O fim de uma ilusão

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O fim de uma ilusão

  1. 1. O FIM DE UMA ILUSÃOFernando Alcoforado*O balanço dos governos Lula e Dilma Roussef indica o descompromisso do PT no gerale de suas lideranças com as grandes lutas do povo brasileiro levadas avante nos últimos50 anos, numa incoerência histórica traidora. Esta incoerência se coloca em dois planos:o primeiro, ao aderir ao modelo econômico neoliberal de subordinação do Brasil aocapital financeiro nacional e internacional que foi introduzido pelo ex-presidente Collor,dado continuidade pelos ex-presidentes FHC e Lula e mantido pela atual presidenteDilma Roussef. O segundo diz respeito ao abandono pelo PT e de suas lideranças de umprincípio que se constituía no passado em uma marca do partido, que o diferenciava dosdemais, qual seja a prática da ética e da moralidade no exercício da política como ficouevidenciado com as alianças que realizou com “escórias” da política brasileira comoCollor, Sarney, Maluf e Renan Calheiros, entre outros sob o pretexto de assegurar agovernabilidade e com a compra de votos no parlamento demonstrada no caso do“mensalão”.Ao dar continuidade à política econômica e financeira do governo FHC de triste memória, osgovernos do PT de Lula e Dilma Roussef praticaram um verdadeiro ato de traição contraaqueles que votaram nele, como o autor destas linhas, na expectativa de que houvesse apromoção de mudanças econômicas e sociais exigidas para o País. Mudar o mundo através doEstado foi o paradigma que predominou no âmbito dos partidos políticos de esquerda doséculo XVIII até a década de 1990 do século XX. A tese dos partidos políticos deesquerda que fundamentava essas concepções é simples: conquista-se o Estado que atéentão era um instrumento da burguesia e o transforma em um instrumento do povo pararealizar as mudanças econômicas e sociais. A tese de considerar o Estado como centroirradiador da mudança está sendo um rotundo fracasso no mundo e também no Brasil,após as vitórias eleitorais de Lula em 2002 e 2006 e Dilma Roussef em 2010. Depois dofracassado governo antinacional e neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, esperava-se que os governos Lula e Dilma Roussef representassem um passo à frente no queconcerne ao desenvolvimento econômico e social do Brasil.As altas taxas de juros (Selic) praticadas pelo governo federal desde o governo FHC atérecentemente muito contribuiu para o aumento desmesurado da dívida pública federal(R$ 2 trilhões) que teve como grande beneficiário o sistema financeiro. A aquisição dostítulos da dívida pública federal remuneravam e ainda remuneram os bancos pelas maiselevadas taxas de juros do planeta. Nunca na história do Brasil os bancos ganharamtanto dinheiro quanto nos governos de FHC e de Lula. A desnacionalização daeconomia brasileira aumentou vertiginosamente quando se observa que das 50 maioresempresas brasileiras, 26 são estrangeiras. Mais da metade das empresas brasileiras desetores de ponta como automobilístico, aeronáutica, eletroeletrônico, informática,farmacêutico, telecomunicações, agronegócio e minérios estão nas mãos do capitalestrangeiro. O capital estrangeiro está presente em 17.605 empresas brasileiras querespondem por 63% do Produto Interno Bruto (PIB), e tem o controle de 36% do setorbancário. Uma das bandeiras do PT e de seus aliados de esquerda que era a defesa dosinteresses nacionais foi abandonada.A desnacionalização da economia brasileira alcançou também o ensino superior doBrasil durante os governos petistas com a compra pelo capital estrangeiro de inúmerasfaculdades e universidades privadas. Grande parte do investimento direto do capital 1
  2. 2. estrangeiro no Brasil se destina hoje à aquisição de empresas brasileiras que sucumbemdiante da impossibilidade de competir nos mercados interno e externo. Enquanto isto, oBrasil apresenta também claros sinais de desaceleração de sua economia que tem trêscausas: 1) o impacto da crise econômica mundial devido à redução das exportaçõesbrasileiras; 2) a menor expansão do consumo das famílias devido à redução de suacapacidade de endividamento; e, 3) a queda dos investimentos públicos devido à baixapoupança do setor público e dos investimentos privados em consequência da retraçãodos mercados interno e externo. Como o governo Dilma Roussef e o PT não têm acoragem política nem a ousadia de promover as mudanças estruturais exigidas para oPaís porque teria que afetar interesses poderosos, o governo federal se desdobra paradeter a desaceleração da economia brasileira refletida no pífio crescimento do PIBincentivando o consumo para a população através do crédito baseado na liberação derecursos para o sistema financeiro e a redução seletiva de impostos.Esta política adotada pelo governo Dilma Roussef está sendo, entretanto, ineficazporque o crescimento econômico do Brasil, incentivado pelo aumento artificial doconsumo, tem como contrapartida a disparada do endividamento e da inadimplência dapopulação brasileira. Após a população ter respondido aos estímulos do governo federaldesde o governo Lula com grande expansão do consumo, o endividamento das famíliasatingiu seu limite. Não há alternativa para o Brasil de crescer a não ser elevando osinvestimentos públicos e privados. Na impossibilidade de realizar as mudançaseconômicas e sociais exigidas para o País, os governos petistas adotaram a política de semanter no poder a todo custo buscando o apoio da população com a adoção de umapolítica clientelista institucionalizando o Bolsa Família que, sob o pretexto de ajudar ospobres, funciona, na prática, como instrumento de compra de votos nas eleições.Adicionalmente, procurou constituir maioria parlamentar no Congresso Nacionalcomprando votos de parlamentares para apoiarem os projetos do governo como ficoudemonstrado no caso do “mensalão”. O comportamento carente de ética e moral do PTe do ex-presidente Lula coloca em xeque também todos os militantes sérios do PT e dospartidos aliados e personalidades que o apoiam. A possível defecção do governadorEduardo Campos e do PSB da base aliada do governo petista talvez resulte deste fato.A corrupção que sempre existiu nas estruturas de poder no Brasil se tornou sistêmicadurante os governos do PT na tentativa de se manter no poder a todo o custo. O estadode corrupção política sistêmica desenfreada é conhecido como cleptocracia, o queliteralmente significa "governado por ladrões". Outro grave problema diz respeito àmalversação de recursos públicos no Brasil que se manifesta nos gastos com a excessivaquantidade de ministérios, nada menos que 38, e outros órgãos públicos muitos delesinúteis, o dispendioso regime bicameral (Câmara dos Deputados e Senado) quandodeveria ser unicameral, o excessivo número de cargos comissionados nos três poderesda República para empregar os apoiadores do governo os quais totalizam atualmente 22mil muitos deles cabides políticos, o superfaturamento em obras públicas e a execuçãode obras faraônicas, entre outros. O esgoto da corrupção e da má gestão é por onde seperdem bilhões de reais em recursos públicos. É preciso acabar com a farra com odinheiro público patrocinada por maus políticos, que há muito tempo só dão despesas aoPaís, não respeitam os gastos públicos e nem os bolsos dos contribuintes. Enquantofaltam recursos para investimentos em Educação, Saúde e Segurança, a farra do PoderExecutivo, da Câmara dos Deputados e do Senado com o dinheiro do contribuintecontinua sem parcimônia. Tudo isto demonstra que chegou ao fim a ilusão de que o PTrealizaria as mudanças econômicas e sociais desejadas pela maioria do povo brasileiro. 2
  3. 3. *Fernando Alcoforado, 73, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regionalpela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico,planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor doslivros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordemMundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000),Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade deBarcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento(Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e ObjetivosEstratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of theEconomic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. MüllerAktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e CatástrofePlanetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil ecombate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) eOs Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), entreoutros. 3

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