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Locke sob a influência de John Owen aprendeu as leis da tolerânciareligiosa além de ter possuído uma educação religiosa do...
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BIBLIOGRAFIALOCKE, John. Ensaio a cerca do entendimento humano. 5. Ed. Tradução deAnoarAiex. São Paulo: Nova Cultura, 1999...
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ARTIGO: Critica de Jonh Locke ao inatismo

  1. 1. Av. Abdias de Carvalho, 1855 – Prado – 50830-000 – Recife – PE Tel. 81 2129.4008/2129.4000 Fax 81 2129.4008 – E-mail: secretaria.insaf@salesianosrec.org.br CRÍTICA AO INATISMO DE JONH LOCKE: POR QUE A MENTE HUMANA É INCAPAZ DE POSSUIR PRINCÍPIOS INATOS Faustino dos Santos*RESUMOEsse artigo tem a finalidade de discorrer a cerca do pensamento humano, maisprecisamente sobre a sua capacidade de entender. Detêm-se, portanto, a partir dopensamento de John Locke, na crítica ao inatismo, ou seja, discordando da linharacionalista que prega que a mente humana nasce dotada de princípios e ideiasinatas. John Locke comparando a mente como uma tábula rasa apresentaargumentos contrários e prováveis que a mente não possui qualquer conhecimentodesde o seu nascimento.Palavras-chave: Entendimento. Mente Humana. Inatismo. John Locke. Empirismo.1 O ENTENDIMENTO HUMANO John Locke, considerado um dos precursores do empirismo inglês seinteressa sobre como se dá o processo de produção do conhecimento humano,elabora, portanto um estudo sobre o entendimento humano. Ressalta desde o iniciode sua obra que é essa capacidade de conhecer que permite ao homem grandevantagem sobre os outros seres e é por isso que tamanha capacidade merecetrabalho de investigação. Mas diante mão, ele estabelece alguns possíveisempecilhos para tal feito investigador, diz que, assim como o olho, que emborapossa ver todas as coisas, ele não consegue ver-se a si mesmo. O entendimentohumano não se vê a si, para tornar-se seu próprio objeto o entendimento precisadistanciar-se, e mesmo que não consiga muita coisa nessa investigação mesmo opouco adquirido será bem vindo.* Redator em ciência e tecnologia formado pelo departamento de extensão da Universidade Federal de Alagoas(UFAL), graduando trancado do curso de Turismo da UFAL e graduando em Licenciatura Plena em Filosofiapelo Instituto Salesiano de Filosofia (INSAF).Email: faustinosantos17@yahoo.com.br
  2. 2. É nesse desenrolar que John Locke começa seu ensaio a cerca doentendimento humano, e sua intenção com isso é “considerar as faculdadesdiscernentes do homem, e como elas são empregas sobre os objetos que lhe dizemrespeito”, e isso é tão claro para ele que talvez como justificativa ele afirma: Sendo meu propósito investigar a origem, certeza e extensão do conhecimento humano, juntamente com as bases e graus de crença, opinião e assentimento, não me ocuparei agora com o exame físico da mente; nem me inquietarei em examinar no que consiste sua essência; nem por quais movimentos de nossos espíritos, ou alterações de nossos corpos, chegamos a ter alguma sensação mediante nossos órgãos, ou quaisquer ideias em nossos entendimentos; e se, em sua formação, algumas daquelas ideias, ou todas dependem ou não da matéria. Embora tais especulações sejam curiosas e divertidas, rejeitá-las-ei por estarem fora do caminho no qual estou agora empenhado.(LOCKE, 1999 p. 29) Locke considera importante desenvolver um estudo acerca doentendimento humano e por isso diz que será gratificante se ao menos esse métodopuder dar alguma contribuição sobre como o nosso entendimento alcança as noçõesdas coisas, e ainda se puder estabelecer alguma certeza e conhecimento, essacerteza é dada justamente pela própria verdade, único lugar capaz de produzirconhecimentos certos. Para desenvolver tal ensaio Locke se utiliza de um método que possuitrês passos que em linhas gerais tem a finalidade de pesquisar os limites entre aopinião e o conhecimento e examinar e moderar nosso assentimento e persuasão acerca das coisas que não temos certeza. Ainda afirma a importância de saber aextensão do nosso entendimento, pois sabendo qual a sua natureza, até onde vai,quais as coisas para os quais estão suas destinações, suas deficiências, isso seráimportante para: Persuadir a ocupada mente do homem e usar mais cautela quando se envolve com coisas que excedem sua compreensão, parar quando o assunto é muito extenso para suas forças e permanecer em silenciosa ignorância acerca dessas coisas que o exame revelou estarem fora do alcance de nossas capacidades. (LOCKE, 1999 p. 30) Afirma que sabendo sobre a extensão do entendimento, até onde suasfaculdades podem atingir a certeza e em quais casos pode apenas adivinhar ejulgar, será mais simples se contentar com o atingível em cada situação.
  3. 3. Locke sob a influência de John Owen aprendeu as leis da tolerânciareligiosa além de ter possuído uma educação religiosa do puritanismo anglicano.Esse dado é pertinente uma vez que ele deixa no seu Ensaio a cercadoentendimento humano vestígios da sua influência religiosa quando, fazendo umparalelo a incapacidade do entendimento apreender todas as coisas, escreve quemesmo assim devemos glorificar o Autor da vida por nos ter dado tal porção e graude conhecimento que é superior a qualquer outro ser vivente. Os homens têm razão para estar satisfeitos com o que Deus pensou que lhes era adequado, pois ele lhes deu, como diz São Paulo pántapròszoènKaìeusébeian, tudo o que é necessário para as conveniências da vida e informação da virtude, e colocou ao alcance de sua descoberta provisão suficiente para esta vida e o meio que leva para uma melhor. (LOCKE, 1999 p. 31) Locke trata dessa questão justificando que o homem não pode terconhecimento de todas as coisas, mas apenas o suficiente para saber sobre oconhecimento do seu Criador (Deus) e a observação das suas obrigações. Essajustificativa é importante, dirá ele, por que sabendo até onde vai nossa capacidadede entender saberemos conduzir essa nossa faculdade sem criar expectativas quelhe são superiores à compreensão. Essa sua preocupação com o que possibilitava e no constituía o processode produção de conhecimento parece que estava vinculada também as ideiaspolíticas e à consequente tentativa de desvendar objetivamente os processosenvolvidos na vida pública, uma vez que era um político liberalista influenciador demuitas revoluções surgidas em seu tempo, e ainda na posteridade. Enfim, o propósito do empirista é “investigar os nossos própriosentendimentos, examinar nossos próprios poderes e ver para que coisas eles estãoadaptados” (Idem, p. 32). Antes de adentrar na profundidade da sua crítica e a sua exposiçãocontrária a ideia de que há princípios e ideias inatas, é preciso entendermos o quesignifica ideia para Locke. Ele dirá que ideia é “(...) qualquer coisa que consiste noobjeto do entendimento quando o homem pensa, (...) qualquer coisa que pode serentendida como fantasma, noção, espécie, ou tudo o que pode ser empregado pelamente pensante”. (LOCKE 1999, p. 32-33)
  4. 4. Em termos simples a ideia é a forma que imprimimos em nossa mentequando entramos em contato sensível com o objeto, embora não seja o próprioobjeto é a imagem que formamos dele em nossa mente.2A MENTE HUMANA NÃO POSSUI PRINCÍPIOS INATOS Sendo assim, Locke não concorda com a afirmação que a mente possuiqualquer conhecimento preestabelecido nela, compara-a com uma “tábula rasa”, ouum papel em branco onde somente pela experiência sensível são impressos asideias. Locke afirmava que tudo o que conhecemos, que todas as ideias que temos,eram formadas no espírito e que não eram inatas. Ele expõe, contrariamente a afirmativa que a mente possui princípiosinatos, algumas objeções. Primeiro criticava que a concordância universal fosseprova da existência de princípios inatos. Depois criticava que as ideias só serevelam pelo uso da razão, ou seja, que as ideias inatas estariam impressas namente, mas que só se desenvolveriam quando se desenvolvesse a razão.Refutava,portanto, de que se algumas ideias eram evidentes, claras e distintas parao homem, então eram inatas. O primeiro contra argumento de que a concordância universal fosse provada existência de princípios inatos diz que se para demonstrar a ocorrência de ideiasinatas, seria preciso demonstrar a universalidade de tais ideias. Isso pode serfacilmente negado se olharmos, por exemplo, para as crianças que não possuemqualquer desses princípios e só os adquire com o tempo, ou ainda se levarmos emconsideração os povos que nunca desenvolveram a ideia de Deus. Não se encontram naturalmente impressas na mente por que não são conhecidas pelas crianças, idiotas, etc. (...) é evidente que não só todas as crianças, como os idiotas, não possuem delas menor apreensão do pensamento. Esta falha é suficiente para destruir o assentimento universal que deve ser necessariamente concomitante com todas as verdades inatas, parecendo-me quase uma contradição afirmar que há verdades impressas na alma que não são percebidas ou entendidas, já que imprimir, se isto significa algo, implica apenas fazer com que certas verdades sejam percebidas. Supor algo impresso na mente sem que ela o perceba, parece-me pouco inteligível. Se, portanto, as crianças e os idiotas possuem almas, possuem mentes dotadas destas impressões, devem inevitavelmente percebê-las, e, necessariamente conhecer e assentir com estas verdades; se, ao contrário, não o fazem, tem-se como evidente que estas impressões não existem. (LOCKE, 1999, p. 38)
  5. 5. Ao argumento que as ideias inatas estariam impressas na mente pode serrejeitado, pois diz que há o uso da razão antes mesmo que se reconheçam as ideiasinatas, ademais, se o uso da razão fosse necessário para o reconhecimento de umaideia inata não se teria como distinguir as ideias inatas das não inatas, ou seja,àquelas que são derivadas das inatas. Outra opção seria supor que todas as ideiassão inatas, mas percebemos ser muito fraca tal afirmação. Se essas noções (ideias) não estão impressas naturalmente, como podem ser inatas? E se são noções não estão impressas, como podem ser desconhecidas? Afirmar que uma noção está impressa na mente e, ao mesmo tempo afirmar que a mente a ignora e jamais teve dela conhecimento, implica reduzir estas impressões a nada. Não se pode afirmar que qualquer proposição esta na mente sem ser jamais conhecida e que jamais se tem disso consciência. (LOCKE, 1999, p. 38) Aprofundando a questão criticada por Locke sobre o argumento utilizadopor muitos que diz que o homem só tem conhecimento das ideias que lhe são inataspelo uso da razão, ou seja, tal argumento diz que: (...) logo que os homens começam a usar a razão, estas supostas inscrições nativas passam a ser por eles conhecidas e observadas, ou que o uso e exercício da razão dos homens os auxilia na descoberta deste princípio, fazendo com que estes, certamente, se tornem conhecidos para eles. (LOCKE, 1999, p. 39) É interessante a crítica de Locke a esse argumento por que ele se usadele próprio (do argumento) para provar que é falso, pois, uma vez tendo acapacidade de raciocinar, ou seja, fazer uso da razão para inferir algo, o sujeito podeconhecer qualquer coisa, pois, é justamente a racionalidade que permite ao homemconhecer o desconhecido, e se assim fosse, seria correto afirmar que todas ainteligibilidade feita pelo sujeito é inata. Locke diz que “por este meio, não haverádiferença entre as máximas dos matemáticos e os teoremas deduzidos delas,devendo tudo ser igualmente inato” (LOCKE, 1999, p. 39). Concordar com essa questão apresentada, ou seja, que a razão tem acapacidade de conhecer as ideias inatas é concordar que ela só faz o favor aohomem de mostrar a ele o que já lhe era conhecido é estranho, pois, estamosconcordando com a afirmação “que os homens, ao mesmo tempo, as conhecem enão as conhecem”(LOCKE, 1999, p. 40)
  6. 6. Aqui, chega-se num ponto de acordo e prova que o conhecimento mentalde algumas verdades independe de inscrição natural ou do uso da razão. Lockeafirma que isso “consiste numa falsidade porque é evidente que estas máximas nãose encontram na mente tão cedo quanto o uso da razão, e, portanto, a posse do usoda razão é falsamente assinalada como o instante de sua descoberta”. (Idem p. 40-41). Por fim Locke afirma decididamente a impossibilidade de a mentehumana possuir ideias ou princípios inatos: Concedo que os homens não chegam ao conhecimento destas verdades gerais e mais abstratas, que são tidas como inatas, antes de atingirem o uso da razão, e acrescento, nem então tampouco. Isto é assim porque, mesmo após terem atingido o uso da razão, estas ideias gerais abstratas não estão formadas na mente, sobre as quais são formadas estas máximas gerais, que são equivocadamente consideradas princípios inatos, mas são realmente descobertas feitas e verdades introduzidas e levadas à mente pelo mesmo modo, e descobertas pelos mesmos passos, como várias outras proposições, que ninguém jamais foi tão extravagante para supô-las inatas. (LOCKE, 1999, p. 41) Locke com essas palavras objetiva a sua contra argumentação e já dámargem à reflexão a cerca da sua teoria do conhecimento que é basicamenteempirista. Embora a finalidade desse trabalho não seja tratar sobre isso (a formacomo acreditava que se chegava ao conhecimento das coisas), mas sobre o que jáfoi tratado até agora, ou seja, suas refutações a cerca da afirmação que as ideiassão inatas. Mas é difícil falar de Locke e não tratar de um dos seus grandes trabalhospresente na sua obra Ensaio a cerca do entendimento humano, nas consideraçõesfinais, que é o tópico que procede, citarei como sendo a finalidade dessas suasobjeções sobre o inatismo.3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Toda essa objeção tem no fundo uma intenção que é apresentar amaneira que Locke acredita que o conhecimento é apreendido pelo entendimento.Como falado no início Locke é totalmente contra a ideia de que o ser humano jánasce com ideias pré-estabelecidas. Essa sua crítica se atribui de uma forma ou deoutra aos racionalistas e de modo especial a Descartes, considerado o pai damodernidade que a creditava que a razão é a responsável pelo conhecimento das
  7. 7. coisas e ainda que ela (a razão) possui estruturas primeiras de compreensão darealidade. Esses pontos apresentados têm por finalidade dizer que a mente humanaé como um papel em branco, ou seja, não possui nada impresso nela e que ésomente pelo contato sensível que se apreende alguma coisa, e assim, por meiodesse empirismo é que esse papel vai sendo preenchido com informações. Locke apresenta para explicar esse processo de apreensão algunspassos nos quais a mente alcança as verdades. De um modo geral ele diz que ossentidos entram em contato com ideias particulares, a partir daí, do início doprocesso de preenchimento mental, a mente seleciona as ideias do seu interesse eas guarda na sua memória, depois vai assimilando e apreendendo o uso dos seusnomes, assim, a mente acumula ideias e vai enriquecendo-se com a linguagem, e,portanto, por meio desses materiais (ideia e linguagem) a razão vai ampliando seucampo abrangente de uso. Locke destaca que há ideias mais simples de serem compreendidas eoutras mais complicadas, mas isso não quer dizer que por ser mais simples ela é apriori, ou inata. Concorda que existe evidência por si mesmo, ou seja, sãoapreensíveis imediatamente quando o sujeito entra em contato, mas isso nãodepende das impressões inatas. Locke no seu ensaio ainda discorre longamente, e com muitos exemplosprova que a mente realmente é incapaz de possuir princípios ou ideias inatas, seutrabalho é importante porque contribui para aprofundamentos na ciênciaespeculativa e para os diversos ramos do empirismo moderno emergente no seutempo.ABSTRACTThisarticleaims todiscussabouthuman thought, more preciselyonitsabilitytounderstand.Have, therefore, from thethought ofJohnLocke, thecritiqueofinnateness, or disagreeing withtherationalistlinethatpreachesthatthe human mindisbornendowed withinnateprinciplesandideas, JohnLockecomparedthemindasatabularasahascounterargumentsandprobablethatthe mindhasnoknowledgesincebirth.Keywords:Understanding. HumanMind.Innateness.JohnLocke. Empiricism.
  8. 8. BIBLIOGRAFIALOCKE, John. Ensaio a cerca do entendimento humano. 5. Ed. Tradução deAnoarAiex. São Paulo: Nova Cultura, 1999. (Os Pensadores)

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