outros. Aconselhamos, de modo geral, a seguinte distribuição do tempo de uma lição: Abertura (5%) Ao começar a aula, o professor poderá conceder à classe um momento, breve, de confraternização. É a hora dosalunos se cumprimentarem, de se apresentar os visitantes e de se fazer uma ou outra comunicação de interesse da classe.É uma espécie de quebra gelo, muito importante para o início de uma aula. Introdução (10%) O professor vai estabelecer a relação entre o que vai ser e o que foi estudado na semana anterior. Buscará atrair a atenção e o interesse dos alunos pelo que será ensinado. Na introdução devem ficar bem claros osalvos da aula em termos de lições a serem ensinadas e informações a serem transmitidas. É este o momento, logo noinício da aula, em que professor e alunos devem se colocar diante de Deus para, em oração, pedir a bênção da sabedoriae do discernimento espiritual para o estudo da sua Palavra. É preciso se valer de muita criatividade na introdução da aula. Fatos contemporâneos, notícias de jornais, ilustraçõese experiências constituem excelente material para a introdução de uma boa aula na Escola Dominical. Costumamoscomparar a introdução de uma aula com o lançamento de um foguete. _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 6
  7. 7. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominical Dizem os entendidos que nos primeiros minutos após o lançamento de um foguete, os cientistas já são capazes deprever o sucesso ou fracasso de uma expedição espacial. As coisas são mais ou menos assim com a aula da EscolaDominical, se o professor não conseguir captar a atenção dos seus alunos e deixar claro para eles o que vai ser ensinadona introdução da aula, não conseguirá fazê-lo mais. Interpretação (30%) A preocupação do professor é com a transmissão de informações e dados que auxiliarão o aluno na interpretação dotexto bíblico em estudo. Neste momento, a palavra é quase totalmente de uso do professor; eventualmente, um alunopode oferecer contribuição, porém, o pressuposto é de que o professor está preparado para oferecer aos seus alunos asinformações de que se valerão para a clara compreensão do texto bíblico. Mais adiante ofereceremos maiores informações sobre como interpretar a Bíblia, importando agora tão-somenteconscientizar o leitor para o fato de que, em sala de aula, precisará reservar pelo menos 30% do tempo disponível para oestudo e fiel interpretação da Palavra de Deus. Vivemos numa época quando muitas pessoas têm se lançado na tarefa de ensinar a Bíblia, e isso no rádio, natelevisão etc, sem dar a merecida atenção à interpretação da Palavra. Aí, abre-se espaço para verdadeiras aventurashermenêuticas onde absurdos são apresentados como verdades bíblicas. Os alunos da Escola Dominical precisarão ser alcançados com argumentação bíblica consistente para que asverdades da Palavra de Deus sejam enraizadas em suas vidas, o que só será possível mediante interpretação sadia eprofunda das Escrituras. Aplicação (40%) Uma vez bem interpretado, o texto bíblico oferecerá princípios e ensinamentos que deverão ser aplicados à vida dosalunos. Caso contrário, o objetivo principal da Escola Dominical ficará por ser atingido e não haverá aprendizado realdas Escrituras, logo não acontecerão mudanças na vida dos alunos. Se um aluno, após uma aula na classe, não se sente estimulado a mudar aspectos de sua vida para que eles seharmonizem com as Escrituras, certamente a aula não logrou êxito. O resultado de uma boa interpretação é o surgimento de princípios, lições e ensinamentos que, uma vez levados emconsideração, provocarão mudanças na vida daqueles que a eles se submetem. Tais princípios precisam ser clarificadose expostos para que os alunos deles se apropriem. Uma aula sem aplicação é como se uma pessoa fosse ao médico,recebesse a receita, mas não fosse instruída sobre como usar os medicamentos. É tarefa precípua do professor orientarseus alunos na aplicação das verdades bíblicas. Aplicando as verdades bíblicas à vida dos seus alunos, o professor estará construindo uma ponte entre o mundo daBíblia e o mundo de hoje. Ora, é preciso levar em conta que estamos distantes, geográfica, cultural e cronologicamentedo mundo da Bíblia, razão pela qual precisamos interpretar corretamente seu texto e aplicar coerentemente as verdadesdele extraídas à vida dos alunos. Sem aplicação a aula torna-se somente informativa, sem relevância prática, sem vida.Ao término de uma aula na Escola Dominical, o aluno deverá ter uma noção clara sobre como colocar em prática emsua vida as verdades aprendidas. No momento da aplicação é muito importante a participação dos alunos, dando opiniões, compartilhandoexperiências e oferecendo subsídios para a cor-reta aplicação das verdades aprendidas à vida dos colegas de classe. Oprofessor deverá tomar cuidado e ser muito ágil no comando dos debates para evitar que apenas um ou dois alunosmonopolizem o uso da palavra. O ideal é que o professor oriente a participação dos alunos, possibilitando inclusive queaqueles mais tímidos e reservados expressem suas idéias e opiniões. O resultado da participação dos alunos constitui farto enriquecimento da aula, especialmente no seu aspecto prático.Com cautela, o professor não pode prescindir da participação dos alunos na construção da aula. Uma opinião ou umaexperiência pode ensejar uma situação de ensino, propiciando muita edificação e aprendizado. Conclusão (15%) Ao terminar a aula, o professor precisa recapitular com os alunos as principais informações transmitidas e repassaros ensinamentos aprendidos. A lição principal do texto precisará ser repassada, enfatizada e ilustrada. Não pode haver uso desproporcional do tempo nas partes anteriores da aula, sob pena de se prejudicar a conclusão.A conclusão é o momento de fechar as idéias, ratificar princípios, confirmar doutrinas e homologar atitudes ecomportamentos. Uma boa conclusão não pode ser feita apressada ou superficialmente, sob o risco de se comprometer _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 7
  8. 8. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominicaltoda a aula. Uma conclusão bem feita há de motivar o aluno a prosseguir no estudo das Escrituras. Ao concluir a aula, oprofessor precisa dar um tempo para que os alunos orem a Deus. E um momento de comunhão e edificação espiritual, quando os alunos conversam com Deus acerca de suas vidasnos aspectos tocados pelo estudo da sua Palavra. Abertura 5% Conclusão 15% Interpretação 30% Aplicação 40% Introdução 10% Diagrama da distribuição do tempo de uma aula na Escola Dominical. ESTRATÉGIA DIDÁTICA Para cada etapa da aula, o professor precisa planejar uma estratégia didática. Mais tarde vamos tratar de algunsmétodos de ensino, mas agora precisamos deixar claro que, na introdução, interpretação, aplicação e conclusão oprofessor deverá valer-se de estratégias que auxiliem e garantam o êxito de cada etapa da aula. Novamente, o professordeve se fazer algumas perguntas que lhe servirão de norte: Qual é a melhor maneira de introduzir esta aula?; Comoposso interpretar de maneira interessante e atraente este texto com a classe?; Que tipo de aplicação seria mais eficazpara esta aula?; Como concluir com eficácia a minha aula? São perguntas como estas que poderão ajudar o professor naseleção de suas estratégias didáticas.Quando não se define eficazmente as estratégias didáticas, corre-se o risco da aula ficar chata e desmotivar o aluno. Épossível que excelentes aulas tenham naufragado exatamente pela negligência do aspecto didático. Assim, ao planejarsua aula, o professor precisa pensar com antecedência sobre como vai agir em cada etapa. A mesmice e a falta decriatividade didática podem pôr a perder todo um trabalho sério de interpretação bíblica. O professor precisará, noentanto, prevenir-se da tentação de variar metodologia apenas por variar, sem que haja harmonia entre o métododidático e o tipo de ensino a ser ministrado. É preciso haver planejamento para que tudo seja bem pensado antes de serexecutado. TOCOU O SINAL... De posse dessas informações, o professor deverá planejar suas aulas na Escola Dominical. Não planejar émenosprezar o ensino das Escrituras e, ao mesmo tempo, demonstrar desprezo para como a tarefa do ensino. Nãoplanejar é desrespeitar os alunos que depositam confiança no zelo do seu professor. Não planejar é trair a confiança da própria igreja que delegou ao professor tão sublime tarefa: a do ensino. Comparecer diante de uma classe de Escola Dominical sem um planejamento sério e bem elaborado é algo de que oprofessor deve fugir, pois como fiel cumpridor do seu dever leva em consideração o que o Apóstolo Paulo escreveu aosromanos: "se é ensinar, haja dedicação ao ensino" (Rm 12.7b). Planejando com dedicação suas aulas, o professor sentirá em sua própria vida as bênçãos de realizar um trabalhopara o Senhor, com a alegria de o estar fazendo com o melhor de si, explorando ao máximo suas potencialidades e suacriatividade. O professor verá no contato com os seus alunos, ao constatar o crescente interesse deles pela Palavra deDeus, a retribuição por realizar o ministério do ensino da Bíblia com amor, esforço e responsabilidade. E quando tocar o sinal alertando para o final de sua aula, não haverá mais surpresas. Todos já estarão prontos parasaírem da sala e, se for o caso, dirigir-se ao santuário para prestar culto a Deus. Os alunos sairão instruídos ealimentados por uma aula que lhes trouxe ricos e importantes ensinamentos, nos quais procurarão pautar seus passos diaapós dia. Tocou o sinal, acabou a aula... começou a prova. QUE ASSUNTO DIFÍCIL! Como preparar-se adequadamente para ensinar as Escrituras Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite (Salmo 1.2). Planejar uma aula é uma coisa, preparar-se para ministrá-la é outra. Um planejamento, por melhor que seja, nãosignificará nada se não for executado por alguém preparado para tal. Tão grave quanto não ter um planejamentoadequado para uma aula, é não estar devidamente preparado para ministrá-la. Neste capítulo nós vamos caminhar pela _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 8
  9. 9. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominicalestrada da preparação para a aula. Vamos compartilhar idéias que visarão ajudar o professor da Escola Dominical apreparar-se consistentemente para enfrentar a classe na hora da aula. Para um professor bem preparado, com uma aula bem planejada, não existe assunto difícil. No decorrer de suapreparação, as dúvidas vão se desfazendo, as dificuldades vão se resolvendo e a luz da Palavra de Deus vai iluminando o ser humano humilde e submisso ao Pai, chamado professor. Muitos dos que estão alistados na sublime categoria de professor da Escola Dominical deixam para a última hora opreparo da lição e o seu próprio para o ensino. Erram por subestimar a função que abraçaram c por superestimar aprópria capacidade intelectual. Quando termina uma aula, o professor já deve estar envolvido no preparo da próxima.Jamais o professor deve deixar os dias passarem e acumular trabalho para a véspera da aula. Os que deixam tudo paracima da hora, além de nunca realizarem um trabalho sério e relevante, podem ser surpreendidos com imprevistos que osempurrarão para a sala de aula sem qualquer preparo prévio. O professor previdente e organizado administrará seutempo semanal de modo a conduzir bem seu preparo para a aula, o que assegurará a eficácia de sua atuação em classe. Os seguintes aspectos devem ser levados em conta quando refletimos sobre o preparo adequado do professor para oensino das Escrituras: PREPARO ESPIRITUAL Este é o primeiro aspecto a ser considerado. Na Escola Dominical, o mais importante não é tanto na destrezaacadêmica, conquanto necessária, mas sim o preparo espiritual. A piedade e devoção do professor precisam encabeçar alista de suas virtudes, Realmente, à frente de uma classe precisa estar um verdadeiro crente em Jesus Cristo, alguém,objeto de uma experiência pessoal de conversão e em pleno processo de santificação. A responsabilidade de ensinar aPalavra impele a liderança da igreja a escalar como professores apenas crentes fiéis e detentores de um testemunho vivodo Evangelho. Ser professor da Escola Dominical não é uma profissão, mas uma vocação, um serviço prestado ao Rei dos reis, umaoferenda, um gesto de adoração. Não basta, portanto, saber a lição ou dominar as técnicas de ensino; é necessário sabero caminho da cruz e ter coragem para chegar-se aos pés de Jesus em oração, dia após dia. O professor é, antes de tudo,um adorador e um servo dependente em tudo do seu Senhor. Sem dúvida que a oração[1] deve ser parte da vida diária do professor. Serve muito bem para o professor a oração dosalmista: "Desvenda os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da tua lei". (Salmo 119.18). Ao proferi-la, o professor expressa diante de Deus o reconhecimento de sua incapacidade deentender a Palavra de Deus sem o seu auxílio. Através de uma vida de oração e constante busca da vontade de Deus, oprofessor encontra na Palavra Santa, que estuda e ensina, verdades que mudarão a vida de seus alunos e a sua própria.Vale lembrar, porém, que a oração não substitui o trabalho do professor. Muitos pensam que tudo que precisam fazer éorar. Assim, cruzam os braços e esperam, inocentemente, que Deus se encarregue de tudo o mais. Cabem bem aqui aspalavras de Inácio de Loyola: "Ore, como se você não contasse consigo mesmo. Trabalhe como se você não contassecom Deus".[2] O professor vai a Deus em oração rogando unção e sabedoria para o entendimento das Escrituras e o discernimentopara o seu ensino. E muito importante que os alunos vejam no professor uma pessoa de oração e aprendam a orarmotivados por sua vida e postura. Ao lado da oração está o estudo da Palavra de Deus. Tratamos aqui do estudo devocional, quando o professor buscaalimento para si próprio. Neste momento, o professor se identifica como aluno do supremo mestre. Vai à fonte daságuas tranqüilas para ter a sede do Altíssimo diminuída (SI 42.1,2). Em comunhão com a Palavra de Deus, o professor abastece seu coração e supre sua fome saciando-se nas promessasdo Livro Santo. Cada dia vivendo em comunhão com a Palavra de Deus, declarando com a vida seu amor por ela (SI 119.97), oprofessor vai enchendo suas entranhas (Ez 3.1) dos ensinamentos eternos e vivos, que ficarão para sempre marcados emseu coração. Assim, o professor torna-se firme e constante, verdadeiro depositário das verdades divinas, fiel guardião dasã doutrina. O professor piedoso e fiel há de receber sua recompensa. Ao ver seus alunos amadurecendo na fé, transformando-seem homens e mulheres de Deus, cooperadores incansáveis na luta do Reino de Deus, até mesmo obreiros e ministroslutando no exército do Senhor; o professor notará que Deus o está recompensando por sua fidelidade e dedicação. Espiritualmente, o preparo do professor da Escola Dominical ainda é burilado pelo exercício fiel de sua mordomia epelo serviço que presta à causa do Evangelho. É nossa opinião que para estar à frente de uma classe onde a Bíblia é 1 - Para uma visão mais aprofundada sobre oração, ver TIPPIT Sammy. O Fator Oração. Rio de Janeiro: Juerp, 1990, 156p 2 - LOYOLA, Inácio de. Citado por GARAUDY, Roger. Minha jornada Solitária pelo Século. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, I 996, 298p _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 9
  10. 10. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominicalensinada o crente precisa ser um fiel dizimista, cumprindo com alegria as orientações da Palavra que deseja ensinar aosseus alunos. Crentes que ainda não são fiéis mordomos do Senhor não podem exercer qualquer função de liderança na igreja deDeus, precisam antes corrigir seus descaminhos e descobrir a bênção da fidelidade. O serviço cristão, outra dimensãodeste burilar sereno do preparo espiritual do professor, significa engajamento na obra da igreja, presença, participação.Aqui vai mais uma exortação a crentes que, por serem professores da Escola Dominical, acham-se dispensados doevangelismo, da ação social, da adoração etc. Tal pensamento peca por querer departamentalizar o compromisso docrente com Deus e sua obra, além de não encontrar respaldo nas Escrituras. PREPARO BÍBLICO Espiritualmente preparado, o professor vai buscar o preparo bíblico adequado à aula que pretende ministrar. Nãodeve se contentar com uma ligeira leitura do texto da revista ou de um comentário bíblico, mas aventurar-se por ummergulho profundo nas Escrituras. No preparo de uma aula para a Escola Dominical, o professor precisa levar em conta os seguintes passos: 1. Ler várias vezes o texto bíblico Leia o texto até que o sentido e as principais idéias do mesmo esteiam bem claras em sua mente. Uma boa coisa é ler o texto em diferentes versões da Bíblia. Embora não haja diferenças quanto ao sentido, háversões que optam por palavras que, eventualmente, podem ser mais familiares ao professor. Às vezes uma versão é mais feliz do que outra na escolha de algumas palavras e expressões. Por exemplo,comparando o texto de Colossenses 3.21 na versão revisada da tradução de João Ferreira de Almeida com a versão doPadre. Matos Soares, temos o seguinte: "Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não fiquem desanimados" (Almeida – Versão Revisada). "Pais, não provoqueis à indignação a vossos filhos, para que não se tornem pusilânimes" (Matos Soares). Note como a comparação das duas versões ajuda na compreensão e enriquece o entendimento da orientação paulina.Se o professor fizer o mesmo com três ou quatro versões diferentes, verá resultado ainda maior em termos deentendimento dos textos bíblicos. As paráfrases[3] também são muitos úteis para ajudar na compreensão das passagens bíblicas, embora tenhamos decom elas tomar cuidado, posto que a preocupação do texto parafraseado não é com a tradução fiel, mas sim com apopularização. 2. Usar material de consulta disponível Para tirar dúvidas com relação a palavras, expressões, localidades, pessoas etc, o professor deve lançar mão domaterial de consulta que estiver à disposição: dicionários [4], concordâncias[5], comentários[6] e manuais[7] bíblicos, que,uma vez consultados poderão ajudar muito. São livros elaborados por especialistas e só podem ser úteis ao professor. 3 - Paráfrase é a tradução livre ou desenvolvida de um texto. Refere-se aqui a inúmeras traduções da Bíblia que não seguem a rigidez de uma tradução literal ouclássica. O sentido é preservado numa tentativa de tornar o texto mais claro ao leitor mais simples. 4 - A propósito, indicamos DAVIS, John D. Dicionário da Bíblia. Rio de Janeiro: Juerp, 1980, 660p. e também DOUGLAS, J.D. (Editor Organizador). O Dicionárioda Bíblia 2 vol., São Paulo: Vida Nova, 1983. 5 - A concordância mais completa em português é a Concordância Bíblica. Brasília: Sociedade Bíblica do Brasil, 1975, 1.101p. 6 - Merecem indicação o Comentário Bíblico Broadman, da Juerp; os comentários da Série Cultura Bíblica, da Mundo Cristão e Vida Nova; e os comentários do Antigo Testamento de António Neves de Mesquita, publicados pela Juerp. 7 - Sugerimos aqui HALLEY, Henry H. Manual Bíblico. 2 vol., São Paulo: Vida Nova. _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 10
  11. 11. SOCORRO! Sou professor da Escola DominicalUm bom dicionário da língua portuguesa também é indispensável para a compreensão segura da leitura. Só para exemplificar a importância de manuais bíblicos verificamos em João 4.3,4 que Jesus "deixou a Judéia, e foi outra vez para a Galiléia. E era necessário passar por Samária". Para descobrir por que eranecessário que Jesus passasse por Samária, basta procurar num manual bíblico o mapa da Palestina nos tempos deJesus. O professor estudioso entenderá que o texto faz referência à geografia da Palestina. Ele verá que estando najudéia (Sul) e desejando voltar para a Galiléia (Norte) precisará atravessar Samária (Centro). Observe como umasimples consulta a um material de pesquisa acrescenta informações que certamente elucidarão o texto e seu significadopara os alunos. 3. "Bombardear" o texto com perguntas Identifique promessas, ordens, mandamentos, princípios, doutrinas, orientações e lições no texto em estudo. Cadaleitura pode ser feita tendo o professor, disponível, uma folha de papel em branco, para que anote todas as suasobservações sobre o texto, inclusive dúvidas e inquietações. O material de consulta, e aqui entram as revistas da EscolaDominical (as edições para professores, suplementos etc), ajudará o professor a confirmar ou não suas observações (àsvezes não entendemos bem o que lemos) e também a sanar todas as suas dúvidas com relação ao texto bíblico emestudo. O importante é que o professor se antecipe o quanto puder a qualquer dúvida que poderá surgir em sala de aula.Caso não consiga, por si só, dirimir alguma dúvida, o professor deve procurar a ajuda de alguém mais bem preparadocomo o pastor ou um professor mais experiente, para que não fique, ele mesmo, sem entender algo do texto que vaiensinar. No entanto, mesmo com toda pesquisa e tendo procurado antecipar-se a qualquer questão sobre o texto, o professorpode ser surpreendido por uma pergunta sobre a qual não havia pensado ainda. Quando isso acontecer, a melhor coisa afazer é ser humilde e comprometer-se com a classe em trazer uma palavra sobre o assunto na próxima aula. Agindoassim, o professor demonstrará seriedade e responsabilidade para com o seu ministério, além de lembrar a seus alunos,que em matéria de Bíblia, na prática, todos estamos sempre aprendendo. É certo, porém, que se o professor for dedicado e zeloso, pesquisador incansável da Palavra de Deus, raramente estará em dificuldades diante de sua classe. Mostra a experiência que ao se descuidar da pesquisamuitos professores da Escola Dominical acabam por cair no descrédito diante dos seus alunos, inviabilizando assim suacontinuidade na docência cristã. 4. Fazer um esboço detalhado do texto Depois de ler o texto várias vezes e de estudá-lo em profundidade, o professor está pronto para esboçá-lo de formadetalhada e seqüencial. Divida-o em partes, decida o que vai ser ensinado em cada tópico, dimensione à luz dasinformações do capítulo anterior cada etapa da sua aula. Ao fazer um esboço, o professor estará criando um esquema que o auxiliará na exposição de seu texto. No esboço, oprofessor conta com considerável material, produto de sua pesquisa. Estará ainda estruturando, mesmo queincipientemente, o conteúdo de sua aula. 5. Alistar as lições mais importantes do seu texto No decorrer do seu estudo, o professor deve ir anotando ensinamentos práticos que se constituirão em material parao momento da aplicação do texto bíblico durante a aula. [8] Aqui o professor deverá pensar em seus alunos, na realidadede vida deles. Cada texto da Bíblia está eivado de lições preciosas para nossas vidas, a questão é tão-somente identificá-las e pinçá-las para posterior utilização. Uma coisa muito importante a ser salientada é o fato de que as principais e mais agudas lições de um texto não estãoem sua superfície, mas em sua profundeza. Quanto mais profundo for o mergulho, mais perto dos tesouros estará oprofessor. Muitos erram e ficam embevecidos com algumas verdades da superfície, se bastam com elas e partem paracompartilhá-las, sem o devido aprofundamento. As maiores bênçãos do estudo da Bíblia se encontram, quais tesouroshá muito submersos, lá no fundo, exigindo tempo, paciência e coragem por parte de quem quer conquistá-los. Oprofessor da Escola Dominical precisa ser apaixonado pela Bíblia, deve experimentar dia-a-dia o que o salmista chamade ter prazer na lei do Senhor (SI 1.2). Este prazer se dá, em toda a sua plenitude, quando o professor se descobre comoum mergulhador a desvendar os mistérios e as maravilhas da Palavra eterna de Deus. Recorde os passos para um preparo bíblico eficaz: Ler várias vezes o texto Usar material de consulta Fazerperguntas ao texto Fazer um esboço detalhado do texto Alistar as lições mais importantes PREPARO DIDÁTICO 8 - Veja, no primeiro capítulo, o tópico intitulado ‘Aplicação’. _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 11
  12. 12. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominical Espiritual e biblicamente preparado, o professor vai agora se organizar didaticamente. Ele precisa escolher quemétodo usará e de quais recursos didáticos necessitará. Neste ponto, é muito importante que o professor se utilize, comcriatividade, dos recursos disponíveis para que a aula não caia na monotonia nem se torne repetitiva e desestimulante. Eis alguns dos recursos didáticos de que o professor pode fazer uso para tornar sua aula mais atrativa e interessante: Quadro-negro Talvez o mais comum entre os recursos didáticos disponíveis. Muitas vezes, porém, o professor leciona como se oquadro-negro não estivesse na sala. O quadro-negro pode ser usado para anotações de esboços da aula, exposição detabelas, explicações ligeiras etc. Um bom conselho para a utilização do quadro-negro: o professor deverá chegar maiscedo a fim de escrever com antecedência as informações que precisará expor aos alunos. Haverá, com isso, economia detempo durante a aula. O uso adequado do quadro-negro, inclusive usando giz colorido, já constitui excelenteinstrumento de motivação. O quadro apela para o visual do aluno, colocando em ação, portanto, um segundo sentido, ereforçando as chances de aprendizagem. Álbum seriado Trata-se de um instrumento didático de largo uso, tanto pela simplicidade de sua confecção, quanto pela praticidadede seu uso. Nele, o professor pode colocar, página a página, esboços, ilustrações, mapas, figuras etc, ou seja, todo omaterial necessário para a aula. Se bem confeccionado, com tamanho razoável, possibilitando a visão para todos, comcriatividade no uso das cores e no humor das ilustrações, o álbum seriado se torna um poderoso recurso didático para oprofessor. Flanelógrafo De uso mais difundido entre os professores de crianças, é muito apropriado para ajudar no aprendizado dos alunos.Figuras previamente selecionadas são colocadas num painel. Funciona excelentemente nas narrativas bíblicas e nasestórias infantis. O painel pode funcionar como um cenário que vai recebendo os personagens à medida que sedesenrola a narrativa. Retroprojetor Tem seu uso limitado a ambientes passíveis de serem escurecidos. É uma espécie de álbum seriado elétrico. Astransparências precisam ser bem preparadas para serem exibidas. O uso do retroprojetor exige o trabalho de um auxiliardevidamente treinado para colocar e retirar as transparências, seguindo a orientação do professor. Outros recursos Além dos descritos acima, que são os mais comuns, há também outros equipamentos que a cada dia vão sendo maisdifundidos no meio escolar. Do projetor de slides ao microcomputador, passando pelo videocassete e o quadro de tiras,muitos são os recursos modernos que estão à disposição das igrejas e dos professores. O importante, no entanto, é que oprofessor esteja sempre aberto para usar, na medida do possível, os recursos disponíveis. Valendo-se desses recursos e de outros que o professor conheça, a aula terá sempre atrativos interessantes, será umestímulo para os alunos e um incentivo para que eles aprendam com maior eficácia a Palavra de Deus. Vale a penainvestir em equipamentos didáticos. É uma benção quando a igreja tem a visão de aparelhar-se da melhor maneira paraviabilizar um ensino de boa qualidade na Escola Dominical. No entanto, o preparo didático não pára na seleção e no uso dos equipamentos, é necessário que o professor penseno método que vai usar em aula. Sem desejar a perfeição técnica, alistaremos alguns métodos [9] de ensino que julgamosbem apropriados para uma classe de Escola Dominical. Palestra ou exposição Este método vem dos primórdios da atividade docente. Nele o professor expõe o conteúdo a ser aprendido pelosalunos. É um método muito criticado por vários motivos: a participação dos alunos é pequena, há tendência àmassificação da classe e conseqüente desconsideração das diferenças individuais, há criação de barreiras que impedemos alunos de tirarem dúvidas e contribuírem na construção do aprendizado coletivo etc. É realmente um método muitoantipatizado, especialmente nos tempos em que vivemos, quando não se aceita mais posturas verticalizadas nemdetentores absolutos da verdade. Nossa época exige que busquemos métodos e estratégias mais participativas. Há a necessidade de se construir o 9 - Ver COLEMAN, Jr., Lucien E. Como Ensinar a Bíblia. 2a. ed. Rio de Janeiro: Juerp, 1989, 202p. Ver também FORD, Leroy. Planejamento do Ensino eTreinamento. Rio de Janeiro: Juerp, 1990, I27p. Ainda HENDRICKS, Howard. Ensinando para Transformar Vidas. Belo Horizonte: Betânia, 1991, I43p. E outros livrosconstantes das referências bibliográficas, ao final deste livro. _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 12
  13. 13. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominicalaprendizado a partir da realidade de vida do aluno, e para isso é importante o uso de métodos menos restritivos. Noentanto, a palestra, conquanto criticada e até rejeitada, pode se constituir num método aceitável, desde que se mesclecom outros e seja usada com perícia e maestria. Quando uma exposição é apresentada de forma criativa e elucidativa, éapreciada e até aplaudida. O que não pode ocorrer de forma alguma é aquele tipo de palestra em que o professormonopoliza o tempo sem dar oportunidade aos alunos de participarem. Discussão E talvez o método que mais tenha a ver com a natureza humana. Falar e expressar seu ponto de vista é característicainerente a qualquer pessoa. Este método consiste na apresentação de uma situação problema que será discutida por todoo grupo na busca de uma solução. Não se trata de debate, mas de esforço conjunto para a solução de um problemaapresentado. Para que aconteça uma boa discussão, o problema apresentado deve ser do interesse dos alunos, assim elesestarão naturalmente motivados a emprestarem sua colaboração. A atitude do professor na discussão deve ser mais nosentido de estimular a participação de todos e lembrar que é fundamental o respeito às opiniões alheias. O professorobservará os alunos que não estão participando e oferecerá informações norteadoras e elucidativas para ajudá-los norumo da discussão. Neste método um assunto é anunciado, definido e discutido. Depois as soluções possíveis serão alistadas e seconstituirão em alvo das reflexões e avaliações da classe, agora com uma participação mais presente, embora nãocoercitiva, do professor. Segue-se, então, a decisão final e a formulação de planos de ação. O professor assume uma posição estratégica neste método. Se ele não souber se comportar, agindo e interagindocom a classe, especialmente em momentos de definições de rumo, pode-se chegar ao final da aula sem conclusãoalguma formulada acerca do problema proposto ou, o que é ainda pior, com um consenso formado em torno de umapostura equivocada com relação ao problema. Para evitar tal catástrofe, o professor há de organizar bem a aula,cronometrá-la e gerenciá-la para que os resultados sejam satisfatórios. Discussão em grupos Difere do método anterior pelo fato de a discussão se processar em pequenos grupos formados pelos alunos daclasse. A filosofia é a mesma da do método anterior, mas sua execução é diferente. Aqui aspectos diferentes de umamesma situação-problema são distribuídos para grupos menores discutirem. Cada grupo terá um relator que anotará as decisões finais do mesmo, a fim de prestar relatório para a classe. Orelator também se responsabilizará por controlar o tempo da discussão para não prejudicar as demais etapas do trabalhode cada grupo, quais sejam: a identificação de possíveis soluções, a avaliação e a decisão final. O tempo precisa ser bem administrado para se evitar ações precipitadas na construção dos relatórios. Também oassunto dado precisa ser compatível com o tempo designado. Cada grupo prestará seu relatório e a classe toda poderáapreciá-los e ir somando aspecto por aspecto da situação-problema apresentada. Na utilização deste método, o professor circula de grupo em grupo tentando ajudar com informações e orientações.Ele precisa monitorar bem o tempo e ajudar os relatores dos grupos no momento da apresentação de seus relatórios.Assim, ao final da aula, com a participação de todos, se verificará um substancial aprendizado e amadurecimento dosalunos e do professor. Outros métodos Além dos métodos já expostos, existem vários outros que podem ser utilizados nas classes da Escola Dominical. Háo de perguntas, que consiste na elaboração prévia de perguntas que aguçarão a curiosidade intelectual dos alunos; o dedebate, que é a troca de opiniões em torno de um determinado tópico de estudo; a dramatização é outro método que visainstigar os alunos a vivenciarem a realidade do texto de forma mais intensa e se envolverem com a trama do mesmo etc. O professor deverá escolher qual método é o mais apropriado para o tipo de lição que irá ensinar, bem como qual seaplicaria com maior eficácia à natureza da sua classe. É muito importante que o professor use variados métodos atéidentificar aqueles que melhor se adaptam a seus alunos, motivando-os pesquisa e ao estudo da Palavra de Deus. Ainda existe a possibilidade de o professor mesclar vários métodos, usando-os em momentos diferentes da aula, oumesmo valendo-se de porções de um e de outro para o melhor desenvolvimento da sua aula. O que não pode ocorrer éuma aula sem método algum, pois a tendência nesses casos é uma perda de tempo enorme até que a própria classeorganize um método próprio, que nem sempre satisfará plenamente as exigências da aula. Ter um método é escolher umcaminho e sem um caminho claramente definido é difícil chegar-se a algum lugar. QUE GENTE DESINTERESSADA! Como motivar seus alunos a se envolverem com o estudo da Bíblia Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a timesmo como aos que te ouvem (1 Tm 4.16). _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 13
  14. 14. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominical Os professores reclamam muito da falta de interesse dos alunos com as aulas da Escola Dominical. Na verdade, hátambém bastante reclamação dos alunos sobre a qualidade das aulas de seus professores. Parece que está faltandomotivação para que os alunos sintam vontade de frequentar o estudo em classe. Não vamos aqui entrar no velho debate sobre a origem e a influência da motivação no aprendizado, maspretendemos oferecer algumas sugestões aos professores de atitudes e procedimentos que podem contribuir para odespertamento e o aumento do interesse dos alunos pelo estudo da Palavra de Deus nas classes da Escola Dominical.Nossa tese é de que há algo que o professor pode fazer, existe uma contribuição dele para acender ou reacender a chamado interesse dos alunos pelo estudo da Bíblia. Vejamos, então, como um professor pode cooperar para que a experiênciade estudar a Bíblia nas classes da Escola Dominical seja gratificante e positiva para a vida dos alunos. LEVE A SÉRIO O ESTUDO DA BÍBLIA Quando um professor estuda a Bíblia com seriedade, o que implica fazê-lo em profundidade, os alunos sentem oimpacto e os efeitos disso durante a aula. Ao notarem que o seu professor se aprofundou no estudo do texto bíblico afim de se preparar para lhes ensinar, os alunos, naturalmente, valorizam e se sentem motivados a se dedicar mais aoestudo da Palavra de Deus. Por outro lado, ao notarem superficialidade em seu professor, os alunos têm a tendência dese afastar da classe e quando permanecem o fazem sem qualquer interesse pelo que o professor está dizendo. Quem jáfoi aluno sabe que é horrível ter que assistir a uma aula de um professor que demonstra claramente desconhecimento damatéria que deveria ensinar e desprezo pela disciplina ministra. Da mesma forma, quando um professor da EscolaDominical demonstra menosprezo pelo ensino das Escrituras, quando está sempre despreparado, não pode nuncaesclarecer as questões, está sempre adiando problemas e age como se não estivesse nem aí para o que os alunos vão ounão aprender, o resultado é simplesmente desastroso para a Escola Dominical e a igreja. Só deve estar à frente de umaclasse, alguém que esteja pronto para levar a sério o estudo da Palavra de Deus. SEJA PONTUAL E ASSÍDUO Ao chegarem na classe, os alunos precisam ser saudados pelo professor. Ele é sempre o primeiro a chegar. Jápreparou o ambiente para o ensino do dia, já verificou se tudo está em ordem: giz, tomadas, transparências, posição dascarteiras, iluminação, material didático etc. O professor deve começar e terminar sua aula sempre no horárioestabelecido, deve evitar atrasos e prolongamentos desnecessários. Se precisar faltar um dia, por motivo muito justo e absolutamente necessário, deve preparar a classe para a suaausência, informando com antecedência quem o estará substituindo e preparando seu substituto para que aja da mesmaforma, cumprindo o horário. A pontualidade e a assiduidade do professor é elemento motivador para a pontualidade eassiduidade dos alunos. Quando o professor não leva a sério este aspecto do seu trabalho, a tendência é que os alunosfaçam o mesmo e ainda critiquem-no pela falta de compromisso demonstrada. DÊ AULAS CRIATIVAS E DINÂMICAS Acima discorremos acerca de como é horrível assistir a uma aula de um professor despreparado. É muito desagradável participar, também, de aula chata, monótona, onde o professor fala o tempo todo e de formamorosa. Ninguém agüenta! É horrível! Vivemos na época da velocidade, da instantaneidade, da agilidade de informaçãoe da automação em todos os segmentos da sociedade. Não se pode suportar letargia na docência da Escola Dominical.As aulas precisam ser criativas, o professor tem de colocar a cabeça para funcionar e pensar sobre formas atraentes ebem humoradas de ministrar a Palavra aos seus alunos. As aulas precisam ser dinâmicas. O professor não pode ficar estático na classe. Movimentação, uso dos recursos jáapresentados, novidades, tudo isso reacende a atenção dos alunos. Você já reparou que um comercial de TV dura entre15 e 30 segundos, já percebeu que neste curtíssimo espaço de tempo as agências de publicidade lançam mão de tudoque podem para prender a atenção do telespectador: música, movimento, cenas rápidas, palavras escritas etc. Você jáobservou que no telejornalismo, o repórter muda de foco (para a direita, para a esquerda, mais de perto e mais de longe)a cada 10 ou 15 segundos? Está provado que para prender a atenção dos alunos num mesmo ambiente durante 50minutos se faz necessário muito dinamismo, caso contrário a aula fica chata e indesejada. PLANEJE AULAS ENVOLVENTES Aquele modelo de aula onde os alunos permanecem sentados, na mesma posição, do começo ao fim, estácomplemente ultrapassado. Sabemos que em muitas igrejas ainda se usa este sistema arcaico e negativo para o ensino naEscola Dominical. Nosso desejo é que tais igrejas alcancem o progresso no que diz respeito ao ensino bíblico. CariRogers apresenta uma interessante abordagem deste tema, versando sobre O Processo Educacional e seu Futuro.[10] Ele 10 - KOGERS, Cari R. Um jeito de Ser. São Paulo: EPU, 1983, p. 91-120. _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 14
  15. 15. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominicalcompara o modelo tradicional de ensino com o que chama de aprendizagem centrada na pessoa. Uma coisa que vale apena ser destacada aqui é que o tempo daquelas aulas onde o aluno, seu potencial, seu conhecimento e sua cultura eramdesconsiderados já ficou para trás e insistir nisso é uma atitude infrutífera e fadada ao fracasso. Na Escola Dominical as aulas precisam ser envolventes. Os alunos precisam se sentir à vontade para contribuir,obviamente, que de uma maneira planejada e facilitada pelo professor. Tanto na metodologia adotada quanto na suaaplicação, a aula deve envolver os alunos de tal forma que gratifique a todos pelo sentimento de ter participado dadescoberta de verdades eternas. NAO SE DESCUIDE DA APLICAÇÃO Você se lembra que à aplicação nós sugerimos fossem dedicados 40% do tempo da aula. Trata-se da parte maisimportante da aula, do ponto de vista da utilidade para a vida do aluno. A experiência mostra que quando o professor fazaplicações felizes, diretas e que, têm a ver com a realidade de vida de seus alunos, o interesse pelo estudo da Bíbliacresce de forma visível e indiscutível. O aluno quer saber, em última instância, o que aquele texto bíblico que lhe estásendo ministrado tem a ver com a sua vida diária. Se o professor, ao aplicar a mensagem bíblica, consegue saciar suainquietação, o resultado será que a Bíblia se tornará um livro relevante e pertinente para a sua realidade existencial. Quando não acontece uma feliz e pertinente aplicação, a aula situa-se tão-somente no plano teórico, sem demonstrara importância dos ensinos bíblicos para o aqui e agora dos alunos, condena-se ao esquecimento ou, quando apresentaexcelente nível de qualidade de informações, a um mero prazer intelectual momentâneo e passageiro. Naturalmente que,para aplicar corretamente a lição, o professor deve conhecer bem seus alunos e sua realidade de vida. Mais adiantediscutiremos isso, no momento, é importante que entendamos que a aplicação não pode prescindir de um conhecimentorazoável das necessidades dos alunos por parte do professor. Aqui está uma das questões mais importantes no que serefere ao professor da Escola Dominical. Ele é diferente do professor de matemática ou de biologia da escola secular. Oprofessor da Escola Dominical tem um compromisso com a vida dos seus alunos e não apenas com o intelecto deles.Não está interessado apenas em passar informações, deseja transmitir-lhes vida e, conhecendo-os bem, será capaz deaplicar às suas vidas os princípios da Palavra de Deus. VIVA O QUE VOCÊ ENSINA Sem sombra de dúvida aqui está o principal elemento motivador dos alunos de uma classe na Escola Dominical: avida do professor. Quando o professor consegue demonstrar, através de atitudes e comportamentos, que procura colocarem prática, na própria vida, os princípios que ensina em classe, seus alunos verificarão que é possível praticar a Bíbliano dia-a-dia. Muitos professores se equivocam ao pensar que fora da sala de aula não são observados por seus alunos. Naverdade, com o tempo todos os alunos observam seus professores, e como é triste quando constatam que ele não dá amínima importância para o que lhes ensina dominicalmente. E pode-se notar com certa clareza a catástrofe que é terdiante de uma classe da Escola Dominical alguém cuja vida não se constitui num exemplo para os seus alunos. É o ante-ensino, um esforço tremendo no sentido oposto aos objetivos e postulados da igreja de Deus. A atitude do professordeve ser sempre de piedade e submissão à Palavra de Deus. Ao encontrar algum ensino ou princípio bíblico que aindanão observa em sua própria vida, deve ser humilde em começar a praticá-lo, assim ganhará mais autoridade diante dosseus alunos e reforçará neles o sentimento do valor da Bíblia como norteadora de suas atitudes e ações. Ao verem que oprofessor se esforça para viver de acordo com a Palavra de Deus, serão motivados a fazer o mesmo. Tem se dito muitoque em nossos dias vivemos; uma crise de modelos sem precedentes na história. Isso chama nossa atenção, comoprofessores da Escola Dominical, para a responsabilidade que temos diante daqueles que assumimos como nossosalunos. Somos j responsáveis por eles e pelo seu crescimento espiritual sadio e coerente. SEJA UM CRENTE INTEGRADO À SUA IGREJA Um professor da Escola Dominical que é um cristão genuíno e integrado à igreja com a qual coopera, se constituinum tremendo instrumento nas mãos de Deus para a edificação dos seus alunos. Seu envolvimento inspira seus alunos ase envolverem com as coisas de Deus. Eis alguns aspectos desta integração que julgamos oportuno salientar nesteponto: Presença aos cultos e atividades da igreja Um professor da Escola Dominical que não participa assiduamente dos cultos e das atividades de sua igreja jamaiscooperará com a motivação dos seus alunos em prol dos objetivos da igreja. Será sempre um peixe fora dágua. Seusalunos aprenderão com seu mau exemplo a serem membros alheios e desinformados, sempre distantes da vida da igreja.Professores presentes aos cultos e aos trabalhos da igreja são sempre bons exemplos de cooperação e integração. _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 15
  16. 16. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominical Dizimista fiel Voltamos a enfatizar que o professor da Escola Dominical precisa ser um dizimista fiel. Ele entende a doutrinabíblica do dízimo e o concebe como o método de Deus para o sustento da obra. Não é daquelas pessoas que vivemdando desculpas para não dizimarem, nem aquele tipo de crente que se esconde atrás da orientação neotestamentáriasegundo a qual cada um deve contribuir segundo propôs no seu coração para nunca contribuir ou dizimar. Para estar àfrente de uma classe da Escola Dominical, na qualidade de professor, o crente precisa ser um fiel dizimista ao Senhor. Distante dos ventos de doutrinas Vez por outra surgem no seio da igreja pessoas ou grupo de pessoas com tendências doutrinárias diferentes daquelasestabelecidas e aceitas pela igreja. A pessoa, normalmente, se sente insatisfeita com sua igreja e passa a freqüentar outrade confissão diferente. Não satisfeita em ficar na nova igreja volta à de origem para conquistar simpatizantes e tentarconvencê-los do erro das doutrinas que professam. Se um crente deve abster-se de qualquer aproximação dessanatureza, que se dirá de um professor da Escola Dominical. Ele nunca deve se envolver com este tipo de movimento,pelo contrário, tem de permanecer firme nas doutrinas que abraçou com sua igreja. O professor desempenhará o papelde mestre, tirando dúvidas e demonstrando aos seus alunos e demais membros da sua congregação as bênçãos dafidelidade doutrinária. Eticamente correto em sua vida Fiel cumpridor dos seus deveres e da sua palavra, o professor da Escola Dominicalprocura sempre dar um bom testemunho diante da sociedade. Dentro da igreja não se envolve em maledicências,fofocas, conspirações e maquinações que só destroem os laços de fraternidade cristã. Vale a pena fazer uma leituracriteriosa do texto de Provérbios 6.16-19 para constatar como Deus abomina os que enveredam por este caminho. Comoprofessor, o crente sabe que sua vida é um referencial constante para os demais, entende que nunca pode ter seu nomeenvolvido em situações ambíguas ou de caráter duvidoso. Sendo exemplo diante de seus alunos na conduta ética, oprofessor também os estará motivando ao estudo das Escrituras. Não foram apresentadas aqui técnicas de motivação, até mesmo porque há ainda muitas dúvidas sobre sua eficáciaprática para o aprendizado. No entanto, vimos atitudes motivadoras do professor para com seus alunos. Cremos que, àmedida que o professor for se esmerando nessas atitudes, seus alunos serão estimulados a uma vida cristã autêntica edinâmica sob o senhorio de Jesus Cristo. BÍBLIA: QUE LIVRO COMPLICADO! Como interpretar e estudar a Bíblia, descobrindo suas maravilhas. Aplica-te à leitura, à exortação, e ao ensino (1Tm 4.13). Estamos distantes do mundo da Bíblia cultural, geográfica e cronologicamente. Este fato naturalmente dificulta oentendimento das Escrituras, pois como entender hoje, quase dois mil anos depois de Cristo, escritos datados de até3.500 anos atrás? Daí a razão pela qual muitas pessoas não conseguem compreender bem a Palavra de Deus e a têmcomo difícil e complicada. Por esse mesmo motivo, entende-se também o surgimento de tantas heresias e distorções teológicas, pois tentandointerpretar a Bíblia sem critérios sérios muitos acabam por afirmar doutrinas e posturas que realmente a Bíblia nãoapóia nem autoriza. A única maneira de alguém compreender a Palavra de Deus é dedicar-se ao seu estudo de forma zelosa edisciplinada. Como disse Paulo Freire: "estudar é, realmente, um trabalho difícil. Exige de quem o faz uma posturacrítica, sistemática. Exige uma disciplina intelectual que não se ganha a não ser praticando-a." [11] Só será possível entender a Bíblia, portanto, com um trabalho sério, lançando mão dos princípios de interpretaçãouniversalmente aceitos e difundidos. São princípios que, uma vez observados, abrem diante do estudante as portas deacesso à verdade eterna. Deus, pelo seu Espírito Santo, capacita o ser humano a compreender o texto sagrado através dautilização destes princípios. ALGUNS TERMOS-CHAVES Antes de uma exposição dos princípios de interpretação da Bíblia, vamos proceder a uma definição de termos, tantopara evitar confusão no entendimento como para situar o amado leitor, ajudando-o a se localizar no espectro darevelação de Deus. REVELAÇÃO - Há hoje o uso desta palavra de forma completamente diferente do seu sentido original. A palavrarevelação no Antigo Testamento é galah e significa descobrir, mostrar o que está encoberto. No Novo Testamento apalavra é apokálypsis, que significa tirar o pano ou puxar a cortina. A idéia é a do momento em que no teatro grego as cortinas eram puxadas e a platéia podia ver o que estava por trás, 11 - FREIRE, Paulo. Ação Cultural para a Libertação. 5ª. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981, p. 9. _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 16
  17. 17. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominicalescondido. Teologicamente, revelação é o ato de Deus em que ele se dá a conhecer ao homem. É o próprio Deus quemse revela ao ser humano e o faz de forma geral, por meio da natureza que ele criou (SI 19.1) e, de forma especial,através do seu filho Jesus (Jo 1.18). INSPIRAÇÃO - Ao revelar-se, Deus desejou que as gerações futuras tivessem acesso à sua revelação. Por esta razãoele capacitou homens a registrarem a sua revelação. A essa capacitação chamamos inspiração. Por isso lemos em2Timóteo 3.16 que "toda Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, paraensinar em justiça". A expressão divinamente inspirada é tradução do grego theopneutos (theós [Deus] + pneutos[sopro]), com sentido de que a Escritura tem sua origem no próprio Deus que a transmitiu ao homem para que ele aregistrasse. O resultado da inspiração é a Bíblia Sagrada, que tem sido sabiamente definida como o registro da revelaçãode Deus. ILUMINAÇÃO - Deus se revelou e inspirou homens para registrarem sua revelação. Porém, com o passar dos anos,o sentido do que foi registrado corria o risco de se perder e as gerações futuras ficarem privadas do registro da revelaçãode Deus. Assim sendo, ao longo dos séculos e dos milênios, Deus tem capacitado pessoas a interpretarem o registro desua revelação, a Bíblia. A isso chamamos iluminação: Deus usando homens para interpretarem sua Palavra. A este conjunto de definições alguns chamam tríade revelatória. Observe que não há mais revelação, no sentidoteológico da palavra, o que Deus desejou revelar ao homem sobre si, já o fez. Também não há mais inspiração, o que deveria ser registrado da revelação de Deus, já o foi. O que existe hoje éiluminação. Deus continua e continuará capacitando e usando pessoas para interpretarem a sua Palavra. [12] É precisamente neste contexto de iluminação que se insere a tarefa do professor da Escola Dominical como intérprete da Bíblia. O Espírito Santo há de iluminar o professor para que, valendo-se dosprincípios de interpretação da Bíblia, entenda e transmita aos seus alunos a Palavra de Deus. PRINCÍPIOS DE INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA Como intérprete da Palavra de Deus, o professor da Escola Dominical cumpre uma sublime missão. Primeiro porqueao cumpri-la mergulhará no maravilhoso mundo da Bíblia; depois, porque descobrirá verdades e princípios eternos queinfluenciarão e moldarão, em primeira instância, a sua própria vida e, finalmente, porque sentirá a felicidade de passaraos seus alunos não algo vago ou produto da pesquisa de outrem, mas sim o resultado do seu próprio trabalho deinvestigação. Estes princípios certamente ajudarão o professor no seu trabalho de estudo das Escrituras: Princípio do contexto De acordo com este princípio, cada texto pertence a um determinado contexto, razão pela qual não pode serinterpretado isoladamente. O professor precisará identificar o contexto imediato, ou seja, o trecho ou o capítulo bíblicono qual o texto se insere; e também o contexto amplo, ou seja, a seção do livro bíblico, ou até mesmo o livro bíblico, aque o texto pertence. Todo texto bíblico é coerente com seus contextos imediato e amplo. Compreendendo o sentido doseu contexto, o professor terá melhores condições de interpretar o texto. Vai aqui um alerta para que tomemos cuidado com grupos e líderes religiosos que fundamentam suas doutrinas eseus ensinos em textos isolados da Bíblia ignorando completamente o contexto dos mesmos. Vai também aqui umapalavra de cautela com relação à famosa caixinha de promessas, tão difundida no meio evangélico. Lembremo-nos deque cada um daqueles versículos tem um contexto, o qual muitas vezes estabelece condições e critérios para ocumprimento da promessa. Apegar-se a textos e querer interpretá-los fora do seu contexto constitui grave erro no campoda hermenêutica bíblica. Princípio gramatical Seguindo este princípio, o professor se preocupará com o significado de palavras e expressões do texto. Muitasvezes, quando estudamos o significado de uma palavra ou de uma expressão do texto, descobrimos nuançasimportantíssimas para sua interpretação. Além disso, com o passar dos séculos e dos milênios, o uso e o sentido daspalavras sofreram alterações, de modo que o professor precisará recorrer a instrumentos de pesquisa para compreendero sentido do texto para os seus destinatários originais. Só depois de saber o que o texto significou para seus leitoresprimeiros, é que o professor poderá descobrir o seu significado para os de hoje. 12 - Para uma explanação mais exaustiva dos conceitos descritos, ver VIERTEL, Weldon E. A Interpretação da Bíblia. Rio de Janeiro: Juerp, 1979, 200p. _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 17
  18. 18. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominical A pesquisa gramatical enfatiza, portanto, o sentido das palavras e sua função dentro do texto. Concentra-se na identificação deste significado, por isso sujeitos, verbos, predicados, pontuações, pronomes,adjetivos, etc. fazem o universo deste importante princípio para a interpretação das Escrituras. Devemos lembrar que a Bíblia foi escrita originalmente em três línguas: hebraico, aramaico e grego. A Bíblia quetemos em nossas mãos é, portanto, uma tradução. Mister se faz então um trabalho muito sério e dedicado para que osignificado das palavras e o sentido das expressões do texto estejam bem claros na mente e no coração do professor. Muitas vezes notamos que o problema não chega nem a ser de interpretação, mas de leitura. Uma leitura malfeitadificultará consideravelmente o entendimento do texto. O professor precisa cuidar bem da leitura do texto, observar apontuação, os tempos verbais, os plurais etc. Um texto bem lido, bem entendido, é meio caminho andado para ter umainterpretação eficaz. Princípio histórico Todo texto a ser estudado foi produzido em uma determinada realidade histórica, ou seja, tem a ver comdeterminadas situações sociais, culturais, geográficas, políticas e até filosóficas. Assim sendo, para que o professor daEscola Dominical possa compreender bem o texto bíblico, deverá entender o contexto histórico em que ele foiproduzido e também o contexto a que ele se refere. É muito importante que o professor não se descuide deste princípio, pois muitas coisas são por ele clarificadas naPalavra de Deus. Por exemplo, os nomes de lugares como Samária, Jerusalém; de partidos políticos e de seitas como osfariseus e saduceus; problemas sócio-culturais como a dissensão entre os judeus e os samaritanos na época de Jesus etc.O contexto histórico precisa ser bem entendido para que o texto bíblico seja corretamente interpretado. Para observar de modo satisfatório este princípio, o professor precisará lançar mão de enciclopédias bíblicas,manuais, dicionários e comentários sobre os livros da Bíblia. Daí pontuamos desde já a importância do professor formarsua biblioteca particular, com todos estes instrumentos úteis para a pesquisa bíblica. [13] Princípio teológico De acordo com este princípio, o professor deverá observar em cada texto bíblico que estudar os aspectosdoutrinários. O que o texto em estudo diz sobre Deus, Jesus Cristo, o Espírito Santo, a criação, o pecado, a salvação, aigreja, as últimas coisas etc. Todo o texto sagrado está eivado de informações de caráter doutrinário, os quais, ao serementendidos, vão construindo uma concepção teológica do próprio estudante das Escrituras. Em cada texto há algo sobrealguma doutrina que precisa ser destacado e aprendido. Aqui está um dos princípios mais importantes para uma boa interpretação da Palavra de Deus. O crescimentodoutrinário dos alunos da Escola Dominical está diretamente vinculado ao uso adequado deste princípio, pois se oprofessor não souber observá-lo, as ênfases doutrinárias ou teológicas do texto poderão ficar de lado ou serem tratadasde forma inadequada. A conseqüência será a perda de preciosa oportunidade para o crescimento doutrinário dos alunos. Princípio prático Considerando a já destacada distância entre o mundo da Bíblia e o de hoje, o professor não pode deixar de levar emconsideração a realidade vigente na interpretação do texto bíblico. Assim, os princípios e as verdades bíblicasaprendidas deverão ser aplicadas de modo correto às necessidades do ser humano da época atual. Os princípios anteriores ajudarão muito o professor a compreender melhor o mundo da Bíblia, o princípio prático oajudará a aplicar as lições aprendidas ao mundo de hoje. Desta forma, evita-se que a interpretação seja uma merareconstrução histórico-filosófica e, conseqüentemente, irrelevante para o homem dos dias atuais [14]. É através do uso deste princípio que o professor descobrirá como tornar a Bíblia um livro pertinente e relevante parao homem de hoje. Esta ponte entre o mundo da Bíblia e o de hoje trará até- a realidade de vida dos alunos da EscolaDominical os eternos ensinamentos da Palavra de Deus. Numa interpretação correta da Bíblia, o aspecto prático nãopode ser ignorado ou desmerecido. MÉTODOS DE ESTUDO BÍBLICO 13 - Ao final deste livro você encontrará uma sugestão de biblioteca básica para o professor da Escola Dominical. Para constituí-la você poderá fazer um plano e ircomprando as obras à medida que os seus recursos permitirem. 14 - Para uma visão prática sobre a aplicação da Bíblia aos problemas e situações contemporâneos, ver DORNAS, Lécio. O Jornal e a Bíblia. Cuiabá: Edição doAutor, 1996, 102p. _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 18
  19. 19. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominical Além de conhecer os princípios de interpretação da Bíblia, o professor precisa aprender também os di versosmétodos para o seu estudo. São caminhos, alternativas várias, que foram desenvolvidas e testadas, com o fim deauxiliarem o estudante nesta maravilhosa tarefa de descobrir as verdades da Bíblia. Convém salientar, no entanto, que os princípios de interpretação precisam ser observados independentemente dométodo de estudo escolhido. Não se pode confundir os métodos para o estudo da Bíblia com os princípios para suainterpretação. Estes cuidam da descoberta de significados, aqueles tratam de estratégias de pesquisa. Ambos sãoimportantes para o trabalho do professor da Escola Dominical, mas precisam ser levados em conta considerando anatureza e o escopo de cada um. Enumeraremos os principais e mais difundidos métodos para o estudo da Bíblia. Sabemos que existem outros e quea cada dia surgem novos[15]; contudo, os que aqui analisaremos constituirão importante fonte de informação e ajudapara o professor da Escola Dominical. O estudo de um versículo da Bíblia É possível estudar um versículo da Bíblia. Note bem que estamos usando o verbo estudar, ou seja, descobrir osignificado de um versículo à luz dos princípios de interpretação da Bíblia que vimos anteriormente. Não se trata aquide tratar isoladamente um versículo para dele extrair doutrinas ou dogmas, mas sim a partir dele chegar à descoberta deprincípios e verdades eternos. Para se estudar um versículo da Bíblia, deve-se seguir os seguintes passos: 1. Identifique e examine o contexto - Descubra toda a porção bíblica a que pertence o versículo. Situe geográfica, social e culturalmente o contexto. Esteja bem seguro quanto ao momento histórico a que oversículo faz referência e entenda-o à luz desta situação histórica. 2. Investigue o texto - Isso significa fazer perguntas ao texto. Anote suas observações, dúvidas, aplicações eeventuais dificuldades sobre o texto. Investigue tudo o que puder sobre as informações e inferências do texto. Fiquecerto de que entendeu o máximo possível sobre o significado do texto. 3. Reescreva o versículo com suas próprias palavras - Depois de o haver lido e estudado bastante, tente agorareescrevê-lo usando o seu vocabulário comum, mesmo que você precise de mais ou menos palavras e ainda quenecessite citar algum exemplo para explicar o que leu. Faça uma redação própria do versículo. 4. Examine as referências - Usando sua Bíblia, identifique as referências que constam do seu versículo. Leia cadauma delas. Isso possibilitará a você ver outras idéias e situações atinentes ao texto ou ao seu contexto. 5. Selecione aplicações - Dentre as lições que você descobriu no texto que estudou, selecione aquelas que lhefalaram ao coração de forma mais direta. Pense nos seus alunos, vejam quais lhe parecem mais úteis. Depois, dentretodas as aplicações selecionadas, escolha uma, a que de fato lhe falou com maior impacto. O estudo de um capítulo da Bíblia A preocupação central do professor ao escolher este método é a de descobrir o máximo que um determinado capítulopode lhe ensinar. Há capítulos bíblicos que foram muito difundidos e ficaram famosos, mais conhecidos do que osdemais. Assim, temos o capítulo da criação (Gn 1), o dos dez mandamentos (Ex 20), o do bom pastor (Sl 23), o do amor(1Co 13), o dos heróis da fé (Hb 11) etc. A verdade, porém, é que em praticamente todos os capítulos da Bíblia há muitos ensinamentos e lições preciosaspara nossas vidas. Por esta razão, temos um método para estudá-los. Para extrair o máximo de um capítulo da Bíblia,siga os seguintes passos: 1. Leia o capítulo com atenção: O ideal é que sejam várias leituras, em versões diferentes da Bíblia. O objetivo é de o professor se familiarizar bemcom o texto. Numa folha à parte, escreva suas observações, dúvidas e possíveis aplicações. Tudo o que for encontrandodurante as leituras. 15 - Para um aprofundamento maior sobre métodos de estudos bíblicos, ver HEN RICHSEN, Walter A. Métodos de Estudo Bíblico. 5a. ed. São Paulo: MundoCristão, 1993, 117p. _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 19
  20. 20. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominical 2. Identifique a estrutura do capítulo Significa identificar os assuntos tratados no capítulo, separando-os de modo a poder tratá-los individualmente. Estaestruturação vai ajudar o professor a conhecer o progresso ou a evolução do pensamento do autor naquele capítulo, bemcomo compreender a seqüência do mesmo. Continue trabalhando com a folha à parte, anotando observações e detalhesdo texto. 3. Verifique o contexto O que quer dizer, neste caso, o livro todo onde o capítulo está inserido. Quais são as informações disponíveis sobre olivro, seu propósito, sua mensagem, situação histórica em que foi escrito etc. Cada capítulo desempenha um papel ecumpre uma missão dentro do livro todo. Especialmente quando se está estudando um daqueles capítulos maisconhecidos, se faz necessário muito cuidado para não tratá-lo isoladamente, desconsiderando, assim, o seu contexto. 4. Pergunte ao texto Como no método anterior, questione tudo e investigue ao máximo o texto em estudo. Use a folha na qual você vemfazendo anotações para lhe ajudar agora a inquirir o texto. Quanto mais ampla for sua pesquisa neste passo, maisprofundo será o seu estudo do capítulo. 5. Amplie o horizonte da pesquisa Descubra o que outras passagens bíblicas têm como contribuição para um bom entendimento dos assuntosidentificados no capítulo. As referências poderão ajudar aqui, bem como outros materiais de apoio já mencionados. 6. Esquematize o estudo Agora, o professor já poderá fazer uma lista dos assuntos do capítulo, destacando em cada item as lições ouaplicações que sejam realmente importantes para a sua vida e para a de seus alunos. Ao final deste passo, o professorterá um esboço pronto e poderá ensinar o capítulo bíblico estudado. O estudo de um assunto da Bíblia Às vezes o professor estará diante não de um texto bíblico, mas sim de um assunto para ser estudado. Precisará deum método que se fundamente não em uma passagem determinada, mas num assunto específico. Fé, santidade, pecado,mordomia, adoração, missões são alguns exemplos de tópicos passíveis de serem estudados à luz da Bíblia. Veja ospassos para o estudo de um assunto bíblico. 1. Delimite a abrangência do estudo Diante de um assunto a ser estudado, é necessária a delimitação da abrangência do seu estudo. Por exemplo, se o professor deseja estudar sobre pecado, vai demorar muito para estudar o tópico em toda a Bíblia,por isso sugerimos a delimitação. Assim, poderá estudar o pecado à luz dos Evangelhos, ou de uma determinadaepístola, até mesmo de um determinado período histórico. O importante é que a delimitação torne factível o estudo. 2. Descubra as passagens pertinentes Usando uma boa concordância e um bom dicionário bíblico, localize os textos que tratam do assunto a ser estudado,dentro da delimitação feita. Procure ser o mais completo possível neste passo, para que seu estudo também seja bemabrangente. 3. Entenda o contexto das passagens Talvez seja o passo mais trabalhoso, mas o professor deverá fazer um estudo do contexto de cada passagem alistada.Isso lhe dará uma visão da realidade histórica que abrigava a compreensão do seu tópico exposta no texto. Sem estepasso, o estudo correrá o risco de se transformar num emaranhado de textos unidos por palavras e não por significado, oque seria inútil. 4. Anote observações e aplicações Numa folha à parte, escreva tudo o que cada passagem diz acerca do assunto, bem como anote observações eaplicações práticas a respeito do tópico em estudo. 5. Organize seu estudo Faça um esboço abrangendo tudo o que você aprendeu sobre o assunto estudado, trabalhe de forma a facilitar oentendimento progressivo do assunto. 6. Identifique informações novas Escreva as coisas novas que descobriu sobre o assunto. Faça uma lista de ensinamentos práticos e importantes que o _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 20
  21. 21. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominicalestudo lhe ensejou. Faça um propósito diante de Deus de praticar as novas lições aprendidas durante o estudo.Compartilhe com seus alunos, de forma ordenada e seqüencial, o que você aprendeu. O estudo de um personagem bíblico Talvez este seja um dos métodos mais fascinantes para o estudo da Bíblia. Seu propósito principal é descobririnformações sobre a vida de um personagem bíblico, com o objetivo de aprender, com suas fraquezas e virtudes, liçõesa serem aplicadas à própria vida de estuda. Veja como este método pode ser usado. 1. Escolha o personagem e aliste passagens bíblicas Ao escolher um personagem bíblico, use uma concordância e um dicionário bíblico para alistar as passagens quetratam da vida dele e a ele fazem referência. As referências da própria Bíblia o ajudarão. 2. Faça um resumo da vida do personagem Depois de ler cada texto alusivo ao personagem que você está estudando, escreva numa folha, com suas própriaspalavras, um resumo da vida dele. Este procedimento vai auxiliá-lo no entendimento do desencadeamento dos fatos quemarcaram a vida do personagem. 3. Identifique fraquezas e virtudes Usando cada passagem que você alistou, em uma folha dividida em duas colunas, coloque em uma as fraquezas e naoutra as virtudes do personagem. 4. Compare-se com o personagem Vejam quais são os pontos comuns e os incomuns entre você e o personagem estudado. Descubra, com as passagensbíblicas alistadas, como o personagem reagiu diante de situações que realçaram suas fraquezas e também como lidoucom aquelas em que mostrou suas virtudes. Assim, descubra o que Deus tem a lhe ensinar sobre suas próprias fraquezase virtudes. 5. Organize a biografia do personagem Separe por épocas, acontecimentos ou estágios a vida do personagem. Faça isso de tal forma que, ao olhar para seuesboço, a vida e os ensinamentos extraídos da vida do personagem lhe venham claramente ao coração. LIVRO COMPLICADO? Agora, diante do que foi apresentado neste capítulo, o professor da Escola Dominical compreende que a Bíblia não éum livro assim tão complicado. Basta determinação e disciplina para interpretá-la e estudá-la corretamente e as suasmaravilhas logo aparecem. A alegria e a satisfação de descobrir os tesouros da Palavra do Senhor e o sentimento defelicidade ao ver seus alunos com o coração ardendo pelas Escrituras hão de recompensar o professor, de forma a que sesinta também gratificado por cumprir com zelo e alegria o seu dever O professor com júbilo, como fez o salmista: "Oh!quanto amo a tua lei! ela é a minha meditação o dia todo" (Sl 119.97). MINHA IGREJA NÃO VALORIZA A ESCOLA DOMINICAL Como ajudar sua igreja a crescer através da Escola Dominical Abra a sua boca com sabedoria, e o ensino da benevolência estará na sua língua (Pv 31.26). Tenho notado uma reclamação generalizada. São professores reclamando que seus alunos não estudam a lição nemfazem as leituras diárias; são alunos reclamando de professores despreparados que dão aulas monótonas e semmotivação; são pastores se queixando da falta de líderes para a Escola Dominical; são líderes reclamando da falta deapoio dos seus pastores etc. Parece que ninguém está satisfeito com o desempenho atual da Escola Dominical. Separarmos para analisar, cada crítica tem certo grau de fundamento, todos têm algum nível de razão, a partir de suaperspectiva. O fato é que a Escola Dominical vive dias de indiferença por parte de muitos. Realmente, precisamos construir umescala para identificar onde começa esta cadeia de desinteresse pelo estudo das Escrituras nos arraiais da igreja.Sabemos, pela experiência de muitos anos ministrando em diversas partes do país e no exterior sobre o ensino na EscolaDominical, que vivemos hoje uma realidade bem diferente da de algumas décadas atrás. Ê do conhecimento de todosque há trinta ou quarenta anos, o número de alunos matriculados nas classes da Escola Dominical de uma igreja eraquase sempre maior do que o número de membros da mesma. Hoje tal realidade é muito rara. O que teria ocorrido?Tudo leva a crer num processo de desmotivação que não encontrou, ao longo dos anos, antídoto suficientemente eficazpara revertê-lo. Ao que parece, algumas coisas foram acontecendo que resultaram no afastamento de muitos e nodesinteresse de outros pela Escola Dominical. _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 21
  22. 22. SOCORRO! Sou professor da Escola Dominical Não vamos nos alongar aqui em identificar os motivos de tal arrefecimento, mas um dos principais fenômenos queentendemos ter contribuído para esse quadro foi a perda de um dos principais objetivos da Escola Dominical, aevangelização. Em 1963, o Dr. J.N. Barnette escreveu o livro The Place of Sunday School in Evangelism (O lugar da EscolaDominical no evangelismo) [16], em que discute com propriedade e profundidade o papel desempenhado pela EscolaDominical no cumprimento da grande comissão de Mateus 28.18-20. Em 1981, o Dr. Harry Piland foi o organizador de um livro que foi publicado com o título Growing and Winningthrough the Sunday School (Crescendo e vencendo através da Escola Dominical) [17]. Trata-se de um livro cujoscapítulos foram escritos pelos principais líderes americanos, peritos no ministério da Escola Dominical, homens comoJames Frost, Eugene Skelton, Bernard Spooner, Harry Piland, John Sisemore e Lucien Coleman, Jr. Todo o livro évoltado para a instrumentalização da Escola Dominical para a evangelização e o conseqüente crescimento da igreja.Inclusive, num capítulo primoroso o Dr. Lucien E. Colemann, Jr escreveu sobre "Teach the Bible to Win the Lost andDevelop the Saved" (Ensinar a Bíblia para ganhar os perdidos e desenvolver os salvos) [18], em que deixa claro que amesma Bíblia, com sua vigorosa e objetiva mensagem, evangeliza os perdidos e aperfeiçoa os crentes. Em 1983, foi a vez do Dr. John T. Sisemore escrever seu livro Church Growth through the Sunday School[19](Crescimento da igreja através da Escola Dominical). Neste livro, ele demonstra como a igreja pode aproveitar opotencial evangelizador da Escola Dominical. Fica claro que, sendo fiel ao seu objetivo evangelizador, a EscolaDominical proverá a igreja local de um crescimento tal que a forçará a ampliar sua visão, seu espaço físico e suaestratégia de ministração aos crentes e não-crentes. Desde sua gênese com Robert Raikes (1736-1811), na Inglaterra, a Escola Dominical foi dirigida a crianças fora doambiente da igreja. Eram crianças que estavam nas ruas aprendendo coisas ruins e sendo formadas pela vida das ruas naescola da imoralidade e da desonestidade. Raikes investiu num projeto que visava tirar as crianças das ruas no dia emque elas lá permaneciam por mais tempo: o domingo. Pouco a pouco, a Escola Dominical de Raikes foi crescendo e suaidéia se espalhou de tal forma que há notícias de que em 1831, 20 anos após sua morte, havia na Grã-Bretanha escolasdominicais que, unidas, envolviam no estudo da Palavra de Deus, semanalmente, perto de 1.250.000 crianças(aproximadamente 25% da população!) [20]. A irmã Cathryn Smith, vida gasta no Brasil pela causa da Educação Religiosa, foi a organizadora do Programa deEducação Religiosa da Convenção Batista Brasileira que agora, em sua 6ª edição, foi revisado, atualizado eampliado[21]. Discutindo sobre as tarefas da Escola Dominical, o livro é contundente ao afirmar que esta organização "éa agência evangelizadora por excelência na igreja"[22]. Ainda entre os batistas, no Congresso Batista Brasileiro, realizado em 1991, no Rio de Janeiro, o tema da EducaçãoReligiosa foi exposto por três preletores e amplamente discutido num Grupo de Aprofundamento que, ao final, apresentou como parte de suas conclusões: "Que se dê ênfase à EBD como agênciaevangelizadora"[23]. Em 1993, aconteceu o I Congresso Batista Brasileiro de Escola Dominical, também no Rio deJaneiro, onde se procurou chamar a atenção para a importância da Escola Dominical para a viabilização do crescimentointegral da igreja. Entretanto, não obstante a história e a fundamentação teórica da Escola Dominical, o fato é que, com o passar dos 16 - BARNETTE, J.N. The Place of Sunday School in Evangelism. Nashville: Broadman, 1963. 17 - PILAND, Harry(Compier).Growingand Winning throughthe Sunday school. Nashville: Convention 1981, 251 p. 18 - PILAND, Harry (Compiler). op. cit. p. 175-197. 19 -19 SISEMORE, John T. Church Growth the Sunday School. Nashville: Broadman, 1983, 156p. 20 - TOWNS, Elmer. Towns Sunday Encydopedia. Wheaton: Tyndale, 1993, p. 457-458. 21 - SMITH, Cathryn. Programa de Educação Religiosa. 6a. ed, Revista e Atualizada, Rio de Janeiro: Juerp, 1995, 112p. 22 - SMITH, Cathryn., op. cit, p. 53. 23 - Com os Olhos no Futuro - Teses do Congresso Batista Brasileiro. Rio de Janeiro: Juerp/Conselho de Planejamento e Coordenação da CBB, 1991, p.203. _______________________________________ SOCORRO! SOU PROFESSOR DA ESCOLA DOMINICAL, LÉCIO DORNAS – p. 22

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