Livros da literatura brasileira

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Livros da literatura brasileira

  1. 1. LIVROS DA LITERATURA BRASILEIRA Gabriel Martins 1°EMA N°16
  2. 2. • 1°Raul Pompeia o Ateneu • 2°O Homem e sua hora – Mario Faustino • 3°Vinicius De Moraes – Nova antologia poética • 4°AUTRAN DOURADO - opera dos mortos • 5°Vidas Secas – Graciliano Ramos • 6°Jose Lins do rego- fogo morto • 7°Murilo Rubião - O Ex- Mágico • 8°Murilo Mendes – As metamorfoses • 9°Nelson Rodrigues – O vestido de noiva • 10°Adélia Prado – Bagagem
  3. 3. Raul Pompeia o Ateneu • O texto é em primeira pessoa e Sérgio, já adulto, relata a convivência em um internato, intitulado Ateneu, um ambiente corrupto e moralista, sendo dirigido pelo Dr. Aristarco, um homem que visava apenas o lucro e o ganho de bens materiais, então diretor do colégio. A cena pioneira do romance relata a ida do jovem para o internato. Seu pai o leva de encontro a um novo ambiente. Ele irá encontrar novas pessoas, até então imaturas nas suas ações, e Sérgio deve “encontrar o mundo” como afirmava o pai. É a típica cena de paternidade da época: o pai anseia em ver o filho pródigo com um futuro promissor, procura um internato para enquadrá-lo às cobranças de um mundo exigente e esmagador. “Coragem para a luta”, dizia seu pai. Sérgio atende as necessidades do pai e, ao longo de toda a narrativa, relata seus medos, decepções, as disciplinas impostas duramente, os relacionamentos e as amizades. É nítida a crítica quanto ao modo moralista e severo das instituições de elite do século XIX. De forma irônica, Aristarco representa bem o que um típico ditador assume em seu caráter. O enredo está repleto de metáforas e isso contribui para enfatizar o caráter hiperbólico da obra, marcada pelos exageros da língua. • Como um diário de bordo, Sérgio não deixa perder nenhuma memória sobre os seus dois anos no internato. O seu cotidiano, como os lazeres, os encontros, as aulas e os banhos de piscina são retratados a partir de uma perspectiva particular. O naturalismo presente dá abertura a temas como o homossexualismo e do amor imaturo, já que em suas férias, contraiu sarampo e Dr. Aristarco ficou responsável pelo menino, assim conhecendo D. Emma, mulher do diretor, apaixonando-se e desejando sempre encontrá-la. • Em uma fatídica manhã, todos gritavam por fogo, um incêndio provocado supostamente pelo novo aluno, Américo. Deixado no internato contra sua vontade, o pai do jovem Américo faz um pedido ao diretor Aristarco: ele deseja ver seu filho disciplinado às normas rígidas, curando-lhe o mau comportamento. Com o incêndio, D. Emma desaparece misteriosamente. Junto com o Ateneu, que foi destruído pelo fogo, Sérgio encerra suas memórias sobre uma vida de aprendizagem na escola. •
  4. 4. O Homem e sua hora – Mario Faustino • O jornalista, crítico e poeta Mário Faustino (1930-1962) via o escritor como um intérprete de sua época e de seu povo, fortemente ligado ao presente histórico. Ao mesmo tempo, acreditava que o poeta deveria ser capaz de identificar a beleza na tradição e seguir inovando para se projetar no futuro. Para ele, a função social do poeta era agir por meio da linguagem, modificando a língua e, por extensão, as formas de pensamento e de percepção do mundo. Suas idéias sobre poesia começaram a aparecer nas páginas do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, na coluna Poesia-Experiência, que Faustino manteve entre 1956 e 1959. Nela, o escritor criticava a letargia da poesia, da crítica e do jornalismo literários brasileiros. Defendia uma linguagem menos discursiva, que procurasse apresentar em vez de representar o objeto. Para ele, o poema era um corpo vivo, orgânico, do qual nenhuma parte poderia ser suprimida e ao qual nada poderia ser acrescentado. Por detrás dessa concepção da literatura estava o objetivo de infundir a escrita da experiência vivida e de devolver à vida o artesanato da palavra poética. De suas diversas influências, Faustino escolheu uma frase do poeta Ezra Pound como lema para a sua prática literária: "Repetir para aprender, criar para inovar". Para cumprir esse programa, o poeta utilizou procedimentos criativos típicos de outras artes - como a colagem cubista, tomada das artes plásticas, e a montagem, emprestada do cinema do diretor russo Sergei Eisenstein. Os poetas que lhe serviram de inspiração foram, principalmente, Stéphane Mallarmé e T.S. Eliot. O homem e sua hora foi o único livro de Mário Faustino publicado em vida. Este primeiro volume de sua obra poética e crítica traz também poemas esparsos, publicados entre 1948 e 1962, os "fragmentos poéticos" escritos entre 1960 e 1961, além de poemas inéditos, estabelecidos e fixados a partir dos originais guardados por seu amigo Benedito Nunes.
  5. 5. Vinicius De Moraes – Nova antologia poética • Nova Antologia Poética, de Vinícius de Moraes, é uma obra que reúne 112 poemas deste autor, reorganizados pelos poetas Antônio Cícero e Eucanaã Ferraz. Poucos poetas brasileiros aliaram grande refinamento estético a uma enorme popularidade como Vinicius de Moraes. Seus versos marcaram a literatura brasileira ao longo de mais de cinqüenta anos, e alguns deles são conhecidos até mesmo por pessoas pouco habituadas à leitura de poesia. A Nova antologia poética lança um olhar renovado sobre a produção de um dos poetas que mais influenciaram a cultura brasileira do século XX, tanto na literatura quanto na música popular. A poesia de Vinicius de Moraes (1913-1980), conforme ele mesmo afirma no prefácio de suaAntologia poética, divide-se em duas fases que traduzem posturas diferentes frente à vida e à criação lírica:
  6. 6. AUTRAN DOURADO - opera dos mortos • Ópera dos Mortos é uma obra prima de rara e triste beleza escrita por Autran Dourado. A história, a vida e a amplidão da condição humana no interior de Minas. • No sobrado da família Honório Cota restou a filha Rosalina, o imponente relógio-armário parado na hora da morte de sua mãe, as flores de pano e a escrava Quiquina que se encarrega de vendê- las pelas ruas da cidade por onde Rosalina raramente aparece, sempre trancada entre as paredes sufocantes, as lembranças da família, dos mortos e do passado até aparecer Juca Passarinho. • A monotonia, a solidão, a bebedeira a empurram para os braços de Juca, que a via o dia inteiro como uma senhora encastelada em sua soberba, mas a noite a embriaguez transforma em flor de encantos e sedução. Apesar da marcação cerrada da escrava muda Quiquina a vigiá-la com os olhos, pois a boca não podia falar, a desgraça recai sobre a sua menina. • Por ordem de Quiquina só resta a Juca Passarinho carregar o pequeno e macabro embrulho na calada da noite para enterrar nas voçorocas, verdadeiras goelas plantadas na terra que avistara pela primeira vez ao chegar na cidade. Mas a coragem lhe falta e Juca Passarinho cava a terra vermelha do cemitério com as próprias mãos, ali deixa o fruto do amor proibido antes de fugir daquela cidade, tão sozinho como surgiu. • Rosalina passa a visitar o cemitério nas caladas da noite com seu vestido branco, sua flor de pano no cabelo e sua cantilena triste assombra quem a ouve. • No final do romance, desfeitos os mistérios que envolvem a ensandecida e infeliz cantilena, Rosalina é conduzida para longe da cidade para nunca mais voltar.
  7. 7. Vidas Secas – Graciliano Ramos • Fabiano é um homem rude, típico vaqueiro do sertão nordestino. Sem ter frequentado a escola, não é um homem com o dom das palavras, e chega a ver a si próprio como um animal às vezes. Empregado em uma fazenda, pensa na brutalidade com que seu patrão o trata. Fabiano admira o dom que algumas pessoas possuem com a palavra, mas assim como as palavras e as ideias o seduziam, também cansavam-no. Sem conseguir se comunicar direito com as pessoas, entra em apuros em um bar com um soldado, que o desafiaram para um jogo de apostas. Irritado por perder o jogo, o soldado provoca Fabiano o insultando de todas as formas. O pobre vaqueiro aguenta tudo calado, pois não conseguia se defender. Até que por fim acaba insultando a mãe do soldado e indo preso. Na cadeia pensa na família, em como acabou naquela situação e acaba perdendo a cabeça, gritando com todos e pensando na família como um peso a carregar. Sinha Vitória é a esposa de Fabiano. Mulher cheia de fé e muito trabalhadora. Além de cuidar dos filhos e da casa, ajudava o marido em seu trabalho também. Esperta, sabia fazer contas e sempre avisava ao marido sobre os trapaceiros que tentavam tirar vantagem da falta de conhecimento de Fabiano. Sonhava com um futuro melhor para seus filhos e não se conformava com a miséria em que viviam. Seu sonho era ter uma cama de fita de couro para dormir. Nesse cenário de miséria e sem se darem muita conta do que acontecia a seu redor, viviam os dois meninos. O mais novo via na figura do pai um exemplo. Já o mais velho queria aprender sobre as palavras. Um dia ouviu a palavra "inferno" de alguém e ficou intrigado com seu significado. Perguntou a Sinhá Vitória o que significava, mas recebeu uma resposta vaga. Vai então perguntar a Fabiano, mas esse o ignora. Volta a questionar sua mãe, mas ela fica brava com a insistência e lhe dá um cascudo. Sem ter ninguém que o entenda e sacie sua dúvida, só consegue buscar consolo na cadela Baleia.
  8. 8. Jose Lins do rego- fogo morto • Celeiro renomado da região, Mestre José Amaro vive nas terras pertencentes ao Seu Lula. A dedicação do homem ao ofício consome a saúde, conferindo-lhe um aspecto doentio. Mora inicialmente com a filha Marta, uma solteirona que acaba enlouquecendo, e com a mulher, Sinhá. José Amaro reside na beira da estrada, localização que favorece o contato com vários personagens que passam pelo caminho. Entre as principais figuras com as quais desenvolve suas conversas estão o Capitão Vitorino Carneiro da Cunha, de quem se apieda pelo modo como é tratado pelo povo da região; o cego Torquato e Alípio, mensageiros do Capitão Antônio Silvino, cangaceiro temido da região. O mestre admira e respeita o cangaceiro, por considerá-lo o vingador dos pobres e explorados. Em certo momento, Marta tem um forte ataque de convulsão nervosa e José Amaro a espanca no intuito de curá-la. Em virtude de seu semblante doentio e da insônia, que o leva a vagar pelas madrugadas nas ermas estradas da região, José Amaro é amaldiçoado pelo povo, que o acusa de ser um lobisomem. Homem orgulhoso, que sempre se gabava de trabalhar apenas para quem lhe aprouvesse, o mestre se indispõe com o dono da terra em que vivia, de onde acaba sendo expulso. A tragédia do personagem se completa com a internação da filha, que enlouquece, e com a fuga da mulher, que teme sua figura doentia e vai aos poucos acreditando nas histórias do povo, até enxergar no marido a figura maldita do lobisomem. Seu fim trágico só será revelado na terceira parte do livro: entregue à própria sorte, José Amaro é preso e humilhado pela tropa do Tenente Maurício, acusado de colaborar com o Capitão Antônio Silvino. Perdido irremediavelmente o orgulho, único bem que possuía, o mestre se suicida.
  9. 9. Murilo Rubião - O Ex- Magico • O livro desigual de Murilo Rubião (O ex-mágico – Editora Universal – Rio, 1947), hesitante na realização técnica e artística e lembrando por demais as experiências de 22, contém, entretanto, alguns contos interessantes e um, pelo menos, delicioso: o que deu nome ao volume. Delicioso e profundo. Eis um mágico que se cansa de fazer mágicas. Torna-se funcionário público e quando, para justificar uma estabilidade que não tem, resolve fazer a grande mágica, aquela mediante a qual tirará do bolso um título de nomeação de mais de dez anos, nada consegue. Perdeu o dom da mágica, esmagado pela burocracia e pelo amor infeliz que o manteve preso tanto tempo ao emprego. Só então compreende o mágico o que poderia ter realizado com seus dotes de feiticeiro: “arrancar do corpo lenços vermelhos, azuis, brancos, negros; encher a noite de fogos de artifício; erguer o rosto para o céu de deixar que, pelos lábios saísse o maior dos arco-íris jamais visto. Um arco-íris que fosse de um extremo a outro do mundo e cobrisse todos os homens”, realizar poesia, em suma, poesia para os velhos e crianças, os que as demais seduções do mundo já não tentam e os que ainda têm virgens os sentidos. Todo o passado do mágico fora uma manifestação de poder, mas de sua força criadora ele só tirara um mínimo concreto, coelhos, pombos, lapiseiras, guloseimas. E de ter ao alcance das mãos essas vulgaridades o entediara até o desejo do suicídio. Não percebera que na criação da beleza desinteressada é que estava a salvação. É possível que o conto do sr. Murilo Rubião não tenha intenções filosóficas tão transcendentes. Pouco importa. Como toda verdadeira obra de arte permite a quem procura entrar na sua intimidade uma grande latitude de interpretação. [Nem sempre, porém, são os seus contos tão acessíveis assim. Outros, como “A Casa do Girassol Vermelho”, se desenvolvem numa atmosfera de surrealismo quase impenetrável. Então a riqueza de imaginação do autor é que nos comove, sua gratuidade literária é que nos encanta. São pequenos poemas em prosa às vezes, devaneios sem ligação aparente, imagens soltas cuja fluidez é quebrada de quando em quando por violentos absurdos que são como advertências de um pudor arisco contra o sentimentalismo ameaçador.] É esse medo da banalidade piegas, da confissão pessoal, uma das características da poesia das novas gerações, escrevam seus poetas em prosa ou em verso. Mas a atitude de permanente controle e desconfiança nem sempre pode ser mantida. Então sobe lentamente uma vaga de angústia, maré montante que tudo submerge e provoca acentos de um desespero tanto mais denso quanto refreado, tanto mais intenso quanto sem as válvulas de escape para as explosões líricas. O conto que se intitula “Marina, a intangível” começa com esta imagem convincente: “Antes que eu tivesse tempo de abrir a janela e gritar por socorro, o silêncio me envolveu completamente”. Continuar nesse tom fora entregar-se, tornar-se talvez ridículo nestes tempos de escárnio e desmoralização. Que a piada intervenha, portanto, o paradoxo, que a confusão reine sobre a superfície das águas, afastando as inteligências maliciosas, capazes de descrever em todas as suas minúcias os mais complexos processos psicológicos e sociais, pois antes de passar por louco, fechado em seu hermetismo, eu por tolo... As irreprimíveis solicitações da angústia, do tédio, da melancolia, do amor insatisfeito, da insolubilidade no mundo falso, virão à tona sob a forma agressiva da sugestão vaga, da alusão esotérica, e então os papéis serão invertidos, o burguês é que ficará com medo do mistério, e sairá “pelos jornais” a denunciar o “olho de Moscou”.
  10. 10. Murilo Mendes – As metamorfoses • Publicado originalmente em 1944, AS METAMORFOSES é considerado, pelos críticos, um dos livros mais importantes do poeta mineiro Murilo Mendes. De caráter extremamente social, o livro traz poemas como A liberdade e A vida cotidiana e faz parte do projeto da Editora Record de recolocar no mercado as obras do poeta modernista. As novas edições contam com um projeto gráfico da artista plástica Regina Ferraz e prefácios de estudiosos e críticos da obra de Murilo Mendes. AS METAMORFOSES é o terceiro da série, logo após Poesia e liberdade e Tempo Espanhol, já publicados, e traz introdução de Fábio de Souza Andrade. Com o modernismo brasileiro, surgiram alguns poetas que estão entre os melhores de nossa literatura. Um deles é Murilo Mendes, que se situa ao lado de nomes como Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Nascido em 1901, na cidade mineira de Juiz de Fora, e falecido em 1975, em Lisboa, depois de morar por 18 anos em Roma, Murilo Mendes publicou seu primeiro livro, Poemas, em 1930, ano em que também estreou em livro Carlos Drummond de Andrade. Saudada com entusiasmo por Mário de Andrade, a poesia de Murilo Mendes já surgia como uma das mais representativas de sua geração. Ao longo de sua carreira, a melhor crítica brasileira - Antonio Candido, Otto Maria Carpeaux, José Guilherme Merquior, Davi Arrigucci Jr. - ressaltou sua importância fundamental.
  11. 11. Nelson Rodrigues – O vestido de noiva • A peça :-; Vestido de Noiva ; tem, em seu cenário, três planos que se intercalam: o plano da alucinação, o plano da realidade e o plano da memória. Alaíde, moça rica da sociedade carioca, é atropelada numa das noites do Rio. No plano da realidade, jornalistas correm para se informar e publicar em seus jornais o fato, enquanto médicos correm para salvar o corpo inerte da mulher, jogada numa mesa de operação, entre a vida e a morte. No plano da alucinação, Alaíde procura por uma mulher chamada Madame Clessi, sua heroína, que foi assassinada no início do século, vestida de noiva, pelo seu namorado. As duas se encontram e conversam. Um homem acusa Alaíde de assassina, e ela revela a Madame Clessi que assassinou o marido Pedro com um ferro após uma discussão -; o plano da memória reconstitui a cena. Mais tarde, ambas percebem que o assassinato de Pedro não passou de um sonho de Alaíde. Enquanto os médicos tentam quase o impossível para salvá-la da morte no plano da realidade, Alaíde e Madame Clessi conversam no plano da alucinação, tentando se lembrar do dia do casamento da primeira, e de duas mulheres que estavam presentes enquanto Alaíde se preparava para a cerimônia: a mulher de véu e uma moça chamada Lúcia. Ambas são, na verdade, a mesma pessoa: a irmã de Alaíde, que reclama o fato desta ter lhe roubado o namorado. Segue-se uma série de intercalações entre os planos: no plano da realidade, o trabalho dos médicos para reanimar Alaíde, e dos jornalistas querendo informações sobre a tragédia do atropelamento. Nos planos da alucinação e da memória, a história de Madame Clessi, com seu namoro com um jovem rapaz e sua morte, se funde com a de Alaíde no dia do casamento com Pedro. Segue-se a discussão com Lúcia minutos antes da cerimônia, que a acusa violentamente de ter lhe roubado o noivo. O casamento acontece, e Alaíde se vê vítima de uma conspiração entre Lúcia e Pedro, que pretendem matá-la para ficarem juntos. No plano da realidade, Alaíde morre na mesa de operação. Enquanto Alaíde assiste com Madame Clessi cenas de seu enterro e de sua discussão com Lúcia momentos antes do atropelamento, quando jura que mesmo morta não a deixaria ficar com Pedro. Lúcia, no entanto, casa-se com Pedro, mesmo tendo em sua mente a imagem de Alaíde com seu vestido de noiva.
  12. 12. Adélia Prado – Bagagem • "Bagagem" é o livro de estreia da escritora cearense Adélia Prado e foi publicado em 1976 sob recomendação do grande poeta Carlos Drummond de Andrade. A obra é dividia em quatro grandes seções: a primeira e maior delas é "O modo poético", que, como o próprio nome diz, tem diversos poemas onde a principal preocupação é a definição da linguagem, do fazer poético e também de buscar e definir o papel da autora como mulher e poetisa; em seguida tem-se "Um jeito e amor", com grandes poemas amorosos; a terceira e quarta seções são chamadas "A sarça ardente" e divididas em parte 1 e 2, e trazem poemas cuja temática básica é a memória. Por fim, há uma quinta parte, "Alfândega", que é composta por somente um poema homônimo. A poesia de Adélia Prado nasce de um movimento dos poetas mineiros que pretendia resgatar o lirismo na literatura brasileira. Suas principais temáticas são referentes ao papel da mulher em uma sociedade extremamente machista e que, por conseguinte, não dá espaço para as mulheres. Em seus poemas, há uma grande identificação do eu-lírico feminino com as mulheres comuns do dia-a-dia: a filha, a mãe, a esposa. Assim, na medida em que a poeta se aproxima das mulheres comuns e dá voz à elas, a poética de Adélia apresenta um forte caráter feminista e de luta, uma vez que através da poesia ela reclama um lugar igualitário para a mulher na sociedade. Outra característica muito marcante na poesia de Adélia Prado é a questão da religiosidade. Em "Bagagem" pode- se essa presença religiosa na obra nas epígrafes de cada parte do livro, que são trechos retirados da Bíblia, e também nos inúmeros poemas com menções a Deus. Além dessas referências explícitas, nota-se nos poemas que tratam do fazer poético que para Adélia o dom da poesia é de inspiração divina e é uma "sina" ("Com licença poética") que deve ser carregada. Em outros poemas, Adélia Prado brinca com a relação sagrado versus profano para refletir sobre os dogmas pregados pelo misticismo católico e seu lugar na sociedade contemporânea.

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