RETRATOS
PRESIDENCIAIS
FERNANDO CARVALHO TABONE
Escola de Comunicações e Artes
Universidade de São Paulo
São Paulo / 2014
RETRATOS
PRESIDENCIAIS
FERNANDO CARVALHO TABONE
Escola de Comunicações e Artes
Universidade de São Paulo
Trabalho de Concl...
TABONE, Fernando Carvalho
Retratos Presidenciais / Fernando Carvalho Tabone – São Paulo, 2014. 65f.
Trabalho de Conclusão ...
São Paulo, / /
MEMBROS COMPONENTES DA BANCA EXAMINADORA
Orientador: Luli Radfahrer
Instituição: ECA - USP
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Resumo
O trabalho apresentará a galeria oficial dos retratos de
presidentes do Brasil e fará relações de alguns dos retrato...
Introdução
Minhas primeiras palavras
O trabalho a seguir
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Todo presidente tem um retrato
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“Assim como uma autoridade escolhe as palavras para fazer
um discurso, também elege os gestos para ilustrá-lo. Assim
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Eu queria fazer um trabalho que me desse prazer em
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temos no quarto semestre da carreira, que esta curiosidade
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O retrato de Napoleão
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foi feito para inspirar lealdade e intimidar criticas no tempo
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monarca. As cartas que ele trocava com a Condessa de Barra...
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Existe um efeito
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A nossa versão da galeria
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(Alvaro Teixeira, IHGB)
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A nossa versão da galeria
25 Ernesto Geisel
(1974-1979) (Museu da
República)
31 Fernando Henrique
Cardoso (1995-1999)
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Uma explicação amorosa para o primeiro retrato da
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“Da sombra / Originou / A beleza que você admira / na
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Rupestre contempla basicamente dois tipo de registro:
pinturas e gravuras. Apesar de realizados a partir de
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(1997, tradução nossa). Nesta obra, Stoichita destaca o
protagonismo da sombra na história da pintura e resgata o
que fi...
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Fica claro para nós neste mito que a origem da pintura,
e do retrato, está associada à sombra, mas não só isso.
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A questão “retratado vs retratista” expressa na paródia
ao Movimento Realismo Socialista
Amigos dos orfãozinhos!
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É parodiando o mito de Plínio que os artistas plásticos
russos Vitaly Komar e Alexander Melamid produziram a
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Na obra de Plínio se presume que a vontade preponderante
é de quem retrata, no caso, a moça apaixonada. Já na obra de
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substituindo Machado de Assis, o livro amarelo Como se faz
um presidente da República, escrito por um expert americano
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oficial. Recém-empossado, o presidente não estava à vontade
com tantos aparatos e a penca de profissionais destacados
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expressos nas respectivas obras. Collor exerce influência
sobre o retrato, enquanto Figueiredo se deixa levar pelo
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O “mito” do primeiro processo fotográfico
Como vimos até o momento, o surgimento do retrato é
anterior à fotografia e ape...
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A primeira obra, a narrativa escrita, é considerada uma
premonição do processo fotográfico. Em 1760, quando
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Esta imagem, ainda que fictícia, possibilita-nos observar
a técnica utilizada por Niépce para realizar a fotografia. Ele
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produzida por Louis Daguerre – mais uma vez um francês
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O retrato de Dilma
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O retrato oficial de Dilma Rouseff na presidência
foi produzido pelo fotógrafo Roberto Stuckert Filho no
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na democracia brasileira. Há presidentes que não a
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Referências das afirmativas anteriores
Introdução: “O retrato oficial (...) foi produzido
pelo fotógrafo Roberto Stuckert...
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“A faixa é representação central da transferência de
poder na democracia brasileira” (BRYAN, 2011)
“Antes da posse a fa...
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dos presidentes brasileiros, demonstrou-se um tema muito
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Quanto ao conhecimento artístico e técnico, dedicamos
uma parte especial do trabalho a buscar fatos curiosos
da históri...
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Agência Estado. Mais magro e grisalho, Lula posa para foto
oficial. 05/01/2007. Disponível em: http://politica.estadao.
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DUBOIS, Philippe. O Acto Fotográfico. Lisboa: Relógio
d’Água, 2000. Disponível em: Disponível em: http://hyphos.
blogspo...
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MORELI, Letícia; e PEREIRA, Márcia. As metamorfoses de
uma candidata. Istoé Dinheiro. 10/11/2010. Disponível em:
http:/...
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STOICHITA, Victor. Breve storia dell’ombra. Dalle origini
della pittura alla Pop Art. Il Saggiatore, 2008. Disponível
e...
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Capa: Criação Eduardo Marcondes. Imagem: retrato
oficial do presidente João Figueiredo. Disponível em: http://
www.brasi...
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Figura 9: Revista Veja, edição 1079, 17/05/89. Disponível
em: http://veja.abril.com.br/acervodigital/
Figuras10:Revista...
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Figura 18: Retratos de Lula sem barba (1967) e com
barba (Patrícia Santos, Agência Estado. 2006). Disponíveis
em: http:...
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cima:The Bedroom, Vicent Van Gogh, holandês. 1888. Óleo
sobre tela, 72 x 90 cm. Van Gogh Museum, Amsterdam,
Holanda. Di...
59
Ao Prof. Massimo di Felice, responsável pelo convênio
bilateral entre a ECA e a Facoltà di Scienze Politiche, Sociologi...
60
Aos professores do Polimi das disciplinas Storia dell’Arte
Contemporanea e Linguaggi della Comunicazione Visiva,
Paolo ...
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  1. 1. RETRATOS PRESIDENCIAIS FERNANDO CARVALHO TABONE Escola de Comunicações e Artes Universidade de São Paulo São Paulo / 2014
  2. 2. RETRATOS PRESIDENCIAIS FERNANDO CARVALHO TABONE Escola de Comunicações e Artes Universidade de São Paulo Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Orientação: Prof. Dr. Luiz Guilherme de Carvalho Antunes (Luli Radfahrer) São Paulo / 2014
  3. 3. TABONE, Fernando Carvalho Retratos Presidenciais / Fernando Carvalho Tabone – São Paulo, 2014. 65f. Trabalho de Conclusão de Curso – Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) Orientador: Prof. Dr. Luiz Guilherme de Carvalho Antunes (Luli Radfahrer) 1. Retratos Presidenciais 2. Fotografia 3. Arte
  4. 4. São Paulo, / / MEMBROS COMPONENTES DA BANCA EXAMINADORA Orientador: Luli Radfahrer Instituição: ECA - USP Membro titular: Rafael Kato Instituição: Editora Abril Membro titular: Victor Aquino Instituição: ECA - USP Local: Universidade de São Paulo Escola de Comunicações e Artes
  5. 5. Resumo O trabalho apresentará a galeria oficial dos retratos de presidentes do Brasil e fará relações de alguns dos retratos com pontos curiosos da História da Arte. Também será apresentado uma análise específica sobre o retrato oficial de Dilma Rouseff inspirada no modelo de análise apresentada sobre o retrato de Napoleão Bonaparte do pintor francês Jean Baptiste Borely na exibição “Propaganda: poder e persuasão” da Biblioteca Britânica em 2013. Abstract This work will show the official gallery of portraits of Brazilian’s presidents and will make connections of some of this portraits with some curiosity points in the Art History. We will also show an analysis of the official Roussef’s portrait inspired in the analysis showed about Napoleon’s portrait by Borely in the exhibition “Propaganda: power and persuasion” at British Library in 2013.
  6. 6. Introdução Minhas primeiras palavras O trabalho a seguir O retrato de Napoleão Todo presidente tem um retrato A liturgia do poder Os detalhes no retrato Existe um efeito A galeria oficial A nossa versão da galeria Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte Uma explicação amorosa para o primeiro retrato da história A questão “retratado vs retratista” expressa na paródia ao Movimento Realismo Socialista O “mito” do primeiro processo fotográfico Daguerreotipia e os primeiros retratos de Lincoln O avanço da fotografia até a democracia Van Gogh, Rembrandt e os Stuckerts O retrato de Dilma Referências das afirmativas Considerações Finais Referências Figuras Agradecimentos 01 01 03 05 08 08 11 13 15 17 20 20 24 30 32 35 38 43 47 49 51 55 59 Índice
  7. 7. “Assim como uma autoridade escolhe as palavras para fazer um discurso, também elege os gestos para ilustrá-lo. Assim como imposta a voz para ser ouvida no rádio, também cuida da própria estampa para sair na foto.” Orlando Brito, fotojornalista de Brasília.
  8. 8. 1 Eu queria fazer um trabalho que me desse prazer em realizá-lo. Por vezes durante a graduação nós temos que fazer atividades que não são muito agradáveis, muito em razão da variada grade de disciplinas e do natural conflito que surge entre gosto pessoal e obrigação curricular. Mas para o tcc não há este problema, o tema é livre e a escolha do orientador também. Bastaria eu decidir, por afinidade, o que eu mais queria estudar. Ainda que pareça simples, meu processo de decisão do tema foi complexo e começou como uma seletiva para estágio, dessas grandes, organizadas por empresas especializadas em recrutamento, que inicia analisando milhares de candidatos e vai afunilando o filtro até chegar em apenas um. Contudo, logo saquei um primeiro filtro capaz de eliminar boa parte dos candidatos a tema. Apesar de não ser algo que, a princípio, eu caminhava para me especializar - pois, devido a uma série de circunstâncias, minha iniciação no mercado publicitário se deu em Atendimento -. em razão de uma imensa curiosidade pela área, decidi que meu tcc teria que ter algo a ver com fotografia. Minhas primeiras palavras
  9. 9. 2 Foi exatamente na disciplina de Fotografia Digital, que temos no quarto semestre da carreira, que esta curiosidade me despertou. Lembro de escutar que, mais do que nos ensinar a técnica para fotografar, o professor desejava que desenvolvêssemos uma “alfabetização visual”. Para mim, que vinha de uma formação de “ensino médio técnico” em eletrônica, muito mais voltada para Exatas, isto fazia enorme sentido. Pois exatamente como um analfabeto, que se depara com um texto e não consegue lê-lo, eu me encontrava diante de qualquer obra arte, ao sentir um forte sentimento de incapacidade de interpretação. Vi na fotografia, que entendi como uma mistura de tecnologia e arte, uma oportunidade muito interessante de iniciação para começar meu processo de alfabetização visual e aprender a lidar com as obras de arte. Da disciplina de Fotografia ao momento atual, além de completar toda grade curricular da carreira, realizei um ano e meio de intercâmbio acadêmico na Europa. Período precioso, que me proporcionou desenvolvimento intelectual e os filtros seguintes para se chegar à seleção final do tema. Cursei diversas disciplinas novas, complementares àquela de fotografia, e parei em todos os museus e galerias de arte que me apareceram pelo caminho. Houve uma ocasião especial, na visita a um certo museu, em que me deparei com um grande retrato de Napoleão Bonaparte. O retrato estava acompanhado de um texto com diversas flechas que ofereciam explicações aos visitantes que, como eu, tinham dificuldade em interpreta-lo profundamente. Achei isto incrível. Pensei na possibilidade de fazer igual e realizar o mesmo exercício de análise com outros retratos. Senti que havia encontrado uma forte possibilidade de tema. Porém, fazer igual com que retratos? Coincidentemente, dias depois, visitando o palácio real de uma determinada monarquia, encontrei o último filtro e inspiração necessária ao tema final. No palácio havia uma sala expondo presentes e artigos dos chefes de estado estrangeiros com boas relações com a aquela realeza. Curiosamente, entre estes artigos, havia o retrato de um presidente do Brasil. E foi diante deste retrato que pensei “posso fazer o mesmo aqui do que fizeram com Napoleão”. Fernando Carvalho Tabone, 20/11/2014. Aluno de graduação, postulante à formatura, do curso de Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda Minhas primeiras palavras
  10. 10. 3 Logo nas páginas seguintes será apresentado o mencionado retrato de Napoleão Bonaparte e, ao lado, será apresentada a mesma análise que era exibida no momento da visita ao museu relatada acima. O objetivo principal do trabalho é realizar no retrato de Dilma Rouseff uma análise semelhante à feita neste de Napoleão, coligando, assim, quase 200 anos que os separam. Entre a apresentação do retrato de Napoleão, que se dará nas páginas seguintes, e a análise do de Dilma, que se dará somente no final do trabalho, serão feitas algumas discussões. Primeiramente, no capítulo Todo presidente tem um retrato, serão apresentados alguns casos curiosos envolvendo retratospresidenciaseserádiscutidabrevementeaimportância associada à realização do retrato oficial por um presidente. Seguida a esta breve discussão, no capítulo A Galeria Oficial, será apresentada a “Galeria de Presidentes”, que fica no Palácio do Planalto e expõem todos os retratos oficias de presidentes brasileiros. Curiosamente, todos os retratos são apresentados em preto e branco, e em contraposição a isto, apresentaremos uma galeria de retratos coloridos. O trabalho a seguir
  11. 11. 4 Após o leitor tomar conhecimento desta galeria, no capítulo seguinte, Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte, será apresentado um breve relato sobre a evolução do retrato no tempo, que nos proporcionará oportunidade para tocar em conceitos importantes envolvendo a produção dos retratos presidenciais. Antes de concluir o trabalho, conforme já foi dito, há o capítulo O retrato de Dilma, no qual o retrato da presidente será exposto de maneira inspirada no de Napoleão, com indicações de interpretações para os detalhes do retrato. E para concluir, há as Considerações Finais, nas quais serão destacados os principais pontos de aprendizado decorridos da realização deste estudo, e as Referências Bibliográficas, momento em que listamos todas as obras literárias e imagens citadas durante o trabalho. Boa leitura! O trabalho a seguir
  12. 12. 5 O retrato de Napoleão Figura 1: Retrato de Napoleão Bonaparte, Jean Baptiste Borely, francês. 1813. Óleo sobre tela, 2,36 x 1,45m. Biblioteca Britânica, Londres, Inglaterra.
  13. 13. 6 Este enorme retrato de Napoleão por Jean Babtise Borely foi feito para inspirar lealdade e intimidar criticas no tempo em que o poder do imperador estava decaindo e a França estava sendo ameaçada por todos os lados. Ele é repleto de símbolos que apresentam Napoleão como inquestionável comandante. O retrato a princípio foi fixado na sala do Conselho Municipal da cidade de Montpellier na França, mas menos de um ano depois, com a queda de Napoleão, a pintura foi removida e retornou para as mãos do autor, que não chegou a receber pagamento por ela. 1. Coroa de louros: celebra às ilustres vitórias de Napoleão e o relaciona com o Império Romano, para o qual grinalda de louros era um símbolo de triunfo militar. 2. Cetro de Carlos Magno: retrata Napoleão como o sucessor de Carlos Magno (742-814), que, como Napoleão, conquistou muito da França, Alemanha, Itália, Bélgica e Holanda. 3. Trono: leva o observador a enxergar que Napoleão continua o comandante da França <1 4> 3> <2 5> 6> 1 Indicações e textos conforme apresentado na Biblioteca Britânica durante a exposição“Propaganda: poder e persuasão” (Propaganda: power and persuasion, British Library, 17/05/13-17/09/13). Tradução nossa. O retrato de Napoleão
  14. 14. 7 4. Globo e mão da justiça: símbolos de reinado e autoridade, os quais sugerem Napoleão como um comandante benevolente. 5. Abelhas de ouro: símbolos de imortalidade e emblemas de prévios reis da França, eles fornecem ao reinado de Napoleão simbólica legitimidade. 6. Manto real: inspira temor e mostra Napoleão como legítimo rei da França. O retrato de Napoleão <1 4> 3> <2 5> 6>
  15. 15. 8 A liturgia do poder Primeiroprecisamosterconsciênciadequeumpresidente não nasce presidente. Parece uma afirmação óbvia, mas o entendimento dela é fundamental para a compreensão da criação de um retrato oficial. Emumregimedemocráticocomoobrasileiro,opresidente é designado pela população através de uma eleição direta e recebe um mandato por um período determinado. Isto significa que uma pessoa pode se tornar presidente, ou seja, ela pode deixar de ser uma pessoa “normal” e se transformar no chefe da nação. O “se transformar em presidente” representa para a pessoa não só a candidatura e consequente vitória de uma eleição presidencial, como também o cumprimento de uma liturgia, que envolve processos formais, pré-estabelecidos atravésdeleisedecretos,einformais,origináriosdatradição. Entre os processos formais pelo qual o presidente eleito deve passar, podemos exemplificar a cerimônia de posse, que tem seus procedimentos detalhados e estabelecidos por um decreto (Decreto nº 70.274 de 9 de março de 1972). Todo presidente tem um retrato
  16. 16. 9 Alguns dos procedimentos mais expressivos desta cerimônia são: o juramento, o discurso, a assinatura do diploma de presidente e a imposição da faixa presidencial, que o novo presidente recebe do seu antecessor no Palácio do Planalto, sede do poder executivo. “Se havia alguém no Brasil que duvidasse que um torneiro mecânico, saído de uma fábrica, chegasse à Presidência da República, 2002 provou exatamente o contrário (...) e eu, que durante tantas vezes fui acusado de não ter um diploma superior, ganho o meu primeiro diploma, o diploma de presidente da República do meu país.” (LULA, Discurso na cerimônia de posse, 2002) Já os processos informais são variados. Podemos citar a realização da festa que ocorre após o término da rigorosa cerimônia, que não está prevista no decreto citado ou em qualquer outra lei, mas por tradição sempre acontece no Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência, ou no Palácio do Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores (MOTOMURA, 2006). E, também, podemos citar a realização do retrato oficial que, entre os processos informais, talvez seja o mais expressivo. Após produzido, o retrato é enviado para cerca de 12 mil repartições públicas (CRUZ, 2014), nas quais substitui o retrato do presidente anterior e passa a representar “a cara” do novo mandatário. Enquanto a formalidade exige que o presidente entregue ao seu antecessor a faixa presidencial, a informalidade sugere ao novo presidente que substitua o retrato do seu antecessor na parede. São dois gestos complementares e que representam, com muito expressividade, a alternância do poder e o reconhecimento do novo presidente. O semiólogo Antônio Fausto Neto, presidente do CISECO (Centro Internacional de Semiótica e Comunicação), autor de pesquisas e artigos acadêmicos sobre a imagem de candidatos a presidência, confere importância à tradição do retrato oficial e refere-se a ela como parte de um processo de “entronização” e da liturgia do poder. “depois de eleito, um presidente começa a ser ‘entronizado’ (...) substituir a foto oficial é parte dessa liturgia do poder.” (NETO apud CRUZ, 2014) Mas apesar de ser uma tradição forte, parte consolidada “dessa liturgia do poder”, há presidentes que não realizam o retrato oficial. Contudo, ainda assim, isto não impede que algum retrato seu seja designado indiretamente e Todo presidente tem um retrato
  17. 17. 10 reconhecido como oficial. Um bom exemplo é o caso de Trancredo Neves, que foi eleito presidente, porém faleceu antes da posse - ou seja, antes de realizar o retrato oficial. Ainda que Tancredo não tenha sido efetivamente empossado, o vice-presidente eleito na sua chapa, José Sarney, assumiu a presidência e, anos depois, sancionou a seguinte lei: “Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Art. 1º O cidadão Tancredo de Almeida Neves, eleito e não empossado, por motivo de seu falecimento, figurará na galeria dos que foram ungidos pela Nação brasileira para a Suprema Magistratura, para todos os efeitos legais.” (Lei n° 7.465, de 21 de Abril de 1986) Portanto, mesmo Tancredo Neves, que sequer teve a possibilidade de realizar o retrato oficial, terá de figurar na galeria de presidentes e haverá um retrato - poderemos conferir mais adiante na apresentação da galeria que isto realmente aconteceu. Itamar Franco é um outro exemplo. Não por motivo de falecimento, mas por uma opção consciente, conforme relatado a seguir, não realizou o retrato oficial como tradicionalmente este ocorre. “A foto de Itamar Franco (...) foi casual. O ex-presidente estava posando para uma revista semanas antes de assumir a Presidência [Itamar era vice-presidente de Fernando Collor e assumiu a presidência após um processo de impeachment]. A sessão foi acompanhada por Getúlio Gurgel, fotógrafo do Palácio do Planalto. Gurgel fez cerca de dez retratos. Quando Itamar chegou ao poder, abriu mão de posar para a foto presidencial. “Isso é ‘bestagem’. Minha vaidade não permite isso”, disse Itamar na ocasião. O ex-presidente pediu que fosse usada uma foto de Gurgel. “E acabou que a foto disse mesmo como era o presidente: informal, sem frescuras”, diz Gurgel.” (CRUZ, 2014) Mais um exemplo, portanto, de que escapar do retrato oficial é praticamente impossível. Ao observarmos a galeria de presidentes, repararemos que, apesar de não termos relatos para confirmar como neste caso de Itamar, há outros retratos que também parecem não terem sido propositais – o retrato de Jânio Quadros, por exemplo, sem nenhuma caracterização à presidência, parece indicar isto. O fotógrafo afirma que, no caso de Itamar ainda que tenha sido uma “foto casual”, ou seja, que não foi feita após a posse e com Itamar Franco caracterizado como presidente, no final das contas foi parar na parede, hoje figura na galeria Todo presidente tem um retrato
  18. 18. 11 oficial e serviu adequadamente, “pois disse mesmo como era o presidente: informal, sem frescuras”. Os detalhes no retrato É importante destacar que a realização do retrato é um procedimento relevante também em seus detalhes. Apesar de, no caso de Itamar, o fotógrafo afirmar que mesmo casualmente o retrato deu certo, “E acabou que a foto disse mesmo como era o presidente: informal, sem frescuras”, a história nos mostra que, mesmo em retratos propositais, corre-se o risco do retratado ser mal interpretado. AntesdaRepública,encontramosumbomexemplonocaso de Dom Pedro II, o último imperador brasileiro. O jornalista e escritor Laurentino Gomes, em um trecho retirado de uma entrevista sua ao programa Roda Viva, relata-nos uma incoerência entre a imagem costumeiramente retratada do monarca e o modo como ele realmente agia e pensava. “(...) tem uma contradição na figura do Dom Pedro II. Ele aparece sempre nos quadros e nas fotografias como um imperador sóbrio, envelhecido antes do tempo – segundo uma expressão do Gilberto Freire – sempre com um livro na mão ou um instrumento cientifico do lado, projetando a imagem de um Brasil que não era. O Brasil era pobre, analfabeto e viciado em escravidão. “ODomPedroque hojeécelebradocomoumgrandeintelectual do século XIX, amigo do Victor Hugo e do Gran Bell, (...) a rigor não fez muito para mudar essa realidade. Ele tinha um certo desconforto com o próprio papel. Quando viajava para o exterior ele tirava a carapuça de imperador, botava uma casaca preta, andava com a própria malinha e fazia questão de ser chamado Figura 2: Retrato de Dom Pedro II. Delfim da Câmara, brasileiro. 1875. Museu Histórico Nacional. Rio de Janeiro. Todo presidente tem um retrato
  19. 19. 12 de Pedro de Alcântara, ou seja, uma certa recusa ao papel de monarca. As cartas que ele trocava com a Condessa de Barral, a sua grande paixão, mostram que ele tinha uma alma republicana, ele diz ‘olha eu preferiria ser um presidente a um imperador, eu preferiria que o Brasil já estivesse pronto para a República’ (...) ele dá a entender pelas suas cartas e anotações que ele mesmo não acreditava no futuro da monarquia no Brasil” (GOMES, 2013) A partir da fala de Gomes, fica fácil entender a capa da revista “Veja”, publicada em 2007, que trouxe uma reportagem abordando os inclinamentos republicanos do último imperador do Brasil. Correr o risco de ser mal interpretado, por negligência, é não assumir o potencial discursivo e de influência comportamental que o retrato oferece. Em Comunicação e Controle Social (1991), o especialista em Psicologia Social, Pedrinho Guareschi, relaciona a comunicação diretamente à construção da realidade. “Não seria exagero dizer que a comunicação constrói a realidade. Num mundo todo permeado de comunicação - um mundo de sinais - num mundo todo teleinformatizado, a única realidade passa a ser a representação da realidade - um mundo simbólico, imaterial.” (GUARESCHI, 1991. P.14) Temos no próprio caso de Dom Pedro II, um exemplo da construção da realidade, que é desmistificada na fala de Gomes, um escritor e jornalista que somente como historiador que investigou a vida e as realizações de Dom Pedro II conseguiu enxergar as incoerências, “O Dom Pedro que hoje é celebrado como um grande intelectual do século XIX, amigo do Victor Hugo e do Gran Bell, (...) a rigor não fez muito para mudar essa realidade [de pobreza, analfabetismo, escravidão e Monarquia]”. Figura 3: Capa da revista Veja, Coração de Presidente, Edição 2034, 14/11/2007. Todo presidente tem um retrato
  20. 20. 13 Existe um efeito Em “Rápido e Devagar, duas formas de pensar” (2012), o especialista em Economia Comportamental, ganhador do Nobel de Economia, Daniel Kahneman, explica-nos que no nosso modo de pensar há dois sistemas, que são ativados em situações específicas. Ele nomeia esses sistemas simplificadamente de “Sistema 1” e “Sistema 2”, o primeiro como característica geral há a impulsividade e o segundo a abordagem analítica. O segundo estaria, em geral, sob completa influência do primeiro. “(...) o Sistema 2, o eu consciente, raciocinador, que tem crenças, faz escolhas e decide o que pensar e o que fazer a respeito de algo. Embora o Sistema 2 acredite estar onde a ação acontece, é o automático Sistema 1 o herói (...). Descrevo o Sistema 1 como originando sem esforço as impressões e sensações que são as principais fontes das crenças explícitas e escolhas deliberadas do Sistema 2” (KAHNEMAN, 2012. P. 28) E quando observamos um retrato, segundo Kahneman, é o Sistema 1 que entre em ação. A partir do que vemos este “sistema do pensamento” nos oferece automaticamente uma avaliação com proposições subjetivas que podem embasar nossas decisões. O autor exemplifica este processo através do seguinte exemplo: “Tão certa e rapidamente quanto você viu que o cabelo da mulher é escuro, você compreendeu que ela está com raiva. Além do mais, o que você viu se projetou no futuro. Você percebeu que esta mulher está prestes a dizer algumas palavras muito desagradáveis, provavelmente num tom de voz alto e estridente. Uma premonição do que ela fará a seguir veio à mente automaticamente e sem esforço. Você não pretendia avaliar o humor dela ou antecipar o que ela podia Figura 4: “Mulher Assustada”, do livro “Rápido e Devagar: duas formas de pensar”, Daniel Kahneman. P.27. Todo presidente tem um retrato
  21. 21. 14 fazer, e sua reação à foto não estava ligada à sensação de algo que você fez. Simplesmente aconteceu com você. Isso foi um exemplo do pensamento rápido [Sistema 1].” Este processo de avaliação do nosso pensamento, que ocorreu ao visualizarmos o retrato da mulher assustada, certamente também ocorre quando visualizamos o retrato de um presidente, ainda que a expressividade dos retratos presidenciais seja mais discreta - o que não quer dizer que não exista. Ao observarmos os retratos da galeria de presidentes, veremos que é evidente a presença de diversas diferenças entre os retratos: há presidentes sorridentes, outros mais sisudos, uns vestidos de black-tie, outros de terno casual, alguns fizeram a foto em estúdio, outros ao ar livre. São diferenças diversas e que certamente provocam expressões variadas, que provavelmente influenciam de maneiras distintas a percepção do expectador. Kahneman não realizou um estudo exato sobre os efeitos específicosdecadaexpressividadenosretratospresidenciais, mas admite que a presença do retrato, por si só, já é um fator considerável de influência. E considerando a abrangência da publicação desses retratos – conforme vimos, são mais de 12 mil repartições públicas que o recebem, além de divulgação na mídia e da “perpétua” presença na galeria de presidentes – qualquer presidente não deveria ignorar ou menosprezar a sua realização, seja pela noção de liturgia, seja pela noção de efeito. “Seráquepoderestaraindaalgumadúvidadequeosubíquos retratos do líder nacional nas sociedades ditatoriais não só transmite a sensação de que o “Grande Irmão está Olhando” como também levam a uma redução efetiva do pensamento espontâneo e da ação independente?” (KAHNEMAN, 2012. P. 74) Todo presidente tem um retrato
  22. 22. 15 No Palácio do Planalto, sede do executivo federal, e no Portal do Planalto, site oficial da presidência, temos a exposição permanente da “Galeria de Presidentes”, onde estão expostos os retratos oficiais dos presidentes do Brasil. No palácio esta galeria se encontra no andar térreo (CRUZ, 2014), e no site1 na seção de nome “Acervo”, ao lado de itens como “Símbolos Nacionais” e “Constituição Federal”. Ambas as galerias expõem os retratos de maneira semelhantes e nos trazem um ponto bastante curioso: todos os retratos são apresentados em preto e branco, inclusive aqueles recentes, ou antigos mas produzidos em óleo sobre tela, que originalmente foram criados a cores. É difícil precisar o motivo dessa transformação, já que não se sabe a origem dessa decisão, porém podemos especular alguns motivos: já que nem todos retratos foram produzidos a cores, optou-se por padroniza-los em preto e branco; uma opção discursiva, tentando conferir o status de passado aos retratos, o que Cruz (2014) chama de “envelhecimento padrão”; ou por limitação do próprio aparelho de scanner, que no momento em que os retratos originais foram copiados A galeria oficial 1 http://www2.planalto.gov.br/acervo/galeria-de-presidentes
  23. 23. 16 para o arquivo, não possuía a configuração tecnológica necessária para fotocopiar a cores. Não há um meio oficial do governo que apresente a galeria a cores. Podemos apenas encontrar espalhadas em outras fontes, como o Portal Brasil2 , ligado ao governo brasileiro, ou em sites de jornais e revistas, a versão original a cores de alguns dos retratos. Para realizar uma contraposição ao que o Planalto apresenta, e também porque acreditamos que as versões originais expressam melhor os sentidos pretendidos pelos autores dos retratos, apresentaremos a seguir uma galeria a cores, de criação nossa, na qual são expostos 35 retratos, um para cada presidente - conforme apresentado pelo Planalto, porém com uma exceção, a adição de 2 retratos para dois presidente, Lula e Fernando Henrique, que foram presidentes reeleitos e realizaram um retrato específico para cada mandato. Como estes retratos serão citados no decorrer do trabalho, faz-se oportuno incluí-los aqui. Alguns retratos, em razão de técnicas de fotografia antigas, foram produzidos originalmente em preto e branco. Nestes casos, quando possível, serão substituídos por outros retratos, que não pertencem a galeria oficial, mas que receberam versões a cores em óleo sobre tela. Isto será feito na intenção de criar uma galeria com o máximo possível de retratos a cores, em contraposição a galeria do Planalto, que é toda em preto e branco e pode ser visualizada online. Figura 5: “Galeria de Presidentes”, exposição permanente localizada no Palácio do Planalto. Foto: Patrick Cruz, 24/05/2014. 2 http://www.brasil.gov.br/ A galeria oficial
  24. 24. 17 1 Deodoro da Fonseca (1889-1891) (Bror Kronstrand, Museu da República) 7 Nilo Procópio Peçanha (1909-1910) (Rodolfo Amoedo, Museu da República) 3 Prudente José de Moraes e Barros (1894- 1898) (Fracois Batut, Museu da República) 9 Wenceslau Braz Pereira Gomes (1914-1918) (Museu da República) 5 Francisco de Paula Rodrigues Alves (1902- 1906)(Rodolfo Amoedo, Museu da República) 11 Epitácio Lindolfo da Silva Pessoa (1919-1922) (Museu da República) 2 Floriano Peixoto (1891- 1894) (Francisco Aurélio, Museu da República) 8 Hermes Rodrigues da Fonseca (1910-1914) (Museu da República) 4 Manuel Ferraz de Campos Sales (1898- 1902) (Francois Batut, Museu da República) 10 Delfim Moreira de Costa Ribeiro (1918-1919) (Museu da República) 6 Affonso Penna (1906-1909) (Museu da República) 12 Arthur da Silva Bernardes (1922-1926) (Bror Kronstrand, Museu da República) A nossa versão da galeria
  25. 25. 18 A nossa versão da galeria 13 Washington Luís Pereira de Souza (1926-1930) (Alvaro Teixeira, IHGB) 19 Juscelino Kubitschek de Oliveira (1956-1961) (IHGB) 15 José Linhares (1945- 1946) (IHGB) 21 João Belchior Marques Goulart (1961-1964) (IHGB) 17 João Fernandes Campos Café Filho (1954- 1955)(IHGB) 23 Arthur da Costa e Silva (1967-1969) (IHGB) 14 Getúlio Dornelles Vargas (1930-1945, 1951- 1954) (Carlos Oswald, Museu da República) 20 Jânio da Silva Quadros (1961) (IHGB) 16 1946 Eurico Gaspar Dutra (1946-1951) (IHGB) 22 Humberto de Alencar Castello Branco (1964- 1967) (IHGB) 18 Nereu de Oliveira Ramos (1955-1956) (IHGB) 24 Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) (Carlos Gomes, IHGB)
  26. 26. 19 A nossa versão da galeria 25 Ernesto Geisel (1974-1979) (Museu da República) 31 Fernando Henrique Cardoso (1995-1999) (Getúlio Gurgel, Reprodução Veja) 27 Tancredo de Almeida Neves (1985) (Presidência da República) 33 Luís Inácio Lula da Silva (2003-2007) (Ricardo Stuckert, Presidência da República) 29 Fernando Collor de Mello (1990-1992) (Ubirajara Dettimar, Presidência da República) 35 Dilma Rousseff (2011) (Roberto Stuckert Filho, Presidência da República) 26 João Baptista de Oliveira Figueiredo (1979- 1985) (Roberto Stuckert, IHGB) 32 Fernando Henrique Cardoso (1999-2003) (Getúlio Gurgel e Ricardo Stuckert, Reprodução Veja) 28 José Sarney (1985- 1990) (Gervásio Baptista, IHGB) 34 Luís Inácio Lula da Silva (2007-2011) (Ricardo Stuckert, Presidência da República)` 30 Itamar Augusto Cautiero Franco (1992- 1995) (Getúlio Gurgel, Memorial Itamar Franco)
  27. 27. 20 Uma explicação amorosa para o primeiro retrato da história “Da sombra / Originou / A beleza que você admira / na celebre pintura” Bartolomé Estebán Murillo, pintor espanhol. Dois temas distintos, apesar de relacionados, são a fotografia e o retrato. Este, podemos dizer, é mais antigo que aquele, pois antes mesmo dos primeiros testes com as câmeras escuras ocorrerem, que foram o ponto tecnológico de partida para o desenvolvimento da fotografia, já se praticava o retrato. Datam do período pré-histórico os primeiros indícios de criação de arte por humanos. Em um momento da histórica de complexidade social diferente, mas de alguns hábitos e muitas intenções semelhantes, os homens deixavam nas paredes de suas habitações uma espécie de registro que hoje é reconhecido como uma das mais antigas obras de arte da história e chamado de Arte Rupestre. Designado para categorizar as representações que foram encontradas em superfícies rochosas que circundavam o habitat das primeiras gerações de humanos, o termo Arte Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  28. 28. 21 Rupestre contempla basicamente dois tipo de registro: pinturas e gravuras. Apesar de realizados a partir de técnicas pouco desenvolvidas, muitas vezes estes registros apresentam considerável beleza e apelo visual. É por esta razão que muitos estudiosos atribuem a esta arte pré- histórica funções e características comparáveis às da arte como esta é entendida hoje. Embora ainda haja certo debate sobre a questão, e há quem prefira o termo “registro rupestre” a “arte rupestre” (PEREIRA,2011),paranósoquevaleconsiderar,independente do termo preferido, é que desde a pré-história e muito antes da fotografia os seres humanos já realizavam retratos. Contudo, divergindo do que mais nos interessa neste estudo, apesar de representar o início do retrato, a grande maioria das representações encontradas na Arte Rupestre são “motivos de feição naturalista” (SOUSA, 2014), onde temos a presença constante de interações entre homens, animais e natureza. Este trabalho se direciona sobre o retrato do homem na sua individualidade, sobretudo enquanto admirado. Em qualquer tema é natural o despertar da curiosidade pelo seu começo e a consequente busca por encontrar a “faísca” que explique seu surgimento. Assim como ocorre em relação à criação do mundo e da vida, em que se criam teorias sobre seus inícios, como a teoria do “Big Bang”, também ocorre com o retrato, sobre o qual diversas teorias foram versadas para explicar o seu advento. Apesar de vermos que muito tempo atrás já havia a “Arte Rupestre”, há uma teoria mais recente, fantasiada, mas muito interessante, que nos é apresentada no livro de Victor Stoichita, “Uma Breve História sobre a Sombra” Figura 6: Animais pintados na Gruta de Lascaux, um dos sítios de arte rupestre mais famosos do mundo. Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  29. 29. 22 (1997, tradução nossa). Nesta obra, Stoichita destaca o protagonismo da sombra na história da pintura e resgata o que ficou conhecido como “o mito do primeiro retrato da história”, que tem muito a ver com a sombra. Este mito foi descrito originalmente por Plínio “O Velho” na enciclopédia História Natural (Naturalis Historia), publicada entre os anos 77 e 79 d.C. Trazemos a seguir trechos da descrição original: “A questão do surgimento da pintura é muito incerta (...) os egípcios sustentam que foi descoberta por eles 6 mil anos antes que chegasse na Grécia (...). Os gregos dizem, alguns, que foi descoberta em Sicião, outros, em Coríntio, no entanto, todos concordam que nasceu do hábito de tracejar o contorno da sombra humana. (...) Butades de Sicião, oleiro, foi o primeiro a descobrir a arte de formar retratos em argila, e isto em Coríntio, em razão da sua filha que, apaixonada por um jovem que devia partir, tracejou o contorno da sua sombra sobre a parede, que era projetada a partir da luz de um candelabro; sobre estas linhas o pai colocou argila, reproduzindo os contornos do vulto (...)” (PLÍNIO, 77-79dc. XXXV, 15 e 51. Tradução nossa.) Plínio, como podemos ler, primeiro faz algumas especulações a respeito do que diziam sobre a origem da pintura e depois relata o que para ele havia sido o primeiro retrato: originado por uma garota, que consegue contornar o vulto do amado na parede. “Afirmava Plínio “O Velho” que sobre o início da pintura nós sabemos muito pouco. Um fato, no entanto, permanece incontroverso: que nasce quando pela primeira vez se consegue tracejar a sombra de um ser humano.” (STOICHITA, P. 9. Tradução nossa.) Figura 7: The Corinthian Made. Joseph Wright, britânico. 1782-1784. Óleo sobre tela, 106 x 130 cm. National Gallery of Art, Washington, EUA. Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  30. 30. 23 Fica claro para nós neste mito que a origem da pintura, e do retrato, está associada à sombra, mas não só isso. É evidente também que está ligada a uma paixão. Foi a partir do desespero da iminente separação que na relação “ausência do corpo/presença da sua projeção” (STOICHITA, P. 9. Tradução nossa.) a garota encontrou uma maneira de manter a imagem do seu amado por perto. E é atendendo a este ponto que o artista plástico belga Philippe Dubois faz as seguintes considerações: “As circunstâncias amorosas em que se desenrola esta história do nascimento da pintura, e que a motivam diretamente, não são, evidentemente, inocentes. Particularmente, isso indica uma evidente congruência entre desejo e índice. (...) Para a amante que procura conjurar a ausência daquele que ama o importante é encontrar um signo que emane diretamente dele, que seja o testemunho da presença real do corpo referencial. (...) Não é simplesmente a semelhança que é preciosa neste caso - mas as associações e o sentimento de proximidade que impõe esse objeto... o fato de a própria sombra da pessoa estar aqui fixa para sempre! É por isso que os retratos me parecem de algum modo santificados - e eu não creio que seja nada monstruoso dizer, enquanto os meus irmãos protestam com veemência, que preferiria, a tudo o que um artista pôde produzir de mais nobre, guardar uma tal lembrança de alguém que tivesse encarecidamente amado.” (DUBOIS apud PEREIRA, 2000) Assim, Dubois valoriza o que este mito tem de mais importante para nós: que não é propriamente a descrição de como ocorreu o primeiro retrato da história, mas a revelação de que por trás do retrato está a vontade de “eternização do efémero” (PEREIRA, 2009), ou seja, o desejo de se apoderar da imagem. Este conceito presente no “primeiro retrato”, lá trás na história, é relevante para nós pois nos conecta diretamente à fotografia e a faz parecer uma simples evolução técnica da pintura, por partirem do mesmo princípio. E o mesmo mito também nos liga a uma obra recente, que expõem outro conceito importante na produção de retratos, sobretudo presidenciais. Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  31. 31. 24 A questão “retratado vs retratista” expressa na paródia ao Movimento Realismo Socialista Amigos dos orfãozinhos! Fonte de felicidade! Senhor do balde de lavagem! Oh, minha’alma arde Em fogo quando te vejo Assim, calmo e soberano, Como o sol na imensidão Camarada Napoleão! Tu és aquele que tudo dá, tudo Quanto as pobres criaturas amam. Duas barrigas cheias por dia, palha limpa onde rolar; Dormem tranquilos, enquanto Zelas tu por nós na solidão, Camarada Napoleão! Tivesse eu um leitão e, Antes mesmo que atingisse O tamanho de um barril ou garrafão, já teria aprendido a ser eternamente Teu fiel e leal seguidor. E o primeiro Guincho que daria meu leitão seria “Camarada Napoleão!” Friend of fatherless! Fountain of happiness! Lord of the swill-bucket! Oh, how my soul is on Fire when I gaze at thy Calm and commanding eye, Like the sun in the sky, Comrade Napoleon! Thou are the giver of All that thy creatures love, Full belly twice a day, clean straw to roll upon; Every beast great or small Sleeps at peace in his stall, Thou watchest over all, Comrade Napoleon! Had I a sucking-pig, Ere he had grown as big Even as a pint bottle or as a rolling-pin, He should have learned to be Faithful and true to thee, Yes, his _rst squeak should be “Comrade Napoleon!” (ORWELL, George. A Revolução dos Bichos. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. P. 77.) Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  32. 32. 25 É parodiando o mito de Plínio que os artistas plásticos russos Vitaly Komar e Alexander Melamid produziram a obra “As origens do Realismo Socialista” (tradução nossa), na qual fazem uma interpretação pessoal da origem deste movimento artístico, chamado Realismo Socialista, que se desenvolveu entre as entre décadas de 1930 e 1960 na União Soviética. Nesta obra, Komar e Melamid expõem Josef Stalin, um dos líderes da revolução soviética, no lugar do “amado”, o rapaz grego que é retratado pela filha de Butades. Ao coloca- lo propositalmente nesta posição, podemos interpretar uma intenção discursiva de Komar e Melamid - se fizermos a relação com o título da obra, esta intenção fica ainda mais evidente. Podemos entender os artistas expondo que a origem do movimento Realismo Socialista é uma tentativa de seus líderes se colocarem em lugar de admiração. E se recordarmos ainda que o movimento artístico havia patrocínio direto do governo, e fizermos um paralelo sobre o que apenas observamos na obra de Plínio, podemos entender os autores expondo que na União Soviética são os líderes políticos que estão incentivando as pessoas a “se apoderarem de suas imagens”, ou seja, são os próprios retratados, e não quem retrata, que querem ter seu “efêmero eternizado”. Assim, o mito expresso por Plínio e resgatado na obra de Komar e Melamid se revela contemporâneo, mesmo quase 2 mil anos depois, e nos expoõem outro conceito importante na produção de um retrato, sobretudo na produção do retrato de um líder político, que é a relação de influência da vontade do autor e do retratado no resultado final da obra. Figura 8: The Origins of Socialist Realism, from the series Nostalgic Realism. Vitaly Komar e Alexander Melamid, russos. 1983. Óleo sobre tela, 183 x 122 cm. Coleção Zimmerli Art Museum na Rutgers University, New Jersey, EUA. Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  33. 33. 26 Na obra de Plínio se presume que a vontade preponderante é de quem retrata, no caso, a moça apaixonada. Já na obra de KomareMelamid,podemospresumirqueédoretratado,nocaso, Stalin. E é interessante notarmos como esta relação também está presente na produção dos retratos presidenciais brasileiros. Podemos exemplificar esta relação ao comparar os presidentes Fernando Collor e João Figueiredo. O fotógrafo Orlando Brito, fotojornalista de Brasília que acompanhou os anos de Collor na campanha presidencial e na presidência, traz o seguinte relato sobre a personalidade do presidente diante das câmeras - o relato é longo mas o mantemos por permitir boa compreensão do modo de agir do Collor. “Como primeiro brasileiro a ser eleito pelo voto direto após o período dos militares, Collor emprestava novo andamento a estética do poder. Tinha formidável noção da influência das imagens. Provavelmente por ser egresso de uma redação, a do Jornal do Brasil, e dono do maior complexo de mídia em seu Estado,cuidavamesmodoseumarketing.Faziarecomendações sobre a iluminação, a escolha dos fundos, se preocupava como iria ser apresentado nas páginas da imprensa, na tela da tevê. Collor, enfim, dava foto. Já na alucinante campanha rumo ao planalto, demonstrava que novos tempos fotográficos estavam prestes a chegar. Na cobertura a corrida eleitoral de 1989, eu estava em seu comitê de campanha a espera do momento de fotografa-lo para uma matéria da revista Veja, para quem eu trabalhava na ocasião. Ao chegar, o vi gravando um videoteipe para um canal de televisão pertencente a uma congregação de padres (...). Sobre sua mesa, uma agenda de couro preto, um livro de literatura, uma Bíblia encadernada, caneta-tinteiro colocada aoladodeumcopod’águasobreumpiresprateado.Estavaclaro que o candidato desejava aparecer para o público religioso demonstrando um visual mais clássico, mais tradicional. Meia hora depois, na minha vez, no tempo reservado para as fotos de uma revista de circulação e abrangência maiores, mais heterogêneas, eu estava diante de outro homem colocado dentro de um novo cenário. Desta feita, Collor tirara o paletó e o colocará no espaldar da cadeira. A Camisa era cor-de-rosa. Gravata bordô “naturalmente” afrouxada da garganta. Os cabelos ligeiramente despenteados. Sobre a mesa, em vez de agenda de couro, um risque-e-rabisque, desses usados pelos executivos mais descontraídos. No lugar da caneta-tinteiro, vários anotadores coloridos, de plástico, bem populares. A Bíblia, fora substituída pela imagem de uma Nossa Senhora de manto azul. Na frente, alguns biscoitos de maisena e, do lado, emoldurado, um retrato de sua mulher. Em primeiro plano, Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  34. 34. 27 substituindo Machado de Assis, o livro amarelo Como se faz um presidente da República, escrito por um expert americano em eleições. Ao interpretar o significado simbólico de tudo ali disposto, concluí: este é Fernando Collor em sua mais perfeita representação fotográfica. Pude ter, mais uma vez, a certeza do quanto a situação deve ser inteiramente respeitada, não deve sofrer a menor interferência do fotógrafo, sob o risco de modifica-la em sua essência.” (BRITO, 2002. P.304) Brito nos relata, claramente, a preocupação de Collor com a imagem. E também, externa que ele enquanto retratista de Collor, deixou a vontade do retratado prevalecer integralmente. A partir do relato que o fotógrafo nos faz, fica bastante crível a afirmação publicada pelo Jornal Folha de S. Paulo, de que, a respeito da pós produção do seu retrato oficial quando presidente, “Fernando Collor exigiu que, através de uma correção a laser, fossem retirados dois reflexos que apareciam na sua testa e uma pequena papada” (Folha de S. Paulo, 1995). SeporumladoCollordeveterexercidobastanteinfluência no seu retrato, João Figueiredo, um dos seus antecessores na presidência, por outro lado, segundo nos conta o jornalista Patrick Cruz, permitiu ser retratado conforme vontade do fotógrafo e, assim, originou um retrato de destaque na galeria de presidentes. “Pensa no Mitaí.” O fotógrafo Roberto Stuckert conhecia muito bem o ex-presidente João Figueiredo para saber o que arrancaria dele um sorriso. E tinha que ser uma cartada certeira. Figueiredo estava incomodado com o vai não vai da sessão de fotos montada para produzir seu retrato Figura 9: Revista Veja, edição 1079, 17/05/89. Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  35. 35. 28 oficial. Recém-empossado, o presidente não estava à vontade com tantos aparatos e a penca de profissionais destacados para o trabalho, com os quais o general não tinha a menor intimidade. O cenho franzia ainda mais quando Figueiredo entrava na sala da Presidência e via seu antecessor, Ernesto Geisel, ainda dependurado na parede. Geisel já não era mais presidente, mas, na falta de uma foto oficial de Figueiredo, seguia mandatário – se não do país, ao menos dentro daquele quadro na parede. Stuckert era o fotógrafo que acompanhava Figueiredo diariamente. Ele não foi destacado para produzir a foto oficial, já que na época era habitual que se convidasse um profissional de fora do governo para o trabalho. Figueiredo decidiu interromper a sessão para relaxar – e nesse intervalo, Stuckert sacou o ás da manga. “Pensa no Mitaí”, disse ele, e emendou uma sequência de pouco mais de uma dezena de cliques. As fotos foram tiradas para Figueiredo se sentir mais solto e voltar para a sessão com o fotógrafo contratado, mas ficaram tão boas que acabaram escolhidas. E foi assim que João Baptista de Oliveira Figueiredo – um presidente tido como meio temperamental e amante de óculos de grau escuros, pesados, à moda dos presidentes militares da América Latina nos anos 70 e 80 – apareceu leve, com o primeiro sorriso de um presidente da República brasileiro em uma foto oficial: ele pensou em Mitaí, seu cavalo de estimação. Como tantas outras, [a foto] estava destinada a ficar no arquivo pessoal do general quando a equipe do governo que escolheria o retrato a viu – muito por sugestão da primeira- dama, Dulce Figueiredo – e decidiu que seria aquela a imagem que tiraria Ernesto Geisel da parede.” (CRUZ, 2014) Forçando um paralelo, podemos dizer que o retrato de Collor se compara à obra de Komar e Melamid, enquanto o retrato de Figueiredo à de Plínio. Não porque Collor se assemelhe diretamente a Stalin, ou Figueiredo ao rapaz grego, mas porque ambos os retratos refletem os princípios Figuras 10: Revista Veja, edição 0767, 18/05/83. Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  36. 36. 29 expressos nas respectivas obras. Collor exerce influência sobre o retrato, enquanto Figueiredo se deixa levar pelo retratista. Esta comparação de casos nos expõem uma contradição interessante. Apesar de ter esta preocupação evidente com a imagem, Collor, presidente eleito pelo povo, jovial e risonho na campanha eleitoral, entrou para a galeria com “seriedade de ditador”. Enquanto Figueiredo, general do exército e representante do Regime Militar, que sempre carregava um par pesado de óculos consigo, entrou para a galeria com “carisma de político popular”. Não podemos afirmar que isto se deva somente a vontade do retratista ter prevalecido no segundo caso. Mas há um fato curioso, forçando mais uma vez um paralelo, que para o lugar da filha de Butades, apaixonada pelo pelo rapaz grego e responsável pelo seu retrato, há Dulce, esposa de Figueiredo, que foi quem, segundo o jornalista, destacou o retrato que acabou escolhido. Talvez possamos dizer que o “olhar da paixão” é que realmente tenha sido preponderante no resultado final do retrato. Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte Figura 11: “Figueiredo: presidente militar” (Carlos Namba) e “Collor: presidente popular” (Material de campanha). Figura 12: Comparação entre os retratos oficiais de Collor (Ubirajara Dettmar) e Figueiredo (Roberto Stuckert).
  37. 37. 30 O “mito” do primeiro processo fotográfico Como vimos até o momento, o surgimento do retrato é anterior à fotografia e apesar de hoje os assuntos serem bem conectados, houve momentos na história em que o primeiro existia e o segundo não. Porém o princípio, a ideia por trás de retratar e fotografar, podemos dizer que foi sempre a mesma. SusanSontag,escritoraecríticadearte,dizque“fotografar é se apropriar da coisa fotografada” (2005, tradução nossa). Neste sentido, podemos conectar a definição de Sontag ao mesmo princípio expresso por Plínio no mito do primeiro retrato da história: a vontade da filha de Butades, apaixonada, de se apoderar da imagem do seu amado. Portanto, se conectarmos a concepção do retrato com a de fotografia, podemos assumir que fotografia nada mais é do que uma evolução técnica do mesmo desejo. A diferença técnica é que enquanto a pintura basicamente reproduz em outra superfície uma imagem memorizada ou imaginada pelo autor, a fotografia, através do domínio da própria luz, reproduz diretamente a imagem observada. A luz ao refletir no objeto adentra em uma câmera escura e reage com componentes químicos – ou, atualmente nas câmeras digitais, ativa os sensores eletrônicos – que preservam a imagem refletida. Podemos dizer, simplificadamente, que enquanto pintores dominam técnicas de manuseio e aplicação de tintas, o fotógrafo exímio é perito na aplicação da luz. “Eles [os fotógrafos da Geographic Society] se referem à técnica de tirar de 20 a 30 fotos do mesmo tema como pintar com a luz e consideram cada exposição uma pincelada” (BLAIR, 2011. P. 236.) Contudo, apesar do mesmo princípio, assim como emerge a questão sobre qual foi a primeira obra de arte e o primeiro retrato da história, com a fotografia não é diferente e há, assim como nos outros temas, controversas explicações sobre quem realizou, e em que condições foi realizada, a primeira fotografia da história. Não há um mito fabuloso como o de Plínio acerca do retrato, que expresse a realização da primeira fotografia da história. Mas há duas obras curiosas - que consistem em uma narrativa escrita e uma imagem envolta de história - que marcam os primórdios da fotografia. Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  38. 38. 31 A primeira obra, a narrativa escrita, é considerada uma premonição do processo fotográfico. Em 1760, quando ninguém ainda no mundo havia conseguido dominar uma técnica de impressão de imagem permanente, um escritor francês, chamado Tiphaigne de la Roche, publicou um conto de nome Giphantie – palavra que representa um anagrama do primeiro nome do autor – no qual descreve um método de produção de imagem que se assemelha com o processo fotográfico, descoberto somente quase 70 anos depois. Neste conto, ambientado em um país fantasioso, é feita a seguinte descrição - que hoje soa fantástica, pois demonstra o quanto estava presente no imaginário da época um anseio pelo modo automático de reproduzir a realidade. “(...) criam um composto de uma matéria delicada, muito viscosa, capaz de endurecer e se esticar, com a qual um retrato pode ser feito em um piscar de olhos (...) Formam a partir desta matéria um pedaço de tela que colocam de frente a um objeto que desejam retratar. A tela age primeiramente como um espelho e reflete todas as figuras próximas e distantes cujas imagens podem ser transmitidas pela luz. Porém, diferentemente do espelho, a tela, por meio do estrato viscoso, conserva a imagem.” (DE LA ROCHE, 1760. P.130. Tradução nossa) Sete décadas após a publicação deste conto, em 1826, outro francês, um inventor chamado Joseph Nicéphore Niépce, produz o que a National Geographic reconhece como a “primeira impressão permanente” (BLAIR, 2011. P. 202). A imagem, batizada de “Vista da janela para o gramado” (tradução nossa), retrata a visão de uma janela em um edifício na pequena cidade de Saint-Loup-de-Varennes, na França. A seguir, uma reprodução fictícia da provável imagem que Niépce visualizou naquele dia com sua câmera. Figura 13: Vista da janela para o gramado (tradução nossa). Joseph Nicéphore Niépce, francês. Saint- Loup-de-Varennes, 1826. Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  39. 39. 32 Esta imagem, ainda que fictícia, possibilita-nos observar a técnica utilizada por Niépce para realizar a fotografia. Ele se utilizou de uma ferramenta que ficou conhecida como “câmera escura” – esta caixa de madeira reproduzia na imagem. A câmara escura já era utilizada alguns séculos antes para auxiliar a reprodução de imagens em desenhos, inclusive por Leonardo da Vinci, que exemplifica seu funcionamento neste breve exceto: “a luz que entra pelo furo diminuto na parede de uma câmara escura forma, na parede oposta, a imagem invertida do que está fora” (DA VINCI apud BLAIR, 2011. P. 204.). O que Niépce fez foi colocar dentro da câmara escura, entre a parede com o furo e a parede oposta, uma chapa com um componente químico que reagisse a luz e permitisse a fixação da imagem em uma superfície. No caso, ele colocou uma chapa coberta de peltre, e o processo foi denominado como Heliografia. O conceito, curiosamente, é praticamente o mesmo que o preconizado por De la Roche. Daguerreotipia e os primeiros retratos de Lincoln “Numa carta escrita em 7 de abril de 1860 para uma pessoa solicitando [uma imagem sua], Lincoln afirmou: “Não tenho uma única foto no momento, mas acho que você poderia conseguir uma facilmente em Nova York. Quando estive lá, fui levado a um dos lugares onde eles fazem essas coisas e acho que eles pegaram a minha sombra. Atenciosamente, A. Lincoln.”” (TRESCOTT, 2010) Mas a imagem citada anteriormente, como curiosa e envolta de história, não é esta produzida por Niépce. Refirimo-nos àquela que ficou conhecida como a “primeira fotografia de uma pessoa” da história (BLAIR, 2011. P. 202), Figura 15: Reprodução da foto “Vista da janela para o gramado” de Niépce. Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  40. 40. 33 produzida por Louis Daguerre – mais uma vez um francês – em 1839. Daguerre desenvolveu uma técnica que ficou conhecida como Daguerreotipia, semelhante à Heliografia de Niépce, mas com um componente químico diferente: ao invés da peltre, a prata sobre uma chapa de bronze. Apesar de ser um método mais prático que o desenvolvido por seu antecessor, para realizar uma fotografia eram necessários cerca de 10 minutos de exposição sob forte luz (BLAIR, 2011. P. 204.). A longa exposição acabava comprometendo na imagem final a nitidez e reconhecimento de qualquer objeto em movimento, o que dificultou a realização de fotos de pessoas. Apesar disto, nesta foto de Daguerre é possível observar um homem em situação curiosa, que o levou a ser a primeira pessoa fotografada na história. “O tempo de exposição – vários minutos – borra objetos em movimento, mas um homem que engraxa os sapatos permanece parado o suficiente para se tornar a primeira pessoa fotografada na história” (BLAIR, 2011. P. 204.) Assim, praticamente por acaso, a primeira pessoa foi fotografada. E mesmo com o longo tempo de exposição necessário, que aos poucos foi diminuindo com o avanço da técnica, foi a Daguerreotipia o primeiro tipo de processo fotográfico que popularizou a fotografia e nos leva a um outro episódio curioso, envolvendo a história dos presidentes americanos. Em 1845, apenas alguns anos depois, o americano Mathew Brady já despontava como um dos primeiros fotógrafos de pessoas famosas (BLAIR, 2011. P. 207). Em seu estúdio daguerreotipo em Nova York, fotografou personalidades como Allan Poe e Wal Whitsman, que levaram seu nome Figura 15: Boulevard du Temple, Louis Daguerre, francês. Paris, 1839. Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  41. 41. 34 a ganhar fama e em 1860 o partido dos republicanos o procurou para fotografar Abraham Lincoln, então candidato a eleição presidencial (TRESCOTT, 2010). Curiosamente, Lincoln ainda não exibia no visual a barba, que atualmente o caracteriza como um dos presidentes mais famosos dos Estados Unidos. Segundo Bill Allman, curador da Casa Branca, houve 5 presidentes americanos com barba, porém Lincoln foi o primeiro e único a desenvolvê-la a propósito da presidência. De acordo com Allman, Lincoln mudou seu visual após passar por Ilinóis e receber sugestão de uma garota, que enviou uma carta ao então candidato dizendo que “seu rosto fino ficaria mais envolvente se ele deixasse a barba crescer” (ALLMAN, 2014). Figura 16: Retratos de Lincoln candidato (Mathew Brady. New York, 1860) e president (Mathew Brady. Whashington, 1864) Figura 17: Retratos de Lincoln sem barba (Abraham Byers. Ilinois, 1858) e com barba (Alexander Gardne. Washington, 1863). Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  42. 42. 35 Se observarmos a galeria de presidentes do Brasil, veremos que a presença de barba marcou o visual de 7 presidentes diferentes, a começar por Marechal Deodoro, o primeiro presidente do Brasil, e terminar por Lula. E se considerarmos apenas o bigode como barba, essa conta sobe para 16 – de Marechal Deodoro a Whashington Luis, em 13 presidentes seguidos havia no visual ao menos a presença do bigode. Com o exemplo de Lincoln, e por que não de Lula também, percebemos como a presença de barba é um elemento importante na caracterização do visual. O avanço da fotografia até a democracia DainvençãodoDaguerreotipoaosdiasdehoje,passaram- se 175 anos e centenas de novas técnicas e tecnologias foram incorporadas ao processo fotográfico, quase sempre em direção ao ganho de praticidade e qualidade na imagem. Não é o propósito deste trabalho relatar detalhadamente quais foram e como ocorrem todos estes processos. Contudo, é possível ainda destacar dois momentos que representaram saltos de tecnologia significativos e que nos proporcionam observações interessantes. O primeiro momento é 1972, quando foi apresentada a primeira fotografia da Terra completa (BLAIR, 2011. P. 238) registrada pela tripulação da Nasa na missão Apollo 17. A fotografia foi nomeada de “A Bolinha de Gude Azul” (tradução nossa). É difícil, com nossa perspectiva atual, já habituada com a figura e cores da Terra, compreendermos o impacto que a revelação desta fotografia gerou. Mas ela representa, verdadeiramente, a primeira oportunidade que os habitantes do nosso planeta tiveram de visualizar onde vivem. Figura 18: Retratos de Lula sem barba (1967) e com barba (Patrícia Santos, Agência Estado. 2006) Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  43. 43. 36 Podemos considera-la como icônica e importante na história da fotografia, pois além de representar um grande avanço tecnológico, por se tratar de uma fotografia realizada do espaço, ela foi realizada a cores e certamente não teria o mesmo efeito se o fosse em preto e branco. Afinal, o grande destaque da foto é justamente a revelação de que a cor predominante do nosso planeta é azul. Ainda que fotografias coloridas já fossem produzidas desde o final do século XIX, foi somente no final do século XX que a técnica se tornou acessível ao grande público. Esta imagem, apesar de não ser a primeira fotografia colorida, representa este momento de popularização e é um ótimo exemplo de como cores podem sensibilizar o expectador de uma foto. Por esta razão, gera certa incompreensão a atitude da Presidência em expor a galeria dos presidentes inteiramente em preto e branco. Um dos ícones mais fortes de representação do presidente é a faixa presidencial, símbolo da República, que tem por fator de destaque as cores verde amarelo em associação à bandeira nacional. Vitima-las ao preto e branco é praticamente uma agressão a expressividade do retrato. Figura 20: A Bolinha de Gude Azul, Apollo 17 (NASA). Foto feita a distância de 45.000Km da Terra. 07/12/1972. E versão nossa da mesma imagem em preto e branco. Figura 21: Retratos do presidente Ernesto Geisel (1974-1979) colorido (Museu da República) e em preto e branco (Palácio do Planalto). Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  44. 44. 37 O segundo momento se refere ao início do século XXI, que significa o terceiro século com presença da fotografia e que surge com a predominância de uma nova tecnologia, que praticamente não esteve presente nos outros dois séculos anteriores, a fotografia digital. A consolidação desta tecnologia, principalmente com sua adequação à smartphones, representou a democratização da fotografia no mundo em proporções jamais acompanhadas na história. Esta proporção se evidencia, por exemplo, quando comparamos o fato do presidente Lincoln ter pedido ao requisitante de uma fotografia sua para ir busca- la quilômetros de distância em outro estado, enquanto hoje, praticamente qualquer um, em qualquer lugar que o presidente estiver, pode conseguir um retrato diretamente com ele. “O Facebook armazena dez mil vezes mais fotografias do que a biblioteca do Congresso dos EUA, o maior acervo físico do mundo. O Flickr guarda cerca de 6,5 bilhões de fotos, e recebe quase dez mil novas contribuições por dia. Qualquer telefone celular vem com câmera. Máquinas portáteis e baratas já armazenam mais de 10 megapixels por imagem. Equipamentos semiprofissionais, custando pouco mais de mil dólares, fazem até vídeo de qualidade em alta definição. No iPhone, comunidades como o Instagram e aplicativos como o Hipstamatic embelezam praticamente qualquer foto, transformando qualquer assunto, registrado por qualquer pessoa, em visuais interessantes. Não há dúvida: a fotografia se democratizou além dos sonhos mais delirantes de Louis Daguerre, William Fox Talbot e George Eastman.” (RADFAHRER, Além da Imaginação, 2011) Figura 22: Fotografia democrática: presidente Dilma Roussef posa para selfies. Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  45. 45. 38 Van Gogh, Rembrandt e os Stuckerts “Então, preste bem atenção, pintor, no que há de mais bruto em si, e com seus estudos procure repara-lo, pois se você é bestial, suas figuras também serão (...) cada parte de bom e de ruim que há em você se demonstrará em alguma parte nas suas figuras.” (DA VINCI, 1492. Tradução nossa) Não há espaço neste trabalho para apontar todos os retratistas e retratos importantes na história - e mesmo que nosprestássemosaesteobjetivo,seriaumatarefaimpossível, devido à infinidade de autores e obras já produzias. Mas é possível relembrar ao menos alguns retratistas e retratos que a história nos propõe e relacioná-los de alguma maneira com este trabalho. Giorgio Vasari , pintor italiano, produziu mais uma variação da obra de Plínio, chamada “A invenção da pintura” (tradução nossa), que modifica mais uma vez a situação e o processo de criação do retrato, ao colocar o próprio retratado produzindo seu retrato. Vasari reproduz, assim, o conceito do que foi praticado por muitos pintores históricos, o chamado “autorretrato”. Motivados por diversas razões, desde passatempo, terapia, oportunidade para treinar novas técnicas, até puro Figura 23: Obra e detalhe da obra. L’invenzione della pittura. Giorgio Vasari, italiano. 1555. Casa Vasari, Florença, Itália. Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  46. 46. 39 exibicionismo – em premonição aos atuais selfies – alguns pintores tiveram suas histórias marcadas por estas obras que, curiosamente, retratavam a si mesmos. Um destes é o holandês Van Gogh. “Dizem – e estou propenso a acreditar – que é difícil conhecer a si mesmo e nem é fácil pintar a si mesmo. Neste momento, estou trabalhando em dois retratos meus, na falta de outro modelo. Comecei o primeiro no dia em que me levantei. Estava magro, pálido como um diabo. É azul-violeta- escuro, com a cabeça branca, com o cabelo amarelo, portanto, com um efeito de cor. Mas, desde então, recomecei um dos três quartos de fundo claro (...) que atualmente tem uma aparência muito mais saudável que naquela época. Estou até quase acreditando que o retrato irá te dizer mais cosias de mim, do que a carta pode te dizer, de como eu estou e de como isso te vai tranquilizar” (VAN GOGH apud CAIAZZO, 2011a. P.132) Van Gogh, além de exibir habilidade única na combinação e variação de cores na produção de retratos, mostra-nos através dos seus registros escritos que realizar um retrato pode ser um exercício de auto conhecimento, assim como de expressar aparência e condições físicas. Nos retratos dos presidentes, quando publicados, é também comum que surjam comentários da imprensa relativos à aparência. Lula e Fernando Henrique, por exemplo, que realizaram dois retratos oficiais cada, um para cada mandato, proporcionaram ótima oportunidade à imprensa de comparação das suas fisionomias. “Lula está mais magro e com cabelos mais grisalhos que na imagem feita em 2003” (Agência Estado, 2007). E “O novo retrato mostra um Fernando Henrique Cardoso mais bronzeado do que na primeira versão.” (Veja, 1999) Antes ainda de Van Gogh, a História da Arte nos apresenta Rembrandt, outro artista holandês, que se tornou histórico pela sua habilidade em realizar retratos e muitos dos quais Figura 24: Autorretratos de Van Gogh. Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  47. 47. 40 de si mesmo - segundo historiadores, a sua figura é vista em pelo menos 30 gravuras, 12 desenhos e 40 pinturas (CAIAZZO, 2011b, P.32). Rembrandt é historicamente ligado ao modo como trabalhava com as impressões da luz em suas obras. O artista realizava composições tão particulares entre áreas iluminadas e sombreadas, que se popularizou o termo “Efeito Rembrandt” (Wikipédia), para designar composições semelhantes em outros retratos. “Rembrandt nunca tratou a luz de outra forma. A escuridão da noite é a sua forma, a sombra é a forma habitual da sua poética, o seu meio natural de expressão dramática. Nos retratos, nos interiores, nas lendas, nos episódios curiosos, nas paisagens, nas gravuras como na pinturas, é com a noite que Rembrandt cria a luz.” (VAN GOGH apud CAIAZZO, 2011b. P.2) Tanto Rembrandt quanto Van Gogh se destacam por terem produzidos inúmeros autorretratos, mas as listas de suas produções não se resumem a isto. São inúmeras as contribuições que os dois forneceram a História da Arte e suas obras versaram sobre os mais diversos temas. Como podemos observar em alguns exemplos a seguir. Figura 25: Autorretratos de Rembrandt. Figura 26: Obras de Van Gogh e Rembrandt. Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  48. 48. 41 Jerônimo Savonarola, um polêmico padre de Florença, contemporâneo de Leonardo da Vinci e demais artistas da época, e muito influente no Renascimento, afirma que cada pintor, independente das figuras que faz, “retrata a si mesmo”. A afirmação de Savonarola é contundente, e podemos até enxergar certo teor de exagero no que diz. Mas é interessante notar que muitas vezes podemos realmente reconhecer que a obra pertence a determinado autor apenas pelo estilo adotado – podemos fazer este exercício observando a imagem anterior, fica fácil reconhecer quais obras são de Van Gogh e quais de Rembrandt “Dizem que cada pintor retrata a si mesmo. Não retrata a si enquanto homem, já que faz figuras de leões, cavalos, homens e mulheres que não são a si, mas retrata enquanto pintor, idealiza segundo o seu conceito, ainda que sejam retratadas diversas fantasias, são todas segundo o seu conceito.” (Savonarola, 1497) Claro que este exercício de identificação de autoria é facilitado por colocarmos em comparação dois autores com estilos e técnicas muito distintos. Mas Vasari, citado anteriormente, que além de pintor é reconhecido por suas obras literárias, também corrobora com esta ideia. Vasari, que também foi contemporâneo de Jerônimo e Da Vinci, em sua obra chamada “Vida dos Artistas” (1550), relata-nos que Leonardo teria contratado palhaços para fazer a “Mona Lisa” sorrir e conseguir, assim, contrariar a melancolia frequente na pintura e nos retratos da época (MIRANDA, 2013). Vasari nos indica, portanto, que apesar do sorriso ser fisicamente de Mona Lisa, podemos considerar que criativamente é de Leonardo, pois foi ele quem determinou as condições para que a expressão acontecesse. E neste ponto, Da Vinci imprimiu um detalhe propriamente seu na obra, discreto, que não é necessariamente de estilo e técnica, facilmente identificáveis. “Só os Stuckerts conseguiram na história da República fotografar presidente sorrindo” (Roberto Stuckert , Agência Estado, 2011) Esta discussão da personificação do autor em retratos é bastante pertinente à galeria dos presidentes também. Podemos observar na galeria que entre todos os retratos, que são 35, apenas em 5 os presidentes apareceram sorrindo e curiosamente,provavelmentenãoporacaso,estes5retratossão de autoria de algum fotógrafo da mesma família, de sobrenome Stuckert, da qual já saíram 3 fotógrafos que se tornaram em períodos distintos os fotógrafos oficiais da presidência4 . Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte 4 Observar na galeria: João Figueiredo (Roberto Stuckert), Fernando Henrique segundo mandato (Ricardo Stuckert), Lula primeiro e segundo mandato (Ricardo Stuckert) e Dilma (Roberto Stuckert Filho)
  49. 49. 42 Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, foi um desses presidentes que foi fotografado sorrindo. E é interessante notar que tanto Mona Lisa quanto Fernando Henrique tiveram os sorrisos – ligeiros sorrisos – provocados intencionalmente pelo autor. Expressam, assim, um pouco do autor na obra. Como dito anteriormente, apesar de não retratarem a si mesmos, é possível identificar entre todos os retratos da galeria de presidentes quais são dos Stuckerts. E se voltarmos a galeria e observarmos atentamente, perceberemos que isto se evidencia não somente através dos sorrisos, mas também por traços de originalidade, pois são retratos que também inovaram ao retratar presidentes em fundos e vestimentas distintos da maioria dos outros retratos – Fernando Henrique, por exemplo, foi o primeiro a ser retratado a frente da Biblioteca do Palácio da Alvorada, e Lula, o primeiro em ambiente externo. A seguir, partiremos para análise do retrato de Dilma Rouseff, de autoria de Roberto Stuckert Filho, na intenção de realizar algo semelhante à análise que foi feita do retrato de Napoleão – exposta lá no início do trabalho. Tudo que foi exposto até aqui, contribui de alguma maneira no embasamento histórico e artístico que permitirá uma análise aprofundada do retrato de Dilma. Como para cada afirmação feita, é necessária a comprovação da fonte, mas também queremos nesse momento oferecer maior fluidez à leitura, deixaremos para a página seguinte à analise a relação das respectivas fontes. Figura 27: Comparação dos sorrisos de Mona Lisa e Fernando Henrique. Os retratos presidenciais e um pouco de História da Arte
  50. 50. 43 O retrato de Dilma Retrato oficial da presidente Dilma Rouseff (2011-2014) Fotógrafo: Roberto Stuckert Filho Maquiagem e cabelo: Celso Kamura Data: 9 de janeiro de 2011 Local: varanda do Palácio da Alvorada Tipo de retrato: frontal Olhar: direto Plano: americano (meio corpo) Iluminação: natural (período da manhã) e artificial
  51. 51. 44 O retrato oficial de Dilma Rouseff na presidência foi produzido pelo fotógrafo Roberto Stuckert Filho no segundo domingo do mandato durante o período da manhã, considerado o melhor horário para luz natural. O retrato, apesar de relativa discrição, apresenta detalhes de modernidade e populismo, lembra-nos da transformação visual pela qual a presidenta passou - no objetivo de gerar maior apelo carismático e favorecer seu reconhecimento internacional–erepresentaasucessãodeLulanapresidência e continuação do Partido dos Trabalhadores no poder. 1. A realização do retrato em ambiente externo e com os arcos da Alvorada ao fundo, além de trazer para o retrato a modernidade e beleza da arquitetura de Niemeyer e servirem como referencial geográfico da capital do país, Brasília, sede do governo e do poder, também reitera que Dilma faz sucessão a Lula e representa a continuidade do PT. Pois seu antecessor, pela primeira vez na galeria de presidentes, também foi retratado em cenário semelhante, externo e com os arcos da Alvorada ao fundo - naquele momento o fotógrafo de Lula justificou inspiração em “retratos europeus”. 1> 4> <3 <2 <5 <6 O retrato de Dilma
  52. 52. 45 2. Dilmapassouporumaverdadeiratransformaçãovisualna presidência,queadiferencioucompletamentedoscargos que ocupou anteriormente e adequou sua imagem a uma necessidade de gerar maior carisma e reconhecimento internacional.Ocabelereiroemaquiadordecelebridades, Celso Kamura, a partir da campanha presidencial comandada pelo marqueteiro João Santanda, foi adotado como consultor oficial de estilo e se inspirou no visual da estilista e celebridade mundial Carolina Herrera para compor o novo visual da presidenta. 3. Posar para o retrato oficial sorrindo, além de ser uma expressão que estimula carisma, é parte da marca autoral do fotógrafo Roberto Stuckert Filho, que pertence a uma família de 3 fotógrafos que realizaram os únicos 5 retratos de presidentes sorrindo, incluindo o de Lula. 1> 4> <3 <2 <5 <6 O retrato de Dilma
  53. 53. 46 4. A faixa é representação central da transferência de poder na democracia brasileira. Há presidentes que não a endossaram no retrato oficial, mas Dilma ao endossá-la reforça o seu significado e o faz como primeira mulher a chegar na presidência. 5. Antes da posse a faixa passou por um processo de restauração que custou pelo menos 40 mil reais. A faixa ficou mais expressiva: ganhou 2,5 cm a mais de largura, foi feita em seda e o brasão da república costurado em fios de ouro. 6. Para gerar identificação com o público jovem e completar a transformação do visual, o estilista brasileiro de fama internacional, Alexandre Herchcovitch, prestou consultorias de moda a Dilma, que passou a se vestir frequentemente com roupas mais ajustadas e casacos. 1> 4> <3 <2 <5 <6 O retrato de Dilma
  54. 54. 47 Referências das afirmativas anteriores Introdução: “O retrato oficial (...) foi produzido pelo fotógrafo Roberto Stuckert Filho” (Secretaria de Comunicação da Presidência da República, 2011). “segundo domingo do mandato durante o período da manhã” (CRUZ, 2014) 1. “naquele momento o fotógrafo de Lula justificou inspiração em “retratos europeus” (Agência Estado, 2007) 2. “Dilma passou por uma verdadeira transformação visual (...) que a diferenciou completamente dos cargos que ocupou anteriormente” (MORELI e PEREIRA, 2010) “O cabelereiro (...) Celso Kamura (...) foi adotado como consultor oficial de estilo e se inspirou no visual da estilista e celebridade mundial Carolina Herrera (...)” (MORELI e PEREIRA, 2010) “Em abril deste ano, quando a encontrei pela primeira vez, ela não tinha maquiagem no wrosto. Nem batom. (...) O cabelo que estava a engordava muito. Com aquele volume na nuca e na lateral,imaginavaqueelaeraumabolinha.Elaprecisavadorosto mais fino. Mostrei a foto da Carolina Herrera como referência e ela gostou.” (Celso Kamura apud MORELI E PEREIRA, 2010) Figura 28: Retratos oficiais de Lula (Ricardo Stuckert, 2007) e do presidente francês Jacques Chirac (Bettina Rheims, 1995). Figura 29: Evolução visual de Dilma. O retrato de Dilma
  55. 55. 48 “A faixa é representação central da transferência de poder na democracia brasileira” (BRYAN, 2011) “Antes da posse a faixa passou por um processo de restauração (...)” (BRYAN, 2011) “Para gerar identificação com o público jovem (...) o estilista brasileiro de fama internacional, Alexandre Herchcovitch, prestou consultorias de moda a Dilma” (FÉLIX, 2010) Figura 30: Comparação Carolina Herrera e Dilma O retrato de Dilma 4. 5. 6.
  56. 56. 49 Estudar retratos oficiais, ainda que somente os retratos dos presidentes brasileiros, demonstrou-se um tema muito abrangente. A princípio, o ato de analisar uma imagem, ou uma obra de arte, parece requerer apenas conhecimento técnico. Porém, como pudemos observar nos diversos exemplos citados, este estudo evidenciou que também é necessária larga bagagem de conhecimento histórico e artístico, além de ser muito bem vinda falas diretas dos autores. Tivemos nos casos de João Figueiredo, Tancredo Neves, Itamar Franco e Fernando Collor, exemplos de como tomar conhecimento da opinião dos autores favorece diretamente a compreensão dos retratos. Saber, nestes casos, detalhes de quem esteve diretamente relacionado à produção dos retratos foi muito revelador. Já o conhecimento histórico é o que proporcionou, por exemplo, à Biblioteca Britânica dizer que no retrato de Napoleão aquele cetro pertencia a Carlos Magno; e a nós dizer que no caso da Dilma os arcos da Alvorada representam a arquitetura de Oscar Niemeyer e a faixa presidencial havia sido recentemente restaurada. Considerações finais
  57. 57. 50 Quanto ao conhecimento artístico e técnico, dedicamos uma parte especial do trabalho a buscar fatos curiosos da história da arte e da fotografia que nos permitiram perceber e valorizar detalhes que talvez passassem despercebidos, como a vontade do autor em confronto com a do retratado, o valor da iluminação e das cores e a presença do estilo do autor na obra, discretamente ou não, como nos casos de Rembrandt, Van Gogh e dos Stuckerts. Também vimos, no início do trabalho, a importância relativa à realização do retrato, que apesar de não ser estabelecido por lei ou decreto, é parte da liturgia do poder, acontece compulsoriamente em todos os mandatos e mesmo que um presidente tente escapar, dificilmente ficará sem – Tancredo e Itamar foram exemplos diretos. E Laurentino Gomes nos revelou a contradição no retrato de Dom Pedro, que foi o gancho ideal para exemplificarmos através das teorias de Guareschi e Kahneman que desperdiçar a oportunidade de fazer o retrato propriamente é menosprezar a oportunidade real de construir a realidade e influenciar no comportamento dos observadores. Embora tenha ficado evidente que a “bagagem” tem que ser grande, o que logicamente implica desgaste e esforços contínuos na busca pelo conhecimento, é justamente este, talvez, o fato mais relevante do trabalho. Pois ter essa noção esclarece o que faz do processo de “alfabetização visual” algo tão instigante e prazeroso. Considerações finais
  58. 58. 51 Agência Estado. Mais magro e grisalho, Lula posa para foto oficial. 05/01/2007. Disponível em: http://politica.estadao. com.br/noticias/geral,mais-magro-e-grisalho-lula-posa- para-nova-foto-oficial,20070105p26723 Agência Estado. Família tem tradição de exibir presidentes risonhos. 14/01/2011. Disponível em: http://politica.estadao. com.br/noticias/geral,familia-tem-tradicao-de-exibir- presidentes-risonhos,666276 ALLMAN, Bill. Catching up with the Curator: Presidential Beards. White House’s Channel Youtube. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=eqS_VhVs9Vo BLAIR, James P. Novo Guia de Fotografia National Geographic. São Paulo: Editora Abril, 2011. BRITO, Orlando. Poder: Glória e Solidão. São Paulo: Terra Virgem. 2002. BRYAN, Felipe. Conheça a história da cobiçada faixa presidencial. IG: Brasília. 01/01/2011. Disponível em: http:// diarionline.com.br/index.php?s=noticia&id=24131 CAIAZZO, Cinzia. I Grandi Mestri Della’Arte. Tradução de Carla Luzzati e Elke Silvério. Grandes Mestres ; Van Vogh. São Paulo: Abril, 2011a. CAIAZZO, Cinzia. I Grandi Mestri Della’Arte. Tradução de Carla Luzzati e Elke Silvério. Grandes Mestres ; Rembrandt. São Paulo: Abril, 2011b. CRUZ, Patrick. Todos os retratos da presidência. Revista GQBrasil.24/05/2014.Disponívelem:http://gq.globo.com/ Prazeres/Poder/noticia/2014/05/todos-os-retratos-da- presidencia.html DA VINCI, Leonardo. Tratatto dela Pittura. 1492. Disponível em: http://share.dschola.it/annafrankto/ aggiornamentoformazione/Documenti%20condivisi/ L’ombra.pdf Decreto nº70.274, de 9 de março de 1972. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70274. htm DE LA ROCHE, Charles François Tiphaigne. Giphantie. Biblioteca Nacional da Áustria, 1760. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=0idPAAAAcA AJ&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ge_ summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false Referências
  59. 59. 52 DUBOIS, Philippe. O Acto Fotográfico. Lisboa: Relógio d’Água, 2000. Disponível em: Disponível em: http://hyphos. blogspot.com.br/2009/04/marcel-duchamp-with-my- tongue-in-my.html Efeito Rembrandt. Wikipédia. Disponível em: http:// pt.wikipedia.org/wiki/Rembrandt_(efeito_de_luz) FÉLIX, Jorge. Kamura indicou Herchcovitch, o elo entre Dilma e os jovens. IG: Poder online. 27/08/2010. Disponível em: http://poderonline.ig.com.br/index.php/2010/08/27/ kamura-indicou-herchcovitch-o-elo-entre-dilma-e-os- jovens/ Folha de S. Paulo, caderno Brasil, Foto oficial dispensa casaca. 10/01/95. Disponível em: http://www1.folha.uol. com.br/fsp/1995/1/10/brasil/17.html GOMES, Laurentino. Entrevista ao programa Roda Viva (Lançamento do livro “1889”), tevê Cultura. Disponível em (00:03:30): https://www.youtube.com/ watch?v=SH0z2iH3Xec . GUARESCHI, Pedrinho. Comunicação e Controle Social. Petrópolis: Vozes, 1991. KAHNEMAN, Daniel. Rápido e devagar: duas formas de pensar. Tradução Cássio de Arantes Leite. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012. Lei n° 7.465, de 21 de Abril de 1986. Disponível em: http:// www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1980-1987/lei-7465-21- abril-1986-368023-publicacaooriginal-1-pl.html LULA, Luís Inácio Lula da Silva. Discurso na cerimônia de posse. 2002. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/ folha/brasil/ult96u43554.shtml MIRANDA, André. Giorgio Vasari: o primeiro biógrafo de artistas. O Globo, 20/10/2013. Disponível em: http://oglobo. globo.com/cultura/giorgio-vasari-primeiro-biografo-de- artistas-10440138 MOTOMURA, Marina. Como se organiza a cerimônia de posse de um presidente?. Mundo Estranho. Edição 58, 2006. Disponível em: http://mundoestranho.abril.com.br/ materia/como-se-organiza-a-cerimonia-de-posse-de- um-presidente Referências
  60. 60. 53 MORELI, Letícia; e PEREIRA, Márcia. As metamorfoses de uma candidata. Istoé Dinheiro. 10/11/2010. Disponível em: http://www.modaebusiness.com/2010/11/dilma-rousseff- e-sua-nova-gestao-de.html MURILLO, Bartolomé Estebán, espanhol. Trecho escrito na obra “The Invention of Painting”. 1660. Óleo sobre tela, 115 x 169 cm. Muzeul National de Art, Bucareste, Romênia. Disponível em: http://share.dschola.it/annafrankto/ aggiornamentoformazione/Documenti%20condivisi/ L’ombra.pdf ORWELL, George. A Revolução dos Bichos. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. PEREIRA, José Paulo. Fragmentos de Leitura 17: Acerca do (auto-)retrato. 2009. Disponível em: http://hyphos.blogspot. com.br/2009/04/marcel-duchamp-with-my-tongue-in- my.html PEREIRA, Thiago. Panorama da Arte Rupestre: o debate interdisciplinar. Revista História da Arte e Arqueologia. N16, 2011. Disponível em: http://www.unicamp.br/chaa/rhaa/ downloads/Revista%2016%20-%20artigo%202.pdf PLÍNIO, “O Velho”. Naturalis Historia. Volume XXXV, capítulos 15 e 151. 77-79dc. Propaganda: power and persuasion. Exibição. Londres: British Library. 17/05/13-17/09/13. RADFAHRER, Luli, Além da Imaginação. Folha de S. Paulo, 05/12/2011. Disponível em: http://www1.folha.uol. com.br/colunas/luliradfahrer/2011/12/1016008-alem-da- imaginacao.shtml SAVONAROLA, Jerônimo. Oração sobre Ezequiel (tradução nossa). 1497. Disponível em: http://share.dschola.it/ annafrankto/aggiornamentoformazione/Documenti%20 condivisi/L’ombra.pdf Secretaria de Comunicação da Presidência da República, A foto oficial da presidenta Dilma Rousseff. 14/01/201. Disponível em: http://blog.planalto.gov.br/a-foto-oficial- da-presidenta-dilma-rousseff/ SONTAG,Susan.Onphotography.NewYork:Rosettabooks, 2005. SOUSA, Ranier. Arte rupestre. Brasil Escola. 2014. Disponível em: http://www.brasilescola.com/historiag/a- arte-rupestre.htm Referências
  61. 61. 54 STOICHITA, Victor. Breve storia dell’ombra. Dalle origini della pittura alla Pop Art. Il Saggiatore, 2008. Disponível em: http://books.google.com.br/books?id=O3mlq- WCN6MC&printsec=frontcover&hl=pt-BR&source=gbs_ ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false TRESCOTT, Jaqueline. O primeiro fotógrafo de guerra. The Washington Post. 07/11/2010. Tradução Estadão. Disponível em: http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,o- primeiro-fotografo-de-guerra-imp-,636123 VEJA. Julio Wiziak. Por trás da foto oficial. 30/06/1999. Disponível em: http://veja.abril.com.br/300699/p_044. html Referências
  62. 62. 55 Capa: Criação Eduardo Marcondes. Imagem: retrato oficial do presidente João Figueiredo. Disponível em: http:// www.brasil.gov.br/governo/conteudos-excedentes/ linha-do-tempo/historia-presidentes/imagens/1979- figueiredo/view Figura 1: Retrato de Napoleão Bonaparte. Jean Baptiste Borely, francês. 1813. Óleo sobre tela, Figura 2,36x1,45m. Biblioteca Britânica, Londres. http://www. bbc.co.uk/arts/yourpaintings/paintings/napoleon- bonaparte-17691821-190962 Figura 2: Retrato de Dom Pedro II. Delfim da Câmara, brasileiro. 1875. Museu Histórico Nacional. Rio de Janeiro. Disponível em: http://www.museuhistoriconacional. com.br/images/galeria08/mh-g8a015.htm ou http:// pt.wikipedia.org/wiki/Delfim_da_C%C3%A2mara Figura 3: Capa da revista Veja, Coração de Presidente. Edição 2034, 14/11/2007. Disponível em: http://veja.abril. com.br/acervodigital/ Figura 4: “Mulher assustada”, do livro “Rápido e Devagar: duas formas de pensar”, Daniel Kahneman. P.27. Figura 5: “Galeria de Presidentes”, exposição permanente localizada no Palácio do Planalto. Foto: Patrick Cruz, 24/05/2014. Disponível em: http://gq.globo.com/ Prazeres/Poder/noticia/2014/05/todos-os-retratos-da- presidencia.html Figura 6: Animais pintados na Gruta de Lascaux, um dos sítios de arte rupestre mais famosos do mundo. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_ rupestre#mediaviewer/File:Lascaux_painting.jpg Figura 7: The Corinthian Made. Joseph Wright, britânico. 1782-1784. Óleo sobre tela, 106 x 130 cm. National Gallery of Art, Washington, EUA. Disponível em: http://www.nga.gov/ content/ngaweb/education/teachers/lessons-activities/ origin-myths/corinthian-maid.html Figura 8: The Origins of Socialist Realism, from the series Nostalgic Realism. Vitaly Komar e Alexander Melamid, russos. 1983. Óleo sobre tela, 183 x 122 cm. Coleção Zimmerli Art Museum na Rutgers University, New Jersey, EUA. Disponível em: http://www.zimmerlimuseum.rutgers.edu/russian- art-soviet-nonconformist-art-gallery#.VG3wBYtzQWY Figuras
  63. 63. 56 Figura 9: Revista Veja, edição 1079, 17/05/89. Disponível em: http://veja.abril.com.br/acervodigital/ Figuras10:RevistaVeja,edição0767,18/05/83.Disponível em: http://veja.abril.com.br/acervodigital/ Figura 11: “Figueiredo: presidente militar” (Carlos Namba). Disponível em: http://veja.abril.com.br/blog/sobre- imagens/dedoc/carlos-namba/ Figura 12: Comparação entre os retratos oficiais de Collor (Ubirajara Dettmar) e Figueiredo (Roberto Stuckert). Retratos disponíveis respectivamente em: http://www.brasil.gov. br/governo/conteudos-excedentes/linha-do-tempo/ historia-presidentes/imagens/1990-fernando-collor/ view e http://www.brasil.gov.br/governo/conteudos- excedentes/linha-do-tempo/historia-presidentes/ imagens/1979-figueiredo/view Figura 12: Retrato oficial do presidente João Figueiredo (1979-1985) Roberto Stuckert, IHGB. Disponível em: http:// www.brasil.gov.br/governo/conteudos-excedentes/ linha-do-tempo/historia-presidentes/imagens/1979- figueiredo/view Figura 13: Vista da janela para o gramado (tradução nossa). Joseph Nicéphore Niépce, francês. View from the Window as Le Gras. Saint-Loup-de-Varennes, 1826. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/View_from_the_Window_ at_Le_Gras Figura 14: Reprodução da foto “Vista da janela para o gramado” de Niépce. Fonte: material da disciplina Storia dell’Arte Contemporanea e Linguaggi della Comunicazione Visiva, Prof. Paolo Castelli e Prof. Sergio Giusti, Politecnico di Milano, 2013. Figura 15: Boulevard du Temple Louis Daguerre, francês. Paris, 1839. Disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/ File:Boulevard_du_Temple_by_Daguerre.jpg Figura 16: Retratos de Lincoln candidato (Mathew Brady. New York, 1860) e presidente (Mathew Brady. Whashington, 1864). Disponíveis em: http://en.wikipedia.org/wiki/List_ of_photographs_of_Abraham_Lincoln Figura 17: Retratos de Lincoln sem barba (Abraham Byers. Ilinois, 1858) e com barba (Alexander Gardne. Washington, 1863). Disponíveis em: http://en.wikipedia.org/wiki/List_ of_photographs_of_Abraham_Lincoln Figuras
  64. 64. 57 Figura 18: Retratos de Lula sem barba (1967) e com barba (Patrícia Santos, Agência Estado. 2006). Disponíveis em: http://noticias.r7.com/brasil/fotos/lula-ja-apareceu- sem-barba-outras-vezes-veja-fotos-20111127.html Figura19:ABolinhadeGudeAzul(traduçãonossa).TheBlue Marble, Apollo 17 (NASA). 07/12/1972. Disponível em: http:// pt.wikipedia.org/wiki/The_Blue_Marble#mediaviewer/ File:The_Earth_seen_from_Apollo_17.jpg Figura 20: Figura 21: Retratos do presidente Ernesto Geisel (1974-1979) colorido (Museu da República) e em preto e branco (Palácio do Planalto). Disponíveis respectivamente em: http://www.brasil.gov.br/governo/conteudos- excedentes/linha-do-tempo/historia-presidentes/ imagens/1974-geisel/view e http://www.biblioteca. presidencia.gov.br/ex-presidentes/ernesto-geisel/foto Figura 22: Democracia na fotografia: Dilma posa para selfies. Criação nossa. Créditos das fotos: Ichiro Guerra, Dilma participa do 13 encontro nacional da CUT, 04/09/2014. Alex Sabino, Dilma visita obras do Itaquerão, Folha de S. Paulo, 08/05/2014. Reprodução JC News, Dilma visita obras em Pernambuco, 15/04/2014. Luana Ribeiro, Em Camaçari, Dilma faz selfie com estudantes, Bahia Notícias, 30/04/2014. Ichiro Guerra, Dilma durante visita ao Trensurb em Novo Hamburgo, 22/08/2014. Figura 23: Obra e detalhe da obra. L’invenzione della pittura. Giorgio Vasari, italiano. 1555. Casa Vasari, Florença, Itália. Disponível em: http://share.dschola.it/annafrankto/ aggiornamentoformazione/Documenti%20condivisi/ L’ombra.pdf Figura 24: Autorretratos de Van Gogh. Da esquerda para direita: Autorretrato, 1889, óleo sobre tela, 65 x 54 cm, Musée d’Orsay, Paris, França. Autorretrato com Chapéu de Palha, 1887, óleo sobre tela, Van Gogh Museum, Amsterdam, Holanda. Autorretrato com a Orelha Cortada, 1889, óleo sobre tela, 51 x 45 cm, Coleção Particular. Todos disponíveis em: http:// en.wikipedia.org/wiki/Portraits_of_Vincent_van_Gogh Figura 25: Autorretratos de Rembrandt. Da esquerda para direita: Self Portrait at the Easel, 1660, Louvre Museum, Paris, França. Autorretrato, 1660, Metropolitan Museum of Art, New York, EUA. Self Portrait with Beret and Turned- Up Collar, 1659, National Gallery of Art, Washington, EUA. Todos disponíveis em: http://en.wikipedia.org/wiki/Self- portraits_by_Rembrandt Figura 26: Obras de Van Gogh e Rembrandt. As duas de Figuras
  65. 65. 58 cima:The Bedroom, Vicent Van Gogh, holandês. 1888. Óleo sobre tela, 72 x 90 cm. Van Gogh Museum, Amsterdam, Holanda. Disponível em: http://www.vangoghmuseum.nl/ en/collection/s0047V1962 L’Arlesienne. Vicent Van Gogh, holandês. 1890. Óleo sobre tela, 60 x 50 cm. Galleria d’Arte Moderna e Contemporanea, Roma, Itália. Disponível em: http://www.gnam.beniculturali. it/index.php?it/23/gli-artisti-e-le-opere/131/larlesiana- ritratto-di-mme-ginoux As duas de baixo: The Anatomy Lesson of Dr Nicolaes Tulp, Rembradt van Rijn, holandês. 1632. Óleo sobre tela, 163 x 216 cm. Mauritshuis, Haia, Holanda. Disponível em: http://www. mauritshuis.nl/en/explore/the-collection/artworks/the- anatomy-lesson-of-dr-nicolaes-tulp-146/detailgegevens/ RetratodeHendrickjeStoffels,RembradtvanRijn,holandês. 1654. Óleo sobre tela, 74 x 61 cm. Museu do Louvre, Paris, França. Disponível em: http://www.louvre.fr/en/oeuvre- notices/portrait-hendrickje-stoffels-velvet-beret Figura 27: Comparação dos sorrisos de Mona Lisa e Fernando Henrique. Mona Lisa, Leonardo da Vinci, italiano. 1503-1509. Musée du Louvre, Paris, França. Retrato oficial do segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2003). Getúlio Gurgel e Ricardo Stuckert. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Fernando_ Henrique_Cardoso#mediaviewer/File:Fhc-color.jpg Figura 28: Retratos oficiais de Lula (Ricardo Stuckert, 2007) e do presidente francês Jacques Chirac (Bettina Rheims, 1995). Disponíveisrespectivamenteem:http://pt.wikipedia.org/ wiki/Luiz_In%C3%A1cio_Lula_da_Silva#mediaviewer/ File:Lula_-_foto_oficial05012007_edit.jpg e http://www. elysee.fr/la-presidence/jacques-chirac/ Figura 29: Evolução visual de Dilma. Criação nossa. Figura 30: Comparação Carolina Herrera e Dilma. Criação nossa. Figuras
  66. 66. 59 Ao Prof. Massimo di Felice, responsável pelo convênio bilateral entre a ECA e a Facoltà di Scienze Politiche, Sociologia e Comunicazione da Università di Roma “La Sapienza”, e à Comissão de Relações Internacionais da ECA (CRInt-ECA), especialmente à então assistente da comissão, Ana Paula Martins Braga, pela oportunidade, espírito prestativo e confiança por me conceder uma vaga além das previstas no edital. Aos Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Ministério da Educação (MEC), especialmente à CAPES, instituição de fomento do MEC, pela iniciativa do programa de intercâmbio “Ciências sem Fronteiras”, o qual me sinto honrado em ter participado e, diante da excelência com que é organizado, provoca-me orgulho de ser brasileiro. Ao Politecnico di Milano (Polimi), especialmente ao InternetionalExchangeOfficeeaentãoassistentedoStudesk6 da School of Design, Livia Fabbrini, e à Embaixada do Brasil em Roma, obrigado por cooperarem no aperfeiçoamento do “Ciências sem Fronteiras”, incentivarem a integração entre os estudantes e possibilitarem meu intercâmbio ter sido um período prazeroso e de aprendizado profundo. Agradecimentos
  67. 67. 60 Aos professores do Polimi das disciplinas Storia dell’Arte Contemporanea e Linguaggi della Comunicazione Visiva, Paolo Castelli e Sergio Giusti, Scenografia di Luce, Gianni Ravelli, e Fotografia, Crisciani Corrado Maria, e ao meu amigo e colega nos trabalhos, Rafael Fernando Giaretta, obrigado pela disposição em ensinar - vocês foram fundamentais na evolução do meu processo de alfabetização visual. À ECA, especialmente aos professores Heliodoro Bastos, Luli Radfahrer e Victor Aquino, e aos meus amigos e colegas estudantes Rafael Guaranha, Rafael Lopez, Rafael Trevisan, Victor Yamakado e Eduardo Marcondes - que foi o responsável pela edição gráfica deste trabalho -, por me instigar a interpretar arte e despertar paixão pela beleza visual e gráfica. E, por fim, à USP, por me oferecer tanto e pedir tão pouco – encaro como dever de gratidão, pelo que me tem sido oferecido, servir a sociedade enquanto me restar forças. Ao Bruno, à dona Margarete e ao senhor Fernando, minha família, tenho que dizer mais uma vez “Parabéns!” – superamos o vestibular, os intercâmbios e juntos estamos caminhando em direção à formatura! Agradecimentos

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