Anais de resumo 2011

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O 15º Encontro do Proler de Joinville, 2º Seminário de Práticas Leitoras e 2º Seminário de Pesquisa em linguagens, leitura e Cultura – Leitura, Sujeito e Diversidade - tem a proposição de discutir questões que envolvem leitura/sujeitos/diversidades culturais, para ampliar espaços de compreensão do mundo que facilitem a convivência, gerando atitudes mais conscientes e, portanto, realizadoras de políticas que promovam a dinamização da leitura como móvel transformador da sociedade.
O evento prevê a discussão e a fortificação da proposta de política de leitura para a região, integrando instituições educacionais e culturais: Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE, SESC, UNIMED, Secretarias Municipal e Estadual de Educação, da Fundação Cultural de Joinville e Bibliotecas públicas e escolares.
A implementação de Políticas de Leitura para Joinville e Região prevê ampliar condições efetivas que permitam às pessoas reconhecer seus direitos e deveres e refletir com relativa autonomia e capacidade crítica sobre informações que circulam nos meios de comunicação, fruir e valorizar os bens culturais produzidos em seus espaços (re) significando suas vidas.
O encontro instituirá um diálogo entre as contribuições teóricas e as necessidades de nossa sociedade de vencer os problemas de acesso à leitura, partindo do princípio de que os espaços de circulação da leitura e a discussão sobre políticas /teoria/métodos são caminhos para a (re)criação da realidade social.

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Anais de resumo 2011

  1. 1. ISBN - 978-85-87977-93-9 Organizadora:Taiza Mara Rauen Moraes 1
  2. 2. ISBN - 978-85-87977-93-9 Organizadora Taiza Mara Rauen Moraes Realização Universidade da Região de Joinville - UNIVILLEPrograma Nacional de Incentivo à Leitura - PROLER Reitor Paulo Ivo Koehntopp Vice-Reitora Sandra Aparecida Furlan Pró-Reitora de Ensino Ilanil Coelho Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação Therezinha Maria Novais de OliveiraPró-Reitora de Extensão e Assuntos Comunitários Berenice Rocha Zabbot Garcia Pró-Reitor de Administração Raul Landmann Joinville 2011 2
  3. 3. ISBN - 978-85-87977-93-9 Comitê PROLER Joinville Cássio Correia Eliana Aparecida Quadra Correia Eliete Terezinha Philippi Fábio Henrique Nunes Medeiros Helga Tytlik Hilda Maria Girardi Medeiros Marilene Gerent Rita de Cássia A. Barraca Gomes Taiza Mara Rauen Moraes Valéria Alves Comissão Científica Regina Back Cavassin Rosana Mara Koerner Taiza Mara Rauen Moras Equipe de Apoio Fábio Henrique Nunes Medeiros (PROLER) Jussara Cascaes (Eventos) Sônia Regina Biscaia Veiga (PROLER) Diagramação Gabriela HullerCampus Joinville - Rua Paulo Malschitzki, nº 10 Campus Universitário - Zona Industrial Joinville SC - CEP: 89219-710 Fone: (47) 3461-9000 | Fax: (47) 3473-0131 3
  4. 4. ISBN - 978-85-87977-93-9 APRESENTAÇÃO O 15º Encontro do Proler de Joinville, 2º Seminário de Práticas Leitoras e 2ºSeminário de Pesquisa em linguagens, leitura e Cultura – Leitura, Sujeito e Diversidade -tem a proposição de discutir questões que envolvem leitura/sujeitos/diversidadesculturais, para ampliar espaços de compreensão do mundo que facilitem a convivência,gerando atitudes mais conscientes e, portanto, realizadoras de políticas que promovam adinamização da leitura como móvel transformador da sociedade. O evento prevê a discussão e a fortificação da proposta de política de leitura para aregião, integrando instituições educacionais e culturais: Universidade da Região deJoinville – UNIVILLE, SESC, UNIMED, Secretarias Municipal e Estadual de Educação, daFundação Cultural de Joinville e Bibliotecas públicas e escolares. A implementação de Políticas de Leitura para Joinville e Região prevê ampliarcondições efetivas que permitam às pessoas reconhecer seus direitos e deveres e refletircom relativa autonomia e capacidade crítica sobre informações que circulam nos meiosde comunicação, fruir e valorizar os bens culturais produzidos em seus espaços (re)significando suas vidas. O encontro instituirá um diálogo entre as contribuições teóricas e asnecessidades de nossa sociedade de vencer os problemas de acesso à leitura, partindodo princípio de que os espaços de circulação da leitura e a discussão sobre políticas/teoria/métodos são caminhos para a (re)criação da realidade social. 4
  5. 5. ISBN - 978-85-87977-93-9 2º Seminário de Pesquisa em Linguagens, Leitura e Cultura ÍNDICEA MANIFESTAÇÃO LITERÁRIA NA INTERNET: BLOGS COMO FERRAMENTADE CRIAÇÃO ARTÍSTICA .................................................................................... 6ANÁLISE SEMIOLÓGICA DO “MONUMENTO AO FUNDIDOR”: REIFICAÇÃODO MITO DO TRABALHO .................................................................................... 7AS NARRATIVAS AFRICANAS NA SALA DE AULA: A PRESENÇA DO GRIÔNA VOZ DO PROFESSOR................................................................................... 8CONTADOR DE HISTÓRIA: UM ANIMADOR DE “PALAVRAS”? ....................... 9ECOS E RESSONÂNCIAS EM YUXIN............................................................... 11IDAS E VINDAS, MITOS E MEMÓRIAS............................................................. 12IDENTIDADES OU AVATARES? CONSTRUÇÕES IDENTITÁRIAS NOCIBERESPAÇO. ................................................................................................. 13JOINVILLE: CENAS E CENÁRIOS DA CIDADE EMOLDURADA PELOSCARTÕES-POSTAIS .......................................................................................... 14O RITMO: UM FENÔMENO PARADOXAL ........................................................ 15O TRANSCURSO DO SIGNFICADO NOS CONTOS DE CLARICE LISPECTOR............................................................................................................................ 17PATRIMÔNIO CULTURAL E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS ........................... 18REFERENCIAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE SENTIDO: UMA ANÁLISE DEFORMAS NOMINAIS DE IMPLICAÇÃO ANAFÓRICA DE JORNALISMOONLINE .............................................................................................................. 19TEMPO/ANIMA, METRÔNOMO DA ARTE DA ANIMAÇÃO .............................. 20UMA PERSPECTIVA SOBRE A APROPRIAÇÃO DO PATRIMÔNIO PELAINDÚSTRIA CULTURAL..................................................................................... 22 5
  6. 6. ISBN - 978-85-87977-93-9 A MANIFESTAÇÃO LITERÁRIA NA INTERNET: BLOGS COMO FERRAMENTA DE CRIAÇÃO ARTÍSTICA Philipe Macedo Pereira Projeto de Pesquisa de Iniciação Científica – PIBIC/FAP/UNIVILLE Orientadora Dra. Taiza Mara Rauen MoraesRESUMOO advento da pós-modernidade trouxe inúmeras revoluções à humanidade, dentreelas a internet, que conecta o mundo de forma irremediável. Um dos setoresprivilegiados por esse instrumento foi o da produção cultural que permitiu uma maiordivulgação de obras artísticas, incluindo-se aí a literatura. Tendo em vista queatualmente a internet proporciona contato com uma gama variada de autores, aproposta da presente pesquisa é entender a cibercultura e divulgá-la aosacadêmicos de Letras da Univille, para dessa forma inseri-los no contexto deprodutores de cultura ao produzirem textos por meio de blogs. Visto que a Literaturatem papel fundamental na construção social de um indivíduo, é significativo quefuturos professores saibam como trabalhar com a nova mídia e conheçam, de fato,seu valor para a estruturação leitora de um sujeito, não se atendo somente aostextos impressos. Além disso, trabalhar com a produção de literatura será uma formade aprimoramento criativo. Quanto à metodologia, a pesquisa se dá através deencontros que visam à discussão da literatura em suporte digital através de blogs,sendo utilizados textos tanto de autores da região de Joinville como também deoutras regiões do Brasil, dessa forma também divulgando os trabalhos de outrosescritores através de postagens dos endereços no blog destinado aos estudos.Através do trabalho com a hipertextualidade, pôde-se observar como se dá aconstrução dos textos escritos em plataforma digital, a sua diferença em relação aomeio impresso, sua alinearidade. Durante os encontros, é possível aos participantesestabelecer comparações entre estilos literários de autores da região e de outroslocais do país. A importância do projeto está na valorização da Literatura, adescoberta de novos autores e no despertar do potencial de escrita dos acadêmicosem Letras da Univille, sendo que os mesmos poderão ter seus escritos, produzidosdurante os encontros, postados no blog. A coleta de dados é feita pela análise das“postagens” e do grau de envolvimento dos acadêmicos de Letras com o meiovirtual. Os resultados esperados são o estímulo à cibercultura e avaliação dainfluência da cibercultura no meio acadêmico. Até o momento observa-se a interaçãodos participantes através da elaboração de textos e das discussões durante osencontros, e está em processo de criação uma obra hipertextual, uma produçãocoletiva que consista em uma série de pequenos contos e interligações entre osblogs dos acadêmicos de Letras da Univille.Palavras-chave: Internet, blog, hipertexto 6
  7. 7. ISBN - 978-85-87977-93-9 ANÁLISE SEMIOLÓGICA DO “MONUMENTO AO FUNDIDOR”: REIFICAÇÃO DO MITO DO TRABALHO. Eliana Terezinha Viana Moser Mestranda em Patrimônio Cultural e Sociedade Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE Orientadora Dra. Taiza Mara Rauen MoraesRESUMOO presente resumo visa abordar um recorte da pesquisa de mestrado intitulada“Análise Semiológica dos Monumentos ao Imigrante e ao Fundidor: uma experiênciaestética dos sentidos”. Nesta comunicação farei a apresentação de uma análisesemiológica como metodologia de leitura e investigação de uma das obrasselecionadas: o Monumento ao Fundidor, erguido em 1979, no Bairro Boa Vista,criado por Paulo da Siqueira. Artista nascido em Chapecó, o qual foi escolhido portrabalhar com sucatas de ferro, numa perspectiva do movimento do construtivismoartístico. O propósito da pesquisa foi investigar o monumento numa perspectivasemiológica, a relação contextual, histórica, estética e de linguagem. Osmonumentos são portadores de linguagens e de significados, por meio destes épossível se reconhecer os discursos de regularidade enunciativos, bem como, osistema mítico imbricados nestas obras; é uma linguagem que precisa serdecodificada, a qual transcende o significante, relacionando-se com o significado egerando a cada representâmen um novo signo, daí forma-se o sistema designificação. O desvelamento do sistema de significação não se esgota no encontrode um sentido, pois, o mesmo é ressignificado a cada leitura, se configura umcontinuum. Barthes (2007, p.11) coloca que “a semiologia tem por objeto, qualquersistema de signos, que se constituem como linguagem, como sistema designificação.” Assim, o estudo deste monumento, erguido em 1979, revela como acidade funcionava, na qual, assim como no cenário do país, vinha se implementandoa política do Nacional Desenvolvimento, em que a meta política e econômica erarumo ao progresso e ao futuro por meio do trabalho, da ordem e da harmonia. Acompreensão deste sistema de significação, pela semiologia, enquanto ciência daobservação, é captada pela poiética do artista, investigando a escolha dos materiais,do tema e do conteúdo, o que valoriza a obra. A leitura do sistema mítico permitereconhecer como é trabalhado e entender que o monumento foi erguido parasignificar pela escolha do local, materiais, discurso enunciativo, tema e conteúdopropostos. Da relação do que está posto no plano da expressão com o que está noplano de conteúdo é possível ler “o não dito” no plano de significação. A relevânciadesta pesquisa consiste em apontar uma nova perspectiva de enxergar de olharsobre os patrimônios culturais existentes na cidade de Joinville, sejam estes, decaráter histórico, artístico ou arquitetônico, pois é por meio do deslocamento doolhar, que se vai além do que é apresentado no significante, daí se reconhecem asformas de legitimação do discurso do poder e da exploração.Palavras Chave: Patrimônio Cultural; Leitura semiológica; Monumento ao Fundidor:Leitura; 7
  8. 8. ISBN - 978-85-87977-93-9 AS NARRATIVAS AFRICANAS NA SALA DE AULA: A PRESENÇA DO GRIÔ NA VOZ DO PROFESSOR Sonia Regina Reis Pegoretti Mestranda em Patrimônio Cultural e Sociedade Universidade da região de Joinville - UNIVILLE Orientadora Dra Sueli de Souza CagnetiRESUMOA oralidade é um dos pilares da educação africana. As sociedades africanas aindapreservam a oralidade como um valioso patrimônio e têm na figura do griô uma fonteinesgotável da cultura do seu povo. Os griôs são grandes contadores de histórias ese utilizam de linguagem refinada do seu idioma, para que os jovens possam imitá-lo, construindo sentenças semanticamente corretas e com coerência lógica. Essasnarrativas além de educar os mais jovens também servem de educação continuadaaos mais velhos. Essa figura que parece estar tão distante do mundo ocidental nosrevela que ainda temos necessidade de nos reunirmos para contar histórias, aexemplo do que acontece entre professores e alunos nas salas de aula. O retorno(ou à permanência) à ancestralidade, com a troca, a sinergia dessa relação, aindanos emociona. O contato, o tom de voz, o gesto utilizado pelo professor em muito seassemelha ao nosso griô africano. A imaginação simplesmente voa ao lermos umbom livro aos nossos pequenos. A ressignificação da arte da memória peloprofessor, levando e trazendo belas histórias aos seus alunos, pode colaborar paraalém da educação formal. A mediação do professor entre “a realidade” e a “palavrainventada” das histórias faz trazer de volta a vontade de perpetuar saberes, construirvalores, saborear um mundo sem limites. Assim, essa teia pode ser construída numvai e vem de modo significativo, levando adiante os saberes das gerações passadase da nossa própria geração com sensibilidade, desse modo mantendo viva atradição do griô africano. No contexto das africanidades, falar dessa memória éarriscar-se em terreno ainda desconhecido por muitos. É dar saltos sem saber ondese vai parar. Temos dificuldade de compreensão da nossa realidade social comonação, cheia de diversidade, mas também cheia de abismos. A inspiração no griô, ocontador de histórias, dá-se nesse sentido. Suas múltiplas funções na sociedadeafricana traduzem sua importância, assim como o professor para a cultura ocidental.A idéia é colocar em prática alguns preceitos vividos pelos povos africanos, como ouso da oralidade durante as aulas, para contar e narrar histórias vividas ou ouvidas,bem como suas próprias experiências individuais, familiares ou relativas a outrosgrupos. O uso dessa palavra pode ser tanto do professor como do seu educando,assim como o respeito por quem fala, democratizando assim o uso da palavra nasala de aula. Por último, fica o desejo de que os professores não sejam merosagenciadores da lei 10639/03 - que ora se instaurou – e, sim, que possam serdisseminadores de um debate que está longe de ter fim. Esperamos ainda que asinquietações e que a temática da cultura africana não cessem por falta de vozes queas propaguem e que venham à tona em muitos outros encontros e discussões.Palavras-chave: Griô africano; Literatura oral; Professor. 8
  9. 9. ISBN - 978-85-87977-93-9 CONTADOR DE HISTÓRIA: UM ANIMADOR DE “PALAVRAS”? Fábio Henrique Nunes Medeiros Doutorando em Artes Cênicas Universidade de São Paulo - USP/FAPESPRESUMOEssa reflexão, teórico-poética, tem como abordagem o contador de histórias comoanimador (no sentido de dar alma) de palavras. O objetivo desse texto é perfurarminhas questões sobre o contador/animador. O contador de histórias se utiliza deanimação. A priori, poderíamos mencionar dois suportes para animar: a palavra (quedorme na boca do imaginário ou livro) e as formas (bonecos, adereços, umainfinidade de coisas). “A fala humana anima, coloca em movimento e suscita asforças que estão estáticas nas coisas” (HAMPATÉ BÂ, 1982:186). Tudo no universo“é fala que ganhou corpo e forma” (idem). O contador desprende anima de si para oselementos de seu uso, inclusive a própria palavra que já tem uma potência de animaimpregnado. Mas não apenas, objetos, bonecos, máscaras, entre outros elementospodem ser animados pelo contador de histórias. O ato de ler, decodificar, decomporestá desprovido do som da palavra oral e do gesto e, com isso, escorregam algunsdos seus sentidos orgânicos. Isso porque essa palavra não respira só. É como se oleitor tivesse que fazer uma respiração boca a boca artificial. O contador corta,amassa, modela, esculpe, afina, pesca, desenha, escreve as histórias com intençãoque elas voem em ouvidos, em olhos e nos corpos, como ocorreu no seu. Nessaperspectiva, para ele, a palavra é matéria maleável. O ato de contar histórias é umaprática animista, pois o animismo parte da lógica de animar o inanimado, de darvida. Não que um texto não tenha vida, mas ele dorme e precisa ser iluminado pelaanima, seja ela, vinda do ouvinte, leitor, ou mediador, que nesse caso é o contadorde histórias/animador, que vai pegar a palavra e acordá-la, dar intenção, darrespiração e, com isso, movimento. “Dentro da tradição oral, na verdade, o espirituale o material não estão dissociados” (HAMPATÉ BÂ, 1982:183). “A força daeloquência consiste na capacidade de guiar as almas, aquele que deseja tornar-seorador deve forçosamente conhecer quais formas existem na alma” (PLATÃO,2004:114). O homem sempre contou histórias (guiou almas/anima), e as paredesdas cavernas na pré-história, livro dos mortos, papiros e pergaminhos egípcios, asmitologias greco-romanas e outras, iluminuras, “Sherazades”, “Homeros”, culturaságrafas e gráficas, etc. comprovam isso. As histórias só existem porque existe quemas conte, quem as anime - existe o homem. Elas são os testemunhos dos sonhoscom diversas máscaras: às vezes de textos, outras da oralidade, música, teatro,desenho e assim, sucessivamente, vestida de várias formas. O “texto” seja de queforma for, está ali, mas potencializar-lhe vida e acordá-lo é função docontador/animador. “O testemunho, seja escrito ou oral, no fim não é mais que otestemunho humano, e vale o que vale o homem” (HAMPATÉ BÂ, 1982:181).Segundo Hampaté Bâ (1982), numa versão africana da gênese, acreditava-se queforam depositados três potenciais (forças) no homem: o poder, o querer e o saber,que permanecem dentro dele até o momento em que a fala venha colocá-las emmovimento. “Vivificadas pela palavra divina, essas forças começam a vibrar. Numaprimeira fase, torna-se pensamento; numa segunda, som; e, numa terceira, fala. Afala é, portanto, considerada como a materialização, ou a exteriorização, dasvibrações das forças” (Idem: 185). 9
  10. 10. ISBN - 978-85-87977-93-9Palavras-chave: Contador de histórias/animador; Anima.Referências: HAMPATÉ BÂ, A. Tradição Viva In: História Geral da África - vol. I,Ática/UNESCO, São Paulo/SP, p.181-218,1982.; PLATÃO. Fedro. São Paulo: MartinClaret, 2004 10
  11. 11. ISBN - 978-85-87977-93-9 ECOS E RESSONÂNCIAS EM YUXIN Gabriela Cristina Carvalho Mestranda em Literatura Brasileira Universidade Federal de Santa Catarina - UFSC /CNPQRESUMO“No tempo da mãe da mãe da mãe da mãe” (MIRANDA, 2009, p.17)... A narrativaYuxin (2009), de Ana Miranda, é rodeada de lirismo, poesia e estranhamentos, queprovocam e evocam a musicalidade do texto, com onomatopeias ritmadas em ecos eressonâncias nos fluxos de consciência da narradora, a índia Yarina. É ela quemnos leva ao mundo de sua memória, habitado pelas lembranças, pelos mitos, pelosyuxins que assombram os vivos. A heroína borda na espera do marido, borda e trazà memória suas vivências, borda e viaja para dentro de si, se desfiando lentamente,como viagem onírica, que é a imagem em palavra, da qual sai transformada. Anoção do “eu” indígena, aqui representada, é de harmonia com o mundo, por isso alinguagem também se funde com os elementos de seu mundo; a linguagem é abertae trespassada pelos ruídos e vozes. “bordar bordar... hutu, hutu, hutu, hutu... aprendio bordado kene em dia de lua nova... bordar... bordar... achei aquele couro de cobraatrás do tear, minha avó me levou mata dentro para eu saudar Yube e aprender obordado kene” (MIRANDA, 2009, p.17). Como se bordasse a voz mítica da índia-narradora alinhavada à voz da natureza, dos animais, da chuva, do vento, dosyuxins, da floresta, de seus ruídos e silêncios, a linguagem é tecida transformando aexistência em função poética. Tal como na Odisseia de Homero, Yarina borda naespera de seu companheiro, mas é ela que se desfia em fluxos de narrativa. AcácioPiedade (2011), em artigo no qual gera uma discussão acerca de hibridismo emusicalidade, entende a memória musical-cultural, como aquela compartilhada econstituída por um conjunto imbricado dos elementos musicais e significaçõesassociadas, e é essa memória musical-cultural que seria a musicalidade; ela seria“desenvolvida e transmitida culturalmente em comunidades estáveis no seio dasquais possibilita a comunicabilidade na performance e na audição musical”(PIEDADE, 2011, p. 104). Wisnik, ao desmontar o som em seus elementosconstitutivos, aproxima a música e o corpo, a pulsação musical e a pulsaçãosanguínea, a respiração. Corpo e música estariam relacionados, o som e o pulso. Amusicalidade, para Wisnik, seria também “metáfora e metonímia do mundo físico,enquanto universo vibratório onde, a cada novo limiar, a energia se mostra de outraforma [...] o ritmo está na base de todas as percepções” (WISNIK, 1999, p.29).Diante desse contexto, em que as manifestações artísticas e, nesse recorte emespecial, a literatura brasileira promovem relações intermidiáticas, esta investigaçãoestá centrada na percepção da musicalidade presente na narrativa Yuxin, namaneira como foi construída nessa narrativa a voz feminina de uma índia brasileira ecomo elementos da musicalidade atuam construindo arranjos de significação. Nestacomunicação são apresentados dados relacionados à musicalidade presente notexto, sendo parte da pesquisa de mestrado intitulada “Traços do pós-modernismona ressignificação do passado em Yuxin”, enquadrada dentro da linha de pesquisa“Textualidades Contemporâneas”.Palavras-chave: Musicalidade; Literatura; Relações Intermidiáticas 11
  12. 12. ISBN - 978-85-87977-93-9 IDAS E VINDAS, MITOS E MEMÓRIAS Eliana Aparecia de Quadra Corrêa Mestranda em Patrimônio Cultural e Sociedade Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE Orientadora Dra. Taiza Mara Rauen MoraesRESUMOA pesquisa intitulada Idas e vindas, mitos e memórias enfoca a cultura imaterialjoinvilense através dos causos e lendas narradas sob a ótica dos idosos nascidosantes da década de 1950, abordados como manifestação e representação popular esocial da cidade. A literatura oral é investigada como representação social e literária.Através da metodologia qualitativa com o referencial teórico e da história oral, apesquisa é desenvolvida primeiro com os aspectos históricos da literatura oral,quando e porque originou a expressão e seu estudo. Explora a cultura tradicionalpopular, passada de geração em geração expressando identificações, práticas,representações, conhecimentos, técnicas e instrumentos, lugares e grupos que osreconhecem como patrimônio cultural imaterial. A narrativa transcrita para esterecorte é a lenda do Boi-de-mamão investigada através da análise das variaçõesencontradas na literatura oral. Percebeu-se nas investigações que as histórias deBois são contadas em diversas localidades, mas que apresentam especificaçõesconforme cultura, tempo e espaço em que é contada, mas que sua representaçãopode ser conservada. Esta narrativa coletada pela voz de um idoso acima de 50anos é cotejada com versões de Cascudo, Pisani e Azevedo.Palavras chaves: lenda Boi-de-mamão, memória de idosos, cultura imaterialjoinvilense. 12
  13. 13. ISBN - 978-85-87977-93-9 IDENTIDADES OU AVATARES? CONSTRUÇÕES IDENTITÁRIAS NO CIBERESPAÇO. Elisangela Viana Mestranda em Patrimônio Cultural e Sociedade Universidade da Região de Joinville – FAPESC/ UNIVILLE Orientadora Dra. Taiza Mara Rauen MoraesRESUMOEsta comunicação apresenta os resultados prévios de uma pesquisa que investiga aprodução poética da literatura contemporânea joinvilense no ciberespaço,procurando observar as influências da cibercultura nos processos de construçãoidentitária. A pesquisa é desenvolvida para o curso de Mestrado em PatrimônioCultural e Sociedade da Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE, com ofinanciamento do Edital de Bolsas 13/2009 da Fundação de Apoio a Pesquisa –FAPESC. Na sociedade contemporânea, os ciberespaços se reproduzem nainternet e tornam-se lugares de ser e estar de milhares de usuários, espaços deconstruções identitárias que flutuam e transformam-se de acordo com os trajetosque um usuário tomar. Partindo dos pressupostos teóricos de Stuart Hall, AndréLemos, Zygmunt Bauman, Nestor Canclini e Michel Foucault, foram analisadosalguns espaços virtuais como blogs, jogos MMORPG (Massively Multiplayer OnlineRole Playing Game – Jogos de Personagens On Line para Multi-jogadores) esimuladores de realidade como o Second Life observando as flutuações identitáriasdos usuários e as possibilidades de anonimato e da adoção de diferentes avatares,que intensificam os conflitos identitários e os processos de negociações culturais. Ainvestigação é geradora de questões sobre esse universo e o estudo aponta astransformações nas relações de identidade, cultura, arte e memória nacontemporaneidade.Palavras chave: Identidade, Cultura, Cibercultura, Ciberespaço 13
  14. 14. ISBN - 978-85-87977-93-9 Joinville: Cenas e Cenários da Cidade Emoldurada pelos Cartões-Postais Daniela Pereira Graduada em História Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE Orientador Msc. Fernando Cesar SossaiRESUMOVivemos em um período em que a velocidade das experiências sociais soamrapidamente em nossa vida deslizando para além de nossas expectativas, maisrápido do que imaginamos que muitas vezes, nos sentimos estranhos em nossopróprio meio e lugar social. Vivemos hoje uma nova experiência temporal, cujasrelações entre passado, presente e futuro são rearticuladas, de modo que vivamosum presentismo no qual nossas ansiedades transformam-se em tentativas de barrara efemeridade de nosso tempo. A cidade é um desses espaços onde as vivências,valores, conceitos, processos identificatórios e representações são construídas evividas. Essa cidade composta por anseios, pode ser representada de diversasformas, na clandestinidade, na subversão, nas representações visuais e estéticas,nos meios de produção institucional, dentre outros tão presentes. A cidade expostapara nós, muitas vezes exprime enquadramentos expostos pelos desejos dosplanejadores urbanos que tentam enquadrar a cidade de modo que ela por si só sejaum cartão postal, referente a uma concepção de beleza e ordem. Os usos dopassado para as representações oficiais da constituição da cidade, representamimagens da cidade não mais condizente com o tempo em que vivemos, insinuandoum interesse exposto por identificações de alguns grupos sociais. Pensando em umaferramenta de representação através da imagem, utilizada tanto no tempo presentequanto no passado, o cartão postal surge, como um meio de problematização sobrea cidade, voltando sua atenção para as condições e os processos que sustentam asoperações de produção de sentido.A presente pesquisa, realizada no ano de 2010,como Trabalho de Conclusão de Curso consistiu em problematizar, utilizando acategoria de análise de imagem, como os cartões postais da cidade de Joinville SC,do período de 1990 a 2010, se (re) significam e se apropriam da história e dopatrimônio cultural, fomentando discursos e identidades sobre a cidade, e comoocorrem as operações de sentidos dos estudantes do Ensino Médio de três escolasPúblicas da região sul da cidade em torno dessa representação. Para tanto, foramrealizadas pesquisas dos cartões postais no Arquivo Histórico de Joinville, emBancas, Museus e pontos turísticos em Joinville, assim como a utilização denarrativas orais de estudantes do terceiro ano do Ensino Médio, possibilitandoproblematizar as novas identificações e anseios sobre a representação da cidade,suas apropriações culturais, suas memórias e processos identificatórios não maiscondizentes com as imagens representadas pelos meios oficiais da cidade, expostacomo a cidade dos príncipes, das bicicletas, das flores, da dança ou, ainda, cidadegermânica.Palavras-Chave: Representações, Cartões-Postais, História de Joinville. 14
  15. 15. ISBN - 978-85-87977-93-9 O RITMO: UM FENÔMENO PARADOXAL Andréia Paris Doutoranda em Teatro Universidade Estadual de Santa Catarina – PPGT/UDESC Orientador Dr. Milton de Andrade Leal JuniorRESUMOEste resumo é parte da pesquisa de mestrado realizada no Programa de Pós-Graduação da Universidade do Estado de Santa Catarina intitulada A Escuta doSussurro: Percepção e Composição do Ritmo no Trabalho do Ator, defendida em2010. Problematiza-se o conceito de ritmo que as teorias teatrais e musicais doOcidente têm desenvolvido, uma vez que, devido à sua complexidade, encontram-seestudiosos defendendo a sua potência como elemento métrico outros comoelemento fluido. Na língua portuguesa ritmo é originado de rhythmus, palavra latinacorrespondente à grega rhythmòs que tem a mesma raiz de rhéo1 (rio) que significafluir, correr e escorrer. (BUENO, 1974: 3545 e 3550). Esta informação, inserida naetimologia da palavra ritmo sugere interpretações como a de Eugenio Barba (1936) eNicola Savarese (1945): “Literalmente, ritmo significa „um meio particular de fluir‟”(1995: 211). Assim como a de Murray Schafer: “originalmente, „ritmo‟ e „rio‟ estavametimologicamente relacionados, sugerindo mais o movimento de um trecho do quesua divisão em articulações” (1991: 87). Contudo, há outras fontes que apontam queritmo, etimologicamente, não prevê apenas o fluir. O The New Grove Dictionary ofMusic and Musicians (1980: 805) coloca que o conceito de fluir foi sendo substituídopor outro mais antigo que aproximava rhéo da raiz “ry (ery) ou w’ry” que significapuxar, prender, deter. Contudo, o dicionário não apresenta os motivos da mudança.Há ainda, como demonstra a pesquisa da Prof.ª Dr.ª Jacyan Castilho de Oliveira(2008: 40), o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa (1989), no qual consta apalavra grega rhythmòs como originária da palavra arithmetiké (aritmética), uma vezque esta contém “o elemento de composição arthimós que significa „número‟”. Alémdisso, o trabalho da pesquisadora Vilma Leni Nista Piccolo, tese intitulada UmaAnálise Fenomenológica da Percepção do Ritmo na Criança em Movimento (1993),problematiza a interpretação do conceito rhéo em sua acepção de fluência, ao citarGeorgiades, estudioso da língua grega e de música. Segundo a pesquisadora,Georgiades acreditava que a descoberta do ritmo, para o grego, não estavavinculada apenas aos conceitos de fluir e correr, mas também a um movimentolimitado, já que, neste período, “tinha-se a idéia de medida, como uma ordem rígidado movimento” (PICCOLO, 1993: 17). Portanto, aparece outra possibilidade deinterpretação da raiz grega rhéo e, consequentemente, novas interpretações para oconceito ritmo, que implicam no seu entendimento, na sua função e manipulaçãoenquanto elemento das artes como o teatro, a música, a dança e a linguagem.Diante de tudo isto, é possível perceber o ritmo como um fenômeno duplo e1 Encontrou-se outras duas formas de escrever a mesma palavra: rhein e rheein. Ambas também referindo-se àraiz grega que significa fluir. Mantém-se neste trabalho rhéo porque é a forma apresentada no dicionárioportuguês Grande Dicionário Etimológico – Prosódico da Língua Portuguesa (1974), de Francisco da SilveiraBueno. 15
  16. 16. ISBN - 978-85-87977-93-9paradoxal. Paradoxal no sentido que Gilles Deleuze (2000: 79) concebe o conceitode paradoxo. Justamente por causa desta capacidade agregadora do ritmo - unir oconstante e o mutante, a ordem e a desordem, possibilitando infinitas variações,combinações e (des)organizações dos elementos métricos e fluidos - é que tornatudo que existe único e singular.Palavras-Chave: Ritmo. Trabalho do ator. Métrica. Fluidez. 16
  17. 17. ISBN - 978-85-87977-93-9 O TRANSCURSO DO SIGNFICADO NOS CONTOS DE CLARICE LISPECTOR Jailson Estevão dos Santos Mestrando em Patrimônio Cultural e Sociedade Universidade da Região de Joinville - UNIVILLE Trabalho do Curso de Pós-Graduação em Educação - IBPEX Orientador Dr. Valdir Vegini.RESUMOEsta comunicação é um recorte de uma pesquisa que se propôs a estudar otranscurso do significado nos contos: Legião Estrangeira; Laços de Família; OndeEstivestes de Noite; e, A Via Crucis do Corpo, de Clarice Lispector. O enfoqueanalítico é no conto: Legião Estrangeira. A análise partiu de uma pesquisabibliográfica que foi feita com base em várias situações linguísticas apresentadas emoutras obras da mesma autora, bem como em outras leituras críticas. O objetivoprincipal foi fazer um levantamento de situações literárias, nas quais o trânsitosemântico acontece, e a partir daí favorecer novos conhecimentos e possibilidadesestilísticas. Procura-se abordar três análises, as quais serão tratadas em seiscapítulos. Foi desenvolvido um levantamento analítico e uma tipologia própria dasignificação nos contos, para discutir as particularidades de Clarice Lispector comrelação ao jogo semântico. Posteriormente foi investigado o transcurso dosignificado, na obra Legião Estrangeira, como uma amostra crítica de variantessemânticas em Clarice enquanto contista, bem como as diversas maneiras e figurasde linguagens usadas pela autora quando se utiliza da palavra e permite instalar otranscurso desta, e a interferência na diversidade dos discursos: a) filosófico; b)místico; c) lingüístico; d) literário. Neste sentido o trânsito aqui estudado é filosóficopela evidência da base existencialista das narrativas; é linguistico-literário, poisevoca categorias linguísticas internas e externas ao texto e muita recorrência àintertextualidade; e é místico à medida que os contos trazem à baila, histórias deverdadeiros rituais, e utilização de linguagem associados a diversos segmentosreligiosos, ainda que a autora não se mostra compromissada com nenhum deles. Oúltimo aspecto estudado foi a transição semântica, pois é por meio dela que o textofaz um convite ao leitor para construir junto, mas também, destruir, desconstruir ereconstruir num jogo entre o objetal e o subjetal como uma transcendênciarecíproca. Ao final, destaca-se a interferência do transcurso do significado noenvolvimento com uma acentuada intertextualidade que vem alicerçada, muitasvezes, na literatura clássica. O resultado primordial desta pesquisa indica oscaminhos para uma leitura em diversidade.Palavras-chave: semântica; transcurso; discurso. 17
  18. 18. ISBN - 978-85-87977-93-9 PATRIMÔNIO CULTURAL E REPRESENTAÇÕES SOCIAIS Cibele Dalina Piva Ferrari Mestranda em Patrimônio Cultural e Sociedade Universidade da Região de Joinville – CAPES/UNIVILLE Orientadora Dra. Sandra Paschoal Leite de Camargo GuedesRESUMOEsta comunicação é parte de uma pesquisa maior, ligada ao Grupo de Pesquisas“Estudos Interdisciplinares de Patrimônio Cultural” e ao Programa de Mestrado emPatrimônio Cultural e Sociedade da UNIVILLE e tem como objetivo discutir arelevância da teoria das representações sociais como instrumento importante paraos estudos ligados ao patrimônio cultural a partir dos resultados preliminares darevisão bibliográfica. As representações sociais possibilitam a compreensão e atransformação da vida social e de seus significados e podem ser definidas comocategorias de pensamento que expressam a realidade, buscam explicações ejustificativas, fomentando novos questionamentos a essa realidade. As discussõesapresentadas nesta comunicação estão baseadas, principalmente, nos trabalhos deSerge Moscovici, criador da Teoria das Representações Sociais, e de seusseguidores, tais como Denise Jodelet, Pedrinho Guareschi, Sandra Jovchelovitch,Maria Cecília de Souza Minayo e Martha de Alba, entre outros. Apesar de ternascido na Psicologia Social, a Teoria das Representações Sociais tem sido muitoutilizada em diversas áreas do conhecimento, pois além da teoria, as representaçõessociais proporcionam uma metodologia de pesquisa que pode ser utilizada em temasdiversificados. A superação da fragmentação da ciência tradicional, integrando osdiferentes saberes, é uma proposta que ultimamente vem ganhando mais força evisa articular as diferenças e possibilitar uma abordagem integrada e ampla doproblema de pesquisa. As representações sociais podem ser descritas como umaforma de conhecimento socialmente elaborado e compartilhado, uma visão demundo, que colabora para a construção desta realidade. Por outro lado, o patrimôniocultural é um dos fatores identificadores e promotores de cidadania. Através damemória histórica refletida no patrimônio cultural se dá a noção de origem e depertencimento e é esta relação do patrimônio com a identidade que legitimam suapreservação. O sujeito social sente-se possuidor de uma memória e de um passadorepresentado por este patrimônio, o que pode ou não ser compartilhado por outrosindivíduos. As Representações Sociais possibilitam compreender a forma como osgrupos sociais concebem o mundo, suas formas de se relacionar e de criar novasrepresentações. As representações sociais são um aspecto significativo para apreservação do patrimônio cultural, dando novos significados e sentidos a estepatrimônio refletindo assim o contexto histórico e cultural em que estão sendoformadas estas novas representações sobre o patrimônio cultural. Num momento,que já é chamado de “pós-moderno” por muitos, caracterizado por incertezas,mudanças constantes e identidades fluídas, as representações sociais sãoimportante ferramenta na compreensão desta nova realidade e transformação davida social e de seus significados.Palavras-chave: Patrimônio Cultural, Representações Sociais, Identidade. 18
  19. 19. ISBN - 978-85-87977-93-9 REFERENCIAÇÃO E CONSTRUÇÃO DE SENTIDO: UMA ANÁLISE DE FORMAS NOMINAIS DE IMPLICAÇÃO ANAFÓRICA DE JORNALISMO ONLINE Nívea Rohling da Silva Doutoranda em Linguística Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC Professora da Universidade da Região de Joinville - UNIVILLERESUMOO objetivo dessa comunicação é apresentar uma análise de formas nominais deimplicação anafórica no processo de referenciação e suas nuanças na construçãode sentidos em se tratando de um objeto-de-discurso específico – Barack Obama.Tal objeto-de-discurso é particularmente interessante tendo em vista que ele trazconsigo uma série de componentes icônicos de natureza social, cultural e histórica: oprimeiro negro presidente da maior potência mundial, país cuja história, como sesupõe amplamente sabido, carrega episódios emblemáticos de segregação racial.Delimitaram-se como dados de pesquisa excertos de textos publicados no jornalismoonline que tematizam a eleição presidencial nos Estados Unidos da América em2008. Analisou-se como o presidente Barack Obama foi (re)categorizado nessestextos por meio de formas nominais de implicação anafórica. A fundamentaçãoteórica se insere nos estudos sobre referenciação, concebido como atividadediscursiva, conforme proposta por Mondada e Dubois (2003). Nessa perspectiva, areferenciação é tomada como uma atividade na qual o sujeito, na interação verbal,opera sobre o material linguístico, realizando escolhas significativas para representarestados de coisas, tudo isso com vistas à construção de sentido e em função do seuquerer-dizer. Assim, nesse quadro teórico, parte-se do pressuposto de que alinguagem não se constitui em um sistema de etiquetas para referenciar as coisas domundo, e, sim, uma atividade intersubjetiva em que os sujeitos constroem, em suaspráticas discursivas, sociocognitivas e culturalmente situadas, versões públicas demundo. Os resultados da análise reiteraram as considerações dos teóricos dareferenciação no sentido de que determinadas formas de implicação anafórica,tendo em vista o potencial de recategorização do referente, atuam na construçãosociocognitiva do objeto-de-discurso. O estudo mostrou que, no processo dereferenciação, as formas nominais de implicação anafórica utilizadas em textos dojornalismo on-line foram construídas através do compartilhamento sociocognitivo deversões públicas sobre o objeto-de-discurso específico, a saber: o presidente dosEUA, “Barack Obama”. As formas de nomear esse objeto-de-discurso constituíram-se no compartilhamento sociocognitivo dos interlocutores e foram tomadas comodadas, como elementos estabelecidos na memória discursiva dos interlocutores e,por isso, foram frequentemente introduzidas nos textos jornalísticos. Ressalta-se,ainda, que o uso de tais formas anafóricas corrobora na construção daargumentatividade, pois marcam a posição do enunciador frente ao objeto-de-discurso e trazem consigo um caráter axiológico acentuado, uma vez que aointroduzir esse objeto através de itens lexicais como Messias, por exemplo, revelaum movimento de referenciar, mas também de (des)qualificar o objeto-de-discurso.Palavras-chave: Referenciação. Formas nominais de implicação anafórica.Recategorização. Objeto-de-discurso. Barack Obama. 19
  20. 20. ISBN - 978-85-87977-93-9 TEMPO/ANIMA, METRÔNOMO DA ARTE DA ANIMAÇÃO Fábio Henrique Nunes Medeiros Doutorando em Artes Cênicas Universidade de São Paulo - USP/FAPESPRESUMOEsta abordagem tem como premissa o tempo como elemento fundamental naanimação, provocada pelas seguintes questões: o tempo é uma invenção dohomem, para lhe dar sentido de busca, vida, anima. O tempo é um eventopsicossomático que envolve mente, corpo e alma, assim como ilusão e movimento?O movimento é um recurso de medida para os eventos temporais, dessa forma otempo está sempre associado à mudança, e com isso ao movimento. Essasproposições são prerrogativas para pensarmos o tempo como unidade de sentido,do ponto de vista real, virtual e representacional. Questões aqui levantadas serãodiscutidas à luz dos pensamentos contemporâneos, percorrendo essa linguagemartística enquanto conceito e técnica sob o prisma do tempo enquanto anima, bemcomo, a montagem como recurso. Para tal e por uma necessidade de delimitaçãoobservar-se-á o tempo atual ou real e virtual (DELEUZE, 2007); tempo cronológico,que não pára, e tempo fotográfico, que expõe (VIRILIO, 2008); tempo como matériaou substância, a partir de três diretrizes: o teatro de animação como arte do tempopresente, atual; o cinema de animação como arte do tempo “passado”; o teatro ecinema de animação como arte de manipulação do tempo, e temporepresentacional. É recorrente no campo da teoria da arte da animação, e mesmo nocinema, considerar o movimento como sendo síntese dessas artes. Todavia, otempo é tão síntese quanto o movimento, uma vez que o movimento se faz numtempo e espaço. No teatro de animação, o tempo está representado multiplamente,na fisiologia dos personagens (bonecos e formas); nas indumentárias e cenografia;tempo interior e exterior, podendo estar representado pela luz, etc. E de forma maisindireta: tempo/espaço/movimento - o tempo que esse gesto vai ocupar no espaço,ou seja, criando uma carga semântica de um tempo analógico. O teatro é umalinguagem do tempo presente, só existe na efemeridade do tempo atual, presente.Não se equivale à importância do tempo para o teatro de animação como para ocinema de animação. O tempo no teatro de animação é quase automático, mesmoque a mímese do movimento passe pelo domínio do tempo. Diferentemente do queocorre no cinema de animação, que também passa por esses princípiossobrepostos, o tempo e o movimento estão esquartejados, numa camadaelevadíssima de exposição. A animação no cinema é um processo de montagem demovimento que percorre um tempo. O tempo está exposto no cinema de animaçãoque é um de seus princípios base. Uma colagem, ou cálculo impreciso revela eexpõe o aparato da animação. No cinema de animação, o movimento e o tempoestão simulados quadro a quadro, milimetricamente decompostos. A automatizaçãoda máquina de captura cinematográfica sai para uma captação ou manipulaçãosegmentada. O desenho animado, stop motion, e mesmo a computação gráfica,entre outras técnicas de animação cinematográfica, são, de modo geral, análise dotempo e movimento, o tempo que precisa para fazer esse movimento, a captaçãodesse movimento no tempo. O tempo/anima é a alma, ferramenta de medidafundamental na animação, que é além da arte do movimento, mas a arte do tempo,este que pulsa antes mesmo de ser preenchido, representado por um movimento. 20
  21. 21. ISBN - 978-85-87977-93-9Palavras-chave: Tempo/anima e animaçãoReferências:AUMONT, Jacques. As teorias dos cineastas. Trad.: Marina Appenzeller. Campinas-SP: Papirus, 2004. ; DELEUZE, Gilles. A Imagem-tempo: cinema II. São Paulo:Brasiliense, 2007.; VIRILIO, Paul. O Espaço Crítico - e as perspectivas do temporeal. Trad.: Paulo Roberto Pires. 4ª reimpressão. Rio de Janeiro: Ed. 34, 2008. 21
  22. 22. ISBN - 978-85-87977-93-9 Uma perspectiva sobre a apropriação do patrimônio pela indústria cultural Maurício Biscaia Veiga Mestrando em Estética e História da Arte Universidade de São Paulo - MAC/ USPRESUMOEste estudo tem como objetivo discutir questões a respeito da apropriação do patrimôniocultural pela indústria cultural na contemporaneidade, através do turismo. De um objeto queidentifica uma localidade e deve, por isso, ser preservado, o patrimônio passa a ser tambémmercadoria, tendo, muitas vezes, seu valor histórico, artístico ou cultural transformado,prevalecendo um valor mercadológico. O turismo, inclusive, utiliza-se destes valoressimbólicos para agregar valor a um determinado local. Paralela a essa apropriação dopatrimônio, tem ocorrido nas últimas décadas uma presentificação do passado, por exemplo,na construção de monumentos e memoriais, criação de museus, filmes e novelas de época,livros trazendo novas visões sobre histórias do passado, etc. Esta proliferação de produtosmemoriais também pode ser entendida como produto da indústria cultural, pois percebeu-seque rememorar o passado era uma atividade lucrativa, porque as pessoas identificam-secom o passado e com as memórias, uma vez que muitos acontecimentos históricos fazemtambém parte da história pessoal de cada indivíduo. Entretanto, como muitos destesprodutos ligados à memória são direcionados às massas, eles acabam por não abordaraspectos históricos de maneira profunda e contextualizada, mas, geralmente, de formaanacrônica, com valores e pontos de vista da época em que foram produzidos e não daépoca referente aos acontecimentos retratados. Assim, a história e a memória tornam-seprodutos para serem consumidos, mas produtos pasteurizados de fácil assimilação. Nestecontexto, o patrimônio cultural também passa por esta pasteurização, sendo tambémtransformado em produto para consumo. Diante desta massificação, podemos perceber ofenômeno da “cidade-espetáculo”, termo utilizado por autores como Fernanda Sánchez, quepode ser entendido como a transformação da cidade e de seus monumentos, assim comooutros de seus atrativos culturais, em mercadorias. Assim, grandes obras e projetos sãorealizados na cidade para torná-la mais atrativa. Há, entre outros, dois tipos de intervençãorecorrentes: primeiramente a transformação de um patrimônio já existente como, porexemplo, grandes projetos de restauração e revitalização de centros históricos, em que sedão novos usos e significados a construções antigas. Este processo, porém, acaba por tirardelas suas funções originais e as transforma numa espécie de cenário, para atender à novafunção de atrativo turístico, ocorrendo, inclusive, a remoção da população local, ignorando aparticipação dos habitantes nativos como parte da história e da cultura. A este processo dá-se o nome de gentrificação, neologismo vindo do inglês (gentrification) que significaenobrecimento, ou seja, substituição de classes sociais mais baixas pelas classes médiasou altas. Outro problema deste tipo de intervenção é quanto à autenticidade do patrimônio,que é posta em dúvida, uma vez que ele sofre transformações tanto físicas comosimbólicas. Também, um tipo de intervenção recorrente é a construção de novos edifíciosdestinados a serem atrativos turísticos, geralmente museus ou centros culturais, e quecontam com arquitetura sofisticada ou de grande porte. Ou ainda a restauração de grandesedifícios para esse mesmo fim. Estes, embora, em muitos casos, sejam de iniciativa pública,também têm como alvo a mercantilização do espaço, o que acaba também por torná-loelitista. Assim, há um outro lado das políticas patrimoniais além da preservação comoinstrumento de cidadania, não havendo, atualmente, como desvinculá-lo do mercado.Palavras-chave: Patrimônio cultural, memória, espetacularização do patrimônio 22
  23. 23. ISBN - 978-85-87977-93-9 2º Seminário de Práticas Leitoras ÍNDICERESUMO – LEIVITURA - LEITURA VIVÊNCIA E ATITUDE ......................................... 24PROJETO – ÔNIBUS DA LEITURA – BIBLIOTECA MÓVEL ....................................... 25PROJETO PEDAGOGICO – ESPAÇO DA LEITURA ...LEITURA E ESPAÇOS ........... 31 23
  24. 24. ISBN - 978-85-87977-93-9 LEIVITURA - LEITURA VIVÊNCIA E ATITUDE LUZIA RIBA HAMMES HILDA MADALENA WEBER DE ALMEIDARESUMONo decorrer dos últimos séculos o foco da educação tem sido a leitura. Pois, atravésdela temos a possibilidade de desenvolver a imaginação e conhecer lugares,desenvolver conhecimentos e inúmeras situações que só um leitor assíduo é capazde enumerar. Se a leitura produz tantos efeitos benéficos, nos perguntamos, porque esta tarefa na maioria das escolas passou a ser apenas dos alunos? Porquenossos professores só lêem quando lhes é cobrado ou quando precisamdesenvolver algum projeto. Sentimos que há muito o professor deixou de ser modelopara o seu aluno. Assim sendo, como procuramos tornar os nossos alunos leitoresdesenvolvemos vários projetos e momentos de leitura. Pretendemos assim, tornarnossos professores disseminadores deste hábito entre eles e seus familiares.Portanto, foi implantado entre os profissionais desta instituição de ensino(professores, equipe administrativa e agentes operacionais) o Projeto Bolsa deLeitura – “Leivitura”. A bolsa da leitura tem por objetivo principal criar o hábito daleitura em todos os membros desta instituição de ensino. Procede-se da seguinteforma: temos duas bolsas para os professores do 6° ao 9° ano, duas para os do 1°ao 5° ano, uma para a equipe administrativa e uma para os agentes operacionais.Esta bolsa permanece com um membro, durante uma semana e espera-se queneste espaço de tempo o mesmo leia o livro. Passando uma semana, a bolsaretorna para a escola e outra pessoa a levará para casa e desfrutará do livro damelhor forma possível. Para a semana seguinte é feito um novo sorteio e os livroscolocados na bolsa não tem o título antecipado. Temos percebido maior entusiasmoem relação à leitura, e há a curiosidade da descoberta de novos livros, prática quetem fomentado o hábito da leitura entre os profissionais.Palavras-Chave: Leitura, Conhecimento, Prazer. 24
  25. 25. ISBN - 978-85-87977-93-9 GERÊNCIA DA UNIDADE DE GESTÃO DE ENSINO COORDENAÇÃO DE ENSINO PROGRAMA ÔNIBUS DA LEITURAPROFESSORAS: ELIETE TEREZINHA PHILIPPI HILDA MARIA GIRARDI MEDEIROS1. Dados de Identificação: 1.1 Título: Ônibus da Leitura – Biblioteca Móvel 1.2 Promotores: Prefeitura Municipal de Joinville e Secretaria Municipal deEducação. 2. Descrição 2.1 Justificativa: Considerando que a escola prepara o cidadão para a vida em sociedade, nomeio letrado, e que o equilíbrio entre autonomia escolar e educação de qualidade perpassapelas relações de ajuda no meio acadêmico, favorecidas pelo ensino-aprendizado e asinúmeras histórias de mundo que o aluno vivencia; Considerando que há uma expectativa traduzida por objetivos, competências,resultados ou habilidades regidas ao longo de um ano letivo, destacando a meta deaprender a ler e o ato de ler para aprender; Considerando que é mister ampliar a prática leitora e inseri-la enquantoProjeto Curricular, difundindo-a em todas as instâncias disciplinares e espaços democráticosdo saber; Considerando que nós, educadores, precisamos estar comungados com asreais possibilidades de atuação, modificação e transformação da realidade de nossosalunos, aliados ao avanço tecnológico e os recursos disponíveis de mídia e de mercado,para viabilizar a escola eficaz como centro de comunicação dialógica; Considerando que torna-se necessário reivindicar, sistematicamente, ascapacidades de livre expressão dos educandos, permitindo-lhes alternativas prazerosasenquanto sujeitos leitores; é que essa missão-desafio se legitima, resultando numainiciativa vinculada ao respaldo e a marca da Administração Municipal estendendo-se atodos os segmentos escolares e comunidade, comprometidos em transformar o ato de lernuma verdadeira ação cultural na cidade de Joinville e assim transformá-la na “Cidade dosLivros”. 2.2 Objetivos : .Sensibilizar, difundir e favorecer a leitura nos espaços pedagógicos e comunitários, de modo especial nas escolas municipais rurais, permitindo que a 25
  26. 26. ISBN - 978-85-87977-93-9 linguagem seja um fator interativo, ampliando o repertório dos que leem e constroem a sua própria história cidadã. .Levar aos educandos e a comunidade o valor da leitura no aprendizado e na sua própria vivência, pois o que realmente se fixa na memória é o que se vive, e o que se vive precisa de emoção. 2.3 Metodologia “Ônibus da Leitura” são dois ônibus adaptados e decorados pela Secretaria Municipal de Educação de Joinville, contando com um acervo aproximado de seiscentos títulos e que atendem 26 escolas municipais rurais e 5 escolas urbanas do 1º ao 5º ano que não possuem biblioteca escolar. Cerca de três mil crianças recebem a visita do ônibus da leitura e podem assim viver os sonhos, as aventuras, a magia e o encantamento que são proporcionadas pelos livros e por ótimas contações de histórias. Este Programa é coordenado pelas professoras Eliete Terezinha Philippi e Hilda Maria Girardi Medeiros que utilizam como recursos livros altamente selecionados, fantoches, objetos, aventais e também a música (violão e outros instrumentos musicais). O Programa teve início em 2003 e atualmente além das escolas rurais com o cronograma já estabelecido, atende-se também ofícios encaminhados por escolas urbanas, Centros de Educação Infantil(CEIS), Entidades Assistenciais e eventos realizados na cidade que envolvem a leitura como a Feira do Livro de Joinville . RELATÓRIO DE AÇÕES REALIZADAS PELA BIBLIOTECA MÓVEL As atividades desenvolvidas pelas professoras dos dois ônibus da leitura (BibliotecaMóvel) Eliete Terezinha Philippi e Hilda Maria Girardi Medeiros, tem por objetivo sensibilizar,difundir e favorecer a leitura nos recantos escolares, de modo particular, nas 27 escolasrurais, bem como a comunidade em geral. Permitindo assim, que a linguagem seja um fatorinterativo, ampliando o saber dos que lêem e constroem sua vida cidadã, fazendo deJoinville a cidade dos livros.  Ações realizadas em 2009  Foram 27 escolas rurais e quatro escolas urbanas (sem o agente de leitura) de 1ª a 4ª séries, com cerca de 2306 alunos, que quinzenalmente receberam a visita da Biblioteca Móvel, perfazendo um total de 9 visitas por escola, ao ano.  Foram 13 Centro de Educação Infantil (CEIS) visitados com cerca de 1800 crianças atendidas.  Mediante ofícios foram atendidas, oito escolas urbanas com 3000 alunos atendidos; e 7 instituições com um total de 930 pessoas.  Também participamos da Feira do Livro de Joinville, que ocorreu de 1º a 9 de abril, onde a Biblioteca Móvel recebeu um público estimado de 5000 pessoas.  Encontros de formação de leitores  Em 2009, coordenamos 8 encontros de formação, para os 60 mediadores de leitura que atuam nas bibliotecas escolares da rede municipal; os encontros tem como objetivo o entrosamento, a troca de experiências e informações 26
  27. 27. ISBN - 978-85-87977-93-9 relacionadas a área da leitura, bem como o bom funcionamento das bibliotecas escolares. Participações  Participação na Comissão do Proler, na Univille e da Feira do Livro.  De 22 a 26 de junho na Mostra do Proler.  De 26 a 30 de outubro no XIII Encontro Regional do Proler.  Participação, como ministrantes da palestra, de Contação de Histórias, no evento Fundo do Milênio; para 60 professores dos CEIS da rede.  De 22 a 24 de junho no Abril Mundo (Prolij)  2ª Conferência Municipal de Cultura de 23 a 25 de outubro.  XIV Encontro Nacional do Proler, com o tema “Políticas Publicas de Livro e Leitura no Brasil”, de 23 a 27 de novembro (RJ). Ações realizadas em 2010  Foram 175 visitas realizadas nas escolas rurais, atendendo a um total de 2500 alunos do 1º ao 5º ano, da rede.  Mediante oficio, foram atendidas 9 escolas urbanas, do 1º ao 5º ano e 3 instituições.  Foram 12 Centros de Educação Infantil (CEIS) visitados, no decorrer do ano.  Também participamos da Feira do Livro, que ocorreu de 7 a 17 de abril, onde atendemos aproximadamente um público de 6000 pessoas. 27
  28. 28. ISBN - 978-85-87977-93-9 Encontros de formação de leitores  Em 2010, coordenamos 7 encontros de formação, para os 60 mediadores de leitura que atuam nas bibliotecas escolares da rede municipal; os encontros tem como objetivo o entrosamento, a troca de experiências e informações relacionadas a área da leitura, bem como o bom funcionamento das bibliotecas escolares. 28
  29. 29. ISBN - 978-85-87977-93-9 Participações  Participação na Comissão do Proler, na Univille e da Feira do Livro.  De 8 a 10 de abril, na Mostra do Proler e Feira do Livro.  De 27 a 30 de setembro no XIV Encontro Regional do Proler.  Participação, como ministrantes da palestra, de Contação de Histórias, para os professores do Projovem.  De 17 e 18 no Abril Mundo (Prolij)  XV Encontro Nacional do Proler, com o tema “Proler e as Políticas Públicas: Caminhos da Cidadania”, de 22 a 26 de novembro (RJ).  Conferência estadual do Livro e da Leitura (Florianópolis). Ações de 2011, em andamento  No primeiro semestre, fizemos em média 4 visitas por escola, perfazendo aproximadamente 125 nas escolas rurais, e atendendo a um total de 2500 alunos do 1º ao 5º ano, da rede.  Mediante oficio, foram atendidas, 4 escolas:  E.M. Vitor Meirelles, de Jaraguá do Sul  E.M. Amador Aguiar  E.M. Sadalla Amin Ghanem  E.M. Pastor Hans Müller  E ainda mediante oficio, foram atendidos 4 Centros de Educação Infantil (CEIS), ao decorrer do primeiro semestre:  CEI Raio de Sol II  CEI Parque Guarani  CEI Sigelfrid Poffo  CEI Peter Pan Lar Abdon Batista CREAS – Bem Estar Social  Também participamos da Feira do Livro, que ocorreu de 1º a 10 de março, onde atendemos aproximadamente um público de 7000 pessoas.  Participação na festa do trabalho, da RIC Record – Expoville. Reuniões com os mediadores de leitura:  18/03 – Mitra Diocesana de Joinville 29
  30. 30. ISBN - 978-85-87977-93-9  29/04 – Midas  19/08 – Midas Reuniões da Comissão do PROLER 30
  31. 31. ISBN - 978-85-87977-93-9 CEI ESPAÇO DA CRIANÇA PROJETO PEDAGOGICO – ESPAÇO DA LEITURA... LEITURA E ESPAÇOS... Solange Cararo da Silva e Aline Cristina Araujo dos Santos BispoPROBLEMATIZAÇÃO:Desenvolver um trabalho educativo com crianças de 0 a 5 anos, nos permite deparara todo momento, no cotidiano desse espaço, com novos olhares docentes para oimaginário infantil, para seus desejos, seus interesses, incentivando elaboraçõespróprias, fantasias, experimentações em seus tateios no mundo. O professordesequilibra-se a partir da escuta constante, em perceber formas tão peculiares deapreender o mundo já pronto. Diante das possibilidades de constantes interaçõesentre o professor e crianças, crianças-crianças na Educação infantil, qual seria afunção desse lugar? Quais práticas pedagógicas adequadas à escuta das vozesinfantis, não tolhendo ou excluindo tamanha riqueza desse universo peculiar?JUSTIFICATIVA:A função da Educação Infantil além do atendimento e do cuidado, também se voltapara a proposição de experiências educativas significativas, como um espaço quepossibilita a ampliação das capacidades de comunicação e expressão da criança,bem como ajuda a criança a entender, interpretar e representar a realidade. Dentroos objetos do conhecimento temos a Linguagem Oral e Escrita. Quanto mais acriança puder falar em situações diferentes, como contar o que aconteceu em casa,dar um recado, explicar um jogo, pedir uma informação, ouvir e recontar umahistória, mais poderá desenvolver suas capacidades comunicativas de maneirasignificativa. O contato com livros de histórias, textos, jornais, gravuras, contos,poemas, parlendas, trava-línguas levam as crianças a perceber a função social daescrita e os aspectos sonoros da linguagem, como ritmo e rimas, além de questõesculturais e afetivas. A leitura e‟ um momento em que a criança pode conhecer aforma de viver, pensar, agir e o universo de valores, costumes e comportamentos deoutras culturas situadas em outros tempos e lugares que não seu. A partir daí elapode estabelecer relações com sua forma de pensar e o modo de ser do gruposocial ao qual pertence. Ter acesso à literatura e dispor de informação culturalalimentam a imaginação. Surgindo então o projeto Espaço da leitura...leitura eespaços...para estimular na criança o prazer pela leitura, um processo ligado àparticipação em práticas sociais de leitura.OBJETIVOS:- Incentivar a leitura visual e o contato com diferentes livros;- Tornar a leitura um ato prazeroso;- Possibilitar a integração dos pais com os filhos através do projeto de leitura, paraque se torne um hábito de família;- Propor a troca de livros entre as crianças;- Montar no CEI um espaço coletivo destinado a práticas de leitura;- Estimular a construção de cantos de leitura nas salas de aula;- Realizar passeios de estudos em outros espaços de leitura formalmenteconstituídos;- Criar espaços diferenciados para momentos de contação de histórias fora da salade aula;- Participar de varal literário ; 31
  32. 32. ISBN - 978-85-87977-93-9- Fazer exposições de livros diversos;- Promover a feirinha de livros infantis para crianças e familiares;- Socializar o prazer da leitura levando os livros para serem também lidos em casacom a ajuda e participação dos pais ou outro familiar.METODOLOGIA:- A aplicação do projeto possibilitará que os alunos realizem um trabalho coletivo, noqual haja o envolvimento de todos em sala de aula, estimulando a integração eparticipação dos pais na vida escolar dos filhos;- Por meio de inúmeras atividades, os professores proporcionarão o contato com oslivros e textos escritos. O material escrito será apresentado às crianças de forma adespertar a curiosidade das crianças;- Orientação quanto aos cuidados com os livros e com os textos escritos, poisregistram ideias de alguém e podemos aprender com elas e nos divertir.- Com a ajuda dos pais e das crianças montar na sala de aula um espaço destinadoaos livros, onde as crianças, sempre que quiserem, terão acesso a eles (tapete daleitura, estantes,almofadas,suporte de livros);- Através de sugestão dos professores a das crianças se escolherá um espaçodestinado à leitura coletiva. Após a escolha, toda a equipe participará da adequaçãodo espaço, deixando alegre, colorido e divertido;- A coordenação pedagógica juntamente com os professores realizará o empréstimode livros para as crianças que os levarão em sacolas de pano (ecologicamentecorretas), sendo estas decoradas pelas crianças. (Este item sugere a questãoecológica do reaproveitamento de sacolas plásticas as quais causam danos ao meioambiente).- A família participará fazendo a ponte da oralidade com o que está escrito: lendo einterpretando as histórias para a criança, bem como preenchendo uma ficha deleitura que destaca o nome do livro, autor e ilustrador;- De tempos em tempos, num espaço aproximado de três meses, acontecerá aFEIRINHA DO LIVRO com representantes de editoras. As famílias serãocomunicadas com antecedência do evento para que possam juntamente com acriança adquirir um livro ou uma coleção com preços acessíveis (R$ 1,00);- Com a colaboração dos pais se realizarão visitas programadas à Biblioteca PúblicaMunicipal, à Biblioteca da Escola Municipal Amador Aguiar, à Feira do livro na PraçaNereu Ramos, à Livrarias Curitiba e Midas;- E assim, diferentes atividades estarão presentes no cotidiano da instituiçãooportunizando a criança e os familiares a se identificarem com o mundo dos livros.PERÍODO DE APLICAÇÃO:Este projeto se iniciou no ano de 2006, sendo que continua em plenodesenvolvimento em 2011, uma vez que toda essa experimentação se apresentoude forma positiva, tornando-se permanente e presente na dinâmica pedagógica dascrianças.AVALIAÇÃO:Interesse das crianças e entusiasmo com as atividades do projeto, nas etapas deimplantação e continuidade. O processo avaliativo das crianças, pais, professores,equipe técnico –pedagógica se tornou essencial, pois permitiu modificar, executarajustes e planejamentos de novas situações. 32

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