A privação visual como recurso de pesquisas cognitivas

601 visualizações

Publicada em

Publicada em: Tecnologia
0 comentários
1 gostou
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
601
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
4
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
5
Comentários
0
Gostaram
1
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

A privação visual como recurso de pesquisas cognitivas

  1. 1. A privação visual como recurso de pesquisasA privação visual como recurso de pesquisas cognitivascognitivas Sylvia Beatriz Joffily NEPENC – Núcleo de Estudos e Pesquisas em Neuropsicologia Cognitiva LCL -Laboratório de Cognição e Linguagem CCH - Centro de Ciências do Homem UENF -Universidade estadual do Norte Fluminense, Darcy Ribeiro
  2. 2.  Pesquisas cognitivas são aquelas que se dedicam a investigar como as funções cognitivas superiores , e o seu principal componente a representação mental, surgem e se desenvolvem nos homens. accessiblens.ca produto.mercadolivre.com.br
  3. 3.  A individualidade e a previsão , características essencialmente humanas, dependem da função representacional. portodasletras.com.br
  4. 4.  Do ponto de vista etimológico, representar significa transformar as efêmeras experiências sensorio/motoras, características do tempo presente, em duradouros análogos mentais, ou seja, em memórias como as que caracterizam os intermináveis e, nos humanos, predominantemente visuais, tempos passados e futuros. palavrasforcajovem.blogspot.com
  5. 5.  São consideradas de primeira classe ou perceptivas as representações mentais que permanecem análogas aos estímulos captados pelos órgãos sensoriais periféricos e/ou aos movimentos corporais que lhes dão origem e, fellipeernesto.wordpress.com
  6. 6.  de segunda classe, ou conceitual, as representações que são mediadas pela linguagem simbólica dos homens possibilitando a criação de dispositivos de substituição sensorial . Na imagem acima, o “brailect”, dispositivo que transforma os estímulos táteis da escrita braille em estímulos auditivos, como os que caracterizam a linguagem falada dos homens. fayerwayer.com.br
  7. 7.  Seres cujo sistema nervoso está apto a produzir representações mentais de segunda classe vivenciam diferentes existências: uma explícita, real, material, e outra, implícita, irreal, virtual. bpp.pr.gov.br
  8. 8.  A possibilidade de representar mentalmente acontecimentos é o que torna os homens seres aptos a enfrentar e solucionar de forma mais segura e eficiente os perigos e as ameaças da vida futura. educacaoparaotransitocomqualidade.blogspot.com
  9. 9.  Ao comparar os padrões cognitivos de indivíduos privados sensoriais (cegos e/ou surdos) com os dos indivíduos sensorialmente íntegros através de suas representações mentais, os pesquisadores do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Neuropsicologia Cognitiva (NEPENC) do Programa de Pós-Graduação em Cognição e Linguagem (LCL) do Centro de Ciências do Homem (CCH) da Universidade Estadual do Norte Fluminense, Darcy Ribeiro (UENF) visam melhor compreender a origem e o desenvolvimento dos processos cognitivos e comportamentais dos homens. blogs-afrique.info
  10. 10.  Neste sentido, é fundamental a parceria que o NEPENC estabelece com o Instituto Benjamim Constant do Rio de Janeiro. A visão, modalidade sensorial privilegiada na cognição humana e, por oposição, a sua falta, representa um campo extremamente fértil para a exploração dos processos cognitivos representacionais dos homens como os seguintes trabalhos atestam:
  11. 11.  Na dissertação de mestrado SEXUALIDADE, DESEJO E COGNIÇÃO de 2004, Patrick Wagner de Azevedo compara as representações eróticas, reais e oníricas de 40 sujeitos (10 indivíduos cegos de nascença; 10 indivíduos cegos por volta da adolescência; 10 cegos tardios e 10 videntes). fernandodealmeida.blogspot.com
  12. 12.  A análise comparativa destas representações (diurnas – estado de vigília; e noturnas – estado de sonho) evidenciou o caráter predominantemente visual/tátil do desejo sexual masculino affo.blog.terra.com.br
  13. 13.  Entretanto, independentemente da capacidade visual do sujeito testado, sempre que as representações sexuais eram visuais (mnêmicas no caso dos cegos tardios) o padrão comportamental de abordagem sexual do indivíduo revelava-se do tipo impessoal e imediato, ilustrana.blogspot.com
  14. 14.  e sempre que as representações sexuais eram táteis, o padrão comportamental de abordagem sexual do indivíduo, fosse ele cego ou vidente, revelava-se pessoal e mediato. lapetitevie-blog.blogspot.com
  15. 15.  Patrick (2004) denomina caráter “pessoal” o padrão comportamental de abordagem sexual que se manifesta nas relações proximais como as que acontecem entre os membros de uma mesma família, amigos, colegas de trabalho e de escola; gartic.com.br
  16. 16.  e “impessoal”, o padrão comportamental de abordagem que se manifesta nas relações mais distais, como as que acontecem entre espectadores e artistas, a população e as autoridades, nos encontros fortuitos e, sobretudo entre clientes e profissionais do sexo. marcelocoelho.folha.blog.uol.com.br
  17. 17.  Como esperado, os resultados também evidenciam que as representações mentais dos cegos são predominantement e táteis enquanto que as dos videntes, predominantement e visuais. hiro.art.br
  18. 18.  Em 2008 Laura Cristina Stobäus desenvolveu a pesquisa DESENVOLVIMENTO METAREPRESENTACIONAL EM CRIANÇAS NORMO-SENSORIAIS, CEGAS E SURDAS DE SEIS ANOS DE IDADE CRONOLÓGICA desenhos-criancas.blogspot.com
  19. 19.  com a intenção de avaliar como 10 crianças normo sensoriais, 10 cegas e 10 surdas, de seis anos de idade, avaliavam as capacidades cognitivas de alguém nos estados de vigília e de sono. desenhos.kids.sapo.pt
  20. 20.  Laura observou que embora, tanto as normo sensoriais quanto as cegas e as surdas estivessem aptas aos seis anos de idade para reconhecer os recursos cognitivos de alguém em estado de vigília, elas não estavam aptas para reconhecer os mesmos recursos de alguém que estava em estado de sono ou de sono. theoamaral-ilustracoes.blogspot.com
  21. 21.  Embora nível de conhecimentos das crianças cegas, a respeito do estado de sono, fosse equivalente aos das crianças normo sensoriais o das surdas, com a mesma idade, era significativamente inferior. theoamaral-ilustracoes.blogspot.com
  22. 22.  Hildeny Rapozo da Silva Lima pesquisou A INFLUÊNCIA DA LUZ NA ORGANIZAÇÃO ENDÓGENA DO CICLO SONO/VIGÍLIA DO BEBÊ. artsbuterfflymarialves.blogspot.com
  23. 23.  Considerando que: o ritmo sono/vigília, endogenamente gerado, é regulado por pistas ambientais, dentre as quais, a alternância claro/escuro ocupa lugar de destaque, e que o padrão de sono de inúmeros cegos adultos apresenta ritmo free-running, Hildeny para avaliar a influência da luz na organização do ciclo sono/vigília do bebê, entrevistou 64 mães de 23 bebês cegos; 18 com baixa visão e 23 videntes, com idades que variavam entre 0 a 60 meses. theoamaral-ilustracoes.blogspot.com
  24. 24.  Ela observou-se que: embora a média de tempo de sono noturno dos bebes cegos fosse relativamente a mesma dos bebês videntes, esta média podia estar escondendo peculiaridades relevantes, pois o sono noturno dos bebês cegos em geral prolongava-se por até 5 horas no período claro que tem início às 7 horas da manhã, fazendo com que alguns dos bebês cegos dormissem até 12 horas ininterruptas. http://images04.olx.pt/ui/2/28/03/33982503_1.jpg
  25. 25.  Ao analisar os despertares noturnos destes bebês Hildeny observou que os despertares noturnos dos bebês cegos eram também mais prolongados do que os dos bebes com baixa visão e videntes. papeis.blogs.sapo.pt
  26. 26.  Por outro lado, os bebes com baixa visão apresentavam tempo de sono noturno menor do que o dos videntes e o dos cegos embora o tempo de seu sono diurno fosse maior do que o dos videntes e o dos cegos, podendo indicando sonolência diurna. Como esses padrões foram observados nos bebes baixa visão e nos cegos com até 60 meses de idade cronológica, acredita-se que ele possa estar denunciando uma tendência rítmica circadiana do tipo free-running. gifsedesenhos.blogspot.com
  27. 27. O radar tátil:O radar tátil: Um guia e uma proteção para as pessoasUm guia e uma proteção para as pessoas cegascegas Resumo: O presente projeto representa a parcela brasileira de uma pesquisa internacional que tem como finalidade avaliar a eficácia de um dispositivo de substituição sensorial, o Radar Tátil (RT), elaborado por pesquisadores da Universidade de Tóquio, aplicável a locomoção espacial de indivíduos cegos que usualmente fazem uso de bengala branca de cano longo para se locomover. Considerando-se a influência das diferenças culturais, educacionais, econômicas e organizacionais das cidades japonesas, francesas e brasileiras, acredita-se que testar a eficácia deste dispositivo em contextos urbanos é fundamental para que se possa avaliar a vantagem do seu uso pela população cega brasileira. Pr. Eliana Sampaio, PhD, HDR; Alvaro Cassinelli, PhD; Pr. Sylvia Joffily, PhD; Hildeny R. S. Lima.
  28. 28.  Para avaliar o impacto do dispositivo de substituição sensorial RT, elaborado na pelo prof. Alvaro Cassinelli do Ishikawa Komuro Laboratory / Department of Information Physics and Computing – University of Tokyonos, nos sentimentos de segurança e independência dos deficientes visuais, em teste locomotor autônomo, os pesquisadores Sylvia Beatriz Joffily e Hildeny Rapozo Da Silva Lima, da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro / Núcleo de Estudos e Pesquisas em Neuropsicologia Cognitiva (NEPENC), em colaboração com a Prof. Eliana Sampaio do Conservatoire National des Arts et Métiers / Paris & CRA Laval – França, testaram a capacidade de locomoção autônoma de 6 sujeitos com baixa visão, 20 cegos precoces e 22 cegos tardios em ambiente experimental fechado com obstáculos.
  29. 29.  Para avaliar os sentimentos de segurança e independência foram utilizados questionários e as escalas AT e AE do Inventário de Ansiedade Traço Estado – IDATE. www-rohan.sdsu.edu
  30. 30.  Nesta ocasião apresentam-se os primeiros resultados obtidos nas escalas AT e AE do Inventário de Ansiedade Traço Estado – IDATE aplicadas durante o experimento locomotor autônomo em ambiente experimental fechado com obstáculos.
  31. 31.  A escala AT foi aplicada visando avaliar e comparar o perfil ansiogênico dos sujeitos que compunham os três subgrupos de deficientes visuais testados, e a escala AE visando avaliar e comparar como o uso do dispositivo de substituição sensorial RT afetava os sentimentos de segurança e de independência dos mesmos sujeitos em dois diferentes momentos, ou seja, antes e depois dos sujeitos terem se locomovido de forma autônoma portando o dispositivo de substituição sensorial RT. fefacavalcanti.blogspot.com
  32. 32.  Em todos os subgrupos de cegos testados – subgrupo BV, subgrupo CP e subgrupo CT –, as médias dos escores obtidos na escala AE-2 (escala aplicada após o uso do RT em espaço experimental fechado) foi menor do que as médias dos escores obtidos nas escalas AT e AE-1. portaldoscondominios.com.br
  33. 33.  Em princípio, os sujeitos do subgrupo CT foram os que mais se beneficiaram com o uso do RT no experimento de locomoção autônoma em ambiente fechado, pois, os escores obtidos por 95,45% dos sujeitos CT na escala AE-2 foram menores do que os escores obtidos pelos mesmos sujeitos nas escalas AE-1 e AT. abgeronto.blogspot.com
  34. 34.  Aparentemente os sujeitos que menos se beneficiaram com o uso do dispositivo de substituição sensorial RT em experimento de locomoção autônoma em ambiente fechado foram os cegos precoces. A menor queda entre as médias dos escores das escalas AE-2 e AE-1 e AT se deu neste subgrupo. Apenas 60% dos sujeitos do subgrupo CP apresentaram escores AE-2 menores do que os obtidos nas escalas AT e AE-1. semumsentido.blogspot.com
  35. 35.  Embora 83% dos sujeitos do subgrupo BV tivessem obtido escores menores na escala AE-2 do que os obtidos nas escalas AE-1 e AT, evidenciando, portanto, proveito no uso do RT na locomoção autônoma em ambiente fechado, este resultado deve ser considerado com cautela, pois o pequeno número de sujeitos BV testados neste subgrupo (apenas 6 sujeitos) não permite conclusões mais definitivas. blogcidadania.com.br
  36. 36.  De maneira geral as mulheres dos subgrupos BV e CP manifestaram menos ansiedade frente ao teste de locomoção autônoma em ambiente fechado do que os homens dos mesmos subgrupos, e que, as mulheres constitucionalmente mais ansiosas se encontravam no subgrupo CT. Dreamstime.com
  37. 37.  Embora ainda incipientes e dependentes de pesquisas mais aprofundadas os resultados obtidos nesta pesquisa parecem indicar ser o dispositivo de substituição sensorial RT um instrumento capaz de proporcionar maior segurança e independência à locomoção autônoma de todos os deficientes visuais. homepages.sover.net
  38. 38. Muito obrigada pela atenção!! E-mail para contatos: Joffily.uenf@gmail.com

×