APRENDER – NÃO APRENDER: os múltiplos fatores que interferem nesse processo 1Silvanília Maria da Silva Sousa (UEG) 2RESUMO...
2Mesmo sabendo que a capacidade de aprendizagem do indivíduo é ilimitada, adeficiência em aspectos como inteligência, moti...
3fatores, tais como: inteligência, motivação, maturação, percepç ão, assim como do própriopotencial do indivíduo, o que ta...
4necessidades, então teremos as melhores condições imagináveis para a assimilaçãode novos conhecimentos ou aquisição de no...
5utilização da compreensão auditiva, da fala, da leitura, da escrita e do racio cíniomatemático. Tais desordens, considera...
6uma ineficiente leitura ou escrita, disfunções cogni tivas na resolução de problemasde cálculo, ou mesmo problemas na fal...
7e exibe uma diversidade de comportamentos que podem ou não ser provocados pordisfunção psiconeurológica. Manifesta freque...
8pessoas e fatos, diretamente, através da estimulação dos órgãos dos sentidos. Apercepção é a consciência da sensação, inc...
9problemas de organização do tempo e do espaço e raramente pensam antes de agir. Oencorajamento e a estimulação são essenc...
10através da memória que se faz o reconhecimento e a busca daquilo que foi arquivado eaprendido pelo aluno. De acordo com ...
11grafemas e à velocidade na decodificação das palavras. Na medida em que diminui o ritmo daleitura, normalmente diminui t...
12da leitura e escrita de forma mais rápida e com menos dificuldade . Desenvolver a capacidadecognitiva implica dar ao alu...
13Problemas PsicomotoresMuitas crianças com DA apresentam um perfil psicomotor dispráxico tendomovimentos exagerados, rígi...
14Para prevenir o fracasso escolar, necessitamos trabalhar em e com a escola (realizarum trabalho em que o professor possa...
15PILETTI, Nelson. Psicologia Educacional. 10aEdição. São Paulo: Ática, 1.991.PORTO, Olívia. Psicopedagogia Institucional:...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

1 aprender nao_aprender

313 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
313
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
1
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
3
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

1 aprender nao_aprender

  1. 1. APRENDER – NÃO APRENDER: os múltiplos fatores que interferem nesse processo 1Silvanília Maria da Silva Sousa (UEG) 2RESUMO: Neste artigo, busca-se abordar a problemática da dificuldade de aprendizagem emseus múltiplos aspectos, vivenciados no ambiente escolar. Compreender os fatores queocasionam tais dificuldades é urgente, tendo em vista sua consequência imediata, que é ofracasso escolar e a exclusão da criança que apresenta alguma dificuldade, ocasionandoreprovações e abandono da escola. Diante disso, é preciso que se compreenda o processoeducativo e os fatores que levam a não aprendizagem para, então, repensar essas práticas demodo generalizado, envolvendo todos os membros que compõem a escola e o meio em queeste educando está inserido.PALAVRAS-CHAVES: Dificuldade de aprendizagem. Sintomas. Fatores internos eexternos.ABSTRACT: In this article, it intend to approach the learning difficulty problem in manyaspects , this aspects have been lived in the school environment. It is urgent to understand thedifficulty factors, it has been seen the immediate consequence , that is the escolar failure andthe escolar kids excursion that present some difficulty , generating escolar failure and schoolabandone therefore, it is necessary to understand the learning process and the failure learningfactors for, so, to reflect this pedagogy pratices in geral, involving every escolar people andevery escolar environment.KEY-WORDS. Difficulty on learning. Symptoms. Internal and external factors.IntroduçãoA aprendizagem é extremamente complexa, tendo início no momento do nascimento eacompanhando o ser humano durante toda sua vida. Ela se constitui como elemento básico naformação deste, já que está diretamente ligada ao potencial do indivíduo em interagir e seadaptar ao ambiente.1Adaptação parcial de texto da monografia produzida em parceria com Adarlene de Souza Gomes e AndréiaCristine Pereira, para o curso de especialização em Psicopeda gogia pela UEG- UnU. de São Luís de MontesBelos. Contato: E-mail: adarleneslmb@hotmail.com; acpgyn@hotmail.com .2Licenciada em Pedagogia (UEG), especialista em Psicopedagogia Clínica (UEG), Coordenadora Pedagógica daI Fase do Ensino Fundamental na Rede Particular de Ensino em São Luís de Montes Belos, Professora no cursode Pedagogia e Tecnologia em Laticínios, Coordenadora Adjunta do curso de Tecnologia em Laticínios da UEG– UNU de São Luís de Montes Belos. Contato: (64) 3601-2274; E-mail: acadesil@hotmail.com.
  2. 2. 2Mesmo sabendo que a capacidade de aprendizagem do indivíduo é ilimitada, adeficiência em aspectos como inteligência, motivação, maturação, percepção, que tambémestão ligados ao seu estado orgânico e emocional, acaba por com prometer o potencial deaprendizado do aluno, levando-o a apresentar dificuldades nesse processo. Tais dificuldadessão algumas das causas responsáveis em levar a criança ao fracasso escolar e,consequentemente, à exclusão, ocasionando reprovações e o aban dono da escola.Diante disso, é preciso que, para além da análise destes fatores, haja um movimentoque leve à ação, no sentido de viabilizar meios para a diminuição do índice de dificuldade deaprendizagem e, consequentemente, do fracasso escolar, tendo em vista que os alunos estãoingressando em uma série a qual não conseguem acompanhar e eventualmente, há evasãoescolar ou, em muitos casos, acabam sendo aprovados ano após ano sem os mínimosprérrequisitos para cursar a série seguinte.Processo de Aprendizagem HumanaA aprendizagem está diretamente ligada à capacidade que o indivíduo possui eminteragir e se adaptar ao ambiente. Segundo Macconnell (apud PILETTI, 1991, p. 32),“aprendizagem é a progressiva mudança do comportamento que está ligada, de u m lado, asucessivas apresentações de uma situação e, de outro, a repetidos esforços dos indivíduos paraenfrentá-la de maneira eficiente”. Weiss (2004, p. 26), por sua vez, destaca a idéia básica deaprendizagem como sendo[...] um processo de construção que se dá na interação permanente do sujeito com omeio que o cerca. Meio esse expresso inicialmente pela família, depois peloacréscimo da escola, ambos permeados pela sociedade em que estão. Essaconstrução se dá sob a forma de estruturas complexas.A capacidade de aprender do ser humano é ilimitada e acontece de várias formas:ensaio e erro, condicionamento, imitação, insight e raciocínio. A aprendizagem acontece deforma sistemática, organizada, e de forma assistemática, através da observação. Só é po ssíveldizer que houve aprendizagem quando há uma mudança no comportamento, como resultadoda experiência.Todavia, apesar da capacidade de aprendizagem ser ilimitada, ela depende de inúmeros
  3. 3. 3fatores, tais como: inteligência, motivação, maturação, percepç ão, assim como do própriopotencial do indivíduo, o que também está ligado ao seu estado orgânico e emocional.Portanto, para que haja aprendizagem, o ser humano precisa estar em condições defazer um investimento pessoal em direção ao conhecimento. Esse investimento, por sua vez,está diretamente ligado aos recursos pessoais mesclados às possibilidades socioafetivas. Destaforma, não basta a criança ser saudável para que haja aprendizagem, esta vai acontecendoproporcionalmente também à medida em que ela constrói uma série de significados queresultam das interações que ela faz e continua fazendo em seu contexto socioafetivo.O percurso de desenvolvimento do ser humano é, em parte, definido pelos processosde maturação do organismo individual, pertencent e à espécie humana, mas é aaprendizagem que possibilita o despertar de processos internos do desenvolvimentoque se não fosse o contato do indivíduo com um determinado ambiente cultural, nãoocorreriam. Em outras palavras, o homem nasce equipado com certa s característicaspróprias da espécie (por exemplo, a capacidade de enxergar por dois olhos, quepermite a percepção tridimensional, ou a capacidade de receber e processarinformação auditiva), mas as chamadas funções psicológicas superiores, aquelas queenvolvem consciência, intenção, planejamento, ações voluntárias e deliberadas,dependem de processos de aprendizagem (VYGOTSKY, 1984, apud OLIVEIRA,2003, p. 55-56).A aprendizagem atinge todas as pessoas durante toda a vida, mas não é um processosimples. Não há uma unanimidade sobre os aspectos considerados mais importantes noprocesso de aprendizagem, o que justifica a existência de várias teorias para explicar omesmo. Apesar das peculiaridades que cada uma dessas teorias possuem, existe umaunanimidade entre aqueles que estudam a motivação: os adultos e as crianças necessitam terum interesse profundo – motivação – por uma aprendizagem para que a mesma aconteça.Motivar significa predispor o indivíduo para certo comportamento desejável naquelemomento. O aluno está motivado para aprender quando está disposto a iniciar econtinuar o processo de aprendizagem, quando está interessado em aprender umcerto assunto, em resolver um dado problema, etc. (PILETTI, 1991, p. 64)Tem-se, no entanto, que a motivação é o carro propulsor da aprendizagem. O indivíduomotivado reconhece a importância de se aprender algo, sabe de sua utilidade e finalidade; eleaprende com um objetivo. A motivação dá a ele a disposição de fazer -se participante e,portanto, co-autor do seu processo de aprendizagem, pois ele tem a consciência de que esta irásatisfazer suas necessidades, sejam elas atuais ou futuras.Esta motivação tem raízes nos desejos e nas necessidades de cada ser humano.Quando os objetivos da aprendizagem confundem -se com a satisfação destas
  4. 4. 4necessidades, então teremos as melhores condições imagináveis para a assimilaçãode novos conhecimentos ou aquisição de novos hábitos (WEIL, 1994, p.114).Desta forma, cabe ao educador a difícil tarefa de procurar despertar nos e ducandos ointeresse pelo assunto a ser estudado. Para isto, o educador deve adaptar -se a cada educando,já que o mesmo assunto pode despertar diferentes interesses em virtude das experiências evivências de cada um. Nesse sentido, Parolin (2005, p. 44) coloca queA aprendizagem acontece em um movimento de construção e reconstrução de nósmesmos, do outro, da realidade que nos circunda e do próprio conhecimento. Tentartrabalhar em uma dessas instâncias isoladamente é ineficaz, pois só iria dividir o queé indivisível.É importante ressaltar que o processo de aprendizagem deve ser incentivador por simesmo, para que quando uma necessidade seja satisfeita, o sentimento de competênciapessoal e a segurança, elevem sua auto-estima.Dificuldades de AprendizagemQuando há uma ruptura no processo de aprendizagem, é comum que se diga que oindivíduo apresenta uma dificuldade de aprendizagem (DA). A utilização do termo DA temcomo objetivo, designar um conjunto de fenômenos complexos que ocorrem com o indivídu ono processo de aprendizagem, tornando-a deficiente. É um termo que agrupa, ao mesmotempo, dificuldades de natureza orgânica, social, cognitiva, afetiva e psicológica, entre outras.Todavia, existem muitas definições para a compreensão do que é DA. Para Porto (2005, p.56),As dificuldades de aprendizagem podem ser chamadas de entraves de percurso, algoque incluem as dificuldades que a criança pode apresentar em alguma matéria ou emalgum momento da vida, além dos problemas psicológicos, como falta de motivaçãoe baixo-estima, que em muitos casos podem ser superados com um suporte intra eextra escolar.Segundo Fonseca (1995, p. 71), a definição que reúne maior consensointernacionalmente é a do National Joint Committee of Learning Disabilities – NJCLD (1988)que diz:Dificuldades de aprendizagem (DA) é um termo geral que se refere a um grupoheterogêneo de desordens manifestadas por dificuldades significativas na aquisição e
  5. 5. 5utilização da compreensão auditiva, da fala, da leitura, da escrita e do racio cíniomatemático. Tais desordens, consideradas intrínsecas ao indivíduo, presumindo -seque sejam devidas a uma disfunção do sistema nervoso central, podem ocorrerdurante toda a vida. Problemas na auto-regulação do comportamento, na percepçãosocial e na interação social podem existir com as DA. Apesar das DA ocorrerem comoutras deficiências (por exemplo, deficiência sensorial, deficiência mental, distúrbiossócio-emocionais) ou com influências extrínsecas (por exemplo, diferenças culturais,insuficiente ou inapropriada instrução, etc.) elas não são o resultado dessascondições.É preciso que se compreenda que a dificuldade em aprender não é provenientesomente de como o conteúdo é trabalhado em sala, mas também de fatores presentes noindivíduo que diminuem suas chances de aprendizado. Assim, mesmo tendo p rofessorescapacitados e material didático atualizado, ainda existirão crianças com DA, porque há váriosfatores que levam à sua incidência. Todavia, “perceber o potencial cognitivo em crianças queapresentam problemas para aprender, é um passo na direção certa (...) Para que a criançaaprenda, ela deve sentir que suas forças são genuínas ” (ZELAM, 1993, p.17).Atualmente, os alunos também mostram ao professor a sua recusa em aprender. Aindisciplina, a violência, depressões e também as frustrações estão moldando educandos semcapacidade inicial para a aprendizagem e a idéia de um aluno perfeito e de ser um professorexcelente cria no educador muitas frustrações assim como exclusões em relação ao aluno comDA.O ato pedagógico se prendendo a um ideal, acaba por inverter a tarefa educativa, emque o aluno deve dar provas da sua capacidade para conhecer e aprender. Asdiferenças culturais são vistas pelo educador como deficiência de bagagem cultural eo aluno não é visto como um sujeito marcado pele desejo de conhecer, o que éprecípuo para a relação com o conhecimento (PORTO, 2005, p. 55) .E importante que se saiba que uma criança com DA apresenta dificuldades emdistinguir, detectar, diferenciar e investigar estímulos semelhantes, mas que têm significadosdiferentes. Os primeiros processos de tratamento da informação sensorial parecem apresentarconfusões, mas esta criança com DA é normal em termos intelectuais, contudo , seu sistemanervoso não trabalha da mesma maneira do que em uma criança dita “normal”.Qual seria então o modelo ou modelos de avaliação nas DA que auxiliaria na análisedas mesmas, facilitando assim a compreensão de um aluno que tem alguma DA? SegundoFonseca (1995, p. 73-74), este modelo não existe devido a inadequabilidade científica.[...] Nos nossos dias, não existe nenhum modelo ou método de avaliação válidoconhecido que verdadeiramente identifique um estudante com DA, ou que detecte
  6. 6. 6uma ineficiente leitura ou escrita, disfunções cogni tivas na resolução de problemasde cálculo, ou mesmo problemas na fala.De acordo com o autor, a avaliação psicoeducacional, considerada como a “avaliaçãodo potencial de aprendizagem” (1995, p. 78), é ineficiente e também está longe de alcançar oseu objetivo principal, se for levado em conta que sua função é a captação de dados quepossibilitem uma leitura mais detalhada sobre o potencial dos alunos na aquisição de novosconceitos, habilidades e competências, evidenciando assim o grau de DA que o alunoapresenta, para, a partir desses dados, proporcionar aos pais, educadores e demais envolvidosno processo ensino-aprendizagem, condições de intervir neste processo, eliminando ouminimizando as dificuldades apresentadas.Falta ainda o empenho e o devido preparo dos profissionais que atuam no ensino paraque tal avaliação realmente ocorra na escola, pois só através de um olhar mais aguçado eatento, é possível perceber o que é realmente uma DA, separando -a de outros distúrbiosligados à falta de motivação e ao ensino deficiente que gera desinteresse por parte do aluno.Para que tais dificuldades sejam percebidas, faz-se necessário que todo professor conheça asteorias que abordam as peculiaridades do desenvolvimento infantil, em especial daquela faixaetária com a qual está atuando no decorrer do ano letivo. Só isso é que tornará possível apercepção das dificuldades de forma mais clara, já que a criança com DA emite sinaisdiferenciados (embora em algumas situações estes sejam muito sutis) daqueles expressospelas crianças sem nenhum tipo de deficiência.Perceber esses sinais é uma forma de estar avaliando o grau de profundidade da DA e,posteriormente, traçar um planejamento para auxiliar o aluno a se libertar desta situação ouensinando-o a lidar com ela quando esta não puder ser solucionada.Alguns Sinais Típicos das Crianças Com Dificuldades de AprendizagemAlguns sinais próprios de crianças com DA podem ser diagnosticados pelo próprioprofessor. É preciso, primeiramente, que se saiba que a criança com DA caracteriza-se poruma inteligência normal (QI 80) e apresenta dificuldade de aprendizagem nos processossimbólicos, fala, leitura etc. De acordo com Fonseca (1995, p. 252),[...] a criança com DA manifesta uma discrepância no seu potencial de apre ndizagem
  7. 7. 7e exibe uma diversidade de comportamentos que podem ou não ser provocados pordisfunção psiconeurológica. Manifesta frequentemente dificuldades no processo deinformação quer ao nível receptivo, quer ainda ao nível integrativo e expressivo.Além disso, as crianças com DA apresentam diferentes problemas, tais como: deatenção, perceptivos, emocionais, memória, cognitivos, psicolingüísticos e psicomotores,interligados entre si.Problemas de Atenção“A atenção faz com que, entre os muitos estím ulos do meio-ambiente, o indivíduoselecione e perceba somente alguns aspectos ambientais” (CAMPOS, 1987, p. 54). Quando acriança tem problemas de atenção, ela se dispersa com muita freqüência, não conseguindoselecionar algo quando há dois ou mais estímu los presentes, pois isso a perturba bastante.A atenção compreende uma organização interna (proprioceptiva, tatilquinestésica) eexterna (exteroceptiva, visual e auditiva) de estímulos, organização essaindispensável a aprendizagem, caso contrário, as me nsagens sensoriais sãorecebidas, mas não integradas (FONSECA, 1995, p. 54) .Segundo o autor, a desatenção pode ser motivada por carência (inatenção) ou porexcesso (superatenção). Em ambos os casos, a fixação anormal ou a fixação em pormenoressupérfluos e pouco significativos impedem que se processe a seleção da informaçãonecessária à aprendizagem.Problemas PerceptivosO processo perceptivo envolve processo de recepção, transdução e integração deinformação e seu desenvolvimento tem origem no dese nvolvimento motor, que poderámanifestar dificuldades de diferenciação e de estruturação perceptiva. A criança com esteproblema tem dificuldades em formar percepções refinadas e organizadas extremamenteimportantes para o aprendizado da leitura, por exemp lo.a percepção leva à aquisição de conhecimentos específicos a respeito dos objetos,
  8. 8. 8pessoas e fatos, diretamente, através da estimulação dos órgãos dos sentidos. Apercepção é a consciência da sensação, incluindo o significado e interpretação, queacompanham a experiência, associada ao processo iniciado pelo estímulo(CAMPOS, 1987, p. 54).Quando suas percepções não são boas, a criança não se desenvolve bem em sala deaula porque ela faz conclusões incompletas e tem problema de formulação ideacional e isto serefletirá em termos de ajustamento sócio-emocional.Para as crianças com problemas perceptivos, o aprender numa classe regular torna -se, evidentemente, bastante complicado. As suas perturbações perceptivo -visuaisdificultam-lhe a compreensão de muitos dos materiais de aprendizagem. As suasdificuldades perceptivo-auditivas comprometem-lhe o apuramento de significaçõesnas explicações e instruções do professor. As confusões que faz ao pensar levam -naa confusões de compreensão e a conclusões errônea s que se tornam embaraçosaspara si mesmo e para os outros (FONSECA, 1995, p. 256) .Os problemas perceptivos que mais se destacam são os visuais e os auditivos. Quanto àvisão, que é um canal ainda maior de aprendizagem, a criança com DA apresenta dificul dadesde decodificação, recepção e discriminação visual (dificuldade em reconhecer semelhanças ediferenças e dificuldade na figura de fundo - identificar figuras ou letras sobrepostas emfundo) e na rotação de formas no espaço (identificar as mesmas forma s) assim comodificuldades de associação e integração visual (imagem -palavra) de coordenação visuomotora(problemas em coordenar a visão com os movimentos do corpo ou da mão).Quanto à audição, essencial para a comunicação interpessoal e para a aquisição d alinguagem, a criança ouvirá, mas não escutará (não interpretará), pois apresenta desordem noprocessamento da informação auditiva.O processo auditivo apresenta funções de tratamento de informação que são derecepção (identificação fonética e a síntese a uditiva); integrada (complemento de palavras efrases, etc); expressivas (narração de histórias por imagens, etc).Problemas EmocionaisAs crianças com DA apresentam comportamentos que lhe são bastante peculiares. Elasmostram sinais de dependência e de instabilidade emocional (insegurança, ansiedade,fragilidade de auto-confiança). Sua conduta social apresenta muitas dificuldades deajustamento à realidade e problemas de comunicação, assim como também experimentam
  9. 9. 9problemas de organização do tempo e do espaço e raramente pensam antes de agir. Oencorajamento e a estimulação são essenciais para que haja mudança de comportamento.Normalmente são desorganizadas, possessivas, desatentas e nervosas, entre inúmerosoutros sintomas. Os problemas emocionais ger am uma insegurança exacerbada e baixatolerância à frustração. Outra situação bastante comum é o fracasso constante, o que causa umcontraste com a expectativa do sucesso que estes possam vir a possuir. Fonseca (1995, p. 265)argumenta queA repetição crônica do insucesso e o seu efeito em termos de expectativas levam àcriação de resistências, fobias e defesas perante as tarefas educacionais. Nenhumadulto suporta uma atmosfera de permanente fracasso, muito menos uma criança.Muitas das crianças com DA, face aos resultados escolares, vão-se convencendo quenão aprendem por mais que tentem, daí o perigo em negligenciar a implicação dasDA no desenvolvimento da personalidade global da criança.As crianças com DA avançam em dois extremos, quase sempre. A ins tabilidadeemocional é capaz de fazê-las rir sem medida em um momento e em outro, logo em seguida,enclausurá-las numa tristeza profunda, da qual só saem com muito esforço daqueles que lhesão próximos. Essas mudanças de humor evidenciam um descontrole emo cional profundo erequerem atenção por parte dos pais e educadores.A criança com DA por conta de problemas emocionais têm dificuldade também em seperceberem socialmente, ter capacidade de autocrítica, de medir as conseqüências de suasatitudes.Para melhorar tais sintomas, é preciso que se crie uma atmosfera em torno da criançacapaz de lhe dar o suporte emocional que ela requer, ou seja, dar -lhe carinho, atenção,momentos de descontração, além de facultar -lhe a ampliação das relações interpessoais quefavoreçam a comunicação e a interação social. Por outro lado, é importante que, durante oprocesso de reajustamento, a criança vá percebendo seus pontos fortes, suas qualidades,aquilo que ela tem de bom e que pode ser usado em benefício próprio e do grupo c om o qualse relaciona. Para que a criança consiga aprender , faz-se necessário a resolução dos problemasinternos (“eu”) e dos relacionamentos que tem, principalmente no campo familiar.Problemas de MemóriaPode-se afirmar que a memória e a aprendizagem são indissociáveis à medida que é
  10. 10. 10através da memória que se faz o reconhecimento e a busca daquilo que foi arquivado eaprendido pelo aluno. De acordo com Campos (1987, p. 57),[...] A memória constitui um dos fatores que colabora para o exercício das funçõesdo raciocínio e da generalização. Ela possibilita a memorização de conceitosnecessários para as atividades mentais. A memória portanto, faz com que aquilo queestá sendo aprendido seja assinalado, retido e depois lembrado pelo indivíduo, istoé, evocado ou reconhecido quando aparece no campo da consci ência do indivíduo.A memória é uma função neuropsicológica imprescindível à aprendizagem, e éjustamente este fator que faz com que freqüentemente se ouça as crianças reclamarem da faltade memorização e conservação das informações recebidas durante o processo ensino -aprendizagem.Por meio da memória, as imagens que captamos convertem -se em palavras e todas asfunções sintáticas e assindéticas estão ligadas a ela. Segundo Fonseca (1995, p. 266), “aoselecionar e chamar a informação assimilada e consolidada, o cérebro combina -a, relaciona-a,classifica-a e organiza-a de uma forma seqüencializada e ordenada para efeitos de recepção,de integração e de expressão”.Fatores importantes na aprendizagem em relação às dificuldades de memorização, aauditiva e de memorização visual são as que surgem com maior freqüência na criança comDA. A memorização auditiva está altamente associada à linguagem; crianças com DAapresentam dificuldades em compreender e lem brar simples instruções e direções (reproduçãode números de telefone, por exemplo) não processam informações, categorizam, classificam erecategorizam para formar conceitos. Têm também dificuldades em produzir boas respostas, epor isso distorcem a ordem das palavras e omitem outras. Devido a isso, as crianças usammuitas mímicas e gestos para se comunicar.Há problemas na memória visual imediata (reconhecimento momentâneo de estruturasespaciais) e os da rechamada de pormenores visuais de experiências ant eriores (funciona sóquando o modelo está presente – a capacidade de relembrar dos pormenores espaciais é frágil)e a seqüencialização visual (capacidade de lembrar uma seqüência de estímulos visuais que,por exemplo, está implicada na escrita espontânea).Tais distúrbios na função seqüencial para o vocabulário visual e para o ditado podemser notados ainda cedo, já nas atividades da pré -escola. Algumas crianças apresentam a grafiado próprio nome de forma incorreta, por omissão ou troca de letras, assim c omo têmdificuldades em ordenar a seriação ou equivalência.Por conta desta dificuldade, a criança apresenta prejuízo em relação à integração dos
  11. 11. 11grafemas e à velocidade na decodificação das palavras. Na medida em que diminui o ritmo daleitura, normalmente diminui também o nível e a capacidade de compreensão do texto lido. Omesmo acontece no lado oposto, ou seja, na codificação da escrita.Problemas CognitivosÉ nos sistemas de equivalência e conversão que se situam os problemas cognitivosdas crianças com DA e qualquer disfunção nos processos intersensoriais parece comprometero sucesso na aprendizagem simbólica.As aprendizagens simbólicas como a leitura, a escrita e o cálculo envolvem processoscognitivos muito complexos, sendo que a leitura compr eende duas atividades simbólicas ondegrafemas (símbolos escritos) se transformam em fonemas (símbolos falados), elementos estesque precisam ser aprendidos e fixados em experiências representativas e significativasanteriores, consolidando a linguagem falada.A leitura não utiliza o primeiro sistema simbólico que são os fonemas, mas sim osegundo, que são os grafemas. É através deles que se transforma o texto escrito (visual) emfala (auditivo), modificando o processo sensorial até a compreensão total da palavra(FONSECA, 1995). A leitura oral é a expressão verbal exata da linguagem escrita. Elaenvolve uma percepção e uma memória visual apropriada.A capacidade de transferir conteúdos de imagens (fatores não -verbais) paraconteúdos de palavras (fatores verbais) é hoje reconhecida como um a pré -aptidão daleitura, na medida em que as crianças deverão poder extrair conteúdos das imagens,expressando-as em termos de linguagem falada. [...] Essa transdução não-verbal parao verbal é indispensável à aprendizagem humana e imprescindível para a leitura.(FONSECA, 1995, p. 275)É comum identificar crianças com DA que apresentam problemas intrassensoriaisauditivos (dificuldade em identificação fonética...) e intrassensoriais visuais (identificação decomplemento de desenhos...). Na base dos problemas perceptivos estão os conceituais e os daresolução de problemas (atividade onde a experiência anterior é utilizada para reorganizar oscomponentes de uma situação problemática, a fim de atingir um dado objetivo) Diant e disso,percebe-se que os aspectos envolvidos na capacidade cognitiva, tais como atenção, percepção,emoção, memória, lingüística, são necessários e fundamentais no processo de aprendizagem
  12. 12. 12da leitura e escrita de forma mais rápida e com menos dificuldade . Desenvolver a capacidadecognitiva implica dar ao aluno as condições para que ele conheça toda a sistemática queenvolve a estrutura da língua, assim como os demais aspectos que estão intimamente ligados àsua aquisição.“Ler e escrever são ‘produtos finais’ do cérebro resultantes de processos decodificação e decodificação que, incontestavelmente, envolvem sistemas sensório -motores,lingüísticos e cognitivos extremamente complexos e integrados” (FONSECA, 1995, p. 279) .Problemas PsicolingüísticosOs processos psicolingüísticos são os receptivos (auditivos e visuais), integrativos(retenção, compreensão e associação) e expressivos (rechamada, programações verbais),sendo que os sinais mais significativos são os que estão relacionados com: problemas nacompreensão de significados, no seguimento e execução de direções ou instruções , memóriaauditiva e de seqüência temporal, pouco vocabulário, frases sem nexo e repetitivas,dificuldade de rechamada de informação, problemas de organização lógica e de exper iências eocorrências, dificuldade na formulação e ordenação ideacional.Os maus leitores evidenciam lentidão na tradução dos fonemas em grafemas e dosgrafemas em fonemas. Eles não os transferem com facilidade por não conhecerem ossegmentos fonéticos, não recodificando auditiva e foneticamente os respectivos grafemas.A consciencialização lingüística (...) e a metalingüística materializada pelo domínioe manipulação multissensorial do alfabeto parecem representar um vantagem naaprendizagem da leitura. A criança deve conhecer explicitamente como ossegmentos da fala são representados graficamente. A análise de palavras e de silabaspelos fonemas da fala vai corresponder na leitura à análise das palavras e das sílabaspelos grafemas (FONSECA, 1995, p. 284).E importante que se saiba que a base dos sistemas alfabéticos são a correspondência ea equivalência fonética e silábica. Estas são chamadas desestruturas de superfície e atravésdelas temos acesso à abstração e à generalização que são as estruturas de profundidade(elementos sintáticos e semânticos)
  13. 13. 13Problemas PsicomotoresMuitas crianças com DA apresentam um perfil psicomotor dispráxico tendomovimentos exagerados, rígidos e descontrolados.A criança com DA acusa de fato algumas anomalias na org anização motora de base(tonicidade, postura, equilibração e locomoção) e consequentemente na organizaçãopsicomotora (lateralização, direcionalidade, imagem do corpo, estruturação espaço -temporal e praxias). Como sabemos, o início do desenvolvimento human o refleteuma antecipação da motricidade face à psicomotricidade. Mais tarde, a atividademental absorve a atividade motora, isto é, transforma -se em psicomotricidade, razãopela qual a psicomotricidade traduz a organização neuropsicológica que serve debase a todas as aprendizagens humanas. (FONSECA, 1995, p. 285 -286).A noção de corpo em uma criança com DA é, em todas as situações de exploração eorientação no espaço, inadequada.Uma das áreas psicomotoras mais fracas é a estruturação espaço -temporal que põe emevidência os problemas de memória de curto termo espacial (visual) e rítmica (auditiva) e derealização seqüêncializadora de gestos intencionais e controlados, assim como tambémapresenta dificuldades em verbalizar ou em simbolizar a experiência m otora.Considerações FinaisÉ comum que uma criança apresente não apenas um, mas vários fatores combinados dedificuldade de aprendizagem, onde requer um olhar mais atento dos pais e professores, asquais deverão encaminhar essa criança para um processo de diagnóstico específico.No processo diagnóstico, feito por uma equ ipe multidisciplinar, tenta-se constatar adificuldade, suas possíveis causas e, posteriormente, inicia -se o processo de intervenção,estendendo, para além da criança, um cuidado também com todos aqueles que, direta ouindiretamente, contribuem para que a situação tenha início e perdure na vida da criança,geralmente apontada como a principal responsável pelas próprias dificuldades. Raramente aescola ou os pais se vêem como promotore s das condições em que a circulação doconhecimento é ineficaz, onde os instrumentos necessários para auxiliar no aprendizado sãoinsuficientes ou mesmo inexistentes, o que concorda com o que Fernández (1990, apudFERNANDEZ, 2001, p. 31-32) afirma:
  14. 14. 14Para prevenir o fracasso escolar, necessitamos trabalhar em e com a escola (realizarum trabalho em que o professor possa conectar -se com sua própria autoria e,portanto, seu aluno possa aprender com prazer, denunciar a violência encoberta eaberta instalada no sistema educativo).Ressalta-se que, para que a dificuldade de aprendizagem não se torne motivo defracasso na vida das crianças, faz-se necessário compreender o processo educativo e os fatoresque podem levar à não aprendizagem e, após a obtenção desses dados, repensar as práticaseducativas no sentido amplo, envolvendo todos os membros que compõem a escola e o meioem que este aluno está inserido, de forma a estabelecer parâmetros que permitam traçar umplano de ação capaz de contribuir para a solução de ste grave problema.As medidas de prevenção e tratamento das DAs devem envolver professores e alunos,bem como a família, para que, juntos, busquem meios eficazes para evitar que elas incidamsobre os aprendentes, ou, caso seja diagnosticada a dificuldade, que se unam todos em tornodo objetivo comum que é a extinção do problema, permitindo que a criança volte a tercondições de aprendizagem normal.Referências BibliográficasCAMPOS, Dinah Martins de Souza. Psicologia da aprendizagem. Petrópolis, Vozes, 1987.FERNÁNDEZ, Alícia. Os Idiomas do Aprendente: Análise das modalidades ensinantes comfamílias, escolas e meios de comunicação. Trad. Neusa Kern Hickel e Regina Orgler Sordi.Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.FONSECA, Vitor. Introdução às dificuldades de aprendizagem. 2. ed. Porto alegre: ArtesMédicas, 1995.OLIVEIRA, Marta Kohl de. Pensar a Educação: Contribuições de Vygotsky. In.:CASTORINA, José Antonio et al. Piaget – Vigotsky: Novas contribuições para o debate.Trad. Cláudia Schilling. 6. ed., 5. imp. São Paulo: Ática, 2003.PAROLIN, Isabel. Professores formadores: a relação entre a família, a escola e aaprendizagem. 1. Ed.. Curitiba: Positivo, 2005. – (Série práticas educativas).
  15. 15. 15PILETTI, Nelson. Psicologia Educacional. 10aEdição. São Paulo: Ática, 1.991.PORTO, Olívia. Psicopedagogia Institucional: teoria e prática e assessoramentopsicopedagógico. Rio de Janeiro: Wak, 2005.WEIL, Pierre. A Criança, o Lar e a Escola. 16aEdição. Petrópolis: Vozes Ltda, 1.994. –(Guia prático de relações humanas e psicologia para pais e professores)WEISS, Maria Lúcia Lemme. Psicopedagogia Clínica: uma visão diagnóstica dos problemasde aprendizagem escolar. 10 ed. 1ª reimp. – Rio de Janeiro: DP&A, 2004.ZELAN, Karen. Os riscos do saber: obstáculos do desenvolvimento à AprendizagemEscolar. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1993.

×