Jornal cacc pronto (revisado)

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Jornal cacc pronto (revisado)

  1. 1. Ano I - Número 1 Jornal do CACC - Medicina UFRJ A Bula ©CalouradaO CACC teve a CACC no 1º Congresso da ANELoportunidade derealizar mais umacalourada, saiba mais.Pág. 4OpressõesA Bula convida osalunos a fazer umareflexão sobre asopressões na sociedade.Pág. 5 Estudantes de todo país no congresso da ANEL (pág. 11)Greve na UFRJInforme-se sobre a E o Entulho do HU?greve dos funcionáriosda UFRJ que ocorreunos últimos meses.Pág. 8Coluna CulturalCACC inaugura suacoluna cultural comtextos sobre literaturae filmes clássicos.Pág. 7 Entulho ao lado do Hospital Universitário, presente há mais de 9 meses (pág. 6) Nessa edição temos tambémNota: As matérias publi-cadas neste jornal são de • Confira o relato da Bula sobre o Programa de Educação Médica. (pág. 9)inteira responsabilidade • Todo médico está destinado a trabalhar em um consultório? (pág. 12)de seus autores e não ex- • Na coluna do aluno o assunto é a Supervia. (pág. 13)pressam, necessariamen- • Charges e palavras cruzadas! (pág. 14)te, a posição do CACC.http://www.medicinaufrj.com cacc@medicinaufrj.com Segundo semestre de 2011 1
  2. 2. Ano I - Número 1 Jornal do CACC - Medicina UFRJ Editorial Expediente Integrantes do CACC Você está diante da segunda quase que de papel e onde muitas André (M2) edição d’A Bula sob a gestão 2010- vezes faltam médicos e insumos Angela (M3) 2011 do CACC, sendo que esta é básicos. Nossos dois últimos mi- Arthur Oliveira (M2) a primeira edição impressa (a ou- nistros da saúde afirmam que o Daniela (M3) Gabriel D. Marinho (M4) tra se encontra no blog do CA). problema da saúde é de gestão. Gabriel Keller (M3) Nossa proposta d’A Bula passa por Com tantas regionalidades/espe- Gabriel Fernandes (M2) trazer à tona alguns temas que não cificidades da experiência brasi- Gustavo Treistman (M10) se desatualizam com tanta rapidez leira em saúde, será mesmo que o Guilherme Tritany (M4) ao longo do ano e que influenciam problema é que todos os gestores Heloísa Calazans (M9) nosso cotidiano enquanto estu- de todas as unidades de saúde do Ingrid Antunes (M9) dantes, futuros médicos, jovens e Brasil durante todos esses anos Isis Altgott (M10) cidadãos. Dada a pluralidade de foram incompetentes?! Estamos Joana (M2) ideias no movimento estudantil, sendo seduzidos pela falácia de Jorge (M12) Marcella (M3) não temos a pretensão de apre- gerir a miséria enquanto a popu- Rafael Castro (M7) sentar verdades inquestionáveis lação não vem avançando con- Raquel Chaves (M3) e nem de sermos a voz fidedigna cretamente na melhoria da sua Thiago (Thico) (M4) de todos os estudantes individual- qualidade de vida, para além até Stefan Gundelach (M4) mente. A Bula é aberta a contri- da atenção à saúde. A velha “nova buições de quaisquer estudantes solução” assumiu o nome este ano Diagramação e sobre os temas que forem con- de Empresa Brasileira de Serviços Gabriel D. Marinho siderados relevantes para os mes- Hospitalares S.A., mas o nome é mos. Nossa pretensão é romper o que menos importa. Ela já foi Layout Eloísa Fróes com a inércia política da medici- Fundação Estatal de Direto Priva- na da UFRJ para que construamos do, por exemplo, mas sem grandes juntos os horizontes que almeja- alterações em sua essência. a lógica neoliberal na educação mos para a saúde, para o ensino Na educação, um corte de 30 da mesma forma que na saúde, e para a prática médica. Os temas milhões no orçamento no início fortalecendo a gestão privada e e o teor dos textos escritos pela do ano. O Programa de Reestru- desviando recursos públicos para gestão são fruto do acúmulo das turação e Expansão das Univer- essa esfera. reuniões que são abertas a voz e sidades Federais (Reuni), que Será que esse é o único ca- voto de todo e qualquer estudante. expandiu significativamente as minho possível? Será que esse é o Portanto, a construção do CACC é vagas para a universidade e criou melhor caminho possível? Melhor aberta à semelhança do seu jornal. cursos que perecem pela falta de pra quem? Hoje vivemos uma Sinta-se em casa e venha construir infra-estrutura, como a medicina mobilização dos servidores de 47 conosco! dos nossos colegas da Macaé, e universidades federais, inclusive É importante pontuarmos nos faz competir no CCS por salas da UFRJ, reivindicando reajustes algumas questões que são desdo- de aula, possui recursos limitadís- salariais atrasados, combatendo bramentos dos anos anteriores e simos. O ano de 2012 não é o fim a proposta da presidenta Dilma que possuem reflexos na UFRJ e do mundo, mas o fim do repasse Rousseff de congelamento dos sa- na medicina. A “saúde” vai bem orçamentário referente a esse pro- lários pelos próximos dez anos e e o paciente vai mal. O subfinan- grama. Ainda este ano, o governo se posicionando contrariamente ciamento da saúde é bem concre- deve aprovar o novo Plano Nacio- às privatizações. Temos os fóruns to. Muitos de nós assistiram de nal de Educação, que definirá as de saúde e de educação que têm se perto a novela do HUCFF, cujo diretrizes para as políticas públi- articulado para lutar por uma ou- primeiro capítulo é a metade de cas de educação dos próximos dez tra lógica para os direitos sociais, um edifício que sequer foi acaba- anos (2011-2020). Com relação de forma a contemplar os anseios da, passou por cenas dramáticas ao PNE anterior, sofremos uma populares. E nós ainda achamos que envolveram o fechamento do profunda derrota com o veto de que não tem jeito?! Que estamos hospital em 2008 e o abalo da es- FHC sobre os 7% do PIB propos- sozinhos? Que não há nada a fa- trutura em 2010 e teve um recen- tos para a educação. Ela se refletiu zer? Essas são apenas algumas te capítulo que foi a implosão da na distância em relação à meta questões que nos dizem respeito “perna-seca”. A realidade precária de erradicação do analfabetismo e que perpassam esta edição d’A do nosso HU corresponde à dos e inclusive em relação à meta de Bula. A gestão do CACC e o Con- demais 45 hospitais universitários ampliação do acesso ao ensino selho Editorial desejam a todos brasileiros e de outras unidades de superior (menos de metade da uma boa leitura! saúde, a exemplo das UPAs, feitas prevista). O novo PNE aprofunda2 Segundo semestre de 2011 cacc@medicinaufrj.com http://www.medicinaufrj.com
  3. 3. Ano I - Número 1 Jornal do CACC - Medicina UFRJ balancete Anual | Março de 2010 a Abril de 2011 Entradas Saídas Loja do CA-CCS R$32.767,70 Loja do CA-CCS R$24.661,36 Aluguel da Xerox R$11.850,00 Salário da Jussara R$10.353,00 Aluguel de Armários R$2.500,00 Sky R$720,00 Reembolsos de Passagens/Atividades Acadêmicas R$2.983,00 Reforma no CA do Subsolo (Eliseu) R$3.928,50 Participação nas Atividades da DENEM: Repasse do Marcílio por Festa na Prefeitura R$300,00 ROEX, CENEPES, COBEM, R$5.190,99 Seminário de Educação Médica e COBREM Calouradas Abril 2010-1, Agosto 2010-2 e 2011-1: Patrocínio Nilsão Camisas 2010-1 R$1.000,00 R$3.339,59 Festa de Recepção, Camisas, Canetas e Pastas Vendas das Camisas da Copa do Mundo R$4.420,00 Recarga do Celular do CACC R$300,00 Lucro da Festa da Copa do Mundo R$218,50 Material para Sala do CCS R$111,35 Entrada Festa Junina R$1.001,40 Investimento Festa Junina R$1.010,91 Entrada Dia Nacional do Samba R$1.700,00 Investimento no Dia Nacional do Samba R$1.602,40 Contribuições: Festa Bota-Fora M12 e Sexta de Total R$58.740,60 Samba R$950,00 Semana Acadêmica do CACC R$1.645,04 Pequenos Consertos: Sofá, Fechadura do 8º Andar R$483,30 e Dreno do Split Total R$54.296,44 Comitê de Intercâmbio A Faculdade de Medicina da UFRJ é a única do estado do para as crianças do IPPMG. E seguem aqui relatos de alunosRio de Janeiro a dispor de um comitê local da IFMSA, presente que já realizaram um intercâmbio internacional IFMSA con-em mais de 35 escolas médicas por todo o Brasil e 97 países tando sobre suas experiências!no mundo. O comitê local-UFRJ busca desenvolver projetos Interessado em participar de uma campanha ou projetosociais em nosso meio social e universitário, e mantém ativo do comitê? Vale pontos para conseguir a vaga de intercâmbio!o programa de intercâmbios internacionais da IFMSA dentro Acesse o site da IFMSA-Brazil (www.ifmsabrazil.org), conheçada UFRJ. o nosso trabalho, e venha falar sobre suas ideias com a gente. No ano passado, foi celebrado o Dia Mundial da AIDS em Nosso e-mail de contato é:um evento com exibição de filme temático e palestras sobre a ifmsaufrj@gmail.comAIDS no mundo e os tratamentos atuais. Em março deste ano,com o apoio dos alunos do CCS, foram distribuídos 160 brindes Fabrício Kuryde páscoa (incluindo chocolate e brinquedos) numa campanha Presidente do LC UFRJ Relato do Intercambista Mas é claro que deveria aproveitar mais do Egito, o que já é mais que pensado pela organização do comitê local. Rece- Egito foi pra lá que fui!! E qual foi a razão de ter escolhi- bemos uma planilha com o itinerário completo do mês inteiro.do esse país? Pois não pude escolher outros por já estar na fase Eles não deixavam tempo vago quando estávamos fora do está-de vagas remanescentes. Mas digo com muita alegria que não gio. Nosso único trabalho era preparar a bolsa com documentome arrependi. E, ainda, se alguém vier me perguntar sobre qual e dinheiro, e esperar que um integrante fosse nos pegar, levarpaís deveria fazer intercâmbio, sem dúvida nenhuma respon- ao local pretendido (na maioria da vezes eles também partici-deria Egito. pavam ). Nesse esquema pude conhecer todos, ou pelo menos Assim que cheguei ao hospital, o médico coordenador en- quase todos, os pontos turístico do Egito, não só Cairo ( cida-carregado dos intercambistas me deu atenção e se preocupou de onde fiquei). Visitei as pirâmides junto com a esfinge, andeicom minhas acomodações no alojamento do hospital. Além de camelo, museu do Cairo onde estão as múmias, ao bazar dedele, os médicos com os quais tive contato foram muito aten- Khan el Khalili,fui ao mar vermelho onde pude fazer mergulhociosos. Desde o médico mais atarefado da emergência que ain- de cilindro, Alexandria e sua biblioteca, Luxor e Assuã com seusda nos dava tarefas a cumprir, passando pelo cirurgião que nos templos.mostrava partes importantes da cirurgia a qual era o cirurgião Fiz novas amizades, árabes, paulistas, inglesas, que sei queprincipal, indo a oncologista que nos deixou preparar a sessão não os esquecerei. Nada faltou nesta viagem. Tudo isso pelade quimioterapia de uma paciente e de nos explicar a conduta IFMSA!em relação a analgesia dos pacientes terminais, e acabando como endoscopista e os ultrassonografistas que passo a passo nos Lúcia Arce, intercambista que viajou para o Egitomostravam cada estrutura.http://www.medicinaufrj.com cacc@medicinaufrj.com Segundo semestre de 2011 3
  4. 4. Ano I - Número 1 Jornal do CACC - Medicina UFRJ Uma recepção de calouros diferenciada Passar no vestibular e entrar na universidade é uma sensação ímpar – principalmente se for a universi- dade federal que você queria! Nesse momento, criam-se muitas expecta- tivas para o novo curso, visualizam- se a projeção acadêmica e a nova vida social que se seguirá – toda uma gama de novidades que instigam a disposição do recém-chegado uni- versitário. Imagine você, com todo esse rebuliço interno, que um universi- tário vai ter que esperar meio ano, literalmente, para poder entrar na universidade? É o que acontece com nossos estudantes que iniciam o cur- Ato-Festa pela Retirada do Entulho do HUCFF, durante a Calourada Unificada com o DCE so no segundo semestre: no início do ano, férias maravilhosas, em maio, sentação da gestão atual do CACC anos, e o café-da-manhã seguido de ele nunca desejou tão ardentemente e o primeiro caso clínico de tantos um debate sobre as formas opres- ter aula! com os quais eles (os calouros) vão sões instaladas na sociedade, como As aulas do segundo semestre se deparar. No entanto, essa primeira a repressão às mulheres, aos homos- deste ano estavam marcadas para atividade não foi semelhante àquelas sexuais e aos negros. Na semana se- começarem dia 8 de agosto. Por ini- desenvolvidas no curso, durante a guinte, fechamos com uma festa no ciativa do Centro Acadêmico Carlos apresentação procurou-se dar aten- Elizeu, integrando os calouros e seus Chagas, foi decidido convocar os ção especial à situação econômica veteranos. novos alunos da medicina uma se- e social dos pacientes, entendendo Os novos estudantes do primei- mana antes para situá-los dentro da essa como determinante de sua saú- ro período aproveitaram o evento, universidade, seja na localização do de. Além disso, foram organizados marcando presença na maior parte bloco B do CCS, onde passarão boa grupos de discussão sobre saúde, das atividades, participando de sua parte do seu ciclo básico, como no educação e educação médica. Ao primeira experiência em âmbito aca- âmbito do funcionamento da UFRJ. longo da semana foram realizadas dêmico e perguntando avidamen- Inicialmente, havia muita in- outras atividades: a visita-guiada, na te sobre o que os esperava naquele certeza da viabilidade de realizar qual os alunos conheceram o Hospi- período(as aulas do Manel já faziam as atividades dessa semana, mas os tal Universitário, o CCS, o bandeijão sucesso entre eles antes mesmo da calouros apoiaram e a calourada e todos os demais locais que se tor- aula deles começarem!) e sobre o fa- deu certo. No primeiro dia, a apre- narão tão familiares nos próximos migerado material de padrinho. A calourada foi bem-sucedida graças aos esforços de membros mui- to dedicados do CACC e também graças aos calouros que se fizeram presentes nas atividades montadas especialmente para eles. A gestão Lutar é Preciso agrade- ce aos estudantes do primeiro perí- odo por virem à universidade antes do previsto e deseja boas-vindas aos novos estudantes de medicina da Universidade Federal do Rio de Ja- neiro, conhecida humildemente por nós como a melhor universidade do Brasil! Arthur Oliveira (M2) Debate sobre Opressões durante a Recepção dos Calouros de Medicina 2011/14 Segundo semestre de 2011 cacc@medicinaufrj.com http://www.medicinaufrj.com
  5. 5. Ano I - Número 1 Jornal do CACC - Medicina UFRJ Se pararmos para refletir naNovas cores à calourada: real gênese do preconceito, anali- samos que as relações entre pessoas do mesmo sexo foram sempre umVocê perpetua opressões? perigo para ideologia dominante feudal ou burguesa. Afinal, “como Quando o semestre começa, dos a ouvir de “professores-cientis- poderia um homem não ‘querer’logo aguardamos nossos novos co- tas” que a atração pelo mesmo sexo exercer toda a sua potencialidade delegas chegarem, preparando o ve- se dá porque há indivíduos com um macho-alfa de ‘dominar as mulhereslho ritual de celebração e vitória, o desvio-padrão em uma curva popu- e ter herdeiros’?” Faço uma ressalvatrote. É sem dúvida um espaço de lacional de Gauss1. Bem, pensemos, que o preconceito contra as lésbicasaceitação, recepção calorosa dentro se estamos falando de um erro, ele se dá em outros formatos, e em mui-da universidade, em que todos são poderia ser consertado, não? Se não tos casos está associado ao machis-iguais e rapidamente inseridos em for possível, por que não eliminá- mo. Logo, vale na mesma moeda:um novo grupo social, amável e re- lo? Outros ainda apontariam que “como pode a mulher assumir umconfortante. Adoraria que esse boni- os gays optam por sua sexualidade. comportamento tido como mascu-to quadro representasse a realidade. Bem, será que os homossexuais não lino e dominante?”. As lésbicas são A verdade é que, hoje, em mui- têm problemas suficientes para real- ainda colocadas dentro da fantasiatas faculdades pelo país, o que há é mente escolherem agir contra uma sexual masculina, atribuindo maisum grupo de colegas – consciente ampla opressão heterossexual? uma vez a mulher e seu corpo aoou inconscientemente – promoven- Outra questão é que em uma usufruto do homem.do repressão e criando uma falsa sociedade desigual, a homofobia A falta de visão de muitos oshierarquia, assim que o trote come- e o silêncio em relação ao tema cega, a questão nunca foi a origemça. Para a maior parte dos alunos contribuem todos os dias para o da sexualidade, mas sim a sua sim-aquele evento normalmente passa aumento da desigualdade social. ples e inegável existência, aliada aoem branco, esquecido em alguma Como? Enquanto a maioria dos ho- reconhecimento de que somos to-memória nostálgica profunda, mas, mossexuais da classe média e alta dos seres humanos iguais. Vamospara outros, em especial aqueles que podem de alguma maneira exercer resumir; os homossexuais existem,se destacam na diferença, só resta sua afetividade e sexualidade dentro e eles têm o direito de não seremum pensamento negativo. do chamado mercado “pink”: nas punidos, recriminados, oprimidos Algo que, com certeza afeta a boates, na Farme com seus restau- de nenhuma forma em nenhumaentrada dessas pessoas na faculdade rantes caros, em cruzeiros e viagens situação, assim como qualquer seré a naturalização de diversas formas gays e em todos os estabelecimentos humano. Se tanto ouvimos que ade preconceito, como machismo e a “gay friendly”, a maior parte da po- UFRJ é a melhor do Brasil, que ohomofobia, que acompanham a prá- pulação – pobre, negra – não pode Fundão é uma mina de excelênciatica dos trotes do início ao fim. Se sequer “sair do armário”, e quando acadêmica, que iremos todos vingarfizermos uma análise rápida sobre saí vai a guetos, muito diferentes do como grandes médicos, peço entãoesses acontecimentos, veremos que que a classe média está acostumada. que agora parem e reflitam: quemuitas vezes há uma confusão entre Observa-se isso fortemente no local opressões você perpetua?liberdade sexual e opressão sexual, de trabalho, em que o único posto Gostaríamos que todos enten-já que as mulheres são colocadas em reservado às travestis é a prostitui- dessem, não devemos sentir vergo-posição submissa e homossexuais ção, e gays e lésbicas, muitas vezes, nha pelo comportamento de nossossão alvos de constantes piadinhas. ocupam funções inferiores receben- colegas, o que devemos fazer é nãoEpisódios lastimáveis dessas práti- do menores salários. Enquanto isso, permitir que, mesmo nas pequenascas não faltam como o “rodeio das um pequeno setor da sociedade se ações, continuem fazendo mal se-gordas” realizado na USP. apropria do tema e ganha dinheiro, mestre a semestre àqueles que aden- Como o tema da homofobia muito dinheiro com isso, através do tram a faculdade! É por tudo issotem sido levantado recentemente, mercado e das paradas gays, que que hoje o CACC defende: “Nãoconvido-os para uma breve reflexão sofrem uma despolitização e uma existe educação melhor que nãosobre esse comportamento. Primei- mercantilização brutal. combata a homofobia!”ro, é importante entender que du- Além disso, todos os dias pes-rante a sua história – sim, sempre soas são agredidas e assassinadas 1 A distribuição normal ou de Gauss é umaexistiram homossexuais – os gays por terem uma outra orientação distribuição da estatística. Nela, atribui-seforam compreendidos como um sexual. Este ano, as estimativas mos- média, e a partir dessa há uma maioria cen-desvio, um erro, sendo chamados tram que uma pessoa LGBT é assas- tral, como ‘distribuição normal’, e uma mino-frequentemente de imorais, pecado- sinada a cada 36hs no Brasil. Uma ria periférica com ‘desvio-padrão’.res e pervertidos. Atualmente, essa violência que está enraizada no seiológica se reproduz até mesmo em da sociedade e que não podemos Gabriel Marinho (M4)sala de aula, quando somos obriga- mais permitir. Isis Altgott (M10)http://www.medicinaufrj.com cacc@medicinaufrj.com Segundo semestre de 2011 5
  6. 6. Ano I - Número 1 Jornal do CACC - Medicina UFRJ Parabéns entulho pelos 9 meses de vida! No dia 19 de dezembro de Em maio, surgiram boatos certo, esta não será curta. É por isso 2010 ele nasceu, era uma manhã que nosso titânico colega seria re- que, convoco todos agora a levantar límpida e muito bonita. Como se movido do seu lugar de origem as mãos aos céus e agradecer pelo tratava de um filho planejado foi pela Cruz Vermelha, logo vimos nosso pequeno grande milagre de tudo muito rápido, algum choro no que havia algo de errado. Afinal, manter tal estrutura por tanto tem- início – era quase uma ambulância como poderia uma instituição bem po, parabéns Reitoria! Comemore de tanto que gritava –, mas logo capacitada que atua/atuou em dife- conosco! tudo era fumaça, e ele surgira. Pa- rentes desastres mundiais, que tem recia uma obra de arte, de tão belo, princípios tão nobres e bem-vindos No dia 19 de agosto, com o ani- monolítico e poderoso, seu futuro na nossa universidade, atrever-se a versário do entulho, o CACC, com prometia. removê-lo. Sem dúvida, ao se depa- o DCE, realizou uma manifestação Largando de mão a nostalgia, rar com a figura tão carismática que na forma de Ato-Festa, que contou o que nos dá mais prazer, hoje, é é nosso companheiro não tiveram com centenas de participantes, pe- observarmos o crescimento de nos- coragem de prosseguir. Bem, aqui dindo a retirada imediata do entu- so filho, se desenvolvendo, abrigan- fica o pedido para a Cruz Verme- lho, a seguinte carta foi também foi do toda sorte de fauna e bolores, se lha; não se engane, nós amamos o entregue no mesmo dia na posse do tornando um microcosmo de rica entulhinho e queremos que ele fi- diretor da faculdade de medicina. diversidade manancial – urubus, que bem aí. O entulho foi leiloado, – pelo valor ratos, cobras, etc. É sem dúvida um Hoje, escrevo essa carta para irrisório de R$1,00 – e sua retirada lugar de bem-estar e saúde, que ain- comemorar o 9º aniversário mensal começou fora dos prazos, mas está da ousa ser ecologicamente correto. do nosso querido companheiro e se dando de forma regular. Atenta- É por isso que acreditamos em sua desejar-lhe uma longa vida e mui- mos que enquanto não houver mais valorização e lutaremos com todas to sucesso em sua empreitada em entulho devemos ficar atentos e con- as forças para a sua manutenção. nossa universidade, e, se tudo der tinuar exigindo sua retirada. Nota de Indignação à Negligência da Reitoria e da Prefeitura da UFRJ em relação ao Entulho do HUCFF No final de dezembro de 2010, remanescente. Não bastasse isso, por completará 8 meses de existência, devido a uma situação emergencial muitos meses o entulho se manteve no dado esse contexto, temos uma per- – abalo na estrutura do prédio, fru- mesmo local, sem que nenhuma solu- gunta: Como podemos acreditar que, to da falta de manutenção do espaço ção fosse apresentada à comunidade aqueles que devem prezar por educa- –, a parte inutilizada do HUCFF foi acadêmica. Em abril de 2011, recebe- ção e saúde, vão nos oferecer um novo demolida a fim de preservar a porção mos a informação, através do site da hospital de ensino, se o local destina- útil de nosso hospital. Embora reco- universidade, que esta teria feito um do à sua construção continua destru- nheçamos o planejamento absurdo acordo com a Cruz Vermelha para ído, obstruído e somente causando que isso representa, pulverizando a retirada do material, e que isso se problemas? toneladas de investimento público daria em menos de 6 meses. Estamos Então, como representantes dos em poucos segundos, todos tínhamos em agosto, passados mais de 5 meses, alunos da UFRJ, o CACC, em con- o sentimento de que era uma ação ninguém se prontificou a começar a junto com o DCE, decidiu dizer um inevitável e que traria muito mais retirada, o que nos leva a crer que ela basta. Um basta à negligência da benefícios que malefícios à comuni- não ocorrerá em breve. reitoria e da prefeitura, que nos tra- dade universitária. A promessa da Os problemas que o entulho ta – alunos, funcionários e usuários construção de um novo hospital, mais gera ficam cada vez mais claros, há – como lixo, nos mantendo em meio moderno, em menor escala, melhor relatos de animais percorrendo o local ao entulho com um hospital em pés- preparado para o atendimento de e de focos de doenças infecciosas, que simas condições para a assistência à alta complexidade, significaria não evidenciam a insalubridade presen- saúde. menos que uma oportunidade de re- te – lembrando que estamos lidando Portanto, exigimos da recém- ver e refazer o como pensamos saúde com um hospital. Além disso, a pró- eleita reitoria uma resposta, através e que tipo de universidade estamos pria estrutura atrai pessoas que che- de licitação ou doação pública, para querendo construir. gam aos destroços com o objetivo de esse problema: A necessidade da reti- Porém, pouco sabíamos. Duran- coletar material para revender, o que rada imediata do entulho! te o planejamento para a demolição se soma às questões de segurança que do prédio, não foi incluído o inves- persistem no campus do fundão. Centro Acadêmico Carlos timento para a retirada do entulho No dia 19 de agosto o entulho Chagas (CACC)6 Segundo semestre de 2011 cacc@medicinaufrj.com http://www.medicinaufrj.com
  7. 7. Ano I - Número 1 Jornal do CACC - Medicina UFRJcoluna cultural Filmes Caros futuros colegas de profissão: gos-taria de vos apresentar nessa coluna um es-critor que considero essencial para o desen-volvimento da capacidade de observação daalma humana, atributo que tem especial im-portância no exercício da Arte da Medicina. O escritor russo Fiódor MikháilovitchDostoievski (1821-1881) assusta e fascina lei-tores há mais de um século. Assusta os menoschegados a livros espessos pois os grandes ro-mances do escritor o são em duas acepções:grandiosos e com elevado número de pági-nas. Já em relação à fascinação, podemos pas-sar infinitas páginas dissertando a respeito. Seu estilo chiaroscuro, definido comoRealismo Psicológico (tal qual nosso titâni-co Machado de Assis) não se limita a escolasliterárias. Sua literatura aborda o homem de Taxi Driver (1976) Bonequinha de Luxo (1961)seu tempo e trata de sua problemática social(Miséria material e moral, crime, prostitui- Quatro indicações ao Oscar. Dois Oscar: trilha sonora eção), ideológica (niilismo, ateísmo, suicídio), música.psicológica (sonhos, delírios, obsessão, lou- Diretor: Martin Scorsese. Tourocura) e até patologias (tuberculose, epilepsia, Indomável (1980), Gangues de Diretor: Blake Edwards. Victorfebres). Quanto à questão das patologias, a Nova Iorque (2002), A ilha do ou Vitória? (1982) e A panteratuberculose durante o século XIX na era pré- Medo (2010). cor de rosa (1978).antibiótica era uma doença temida, letal e as-sustadoramente comum, e é descrita de forma Sinopse: Jovem taxista de Nova Sinopse: Uma jovem socialiteprecisa nas obras de Dostoievski. O escritor York que vê em suas mãos a de Nova York se interessa porsofria de epilepsia, e retrata fielmente a do- possibilidade de atropelar toda um rapaz que muda para o seuença em diversos personagens, como Smier- sujeira, sexo e violência de sua prédio.diakov (Os irmãos Karamazov), Michkin (O cidade.idiota), Múrin (A senhoria), Stavroguin (Os Porque assistir: Porque a Holly tedemônios). Porque assistir: Porque a música encanta, porque até o gato te cha- A principal preocupação de Dostoievski te seduz, porque ela repete toda ma atenção, porque existe graçaé desnudar a psique de cada personagem que hora no filme e faz você cantaro- mesmo na loucura alheia, porquecria, mostrando seus conflitos existenciais lá-la por um bom tempo. Porque não é um filme de mulherzi-e lutas interiores, coexistência de bondade e não é sempre que se vê Robert de nha, porque vale muito a penasordidez no mesmo ser, aniquilando perspec- Niro abusando da interpretação, conhecer esse café da manha a lativas maniqueístas típicas do Romantismo, abusando dos olhares, de cada Tiffany.pintando o fantástico da realidade através de fala, usando o personagem parapersonagens humanos – demasiado huma- te conduzir por toda uma Nova Repare: Na sociedade americananos ­ a ponto de exercerem elevado poder – York. Porque não é sempre que se em seu way of live ao som decatártico sobre o leitor. vê uma mente ir se deformando Moon River. Dostoievski já prenuncia elementos da tão claramente num filme.psicanálise freudiana em praticamente todas Frase: “Faça um favor? Só meas suas obras, principalmente em Niétotchka Repare: No olhar no taxista leve para casa quano eu estiverNiezvanova (prenúncio do Complexo Edi- Travis que vai se transformando bêbada. Apenas quando eu esti-piano e das teorias acerca da sexualidade in- junto com sua mente. ver realmente bêbada.”fantil) e Memórias do subsolo (psicologia doinconsciente). Frase: “Está falando comigo? Está Os cinéfilos Para os que tiverem interesse na leitura falando comigo? Está falando Convidamos todos para odo escritor, recomendo fortemente os livros comigo? Então com quem diabosda Editora 34, da Coleção Leste, que possuem você está falando? Está falando CINE-CACC! Toda Terça-Feira às 16h30as melhores traduções e notas de rodapé. de mim? Pois eu sou a única pes- A programação se encontra no soa aqui. Com quem você pensa mural do CA do CCS! Carolina M. de Oliveira (M4) que está falando?”http://www.medicinaufrj.com cacc@medicinaufrj.com Segundo semestre de 2011 7
  8. 8. Ano I - Número 1 Jornal do CACC - Medicina UFRJ “produzindo”. A Bula Entrevista E aqueles que hoje não “pro- duzem” mais, os aposentados, tam- E a greve dos servidores? bém estão com seu futuro em risco. A aposentadoria do funcionalismo Texto baseado em entrevista com Fábio Marinho, Funcionário da passa à previdência privada a partir UFRJ e participante do Comando de Greve da Categoria. da Reforma da Previdência realiza- da em 2003, pelo governo Lula, e Quando eu me formar gostaria futuros, como nós. hoje no limitante PL 1992/07 que de prestar um concurso público, ter Ao perguntar da pauta de está pra ser aprovado. Cria mais um bom salário, ter uma aposenta- reivindicações, Fábio aponta: “Há desigualdade entre homens e mu- doria integral e ter direito de falar várias reivindicações que pra vocês lheres, passando a considerar a e me organizar caso eu e meus co- fica difícil de entender pois são mui- aposentadoria por tempo de servi- legas estejam sendo prejudicados. to específicas (do próprio funcio- ço (que é determinado pelo gêne- Mas temo que este pequeno sonho, nalismo), mas as questões centrais ro) fazendo com que as mulheres que meus pais por exemplo tive- pra vocês são o congelamento no recebam uma aposentadoria me- ram o privilégio de vivenciar (ain- investimento no serviço público (PL nor que a dos homens. Além disso, da que em parte), esteja gravemente 549/09), a previdência complemen- retira a integralidade da aposenta- ameaçado. - privilégio este fruto de tar (Pl 1992/07) e a demissão por doria, comprometendo a vida dos/ muitas lutas ao longo de nossa his- “insuficiência” (PL 248/98), projetos as aposentados/as. tória (esses singelos direitos), e hoje que tramitam hoje em caráter de ur- Há ainda outro ponto impor- são gastos aparentemente supérfluos gência no Congresso.” Ele me expli- tante: Fábio coloca a questão da no nosso país e no mundo. ca cada uma delas. privatização dos Hospitais Univer- Digo isso após procurar en- O PL 549/09 está nos termos sitários com o PL 1749/11 (reedi- tender porque os técnico-adminis- da Lei de Responsabilidade Fiscal e ção da MP 520, decreto aprovado trativos da UFRJ e de tantas outras impede no âmbito de todo o fun- por Lula no seu último dia de man- universidades e serviços públicos cionalismo público (dos três po- dato e que perdeu o prazo pra ser estão se mobilizando e encontram- deres, nas três esferas do governo) aprovado). A criação da empresa se há quase dois meses em greve. qualquer aumento dos “gastos” por brasileira de serviços hospitalares Para isso, discutimos no CACC a 10 anos (isso inclui obras, infra- (EBSERH), que ao lado de diversos questão e pude acompanhar uma estrutura, reformas e folha de pa- outros projetos privatistas da saú- reunião do Comando Local de gamento). Nossas universidades de, acaba com o sistema RJU (Re- Greve e uma das Assembleias que estarão limitadas a um desenvolvi- gime Jurídico Único) transforman- votou pela manutenção da greve mento cada vez mais precarizado e do todos/as os/as trabalhadores/as num momento delicado, o qual condições de trabalho muito pio- dos hospitais universitários em ce- colocarei mais a frente. Além disso res. A abertura de concursos pú- letistas (ou seja, sem estabilidade, fui conversar com o técnico-admi- blicos será impossível, assim como sem autonomia, com previdência nistrativo Fábio Marinho, que vem aumentos e até reajustes salariais. privada, etc etc etc). construindo a luta na UFRJ junto Isso significa, segundo Fábio, o Ao acompanhar as reuniões com outros trabalhadores da nossa congelamento dos salários e de dos trabalhadores em greve surgi- universidade. Ele me contou que a qualquer reajuste salarial, ou seja, ram ainda algumas questões. Na FASUBRA (Federação de Sindica- se a economia crescer o salário não assembleia do dia 14 de junho, que tos de Trabalhadores em Educação cresce. E se o PIB tiver resultado estive presente, havia uma questão das Universidade Brasileiras) deci- negativo, os salários ficam compro- delicada pra resolver. O Coman- diu pela greve no dia 06 de junho, metidos. do Nacional de Greve (CNG) que e a UFRJ entrou no dia 14. Só que Outra questão é a estabilidade reúne os sindicatos das universi- a greve não começou em junho, do serviço público que será troca- dades em greve havia tirado um nem mesmo este ano. Fábio conta da por cumprimento de metas de indicativo de sair da greve. Mas que a categoria negocia o reajuste desempenho, um desempenho na na verdade isso não era um reflexo salarial e correção nas distorções lógica empresarial e que possibi- do movimento nas universidades. da carreira desde 2007, última gre- lita perseguições políticas, tanto A direção de ainda grande parte ve, mas que no entanto só garantiu no que tange ao próprio direito dos sindicatos das universidades um reajuste parcelado, ou seja, a de organização dos trabalhadores compõe a CUT (Central Única dos perda salarial foi corrigida paulati- quanto à autonomia dos mesmos Trabalhadores), e esta Central tem namente até 2010 e hoje o funcio- no seu trabalho. Fábio avalia que hoje como principal estratégia de nalismo público encontra ainda vá- os trabalhadores em greve hoje, se mobilização a negociação com o rios projetos de lei que prejudicam esta lei estivesse já em vigor, esta- Governo. Negociação é uma coi- diretamente a carreira dos atuais riam com seus postos de trabalho sa boa, e o movimento hoje vem servidores públicos e também dos abalados, visto que não estariam lutando pra negociar com o go-8 Segundo semestre de 2011 cacc@medicinaufrj.com http://www.medicinaufrj.com
  9. 9. Ano I - Número 1 Jornal do CACC - Medicina UFRJverno e obter conquistas nas suas além de não negociar, o governo tismo e evasão escolar esdrúxulas.condições de trabalho. Mas o que ainda mantem uma chantagem com E o mais considerável disso tudo, éhá de mal nesses dirigentes então? os movimentos sociais em luta co- que 2/3 das metas do PNE de 2001-Na Assembleia que participei ficou locando que não negocia com quem 2010 sequer foram cumpridas, já sebem claro pra mim. Enquanto os está em greve. Ameaça ainda que há previa 7% do PIB, foram alcançadostrabalhadores em geral queriam se um prazo, tentando agilizar a saída apenas 4%, e o governo ainda pro-manter na greve, os dirigentes do da greve, mesmo com mãos vazias. mete a mesma meta para mais algu-Sintufrj tinham acabado de voltar Este prazo estaria definido pela vo- mas gerações a nossa frente...da reunião do CNG e votado contra tação no Congresso do orçamento Hoje, se ficarmos de braçosa decisão da maioria (que tinha de- de 2012, que será realizada no final cruzados esperando a roda vivacidido manter a greve na assembleia do mês de agosto. A argumentação girar, minha melhor perspectiva éanterior) e queriam suspender mais do governo é que não há verba para ter dois ou três empregos celetis-uma vez naquela reunião que lotou atender as reivindicações de todos tas, com uma previdência privada eo auditório Quinhentão com o argu- os trabalhadores em greve. Mas a com minha liberdade limitada pelamento de que era preciso negociar grande questão é a prioridade do demissão imotivada. Caso os traba-com o governo. De fato, os trabalha- governo. Enquanto se paga 49,15% lhadores não permaneçam na luta,dores querem negociar, senão não do orçamento federal pra dívida como a greve que acontece na UFRJfariam greve. Mas qual era e qual pública (ou seja, pros banqueiros e outras dezenas de universidadesé a perspectiva de negociação com e empresários), 2,92 % é investido federais, nossas universidades esta-o governo? Pouca, muito pouca. O em educação e 3,53% em saúde. E rão limitadas a um desenvolvimen-sindicato está na mesa de negocia- o novo Plano Nacional de Educa- to cada vez mais precarizado e con-ção desde março, em que antes da ção ainda prevê apenas 7% do PIB dições de trabalho muito piores. Porentrada na greve já haviam ocorrido para a educação, como meta para isso apoiamos a luta dos servidores4 reuniões de “negociação”. Mas em só 2020, além de manter políticas e também nós não podemos nosnenhuma delas nada foi apresenta- de financiamento ao ensino privado furtar de lutar contra todas essasdo ao movimento. Nem mesmo as (sustentando os grandes empresá- medidas que comprometem nossopautas das “antigas” reivindicações rios da educação) e um descaso com futuro.de 2007. Por isso mesmo o movi- a população mais marginalizada,mento decidiu pela greve. E agora, com metas de combate ao analfabe- Isis Altgott (M10)Os desafios do PEM Introdução Mudanças no M1 a Caminho articulado aos conteúdos de discipli- nas do básico e outro muito ligado a O Programa de Educação Mé- Embora tenha sido criado ba- aspectos da clínica e que podem serdica (PEM) teve início em 2008, sicamente para adequar o currículo trabalhados no ciclo profissional.principalmente a partir da urgência ao aumento do internato, o Progra- Sobre a anatomia, uma professoraapresentada pelo MEC de que todas ma de Educação Médica (PEM) tem da ginecologia apontou quais con-as escolas médicas brasileiras pas- potencial para encaminhar soluções teúdos normalmente precisam sersem a ter 2 anos de internato, e não para algumas de nossas demandas. retomados na sua disciplina, noapenas 1 ano e meio como na UFRJ. O texto aponta alguns de seus avan- M9, porque os alunos em geral jáIsso significa que os conteúdos antes ços, entraves e perspectivas. esqueceram. Criaram-se propostasministrados em 4 anos e meio terão de inclusão, como a inserção pre-um semestre a menos, gerando uma Conteúdos coce na atenção primária à saúde.dificuldade com a distribuição da Houve recentemente uma oficinacarga horária. Nas primeiras reuni- Foi considerada necessária a que levantou questões orientadorasões que discutiriam o M1 já foi con- contribuição de docentes da área para os professores identificarem ossenso a necessidade de redimensio- clínica sobre os conteúdos essenciais conteúdos essenciais.nar e integrar os conteúdos, isso já e professores como Gil Salles, Ricar-trouxe alguma espectativa de trazer do Amorim, Maria Lúcia Pimentel Formatomudanças significativas em nosso e Lúcia Azevedo, do departamentocurrículo, que sabemos ter muitos de clínica médica, se integraram. Surgiram duas propostas cen-problemas. Como todos sabem, a Houve apontamentos específicos de trais: a do prof. Manoel, seria se-maior quantidade de superposições algumas disciplinas que podem ser- quencial e hierarquizada de acordode conteúdos ocorre entre a biologia vir como experiência e exemplo. Em com a crescente complexidade dacelular, a bioquímica e a biofísica. bioquímica foram identificados dois estrutura estudada; a do prof. Cris- grupos de conteúdos: um bastante tiano, semelhante aos Programashttp://www.medicinaufrj.com cacc@medicinaufrj.com Segundo semestre de 2011 9
  10. 10. Ano I - Número 1 Jornal do CACC - Medicina UFRJ Curriculares Interdepartamentais norteadores dessa integração, que desestimulante ou excessivamente (PCIs), com a abordagem em para- julgamos importantes para expandí- exigente. Mas o quanto estamos des- lelo dos conteúdos comuns das dis- la a todas as disciplinas. perdiçando de oportunidade? ciplinas. Na tentativa de fundi-las, o No dia 09/08, após mais de um Além disso, o método cientí- prof. Manoel se comprometeu em ano de reuniões, foi apresentada fico com que temos (um precário) organizar os conteúdos de bioquí- uma proposta-síntese das discus- contato é aquele originado a partir mica, biofísica e biologia molecular sões sobre o M1. Nas duas primeiras do pensamento de Descartes, com a em uma sequência e o prof. Cristiano semanas letivas haverá aulas sobre dúvida sistemática e decomposição ficou de organizar os conteúdos de “moléculas da vida”. O M1 terá três do problema em pequenas partes. histologia, anatomia e embriologia a PCIs: da célula (bioquímica, biologia Ele representou um grande avanço partir dos cinco processos celulares celular, biologia molecular, anatomia, em relação à produção de conheci- básicos presentes na morfogênese e histologia, embriologia e genética), mentos prévia e ainda possui enorme esboçar um PCI. hemolinfopoiético (bioquímica, his- validade nas ciências biológicas. No Houve propostas menores: “áre- tologia, imunologia e embriologia) e entanto, muito do conhecimento em as verdes” - momentos para os alunos tegumentar (histologia, embriologia saúde é transversal a várias áreas do poderem se dedicar a atividades como e bioquímica). Será acrescida a disci- conhecimento, inclusive das ciências estudo em grupo ou independente; plina Atenção Primária à Saúde. Foi humanas, que possuem outros méto- espaço para atividades práticas e es- apontado o norte de diversificar as dos de formulação. É importante que tudos dirigidos; discutir a avaliação atividades e estimular a busca ativa essa discussão seja introduzida nos (sem avanços); aulas teóricas para a do conhecimento pelo aluno. Obser- PINCs, sobretudo naqueles que não turma toda e divisão para as demais vamos na proposta um esforço para são da área básica (clínicos, de epide- atividades (já acontece em algumas romper fronteiras entre as áreas do miologia, de educação médica...). disciplinas, como o PCI de urinário); conhecimento, mas lembramos que Membros do CACC colocaram pós-graduandos atuando como tuto- uma integração efetiva exige superar na reunião em que houve aponta- res/monitores nos grupos. A última o caráter meramente paralelo das au- mentos sobre pesquisa a urgência de proposta reforça a demanda de co- las dessas áreas. Nos PCIs que temos se atualizar a divulgação das oportu- brarmos que todos os envolvidos nas hoje, cada área tem suas aulas e inclu- nidades de PINC, que em sua maio- atividades estejam cientes do projeto sive suas provas próprias, com poucas ria dependem da busca particular político-pedagógico, combatendo a iniciativas de transmissão e avaliação dos alunos e passam desapercebidos fragmentação do conhecimento. do conhecimento que nos preparem pela maioria. Foi lembrada a expe- Algumas disciplinas se expuse- para a dura realidade: o paciente não riência dos mini-cursos de bioquí- ram mais, como bioquímica e genéti- é dividido em gavetinhas. mica no fim do período, em que são ca. O prof. Amílcar se comprometeu apresentadas as linhas de pesquisa. em remover as sobreposições do pro- Pesquisa, Método Centífico e PINC Os alunos, porém, apontaram que a grama de genética do M2 (ainda há concentração dos mini-cursos no fi- sobreposição de genética com biofísi- Foi manifestada em uma reu- nal do período - momento em que há ca) e afirmou que os conteúdos pode- nião do Programa de Educação Mé- várias provas, seminários e afins - os rão se incorporar a bioquímica e bio- dica (PEM) a preocupação que os tornaram pouco atrativos diante das logia celular no M1. As atividades da alunos aprendam a trabalhar com várias outras responsabilidades. bioquímica ainda são pouco diversas: método científico e utilizar bases de raras atividades práticas (como o tra- dados. Achamos que é preciso avan- Próximos Passos do PEM balho com estrutura de proteínas no çar nessa discussão. Como seria mais bloco 1) e uma bateria de aulas expo- proveitoso para os alunos se, em to- Após uma focalização na M1, os sitivas e EDs. No entanto, os blocos dos os PINCs que participassem, lhes docentes sentiram falta de algo que já 2, 3 e 4 vêm avançando na integração fosse garantido um panorama das li- vinha sendo apontado pela gestão do básico-clínico e foi criado no segundo nhas de pesquisa que seu laboratório CACC em reuniões e em conversas semestre de 2010 um bloco de pales- desenvolve e um contato permanente particulares com professores: a falta tras que abordaram, em geral, temas com a totalidade da linha de pesquisa de um projeto político-pedagógico relacionados com a clínica. Assim em que estivessem inseridos! É uma (PPP) claro e condizente com o mo- como as mudanças em genética, a perspectiva um pouco mais traba- mento em que vivemos. A partir de iniciativa conquistou muito pouco o lhosa para alunos e bem mais para os agora a prioridade será a discussão de alunado. Achamos que, em parte, por professores, mas tem chances de se exemplos de PPP escolas médicas do concorrer com diversas atividades de tornar realidade se contarmos com Brasil, de forma a embasar uma nova fim de período. Sugeriu-se como for- o apoio massivo daqueles que o CA síntese, agora de maior peso para o ma de integração que professores do representa. Entendemos que às vezes currículo como um todo: o projeto clínico coordenem a discussão de ca- é mais cômodo fazer um PINC “frau- político-pedagógico da FM-UFRJ. sos clínicos em disciplinas do básico. de”, ainda mais se houver a compen- Existem algumas iniciativas pontuais, sação através de uma bolsa, em meio André (M2) mas ainda não há princípios comuns a um currículo por vezes confuso, Ingrid Antunes (M9)10 Segundo semestre de 2011 cacc@medicinaufrj.com http://www.medicinaufrj.com
  11. 11. Ano I - Número 1 Jornal do CACC - Medicina UFRJ1º Congresso da ANEL: O novopede passagem Aconteceu na Universidade ritmo de crescimento da últimaFederal Rural do Rio de Janeiro, década demoraremos 59 anos paraentre os dias 23 a 26 de junho o 1º chegar a 30% (que era a meta paraCongresso da ANEL (Assembleia 2010). Para podermos comparar, aNacional dos Estudantes – Livre). Argentina tem 40% dos jovens noA ANEL foi fundada em 2009 e ensino superior, e a Bolívia 20,6%.tinha como objetivo ser uma enti- Logo vemos que educação nãodade alternativa à UNE, uma vez tem sido prioridade de nenhum deque esta esta que já foi tão impor- nossos governantes.tante para o Brasil hoje só defende Mas para além de apontaros interesses do governo e esquece os problemas existentes, tambémdos estudantes. A ideia é construir foram pensadas ações para lutarum movimento estudantil diferen- por melhorias. Por isso foi tira-te, que seja próximo de cada estu- do no Congresso à realização dedantes, onde haja democracia para uma jornada de luta em defesa deque todos possam se expressar e 10% do PIB para a educação, queque seja independente politica- acontecerá entre os dias 17 a 24 de Cartaz/Adesivo da campanha dofinanceiramente de governos e agosto, que terminará com uma 1º Congresso da Anel 2011reitorias. grande marcha a Brasília, para fa- Durante 4 dias cerca de 1.700 zer essa exigência diretamente ao nas chopadas, em “brincadeirasestudantes de todo o Brasil discu- governo. Também será iniciada inofensivas” que acabam por criartiram de maneira muito viva quais uma campanha por mais verbas um pano de fundo ideológico paraos problemas que enfrentamos no para a saúde pública e contra as a legitimação da violência e segre-dia-a-dia das salas de aula, quais as ameaças de privatização que esta gação. Por conta disso a ANEL sesoluções para enfrentá-los e como sofre hoje. coloca na linha de frente no com-o movimento estudantil deve se Outro ponto interessante do bate as opressões e dará uma bata-organizar para isso. Logo de cara congresso foi chegarmos à conclu- lha contra isso em cada local emdava pra perceber que os mesmos são de que as lutas estudantis não que atua.problemas se repetem em cada estão isoladas da busca por outra Por fim, aqueles que foram aocanto deste país. Falta de assis- forma de se pensar a sociedade, congresso puderam presenciar quetência estudantil (poucas bolsas, para que esta seja menos desigual ao contrário do que tentam nosbandejões insuficientes, etc), bi- e com amplas oportunidades a dizer todos os dias o movimentobliotecas defasadas, infraestrutura todos, e que assim torna-se ne- estudantil não desapareceu. Eleprecária, Hospitais Universitários cessário apoiar as lutas dos traba- segue e está se fortalecendo mui-com poucos insumos, leitos vazios, lhadores por melhores salários e to. Demos um passo importanteameaça de privatização, entre ou- condições de trabalho, sejam dos na superação dos problemas quetros problemas, evidenciaram que bombeiros do Rio de Janeiro ou temos que se expressava bastanteexiste um problema crônico de fal- os professores do ensino básico de na ausência de uma entidade na-ta de verba para a educação. Muito todo o Brasil. cional que defendesse as reivindi-também foi discutido sobre como O Congresso também foi cações dos estudantes, no entantoos governos não tem feito nada marcado por uma forte luta con- ainda temos muito o que fazer.para mudar essa situação. Durante tra toda a forma de opressão. Ao Agora temos que garantir que astodo o governo Lula, por exemplo, contrário da propaganda oficial, resoluções e campanhas tiradaso investimento em educação ficou o Brasil não é um país de todos, e no Congresso sejam colocadas emsempre em torno de 4,5% do PIB o machismo, o racismo e a homo- prática. Àqueles que querem man-(bem diferente dos 7% prometidos fobia seguem se expressando com ter as coisas como estão para quedurante a campanha eleitoral). No muita força, seja com as agressões possam tirar proveito disso temosinicio deste ano, o governo Dilma que são cotidianamente realiza- um recado a dar: saiam do nossocortou 3,1 bilhões de reais da pasta das seja com salários mais baixos caminho, pois o novo pede passa-de educação. O número de jovens que recebem esses setores. Infeliz- gem.no ensino superior ainda é muito mente isso também se reflete nasbaixo (14,4%). Se mantivermos o escolas e universidades, nos trotes, Gustavo Treistman (M10)http://www.medicinaufrj.com cacc@medicinaufrj.com Segundo semestre de 2011 11
  12. 12. Ano I - Número 1 Jornal do CACC - Medicina UFRJ Estou condenado a um consultório? A pedido do jornal A Bula, fui musicais” nas enfermarias com os Social1, fundar uma companhia que convidado a escrever sobre algu- pacientes escondido dos olhares de trabalha com saúde, seja visando mas opções alternativas ao lugar- reprovação da galera do 9D. Isso me ao lucro como à uma visando so- comum do médico na sociedade. permitiu ter uma visão de mundo cial – de preferência ambos, como Durante a faculdade, escutamos ex- que se estendia além dos papéis re- é o caso das B-Corps, L3C’s e outras plicitamente ou implicitamente que ducionistas geralmente impostos, corporações com uma nova concep- vamos trabalhar em um cenário de assim como levantar perguntas in- ção de impacto social e financeiro, o hospital, clínica, consultório do pai, teressantes, como por exemplo por- médico pode escrever projetos que dando milhares de plantões e a vida quê não lemos Paulo Freire durante misturam arte e saúde, cinema e de repente se passa inteiramente a nossa formação, mas aprendemos literatura, e tentar que tais projetos dentro de um prédio onde entra- a constituição bioquímica dos cál- sejam implementados pelo Progra- mos pela manhã e saímos à noite, culos renais (Hidroxiapatita e etc)? ma de Saúde da Família no SUS. O cansados e esperando tudo começar Se você não acha isso estranho, caro médico pode trabalhar na fronteira novamente. leitor, ou se realmente concorda que dos direitos humanos ou com os Mas não é só isso. Não precisa é mais importante saber tal infor- Millenium Development Goals das ser só isso. O médico possui, e isso é mação do que discutir Paulo Freire, Nações Unidas, como consultor ou algo que senti aqui em Nova Iorque cuidado: você está no caminho para advisor. Organização Mundial de como no Brasil, um respeito e ad- se tornar alguém extremamente de- Saúde, Organização Pan-America miração sem igual. Sua experiência sinteressante e incapaz de enxergar de Saúde, o medico pode tudo pois é muito valorizada, sua voz levada possibilidades além do lugar co- suas qualificações são muito deseja- acima de tantas outras na hora de mum. das. Tudo vai depender da sua visão importantes decisões. Mas para Em 9 meses de New York Uni- de mundo, quais são seus sonhos, ilustrar meu ponto, permita-me versity, escutei o nome de Paulo se eles se estendem além de você ou contar um pouco da história que Freire dezenas de vezes e menção se contentam com o famoso nascer hoje me traz ao jornal dos estudan- ao “Pedagogia do Oprimido” outras crescer casar reproduzir e morrer. tes de medicina. tantas... na UFRJ nenhuma, exceto Isso são só algumas possibilida- des que vão além do lugar-comum. Existem tantas outras possíveis, que fica até engraçado pensar que a medicina se reduz ao consultório, ao Samaritano ou a botar botox em gente rica. Saúde é um campo fasci- nante e amplo, pois os determinan- tes de saúde e doença são de mesma natureza, passando por decisões de estado, pela economia local e ma- cro, por educação, por informação e inclusão, por dignidade humana; besteira achar que saúde não possui raízes fortes no contexto social que nos circunda. Shakespeare escreveu que nós somos do tamanho dos nossos sonhos, e nessa perspectiva a Durante a faculdade inteira, nos corredores do NUTES onde es- pergunta se torna qual é o tamanho nunca me encaixei muito bem nos perança ainda resta! das suas aspirações. O que o médi- estereótipos médicos, não dava mo- Mas deixemos tal assunto para co pode fazer além do consultório? nitoria, resisti bravamente à força outras cartas; voltemos ao tema de - mudar o mundo. bitolante e biologizante do currícu- interesse, qual mundo existe para lo, nunca vi um episódio completo o médico além do carimbo, e mais Alexandre Carvalho, M.D. de House ou de outras séries médi- importante, além dos papéis espera- cas (chatíssimo, que me desculpem dos? Só para começar, o médico que 1 (ver Bill Drayton e seu Echoing Green os fãs); preferia a companhia de li- tem idéias criativas para promover http://www.echoinggreen.org ou mes- bertinos literários, via filmes esqui- mudanças sistêmicas e sustentáveis, mo o Acumen Fund http://www.acu- sitos, minha poesia fluía sem parar, escaláveis e replicáveis pode entrar menfund.org) ficava até as 20h fazendo “rounds no mundo do Empreendedorismo12 Segundo semestre de 2011 cacc@medicinaufrj.com http://www.medicinaufrj.com
  13. 13. Ano I - Número 1 Jornal do CACC - Medicina UFRJ intenso que dá pra pegar no ar.coluna do Aluno Aquelas tias, meio gordas, sebentas, que ficam resmungando baixinho,Supervia, superlegal só esperando a oportunidade de arranjar um barraco por qualquer coisa. Eu tenho medo. Atualmente não pode mais, por lei, ter culto no trem. Mas an- tigamente era complicado. Não vou entrar nesse assunto. Agora, o comércio. Aaaaah, o comércio. É lindo, faz inveja a qual- quer Wall Street. É ali que o capita- lismo selvagem acontece. É ali que a magia da economia tem lugar. É ali que cê pode conseguir um latão de Antártica, uma caneta-calendário, um isqueiro-lanterna ou um picolé Moleca de goiaba, leite condensado, limão ou maracujá. E o poder aqui- sitivo, hein? Rapaz, com R$ 1.00, sim, um simples real, você é rei. Dá Trem da Supervia lotado: Créditos de http://emptyencore.wordpress.com/ pra comprar uns 3 amendoins, 2 pa- çocas, 23 balas Juquinha, uma esco- Não sei quantos de vocês que tive o prazer de pegar um trem, mas va de dente, um cinto, e um Superestão lendo isso andam de trem no imagino que o primeiro pensamen- Bonder falso. Cara, eu ainda não seiRio de Janeiro. Mas aqueles que an- to de todo mundo é de que aquilo o que não se vende no trem. Temdam sabem que é uma experiência vai desmontar. A segunda coisa em desde fantoche até chave de fenda,única. que se pensa é na família, nos filhos, desde pomada-cura-tudo até ioiô. Obviamente não é “única” no nas coisas boas da vida, e em tudo Tem tudo mesmo.sentido de “uma vez só na vida in- mais que parece que você tá deixan- Agora completando, a essênciateira”, e sim no sentido de “não exis- do pra trás quando entra no vagão. do trem é que ele é a cara do subúr-te nada igual”. Antes fosse, né. Tudo, eu disse TUDO num trem foi bio. Sim, se tem um ramal da Su- Rapaz, andar de trem pode ter especialmente construído pra ba- pervia próximo de você, parabéns,várias vantagens, eu até moro mui- lançar e fazer barulho. você é suburbano, que legal. Aquiloto próximo a uma estação, pra mim Deixando de lado a parte es- cheira a malandragem suburbana. Éé uma mão na roda, mas cacete, é trutural, o que há de mais interes- a lei do mais esperto, sabe como é.uma coisa cheia de... peculiaridades. sante no trem é uma questão cultu- Uma vez eu tava andando na esta-O trem não é só um transporte. Não ral. Aliás, mais que cultural, o trem ção depois de desembarcar, só quenão, senhores. Não é só uma coisa é quase um ecossistema, sei lá. Pe- eu tava andando muito perto doque te leva pra lugares em troca do gando trem com regularidade você trem em movimento. Resultado?preço da passagem. É uma feira am- reconhece várias coisas bem, “inte- Tomei um tapão na cabeça de umbulante, é uma sauna sobre trilhos, ressantes”. desses caras pendurados na portaé uma apurrinhação automóvel, é Bem, eu sempre pego o trem (sim, o trem tem gente penduradaum pedacinho do subúrbio, que se na parte da tarde, ali, na hora do na porta, a era do surfista de tremmexe. rush. Pego o Japeri lotado, sem ar já passou). Eu realmente vacilei, até A alma do subúrbio carioca condicionado. Que tortura, cara. porque mesmo que eu tenha mora-treme com a passagem do trem. Chega a ser cômico. Eu gostaria de do na Baixada Fluminense minhaE não é tremer de emoção não, é olhar pra minha expressão de der- vida toda, eu sou lerdo. Mas eu riporque essa budega se treme toda rota nessas horas. Tá todo mundo na hora, levei na brincadeira, nãomesmo. Ô trocinho bambo, parece suado, meio fedendo. Se você não doeu, e se eu estivesse de boné nãoum chocalho. Os vagões parecem sua, não tem problema, você pega o teria sido um tapa, e sim um furto.caminhões de gado. Aliás, o povo suor dos outros, porque a essa altura Porém, existem as coisas boas,que pega trem parece gado mesmo, você é obrigado a estar tão grudado o trem é relativamente rápido, nãocom aquela expressão bovina de nas pessoas, que seus espermatozói- pega engarrafamento (apesar decansaço, se balançando junto com des (no meu caso, que sou homem) atrasar às vezes), e tem o vagão doos milhões de metais desgraçados achariam o caminho sozinhos para pagode, né.que fazem aquele barulho dos infer- uma fecundação feliz.nos. Não lembro a primeira vez que O mau humor no trem é tão Carlos (M8)http://www.medicinaufrj.com cacc@medicinaufrj.com Segundo semestre de 2011 13
  14. 14. Ano I - Número 1 Jornal do CACC - Medicina UFRJ espaço para passatempos A C 1 B D 2 3 E F 4 H 5 G 12 I 6 Cynthia B. (M12) 7 J 8 11 9 13 10 1. Hipertrofia da pele perianal, geralmente em resposta a processo inflamatório crônico. 2. Cefalosporina de 1ª geração de uso parenteral. 3. Efeito adverso comum nos ARVs. 4. Lesão dermatológica inlfematória inespecífica. 5. (?) Nigricans: alteração dermatológica associada a resistência insulínica. 6. Vacina com microorganismos inativados que atua na imunização contra 3 difer- Carlos Latuff, latuff2.deviantart.com/ entes agentes. 7. Osso da pelve. 8. Ciclo das (?): via alternativa de oxidação da glicose 6-fosfato. 9. Estreitamento. 10. Hormônio secretado pelo tecido adiposo que atua na regulação da glicemia e no catabolismo de ácidos graxos. 11. Tríade de (?): associada à hipertensão intra-craniana. 12. Centro Acadêmico de Medicina da UFRJ. 13. Vírus da Imunodeficiência Humana. A. Leishmaniose visceral. B. Reflexo de (?): geralmente presente nos 1os anos de vida.. C. (?) mediana: “linha média”. D. Um dos ossos do tarso. E. Evacuação de fezes em locais inapropriados (Ex.: roupa), freqëntemente associado em crianças à constipação. F. Sinal de irritação meníngea. G. Cirurgia de Thal- (?): tratamento cirúrgico da acalásia. H. Síndrome de hipersecreção hormonal que pode ser causa se síndrome de Túnel www.humortadela.com.br do carpo. André Dahmer, www.malvados.com.br14 Segundo semestre de 2011 cacc@medicinaufrj.com http://www.medicinaufrj.com

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