2 invencível

441 visualizações

Publicada em

Dizem que quando está a ponto de morrer, você vê sua vida inteira brilhar como um flash diante dos seus olhos.

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
441
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
0
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

2 invencível

  1. 1. IINNVVEENNCCÍÍVVEELL Crônicas de Nick 02 Sherrilyn Kenyon PPRROOJJEETTOO RREEVVIISSOORRAASS TTRRAADDUUÇÇÕÕEESS Revisão Inicial: Kátia Vasco Revisão Final: Soteria Parthenopaeus Formatação: Luci RREESSUUMMOO:: Justamente quando pensava que as coisas não podiam piorar… O dia de Nick Gautier vai de melhor a melhor. Sim, sobreviveu ao ataque dos zumbis, apenas para despertar e encontrar a si mesmo escravizado a um mundo de mudança de formas e demônios que reclamam sua alma. Seu novo diretor acredita, inclusive, que ele é pior valentão de que pensava o seu último treinador, que está tentando recrutá-lo para coisas que nem sequer podem ser mencionadas e a garota com quem não está saindo, mas está, tem segredos que o aterrorizam. Mas, mais que isto, ele está sendo usado pelo mais sombrio dos poderes e se não descobrir como encarregar-se dos mortos até o final da semana, irá se transformar em um deles.
  2. 2. Sherrilyn Kenyon Invencível 2 CCAAPPÍÍTTUULLOO 11 Dizem que quando está a ponto de morrer, você vê sua vida inteira brilhar como um flash diante dos seus olhos. Mentiram. A única coisa que Nick Gautier podia ver brilhar eram as presas de vampiro de Kyrian Hunter. Essa visão horrível congelou-o no lugar onde estava, sob a elegante escada de mogno da entrada da enorme mansão de Kyrian, anterior à Guerra Civil. Vou morrer… Outra vez. Sim, desde que tinha tentado ir à escola cerca de vinte e duas horas atrás, soube que o diretor havia sido devorado por um zumbi, todos seus companheiros estavam atrás dele. Agora, seu maldito chefe era um vampiro. Imaginava. Quanto ao seu salário, a menos que o diabo pudesse descontar, Nick nunca veria um centavo disso. Será que este dia jamais acabaria? Cara, agora, você é o único que está a ponto de chegar ao seu fim. Esse pensamento por fim dispersou o nevoeiro terrível em sua cabeça, que o mantinha imóvel. Corre, cara, corre! Não podia descer as escadas, porque era ali que Kyrian estava. O único lugar para correr era para cima, com sua mãe, que já tinha entrado no quarto que Kyrian emprestou para a noite. Ela ignorava completamente o fato de que estavam em perigo mortal e que seu sangue estava a ponto de ser drenado. Ele virou-se para avisá-la. — Nick! Espera! Que espere, uma merda! O vampiro já podia reservar alguns litros de sangue para si se pensava que Nick tinha alguma intenção de se transformar em Gasparzinho.
  3. 3. Sherrilyn Kenyon Invencível 3 Sou muito jovem, muito esperto e muito bonito para morrer. Sim, e alguma coisa a mais. O mundo precisa dele para melhorar a genética. Sem mencionar, que aos quatorze anos ainda não havia tido seu primeiro encontro. Esta noite, quase teve seu primeiro beijo. Ele deveria ter reconhecido que isso era como um sinal de que o apocalipse se aproximava e que sua morte era iminente. Quando Nick aproximou-se da parte superior da escada, Kyrian pulou de um único salto os seis metros que o separavam do chão e girou sobre o corrimão para aterrissar graciosamente diante dele, cortando-lhe a fuga. Os olhos negros de Kyrian brilharam nas sombras. Vestido completamente de negro e com mais de um metro e oitenta de altura, Kyrian era uma visão mortífera e impressionante, mesmo com seus cachos loiros de menino. Não havia maneira de passar por ele. Merda... Nick derrapou até parar. O que deveria fazer agora? Sua mãe estava em um quarto a poucos metros de Kyrian. Poderia avisá-la, mas a última coisa que queria era que Kyrian a matasse também. Talvez se ficasse quito, Kyrian sugasse apenas a ele. — Não é o que você pensa, Nick. Sim, certo. — Acho que você é um vampiro demônio sanguessuga que vai me matar, é isso o que penso. Antes que ele pudesse sequer piscar, Kyrian estendeu a mão e agarrou o pescoço de Nick com algum tipo de aperto mortal vulcaniano . Queria lutar, mas estava tão indefeso como um filhote erguido pela nuca. Com a força desumana que se espera dos mortos-vivos, Kyrian arrastou Nick, passando o quarto temporário de sua mãe e subiu até seu escritório. Como no resto da casa, as cortinas que iam do chão até o teto estavam fechadas para proteger contra o sol nascente, algo que deveria ter alertado Nick de que Kyrian era um vampiro desde o primeiro momento em que entrou na mansão. A madeira escura do escritório combinava perfeitamente com as paredes de cor verde escura. Sem perder velocidade, Kyrian jogou Nick sobre uma poltrona de couro vermelho escuro. Quando começou a correr, Kyrian bateu-lhe de novo. — Pare um minuto e escute. Sei que estou pedindo o impossível, mas pelo menos uma vez em sua vida, fecha a boca e presta atenção. — Não sou eu quem está falando. Kyrian grunhiu para ele. — Não se faça de esperto comigo. — Quer que eu seja estúpido? — Nick. Nick levantou as mãos. — Muito bem, mas não coma a minha mãe, ok? Ela teve uma vida bastante ruim sem necessidade de se tornar noiva do Drácula. — Eu não bebo sangue.
  4. 4. Sherrilyn Kenyon Invencível 4 Ele arqueou uma sobrancelha. — Sim, claro. — Sim, claro. Não bebo. Não sou um vampiro. E para o que ele queria essas estranhas presas? — Então, o que há com seu peculiar problema dental, hein? E nem tente me dizer que são falsos, senhor-ternos-Armani-e-carros-de-luxo, porque você não é do tipo que tem coisas falsas, e tudo o que isso diz de você é que tem dinheiro suficiente para arrumá-los, se quisesse. Sem mencionar o fato de que você não sai à luz do dia e, como fez o salto do ninja se não for um dos mortos-vivos? — Tenho talentos. — E eu vou embora. — Nick tentou escapar, e outra vez Kyrian o empurrou de volta à poltrona, o suficientemente forte para chamar sua atenção. — Você sabe sobre Acheron, e o aceita. Por que não confia em mim? Acheron Parthenopaeus era um gigante imortal... ou algo assim. Mas mesmo assim, ele não foi outra coisa senão agradável com Nick e sua mãe. E o mais importante... — Ele não tem presas. — Sim, ele as tem. Só que as esconde melhor do que eu. E ele também é meu chefe. Nick lhe replicaria que ele estava cheio de merda, mas a explicação em realidade tinha sentido de uma maneira estranha. Ash tinha mais de onze mil anos de idade e parecia excepcional que Kyrian o tivesse como amigo. Mas se o gigante imortal era o chefe de Kyrian… Isso se explicava. Entretanto, Nick não era um tolo, e não aceitava nada sem razão. Pelo que sabia, Kyrian estava mentindo sobre suas presas. — Que tipo de trabalho você faz? — Proteção de pessoas. — Como salvar meninos punks recebendo golpes até morrer por pessoas que supostamente são seus amigos? — Ou seja, eu recebendo um tiro de Alan e pisoteado no chão pelo Tyree e Mike duas semanas atrás. Foi assim como os dois se conheceram e o que o levou a trabalhar meio período para Kyrian depois da escola. Kyrian inclinou a cabeça para ele. — Exatamente. Nick relaxou um pouco quando lembrou o muito que devia a Kyrian. Se não fosse por ele, estaria morto agora mesmo. — Então você não vai atacar a minha mãe ou chupar o meu sangue? — Bons deuses, não. Não necessito dessa indigestão. Você já me causou bastante enxaqueca para uma noite. Não preciso de nada mais. Nick se recostou na poltrona de Kyrian, olhando para ele. Se Kyrian queria matá-lo, teve um monte de oportunidades. Ao contrário, tinha protegido tanto Nick quanto sua mãe e permitiu-lhes passar a noite em sua mansão.
  5. 5. Sherrilyn Kenyon Invencível 5 — Se quer saber o termo correto para mim, sou um Dark-Hunter. Nick digeriu essa palavra lentamente. — O que significa? Você caça as trevas? — Sim, Nick. Isso é exatamente o que eu faço. Não é apenas isto. — Agora, havia tanto sarcasmo que podia ser cortado com uma faca. Nick não achou graça. — Então você vai explicar isso ou não? — Somos guerreiros imortais que vendemos a alma à deusa Artemis. Por ela, lutamos e protegemos a humanidade de qualquer coisa que espreita na noite, caçando-os. Em geral, isso significa que rastreamos e matamos Daimons. — O que são? — Para colocarmos em termos que você possa relacionar, são vampiros que vivem das almas humanas. Em vez de sangue, eles tomam a alma dentro de seu corpo, e uma vez lá, começa a murchar e a morrer. Temos que matar aos Daimons antes que a alma se consuma por completo. — Não entendo. Por que tomar as almas? Kyrian deu de ombros. — É o que os alimenta. Eles têm que manter uma alma viva dentro deles ou morrem. Isso era brutal. Para eles e especialmente para a pessoa que eles matavam para conseguir isso. — Como eles tomam as almas? — perguntou Nick. — Não faço ideia. Uma vez perguntei a Acheron, e ele se negou a responder. Ele é bom nisso. — Então ele te ensinou isso também? Kyrian sorriu, não com o sorriso apertado do passado, a não ser com um em toda sua extensão que mostrava as presas. — Ele ensinou, com certeza. — Dou-lhe aprovação, então. Kyrian inclinou a cabeça, olhando-o como se esperasse que Nick corresse de novo. — Está tudo bem, então? Nick considerou isso. Provavelmente deveria estar aterrorizado e trancando a porta, mas Kyrian estava ali com ele, lutando contra os zumbis e protegendo seus amigos esta noite. Abriu a casa à sua mãe. Ele parecia bom… — Pode confiar nele. Pela primeira vez, Nick sabia de quem era aquela estranha voz profunda na sua cabeça. Ambrose, seu tio louco, quem jurou que estaria ali para ajudá-lo. Estranho, que todo mundo dissesse o mesmo. Mas… — Nick? Ambos pularam ao som da mãe do Nick, chamando-o do corredor.
  6. 6. Sherrilyn Kenyon Invencível 6 Kyrian foi para a porta e a abriu. — Estamos aqui, senhora Gautier. Ao entrar na sala, ela olhou ao redor com desconfiança, como se esperasse apanhá-los fazendo algo ilegal, imoral ou antinatural. Minúscula, pequena, bonita e com brilhantes olhos azuis, sua mãe sempre lembrava um anjo, especialmente quando não estava maquiada, algo que ele odiava. Seu cabelo loiro estava desalinhado e ela estava vestida com uma camiseta negra que chegava até os joelhos. Parecia que Kyrian a tinha emprestado para dormir. Aos vinte e oito anos, ela era muito jovem para ter um menino de sua idade. Mas isso nunca tinha importado. Sempre tinham sido os dois contra um mundo hostil. — Nick? Está tudo bem? — Tudo bem, mamãe. Lançou a Kyrian um olhar que dizia que não acreditava na resposta de Nick. — Tem certeza, querido? — Absolutamente. O senhor Hunter me dizia que amanhã tenho o dia livre porque hoje trabalhei até tarde. Não é verdade, senhor Hunter? Havia um brilho divertido nos olhos de Kyrian ao perceber que Nick tinha manipulado a situação a seu favor. — Sim, é correto. — Não pôde dizer-lhe isso aqui fora? Kyrian apertou os lábios em um esforço por não sorrir e expor os dentes. — Nick veio aqui dentro para jogar videogame. Estava justamente dizendo a ele que precisava ir para a cama. Oh, traidor. Lançando o cartão de censura familiar? Isso foi rude. Inconcebível. Se Nick não tivesse sido a vítima ele o aplaudiria por pensar rápido. Mas a última coisa que precisava era que sua mãe tivesse uma razão mais para castigá-lo. Ela dirigiu-lhe um olhar furioso. — Nicky. Nick levantou o braço em sinal de rendição. — Mamãe… — Não me chame mamãe, moço. Não posso acreditar que faça isto quando você me conhece bem. Leve sua bunda para a cama. Agora mesmo. Em marcha! Levantando da poltrona, Nick resmungou baixo e emitiu um rosnado de advertência a Kyrian. Ele o apanharia… Eventualmente. Kyrian deixou escapar um risinho malvado com os lábios fechados. — Mostrarei-lhe seu quarto. Sua mãe mostrou que não tinha a mesma opinião quando bloqueou a porta. — Ele pode dormir no meu quarto. Comigo.
  7. 7. Sherrilyn Kenyon Invencível 7 Kyrian soltou um suspiro de cansaço. — Perguntava-me de onde Nick tinha tirado esse caráter desconfiado. Você ensinou-lhe bem. Sua mãe alisou uma mecha de cabelo loiro e o recolheu atrás da orelha esquerda. — Sim, bem, eu vi o lado feio das pessoas muitas vezes. Sem querer te ofender, senhor Hunter. — Asseguro-lhe que vi um lado ainda mais feio deles do que você. Muitas vezes, para mim mesmo. Me chame Kyrian, por favor. Isso pareceu envergonhá-la. Fez um gesto para Nick. — Vamos, meu bem. O sol já se levantou. Você tem que dormir um pouco. Ainda está se recuperando do tiro. O que não ela sabia era que ele havia se curado, cortesia de alguns poderes que não queria que ela conhecesse. Se soubesse, com sua sorte, informaria às autoridades e ele terminaria nu em um laboratório de algum lugar como um experimento. — Tenho que ir à escola? — Como começa em menos de duas horas, não. — Não estará aberta hoje, de toda maneira — disse Kyrian, chamando a atenção de novo sobre ele. — A polícia ainda está investigando. Sua mãe franziu o cenho. — Como sabe? — Falei com um dos professores de Nick. — Qual? — Nick morria de vontade de saber qual membro do professorado devia evitar por medo de delatar que seu chefe tinha presas. — A senhora Pantall. Genial. Simplesmente genial. Ela nunca havia tido um bom conceito dele, de todos os modos. Era um dos membros do corpo docente que queria expulsá-lo. Mas não havia nada que pudesse fazer a respeito esta noite. Nick bocejou quando o cansaço o alcançou. Sua mãe estalou a língua. — Vê como você está cansado? Odiava quando sua mãe fazia perguntas estúpidas. Precisou conter-se com todas as suas forças para não replicá-la. Já havia se esquivado de muitas discussões esta noite. Não necessitava de outro Tribunal. Então, contendo a língua, seguiu-a de retorno ao seu quarto. Assim como o escritório de Kyrian, era enorme. Maior que o seu minúsculo apartamento, que ele detestava. E havia uma cama extra grande, razão pela qual sua mãe não o chutaria durante o sonho. Ela girava na cama como um frango assado, e ele aborrecia toda vez que tinham que compartilhar um lugar para dormir.
  8. 8. Sherrilyn Kenyon Invencível 8 Mas a cama com dossel parecia que facilmente podia aguentar uma família de dez pessoas. A peça mais perfeita para ele era o edredom azul e dourado que combinava com o papel de parede. Mesmo as coisas que pareciam folhas douradas, estavam realmente legais nas paredes. Ele tinha visto isso em programas de televisão... e filmes de terror. Sua mãe voltou-se para ele. — Como está o seu braço? Precisa de mais medicação? Nick teve que esforçar-se para não reagir à sua pergunta. Esqueceu-se disso outra vez. Merda. Melhor lembrar-se, do contrário, todo mundo ia querer saber como se curou tão rápido. — Está tudo bem. — Bom. Agora vem para cama. Nick foi para o outro lado e deslizou para dentro. No momento em que ele se acomodou, ela o abraçou e começou a mexer em seu curto cabelo castanho. Ele se encolheu e se contorceu, tratando de escapar. Infelizmente, ela era como areia movediça. Uma vez que fosse o suficientemente burro para estar ao seu alcance, acabou-se. — Mamãe! O que está fazendo? — Não posso abraçá-lo? Ele enrugou a cara com desgosto apenas ao pensar nisso. — Não sei por que se preocupa com o senhor Hunter quando é você quem sempre está me assediando sexualmente, mãe. Agh, não posso nem dormir sem que me apalpe? Ela bateu-lhe no traseiro. Não o bastante para machucar, mas apenas para chamar sua atenção. — Pare de dizer isso. Demonstrar meu afeto ao meu bebê não é assédio sexual. Você sabe, há muitas mães por aí que não têm nenhum senso de instinto maternal. — Aquelas que jogaram seus filhos para fora de casa por um único erro, como manter um bebê que eles não quiseram. Sua mãe não disse isso, mas ele sabia que quando ela vociferava sobre este tema era um discurso contra seus pais, que a tinham abandonado quando ela tinha a sua idade. — Seja feliz por ter uma mãe que te ama. Ele estava contente com isso. Muito, já que basicamente ela era a única pessoa na terra que ele tinha. Mas agora, que era mais alto que ela, era estranho quando tentava abraçá-lo como se fosse um bebê. Poderia ter mais de dois metros de altura como Acheron, e provavelmente ainda tentaria puxá-lo para o seu colo. — Sinto muito, mamãe. Estou muito cansado. — Eu sei, precioso. — Ela inclinou-se e afastou-lhe o cabelo do rosto, e beijou-lhe a bochecha. — Boa noite. Durma bem. — Você, também. Sem mais palavras, ela virou-se. Em seguida deslizou para tocar-lhe com os pés gelados. Ele protestaria, também, mas poderia ferir seus sentimentos outra vez. Mal posso esperar para ser maior e ter meu próprio lugar...
  9. 9. Sherrilyn Kenyon Invencível 9 Sei que agora odeia isso, Nick, mas saboreie. Prometo-lhe que você vai passar mais anos de sua vida desejando poder vê-la outra vez do que passará desejando que ela te deixe sozinho. Nick franziu o cenho ante a intrusão de Ambrose em sua cabeça. — Como é que te ouço? — Um dia eu te ensinarei esse poder. Você será capaz de projetar seus pensamentos em alguém, como faço. —Será que eu também vou poder ler os pensamentos de outras pessoas como você? — Sim, poderá. Isso era demais. Ele, definitivamente poderia acostumar-se em saber o que outras pessoas estavam pensando. Com certeza seria muito mais fácil pedir uma garota para sair com ele se soubesse que ela pensava que era um completo idiota fracassado. — Quando eu posso aprender? Ambrose se pôs a rir em sua cabeça. — Paciência, menino. Você ainda não aprendeu tudo o que deve saber para controlar os mortos. Ou o que precisa. Seu amigo nos levou a acelerar a aprendizagem desse poder. E embora tenha sobrevivido, você realmente não aprendeu muito sobre a parte de correr para evitar que o matassem. Antes que receba algum tiro sortudo, acho que devemos levar as coisas com mais calma. Aprenda a engatinhar, e então te ensinarei a voar. Literalmente. Os olhos do Nick se arregalaram diante dessa última parte. — Poderei voar? Sério? — Menino, você não tem nem ideia de que poderes se encontram dentro de você. Quais poderes vou ensiná-lo. Mas cuidado, terá muitos inimigos aproximando-se de você. Parthenopaeus é um deles. Nick franziu o cenho de novo. — Ash? — Sim. Ele não é o que parece, e se você tiver um pouco de cérebro na cabeça, e eu sei que tem, se manterá longe dele... antes que seja muito tarde. Mas ele realmente gostava de Acheron. Certamente alguém com quem era tão legal estar e era tão respeitoso com sua mãe não podia ser tão mau. Todo mundo tinha problemas. E porque ele e sua mãe tinham sido brutalmente julgados por muitos, Nick odiava fazer o mesmo com outros. Ele acreditava em simpatizar, não necessariamente em confiança, com todo mundo até que pessoalmente lhe davam uma razão para pensar o contrário. — Como atirar em mim quando digo que não quero viver uma vida de crime. Ele ouviu o som de exasperação de seu tio. — Durma, menino. Amanhã começará uma nova vida que você não pode imaginar. —Com as pessoas tentando me matar? — Sim. E isso inclui a sua mãe.
  10. 10. Sherrilyn Kenyon Invencível 10 CCAAPPÍÍTTUULLOO 22 Nick despertou com a sensação de sua mãe o estrangulando. Vestida com a camiseta negra com a que tinha dormido e jeans, ela estava de joelhos ao lado dele, torcendo seu pescoço. — Mamãe! O que está fazendo? Ela apertou. — Eu vou matar você. Você entende? Morto. Morto. Morto. Ele tossiu, tentando afastar-se dela. — O que eu fiz? Grunhindo, ela o soltou e recuou, então bateu em seu traseiro. — Por causa do golpe que você e esses teus amigos idiotas de ontem à noite, eu estou demitida. Espero que esteja contente. Mal posso me permitir ao luxo de nos alimentar e nos abrigar, agora. Depois de tudo, o que é que eu vou fazer sem um trabalho? Não terminei o ensino médio, não tenho experiência, a não ser como dançarina. Parecia que estava a ponto de chorar. — Você não tem ideia de quão terrível alguns clubes tratam as pessoas. Sei que eu odiava meu trabalho, mas foi o único que pude encontrar que pagassem acima do salário mínimo para alguém sem conhecimentos ou experiência em um trabalho real. Nem sequer posso trabalhar como caixa de loja, não entendo como funciona um computador ou fazer qualquer outra coisa. Peter não escutará uma desculpa. Ele disse que não se importa com o que aconteceu e como aconteceu. Estou demitida e nem sequer posso voltar para buscar o meu cheque. Ele o enviará pelo correio porque não quer voltar a me ver. Oh, Deus, o que vou fazer? — Senhora Gautier, ouvi dizer que há lugares na internet onde podem vender meninos a um bom preço. Nick ainda é bastante jovem, deverá conseguir o suficiente para tirá-la um pouco do apuro.
  11. 11. Sherrilyn Kenyon Invencível 11 Nick ficou boquiaberto diante da voz de Rosa do outro lado da porta quando ela passou por seu quarto. Normalmente, ele gostava do som do seu sotaque, mas neste momento... — Obrigado, Rosa. Apreciei isso. — De nada, mi hijo. Nick deslizou sobre a cama, tentando afastar-se de sua mãe antes que ela começasse a estrangulá-lo outra vez. — Kyrian disse que conhecia algumas pessoas que poderiam contratá-la. Ela o fulminou com o olhar como se realmente pudesse matá-lo. — Isso não vai tirá-lo da confusão que se meteu, senhor. Você e Bubba irão brigar novamente e provocar que eu perca outro trabalho? Sabe que a maioria dos chefes não gostam que os filhos tragam um bruto para carregá-los sobre os ombros quando deveriam estar trabalhando. — Mas foi para seu próprio bem. — Como a surra que estou a ponto de te dar. Nick saltou na cama, rodou sobre ela, e logo correu para a porta e para o corredor, onde esperava que fosse mais seguro. — Sou muito grande para que me bata. — Bem, está de castigo sem sair até que seus netos sejam velhos. — Algo difícil de fazer. Como vou ter netos se estou de castigo sem sair? — Precisamente essa é a questão, filhote do demônio. Você nunca vai sair do castigo. Nunca! A porta do fim do corredor abriu-se para mostrar um irritado Kyrian. Vestido com um par de calças negras de pijama e sem camiseta, fulminou-os com o olhar. Tinha o cabelo desgrenhado e uma boa sombra de barba no rosto. Mais do que isso, tinha uma constituição que Nick mataria por ter. Maldição, ninguém na escola voltaria a afrontá-lo novamente se ele tivesse músculos assim. Kyrian imobilizou a ambos com uma irritada carranca. — Pessoas, realmente preciso dormir. Vocês podem descer para gritar um com o outro? Ou melhor ainda, no pátio? Sua mãe acalmou-se imediatamente. — Sinto muito, senhor Hunter. Não foi nossa intenção perturbá-lo. Kyrian passou a mão pelo cabelo loiro, o que fez com que ele ficasse em pé. Nick poderia rir ou zombar dele, mas Kyrian não era tão ligado a ele quanto sua mãe. Seu chefe, na verdade, poderia matá-lo. — Não há problema. Agora, se for ajudar a pôr fim a esta briga e a salvar a vida do Nick antes que ele possa me pagar a dívida, faça uma chamada ao Santuário no Ursuline. Pergunte por Nicolette Peltier. É a proprietária e já falei sobre você. Ela me disse para chamá-la a qualquer momento e que estaria mais do que feliz em adicioná-la à folha de pagamento. — Mas…
  12. 12. Sherrilyn Kenyon Invencível 12 Ele levantou a mão em um gesto imperioso que, na verdade, silenciou a mãe de Nick. Uau! Ter esses malvados truques do Jedi! Se Nick tivesse feito isso, sua mãe realmente o teria surrado. Duro. — Não duvide. Faça uma chamada. Eu lhe asseguro, você vai adorar trabalhar para eles. — E com isso, desapareceu de novo em seu quarto negro como a noite e fechou a porta. Nick deixou escapar um suspiro de alívio. Ele sobreviveu a esta manhã. — Oh, nem pense. — Sua mãe virou seu repulsivo rosto para ele. — Ainda não está perdoado. Se vista. Você tem cinco minutos. — Para que? —Não discuta nem me responda. Não, se você quer viver até o meio-dia. Entre e vá tomar uma ducha. Agora! Pega. Junto. Late, Fido, late. Realmente odiava quando ela falava como se ele não fosse nada mais que um cão com o único propósito de obedecê-la em cada capricho. — Sabe, eu não sou um estúpido, mamãe. Posso entendê-la. — Aparentemente, não pode, porque agora restam apenas quatro minutos e trinta segundos antes que comecem a tocar sua música fúnebre. Com desejo infantil de lhe dar a língua, virou-se para o quarto e entrou no banheiro adjacente para obedecê-la e que não o castigasse mais tempo que o necessário. Embora nesse ritmo, parecia que ela estivesse procurando razões para castigá-lo. A síndrome do ninho vazio. Ela estava com medo que ele saísse de casa, então se aferrava mais forte a ele. Bem, isso provavelmente não se designasse assim, mas era como ele o chamava. Suspirando, tirou a roupa e começou a banhar-se. É obvio, levou mais de cinco minutos terminar e vestir-se. E quando ele abriu a porta que dava para o quarto, encontrou a sua mãe na cama, olhando-o com fúria. — O que foi? Eu corri. — Claro que sim. — Deslizou para fora da cama. — Nem sequer se barbeou. — Você disse que eu me apressasse, então não me incomodei em procurar uma navalha. Além disso, só tenho três cabelos. Não é que alguém possa vê-los, exceto você. —Mantinha a esperança que não demorassem para crescer e multiplicar-se. Mas até agora... Ela fez um som irritado que sempre lembrava uma chaleira deixando escapar vapor. — Vamos. Temos que pegar um bonde. — Aonde vamos? — Você ouviu o senhor Hunter. Temos que ir ao Santuário. — Ele disse para ligar. Ela revirou os olhos, algo pelo que também o teria castigado se ele tivesse feito isso para ela. —Não se pede um trabalho dessa maneira, Nick. — Mas… — Vamos!
  13. 13. Sherrilyn Kenyon Invencível 13 Ele não queria cruzar a cidade sem nenhum motivo. Por que tinha que vê-la candidatar-se a um emprego, afinal? Preferia que arrancassem seus olhos a ficar sentado aborrecido e olhando as luzes fluorescentes piscarem. — Não posso ficar aqui? — Não. Não aceitamos caridade, e você sabe disso. O senhor Hunter foi bastante amável para nos alojar durante a noite, mas nunca se deve alongar a estadia. — Mas… — Nick, faça o que eu digo. Rangendo os dentes, ele se dirigiu às escadas. Ele poderia muito bem engolir o “mas” de seu vocabulário, já que tudo o que parecia fazer era agir como um acelerador nuclear que fazia com que seu temperamento explodisse. Assim que chegou ao pé da escada cheirou algo delicioso... Algo que cheirava como autêntico, suculento, delicioso bacon, e fazia-sua-boca-encher-de-água-e-artérias endurecerem. Não aqueles de pedaços de bacon que sua mãe salvava dos potes de condimentos e adicionava aos ovos da manhã. Huum! Sem pensar conscientemente, ele foi em linha reta para a cozinha. Sua mãe o agarrou pelo braço. — Aonde vai? — Comida. Estou seguindo meu nariz. E o ronco do estômago. — Não — ela sussurrou para ele. — Que parte de “não caridade” você não entendeu? A parte que disse que não podia comer. Mas ele sabia que não devia discutir, especialmente quando tinha aquele olhar em seu rosto. — Tá bom. — dirigiu-se para a porta. Rosa virou-se na quina da parede e franziu o cenho. — Nick? Senhora Gautier? Não desejam comer antes de sair? Ele olhou para a sua mãe, esperando que mudasse de opinião. — Obrigada, Rosa, mas temos que ir a uma entrevista. O cenho franzido de Rosa se transformou em um sorriso amável. Da mesma altura que sua mãe, era uma bonita mulher de cabelo negro que mantinha em um coque e brilhantes olhos marrons. — Então me deixe que prepare algo para que levem. Sua mãe soltou-lhe o braço. — Não, obrigada. Não queremos dar-lhe nenhum trabalho. — Não é trabalho — assegurou-lhe Rosa. — Fiz a comida para vocês. Já comi, e o senhor Kyrian não se levantará até muito mais tarde. Se vocês não comem, terei que jogar no lixo. Nick deu à sua mãe o seu melhor olhar de súplica e fez beicinho. Era um gesto com o qual tinha conseguido muitas coisas e não tinha dilema moral em usá-lo.
  14. 14. Sherrilyn Kenyon Invencível 14 Viu a relutância em seus olhos. Ela realmente não gostava de aceitar nada de ninguém. As pessoas sempre esperam algo em troca quando faz isso. Nada na vida é de graça, Nick. Não aceite e não estará obrigado. Ele conhecia bem sua ladainha. Mas ele não via isso da mesma maneira. — Você sempre diz que não devemos desperdiçar a comida, mamãe. Ela respirou fundo antes de ceder. — Muito bem. Obrigada, Rosa. — É um prazer. Quer que eu…? — Comeremos na mesa. Não quero lhe dar mais trabalho. Nick quase correu até a cozinha, onde Rosa tinha preparado dois pratos sobre a ilha central. O aroma quente fez seu estômago se retorcesse ainda mais. — Oh, meu Deus! Temos panquecas e bacon! — Cheirava tão bem, que ele já babava. Rosa riu de sua ânsia. Ela não tinha ideia de como era para ele uma comida como esta. — Não quer melado? — perguntou ela enquanto ele pegava uma das panquecas e dava uma mordida. Nick tragou a comida de delicioso sabor. — Tem melado, também? Ela apontou para o balcão atrás dele, onde esperava estava uma enorme garrafa do Log Cabin. Oh sim, é disso que estou falando... Ele a pegou, abriu a parte superior e começou a afogar o prato. Sua mãe ficou muito mais sossegada quando comia sua comida. — Nick, não jogue tanto melado. Você não conseguirá saborear sua comida. Essa era a ideia. — Mamãe, é melado autêntico e não está diluído. — Algo que ela fazia para que durasse mais tempo, se tinham a sorte de conseguir algum. Seu rosto ficou vermelho. Rosa deu-lhe um tapinha na mão. — Está tudo bem, senhora Gautier. Entendo o que é ter que lutar para alimentar meu filho. Miguel e eu passamos muitos anos de vacas magras, antes de vir trabalhar para o senhor Kyrian. Comam o quanto quiser. A política do senhor Kyrian é que ninguém passe fome em sua casa. — Obrigada. Rosa inclinou a cabeça, em seguida aproximou um prato cheio de panquecas para Nick. — Mas come mais devagar e deixe algo para sua mãe. Se comer muito vai doer seu estômago. — Sim, mas valerá a pena. Estão deliciosos. Muito obrigado por fazê-los. Ela sorriu e entregou-lhe um guardanapo. — Fico feliz que você goste. — É mais que gostar. É como se todas as papilas gustativas na boca estivessem cantando e dançando. Aposto que se chegar perto poderá, inclusive, ouvi-las.
  15. 15. Sherrilyn Kenyon Invencível 15 E ficou ainda melhor quando entregou um copo de suco de laranja natural. Oh sim, ele estava no céu. No momento em que sua mãe terminou de comer, ele quase tinha devorado a maioria das panquecas. Balançando a cabeça, sua mãe o tirou pelo braço “ileso” e o separou do prato vazio. — Vamos, querido. Precisamos ir. Ele lambeu o mel dos dedos. Sua mãe enrugou o rosto com desgosto. — Nick, você tem um guardanapo. Por favor, use-o. — Sim, mas eu não quero desperdiçar isso. Está bom. Ela deixou escapar um suspiro de exasperação quando encontrou o olhar de Rosa. — Eu juro, Rosa, eu o ensinei melhor. Ele simplesmente não pegou ainda. Não foi por falta de esforço de minha parte. Ela riu. — Eu sei. Acredite, meu Miguel é igual. Ignorando-as, Nick comeu um último bocado antes de seguir sua mãe para fora da casa, rua abaixo, em direção à estação. Não falaram muito enquanto faziam o caminho pelo sofisticado e glamuroso distrito Garden, onde vivia Kyrian, para o outro lado do bairro francês, onde o bar e o restaurante, chamado Santuário, situava-se no número 688 da Ursuline. Algo que significava descer do bonde na Jackson Brewery e vencer alguns quarteirões em direção ao convento das Ursulines, que tinha dado nome à rua. Santuário estava só a um quarteirão de sua rua e não era tão longe de sua escola. Havia estado no lugar mais vezes que podia contar. Sua mãe disse-lhe que a turma dali poderia ser rude e ela não o queria ferido, então tecnicamente o proibiu. E essa declaração sempre o fez perguntar-se como sua mãe sabia que tipo de pessoas era, já que nunca tinha estado ali pelo que ele soubesse. Entretanto, nunca tinha perguntado. Isso entrava na categoria “não pergunte, porque só conseguirá uma estúpida resposta de pais”. Se todos seus amigos se atirarem de uma ponte... Porque eu disse isso. Então, enquanto viver sob meu teto... e assim sucessivamente. Santuário à parte, ao Nick sempre tinha adorado o bairro como uma fuga de seu desmantelado apartamento e da vizinhança. Havia algo que acalmava cada raiz Cajun dentro dele, a história, a beleza, a mistura de culturas, aromas, comida, e as pessoas. Não há nenhum lugar na terra como este. Não que ele tivesse estado em alguma outra parte, exceto Laurel ou Jackson, Mississipi, cada vez que tiveram que evacuar por causa dos furacões e então só tinha visto os estacionamentos de qualquer loja ou shopping, onde tinha acampado temporariamente seu enferrujado Yugo. Ele fez uma pausa, quando chegaram ao Café Du Monde que estava à margem do mercado francês e o aroma do café de chicória e pastéis redondos o acertou. Era a primeira vez em sua vida
  16. 16. Sherrilyn Kenyon Invencível 16 que o doce aroma não lhe apertava o estômago com pontadas de fome. Hoje, com o estômago completamente cheio, o apreciou e saboreou. Até que percebeu que estava ficando para trás. Apesar de que ser mais alto que sua mãe, teve que se apressar para alcançá-la. Para uma mulher pequena, podia arrastar forte sempre que quisesse. Por sorte, estava tão concentrada em seu destino que não percebeu que ele se atrasava. Ela cortou por Dumaine para Chartres. E à medida que se aproximavam da esquina de Chartres e Ursuline, finalmente reduziu a velocidade como se de repente ficasse apreensiva. Não que a culpasse. O Santuário, que ocupava um quarteirão, não só era enorme, mas também lendário. Todo mundo em Nova Orleans sabia que o lugar abria das oito da manhã até as três da madrugada. Dizia-se que tinha algumas das melhores comidas do mundo e alguns dos clientes habituais mais perversos. O edifício de tijolo vermelho de três andares tinha uma enorme placa pendurada sobre as portas estilo saloon. Era negra com uma motocicleta estacionada em uma colina e recortada pela lua cheia. A palavra SANTUÁRIO em letras brancas com um contorno nebuloso roxo. E na parte inferior direita do letreiro, em uma letra muito menor estava o slogan: LAR DOS UIVADORES. Mas não foi isso o que fez com que Nick hesitasse. Parado do lado de fora das portas havia uma enorme montanha de homem que se apoiava contra a parede. Ainda mais alto que Kyrian, tinha os braços como dois troncos de árvore e comprido cabelo loiro encaracolado puxado para trás em um rabo de cavalo. E enquanto o olhava fixamente, Nick viu em um flash em sua mente o segurança transformando-se em um grande e zangado urso. Ele era um dos metamorfos que Alex Peltier tinha lhe falado na noite anterior... Nick não tinha nem ideia de como sabia isso, mas sabia. Sua mãe o empurrou para cruzar a rua até onde o werebear estava em pé. Como se intuísse que Nick sentia seus poderes sobrenaturais, o urso estreitou um par de glaciais olhos azuis sobre eles. — Estão perdidos? Sua mãe tragou audivelmente. — Um... Kyrian Hunter disse-me para falar com Nicolette Peltier. Acredito que ela é proprietária deste estabelecimento. Ele encontrou o olhar de Nick com uma expressão curiosa, antes de tirar o walkie-talkie do cinturão e pressionar o botão. — Aimee? Mamãe está em seu escritório? — Sim, por quê? — Tenho dois humanos aqui fora que querem vê-la. Kyrian os enviou. Sua escolha de palavras divertiu Nick. Enquanto sua mãe o descartava como excêntrico, ele sabia melhor. O cara em frente a ele estava alertando ao resto de sua família que novos humanos estavam entrando. Código de Nice. Em seu rosto e ao mesmo tempo, o bastante inofensivo para voar abaixo do radar da maioria das pessoas.
  17. 17. Sherrilyn Kenyon Invencível 17 — Seja amável com eles, Remi, e não arranque suas cabeças de uma dentada. Mamãe sairá em seguida — disse a mulher por rádio. Remi abriu a porta de vaivém para eles. — Se querem entrar e esperar... Sua mãe sorriu. — Obrigada. Nick parou na porta para olhar o urso. — Alex está por perto? Remi estreitou o olhar sobre ele. — Como sabe sobre Alex? — Poderia haver mais suspeita ou desafio nesse tom? — Vamos juntos à escola. — Ah — e isso foi tudo o que ele disse. Tudo bem... É evidente que o urso não era uma pessoa matutina e não tinha nenhum desejo de lhe dizer onde encontrar a seu companheiro de classe. Optando por não irritar alguém que não era humano e que provavelmente poderia quebrar sua coluna vertebral ao meio, Nick entrou e se uniu a sua mãe, que estava em pé diante da primeira mesa redonda colocada com quatro cadeiras. Dado que ainda faltava uma hora e meia para o almoço, não havia muitos ocupantes na sala. Dois homens... não, um werepanther e um werehawk , estavam no bar, repondo estoque e limpando. Havia uma pessoa em uma mesa com um laptop e uma xícara de café. Duas mulheres que tomavam um café da manhã tardio e um homem maior lendo o jornal e tomando notas de algum tipo. Sua mãe deu-lhe um dólar. — Vá jogar um videogame, enquanto falo com a proprietária. Pensando que era estranho, mas muito grato pela raridade de ter dinheiro para esbanjar, Nick foi para a parte de trás do restaurante, onde as mesas de bilhar e os jogos recreativos estavam colocados contra a parede. À medida que se aproximava deles, avistou um menino alguns anos mais velho que ele que estava limpando as mesas. Não foram tanto os dreadlocks louros emaranhados que o fizeram parar, mas o pequeno macaco sentado no ombro do menino, comendo uma banana. O macaco mostrou os dentes para Nick antes de lhe fazer barulhos. O garçom alcançou ao macaco para acalmá-lo e isso o acomodou por completo. Nick queria ir e investigar o primata, mas algo no garçom o advertiu que mantivesse distância. Não, não, menino. Were Tigard. Um muito cruel e anti-social. Como posso saber disso apenas olhando-o? Ontem ele estava normal. Hoje... Era uma festa-monstro quando flashs das imagens dos metamorfos rondavam-lhe a mente. Ele não sabia seus nomes, mas sabia o que eram, mesmo se eles se faziam passar por humanos.
  18. 18. Sherrilyn Kenyon Invencível 18 O que está acontecendo? Sua cabeça dava voltas pela sobrecarga de informação. Mas com tudo isso havia uma entristecedora sensação de segurança. Não se sentia ameaçado pelos animais ao seu redor. Era como se fossem guardiões de algum tipo. Protetores, não predadores. Algo que parecia tão desatinado como um restaurante e um bar propriedade de uma família de metamorfos. — Ambrose? ¬— Chamou silenciosamente seu tio, precisando que alguém pudesse ajudá-lo a entender. — O que está acontecendo aqui? Estou vendo algumas coisas assustadoras. Pessoas que não são pessoas... — Lembre-se do que eu te disse, garoto. Você tem o poder da clarividência. A capacidade de ver o que está escondido. — Então ninguém será capaz de mentir para mim de novo? — Não. Isso é um poder diferente. A clarividência te permite ver a maioria dos seres sobrenaturais que tentam misturar-se no mundo humano. — O que quer dizer com “maioria”? — Há alguns demônios que são suficientemente poderosos para esconder-se. Assim como os deuses de nível superior e os que estão possuídos. Com o tempo, você será capaz de vê-los também. Mas isso vai necessitar de muito treinamento e disciplina. Por agora... era como viver em uma alucinação psicodélica ruim. — Apenas relaxe, Nick. Vá jogar videogame. Sentiu como Ambrose lhe deixava sozinho outra vez. Sem nada melhor para fazer, aproximou-se da máquina do Galaga . Uau, não tinha visto uma dessas em muito tempo. Algum veterano devia ter se afeiçoado a ela. Tirando seu dólar, converteu-o em fichas, em seguida jogou uma a uma e escutou a música característica. Mal começou a jogar quando uma sombra caiu sobre ele. Olhou para cima e congelou imediatamente. Santa Mãe... Esse cara devia ter mais de dois metros de altura. Uma versão maior do cara da porta, este tinha a expressão mais impiedosa que Nick jamais tinha visto. Vou morrer... — Quem disse que você poderia jogar em minha máquina? Nick sabia que era um homem dizendo isso, mas ele viu Grizzly Peltier em sua mente. Um enorme urso com sangue em seus olhos. — Uh... O homem riu e divertidamente empurrou seu braço. — Calma, garoto. Não molhe o chão. Eu só estava brincando com você. É mais fácil falar do que fazer, já que seu coração corria como Richard Petty em Daytona. Ele negou com a cabeça. — Sou Papa Bear Peltier. Você tem nome? — N-n-nick.
  19. 19. Sherrilyn Kenyon Invencível 19 — Prazer em conhecê-lo, N-n-nick — Ele tirou uma ficha de seu bolso e a estendeu para ele. — Desculpe se eu arruinei seu jogo. Mas eu adoro o olhar de choque na cara das pessoas na primeira vez que me conhecem. É uma coisa bela. Nick pegou a ficha, mas ainda não sabia o que pensar. — É um bom rapaz, menino. Agradeça pela ficha. — Hum, obrigado. Papa Bear deu-lhe uma palmada no ombro, e depois caminhou para o palco para que ele e outro cara que era uma cópia exata de Remi pudessem estirar os cabos elétricos no chão. — Fecha a boca, docinho. Papa só morde quem mostra os dentes primeiro. Virou-se para ouvir a voz suave, com sotaque ligeiramente acentuado para encontrar o que devia ser uma das mulheres mais lindas que jamais tinha visto. Alta, loira, e constituída com o tipo de curvas que os homens sonhavam, usava uma camiseta negra do Santuário que era o suficientemente apertada para deixá-lo realmente desconfortável. — Sou Aimee Peltier. Você deve ser Nick. Cara, ela tinha poderes melhores que ele. — Como você sabe meu nome? Ela se inclinou para falar em seu ouvido como se estivesse contando um grande secreto. — Sua mãe me disse isso no quarto de trás — sussurrou. Oh, claro idiota. Sentiu-se o maior estúpido por isso. — Vamos e o apresentarei ao pessoal que está agora acordado e funcionando. Inseguro sobre isso, Nick hesitou. — Por quê? — iria alimentar os ursos com ele ou algo assim? — Já que sua mãe vai trabalhar aqui e sua escola está na mesma rua, provavelmente você nos frequentará muito em um futuro próximo. — Oh. — Finalmente relaxado, permitiu que o levassem para o garçom com o macaco. — Wren, diga oi para o Nick. O garçom não respondeu nada mais diferente que um olhar baixo sob os tufos de cabelo retorcido. Aimee pegou no tranco. — Wren realmente não fala. Mas é um cara legal, e vive ao lado de nossa casa. Você o verá muito, já que não tem vida pessoal nem interesses fora. Basicamente, trabalha todo o tempo. — Ele coçou a cabeça do macaco. — E seu pequeno amigo peludo é Marvin. Marvin, diga oi para o Nick. O macaco saltou do ombro de Wren para o de Nick, assustando-o. Nick o agarrou e o abraçou enquanto Marvin lhe revolvia o cabelo e colocava um dedo pequeno parecido com couro na orelha. Wow! — Ele gosta de mexer no cabelo das pessoas. — Aimee estendeu a mão, e Marvin permitiu que ela o puxasse em seus braços para abraçá-lo. — Marvin é um pouco carente. Tenha à mão
  20. 20. Sherrilyn Kenyon Invencível 20 algum petisco e ele será seu novo melhor amigo. — Acariciou-lhe o nariz antes de devolvê-lo para Wren. Wren não disse nenhuma palavra quando Marvin empoleirou em seu ombro. Ele simplesmente foi trabalhar, limpando as mesas. Aimee levou Nick para longe. — Você conheceu o Remi quando chegou. Meu melhor conselho é que você aprenda a diferenciar aos quadrigêmeos. — Quadrigêmeos? Ela gesticulou para o palco, onde Papa e o sósia de Remi estavam trabalhando. — Tenho quatro irmãos que são quadrigêmeos idênticos. Quinn! —gritou. O werebear mais jovem levantou a vista. Ela sorriu e fez gestos para que ele voltasse para trabalho. — Esse, obviamente, é Quinn. Já imaginava, mas às vezes, raramente, entretanto, não posso distingui-lo de Cherif. Eles têm o mesmo corte de cabelo exato, de vez em quando fazem isso para nos incomodar. É normalmente um pouco mais baixo do que Remi e Dev. No caso de Dev poderá percebê-lo bastante fácil porque sempre está rindo e fazendo brincadeiras sarcásticas. Também tem uma dupla tatuagem de arco e flecha no braço, e é o que mais frequentemente está na porta. Ele tirou o dia de folga para passar um momento em Kenner para pegar uma moto que tinha pedido. — parou em seco e deu-lhe um olhar sinistro. — Se você ao se aproximar de um deles ouvir um grunhido saiba que é Remi. Ele tem um perpétuo SPM e arracará seu braço direito. Na verdade não tem que fazer nada além de respirar para encher- lhe o saco. Palavra de sábio. Fez uma nota mental enquanto ela o levava para o bar. — O loiro é Jasyn. Jasyn, cumprimente o Nick. O were Hawk inclinou a cabeça para ele. — O outro garçom encantador desta manhã é Justin. Cabelo negro, alto, e com uma aura de “vou chutar o teu traseiro tão forte, que arrotará o couro do meu sapato”. Outro que Nick tentaria evitar. Uma versão maior de Aimee saiu pela porta ao lado do bar. Fez uma pausa enquanto o olhava. Sentiu-se como se estivesse sob um microscópio enquanto ela o olhava dos pés à cabeça. Finalmente, estendeu-lhe a mão. — Bom dia, senhor Gautier. Sou Nicolette. Mas, por favor, me chame Mama Lo. — Mama Lo. Seu cenho franzido se transformou em uma expressão amável. — Bem-vindo à nossa família. Ouvi que trabalha para Kyrian. — Trabalho. Até que me demita. Ela pôs-se a rir. — Não precisa dar-lhe uma razão para que faça isso. Além disso, ele não se despede de seu povo. Mata-os.
  21. 21. Sherrilyn Kenyon Invencível 21 — Mamãe! — disse Aimee com um sorriso. — O pobre rapaz não sabe que está brincando. — Nick? O que está fazendo aqui? Voltou-se diante da chamada que veio da irmã de Alex, Kara, que também ia à escola com eles. Mesmo tão alta quanto ele, tinha o mesmo cabelo loiro que Aimee e Mamãe Lo. Aimee explicou sua presença, antes que ele tivesse a oportunidade. — Sua mãe vai trabalhar para nós, Kiki. Por que não o leva à cozinha? Tenho certeza de que os cookies de Morty já estão prontos. Cookies? Maldição, se continuasse assim, ficaria enorme. Mas valeria a pena. Nick deu um passo em direção à cozinha, em seguida parou quando um calafrio desceu-lhe pela coluna. Aqui havia algo e era malvado. Procurou na sala até que seu olhar encontrou a fonte de seu mal-estar. O homem entrou pela porta atrás das mulheres, levando uma bandeja de prata. Vestia uma camiseta negra e cinza de capuz. À primeira vista, parecia como qualquer menino em torno de 20 anos. Até que o olhar do Nick se encontrou com o dele. Sentiu como eletricidade o sacudindo. Não podia negar a intensidade da presença desta criatura. Ele era a Morte, e montava um cavalo pálido...
  22. 22. Sherrilyn Kenyon Invencível 22 CCAAPPÍÍTTUULLOO 33 Ok, a Morte não estava exatamente sobre um cavalo pálido. Ele o levava… Nick queria correr para a porta, mas conseguiu que os pés obedecessem. Era como se todas as articulações de seu corpo estivessem bloqueadas por uma força invisível. — Morty! — disse Kara com entusiasmo. — Seus ouvidos deviam estar queimando. Eu ia justamente buscá-lo. Seu olhar não se afastou de Nick. — Sério? Não admira que eu soubesse que devia sair, então. Devo ter ouvido todos vocês pedirem aos gritos os cookies da Morte. Nick viu o cavalo pálido, que não era maior que sua mão, erguer-se sobre suas patas na pilha de cookies. Sua cor era como nada que já tivesse visto antes. Uma estranha mistura de azul e branco, a cor parecia ser uma entidade viva por si mesma. O cavalo em miniatura soprou fogo de suas narinas antes de correr pelo braço de Morty e desaparecer no interior do bolso de sua camiseta. Que diabos? Mais do que isso, era a imagem do Morty vestido com uma armadura negra, brandindo uma espada. Seu cabelo negro chicoteava ao redor de seu rosto e ombros, enquanto seus olhos brilhavam em um vermelho feroz, vibrante e sua pele resplandecia como se fosse de bronze e não carne. Nick olhou ao seu redor para ver se algum dos weres percebia. Se o fizeram, não deram nenhuma indicação. — Quer um cookie, menino? Levou um segundo para perceber que a Morte estava falando com ele.
  23. 23. Sherrilyn Kenyon Invencível 23 — O que? — Quer. Um. Cookie? Ele poderia achar que o tom usado pela Morte supunha que era um imbecil. Quando a Morte oferece um cookie, ou qualquer outra coisa, recuse. Sim, definitivamente, essa ação parecia ser a mais sábia. Nick negou com a cabeça. — Acabo de comer. Muito, e ainda estou arrotando melado. Obrigado, mas não. O canto da boca da Morte curvou-se em uma diversão irônica. Kara franziu o cenho. — Devia prová-los, Nick. São deliciosos. Ninguém faz cookies com um sabor como estes. Provavelmente porque o arsênico era um ingrediente chave. Ele acariciou o estômago. — Tenho que cuidar da minha silhueta. Porque se não fizer isso, ninguém fará. A Morte riu enquanto entregava a bandeja a Kara. — Vamos, Nick, deixe-me mostrar-lhe ao redor. — Não é necessário. Estou bem. Completamente alheia ao feito de que Nick estava muito perturbado com sua cozinheira infernal, Aimee pegou um cookie do prato. — Essa é uma boa ideia. Divirtam-se vocês. Tenho que voltar para as folhas de pagamento, de qualquer maneira. Mamãe..., choramingou Nick em silêncio. Morty agarrou-lhe pelo braço e quase o arrastou através da porta giratória que dava para a cozinha, onde duas bestas gigantescas estavam limpando. Um deles era imensamente alto e calvo, de olhos escuros que não perdia nada. Tinha uma tatuagem na base do pescoço que parecia como uma espécie de pássaro irritado. O outro não era muito mais alto que Nick. Seu cabelo castanho foi cortado curto. Morte bateu-lhe na altura do ombro. — Nick, conheça meus dois companheiros. Pain e Suffering . — Pain era o grande, e Suffering o menor dos dois. — Terá que ignorar Suffering já que ele é mudo. — Mudo? — Mmm... você sabe. Sempre terá que sofrer em silêncio. Nick riria, mas tinha medo de que Pain o batesse por isso, e como ele era Pain, era melhor deixá-lo em paz. — Prazer em conhecer os dois. — Olhou a seu redor com nervosismo. — Oh, espera! Ouço minha mãe chamando. Melhor ver o que precisa. — Virou-se para sair, apenas para descobrir que suas as pernas estava presas outra vez. Morte se aproximou até ficar diante dele. — Não banque o idiota, Cajun. Nós não gostamos disso.
  24. 24. Sherrilyn Kenyon Invencível 24 Sim, e ele não gostava de estar apanhado na cozinha com demônios tampouco. Às vezes não conseguia o que queria. — O que você quer de mim? — Normalmente, seria sua vida e sua alma. — Suspirou profundamente. — Infelizmente, não posso tomar nenhuma agora mesmo. É um saco ser eu hoje. — Ele bateu no Nick com tanta força no ombro que o fez cambalear. — Fui enviado aqui para ensiná-lo. — Ensinar-me o que? — Morrer dolorosamente em um beco em algum lugar? — Como entender os presságios. Nick franziu o cenho. — Ahhh... o que? — Presságios — repetiu Morte. — A arte da adivinhação. Ok, isso não tinha nenhum sentido para ele. — Mas você é a Morte. A morte ofereceu-lhe um olhar zombador. — Eu sei, garoto. Acredite-me, isso não é algo que você esqueça. Mas há muitos agentes da morte, mensageiros por assim dizer. Eu sou só um. Em minha opinião, sou o melhor. Entretanto, há um montão mais por aí fora capazes de fazer o trabalho. Presumidos em sua maioria, com certeza. O suficiente para que a Morte possa tirar férias. — Piscou para ele ao mencionar o título de um filme que a mãe de Nick adorava. Sim, para a Morte não faltava trabalho. — Posso entender que no negócio da morte não pague muito bem, mas você atua como cozinheiro neste lugar. — Poderia pensar nisso, não? — A Morte saiu de seu corpo. Literalmente. Onde havia uma pessoa, de repente, havia dois. Só que um deles agora tinha o cabelo curto negro, um avental branco, e as tatuagens correndo por ambos os braços. Essa pessoa a ignorou enquanto ia para o forno. — Onde estão meus cookies? — Olhou ao seu redor e depois franziu o cenho quando viu Nick. — Quem é e o que faz aqui? Só o pessoal autorizado pode entrar na cozinha. Remi! Nick abriu e fechou a boca como um peixe. Apontou à Morte. — Ele não me pode ver, menino. Está achando que está louco por apontar para um nada. Genial. Isso era tudo o que precisava. Uma pessoa mais que pensava que ele estava drogado. — Morty? O cozinheiro parou em seco quando se encaminhava para a porta. — Sim? — Sou Nick. Aimee me disse que entrasse e me apresentasse. Minha mãe vai trabalhar aqui. Morty levantou a mão em sinal de advertência. — Fique aí. Não se mova. — Foi à porta e a abriu o suficiente como colocar a cabeça enquanto falava com outros. Nick podia ouvir sua voz apagada, mas não podia entender as palavras.
  25. 25. Sherrilyn Kenyon Invencível 25 A Morte riu maliciosamente. — Eu adoro fazer com que os humanos pensem que estão perdendo seu juízo. Nada é tão gratificante... além de ouvi-los negociar comigo por suas vidas. Sabe, uma vez me ofereceram minha própria ilha privada com um harém de virgens e três camelos. Tentador, mas um demônio tem que fazer o que um demônio tem que fazer. — A expressão em seu rosto disse que estava saboreando essa lembrança. Então ele bateu no ombro “ferido” de Nick. — Olhe isso... Morty voltou com um cenho franzido no rosto. — Como pude levar minhas bolachas lá fora sem saber? A Morte riu. — Olhe seu rosto. Eu amo isso. Nick clareou a garganta. — A metanfetamina é a morte, amigo. Jogue fora o crack. — O que? —Morty lhe olhou como houvesse esquecido que estava ali. — Hum, de qualquer maneira, Aimee me disse que você é legal. Ainda não recordo conhecê-lo. Não lembro. — Está bem. Todos temos… — Deslizou o olhar para a Morte, que continuava rindo, e teve que perguntar a si mesmo se não estava imaginando coisas, também—… nossos problemas. Direi- lhe que acredito que conheci muitas pessoas novas por um dia. Vou relaxar um momento. E que examinem minha cabeça, porque obviamente, estou tendo uma alucinação, provavelmente provocada por descobrir que meu chefe é uma aberração da natureza. Agora estou vendo monstros por toda parte. — Boa ideia — Morty se dirigiu à cozinha. A Morte passou o braço sobre os ombros de Nick. — Chame-me Grim ou mestre. Prefiro mestre, mas Grim funciona, já que me lembra quem e o que sou e o que acontecerá com você se irritar-me. Capisce? — Entendi. — Muito bem. A propósito, sabia que a palavra “capisce” é, na verdade, a palavra em latim para “eize”? Como em Carpe Diem ou, no caso de seu chefe noturno, Carpe Noctem. Aproveite a noite. Nick não sabia o que fazer com nada disso. — Fecha a boca, menino. O cozinheiro já pensa que você está louco. Lembre que neste momento você tem o privilégio de minha companhia. — Está bem. — Hmm. A resposta correta deveria ser Capisco. “Entendo”. Assim eu digo Capisce e você diz… Nick hesitou antes de responder. — Capisco. Grim deu-lhe uma palmada na bochecha. — Perfeito. Você pode ser ensinado. Torna meu trabalho muito mais fácil quando é realmente esperto. Você ficaria espantado com os idiotas que encontrei. Como George Carlin disse
  26. 26. Sherrilyn Kenyon Invencível 26 tão eloquentemente: Pense em quão estúpida a pessoa normal é e perceba que metade deles é mais estúpido que isso. Ele tinha um bom raciocínio. — Tento manter minha estupidez ao mínimo, já que minha mãe sempre me diz que pode ser mortal em altas doses. — Oh, ela tem razão. Acredite, eu sei. Para esse assunto, pode ser fatal até em pequenas doses. Lembre-se em algum momento de contar-lhe sobre a mulher que alegou que estar limpando seu gato. — Com quem você está falando? Nick sentiu que seu rosto corava pela pergunta de Morty. — Ainda estou na cozinha,não é? Acho que preciso continuar caminhando. Oh, olhe! Aí está a porta, vou usá-la agora mesmo. — E rapidamente fez sua saída. O pequeno grupo que tinha deixado antes se dispersou. Não havia ninguém, exceto os dois garçons que voltaram a repor o estoque atrás do bar. Nick parou ao lado deles. — Onde está minha mãe? Antes que eles pudessem responder, ela saiu da área do banheiro vestida com uma camiseta negra do Santuário igual à de Aimee. Por sorte, a dela era mais larga e a cobria totalmente. Seu rosto se iluminou no momento em que o viu. Ela praticamente dançou enquanto caminhava para ele. — Ei, querido! Esteve a ponto de perguntar-lhe se estava perdoado por fazer que a despedissem, mas decidiu que não era o melhor momento. — Parece feliz. —Oh, querido, eu estou. São tão agradáveis aqui. Todos eles. — Deslizou o olhar para a porta. — Bem, Remi é um pouco distante, mas vou ter que aceitar isso qualquer dia por parte de algumas das pessoas com as quais trabalharei no clube. Eles, inclusive, me darão um horário para que eu possa estar em casa com você à noite. E o melhor de tudo, me darão refeição gratuita e para você também, enquanto trabalhar aqui, e não só as sobras. Poderemos comer bifes se quisermos. — Contentarei-me com os cookies. — Sim, sei que sim. — Apertou-lhe a bochecha. — Tecnicamente já deveria estar trabalhando. Deveria ter deixado você na casa do senhor Hunter. — Tentei dizer-lhe isso. — Não me replique. — Ela deixou escapar um suspiro. — Sei que você ficará entediado aqui. Quero dizer, eles têm coisas para fazer. — Olhou para a área de jogos. — Porém provavelmente é melhor não tentar a sorte no primeiro dia. — Posso passar um momento com Bubba. É só descer a rua. Toda a alegria evaporou de seu rosto.
  27. 27. Sherrilyn Kenyon Invencível 27 — Esse é um nome que não quero voltar a ouvir de novo. Eu juro. Esse homem e suas palhaçadas... É ridículo. Ele tinha salvado também a vida de ambos a noite anterior. Se não fosse por Bubba, sua épica luta e sua habilidade de condução, hoje eles estariam mortos. Esse pensamento o fez olhar por cima do ombro de sua mãe aonde Grim os observava com uma expressão perplexa. Ele bateu ligeiramente no relógio. — Bubba estava correto, mamãe. Ele estava tentando ajudar. — Sim, bem, para a sua própria segurança pessoal, melhor se o mantiver afastado de mim, ou terá seus dois pais na prisão por assassinato. — Assim que as palavras saíram de sua boca, ela bateu a mão sobre os lábios e olhou ao redor assustada. — Não falemos disso aqui, de acordo? — sussurrou. —Eu não falo sobre o encarceramento lamentável e eterno desse homem a ninguém. Nunca. Sem ofensa, mas odiava o doador de esperma que o tinha gerado. Falando de pessoas das que não queria falar, seu pai era um assassino a sangue frio que tinha batido em ambos nas poucas semanas que tinha saído da cadeia. Se Nick não voltasse a vê-lo nunca, seria cedo. — Vá ficar com Bubba. Falarei com você mais tarde. — Tudo bem. Tem meu novo número de celular? — Isso pareceu-lhe imensamente melhor na cabeça do que quando saiu de sua boca, quando invocou sua imagem na prisão, vestido de laranja, sentado em um banco passando tempo em Angola como seu pai. — Não comigo. — Tirou um bloco de papel e uma caneta do bolso e o entregou a ele. Ele anotou o número e o devolveu. — Se precisar de mim, grite. Ela deu-lhe um beijo na bochecha. —Tome cuidado. Seja bom. — Sempre. — Nick virou-se e se dirigiu à porta. Por sorte Grim não falou com ele outra vez até que estivessem na rua e longe de Remi. —Aww, Nicky, isso foi tão doce. Sua mamãe o ama tanto. Nick congelou imediatamente. — Não zombe de minha mãe. Não fale mais dela a não ser em um tom reverente. Não me importa se você é a Morte, chutarei tanto seu traseiro que abrirei um segundo buraco, tio. Grim arqueou uma sobrancelha enquanto seus dois companheiros ficavam um passo atrás, como se lhe dessem espaço para amassar Nick em uma massa sangrenta. — Normalmente, eu daria motivo se você tentasse atrever-se. Alegre-se que haja uma dívida que me impede de matá-lo agora mesmo. Mas não me pressione. Embora tenha uma morte predeterminada, suas próprias decisões de livre arbítrio podem substituir isso. Ponha isso na balança e pense antes de tentar. Nick franziu o cenho. —O que quer dizer que tenho uma morte predeterminada? — Será que eu gaguejei?
  28. 28. Sherrilyn Kenyon Invencível 28 — Não. — Pareço-lhe uma enciclopédia? Nick franziu o cenho. — Não. — Então, você deveria entender o que eu digo, já que não falo em código. Cada criatura mortal nasce com um prazo de validade. Alguns imortais, também. Fixado pelo grande relojoeiro. Mas a estupidez excessiva e tendências idiotas podem encurtá-la. Irritar-me é uma forma realmente boa de reduzir a sua em três segundos a partir de agora. O gelo em sua voz enquanto falava fez com que Nick recuasse. Não que estivesse acostumado a isso. Nem muito menos. Sua mãe frequentemente dizia que era como um cão com seu osso. Porque cada vez que agarrava alguma coisa com os dentes, não o soltava até que um raio o acertasse. Era uma triste verdade. Entretanto, seu instinto de sobrevivência se impôs. — Então, o que fazemos, afinal? Grim deu-lhe um olhar zombador. — Vamos ao Bubba. Não é isso que sua mãe disse? — Sim, mas pensei… — Para a primeira lição, posso treiná-lo em qualquer lugar. Apenas lembre que não me verão. Você sim. Nick considerou isso. —Bubba então. — Era a única pessoa que nem sequer pestanejaria se Nick estivesse falando com um amigo “imaginário”. Que diabos, provavelmente se uniria a eles, também. — Então, quem o enviou para me treinar, afinal? Grim sorriu. — Não tenho liberdade para dizer-lhe isso. —Então, como sei que posso confiar em você? —Ainda está respirando, não é? Se um MOD se aproximar de você, o vê e você continua vivo, obviamente, estamos aqui para seu bem e não sua morte. — MOD? — Mensageiro da Morte. — No momento em que Grim pronunciou essas palavras, Nick viu uma imagem dele com as asas estendidas, os olhos vermelhos cintilantes, e seu rosto um esqueleto roxo brilhante. — Você gosta de assustar as pessoas, não é? A Morte sorriu. — É obvio. Eu adoro os sons do medo que fazem. Música para meus ouvidos. E nessa nota, Nick decidiu que seria melhor seguir adiante. Não, ele não estava seguro de poder confiar no Grim. Mas era melhor não zangá-lo. Assim virou para o baixo Royal e se dirigiu ao Triplo B, a única loja de computadores e armas no mundo, ao menos que Nick soubesse. E isso dizia tudo a respeito
  29. 29. Sherrilyn Kenyon Invencível 29 de Bubba, cujo logotipo era ele em pé em cima de um tiro, fumando com um computador e uma arma fumegante pendurada no ombro. 1-888-CA-BUBBA SE NÃO PUDER ARRUMAR OS PROBLEMAS DE SEU COMPUTADOR DE UMA MANEIRA… CUIDAREI DELES DE OUTRA Sim, Nick sabia de que maneira. — Triplo B? — Grim perguntou-lhe enquanto se aproximavam do letreiro que estava pendurado sobre a porta. O que significa isso? Nick arranhou a nuca. — Há certo debate a respeito. Alguns pensam que é por Big Bubba Burdette. Outros acreditam que é sinônimo do Big Balls and Brains. — O que Bubba disse? — Muda de assunto cada vez que alguém pergunta. Grim sorriu. — Já gostei dele. Nick reduziu a velocidade ao ver o estrago da noite anterior. A janela principal grande tinha fita adesiva sobre as vidraças quebradas. A porta principal, que havia sido arracanda de suas dobradiças, havia sido presa no lugar, e havia fuligem dos lança-chamas por toda parte. Sim, a noite anterior tinha sido muito divertida. Era um milagre que não estivessem todos na cadeia. Grim cruzou os braços sobre o peito enquanto observava o desastre. — Lembra-me o apocalipse. É vergonhoso que eu tenha perdido tudo o que aconteceu aqui. — Foi uma invasão de zumbis, e quase não escapamos com vida. Grim zombou. — O que é? Um artrítico? Os zumbis não se movem o suficientemente rápido para ser uma ameaça para ninguém. Entretanto, eles fazem grandes alvos, se ficarem entediados. — Eles não eram zumbis mortos-vivos... pelo menos não todos. Havia um grupo de demônios Mortent atrás de mim. Encontraram um jogo de vídeo game que meu amigo fez e que poderia reprogramar o cérebro humano e transformar uma pessoa em uma irracional máquina de matar. Usaram a minha equipe de futebol para vir atrás de nós e, confie em mim, esses meninos podem mover-se muito, muito rápido. Não queríamos matá-los, porque não era culpa deles. Grim franziu a testa como se as palavras de Nick lhe causassem dor. — Deixe-me dar-lhe um conselho gratuito, garoto. Sempre que algo o ataque, quebre-lhe o pescoço ou um duplo golpe. Nunca, nunca hesite. É imensamente melhor ser julgado por doze que carregado por seis. Ele tinha um ponto, mas Nick não era seu pai e ele não queria tirar a vida de ninguém. Especialmente, nenhum de seus companheiros de classe. Já era um pária suficiente sem que acrescentasse isso ao seu currículo. Grim puxou a corrente com cadeado que segurava a porta da frente desmantelada.
  30. 30. Sherrilyn Kenyon Invencível 30 — Alguma outra entrada? Nick tirou o celular e chamou Bubba. — Hey-oh? —Devido ao forte sotaque sulino de Bubba, a maioria das pessoas, quando o conheciam, pensava que ele era um estúpido. Mas Bubba era um pós-graduado summa cum laude do MIT e era sem dúvida o homem mais inteligente que Nick conheceu. Um pouco… não, muito louco, mas muito inteligente. — Oi, Bubba, é Nick. Minha mãe começou um novo trabalho no Santuário e queria que eu ficasse quieto até ela sair do trabalho. Já que você é a razão para que ela tenha sido demitida, perguntava-me se podia trabalhar na sua loja hoje? —Oh, inferno sim, traga sua pele cajun à porta de trás. — Estou aqui fora — Nick deslizou para a porta traseira que usualmente estava reservada para as entregas. Bubba já a tinha aberto quando ele o olhou. — Como você está? — Estou vivo, então não me queixo. — Desejaria que Mark pensasse da mesma forma. O menino não faz nada, mas chora toda manhã como uma garota. — Não estou chorando. Estou sofrendo, você é um insensível Cro-Mag. Com seu quase um metro oitenta e cinco de altura, com barba negra e cabelo curto escuro, Bubba era o epítome do que muitas pessoas chamariam de caipira. Mas a única coisa que Nick tinha aprendido em sua curta vida era que as pessoas raramente se ajustam aos estereótipos que outros queiram dar-lhes. Como mostra, enquanto Bubba amava a sua caminhonete, sua mãe, suas armas e camisas de flanela, ele também era um fã dos filmes de terror e um bobo para os filmes estrangeiros para garotas. De fato, o programa favorito de Bubba era Oprah, e ele o via fielmente todos os dias. Ai! Que dor, ou melhor dizendo, morte para qualquer que se interponha entre Bubba e sua televisão às quatro. Sua música preferida era punk ou alternativa, e nunca foi pego com um par de botas de Doc Martens. Assim como Bubba, Mark Fingerman também não era o que parecia. Sim, ele usava uma grande quantidade de camuflagem, mas isso era para evitar que os zumbis o vissem. Não pergunte. Mark acreditava em todas as criaturas paranormais. Inclusive na fada do dente. Mais uma vez, não pergunte. Mark poderia acabar com a paciência de Gandhi. Só um punhado de anos mais velho que Nick, Mark era o colega de trabalho de Bubba. Com o cabelo castanho desgrenhado e olhos brilhantes, Mark estava na loja com um balde e um esfregão. Neste momento estava sufocando o esfregão e chutando tanto o balde, que a água derramava pelo chão. Nick franziu o cenho. — O que está acontecendo?
  31. 31. Sherrilyn Kenyon Invencível 31 Mark estendeu a mão com o esfregão, tão obviamente odiado. — Faça a limpeza, amigo. Bem-vindo à festa. Estou feliz que tenha podido vir. Gemendo, Nick agarrou o esfregão. Ele discutiria, mas Bubba poderia matá-lo, como tinha feito com os últimos quatro computadores que o irritaram. As vísceras dos mais recentes se estendiam ainda ao longo da mesa de trabalho de Bubba. — Olhe — Mark levantou as mãos para a inspeção do Nick. — Estão ásperas e úmidas. Nunca terei mãos suaves outra vez. Nick bufou. — Você não está bem, não é? — Oh, por favor. Se eu estivesse bem da cabeça, acha que estaria trabalhando para Bubba? Especialmente pelo valor miserável que o bastardo paga? Bateram-lhe muito forte na cabeça ontem à noite? Nick esquivou-se da mão de Mark quando ele tentou tocar-lhe o cabelo. — Cara, não faça isso. — Ele olhou para Grim, que revirou os olhos. — Conheço este palhaço — disse Grim em um tom maléfico. — Ele continua me provocando com essas experiências de quase-morte. Um dia, o pegarei pelo traseiro, embora não tenha que fazer isso. Não se pode chamar e bater na minha porta para depois fechá-la na minha cara. Isso simplesmente não é certo. — Nick? — chamou Bubba — Por que não limpa a parte da frente da loja, enquanto Mark e eu continuamos recolhendo aqui? — Tudo bem. Ao sair dos fundos e dirigir-se à área de loja, percebeu o quanto os dois já tinham feito. Todos os escombros tinham sido recolhidos e a maioria dos vidros estilhaçados. Deviam estar limpando por horas. Por um minuto, Nick viu os eventos da noite passada passarem por sua cabeça. Foi horrível. Mas a única coisa boa foi que acidentalmente eles tinham encontrado uma maneira de corrigir os zumbis em humanos e devolvê-los à normalidade. A outra espécie... Essas tinham sido vulgares e desagradáveis de eliminar. Grim vagava ao redor olhando as prateleiras de computadores e laptops, assim como os periféricos e acessórios que estavam colocados no meio do chão. As paredes estavam cobertas do chão até o teto com uma das maiores seleções de armas no Sudeste. As vitrines separavam as armas de qualquer pessoa que pudesse entrar e pegar uma. Primeira regra de Bubba: Ninguém lida com uma arma em minha loja sem supervisão direta. O olhar de Nick se dirigiu involuntariamente ao quadro da mãe de Bubba pendurado na parede. Um retrato que tinha um tiro enorme, exatamente entre os olhos. O estômago desabou. Sim, isso foi por um triz.
  32. 32. Sherrilyn Kenyon Invencível 32 — Então, o que você vai me ensinar? — perguntou a Grim em um esforço para evitar pensar em como ele havia disparado na cabeça da mãe de Bubba. Ele tinha sorte de ainda estar respirando depois disso. — Como abrir sua mente e prestar atenção. O universo está sempre falando conosco. Às vezes os sinais estão na nossa cara, e outras vezes, são muito, muito sutis. —Sutis, como? Grim apontou a imagem da mãe de Bubba. — Vamos usar isso como um exemplo. Quando você o olha, não vê nada mais que um buraco em um quadro. Quando eu o olho, posso dizer exatamente quando e como você vai morrer, e não me refiro a Bubba vindo atrás de você por desfigurar a imagem de sua mãe. Mostra uma parte integrante do seu futuro... e o seu fim. CCAAPPÍÍTTUULLOO 44 A garganta de Nick apertou enquanto ele se dirigia para a imagem pendurada na parede a cerca de meio metro acima de sua cabeça. Ficou olhando o pó de marcas de queimaduras e buracos. Embora houvesse qualidade no estilo do teste de Rorschach , para ele não se parecia muito. Inclinou a cabeça, cerrou os olhos e tentou vê-lo como o quebra-cabeça “Onde está Wally?” Isso mostrava a data de sua morte? Esquecia que a metanfetamina era a morte. Morte era anfetamina. Isso simplesmente parecia uma grande confusão para ele. Franziu o cenho para Grim. — Está tirando um sarro de mim, não é? — Talvez sim. Talvez não. Vai ter que jogar comigo por um tempo para descobrir. Nick não estava seguro de que gostava da forma como Grim disse aquilo. — Por que quando você diz coisas assim, sinto-me como se estivesse apostando com minha vida? — Provavelmente porque está. Eu nunca jogo por menos. Agora, isso só o fez sentir tudo quente e macio por dentro. — Oh, goody! — Disse algo? — Mark enfiou a cabeça através da cortina que separava a parte dianteira da loja da traseira. — Uh, sim. Eu disse: oh! Ótimo! Quando conseguir limpar esta bagunça. Mark soltou uma risada malvada. — Eu tive essa mesma reação. Até tentei parar quando me apresentei esta manhã, mas Bubba não deixou. Disse-me que se tentasse sair encheria meu traseiro de chumbo grosso. É o único filho da puta que conheço o bastante louco o suficiente para fazer isso de verdade. Então
  33. 33. Sherrilyn Kenyon Invencível 33 aqui estou eu. Puto, mas vivo. É um bom dia. — Desapareceu atrás da cortina para voltar para o que ele e Bubba estavam trabalhando. Nick voltou-se para Grim. — Não tem amigos com quem passar um tempo? — Tenho. Mas o problema é que quando passo um tempo com meus amigos, normalmente fica feio para o resto de vocês. Especialmente quando estamos entediados. Nada nos entretém mais que as pragas, a guerra, a fome e massacre sangrentos. — Você Joga a D&D também, hein? Quem é seu DM? Grim estalou a língua. — A diferença entre meu grupo e o seu, é que nossos brinquedos são reais — De repente, o cavalo saiu correndo de seu bolso e subiu pelo braço para descansar no ombro. Truque fantástico. Horripilante, mas genial. — Então... é como seu macaco de estimação? O pequeno cavalo bufou chamas e relinchou para ele. — Calma, garota — Grim acariciou-lhe a cabeleira para acalmá-la. — Faria-lhe bem em se mostrar mais respeitoso. Ela pode entendê-lo e ela não tolera bem os insultos. Sinto muito, Flicka. Ele não quis sacudir seu freio. Nick começou a deixar tudo em ordem. Grim perseguiu seus passos. — A chave para tudo o que tenho que ensinar é que o universo e seus seres falam com você constantemente. Mas assim como o pequeno livro que você recebeu ontem à noite, raramente eles falam abertamente. Tem que descobrir isso por si mesmo e eu espero que não seja muito tarde. O poder da adivinhação é uma forma de você ouvir as advertências que o universo dá. Nick ficou rígido quando um calafrio desceu por sua espinha. — Como sabe sobre meu grimorio? Grim estalou os dedos, e o livro apareceu em sua mão. Pequeno e negro com um símbolo vermelho vibrante na frente que supunha ser o emblema pessoal de Nick, continha adivinhações que o tinham ajudado a sobreviver aos ataques da noite anterior. Tudo o que tinha que fazer era uma pergunta e deixar cair três gotas de sangue sobre ele, algo que ainda pensava que era asqueroso, entretanto. Seu sangue daria voltas e se moveria para formar as palavras e imagens na página e dar-lhe pistas. Dito isto, o livro era uma pequena lesma sarcástica e um pouco irritante. Não gostava de responder às perguntas que Nick fazia e respondia com um veneno que Nick desejava poder escapar e não continuar sendo castigado por toda vida. Cerrando os olhos no livro, Nick apalpou o bolso traseiro para ver se o livro na mão de Grim era uma cópia. Não era. A calça estava vazia…
  34. 34. Sherrilyn Kenyon Invencível 34 Bem, espere um minuto, não estava vazio, porque isso implicaria algo que definitivamente não era o caso, mas seus bolsos estavam. Esse era sem dúvida seu livro, e a Morte o estava manchando. Ele fulminou Grim com o olhar pelo roubo. Normalmente o recuperaria, mas surrupiar algo da Morte não parecia muito inteligente. A menos que fosse sua própria vida. Alheio e imune à raiva de Nick, Grim bateu ligeiramente no livro com a ponta do dedo. — Deixe-me voltar para o fato de que o universo nos fala constantemente. E este pequeno cachorro ladra forte. — Empurrou-o contra o peito do Nick.— Proteja-o com sua vida, porque nas mãos certas, é sua vida e sua morte. Você sangrou neste livro, e este é o mais pessoal dos bens que você já teve. Um mestre feiticeiro, bruxa, um demônio de nível superior ou qualquer outra entidade pode usá-lo para controlá-lo e destruí-lo. Na verdade, proteja todos os bens que você tem. Cada fio de cabelo. Cada partícula de pele e roupa. Não deixe que nunca ninguém se aproxime do que tenha ou possuirá. Você é especial, garoto. De maneira que você não pode conceber e terá que proteger suas costas cada segundo que deseje continuar respirando. Ele definitivamente não gostava como isso soava. — Você não é somente Mary Sunshine ? — Há uma razão pela qual me chamam Grim. Sim, sem brincadeira. Nick guardou o livro no bolso traseiro. — Então, como funciona esse lixo de adivinhação, afinal? — Pense nisso como o calafrio que desce pela coluna cada vez que alguém entra em seu túmulo. Essa sensação persistente que te diz que não faça algo, e quando você ignora, você desejaria não tê-lo feito. — Como me levantar da cama esta manhã. Grim girou os olhos. — Frik. Frak — Ele virou-se para os seus dois capangas. — Comecem a limpeza deste lugar, enquanto Nick e eu trabalhamos. Sem uma palavra ou hesitação, Pain pegou o esfregão de Nick. Suffering foi recolher os vidros. — Uau. Onde vocês estavam durante toda a minha vida? Pain arqueou uma sobrancelha enquanto esfregava o chão. — Andando de mãos dadas com você. Não percebeu? Nick ficou em silêncio ao perceber a verdade dessa declaração. Ele tinha andado de mãos dadas com Pain e Suffering (dor e sofrimento) desde seu nascimento. Amarga pobreza e o pior tipo de bullying. Diabos, ele inclusive tinha sido baleado por um de seus melhores amigos, com a intenção de matá-lo na sarjeta. Sim, definitivamente, eles tinham sido seus companheiros constantes. Olhou de novo para Grim. — Agora que pensei sobre isso, podemos deixá-los atrás? Grim parecia ofendido com sua pergunta.
  35. 35. Sherrilyn Kenyon Invencível 35 —Não, eles são meus melhores amigos. — Sim, mas não quero ter dor, e é obvio não quero sofrer. — Bem. A única maneira de evitá-los é morrer — Grim lhe dedicou um sorriso de esperança. Que gelou até a alma. — Ok, vamos mudar de assunto. — Ele apontou a parede atrás de Grim. — Oh, olhe! Uma galinha. Grim fez um som de frustração extrema. — Bem. Comecemos com algo, mesmo que você não possa estragar. — Que maneira de aumentar minha porcaria de confiança. Deveria ser voluntário no telefone de suicídios. — O que te faz pensar que não sou? Nick franziu a testa. — Ah cara, isso está errado em muitos níveis. — Je suis ce que je suis. Nick deu um passo atrás. A noite anterior tinha lhe ensinado a desconfiar de qualquer palavra estrangeira. — Isso é um feitiço? Grim negou com a cabeça. — É francês, Nick. Significa: Sou o que sou. Merda, garoto. Eduque-se. Leia um livro. Prometo-lhe que não é doloroso. — Certamente, eu discutiria isso. Viu minha lista de leituras para o verão? Não são mais que livros de garotas sobre partes do corpo e coisas de meninas que não quero nem discutir com minha professora de inglês. Talvez no vestiário dos meninos e talvez com um treinador, mas não com uma professora diante de outras garotas que não vão sair comigo. Ou pior ainda, sobre quanto nós homens cheiramos mal e como temos que ser eliminados e fuzilados porque somos uma afronta para a ordem social e natural. Mais uma vez, obrigado, Professor. Dê às garotas ainda mais razões para nos chutar quando falamos delas. Não é como se não fosse o suficientemente difícil chegar e ter a coragem de perguntar a uma e levar um fora. Pode dizer que o conteúdo é impróprio? E então eles me dizem que meu mangá é ruim. Ótiiimo. É pedir muito que tenhamos um livro, só um, na lista de leituras obrigatórias que diga: Ei, garotas. Os meninos são divertidos e estamos bem. Sério. Não somos psicopatas assassinos, animais sugadores de sangue. A maioria de nós somos malditamente decentes, e se nos dessem uma oportunidade, descobririam que não somos tão ruins. Grim deixou escapar um suspiro de aborrecimento. — Está delirando? — Talvez. Grim deu-lhe uma palmada nas costas com tanta força que ele tropeçou. — A puberdade é embaraçosa. É assim. Acostume-se. E olhe o lado positivo: Depois de sobreviver aos horrores da adolescência e às degradações, a idade adulta é fácil.
  36. 36. Sherrilyn Kenyon Invencível 36 Genial. Simplesmente genial. Nick zombou. — E para que conste, eu leio. Muitas coisas. Desta forma é como sei que pode ser doloroso. Muito, muito doloroso. Grim esfregou sua testa porque a cabeça começava a doer. Depois puxou a corrente de ouro ao redor de seu pescoço para expor um estranho pêndulo de hematita que tinha um crânio de ouro fixado. Estendeu-o para Nick. Nick hesitou antes de pegá-lo. Passou a mão pela fria pedra, notando que o crânio tinha os olhos feitos de rubis vermelho-sangue. A ponta da hematita era tão afiada, que provavelmente poderia usá-lo como estaca contra Kyrian no caso de seu chefe ficar muito brincalhão com ele. Épico. Legal. Também poderia usá-lo para furar o dedo, se tivesse que fazer uma pergunta ao seu livro. Sim, isto poderia ser usado de muitas formas. — O que você segura é uma das chaves do universo. — A voz do Grim desceu uma oitava. — Pode-se usar um pêndulo para responder perguntas, procurar coisas e… — Que tipo de coisas? Pode encontrar as chaves de minha mãe quando ela as perde? — Sim — disse Grim com os dentes apertados. — Também pode localizar pessoas que você procura. Ok, isso agora era útil. Nick o balançou para frente e para trás na corrente. — Como funciona? Grim o capturou em sua mão e utilizou a afiada ponta para apontar para ele. — Ele permite que você entre em contato com sua consciência superior. Com o tempo, você não vai precisar dele para fazer isso. Você será capaz de acessar a essa parte de você mesmo a qualquer momento que precise. Mas por agora, requer uma ferramenta para ajudá-lo a canalizar todo o DNA adolescente hormonal que está saltando de dentro de você. —Tocou a ponta do nariz de Nick. — A melhor parte disto é que a pedra mudará para satisfazer suas necessidades. — O que quer dizer? — Para perguntas simples, não importa o tipo de pedra que é. Você pode utilizar qualquer tipo de pêndulo, feito de qualquer substância. Um anel, uma vara, inclusive uma caneta ou um lápis. Mas à medida que progredimos para outras tarefas, o material de que é feito importará de forma exponencial. Este é de hematita porque esta é a pedra mais forte para proteção. Limita e desvia a negatividade. Algo que você precisa, garoto. E te protegerá. O mal e a negatividade gravitam em torno da hematita, e se é atacado muito forte, a pedra quebrará e o avisará enquanto desviará esses poderes para longe de você. Sim, Nick poderia ser muito negativo a maior parte dos dias. E isso era sem querer. Se se esforçasse, poderia estar realmente irritado. Grim deu-lhe as costas. — Pegue seu livro.
  37. 37. Sherrilyn Kenyon Invencível 37 Como Grim já o havia tirado do seu bolso sem tocá-lo, ele sabia que não devia demorar. Nick o pegou e o entregou. Grim o abriu em uma página em branco. Nick franziu o cenho quando palavras e letras apareceram magicamente com setas. De uma maneira estranha, lembrava um tabuleiro de Ouija . As duas flechas cruzadas, formando uma cruz em ângulo reto com as palavras Sim e Não destacadas. Não, espere. Elas estavam brilhando. — O que está fazendo? — perguntou para Grim. — Este é seu mapa do pêndulo. Ele responderá sim ou não para qualquer pergunta que faça. Tudo o que você tem que fazer é focar sua mente na pergunta e passar o pêndulo sobre a página. Com o tempo, poderá fazer perguntas mais complicadas e ele vai te esclarecer as respostas. — Impressionante — Nick fez o que ele sugeriu e revoou a pedra por cima das palavras. Cuidadosamente manteve a mão firme quando se concentrou na pergunta mais importante para a qual queria uma resposta. — Será que vou perder minha virgi… Ei! Grim arrebatou-lhe o pêndulo. — Deixa de ser estúpido e leve isso a sério. Nick olhou para ele. — Não posso trabalhar nisso se você arrancá-lo das minhas mãos. Ele o devolveu a contragosto e deu-lhe as costas. Nick envolveu a corrente ao redor do dedo indicador. — O que tem de ruim em perguntar isso, de qualquer maneira? — É uma preocupação estúpida. Porcaria. Foi a principal preocupação que teve durante o último ano… Bem, essa e se alguma vez seria capaz de comprar um carro. — O que você é? Assexuado ou algo assim? Pain riu, mas logo parou abruptamente quando a Morte sacudiu a cabeça na direção de seu companheiro. — Minha libido está muito bem, Nick. Entretanto, ocupa um distante segundo lugar diante da minha necessidade de matar as pessoas que me irritam. Normalmente, Nick zombaria dele por isso, mas ele tinha melhor critério. — Ótimo. — Retornou ao pêndulo e manifestou a segunda pergunta que mais frequentemente o preocupava: — Serei rico? No início, não aconteceu nada. Mas depois de uns segundos, começou a balançar ao longo da linha “Sim”. Algo que fez seu sangue correr. — Verdadeiramente rico? Balançou ainda mais forte. Oh sim, definitivamente ele balançou com essa. — Tão rico como Rockefeller? Grim o arrebatou outra vez.
  38. 38. Sherrilyn Kenyon Invencível 38 — Sim, moço, terá dinheiro. Podemos seguir em frente? — Suponho que sim, mas eu gostaria muito de investigar meu futuro não estando mais tão duro. Eu gosto desse pensamento. Muito. Grim suspirou profundamente. — Eu juro que você está me dando enxaqueca. — Minha mãe também sofre muito disso. — Imagino que sim ao estar perto de você. Nick segurou o pêndulo na mão. — O que mais ele pode fazer? — Neste momento… nada. Aprenda a primeira técnica, e ensinarei as outras. Não se pode fazer geometria até que entenda que um mais um é igual a dois. Além disso, vocês dois precisam se familiarizar um com o outro. Nick franziu o cenho. — O que? Estamos namorando? Grim ficou olhando para ele com uma expressão vazia durante vários segundos. — E agora que minha pressão arterial e a paciência violaram a válvula de segurança, vou tomar um descanso e deixá-lo aqui para limpar a bagunça. — Estalou os dedos. — Pain. Suffering. Vamos. Como dois mascotes obedientes, eles desapareceram ao seu lado, deixando cair o esfregão no chão com um golpe forte. Maldição. Não podiam ter terminado primeiro? — Isso é o que acontece por não manter sua estúpida boca Cajun fechada, rapaz. Sua mãe sempre dizia que noventa por cento da inteligência era saber quando calar. Um dia, ele aprenderia a escutar seus conselhos. Suspirando, foi para o esfregão e o pegou para terminar. Mas mal tinha começado quando ouviu que alguém batia na porta principal. Virou-se para dizer que Triplo B estava fechado, quando viu que era Caleb. Até ontem, tinha pensado que Caleb era simplesmente outro idiota privilegiado de sua escola. Bem, não era inteiramente verdade. Caleb nunca tinha sido mesquinho com ele, então realmente não merecia o status de idiota, embora ele tivesse ignorado Nick. Durante o caos de ontem à noite, Nick soube que Caleb Malphas, capitão da equipe de futebol e senhor Popularidade, era na realidade um demônio de alto nível (esqueceu o termo correto porque não era tão importante para ele) que tinha sido enviado para servir como guarda- costas de Nick. Isso não era frescura? Nick levantou as mãos e fez um gesto, indicando a Caleb que não havia nada que pudesse fazer para deixá-lo entrar.
  39. 39. Sherrilyn Kenyon Invencível 39 Caleb olhou para a direita e depois à esquerda antes de desintegrar-se na calçada. Ele transformou-se em uma fumaça vaporosa de cor vermelha que deslizou pela fresta das portas. Deslizou-se pelo chão como uma névoa estranha e voltou a remontar-se no Caleb diante de Nick. Ele arqueou uma sobrancelha para Nick. — Continua usando o braço, garoto, e todo mundo saberá que não está certo. Nick entregou-lhe o esfregão e colocou o braço na tipóia. — Estou trabalhando nisso. Sempre vestido impecavelmente em roupas de grife, Caleb tinha o cabelo escuro e olhos inteligentes. Possuía também o tipo de corpo e rosto pelos quais Nick mataria para ter. Musculoso e atraente galã de Hollywood. Embora Nick não fosse feio, ainda era desajeitado e sem jeito, como a maioria dos meninos de sua idade. Seu corpo estava crescendo tão rápido que ele nunca parecia saber onde estavam seus membros, pelo que sempre estava batendo em algo ou arranhando os joelhos. A pior parte era que na escola constantemente pisava nos pés das garotas cada vez que sentava no refeitório. É. Não é de admirar que não pudesse conseguir uma namorada. — Bem, como está se sentindo hoje? — perguntou-lhe Nick. — Como se tivesse o traseiro chutado por um grupo de demônios psicopatas. E você? — Um pouco melhor que isso. Mas só um pouco. O que o traz por aqui? — Tentei ligar para você, mas não obtive resposta. Depois de ontem à noite, fiquei preocupado. Tive medo de alguma coisa que você pudesse ter comido nas poucas horas que me atrevi a deixá-lo e ir me curar, então aqui estou eu para me assegurar que está respirando e continua fazendo isso. Curioso. Seu telefone não tinha tocado. Nick tirou o celular e comprovou. Com certeza, tinha uma chamada perdida. Hmmm. Grim deve tê-lo bloqueado. A Morte era uma besta. Mas fazia sentido. A Morte não desejava ser interrompida. Caleb fez um gesto com o queixo para Nick. — O que você está fazendo aqui? — Bubba e Mark têm que limpar. Caleb girou os olhos. — Ora. Deixe isso. — Estalou os dedos, e tudo voltou para a forma em que tinha estado antes da luta. Nick ficou boquiaberto, impressionado pelos poderes psíquicos de seu amigo demônio. — Cara, tenho que aprender a fazer isso. Mas devo mencionar que provavelmente isto não estaria acabado tão rápido usando o braço que se supõe que está ferido. Caleb resmungou antes de voltar a deixar as portas quebradas e suficientes danos para que parecesse uma limpeza normal. — Aliás, recebi uma chamada estranha esta manhã. — De quem? — O novo treinador de futebol.
  40. 40. Sherrilyn Kenyon Invencível 40 Nick esfregou o queixo com a notícia. — Cara, isso foi rápido. — Fala isso pra mim... ele me disse que a escola o chamou e ofereceu-lhe o trabalho ontem à tarde por causa das finais estaduais. Nick deixou escapar um assobio. Eles quase não permitiram que o antigo treinador fosse preso por matar seu diretor e já tinham contratado um substituto. Isso era tão frio. — O que mais ele disse? — Perguntou se eu conhecia você. Já que perdemos a metade da equipe devido ao ataque de zumbis, precisa de jogadores para substituição. — Caleb inclinou a cabeça para o braço do Nick. — Disse a ele que você se machucou e não pode jogar. Disse que neste momento, levaria um par de reservas só para completar a lista e as camisetas para não perder nos play-offs . — Definitivamente, posso esquentar um banquinho. Nisso sou o melhor, conforme diz minha mãe, de qualquer maneira. — O que? Como entrou aqui? Ambos se voltaram para ver Bubba olhando-os através da cortina. Caleb indicou Nick com o polegar. — Nick me deixou entrar. — Como? — Bubba se apressou para a porta para certificar-se de que continuava fechada com correntes. — Eu me coloquei através da abertura. Sou como um rato. Não ocupo muito espaço. Bubba fez uma careta suspeita. — Não faça isso outra vez. Poderia ter quebrado algo e então seus pais me processariam. — Sinto muito. Bubba olhou ao redor da loja limpa antes de voltar sua atenção para Nick. — Bom trabalho, pirralho. Parece ótimo aqui. — Caleb ajudou. — É uma maneira de arregaçar as mangas e fazer as coisas. Agora, se pudesse conseguir que Mark deixasse seu telefone e parasse de interromper o trabalho, poderíamos terminar antes que Oprah comece. Caleb trocou um sorriso divertido com Nick. — Bubba, o que fará quando seu programa for cancelado? — Cala a boca, menino. Isso é um sacrilégio nesta loja. Se você falar assim, eu o lançarei pela janela como um vagabundo no velho oeste. Caleb deu um passo para trás. — Considerando que quase fui assado vivo em seu SUV ontem à noite, não quero mais nenhuma outra lesão durante um tempo se eu puder evitar. Bubba apontou para ele. — Lembre-se disso. — Depois se virou e os deixou. Caleb balançou a cabeça.
  41. 41. Sherrilyn Kenyon Invencível 41 — Esse é um homem mais que estranho. — Diga isso a mim. Quando Caleb se aproximou, o pêndulo começou a esquentar. Tanto que Nick assobiou de dor. Tirou-o para fora. Os olhos do Caleb brilharam em sua brilhante forma amarelo alaranjada de demônio serpente. — De onde você tirou isso? Um nódulo frio criou-se no fundo do estômago do Nick ao contemplar o que significava essa reação. — Disseram-me que me protegeria de todo mal. Por que reagiu a você, Caleb? O que é que você não está contando? Assim que fez a pergunta viu o flash de uma imagem na mente. Era uma visão de Caleb matando-o. CCAAPPÍÍTTUULLOO 55 — O que você está fazendo, Ambrose? Ambrose se afastou do visionário espelho negro que estava utilizando para observar como o passado se desdobrava em uma direção completamente nova. Com um movimento da mão, tombou-o sobre a mesa esculpida de preto e cobriu o espelho com um tecido de seda negra enquanto enfrentava o último ser com quem queria tratar. Savitar. Nascido para ser uma espécie de corretivo para os deuses que poderiam abusar de seus poderes, Savitar era uma das poucas criaturas mais altas que Nick. Vestido com um par de calças tipo cargo cheia de bolsos e uma camisa de algodão azul aberta, Savitar cheirava como um ensolarado dia de praia. Normal para ele, já que vivia em uma ilha que se desvanecia, onde passava a maior parte dos dias surfando. Seu cabelo escuro tinha reflexos de sol, e seu rosto tinha ao menos três dias de barba ao redor do cavanhaque. Por causa de sua antiquísima idade, ele tinha nascido não muito depois do amanhecer dos tempos e seus poderes eram onipotentes, Savitar estava acostumado às pessoas borrando-se de medo no momento em que ele entrava em uma sala. Ambrose não era como a maioria das pessoas, não se impressionava nem um pouco com a quantidade de séculos de Savitar. Afastando-se da mesa, foi servir-se de uma bebida. Nem vinho, nem água, mas o sangue refrigerado de um demônio Perityle, de idade antiga e cheia dos nutrientes que necessitava para viver. Isto é, se alguém fosse tão estúpido para qualificar sua atual existência como viver.
  42. 42. Sherrilyn Kenyon Invencível 42 Ambrose tomou um gole e saboreou. Não o satisfez tanto como quando o demônio tinha suplicado por sua vida, mas ainda estava fresco e inebriante. Um leve sorriso curvou sua boca quando recordou do assassinato do demônio. Ele nunca entendeu como criaturas que eram tão brutais e desumanas para outros, esperavam que alguém mostrasse piedade para com eles quando tinham sido incapazes de poupar suas vítimas. Uma peculiar hipocrisia, certamente. — Desde quando tenho que responder suas perguntas? A expressão do Savitar teria apavorado os próprios deuses. Mas já que Ambrose era seu castigo, não tinha nenhum efeito sobre ele. —Está manipulando poderes que não entende. Ambrose fulminou Savitar desde seus cabelos ondulados até os pés nus. — Acho engraçado como o inferno isso vindo de você. — Sim, e quando eu fiz isso, quase destruí o mundo. A ironia era que Ambrose estava, na verdade, tentando salvá-lo. Ele já sabia como acabaria o mundo. A data, o momento. Os gritos dos humanos quando perceberam que tudo estava acabando e que tudo o que uma vez tinham valorizado agora era completamente inútil. Nenhuma quantidade de apelos ou mudanças poderia ajudá-los. O tempo estava próximo. Podia sentir o último de sua humanidade deixando-o com o tique- taque de cada segundo que acontecia, e quando isso aconteceu... O mundo estava condenado. Não havia ninguém que pudesse pará-lo. Nem sequer Savitar. — Sei o que estou fazendo. Savitar rangeu os dentes. — Não, Nick, não sabe. Nick. Savitar era o último daqueles que usavam seu verdadeiro nome, e o Chthonian só fazia isso quando queria obter toda a atenção de Ambrose. Ambrose voltou o olhar para trás, onde estava seu espelho coberto, e lembrou como eram as coisas quando era um menino. Se apenas pudesse retornar. Por um nanosegundo minúsculo. As menores decisões tomadas tiveram repercussões profundas. Dez minutos de espera poderiam salvar uma vida. Ou terminá-la. Um passo em falso na rua correta ou uma conversa aparentemente sem importância, e tudo mudou. Não era justo que cada vida fosse definida, arruinada, acabada e isso fosse feito por tais detalhes aparentemente inofensivos. Um importante acontecimento que mudasse a vida deveria vir com um sinal de alerta piscando que dissesse: ABANDONA TODA ESPERANÇA ou FIQUE A SALVO. Era uma brincadeira cruel que ninguém pudesse ver as curvas mais perigosas até que estivesse na beira, caindo ao abismo. Quando Ambrose começou a afastar-se, Savitar agarrou seu braço e puxou-o para o seu lado. Seus olhos lavanda flamejavam para um vermelho profundo.
  43. 43. Sherrilyn Kenyon Invencível 43 — Está despertando poderes e trazendo novos jogadores ao seu passado. Jogadores cujas ações nenhum de nós conhece. Ontem me perguntou por Nekoda. Você não se lembra dela porque não esteve originalmente em seu passado. Foi sua intromissão atual que a levou à sua porta quando você era um menino. E ela não é a única, não entende isso? Seu pai deveria morrer antes que você alcançasse a puberdade. Essa é a ordem natural, e esses eventos eram imperativos para seu crescimento e segurança. Agora ele está vivo quando deveria não estar, e você está acumulando poderes em uma idade em que… — Eu não deveria ter um irmão mais velho também. Não é? Savitar desviou o olhar. Exatamente... Acontecimentos que mudavam a vida. Desastres invisíveis. Pequenas coisas que se tornaram... Melhor não ir lá. Ambrose curvou o lábio. — Você, Acheron, Artemisa, meu pai, todos esconderam pequenos segredos de mim. Agora tento reparar seus erros. — E no processo, está cometendo alguns novos. Aqueles que nós não podemos prever ainda. Que eu não posso prever ainda. Entende o que estou dizendo? Ele entendia. E havia uma coisa que ele viu com mais clareza que tudo. — Então, não sei se o que estou fazendo é ruim. Savitar amaldiçoou. — Você não pode reescrever o passado. Ninguém pode. Não sem consequências terríveis. — Eu sou o Malachai — Nick zombou dele. — Não recebo ordens suas, Chthonian. Designados para serem a polícia da ordem natural e protetores dos homens, os Chthonians tinham sido agraciados com poderes que permitiriam assassinar um deus se fosse necessário. Mas esses poderes não funcionavam com criaturas como Nick. Nascido da parte mais escura do universo, os Malachai eram imunes a todos, exceto um. E que não estava aqui para deter-lhe do destino para o qual tinha nascido. A destruição final. Tic, tac. Savitar respirou profundamente. — Bem. Segure esse ego — ele apontou para o espelho de Ambrose. — O que você tem feito é descobrir seus poderes em uma idade em que era mais vulnerável. Por que acha que estavam escondidos, em primeiro lugar? O que tem feito é liberar as hordas do inferno sobre um menino que é incapaz de lutar contra elas. Mas Nick aprenderia. Ele conhecia si mesmo e seus instintos de sobrevivência. Nick não seria derrotado. Jamais. — Enviei-lhe um protetor.

×