O EvangelhoSEGUNDO O ESPIRITISMOSem título-1 13/04/05, 15:301
O EvangF é inabalável sóo é a que podeencarar frente afrente a razão,em todas asépocas daHumanidade.Sem título-1 13/04/05,...
angelhoSEGUNDO O ESPIRITISMOCOMA EXPLICAÇÃO DAS MÁXIMAS MORAIS DO CRISTOEM CONCORDÂNCIA COM O ESPIRITISMO E SUASAPLICAÇÕES...
Título do original francês: L’EVANGILE SELON LE SPIRITlSME(Paris, abril 1864)Tradução de GUILLON RIBEIROda 3ª edição franc...
SumárioÍndice de referências bíblicas ............................... 13Nota da editora .....................................
6 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOCAPÍTULO III – HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DEMEU PAI .......................................
7SUMÁRIOCAPÍTULO VI – O CRISTO CONSOLADOR ................... 154O jugo leve: 1 e 2. – Consolador prometido: 3 e 4. –Instr...
8 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOdos. Atire a primeira pedra aquele que estiver sempecado: 11 a 13. – Instruções dos Esp...
9SUMÁRIOparentela espiritual: 8. – Instruções dos Espíritos: Aingratidão dos filhos e os laços de família: 9.CAPÍTULO XV –...
10 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOCAPÍTULO XIX – A FÉ TRANSPORTA MONTANHAS ....... 382Poder da fé: 1 a 5. – A fé religio...
11SUMÁRIOCAPÍTULO XXV – BUSCAI E ACHAREIS ....................... 454Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará: 1 a 5. –Ob...
12 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOum favor obtido: 28 e 29. – Ato de submissão e deresignação: 30 a 33. – Num perigo imi...
Índice de referênciasbíblicasMATEUSCAP. VV. PÁG.6 19 a 21 4586 24 319 *6 25 a 34 4587 1 e 2 2157 3 a 5 2147 7 a 11 4557 12...
14 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOCAP. VV. PÁG.13 10 a 14 37613 10 a 15 44213 18 a 23 35314 1 e 2 98 *15 1 a 20 18516 13...
15ÍNDICE DE REFERÊNCIAS BÍBLICASLUCASCAP. VV. PÁG.5 12 a 14 264 *5 29 a 31 448 *6 20 163 *6 20 e 21 1186 22 e 23 4526 22 e...
16 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOJOÃOCAP. VV. PÁG.2 13 a 16 467 *3 1 a 12 997 5 2988 3 a 11 2159 39 a 41 37412 25 e 26 ...
Nota da editoraA nossa tradução da obra O Evangelho segundo o Es-piritismo foi feita da terceira edição francesa, ou seja,...
18 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOComo vemos, Guillon Ribeiro recebeu, aos vinte e oitoanos de idade, o maior prêmio, o ...
ExplicaçãoComo é do domínio público, Kardec, ao imprimir a ter-ceira edição do seu livro – O Evangelho segundo o Espiritis...
Sem título-1 13/04/05, 15:3020
PrefácioOs Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qualimenso exército que se movimenta ao receber as ordens do...
Sem título-1 13/04/05, 15:3022
IntroduçãoI – OBJETIVO DESTA OBRAPodem dividir-se em cinco partes as matérias contidasnos Evangelhos: os atos comuns da vi...
24 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOrigorosa justiça. É, finalmente e acima de tudo, o roteiroinfalível para a felicidade ...
25INTRODUÇÃOPara obviar a esses inconvenientes, reunimos, nestaobra, os artigos que podem compor, a bem dizer, um códigode...
26 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOtos, nas crenças e nos monumentos. Essa a razão por que,ao mesmo tempo que rasga horiz...
27INTRODUÇÃOII – AUTORIDADE DA DOUTRINA ESPÍRITACONTROLE UNIVERSAL DO ENSINODOS ESPÍRITOSSe a Doutrina Espírita fosse de c...
28 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOlhes ouvir a palavra. Um homem pode ser ludibriado, podeenganar-se a si mesmo; já não ...
29INTRODUÇÃONessa universalidade do ensino dos Espíritos reside aforça do Espiritismo e, também, a causa de sua tão rápida...
30 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOidéias e preconceitos terrenos; mas, também é sabido queos Espíritos enganadores não e...
31INTRODUÇÃOmistificador, este lhe pode dizer a mesma coisa sob diferen-tes nomes. Tampouco garantia alguma suficiente hav...
32 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOnos arvoramos, absolutamente, em árbitro supremo da ver-dade e a ninguém dizemos: “Cre...
33INTRODUÇÃOEssa verificação universal constitui uma garantia paraa unidade futura do Espiritismo e anulará todas as teori...
34 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO-los? A esse respeito já não foi a teoria confirmada pela expe-riência? Que é feito da...
35INTRODUÇÃOde apresentar um princípio como verdade absoluta, a me-nos se queira ser acusado de leviandade ou de credulida...
36 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOPor grande, bela e justa que seja uma idéia, impossívelé que desde o primeiro momento ...
37INTRODUÇÃOgota d’água que se perde no oceano, menos do que a voz dacriança que a tempestade abafa.A opinião universal, e...
38 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOuma espécie de incerteza. A inteligência da significação de-las explica, ao demais, o ...
39INTRODUÇÃOconhecido, mas nada prova que se lhe houvesse filiado,sendo, pois, hipotético tudo quanto a esse respeito sees...
40 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOe Alexandre, rei da Síria. Este último, porém, lhes deferiuhonras e restituiu os bens,...
41INTRODUÇÃOdade, a abster-se de bebidas alcoólicas e a conservar a ca-beleira. Sansão, Samuel e João Batista eram nazaren...
42 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOfrutos de exações e de lucros escandalosos. O nome depublicano se estendeu mais tarde ...
43INTRODUÇÃOsando, tinham a satisfação dos sentidos físicos por objetivoessencial da vida. Quanto às Escrituras, atinham-s...
44 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOgem das crenças de uma e outra. Eram os protestantes des-se tempo.Ainda hoje se encont...
45INTRODUÇÃOtavam, aplicando-se, como esses últimos, à prática de to-das as virtudes. Eram de extrema frugalidade na alime...
46 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOdos criminosos, vítima do fanatismo, por haver atacado ascrenças que encontrara e colo...
47INTRODUÇÃOAlém disso, estas citações provarão que, se Sócrates ePlatão pressentiram a idéia cristã, em seus escritos tam...
48 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOAssim, ilude a si mesmo o homem que considera ascoisas de modo terra-a-terra, do ponto...
49INTRODUÇÃOIV. A alma impura, nesse estado, se encontra oprimidae se vê de novo arrastada para o mundo visível, pelo horr...
50 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOse reúnem todos os que têm de ser conduzidos ao Hades, paraserem julgados. As almas, d...
51INTRODUÇÃOcom a alma, menos pelo que respeita a esta vida, que nãodura mais que um instante, do que tendo em vista a ete...
52 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOlidade moral ulterior, sendo, conseguintemente, um incen-tivo para o mal; que o mau te...
53INTRODUÇÃOXI. De duas uma: ou a morte é uma destruição absoluta,ou é passagem da alma para outro lugar. Se tudo tem de e...
54 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOra parte da plêiade dos Espíritos encarregados de ensinaraos homens as mesmas verdades...
55INTRODUÇÃOculpados conseguir que eles se lhes tornassem propícios. Mas,não: verdadeiramente justos e retos só o são os q...
56 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOA graça é a força que Deus faculta ao homem de boa vonta-de para se expungir do mal e ...
57INTRODUÇÃOtão, que se encontra explanada aqui adiante, nos capítulosII, III e V.XXI. Ajuizado serás, não supondo que sab...
C A P Í T U L O INão vim destruir a leiSem título-1 13/04/05, 15:3058
1. Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ouos profetas: não os vim destruir, mas cumpri-los:– porquanto, em verdad...
60 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOI. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tirei doEgito, da casa da servidão. Não tereis...
61NÃO VIM DESTRUIR A LEIVII. Não roubeis.VIII. Não presteis testemunho falso contra o vossopróximo.IX. Não desejeis a mulh...
62 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOgem divina, conforme o fizeram todos os legisladores dospovos primitivos. A autoridade...
63NÃO VIM DESTRUIR A LEIintegral, isto é, fosse praticada na Terra inteira, em toda asua pureza, com todas as suas ampliaç...
64 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOO ESPIRITISMO5. O Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos ho-mens, por meio d...
65NÃO VIM DESTRUIR A LEIcontrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve, com-pleta e explica, em termos claros e para t...
66 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOestará de acordo com a razão, já se lhe não podendo maisopor a irresistível lógica dos...
67NÃO VIM DESTRUIR A LEItambém dos povos pagãos. O povo hebreu foi o instrumentode que se serviu Deus para se revelar por ...
O evangelho segundo o espiritismo
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O evangelho segundo o espiritismo
O evangelho segundo o espiritismo
O evangelho segundo o espiritismo
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O evangelho segundo o espiritismo
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O evangelho segundo o espiritismo

  1. 1. O EvangelhoSEGUNDO O ESPIRITISMOSem título-1 13/04/05, 15:301
  2. 2. O EvangF é inabalável sóo é a que podeencarar frente afrente a razão,em todas asépocas daHumanidade.Sem título-1 13/04/05, 15:302
  3. 3. angelhoSEGUNDO O ESPIRITISMOCOMA EXPLICAÇÃO DAS MÁXIMAS MORAIS DO CRISTOEM CONCORDÂNCIA COM O ESPIRITISMO E SUASAPLICAÇÕES ÀS DIVERSAS CIRCUNSTÂNCIAS DA VIDAPorALLAN KARDECFEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRADepartamento Editorial e GráficoRua Souza Valente, 1720941-040 – Rio de Janeiro-RJ – BrasilSem título-1 13/04/05, 15:303
  4. 4. Título do original francês: L’EVANGILE SELON LE SPIRITlSME(Paris, abril 1864)Tradução de GUILLON RIBEIROda 3ª edição francesa, revista, corrigidae modificada pelo Autor em 1866Capa??????Projeto GráficoFatima AgraEditoraçãoFA Editoração EletrônicaFotolitos e impressão offsetDepartamento Gráfico da FEBCopyright 1944 byFEDERAÇÃO ESPÍRITA BRASILEIRA (Casa-Máter do Espiritismo)Av. L-2 Norte - Q. 603 - Conjunto F 70830-030 - Brasília, DF - BrasilTodos os direitos de reprodução, cópia, comunicação ao público e explora-ção econômica desta obra estão reservados única e exclusivamente para aFederação Espírita Brasileira (FEB). Proibida a reprodução parcial ou totalda mesma, através de qualquer forma, meio ou processo eletrônico, digital,fotocópia, microfilme, internet, cd-rom, sem a prévia e expressa autorizaçãoda Editora, nos termos da lei 9.610/98 que regulamenta os direitos deautor e conexos.Pedidos de livros à FEBDepartamento Editorial e GráficoRua Souza Valente, 17 – Sõ Cristóvão20941-040 – Rio de Janeiro – RJ – BrasilTel: (0xx 21) 2589-6020, FAX: (0xx 21) 2589-6838.CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO-NA-FONTESINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ.K27e120.ed.Kardec, Allan, 1804-1869O Evangelho segundo o espiritismo: com explicações das máxi-mas morais do Cristo em concordância com o espiritismo e suas apli-cações às diversas circunstâncias da vida / por Allan Kardec; [tradu-ção de Guillon Ribeiro]. - 120.ed. - Rio de Janeiro: Federação EspíritaBrasileira, 2002Tradução de: L’ Evangile selon le spiritismeISBN 85-7328-046-81. Jesus Cristo - Interpretações espíritas. 2. Espiritismo. I. Título.98-0471. CDD 133.9CDU 133.7Sem título-1 13/04/05, 15:304
  5. 5. SumárioÍndice de referências bíblicas ............................... 13Nota da editora .................................................... 17Explicação ............................................................... 19Prefácio ............................................................... 21Introdução ........................................................... 23I – Objetivo desta obra. II – Autoridade da DoutrinaEspírita. Controle universal do ensino dos Espíritos.III – Notícias históricas. IV – Sócrates e Platão, pre-cursores da idéia cristã e do Espiritismo.CAPÍTULO I – NÃO VIM DESTRUIR A LEI ......................... 58As três revelações: Moisés, Cristo, Espiritismo: 1 a7. – Aliança da Ciência e da Religião: 8. – Instruçõesdos Espíritos: A nova era: 9 a 11.CAPÍTULO II – MEU REINO NÃO É DESTE MUNDO .......... 72A vida futura: 1 a 3. – A realeza de Jesus: 4. – O pontode vista: 5 a 7. – Instruções dos Espíritos: Uma reale-za terrestre: 8.Sem título-1 13/04/05, 15:305
  6. 6. 6 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOCAPÍTULO III – HÁ MUITAS MORADAS NA CASA DEMEU PAI ........................................................ 82Diferentes estados da alma na erraticidade: 1 e 2. –Diferentes categorias de mundos habitados: 3 a 5. –Destinação da Terra. Causas das misérias huma-nas: 6 e 7. – Instruções dos Espíritos: Mundos infe-riores e mundos superiores: 8 a 12. – Mundos deexpiações e de provas: 13 a 15. – Mundos regenera-dores: 16 a 18. – Progressão dos mundos: 19.CAPÍTULO IV – NINGUÉM PODERÁ VER O REINO DEDEUS SE NÃO NASCER DE NOVO ........................ 96Ressurreição e reencarnação: 1 a 17. – A reencarna-ção fortalece os laços de família, ao passo que aunicidade da existência os rompe: 18 a 23. – Instru-ções dos Espíritos: Limites da encarnação: 24. – Ne-cessidade da encarnação: 25 e 26.CAPÍTULO V – BEM-AVENTURADOS OS AFLITOS............ 116Justiça das aflições: 1 a 3. – Causas atuais das afli-ções: 4 e 5. – Causas anteriores das aflições: 6 a 10.– Esquecimento do passado: 11. – Motivos de resig-nação: 12 e 13. – O suicídio e a loucura: 14 a 17. –Instruções dos Espíritos: Bem e mal sofrer: 18. – Omal e o remédio: 19.– A felicidade não é deste mun-do: 20. – Perda de pessoas amadas. Mortes prema-turas: 21. – Se fosse um homem de bem, teriamorrido: 22. – Os tormentos voluntários: 23. – A des-graça real: 24. – A melancolia: 25. – Provas voluntá-rias. O verdadeiro cilício: 26. – Dever-se-á pôr termoàs provas do próximo?: 27. – Será lícito abreviar avida de um doente que sofra sem esperança de cura?:28. – Sacrifício da própria vida: 29 e 30. – Proveitodos sofrimentos para outrem: 31.Sem título-1 13/04/05, 15:306
  7. 7. 7SUMÁRIOCAPÍTULO VI – O CRISTO CONSOLADOR ................... 154O jugo leve: 1 e 2. – Consolador prometido: 3 e 4. –Instruções dos Espíritos: Advento do Espírito deVerdade: 5 a 8.CAPÍTULO VII – BEM-AVENTURADOS OS POBRES DEESPÍRITO ..................................................... 162O que se deve entender por pobres de espírito: 1 e 2.– Aquele que se eleva será rebaixado: 3 a 6. – Misté-rios ocultos aos doutos e aos prudentes: 7 a 10. –Instruções dos Espíritos: O orgulho e a humildade: 11e 12. – Missão do homem inteligente na Terra: 13.CAPÍTULO VIII – BEM-AVENTURADOS OS QUE TÊMPURO O CORAÇÃO ......................................... 180Simplicidade e pureza de coração: 1 a 4. – Pecadopor pensamentos. Adultério: 5 a 7. – Verdadeira pu-reza. Mãos não lavadas: 8 a 10. – Escândalos. Se avossa mão é motivo de escândalo, cortai-a: 11 a 17.– Instruções dos Espíritos: Deixai que venham a mimas criancinhas: 18 e 19. – Bem-aventurados os quetêm fechados os olhos: 20 e 21.CAPÍTULO IX – BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃOBRANDOS E PACÍFICOS................................... 198Injúrias e violências: 1 a 5. – Instruções dos Espíri-tos: A afabilidade e a doçura: 6. – A paciência: 7. –Obediência e resignação: 8. – A cólera: 9 e 10.CAPÍTULO X – BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃOMISERICORDIOSOS ........................................ 208Perdoai, para que Deus vos perdoe: 1 a 4. – Reconci-liação com os adversários: 5 e 6. – O sacrifício maisagradável a Deus: 7 e 8. – O argueiro e a trave noolho: 9 e 10. – Não julgueis, para não serdes julga-Sem título-1 13/04/05, 15:307
  8. 8. 8 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOdos. Atire a primeira pedra aquele que estiver sempecado: 11 a 13. – Instruções dos Espíritos: Perdãodas ofensas: 14 e 15. – A indulgência: 16 a 18. – Épermitido repreender os outros, notar as imperfei-ções de outrem, divulgar o mal de outrem?: 19 a 21.CAPÍTULO XI – AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO .... 226O mandamento maior. Fazermos aos outros o quequeiramos que os outros nos façam. Parábola doscredores e dos devedores: 1 a 4. – Dai a César o queé de César: 5 a 7. – Instruções dos Espíritos: A lei deamor: 8 a 10. – O egoísmo: 11 e 12. – A fé e a carida-de: 13. – Caridade para com os criminosos: 14. –Deve-se expor a vida por um malfeitor?: 15.CAPÍTULO XII – AMAI OS VOSSOS INIMIGOS ................ 244Retribuir o mal com o bem: 1 a 4. – Os inimigos de-sencarnados: 5 e 6. – Se alguém vos bater na facedireita, apresentai-lhe também a outra: 7 e 8. – Instru-ções dos Espíritos: A vingança: 9. – O ódio: 10. –O duelo: 11 a 16.CAPÍTULO XIII – NÃO SAIBA A VOSSA MÃO ESQUERDAO QUE DÊ A VOSSA MÃO DIREITA .................... 262Fazer o bem sem ostentação: 1 a 3. – Os infortúniosocultos: 4. – O óbolo da viúva: 5 e 6. – Convidar ospobres e os estropiados. Dar sem esperar retribui-ção: 7 e 8. – Instruções dos Espíritos: A caridade ma-terial e a caridade moral: 9 e 10. – A beneficência: 11a 16. – A piedade: 17. Os órfãos: 18. – Benefíciospagos com a ingratidão: 19. – Beneficência exclusi-va: 20.CAPÍTULO XIV – HONRAI A VOSSO PAI E A VOSSA MÃE... 292Piedade filial: 1 a 4. – Quem é minha mãe e quemsão meus irmãos?: 5 a 7. – A parentela corporal e aSem título-1 13/04/05, 15:308
  9. 9. 9SUMÁRIOparentela espiritual: 8. – Instruções dos Espíritos: Aingratidão dos filhos e os laços de família: 9.CAPÍTULO XV – FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO .. 306O de que precisa o Espírito para ser salvo. Parábolado bom samaritano: 1 a 3. – O mandamento maior:4 e 5. – Necessidade da caridade, segundo S. Paulo:6 e 7. – Fora da Igreja não há salvação. Fora da ver-dade não há salvação: 8 e 9. – Instruções dos Espíri-tos: Fora da caridade não há salvação: 10.CAPÍTULO XVI – NÃO SE PODE SERVIR A DEUS E AMAMON ....................................................... 318Salvação dos ricos: 1 e 2. – Preservar-se da avareza:3. – Jesus em casa de Zaqueu: 4. – Parábola do maurico: 5. – Parábola dos talentos: 6. – Utilidade provi-dencial da riqueza. Provas da riqueza e da miséria:7. – Desigualdade das riquezas: 8. – Instruções dosEspíritos: A verdadeira propriedade: 9 e 10. – Empre-go da riqueza: 11 a 13. Desprendimento dos bensterrenos: 14. – Transmissão da riqueza: 15.CAPÍTULO XVII – SEDE PERFEITOS............................ 344Caracteres da perfeição: 1 e 2. – O homem de bem:3. – Os bons espíritas: 4. – Parábola do semeador: 5e 6. – Instruções dos Espíritos: O dever: 7. – A virtu-de: 8. – Os superiores e os inferiores: 9. – O homemno mundo: 10. – Cuidar do corpo e do espírito: 11.CAPÍTULO XVIII – MUITOS OS CHAMADOS, POUCOS OSESCOLHIDOS ................................................ 364Parábola do festim de bodas: 1 e 2. – A porta estrei-ta: 3 a 5. – Nem todos os que dizem: Senhor! Senhor!entrarão no reino dos céus: 6 a 9. – Muito se pediráàquele que muito recebeu: 10 a 12. – Instruções dosEspíritos: Dar-se-á àquele que tem: 13 a 15. – Pelassuas obras é que se reconhece o cristão: 16.Sem título-1 13/04/05, 15:309
  10. 10. 10 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOCAPÍTULO XIX – A FÉ TRANSPORTA MONTANHAS ....... 382Poder da fé: 1 a 5. – A fé religiosa. Condição da féinabalável: 6 e 7. – Parábola da figueira que secou: 8a 10. – Instruções dos Espíritos: A fé: mãe da esperan-ça e da caridade: 11. – A fé humana e a divina: 12.CAPÍTULO XX – OS TRABALHADORES DA ÚLTIMA HORA.. 394Instruções dos Espíritos: Os últimos serão os primei-ros: 1 a 3. – Missão dos espíritas: 4. – Os obreiros doSenhor: 5.CAPÍTULO XXI – HAVERÁ FALSOS CRISTOS E FALSOSPROFETAS .................................................. 404Conhece-se a árvore pelo fruto: 1 a 3. – Missão dosprofetas: 4. – Prodígios dos falsos profetas: 5. – Nãocreais em todos os Espíritos: 6 e 7. – Instruções dosEspíritos: Os falsos profetas: 8. – Caracteres do ver-dadeiro profeta: 9. – Os falsos profetas da erraticida-de: 10. – Jeremias e os falsos profetas: 11.CAPÍTULO XXII – NÃO SEPAREIS O QUE DEUS JUNTOU ... 420Indissolubilidade do casamento: l a 4. – O divórcio: 5.CAPÍTULO XXIII – ESTRANHA MORAL ......................... 426Odiar os pais: 1 a 3. – Abandonar pai, mãe e filhos: 4a 6. – Deixar aos mortos o cuidado de enterrar seusmortos: 7 e 8. – Não vim trazer a paz, mas, a divisão:9 a 18.CAPÍTULO XXIV – NÃO PONHAIS A CANDEIA DEBAIXODO ALQUEIRE ............................................... 440Candeia sob o alqueire. Por que fala Jesus por pará-bolas: 1 a 7. – Não vades ter com os gentios: 8 a 10. –Não são os que gozam saúde que precisam de médi-co: 11 e 12. – Coragem da fé: 13 a 16. – Carregar suacruz. Quem quiser salvar a vida, perdê-la-á: 17 a 19.Sem título-1 13/04/05, 15:3010
  11. 11. 11SUMÁRIOCAPÍTULO XXV – BUSCAI E ACHAREIS ....................... 454Ajuda-te a ti mesmo, que o céu te ajudará: 1 a 5. –Observai os pássaros do céu: 6 a 8. – Não vosafadigueis pela posse do ouro: 9 a 11.CAPÍTULO XXVI – DAI GRATUITAMENTE O QUEGRATUITAMENTE RECEBESTES ........................ 464Dom de curar: 1 e 2. – Preces pagas: 3 e 4. – Merca-dores expulsos do templo: 5 e 6. – Mediunidade gra-tuita: 7 a 10.CAPÍTULO XXVII – PEDI E OBTEREIS ......................... 472Qualidades da prece: 1 a 4. – Eficácia da prece: 5 a8. – Ação da prece. Transmissão do pensamento: 9 a15. – Preces inteligíveis: 16 e 17. – Da prece pelosmortos e pelos Espíritos sofredores: 18 a 21. – Ins-truções dos Espíritos: Maneira de orar: 22. – Felici-dade que a prece proporciona: 23.CAPÍTULO XXVIII – COLETÂNEA DE PRECES ESPÍRITAS .. 492Preâmbulo: 1.I – PRECES GERAIS ............................................... 495Oração dominical: 2 e 3. – Reuniões espíritas: 4 a 7.– Para os médiuns: 8 a 10.II – PRECES POR AQUELE MESMO QUE ORA ............... 511Aos anjos guardiães e aos Espíritos protetores: 11 a14. – Para afastar os maus Espíritos: 15 a 17. – Parapedir a corrigenda de um defeito: 18 e 19. – Parapedir a força de resistir a uma tentação: 20 e 21. –Ação de graças pela vitória alcançada sobre uma ten-tação: 22 e 23. – Para pedir um conselho: 24 e 25. –Nas aflições da vida: 26 e 27. – Ação de graças porSem título-1 13/04/05, 15:3011
  12. 12. 12 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOum favor obtido: 28 e 29. – Ato de submissão e deresignação: 30 a 33. – Num perigo iminente: 34 e 35.– Ação de graças por haver escapado a um perigo: 36e 37. – À hora de dormir: 38 e 39. – Prevendo próxi-ma a morte: 40 e 41.III – PRECES POR OUTREM ...................................... 529Por alguém que esteja em aflição: 42 e 43. – Ação degraças por um benefício concedido a outrem: 44 e45. – Pelos nossos inimigos e pelos que nos queremmal: 46 e 47. – Ação de graças pelo bem concedidoaos nossos inimigos: 48 e 49. – Pelos inimigos doEspiritismo: 50 a 52. – Por uma criança que acabade nascer: 53 a 56. – Por um agonizante: 57 e 58.IV – PRECES PELOS QUE JÁ NÃO SÃO DA TERRA ......... 539Por alguém que acaba de morrer: 59 a 61. – Pelaspessoas a quem tivemos afeição: 62 e 63. – Pelasalmas sofredoras que pedem preces: 64 a 66. – Porum inimigo que morreu: 67 e 68. – Por um crimino-so: 69 e 70. – Por um suicida: 71 e 72. – Pelos Espíri-tos penitentes: 73 e 74. – Pelos Espíritos endureci-dos: 75 e 76.V – PRECES PELOS DOENTES E PELOS OBSIDIADOS .... 554Pelos doentes: 77 a 80. – Pelos obsidiados: 81 a 84.Sem título-1 13/04/05, 15:3012
  13. 13. Índice de referênciasbíblicasMATEUSCAP. VV. PÁG.6 19 a 21 4586 24 319 *6 25 a 34 4587 1 e 2 2157 3 a 5 2147 7 a 11 4557 12 2287 13 e 14 3697 15 a 20 4057 21 a 23 3717 24 a 27 3728 1 a 4 2648 21 e 22 432 *9 10 a 12 44810 5 a 7 44610 8 46510 9 a 15 46110 26 441 *10 28 53310 32 e 33 45010 34 a 36 43310 37 42710 38 e 39 45211 12 a 15 10311 25 16811 28 a 30 15512 33 405 *12 46 a 50 29713 1 a 9 352CAP. VV. PÁG.3 10 405 *5 3 1635 5 1995 4 1185 6 1185 6 5335 7 2095 8 1815 9 1995 10 1185 10 a 12 5335 15 4415 17 e 18 595 19 3725 20 2465 21 e 22 1995 23 e 24 2135 25 e 26 2115 27 e 28 1845 29 e 30 1885 31 e 32 421 *5 38 a 42 2515 43 a 47 2455 44 3455 46 a 48 3456 1 a 4 2636 5 a 8 4736 9 a 13 4956 14 e 15 209* Os asteriscos indicam que tais versículos têm relação com o assun-to tratado pelo Autor, se bem que não citados na obra.Sem título-1 13/04/05, 15:3013
  14. 14. 14 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOCAP. VV. PÁG.13 10 a 14 37613 10 a 15 44213 18 a 23 35314 1 e 2 98 *15 1 a 20 18516 13 a 17 9716 24 a 26 452 *17 10 a 13 9817 14 a 20 38318 1 a 5 16518 6 a 11 18818 15 21018 20 50418 21 e 22 21018 23 a 35 22819 3 a 9 42119 13 a 15 181 *19 16 a 24 31919 18 e 19 29319 29 43019 30 396 *CAP. VV. PÁG.20 1 a 16 39520 20 a 28 16521 12 e 13 46721 18 a 21 388 *21 21 383 *21 22 475 *22 1 a 14 36522 15 a 22 23022 34 a 40 22722 34 a 40 31123 11 e 12 165 *23 14 46623 25 a 28 51423 25 a 28 185 *24 4 e 5 40624 11 a 13 40624 23 e 24 40625 29 377 *25 14 a 30 32425 31 a 46 30727 11 73 *MARCOSCAP. VV. PÁG.1 40 a 44 263 *2 15 a 17 448 *3 20 e 21 2963 31 a 35 2964 1 a 9 352 *4 10 a 12 441 *4 11 441 *4 13 a 20 352 *4 21 e 22 441 *4 24 215 *4 24 e 25 3774 25 441 *6 8 a 11 461 *6 14 a 16 987 1 a 23 181 *8 27 a 30 978 34 a 36 4528 38 1848 38 450 *9 11 a 13 989 35 a 37 165 *CAP. VV. PÁG.9 42 a 47 188 *10 2 a 12 421 *10 13 e 16 18110 17 a 25 31910 19 29310 29 e 30 430 *10 31 395 *10 35 a 45 165 *11 12 a 14 38811 15 a 18 46711 20 a 23 38811 24 47511 25 e 26 47412 13 a 17 23012 28 a 31 227 *12 28 a 31 311 *12 38 a 40 46612 41 a 44 26813 5 e 6 40613 21 e 22 40615 2 73 *MATEUSSem título-1 13/04/05, 15:3014
  15. 15. 15ÍNDICE DE REFERÊNCIAS BÍBLICASLUCASCAP. VV. PÁG.5 12 a 14 264 *5 29 a 31 448 *6 20 163 *6 20 e 21 1186 22 e 23 4526 22 e 23 533 *6 24 e 25 1186 27 e 28 245 *6 27 e 28 345 *6 29 e 30 251 *6 31 2286 32 a 36 2466 32 a 36 345 *6 37 e 38 215 *6 41 e 42 215 *6 43 a 45 4056 46 a 49 3728 4 a 8 352 *8 10 e 18 442 *8 11 a 15 353 *8 16 e 17 4418 18 377 *8 19 a 21 296 *9 3 a 5 461 *9 7 a 9 989 18 a 20 97 *9 23 a 25 4529 26 4509 37 a 43 383 *9 46 a 48 165 *9 59 e 60 4329 61 e 62 43010 21 168 *10 25 a 27 227 *10 25 a 27 311 *10 25 a 37 30911 2 a 4 496 *11 9 a 13 455 *11 33 441 *11 37 a 40 187CAP. VV. PÁG.11 39 514 *12 4 e 5 533 *12 8 e 9 450 *12 13 a 21 32112 22 a 34 458 *12 47 e 48 37412 49 a 53 43312 58 e 59 211 *13 23 a 30 36913 30 396 *14 1 16614 7 a 11 16614 12 a 15 27114 16 a 24 365 *14 25 a 27 42714 27 452 *14 33 42716 13 31916 17 59 *16 18 421 *16 19 a 31 32217 1 e 2 188 *17 3 e 4 210 *17 6 383 *17 23 406 *17 33 452 *18 9 a 14 47418 15 a 17 181 *18 18 a 25 31918 20 29318 28 a 30 43019 1 a 10 32219 11 a 27 324 *19 26 377 *19 45 e 46 467 *20 20 a 26 230 *20 45 a 47 46621 1 a 4 26822 24 a 27 165 *23 3 73 *Sem título-1 13/04/05, 15:3015
  16. 16. 16 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOJOÃOCAP. VV. PÁG.2 13 a 16 467 *3 1 a 12 997 5 2988 3 a 11 2159 39 a 41 37412 25 e 26 45212 40 442 *CAP. VV. PÁG.14 1 a 3 8314 13 475 *14 15 a 17 15614 26 15618 33 7318 36 e 37 73ATOS E EPÍSTOLASCAP. VV. PÁG.At. 2 17 e 18 507At. 20 29 405 *At. 28 26 e 27 442 *Rom. 2 1 215 *Rom. 13 7 230 *I Cor. 13 1 a 7 312I Cor. 13 13 312I Cor. 14 11 e 14 483CAP. VV. PÁG.I Cor. 14 16 e 17 483Efés. 6 2 e 3 293 *II Tim. 2 12 458 *I Ped. 3 14 533 *I Ped. 4 8 312 *I Ped. 4 14 533 *I João 3 22 475 *I João 4 1 408VELHO TESTAMENTOCAP. VV. PÁG.Isa. 26 19 104Jer. 14 14 418 *Jer. 23 16 a 18 418Jer. 23 21 418Jer. 23 25 e 26 418Jer. 23 33 418Joel 2 28 e 29 507 *Êxo. 20 2 a 8 60 *Êxo. 20 12 293Êxo. 20 12 a 17 60 *Deu. 5 6 a 12 60 *Deu. 5 16 293 *Deu. 5 16 a 21 60 *Job 14 10 e 14 104CAP. VV. PÁG.Sem título-1 13/04/05, 15:3016
  17. 17. Nota da editoraA nossa tradução da obra O Evangelho segundo o Es-piritismo foi feita da terceira edição francesa, ou seja, da-quela que foi revista, corrigida e modificada por Allan Kardec(Revue Spirite, ano de 1865, pág. 356).Encarregou-se dessa tradução o saudoso presidenteda Federação Espírita Brasileira – Dr. Guillon Ribeiro, en-genheiro civil, poliglota e vernaculista.Ruy Barbosa, em seu discurso pronunciado na sessãode 14 de outubro de 1903 (Anais do Senado Federal, vol. II,pág. 717), em se referindo ao seu trabalho de revisão doProjeto do Código Civil, trabalho monumental que resultouna Rép1ica, e que lhe imortalizou o nome como filólogo epurista da língua, disse:“Devo, entretanto, Sr. Presidente, desempenhar-mede um dever de consciência – registrar e agradecer datribuna do Senado a colaboração preciosa do Sr. Dr.Guillon Ribeiro, que me acompanhou nesse trabalhocom a maior inteligência, não limitando os seus servi-ços à parte material do comum dos revisores, mas,muitas vezes, suprindo até a desatenções e negligên-cias minhas.”Sem título-1 13/04/05, 15:3017
  18. 18. 18 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOComo vemos, Guillon Ribeiro recebeu, aos vinte e oitoanos de idade, o maior prêmio, o maior elogio a que poderiaaspirar um escritor, e a Federação Espírita Brasileira, vinteanos depois, consagrou-lhe o nome, aprovando unanime-mente as suas impecáveis traduções de Kardec.Jornalista emérito, Guillon Ribeiro foi redator do Jornaldo Commercio e colaborador dos maiores jornais da época.Exerceu, durante anos, o cargo de Diretor-Geral da Secre-taria do Senado e foi Diretor da Federação Espírita Brasi-leira, no decurso de 26 anos consecutivos, tendo traduzi-do, ainda, O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, AGênese e Obras Póstumas, todos de Allan Kardec.Sem título-1 13/04/05, 15:3018
  19. 19. ExplicaçãoComo é do domínio público, Kardec, ao imprimir a ter-ceira edição do seu livro – O Evangelho segundo o Espiritis-mo –, por ordem dos Espíritos reformou completamente asedições anteriores, suprimindo inúmeros trechos, acrescen-tando outros, alterando a redação de muitos e a numera-ção de vários parágrafos, tendo, anteriormente, modificadoo próprio título da obra.A 3ª edição francesa ficou, pois, sendo a definitiva e,por isso mesmo, a Federação Espírita Brasileira, obedienteàs instruções que os Espíritos deram a Kardec, e por esteaceitas, fez a presente tradução da referida 3ª edição fran-cesa, sobre a qual Kardec escreveu, em Revue Spirite denovembro de 1865, o seguinte:Esta edição foi completamente refundida. Além de algu-mas adições, as principais modificações consistem numa clas-sificação mais metódica, mais clara e mais cômoda das ma-térias, tornando a obra de mais fácil leitura e facilitandoigualmente as consultas.A EDITORA (FEB)Sem título-1 13/04/05, 15:3019
  20. 20. Sem título-1 13/04/05, 15:3020
  21. 21. PrefácioOs Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, qualimenso exército que se movimenta ao receber as ordens do seucomando, espalham-se por toda a superfície da Terra e, seme-lhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abriros olhos aos cegos.Eu vos digo, em verdade, que são chegados os tempos emque todas as coisas hão de ser restabelecidas no seu verdadei-ro sentido, para dissipar as trevas, confundir os orgulhosos eglorificar os justos.As grandes vozes do Céu ressoam como sons de trombetas,e os cânticos dos anjos se lhes associam. Nós vos convidamos,a vós homens, para o divino concerto. Tomai da lira, fazeiuníssonas vossas vozes, e que, num hino sagrado, elas se es-tendam e repercutam de um extremo a outro do Universo.Homens, irmãos a quem amamos, aqui estamos junto devós. Amai-vos, também, uns aos outros e dizei do fundo do co-ração, fazendo as vontades do Pai, que está no Céu: Senhor!Senhor!... e podereis entrar no reino dos Céus.O ESPÍRITO DE VERDADENota – A instrução acima, transmitida por via mediúnica, resume aum tempo o verdadeiro caráter do Espiritismo e a finalidade destaobra; por isso foi colocada aqui como prefácio.Sem título-1 13/04/05, 15:3021
  22. 22. Sem título-1 13/04/05, 15:3022
  23. 23. IntroduçãoI – OBJETIVO DESTA OBRAPodem dividir-se em cinco partes as matérias contidasnos Evangelhos: os atos comuns da vida do Cristo; os mila-gres; as predições; as palavras que foram tomadas pela Igrejapara fundamento de seus dogmas; e o ensino moral. As qua-tro primeiras têm sido objeto de controvérsias; a última,porém, conservou-se constantemente inatacável. Diante des-se código divino, a própria incredulidade se curva. É terre-no onde todos os cultos podem reunir-se, estandarte sob oqual podem todos colocar-se, quaisquer que sejam suascrenças, porquanto jamais ele constituiu matéria das dispu-tas religiosas, que sempre e por toda a parte se originaramdas questões dogmáticas. Aliás, se o discutissem, nele te-riam as seitas encontrado sua própria condenação, vistoque, na maioria, elas se agarram mais à parte mística doque à parte moral, que exige de cada um a reforma de simesmo. Para os homens, em particular, constitui aquelecódigo uma regra de proceder que abrange todas as cir-cunstâncias da vida privada e da vida pública, o princípiobásico de todas as relações sociais que se fundam na maisSem título-1 13/04/05, 15:3023
  24. 24. 24 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOrigorosa justiça. É, finalmente e acima de tudo, o roteiroinfalível para a felicidade vindoura, o levantamento de umaponta do véu que nos oculta a vida futura. Essa parte é aque será objeto exclusivo desta obra.Toda a gente admira a moral evangélica; todos lhe pro-clamam a sublimidade e a necessidade; muitos, porém,assim se pronunciam por fé, confiados no que ouviram di-zer, ou firmados em certas máximas que se tornaram pro-verbiais. Poucos, no entanto, a conhecem a fundo e menosainda são os que a compreendem e lhe sabem deduzir asconseqüências. A razão está, por muito, na dificuldade queapresenta o entendimento do Evangelho que, para o maiornúmero dos seus leitores, é ininteligível. A forma alegóricae o intencional misticismo da linguagem fazem que a maio-ria o leia por desencargo de consciência e por dever, comolêem as preces, sem as entender, isto é, sem proveito. Pas-sam-lhes despercebidos os preceitos morais, disseminadosaqui e ali, intercalados na massa das narrativas. Impossí-vel, então, apanhar-se-lhes o conjunto e tomá-los para ob-jeto de leitura e meditações especiais.É certo que tratados já se hão escrito de moral evangé-lica; mas, o arranjo em moderno estilo literário lhe tira aprimitiva simplicidade que, ao mesmo tempo, lhe constituio encanto e a autenticidade. Outro tanto cabe dizer-se dasmáximas destacadas e reduzidas à sua mais simples ex-pressão proverbial. Desde logo, já não passam de aforis-mos, privados de uma parte do seu valor e interesse, pelaausência dos acessórios e das circunstâncias em que fo-ram enunciadas.Sem título-1 13/04/05, 15:3024
  25. 25. 25INTRODUÇÃOPara obviar a esses inconvenientes, reunimos, nestaobra, os artigos que podem compor, a bem dizer, um códigode moral universal, sem distinção de culto. Nas citações,conservamos o que é útil ao desenvolvimento da idéia, pon-do de lado unicamente o que se não prende ao assunto.Além disso, respeitamos escrupulosamente a tradução deSacy, assim como a divisão em versículos. Em vez, porém,de nos atermos a uma ordem cronológica impossível e semvantagem real para o caso, grupamos e classificamos meto-dicamente as máximas, segundo as respectivas naturezas,de modo que decorram umas das outras, tanto quanto pos-sível. A indicação dos números de ordem dos capítulos edos versículos permite se recorra à classificação vulgar, emsendo oportuno.Esse, entretanto, seria um trabalho material que, porsi só, apenas teria secundária utilidade. O essencial era pô--lo ao alcance de todos, mediante a explicação das passa-gens obscuras e o desdobramento de todas as conseqüên-cias, tendo em vista a aplicação dos ensinos a todas ascondições da vida. Foi o que tentamos fazer, com a ajudados bons Espíritos que nos assistem.Muitos pontos dos Evangelhos, da Bíblia e dos autoressacros em geral só são ininteligíveis, parecendo alguns atéirracionais, por falta da chave que faculte se lhes apreendao verdadeiro sentido. Essa chave está completa no Espiri-tismo, como já o puderam reconhecer os que o têm estuda-do seriamente e como todos, mais tarde, ainda melhor oreconhecerão. O Espiritismo se nos depara por toda a partena antigüidade e nas diferentes épocas da Humanidade.Por toda a parte se lhe descobrem os vestígios: nos escri-Sem título-1 13/04/05, 15:3025
  26. 26. 26 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOtos, nas crenças e nos monumentos. Essa a razão por que,ao mesmo tempo que rasga horizontes novos para o futuro,projeta luz não menos viva sobre os mistérios do passado.Como complemento de cada preceito, acrescentamosalgumas instruções escolhidas, dentre as que os Espíritosditaram em vários países e por diferentes médiuns. Se elasfossem tiradas de uma fonte única, houveram talvez sofri-do uma influência pessoal ou a do meio, enquanto a diver-sidade de origens prova que os Espíritos dão indistintamenteseus ensinos e que ninguém a esse respeito goza de qual-quer privilégio.1Esta obra é para uso de todos. Dela podem todos hau-rir os meios de confortar com a moral do Cristo o respectivoproceder. Aos espíritas oferece aplicações que lhesconcernem de modo especial. Graças às relações esta-belecidas, doravante e permanentemente, entre os homense o mundo invisível, a lei evangélica, que os próprios Espí-ritos ensinaram a todas as nações, já não será letra morta,porque cada um a compreenderá e se verá incessantementecompelido a pô-la em prática, a conselho de seus guiasespirituais. As instruções que promanam dos Espíritos sãoverdadeiramente as vozes do céu que vêm esclarecer os ho-mens e convidá-los à prática do Evangelho.1 Houvéramos, sem dúvida, podido apresentar, sobre cada assunto,maior número de comunicações obtidas numa porção de outrascidades e centros, além das que citamos. Tivemos, porém, de evitara monotonia das repetições inúteis e limitar a nossa escolha àsque, tanto pelo fundo quanto pela forma, se enquadravam melhorno plano desta obra, reservando para publicações ulteriores as quenão puderam caber aqui.Sem título-1 13/04/05, 15:3026
  27. 27. 27INTRODUÇÃOII – AUTORIDADE DA DOUTRINA ESPÍRITACONTROLE UNIVERSAL DO ENSINODOS ESPÍRITOSSe a Doutrina Espírita fosse de concepção puramentehumana, não ofereceria por penhor senão as luzes daqueleque a houvesse concebido. Ora, ninguém, neste mundo,poderia alimentar fundadamente a pretensão de possuir,com exclusividade, a verdade absoluta. Se os Espíritos quea revelaram se houvessem manifestado a um só homem,nada lhe garantiria a origem, porquanto fora mister acredi-tar, sob palavra, naquele que dissesse ter recebido deles oensino. Admitida, de sua parte, sinceridade perfeita, quan-do muito poderia ele convencer as pessoas de suas rela-ções; conseguiria sectários, mas nunca chegaria a congregartodo o mundo.Quis Deus que a nova revelação chegasse aos homenspor mais rápido caminho e mais autêntico. Incumbiu, pois,os Espíritos de levá-la de um pólo a outro, manifestando-sepor toda a parte, sem conferir a ninguém o privilégio deQuanto aos médiuns, abstivemo-nos de nomeá-los. Na maioria doscasos, não os designamos a pedido deles próprios e, assim sendo,não convinha fazer exceções. Ao demais, os nomes dos médiuns ne-nhum valor teriam acrescentado à obra dos Espíritos. Mencioná-losmais não fora, então, do que satisfazer ao amor-próprio, coisa a queos médiuns verdadeiramente sérios nenhuma importância ligam.Compreendem eles que, por ser meramente passivo o papel que lhestoca, o valor das comunicações em nada lhes exalça o mérito pessoal;e que seria pueril envaidecerem-se de um trabalho de inteligência aoqual é apenas mecânico o concurso que prestam.Sem título-1 13/04/05, 15:3027
  28. 28. 28 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOlhes ouvir a palavra. Um homem pode ser ludibriado, podeenganar-se a si mesmo; já não será assim, quando milhõesde criaturas vêem e ouvem a mesma coisa. Constitui issouma garantia para cada um e para todos. Ao demais, podefazer-se que desapareça um homem; mas não se pode fazerque desapareçam as coletividades; podem queimar-se oslivros, mas não se podem queimar os Espíritos. Ora, quei-massem-se todos os livros e a fonte da doutrina não deixa-ria de conservar-se inexaurível, pela razão mesma de nãoestar na Terra, de surgir em todos os lugares e de poderemtodos dessedentar-se nela. Faltem os homens para difun-di-la: haverá sempre os Espíritos, cuja atuação a todos atin-ge e aos quais ninguém pode atingir.São, pois, os próprios Espíritos que fazem a propaga-ção, com o auxílio dos inúmeros médiuns que, também eles,os Espíritos, vão suscitando de todos os lados. Se tivessehavido unicamente um intérprete, por mais favorecido quefosse, o Espiritismo mal seria conhecido. Qualquer que fos-se a classe a que pertencesse, tal intérprete houvera sidoobjeto das prevenções de muita gente e nem todas as na-ções o teriam aceitado, ao passo que os Espíritos se comu-nicam em todos os pontos da Terra, a todos os povos, atodas as seitas, a todos os partidos, e todos os aceitam. OEspiritismo não tem nacionalidade e não faz parte de ne-nhum culto existente; nenhuma classe social o impõe, vis-to que qualquer pessoa pode receber instruções de seusparentes e amigos de além-túmulo. Cumpre seja assim, paraque ele possa conduzir todos os homens à fraternidade. Senão se mantivesse em terreno neutro, alimentaria as dis-sensões, em vez de apaziguá-las.Sem título-1 13/04/05, 15:3028
  29. 29. 29INTRODUÇÃONessa universalidade do ensino dos Espíritos reside aforça do Espiritismo e, também, a causa de sua tão rápidapropagação. Enquanto a palavra de um só homem, mesmocom o concurso da imprensa, levaria séculos para chegarao conhecimento de todos, milhares de vozes se fazem ou-vir simultaneamente em todos os recantos do planeta, pro-clamando os mesmos princípios e transmitindo-os aos maisignorantes, como aos mais doutos, a fim de que não hajadeserdados. É uma vantagem de que não gozara ainda ne-nhuma das doutrinas surgidas até hoje. Se o Espiritismo,portanto, é uma verdade, não teme o malquerer dos ho-mens, nem as revoluções morais, nem as subversões físi-cas do globo, porque nada disso pode atingir os Espíritos.Não é essa, porém, a única vantagem que lhe decorreda sua excepcional posição. Ela lhe faculta inatacável ga-rantia contra todos os cismas que pudessem provir, seja daambição de alguns, seja das contradições de certos Espíri-tos. Tais contradições, não há negar, são um escolho; masque traz consigo o remédio, ao lado do mal.Sabe-se que os Espíritos, em virtude da diferença en-tre as suas capacidades, longe se acham de estar, indivi-dualmente considerados, na posse de toda a verdade; quenem a todos é dado penetrar certos mistérios; que o saberde cada um deles é proporcional à sua depuração; que osEspíritos vulgares mais não sabem do que muitos homens;que entre eles, como entre estes, há presunçosos esofômanos, que julgam saber o que ignoram; sistemáticos,que tomam por verdades as suas idéias; enfim, que só osEspíritos da categoria mais elevada, os que já estão com-pletamente desmaterializados, se encontram despidos dasSem título-1 13/04/05, 15:3029
  30. 30. 30 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOidéias e preconceitos terrenos; mas, também é sabido queos Espíritos enganadores não escrupulizam em tomar no-mes que lhes não pertencem, para impingirem suas uto-pias. Daí resulta que, com relação a tudo o que seja fora doâmbito do ensino exclusivamente moral, as revelações quecada um possa receber terão caráter individual, sem cunhode autenticidade; que devem ser consideradas opiniões pes-soais de tal ou qual Espírito e que imprudente fora aceitá-lase propagá-las levianamente como verdades absolutas.O primeiro exame comprobativo é, pois, sem contradita,o da razão, ao qual cumpre se submeta, sem exceção, tudoo que venha dos Espíritos. Toda teoria em manifesta con-tradição com o bom-senso, com uma lógica rigorosa e comos dados positivos já adquiridos, deve ser rejeitada, por maisrespeitável que seja o nome que traga como assinatura. In-completo, porém, ficará esse exame em muitos casos, porefeito da falta de luzes de certas pessoas e das tendênciasde não poucas a tomar as próprias opiniões como juízesúnicos da verdade. Assim sendo, que hão de fazer aquelesque não depositam confiança absoluta em si mesmos? Bus-car o parecer da maioria e tomar por guia a opinião desta.De tal modo é que se deve proceder em face do que digam osEspíritos, que são os primeiros a nos fornecer os meios deconsegui-lo.A concordância no que ensinem os Espíritos é, pois, amelhor comprovação. Importa, no entanto, que ela se dêem determinadas condições. A mais fraca de todas ocorrequando um médium, a sós, interroga muitos Espíritos acercade um ponto duvidoso. É evidente que, se ele estiver sob oimpério de uma obsessão, ou lidando com um EspíritoSem título-1 13/04/05, 15:3030
  31. 31. 31INTRODUÇÃOmistificador, este lhe pode dizer a mesma coisa sob diferen-tes nomes. Tampouco garantia alguma suficiente haverána conformidade que apresente o que se possa obter pordiversos médiuns, num mesmo centro, porque podem es-tar todos sob a mesma influência.Uma só garantia séria existe para o ensino dos Espíri-tos: a concordância que haja entre as revelações que elesfaçam espontaneamente, servindo-se de grande número demédiuns estranhos uns aos outros e em vários lugares.Vê-se bem que não se trata aqui das comunicaçõesreferentes a interesses secundários, mas do que respeitaaos princípios mesmos da doutrina. Prova a experiênciaque, quando um princípio novo tem de ser enunciado, issose dá espontaneamente em diversos pontos ao mesmo tem-po e de modo idêntico, senão quanto à forma, quanto aofundo.Se, portanto, aprouver a um Espírito formular um sis-tema excêntrico, baseado unicamente nas suas idéias e comexclusão da verdade, pode ter-se a certeza de que tal siste-ma conservar-se-á circunscrito e cairá, diante das instru-ções dadas de todas as partes, conforme os múltiplos exem-plos que já se conhecem. Foi essa unanimidade que pôspor terra todos os sistemas parciais que surgiram na ori-gem do Espiritismo, quando cada um explicava à sua ma-neira os fenômenos, e antes que se conhecessem as leisque regem as relações entre o mundo visível e o mundoinvisível.Essa a base em que nos apoiamos, quando formula-mos um princípio da doutrina. Não é porque esteja de acor-do com as nossas idéias que o temos por verdadeiro. NãoSem título-1 13/04/05, 15:3031
  32. 32. 32 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOnos arvoramos, absolutamente, em árbitro supremo da ver-dade e a ninguém dizemos: “Crede em tal coisa, porquesomos nós que vo-lo dizemos.” A nossa opinião não passa,aos nossos próprios olhos, de uma opinião pessoal, quepode ser verdadeira ou falsa, visto não nos considerarmosmais infalível do que qualquer outro. Também não éporque um princípio nos foi ensinado que, para nós, eleexprime a verdade, mas porque recebeu a sanção daconcordância.Na posição em que nos encontramos, a receber comu-nicações de perto de mil centros espíritas sérios, dissemi-nados pelos mais diversos pontos da Terra, achamo-nosem condições de observar sobre que princípio se estabelecea concordância. Essa observação é que nos tem guiado atéhoje e é a que nos guiará em novos campos que o Espiritis-mo terá de explorar. Porque, estudando atentamente ascomunicações vindas tanto da França como do estrangei-ro, reconhecemos, pela natureza toda especial das revela-ções, que ele tende a entrar por um novo caminho e que lhechegou o momento de dar um passo para diante. Essasrevelações, feitas muitas vezes com palavras veladas, hãofreqüentemente passado despercebidas a muitos dos queas obtiveram. Outros julgaram-se os únicos a possuí-las.Tomadas insuladamente, elas, para nós, nenhum valor te-riam; somente a coincidência lhes imprime gravidade. De-pois, chegado o momento de serem entregues à publici-dade, cada um se lembrará de haver obtido instruções nomesmo sentido. Esse movimento geral, que observamos eestudamos, com a assistência dos nossos guias espirituais,é que nos auxilia a julgar da oportunidade de fazermos ounão alguma coisa.Sem título-1 13/04/05, 15:3032
  33. 33. 33INTRODUÇÃOEssa verificação universal constitui uma garantia paraa unidade futura do Espiritismo e anulará todas as teoriascontraditórias. Aí é que, no porvir, se encontrará o critérioda verdade. O que deu lugar ao êxito da doutrina expostaem O Livro dos Espíritos e em O Livro dos Médiuns foi queem toda a parte todos receberam diretamente dos Espíritosa confirmação do que esses livros contêm. Se de todos oslados tivessem vindo os Espíritos contradizê-la, já de hámuito haveriam aquelas obras experimentado a sorte detodas as concepções fantásticas. Nem mesmo o apoio daimprensa as salvaria do naufrágio, ao passo que, privadascomo se viram desse apoio, não deixaram elas de abrir ca-minho e de avançar celeremente. É que tiveram o dos Espí-ritos, cuja boa vontade não só compensou, como tambémsobrepujou o malquerer dos homens. Assim sucederá a to-das as idéias que, emanando quer dos Espíritos, quer doshomens, não possam suportar a prova desse confronto, cujaforça a ninguém é lícito contestar.Suponhamos praza a alguns Espíritos ditar, sob qual-quer título, um livro em sentido contrário; suponhamosmesmo que, com intenção hostil, objetivando desacreditara doutrina, a malevolência suscitasse comunicações apócri-fas; que influência poderiam exercer tais escritos, desdeque de todos os lados os desmentissem os Espíritos? É coma adesão destes que se deve garantir aquele que queira lan-çar, em seu nome, um sistema qualquer. Do sistema de umsó ao de todos, medeia a distância que vai da unidade aoinfinito. Que poderão conseguir os argumentos dosdetratores, sobre a opinião das massas, quando milhões devozes amigas, provindas do Espaço, se façam ouvir em to-dos os recantos do Universo e no seio das famílias, a infirmá-Sem título-1 13/04/05, 15:3033
  34. 34. 34 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO-los? A esse respeito já não foi a teoria confirmada pela expe-riência? Que é feito das inúmeras publicações que traziam apretensão de arrasar o Espiritismo? Qual a que, sequer, lheretardou a marcha? Até agora, não se considera a questãodesse ponto de vista, sem contestação um dos mais graves.Cada um contou consigo, sem contar com os Espíritos.O princípio da concordância é também uma garantiacontra as alterações que poderiam sujeitar o Espiritismo àsseitas que se propusessem apoderar-se dele em proveitopróprio e acomodá-lo à vontade. Quem quer que tentassedesviá-lo do seu providencial objetivo, malsucedido se ve-ria, pela razão muito simples de que os Espíritos, em virtu-de da universalidade de seus ensinos, farão cair por terraqualquer modificação que se divorcie da verdade.De tudo isso ressalta uma verdade capital: a de queaquele que quisesse opor-se à corrente de idéias estabele-cida e sancionada poderia, é certo, causar uma pequenaperturbação local e momentânea; nunca, porém, dominaro conjunto, mesmo no presente, nem, ainda menos, nofuturo.Também ressalta que as instruções dadas pelos Espíri-tos sobre os pontos ainda não elucidados da Doutrina nãoconstituirão lei, enquanto essas instruções permanecereminsuladas; que elas não devem, por conseguinte, ser acei-tas senão sob todas as reservas e a título de esclarecimento.Daí a necessidade da maior prudência em dar-lhes pu-blicidade; e, caso se julgue conveniente publicá-las, impor-ta não as apresentar senão como opiniões individuais, maisou menos prováveis, porém, carecendo sempre de confir-mação. Essa confirmação é que se precisa aguardar, antesSem título-1 13/04/05, 15:3034
  35. 35. 35INTRODUÇÃOde apresentar um princípio como verdade absoluta, a me-nos se queira ser acusado de leviandade ou de credulidadeirrefletida.Com extrema sabedoria procedem os Espíritos supe-riores em suas revelações. Não atacam as grandes ques-tões da Doutrina senão gradualmente, à medida que a inteli-gência se mostra apta a compreender verdade de ordemmais elevada e quando as circunstâncias se revelam propí-cias à emissão de uma idéia nova. Por isso é que logo deprincípio não disseram tudo, e tudo ainda hoje não disse-ram, jamais cedendo à impaciência dos muito afoitos, quequerem os frutos antes de estarem maduros. Fora, pois,supérfluo pretender adiantar-se ao tempo que a Providênciaassinou para cada coisa, porque, então, os Espíritos verda-deiramente sérios negariam o seu concurso. Os Espíritoslevianos, pouco se preocupando com a verdade, a tudo res-pondem; daí vem que, sobre todas as questões prematuras,há sempre respostas contraditórias.Os princípios acima não resultam de uma teoria pes-soal: são conseqüência forçada das condições em que osEspíritos se manifestam. É evidente que, se um Espírito dizuma coisa de um lado, enquanto milhões de outros dizem ocontrário algures, a presunção de verdade não pode estarcom aquele que é o único ou quase o único de tal parecer.Ora, pretender alguém ter razão contra todos seria tão iló-gico da parte dos Espíritos, quanto da parte dos homens.Os Espíritos verdadeiramente ponderados, se não se sen-tem suficientemente esclarecidos sobre uma questão, nun-ca a resolvem de modo absoluto; declaram que apenas atratam do seu ponto de vista e aconselham que se aguardea confirmação.Sem título-1 13/04/05, 15:3035
  36. 36. 36 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOPor grande, bela e justa que seja uma idéia, impossívelé que desde o primeiro momento congregue todas as opi-niões. Os conflitos que daí decorrem são conseqüência ine-vitável do movimento que se opera; eles são mesmo neces-sários para maior realce da verdade e convém se produzamdesde logo, para que as idéias falsas prontamente sejampostas de lado. Os espíritas que a esse respeito alimentas-sem qualquer temor podem ficar perfeitamente tranqüilos:todas as pretensões insuladas cairão, pela força mesma dascoisas, diante do enorme e poderoso critério da concordân-cia universal.Não será à opinião de um homem que se aliarão os ou-tros, mas à voz unânime dos Espíritos; não será um ho-mem, nem nós, nem qualquer outro que fundará a ortodoxiaespírita; tampouco será um Espírito que se venha impor aquem quer que seja: será a universalidade dos Espíritosque se comunicam em toda a Terra, por ordem de Deus.Esse o caráter essencial da Doutrina Espírita; essa a suaforça, a sua autoridade. Quis Deus que a sua lei assentas-se em base inamovível e por isso não lhe deu por funda-mento a cabeça frágil de um só.Diante de tão poderoso areópago, onde não se conhe-cem corrilhos, nem rivalidades ciosas, nem seitas, nem na-ções, é que virão quebrar-se todas as oposições, todas asambições, todas as pretensões à supremacia individual; éque nos quebraríamos nós mesmos, se quiséssemos substi-tuir os seus decretos soberanos pelas nossas próprias idéias.Só Ele decidirá todas as questões litigiosas, imporá silêncioàs dissidências e dará razão a quem a tenha. Diante desseimponente acordo de todas as vozes do Céu, que pode aopinião de um homem ou de um Espírito? menos do que aSem título-1 13/04/05, 15:3036
  37. 37. 37INTRODUÇÃOgota d’água que se perde no oceano, menos do que a voz dacriança que a tempestade abafa.A opinião universal, eis o juiz supremo, o que se pro-nuncia em última instância. Formam-na todas as opiniõesindividuais. Se uma destas é verdadeira, apenas tem nabalança o seu peso relativo. Se é falsa, não pode prevalecersobre todas as demais. Nesse imenso concurso, as indivi-dualidades se apagam, o que constitui novo insucesso parao orgulho humano.Já se desenha o harmonioso conjunto. Este século nãopassará sem que ele resplandeça em todo o seu brilho, demodo a dissipar todas as incertezas, porquanto daqui atélá potentes vozes terão recebido a missão de se fazeremouvir, para congregar os homens sob a mesma bandeira,uma vez que o campo se ache suficientemente lavrado.Enquanto isso se não dá, aquele que flutue entre dois sis-temas opostos pode observar em que sentido se forma aopinião geral; essa será a indicação certa do sentido emque se pronuncia a maioria dos Espíritos, nos diversos pon-tos em que se comunicam, e um sinal não menos certo dequal dos dois sistemas prevalecerá.III – NOTÍCIAS HISTÓRICASPara bem se compreenderem algumas passagens dosEvangelhos, necessário se faz conhecer o valor de muitaspalavras neles freqüentemente empregadas e que caracte-rizam o estado dos costumes e da sociedade judia naquelaépoca. Já não tendo para nós o mesmo sentido, essas pala-vras foram com freqüência mal-interpretadas, causando issoSem título-1 13/04/05, 15:3037
  38. 38. 38 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOuma espécie de incerteza. A inteligência da significação de-las explica, ao demais, o verdadeiro sentido de certas máxi-mas que, à primeira vista, parecem singulares.Escribas. – Nome dado, a princípio, aos secretáriosdos reis de Judá e a certos intendentes dos exércitos ju-deus. Mais tarde, foi aplicado especialmente aos doutoresque ensinavam a lei de Moisés e a interpretavam para opovo. Faziam causa comum com os fariseus, de cujos prin-cípios partilhavam, bem como da antipatia que aqueles vo-tavam aos inovadores. Daí o envolvê-los Jesus na repro-vação que lançava aos fariseus.Essênios ou esseus. – Também seita judia fundadacerca do ano 150 antes de Jesus-Cristo, ao tempo dosmacabeus, e cujos membros, habitando uma espécie demosteiros, formavam entre si uma como associação morale religiosa. Distinguiam-se pelos costumes brandos e porausteras virtudes, ensinavam o amor a Deus e ao próximo,a imortalidade da alma e acreditavam na ressurreição. Vi-viam em celibato, condenavam a escravidão e a guerra,punham em comunhão os seus bens e se entregavam àagricultura. Contrários aos saduceus sensuais, que nega-vam a imortalidade; aos fariseus de rígidas práticas exterio-res e de virtudes apenas aparentes, nunca os essênios toma-ram parte nas querelas que tornaram antagonistas aquelasduas outras seitas. Pelo gênero de vida que levavam, asse-melhavam-se muito aos primeiros cristãos, e os princípiosda moral que professavam induziram muitas pessoas a su-por que Jesus, antes de dar começo à sua missão pública,lhes pertencera à comunidade. É certo que ele há de tê-laSem título-1 13/04/05, 15:3038
  39. 39. 39INTRODUÇÃOconhecido, mas nada prova que se lhe houvesse filiado,sendo, pois, hipotético tudo quanto a esse respeito seescreveu.1Fariseus (do hebreu parush, divisão, separação). – Atradição constituía parte importante da teologia dos judeus.Consistia numa compilação das interpretações su-cessivamente dadas ao sentido das Escrituras e tornadasartigos de dogma. Constituía, entre os doutores, assuntode discussões intermináveis, as mais das vezes sobre sim-ples questões de palavras ou de formas, no gênero das dis-putas teológicas e das sutilezas da escolástica da IdadeMédia. Daí nasceram diferentes seitas, cada uma das quaispretendia ter o monopólio da verdade, detestando-se umasàs outras, como sói acontecer.Entre essas seitas, a mais influente era a dos fariseus,que teve por chefe Hillel 2, doutor judeu nascido na Babilônia,fundador de uma escola célebre, onde se ensinava que sóse devia depositar fé nas Escrituras. Sua origem remonta a180 ou 200 anos antes de Jesus-Cristo. Os fariseus, emdiversas épocas, foram perseguidos, especialmente sobHircano – soberano pontífice e rei dos judeus –, Aristóbulo1 A morte de Jesus, supostamente escrita por um essênio, é obrainteiramente apócrifa, cujo único fim foi servir de apoio a uma opi-nião. Ela traz em si mesma a prova da sua origem moderna.2 Não confundir esse Hillel que fundou a seita dos fariseus com o seuhomônimo que viveu duzentos anos mais tarde e estabeleceu osprincípios religiosos e sociais de um sistema todo de tolerância eamor, sistema hoje conhecido por Hilelismo. – A Editora da FEB,1947.Sem título-1 13/04/05, 15:3039
  40. 40. 40 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOe Alexandre, rei da Síria. Este último, porém, lhes deferiuhonras e restituiu os bens, de sorte que eles readquiriram oantigo poderio e o conservaram até à ruína de Jerusalém,no ano 70 da era cristã, época em que se lhes apagou onome, em conseqüência da dispersão dos judeus.Tomavam parte ativa nas controvérsias religiosas. Ser-vis cumpridores das práticas exteriores do culto e das ceri-mônias; cheios de um zelo ardente de proselitismo, inimi-gos dos inovadores, afetavam grande severidade deprincípios; mas, sob as aparências de meticulosa devoção,ocultavam costumes dissolutos, muito orgulho e, acima detudo, excessiva ânsia de dominação. Tinham a religião maiscomo meio de chegarem a seus fins, do que como objeto defé sincera. Da virtude nada possuíam, além das exteriori-dades e da ostentação; entretanto, por umas e outras, exer-ciam grande influência sobre o povo, a cujos olhos passa-vam por santas criaturas. Daí o serem muito poderososem Jerusalém.Acreditavam, ou, pelo menos, fingiam acreditar na Pro-vidência, na imortalidade da alma, na eternidade das pe-nas e na ressurreição dos mortos. (Cap. IV, nº 4.) Jesus,que prezava, sobretudo, a simplicidade e as qualidades daalma, que, na lei, preferia o espírito, que vivifica, à letra, quemata, se aplicou, durante toda a sua missão, a lhes des-mascarar a hipocrisia, pelo que tinha neles encarniçadosinimigos. Essa a razão por que se ligaram aos príncipes dossacerdotes para amotinar contra ele o povo e eliminá-lo.Nazarenos. – Nome dado, na antiga lei, aos judeusque faziam voto, ou perpétuo ou temporário, de guardarperfeita pureza. Eles se comprometiam a observar a casti-Sem título-1 13/04/05, 15:3040
  41. 41. 41INTRODUÇÃOdade, a abster-se de bebidas alcoólicas e a conservar a ca-beleira. Sansão, Samuel e João Batista eram nazarenos.Mais tarde, os judeus deram esse nome aos primeiroscristãos, por alusão a Jesus de Nazaré.Também foi essa a denominação de uma seita heréticados primeiros séculos da era cristã, a qual, do mesmo modoque os ebionitas, de quem adotava certos princípios, mis-turava as práticas do moisaísmo com os dogmas cristãos,seita essa que desapareceu no século quarto.Portageiros. – Eram os arrecadadores de baixa cate-goria, incumbidos principalmente da cobrança dos direitosde entrada nas cidades. Suas funções correspondiam maisou menos à dos empregados de alfândega e recebedoresdos direitos de barreira. Compartilhavam da repulsa quepesava sobre os publicanos em geral. Essa a razão por que,no Evangelho, se depara freqüentemente com a palavrapublicano ao lado da expressão gente de má vida. Tal quali-ficação não implicava a de debochados ou vagabundos. Eraum termo de desprezo, sinônimo de gente de má compa-nhia, gente indigna de conviver com pessoas distintas.Publicanos. – Eram assim chamados, na antiga Ro-ma, os cavalheiros arrendatários das taxas públicas, incum-bidos da cobrança dos impostos e das rendas de toda espé-cie, quer em Roma mesma, quer nas outras partes doImpério. Eram como os arrendatários gerais e arremata-dores de taxas do antigo regímen na França e que aindaexistem nalgumas regiões. Os riscos a que estavam sujei-tos faziam que os olhos se fechassem para as riquezas quemuitas vezes adquiriam e que, da parte de alguns, eramSem título-1 13/04/05, 15:3041
  42. 42. 42 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOfrutos de exações e de lucros escandalosos. O nome depublicano se estendeu mais tarde a todos os que superinten-diam os dinheiros públicos e aos agentes subalternos. Hojeesse termo se emprega em sentido pejorativo, para desig-nar os financistas e os agentes pouco escrupulosos de ne-gócios. Diz-se por vezes: “Ávido como um publicano, ricocomo um publicano”, com referência a riquezas de mauquilate.De toda a dominação romana, o imposto foi o que osjudeus mais dificilmente aceitaram e o que mais irritaçãocausou entre eles. Daí nasceram várias revoltas, fazendo-sedo caso uma questão religiosa, por ser considerada contrá-ria à Lei. Constituiu-se, mesmo, um partido poderoso, acuja frente se pôs um certo Judá, apelidado o Gaulonita,tendo por princípio o não pagamento do imposto. Os ju-deus, pois, abominavam a este e, como conseqüência, atodos os que eram encarregados de arrecadá-lo, donde aaversão que votavam aos publicanos de todas as catego-rias, entre os quais podiam encontrar-se pessoas muitoestimáveis, mas que, em virtude das suas funções, eramdesprezadas, assim como os que com elas mantinham rela-ções, os quais se viam atingidos pela mesma reprovação.Os judeus de destaque consideravam um comprometimen-to ter com eles intimidade.Saduceus. – Seita judia, que se formou por volta doano 248 antes de Jesus-Cristo e cujo nome lhe veio do deSadoc, seu fundador. Não criam na imortalidade, nem naressurreição, nem nos anjos bons e maus. Entretanto,criam em Deus; nada, porém, esperando após a morte, só oserviam tendo em vista recompensas temporais, ao que,segundo eles, se limitava a providência divina. Assim pen-Sem título-1 13/04/05, 15:3042
  43. 43. 43INTRODUÇÃOsando, tinham a satisfação dos sentidos físicos por objetivoessencial da vida. Quanto às Escrituras, atinham-se ao textoda lei antiga. Não admitiam a tradição, nem interpretaçõesquaisquer. Colocavam as boas obras e a observância pura esimples da Lei acima das práticas exteriores do culto. Eram,como se vê, os materialistas, os deístas e os sensualistasda época. Seita pouco numerosa, mas que contava em seuseio importantes personagens e se tornou um partido polí-tico oposto constantemente aos fariseus.Samaritanos. – Após o cisma das dez tribos, Samariase constituiu a capital do reino dissidente de Israel. Des-truída e reconstruída várias vezes, tornou-se, sob os roma-nos, a cabeça da Samaria, uma das quatro divisões da Pa-lestina. Herodes, chamado o Grande, a embelezou desuntuosos monumentos e, para lisonjear Augusto, lhe deuo nome de Augusta, em grego Sebaste.Os samaritanos estiveram quase constantemente emguerra com os reis de Judá. Aversão profunda, datando daépoca da separação, perpetuou-se entre os dois povos, queevitavam todas as relações recíprocas. Aqueles, para torna-rem maior a cisão e não terem de vir a Jerusalém pela cele-bração das festas religiosas, construíram para si um tem-plo particular e adotaram algumas reformas. Somenteadmitiam o Pentateuco, que continha a lei de Moisés, erejeitavam todos os outros livros que a esse foram poste-riormente anexados. Seus livros sagrados eram escritos emcaracteres hebraicos da mais alta antigüidade. Para os ju-deus ortodoxos, eles eram heréticos e, portanto, des-prezados, anatematizados e perseguidos. O antagonismodas duas nações tinha, pois, por fundamento único a diver-gência das opiniões religiosas; se bem fosse a mesma a ori-Sem título-1 13/04/05, 15:3043
  44. 44. 44 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOgem das crenças de uma e outra. Eram os protestantes des-se tempo.Ainda hoje se encontram samaritanos em algumas re-giões do Levante, particularmente em Nablus e em Jafa.Observam a lei de Moisés com mais rigor que os outrosjudeus e só entre si contraem alianças.Sinagoga (do grego synagogê, assembléia, congrega-ção). – Um único templo havia na Judéia, o de Salomão, emJerusalém, onde se celebravam as grandes cerimônias doculto. Os judeus, todos os anos, lá iam em peregrinaçãopara as festas principais, como as da Páscoa, da Dedicaçãoe dos Tabernáculos. Por ocasião dessas festas é que Jesustambém costumava ir lá. As outras cidades não possuíamtemplos, mas, apenas, sinagogas: edifícios onde os judeusse reuniam aos sábados, para fazer preces públicas, sob achefia dos anciães, dos escribas, ou doutores da Lei. Nelastambém se realizavam leituras dos livros sagrados, segui-das de explicações e comentários, atividades das quais qual-quer pessoa podia participar. Por isso é que Jesus, sem sersacerdote, ensinava aos sábados nas sinagogas.Desde a ruína de Jerusalém e a dispersão dos judeus,as sinagogas, nas cidades por eles habitadas, servem-lhesde templos para a celebração do culto.Terapeutas (do grego therapeutai, formado de thera-peuein, servir, cuidar, isto é: servidores de Deus, ou cura-dores). – Eram sectários judeus contemporâneos do Cristo,estabelecidos principalmente em Alexandria, no Egito. Ti-nham muita relação com os essênios, cujos princípios ado-Sem título-1 13/04/05, 15:3044
  45. 45. 45INTRODUÇÃOtavam, aplicando-se, como esses últimos, à prática de to-das as virtudes. Eram de extrema frugalidade na alimenta-ção. Também celibatários, votados à contemplação e viven-do vida solitária, constituíam uma verdadeira ordemreligiosa. Fílon, filósofo judeu platônico, de Alexandria, foio primeiro a falar dos terapeutas, considerando-os uma seitado judaísmo. Eusébio, S. Jerônimo e outros Pais da Igrejapensam que eles eram cristãos. Fossem tais, ou fossem ju-deus, o que é evidente é que, do mesmo modo que osessênios, eles representam o traço de união entre o Judaís-mo e o Cristianismo.IV – SÓCRATES E PLATÃO, PRECURSORESDA IDÉIA CRISTÃ E DO ESPIRITISMODo fato de haver Jesus conhecido a seita dos essênios,fora errôneo concluir-se que a sua doutrina hauriu-a elena dessa seita e que, se houvera vivido noutro meio, teriaprofessado outros princípios. As grandes idéias jamais ir-rompem de súbito. As que assentam sobre a verdade sem-pre têm precursores que lhes preparam parcialmente oscaminhos. Depois, em chegando o tempo, envia Deus umhomem com a missão de resumir, coordenar e completar oselementos esparsos, de reuni-los em corpo de doutrina.Desse modo, não surgindo bruscamente, a idéia, ao apare-cer, encontra espíritos dispostos a aceitá-la. Tal o que sedeu com a idéia cristã, que foi pressentida muitos séculosantes de Jesus e dos essênios, tendo por principais precur-sores Sócrates e Platão.Sócrates, como o Cristo, nada escreveu, ou, pelo me-nos, nenhum escrito deixou. Como o Cristo, teve a morteSem título-1 13/04/05, 15:3045
  46. 46. 46 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOdos criminosos, vítima do fanatismo, por haver atacado ascrenças que encontrara e colocado a virtude real acima dahipocrisia e do simulacro das formas; por haver, numa pa-lavra, combatido os preconceitos religiosos. Do mesmo modoque Jesus, a quem os fariseus acusavam de estar corrom-pendo o povo com os ensinamentos que lhe ministrava,também ele foi acusado, pelos fariseus do seu tempo, vistoque sempre os houve em todas as épocas, por proclamar odogma da unidade de Deus, da imortalidade da alma e davida futura. Assim como a doutrina de Jesus só a conhece-mos pelo que escreveram seus discípulos, da de Sócratessó temos conhecimento pelos escritos de seu discípuloPlatão. Julgamos conveniente resumir aqui os pontos demaior relevo, para mostrar a concordância deles com osprincípios do Cristianismo.Aos que considerarem esse paralelo uma profanação epretendam que não pode haver paridade entre a doutrinade um pagão e a do Cristo, diremos que não era pagã a deSócrates, pois que objetivava combater o paganismo; que ade Jesus, mais completa e mais depurada do que aquela,nada tem que perder com a comparação; que a grandeza damissão divina do Cristo não pode ser diminuída; que, aodemais, trata-se de um fato da História, que a ninguémserá possível apagar. O homem há chegado a um ponto emque a luz emerge por si mesma de sob o alqueire. Ele seacha maduro bastante para encará-la de frente; tanto piorpara os que não ousem abrir os olhos. Chegou o tempo dese considerarem as coisas de modo amplo e elevado, nãomais do ponto de vista mesquinho e acanhado dos interes-ses de seitas e de castas.Sem título-1 13/04/05, 15:3046
  47. 47. 47INTRODUÇÃOAlém disso, estas citações provarão que, se Sócrates ePlatão pressentiram a idéia cristã, em seus escritos tam-bém se nos deparam os princípios fundamentais doEspiritismo.RESUMO DA DOUTRINA DE SÓCRATES E DE PLATÃOI. O homem é uma alma encarnada. Antes da sua en-carnação, existia unida aos tipos primordiais das idéias doverdadeiro, do bem e do belo; separa-se deles, encarnando, e,recordando o seu passado, é mais ou menos atormentadapelo desejo de voltar a ele.Não se pode enunciar mais claramente a distinção eindependência entre o princípio inteligente e o princípio ma-terial. É, além disso, a doutrina da preexistência da alma;da vaga intuição que ela guarda de um outro mundo, a queaspira; da sua sobrevivência ao corpo; da sua saída domundo espiritual, para encarnar, e da sua volta a esse mes-mo mundo, após a morte. É, finalmente, o gérmen da dou-trina dos Anjos decaídos.II. A alma se transvia e perturba, quando se serve docorpo para considerar qualquer objeto; tem vertigem, comose estivesse ébria, porque se prende a coisas que estão, porsua natureza, sujeitas a mudanças; ao passo que, quandocontempla a sua própria essência, dirige-se para o que é puro,eterno, imortal, e, sendo ela dessa natureza, permanece aíligada, por tanto tempo quanto possa. Cessam então os seustransviamentos, pois que está unida ao que é imutável e aesse estado da alma é que se chama sabedoria.Sem título-1 13/04/05, 15:3047
  48. 48. 48 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOAssim, ilude a si mesmo o homem que considera ascoisas de modo terra-a-terra, do ponto de vista material.Para as apreciar com justeza, tem de as ver do alto, isto é,do ponto de vista espiritual. Aquele, pois, que está de posseda verdadeira sabedoria, tem de isolar do corpo a alma,para ver com os olhos do Espírito. É o que ensina o Espiri-tismo. (Cap. II, nº 5.)III. Enquanto tivermos o nosso corpo e a alma se acharmergulhada nessa corrupção, nunca possuiremos o objetodos nossos desejos: a verdade. Com efeito, o corpo nos sus-cita mil obstáculos pela necessidade em que nos achamosde cuidar dele. Ao demais, ele nos enche de desejos, de ape-tites, de temores, de mil quimeras e de mil tolices, de manei-ra que, com ele, impossível se nos torna ser ajuizados, se-quer por um instante. Mas, se não nos é possível conhecerpuramente coisa alguma, enquanto a alma nos está ligadaao corpo, de duas uma: ou jamais conheceremos a verdade,ou só a conheceremos após a morte. Libertos da loucura docorpo, conversaremos então, lícito é esperá-lo, com homensigualmente libertos e conheceremos, por nós mesmos, a es-sência das coisas. Essa a razão por que os verdadeiros filó-sofos se exercitam em morrer e a morte não se lhes afigura,de modo nenhum, temível.Está aí o princípio das faculdades da alma obscure-cidas por motivo dos órgãos corporais e o da expansão des-sas faculdades depois da morte. Mas trata-se apenas dealmas já depuradas; o mesmo não se dá com as almas im-puras. (O Céu e o Inferno, 1ª Parte, cap. II; 2ª Parte, cap. I.)Sem título-1 13/04/05, 15:3048
  49. 49. 49INTRODUÇÃOIV. A alma impura, nesse estado, se encontra oprimidae se vê de novo arrastada para o mundo visível, pelo horrordo que é invisível e imaterial. Erra, então, diz-se, em tornodos monumentos e dos túmulos, junto aos quais já se têmvisto tenebrosos fantasmas, quais devem ser as imagens dasalmas que deixaram o corpo sem estarem ainda inteiramen-te puras, que ainda conservam alguma coisa da forma mate-rial, o que faz que a vista humana possa percebê-las. Nãosão as almas dos bons; são, porém, as dos maus, que sevêem forçadas a vagar por esses lugares, onde arrastamconsigo a pena da primeira vida que tiveram e onde conti-nuam a vagar até que os apetites inerentes à forma materialde que se revestiram as reconduzam a um corpo. Então, semdúvida, retomam os mesmos costumes que durante a pri-meira vida constituíam objeto de suas predileções.Não somente o princípio da reencarnação se acha aíclaramente expresso, mas também o estado das almas quese mantêm sob o jugo da matéria é descrito qual o mostra oEspiritismo nas evocações. Mais ainda: no tópico acima sediz que a reencarnação num corpo material é conseqüênciada impureza da alma, enquanto as almas purificadas seencontram isentas de reencarnar. Outra coisa não diz oEspiritismo, acrescentando apenas que a alma, que boasresoluções tomou na erraticidade e que possui conhecimen-tos adquiridos, traz, ao renascer, menos defeitos, mais virtu-des e idéias intuitivas do que tinha na sua existência prece-dente. Assim, cada existência lhe marca um progressointelectual e moral. (O Céu e o Inferno, 2ª Parte: Exemplos.)V. Após a nossa morte, o gênio (daimon, demônio), quenos fora designado durante a vida, leva-nos a um lugar ondeSem título-1 13/04/05, 15:3049
  50. 50. 50 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOse reúnem todos os que têm de ser conduzidos ao Hades, paraserem julgados. As almas, depois de haverem estado no Hadeso tempo necessário, são reconduzidas a esta vida em múlti-plos e longos períodos.É a doutrina dos Anjos guardiães, ou Espíritos prote-tores, e das reencarnações sucessivas, em seguida a inter-valos mais ou menos longos de erraticidade.VI. Os demônios ocupam o espaço que separa o céu daTerra; constituem o laço que une o Grande Todo a si mesmo.Não entrando nunca a divindade em comunicação direta como homem, é por intermédio dos demônios que os deuses en-tram em comércio e se entretêm com ele, quer durante a vigí-lia, quer durante o sono.A palavra daimon, da qual fizeram o termo demônio,não era, na antigüidade, tomada à má parte, como nos tem-pos modernos. Não designava exclusivamente seresmalfazejos, mas todos os Espíritos, em geral, dentre os quaisse destacavam os Espíritos superiores, chamados deuses,e os menos elevados, ou demônios propriamente ditos, quecomunicavam diretamente com os homens. Também o Es-piritismo diz que os Espíritos povoam o espaço; que Deussó se comunica com os homens por intermédio dos Espíri-tos puros, que são os incumbidos de lhe transmitir as von-tades; que os Espíritos se comunicam com eles durante avigília e durante o sono. Ponde, em lugar da palavra demô-nio, a palavra Espírito e tereis a doutrina espírita; ponde apalavra anjo e tereis a doutrina cristã.VII. A preocupação constante do filósofo (tal como o com-preendiam Sócrates e Platão) é a de tomar o maior cuidadoSem título-1 13/04/05, 15:3050
  51. 51. 51INTRODUÇÃOcom a alma, menos pelo que respeita a esta vida, que nãodura mais que um instante, do que tendo em vista a eterni-dade. Desde que a alma é imortal, não será prudente vivervisando à eternidade?O Cristianismo e o Espiritismo ensinam a mesma coisa.VIII. Se a alma é imaterial, tem de passar, após essavida, a um mundo igualmente invisível e imaterial, do mes-mo modo que o corpo, decompondo-se, volta à matéria. Muitoimporta, no entanto, distinguir bem a alma pura, verdadeira-mente imaterial, que se alimente, como Deus, de ciência epensamentos, da alma mais ou menos maculada de impu-rezas materiais, que a impedem de elevar-se para o divino ea retêm nos lugares da sua estada na Terra.Sócrates e Platão, como se vê, compreendiam perfei-tamente os diferentes graus de desmaterialização da alma.Insistem na diversidade de situação que resulta para elasda sua maior ou menor pureza. O que eles diziam, por intui-ção, o Espiritismo o prova com os inúmeros exemplos quenos põe sob as vistas. (O Céu e o Inferno, 2ª Parte.)IX. Se a morte fosse a dissolução completa do homem,muito ganhariam com a morte os maus, pois se veriam li-vres, ao mesmo tempo, do corpo, da alma e dos vícios. Aque-le que guarnecer a alma, não de ornatos estranhos, mas comos que lhe são próprios, só esse poderá aguardar tranqüila-mente a hora da sua partida para o outro mundo.Equivale isso a dizer que o materialismo, com o pro-clamar para depois da morte o nada, anula toda responsabi-Sem título-1 13/04/05, 15:3051
  52. 52. 52 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOlidade moral ulterior, sendo, conseguintemente, um incen-tivo para o mal; que o mau tem tudo a ganhar do nada.Somente o homem que se despojou dos vícios e se enrique-ceu de virtudes, pode esperar com tranqüilidade o desper-tar na outra vida. Por meio de exemplos, que todos os diasnos apresenta, o Espiritismo mostra quão penoso é, para omau, o passar desta à outra vida, a entrada na vida futura.(O Céu e o Inferno, 2ª Parte, cap. I.)X. O corpo conserva bem impressos os vestígios dos cui-dados de que foi objeto e dos acidentes que sofreu. Dá-se omesmo com a alma. Quando despida do corpo, ela guarda,evidentes, os traços do seu caráter, de suas afeições e asmarcas que lhe deixaram todos os atos de sua vida. Assim,a maior desgraça que pode acontecer ao homem é ir para ooutro mundo com a alma carregada de crimes. Vês, Cálicles,que nem tu, nem Pólux, nem Górgias podereis provar quedevamos levar outra vida que nos seja útil quando esteja-mos do outro lado. De tantas opiniões diversas, a única quepermanece inabalável é a de que mais vale receber do quecometer uma injustiça e que, acima de tudo, devemos cui-dar, não de parecer, mas de ser homem de bem. (Colóquiosde Sócrates com seus discípulos, na prisão.)Depara-se-nos aqui outro ponto capital, confirmadohoje pela experiência: o de que a alma não depurada conser-va as idéias, as tendências, o caráter e as paixões que tevena Terra. Não é inteiramente cristã esta máxima: mais valereceber do que cometer uma injustiça? O mesmo pensamentoexprimiu Jesus, usando desta figura: “Se alguém vos baternuma face, apresentai-lhe a outra.” (Cap. XII, nos 7 e 8.)Sem título-1 13/04/05, 15:3052
  53. 53. 53INTRODUÇÃOXI. De duas uma: ou a morte é uma destruição absoluta,ou é passagem da alma para outro lugar. Se tudo tem de extin-guir-se, a morte será como uma dessas raras noites que pas-samos sem sonho e sem nenhuma consciência de nós mes-mos. Todavia, se a morte é apenas uma mudança de morada,a passagem para o lugar onde os mortos se têm de reunir, quefelicidade a de encontrarmos lá aqueles a quem conhecemos!O meu maior prazer seria examinar de perto os habitantesdessa outra morada e distinguir lá, como aqui, os que sãodignos dos que se julgam tais e não o são. Mas, é tempo denos separarmos, eu para morrer, vós para viverdes. (Sócratesaos seus juízes.)Segundo Sócrates, os que viveram na Terra se encon-tram após a morte e se reconhecem. Mostra o Espiritismoque continuam as relações que entre eles se estabelece-ram, de tal maneira que a morte não é nem uma interrup-ção, nem a cessação da vida, mas uma transformação, semsolução de continuidade.Houvessem Sócrates e Platão conhecido os ensinos queo Cristo difundiu quinhentos anos mais tarde e os que ago-ra o Espiritismo espalha, e não teriam falado de outro modo.Não há nisso, entretanto, o que surpreenda, se considerar-mos que as grandes verdades são eternas e que os Espíri-tos adiantados hão de tê-las conhecido antes de virem àTerra, para onde as trouxeram; que Sócrates, Platão e osgrandes filósofos daqueles tempos bem podem, depois, tersido dos que secundaram o Cristo na sua missão divina,escolhidos para esse fim precisamente por se acharem, maisdo que outros, em condições de lhe compreenderem as su-blimes lições; que, finalmente, pode dar-se façam eles ago-Sem título-1 13/04/05, 15:3053
  54. 54. 54 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOra parte da plêiade dos Espíritos encarregados de ensinaraos homens as mesmas verdades.XII. Nunca se deve retribuir com outra uma injustiça,nem fazer mal a ninguém, seja qual for o dano que noshajam causado. Poucos, no entanto, serão os que admitamesse princípio, e os que se desentenderem a tal respeito nadamais farão, sem dúvida, do que se votarem uns aos outrosmútuo desprezo.Não está aí o princípio de caridade, que prescreve nãose retribua o mal com o mal e se perdoe aos inimigos?XIII. É pelos frutos que se conhece a árvore. Toda açãodeve ser qualificada pelo que produz: qualificá-la de má,quando dela provenha mal; de boa, quando dê origem aobem.Esta máxima: “Pelos frutos é que se conhece a árvore”, seencontra muitas vezes repetida textualmente no Evangelho.XIV. A riqueza é um grande perigo. Todo homem queama a riqueza não ama a si mesmo, nem ao que é seu; amaa uma coisa que lhe é ainda mais estranha do que o que lhepertence. (Cap. XVI.)XV. As mais belas preces e os mais belos sacrifíciosprazem menos à Divindade do que uma alma virtuosa quefaz esforços por se lhe assemelhar. Grave coisa fora que osdeuses dispensassem mais atenção às nossas oferendas,do que à nossa alma; se tal se desse, poderiam os maisSem título-1 13/04/05, 15:3054
  55. 55. 55INTRODUÇÃOculpados conseguir que eles se lhes tornassem propícios. Mas,não: verdadeiramente justos e retos só o são os que, por suaspalavras e atos, cumprem seus deveres para com os deusese para com os homens. (Cap. X, nos 7 e 8.)XVI. Chamo homem vicioso a esse amante vulgar, quemais ama o corpo do que a alma. O amor está por toda parteem a Natureza, que nos convida ao exercício da nossa inteli-gência; até no movimento dos astros o encontramos. É o amorque orna a Natureza de seus ricos tapetes; ele se enfeita efixa morada onde se lhe deparem flores e perfumes. É aindao amor que dá paz aos homens, calma ao mar, silêncio aosventos e sono à dor.O amor, que há de unir os homens por um laço frater-nal, é uma conseqüência dessa teoria de Platão sobre o amoruniversal, como lei da Natureza. Tendo dito Sócrates que “oamor não é nem um deus, nem um mortal, mas um grandedemônio”, isto é, um grande Espírito que preside ao amoruniversal, essa proposição lhe foi imputada como crime.XVII. A virtude não pode ser ensinada; vem por dom deDeus aos que a possuem.É quase a doutrina cristã sobre a graça; mas, se a vir-tude é um dom de Deus, é um favor e, então, pode pergun-tar-se por que não é concedida a todos. Por outro lado, se éum dom, carece de mérito para aquele que a possui. O Es-piritismo é mais explícito, dizendo que aquele que possui avirtude a adquiriu por seus esforços, em existências suces-sivas, despojando-se pouco a pouco de suas imperfeições.Sem título-1 13/04/05, 15:3055
  56. 56. 56 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOA graça é a força que Deus faculta ao homem de boa vonta-de para se expungir do mal e praticar o bem.XVIII. É disposição natural em todos nós a de nos aper-cebermos muito menos dos nossos defeitos, do que dos deoutrem.Diz o Evangelho: “Vedes a palha que está no olho dovosso próximo e não vedes a trave que está no vosso.” (Cap.X, nos 9 e 10.)XIX. Se os médicos são malsucedidos, tratando da maiorparte das moléstias, é que tratam do corpo, sem trataremda alma. Ora, não se achando o todo em bom estado, impos-sível é que uma parte dele passe bem.O Espiritismo fornece a chave das relações existentesentre a alma e o corpo e prova que um reage incessante-mente sobre o outro. Abre, assim, nova senda para a Ciên-cia. Com o lhe mostrar a verdadeira causa de certas afecções,faculta-lhe os meios de as combater. Quando a Ciência le-var em conta a ação do elemento espiritual na economia,menos freqüentes serão os seus maus êxitos.XX. Todos os homens, a partir da infância, muito maisfazem de mal, do que de bem.Essa sentença de Sócrates fere a grave questão da pre-dominância do mal na Terra, questão insolúvel sem o co-nhecimento da pluralidade dos mundos e da destinação doplaneta terreno, habitado apenas por uma fração mínimada Humanidade. Somente o Espiritismo resolve essa ques-Sem título-1 13/04/05, 15:3056
  57. 57. 57INTRODUÇÃOtão, que se encontra explanada aqui adiante, nos capítulosII, III e V.XXI. Ajuizado serás, não supondo que sabes o queignoras.Isso vai com vistas aos que criticam aquilo de que des-conhecem até mesmo os primeiros termos. Platão completaesse pensamento de Sócrates, dizendo: “Tentemos, primei-ro, torná-los, se for possível, mais honestos nas palavras;se não o forem, não nos preocupemos com eles e não procu-remos senão a verdade. Cuidemos de instruir-nos, mas nãonos injuriemos.” É assim que devem proceder os espíritascom relação aos seus contraditores de boa ou má-fé.Revivesse hoje Platão e acharia as coisas quase como noseu tempo e poderia usar da mesma linguagem. TambémSócrates toparia criaturas que zombariam da sua crençanos Espíritos e que o qualificariam de louco, assim comoao seu discípulo Platão.Foi por haver professado esses princípios que Sócratesse viu ridiculizado, depois acusado de impiedade e conde-nado a beber cicuta. Tão certo é que, levantando contra sios interesses e os preconceitos que elas ferem, as grandesverdades novas não se podem firmar sem luta e sem fazermártires.Sem título-1 13/04/05, 15:3057
  58. 58. C A P Í T U L O INão vim destruir a leiSem título-1 13/04/05, 15:3058
  59. 59. 1. Não penseis que eu tenha vindo destruir a lei ouos profetas: não os vim destruir, mas cumpri-los:– porquanto, em verdade vos digo que o céu e aTerra não passarão, sem que tudo o que se achana lei esteja perfeitamente cumprido, enquantoreste um único iota e um único ponto.(S. MATEUS, 5:17 e 18.)MOISÉS2. Na lei moisaica, há duas partes distintas: a lei de Deus,promulgada no monte Sinai, e a lei civil ou disciplinar, de-cretada por Moisés. Uma é invariável; a outra, apropriadaaos costumes e ao caráter do povo, se modifica com o tempo.A lei de Deus está formulada nos dez mandamentosseguintes:C A P Í T U L O INão vim destruir a lei• As três revelações: Moisés, Cristo, Espiritismo• Aliança da Ciência e da ReligiãoINSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOS• A nova eraSem título-1 13/04/05, 15:3059
  60. 60. 60 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOI. Eu sou o Senhor, vosso Deus, que vos tirei doEgito, da casa da servidão. Não tereis, dian-te de mim, outros deuses estrangeiros. – Nãofareis imagem esculpida, nem figura algumado que está em cima do céu, nem embaixo naTerra, nem do que quer que esteja nas águassob a terra. Não os adorareis e não lhes pres-tareis culto soberano.1II. Não pronunciareis em vão o nome do Senhor,vosso Deus.III. Lembrai-vos de santificar o dia do sábado.IV. Honrai a vosso pai e a vossa mãe, a fim deviverdes longo tempo na terra que o Senhorvosso Deus vos dará.V. Não mateis.VI. Não cometais adultério.1 Allan Kardec cita a parte mais importante do primeiro mandamento,e deixa de transcrever as seguintes frases: “... porque eu, o Senhorvosso Deus, sou Deus zeloso, que puno a iniqüidade dos pais nos filhos,na terceira e na quarta gerações daqueles que me aborrecem, e uso demisericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam osmeus mandamentos.” (Êxodo, 20:5 e 6.)Nas traduções feitas pelas Igrejas cató1ica e protestantes, essaparte do mandamento foi truncada para harmonizá-la com a dou-trina da encarnação única da alma. Onde está “na terceira e naquarta gerações”, conforme a tradução Brasileira da Bíblia, a VulgataLatina (in tertiam et quartam generationem), a tradução de Zamenhof(en la tria kaj kvara generacioj), mudaram o texto para “até à terceirae quarta gerações”.Esses textos truncados que aparecem na tradução da IgrejaAnglicana, na Católica de Figueiredo, na Protestante de Almeida eoutras, tornam monstruosa a justiça divina, pois que filhos, netos,bisnetos, tetranetos inocentes teriam de ser castigados pelo pecadoSem título-1 13/04/05, 15:3060
  61. 61. 61NÃO VIM DESTRUIR A LEIVII. Não roubeis.VIII. Não presteis testemunho falso contra o vossopróximo.IX. Não desejeis a mulher do vosso próximo.X. Não cobiceis a casa do vosso próximo, nem oseu servo, nem a sua serva, nem o seu boi,nem o seu asno, nem qualquer das coisas quelhe pertençam.É de todos os tempos e de todos os países essa lei etem, por isso mesmo, caráter divino. Todas as outras sãoleis que Moisés decretou, obrigado que se via a conter, pelotemor, um povo de seu natural turbulento e indisciplinado,no qual tinha ele de combater arraigados abusos e precon-ceitos, adquiridos durante a escravidão do Egito. Para im-primir autoridade às suas leis, houve de lhes atribuir ori-dos pais, avós, bisavós, tetravós. Foi uma infeliz tentativa de acomo-dação da Lei à vida única. – A Editora da FEB, 1947.O texto certo que, por mercê de Deus, já está reproduzido pelasedições recentíssimas a que nos referimos – traduções Brasileira ede Zamenhof –, que conferem com S. Jerônimo, mostra que a Leiensina veladamente a reencarnação e as expiações e provas. Naprimeira e na segunda gerações, como contemporâneos de seusfilhos e netos, o Espírito culpado ainda não reencarnou, mas, umpouco mais tarde – na terceira e quarta gerações – já ele voltou erecebe as conseqüências de suas faltas. Assim, o culpado mesmo,e não outrem, paga sua dívida.Logo, tem-se de excluir a 1ª e 2ª gerações e expressar “na” 3ª e4ª, como realmente é o original.Achamos conveniente acrescentar aqui esta nota, para facilitara compreensão do estudioso que confronte a sua tradução da Bí-blia com a citação do Mestre. – A Editora da FEB, 1947.Sem título-1 13/04/05, 15:3061
  62. 62. 62 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOgem divina, conforme o fizeram todos os legisladores dospovos primitivos. A autoridade do homem precisavaapoiar-se na autoridade de Deus; mas, só a idéia de umDeus terrível podia impressionar criaturas ignorantes, emas quais ainda pouco desenvolvidos se encontravam o sen-so moral e o sentimento de uma justiça reta. É evidenteque aquele que incluíra, entre os seus mandamentos, este:“Não matareis; não causareis dano ao vosso próximo”, nãopoderia contradizer-se, fazendo da exterminação um dever.As leis moisaicas, propriamente ditas, revestiam, pois, umcaráter essencialmente transitório.O CRISTO3. Jesus não veio destruir a lei, isto é, a lei de Deus; veiocumpri-la, isto é, desenvolvê-la, dar-lhe o verdadeiro senti-do e adaptá-la ao grau de adiantamento dos homens. Porisso, é que se nos depara, nessa lei, o princípio dos deverespara com Deus e para com o próximo, base da sua doutri-na. Quanto às leis de Moisés, propriamente ditas, ele, aocontrário, as modificou profundamente, quer na substân-cia, quer na forma. Combatendo constantemente o abusodas práticas exteriores e as falsas interpretações, por maisradical reforma não podia fazê-las passar, do que as redu-zindo a esta única prescrição: “Amar a Deus acima de to-das as coisas e o próximo como a si mesmo”, e acrescen-tando: aí estão a lei toda e os profetas.Por estas palavras: “O céu e a Terra não passarão semque tudo esteja cumprido até o último iota”, quis dizer Je-sus ser necessário que a lei de Deus tivesse cumprimentoSem título-1 13/04/05, 15:3062
  63. 63. 63NÃO VIM DESTRUIR A LEIintegral, isto é, fosse praticada na Terra inteira, em toda asua pureza, com todas as suas ampliações e conseqüên-cias. Efetivamente, de que serviria haver sido promulgadaaquela lei, se ela devesse constituir privilégio de algunshomens, ou, sequer, de um único povo? Sendo filhos deDeus todos os homens, todos, sem distinção nenhuma, sãoobjeto da mesma solicitude.4. Mas, o papel de Jesus não foi o de um simples legisladormoralista, tendo por exclusiva autoridade a sua palavra.Cabia-lhe dar cumprimento às profecias que lhe anuncia-ram o advento; a autoridade lhe vinha da natureza excepcio-nal do seu Espírito e da sua missão divina. Ele viera ensi-nar aos homens que a verdadeira vida não é a que transcorrena Terra e sim a que é vivida no reino dos céus; viera ensi-nar-lhes o caminho que a esse reino conduz, os meios deeles se reconciliarem com Deus e de pressentirem essesmeios na marcha das coisas por vir, para a realização dosdestinos humanos. Entretanto, não disse tudo, limitando-se,respeito a muitos pontos, a lançar o gérmen de verdadesque, segundo ele próprio o declarou, ainda não podiam sercompreendidas. Falou de tudo, mas em termos mais oumenos implícitos. Para ser apreendido o sentido oculto dealgumas palavras suas, mister se fazia que novas idéias enovos conhecimentos lhes trouxessem a chave indispensá-vel, idéias que, porém, não podiam surgir antes que o espí-rito humano houvesse alcançado um certo grau de madu-reza. A Ciência tinha de contribuir poderosamente para aeclosão e o desenvolvimento de tais idéias. Importava, pois,dar à Ciência tempo para progredir.Sem título-1 13/04/05, 15:3063
  64. 64. 64 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOO ESPIRITISMO5. O Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos ho-mens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a na-tureza do mundo espiritual e as suas relações com o mun-do corpóreo. Ele no-lo mostra, não mais como coisasobrenatural, porém, ao contrário, como uma das forçasvivas e sem cessar atuantes da Natureza, como a fonte deuma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidose, por isso, relegados para o domínio do fantástico e domaravilhoso. É a essas relações que o Cristo alude emmuitas circunstâncias e daí vem que muito do que ele dissepermaneceu ininteligível ou falsamente interpretado. O Es-piritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica demodo fácil.6. A lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua perso-nificação; a do Novo Testamento tem-na no Cristo. O Espi-ritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não tem apersonificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto doensino dado, não por um homem, sim pelos Espíritos, quesão as vozes do Céu, em todos os pontos da Terra, com oconcurso de uma multidão inumerável de intermediários.É, de certa maneira, um ser coletivo, formado pelo conjun-to dos seres do mundo espiritual, cada um dos quais traz otributo de suas luzes aos homens, para lhes tornar conhe-cido esse mundo e a sorte que os espera.7. Assim como o Cristo disse: “Não vim destruir a lei, po-rém cumpri-la”, também o Espiritismo diz: “Não venho des-truir a lei cristã, mas dar-lhe execução.” Nada ensina emSem título-1 13/04/05, 15:3064
  65. 65. 65NÃO VIM DESTRUIR A LEIcontrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve, com-pleta e explica, em termos claros e para toda gente, o quefoi dito apenas sob forma alegórica. Vem cumprir, nos tem-pos preditos, o que o Cristo anunciou e preparar a realiza-ção das coisas futuras. Ele é, pois, obra do Cristo, que presi-de, conforme igualmente o anunciou, à regeneração que seopera e prepara o reino de Deus na Terra.ALIANÇA DA CIÊNCIA E DA RELIGIÃO8. A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteli-gência humana: uma revela as leis do mundo material e aoutra as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis omesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Sefossem a negação uma da outra, uma necessariamente esta-ria em erro e a outra com a verdade, porquanto Deus nãopode pretender a destruição de sua própria obra. A incom-patibilidade que se julgou existir entre essas duas ordensde idéias provém apenas de uma observação defeituosa ede excesso de exclusivismo, de um lado e de outro. Daí umconflito que deu origem à incredulidade e à intolerância.São chegados os tempos em que os ensinamentos doCristo têm de ser completados; em que o véu intencio-nalmente lançado sobre algumas partes desse ensino temde ser levantado; em que a Ciência, deixando de ser exclu-sivamente materialista, tem de levar em conta o elementoespiritual e em que a Religião, deixando de ignorar as leisorgânicas e imutáveis da matéria, como duas forças quesão, apoiando-se uma na outra e marchando combinadas,se prestarão mútuo concurso. Então, não mais desmentidapela Ciência, a Religião adquirirá inabalável poder, porqueSem título-1 13/04/05, 15:3065
  66. 66. 66 O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMOestará de acordo com a razão, já se lhe não podendo maisopor a irresistível lógica dos fatos.A Ciência e a Religião não puderam, até hoje, enten-der-se, porque, encarando cada uma as coisas do seu pon-to de vista exclusivo, reciprocamente se repeliam. Faltavacom que encher o vazio que as separava, um traço de uniãoque as aproximasse. Esse traço de união está no conheci-mento das leis que regem o Universo espiritual e suas rela-ções com o mundo corpóreo, leis tão imutáveis quanto asque regem o movimento dos astros e a existência dos seres.Uma vez comprovadas pela experiência essas relações, novaluz se fez: a fé dirigiu-se à razão; esta nada encontrou deilógico na fé: vencido foi o materialismo. Mas, nisso, comoem tudo, há pessoas que ficam atrás, até serem arrastadaspelo movimento geral, que as esmaga, se tentam resistir-lhe,em vez de o acompanharem. É toda uma revolução queneste momento se opera e trabalha os espíritos. Após umaelaboração que durou mais de dezoito séculos, chega ela àsua plena realização e vai marcar uma nova era na vida daHumanidade. Fáceis são de prever as conseqüências: acar-retará para as relações sociais inevitáveis modificações, àsquais ninguém terá força para se opor, porque elas estãonos desígnios de Deus e derivam da lei do progresso, que élei de Deus.INSTRUÇÕES DOS ESPÍRITOSA NOVA ERA9. Deus é único e Moisés é o Espírito que Ele enviou emmissão para torná-lo conhecido não só dos hebreus, comoSem título-1 13/04/05, 15:3066
  67. 67. 67NÃO VIM DESTRUIR A LEItambém dos povos pagãos. O povo hebreu foi o instrumentode que se serviu Deus para se revelar por Moisés e pelosprofetas, e as vicissitudes por que passou esse povo desti-navam-se a chamar a atenção geral e a fazer cair o véu queocultava aos homens a divindade.Os mandamentos de Deus, dados por intermédio deMoisés, contêm o gérmen da mais ampla moral cristã. Oscomentários da Bíblia, porém, restringiam-lhe o sentido,porque, praticada em toda a sua pureza, não na teriamentão compreendido. Mas, nem por isso os dez manda-mentos de Deus deixavam de ser um como frontispício bri-lhante, qual farol destinado a clarear a estrada que a Hu-manidade tinha de percorrer.A moral que Moisés ensinou era apropriada ao estadode adiantamento em que se encontravam os povos que elase propunha regenerar, e esses povos, semi-selvagens quan-to ao aperfeiçoamento da alma, não teriam compreendidoque se pudesse adorar a Deus de outro modo que não pormeio de holocaustos, nem que se devesse perdoar a uminimigo. Notável do ponto de vista da matéria e mesmo dodas artes e das ciências, a inteligência deles muito atrasa-da se achava em moralidade e não se houvera convertidosob o império de uma religião inteiramente espiritual. Era-lhesnecessária uma representação semimaterial, qual a queapresentava então a religião hebraica. Os holocaustos lhesfalavam aos sentidos, do mesmo passo que a idéia de Deuslhes falava ao espírito.O Cristo foi o iniciador da mais pura, da mais sublimemoral, da moral evangélico-cristã, que há de renovar o mun-do, aproximar os homens e torná-los irmãos; que há deSem título-1 13/04/05, 15:3067

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