1“ACORDOS PELO ALTO”, GOLPES DE ESTADO E CARÊNCIA DEREVOLUÇÕES BARRARAM O PROGRESSO DO BRASIL AO LONGO DESUA HISTÓRIAFerna...
2forçados. Recebem a solidariedade dos demais bispos e do Vaticano. Mais tarde, osbispos são anistiados, mas a Igreja não ...
3nacionalista objetivando ampliar o mercado interno, acionando os mecanismos deexpansão industrial do País.O terceiro gran...
Próximos SlideShares
Carregando em…5
×

Acordos pelo alto, golpes de estado e carência de revoluções barraram o progresso do brasil ao longo de sua históra

230 visualizações

Publicada em

0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
230
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
3
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
1
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Acordos pelo alto, golpes de estado e carência de revoluções barraram o progresso do brasil ao longo de sua históra

  1. 1. 1“ACORDOS PELO ALTO”, GOLPES DE ESTADO E CARÊNCIA DEREVOLUÇÕES BARRARAM O PROGRESSO DO BRASIL AO LONGO DESUA HISTÓRIAFernando Alcoforado*Um dos grandes problemas do Brasil é o de não ter superado com efetividade suascontradições econômicas e sociais ao longo de sua história. De modo geral, emmomentos de crise política sempre ocorreram acordos entre as classes dominantes quepossibilitavam manter o “status quo” como ocorreu, por exemplo, durante a “RepúblicaVelha”, após a Proclamação da República em 1889 com a “política do café com leite” e,após o fim do regime militar em 1985, com a eleição indireta de Tancredo Neves àPresidência da República. Quando não houve “acordos pelo alto” ao longo da história, oBrasil foi vítima de golpes de estado como ocorreu em 1889 com o fim do Império, em1930 com o fim da “República Velha” e em 1964 com a implantação da ditaduramilitar. Ao longo da história do Brasil, o povo brasileiro nunca foi protagonista dasmudanças políticas, econômicas e sociais, sendo apenas um mero coadjuvante. Aprópria Independência do Brasil não resultou da luta do povo brasileiro, mas sim davontade do Imperador D. Pedro I.Em 1889, 1930 e 1964 não foi possível o “acordo pelo alto” com a conciliação entre asclasses dominantes. Nestes momentos históricos, o golpe de estado passou a ser asolução para atenuar as contradições políticas, econômicas e sociais existentes. Apesardas inúmeras revoltas populares registradas ao longo da história do Brasil, umaverdadeira revolução política, econômica e social capaz de realizar mudanças estruturaisprofundas e promover o desenvolvimento em benefício da população brasileira nuncaaconteceu efetivamente no País. Todas as tentativas revolucionárias realizadas no Brasilforam abortadas com dura repressão pelos detentores do poder. É sabido que, nomundo, os países que mais avançaram politicamente são aqueles cujos povos foramprotagonistas, através de revoluções sociais, das mudanças realizadas nos planoseconômico e social.O primeiro golpe de estado realizado no País ocorreu em 15 de novembro de 1889 coma derrubada de D. Pedro II como Imperador do Brasil (Ver Decadência do impériodisponível no website <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/primeiro-reinado/decadencia-do-imperio.php>. A queda de D. Pedro II se tornou inevitávelporque federalistas, abolicionistas e positivistas se opunham ao excesso de centralizaçãode poder e convergiam para a solução republicana cujas ideias apareceram no Brasildesde o período colonial. A adesão da família real à abolição da escravatura minou asrelações do Império com os fazendeiros. O desgaste aumenta quando o imperador perdeo apoio da Igreja e do Exército. A oposição ao Império se estende aos industriais de SãoPaulo e do Rio de Janeiro e às classes médias urbanas.Antes da eclosão do golpe de estado que depôs D. Pedro II, o Império já havia perdidosua sustentação política junto à oligarquia agrária, à Igreja e ao Exército. O conflito doImpério com a oligarquia agrária teve início com a adesão da família real à abolição daescravatura. O conflito entre o Império e a Igreja aconteceu quando os bispos de Olinda,Gonçalves de Oliveira, e do Pará, Macedo Costa, proíbem a participação de maçons emconfrarias e irmandades católicas. Dom Pedro II interfere e manda suspender a medida.Os bispos mantêm suas posições e, em 1874, são presos e condenados a trabalhos
  2. 2. 2forçados. Recebem a solidariedade dos demais bispos e do Vaticano. Mais tarde, osbispos são anistiados, mas a Igreja não perdoa dom Pedro II e retira-lhe o apoio.O conflito entre o Império e o Exército ocorreu em 1875 quando o Parlamento aprova oRegulamento Disciplinar do Exército, que proíbe os militares de manifestarempublicamente suas divergências e posições políticas, quando em 1884 ocorreu a puniçãodo capitão Antônio de Sena Madureira por apoiar publicamente o fim da escravatura euma segunda punição pelo mesmo motivo ao oficial Ernesto Augusto da Cunha Matos.Antes da eclosão do golpe de estado que depôs D. Pedro II, ocorreram manifestaçõespolíticas republicanas de militares que eclodiram por todo o País, apesar das tentativasdo governo de sufocá-las.No início de novembro de 1889, o marechal Deodoro da Fonseca e o almirante EduardoWandenkolk aderiram também ao movimento republicano e à conspiração contra oImpério, já em curso. O golpe militar para derrubar o governo é preparado para 20 denovembro. O governo imperial organiza-se para combater o movimento. Temendo umapossível repressão, os rebeldes antecipam a data para o dia 15 de novembro de 1889.Com algumas tropas sob sua liderança, Deodoro consegue a adesão de Floriano Peixoto,chefe da guarnição que defende o ministério do Exército e prende todo o gabinete. Doisdias depois a família real embarca para Portugal, em sigilo.O segundo golpe de estado ocorrido no Brasil se realizou em 1930 com a ascensão aopoder de Getúlio Vargas [Ver A Era Vargas (Revolução de 30 e o Estado Novo)disponível no website <http://meuartigo.brasilescola.com/historia-do-brasil/a-era-vargas-revolucao-30-estado-novo.htm>]. Ressalte-se que logo após a Proclamação daRepública em 1889 predominavam interesses ligados a oligarquia latifundiária comdestaque para os cafeicultores. Essas elites influenciando o eleitorado ou fraudando aseleições (voto de cabresto), impuseram seu domínio sobre o País. Em acordo, apresidência da República era assumida por paulistas e mineiros, alternadamente com adenominada “política de café com leite”.A tentativa do presidente Washington Luiz de impor o nome do presidente de São PauloJúlio Prestes, fez com que o acordo de alternância entre Minas Gerais e São Paulo fosseprejudicado. Em contrapartida, os estados de Minas e Paraíba apoiaram à eleiçãopresidencial o gaúcho Getúlio Vargas, ex- ministro da Fazenda de Washington Luiz,então presidente do Rio Grande do Sul, formando uma frente oposicionista denominadaAliança Liberal. A candidatura de Júlio Prestes foi vitoriosa em eleição fraudada fatoeste que fez com que ocorresse o levante dos estados de Minas, Paraíba e Rio Grande doSul com a eclosão da denominada Revolução de 1930 com a participação decisiva deamplos setores militares. Outro acontecimento inesperado, o assassinato de João Pessoa,vice de Getúlio Vargas, motivado por crime passional, deu mais força à conspiraçãogolpista..A denominada Revolução de 1930 foi um movimento patrocinado pela classe média,por setores da oligarquia agrária não alinhada ao eixo Minas Gerais e São Paulo, pelostenentes do Exército em revolta contra a situação social existente, parte difusa dapopulação e pelo Partido Democrático, criado em São Paulo em 1926, que compunhama Aliança Liberal. A denominada Revolução de 1930 acarretou a substituição, no seioda classe dominante, do núcleo oligárquico tradicional por uma nova elite, de origempositivista, reformadora e modernizante, que acabaria se personificando na figura deGetúlio Vargas que propunha uma política de desenvolvimento baseada num projeto
  3. 3. 3nacionalista objetivando ampliar o mercado interno, acionando os mecanismos deexpansão industrial do País.O terceiro grande golpe de estado realizado no Brasil ocorreu em 31 de março/ 1º deabril de 1964. A economia brasileira estava em declínio desde o fim do governo JK e acrise política se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961 devido à oposiçãode setores militares à posse do vice de Jânio, João Goulart. Este só assumiu apresidência graças à resistência ao golpe de estado por parte do governador Brizola doRio Grande do Sul e ao acordo que criou o parlamentarismo no Brasil que retirava dopresidente parte de seu poder. Com o fim do parlamentarismo em plebiscito, o governoJoão Goulart (1961-1964) causava preocupação aos setores conservadores como, porexemplo, os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média quetemiam uma guinada do Brasil para o socialismo. O estilo populista e de esquerda dogoverno João Goulart levou o governo dos Estados Unidos e as classes conservadorasbrasileiras a colaborarem com o golpe de estado executado pelos militares em 1964.No dia 13 de março de 1964, João Goulart realiza um grande comício na Central doBrasil (Rio de Janeiro), onde defende as Reformas de Base e prometia mudançasradicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país. Em 19 de março, ossetores conservadores organizam a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, quereuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo contra ogoverno Goulart. A crise militar se acentuou com a revolta de soldados, sargentos emarinheiros, pondo em xeque a hierarquia militar. No dia 31 de março de 1964, tropasde Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. Para evitar uma guerra civil, João Goulartdeixa o país refugiando-se no Uruguai. Os militares assaltam o poder contando com oapoio do governo dos Estados Unidos inaugurando um regime altamente repressivo quedurou 21 anos (1964- 1985).*Fernando Alcoforado, 73, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regionalpela Universidade de Barcelona, professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico,planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor doslivros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordemMundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000),Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade deBarcelona, http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento(Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e ObjetivosEstratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of theEconomic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. MüllerAktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e CatástrofePlanetária (P&A Gráfica e Editora, Salvador, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil ecombate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011) eOs Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), entreoutros.STORIA

×