COMPORTAMENTO ALIMENTAR DO CONSUMIDOR IDOSO



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Comp Consumidor Idoso

  1. 1. COMPORTAMENTO ALIMENTAR DO CONSUMIDOR IDOSO Resumo: O presente artigo teve como objetivo identificar os hábitos alimentares do consumidor idoso, apresentando quais os principais alimentos consumidos nas quatro refeições diárias e quando, onde, com quem e como consomem tais alimentos. O estudo empírico foi conduzido junto a uma amostra de 96 idosos dentro de duas lojas de hipermercados, utilizando-se de questionário estruturado com perguntas fechadas. Os dados mostram que grande parte dos entrevistados apresentam uma preocupação com seu bem estar físico e alimentação saudável. Conclui-se que com esta preocupação, os entrevistados não estão aderindo à nova tendência presente em países desenvolvidos e em grandes centros urbanos do Brasil, nos quais o consumo de alimentos tradicionais vem sendo substituído por alimentos industrializados e de fácil preparo. 1. INTRODUÇÃO Nas últimas três décadas, a sociedade vem passando por transformações que têm reflexos, direta e indiretamente, nos hábitos alimentares da população. Estas mudanças podem ser exemplificadas no aumento da alimentação fora de casa, na maior participação da mulher no mercado de trabalho, na urbanização, na busca pela melhoria da qualidade de vida e no aumento da população idosa (NEVES; CHADAD; LAZZARINI, 2002). Bleil (1998), ao estudar as mudanças que vêm ocorrendo nos hábitos alimentares dos brasileiros, constatou que a população dos grandes centros está incorporando progressivamente novos hábitos alimentares típicos de países desenvolvidos. Produtos tradicionais da cozinha brasileira como o arroz e o feijão, por exemplo, tiveram seu consumo reduzido, dando lugar aos congelados e aos alimentos industrializados prontos para o consumo. Além disso, houve um aumento no consumo de alimentos do tipo fast-food, especialmente nas grandes cidades. Este comportamento é fruto do modo de vida tipicamente urbano, que é caracterizado, principalmente, pela escassez de tempo para o preparo e consumo de alimentos, pelo vasto leque de itens alimentares disponíveis, pelo arsenal publicitário associado aos alimentos e pela crescente individualização dos rituais alimentares (GARCIA, 2003). Muitas vezes, a quantidade e a qualidade do que se come não está adequada às necessidades reais do indivíduo, principalmente à medida em que se envelhece, pois a absorção dos nutrientes pelo organismo é menor. Nesse sentido, os idosos devem ter uma maior preocupação com a alimentação, adotando uma dieta balanceada e rica em frutas, legumes e verduras, reduzindo a ingestão de gorduras, diminuindo o consumo de sal e evitando o açúcar (HIRSCHBRUCH; CASTILHO, 1999). As pessoas idosas ativas e com boa alimentação são mais saudáveis. Alem disso, os ábitos alimentares são adquiridos na infância e adolescência, na idade madura são poucas as modificações destes hábitos (EXTON-SMITH, 1995). Em alguns segmentos de idosos pode- se encontrar resistência em adquirir novos hábitos, devido à cultura alimentar e à consolidação de práticas estabelecidas e simbolicamente valorizadas por eles (GARCIA, 2003). 1
  2. 2. Qualquer forma de comportamento relacionado à escolha de alimentos resulta da interação de três fatores: a comida em si, o consumidor e o contexto ou situação dentro da qual esta interação acontece (Figura 1). Estilo de Vida Demografia Cultura CONSUMIDOR Aparência Onde Cheiro Quando ALIMENTO CONTEXTO Nutrientes Como Textura Com Sabor quem Fonte: adaptado de GAINS (1994) e MEILSELMAN (2003) Figura 1: Fatores que Influenciam a Escolha de Alimentos Alimento, consumidor e contexto formam um conjunto de fatores que influencia o processo de decisão do cliente em relação a alimentos. Os alimentos apresentam características sensoriais (as quais, é claro, dependem do consumidor), composições nutricionais, imagens, embalagens e preço. Já os consumidores têm personalidades, humores, status, culturas e hábitos que afetam suas reações em relação à diferentes tipos de alimentos. O “Contexto” é um conjunto de variáveis que abrange: onde, quando, circunstância e de que maneira o alimento é consumido pelo indivíduo. Buscar compreender o comportamento do indivíduo significa discutir os fatores acima (GAINS, 1994). Diversos autores utilizam o modelo de Gains de forma a entender o comportamento de consumo. Meilseman (2003), analisa o efeito do local onde se come sobre o comportamento do consumidor (em casa, em festas ou em restaurantes) e afirma que um dos fatores dominantes é a expectativa do consumidor em relação ao local. Becker (2000) também faz uso desse modelo para avaliar os fatores que influenciam o consumo de carne bovina. Este estudo pretende identificar os hábitos alimentares da pessoa idoso e verificar se o seu comportamento é influenciado pelas mudanças ocorridas nas últimas décadas, sobretudo em função de grande parte da população brasileira residir em grandes centros urbanos. 2. MÉTODO 2
  3. 3. Para identificar os hábitos alimentares de idosos, optou-se por um estudo descritivo transversal único, que consiste na extração de uma amostra de entrevistados da população- alvo, sendo as informações obtidas somente uma vez (MALHOTRA, 1999). O universo foi definido como: idosos de ambos os sexos, pertencentes às classes sociais A, B e C. O critério adotado para classificar uma pessoa como idosa foi o do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE (2002), que a define como aquela que possui 60 anos ou mais de idade. Com relação às classes sociais, utilizou-se o critério Brasil da Associação Brasileira dos Institutos de Pesquisa de Mercado-ABIPEME (2003), que define classes por meio do nível de renda. No Brasil, estas três classes sociais respondem por cerca de 65% da população brasileira, de acordo com a Associação Nacional de Empresas de Pesquisa-ANEP (2002). O cálculo do tamanho da amostra foi baseado em uma população infinita, adotando um erro amostral de 10% e nível de significância de 5%, obtendo, assim, 96 pessoas. A coleta dos dados foi feita em duas lojas de duas redes de hipermercados de Campo Grande/MS, respectivamente. A escolha desses locais (no interior de lojas) justificou-se pela maior facilidade de acesso dos pesquisadores à amostra escolhida, procedimento adotado por Lichtentein, Ridgway e Netemeyer (1993), e por estas lojas estarem localizadas em áreas freqüentadas por clientes das classes sociais escolhidas. A escolha dos elementos da amostra dentro das lojas foi aleatória. O questionário foi construído com base no modelo original de Gains (1994). O Quadro 1 ilustra as dimensões abordadas, bem como as variáveis correspondentes e as respectivas proxies adotadas neste estudo. Após a aplicação de um pré-teste junto a 10 elementos da população alvo, chegou-se à versão final do questionário, incorporando alterações necessárias e eliminando questões ambíguas. A aplicação do instrumento de coleta foi realizada pelos próprios pesquisadores na primeira quinzena do mês de setembro de 2003, no período matutino e vespertino, de segunda à sábado . Os dados foram analisados com o auxílio do software Minitab (SINCICH; LEVINE; STPHAN, 2001). 3
  4. 4. Quadro 1:Variáveis representativas do comportamento do consumo de alimentos. Dimensões Variáveis Proxies Gênero, Classe social, Número de pessoas residentes no Demografia domicílio Consumidor Freqüência a festas e eventos sociais, Prática de atividade Estilo de vida física. Sinais intrínsecos Nutrientes, Aparência, Sabor. Alimento Sinais extrínsecos Preço Quando Café da manhã, Almoço, Jantar, Lanches. Onde Residência, Empresa, Restaurante, Casa de parentes. Contexto Família, Amigos, Sozinho. Com quem Como Comida preparada adquirida, Comida preparada em casa. Fonte: elaborado pelos autores, com base em Gains (1994), Meiselman (2003) e Becker (2000). 3. RESULTADOS E DISCUSSÃO 3.1 Características do consumidor (a) Demografia A pesquisa revelou que 56,3% dos entrevistados são do gênero feminino, enquanto 43,8% são do genero masculino, ou seja, a compra de alimentos é equilibrada, sendo realizada tanto por homens quanto por mulheres. A maior parte dos idosos (46,9%) pertence à classe C, enquanto 33,3% representam a classe A e 19,8% são da classe B. Constatou-se que a estrutura familiar dos idosos é a tradicional, constituída por marido, esposa e filhos (55,2%). Do restante, 21,9% moram somente com o cônjuge, 9,4% moram sozinhos e 12% com outros parentes. Dos idosos que afirmaram morar com o cônjuge, 47,6% pertencem à classe C, 23,8% correspondem à classe B e 28,6% fazem parte da classe A. Um aspecto importante observado com relação aos dados apresentados é que essas pessoas, principalmente as de classe A e B, podem apresentar uma renda disponível maior para o consumo de produtos e serviços como lazer e entretenimento, visto que os gastos com os filhos, que representam uma porcentagem maior dos gastos totais da família, já não mais existe. Percebe-se que os hábitos alimentares dos idosos são influenciados pela família. Os membros de uma família constituem o grupo de referência mais influente nos padrões de consumo (CASSOTI, 2002). Como muitos dos entrevistados ainda moram com os filhos e/ou com o cônjuge, seus hábitos podem sofrer alguma influência de seus descendentes, ou em 4
  5. 5. outros casos, a preferência de um dado membro da família por um alimento pode ser um fator determinante para a compra do mesmo. Outro aspecto relacionado à estrutura familiar identificado no estudo foi o número de pessoas residentes nos domicílios. A pesquisa revelou que 9,4% dos idosos moram sozinhos, 25% dos domicílios são constituídos de duas pessoas 21,9% dos domicílios possuem três pessoas 25% dos lares possuem quatro pessoas cerca de 16,7% possuem cinco pessoas e apenas 2% dos domicílios possuem seis pessoas ou mais. (b) Estilo de vida A freqüência dos idosos em festas e eventos sociais mostrou-se equilibrada, pois dos que possuem o hábito de ir a este tipo de evento, 14,6% o fazem freqüentemente, enquanto 27,1% afirmaram ir somente algumas vezes. Dentre aqueles que não possuem o hábito de freqüentar, 22,9% raramente vão a eventos e festas e 35,4% não dão atenção à atividade. Constatou-se, também, que 68,8% dos idosos praticam alguma atividade física regularmente. Os mais citados foram: caminhadas, hidroginástica e natação. Dos que praticam alguma atividade física, 53% não possuem o hábito de freqüentar festas, bailes e eventos sociais, assim percebe-se que existe pouca relação entre a prática de exercícios físicos e o grau de socialização dos idosos. 3.2 Características do alimento Ao adquirir um alimento, 46,5% dos entrevistados consideram a qualidade nutricional como a variável mais relevante; 17,8% consideram a aparência do alimento; 20% acham que o preço é mais importante; e 15,7% levam em conta o sabor do alimento. Isso mostra que para os idosos a qualidade nutricional e o preço dos produtos são os aspectos mais relevantes na decisão de compra. Esses dados confirmam as conclusões de Curasi (2003) de que os idosos tendem a buscar mais informações sobre o produto que necessitam, pesquisar preço e visitar várias lojas antes de efetuar a compra, ou seja, pode-se concluir que o idoso é um consumidor bastante consciente durante o processo de compra, principalmente de alimentos, auxiliado pela disponibilidade de tempo. Com relação ao consumo de produtos enlatados, cerca de 49% afirmaram comprar esses produtos, porém em pouca quantidade. O consumo de enlatados pode estar relacionado ao fato dos idosos morarem sozinhos, pois, dos 9,4% que moram só, cerca de 55,6% afirmaram consumir estes produtos. Exton-Smith (1995) verificou que o consumo de comida enlatada estaria relacionado com homens viúvos que moram sozinhos e têm pouco conhecimento da importância nutricional dos alimentos. O consumo de alimentos enlatados também pode estar relacionado a praticidade; pois estes produtos são, em sua maioria, de origem vegetal como: o milho verde, a ervilha, o palmito e o extrato de tomate. Mais da metade (55,2%) dos entrevistados consomem produtos diet e light. Quando comparado este dado com o gênero, nota-se que cerca de 64,8% são mulheres e 35,2% são homens. Isto se deve à preocupação com a forma física em razão do apelo estético que os produtos representam, principalmente para o público feminino. 5
  6. 6. O consumo de produtos diet e light também pode estar relacionado à dieta médica e ao processo de reeducação alimentar, que significa alimentar-se de maneira correta, suprindo o organismo com todos os nutrientes que necessita. Estudos na área de nutrição recomendam que na terceira idade deve controlar a ingestão de gordura e evitar o açúcar; as características destes produtos vêm ao encontro dessas necessidades (HIRSCHBRUCH E CASTILHO, 1999). 3.3 Características do contexto de consumo (a) Quando se dá o consumo Verificou-se que 77,1% dos idosos entrevistados têm o hábito de fazer de três a quatro refeições diárias, enquanto que 14,6% o fazem de uma a duas por dia e somente 8,3% adotam de cinco a seis refeições diárias. Observando a Tabela 1, verifica-se que o café da manhã dos idosos é o tradicional, composto de alimentos como: pão, leite, frutas, café e derivados de leite. Outros alimentos, como mel, aveia, bolachas, biscoitos e vitaminas somam 10,3%. Tabela 1: Distribuição percentual dos tipos alimentos mais consumidos no café da manhã pelos idosos Derivados de leite Outros Frutas Geléia Total Frios Leite Café Suco Pão Chá Tipos de Alimento % 21,2 19,4 10 14,7 3,8 3,5 12,7 2,1 2,4 10,3 100,0 Fonte: Coleta de dados, 2003. Os dados revelam que cerca de 15,7% não possuem o hábito de jantar, substituindo esta refeição por um lanche. Os alimentos mais citados foram: torrada, leite, frutas, frios e biscoitos. Os entrevistados justificam tal comportamento afirmando que preferem comer algo mais leve e de fácil digestão. Em contrapartida, a pesquisa constatou que 16,75% dos entrevistados não têm o hábito de lanchar. Os que fazem esta refeição, normalmente comem frutas (14,35%), pão (12,44%), bolachas e biscoitos (10,05%) e bebem leite (11,96%) ou suco (8,13%). Outros alimentos também foram citados, como iogurte, vitamina, café e chá, somando 23% da preferência. Percebe-se que para a maioria dos idosos, o almoço é a refeição mais importante do dia. Todos os entrevistados afirmaram ingerir algum tipo de carne durante essa refeição. Os alimentos mais citados são os mais comuns na culinária brasileira e representam de forma bastante evidente os hábitos alimentares dos brasileiros (Tabela 2). 6
  7. 7. Tabela 2: Distribuição percentual dos tipos de alimentos mais consumidos no almoço e no jantar pelos idosos e Legumes Macarrão Não Janta Vermelha Verduras Branca Outros Feijão Carne Carne Arroz Total Tipo de Alimento Almoço (em % ) 22,5 20 3,5 22,3 18,8 11,4 1,5 - 100,0 Jantar (em% ) 15 13,8 1,6 19,5 14,2 7,9 12,3 15,7 100,0 Fonte: Coleta de dados, 2003. Observou-se que todos os idosos têm o hábito de comer carne durante o almoço e o jantar, seja branca (frango, suíno e peixe) ou vermelha (bovina). A freqüência com que os entrevistados consomem determinado tipo de carne é apresentado na Tabela 3. Tabela 3: Distribuição percentual da freqüência de consumo de determinados tipos de carnes pelos idosos de Frango de Peixe Bovina Carne Carne Carne Carne Suina Frequência de consumo Todos os dias 34,40 - 7,30 - De 4 a 5 26,00 1,00 16,70 1,00 vezes/semana De 2 a 3 32,30 1,00 36,50 14,60 vezes/semana Uma vez 3,10 15,60 28,10 34,40 /semana Menos de uma - 37,50 10,40 39,60 vez/semana Não consome este tipo de 3,10 44,80 1,00 10,40 carne Fonte: Coleta de dados, 2003. Os tipos de carne mais consumidos pelo consumidor idoso são a carne bovina e a carne de frango. Cerca de 35,4% consomem carne bovina todos os dias; 26% a consomem de quatro a cinco vezes por semana; 32,3% de duas a três vezes por semana e apenas 3,1% não consomem este tipo de carne. A carne de frango não é consumida com tanta freqüência como a carne bovina, mas o seu índice de consumo é alto. Cerca de 36,5% dos entrevistados a consomem de duas a três vezes por semana; 28,1% consomem pelo menos uma vez por semana; e somente 16,7% dos idosos o fazem de quatro a cinco vezes semanais. Presume-se que a carne de frango pode ser um substituto da carne bovina, visto que existe entre esses dois produtos uma relação inversamente proporcional em termos de consumo. Observando a Tabela 3 verifica-se que conforme o consumo de carne bovina diminui, o consumo de carne de frango aumenta. 7
  8. 8. O estudo mostra que 44,8% dos entrevistados não possuem o hábito de consumir carne suína, enquanto 37,5% consomem este tipo de carne menos de uma vez por semana. Entre os fatores mencionados pelos idosos para o não hábito de consumir este tipo de carne, foram citadas a gordura e a procedência (desconfiança) da carne. Quanto ao peixe, o seu baixo consumo deve-se, na opinião dos entrevistados, ao alto preço do produto. Somente 1% dos idosos consomem peixe de quatro a cinco vezes por semana, contrastando com os 39,6% que consomem menos de uma vez por semana. O cruzamento das variáveis “consumo de carne” e “classe social” não revelou grandes contrastes. Cerca de 33% dos consumidores pertencentes a classe C consomem carne bovina todos os dias, não distinguindo da classe B (36,8%) e da classe A (37,5%). Para os demais tipos de carne também não foram constatadas variações relevantes. (b) Onde se dá o consumo Com relação ao local em que os idosos normalmente fazem suas refeições durante os dias de semana (segunda a sexta-feira), observa-se que quase a totalidade (95,8%) o faz em casa, enquanto que 3,1% fazem pelo menos uma refeição no trabalho e somente 1% em restaurantes. Nos finais de semana, muitos idosos preferem almoçar fora de casa, aproximadamente 30,2% almoçam em restaurantes e 8,3% na casa de familiares, contudo, a maioria (60,4%) têm o hábito de almoçar em casa. Quando questionados sobre o hábito de comer fora de casa, somente 9,4% afirmaram que comem fora com freqüência; 36,5% o fazem algumas vezes por mês; 29,2% raramente saem para fazer refeição e 25% afirmaram não possuir este hábito. Os dados apresentados demonstram que os idosos são bastante caseiros, preferindo a comida de casa a de outros locais. Além disso não se verifica relação significativa entre classes sociais e o hábito de comer fora de casa, pois dos entrevistados pertencentes a classe A, cerca de 63% costumam fazer as refeições em casa, mesmo nos finais de semana, não diferindo da classe B (68%) e da classe C (56%), ou seja, a classe social não exerce influência na freqüência de se comer fora de casa. (c) Com quem se dá o consumo A grande maioria dos idosos (83,3%) faz as refeições com a família, 9,4% fazem as refeições sozinhos e somente 4,2% têm o hábito de fazer as refeições com os amigos. Os entrevistados que afirmaram fazer as refeições somente com o cônjuge ou com os filhos, foram considerados dentro do grupo dos que fazem as refeições com a família. Vale ressaltar que a maior parte dos entrevistados que afirmaram fazer as refeições sozinhos, o fazem porque moram nessa condição. Além de ser um hábito adquirido durante a infância, acredita-se que, fazer as refeições com a família é visto pelos idosos como uma forma de integração com os demais membros (CASSOTI, 2002). 8
  9. 9. (d) Como se dá o consumo Poucos idosos consomem comida pronta ou congelada, somente 17,7% dos entrevistados. Sendo este um aspecto relevante, pois contraria a tendência que vem ocorrendo em paises desenvolvidos em que o consumo destes alimentos têm aumentado em detrimento de produtos tradicionais da culinária de cada país (BLEIL, 1998). A freqüência com que os idosos costumam preparar sua comida está diretamente ligada ao gênero. Dos 41,8% que afirmaram ter o hábito de preparar sua própria comida, cerca de 80% são do sexo feminino. Em contrapartida, dos 36,7% que afirmaram nunca preparar sua comida, 92% são do sexo masculino. O hábito de pedir comida em casa também foi analisado. Constatou-se que a maioria dos idosos não tem o hábito de pedir comida, representando cerca de 61,5% dos entrevistados, e somente 38,5% fazem uso do serviço de entrega de refeições em domicilio, ou seja, o fator conveniência não representa grande relevância para este segmento, alias como constatou Curasi (1995). 4. CONCLUSÕES Ao se analisar as refeições básicas, principalmente o almoço, percebe-se que a cultura do “arroz com feijão” mostra-se presente em todos os lares. Esse prato é visto pelos idosos como símbolo de comodidade e regularidade. Assim, verifica-se que, além dos aspectos econômicos e costumes adquiridos pelos idosos, a influência da cultura nos hábitos alimentares se mostra bastante evidente, como sugere Bleil (1998). Com relação ao consumo de carne, identificou-se a necessidade de formulação de estratégias e informações direcionadas para esse segmento de mercado com o intuito de estimular sua demanda, principalmente as carnes suína e de peixe. Observa-se um baixo consumo de comida pronta ou congelada. Assim, pode-se afirmar que o comportamento alimentar do idoso foi pouco influenciado pelas mudanças ocorridas nas últimas décadas, tendo em vista a preocupação que esse segmento tem com a saúde. Um outro fator que se deve considerar é que estes produtos são novos ao paladar e aos hábitos, o que justifica a baixa aceitação por parte dos idosos. Esta conclusão contraria Bleil (1998), que constatou a crescente incorporação de alimentos industrializados e de fácil preparo nos hábitos alimentares dos brasileiros e a redução do consumo de produtos tradicionais da cozinha brasileira, como o arroz e o feijão. O resultado apresentado confirma o argumento de Contreras (1995), de que a escolha de um alimento muitas vezes revela a que grupo se deseja pertencer, seja este étnico, social ou de idade. Assim, pode-se afirmar que o consumo de alimentos industrializados está muito mais relacionado com pessoas jovens, até mesmo porque estes são mais influenciados e visados pela mídia para consumir estes produtos. Foi revelado que apenas 38,8% dos idosos utilizam, com freqüência o serviço de entrega de refeições em domicílio. Constatou-se, também, que 41,8% deles costumam preparar sua comida. Estes dois comportamentos, associados ao baixo consumo alimentos 9
  10. 10. prontos ou congelados, contrariam a tendência observada nas grandes cidades de que o mais importante é a praticidade e a rapidez das refeições, ou seja, para o segmento idoso o fator conveniência não se apresenta tão relevante, confirmando, assim, os resultados encontrados por Garcia (2003). Essa tendência pode, no futuro, apresentar impactos negativos para a saúde dessas pessoas, uma vez que os hábitos alimentares são moldados na infância e na juventude, não apresentando grandes mudanças na vida adulta (EXTON-SMITH, 1995), isto é, os idosos de amanhã podem apresentar doenças, como obesidade e problemas cardíacos, resultantes da má alimentação adquirida desde a juventude. 5. REFERÊNCIAS Associação Brasileira de Pesquisa de Mercado – ABIPEME. Disponível em: http://www.abipeme.org.br. Acesso em: 15 jul. 2003. Associação Nacional de Empresas de Pesquisa – ANEP. Disponível em: http://www.anep.org.br. Acesso em: 21 jul. 2003. BECKER, T. Consumer perception of fresh meat quality: a framework for analysis. British Food Journal. v. 3, p.158-176, 2000. BLEIL, S. I. O Padrão Alimentar Ocidental: considerações sobre a mudança de hábitos no Brasil. Revista Caderno de Debates, v. VI, p.1-25, 1998. CASSOTI, L. À mesa com a família: um estudo do comportamento do consumidor de alimentos. Rio de Janeiro: Mauad,2002. CONTRERAS, J. (Org). Alimentación y cultura: necesidades, gustos y costumbres. Barcelona: Universitat de Barcelona, 1995. CURASI, C. F. Male senior citizens and their shopping preferences. Journal of Consumer Marketing. V. 12, p.123-133, 1995. EXTON-SMITH, A. Comportamientos alimentarios de los ancianos. University College Hospital Medical School, London. In: CONTRERAS, J. (org.). Alimentación y cultura: necesidades, gustos y costumbres. Barcelona: Universitat de Barcelona, 1995. GAINS, N. The repertory grid approach. In: MACFIE, H. J. H.; THOMSON, D. M. H. (eds.). Measurement of food preference. Blackie Academic & Professional, 1994. GARCIA, R. W. D. Reflexos da globalização na cultura alimentar: considerações sobre as mudanças na alimentação urbana. Revista de Nutrição, v. IV, p. 483-492, 2003. HIRSCHBRUCH, M. D; CASTILHO, S. Nutrição e bem-estar para a terceira idade. São Paulo: CMS, 1999. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATêSTICA – IBGE. Perfil dos idosos responsáveis pelos domicílios no Brasil. Rio de Janeiro, 2002. 10
  11. 11. LICHTENSTEIN, D.R, RIGWAY, N. M, NETEMEYER, R. G. Price perceptions and consumer shopping behavior: a field study. Journal of Marketing Research.v. 30, p. 234-45, 1993. MALHOTRA, N.K. Marketing research: an applied orientation. 3. ed. New York: Prentice- Hall, 1999. MEISELMAN, H. L. A three-factor approach to understanding food quality: the product, the person and the environment. Food Service Technology , v. 3, p. 99-105,2003. NEVES, M. F; CHADDAD, F. R; LAZZARINI, S. G. Gestão de negócios em alimentos. São Paulo: Pioneira, 2002. SINCICH, T. L.; LEVINE, D. M.; STEPHAN, D. Practical Statistics by Example Using Microsoft Excel and Minitab. 2. ed. New York: Prentice-Hall, 2001. 11

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