BRASIL: CENÁRIOS FUTUROS DE UM PAÍS RADICALIZADO E DIVIDIDO 
Fernando Alcoforado* 
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liderar e conduzir o seu próprio desenvolvimento regional, condicionando-o à 
mobilização dos fatores produtivos disponíve...
regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São 
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O Brasil é hoje um país dividido entre petismo e antipetismo que se traduziu nas últimas eleições presidenciais. Tomando por base os resultados das eleições presidenciais em seu primeiro turno, constata-se que os partidários do PT representam 41,59% (eleitores de Dilma Roussef). A diferença (58,41%) representa o posicionamento de oponentes do PT que não aceitam a política posta em prática por este partido e seus dirigentes na condução dos destinos da nação. Esta insatisfação que se manifestou no primeiro turno das eleições presidenciais e aconteceu também de forma radicalizada nas manifestações de junho de 2013 em todo o País resulta da má gestão da economia pelo governo Dilma Roussef e da corrupção sistêmica que permeia a administração pública no Brasil. A existência de um país dividido e radicalizado que se registra no momento fará com que se torne uma tarefa de difícil realização para Dilma Roussef governar o Brasil se vencer as eleições.Aécio Neves é a alternativa antipetista para galgar o poder no segundo turno das eleições presidenciais. Se Aécio Neves vencer as eleições presidenciais no segundo turno e não tentar aglutinar a nação em torno de um projeto comum de desenvolvimento nacional também fracassará porque o País continuará dividido e de difícil governabilidade.

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Brasil cenários futuros de um país radicalizado e dividido

  1. 1. BRASIL: CENÁRIOS FUTUROS DE UM PAÍS RADICALIZADO E DIVIDIDO Fernando Alcoforado* O Brasil é hoje um país dividido entre petismo e antipetismo que se traduziu nas últimas eleições presidenciais. Tomando por base os resultados das eleições presidenciais em seu primeiro turno, constata-se que os partidários do PT representam 41,59% (eleitores de Dilma Roussef). A diferença (58,41%) representa o posicionamento de oponentes do PT que não aceitam a política posta em prática por este partido e seus dirigentes na condução dos destinos da nação. Esta insatisfação que se manifestou no primeiro turno das eleições presidenciais e aconteceu também de forma radicalizada nas manifestações de junho de 2013 em todo o País resulta da má gestão da economia pelo governo Dilma Roussef e da corrupção sistêmica que permeia a administração pública no Brasil. A existência de um país dividido e radicalizado que se registra no momento fará com que se torne uma tarefa de difícil realização para Dilma Roussef governar o Brasil se vencer as eleições. A permanência do PT no poder com a vitória de Dilma Roussef no segundo turno das eleições pode se constituir em fator de instabilidade político institucional porque sem o apoio da maioria da nação ela perderia a condição de governar a nação. Dilma Roussef passaria a ser uma cópia de Nicolas Maduro na presidência da Venezuela que enfrenta sérios problemas de governabilidade em seu país profundamente dividido. A legitimidade de um governante só se materializa na prática quando ele conta com o apoio efetivo da maioria da nação. Os graves problemas vividos pela nação no momento atual estão a exigir um governante que tenha capacidade de aglutinar a nação em torno de um projeto comum. Além de demonstrar incompetência na gestão da economia nacional, o PT e Dilma Roussef não reúnem mais condições políticas para aglutinar o País em torno de um projeto comum de desenvolvimento nacional. Aécio Neves é a alternativa antipetista para galgar o poder no segundo turno das eleições presidenciais. Se Aécio Neves vencer as eleições presidenciais no segundo turno e não tentar aglutinar a nação em torno de um projeto comum de desenvolvimento nacional também fracassará porque o País continuará dividido e de difícil governabilidade. Para Aécio Neves aglutinar a nação em torno de um projeto comum de desenvolvimento nacional ele deveria, de início, enterrar o modelo neoliberal que vem infelicitando a nação brasileira desde o governo Fernando Henrique Cardoso que já se esgotou no governo Dilma Roussef e elaborar um plano estratégico de desenvolvimento para o Brasil contando com a participação de representantes dos setores produtivos, Estados, Municípios e da Sociedade Civil. É preciso não esquecer que Aécio Neves no poder enfrentará a oposição raivosa do PT e seus aliados. Uma forma de neutralizar esta oposição raivosa é se articulando com representantes dos setores produtivos, Estados, Municípios e da Sociedade Civil. O sucesso da aglutinação da nação em torno de um projeto comum de desenvolvimento nacional depende também do esforço que o futuro governante faça objetivando a descentralização administrativa do governo federal através da criação de estruturas regionais que possibilitem a integração das ações dos governos federal, estadual e municipal na promoção do desenvolvimento de cada região do Brasil. É preciso considerar que a descentralização da máquina administrativa do governo é uma das condições indispensáveis para a desconcentração econômica do Brasil. Para promover o desenvolvimento econômico do Brasil deveria ser adotado em cada região o modelo de desenvolvimento endógeno que enfatiza a necessidade de cada sociedade regional 1
  2. 2. liderar e conduzir o seu próprio desenvolvimento regional, condicionando-o à mobilização dos fatores produtivos disponíveis em sua área e ao seu potencial endógeno contando com o apoio do governo federal, dos governos estaduais e municipais e com a efetiva participação do setor privado e da Sociedade Civil organizada. Aécio Neves fracassará como alternativa antipetista de governo se mantiver o fracassado modelo neoliberal e não tentar aglutinar a nação em torno de um projeto comum de desenvolvimento nacional nos termos acima propostos. Não basta derrotar Dilma Roussef no segundo turno das eleições presidenciais. A legitimidade do governo Aécio Neves só será alcançada se ele substituir o fracassado modelo neoliberal pelo modelo de desenvolvimento com ênfase no mercado interno que é absolutamente necessário porque o Brasil não pode continuar dependente das receitas de exportação, especialmente da China que está apresentando desaceleração no seu crescimento e a economia mundial se encontra em recessão rumo à depressão. A expansão do mercado interno depende, entretanto, do incremento dos investimentos públicos e privados visando a promoção do crescimento econômico. Para aumentar os investimentos públicos, o governo precisa renegociar com seus credores o pagamento do serviço da dívida pública interna alongando-o por um determinado período de tempo e, de outro, fazer com que seus gastos correntes sejam reduzidos drasticamente como, por exemplo, a redução do número de ministérios e de cargos comissionados ocupados por partidários do atual governo, para dispor de recursos públicos para investir, sobretudo na deficiente infraestrutura econômica (energia, transportes e comunicações) e social (educação, saúde, habitação e saneamento básico). Para aumentar os investimentos privados, o futuro governo precisa adotar uma política de juros baixos e reduzir drasticamente a carga tributária. Um governo que não se proponha a reestruturar a economia nacional nos termos acima descritos estará fadado ao fracasso. O mesmo cenário de ingovernabilidade que haveria com a reeleição de Dilma Roussef se reproduziria também com um governo Aécio Neves que decida manter o “status quo” e não tome a iniciativa de se articular com representantes dos setores produtivos, Estados, Municípios e da Sociedade Civil na busca de solução para os problemas nacionais. A manutenção do “status quo” colocaria o futuro governo Aécio Neves na vala comum do descrédito perante a nação. Aécio Neves precisa entender que a nação brasileira está à espera de um governo que seja a antítese do autoritário governo Dilma Roussef que nunca dialogou com a sociedade visando a construção de um projeto comum de desenvolvimento nacional. A nação está à espera de um governante que tenha a estatura de estadista como foi Getúlio Vargas que promoveu a construção do Brasil moderno com o processo de industrialização após a crise econômica mundial de 1929 e a Revolução de 1930. A grave crise vivida atualmente pelo Brasil está a exigir um verdadeiro estadista no comando da nação que reestruture a vida nacional em novas bases. A reestruturação da vida nacional não deve se restringir apenas ao campo da economia. O avanço da criminalidade na sociedade brasileira e da corrupção sistêmica no aparelho de Estado está a exigir um governante que seja capaz de realizar esta tarefa com o apoio decidido da maioria da nação. Fernando Alcoforado, 74, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento 2
  3. 3. regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) e Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), entre outros. 3

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