Programa EcoFamílias225

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Programa EcoFamílias225

  1. 1. Projecto EcoFamílias Relatório Final Abril de 2008
  2. 2. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 2 1. Equipa Francisco Ferreira, Vice-Presidente da Quercus, Professor universitário (supervisão) Ana Rita Antunes, Engenheira do Ambiente (coordenação) Ana Filipa Alves, Engenheira do Ambiente Sara Ramos, Engenheira do Ambiente Ricardo Gomes, Engenheiro do Ambiente Carla Verdasca, Engenheira do Ambiente Sara Campos, Ciências da Comunicação (lic.) Ana Padrão Dias, Arquitecta Patrícia Sá Santos, Arquitecta Inês Pinto, Engenheira do Ambiente Nuno Pereira, Engenheiro do Ambiente Filipa Carlos, Engenheira do Ambiente Fernando Miguel Naves Sousa, Biólogo Colaboração no capítulo "Caracterização social": Susana Fonseca, Socióloga
  3. 3. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 3 2. Índice 1. Equipa ...................................................................................................................2 2. Índice.....................................................................................................................3 3. Resumo Executivo.................................................................................................5 4. Introdução..............................................................................................................8 5. Objectivos............................................................................................................11 6. Metodologia.........................................................................................................12 6.1 Selecção das Famílias..................................................................................12 6.2 Monitorização ...............................................................................................15 6.3 Medições de consumos ................................................................................16 6.4 Recomendações...........................................................................................18 7. Caracterização social...........................................................................................19 7.1 Caracterização social ...................................................................................19 7.2 Práticas ambientais e de eficiência energética .............................................22 7.2.1 Percepção sobre os gastos energéticos do agregado ...........................23 7.3 As condições de habitabilidade.....................................................................24 7.3.1 Disponibilidade para investir..................................................................25 8. Caracterização das Habitações ...........................................................................26 8.1 Caracterização da Construção......................................................................28 8.1.1 Paredes exteriores.................................................................................31 8.1.2 Superfícies envidraçadas (janelas e portas envidraçadas) ....................35 8.1.3 Protecção solar......................................................................................37 8.1.4 Orientação Solar....................................................................................39 9. Caracterização de Equipamentos eléctricos e Iluminação ...................................41 9.1.1 Consumos totais de electricidade ..........................................................44 9.1.2 Água Quente Sanitária ..........................................................................45 9.1.3 Climatização..........................................................................................46 9.1.4 Cozinha .................................................................................................48 9.1.5 Entretenimento ......................................................................................50 9.1.6 Informática e Telecomunicações ...........................................................52 9.1.7 Iluminação.............................................................................................54 9.1.8 Frio........................................................................................................58 9.1.9 Máquinas...............................................................................................62 10. Análise de consumos globais...........................................................................64 10.1.1 Consumo energético global ...................................................................64 10.1.2 Electricidade..........................................................................................66 10.1.3 Gás........................................................................................................68 10.1.4 Água......................................................................................................68 11. Emissões de GEE vs Consumo de energia......................................................71 12. Identificação do potencial de poupança energética ..........................................73 12.1 Informática....................................................................................................76 12.2 Entretenimento .............................................................................................77 12.3 Iluminação ....................................................................................................78 12.4 Substituição de equipamentos......................................................................81 12.4.1 Frigoríficos.............................................................................................81 12.4.2 Arcas frigoríficas....................................................................................82 12.4.3 Máquina de lavar roupa.........................................................................83 12.4.4 Máquina de secar roupa........................................................................85 12.4.5 Máquina de lavar loiça...........................................................................85 12.5 Temperaturas de lavagem............................................................................86 12.5.1 Roupa....................................................................................................86 12.5.2 Loiça......................................................................................................88 12.6 Mudança para contador Bi-Horário...............................................................90
  4. 4. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 4 13. Conforto higrotérmico.......................................................................................92 14. Divulgação .....................................................................................................101 14.1 Solicitada pela comunicação social ............................................................101 14.2 Rubrica EcoFamílias – Sociedade Civil ......................................................102 14.3 Minuto pela Terra........................................................................................103 14.4 Minuto Verde ..............................................................................................104 14.5 Seminários e Feiras....................................................................................107 15. Indicadores e benefícios da medida...............................................................109 16. Conclusões ....................................................................................................111
  5. 5. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 5 3. Resumo Executivo O projecto EcoFamílias teve como objectivo analisar os consumos de 225 famílias distribuídas equitativamente pelas nove zonas climáticas de Portugal Continental, definidas pelo Decreto-Lei nº 80/2006, de 4 de Abril (Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios - RCCTE) e propor medidas de redução do consumo de energia eléctrica pela alteração de comportamentos. Este projecto foi desenvolvido pela Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, promovido pela EDP Distribuição e aprovado pela ERSE no âmbito do Plano para a Eficiência no Consumo (PPEC) A adesão ao projecto foi maior nas zonas litorais e menos significativa nas zonas interiores, não se conseguindo respeitar o objectivo inicial de assegurar 25 famílias por zona. Para atingir as 225 famílias foram aceites inscrições de zonas climáticas onde o limite estabelecido de 25 famílias já havia sido atingido. Embora a selecção de famílias tivesse superado o número previsto (225), apenas foi possível acompanhar 206 devido a um conjunto de dificuldades, como a distância entre as famílias, a indisponibilidade de horários para receber a equipa EcoFamílias e a desmarcação das visitas no momento. A integração de variáveis de caracterização social neste estudo permitiu perceber que a amostra está sobrevalorizada em termos de habilitações académicas de nível superior o que tem óbvios reflexos nas profissões mais correntes. Também em termos etários se observa uma maior preponderância dos escalões intermédios. Este contexto exerce óbvias influências nas respostas e consumos registados, levando a que por vezes a realidade vivida e percepcionada se afaste do padrão da população portuguesa. As práticas quotidianas ligadas à poupança de energia surgem entre as mais frequentemente implementadas, sendo-lhes associado um baixo nível de exigência e esforço, com excepção da área da mobilidade. Mas a adopção de mais ou menos práticas ambientais e com maior ou menor frequência também decorre do conhecimento que cada agregado manifesta em relação àqueles que são os maiores consumos no espaço doméstico. Os dados recolhidos indicam que há uma relativa consonância entre os valores efectivamente medidos e a percepção de consumos mais significativos em áreas como a do frio, do uso das máquinas de lavar e secar e até da climatização. As áreas da iluminação e informática parecem sofrer de um efeito de alguma invisibilidade, no sentido em que existem claras discrepâncias entre os valores medidos e a percepção do seu peso na factura eléctrica mensal. Ainda assim, a iluminação acaba por ser uma das áreas onde a disponibilidade para investir ao longo do próximo ano mais se manifesta. A nível de construção a partir da entrada do primeiro RCCTE, em 1991, verifica-se uma melhoria do desempenho térmico das habitações e um aumento do uso de isolamento térmico, apesar de ainda longe do ideal. A tipologia de parede exterior mais comum nas habitações das EcoFamílias é composta por parede dupla de tijolo com isolamento térmico (62%). Nas superfícies envidraçadas verifica-se a mesma tendência de melhoria, depois da entrada em vigor do RCCTE. A existência de vidros duplos com caixilharia de PVC ou alumínio e corte térmico identificadas em habitações construídas antes de 1991 devem-se a situações de reabilitação. Na distribuição de consumos os equipamentos de frio (frigoríficos/combinados e arcas frigoríficas) medidos representam a maior fatia de consumo de electricidade das
  6. 6. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 6 famílias (24%). As máquinas de lavar loiça e roupa representam uma fatia de 16%. Muito próximo da categoria de Frio, estão em conjunto as categorias de Iluminação, Entretimento e Informática que, em conjunto, representam cerca de 21% do consumo total de electricidade das EcoFamílias. Estas são as categorias onde o potencial de poupança está mais associado à alteração de comportamentos, pela eliminação de consumos de stand-by e off-power e substituição de lâmpadas. Por esta razão foram também as três categorias onde o projecto mais incidiu. Através da análise dos dados de consumo eléctrico medidos nos equipamentos de entretenimento foi possível verificar que cerca de 65% destes equipamentos evidenciam a existência de consumos off-power ou stand-by. Os equipamentos informáticos têm um peso crescente nos lares portugueses. Reflexo disto é o facto de 70% das EcoFamílias possuírem computador. Em cerca de 76% das medições realizadas verificou-se a existência de consumos off-power e/ou stand-by num ou mais equipamentos. Na iluminação identificou-se a utilização predominante das lâmpadas incandescentes, representando 46% do total de lâmpadas caracterizado. Outro facto que se verifica na iluminação é uma cada vez maior utilização das lâmpadas de halogéneo (22%) e lâmpadas fluorescentes compactas (22%), o que significa já uma melhoria ao nível da eficiência energética relativamente à utilização das lâmpadas incandescentes. As lâmpadas de halogéneo apresentam um consumo elevado, relativamente ao número de horas de utilização. O potencial de poupança destas lâmpadas pode ser significativo se substituídas por lâmpadas fluorescentes compactas. Os equipamentos de frio das EcoFamílias são maioritariamente posteriores à entrada em vigor da etiqueta de eficiência energética: 86% dos frigoríficos e 72% das arcas. Também as máquinas de lavar presentes nas EcoFamílias são maioritariamente posteriores à entrada em vigor das respectivas etiquetas. O consumo médio das EcoFamílias aproxima-se da média nacional: no período em avaliação (2007) foi de 3.333 kWh/ano, enquanto a média nacional é de 3.533 kWh/ano. Em relação ao tipo de contador, verificou-se que mais de metade das EcoFamílias (51%) não têm contador bi-horário (BH). Fazendo a análise da despesa das EcoFamílias possuindo contador simples ou BH, verifica-se que compensa a todas as famílias a opção pelo contador BH, podendo-se transferir em média 1513 kWh/ano para o período de vazio. O potencial de poupança energética do projecto EcoFamílias foi calculado pela substituição de lâmpadas incandescentes e de Halogéneo por fluorescentes compactas, eliminação de consumos de stand-by e off-power. Foi também calculado o potencial de poupança pela troca de equipamentos de frio e máquinas de lavar, com tempo de retorno de investimento inferior a seis anos. Ao analisar por categoria de actuação verifica-se que as reduções mais significativas são conseguidas com a anulação de consumos stand-by e off-power dos equipamentos de entretenimento (33%), seguido pela substituição da iluminação (31%) e dos equipamentos de frio (18%). A anulação de consumos stand-by e off- power dos equipamentos de informática (17%) está em quarto lugar, seguindo-se o contributo dos microondas (1%).
  7. 7. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 7 As medidas tomadas com este projecto representam uma poupança anual de 35.815 kWh/ano, com a anulação de consumos de stand-by e off-power nas categorias de Entretenimento e Informática. As alterações de comportamento representam uma poupança de 5,3% do consumo total de electricidade das EcoFamílias. A troca de lâmpadas representa uma poupança de 22.140 kWh/ano, cerca de 3,2% do consumo. No total com alteração de comportamentos e potencial de troca de equipamentos, as famílias incluídas no projecto obtém uma poupança de 71.634 kWh/ano (10% do consumo total de electricidade), representando uma redução de 34.456 kg CO2. A Entidade Reguladora dos Sistemas Energéticos (ERSE) considera que as medidas alcançadas com o Plano de Promoção de Eficiência no Consumo de Energia Eléctrica (PPEC) em 2007 têm reflexo até 2023, o projecto EcoFamílias atinge uma poupança global de 1,07 GWh, contabilizando apenas as famílias em causa e não o efeito multiplicador muito significativo que o projecto teve, através da divulgação efectuada. O potencial de poupança aqui atingido pode ainda ser melhorado pela análise em adição da colocação de equipamentos de energias renováveis e melhoramentos nos aspectos construtivos. O potencial de poupança obtido neste projecto, aplicado a todas as famílias residentes em Portugal Continental resulta numa poupança de 1,2 TWh/ano. Esta poupança traduz-se numa redução de 586 mil toneladas de CO2, relativamente às emissões de 2007, contribuindo em cerca de 1% para o cumprimento do Protocolo de Quioto por Portugal. Este projecto foi amplamente divulgado em seminários e congressos, além de ter estado presente em programas de televisão e rádio como Sociedade Civil (RT2) e Um Minuto pela Terra (Antena 1). A inscrição voluntária das famílias e o contacto directo com as mesmas revelou um bom método de sensibilização para os consumos de energia e consequentemente com maior potencial para as poupanças energéticas.
  8. 8. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 8 4. Introdução O Aquecimento Global é provavelmente o maior problema ambiental do séc. XXI. O último relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (Intergovernmental Panel on Climate Change - IPCC) confirma a acção do Homem como principal responsável pelo aquecimento global, e que as suas consequências – as Alterações Climáticas – não poderão ser já todas evitadas. O Aquecimento Global, associado à emissão de gases de efeito de estufa (GEE), está intrinsecamente ligado à forma como a sociedade e a vida humana urbana estão organizadas. Desta forma, o combate às alterações climáticas, pela diminuição da emissão dos GEE, tem que ser feito a vários níveis e todos os actores da sociedade têm um papel a desempenhar. Governos, empresas e cidadãos todos juntos, e cada um na sua dimensão e responsabilidade, podem e devem desenvolver esforços para a alteração de comportamentos e forma de estar na vida. Na sequência do denominado pacote Energia/Clima em discussão e aprovação na União Europeia como forma de responder às novas exigências de mitigação definidas na Conferência das Partes sobre Alterações Climáticas em Bali em Dezembro de 2007, Portugal encara por agora metas de emissão de GEE de 27% para o período de 2008-2012 em relação a 1990 e de 29,4% para 2020, em relação ao mesmo ano base. No entanto, em 2005 Portugal já estava 45% acima das emissões de 1990. Em 2006 registou-se uma diminuição, estando agora 40% acima das emissões, também em relação a 1990. O consumo de energia final em Portugal, entre 2000/2005, sofreu um aumento de 12%, tendo o consumo de electricidade neste período sofrido um aumento de 19,2%1 . O consumo de electricidade entre 2002 e 2005 cresceu a uma média de aproximadamente 5,7% ao ano. A partir de 2005 verifica-se um abrandamento no crescimento do consumo eléctrico. Em 2006 o aumento foi apenas de 2,6% e em 2007 ainda se registou um aumento mais ligeiro de 1,8%2 . O sector residencial em Portugal é uma das áreas onde o consumo de energia tem crescido consideravelmente, e as previsões mostram que este crescimento continuará. Representa 17% do total da energia final consumida e é o terceiro maior sector de consumo em Portugal, depois da indústria e dos transportes 3 (Figura 1). Um estudo da Rede Eléctrica Nacional (REN) indicou que um kWh poupado em Portugal é dez 1 Ministério da Economia e Inovação. 2008. Energia - Política Energética - Caracterização Energética Nacional - http://www.min-economia.pt/ 2 Rede Eléctrica Nacional. 2007. Dados Técnicos - www.ren.pt 3 Fernandes, Alexandre. 2007. Implementação do sistema energético em edifícios. Seminário Conservação de Energia & Energias Renováveis no Sector Doméstico, Quercus, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.
  9. 9. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 9 vezes mais barato que um ganho no investimento da produção de energias renováveis4 . Transportes 35% Industria 33% Residencial 17% Serviços 13% Agricultura 2% Figura 1 – Consumo de Energia Final em Portugal, em 2005 (DGEG, Balanço energético 2005) Existe um potencial de economia de energia elevado nas famílias devido à pouca eficiência energética do parque instalado, nomeadamente na iluminação, equipamentos de frio, equipamentos audiovisuais5 e informáticos. Outra área importante para o elevado consumo de energia no sector doméstico é a construção. A qualidade das novas habitações portuguesas é ainda muito baixa, especialmente no que concerne ao seu desempenho energético6 . A falta de fiscalização no sector levou a que os regulamentos existentes fossem frequentemente ignorados ou aplicados de forma deficiente. Em 2006 foi publicada nova legislação7 , muito mais exigente do ponto de vista da construção e da fiscalização, de modo a melhorar a qualidade do parque edificado. 4 Verdelho, P. 2005. Eficiência energética e gestão da procura no contexto da regulação do sector eléctrico. Seminário Conservação de Energia & Energias Renováveis, Quercus, FLAD, Lisboa. 5 ADENE – Agência para a Energia. 2004. Eficiência energética em equipamentos e sistemas eléctricos no sector residencial. 6 DECO – Pro Teste (2005). Casas novas: caras e sem conforto térmico, Pro Teste n.º 254 – Jan. 2005 - p. 8 to 13. 7 Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios (RCCTE) (Decreto-Lei n.º 80/2006, de 4 de Abril) e Regulamento dos Sistemas Energéticos e de Climatização dos Edifícios (RSECE) (Decreto-Lei n.º 79/2006 de 4 Abril).
  10. 10. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 10 Na mesma altura foi publicada legislação com vista à certificação energética de edifícios8 , de forma a aumentar a consciencialização e educação dos vendedores e compradores, com vista a uma maior eficiência energética nos edifícios. É crucial informar os cidadãos sobre os aspectos relevantes a ter em conta na compra de uma casa e encorajá-los a procurar e exigir habitações de melhor qualidade. A consciencialização dos consumidores, fornecendo às famílias informação sobre forma de utilização da energia, é essencial para estas conseguirem um consumo mais racional, anulando alguns consumos desnecessários. Também a identificação dos equipamentos ineficientes, e a sua substituição por outros eficientes, é uma medida importante para o aumento da eficiência energética. Desde 2004 a Quercus tem desenvolvido esforços e trabalho no sentido de alertar os consumidores e população em geral para o fenómeno das Alterações Climáticas e sensibilizar para o consumo de energia, através do projecto EcoCasa. No sentido de aprofundar os conhecimentos do sector doméstico com vista à redução do consumo energético, a Quercus desenvolveu em 2005/2006 o programa EcoFamílias, tendo acompanhado um grupo de 30 famílias da Área Metropolitana de Lisboa. Com base na experiência adquirida em 2005/2006, surge o projecto EcoFamílias promovido pela EDP Distribuição e aprovado no âmbito do Plano de Promoção de Eficiência no Consumo de Energia Eléctrica (PPEC) 2007. Este projecto foi alargado a todo o país, de forma a ter uma percepção mais real ao nível nacional do potencial de poupança de energia eléctrica das famílias portuguesas. 8 Decreto-Lei n.º 78/2006 de 4 de Abril, Sistema Nacional de Certificação Energética e da Qualidade do Ar Interior nos Edifícios (SCE).
  11. 11. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 11 5. Objectivos O projecto EcoFamílias pretendeu ser um meio de sensibilização dos cidadãos para as questões ligadas ao consumo de energia eléctrica no sector doméstico, através da sensibilização para a redução e racionalização deste consumo. A realização do projecto EcoFamílias surge como forma de aproximação às famílias portuguesas, actuando directamente nas suas habitações, com o objectivo de racionalizar os seus consumos energéticos, através da mudança de comportamentos, sem contudo interferir na sua qualidade de vida. Este projecto teve também como objectivo a divulgação das acções e resultados conseguidos à escala nacional, para potenciar e alargar o alcance do projecto a todas as famílias. Os consumos energéticos ao nível doméstico não são constantes ao longo de um ano devido nomeadamente à variação própria introduzida pelas estações. O EcoFamílias acompanhou 225 famílias residentes em Portugal Continental, durante o ano de 2007. Desta forma, pretendeu-se caracterizar os hábitos de utilização de equipamentos, bem como as necessidades energéticas que são diferentes ao longo do ano, devido às diferenças climatéricas existentes no território nacional. O projecto EcoFamílias contou com a experiência adquirida numa iniciativa da Quercus, entre Novembro de 2005 e Outubro 2006, onde foram acompanhadas 30 famílias na Área Metropolitana de Lisboa. Este projecto representou um alargamento da primeira experiência, envolvendo um número consideravelmente superior de famílias e uma maior cobertura geográfica do território nacional continental. O projecto teve os seguintes objectivos e visou contribuir para:  Caracterizar hábitos de consumos energéticos das famílias portuguesas;  Delinear planos de gestão de procura para as famílias e promover a sua implementação;  Promover a eficiência do consumo energético no sector doméstico, através do aconselhamento directo e personalizado;  Reduzir os consumos das famílias, através do seu acompanhamento directo.
  12. 12. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 12 6. Metodologia 6.1 Selecção das Famílias Este projecto teve como objectivo analisar os consumos de famílias pelas diferentes zonas climáticas de Portugal Continental, em 2007, decorrendo em fases distintas ao longo do tempo (Tabela 1). Para obter uma amostra representativa das várias zonas climáticas, 25 famílias por zona, o projecto foi divulgado através da internet, por comunicado de imprensa (Anexo I) e difundido através dos meios de comunicação social, nomeadamente através da RTP, Rádio Renascença e outras rádios e jornais locais. Esta divulgação teve como objectivo a inscrição voluntaria de famílias neste projecto. Tabela 1 – Fases do projecto EcoFamílias Inicio do projecto Selecção das familias Visitas EcoFamílias Instalação de equipamentos Equipamentos de Telemetria Recolha de equipamentos Avaliação do potencial de poupança Relatório Final D i v u l g a ç ã o As inscrições recebidas somaram 350 famílias no total, mas não repartidas de forma igual pelas diferentes zonas climáticas. A adesão ao projecto foi maior nas zonas litorais e menos significativa nas zonas interiores. Nas zonas climáticas cujo número de famílias era inferior ao necessário foi realizada nova divulgação, contactando directamente as Câmaras Municipais, Juntas de Freguesia, Escolas e Associações, para uma maior divulgação local. Os contactos regionais e locais foram realizados via e-mail, fax e por telefone e tiveram maior incidência nas zonas interior Norte e Sul, devido à baixa taxa de participação das famílias. Mesmo assim não foi conseguido o número proposto de 25 famílias em cada zona climática. Para conseguir o número global de 225 famílias foram então aceites inscrições de zonas climáticas já preenchidas com 25 famílias. Nas zonas climáticas com número superior ao pretendido o critério de selecção foi o de conseguir atingir todos os estratos sociais, de forma a ter uma amostra representativa da sociedade portuguesa. Os critérios de selecção escolhidos tiveram por base a informação presente nos dados dos Censos 2001. Nesta segunda fase as famílias foram seleccionadas tendo em conta o número de elementos de agregado familiar, a idade dos elementos, o nível de ensino do casal e número de divisões da casa. Foi também estabelecida alguma colaboração com os Gabinetes de Acção Social e Associações de Solidariedade Social, de modo a angariar famílias de estratos sociais mais baixos, de modo a constituir-se uma amostra representativa da população de acordo com os Censos de 2001.
  13. 13. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 13 O universo de famílias do projecto foi então fechado com 225 famílias a nível nacional. No entanto durante as visitas surgiram algumas situações que levaram à necessidade de substituir algumas EcoFamílias, como a indisponibilidade de horários para receber a equipa EcoFamílias, desconfiança por parte das famílias, principalmente as do interior do país que se tinham inscrito através de associações, e desmarcação das visitas no momento. Assim, embora a selecção de famílias tivesse atingido as 225, para efeitos de relatório apenas foram consideradas 206 famílias (Tabela 2). Tabela 2 – Número, composição do agregado familiar e distribuição pretendida das EcoFamílias Código da Zona Climática Zona Climática Composição do Agregado Familiar Número de EcoFamílias Total A I1V1 1Pessoa 2 32 2Pessoas 7 3/4Pessoas 17 5+Pessoas 6 B I1V2 1Pessoa 3 30 2Pessoas 8 3/4Pessoas 14 5+Pessoas 5 C I1V3 1Pessoa 1 24 2Pessoas 6 3/4Pessoas 14 5+Pessoas 3 D I2V1 1Pessoa 3 31 2Pessoas 5 3/4Pessoas 18 5+Pessoas 5 E I2V2 1Pessoa 0 18 2Pessoas 4 3/4Pessoas 11 5+Pessoas 3 F I2V3 1Pessoa 1 22 2Pessoas 4 3/4Pessoas 14 5+Pessoas 3 G I3V1 1Pessoa 0 6 2Pessoas 1 3/4Pessoas 2 5+Pessoas 3 H I3V2 1Pessoa 1 29 2Pessoas 8 3/4Pessoas 18 5+Pessoas 2 I I3V3 1Pessoa 1 14 2Pessoas 2 3/4Pessoas 10 5+Pessoas 1 Número total de famílias 206
  14. 14. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 14 A Figura 2 ilustra a distribuição geográfica do universo de EcoFamílias que integraram o projecto. Figura 2 – Distribuição geográfica das EcoFamílias
  15. 15. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 15 6.2 Monitorização Neste projecto foram utilizados instrumentos para a medição de consumos eléctricos e registo de valores de temperatura e humidade, dentro de cada habitação. A seguir descrevem-se os instrumentos utilizados, durante as fases de avaliação de consumos e potencial de poupança. Termohigrómetro com registo (data-logger) (Figura 3) – Permite a leitura e o registo de valores de temperatura e humidade, em intervalos pré-definidos, ao longo do tempo, com armazenamento de dados. Foram instalados 82 termo-higrómetros nas casas das Ecofamílias. Figura 3 – Termohigrómetro utilizado na medição e registo dos valores de Temperatura e Humidade em cada EcoFamília. Equipamento de medição local (Figura 4) – O aparelho Energy check permite a leitura de consumos eléctricos em cada tomada, para um ou mais aparelhos; capacidade de leitura e registo até 99 dias, com armazenagem de dados. Foram instalados para medição 300 energy-check. Figura 4 – Instrumento de medição utilizado na medição e registo de consumo de energia eléctrica de equipamentos Instrumento de medição remoto (Figura 5) – Este instrumento permite a telecontagem dos consumos eléctricos em cada disjuntor, enviando os dados por GPRS para uma base de dados central. Esta solução permite a monitorização de equipamentos ligados directamente ao sistema eléctrico da casa, como iluminação de tecto, fornos e placas de fogão eléctricas. Foram instalados 50 equipamentos de medição nas casas das EcoFamílias.
  16. 16. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 16 Figura 5 – Instrumento de telecontagem utilizado na leitura a partir do quadro eléctrico. Este equipamento que não estava inicialmente previsto, mas optou-se pela sua aquisição permitindo a análise do potencial de poupança dos electrodomésticos. 6.3 Medições de consumos Durante todo o programa, quer a caracterização dos consumos energéticos, quer a avaliação da redução dos mesmos, foram realizadas medições dos consumos de equipamentos eléctricos de acordo com as acções e ferramentas que a seguir se descrevem. Medição de consumo de equipamentos. Através de instrumentos de medição de consumos eléctricos, quer locais, quer remotos, descritos no ponto anterior (Figura 6). Com este método pretendeu-se obter uma grelha, o mais completa possível, dos consumos reais de cada equipamento para uma avaliação o mais fidedigna possível do potencial de poupança associada à anulação de stand-by e off-power dos equipamentos, troca de lâmpadas e substituição de electrodomésticos. Figura 6 – Medição de equipamentos com Energy Check Registo de níveis de temperatura e humidade relativa, através de termohigrómetros. Estes instrumentos foram instalados geralmente uma sala ou quarto principal. Os valores de temperatura e humidade foram registados em intervalos de 15 minutos. Este intervalo de tempo permite identificar as flutuações de temperatura
  17. 17. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 17 dentro de cada divisão e os períodos em que estão ligados os aparelhos de climatização. Com este método pretendeu-se perceber o desempenho das paredes exteriores e superfícies envidraçadas relativamente ao conforto higrotérmico no interior das habitações, relacionando as flutuações de temperatura e humidade ao longo do dia e de acordo com os usos da casa. Registo dos consumos globais de energia. Os consumos globais foram monitorizados através das leituras dos contadores e da análise das facturas de electricidade e gás. Foram também registadas as leituras de consumo de água, por terem implicação directa no consumo de energia, pela necessidade de aquecimento. Dado a distribuição geográfica das famílias foi pedido às famílias registassem as leituras dos seus contadores, na página de internet onde também se disponibilizaram as leituras dos equipamentos de medição remota. Nas famílias sem acesso à internet foi deixada uma folha para registo das leituras de contadores. Figura 7 – Campos de preenchimento de dados dos contadores da base de dados online. Levantamento dos equipamentos eléctricos existentes e hábitos de consumo. Através de um questionário (Anexo II) desenvolvido para o efeito foram identificados todos os equipamentos eléctricos existentes nas EcoFamílias. Para a caracterização dos hábitos de consumo foi solicitado à EcoFamília que identificasse o tempo de utilização de cada equipamento, a permanência ou não dos mesmos em stand-by. Caracterização da Construção. A caracterização da construção é relevante na medida em que o desempenho energético dos edifícios influencia o conforto interior, e determina a necessidade de recorrer à climatização para o garantir. Foi efectuada a análise da solução construtiva adoptada através de um inquérito (Anexo II). Para a caracterização foi ainda feita a medição e verificação da dimensão e espessura das paredes exteriores (materiais seleccionados para os panos de parede e isolamento térmico) e registo da orientação solar das mesmas. As janelas foram caracterizadas pelo registo das suas áreas, orientações solares, forma de sombreamento e tipo de caixilharia e tipo de vidro, adoptados em cada caso.
  18. 18. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 18 Caracterização social. Foi elaborado um questionário para a caracterização social das famílias, que não estava inicialmente previsto (Anexo II). 6.4 Recomendações O potencial de poupança energética foi calculado com base nas características dos consumos de:  stand-by  off-power  iluminação  equipamentos de frio  máquinas de lavar roupa e loiça Este projecto teve por objectivo o aumento da eficiência energética por alteração de comportamentos e por isso incidiu mais na redução ou mesmo anulação dos consumos de stand-by e off-power, que pode ser conseguido desta forma. A mudança de hábitos de consumo também pode verificar-se na adesão aos contadores bi-horários, com consequente adequação de planos de gestão da procura. As recomendações sobre aspectos construtivos/conforto higrotérmico foram dadas na ficha de recomendações entregues às famílias. As fichas de recomendação dadas a cada família estão reproduzidas no Anexo IV deste relatório.
  19. 19. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 19 7. Caracterização social9 No intenso debate que tem vindo a acontecer nos últimos anos sobre a temática da energia, a inclusão de variáveis sociais que permitam contextualizar e compreender os comportamentos e as opções quotidianas dos cidadãos tendeu a ser esquecida. Em alternativa, o debate manteve-se muito na área das tecnologias e suas potencialidades, persistindo, contudo, a perplexidade perante a não adesão dos cidadãos a soluções consideradas, muitas vezes, como claramente vantajosas em termos ambientais e económicos. Ciente desta lacuna e aproveitando a oportunidade de poder desenvolver o projecto das EcoFamílias a nível nacional, a Quercus decidiu integrar algumas questões básicas que permitem adicionar um pouco de contexto social a um conjunto alargado de dados que são recolhidos no âmbito do projecto. Assim, de seguida é apresentada uma descrição geral de algumas variáveis sociais relevantes para a análise deste tema. Não obstante o esforço realizado no sentido de procurar aproximar a amostra de famílias abrangidas pelo projecto do panorama geral do país (observável através dos dados mais recentes dos Censos 2001), os resultados apontam para um enviusamento significativo em termos de variáveis fundamentais para a temática da energia como são a idade e as habilitações académicas. Da mesma forma, o facto de o projecto abranger 225 famílias, mas de apenas 142 terem efectivamente respondido ao inquérito de caracterização social, reduziu ainda mais esta aproximação à realidade nacional. Esta diferença de inquéritos respondidos, em relação ao número de famílias deveu-se ao facto que muitas vezes não haver disponibilidade de tempo para a realização dos três inquéritos (Social, Equipamentos e Construção). 7.1 Caracterização social Uma análise de algumas das variáveis básicas em termos de caracterização social indica-nos que se verifica uma significativa dispersão das EcoFamílias pelo país, com maior destaque para a região de Lisboa, Porto, Setúbal. A tipologia familiar assume maioritariamente a figura de uma família com filhos (70%), onde ter um (41,4%) ou dois filhos (42,4%) acaba por ser a situação mais comum. Sem filhos são cerca de 14%, muito embora nestas situações possam estar também englobadas famílias em que os filhos já não residem com os pais. A coabitação entre 2, 3 ou 4 pessoas num mesmo espaço acaba por abranger cerca de 85% da amostra 9 Trabalho realizado por Susana Fonseca, Socióloga.
  20. 20. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 20 inquirida, sendo a situação mais frequente a primeira (31%). Comparando estes valores com os dos Censos 2001 é possível concluir que existe alguma proximidade, registando-se uma pequena sobre-representação das famílias com 4 ou 5 elementos. Existe uma clara sub-representação das pessoas que vivem sozinhas, que nas EcoFamílias representam pouco mais de 6%, ao passo que em Portugal o valor é de 17%. Esta discrepância não é de somenos importância para esta área, quando se sabe que o aumento dos agregados de menor dimensão tende a representar um desafio significativo em termos de eficiência energética, quando comparados com agregados mais numerosos. Analisando os grupos etários é possível concluir que os mais jovens e os mais velhos se encontram em menor número do que seria de esperar quando se comparam com os Censos 2001 e os grupos etários intermédios (entre os 30 e os 44 anos e entre os 45 e os 65 anos) estão sobre-representados face à realidade portuguesa. No que concerne à ocupação profissional, observa-se um desequilíbrio na amostra em termos de habilitações académicas, onde os grupos com menor escolaridade estão sub-representados, acontecendo o oposto com o grupo dos que se enquadram numa escolaridade de nível superior. De facto, se em Portugal esta categoria não enquadra mais do que 10% da população, na amostra em análise ela ascende a quase metade (46,8%). A comparação noutras categorias torna-se um pouco mais complexa, uma vez que os dados dos Censos contabilizam toda a população e, logo, as crianças, que neste estudo estão excluídas. Assim, os números registados em graus de ensino como o 1º, o 2º e 3º ciclos serão necessariamente mais elevados nos primeiros e menores no segundo. Contudo, a discrepância registada ao nível do ensino superior não é abrangida por este contexto da mesma forma e representa, assim, um elemento fundamental a ter em conta na análise de todas as questões subsequentes, nomeadamente, as referentes a práticas e representações. Como referido, o maior relevo dos níveis de habilitações superiores determina, necessariamente, uma distribuição anormal no que concerne às profissões mais frequentes. Nesta amostra existe uma sobre-representação das profissões intelectuais e científicas (23,2% vs 8,5 nos censos 2001) e das profissões técnicas intermédias (23,9% vs 9,5%), que contrasta com uma clara sub-representação dos trabalhadores da produção industrial e artesãos (2,9% vs 25,5% nos Censos 2001) e dos trabalhadores menos qualificados das áreas da agricultura, indústria e comércio (8% vs 15%). Em geral, o trabalho por conta de outrem abrange uma boa parte da amostra (66%) e o trabalho enquanto principal meio de vida (por oposição a situações como a aposentação ou o desemprego) enquadra quase 70% dos inquiridos. Um factor sempre importante na análise das práticas de promoção da eficiência energética e, particularmente, num contexto em que se pretende promover e incentivar alterações às mesmas, é a propriedade da habitação. Nesta amostra quase 85% das famílias são proprietárias e apenas cerca de 13% são arrendatárias. Ainda que não sejam o factor fundamental, o facto das famílias sentirem que estão a investir num espaço que é seu e sobre o qual têm quase total autoridade e responsabilidade, permite-lhes encarar, com maior naturalidade, a possibilidade de proceder a mudanças de carácter estrutural que podem representar ganhos significativos em termos de eficiência energética. Por último, apresentam-se os dados relativos aos escalões de rendimento das EcoFamílias envolvidas. Esta questão é sempre complicada de aplicar e os resultados
  21. 21. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 21 nem sempre espelham a realidade, mas ainda assim foi tomada a decisão de a incluir como variável de caracterização importante para o tema. O escalão que inclui maior número de famílias é o dos 1501-3000 euros mensais (34,5%), seguido do escalão entre 750-1500 euros (21,8%) e do escalão abaixo dos 750 euros (19%).
  22. 22. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 22 Tabela 3 – Distribuição das EcoFamílias segundo o rendimento declarado Rendimento Categoria % Menos de 759€ 1 19 Entre 750€ e 1500€ 2 22 Entre 1501 e 3000€ 3 35 Entre 3001 e 5000€ 4 16 Entre 5001 e 10 000€ 5 3 Acima de 10 000€ 6 0,7 NS/NR 99 5 7.2 Práticas ambientais e de eficiência energética Uma análise das práticas ambientais mais frequentes em cada agregado (onde se conjugaram áreas como a energia, a água, os resíduos ou os produtos ecológicos) permite verificar que as relativas à poupança de energia em casa são as que, não só são mais frequentemente executadas, como são as que, no entender dos inquiridos, menor esforço implicam. Há apenas a sublinhar a excepção da área da mobilidade, onde a frequência da troca do transporte individual pelo transporte colectivo ou por andar a pé nas distâncias mais curtas é baixa (ainda que o conjunto das respostas sempre e alguma frequência equivalha a 66%), sendo uma das acções às quais é atribuído um maior grau de esforço para ser realizada (38%) (Tabela 4). Tabela 4 - Práticas ambientais mais frequentes e grau de esforço que lhe está associado Sempre / Algumas vezes (%) Muito esforço / Algum esforço (%) Comprar produtos em embalagens reutilizáveis 52 43 Utilizar transportes colectivos ou andar a pé em curtas distâncias 66 38 Separar os resíduos 84 20 Fechar a torneira quando lava os dentes ou faz a barba 64 16 Comprar produtos amigos do ambiente 62 41 Desligar as luzes quando não são necessárias 89 15 Fechar a água enquanto se ensaboa no duche 63 39 Vestir mais uma camisola para evitar ter que aquecer mais a casa 85 13 Reutilizar água (por exemplo do chuveiro) 30 42 Usar as máquinas da roupa e loiça com carga completa 98 9 Não deixar os aparelhos em stand- by 73 23 Secar a roupa ao ar 96 7
  23. 23. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 23 Baixar os estores durante o dia no Verão 90 5 Quanto às razões para se fazer mais ou menos pelo ambiente, existem pequenas diferenças entre aquilo que se imagina que impede os restantes cidadãos de assumir práticas ambientais no seu dia-a-dia, e aquelas que são as razões apontadas para o seu agregado. Contudo, mais do que uma diferença nas razões, regista-se uma diferença na concentração em determinadas razões. Para os outros, o comodismo e a falta de informação surgem destacados enquanto razões para uma menor adopção de práticas ambientais, surgindo de seguida a perspectiva de que as pessoas não pensam nisso. Quando nos aproximamos da esfera individual, ainda que o comodismo e a falta de informação mantenham o seu protagonismo, os valores registados aproximam-se de outras razões como: ser dispendioso, não pensarem nisso ou a falta de apoio institucional à sua implementação. Também é de sublinhar o facto das não respostas subirem para o dobro. 7.2.1 Percepção sobre os gastos energéticos do agregado Criar um contexto onde seja possível trabalhar o tema da eficiência energética e propor alterações nos hábitos quotidianos dos agregados familiares implica, necessariamente, uma consciência clara sobre quais os consumos de energia com maior peso na factura familiar mensal. O desconhecimento dos portugueses sobre a questão energética (como é repetidamente sublinhado pelos dados dos vários inquéritos do Eurobarómetro sobre a matéria) e a dificuldade em lidar com um tema que tem muito de intangível (a energia não se vê e não tem uma utilidade em si, mas antes nos serviços que nos permite desfrutar), pode acarretar dificuldades acrescidas na implementação de medidas de eficiência. Perceber onde estão os maiores consumos dentro de casa é, assim, um primeiro passo para um trabalho em prol da eficiência energética. Neste sentido, as famílias abrangidas por este estudo foram questionadas sobre este tema e os resultados indicam algum desfasamento entre aqueles que são os dados oficiais e a percepção que as famílias têm sobre as áreas com maior peso na sua factura. O que os dados gerais indicam é que é a área do frio que maior peso tem na factura mensal dos agregados familiares (32%) em termos de consumo de electricidade, seguida da área do aquecimento/arrefecimento (17%), da iluminação (12%), do entretenimento (11%) e das máquinas de lavar e secar (10%). A percepção dos gastos energéticos quotidianos parece distanciar-se, em alguns casos de forma significativa, dos consumos reais e dos valores referidos acima. As máquinas de lavar surgem em primeiro lugar seguidas da área do frio. O entretenimento, a climatização e a cozinha surgem em terceiro lugar, registando o mesmo número de respostas. Em suma, quer o frio, quer a climatização, ainda que não nos lugares que lhe cabem em termos dos estudos sobre o consumo de energia nos agregados em Portugal, são percepcionados como áreas com um contributo significativo para a factura mensal. Só o caso da iluminação, incluída nos dados oficiais na categoria dos maiores consumos domésticos, fica de fora do conjunto de situações mais referidas pelos inquiridos (três mais relevantes) (Tabela 5).
  24. 24. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 24 Tabela 5 - Comparação da repartição do consumo doméstico de electricidade segundo dados da ADENE10 e as respostas dos inquiridos quando questionados sobre o tema Categoria de consumo Distribuição de consumos (%) Percepção das EcoFamílias no consumo (%) Frio 32 21 Aquecimento e arrefecimento 17 12 Iluminação 12 10 Máquinas de lavar e secar (roupa e loiça) 10 26,5 Entretenimento 9 12 Cozinha (forno e pequenos electrodomésticos) 3 12 Informática 2 5 7.3 As condições de habitabilidade Como já foi referido anteriormente, a componente de aquecimento/arrefecimento pode ter um peso significativo na factura energética dos agregados familiares. A necessidade de recorrer com maior ou menor frequência ao seu uso pode depender de diversos factores, muito embora um dos principais se prenda com as condições da própria habitação. Os resultados do inquérito indicam que as características da casa que mais directamente estão ligadas ao conforto térmico parecem já fazer parte dos requisitos tidos em conta para avaliar um investimento nesta área. O conforto térmico, a qualidade dos materiais e acabamentos, a existência de vidros duplos e a própria ficha técnica da habitação são critérios considerados muito importantes na avaliação de uma casa. Os factores ligados à climatização assumem menor relevo, ainda que o aquecimento central comece a ser referido já com alguma insistência quando se trata de definir as características importantes a considerar no momento de adquirir uma nova casa (63,1%). Este número deve ser olhado com alguma preocupação, principalmente se considerarmos que a existência de ar condiciona acolhe apenas cerca de metade das referências. Considerando o clima ameno de grande parte das regiões do país, e o facto de Portugal ser mais conhecido pelas suas altas temperaturas do que pelas baixas, este padrão de respostas merece uma reflexão mais profunda se o objectivo é contribuir para uma maior eficiência energética do país. Os dados sobre a satisfação com a casa que actualmente possuem, quando esta é avaliada do ponto de vista de variáveis ligadas à eficiência energética, espelham algum descontentamento, uma vez que 60% consideram estar total ou bastante 10 ADENE. Projecto EURECO – Campanha de medições por utilização em 400 unidades de alojamento na União Europeia. 2002.
  25. 25. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 25 satisfeitos com o conforto térmico da sua casa e cerca de 50% referem estar nessa mesma situação em relação ao isolamento das janelas. Não se trata de valores muito negativos, mas demonstram claramente que há ainda uma larga margem de intervenção com o objectivo de promover uma maior eficiência energética e uma melhor qualidade de vida. 7.3.1 Disponibilidade para investir Tornar o quotidiano mais eficiente pode implicar a realização de investimentos substantivos, principalmente quando se pretende fazer alterações estruturais, onde muitas vezes os ganhos tendem a ser mais visíveis. No sentido de testar a disponibilidade dos agregados inquiridos para realizarem investimentos que promovam a eficiência energética, estes foram confrontados com alguns dados que lhes apresentavam os ganhos económicos que poderiam ser obtidos se fossem feitos investimentos em determinadas áreas – iluminação, frio, isolamento, vãos envidraçados, climatização, painel solar. De uma forma geral é possível afirmar que as pessoas que já investiram em cada uma destas áreas tende as rondar os 25%, sendo que o valor mais elevado se refere à instalação de janelas duplas e caixilharias (34,5%) e o mais baixo ao isolamento da casa e climatização eficiente (18%). Quanto à disponibilidade para investir durante o próximo ano, a iluminação é a que acolhe mais respostas positivas (55%), seguida da área do frio (36%), da climatização mais eficiente ou limpa (29%), do isolamento da casa (27,5 %) e por último, das janelas duplas e caixilharias (25,4%). Já no que concerne ao painel solar, cerca de 42% dos agregados inquiridos refere ter interesse em investir durante o próximo ano.
  26. 26. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 26 8. Caracterização das Habitações O RCCTE – Regulamento das Características de Comportamento Térmico dos Edifícios – divide o território de Portugal em nove zonas climáticas (seguindo os limites de cada concelho) combinando três zonas de Inverno (I) e três zonas de Verão (V), correspondendo a zona I1V1 ao clima mais ameno e a zona I3V3 ao clima mais rigoroso. Incidindo este projecto sobre a eficiência energética e avaliação de consumos, também ao nível das habitações, a caracterização das EcoFamílias está de acordo com estas nove zonas climáticas (Figura 8). Figura 8 – Mapa das zonas climáticas de acordo com o RCCTE (DL 80/2006)
  27. 27. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 27 A distribuição das habitações das EcoFamílias quanto ao tipo de habitação é relativamente equilibrada a nível nacional: 53% reside em Moradias e 47% em Apartamentos. Esta distribuição verifica-se na generalidade das zonas climáticas, sendo que nas zonas I1V1, I1V2, I2V2 e I3V2 que tem mais apartamentos que moradias, cerca 40% e 60%, respectivamente. Neste projecto todas as EcoFamílias da zona climática I3V1 residem em Moradias (Figura 9). 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% I1V1 I1V2 I1V3 I2V1 I2V2 I2V3 I3V1 I3V2 I3V3 Apart Moradia Figura 9 – Tipo de habitação das EcoFamílias, por zona climática. A tipologia de habitação mais comum nas EcoFamílias é o T3 (37%), e verifica-se um equilíbrio entre T2 (27%) e T4 (22%) (Figura 10). T0 1% T1 1% T2 28% T3 36% T4 22% >T5 12% Figura 10 – Tipologia das habitações das EcoFamílias
  28. 28. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 28 8.1 Caracterização da Construção O programa EcoFamílias, de participação voluntária, não teve como critério de selecção as características construtivas o que originou uma base aleatória, no que diz respeito a estas características. O primeiro RCCTE entrou em vigor em 1991 (Decreto-Lei 40/90 de 6 de Fevereiro), tendo sido revogado pelo Decreto-Lei 80/2006 de 4 de Abril, em vigor desde 1 de Julho de 2007. A aplicação do RCCTE teve implicações na construção dos edifícios ao nível do isolamento da sua envolvente (paredes exteriores, pavimento térreo e coberturas). O isolamento térmico da envolvente da construção influencia a capacidade de resistência à passagem de calor entre o interior e exterior, fundamental para o seu bom desempenho energético. Embora se registe uma melhoria na construção das habitações após 1991, este Regulamento teve uma aplicação deficiente. Apesar das exigências do RCCTE, continuaram a verificar-se anomalias frequentes, tais como pontes térmicas11 e paredes duplas sem tubos de ventilação ou drenagem nas suas caixas de ar12 , que acabam por originar patologias de difícil reparação. É também após a entrada em vigor do RCCTE que aparecem as caixilharias com ruptura térmica13 . A aplicação de vidro duplo e parede dupla torna-se praticamente uma regra a partir desta legislação. A qualidade do isolamento e da caixilharia são dois dos aspectos que foram analisados neste projecto. Quanto melhor isolada termicamente e melhor seja a orientação solar de uma habitação, melhor será o seu desempenho energético e, consequentemente, o conforto do utente. Na caracterização das soluções construtivas foi considerado o ano de construção (informação obtida junto das EcoFamílias) e, sempre que possível, foram recolhidos outros dados pela visita à habitação. Os dados recolhidos passam pela identificação dos sistemas construtivos e materiais utilizados para a envolvente directa em contacto com o exterior (paredes e envidraçados). Nas paredes e lajes pretendeu-se caracterizar os seus constituintes (materiais e isolamento), tipologia de parede (dupla ou simples, por exemplo) e nas superfícies envidraçadas (janelas e portas envidraçadas), o tipo de vidro e de caixilharia. 11 As pontes térmicas (zonas sensíveis da construção) são responsáveis, na maioria dos casos, pelo aparecimento de condensações ou outras patologias que influenciam o conforto higrotérmico, e normalmente decorrem da má aplicação do material de isolamento ou da sua inexistência. 12 A caixa de ar em parede dupla, é o espaço de ar que fica entre os panos de alvenaria (em tijolo ou outro). Este espaço poderá ser preenchido na sua totalidade ou em parte pelo isolamento térmico. 13 As caixilharias com ruptura de térmica ou corte térmico, são fabricadas de forma a promover uma redução da transmissão térmica entre 40% a 60% o que significa uma optimização no que respeita à conservação de temperatura interior.
  29. 29. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 29 Analisando o tipo de paredes exteriores com o ano de construção, verifica-se que a partir da entrada em vigor do RCCTE (1991) há uma melhoria do desempenho térmico destas, verificando-se também um aumento significativo do uso de isolamento térmico (Figura 11). 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% parede simples de pedras/ isolamento parede simples de tijolo s/ isolamento parede simples de tijolo c/ isolamento não id. parede simples de tijolo c/ isolamento xps parede duplade tijolo s/ isolamento parede duplade tijolo c/ isolamento eps parede duplade tijolo c/ isolamento xps parede duplade tijolo c/ isolamento lãmineral parede duplade tijolo c/ isolamento poliuretano parede duplade tijolo c/ isolamento não id. >1991 <1991 Figura 11 – Tipo de parede exterior de acordo com o ano de construção das habitações. Fazendo a mesma análise para as superfícies envidraçadas verifica-se a mesma tendência de melhoria destas, depois da entrada em vigor do primeiro RCCTE (Figura 12). Na análise desta figura chama-se a atenção para a existência de vidros duplos com caixilharia PVC e vidros duplos com caixilharia de alumínio com corte térmico em habitações construídas antes de 1991, facto que se deve a situações de reabilitação.
  30. 30. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 30 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Vidro simples com caixilho de alumínio sem corte térmico Vidro simples com caixilho de alumínio comcorte térmico Vidro simples com caixilho de madeira Vidro simples com caixilho de PVC com corte térmico Vidro duplo com caixilho de alumínio sem corte térmico Vidro duplo com caixilho de alumínio comcorte térmico Vidro duplo com caixilho de madeira Vidro duplo com caixilho de PVC sem corte térmico Vidro duplo com caixilho de PVC com corte térmico >1991 <1991 Figura 12 – Tipo de envidraçados de acordo com o ano de construção das habitações.
  31. 31. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 31 8.1.1 Paredes exteriores As alvenarias dos nossos dias são muito diferentes das construídas há alguns séculos na construção tradicional. As paredes exteriores dos edifícios, desde que concebidas e executadas de acordo com os códigos e regras construtivas adequados, são capazes de desempenhar um papel resistente e higrotérmico apropriado, mesmo quando sujeito a condições adversas. O avanço da tecnologia e dos processos construtivos permite que hoje a parede seja constituída por um conjunto de camadas justapostas de materiais distintos, desempenhando cada uma delas a sua função, de modo a que a parede resultante dê resposta a todos os requisitos construtivos exigidos, de forma o mais racional e económica possível. A transmissão de energia entre o exterior e o interior é um factor determinante no desempenho energético do edifício seja qual for o sistema de climatização, daí que a primeira decisão a tomar seja a escolha do sistema construtivo da envolvente da construção que deverá ser adequada ao clima do lugar em que se insere. Assim, as diferenças construtivas entre os elementos analisados ocorrem por diversas razões entre elas a zona do território (norte, sul e centro, interior e litoral do país), factores climáticos e data de construção da habitação. Numa parede dupla com isolamento térmico no seu interior, apenas é aproveitada parte da inércia térmica, tornando-se necessário corrigir as pontes térmicas. Este facto traduz-se numa maior área de isolamento e, consequentemente, no aumento da espessura da parede, peso da estrutura e fundações, tornando a solução mais dispendiosa. Para o seu bom desempenho, é também fundamental que exista uma caixa de ar bem ventilada (através de pequenos furos para favorecer a ventilação e drenagem). Por oposição, o sistema construtivo composto por parede simples com isolamento térmico pelo exterior faz um maior aproveitamento da inércia térmica, e não possui pontes térmicas, traduzindo-se numa solução menos dispendiosa. A tipologia de parede exterior mais comum nas habitações das EcoFamílias é composta por parede dupla de tijolo com isolamento térmico (62%), este facto é justificado por se tratar de construções posteriores a 1991 (ano de aplicação do primeiro RCCTE). Esta situação está de acordo com os resultados obtidos no inquérito social, em que 60% das famílias consideram estar total ou bastante satisfeitos com o conforto térmico da sua casa.
  32. 32. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 32 4% 19% 1% 1% 12% 39% 9% 3% 1% 10% 1% parede simples de pedra s/ isolamento parede simples de tijolo s/ isolamento parede simples de tijolo c/ isolamento não id. parede simples de tijolo c/ isolamento xps parede dupla de tijolo s/ isolamento parede dupla de tijolo c/ isolamento eps parede dupla de tijolo c/ isolamento xps parede dupla de tijolo c/ isolamento lã mineral parede dupla de tijolo c/ isolamento poliuretano parede dupla de tijolo c/ isolamento não id. parede tripla de pedra+ tijolo c/ isolamento xps Figura 13 – Tipo de parede e isolamento existente nas habitações das EcoFamílias A identificação do tipo de isolamento térmico utilizado foi feita com base no testemunho das famílias que em alguns casos acompanharam a construção da habitação, ou recorrendo à ficha técnica da habitação (elemento relevante na aquisição de habitação). Nem sempre foi possível confirmar a sua natureza. O tipo de isolamento mais utilizado é o poliestireno expandido (EPS), seguido do poliestireno extrudido (XPS), lã mineral e por fim poliuretano. O poliestireno expandido (EPS)14 vulgarmente conhecido como esferovite, é uma espuma termoplástica, tal como o XPS. É um material celular e que se apresenta no mercado com múltiplas formas e funções, sendo a sua aplicação na construção civil extraordinariamente variada. A sua principal vantagem é a baixa condutibilidade térmica15 (U-value) apresentada. 14 O poliestireno expandido ou EPS é um material rígido que apresenta uma estrutura assente em esferas cheias de ar produzidas através de vapor de água. 15 Condutibilidade térmica é a capacidade que uma substância possui para transmitir calor por condução. É geralmente simbolizada com a letra K ou então denominada U-value.
  33. 33. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 33 O poliestireno extrudido (XPS)16 , é muito utilizado actualmente na construção civil, por possuir, um baixo índice de condutibilidade térmica7 (U-value), o que o torna muito resistente às trocas térmicas, favorecendo a conservação da temperatura no ambiente interior. Possui ainda uma excelente resistência às acções mecânica e ambientais, sendo largamente utilizado nas chamadas “coberturas invertidas” em que o isolamento térmico se encontra por cima da impermeabilização. A manta de lã de rocha é um material de isolamento térmico flexível, leve e de muito fácil instalação. A lã de rocha, além de bom isolante térmico é também um excelente isolante acústico, e ainda incombustível, resistente à água, não corrosiva e não é atacada por sais nem por ácidos. É muito utilizado para isolar paredes ou na impermeabilização de lajes. Na análise do tipo de parede exterior com as zonas climáticas, ao contrário do que seria de esperar as construções não se encontram adaptadas às especificidades climáticas locais (Figura 14). O tipo de parede com pior comportamento térmico aparece nas zonas climáticas mais rigorosas, mas são também nestas zonas que residem as EcoFamílias de classes de rendimento mais baixas, o que pode influenciar estes resultados. 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% parede simples de pedra s/ isolamento parede simples de tijolo s/ isolamento parede simples de tijolo c/ isolamento não id. parede simples de tijolo c/ isolamento xps parededupla detijolo s/ isolamento parededupla detijolo c/ isolamento eps parededupla detijolo c/ isolamento xps parededupla detijolo c/ isolamento lã mineral parededupla detijolo c/ isolamento poliuretano parededupla detijolo c/ isolamento não id. paredetripla depedra + tijolo c/ isolamento xps I1V1 I1V2 I1V3 I2V1 I2V2 I2V3 I3V1 I3V2 I3V3 Figura 14 – Tipo de parede exterior de acordo com a zona climática 16 O poliestireno extrudido ou XPS é uma espuma homogénea rígida de poliestireno, obtida por um processo de extrusão em contínuo, que se apresenta sob a forma de placas de cor azul ou rosa.
  34. 34. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 34
  35. 35. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 35 8.1.2 Superfícies envidraçadas (janelas e portas envidraçadas) Através das superfícies envidraçadas ocorrem as maiores trocas térmicas. De um modo geral, traduzem-se em ganhos térmicos no Verão e perdas térmicas no Inverno. A orientação solar dos envidraçados é também um factor importante em termos térmicos e em termos de iluminação, condicionando o conforto interior. A energia acumulada é influenciada pela intensidade da radiação solar incidente na superfície envidraçada, da sua área e do seu factor solar17 . Em Portugal, o quadrante Sul é o mais favorável para os ganhos térmicos uma vez que recebe radiação solar directa ao longo do dia. No quadrante Norte a iluminação é constante mas é também o quadrante onde não se registam ganhos térmicos e existem perdas térmicas, uma vez que não recebe radiação solar directa. No quadrante Este, durante o período da manhã ocorrem os ganhos térmicos, período em que recebe radiação solar directa. A Oeste os mesmos ganhos ocorrem durante o período da tarde, devido ao “movimento aparente” do Sol. A utilização de vidros duplos, preferencialmente de baixa emissividade18 , com caixilharias com corte térmico, pode reduzir até 50% das perdas térmicas pelas janelas, assim como o ruído do exterior. Importa frisar que, por exemplo, cerca de 15% da energia utilizada para aquecimento e arrefecimento de uma habitação é perdida através de frinchas existentes em caixilharias mal vedadas ou empenadas. A caracterização das superfícies envidraçadas das habitações das EcoFamílias foi feita tendo em conta o tipo de vidro e caixilharia existente. Ao analisar as superfícies envidraçadas existentes, e tal como já foi mostrado na Figura 12, verifica-se que a maioria é composta por vidro duplo (os envidraçados possuem 52% vidro duplo e 48% possuem vidro simples). Estes resultados estão relacionados com o facto de, a partir de 1991, o RCCTE estabelecer a sua obrigatoriedade (embora nem sempre se verifique) e por se tratar de uma medida relativamente simples, face a outras, na área da construção, que melhora significativamente o conforto térmico do edifício. Esta situação está de acordo com os resultados obtidos no inquérito social, em que 50% das famílias consideram estar total ou bastante satisfeitos situação em relação ao isolamento das janelas. Em relação ao material da caixilharia verificou-se que a maioria é em alumínio (71% de alumínio; 19% de madeira; 10% PVC) (Figura 15). Verifica-se também que a caixilharia em madeira tem entrado em desuso provavelmente devido ao seu 17 O factor solar de um envidraçado é o quociente entre a energia que o atravessa e a radiação solar que nele incide. 18 A emissividade mede a capacidade de um corpo em emitir energia. Os vidros de baixa emissividade possuem a característica de reduzir a transferência de calor, proporcionando um elevado isolamento térmico.
  36. 36. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 36 comportamento térmico e, principalmente porque empenam com o uso e a idade, com os respectivos inconvenientes associados, tanto na abertura e fecho das janelas. 30% 1% 15% 2% 19% 21% 4% 4% 4% Vidro simples com caixilho de alumínio sem corte térmico Vidro simples com caixilho de alumínio com corte térmico Vidro simples com caixilho de madeira Vidro simples com caixilho de PVC com corte térmico Vidro duplo com caixilho de alumínio sem corte térmico Vidro duplo com caixilho de alumínio com corte térmico Vidro duplo com caixilho de madeira Vidro duplo com caixilho de PVC sem corte térmico Vidro duplo com caixilho de PVC com corte térmico Figura 15 – Tipo de envidraçados existentes nas habitações das EcoFamílias Ao analisar o tipo de vidro e o tipo de caixilho verificamos que a maior percentagem (21%) corresponde a envidraçados compostos por vidro duplo com caixilharia em alumínio com corte térmico, seguido dos envidraçados compostos por vidro duplo com caixilho de alumínio simples (19%). Verifica-se que as melhores soluções de tipos de vidro e caixilho, analisado em função da zona climática, encontram-se nas zonas onde o clima é menos rigoroso (Figura 16). Este facto pode ser motivado por uma maior preocupação com o conforto interior ou devido às EcoFamílias destas zonas climáticas pertencerem a classes de rendimento mais elevadas.
  37. 37. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 37 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Vidro simples com caixilho de alumínio sem corte térmico Vidro simples com caixilho de alumínio comcorte térmico Vidro simples com caixilho de madeira Vidro simples com caixilho de PVC com corte térmico Vidro duplo com caixilho de alumínio sem corte térmico Vidro duplo com caixilho de alumínio comcorte térmico Vidro duplo com caixilho de madeira Vidro duplo com caixilho de PVC sem corte térmico Vidro duplo com caixilho de PVC com corte térmico I1V1 I1V2 I1V3 I2V1 I2V2 I2V3 I3V1 I3V2 I3V3 Figura 16 – Tipo de envidraçado de acordo com a zona climática. 8.1.3 Protecção solar A protecção solar é quase sempre imprescindível para se poder tirar partido da nossa maior fonte de energia – o Sol. Esta pode ser conseguida por exemplo, através de estores ou portadas, pelo lado exterior do vidro. Os raios solares ao atingirem directamente o vidro geram o chamado "efeito de estufa": atravessam o vidro e vão aquecer a habitação, sendo depois impedidos pelo mesmo de voltarem a sair. Uma vez aquecida a massa de ar interior, o calor só se perde à noite, quando a temperatura exterior é inferior à interior19 , pois o fluxo de calor através do vidro verifica-se sempre da temperatura mais alta para a mais baixa. Em termos de ganhos e perdas térmicas, existem diferenças entre proteger os envidraçados pelo exterior ou pelo interior. Uma janela protegida pelo interior do vidro deixa passar mais 20% a 30% da radiação solar para o seu interior, do que uma protegida pelo exterior. Este facto pode ser vantajoso no Inverno, mas no Verão pode conduzir a um sobreaquecimento do interior, e a um consequente aumento do gasto de energia em sistemas de climatização para o frio. No entanto, no que diz respeito a 19 O fluxo de calor, neste caso através do vidro, verifica-se sempre da temperatura mais alta para a mais baixa.
  38. 38. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 38 perdas térmicas, uma janela a Norte com sombreamento pelo exterior, pode deixar perder mais calor durante a noite do que uma protegida por estores interiores, o que igualmente, poderá conduzir a um aumento de gasto de energia em sistemas de climatização para aquecer no Inverno. Das habitações analisadas, 78% apresenta protecção pelo interior e exterior, maioritariamente com recurso a estores no exterior e cortinados no interior. Os estores podem ser úteis para alcançar o conforto interior desde que se faça um correcto uso deles. A protecção pelo interior representa 12% das EcoFamílias, seguido de 6% de protecção pelo exterior (Figura 17). 12% 2% 6% 78% 1% 1% Protecção pelo interior Protecção entre janelas Protecção pelo exterior Protecção pelo interior e exterior Protecção interior e entre janelas Nenhum tipo de protecção Figura 17 – Localização do protecção solar nas habitações das EcoFamílias.
  39. 39. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 39 8.1.4 Orientação Solar De acordo com a análise efectuada no que diz respeito à envolvente das habitações (paredes exteriores e superfícies envidraçadas), todas as orientações solares são contempladas, existindo um relativo equilíbrio nessa distribuição. Esta orientação é dada pela orientação da fachada com maior área envidraçada (Figura 18). 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% I1V1 I1V2 I1V3 I2V1 I2V2 I2V3 I3V1 I3V2 I3V3 O SO S SE E NE N NO Figura 18 – Orientação solar por zona climática. A orientação Norte deve ser evitada porque é neste quadrante que ocorrem grandes perdas térmicas e não existem ganhos, uma vez que não recebe radiação solar directa, independentemente da altura do ano e do dia. Isto significa que no Inverno, os gastos de energia para manter a temperatura de conforto aumentam e pode ser necessário recorrer a iluminação auxiliar durante o dia. A orientação Sul, como já foi referido, é a que apresenta maior potencialidade para o aproveitamento do Sol. A incidência da radiação solar neste quadrante pode ser controlada na sua totalidade com o recurso a estores, portadas, palas de sombreamento horizontais ou outros elementos de sombreamento, uma vez que o Sol, consoante a estação do ano, apresenta diferentes ângulos de incidência solar. A Nascente e a Poente, a entrada de raios solares através das superfícies envidraçadas é de difícil controlo. O período da manhã é aquele em que se regista a incidência solar directa a Nascente e quando ocorrem os ganhos térmicos. O mesmo se verifica a Poente mas no período da tarde. Nestas orientações os raios solares
  40. 40. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 40 atingem uma inclinação quase perpendicular ao vidro, o que dificulta a sua protecção de outro modo que não seja a total. Assim, recomenda-se que no Verão se protejam os envidraçados no período da manhã a Nascente, podendo desprotege-los no período da tarde, promovendo também a ventilação dos compartimentos. A Poente os envidraçados devem ser protegidos no período da tarde. Durante o Inverno dever-se-á fazer o processo inverso de modo a promover os ganhos solares e minimizar as perdas térmicas
  41. 41. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 41 9. Caracterização de Equipamentos eléctricos e Iluminação Tal como descrito no capítulo da Metodologia, a recolha de dados foi efectuada através dos inquéritos de identificação e utilização dos instrumentos de medição de consumos locais e remotos e também pelo registo das leituras dos contadores de electricidade, gás e água. Através do inquérito de levantamento dos equipamentos eléctricos existentes foram identificados 170 equipamentos diferentes nas EcoFamílias. A Figura 19 mostra a taxa de presença dos equipamentos nas EcoFamílias. Nesta análise não foram considerados os equipamentos presentes em menos de 10% das EcoFamílias, por não se considerar como presença significativa.
  42. 42. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 42 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Antenainterior Aparelhagem Aquecedorelectrico ArCondicionado Arca Aspirador Calculadora Caldeira Colunas Combinado Computador Descodificador Despertador Desumidificador DVD Esquentadoragás Exaustor FerroEngomar Forno Frigorifico Impressora Irradiadoraoleo MaquinaCafé Maquinaloiça MaquinaRoupa Maquinasecar Microondas Placa Portátil PS rádio Router Secador Telefone Televisão Termoventilador Torradeira Ventoinha Video Ventoinha Video Taxadepresença(%) Equipamentos Figura 19 – Taxa de presença dos equipamentos nas EcoFamílias.
  43. 43. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 43 Pela análise da Figura 19 verifica-se que equipamentos como fogão, frigorífico/combinado, máquina de lavar roupa existem em todas as EcoFamílias e 85% das famílias possuem micro-ondas. Outros equipamentos como computador estão presentes em cerca de 70% das famílias abrangidas por este programa. Os equipamentos identificados foram agrupados nas seguintes categorias:  Água Quente Sanitária (AQS)  Climatização  Cozinha  Entretenimento  Frio  Iluminação  Informática e Telecomunicações  Máquinas e Outros Na medição de consumos eléctricos, foram caracterizados 653 equipamentos no total das 206 EcoFamílias, numa média de 3 equipamentos por EcoFamília. A medição de alguns aparelhos apresentou algumas dificuldades. O caso dos electrodomésticos encastrados, sistemas de aquecimento e caldeiras, em que não se consegue ter acesso às fichas de electricidade dos mesmos, foi uma condicionante às medições efectuadas em várias habitações. A opção de colocar numa parte das habitações instrumentos de mediação nos disjuntores foi precisamente para ultrapassar esta dificuldade. No entanto, muitos dos quadros eléctricos encontrados estão mal estruturados, tendo muitos circuitos no mesmo disjuntor. Assim, em vez de medições de apenas um equipamento obteve-se uma medição simultânea de vários equipamentos, o que não ajudou a uma caracterização pormenorizada em muitos casos. Os equipamentos de entretenimento (televisão, DVD, vídeo-gravador, etc.) estão todos ligados à mesma tomada, que se encontra por trás de móveis, o que tornou por vezes a sua medição impraticável. Em alguns casos ainda assim foi possível medir os equipamentos mas apenas em conjunto. Houve também casos em que se assumiu medir alguns equipamentos em conjunto, por se verificar que existiam em quase todas as casas, como por exemplo um conjunto composto por uma televisão, DVD, aparelhagem de som e descodificador de televisão (vulgarmente conhecido por powerbox). Na fase de validação, algumas medições foram ainda rejeitadas. Para além disso, existiram medições que não foi possível considerar devido a problemas com os dados dos instrumentos de medição local e remoto, o que condicionou uma caracterização mais completa das famílias. A leitura dos contadores de algumas EcoFamílias também não foi possível, devido ao facto de alguns se encontrarem fechados, apenas acessíveis para os técnicos das empresas. Dado que se optou pela inserção, por parte das famílias, dos dados dos contadores numa base de dados online, há algumas falhas de registo, existindo mesmo famílias que não existem valores das contagens. Nas famílias sem acesso à internet foi entregue uma folha para o registo das leituras, mas muitas das famílias não os registaram. Como se pode verificar pelas situações descritas, a implementação do programa EcoFamílias no terreno teve que transpor algumas dificuldades e ajustar-se em alguns momentos às situações que iam surgindo. Desta experiência resulta que os dados
  44. 44. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 44 recolhidos em cada EcoFamília apresentam diferenças, quer em termos de qualidade, quer em quantidade. 9.1.1 Consumos totais de electricidade Na Figura 20 apresenta-se a repartição dos consumos de electricidade com base nos consumos eléctricos dos equipamentos medidos. No caso da iluminação e climatização, o valor apresentado foi calculado através da potência e tempo de utilização referido pelas famílias, por não ter sido possível medir. Entretenimento 6% Informática 7% Máquina de lavar loiça 7% Máquina de lavar roupa 9% Arca 10% Frigorífico 14% Climatização 9% Iluminação 8% Não medido 30% Figura 20- Distribuição dos consumos de electricidade pelas categorias. Os equipamentos de frio (frigoríficos/combinados e arcas) medidos representam a maior fatia de consumo (24%). As máquinas de lavar loiça e roupa representam 16% do consumo total. Os equipamentos não medidos incluem aparelhos de ar condicionado, electrodomésticos encastrados, equipamentos eléctricos de aquecimento de águas sanitárias e pequenos electrodomésticos. Muito próximo da categoria Frio, estão em conjunto as categorias de Iluminação, Entretimento e Informática representam cerca de 21% do consumo total das EcoFamílias. Estas são as categorias onde este projecto vai incidir mais na alteração de comportamentos para a eliminação de consumos de stand-by e off-power e substituição de lâmpadas. A análise dos equipamentos eléctricos foi feita por categorias, visto terem sido realizadas medições individuais e por grupo de equipamentos. A compreensão desta distribuição de consumos é fundamental para a mudança de comportamentos. A comparação da repartição dos consumos das famílias (Figura 20) com a percepção que estas têm dos mesmos (Tabela 5), permitiu verificar que há alguma concordância no que concerne à área do frio e mesmo da climatização. Já em
  45. 45. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 45 termos das áreas da iluminação e das máquinas de lavar observa-se uma subvalorização no primeiro caso e o efeito contrário no segundo. De sublinhar, é ainda o facto dos consumos reais medidos nas EcoFamílias comprovarem a percepção que os inquiridos têm sobre o peso que o consumo das máquinas de lavar (roupa e loiça) tem nas despesas mensais do agregado, o que não acontece quando comparamos com os dados oficiais. Esta aparente incoerência poderia levar a uma interpretação que apontasse para uma incorrecta percepção dos inquiridos sobre as áreas de maior consumo de electricidade no seu agregado, quando o que se verifica é que as medições registadas nas EcoFamílias, dão origem a padrões de consumo diferentes dos registados entre a população portuguesa em geral. Tal situação não será de estranhar, face às diferenças sublinhadas no capítulo da caracterização social em variáveis tão relevantes para este tema, como são o grau de habilitações, a idade ou a ocupação profissional. A área da iluminação é aquela onde a distância entre os dados reais relativos à população portuguesa ou os dados recolhidos nas EcoFamílias e a percepção do consumo é maior, isto quando analisamos as principais categorias de consumo. 9.1.2 Água Quente Sanitária Na Tabela 6 encontram-se os equipamentos presentes nas EcoFamílias, para o aquecimento da água. Tabela 6 – Tipo de Equipamentos da categoria de Águas Quente Sanitária presentes nas EcoFamílias Categoria Esquentador Termoacumulador Caldeira a gás Caldeira a gasóleo Painel solar Tipo de Equipamento AQS Nas EcoFamílias, ainda prevalece o gás como fonte de energia para aquecimento de águas, quer através de esquentadores, como caldeiras (Figura 21). Gás 81% Eléctrico 6% Lenha 1% Renováveis 6% Gasóleo 6% Figura 21 – Distribuição das várias formas de energia para AQS, nas EcoFamílias
  46. 46. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 46 O gasóleo apresenta um peso significativo, 6%, estando na mesma proporção que a energia eléctrica e energias renováveis. 9.1.3 Climatização Na Tabela 7 apresentam-se os equipamentos presentes nas EcoFamílias, para o aquecimento e arrefecimento das habitações. Tabela 7 – Tipo de equipamentos da categoria Climatização presentes nas EcoFamílias Categoria Acumulador de calor Desumidificador Aquecedor infra-vermelhos Escalfeta Aquecimento central eléctrico Irradiador a óleo Ar condicionado Termoventilador Lareira eléctrica Ventoinha Aquecimento central a gás Aquecedor Catalítico Aquecedor de halógeneo Aquecimento central a gasóleo Braseira eléctrica Lareira a lenha Tipo de Equipamento Climatização Os equipamentos eléctricos são mais utilizados pelas EcoFamílias, sendo o irradiador a óleo o equipamento mais presente (30%), seguido dos equipamentos de ar condicionado (18%). Figura 22 – Equipamentos de climatização (ar Condicionado e lareira com recuperador de calor) Analisou-se a presença de equipamentos de climatização por escalão de rendimentos e verifica-se que o escalão médio de rendimento – escalão 3 – tem um maior número de famílias com equipamentos de climatização, e com maior variedade de tipos de equipamentos (Figura 23).
  47. 47. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 47 O menor número de equipamentos de climatização na classe de rendimentos superior pode ser justificado pelas melhores soluções construtivas das habitações, o que implica uma menor necessidade de utilização destes equipamentos. 0 20 40 60 80 100 120 1 2 3 4 5/6 99 Númerodefamílias Classe de rendimento Irradiador óleo Aquecedor infra-vermelhos Ar Condicionado Termoventilador Aquecimento Central a gás Ventoinha Desumidificador Acumulador de calor Escalfeta Aquecedor catalítico Aquecimento Central Gasóleo Braseira Lareira Lareira electrica Aquecedor halogéneo Fogão a lenha Emissor térmico Econo-heat Aquecimento central a Electricidade Figura 23 – Presença dos vários tipos de equipamentos de climatização existente nas EcoFamílias, por escalão de rendimento.
  48. 48. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 48 9.1.4 Cozinha Os equipamentos eléctricos presentes numa cozinha são muitos variados, com características e funções muito diferentes (Tabela 8). Tabela 8 – Tipo de equipamentos da categoria Cozinha presentes nas EcoFamílias. Categoria Batedeira Máquina de café Espremedor de citrinos Máquina de Pão Exaustor Micro-ondas Placa a gás Picador de gelo Forno eléctrico Placa eléctrica Fritadeira eléctrica Torradeira Grelhador eléctrico Tostadeira Jarro eléctrico Varinha mágica Robô Picadora Cafeteira Máquina de sumos Liquidificador Base para comida quente Bimby Chaleira Fiambreira Fogão com placa electrica Forno a gás Placa de indução Iogurteira Máquina de batidos Máquina de cozer a vapor Misturadora Panela eléctrica Patusca Placa vitrocerâmica Cozinha Tipo de Equipamento No que respeita aos electrodomésticos de cozinhar a placa a gás continua a ter muito maior peso (82%) do que as eléctricas (Figura 24) No caso do forno existe uma maior presença de fornos eléctricos nas casas das EcoFamílias (69%). Forno electrico 69% Forno a gás 31% Placa a gás 82% Placa eléctrica 18% Figura 24 – Percentagem de placas e fornos a gás e eléctricos As medições de consumos nas cozinhas apresentam algumas dificuldades por diversas razões, entre as quais electrodomésticos encastrados ou ligados directamente à instalação eléctrica da casa (por exemplo, forno eléctrico e exaustor).
  49. 49. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 49 Dos pequenos electrodomésticos apresentados na Tabela 8 o mais comum, e também o mais utilizado, é o micro-ondas, estando presente em cerca de 85% das EcoFamílias.
  50. 50. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 50 9.1.5 Entretenimento Na análise do tipo de equipamentos de Entretenimento (Figura 25) existentes nos lares das EcoFamílias, verificou-se que 99% têm pelo menos um aparelho de televisão, sendo que uma família não possui este equipamento por opção e a outra possui um videoprojector. Outros equipamentos como DVD ou aparelhagem de som, são comuns nas EcoFamílias, encontrando-se em 80% e 64 % das famílias, respectivamente. Nesta categoria estão ainda incluídos equipamentos como o descodificador de televisão (vulgarmente conhecido por powerbox) ou consolas, num total de 29 tipos de equipamentos (Tabela 9). Figura 25 – Equipamentos de entretenimento Tabela 9 – Tipo de equipamentos de Entretenimento presentes nas EcoFamílias. Categoria Amplificador Vídeo Aparelhagem de som DVD Leitor de CDs Porta CD Descodificador Rádio Sist. de som panorâmico Auscultadores sem fios Consola Satélite Adaptador TV Televisão Gira-Discos Adaptador PS LCD Antena Interior Plasma Karaoke PlaySation Leitor ipod Subwoofer Projector Transmissor Receptor Comando Volante PS Transformador Video Entretenimento Tipo de Equipamento
  51. 51. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 51 Do consumo dos equipamentos medidos verificou-se que nas EcoFamílias os aparelhos de entretenimento apresentam grandes variações de consumos: entre os 3 e os 822 kWh/ano, numa média de cerca de 223 kWh/ano (Figura 26), que corresponde em média a 6% do consumo total de electricidade. Analisando ainda o gráfico os resultados nesta categoria, concluiu-se que o consumo total destes aparelhos não é semelhante em famílias do mesmo escalão de rendimento. 0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 1(B09) 1(G06) 1(H21) 1(I02) 2(A02) 2(A25) 2(D01) 2(D09) 2(D11) 2(D12) 2(D22) 2(F02) 2(F16) 2(H08) 2(I08) 3(A11) 3(A26) 3(B34) 3(B36) 3(C04) 3(C15) 3(C16) 3(D15) 3(D21) 3(D26) 3(F07) 3(F18) 3(H25) 3(H33) 4(A07) 4(B21) 4(E08) 4(E10) 4(E24) 4(F11) 4(F12) 4(F15) 4(I20) 5(A38) 5(D23) 99(F10) Consumo(kWh/ano) EcoFamília Figura 26 – Consumo dos equipamentos de Entretenimento (kWh/ano) nas EcoFamílias, por escalão de rendimento. Através da análise dos dados de consumo eléctrico medidos nestes equipamentos foi possível verificar que cerca de 65% evidenciam a existência de consumo off-power ou de stand-by. Equipamentos como as aparelhagens de som e os leitores de DVD e vídeo são normalmente fontes de consumos off-power. Uma outra análise neste grupo foi a influência da potência dos aparelhos no consumo total de electricidade. Assim, analisou-se grupo de equipamentos com a mesma constituição, tendo sido possível nas EcoFamílias A11, A26 e A38. Na análise do grupo constituído por televisão, DVD e Aparelhagem verifica-se que o consumo mais elevado é no conjunto com maior potência e não no que apresenta mais horas de consumo (Figura 27).
  52. 52. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 52 0 100 200 300 400 500 600 0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 8000 9000 10000 3(A11) 3(A26) 5(A38) Consumo(kWh/ano) horas/ano EcoFamília Tempo (horas/ano) Consumo (kWh/ano) Consumo instantâneo (W) Figura 27 - Comparação entre o número de horas de utilização e o consumo médio por mês do grupo de entretenimento constituido por televisão, DVD e Aparelhagem. 9.1.6 Informática e Telecomunicações Os equipamentos informáticos (Figura 28) têm um peso crescente nos lares portugueses. Reflexo disto é o facto de 70% das EcoFamílias possuírem computador. Figura 28 – Equipamentos de informática Os computadores fixos estão presentes em 62% das famílias e os portáteis em 19%. Nesta categoria foram identificados 21 equipamentos diferentes nesta categoria (Tabela 10). Tabela 10 – Tipo de equipamentos da categoria Informática e Telecomunicações existentes nas EcoFamílias
  53. 53. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 53 Categoria Calculadora Impressora Carregador de telemóvel Modem Colunas Monitor Computador pessoal Multifunções Computador portátil Scanner Sintetizador Telefone Fax Carregador máquina fotográfica Carregador de pilhas Router Disco externo UPS Transformador Webcam USB com placa de rede Tipo de Equipamento Informática e Telecomunicações Das medições realizadas nesta categoria, não se encontrou uma relação entre os rendimentos da família e o consumo deste tipo de equipamentos. Como se pode verificar pela Figura 29, o consumo destes equipamentos é muito variável entre famílias, dependendo muito da utilização que cada uma faz destes equipamentos (trabalho ou lazer). Os consumos nesta categoria variam de 48 a 3.202 kWh/ano, representando um peso médio de 7% da factura total de electricidade. 0 500 1000 1500 2000 2500 3000 3500 2(B16) 2(D08) 2(D22) 2(E01) 2(E17) 2(F02) 2(F14) 3(A18) 3(A19) 3(A20) 3(A23) 3(B15) 3(B18) 3(B20) 3(C08) 3(C13) 3(C17) 3(D15) 3(E28) 3(F08) 3(F25) 4(A03) 4(A32) 4(C01) 4(C27) 4(E08) 4(E10) 4(F03) 4(F11) 4(I20) 5(A38) 5(F19) 99(B11) Consumo(kWh/ano) EcoFamília Figura 29 – Consumo eléctrico da categoria Informática (kWh/ano) nas EcoFamílias Em cerca de 76% das medições realizadas verificou-se a existência de consumos off- power e/ou stand-by num ou mais equipamentos. Fazendo a análise individual dos equipamentos verificou-se a existência de consumos off-power em computadores, multi-funções e colunas de som.
  54. 54. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 54 9.1.7 Iluminação Na categoria Iluminação foram identificados 6 tipos de lâmpadas nas EcoFamílias (Tabela 11). Tabela 11 – Tipo de equipamentos de Iluminação presentes nas EcoFamílias. Categoria Lâmpada de halogéneo Lâmpada fluorescente compacta Lâmpada fluorescente Lâmpada incandescente LED Néon Tipo de Equipamento Iluminação Na iluminação (Figura 30) identificou-se a utilização, ainda predominante, das lâmpadas incandescentes, representando 46% do total de lâmpadas caracterizado (Figura 31). Outro facto que se verifica na iluminação é uma cada vez maior utilização das lâmpadas de Halogéneo (22%) e lâmpadas fluorescentes compactas (22%), o que significa uma melhoria ao nível da eficiência energética relativamente à utilização das lâmpadas incandescentes. As lâmpadas fluorescentes encontrando-se principalmente nas cozinhas (10%). Duas EcoFamílias, já optaram em algumas zonas da casa por LEDs, e uma possuía Néons. Figura 30 – Iluminação de halogéneo
  55. 55. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 55 Lâmpadas de halogéneo 22% LED 0,33% Lâmpadas incandescentes 46% Néon 0,07% Lâmpada fluorescente compacta 22% Lâmpada fluorescente 10% Figura 31 - Percentagem de presença dos vários tipos de lâmpadas nas EcoFamílias Nesta categoria foram poucas as medições que se conseguiram realizar, visto a iluminação ser predominantemente de tecto. Na contabilização total da Iluminação existente numa habitação, os candeeiros de secretária, de sala ou de quarto, têm pouco peso (13% do número total de lâmpadas). Da análise da iluminação existente nas EcoFamílias verificou-se que a potência média das lâmpadas incandescentes é de 43 Watts (W) e a das lâmpadas de Halogéneo é de 59W. No caso das lâmpadas fluorescentes, a potência média é de 27W e a das lâmpadas fluorescentes compactas é de 13W. O número médio por quarto nas EcoFamílias é de 3 lâmpadas. Na análise da Iluminação verifica-se que em praticamente todas as EcoFamílias ainda existe uma presença significativa das lâmpadas incandescentes, em todos os escalões de rendimento (Figura 32). Nestes casos, o potencial de redução de consumo pela troca por lâmpadas fluorescentes compactas, poderá ser elevado, dependendo do tempo de utilização das mesmas.
  56. 56. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 56 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 1 2 3 4 5/6 99 Númeromédiodelâmpadas Classe de rendimento LH LF LFC LI Figura 32 – Número médio e tipo de lâmpadas existentes por EcoFamília, por escalão de rendimento. Relativamente às lâmpadas de halogéneo verifica-se que também têm uma presença muito forte nas habitações (22%), em parte devido à construção, com a sistematização de tectos falsos com iluminação de Halogéneo embutida, mas também devido aos fabricantes de candeeiros, que apostaram fortemente nos candeeiros para estas lâmpadas. Pela análise da Figura 32 verifica-se um aumento do número de lâmpadas fluorescentes compactas com a classe de rendimento. Na categoria de Iluminação foram cruzados os dados de tempo de utilização com o consumo das lâmpadas (Figura 33). Em termos de utilização das lâmpadas verifica-se que as lâmpadas fluorescentes de 36 W são as mais utilizadas. Verifica-se também que apesar de uma utilização elevada dos LED de 2W, o consumo associado a este é muito baixo. 0 10 20 30 40 50 60 0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 Consumomédio(kWh/ano) tempo médio (h/ano) Lâmpada de Halogéneo 50 Lâmpada de Halogéneo 55 Lâmpada fluorescente 18 Lâmpada fluorescente 36 Lâmpada fluorescente compacta 11 Lâmpada fluorescente compacta 15 Lâmpada incandescente 25 Lâmpada incandescente 40 Led 1,3 Led 2
  57. 57. Projecto EcoFamílias – Relatório Final Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza 57 Figura 33 – Consumo médio e tempo de utilização médio por tipo de lâmpada As lâmpadas de halogéneo apresentam um consumo elevado, relativamente ao número de horas de utilização. O potencial de poupança destas lâmpadas pode ser significativo se substituídas por lâmpadas fluorescentes compactas.
  58. 58. Projecto EcoFamílias – RelatÀ

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