Língua e ensino

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Concepções da Linguagem, língua e ensino de línguas

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Língua e ensino

  1. 1. UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE CAMPUS AVANÇADO “PROFa. MARIA ELISA DE A. MAIA” – CAMEAM. DEPARTAMENTO DE LETRAS – DL Programa de Pós-Graduação em Letras – PPGL. Mestrado Acadêmico em Letras Área de concentração: Texto, ensino e construção do sentido LÍNGUA E ENSINO Regiane Santos CABRAL de PAIVA Orientadora: Maria Lúcia Pessoa Sampaio
  2. 2. LÍNGUA E ENSINO Capítulo: Linguística e ensino (Mariangela Rios de Oliveira) •Concepções da Linguagem •Formalismo •Funcionalismo •Concepção e perspectiva funcional da linguagem •Funcionalismo pragmático •Professor sob a perspectiva funcional pragmática
  3. 3. LÍNGUA E ENSINO • Concepções da Linguagem Enfoque estruturalista X Enfoque gerativista ▫ vê a língua como sistema virtual, abstrato, apartado das influências das condições interacionais. ▫ a gramática das línguas é um processo mental e inato, fundado num conjunto de princípios universais. Concepção Formalista ▫ Fenômeno linguístico: nessa perspectiva é tratá-lo de modo abstrato, considerando-o objeto único de investigação. ▫ Foco da atenção é a própria estrutura linguística, de certa forma deslocada de todas as interferências comunicativas que cercam sua produção e recepção.
  4. 4. LÍNGUA E ENSINO LISMO • PERSPECTIVA FORMALISTA: concepção antiga e de forte prestígio que concorreu e muito concorre ainda na formação dos docentes de letras. • Práticas Formalistas: ▫ Noções de certo e errado; ▫ As tarefas de análise linguística ficam no âmbito da palavra, do sintagma ou da oração; ▫ A atividade de interpretação do texto como exercício da procura do verdadeiro sentido ou do que o autor que dizer; ▫ Respostas dos exercícios presentes nos livros didáticos;
  5. 5. LÍNGUA E ENSINO • Incompreensão da FUNCIONALISTA: proposta ▫ Embora a língua fosse concebida como um sistema funcional por conta do caráter de finalidade, de propósito comunicativo com que era tratada a atividade linguística, houve uma redução a um conjunto estruturado das seis “funções da linguagem”. Caráter mais formal que funcional
  6. 6. LÍNGUA E ENSINO • CONCEPÇÃO FUNCIONAL E PRAGMÁTICA FENÔMENO LINGUÍSTICO COMO PRODUTO E PROCESSO DA INTERAÇÃO HUMANA, DA ATIVIDADE SOCIOCULTURAL • Concepção Funcional da Linguagem Aulas que se voltam para a observação e análise de distintos e específicos usos linguísticos relacionando esses usos aos fatores sociais que cercam os grupos que assim se expressam. SOCIOLINGUÍSTICA
  7. 7. LÍNGUA E ENSINO • Perspectiva funcional da linguagem: a chamada linguagem “norma culta” ou “língua padrão” passa a ser vista como mais uma variante de uso, uma forma de expressão tão eficiente com todas as outras que circulam na comunidade linguística. Por intermédio das contribuições sociolinguísticas, pode o professor iniciar seu trabalho a partir dos usos de seus alunos, incorporando e valorizando essa expressão em suas aulas... (p. 238 e 239)
  8. 8. LÍNGUA E ENSINO • Pressupostos orientadores para uma abordagem funcionalista para a atividade de ensino de língua: ▫ a) os usos linguísticos são forjados e organizados nos contextos de interação, nas situações comunicativas e, a partir daí, se sistematizam para formar as rotinas ou padrões convencionais de expressão. ▫ b) as funções desempenhadas pela língua são motivadas por fatores externos e é possível em alguns níveis de análise, como textual e o morfossintático, se chagar à depreensão dessas funções. (p. 239)
  9. 9. LÍNGUA E ENSINO • Com o advento da pragmática, a concepção funcional pragmática enriquece-se , pois ganha destaque os modos de dizer, as intenções comunicativas, as informações implícitas, a eficácia do ato da fala, enfim, privilegia os contexto extralinguístico e o ponto de vista do usuário da língua para se atingir os sentidos veiculados ao texto. • Contribuições: (p.240) Contribuições ▫ Estudo que focam os modos de produção e de organização do dizer; ▫ A investigação das formas de comportamento e expressão de sentimentos, calcadas na polidez, de acordo coma cultura da comunidade; ▫ A relevância do caráter interacional da linguagem , da necessária e previsível presença do outro, do interlocutor.
  10. 10. LÍNGUA E ENSINO • Professor sob a perspectiva funcional pragmática: Passa a agir como mediador O professor é leitor/(co) da tarefa ensinoprodutor de saberes , aprendizagem, deixando o estudando e pesquisando, lugar de centro, de primazia atualizando-se nas novas sobre um saber prépesquisas que envolvem o concebido uma vez que, seu trabalho a fim de optar assim como o saber é copor concepções de língua e construído, as relações gramática afinadas teórica e humanas também o são, seja metodologicamente com os em que âmbito ocorram. avanços científicos [...] seu papel passa a ser o produzidos para, assim, de intermediário da desenvolver práticas de experiência com o uso ensino transformadoras. linguístico. (p.240) (p.241)
  11. 11. LÍNGUA E ENSINO Capítulo 8- Língua e ensino: políticas de fechamento Marina Célia Mendonça
  12. 12. LÍNGUA E ENSINO O que é língua? O que é gramática? • Conceitos de gramática ▫ Normativa: conjunto sistemático de normas para Normativa bem falar e escrever. Nessa perspectiva, ensinar gramática é ensinar língua (norma culta), o que significa desprezar as outras variedades.  Concepção de ERRO: é errado todo uso da linguagem que esteja fora dos padrões Linguísticos estabelecidos como ideais. Unifica a língua , higienizando-a, produzindo e difundindo uma imagem do que seria a norma culta escrita formal, tendo como base o modelo dos considerados bons escritores do passado.
  13. 13. LÍNGUA E ENSINO O que é língua? O que é gramática? ▫ Descritiva: se descreve os fatos de uma língua. Neste caso saber gramática significa distinguir, nas expressões de uma língua, as categorias, as funções e as relações que entram em sua construção, descrevendo com elas sua estrutura interna e avaliando sua gramaticalidade. ▫ ERRO: é o que não ocorre sistematicamente na língua, em nenhuma de sua variedades.
  14. 14. LÍNGUA E ENSINO O que é língua? O que é gramática? ▫ Internalizada: corresponde ao saber Internalizada linguístico que o falante de uma língua desenvolve dentro de certos limites impostos pela sua própria dotação genética humana, em condições apropriadas de natureza social antropológica. ERRO- é aquilo ERRO que não corresponde sistematicamente na língua  Conceito de língua: se produz nas língua relações sociais vividas pelo falante, produzida também pelo falante que opera sobe a linguagem construindo hipóteses a respeito do seu funcionamento.
  15. 15. LÍNGUA E ENSINO SAUSSURE LÍNGUA A língua é sistemática, objetiva, homogênea, o que torna difícil sua relação tão estreita com um exterior que faz parte dela. BAKHTIN A língua está sempre afetada pelo que é exterior , este sendo constitutivo dela. Confronta com o anterior que retira da língua o seu caráter ideológico, considerando o signo com valor imutável, imanente.
  16. 16. LÍNGUA E ENSINO BAKHTIN SUJEITO A consciência do sujeito se dá nas relações interativas do eu com um outro, através da relação do eu com a palavra do outro, na internalização dessa sua palavra, num processo ininterrupto e sempre acabado . Heterogeneidade no sujeito e na linguagem FOUCAULT Sujeito analisado por mecanismos de controle, seleção, organização e redistribuição dos discursos por meio de mecanismos: externos ao discurso, internos e de rarefação(seleção) dos sujeitos. Inibem a heterogeneidade no discurso
  17. 17. LÍNGUA E ENSINO FOUCAULT e seus mecanismos de controle, seleção e organização dos discursos e dos sujeitos (p.242) EXTERNOS/ EXCLUSÃO • Proibição •Rejeição •Vontade de verdade INTERNOS/ CONTROLE • Comentário •Autor •Disciplina RAREFAÇÃO, SELEÇÃO DOS SUJEITOS • Sociedades dos discursos •Doutrina •Apropriação social dos discursos
  18. 18. LÍNGUA E ENSINO Escola Professor Sistema de apropriação do discurso (apropriação dos saberes produzidos na sociedade, e os sujeitos que passam por esses sistemas é que são autorizados a formular determinados discursos.) Sociedade do discurso (conservam e produzem os discursos, fazendo-os circularem em espaço restrito, isto é, são poucos os sujeitos que podem fazer parte deles.)
  19. 19. LÍNGUA E ENSINO Professor (sociedade do discurso) • O discurso produzido por estes sujeitos deve estar nos limites fixados pela disciplina , a qual, por sua vez, determina tanto o que é verdadeiro e o que é falso dentro de suas fronteiras científicas. Em casos extremos há uma proibição de determinados conteúdos. Por outro lado, o professor atado a determinadas concepções pedagógicas (doutrina) pode produzir uns discurso e não outros. Preso a práticas já consagradas no interior da escola, e que se aproximam dos rituais, o professor sofre coerções que tolhem sua atividade . (p.243)
  20. 20. LÍNGUA E ENSINO Língua e ensino: política de fechamento Formadores de opinião: mídia, livros didáticos e vestibulares Reforçam valores linguísticos equivocados, tendo em vista conhecimentos recentes produzidos pela Linguística. • Esses formadores de opinião (sociedade do discurso) instituem o que deve ser a disciplina de discurso Língua Portuguesa, como ela deve ser ministrada, excluindo de seus domínios outras formas de conceber a língua e lidar com ela.
  21. 21. LÍNGUA E ENSINO Silenciamento da leitura INTERPETRAR É investigar não só o seu conteúdo, mas refletir sobre aspectos pragmáticos e discursivos que constituem esse texto e que o fazem ser aquilo que é. • Determinados sentidos de textos são naturalizados. A naturalizados seleção desses sentidos é feita da perspectiva dos leitores privilegiados, que se utilizam da escola e do professor para produzir monoleitura autorizada. • Tomando a literatura como exemplo, pode-se dizer que os textos literários ganham estatutos diferentes em épocas diversas e esses estatutos são tomados como “verdadeiros” para os sujeitos que vivem o momento em que esses valores são instituídos.
  22. 22. LÍNGUA E ENSINO Silenciamento da leitura • No livro didático a prática da leitura de quaisquer textos segue de perto um sentido transparente , não com a opacidade própria da heterogeneidade discursiva. REBENTO- Gilberto Gil Rebento, substantivo abstrato O ato, a criação, o seu momento Como uma estrela nova e o seu barato que só Deus sabe, lá no firmamento. Questão: Com o que se Questão relaciona o conteúdo deste parágrafo? R: À atividade criadora do artista. Outra proposta: faz um elogio à vida e às suas manifestações mais evidentes. Poderíamos nos referir ao ato sexual e simultaneamente à criação da vida.
  23. 23. LÍNGUA E ENSINO Silenciamento da leitura • Considerações: ▫ Não há leituras erradas em si, mas erradas se consideradas as interações em que ocorrem, os sujeitos que participam delas, o momento histórico a que estão presas. ▫ As relações dos sujeitos com a língua não podem ser postuladas como um conjunto finito e definido de possibilidades. ▫ Como o autor do livro didático costuma ser tomado como autoridade pelo professor e como o professor, pela hierarquia escolar, é visto pelo aluno como alguém que sabe mais que ele, o silenciamento tem grande chance de ocorrer.
  24. 24. LÍNGUA E ENSINO Silenciamento da produção de texto • ESCRITA- não pode ser tida como uma atividade ESCRITA solitária, mas como uma atividade em que um sujeito-autor, constitutivamente formado por outros sujeitos, lança uma palavra a um sujeitoleitor no mundo, cuja representação imaginária é produzida pelo sujeito-autor. • Escola: Produção de texto ou Redação? Escola ▫ A situação de produção do texto escolar é tão artificial que esse perde sua característica básica: o caráter interlocutório. Quando o produtor do texto não encontra um interlocutor a atividade de escrita torna-se monológica.
  25. 25. LÍNGUA E ENSINO Silenciamento da produção de texto • Estratégias de preenchimento ▫ Quando os estudantes utilizam estruturas estereotipadas, produzindo sequências de ideias sem coesão e sem coerência, sem interesse em produzir linguagem . ▫ A estas práticas faltam a interação com o outro, uma representação do outro como sujeito-históricoideológico. Sem essa interação a atividade de produção de texto fica sem objetivo, a não ser a de preencher uma folha de papel.
  26. 26. LÍNGUA E ENSINO Silenciamento da produção de texto • A palavra do sujeito-aluno é silenciada e seu texto, quando não é desinteressante, cheio de clichês, fragmentado, contraditório etc., toma uma forma padronizada de gênero. • Há um silenciamento, fechamento de possibilidades de linguagem se se considerar, como Bakhtin, que o gênero discursivo é heterogêneo não só porque são muitas as suas manifestações, mas também porque elas se entrecruzam e se constroem continuamente. (p.251)
  27. 27. O Grito - Edvard Munch- 1893 LÍNGUA E ENSINO Silenciamento da produção de texto O Grito - Edvard Munch- 1893 • [...] os formadores de opinião- neste caso os autores dos livros didáticosinfluenciam as relações de ensino, constituindo “gêneros escolares” e colocando a redação distante dos textos produzidos no exterior da escola. Ela, portanto, não forma escritores, autores, mas redatores – no sentido daquele que só faz redações, preenchendo modelos aleatoriamente. (p. 254) • O professor, na adoção indiscriminada do modelo, está tirando desse sujeitoaluno a palavra. Dando oportunidade, retira-a. (p.254)
  28. 28. LÍNGUA E ENSINO Contribuição da linguística • Para a leitura (p. 258) 1. Possibilitar várias leituras de um texto oral e escrito, de forma que o aluno possa, na atividade de interpretação, lançar sua contra-palavra . 2. Interessante se não houvesse questionário direcionando as leituras; 3. Se houvesse respostas esperadas e abertura para aceitação das inesperadas; 4. Ampliar o leque de leituras do aluno, de forma que ele tenha acesso a vários universos culturais, a várias formas de lidar com a realidade .
  29. 29. LÍNGUA E ENSINO Contribuição da linguística • Para a produção de textos (p. 258, 259) 1. Escrita de textos para leitores efetivos; 2. Leitura efetiva feita pelo professor, este agindo não só como corretor, mas como leitor real– que gosta ou não do texto, que se emociona com ele, que quer saber do que se trata, etc. 3. Com uma abertura na concepção de gênero, aceitando no texto do aluno tanto aquilo que tem aparecido no que é veiculado pela sociedade letrada, quanto o que seja possível no texto, considerando-se o objetivo do aluno, seu universo cultural, a situação de produção e recepção, etc. 4. Com a apresentação de vários textos de apoio (orais ou escritos) ampliando as possibilidades do dizer do aluno, para que ele possa, cada vez melhor, lançar seu “fio de sol” em meio a tantos outros na tecedura da manhã.
  30. 30. LÍNGUA E ENSINO Contribuição da linguística • Para o uso da língua (p. 259) 1. Possibilitar que o aluno use com eficiência a língua em diversas situações e saiba refletir sobre ela. Como: a) refletir sobre texto oral e texto escrito , entre texto formal e informal; b) ter comentados seus textos escritos e falados, de forma que possam ter um retorno das atividades de linguagem que realizam; c) ter acesso à norma culta vigente na sociedade em que vivem; d) ter acesso à metalinguagem usada pelos gramáticos nas gramáticas normativas, às descrições e as normas presentes nessas gramáticas e refletir sobre elas.
  31. 31. LÍNGUA E ENSINO Primeira parte: Processos de parte produção textual “[...] o ensino seja lá como for, é sempre o ensino de uma visão o objeto e de uma relação com ele.” (p.50) • Quando se ensina língua, o que se ensina? “[...] a gramática? A leitura e a escrita? A língua oral? O processo de enunciação de textos orais e escritos? O domínio de uma língua considerada lógica e correta em si mesma? O domínio de uma variedade linguística prestigiada socialmente? ” (Batista apud Marcuschi, 2008, p.50)
  32. 32. LÍNGUA E ENSINO • Quando se estuda a língua, o que se estuda? • Para Joaquim Fonseca (apud Marcuschi, 2008, p. 56) uma sugestão para aula de língua seria privilegiar “ a preparação do aluno para a produção ágil dos seus discursos e para a avaliação crítica dos discursos alheios[...]” • Para Marcuschi a gramática tem uma função sociocognitiva relevante, desde que entendida como uma ferramenta que permite uma melhor atuação comunicativa. O problema é fazer uma metalinguagem técnica e de uma análise formal o centro do trabalho com a língua. (p.57)
  33. 33. LÍNGUA E ENSINO • “[...] dizer que a língua se limita à sintaxe é reduzir a língua a algo muito delimitado, pois os aspectos textuais e discursivos, bem como as questões pragmáticas, sociais e cognitivas são muito relevantes[...]” (p.57)
  34. 34. LÍNGUA E ENSINO Noção de língua (p.60) • Como forma ou estrutura • Como instrumento • Como atividade cognitiva • Como atividade sociointeracionista LÍNGUA Heterogênea Social Histórica Cognitiva Indeterminada Variável Interativa Situada
  35. 35. LÍNGUA E ENSINO • Segundo Marcuschi (2008), é hoje um consenso tanto entre os lingüistas teóricos como aplicados. Ele acrescenta que “A questão não reside no consenso ou na aceitação deste postulado, mas no modo como isso é posto em prática, já que muitas são as formas de se trabalhar o texto” (2008, p.51). Orienta, especialmente, que através dos textos é possível trabalhar:
  36. 36. LÍNGUAlíngua; E ENSINO a) as questões do desenvolvimento histórico da b) a língua em seu funcionamento autêntico e não simulado; c) as relações entre as diversas variantes lingüísticas; d) as relações entre fala e escrita no uso real da língua; e) a organização fonológica da língua; f) os problemas morfológicos em seus vários níveis; g) o funcionamento e a definição de categorias gramaticais; h) os padrões e a organização de estruturas sintáticas; i) a organização do léxico e a exploração do vocabulário; j) o funcionamento dos processos semânticos da língua;
  37. 37. LÍNGUA E ENSINO k) a organização das intenções e os processos pragmáticos; l) as estratégias de redação e questões de estilo; m) a progressão temática e a organização tópica; n) a questão da leitura e da compreensão; o) o treinamento do raciocínio e da argumentação; p) o estudo dos gêneros textuais; q) o treinamento da ampliação, redução e resumo de texto; r)o estudo da pontuação e da ortografia; s) os problemas residuais da alfabetização.
  38. 38. LÍNGUA E ENSINO • Cap. 1: A língua e a identidade cultural de um povo • Cap. 2: Língua e cidadania: Repercussões para o ensino
  39. 39. LÍNGUA E ENSINO A língua e a identidade cultural de um povo “Efetivamente, a língua, sob a forma de uma identidade concreta, não existe. O que existe são falantes; são grupos de falantes. A língua tomada em si mesma, não passa de uma abstração, de uma possibilidade, de uma hipótese. O que existe de concreto, de observável são os falantes, que, sempre, numa situação social particular, usam, [ e criam!] os recursos linguísticos para interagirem uns com os outros e fazerem circular a gama de valores culturais que marcam cada lugar, cada situação e cada tempo” (p.22)
  40. 40. LÍNGUA E ENSINO A língua e a identidade cultural de um povo • A língua é um grande pondo de encontro; de cada um de nós, com os nossos antepassados, com aqueles que, de qualquer forma , fizeram e fazem a nossa história. (p. 23) • A ESCOLA▫ O trabalho da escola à volta com as nomenclaturas, ou fechado na análise apenas sintática de frases soltas, de textos construídos artificialmente para exemplificar unidades linguísticas, tem, na grande maioria, deixado de fora a exploração dos sentidos, da intenções, das implicações socioculturais dos usos da língua. (p.30)
  41. 41. LÍNGUA E ENSINO A língua e a identidade cultural de um povo • Orientações: ▫ Seria importante que a escola incluísse, evidentemente questões de gramática,mas que soubesse ir muito mais além do que descrevem ou prescrevem os manuais. ▫ Uma análise, enfim, que explorasse os usos reais que são feitos e, assim, pudesse surpreender o movimento de criação e de vida que passa pelo interior da história de todas as línguas. (p.31)
  42. 42. LÍNGUA E ENSINO Língua e cidadania: repercussões para o ensino • Constatações: ▫ Ainda se predomina uma concepção de língua como um sistema abstrato , virtual apenas, despregado dos contextos de uso o,sem pés e sem face, sem vida e sem alma, “inodora, insípida e incolor”. ▫ Prevalece uma concepção de língua demasiado estática, demasiado simplificada e reduzida, descontextualizada e, portanto, falseada.
  43. 43. LÍNGUA E ENSINO Língua e cidadania: repercussões para o ensino • Concepções de língua que podem favorecer o ensino na formação do cidadão: ▫ Língua como atividade funcional: nenhuma língua existe em função de si mesma. ▫ Língua a serviço das pessoas, de seus propósitos interativos reais, os mais diversificados, conforme as configurações contextuais, conforme os eventos e os estados em que os interlocutores se encontram. ▫ Língua-em-função, língua concretizada em atividades, em ações e em atuações comunicativas, como forma de prática social direcionada para determinado objeto.
  44. 44. LÍNGUA E ENSINO Língua e cidadania: repercussões para o ensino • Orientações: ▫ Os programas de línguas teriam outra orientação se fossem inspirados pela procura do que uma pessoa precisa saber par atuar socialmente com eficácia. Os pontos de gramática ou do léxico não viriam à sala de aula simplesmente porque estão no programa nem viriam na ordem que lá estão. Viriam por exigência do que os alunos precisam ir aprendendo, para serem comunicativamente competentes e, assim, construírem e interpretarem os diferentes gêneros, adequada e relevantemente. (p. 39)
  45. 45. LÍNGUA E ENSINO Língua e cidadania: repercussões para o ensino • Do ponto de vista mais estritamente linguístico , o ensino de línguas poderia promover a formação do cidadão: ▫ Fomentando a conscientização do grande significado da linguagem para a construção dos sentidos; ▫ Centrando-se na exploração dos usos da língua; ▫ Incentivando toda forma de interação; ▫ Fomentando a prática da observação, da análise, do questionamento da reflexão crítica, pela ampliação do repertório de informações e da capacidade do usuário para criar, recriar, ressignificar e incorporar novas palavras;
  46. 46. LÍNGUA E ENSINO Língua e cidadania: repercussões para o ensino ▫ Explicitando as intuições linguísticas já sedimentadas ou ampliando as concepções acerca dos fenômenos específicos aos usos da língua; ▫ Acatando e valorizando a pluralidade linguística que se manifesta nos mais variados falares nacionais, abominando, assim, todo e qualquer resquício de discriminação ou preconceito pro este ou aquele modo de falar.
  47. 47. LÍNGUA E ENSINO Língua e cidadania: repercussões para o ensino • Enquanto saber a língua identificar-se com saber amontoado de nomenclaturas, de classificações e regras estáveis, quase dogmáticas; enquanto saber essas coisas constituir um parâmetro de discriminação e exclusão, a escola não terá condições de cumprir com seu papel fundamental : Favorecer a participação consciente , crítica e relevante das pessoas na construção de um mundo em que todos possam ter vez e voz.
  48. 48. LÍNGUA E ENSINO Obrigada!
  49. 49. Referências ANTUNES, I. Língua texto e ensino: outra escola possível. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. MARCUSCHI, L. A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008. MENDONÇA, M. C. Língua e ensino: políticas de fechamento. In: MUSSALIM, F. (org.). Introdução à linguística: domínios e fronteiras, v.2. São Paulo: Cortez, 2006. OLIVEIRA, M. R. de & WILSON, V. Linguística e ensino. In: MARTELLOTA, M. E. Manual de Linguística. São Paulo: Contexto, 2008.

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