Gestão de Qualidade na Clínica de Reprodução Humana Assistida

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Aula no curso de pós-graduação da Associação Instituto Sapientiae, em outubro de 2014.

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Gestão de Qualidade na Clínica de Reprodução Humana Assistida

  1. 1. Gestão da Qualidade Gestão da Qualidade em Clínicas de Reprodução Humana Assistida http://slideshare.net/fcbento http://www.androfert.com.br/aulas Bento, 1
  2. 2. Fabiola Bento — Administração de Empresas — Especialização em Economia de Empresas — Auditoria contábil — Treinamento e supervisão de equipes — Androfert desde fundação 1997 — Responsável pela implantação do programa de gestão ISO 9001 — Gerente/Representante da Qualidade Bento, 2
  3. 3. 1996 – Fundação da Androfert 2000 – Primeiros casos de FIV 2002 – Mudança para novo prédio 2006 – Início implantação da ISO 2010 – Certificação 2013 – Recertificação Bento, 3
  4. 4. Bento, 4 Lançado em 2012 I – Estabelecendo um sistema de gestão da qualidade 1. Laboratórios de reprodução 2. Sistema de gestão da qualidade 3. Por onde começar 4. Definindo processos e procedimentos 5. Treinamento 6. Como obter informações II – Laboratório de reprodução 7. Definindo o que o laboratório de reprodução faz 8. Explicando como funciona um laboratório de reprodução 9. Garantindo que o laboratório ofereça um serviço de qualidade III – Experiência internacional 10. Singapore 11. India 12. África do Sul 13. Nigéria 14. Países do Golfo 15. Estados Unidos 16. Chile 17. Brasil 18. Bélgica 19. Holanda 20. Australia
  5. 5. A ANDROFERT HOJE Não oferecemos mais o acompanhamento clínico do tratamento (não temos ginecologistas na clínica desde 2012) Bento, 5 Oferecemos avaliações masculinas, microcirurgias (correção varicocele e reversão vasectomia), técnicas recuperação de espermatozóides (TESA, PESA, MICRO-TESE)
  6. 6. A ANDROFERT HOJE Laboratório de Andrologia (exames diagnósticos, banco de sêmen terapêutico, preparo sêmen IIU) Laboratório de Fertilização In Vitro / ICSI Bento, 6
  7. 7. Objetivos 1- Entender o que é qualidade 2- Entender a diferença entre controle da qualidade, garantia da qualidade, melhoria da qualidade e gestão da qualidade 3- Aplicar esse conceito À PRÁTICA 4- Entender o seu papel no programa de gestão da qualidade Bento, 7
  8. 8. Mas o que é qualidade? Bento, 8
  9. 9. Definição Wikipédia “ Qualidade é um conceito subjetivo que está relacionado diretamente às percepções de cada indivíduo. Diversos fatores como cultura, modelos mentais, tipo de produto ou serviço prestado, necessidades e expectativas influenciam diretamente nesta definição”. Bento, 9
  10. 10. CONCEITO SUBJETIVO — Subjetivo = individual; pessoal; particular. — Portanto, o conceito de qualidade varia de pessoa para pessoa. Bento, 10
  11. 11. “Propriedade, atributo ou condição das coisas ou das pessoas capaz de distingui-las das outras e de lhes determinar a natureza”. Bento, 11
  12. 12. Portanto… É a qualidade daquilo que fazemos que vai nos diferenciar dos outros… Bento, 12
  13. 13. Mas o que é qualidade em uma Clínica de Reprodução Humana? Taxa gravidez 50% Só faz FIV Alta taxa de gravidez múltipla Muita propaganda Bento, 13 Taxa gravidez 30% Todos os tipos de tratamento Baixa taxa de gravidez múltipla Marketing educacional X
  14. 14. Dados Relevantes Aproximadamente 65% dos casais desistem do tratamento sem obter a gravidez antes de completarem 3 ciclos de tratamento1-5 Os médicos costumam colocar maior importância na taxa de gravidez do que os pacientes. Os pacientes procuram clínicas que ofereçam tratamento individualizado sendo esse o motivo mais citado para mudarem de clínica.6 1. Olivius K et al, Fertil Steril 2004;81:258; 2. Land JA et al, Fertil Steril 1997; 68:278; 3. Schroder AK, et al, RBM Online 2004; 5:600; 4. Osmanangaoglu K et al, Hum Reprod 2002; 17:2655; 5. Rajkhowa M et al, Hum Reprod 2006; 21:Bento, 14 358; 6. Empel IWH et al, Hum Reprod 2011;26:584
  15. 15. Dropout Rates (desistências) Em 2005, um estudo realizado no Reino Unido mostrou dropout rates de 25-42%, que aumentam a cada ciclo subsquente. 50% 40% 30% 20% 10% 0% Dropout 1o ciclo 2o ciclo 3o ciclo 4o ciclo Dropout Adaptado de Rajkhowa et al. Reasons for discontinuation of IVF treatment: a questionnaire study. Hum Rep 2005;21:358-363 Bento, 15
  16. 16. — 298 indicadores de qualidade — 24 indicadores considerados mais importantes classificados em 6 “dimensões da qualidade”. Bento, 16
  17. 17. Três principais indicadores 0% 20% 40% 60% 80% 100% Pacientes Enfermeiras Médicos/Embriologistas Segurança Efetividade Foco no Paciente Bento, 17
  18. 18. Na administração… QUALIDADE É SINÔNIMO DE: I- Conformidade com requisitos, normas ou padrões pré-estabelecidos II- Atendimento às necessidades e requisitos do cliente III- Melhoria contínua Bento, 18
  19. 19. 1- NORMAS OBRIGATÓRIAS RDC 23, de 27/05/11 CFM 2013, de 09/05/13 — Requisitos mínimos para o funcionamento das clínicas de reprodução assistida — Art.60 – sistema de gestão da qualidade — Normas éticas para a utilização das técnicas de reprodução assistida Bento, 19
  20. 20. ART.60 – SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE Não existe uma exigência formal quanto ao tipo de sistema implantado, apenas diretrizes. A resolução também não exige um sistema de qualidade certificado. Mundialmente: * Diretiva Européia * EUA – CAP, AAB Androfert: * ISO 9001 * certificação 2010 * implantação 4 anos Bento, 20
  21. 21. II- ATENDIMENTO AO CLIENTE Quem são meus clientes? O que eles esperam de mim? — Perfil dos pacientes: * idade * de onde são * causa da infertilidade * tipo de procura — Baseando-se no perfil, define-se as necessidades e daí os tratamentos a serem oferecidos. Bento, 21
  22. 22. III- MELHORIA CONTÍNUA O que é melhoria contínua? Como se consegue melhorar? — Contínua = sucessiva; ininterrupta. — Estudo — Treinamento — Planejamento — Estabelecimento de objetivos reais e atingíveis — Disciplina, muita disciplina Bento, 22
  23. 23. “Não se pode alcançar um novo objetivo pela aplicação do mesmo nível de pensamento que o levou ao ponto que se encontra hoje.” Bento, 23
  24. 24. CONCLUSÃO Insanidade é continuar a fazer o que você sempre fez e esperar resultados diferentes. James Hunter Em “Como se tornar um líder servidor” Bento, 24
  25. 25. QUALIDADE — Controle da qualidade — Garantia da qualidade — Melhoria da qualidade — Gestão da qualidade Bento, 26
  26. 26. CONTROLE DA QUALIDADE — Atividades diárias para certificar-se que procedimentos e equipamentos específicos estejam funcionando de maneira apropriada. — É basicamente uma forma de verificar se um equipamento produzirá o mesmo resultado todas as vezes que for utilizado. Bento, 27
  27. 27. EXEMPLOS: Checklists de temperatura, de funcionamento dos equipamentos, de limpeza, etc. Check-list - Limpeza do Laboratório de FIV - MÊS: Limpeza Freq 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Lustres M D/uso Câmara fluxo laminar Micromanipulador D/uso Bancada D Cilindro de mistura D de gases Cadeiras D Incubadora CO2 D Monitor D D Blocos aquecedores Gavetas (interno) M Computador D Geladeira D Janela S Telefone D Ante-sala D Cortina S Pia D Piso D Lixo D Responsável (inicial) Bento, 28
  28. 28. GARANTIA DA QUALIDADE — Método para monitorar e analisar todo o processo dentro do laboratório. — Enquanto o controle da qualidade ocorre diariamente junto com as demais atividades do laboratório, a garantia da qualidade é em geral realizada de maneira retrospectiva. Bento, 29
  29. 29. EXEMPLOS: Análise dos Checklists, Programa de Educação Continuada, testes de proficiência, etc. Bento, 30
  30. 30. MELHORIA DA QUALIDADE — O objetivo da melhoria da qualidade é encontrar problemas ou erros e corrigi-los. — É um método para melhorar o desempenho do laboratório como um todo. Bento, 31
  31. 31. EXEMPLOS: Auditorias internas, análise dos relatórios de resultados, etc. SETOR: LABORATÓRIO DE FERTILIZAÇÃO IN VITRO – BIMESTRAL I. Foco do monitoramento: Taxa de Gestação Clínica – ICSI II. Resultado esperado: III. Responsável pelo monitoramento: Diretor do Laboratório Ano: 2011 Parâmetro Objetivo Bimestre Taxa 1 2 3 4 5 6 Gestação Clínica No caso de falha ao atingir o objetivo em qualquer dos trimestres, justificar as razões da não-conformidade (após investigar a causa), e elaborar plano para melhoria a ser inserido na tabela abaixo. Variáveis/Fatores contribuintes Plano de melhoria 1º. Bi 2º. Bi 3º. Bi 4º. Bi 5º. Bi 6º. Bi AUDITORIA INTERNA RELATÓRIO DE AUDITORIA DATA: EQUIPE AUDITORA: AREA/PROCESSO e AUDITADOS Vide listas de verificação de cada auditor As não conformidades e oportunidades de melhoria (caso hajam) da última auditoria foram tratadas adequadamente? sim não Comentários: ___________________________________________________________ No Descrição da Não Conformidade RNC 01 02 03 04 No Oportunidades de melhoria RAP 01 02 ------ 03 ------ 04 ------ RESPONSÁVEL PELO RELATÓRIO Bento, 32
  32. 32. Exemplos do que é exigido na RDC 23 CONTROLE DE QUALIDADE: — Art.51 – registro diário das condições dos equipamentos, refrigeradores ou congeladores GARANTIA DA QUALIDADE: — Art.60 – treinamento periódico MELHORIA DA QUALIDADE: — Art.60 – Auditorias internas periódicas Bento, 33
  33. 33. SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE Análise de todos os parâmetros gerados, análise dos resultados das melhorias realizadas, etc. — É a combinação dos três itens anteriores. — Oferece uma visão global e tem como objetivo oferecer serviços/produtos de qualidade superior. Bento, 34
  34. 34. Princípios básicos de um Sistema de Gestão da Qualidade Um fluxo de trabalho bem organizado vai garantir a boa qualidade do serviço oferecido. IMPORTANTE DEFINIR: * O que você faz * Como você faz * Como você garante que tudo está sendo feito da maneira como planejou Bento, 35
  35. 35. Práticas Básicas e a RDC 23 — Controle de documentos — Controle de registros — Auditorias internas — Controle de não conformidades e ações corretivas — Ações preventivas — Manutenção preventiva e calibração equipamentos — Art.12 — Art.9, Art.58 — Art.60 — Art. 12, Art.60 — Art.50 — Art.41 Bento, 36
  36. 36. Controle de documentos • Lista documentos • Controle revisões • Datas renovação Bento, 37
  37. 37. Documentos que devem ser controlados: Documentos Internos: POP’s, normas, rotinas, etc Documentos Externos: Alvará, contratos serviços terceirizados, qualificação empresas contratadas, etc Bento, 38
  38. 38. Controle de Registros — Exemplo — Prontuário Nome: Consentimento informado FIV Código: CI-01 Última versão: 21/09/11 Original: servidor, pasta bctg, consentimentos Armazenamento: prontuário Proteção: sigilo médico Recuperação: nome do paciente Retenção: 20 anos Bento, 39
  39. 39. Auditorias Internas Bento, 40
  40. 40. Controle de Não-Conformidades e Ações Corretivas • Atraso atendimento • Equipamento não calibrado ou sem manutenção • Reclamação paciente • Problema laboratório Bento, 41
  41. 41. Ações Preventivas • Compra de novo equipamento • Contratação • Reforma • Treinamento Bento, 42
  42. 42. Manutenção Preventiva e Calibração de Equipamentos POP Manutenção Registros Bento, 43
  43. 43. Para que tudo isso? Bento, 44
  44. 44. 1- Padronização (compare apples to apples) 2- Repetição (facilita treinamento) 3- Controle de qualidade (elimina variáveis que podem interferir no resultado final) 4- Gestão da qualidade (monitorar resultados, lidar com desvios na hora certa, evitar reincidência, desenvolver planos de melhoria, melhorar desempenho geral) Bento, 45
  45. 45. Sistema de Gestão da Qualidade É OBRIGATÓRIO Não adianta querer fugir! Bento, 46
  46. 46. Resumindo… Quais são os requisitos básicos de um sistema de gestão da qualidade? Bento, 47
  47. 47. FOCO NO PACIENTE Identificar necessidades dos pacientes Entender pacientes Reduzir stress Tornar o tratamento “patient friendly” Bento, 48
  48. 48. TRABALHO EM EQUIPE Respeitar diferenças Focar qualidades Trabalhar juntos Foco resultado geral e não desempenho individual Bento, 49
  49. 49. MELHORIA CONTÍNUA Assumir erros Admitir mudanças Querer sempre mais Nunca parar de estudar Bento, 50
  50. 50. LIDERANÇA Um Sistema de Gestão da Qualidade só tem como funcionar com líderes comprometidos com a qualidade e que sirvam de exemplo para a equipe de trabalho. Bento, 51
  51. 51. “The real voyage of discovery consists not in seeking new landscapes, but in having new eyes.” Marcel Proust
  52. 52. Obrigada! fabiola.bento@androfert.com.br http://slideshare.net/fcbento http://www.androfert.com.br/aulas

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