Flavia de Almeida ValentimO Impacto da Produção dos Correspondentes          Comunitários do Portal Viva Favela           ...
Agradecimento            Aos internautas que me ajudaramna realização desse trabalho e que acreditam            que podemo...
Resumo Esta monografia é uma reflexão sobre a prática de reportagensproduzidas pelos correspondentes comunitários do Viva ...
SumárioAgradecimento                                            2Resumo e Palavras-chave                                  ...
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Os autores ainda acrescentam um dado importante: “a Internet é uma nova opção deesperança. É uma nova ferramenta para busc...
2 A produção das reportagens2.1 O pioneirismo nas pautas e apuração       Nas redações dos grandes veículos, os jornalista...
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O Viva Favela é o pioneiro em reportagens de comportamento dessas comunidades.Esse é o diferencial. De acordo com Moura, o...
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mil pessoas no prédio, levou muitas delas às bancas de jornal. Para Moura, isso égratificante, pois os moradores vêem os p...
2.3 A representação da vida na favela       Na revista eletrônica, as imagens e o estilo de redação de algumas reportagens...
menos não intencionalmente. De acordo com o editor, os personagens surgem porque elesrealmente se destacam nas comunidades...
Compensa. Os motoristas das linhas de ônibus que descem o Itararé e os caminhoneiros que       trabalham por ali são clien...
O Viva Favela possui ingredientes que atraem e seduzem a classe média, formadorade opinião, detentora do consumismo e do c...
A Internet se insere em um novo conceito de bens de consumo coletivo. Trata-se debens que não podem ser delimitados às fro...
primeiros moradores vieram de Peixe Branco e Itabirinha de Mantena. Ergueram seus       barracos numa época em que o local...
3 Revolução social e tecnológica?3.1 Comunidade Viva/ comunidade virtual        Durante o I Fórum Internacional ABA Petrob...
‘Aqueles que fizeram crescer o ciberespaço são em sua maioria anônimos, amadores         dedicados a melhorar constantemen...
especializados. Nesses espaços há informações que não são encontradas nos sites degrandes veículos, como os de jornais, po...
transmite, levando em consideração a sociedade. E também cabe aos “consumidoresda informação” analisarem esses significado...
cultura da sociedade. Martín Barbero (1991) elucida as barreiras que atrasam ainclusão digital:        ‘Es decir, que hay ...
Conclusão       O registro de histórias de vida das favelas de forma virtual pode contribuirpara a valorização e bem-estar...
BibliografiaBARTHES, Roland. Mitologias. 1 ed.. Madrid, Espanha: siglo veintiuno de españaeditores, s. a., 1980. 139 p..Tr...
Bibliografia ComplementarPINHO, J.B.. Jornalismo na Internet – Planejamento e produção da informação on-line. São Paulo: S...
Anexo____. Doutoras em Economia (online), Rio de Janeiro: Viva Favela. 6 de janeiro de2004. disponível no site ao inserir ...
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  1. 1. Flavia de Almeida ValentimO Impacto da Produção dos Correspondentes Comunitários do Portal Viva Favela Monografia apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Mídia, Tecnologia e Nova Práticas Educacionais, como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista. Professora orientadora: Rosália Duarte. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro Coordenação Central de Extensão março/2008
  2. 2. Agradecimento Aos internautas que me ajudaramna realização desse trabalho e que acreditam que podemos fazer desse mundo um lugar bem mais leve e agradável, através da Internet. 2
  3. 3. Resumo Esta monografia é uma reflexão sobre a prática de reportagensproduzidas pelos correspondentes comunitários do Viva Favela. Palavras-chaves: Internet – Inclusão Digital – Viva Favela 3
  4. 4. SumárioAgradecimento 2Resumo e Palavras-chave 3Introdução 51. Perfil1.1 – Os dois lados do alvo 91.2 – O acesso à Internet 112. A produção das reportagens2.1 – O pioneirismo nas pautas e apuração 142.2 – Interação e auto-estima dos moradores 172.3 – A representação da vida na favela 193. Revolução social e tecnológica?3.1 – Comunidade Viva/ comunidade virtual 253.2 – A árvore do conhecimento e sua responsabilidade 273.3 – A barreira da desigualdade social 28Conclusão 30Referências bibliográficas 31Bibliografia complementar 32Anexo 33 4
  5. 5. Introdução Durante o Proxxima 2007 - Encontro Internacional de Comunicação Digital -, emSão Paulo, ouvi os novos e também os repetidos conceitos sobre o que o futuro reservapara a Internet. No auditório, recheado de neologismos da cibercultura, presencieimaravilhas do mobile marketing, da viralização, do Second Life, e das milionáriasferramentas de busca, com seus links patrocinados. Praticamente minha vida é guiada por Internet e celular. Sou editora de conteúdo demídia eletrônica, e fui estagiária e webwriter em alguns sites, em sua maioria, de cultura ecomportamento. Sou usuária desde 1998. Mas ultimamente, ao mesmo tempo em queassisto à TV, atendo o celular, falo com meus amigos no msn e escrevo essa monografia.No Proxxima, descobri que faço parte da Geração M, a geração multiligada, quase vinte equatro horas, e multiconectada, expressão citada por Rafael Davini, vice-presidente daTurner International. Na imersão do evento de comunicação do qual participava, pensei: para qualcamada da população estaria dirigida essa revolução tecnológica que se modifica dia apósdia? A cibercultura atingiria quanto da população brasileira? A cada dia existem maispessoas conectadas, mas o que isso significa exatamente, dentro de cada classe social?Claro, eu não estava dentro de um Fórum Social e Cultural, e as minhas perguntas nãodeveriam vir à tona, diante das idéias antenadas de todo o auditório. E também nãoesperava que isso acontecesse pelo perfil e proposta do evento. Mas a intrigante árvore do conhecimento de Pierre Lévy já estava fincada emminhas idéias, e queria render frutos. Em que lugar da árvore e em que galho a maioria dasociedade estava inserida? Por mais complexo que seja explorar o assunto, não seria 5
  6. 6. empecilho para, ao menos, eu tentar descobrir uma parte, nem que fosse bem pequena, decomo as classes menos favorecidas, em especial quem mora nas favelas, estariavivenciando a rede. O que existiria de conteúdo gerado por elas e para elas mesmas, naInternet no Brasil? Os sites voltados para as comunidades carentes são poucos e o do Viva Favela mechamou a atenção pelo perfil único de produção do conteúdo. São os próprios moradores,os chamados correspondentes comunitários, que apuram, produzem e/ou colaboram com oconteúdo de muitas seções do site, e escrevem para a seção Revista. Essa idéia pioneira meintriga desde os tempos em que trabalhei lá, em 2001, no início de tudo. Eram pautasinovadoras, em reportagens produzidas por quem vive nas favelas há anos, e que de umjeito, carregam o olhar do morador. O portal, até hoje, serve de consulta e gera pautas para grandes veículos decomunicação, dentro e fora do país. Orientados por jornalistas-editores, os correspondentessão contratados pela Viva Rio, ONG idealizadora do projeto. É diferente do repórter de umgrande veículo receber uma pauta e desenvolver. Por mais que ele seja ótimo jornalista,acredito que há também o quesito bagagem de vivência in loco. Tento, na pesquisa, mostrar que, por trás das reportagens, há um trabalho deformiguinha que atinge pessoas que nunca saíram das favelas, que são, ora fontes, oraleitores. Ao que parece, os correspondentes das favelas estão fazendo uma revolução,ainda que pequena, mas muito importante. Utilizam a tecnologia da Internet para exporpensamentos e construir cidadania. Independentemente de qualquer julgamento que envolva as atividades de ONGs ecomunidades carentes, procurei focar o trabalho no que se aproxima mais da produção dereportagens, na seção Revista. Tomei como embasamento teórico filósofos da 6
  7. 7. Comunicação, como Pierre Lévy, em Cibercultura, Guy Debord, em A Sociedade doEspetáculo e Bernardo Sorj, em Brasil@povo.com.. Como participei da construção doconteúdo do portal, não quis avaliar conceitos que envolvem as outras áreas do VivaFavela, como por exemplo, a proposta do Conselho Editorial (dentre elas, a “redução dadesigualdade social”). Voltei à sede do Viva Rio, na pequena redação do Viva Favela, para assistir àsreuniões de pauta. A equipe de redação diminuiu em número de profissionais. Perdeu emnúmero de notícias, mas ganhou em termos de experiência: há correspondentes da época.Assim, acumularam bagagem e profissionalismo subindo o morro, fora das salas de aula docurso de Jornalismo. A descontração e a liberdade de falar sobre qualquer assunto durante as reuniões melevaram a uma constatação: as pautas são geradas sem muita imposição e podem mudar nocurso da produção da reportagem. Não há o rigor do ponto de vista do editor. Neste estudo comparo as características do Viva Favela com os caminhos darevolução tecnológica na sociedade. Descubro que o projeto tem como propósito o resgateda auto-estima dos moradores e que as imagens do portal retratam o que os outros veículosnão mostram. Também percebo uma certa romantização das fontes em determinadasreportagens. De um jeito ou de outro, o Viva Favela parece ser uma forma de inclusãosocial inovadora. Tenho muito a agradecer aos correspondentes, a disposição e a força de vontadedeles ao tentar me ajudar nesse estudo sobre o Viva Favela. Escrevi com euforia, mas tenteime distanciar ao máximo do bias1, - nas entrevistas e na elaboração da pesquisa-, já que um1 Miriam Goldenberg (2005, p.44) explica que a utilização do termo em inglês é comum entre oscientistas sociais. Pode ser traduzido como viés, parcialidade, preconceito. 7
  8. 8. dia fiz parte desse grupo e por mais que eu tente, há sempre uma certa dose desubjetividade e parcialidade. Lamento não ter conseguido entrevistar o diretor da ONG Viva Rio, Rubem CésarFernandes. Foram inúmeras as tentativas e formas de contato, em vão. Com suaexperiência, ele pode mostrar seu ponto de vista sobre motivos que levam o portal àdificuldade de receber patrocínio. Quem trabalha no Viva Favela não encontra resposta para isso. Pelo observado,diante da leitura de livros especializados sobre Internet, favela e inclusão digital, das vezesque o Viva Favela foi analisado, não há opiniões nem declarações de Fernandes. Acreditoque ele queira se distanciar de qualquer estudo, para justamente não haver influências. Entrevistei o coordenador do portal Walter Mesquita, de 54 anos, e ocorrespondente comunitário Rodrigues Moura, de 59 anos, além de enriquecer meu estudocom observações dos correspondentes Carlos Costa, de 49 anos e Deise Lane, de 28 anos.O resultado do estudo se divide em Perfil do Viva Favela (Capítulo 1); A produção dasreportagens (Capítulo 2); Revolução social e tecnológica? (Capítulo 3) e Conclusão. 8
  9. 9. 1 Perfil1.1 Os dois lados do alvo Criado em julho de 2001, pela ONG Viva Rio, o projeto do portal Viva Favela tinhao objetivo de realizar a inclusão digital, de dentro das favelas. A intenção era ter comopúblico-alvo os moradores das comunidades, além de realizar o intercâmbio com o asfalto.Assuntos variados nas áreas cultural, social, cotidiano e esportes levam “além das notíciasdo narcotráfico”, conforme o próprio Editoral, em Quem Somos, indica. O site era acessadode dentro das salas inauguradas do projeto Estação Futuro, também da ONG, instaladas emalguns lugares como Rocinha e Maré. Até hoje, o morador tem acesso a cursos deinformática e à Internet em diversas salas do Estação Futuro nas favelas do Rio. Desde o início o Viva Favela atraiu intelectuais, formadores de opinião, comojornalistas que freqüentemente procuram por personagens no site para programas de TV,em sua maioria, e pesquisadores. Desta forma, o portal ajuda a reduzir o preconceito, aodifundir os acontecimentos. O produtor Hermano Vianna, um dos criadores do programaBrasil Legal e do site Overmundo, explica como surgiu esse hábito da mídia, em entrevistapara o site Revista Idiossincrasia (24/03/2006): ‘Uma das fontes inspiradoras do Overmundo é a experiência do Viva Favela, que, por razões óbvias, não é um site muito acessado por favelados. Eles não têm internet – embora haja cada vez mais lan houses na Rocinha. Mas o site se tornou fonte de pauta para a mídia tradicional. Não é por maldade da mídia. É por total desconhecimento, pelo fato de os jornalistas não saberem entrar numa favela, não terem esse canal.’ 9
  10. 10. ‘Também não é culpa do jornalismo não saber o que está acontecendo em Belém do Pará. Mas agora o repórter vai ter um acesso muito mais rápido para essas notícias de todo o Brasil, as pessoas vão poder fazer seus filtros e selecionar. Esperamos que haja uma diversificação das pautas na imprensa tradicional, na televisão etc. Trabalho na TV Globo, vejo como isso é necessário, os programas ficam procurando pautas e adoram quando descobrem histórias novas em outros lugares.’ O Viva Favela recebeu um milhão de dólares do portal Globo.com. A equipe eraformada por 31 profissionais, entre jornalistas, colaboradores, fotógrafos, técnicos ecorrespondentes comunitários de 11 lugares. Hoje, recebe apoio da Petrobras e conta com11 integrantes no total. Walter Mesquita, editor do portal, e correspondente desde olançamento, acredita que ainda não há o real interesse por conta das empresas empatrocinar projetos como esse, mas não sabe ao certo o motivo. Talvez seja por conta doperfil de quem acessa: ora intelectuais, ora comunidade. O estilo do portal, em geral,mescla diferentes públicos. Premiado, ele se transformou em uma experiência exemplar denível internacional, de acordo Bernardo Sorj (2003). Abaixo, o autor relata o conteúdo queera distribuído na arquitetura do site: ‘Desde seu lançamento, o portal Viva Favela oferece serviços, informações, divertimento e oportunidades de emprego e comércio, além de e-mail gratuito, chats e notícias on-line. O site ainda conta com a revista eletrônica, a Comunidade Viva, produzida pelos correspondentes comunitários, constituídos por um grupo de jovens – remunerados pelo trabalho –, que produz reportagens e fotos cujo tema é a favela e a sua própria comunidade.’ (SORJ, 2003, p.5) 10
  11. 11. Hoje, não há chats nem criação de e-mail para os usuários. O portal2 ainda agregaos mini-sites Favela Tem Memória (com reportagens, depoimentos de moradores e fotoshistóricas de favelas do Rio), o Eco Pop (a questão ambiental vista pelo ângulo das favelas)e o Beleza Pura (feito para mulheres das comunidades). Mesquita conta que os mini-sitesestão no ar ainda, mas desatualizados por falta de pessoal para a produção. Segundo ele, arevista eletrônica acabou se destacando mais, chamando a atenção da mídia e dos usuários: ‘Quem acessa o Viva Favela quer saber o que o Complexo do Alemão tem produzido de cultura, porque não é só no asfalto da Zona Sul que se produz arte. E aí descobre também que tem um carinha na Grota que faz melhor ou tão bem quanto os outros. E assim vamos mostrando à sociedade que existe uma cultura igual a qualquer uma, dentro das favelas. Essa é a novidade do site, um conteúdo quase que exclusivo.’1.2 O acesso à Internet A inclusão digital aumenta a cada ano, como conseqüência da globalização e danecessidade cada vez maior das pessoas se sentirem incluídas, integradas ao mundo virtual.Segundo dados do site E-commerce, em 2001, 7% da população brasileira acessava aInternet. A porcentagem sobe gradativamente ao longo dos anos, e em 2006, por exemplo,já atinge 16%. De que maneira o Viva Favela se insere nesses números?2 De acordo com J.B.Pinho (2003, p.122), “o conceito de portal, relacionado com a Internet, nasceu nocomeço de 1998, para designar os sites de busca que, além dos diretórios de pesquisa, começaram aoferecer serviços de e-mail gratuito, bate-papo em tempo real e serviços noticiosos. Hoje os portais sãoentendidos como todo e qualquer site que sirva para a entrada dos usuários na World Web Wide, aprimeira parada a partir da qual os internautas decidem os passos seguintes na rede mundial”. Por isso,na minha opinião, há dúvidas que o Viva Favela seja um portal, apesar dos criadores denominaremassim. 11
  12. 12. O crescimento do número de pessoas que acessam o portal Viva Favela tem sidoconstante, segundo Sorj (2003, p.117): “em janeiro de 2002, foram registradas 1.545,786visitas, enquanto que em janeiro de 2003, este número passou para 2.838,334. O número deacessos oriundos do exterior também aumentou: em fevereiro de 2003, por exemplo, 6,65%dos visitantes eram dos Estados Unidos.” Na opinião dele, esse dado indica que o Viva Favela responde também ànecessidade de informações de brasileiros no exterior ligados a temas de cultura popular.Ele destaca também que “dos domínios que acessaram o portal, 88,26% foram de origemcomercial, o que indica que a maioria dos visitantes usa telecentros ou, do trabalho, acessao portal. Os acessos duram, em média, 12 minutos.” Em outra pesquisa, elaborada ainda por Bernardo Sorj, em parceria com LuísEduardo Guedes (2005, p.5), realizada em 2003, nas comunidades de baixa renda domunicípio do Rio de Janeiro, “o acesso à informática nas favelas é superior à média demuitas capitais no Norte e Nordeste do país. Se, por um lado, a posse de computador, nasfavelas do Rio de Janeiro, está próxima à média nacional, por outro lado ela é 30% inferiorà média do estado.” Quanto ao tipo de site acessado, há diferenças entre gêneros: ‘enquanto os sites de esporte se encontram entre os mais acessados pelos homens, sãosecundários entre as mulheres. Sites de busca/pesquisa, provedor, jornais e música, por sua vez, sãoacessados igualmente por homens e mulheres. Nas favelas, 11,6% da população maior de quinzeanos usa a Internet. Assim, o número de usuários de Internet atinge cerca de metade do total deusuários de computador, em 2003.’ (SORJ e GUEDES, p.97).’ 12
  13. 13. Os autores ainda acrescentam um dado importante: “a Internet é uma nova opção deesperança. É uma nova ferramenta para buscar emprego ou aperfeiçoamento profissional.Quanto menor a renda, maior é a expectativa de que, através da internet, se possa fazeralgum curso para o qual não se tem recursos de acesso ao vivo.” (p.125). 13
  14. 14. 2 A produção das reportagens2.1 O pioneirismo nas pautas e apuração Nas redações dos grandes veículos, os jornalistas saem para as ruas com asperguntas sobre determinado ponto de vista, e precisam voltar com elas respondidas. NoViva Favela, cada correspondente fala o que presenciou de curioso. A leveza écaracterística do estilo jornalístico das reportagens da Revista. Da intimidade, surge o climaagradável durante as reuniões de pauta: “- Tem sinagoga em alguma favela? Essa matéria sobre diversidade de religiões nas favelas poderia ser incrementada com uma sinagoga...” – pergunta a editora para um dos correspondentes, que responde: “- Não tem sinagoga não, mas tem uma porção de Judas pela comunidade... Ah, isso tem bastante!” Em outra sugestão de pauta, sobre o motivo do aumento do número de pequenosempréstimos em financeiras por moradores das comunidades, os correspondentes brincam: “- Ah, vocês querem saber por que o crédito aumentou? Eu sou um exemplo! Meu filho vai nascer e vou aumentar a casa!” – falou um deles. “- Claro, a cada filho que nasce você pede um empréstimo e constrói um puxadinho. No quinto filho, sua casa terá cinco andares!” – disse o colega de trabalho. Os correspondentes, por serem moradores, e já possuírem experiência na prática degarimpagem de pautas nas favelas, publicam então as pautas inéditas. Eles têm no mínimo 14
  15. 15. ensino médio completo e já atuaram em algum veículo de comunicação da comunidade,como rádio comunitária ou jornal de bairro. O que vêem no dia-a-dia rende boas matérias de comportamento e entretenimento,em sua maioria, que também envolvem esporte, saúde, educação, entre outros assuntos.Uma das correspondentes estava feliz com sua sugestão de pauta trazida de um morro daTijuca: os próprios moradores estavam impedindo a construção de novas casas para evitaro desmatamento. Na vegetação da comunidade, eles perceberam que, o pouco quepreservaram, já foi muito para resgatar uma nascente e árvores. Não é somente das favelas que saem as matérias jornalísticas. Zona Norte, ZonaOeste, Baixada e outras comunidades de baixa renda “do asfalto” também ganhamdestaque no site. Rodrigues Moura, correspondente e fotógrafo do Viva Favela desde o seusurgimento, é morador da Grota. Ele também fotografa para o site Observatório dasFavelas. Segundo ele, os grandes veículos podem até entrevistar os moradores dascomunidades pobres, mas não com o mesmo propósito do Favela, na grande maioria doscasos: ‘O repórter da mídia formal trabalha com a questão da polícia. Ele fica no asfalto aguardando o que o policial traz de informação lá de dentro. A gente não, por viver lá. O jornal está indo para fazer matéria de polícia. O Viva Favela já impôs um estilo diferente, que deixa à vontade o morador. Estamos abertos. Ouvimos e convivemos com pessoas que estão sentindo na pele a situação. A gente vê nos jornais e na TV as reportagens prontas e editadas, e não têm nada a ver com tal fato que presenciamos.’ 15
  16. 16. O Viva Favela é o pioneiro em reportagens de comportamento dessas comunidades.Esse é o diferencial. De acordo com Moura, o Viva Favela é um “buraco aberto na cortinado preconceito” para que, através dela, a sociedade pudesse olhar, mesmo quediscretamente, para dentro das comunidades. Ele realça que são pioneiros em reportagens,e isso não se confunde com os documentários, que são produzidos pelos demais veículos. Sobre as matérias de narcotráfico, que esbarram em assuntos de comportamento darevista, Moura diz que há respeito pelo Viva Favela. Na maioria dos casos, as declaraçõesmuitas vezes omitem o nome e preservam a imagem do morador. Os traficantes sabem daexistência do portal, e até o momento não houve retaliações. Luke Dowdney (2004, p.22)conta que os traficantes levam a sério o respeito dos direitos dos moradores “honestos” e“não-envolvidos” que respeitam as regras. Muitas vezes, os próprios correspondentes se transformam em personagens nosdiversos assuntos da revista, como aconteceu com Moura, em entrevista concedida para otrecho da reportagem “Carro é para essas coisas” (10/05/2006): Fusca que só falta falar O fotógrafo do Viva Favela Rodrigues Moura, casado, pai de dois filhos, conhece bem esse sufoco. Ele já perdeu a conta das gestantes que viajaram a bordo de seu Fusca 70 azul- caiçara. Se seu Fusca falasse, contaria aventuras de fazer inveja ao carrinho do filme da Disney. Nem todas de alegria. “Uma vez, ouvi um garoto me chamando, e, quando virei, o menino estava com a mão dependurada, pedindo que o levasse ao hospital. Tinha caído em cima do braço jogando pelada”, lembra. O carro de Rodrigues até já andou navegando nas águas de uma enchente nas proximidades da rua Canitar. “Ao ver uma senhora com uma menina naquele temporal, coloquei as duas 16
  17. 17. no carro e descemos a rua. Mas o rio havia transbordado, e o carro ficou flutuando, não ia nem para a frente, nem para trás.” Rodrigues não teve outro jeito senão descer do automóvel e caminhar a pé, com água pela cintura, conduzindo as duas até um lugar seco. O fotógrafo foi outro que quase se complicou ao tentar levar para o hospital uma senhora que passara mal. Até para entrar no Fusca foi difícil. Precisou da ajuda de cinco pessoas: “Saí disparado, liguei alerta, farol. Na portaria do pronto-socorro, expliquei o caso e eles trouxeram a maca", conta. Mas ao tirar a mulher do carro, os atendentes logo perceberam. Ela tinha morrido no caminho. “Minha sorte é que a filha dela estava junto e pôde explicar tudo. Como eu não a conhecia e nem parente era, o policial falou que o melhor que eu tinha a fazer era manobrar e ir embora”, diz ele. Até hoje, Rodrigues não tem a menor idéia de quem era, nem de onde morava. “Só sei que ela morreu dentro do meu carro”, diz. Por essas e outras que muita gente tem medo de prestar socorro na rua. Principalmente quando se trata de atropelamento. Calista é exceção. Dias desses, não se negou a transportar uma senhora caída na entrada da Grota. “Ela tinha sido atropelada e ninguém fazia nada”, conta. Claro que no Pronto-Socorro o atendente da recepção desconfiou que tivesse sido Calista o atropelador. “Ele explicou que o pessoal chega com a vítima, mas que ninguém admite ter sido o motorista barbeiro. Aí falei para ele dar uma olhadinha na frente do meu carro”, conta.2.2 Interação e auto-estima dos moradores A publicação de uma reportagem do Viva Favela no jornal Expresso — o site temparceria com o jornal, e uma vez na semana há uma matéria publicada no impresso —mudou a rotina dos moradores da fábrica desativada da Skol, no Parque Everest, ao lado doRio Timbó, em Inhaúma. A reportagem sobre as condições precárias de moradia de quase 3 17
  18. 18. mil pessoas no prédio, levou muitas delas às bancas de jornal. Para Moura, isso égratificante, pois os moradores vêem os problemas deles sendo destaque fora da favelatambém. As classes que têm menos acesso à tecnologia e à produção intelectual se inseremnesta realidade e acaba por mudar sua forma de se relacionar com o mundo. Os moradoressaem do anonimato, além de procurarem saber mais pelo o que vem a ser a Internet. Sorj destaca o depoimento, na época, do fotógrafo do Viva Favela, Tony, moradorda Cidade de Deus, como exemplo de resgate de auto-estima e exposição internacional: ‘...a região é uma fonte inesgotável de pautas. A beleza das mulheres da Cidade de Deus, por exemplo, acabou chamando a atenção do fotógrafo, que organizou, no início do ano, um desfile com jovens da comunidade. “As meninas desfilaram em uma passarela de madeira improvisada. As pessoas passavam e paravam para admirálas”, lembra. O trabalho acabou rendendo uma proposta de produção para um editorial de moda de uma revista inglesa. “Os moradores não têm noção de seu valor. Agora é que eles estão aprendendo”, garante Tony.’ (SORJ, 2003, p.122) A interação promovida pelo Viva Favela influencia a auto-estima das localidades edos moradores, segundo Mesquita, aguçando o sentimento de grupo, encontrando aidentidade e desenvolvendo cidadania. A valorização da auto-estima evidencia-se no mini-site Beleza Pura, voltado para mulheres da comunidade. Matérias e imagens se referem àestética e cultura da beleza negra, além de costumes, comportamento e saúde relacionadosà mulher. Ele é ilustrado com rostos de mulheres de comunidades. 18
  19. 19. 2.3 A representação da vida na favela Na revista eletrônica, as imagens e o estilo de redação de algumas reportagenspassam um certo tom de romantismo, quando o cotidiano é narrado. Cidadãos comuns setransformam em personagens quase caricatos. Ao mesmo tempo em que tal aspecto ajuda alevantar a auto-estima, o Viva Favela pode estar desfocando a realidade. Na era da valorização do individualismo, da exacerbação da cultura popular e daconsciência com a responsabilidade social e ambiental e sustentabilidade, os holofotes sevoltam cada vez mais para os indivíduos anônimos e para as culturas populares. O fenômeno não é isolado, mas global. Sorj explica que esse comportamento é umadas transformações pelas quais passa o capitalismo: ‘Deu-se uma radicalização do processo de individualização, no sentido de perda de referências da conduta social. O indivíduo já não é mais pautado pelos valores tradicionais ou nas normas, instituições e ideologias da modernidade (pátria, partidos, trabalho, família patriarcal), o que gera uma nova forma de individualismo reflexivo, no qual as pessoas devem negociar constantemente suas relações sociais (por exemplo, com os/as filhos/as, companheira/o). A telemática, inserindo o indivíduo reflexivo num mundo de informações globais e aumentando seus contatos com as mais variadas redes sociais, participa do processo de radicalização do individualismo, na medida em que o desvincula do contexto local, aumentando suas possibilidades de inserção nos mais diversos tipos de mundos significativos.’ (SORJ, 2003, p.38) Segundo Mesquita, durante a produção das notícias, não se pensa em nenhummomento em fazer do morador uma celebridade instantânea ou um “coitadinho”. Pelo 19
  20. 20. menos não intencionalmente. De acordo com o editor, os personagens surgem porque elesrealmente se destacam nas comunidades. Dona Silvia, que vende quentinha a R$1 no Morro do Alemão, foi uma daspersonagens da matéria do Viva Favela (24/01/2004), sob o título “Doutoras daEconomia”. Ficou famosa assim que a mídia nacional descobriu a cozinheira através dosite, conforme lembra Moura. Abaixo, segue trecho da reportagem: ‘Se depender de algumas cozinheiras do Complexo do Alemão (Zona Norte do Rio), ninguém passa fome no morro. Elas dão banho em muito economista, equilibrando uma difícil equação: manter preços baixos quando o custo dos alimentos anda lá no alto. Algumas oferecem refeições quase tão baratas quanto as dos restaurantes populares. A campeã da economia é Sílvia Maria dos Santos, 48 anos, a Sílvia das quentinhas. Não foi à toa que ela ganhou o apelido: vende o almoço mais barato do Alemão, a R$ 1,50. Instalada na estrada do Itararé, em frente ao morro da Baiana, seu espaço é mínimo. Mas suficiente para Sílvia servir a freguesia. Não há lugar nem acomodações para comer por lá. Nem por isso, seus PFs deixam de ser concorridos. O pessoal busca e leva para casa. Mal levanta, às 5h da manhã, e Sílvia já trata de adiantar o almoço. No final da tarde, pega a filha no colégio e ruma para o supermercado. Como trabalha sozinha, a microempresária limita suas compras ao mercado mais perto de sua casa. Sempre de olho nas promoções, ela consegue fazer incríveis malabarismos nos gastos. O que está em oferta entra no cardápio do dia seguinte e se há bons preços em algum produto, ela procura fazer estoque. 20
  21. 21. Compensa. Os motoristas das linhas de ônibus que descem o Itararé e os caminhoneiros que trabalham por ali são clientes certos. Já saem do veículo com o dinheiro trocado para pegar o almoço. Na primeira oportunidade, dão uma paradinha e correm para se informar sobre o prato do dia e fazer o pedido. No final da viagem seguinte, Silvia já fica esperando na porta com as quentinhas. É só descer do ônibus e pegar.’ Além das bem produzidas e enquadradas imagens, de um lugar simples compessoas humildes, observa-se também o uso de hipérboles e tratamento constante peloprimeiro nome ou pelo apelido das fontes, mesmo que aplicadas de forma não intencional,nas matérias. 21
  22. 22. O Viva Favela possui ingredientes que atraem e seduzem a classe média, formadorade opinião, detentora do consumismo e do conhecimento tecnológico. Simultaneamente, osmoradores das favelas se sentem integrados a essa realidade do consumo, com a inserçãode sua história de vida no portal, quase como um status. E assim, o portal se insere dentrodo capitalismo burocrático definido por Guy Debord (1994). Para este autor, toda a vidadas sociedades nas quais reinam as condições modernas de produção se anuncia como umaimensa acumulação de espetáculos (idem: p.8) e “tudo o que era diretamente vivido seesvai na fumaça da representação.” Os usuários que acessam o Viva Favela, já que não pertencem a essa classe social,criam um novo ponto de vista, e o maior cuidado que é preciso ter é para que tudo não setorne mera representação. Segundo Guy Debord (1994): ‘...A realidade considerada parcialmente reflete em sua própria unidade geral um pseudo mundo à parte, objeto de pura contemplação. A especialização das imagens do mundo acaba numa imagem autonomizada, onde o mentiroso mente a si próprio. O espetáculo em geral, como inversão concreta da vida, é o movimento autônomo do não-vivo. O espetáculo não canta os homens e as suas armas, mas as mercadorias e as suas paixões. É nesta luta cega que cada mercadoria, ao seguir a sua paixão, realiza, de fato, na inconsciência algo de mais elevado: o devir-mundo da mercadoria, que é também o devir- mercadoria do mundo, de acordo com ele.’ (DEBORD, 1994, p.38). 22
  23. 23. A Internet se insere em um novo conceito de bens de consumo coletivo. Trata-se debens que não podem ser delimitados às fronteiras nacionais ou cuja falta de acesso numpaís afeta a qualidade de vida em outros, para Sorj (p. 29). Além do difícil acesso a computadores e à Internet, o formato do Viva Favela, nasmatérias romantizadas, talvez contribua para o distanciamento do próprio leitor-moradordas comunidades (e não o leitor-personagem-fonte), fazendo com que ele não se identifiquecom as histórias da revista. A reportagem “Que morro bão, sô!” (03/01/2007) pode ser considerado umexemplo dessa forma de representação: ‘Quem chega ao alto do morro do Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, tem a sensação de estar numa cidadezinha do interior de Minas Gerais. Ali fica a comunidade do Morro dos Mineiros. A vida tem ritmo rural, com típicos personagens e costumes que vão muito além do pão de queijo. "Aqui em cima é tudo comadre e compadre. É o lugar mais tranqüilo que tem. Só saio daqui para o cemitério", diz Guilhermina Rodrigues Andrade, 60 anos, mãe de oito filhos e moradora desse pequeno território mineiro instalado no meio da loucura urbana há mais de 30 anos. Uma rápida olhada ao redor, e é fácil entender Guilhermina. Pelas ruas passeiam despreocupadas a galinha e sua ninhada. Nos quintais, o fogão a lenha jorra fumaça, com direito a forno e tudo. Sanfoneiro e acompanhantes animam a mineirada no boteco da esquina. Cavalo é visto solitário ou acompanhado. Rezadeira de mão cheia faz seu papel. Os raros cigarros de palha ou cachimbo rolam nas bocas mais velhas. Cafezinho, toda hora tem. A comunidade surgiu por volta dos anos 1960. Atraídos pela esperança de serem proprietários de um pequenino pedaço de terra, os mineiros foram chegando aos poucos. Os 23
  24. 24. primeiros moradores vieram de Peixe Branco e Itabirinha de Mantena. Ergueram seus barracos numa época em que o local ainda era mata fechada. Barro não faltava para a construção. Avós, pais, netos e bisnetos, que buscam preservar sua cultura e raízes.’ A reportagem acima sugere, também, uma mitificação do real, onde a interpretaçãodos fatos parece ter o poder de modificar o real. De acordo com Rivoltella (2005): ‘O mito, na perspectiva hegeliana, representa a infância da razão, isto é, identifica esse momento do desenvolvimento do Espírito no qual a explicação fantástica das coisas substitui temporariamente a falta de uma explicação racional: quando tal explicação estiver disponível o mito não ocorrerá mais.’ (RIVOLTELLA, 2005, p.38) Para Roland Barthes (1957), “Não é o conteúdo do mito que o transforma em tal,mas o modo através do qual o conteúdo é comunicado”.(p.191). A Internet é a forma mais veloz de comunicação e o computador é o novo objetode desejo da sociedade. Barthes cita a velocidade como um dos elementos que tambémfazem parte da mitificação ao comparar o ‘homem-jet’ com o ‘jet-man’: ‘El hombre-jet es el piloto de avión a reacción. Según Match pertenece a una raza nueva de la aviación, más próxima al robot que al héroe. No obstante, y como veremos en seguida, en el hombre-jet hay varios residuos parsifalianos. Pero lo que impresiona ante todo en la mitología del jet-man es la eliminación de la velocidad: em la leyenda, nada la alude específicamente. Aquí necesitamos entrar en una paradoja, que por otra parte todo el mundo admite perfectamente e inclusive consume como una prueba de modernidad; esta paradoja consiste en que demasiada velocidad se vuelva reposo. El piloto-héroe se singulariza por toda una mitología de la velocidad sensible, del espacio devorado, del movimiento embriagador; el jet-man se definirá por una cenestesia del in-situ ("a 2000 por hora, altura constante, ninguna impresión de velocidad"), como si la extravagancia de su vocación consistiera precisamente em sobrepasar el movimiento, en ir más rápido que la velocidad. La mitología abandona las imágenes del roce exterior y aborda una pura cenestesia: el movimiento ya no es percepción óptica de los puntos y de las superficies; se ha convertido en una espécie de confusión vertical, hecha de contradicciones,(...)’(BARTHES, 1957, p.52) 24
  25. 25. 3 Revolução social e tecnológica?3.1 Comunidade Viva/ comunidade virtual Durante o I Fórum Internacional ABA Petrobras de Comunicação Digital, realizadoem março de 2008, o diretor comercial da Microsoft, Leandro de Paula, disse que, doscomputadores pessoais vendidos em 2007, 80% custavam menos de R$1.500,00. Para ele,esse é o reflexo da proliferação da Internet, e é preciso saber quem é esse público e o queele procura, pois essa nova demanda ainda não é conhecida pelos administradores de sites. Pierre Lévy (1999) assinala que estamos vivendo mais um fenômeno habitualmentetécnico na história da sociedade e dominado por quem possui o conhecimento intelectual: ‘... a emergência do ciberespaço é fruto de um verdadeiro movimento social, com seu grupolíder (a juventude metropolitana escolarizada), suas palavras de ordem (interconexão, criação decomunidades virtuais, inteligência coletiva) e suas aspirações coerentes.’ (LÈVY, 1999, p.123) Ciberespaço3 é a conexão dos computadores do planeta e dispositivo decomunicação ao mesmo tempo coletivo e interativo. Mas diferente das revoluções técnico-industrais do mundo, como o surgimento do automóvel e sua ascensão, o crescimento dociberespaço não é desejo de potência individual, mas corresponde a um desejo decomunicação recíproca e de inteligência coletiva, em sua opinião. O filósofocontemporâneo destaca:3 Definição de Pierre Lévy (2000, p.193). 25
  26. 26. ‘Aqueles que fizeram crescer o ciberespaço são em sua maioria anônimos, amadores dedicados a melhorar constantemente as ferramentas de soiftware de comunicação, e não os grandes nomes, chefes de governo, dirigentes de grandes companhias cuja mídia nos satura...’ (LÉVY, 2000, p.126). Gerenciado pelos próprios correspondentes-moradores, a revista contribui para ainteligência coletiva da Internet: ‘Um grupo humano qualquer só se interessa em constituir-se como comunidade virtual paraaproximar-se do ideal do coletivo inteligente, mais imaginativo, mais rápido, mais capaz deaprender e de inventar do que um coletivo inteligentemente gerenciado. O ciberespaço talvez nãoseja mais do que o indispensável desvio técnico para atingir a inteligência coletiva.’ (LÉVY, 2000,p.130) O desejo de se integrar ao movimento social está por toda parte, mesmo que deforma inconsciente. Quando Moura sobe as favelas para fotografar ou entrevistar osmoradores, por mais que não tenham acesso a computador, e muitas vezes nem sabem oque é Internet, gostam de colaborar para as reportagens. “São pessoas humildes, quequerem dar informação e sabem que é importante comunicar. Já ouviram falar de Internet.Sabem que podem contar com a gente”. Talvez seja essa relação de confiança, entre moradores das favelas ecorrespondentes do portal, que faz a revista eletrônica se tornar peculiar aos usuários doportal. São características que se assemelham às comunidades virtuais, como os fóruns 26
  27. 27. especializados. Nesses espaços há informações que não são encontradas nos sites degrandes veículos, como os de jornais, por exemplo. Assim como nas comunidades virtuais, além das novidades noticiosas que o VivaFavela gera, há o feedback para o morador, que viu repercutir algum fato dentro de suacomunidade, ou até na grande mídia. Além disso, o resgate da auto-estima também podeser considerado outro retorno positivo.3.2 A árvore do conhecimento e sua responsabilidade O Viva Favela vai além de um simples portal. Ele se insere na Árvore doConhecimento, citada por Lévy (2000), pelo caráter social que exerce como ricoinstrumento da inteligência coletiva: ‘Aprendizagens permanentes e personalizadas através de navegação, orientação dos estudantes em um espaço do saber flutuante e destotalizado, aprendizagens cooperativas, inteligência coletiva no centro das comunidades virtuais, desregulamentação parcial dos modos de reconhecimento dos saberes, gerenciamento dinâmico das competências em tempo real...esses processos sociais atualizam a nova relação com o saber.’ (LÈVY, 2000, p. 177). Moura ressalta que a intenção do portal não é salvar a favela, mas prestar umserviço à comunidade — através do bom Jornalismo — na busca da amenização dosproblemas. A informação de qualidade é fundamental para a transformação social. Naelaboração de um produto, é preciso prestar atenção nos significados que se 27
  28. 28. transmite, levando em consideração a sociedade. E também cabe aos “consumidoresda informação” analisarem esses significados conscientemente, ao decodificar asmensagens. Devemos utilizar recursos técnicos avançados, mas que sejam aproveitados damelhor maneira para promover a interatividade e aguçar a crítica, tomando como baseo princípio de formar o cidadão e uma identidade; e levantar a auto-estima. AInternet, a televisão e todos os meios estão modificando a sociedade. A reflexãoapresentada abaixo pode ser aplicada à mídia em geral, não só à televisão. É precisoavaliar os aspectos ideológicos que são passados nas narrativas midiáticas: ‘El conocimiento básico del lenguaje televisivo es algo que todos como televidentes aprendemos más o menos autodidácticamente, aunque no sepamos los nombres técnicos de lãs tomas y movimientos de câmara. Lo que no se aprende de esa manera, por lo menos no necesariamente, es la conformación semiótica del discurso televisivo de donde en última instancia se propone um determinado significado al televidente. No es el aspecto ideológico lo que está en jogo entre la televisión y la audiência, sino mucho más que eso: lãs emociones, lãs nociones, los significados y la acción.’ (Martín Barbero, 1987).3.3 A barreira da desigualdade social De um ponto de vista inicial (em 2001, início da proliferação da internet) oViva Rio poderia acreditar que faria a redução da desigualdade social ao propor oprojeto do Viva Favela e suas salas com computador nas comunidades, oferecendocursos de informática. Mas o problema vai além — não parte apenas da criação deportais e de cursos de microinformática. É um processo intrínseco na história e 28
  29. 29. cultura da sociedade. Martín Barbero (1991) elucida as barreiras que atrasam ainclusão digital: ‘Es decir, que hay que entender muy bien que el tema no son las tecnologías, el temaes una sociedad que de alguna manera no se apercibió de lo que esto significaba desde elpunto de vista cultural, desde el punto de vista social, desde el punto de vista político, y ahoraestamos sufriendo las consecuencias de que el modelo con el que fueron implantadas esastecnologías en nuestros países fue un modelo meramente mercantil: quien paga tiene latecnología, quien no la paga queda de afuera. Nuestros estados tenían que haber previsto,tenían que haber regulado, y tenían que haber organizado servicios públicos de información yde comunicación que desde hace años hubieran ido posibilitando el acceso a la mayoría de lagente, tanto en la escuela como fuera de la escuela.’(p. 3) E mostra essa tecnologia como uma nova escrita, uma outra maneira dearticular os diferentes meios, que muda a relação na sociedade: ‘Yo siento que hoy en día América Latina está necesitando un segundo gran proyectoal estilo de Freire, para alfabetizar a la mayoría de nuestra población en esta nueva escritura(porque es otro alfabeto, es otra manera de escribir, es otra manera de articular los diferentesmedios). Estamos necesitando que América Latina emprenda, pero desde una visión pública,social, de culturas mayoritarias, una alfabetización virtual porque cada día que pasa es mayorla cantidad de gente que va quedando descolgada, desanclada, desvalorizada en su trabajo, ensu modo de saber, en su modo de conocer.’(p.3) Lévy (p.236), ressalta que “além da infra-estruturas de comunicação e decáculo (computadores) que o ciberespaço exige, é preciso ainda superar os obstáculos“humanos”. Em primeiro lugar, há os freios institucionais, políticos e culturais paraformas de comunicação comunitárias, transversais e interativas. Há, em seguida, ossentimentos de incompetencia e de desqualificação frente às novas tecnologias.” 29
  30. 30. Conclusão O registro de histórias de vida das favelas de forma virtual pode contribuirpara a valorização e bem-estar do favelado e o insere também à vida digital, mas épreciso mais voz e objetividade. Como se chegar no ideal? Como fazer com que ovirtual seja realmente o porta-voz do morro? É preciso avaliar como seria a inclusão digital, os caminhos para a realinserção de movimentos sociais, interatividade, de forma não imposta. Seria difícilrecriar processos de interação, mas um caminho é deixar que os internautas da classemais desfavorável à inclusão digital percebam por eles mesmos a melhor forma deinteração com o virtual. Fora das reportagens da revista do Viva Favela, não há muitos canais onlineque promovem a integração digital. 30
  31. 31. BibliografiaBARTHES, Roland. Mitologias. 1 ed.. Madrid, Espanha: siglo veintiuno de españaeditores, s. a., 1980. 139 p..Tradução de Hector Schmucler.DEBORD, Guy. A Sociedade do Espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.140 p.DOWDNEY, Luke. Crianças do Tráfico: um estudo de caso de crianças emviolência armada organizada no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: 7 Letras, 2003.270 p.LÉVY, Pierre. Cibercultura. 2 ed..São Paulo: Editora 34, 2000. Tradução de CarlosIrineu da Costa. 260p.MARTÍN-BARBERO, Jesús. Recepción: Uso de Medios y Consumo Cultural.Cali, Colômbia, 1991.RIVOLTELLA, Pier Cesare. Costruttivismo e pragmatica online. Socialità edidattica in Internet. Erickson, 2003. SORJ, Bernado; GUEDES, Luiz Edmundo. Internet na F@vela. Quantos, quem,onde, para quê. Rio de Janeiro: Gramma, 2005.155 p.SORJ, Bernardo. Brasil@povo.com: a luta contra a desigualdade na Sociedadeda Informação. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed.; Brasília, DF: Unesco, 2003. 176 p. 31
  32. 32. Bibliografia ComplementarPINHO, J.B.. Jornalismo na Internet – Planejamento e produção da informação on-line. São Paulo: Summus, 2003. 282 p.GOLDENBERG, Miriam. A Arte de Pesquisar. Rio de Janeiro: Record, 2005. 107p. 32
  33. 33. Anexo____. Doutoras em Economia (online), Rio de Janeiro: Viva Favela. 6 de janeiro de2004. disponível no site ao inserir as palavras na busca do portal: “Doutoras”, “em”,“Economia” (acessado em 28 de março de 2008).____. Que morro bão, sô! (online), Rio de Janeiro: Viva Favela. 3 de janeiro de2007. disponível no site ao inserir as palavras na busca do portal: “Que”, “morro”,“bão” (acessado em 28 de março de 2008). 33

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